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PRINCIPAIS CONCEITOS DE MARKETING O termo Marketing é utilizado por todos nós em diver- sas situações, mas afinal, o que é Marketing? Você já parou para pensar na definição deste conceito? Veremos, a seguir, algumas definições de autores da área� São muitos os conceitos utilizados para determinar o marketing. Cada autor que retrata o conceito de marketing tenta defini-lo segundo sua visão e enten- dimento do conceito� Contudo, a palavra marketing não possui tradução para a nossa língua� Marketing é a área de conhecimento que en- globa todas as atividades concernentes às relações de troca, orientadas para a satisfação dos desejos e necessidades dos consumido- res, visando alcançar determinados objetivos de empresas ou indivíduos e considerando sempre o meio ambiente de atuação e o im- pacto que essas relações causam no bem- -estar da sociedade. (LAS CASAS, 2013, p. 10) Outra definição utilizada por Churchill e Peter (2012, p� 4) para o Marketing é “o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preços, 4 promoção e distribuição de ideias, bens e serviços a fim de criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”� Já para Kotler (2011), o marketing tem a função de identificar e atender às necessidades humanas e so- ciais de maneira lucrativa para a empresa e de fazer o gerenciamento da demanda de mercado� Churchill e Peter (2012) também comentam sobre o mercado, definindo a palavra “Marketing”, e ainda complemen- tando que as trocas de mercadorias devem atuar no sentido de satisfazer o consumidor, como também criar valor ao cliente� Uma definição mais sucinta e completa ao mesmo tempo é a de Kotler (2011), que conceitua Marketing como: “um processo social e gerencial pelo qual indi- víduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros”� REFLITA Marketing é um processo de troca envolvendo pessoas, bens e serviços, com o objetivo de alcan- çar a satisfação dos clientes ou consumidores� O conceito de marketing guia as organizações a aten- der as necessidades e os desejos de seus clientes, com mais eficiência e eficácia do que a concorrên- cia. Isso começa com um bem-definido mercado- -alvo, na compreensão de suas necessidades e na coordenação de todas as atividades que o afetam, 5 visando a satisfazê-lo e, daí, obter a rentabilidade como recompensa (COBRA; URDAN, 2017). Você percebeu que, independentemente do autor ou da definição utilizada, existem alguns termos que se repetem? Podemos ver que, de um modo geral, tais definições englobam os seguintes conceitos centrais, conforme Kotler & Keller (2012). Necessidades, desejos e demandas ProdutosMercados Conceitos Centrais de Marketing Valor, Satisfação e Qualidade Trocas, Transações e Relaciona- mentos Figura 1: Principais Conceitos de Marketing. Fonte: Adaptado de Kotler; Keller (2012) Analisaremos, a seguir, de forma detalhada, cada um desses ingredientes essenciais para que o Marketing aconteça� 6 O primeiro conceito que faz parte do Marketing é a necessidade humana: Necessidade humana: é o estado de privação de al- guma satisfação básica� As pessoas exigem alimen- to, roupa, abrigo, segurança, sentimento de posse e autoestima� Essas necessidades não são criadas pela sociedade ou empresas� Existem na delicada textura biológica e são inerentes à condição humana (KOTLER; KELLER, 2012, p. 22). Desejos: referem-se a bens e serviços específicos que satisfazem necessidades adicionais que vão além da necessidade de sobrevivência (CHURCHILL; PETER, 2012, p. 4). Demandas: são desejos por produtos específicos, respaldados pela habilidade e disposição de comprá- -los� Desejos se tornam demanda, quando apoiados por poder de compra� Por conseguinte, as empresas devem mensurar não apenas quantas pessoas de- sejam seu produto, mas o mais importante, quantas realmente estão dispostas e habilitadas a comprá-lo (KOTLER; KELLER, 2012, p. 22). Produtos: “Um produto é tudo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer a uma necessidade ou desejo” (KOTLER; KELLER, 2012, p. 366). Quando falamos de produtos, também incluímos os serviços� Detalharemos as principais diferenças entre produtos e serviços� Valor, custo e satisfação: como os consumidores escolhem entre os diferentes produtos que podem 7 satisfazer a certas necessidades? Esse processo consiste em responder à pergunta: Como saber qual produto conseguirá satisfazer melhor as necessida- des e os anseios do consumidor? Valor: pode ser compreendido como a diferença en- tre o que o cliente ganha ao adquirir e utilizar um determinado produto ou serviço e o que gasta para adquiri-lo� Mercado: é um grupo de indivíduos ou organizações que têm necessidades e interesses similares, e a capacidade de comprar bens ou serviços� Os merca- dos se dividem em: mercado consumidor e mercado industrial. (CHURCHILL; PETER, 2012, p. 204). Trocas: Uma transação que ocorre de forma voluntá- ria entre duas ou mais partes, seja uma organização e um cliente, duas organizações, etc�, de modo a beneficiar todas as partes. De forma resumida, o processo de troca acontece entre empresa e consumidor em um ambiente, ou seja, o mercado. Em outros tempos, tal troca (ou escambo) era realizada em locais determinados, es- pecificamente para este fim, como era o caso das feiras� Nos dias de hoje, essa troca acontece tanto nos ambientes físicos quanto nos virtuais, no caso das compras on-line� Simplificando, o processo de Marketing pode ser explicado na figura abaixo, na qual encontramos os vendedores e os compradores, e a forma como se 8 comunicam para realizar as trocas� A isso chamamos de Sistema de Marketing� Mercado (Compradores) Organizações (Vendedoras) Informações Comunicações Bens e Serviços Dinheiro Figura 2: Sistema Simplificado de Marketing. Fonte: Adaptado de Kotler (2011) Como podemos verificar, o processo de marketing é complexo e envolve muitos conceitos� Podcast 1 TIPOS DE MARKETING Quando pensamos em marketing, logo pensamos em produtos e serviços, porém, esta transação pode ocorrer em diversas situações� Existem empresas cujas trocas e transações visam a atingir o lucro, outras empresas já desenvolvem transações sem fins lucrativos, porém, em todas elas existe o Marketing (CHURCHILL; PETER, 2012, p. 5). Analisemos abaixo uma síntese dos tipos de marketing� 9 https://famonline.instructure.com/files/49927/download?download_frd=1 Tipo Descrição Exemplo Produto Marketing destinado a criar trocas para produtos tangíveis� Estratégias para vender computadores� Serviço Marketing destinado a criar trocas para produtos intangíveis� Estratégia da Hertz para alugar carro para viajantes� Pessoa Marketing destinado a criar ações favo- ráveis em relação a pessoas� Estratégias para ob- ter votos para um candidato� Lugar Marketing destinado a atrair pessoas para lugares� Estratégias para levar pessoas a passar férias na Bahia. Causa Marketing destinado a criar apoio para ideias e questões ou a levar as pessoas a mudar comporta- mentos socialmente indesejáveis� Estratégias para coibir o uso de drogas ilícitas ou para aumentar o número de doações de sangue� Organização Marketing destinado a atrair doadores, membros, participan- tes ou voluntários� Estratégias para aumentar o número de associados do fã-clube do Roberto Carlos� Tabela 1: Principais Tipos de Marketing. Fonte: Adaptado de CHURCHILL; PETER, 2012, p. 5. Outra visão das aplicações do marketing é abordada pelos autores Cobra e Urdan (2017), ao afirmarem que o marketing é aplicável em quase todas as ati- vidades humanas e desempenha papel importante na integração das relações sociais e nas relações de troca� 10 Analisemos os campos mais conhecidos de aplica- ção do marketing: • Marketing social – aquele em que a qualidade das relações sociais é avaliada por indicadores sociais, como o índicede natalidade e o de mortalidade, da- dos de saneamento básico e de qualidade de vida em geral, etc� • Marketing político – o político, em um regime de- mocrático, é um produto e, para conquistar votos, utiliza todas as técnicas de marketing� • Marketing de serviços – nos serviços em geral é aplicável o conceito de marketing, seja em serviços de lazer, como clubes, hotéis, motéis; seja em servi- ços em geral, desde serviços públicos de profissio- nais liberais até de consertos, reparos, instalações, como oficinas de automóveis, bancos, seguros, etc. • Marketing agrícola – a venda de produtos e servi- ços agropecuários pode ser regida por técnicas mer- cadológicas, como pesquisas, serviços ao cliente, etc� • Marketing industrial – a especificação do produto, no processo de pré-venda, a instalação do produto ou serviço e as garantias de pós-venda fazem parte das técnicas de marketing que podem ser adotadas para produtos e serviços industriais� • Marketing de serviços de saúde – os serviços médicos, odontológicos e de saúde em geral, como hospitais, começam a compreender que o marketing não administra a demanda de doenças, mas pode orientar a população sobre o melhor uso de serviços preventivos e de saúde em particular� 11 • Marketing de instituições que não visam ao lucro – uma empresa que não visa ao lucro, muitas vezes, transfere a posse de um produto ou serviço como uma posse lucrativa, mas não recebe dinheiro em troca� Os serviços públicos, em geral, hoje fazem marketing, sobretudo pesquisa de aceitação de seus serviços, publicidade do uso e da importância dos seus serviços, etc. (COBRA; URDAN, 2017). REFLITA O marketing não se aplica apenas a empresas, pode também se aplicar a pessoas e lugares� O marketing surgiu quando os homens perceberam que precisavam satisfazer suas necessidades para sobreviver� Nessa época, as comunidades passa- ram a crescer e o excedente produzido era trocado entre as comunidades, dando origem à atividade comercial� Essa atividade objetivava a satisfação das necessidades fisiológicas dos indivíduos por meio de trocas, dando origem ao conceito de marketing� (YANAZE, 2007). O conceito de marketing passou por diferentes fa- ses, em função do enfoque e da situação que se apresentava. A seguir, verificaremos a evolução do conceito de marketing, desde o seu surgimento, até os dias atuais� 12 EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE MARKETING O marketing existe desde sempre, uma vez que as trocas de produtos entre as pessoas acontecem desde que o mundo é mundo, porém, assim como a humanidade, seu conceito também passou por diversas fases� Analisemos, a seguir, as principais fases do marke- ting, de acordo com Cobra; Urdan (2017) e Las Casas (2013). Era da Produção: Essa fase aconteceu desde a segunda metade do sé- culo 19, até 1920. Originalmente, todas as empresas eram orientadas para a produção� Nessa era, o foco principal do negócio era a produção com grande efici- ência e, tendo um produto bom, aconteceria a venda, o marketing ficava em segundo plano. A produção era em massa e os produtos deveriam estar disponíveis em grande quantidade, com um preço acessível, as empresas produziam para depois vender� Las Casa (2013) aponta que, na era da produção, a demanda era maior do que a oferta� Após a Revolução Industrial, surgem as primeiras fábricas; até então, a produção era praticamente artesanal� As principais características dessa fase são: A oferta é menor do que a demanda; o custo do pro- duto é excessivo; os produtos e serviços possuem 13 baixa qualidade; as empresas se preocupam em au- mentar a produção e reduzir os custos; período de grande desenvolvimento tecnológico; aumento da produtividade (produção em série, especialização do trabalho); período relacionado à Revolução Industrial; a relação entre consumidores querendo comprar e produtos a serem vendidos é desequilibrada; as em- presas estão mais preocupadas em produzir, quanto maior for a produção, melhor; como há demanda em excesso, não há problemas para vender; e, por último, a demanda é maior que a oferta� Era das Vendas: Essa fase se deu entre 1920 até o início dos anos 1950. Nessa era, trabalhavam-se os estoques enca- lhados, pois o número de produção era alto e nem sempre os clientes queriam o melhor produto� O foco do negócio era na venda dos produtos finalizados, foram desenvolvidas campanhas publicitárias para influenciar os consumidores na compra. O marketing não estava presente em todas as áreas e ainda apre- sentava um papel secundário (COBRA; URDAN, 2017). Nesse mesmo sentido, Las Casas (2013) aponta que o aumento dos estoques se dá devido à oferta ser maior que a procura� Com isso, as empresas adota- ram estratégias de vendas mais agressivas� 14 Algumas das principais características dessa fase: Há um equilíbrio entre a oferta e a demanda; come- çam a aparecer muitas novas empresas, além de avanços tecnológicos importantes; os consumido- res podem escolher entre várias marcas, produtos e serviços� As empresas se preocupam em melhorar seus produtos e sua venda; a venda torna-se um dos eixos fundamentais do aspecto comercial; nesta fase, a demanda se iguala a oferta� Era do Marketing: Essa fase deu-se de 1950 até a década de 1980. Nesse período, o conhecimento adquirido com as eras anteriores está presente até os dias atuais, nas organizações de sucesso. Czinkota (2001, p. 28) evi- dencia que “a era do marketing é caracterizada pela importância colocada da identificação e satisfação das necessidades e dos desejos do consumidor an- tes de produzir os produtos”� Considerando a impossibilidade de trabalhar o marketing de forma secundária, Czinkota (2001) afirma que, nesta era, foram consideradas as informações de mercado: os produtos eram fabricados de acordo com a demanda� As empresas atentavam-se às necessidades e desejos dos clientes, o marketing estava presente em todas as áreas, tomando a frente nas estratégias do negócio� A respeito disso, Las Casas (2013) afirma que, após 1950, os empresários começaram a dar maior im- 15 portância aos consumidores e suas necessidades� Percebiam-se vantagens nos negócios em longo pra- zo, pois as vendas não eram constantes e os clientes ganharam atenção� Algumas das principais características dessa época: Os avanços tecnológicos, produtivos, organizacionais e administrativos estão presentes; surge o cresci- mento expressivo da oferta que passa a ser maior que a demanda; as empresas devem conquistar os consumidores mais exigentes, oferecendo produtos/ serviços que atendam às suas necessidades; e têm a orientação para o mercado� Era do Marketing Societal ou Relacionamento: Esse período acontece da década de 1980 até a atu- alidade� A era do marketing de relacionamento tinha uma filosofia de negócio que focava os fornecedores e em manter os clientes existentes, viam lucro com a conservação de clientes (CZINKOTA, 2001). Reforçando o ocorrido nesta era, Czinkota (2001, p. 28) comenta que foi “caracterizada por uma am- pliação da definição de clientes para incluir forne- cedores. Assim, a ênfase orientadora é desenvolver relacionamentos de longo prazo, mutuamente satis- fatórios para clientes e fornecedores da firma”. Vale notar a contribuição de Las Casa (2013) no que diz respeito ao relacionamento com o cliente, em que um cliente satisfeito faz propaganda gratuita 16 para a empresa� Para o cliente sair satisfeito de uma compra, a empresa precisa ter atendido sua neces- sidade ou desejo� As empresas que trabalham para satisfazer seus clientes são mais lucrativas� Verifiquemos algumas das principais características dessa época: A maior preocupação em satisfazer os interesses que, a longo prazo, tanto os consumidores quanto a sociedade possam ter; a orientação continua sen- do para o atendimento de necessidades dos clien- tes; existe a preocupação em manter em condições apropriadas o ambiente onde são desenvolvidas as atividadeseconômicas; empresas passam a se preocupar com o desenvolvimento sustentável; a demanda passa a ser menor que a oferta� Após o seu surgimento, o conceito de marketing pas- sou por diversas redefinições, de acordo com o perí- odo da história vivido, ou seja, ele foi se adaptando e evoluindo conforme com as variáveis ambientais e sociais. (LAS CASAS, 2013). Para que possamos ter uma visão geral dessa evolu- ção, estudemos o quadro abaixo, com as principais características de cada fase� 17 Evolução Conquista de clientes Conservação de clientes Concentração na eficiência da fabricação Antes de 1925 1925 a 1950 1950 a 1990 1990 em diante Era da Produção Era das Vendas Concentração na venda de produtos existentes Era do Marketing Era do Marketing de Relacionamento Concentração nas necessi- dades e desejos dos clientes Concentração nos fornece- dores e na manutenção dos clientes existentes Figura 3: Evolução do Marketing ao Longo dos Anos. Fonte: Adaptado de Cobra e Urdan (2017). Existe ainda uma nova classificação das eras do ma- rketing, mais atual, elaborada por Philip Kotler, que analisaremos a seguir� 18 MARKETING 4�0 Além da evolução do conceito de Marketing, em fun- ção do momento em que a sociedade estava vivendo, Kotler (2011) trouxe uma visão para categorizar as eras do Marketing� Para Kotler (2017), o marketing evoluiu muito, passan- do por quatro fases, também chamadas de Marketing 1.0, Marketing 2.0, Marketing 3.0 e Marketing 4.0. Empresas e profissionais encontram-se realizando práticas relacionadas às três primeiras fases, mas as maiores oportunidades estão, sem dúvidas, re- servadas aos que aderirem na era 4.0. A principal mudança ocorrida com a passagem do tempo está relacionada à forma com que o mercado é tratado – apresentada no artigo indicado a seguir: SAIBA MAIS O mundo está em constante transformação, acesse este link e conheça mais sobre as eras do Marketing� ht tps : //novaesco lademarket ing .com.br/ marketing/marketing-4-0. Nessa nova abordagem, o foco principal está em como a empresa se relaciona com o consumidor e qual a proposta de valor quando da oferta de produ- tos e serviços� 19 https://novaescolademarketing.com.br/marketing/marketing-4-0. https://novaescolademarketing.com.br/marketing/marketing-4-0. O Marketing 1.0, na era industrial, vendia um mes- mo produto para todos os consumidores interes- sados, ou seja, havia ganhado escala e processos padronizados� No Marketing 2.0, na era da informação, o consumi- dor tinha a possibilidade de comparar os produtos ofertados, ou seja, conseguia avaliar a relação custo x benefício, antes da decisão de compra� Uma situ- ação bem diferente da era anterior� O Marketing 3.0 tinha os valores como principal di- ferença das eras anteriores� Nessa fase, a exclusi- vidade e individualidade de cada consumidor eram levadas em consideração� As pessoas buscavam empresas que compartilhavam os mesmos valores� É como se os consumidores buscassem a parceria das empresas para auxiliar na solução de problemas da sociedade� Estamos agora vivendo o Marketing 4.0. Uma fase também denominada de Marketing de Conteúdo, uma era na qual temos uma maior integração entre os canais de marketing e a explosão do consumo de conteúdo digital no mundo (KOTLER, 2017). Essa nova fase do marketing permite um aprofun- damento do marketing 3.0, ainda mais centrado no cliente, com o uso de tecnologias e comportamentos que não existiam há dez anos� Vamos analisar, no quadro, abaixo um resumo das fases do marketing sob essa nova ótica: 20 Marketing 1.0 Centrado no Produto Marketing 2.0 Voltado para o Consumidor Marketing 3.0 Voltado para os Valores Marketing 4.0 Voltado para informação O bj et iv o Vender produtos Satisfazer e reter os consumidores Fazer do mundo um lugar melhor Atrair a partir de conteúdos relevantes e segmenta- dos� Fo rç as pr op ul - so ra s Revolução Industrial Tecnologia da Informação Nova onda de tecnologia A internet e a geração de conteúdo nela� Co m o as em pr es as ve em o m er ca do Compradores de massa, com necessi- dade físicas Comprador inteligente, dotado de coração e mente Ser humano pleno, com coração, mente e espírito Ambiente online efê- mero, atrair invés de incomodar Co nc ei to d e m ar ke tin g Desenvolvimento de produto Diferenciação Valores Di re tr iz es d e m ar ke tin g Especificação do produto Posicionamento do produto e da empresa Missão, visão e valores da empresa Pr op o- si çã o de va lo r Funcional Funcional e emocional Funcional, emocional e espiritual In te ra çã o co m co ns um id or es Transação do tipo um-para-um Relacionamento um-para-um Colaboração um-para-muitos Tabela 2: Comparação entre Marketing 1.0 e 4.0. Fonte: Adaptado de Kotler (2017) 21 Toda e qualquer mudança que acontece no ambiente interno e externo, diretamente no poder e nos hábi- tos de consumo do cliente, afetando diretamente o marketing� Com a movimentação para o Marketing 4.0, é neces- sário, cada vez mais, colocar o consumidor no centro das relações para conseguir atrair o consumidor na era digital� As marcas precisam criar conexões com os consumidores, sem deixar o lado humano� É im- portante entender que as empresas não têm mais controle sobre as informações, os consumidores estão mais à vontade e abertos para expressarem suas opiniões, liberdade de expressão� A imagem a seguir ilustra as principais característi- cas de cada era do Marketing� Figura 4: Marketing do 1.0 ao 4.0. Fonte: https://www.idealmarketing. com.br/blog/marketing-4-0/ 22 https://www.idealmarketing.com.br/blog/marketing-4-0/ https://www.idealmarketing.com.br/blog/marketing-4-0/ FIQUE ATENTO Você sabe qual é o principal diferencial do Marke- ting 4.0? Assista ao vídeo entenda mais sobre o Marketing de Conteúdo� Disponível em: https://youtu.be/ltE67zveDl8. Podcast 2 VALOR E SATISFAÇÃO PARA O CLIENTE Verificamos, anteriormente, que um dos princípios centrais do marketing é valor, mas, afinal, o que é valor para o cliente? Como saber se o cliente ficou satisfeito? Lembrando que tanto o valor quanto a satisfação são conceitos subjetivos e, portanto, di- fíceis de mensurar� Valor Para Churchill e Peter (2012), a fórmula para o valor é ainda mais simples. Os autores definem valor para o cliente como a diferença entre as percepções do cliente quanto aos benefícios e quanto aos custos da compra e uso de produtos e serviços, e os custos que eles incorrem para obtê-los. 23 https://youtu.be/ltE67zveDl8 https://famonline.instructure.com/files/49928/download?download_frd=1 Valor para o cliente Benefícios percebidos Custos percebidos Figura 5: A Equação do Valor. Fonte: Churchill; Peter (2012, p. 14) Dessa forma, o marketing voltado para o valor parte do princípio que os clientes que estejam dispostos e sejam capazes de realizar trocas o farão em duas situações: 1. Quando os benefícios das trocas excederem os custos; 2. Quando os produtos ou serviços oferecerem um valor superior em comparação com outras opções (CHURCHILL; PETER, 2012) Importante saber que o marketing voltado para o va- lor pressupõe que os clientes criam suas percepções de valor, ou seja, diferentes clientes podem avaliar o mesmo produto de maneiras diferentes� Conforme afirmação de Kotler (2011, p. 51), o valor entregue ao consumidor é a diferença entre o valor total esperado e o custo total do consumidor� Valor total para o consumidor é o conjunto de benefícios esperados por determinado produto ou serviço� Custo total do consumidor é o conjunto de custos 24 esperados na avaliação, obtenção e uso do produto ou serviço� De modo geral, pode-se resumir a relação do cliente com a empresa conforme a figura abaixo: Valor superior para o cliente Fidelidade do cliente Satisfação e prazer do cliente Relações duradourase lucrativas Figura 6: Consequências de um valor superior para o cliente. Fonte: Churchill; Peter (2012, p. 18) Satisfação A teoria de marketing desenvolve-se partindo de duas perspectivas básicas: a empresa e o consumidor� Ambas são essenciais para que uma relação de troca com satisfação aconteça. A figura abaixo demonstra como se desenvolve o conceito de satisfação e valor, da perspectiva do cliente: 25 Desempenho do produto ou serviço Expectativa do cliente Satisfação do cliente Valor adicionado a lealdade Lucratividade e Produtividade Figura 7: Modelo Básico de satisfação. Fonte: Crocco, et al (2006) p. 23 Pode-se notar que o que determina a satisfação do cliente é, por um lado, sua expectativa quanto ao produto e/ou serviço adquirido; e, por outro, o de- sempenho desse produto e/ou serviço (Crocco, et al, 2006). Falando em expectativa, o grau de expectativa de cada cliente vai variar muito de indivíduo para in- divíduo. Quanto maior o nível de expectativa, mais 26 difícil se torna sua realização� A própria empresa é responsável por criar essa expectativa ao anunciar ou comunicar o seu produto e/ou serviço� Para Kotler (2011, p. 53), “satisfação é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da com- paração do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às expectativas da pessoa”. As expectativas dos clientes devem ser atendidas, independentemente dos produtos ou serviços ofereci- dos, pois a probabilidade do cliente adquirir novamen- te a mesma marca depende disso. (KOTLER, 2011). A importância da satisfação do cliente Verificamos até aqui que valor e satisfação estão ligados e são de suma importância para a empresa conquistar a lealdade do consumidor� Um exemplo prático de satisfação oferecido pelos autores Hoffman e Bateson (2003, p. 329) facilita o entendimento da importância da satisfação do cliente para a empresa: “Uma empresa que serve a 100 clientes por semana e apresenta uma taxa de satisfação de cliente de 90%. Em função dos clien- tes insatisfeitos será objeto de milhares de histórias negativas ao fim de um ano”. O cliente também é influenciado pelo modo como recebe o serviço e como ele experimenta o processo simultâneo de produção e consumo� Essa é uma outra dimensão da qualidade, estreitamente relacio- 27 nada ao modo como são tratados os momentos da verdade dos encontros de serviço em si e como o fornecedor de serviços funciona (GRÖNROOS, 2003, pp. 86-87). Para Hoffman e Bateson (2003, p. 332), “pesquisas de satisfação transmitem igualmente aos clientes a mensagem de que a empresa se importa com seu bem-estar e valoriza suas informações a respeito de como esta operando”� Os autores colocam a importância da satisfação do cliente como diferencial competitivo e ainda sa- lientam que empresas preocupadas em se manter ativas no mercado devem se ater aos estudos do comportamento dos consumidores� REFLITA Satisfação é definida como “sensação de prazer ou desapontamento de uma pessoa resultante da comparação entre o desempenho (ou resultado) percebido de um produto e suas expectativas”� Relação Custo x Benefícios Estudamos, no início desse tópico, que o principal critério que faz o cliente identificar o valor do produto é a relação custo x benefício� Analisaremos, agora, quais os custos e quais benefícios são levados em consideração� 28 Custos Podemos considerar os custos como tudo aquilo que o cliente dispende ao adquirir um produto e/ ou serviço. De acordo com Churchill e Peter (2012), existem algumas categorias de custos que podem influenciar o valor percebido pelos clientes. São eles: � Custos Monetários: É a categoria de custo mais conhecida e refere-se à quantidade de dinheiro que os clientes pagam para receber produtos e serviços� Incluem o preço do produto ou serviço, taxas de transporte e instalação, pagamentos por consertos e juros pagos por compras a crédito (Churchill; Peter, 2012). � Custos Temporais: Tempo gasto comprando produ- tos e serviços, esperando que eles sejam entregues, ou ainda sendo consertados� Partindo do pressu- posto que o cliente poderia utilizar esse tempo com outras atividades mais prazerosas. (Churchill; Peter, 2012). � Custos Psicológicos: Envolvem a energia mental e a tensão incorridas na realização de compras im- portantes e na aceitação do risco de que os produtos e serviços podem não ter o desempenho esperado, ou seja, aceitar os riscos dos produtos. (Churchill; Peter, 2012). � Custos Comportamentais: Refere-se à energia físi- ca que os clientes despendem para comprar produtos e serviços� Exemplos desse custo são: caminhar até a loja, estacionar no shopping, fila para pagamento, etc. (Churchill; Peter, 2012). 29 � Custo de Transação (compra): É a combinação dos custos temporais, psicológicos e comportamentais, ou custos de compra. (Churchill; Peter, 2012). Cabe ao profissional de marketing trabalhar cada um desses custos de maneira individual ou ainda de forma combinada, visando a criar mais valor para o cliente� Benefícios no uso dos produtos e serviços Assim como os custos, os benefícios são fatores determinantes para a determinação do valor e, con- sequentemente, da satisfação do cliente. Há quatro tipos comuns de benefícios que os clientes podem receber da compra e uso de produtos e serviços� São eles: � Benefícios funcionais: São os benefícios tangíveis recebidos em bens e serviços� Esses benefícios são promovidos com frequência pelos profissionais de marketing� Exemplo: Ao comer um lanche, a fome é saciada; ao usar um chinelo, obtém-se a sensação de conforto e liberdade (Churchill; Peter, 2012). � Benefícios sociais: São as respostas positivas que os clientes recebem de outras pessoas por comprar e usar determinados produtos ou serviços� Exemplo: Tem-se status quando se usa uma marca de roupa importada ou um carro importado (Churchill; Peter, 2012). 30 � Benefícios pessoais: São os bons sentimentos que os clientes experimentam pela compra, propriedade e uso de produtos, ou pelo recebimento de serviços� Exemplo: Os colecionadores sentem prazer em cole- cionar objetos raros, mesmo sabendo que os objetos não serão usados (Churchill; Peter, 2012). � Benefícios experimentais: É o prazer sensorial que os clientes obtêm com produtos e serviços. Exemplos: Pessoas gostam de jogar futebol, receber massagem, etc. (Churchill; Peter, 2012). A figura a seguir ilustra bem essa relação custo x benefício: Experimentais Pessoais Sociais Funcionais Benefícios Comportamentais Psicológicos Temporais Monetários Custos Valor Superior Valor Inferior Marketing voltado para o valor Figura 8: Criando valor para o cliente. Fonte: Churchill; Peter (2012, p. 16) 31 Como podemos notar, o valor superior para o cliente está diretamente relacionado ao equilíbrio entre os custos e os benefícios fornecidos pelos produtos e serviços adquiridos pelos clientes� REFLITA O valor percebido é a somatória dos esforços de construção de marca, (produto e promoção), a sua distribuição no mercado e o preço absoluto e relativo� 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final do primeiro módulo, em que vimos os principais conceitos que envolvem o marketing: desejo, necessidade, demanda, satisfação, mercado e consumidor� Aprendemos que as práticas de marketing aconte- cem desde sempre, apenas não eram estudadas e denominadas como tal� Seu conceito e sua atuação acompanha a evolução dos tempos e, com isso, hoje chegamos à era do relacionamento e do conteúdo. Vivemos um momento em que o consumidor tem o poder da informação e da livre expressão por meio das mídias e, com isso, a responsabilidade de ofere- cer e entregar produtos que satisfaçam e, mais que isso, criem uma relação de fidelização e lealdade com seus consumidores� 33 Síntese E-book 1 MARKETING PARA O SÉCULO 21 •Marketing = troca / bens / produtos / serviços •Marketing = satisfação de clientes ou consumidoresEsquema do conteúdo Assuntos abordados neste módulo •Principais conceitos = desejos, necessidades, demandas, produtos, serviços, valor, satisfação, qualidade, trocas, tran- sações, relacionamentos, mercado Síntese do conteúdo estudado •A Evolução do Conceito de Marketing •Valor e Satisfação para o Cliente •Marketing 3.0 •Marketing Principais Conceitos •Para que o cliente tenha satisfação, é importante haver equilíbrio entre os custos e os benefícios •O valor percebido é a somatória dos esforços de construção de marca, (produto e promoção), a sua distribuição no mercado e o preço absoluto e relativo •O marketing está dividido em eras, são elas: Produção, Vendas, Marketing, Valor e Relacionamento •Os conceitos centrais do marketing são: desejos, necessidades, demandas, produtos e serviços, valor, satisfação e qualidade, trocas, transações e relacionamentos e mercado •Marketing é um processo de troca envolvendo pessoas, bens e serviços, com o objetivo de alcançar a satisfação dos clientes ou consumidores Introdução PRINCIPAIS CONCEITOS DE MARKETING TIPOS DE MARKETING EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE MARKETING MARKETING 4.0 VALOR E SATISFAÇÃO PARA O CLIENTE Considerações finais Síntese bt_foward 18: bt_foward 17: Page 35: Page 36: