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ANEMIAS HEMOLÍTICAS P R O F . H U G O B R I S O L L A COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Anemias hemolíticas 2HEMATOLOGIA PROF. HUGO BRISOLLA APRESENTAÇÃO: @estrategiamed /estrategiamedEstratégia MED t.me/estrategiamed Bem-vindo(a), Estrategista, a um dos temas mais importantes de Hematologia: as anemias hemolíticas! Ao longo das próximas páginas, vamos rapidamente entender como surgem, como apresentam-se e como são tratadas essas interessantes condições, sempre focando nos pontos mais abordados pelas provas de Residência e no modo como são trazidos pelas questões. Dê especial atenção à anemia falciforme, futuro Residente, porque esse é um dos tópicos mais cobrados em Hematologia, juntamente com a anemia ferropriva e a anemia megaloblástica. Bons estudos! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://www.instagram.com/estrategiamed/?hl=pt https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 3 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO À HEMÓLISE 5 1.1 QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 5 1.2 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 9 2.0 ANEMIA FALCIFORME 10 2.1 HERANÇA GENÉTICA NA ANEMIA FALCIFORME 11 2.2 TRIAGEM NEONATAL DA ANEMIA FALCIFORME 12 2.3 QUADRO LABORATORIAL DA ANEMIA FALCIFORME 13 2.4 COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME 14 2.4.1 CRISES ÁLGICAS 15 2.4.2 AUTOESPLENECTOMIA 16 2.4.3 SEQUESTRO ESPLÊNICO, CRISE APLÁSICA E CRISE HIPER-HEMOLÍTICA 17 2.4.4 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO 19 2.4.5 SÍNDROME TORÁCICA AGUDA 20 2.4.6 OUTRAS COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME 22 2.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FALCIFORME 22 2.6 HEMOGLOBINOPATIA SC 23 3.0 ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA 24 4.0 DEFICIÊNCIA DE G6PD 26 5.0 ANEMIAS HEMOLÍTICIAS AUTOIMUNES 28 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 4 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 6.0 ANEMIAS HEMOLÍTICAS MICROANGIOPÁTICAS 31 6.1 PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA TROMBÓTICA – PTT 32 6.2 SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA – SHU 34 6.3 COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA – CIVD 35 7.0 HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA - HPN 36 8.0 FLUXOGRAMA DE INVESTIGAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 38 9.0 LISTA DE QUESTÕES 39 10.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 40 11.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 41 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 5 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 1.0 INTRODUÇÃO À HEMÓLISE Figura 1 - Tipos de hemólise: o sítio de ocorrência da destruição das hemácias é uma importante informação fisiopatológica que podemos utilizar para identificar a causa da anemia hemolítica. Na maioria das vezes, a hemólise será extravascular, mediada por macrófagos esplênicos, ocasionando a metabolização dos componentes das hemácias (hemoglobina, membrana) e gerando substâncias (como a desidrogenase lática e a bilirrubina indireta). Já em anemias hemolíticas marcadas por destruição das hemácias na própria circulação (hemólise intravascular), a alteração mais marcante é a liberação de hemoglobina livre no plasma, o que causa hemoglobinemia e, consequente, a eliminação de hemoglobina na urina (hemoglobinúria e hemossiderinúria). Hemólise é a destruição prematura das hemácias. Esse processo diminui sua vida média habitual de 120 dias e pode desencadear um quadro de anemia se superar a capacidade da medula óssea em repor os eritrócitos perdidos. Na maioria dos casos, a hemólise é mediada pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial (baço, fígado e medula óssea), constituindo CAPÍTULO Note que essa distinção não é apenas fisiopatológica: tem implicações no quadro clínico-laboratorial esperado das hemólises, que destrincharemos a seguir. 1.1 QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS Tanto a hemólise intravascular quanto a extravascular levam a algumas alterações características, que são, em geral, decorrentes da liberação do conteúdo citoplasmático das hemácias com sua destruição. A desidrogenase lática (DHL), por exemplo, é uma enzima intracelular, abundante no citoplasma de todas as células, que terá seus níveis séricos aumentados em quadros hemolíticos. o que chamamos de hemólise extravascular. Outras condições, entretanto, podem levar à hemólise intravascular, isto é, à destruição das hemácias na própria circulação, o que rompe sua membrana celular e leva à liberação de seu conteúdo citoplasmático, como mostra a figura abaixo: COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 6 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED A liberação da hemoglobina, por sua vez, levará a diversos eventos, como o consumo da haptoglobina. Nesse caso, qualquer quantidade de hemoglobina livre no plasma prontamente se ligará à haptoglobina para evitar que ela cause danos oxidativos ou para que seja filtrada pelos rins e eliminada na urina, o que ocasionaria perda de ferro ao organismo. Por ser muito grande para ser filtrado pelos rins, o complexo haptoglobina-hemoglobina é retirado da circulação pelos Figura 2 - Ação da haptoglobina: essa proteína hepática tem função de clarear a hemoglobina livre no plasma. Age ligando-se à hemoglobina liberada com a destruição das hemácias, evitando que seja filtrada pelos rins e eliminada na urina. O complexo hemoglobina-haptoglobina sofrerá, então, endocitose pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial, que metabolizarão a molécula de hemoglobina em seus componentes básicos: globina e grupo heme. Enquanto a globina será degradada em aminoácidos, a protoporfirina do grupo heme dará origem à bilirrubina indireta e o ferro será reaproveitado, seja armazenado em ferritina, seja transportado pela transferrina no soro. macrófagos do sistema reticuloendotelial, os quais metabolizarão a hemoglobina em seus componentes básicos: protoporfirina, ferro e globinas. Enquanto o ferro será reutilizado para a produção de novas moléculas de hemoglobina, a globina é degradada em aminoácidos e a protoporfirina dará origem à bilirrubina indireta ou não conjugada. Assim, estados hemolíticos são caracterizados tanto pela diminuição dos níveis de haptoglobina quanto pela icterícia às custas de bilirrubina indireta, conforme a figura a seguir. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 7 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED É por essa hiperbilirrubinemia indireta que condições hemolíticas crônicas cursarão com litíase biliar: a bilirrubina indireta é convertida em bilirrubina direta pelo fígado e eliminada na bile, levando à formação de cálculos biliares pigmentados. Outra alteração esperada é a reticulocitose. A destruição das hemácias faz com que a medula reaja aumentando a produção de novas hemácias, liberadas na circulação na forma de reticulócitos. É por essas contagens reticulocitárias aumentadas que anemias hemolíticas podem ser macrocíticas: os reticulócitos são maiores que as hemácias maduras, ocasionando a elevação do volume corpuscular médio (VCM). No entanto, na maioria dos casos, as anemias hemolíticas serão normocíticas, com a exceção das talassemias, tipicamente microcíticas, como vimos no livro do tema. O esfregaço de sangue periférico também pode nos ajudar a identificar quadros hemolíticos, colega Estrategista. A presença de esferócitos e de microesferócitos, por exemplo, pode ocorrer em qualquer anemia hemolítica,já que esses são eritrócitos que não foram destruídos, mas perderam parte de sua superfície de membrana, deixando seu formato bicôncavo habitual, adquirindo, assim, uma forma esférica. Outras alterações são mais específicas de uma ou outra condição, como os leptócitos (hemácias em alvos), vistos nas hemoglobinopatias (anemia falciforme, talassemia, hemoglobinopatia SC); os esquizócitos (hemácias fragmentadas), típicos das anemias hemolíticas microangiopáticas; e os drepanócitos (hemácias em foice), associados à doença falciforme. Veja todas essas alterações na imagem abaixo, mas não se preocupe: serão abordadas novamente em cada condição associada. Figura 3 Esferócitos, leptócitos, drepanócitos e esquizócitos. Por fim, é importante lembrar que temos algumas características que são particulares à hemólise intravascular. Nesses casos, a quantidade de hemoglobina liberada no plasma é tão grande que supera a capacidade da haptoglobina em contê-la, fazendo que ocorra grande hemoglobinemia. Essa hemoglobina excedente é, então, filtrada pelos rins e eliminada na urina, o que leva à hemoglobinúria e à hemossiderinúria (siderina é uma forma degradada do ferro), dois achados muito específicos de hemólise intravascular. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 8 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Essas alterações esperadas na hemólise intravascular e os eventos comuns às duas formas de hemólise estão listados no esquema abaixo, então revise-os com atenção: Figura 4 Alterações laboratoriais esperadas nas anemias hemolíticas. Hemólise: destruição precoce das hemácias Liberação do conteúdo intracelular Resposta eritripoiética da medula óssea Reticulocitose Hematoscopia Aumento de DHL Consumo de haptoglobina Aumento de bilirrubina indireta Esferócitos Esquizócitos Drepanócitos Hemólise extravascular Esplenomegalia Hemólise intravascular Hemoglobinemia Hemoglubinúria Hemossiderinúria Agora que conhecemos o quadro das anemias hemolíticas, é preciso saber classificá-las para continuar sua investigação. Vamos lá, Estrategista! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 9 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 1.2 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS A classificação mais abordada pelas provas, contudo, é aquela em que dividimos as etiologias de hemólise de acordo com sua relação com as hemácias: defeitos eritrocitários intrínsecos ou extrínsecos. As decorrentes de defeitos inerentes à hemácia são desordens de algum dos componentes eritrocitários, seja Nós já conhecemos principal forma de classificar as anemias hemolíticas: é a divisão quanto ao sítio predominante da hemólise. Essa divisão separa as anemias hemolíticas de acordo com a presença de destruição das hemácias no leito vascular ou no baço, conforme a tabela abaixo: Anemias hemolíticas de acordo com o sítio de hemólise Hemólise extravascular Hemólise intravascular Esferocitose hereditária Anemia hemolítica autoimune (AHAI) por anticorpos quentes Hiperesplenismo Talassemias Deficiência de G6PD Anemia hemolítica autoimune (AHAI) por anticorpos frios Anemias hemolíticas microangiopáticas (PTT, SHU, CIVD) Hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) da molécula de hemoglobina, da membrana celular ou das enzimas citoplasmáticas. Em geral, são condições congênitas. Por outro lado, fatores exteriores às hemácias, normalmente, são adquiridos, como é o caso de presença de autoanticorpos. Veja essa classificação resumida abaixo: Figura 5 - Classificação das anemias hemolíticas de acordo com sua relação com as hemácias. Por fim, podemos classificar as anemias hemolíticas em congênitas ou adquiridas. É essa divisão que usaremos para guiar nosso resumo daqui para a frente, Estrategista. Começaremos pela anemia hemolítica mais cobrada nas provas: a falciforme! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 10 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 2.0 ANEMIA FALCIFORME As síndromes falcêmicas são, na verdade, um espectro clínico de condições marcadas pela presença de uma hemoglobina anômala chamada HbS. A anemia falciforme é classificada como uma hemoglobinopatia qualitativa porque há uma alteração da natureza da molécula de hemoglobina. Daí também a outra denominação que damos à anemia falciforme: hemoglobinopatia SS. CAPÍTULO Lembre-se de que a hemoglobina normal do adulto (HbA) é composta por duas cadeias de alfa- globina e duas cadeias de beta-globina, ligadas cada uma a um grupo heme (ferro + protoporfirina). Na anemia falciforme, uma mutação pontual substitui o ácido glutâmico pela valina como sexto aminoácido na beta-globina, alterando a HbA e gerando a HbS, hemoglobina anômala que, quando não ligada ao oxigênio, perde solubilidade e forma longas fibras no interior das hemácias. Essa capacidade de se polimerizar quando desoxigenada faz com que a HbS altere o formato bicôncavo habitual da membrana eritrocitária, dando-lhe uma característica aparência de foice ou de meia-lua, como podemos ver no esquema abaixo. Essas hemácias em foice também são chamadas de drepanócitos. Figura 6 - Fisiopatologia da anemia falciforme: o evento fisiopatológico básico da anemia falciforme é a mutação pontual que substitui o ácido glutâmico pela valina como sexto aminoácido da cadeia de beta-globina, gerando a HbS, hemoglobina anômala capaz de se polimerizar em situações de desoxigenação. Quando polimerizada, a HbS em fibras altera o formato da membrana eritrocitária, gerando as hemácias em foice ou drepanócitos. Por serem menos deformáveis que as hemácias normais, os drepanócitos sofrem destruição precoce (hemólise) e obstruem a microcirculação de órgãos e de tecidos por onde passam, acarretando episódios repetidos de vaso-oclusões. Assim, o quadro clínico dos portadores da anemia falciforme é marcado por uma anemia hemolítica acompanhada de inúmeros eventos vaso-oclusivos agudos e crônicos. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 11 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Em resumo, a anemia falciforme é uma hemoglobinopatia qualitativa congênita resultante da mutação que substitui o ácido glutâmico pela valina na molécula de beta-globina, gerando a HbS. Essa hemoglobina anômala é capaz de se polimerizar, criando as hemácias em foice ou drepanócitos, que, por possuírem deformabilidade diminuída, levarão ao quadro típico da anemia falciforme, caracterizado por hemólise e por eventos vaso-oclusivos. Entretanto, nem todo portador da mutação da HbS desenvolverá anemia falciforme, como veremos a seguir. 2.1 HERANÇA GENÉTICA NA ANEMIA FALCIFORME Nem todo paciente produtor de HbS terá anemia falciforme. Isso ocorre porque a capacidade de polimerização da HbS depende diretamente de sua concentração: indivíduos homozigotos terão ambos os genes mutados, sendo incapazes de produzir HbA. Isso provoca elevadas concentrações de HbS em suas hemácias, levando à falcização e à anemia falciforme. Já heterozigotos apresentam o chamado traço falcêmico: uma vez que possuem um gene mutado, produtor de HbS, e um gene normal, produtor de HbA, esses indivíduos terão baixa concentração da hemoglobina anômala em suas hemácias, fazendo com que não sofram falcizações e, portanto, sejam assintomáticos! A herança da anemia falciforme é, portanto, autossômica recessiva: apenas pacientes homozigotos apresentam o quadro franco da doença! Pacientes com traço falcêmico não apresentam um quadro clínico notável, exceto por eventuaisepisódios de icterícia e hematúria decorrente de falcizações no ambiente relativamente hipóxico da medula renal. Esses indivíduos não possuem nem mesmo anemia! Desse modo, a única conduta diante de um portador de traço falciforme é a orientação genética: por possuírem um alelo mutado para a HbS, esses indivíduos possuem 25% de chance de ter filhos com anemia falciforme, caso seu parceiro também possua traço, ou 50% de chance, se o parceiro tiver diagnóstico de anemia falciforme, como podemos observar na figura ao lado: Figura 7- Herança genética na anemia falciforme: a mutação da HbS é de herança autossômica recessiva, o que significa que apenas a presença de dois genes mutados levará à expressão total da doença. Assim, apenas os chamados indivíduos SS serão portadores de anemia falciforme, enquanto indivíduos AS são portadores de traço falcêmico, indicando sua heterozigose. É por isso que pacientes com traço falciforme possuem 25% de chance de terem filhos com anemia falciforme, conforme o esquema acima. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 12 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Normalmente, não fazemos diagnóstico do traço falcêmico, já que esses indivíduos são assintomáticos. Entretanto, os testes de triagem neonatal, implementados em todo o Brasil, podem fazer com que muitos desses indivíduos sejam identificados logo ao nascimento, como veremos a seguir. Porém, antes, revise a fisiopatologia do traço falcêmico e da anemia falciforme no esquema abaixo: Homozigotos para a HbS Dois alelos produtores de HbS Eletroforese de hemoglobinas: : 90% HbS Polimerização da HbS levando à falcização Hemólise Vaso-oclusões Heterozigotos para a HbS Anemia falciforme Traço falcêmico Um alelo produtor de HbS e um alelo produtor de HbA Eletroforese de hemoglobinas: 60% HbA, 30% HbS Sem polimerização e sem falcização Assintomáticos 2.2 TRIAGEM NEONATAL DA ANEMIA FALCIFORME Do ponto de vista da Hematologia, a maior importância do teste do pezinho é a identificação precoce dos pacientes com anemia falciforme, para que, dessa forma, sejam instituídas medidas que diminuam a mortalidade dessa população. Entretanto, outras hemoglobinopatias, como as talassemias e a hemoglobinopatia C, D e E, podem ser diagnosticadas. A interpretação do teste do pezinho é tema eventualmente cobrado em provas. O exame identifica as hemoglobinas no sangue do neonato e as relata em ordem decrescente através de uma sequência de letras, ou seja, a hemoglobina em mais quantidade primeiro, seguida da segunda e da terceira hemoglobinas mais comuns na amostra. Desse modo, indivíduos normais possuem o padrão FA, já que, ao nascimento, a hemoglobina mais presente é a HbF, seguida pela HbA. Em pacientes falcêmicos, não há produção de HbA, sendo FS o padrão esperado no teste do pezinho. Por fim, pacientes com traço falcêmico possuirão as três hemoglobinas, apresentando o padrão FAS, como mostra a tabela abaixo. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 13 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Padrão da triagem neonatal Diagnóstico FA Indivíduo normal FAS Traço falciforme FS Anemia falciforme FC Hemoglobinopatia C FSC Hemoglobinopatia SC Não é pela hematoscopia, entretanto, que podemos firmar o diagnóstico: é preciso identificar a presença da HbS em grandes quantidades por meio de exames específicos, como a eletroforese de hemoglobinas, em que separamos as hemoglobinas do paciente de acordo com sua carga elétrica, ou a cromatografia líquida de alta performance, que usa sorventes para fazer essa separação. 2.3 QUADRO LABORATORIAL DA ANEMIA FALCIFORME Enquanto a maioria das manifestações clínicas de pacientes falcêmicos decorrem de complicações agudas e crônicas, secundárias às vaso-oclusões a que estão sujeitos, as alterações laboratoriais esperadas estão primariamente relacionadas à destruição precoce dos drepanócitos, a hemólise. Cursa, portanto, com anemia normo/normo, elevação de DHL e bilirrubina indireta, além de consumo de haptoglobina. Litíase biliar é frequente, muitas vezes com necessidade de colecistectomia. É na avaliação do esfregaço de sangue periférico que surgem alterações já mais específicas à doença falcêmica. É característica a presença dos drepanócitos, as chamadas hemácias em foice. Os leptócitos, ou hemácias em alvo, também podem ser encontrados, apesar de menos específicos, uma vez que podem ser vistos em outras hemoglobinopatias, como as talassemias e a hemoglobinopatia SC. Figura 8 - Drepanócitos (hemácias em foice) e leptócitos (hemácias em alvo): alterações esperadas na análise do esfregaço de sangue periférico de pacientes falcêmicos. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 14 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED O exame padrão-ouro para o diagnóstico da anemia falciforme é a cromatografia líquida de alta performance. O teste mais utilizado, contudo, é a eletroforese de hemoglobinas, menos custosa e mais disponível. Conhecer o quadro laboratorial geral da anemia falciforme ajuda-nos a identificá-la nas provas, mas o ponto mais abordado sobre essa doença não é esse: a grande maioria das questões trata das complicações agudas que sofrem os pacientes falcêmicos. Revise rapidamente, na tabela abaixo, a apresentação geral da anemia falciforme antes de estudarmos essas condições! Quadro clínico-laboratorial da anemia falciforme Quadros agudos e crônicos de vaso-oclusão Anemia normocítica e normocrômica Sinais de hemólise: elevação de bilirrubina indireta e de desidrogenase lática, consumo de haptoglobina, reticulocitose Esfregaço de sangue periférico: drepanócitos (hemácias em foice), leptócitos (hemácias em alvo) Presença de grande quantidade de HbS na eletroforese de hemoglobina ou na cromatografia líquida de alta performance 2.4 COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME A doença falciforme é uma anemia hemolítica crônica marcada por inúmeros episódios de vaso-oclusão que acometem diversos órgãos e tecidos. No entanto, os pacientes costumam ser assintomáticos até os seis meses de idade. Isso porque, ao nascimento, a hemoglobina mais produzida é a HbF (α2γ2), não afetada pela mutação da HbS (α2βs2). É só por volta da metade do primeiro ano de vida que a produção de HbF (α2γ2) decai, sendo substituída pela HbS (α2βs2), que passa a ser a hemoglobina predominante. O aumento da concentração da HbS fará, então, que essa molécula anômala seja capaz de se polimerizar, levando à falcização das hemácias e aos quadros agudos que marcam a hemoglobinopatia SS. Abordaremos todos eles, um a um, começando por aqueles mais frequentes: as crises álgicas. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 15 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 2.4.1 CRISES ÁLGICAS As crises dolorosas são a complicação mais comum da anemia falciforme, além de principal causa de internação nessa população. Decorrentes da isquemia tecidual secundária à obstrução do fluxo sanguíneo pelas hemácias falcizadas no território de ossos e músculos, esses eventos são marcados por dor de intensidade e duração variáveis, frequentemente generalizada, podendo concentrar-se em membros, abdômen ou dorso. Normalmente há um precipitante conhecido, como mostra a tabela abaixo: Fatores desencadeantes de crises vaso-oclusivas Hipóxia Desidratação Estresse físico: esforço físico, cirurgias, disfunções orgânicas (infecções, IAM) Estresse emocional Exposição ao frio O ponto mais importante sobreas crises álgicas é seu adequado manejo. Diante de um paciente falcêmico em quadro doloroso agudo, nossas principais medidas devem ser: • Afastamento de desencadeantes. • Hidratação vigorosa com soluções hipotônicas (combinação de soro fisiológico e de soro glicosado) com o objetivo de atingir a euvolemia. Deve-se evitar a hiper-hidratação. • Analgesia imediata e adequada à dor do paciente: usar combinações de analgésicos e adjuvantes em doses de horário fixo até controle da dor. Indica-se o uso de analgésicos comuns, de opioides fracos ou fortes, a depender da intensidade da dor. • Não há indicação de transfusão de hemácias em crises álgicas simples! O paciente falcêmico possui uma anemia crônica e não deve ser exposto aos riscos infecciosos e reacionais de uma transfusão sem ter uma indicação específica para tal. A dactilite falcêmica é uma forma particular de crise dolo- rosa que costuma ser a primeira manifestação da anemia falciforme, acometendo crianças de seis meses a dois anos de idade. Decorre de vaso-oclusão nas articulações e nos ossos de mãos e pés, provocando dor intensa, edema e eritema local. Figura 9 - Dactilite falcêmica ou síndrome mão-pé. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 16 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Apesar de serem a manifestação mais comum da anemia falciforme, as crises álgicas não são as principais causas de morte nessa população. Em adultos, a síndrome torácica aguda é o principal evento de mortalidade, enquanto em crianças esse título fica com as infecções por bactérias encapsuladas, decorrentes do estado de autoesplenectomia, que estudaremos a seguir. 2.4.2 AUTOESPLENECTOMIA Ao longo da vida do paciente falcêmico, o baço sofre inúmeras vaso-oclusões e microinfartos, levando à fibrose progressiva do órgão e à perda de sua função (asplenismo funcional). Com isso, a atividade fagocítica dos macrófagos esplênicos é perdida e, consequentemente, a adequada proteção contra bactérias encapsuladas também. Isso explica por que a sepse por Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b é a causa mais comum de morte em crianças com anemia falciforme, ocasionando mortalidade de até 30% de todos os falcêmicos com menos de cinco anos! Diante disso, algumas medidas são necessárias para evitar o óbito precoce dessas crianças: a triagem neonatal ajuda a identificá- la precocemente, enquanto a vacinação antipneumocócica com vacina polissacarídica 23-valente melhora a cobertura anti- infecciosa. O uso profilático de penicilina V oral (eritromicina em alérgicos) para todos os falcêmicos de três meses a cinco anos de idade também é uma medida necessária para evitar óbito precoce. A medida anti-infecciosa mais cobrada nas provas, no entanto, é o manejo de pacientes com quadros de infecção: crianças falcêmicas menores de cinco anos com febre devem ser prontamente internadas e submetidas à antibioticoterapia empírica endovenosa, porque há elevado risco de evolução para sepse e morte! Até existem critérios de internação específicos para crianças falcêmicas, mas você não precisa saber para as provas: sempre busque a alternativa que opte pela internação e pelo uso de antibiótico parenteral e você acertará as questões! Revise abaixo o racional que justifica essa conduta antes de prosseguirmos o estudo das complicações agudas da anemia falciforme. Anemia falciforme - Mutação autossômica recessiva que determina a presença de HbS Falcização das hemácias no baço - Microinfartos repetidos no parênquima esplênico Autoesplenectomia - Fibrose e perda da função esplênica - Perda da fagocitose de patógenos pelos macrófagos do baço Risco infeccioso aumentado - Suscetibilidade à sepse por bactérias encapsuladas Cuidados anti-infecciosos - Profilaxia com penicilina V oral - Vacinação - Sempre internar se houver suspeita de infecção Figura 10 - Autoesplenectomia e suscetibilidade a infecções por bactérias encapsuladas. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 17 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 2.4.3 SEQUESTRO ESPLÊNICO, CRISE APLÁSICA E CRISE HIPER-HEMOLÍTICA O portador de doença falciforme é um anêmico crônico, mantendo níveis de hemoglobina em torno de 6 a 9 g/dL. Entretanto, algumas condições podem levar a uma piora da anemia basal do paciente e o diagnóstico diferencial entre elas é alvo de muitas questões. A mais cobrada delas é a crise de sequestro esplênico, um quadro de aprisionamento das hemácias falcizadas na circulação do baço. Esse quadro leva à piora da anemia e à esplenomegalia de rápida instalação. Segunda maior causa de morte em crianças falcêmicas de até cinco anos, essa grave complicação tem diagnóstico clínico e deve ser prontamente tratada com hidratação endovenosa e transfusão de hemácias, conforme o resumo abaixo: COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 18 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Já a crise aplásica decorre da infecção pelo parvovírus B19 ou eritrovírus B19, agente que promove a destruição temporária dos precursores eritropoiéticos, causando parada na produção de hemácias. Como o falcêmico está em constante hemólise, essa mielossupressão temporária faz com que piore sua anemia basal. No entanto, ao contrário do sequestro esplênico, não há esplenomegalia e há uma contagem de reticulócitos reduzida, não aumentada. O quadro da crise aplásica está resumido no esquema abaixo: Por fim, a crise hiper-hemolítica é a menos cobrada dessas condições nas provas. Ela consiste em um estado de aumento da destruição das hemácias do paciente falcêmico, precipitada por eventos como infecção por micoplasma, deficiência de G6PD e reações transfusionais. Nesses casos, há o aumento de provas de hemólise, como elevação de bilirrubina indireta e de desidrogenase lática, além de grandes reticulocitoses. Não esperamos encontrar esplenomegalia. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 19 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Compare essas três causas de piora da anemia no paciente falciforme por meio da tabela a seguir, caro Estrategista, antes de seguirmos nosso estudo das complicações agudas nessa população: 2.4.4 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO Sequestro esplênico Crise aplásica Crise hiper-hemolítica Fisiopatologia Aprisionamento de hemácias no baço Parada temporária na produção de hemácias por infecção pelo parvovírus B19 Aumento das taxas de hemólise precipitado por diversas condições Apresentação clínico- laboratorial Piora da anemia basal Piora da anemia basal Piora da anemia basal Com esplenomegalia Sem esplenomegalia Sem esplenomegalia Reticulocitose Reticulocitopenia Reticulocitose Tratamento Hidratação e transfusão de hemácias Suporte clínico Suporte clínico Os pacientes com anemia falciforme têm risco aumentado de acidente vascular encefálico (AVE): em crianças e após os 30 anos, predomina o AVE isquêmico, enquanto entre 20 e 30 anos é mais comum o AVE hemorrágico. Nas provas, o que você precisa saber sobre o quadro é o seguinte: a principal medida para tratamento do AVEi em pacientes falcêmicos é a exsanguineotransfusão parcial, procedimento explicado na figura abaixo. Figura 11 - Exsanguineotransfusão parcial ou transfusão de troca: nesse procedimento, utilizamos uma máquina de aférese, capaz de separar as hemácias e o plasma através de uma centrífuga. As hemácias com HbS são então desprezadas, enquanto reconstituímos o sangue do paciente, unindo seu plasma a concentradosde hemácias normais, e o reinfundimos, provocando uma diminuição da concentração de HbS. Além desse método automatizado, podemos realizar a exsanguineotransfusão de forma manual por meio de uma sangria (que retira hemácias com HbS), seguida de uma transfusão de hemácias normais. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 20 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Paciente falcêmico com suspeita de AVEi deve ser prontamente submetido à transfusão de troca, mesmo que apresente tomografia de crânio normal! A redução dos níveis de HbS feita pela exsanguineotransfusão parcial é tão efetiva que também é indicada para a profilaxia primária e secundária de AVEi na população falcêmica: • Profilaxia primária: todo paciente falcêmico de dois a 16 anos deve ser submetido a doppler transcraniano anual. Aqueles com velocidade de fluxo sanguíneo cerebral maior que 200 cm/s apresentam alto risco para AVEi e devem ser mantidos em regime transfusional crônico. • Profilaxia secundária: todo paciente falcêmico que já tiver tido um episódio de AVEi deve ser mantido em regime transfusional crônico com o objetivo de manter níveis de HbS menores de 30%, evitando o elevado risco de recidiva. 2.4.5 SÍNDROME TORÁCICA AGUDA Como vimos anteriormente, enquanto as crianças falcêmicas são muito acometidas por infecções, sequestro esplênico e AVEi, na vida adulta, esses indivíduos sofrem principalmente com as crises álgicas e com a síndrome torácica aguda (STA), essa última a principal causa de morte nessa população. STA cai muito nas provas, Estrategista, então fique atento a suas características, que estudaremos a seguir! A STA é uma síndrome clínica marcada pela presença de sintomas respiratórios e de opacidade pulmonar nova à radiografia de tórax. Frequentemente, é precedida por uma crise álgica. Possui origem multifatorial, envolvendo vaso-oclusão na circulação pulmonar, tromboembolismo e infecção por três agentes principais: Streptococcus pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae. Sempre devemos suspeitar de STA diante de um paciente falcêmico com sintomas respiratórios, como tosse e dispneia. Nesses casos, é preciso solicitar uma gasometria arterial a fim de verificar a presença de hipoxemia, a alteração mais precoce desse quadro. Além disso, a radiografia de tórax será essencial para confirmar o diagnóstico, já que esse é feito clinicamente pelo achado de opacidade pulmonar em conjunção à sintomatologia respiratória. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 21 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED O tratamento da STA é feito por medidas comuns a crises álgicas (afastamento de desencadeantes, hidratação endovenosa, analgesia adequada), oxigenioterapia (se houver hipoxemia), antibioticoterapia empírica e suporte transfusional com transfusão simples (se hematócrito 30%), como mostra a figura abaixo. Figura 12 - Fisiopatologia, quadro clínico e tratamento da síndrome torácica aguda. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 22 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 2.4.6 OUTRAS COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME Na população geral, a principal etiologia de osteomielite é, de longe, o S. aureus. Já em portadores de anemia falciforme, a Salmonella supera esse agente. Essa informação é importante na escolha da antibioticoterapia empírica a ser utilizada no tratamento dessa condição. A grande maioria das questões sobre doença falciforme gira em torno das condições clínicas listadas acima, principalmente a síndrome torácica aguda e o sequestro esplênico. Algumas outras complicações agudas podem ser alvo de questões, como o priapismo, uma ereção prolongada e indesejada decorrente de vaso-oclusão nos corpos cavernosos do pênis, que atinge pelo menos 30% dos pacientes falcêmicos, sobretudo a partir da puberdade. Considerada uma emergência médica por poder evoluir com disfunção crônica do órgão, o priapismo deve ser manejado como qualquer crise vaso-oclusiva: afastar desencadeantes, hidratação endovenosa profusa evitando hiper-hidratar e analgesia adequada. No pronto-socorro, a avaliação urológica é mandatória, com possível indicação de drenagem dos corpos cavernosos. As transfusões de troca podem ser usadas em casos refratários. Acometimento ósseo também é frequente na população falcêmica, como a necrose avascular de longos ossos, envolvendo principalmente o fêmur e o úmero. A complicação osteomuscular mais abordada é, no entanto, a osteomielite, por apresentar uma característica marcante: na maior parte das vezes, é causada por bactérias do gênero Salmonella. 2.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FALCIFORME A anemia falciforme é uma complexa condição com complicações agudas e crônicas que ocasiona uma elevada morbimortalidade e uma expectativa de vida cerca de 20 anos menor que a da população geral. Além do tratamento específico de cada complicação, seu tratamento baseia-se em suporte transfusional, quelação de ferro para evitar a sobrecarga transfusional e uso da hidroxiureia. A hidroxiureia, particularmente, é alvo de muitas questões, principalmente quanto ao seu mecanismo de ação: ela bloqueia a síntese de DNA pela inibição da ribonucleotídeo redutase, enzima envolvida na produção de nucleotídeos. Através dessa inibição, a hidroxiureia promove diversos efeitos benéficos ao paciente falcêmico. O principal deles é o aumento da síntese de hemoglobina fetal (HbF), o que reduz a concentração de HbS e, assim, diminui a falcização. Existe uma série de indicações específicas para o uso da hidroxiureia na anemia falciforme, mas elas raramente são cobradas. A informação mais importante a gravar é que o principal mecanismo de ação dessa medicação, nesses casos, é o aumento dos níveis de HbF. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 23 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED As indicações de transfusão na anemia falciforme também são eventualmente cobradas. O que é mais importante memorizar: devemos preferir uso de hemácias leucorreduzidas (filtradas) e fenotipadas para evitar o risco de aloimunização; e não devemos transfundir pacientes falcêmicos em crises álgicas simples. O restante das indicações você pode ver resumidas no quadro abaixo: 2.6 HEMOGLOBINOPATIA SC A hemoglobinopatia SC é uma condição de dupla heterozigose: o paciente possui um alelo mutado para a HbS e um alelo mutado para a HbC, outra hemoglobina anômala resultado da substituição do ácido glutâmico pela lisina como sexto aminoácido na cadeia de beta-globina. O resultado é que esses pacientes apresentam cerca de 60% de HbS e 40% de HbC. Ainda que seja incapaz de se polimerizar, a HbC aumenta a capacidade da HbS de fazer esse processo, criando um quadro intermediário entre o traço falcêmico e a anemia falciforme. O principal dado que você precisa guardar sobre a hemoglobinopatia SC para as provas é que, apesar de, geralmente, ser um quadro mais brando que o da doença falciforme, a retinopatia falcêmica e a necrose asséptica de cabeça de fêmur são até mais prevalentes nesses pacientes do que nos indivíduos falcêmicos. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 24 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 3.0 ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA Por terem deformabilidade diminuída, os esferócitos não conseguem passar pelos sinusoides esplênicos, acarretando hemólise extravascular(mediada pelo baço), outro componente do quadro. A esferocitose hereditária é, portanto, uma anemia hemolítica crônica, marcada por hipercromia e por esplenomegalia. Como a doença é autossômica dominante, a história familiar será positiva em parentes de primeiro grau. O diagnóstico é confirmado pelo teste de fragilidade osmótica, em que colocamos hemácias do paciente em soluções hipotônicas de diferentes concentrações. Por possuírem menos volume, os esferócitos sofrem lise precoce e, assim, a fragilidade Agora que conhecemos a principal das hemoglobinopatias, continuaremos nosso estudo das anemias hemolíticas congênitas pela mais comum das doenças da membrana eritrocitária: a esferocitose hereditária. Essa é uma deficiência congênita autossômica dominante das proteínas do citoesqueleto das hemácias, habitualmente a espectrina e a anquirina, responsáveis pelas chamadas interações verticais entre o citoesqueleto e a membrana. Sem essas proteínas, a membrana eritrocitária perde fragmentos (microvesículas), o que altera seu formato habitual e faz surgir, assim, os esferócitos, hemácias de formato esférico, com teor de hemoglobina aumentado (hipercrômicas). Nas provas, toda anemia hipercrômica (HCM > 32 e CHCM > 35) será esferocitose hereditária. osmótica aumentada confirma o quadro. O tratamento é feito pela esplenectomia, inclusive considerada curativa, já que o baço é o responsável pela hemólise. Como existe um grande espectro de apresentação clínica, a esplenectomia só está indicada em casos de hemólise grave, com grande necessidade transfusional e comprometimento orgânico. A esferocitose hereditária está resumida no esquema abaixo. Leia-o com atenção, Estrategista, para que possamos passar para nossas próximas anemias hemolíticas congênitas: as enzimopatias eritrocitárias. CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 25 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Figura 13 - Esferocitose hereditária em resumo: a deficiência de proteínas do citoesqueleto acarreta perda de porções da membrana eritrocitária, surgindo, assim, os esferócitos, que são hemácias esféricas hipercrômicas. Ao passar nos sinusoides esplênicos, os esferócitos sofrem ação dos macrófagos por possuírem deformabilidade diminuída, levando a posteriores perdas de membrana e, finalmente, à hemólise. Assim, a esferocitose é uma anemia hemolítica crônica de herança autossômica dominante, cursando com esplenomegalia e tratada curativamente com a esplenectomia. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 26 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 4.0 DEFICIÊNCIA DE G6PD A principal das enzimopatias eritrocitárias, a deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD), é condição de herança ligada ao sexo (relacionada ao cromossomo X), afetando, principalmente, homens (heterozigotos) e raramente mulheres (homozigotas). Nesse quadro, há níveis reduzidos dessa enzima, que protegem as hemácias do estresse oxidativo, com consequente acúmulo de agentes oxidantes. Na maior parte do tempo, as hemácias deficientes em G6PD conseguem manter sua função normal, sem sofrer hemólise. O paciente, portanto, não possui sequer anemia. É em situações de estresse oxidativo aumentado que ocorrerá o acúmulo de oxidantes com deposição de hemoglobina oxidada no citoplasma das hemácias. Nesse contexto, há a formação dos característicos corpos de Heinz e a lesão da membrana celular, o que precipita hemólise intravascular. Por isso, a deficiência de G6PD expressa- se, habitualmente, em surtos hemolíticos autolimitados desencadeados por algumas situações particulares. Apesar de infecções e a ingesta de favas serem causas clássicas, o fator desencadeante mais cobrado nas provas são as medicações, especialmente primaquina, dapsona, quinolonas (ácido nalidíxico) e sulfas. A maioria das questões trará justamente uma criança que desenvolve um quadro agudo de hemólise intravascular precipitado pelo uso de uma dessas medicações. Diante de um quadro suspeito de surto hemolítico em paciente com deficiência de G6PD, nossa primeira medida deve ser o suporte clínico, inclusive com transfusão de concentrados de hemácias, se necessário. É preciso, principalmente, afastar o fator precipitante, tratando infecções ou suspendendo o uso de drogas. Para confirmar o diagnóstico, devemos dosar a atividade da enzima nos eritrócitos, que estará caracteristicamente reduzida. O diagnóstico, no entanto, não costuma ser firmado durante o episódio hemolítico: as hemácias com menor atividade de G6PD terão sido destruídas na crise hemolítica, restando hemácias que podem ter uma boa atividade da enzima. Assim, devemos esperar cerca de dois a três meses após o episódio para dosar a atividade da G6PD e confirmar o quadro. A orientação do paciente sobre o diagnóstico é, certamente, a parte mais importante do tratamento, devendo ser longamente orientado sobre os possíveis desencadeantes dos surtos hemolíticos, especialmente quanto à grande lista de medicações que deve evitar. Preste atenção no quadro abaixo, Estrategista, ele resume a deficiência de G6PD, última anemia hemolítica congênita da qual trataremos neste resumo! CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 27 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Figura 14 - Deficiência de G6PD em resumo: a glicose-6-fosfato-desidrogenase é uma enzima responsável por iniciar a formação do principal mecanismo de proteção das hemácias contra o estresse oxidativo. Pacientes deficientes em G6PD possuem uma mutação relacionada ao cromossomo X que determina menor atividade dessa enzima, acarretando menor produção de glutationa, substância que, em última instância, protege os eritrócitos do estresse oxidativo. Sem G6PD e sem glutationa, as hemácias são destruídas em situações de oxidação aumentada, levando ao quadro típico da deficiência de G6PD: surtos de hemólise intravascular precipitados por infecções ou pelo uso de medicações. Os corpos de Heinz, depósitos de hemoglobina oxidada, também são característicos. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 28 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 5.0 ANEMIAS HEMOLÍTICIAS AUTOIMUNES Agora que conhecemos as principais anemias hemolíticas congênitas, passaremos a abordar algumas causas adquiridas de hemólise, começando pela produção de autoanticorpos dirigidos a antígenos da membrana eritrocitária. Chamamos essas situações de anemias hemolíticas autoimunes (AHAI), classificadas em dois grandes grupos. Responsáveis por 80% dos casos, as AHAI por anticorpos quentes são ocasionadas pelo desenvolvimento de autoanticorpos da classe IgG, com ligação máxima às hemácias a à temperatura corporal (37 °C), o que leva à hemólise extravascular (mediada pelo baço). A grande maioria dos casos é idiopática, mas podem ser secundários à leucemia linfocítica crônica (LLC), ao lúpus, às neoplasias ou a medicações. Apesar de não serem a etiologia mais comum de AHAI quente, as drogas são muito cobradas como fatores desencadeantes desses quadros, especialmente a alfa-metildopa, as cefalosporinas e a quinidina. São clássicas as questões que trazem uma gestante com quadro hemolítico desenvolvido após iniciar uso de metildopa como anti-hipertensivo ou ceftriaxone para tratamento de uma infecção urinária. Já a AHAI por anticorpos frios (ou doença das aglutininas frias) é mais rara, responsável por cerca de 15% dos casos. É causada pela presença de autoanticorpos daclasse IgM, que reagem melhor a temperaturas baixas, de 4 ºC a 30 °C, e levam à hemólise intravascular por ativação do sistema complemento. Quando secundária, a AHAI a frio associa-se a doenças linfoproliferativas e a infecções pelo Micoplasma, vírus Epstein-Barr (EBV) e citomegalovírus (CMV). O diagnóstico de ambos os tipos de AHAI é firmado pelo teste de Coombs direto, ou teste da antiglobulina direta (TAD), explicado na figura abaixo. As AHAI não apresentam um quadro clínico com muitas particularidades além da presença de hemólise. Por isso, sempre que estivermos diante de um quadro hemolítico, faz-se necessário pedir o Coombs direto a fim de afastar a possibilidade de AHAI. CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 29 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Figura 15 - Teste da Antiglobulina Direta (TAD) ou Coombs direto: esse exame avalia a presença de anticorpos ligadas à superfície das hemácias do paciente por meio da adição do soro de Coombs, uma mistura de anticorpos contra IgG e C3. Hemácias sensibilizadas por essas substâncias sofrem, então, aglutinação, indicando a positividade do teste e confirmando o diagnóstico de AHAI, caso também haja alterações indicativas de hemólise. Na vida real, até existem raras AHAI em que o TAD será negativo, mas nunca são abordadas nas provas. De forma semelhante, um TAD positivo isoladamente não consegue confirmar a AHAI na ausência de sinais de hemólise, já que falsos-positivos são possíveis. Os examinadores, contudo, não costumam abordar esses conceitos: nas provas, Coombs direto positivo sempre indica AHAI. Raramente abordado nas provas, o tratamento específico das AHAI depende necessariamente do tipo de autoanticorpo expresso. Nas AHAI por anticorpos frios, a principal medida terapêutica é evitar a exposição ao frio, especialmente mantendo as extremidades aquecidas. Já nas AHAI por anticorpos quentes, o tratamento é muito semelhante ao de outra condição hematológica autoimune que veremos posteriormente: a PTI (púrpura trombocitopênica imune). A primeira linha terapêutica consiste no uso de corticoides, principalmente na prednisona 1 mg/Kg, mantida por pelo menos 10 a 14 dias, capaz de inibir a produção de autoanticorpos IgG, com boas taxas de resposta. Em pacientes corticorrefratários, diversas terapias podem ser utilizadas, como esplenectomia, rituximabe (proteína monoclonal anti-CD20), imunoglobulina humana e drogas imunossupressoras, como ciclofosfamida, ciclosporina e azatioprina. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 30 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED O tratamento das AHAI, assim como sua etiologia e quadro, está resumido no esquema abaixo: Figura 16 - AHAI em resumo: as anemias hemolíticas autoimunes são condições primárias ou secundárias em que a produção de autoanticorpos contra antígenos eritrocitários leva à destruição precoce das hemácias. O tipo mais comum, a AHAI por anticorpos quentes, é caracterizada pela presença de anticorpos da classe IgG, que levam à hemólise extravascular e deve ser tratada em primeira linha com corticoterapia. Já a AHAI por anticorpos frios é mais rara, desencadeada pela presença de anticorpos IgM capazes de precipitar hemólise intravascular. Deve ser tratada principalmente com afastamento de exposição ao frio. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 31 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 6.0 ANEMIAS HEMOLÍTICAS MICROANGIOPÁTICAS Continuando nosso tour pelas anemias hemolíticas adquiridas, Estrategista, trataremos agora de um grupo muito interessante de condições: as microangiopatias, que são marcadas pela fragmentação das hemácias na microcirculação e levam à formação dos característicos esquizócitos, vistos abaixo. Figura 17 - Esquizócitos: "pedaços" de hemácias que sofreram fragmentação na microcirculação, típicos das anemias hemolíticas microangiopáticas. As principais causas de anemias hemolítica microangiopática estão listadas abaixo. No presente resumo, trataremos apenas daquelas de fundo hematológico, as chamadas microangiopatias trombóticas: a PTT (púrpura trombocitopênica trombótica), a SHU (síndrome hemolítico-urêmica) e a CIVD (coagulação vascular disseminada). Causas de anemias hemolíticas microangiopáticas Microangiopatias trombóticas: púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), síndrome hemolítica-urêmica (SHU) e coagulação vascular disseminada (CIVD) Pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP Hipertensão maligna Neoplasias disseminadas CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 32 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 6.1 PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA TROMBÓTICA – PTT A PTT é uma rara condição que atinge principalmente mulheres jovens de 30 a 50 anos. Decorre da deficiência de ADAMTS13, uma enzima que cliva o fator de von Willebrand secretado pelo endotélio. Essa glicoproteína, responsável pela adesão plaquetária, é secretada pelo endotélio em grandes polímeros que precisam ser continuamente “cortados” em fragmentos menores, que então ganham a circulação. Sem a ADAMTS13 para clivá-los, os grandes polímeros de FVW permanecem ligados ao endotélio e induzem a adesão das plaquetas, formando trombos plaquetários na microcirculação de diversos órgãos e provocando a fragmentação mecânica das hemácias que por ali passarem. Essa deficiência de ADAMTS13 pode raramente ser congênita devido a mutações que levem à menor formação da enzima, ou, principalmente, adquirida. Nesse caso, a ação de autoanticorpos contra a ADAMTS13 reduz sua atividade, ocasionando o quadro da PTT. Muitos órgãos são acometidos pelos microtrombos plaquetários, fazendo com que a PTT seja uma doença multissistêmica: a pêntade clínica clássica associada à PTT é composta por febre, sintomas neurológicos, insuficiência renal leve, anemia hemolítica microangiopática e trombocitopenia, como vemos abaixo. Figura 18 - PTT em resumo: a PTT é uma anemia hemolítica microangiopática em que a formação de autoanticorpos contra a ADAMTS13 ocasiona a formação de multímeros gigantes do fator de von Willebrand, culminando na formação de microtrombos plaquetários na circulação de diversos órgãos. Essa fisiopatologia explica a pêntade clássica de sintomas associados à PTT: anemias hemolíticas microangiopática, trombocitopenia, febre, insuficiência renal e alterações neurológicas. A principal medida terapêutica é a plasmaférese, que pode ser acompanhada de outras medidas, como corticoterapia e uso do caplacizumabe. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 33 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Um ponto importante é que a PTT não costuma cursar com alterações do coagulograma, apesar de ser uma condição trombótica. Isso porque o distúrbio decorre principalmente da formação de trombos plaquetários, com pouca participação dos fatores de coagulação. Essa é nossa principal forma de diferenciar a PTT da CIVD, outra microangiopatia que estudaremos à frente. A PTT é considerada uma emergência médica e, na menor suspeita do quadro, é preciso prontamente introduzir a terapia. O diagnóstico até pode ser confirmado pela dosagem da atividade da ADAMTS13, tipicamente reduzida, mas esse é um exame pouco disponível e demorado, o que impede que a decisão terapêutica dependa dessa confirmação. O tratamento baseia-se na plasmaférese, procedimento explicado abaixo. Figura 19 - Plasmaféresena PTT: nesse procedimento, utilizamos uma máquina de aférese, que é capaz de separar as hemácias e o plasma através de uma centrífuga. O plasma doente, sem ADAMTS13 funcionante e com multímeros gigantes de fator de von Willebrand, é desprezado, enquanto reconstituímos o sangue do paciente, unindo as hemácias ao plasma normal, que contém ADAMTS13 não inibido por autoanticorpos. A seguir, reinfundimos o sangue reconstituído, o que corrigirá o quadro: o ADAMTS13 do plasma normal agirá clivando os fatores de von Willebrand gigantes no endotélio do paciente, reduzindo a formação de microtrombos. Em situações de exceção, a transfusão simples de plasma normal pode ser usada se a plasmaférese for inacessível, garantindo um aumento da atividade da ADAMTS13 até que o procedimento de escolha possa ser realizado. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 34 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Uma medida adjuvante à plasmaférese costuma ser a corticoterapia, capaz de diminuir a produção de autoanticorpos e, assim, reduzir a inibição sobre a ADAMTS13. Mais recentemente, foi aprovado o uso em primeira linha do caplacizumabe, um anticorpo anti-FVW que inibe sua ligação às plaquetas, impedindo, dessa maneira, a formação dos trombos plaquetários. Mas, lembre-se: a plasmaférese é o procedimento essencial no tratamento da PTT e, portanto, o caplacizumabe deve ser usado apenas em conjunto com essa terapêutica, nunca isoladamente. Pacientes refratários ao tratamento de primeira linha podem ser submetidos a diversas terapias, como o uso de rituximabe (anticorpo monoclonal anti- CD20), ciclofosfamida e ciclosporina. Sem terapia específica, a letalidade da PTT é elevadíssima, com mais de 90% dos pacientes evoluindo para óbito, daí a urgência na instituição da plasmaférese. Isso difere a PTT da próxima microangiopatia que estudaremos: a SHU, de evolução tipicamente benigna. 6.2 SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA – SHU A SHU é uma anemia hemolítica microangiopática que, ao contrário da PTT, acomete principalmente crianças de até 5 anos de idade. De fato, a SHU é a causa mais comum de lesão renal aguda em crianças! Em geral, pacientes com SHU apresentam história recente de gastroenterite por Escherichia coli sorotipo O157:H7 ou por outras bactérias produtoras de shiga-toxinas, o que as provas adoram cobrar! A grande maioria dos casos de SHU é precipitada por uma infecção intestinal pela E. coli O157:H7, micro- organismo que produz uma toxina capaz de adentrar a mucosa intestinal e ganhar a circulação. Essa informação é muito cobrada nas provas! A apresentação clássica da SHU é marcada por um pródromo de diarreia sanguinolenta, representando a gastroenterite por E. coli O157:H7, seguido de 3 a 12 dias depois por uma tríade clássica de anemia microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda. Isso porque a shiga-toxina produzida pela E. coli O157:H7 lesa diretamente as células endoteliais, com um especial tropismo pelo endotélio glomerular, acarretando formação de trombos plaquetários na microcirculação dos rins. Outros órgãos podem ser afetados pelos microtrombos plaquetários, provocando, por exemplo, hiperglicemia por lesão pancreática e sintomas neurológicos, como letargia e convulsões, ainda que sejam menos comuns e menos intensos dos que os vistos na PTT. Assim como na PTT, os exames da coagulação (TP e TTPA) costumam estar inalterados. O tratamento da SHU é basicamente de suporte clínico, feito com transfusão de hemácias, com controle hidroeletrolítico e com diálise, se necessário. A transfusão de plaquetas, como na PTT, deve ser evitada, exceto em casos de sangramento ativo. Não há indicação de antibioticoterapia para o tratamento da gastroenterite. A maior parte dos casos será de boa evolução, com recuperação da função renal. O quadro e o tratamento da SHU estão resumidos no esquema abaixo. Leia-o com atenção antes de passarmos para a CIVD, última das microangiopatias. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 35 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Figura 20 - SHU em resumo: a síndrome hemolítico-urêmica costuma ser desencadeada por uma gastroenterite por E. coli O157H7, produtora de shiga-toxina. O dano endotelial resultante da passagem dessa toxina para a circulação do paciente levará à tríade clássica de apresentação da SHU: anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda. O tratamento é basicamente de suporte, com controle hidroeletrolítico e hemodiálise se necessário. 6.3 COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA – CIVD A CIVD é uma síndrome trombo-hemorrágica em que a cascata de coagulação é ativada por algum processo subjacente que cause danos ao endotélio vascular, culminando em um desbalanço da hemostasia normal. Podem precipitar a CIVD condições como sepse, neoplasias e trauma, todas situações em que o dano endotelial promove a liberação de substâncias ativadoras do sistema de coagulação, levando à ativação da cascata de coagulação, formação de trombos intravasculares e hemólise microangiopática. Assim como as demais microangiopatias trombóticas, a CIVD também é marcada por anemia hemolítica intravascular, plaquetopenia e esquizócitos à hematoscopia. O coagulograma, contudo, será marcadamente diferente da PTT e da SHU: ao contrário dessas doenças, a CIVD cursa com importante alargamento do TP (tempo de trombina), TTPA (tempo parcial de trombina ativado) e TT (tempo de trombina), além de consumo de fibrinogênio e do aumento dos níveis de D-dímero. Essa é a principal forma de identificarmos a CIVD nas provas! Esse coagulograma alterado é resultado do consumo dos fatores de coagulação, que também promoverá uma tendência aumentada ao sangramento, culminando em um estado paradoxalmente trombótico e hemorrágico ao mesmo tempo. O diagnóstico da CIVD depende de todo o conjunto de sinais clínicos e laboratoriais, sem haver um único exame específico capaz de confirmá-lo. O tratamento é feito principalmente com o controle da condição desencadeante, se possível. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 36 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 7.0 HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA - HPN Terminaremos nosso resumo com a última das anemias hemolíticas adquiridas: a HPN! Essa é uma rara doença adquirida da membrana eritrocitária, mas que, na verdade, afeta todas as células hematológicas. Sua prevalência não é bem conhecida e pode afetar todas as idades, apesar de ser mais comum em pacientes jovens de 30 a 40 anos. Nessa condição, surge um clone de precursores hematopoiéticos com uma mutação adquirida do gene PIG-A (Phosphatidylinositol Glycan Anchor – âncora de fosfatidilinositol- glicana), localizado no cromossomo X, que codifica a expressão da proteína GPI (glicosilfosfatidilinositol). Tornando-se incapazes de expressar a GPI, as células hematológicas do clone HPN não conseguem fixar em sua superfície o CD55 e o CD59, duas proteínas envolvidas na proteção contra o sistema complemento. Ou seja, as hemácias, os leucócitos e as plaquetas do clone HPN não conseguem se proteger contra o sistema complemento, o que as torna mais suscetíveis à lise pelo complemento. Isso levará à tríade clínica clássica que marca a HPN: hemólise intravascular, pancitopenia e tendência à trombose venosa, especialmente de veia porta, de acordo com a figura abaixo. Figura 21 - Hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) em resumo: normalmente, o gene PIGA é responsável pela expressão da GPI, âncora do CD55 e do CD59 na membrana das células, garantindo a proteção contra o sistema complemento.Na HPN, mutações adquiridas no gene PIGA levam à menor expressão de GPI e consequente incapacidade de fixação de CD55 e CD59. Surge, assim, uma população de células hematológicas sem CD55/CD59 e, portanto, suscetível à lise pelo sistema complemento. Isso leva à tríade clínica clássica que caracteriza a HPN: hemólise intravascular, pancitopenia e trombose (especialmente de veia porta). CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 37 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Sempre devemos suspeitar de HPN em pacientes jovens que apresentam trombose venosa sem fatores desencadeantes conhecidos. Isso é particularmente verdadeiro se a trombose ocorrer em sítios incomuns, como a veia porta! O melhor exame para confirmarmos a HPN é a imunofenotipagem por citometria de fluxo, um exame em que usamos anticorpos ligados a corantes (citocromos) para identificar a expressão de moléculas na superfície das células hematológicas. Esse exame é capaz de verificar a presença do clone HPN, uma população de células hematológicas que não expressa em sua superfície o CD55 e o CD59, fechando, assim, o diagnóstico. Em geral, o tratamento da HPN é de suporte, com transfusões de hemácias e uso de anticoagulantes para os quadros trombóticos. Uma medicação específica pode ser usada em casos graves: o eculizumabe, anticorpo monoclonal voltado contra o C5, uma das proteínas do complemento. Ao inativar o C5, o eculizumabe é capaz de conter a ação do sistema complemento, controlando o quadro da HPN. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 38 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 8.0 FLUXOGRAMA DE INVESTIGAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS Agora que conhecemos as principais anemias hemolíticas, trago um pequeno esquema que pode guiá-lo, Estrategista, no diagnóstico da maioria das causas de hemólise. Obviamente, é uma grande simplificação de todos os conceitos abordados até agora, agilizando sua investigação diante das questões. Estude-o com atenção! CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 39 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://bit.ly/2ZsUgUO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://bit.ly/2ZsUgUO Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 40 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 10.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. KAUSHANSKY, Kenneth et al. Williams Hematology, 9. ed. 2016. 2. MCKENZIE, Shirlyn B.; WILLIAMS, J. Lynne. Clinical Laboratory Hematology, 2. ed., 2010. 3. BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada Doença falciforme: condutas básicas para tratamento, 2012. 4. BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada Manual de eventos agudos em doença falciforme, 2009. 5. BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria SAS/MS n. 55. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Doença Falciforme. Publicada em 29 jan. 2010. 6. BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria SAS/MS nº 1.308. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Anemia Hemolítica Autoimune. Publicada em 22 nov. 2013. CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 41 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED 11.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro Estrategista, as anemias hemolíticas são um dos grandes temas da Clínica Médica. São inúmeras condições com mecanismos fisiopatológicos diversos e com apresentações que exigem alto nível de suspeição clínica. Ao longo deste resumo, tentei mostrar a você os principais pontos cobrados sobre essas doenças nas provas. No entanto, não deixe de fazer as questões sobre o tema presentes em nosso SQMED. Assim, você conseguirá gravar melhor essas informações e reconhecer os padrões que as bancas costumam seguir. Bons estudos! CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 42 Anemias hemolíticasHEMATOLOGIA Estratégia MED COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://med.estrategiaeducacional.com.br/ https://med.estrategia.com 1.0 INTRODUÇÃO À HEMÓLISE 1.1 QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 1.2 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 2.0 ANEMIA FALCIFORME 2.1 HERANÇA GENÉTICA NA ANEMIA FALCIFORME 2.2 TRIAGEM NEONATAL DA ANEMIA FALCIFORME 2.3 QUADRO LABORATORIAL DA ANEMIA FALCIFORME 2.4 COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME 2.4.1 CRISES ÁLGICAS 2.4.2 AUTOESPLENECTOMIA 2.4.3 SEQUESTRO ESPLÊNICO, CRISE APLÁSICA E CRISE HIPER-HEMOLÍTICA 2.4.4 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO 2.4.5 SÍNDROME TORÁCICA AGUDA 2.4.6 OUTRAS COMPLICAÇÕES AGUDAS DA ANEMIA FALCIFORME 2.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FALCIFORME 2.6 HEMOGLOBINOPATIA SC 3.0 ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA 4.0 DEFICIÊNCIA DE G6PD 5.0 ANEMIAS HEMOLÍTICIAS AUTOIMUNES 6.0 ANEMIAS HEMOLÍTICAS MICROANGIOPÁTICAS 6.1 PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA TROMBÓTICA – PTT 6.2 SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA – SHU 6.3 COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA – CIVD 7.0 HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA - HPN 8.0 FLUXOGRAMA DE INVESTIGAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 9.0 LISTA DE QUESTÕES 10.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 11.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS