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CURSO INTENSIVO PARA RESIDÊNCIAS N U T R I ÇÃO FISIOPATOLOGIA E DIETOTERAPIA APLICADA PARTE II PROFESSORAS Gabriela Perez ORGANIZADORA Supervisora dos cursos preparatórios de Nutrição da Sanar. Nutricionista graduada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre e Doutora em Alimentos, Nutrição e Saúde pela UFBA com período sanduíche na University of Nottingham, Inglaterra. Es- pecialista em Nutrição Clínica e Nutrição e Saúde Pública. Pesquisadora nos Grupos de Nutrição, Sistema Nervoso e Imunológico; Bases Experimentais e Clínicas da Nutrição na UFBA. Possui experiência atuando como Servidora Pública, Nutricionista Clínica, Nu- tricionista de home care e docência para cursos de graduação e pós graduação na área da Nutrição Clínica. Mentora, autora e professora de diversas disciplinas para Concursos e Residências em Nutrição. Aline Luiza Afonso de Souza Thaynara Helena Ribeiro e Silva Medeiros Nutricionista, Graduada em 2013 com atua- ção na área de qualidade. Mestre em Nutri- ção e Saúde pela UFMG na linha de pesquisa Bioquímica e Imunologia da Nutrição. Atual- mente atua no Ambulatório do Instituto Alfa de Gastroenterologia do HC/UFMG além de atendimento clínico com ênfase em oncolo- gia e doenças autoimunes. Nutricionista pela UFMA. Mestre em Saú- de da Criança e do Adulto pela UFMA. Es- pecialista em Nutrição Clínica pela UNESA. Especialista em Nutrição Esportiva pela UNESA. Atuação em nutrição clínica, com ênfase em doenças crônicas e emagreci- mento há 10 anos. Docente da área de nutri- ção há 7 anos com ênfase em dietoterapia. 2020 © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas, sem permissão expressa da Editora. Intensivo para residências em nutrição: Fisiopatologia e dietotera- pia aplicada – Parte II Karen Nina Nolasco Microart Design Editorial Fabrício Sawczen Microart Design Editorial Caio Vinicius Menezes Nunes Paulo Costa Lima Sandra de Quadros Uzêda Silvio José Albergaria da Silva Título | Editor | Diagramação| Projeto gráfico e Capa | Revisor Ortográfico | Conselho Editorial | Editora Sanar S.A R. Alceu Amoroso Lima, 172 – Salvador Office & Pool, 3ro Andar – Caminho das Árvores CEP 41820-770, Salvador – BA Tel.: 0800 337 6262 atendimento@sanar.com www.sanarsaude.com Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes CRB-8 8846 OS729if Souza, Aline Luiza Afonso de. Intensivo para residências em Nutrição: Fisiopatologia e Dietoterapia aplicada – Parte II / Aline Luiza Afonso de Souza. – 1. ed. – Salvador, BA : Editora Sanar, 2020. 76 p.; il.. E-Book: PDF. Inclui bibliografia. ISBN 978-65-86246-95-7 1. Dietoterapia. 2. Fisiopatologia. 3. Medicina. 4. Nutrição. 5. Nutrição Clínica. 6. Residências. I. Título. II. Assunto. III. Souza, Aline Luiza Afonso de. CDD 613 CDU 612.3 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Nutrição. 2. Nutrição. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SOUZA, Aline Luiza Afonso de. Intensivo para residências em Nutrição: Fisiopatologia e Dietoterapia aplicada – Parte II. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2020. EBook (PDF). 978-65-86246-95-7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Sistema cardiovascular Figura 2 – Evolução da placa de ateroma no IAM Figura 3 – Estrutura dos pulmões Figura 4 – Fibrose cística Figura 5 – Alterações metabólicas da fibrose cística Figura 6 – Mutações que dão origem a células neoplásicas Figura 7 – Metástase – como ocorre Figura 8 – Alterações fisiológicas causadas pela caquexia Figura 9 – Prevalência de caquexia e perda de peso por localização tumoral Figura 10 – Processos farmacocinéticos básicos Figura 11 – Mecanismo de ação de inibidores de MAO Figura 12 – Reações adversas a alimentos LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Estratificação do risco cardiovascular Quadro 2 – Recomendações nutricionais no IAM Quadro 3 – Recomendações nutricionais no Infarto Agudo do Miocárdio. Quadro 4 – Modelos de intervenções dietéticas propostas para o tratamento nutricional na HAS Quadro 5 – Valores de referência para diagnóstico das dislipidemias Quadro 6 – Intervenção dietoterápica nas dislipidemias Quadro 7 – Componentes da síndrome metabólica Quadro 8 – Recomendações nutricionais para tratamento da síndrome metabólica Quadro 9 – Recomendações nutricionais na DPOC Quadro 10 – Intervenções nutricionais na fibrose cística Quadro 11 – Recomendação de imunonutrientes durante tratamento radio e qui- mioterápico Quadro 12 – Necessidades nutricionais no paciente com câncer Quadro 13 – Fases EBB e Flow Quadro 14 – Diferenças metabólicas entre o jejum e o trauma Quadro 15 – Recomendações dietéticas pré e pós-transplante hepático SUMÁRIO Apresentação .................................................................................... 6 1. Intervenção Nutricional nas Doenças Cardiovasculares ......... 7 2. Intervenção Nutricional nas Doenças Pulmonares ................. 22 3. Intervenção Nutricional no Paciente Oncológico .................... 29 4. Intervenção Nutricional no Paciente Crítico ............................ 40 5. Interações fármaco x nutriente ................................................. 58 6. Reações Adversas aos Alimentos.............................................. 65 Gabarito ............................................................................................. 73 Referências ....................................................................................... 74 Olá futuro(a) residente! Seja bem-vindo(a) ao mundo da dietoterapia. Estamos felizes em conti- nuar com você nessa jornada! Este é o bloco II da nossa disciplina, e nele você vai encontrar tudo o que há de mais atualizado sobre as diretrizes e os assuntos mais recorrentes nas provas de residência do Brasil. Ao final de cada tema, você já sabe, é o momento de revisar o conteúdo assistindo a uma pocket aula e resol- vendo as questões gabaritadas. Aqui você vai se deparar com o essencial para fazer uma ótima prova. Faça bom proveito dessa ferramenta que vai ajudar você a conquistar sua aprovação! APRESENTAÇÃO Clique no ícone para assistir a apresentação gravada. http://sanar.link/6IYIZ http://sanar.link/6IYIZ 7Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 1. INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES A. DOENÇAS CARDIOVASCULARES A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no Brasil e no mundo, determinando o aumento da morbidade e a incapacidade ajusta- das pelos anos de vida. Os fatores de risco para o desenvolvimento da doença cardiovascular di- videm-se entre os fatores de clássicos e outros fatores. Segundo a Dire- triz de prevenção de Doença Cardiovascular (SBC), os fatores clássicos são: hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagis- mo,diabetes e histórico familiar. Entre os outros fatores estão: questões sociodemográficas, étnicas, culturais, dietéticas e comportamentais. Todos esses fatores precisam ser considerados para elaborações de estratégias de prevenção primária e secundária na população brasileira. A principal função do sistema car- diovascular para o corpo humano é o transporte de gases, nutrientes, produtos para excreção, células, hormônios e outros materiais. Tem papel fundamental na homeostasia corporal, regulação térmica e regula a composição de fluidos intra e ex- tracelulares. O estudo AFIRMAR, apontou que os fato- res de risco clássicos são responsáveis pelo aparecimento do infar- to agudo do miocárdio (IAM), principal ma- nifestação clínica da doença arterial corona-e dietoterapia aplicada Parte II 05. O protocolo de progressão da dieta no pós-operatório da cirurgia bariátrica está relacionado ao tipo de técnica cirúrgica utilizada, contudo a síndrome de dumping é uma das complicações pós-ope- ratórias possíveis. Os pacientes que apresentam esta complicação devem receber orientações específicas na dieta, que incluem: 🅐 O consumo diário reduzido de líquidos, a exclusão da lactose da dieta, o aumento da ingestão de proteína de origem vegetal e de carboidratos complexos. 🅑 A ingestão reduzida de lipídios, o aumento do consumo de lí- quidos durante as refeições, a redução de alimentos ácidos e fla- tulentos. 🅒 O consumo de carboidratos simples, a limitação do consumo de líquidos nas refeições, o aumento da ingestão de fibras e de lipídios. 🅓 O consumo de líquidos entre as refeições, a ingestão reduzida de açúcares simples, o aumento do consumo de pectina e de lipídios. 🅔 A ingestão aumentada de proteínas de alto valor biológico, a restrição de lactose, o aumento do consumo de carboidratos e líquidos espessados. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. IV. TERAPIA NUTRICIONAL NO PERÍODO PÓS CIRÚRGICO DO TRANSPLANTE HEPÁTICO Após a realização de um transplante, o paciente transplantado apresenta algumas necessidades nutricionais específicas. Os transplantes são ci- rurgias de grande porte e, em geral, apresentam aumento das necessida- des energéticas e proteicas. Entretanto, alguns casos podem demandar orientações específicas. Em geral, as recomendações pós-transplante são apenas para o pós-transplante imediato, pois, após um período, o or- http://sanar.link/oOeCZ 54Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II ganismo já se adaptou ao órgão e o metabolismo volta ao basal. Contudo, em alguns casos, observamos que o sucesso do transplante não garante a melhora geral do paciente a longo prazo em virtude de muitas alterações metabólicas persistentes. Transplante hepático Quando há falência hepática, o transplante hepático é considerado uma alternativa para a manutenção da sobrevida do paciente. – As necessidades nutricionais na fase pós-transplante aguda são si- milares às de outros pacientes no período pós-cirúrgico, sendo neces- sário atentar para a oferta aumentada de calorias e proteínas, com o intuito de promover a cicatrização, deter a infecção e fornecer energia para recuperação e repor as reservas corporais que sofreram deple- ção. Entretanto, alguns trabalhos demonstraram que esses indivíduos apresentam depleção proteica até um ano após o transplante, mani- festando a necessidade de realizar a nutrição adequada no pré e pós- transplante, além do pós-imediato. – A obesidade sarcopênica e o desenvolvimento de síndrome metabó- lica são condições frequentemente desenvolvidas nesses indivíduos. O aumento de gordura corporal, sinais de sarcopenia persistentes e má utilização de glicose pelo músculo esquelético são sinais de que o transplante hepático não é capaz de normalizar a disfunção metabóli- ca nesses pacientes. Portanto, a adequação dietética e a promoção da atividade física são essenciais na melhora de qualidade de vida des- ses pacientes. – Tal circunstância corrobora o dado de que pacientes obesos, que apre- sentam falência hepática, quando submetidos a um transplante, têm um risco 1,6 a 1,9 vez maior de mortalidade, quando comparados a in- divíduos eutróficos. 55Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II – A nutrição enteral precoce está associada a melhores desfechos e me- nor taxa de infecção nos pacientes transplantados. Sempre que pos- sível, é recomendada a nutrição oral, senão, enteral e, quando não for possível, optar pela TNP. Observe a seguir o resumo das recomendações nutricionais nos momen- tos pré e pós-operatório. Quadro 15 – Recomendações dietéticas pré e pós-transplante hepático Momento Estado Nutricional do Paciente Nutrientes e Características da Dieta Conduta Pré-transplante Desnutrido valor calórico/ valor proteico 30-35 Kcal/kg de peso 1,2 a 1,5 g PTN/kg de peso Pré-transplante Obeso valor calórico/ valor proteico 20-25 Kcal/kg de peso 2,0 a 2,5g PTN/kg de peso Pré-transplante Adultos em geral Imunonutrientes BCAA Não há evidências do benefí- cio desses nutrientes na redu- ção da mortalidade Pré-transplante Crianças BCAA O uso de BCAA é recomen- dado para garantir massa muscular Pós-transplante Adultos em geral Iniciar alimentação V.O 12-24 horas pós-transplante Pós-transplante Adultos em geral valor calórico/ valor proteico 30-35 Kcal/kg de peso 1,2 a 1,5 g PTN/kg de peso Pós-transplante Adultos em geral Probióticos Lactobacillus spp. A administração de probió- ticos no pré e pós-cirúrgico está reduzida à diminuição de infecção pós-cirúrgica nesses pacientes Pós-transplante Adultos em geral Fórmula enteral enriquecida com BCAA Não há recomendação, em- bora essa prática tenha sido associada à redução de sar- copenia Fonte: Plauth, 2020. 56Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 06. Julgue o próximo item, no que se refere à fisiopatologia nutri- cional e à dietoterapia nas doenças do aparelho digestório e anexos. “A dieta oral na fase pós-transplante hepático pode ser iniciada em, no mínimo, vinte e quatro horas após a cirurgia; porém, a aceitação será melhor em um período de dois a cinco dias pós-transplante, quando há melhora na sintomatologia típica, ou seja, náusea, ano- rexia, alteração do paladar e diarreia ou constipação intestinal.” 🅐 Certo 🅑 Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Assista agora a Pocket Aula sobre Intervenção Nutricional no Paciente Crítico, Trauma e Sepse clicando no ícone ao lado http://sanar.link/H5xFe 57 ANOTAÇÕES 58Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 5. INTERAÇÕES FÁRMACO X NUTRIENTE O processo absortivo dos nutrientes dá-se por meio da interação entre as diferentes substâncias e moléculas presentes no organismo humano. Dessa forma, a presença de fármacos diversos pode alterar tais proces- sos prejudicando ou mesmo beneficiando a absorção de um ou outro. Entretanto, em alguns casos, essa interação pode colocar em risco a vida dos pacientes. As interações fármaco-nutriente incluem alterações na atividade do fármaco, podendo ser estas reconhecidas como toxici- dade, ou mesmo alterações na cinética dele, quando há redução na sua eficácia. Alguns indivíduos estão mais suscetíveis a essa complicação, como os que fazem uso de polifarmácia, caracterizada como o uso de quatro ou mais medicamentos, os idosos e aqueles pacientes que têm dificuldades na compreensão e no cumprimento das orientações dadas por profissionais. Os processos de absorção e ação dos fármacos envolvem a farmacociné- tica, descrita como o estudo do decurso temporal de um fármaco no or- ganismo, envolvendo a absorção, a distribuição, o metabolismo (biotrans- formação) e a excreção do fármaco, e a farmacodinâmica, que é o estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos do fármaco. Qualquer alteração causada por nutrientes em uma dessas etapas pode ser considerada uma interação fármaco-nutriente. Observe a seguir o processo de farmaco- cinética e os diferentes órgãos envolvidos: 59Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Figura 10 – Processos farmacocinéticos básicos Fonte: Mahan, 2018. Diante disso, observe a seguir as interações mais frequentemente abor- dadas em provas: 1. Quelação: a quelação é definida como uma ligação entre determinadas substâncias ou medicamentos e cátions di ou trivalentes, como o ferro, o cálcio, o magnésio, o zinco ou o alumínio. Esse processo pode reduzir a ab- sorção do fármaco, uma vez queos complexos formados são insolúveis. 1.1 Antibióticos: as tetraciclinas e fluoroquinolonas são fármacos que formam complexos insolúveis com o cálcio presente nos alimentos, se- jam estes fortificados ou não. Além disso, o alumínio e o magnésio pre- sentes em antiácidos formam esses complexos. Quando não for possível interromper o uso de suplementos minerais citados anteriormente, é re- comendado que o antibiótico seja administrado duas horas após tal uso. 1.2 Entacapona: este medicamento, vendido comercialmente com o nome de Comtan®, usado no tratamento do Parkinson, é um agente quelante do ferro. ABSORÇÃO DISTRIBUIÇÃO METABOLISMO EXCREÇÃO EliminaçãoBile Sistema Gl Sangue Fígado Rim Locais de ação Outros locais Outros locais de administração Urina Eliminação 60Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 2. Aumento ou redução de efeitos: 2.1 Cafeína: o uso de alguns fármacos estimulantes, como anfetaminas, metilfenidato (Ritalin®) ou teofilina, quando associado ao consumo de cafeína, presente em alimentos e bebidas, pode resultar em sensação de agitação, nervosismo e causar tremor e insônia. Quando há o uso de medicamentos ansiolíticos, como os da classe dos benzodiazepínicos, o efeito da cafeína reduz o do medicamento, podendo trazer prejuízo ao bem-estar dos usuários. 2.2 Anticoagulantes e vitamina K: alguns compostos anticoagulantes como a varfarina diminuem a produção hepática de quatro fatores da coagulação dependentes de vitamina K, os fatores II, VII, IX e X, inibin- do a conversão da vitamina K de forma utilizável. Portanto, a ingestão de alimentos ricos em vitamina K, como a couve, brócolis, espinafre, entre outros, deve ser limitada, de forma a não interferir nos efeitos anticoa- gulantes do medicamento. Por outro lado, alguns alimentos como cebola, alho, gengibre, mamão papaia, manga ou suplementos de vitamina E, em doses acima de 400 UI, podem aumentar o efeito anticoagulante da var- farina, por serem inibidores plaquetários. Essa reação pode ser, contu- do, perigosa, causando risco de hemorragia em elevadas concentrações. Quando o indivíduo fizer uso de suplementação mineral, ou tiver o hábito de consumir alimentos ricos nos minerais e vitaminas já citados, a recomendação geral é de que o suplemento seja dado pelo menos duas horas antes ou seis horas depois do medicamento em questão. 2.3 pH: situações como o uso de inibidores de bomba de prótons e antiáci- dos, que alterem o pH fisiológico do estômago, podem diminuir a absorção de medicamentos. Além da redução da absorção de ferro e vitamina B12, a acloridria ou hipocloridria, medicamentos como o antifúngico cetoconazol não são absorvidos nessas condições. Pacientes que fazem uso crônico de inibidores de bomba de prótons e afins são orientados a tomar o outro medi- camento (o qual apresentar interação) com um suco ácido, a fim de melhorar 61Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II a absorção. Por outro lado, alguns medicamentos como a axetilcefuroxima apresentam maior biodisponibilidade, quando ingeridos com alimentos. 2.4 IMAO e vasopressores: os medicamentos inibidores de monoamina oxi- dase (IMAO), em geral medicamentos antidepressivos como a fenelzina ou ranilcipromina, interagem com compostos vasopressores como a dopami- na e a tiramina. Também são observadas as interações medicamentosas com os serotoninérgicos (fluoxetina, triptofano, venlafaxina etc.) e com os simpatomiméticos (efedrina, pseudoefedrina, anfetaminas e afins). No processo de captação-inibição da MAO, não há degradação da tiramina, um agonista adrenérgico, que estimula a liberação de noradrenalina. A tira- mina é um vasoconstritor presente em diversos tipos de alimentos, como carnes curadas, queijos envelhecidos, entre outros alimentos fermenta- dos. Na figura a seguir, veja como isso ocorre no organismo: Figura 11 – Mecanismo de ação de inibidores de MAO A: Quando não há utilização do inibidor de MAO, a recaptação de compostos, tais como a norepinefrina e a serotonina nas terminações nervosas, é inativada pela MAO, mantendo uma concentração adequada desse transmissor no terminal nervoso. B: Na presença dos inibidores da MAO, não há inativação desses mesmos compostos, o que faz com que a concentração deles aumente e seja liberada em quantidades acima do fisiológico. Esse processo inten- sifica a transmissão. Fonte: Adaptado de Maham; Escott-Stump, 2018; adaptado de De Lehne et al., 2012. A Neutotrenamissão sem inibodires de MAO B Neutotrenamissão com inibodires de MAO BLOQUEIO POR INIBODORES DA MAO NESTE PONTO PRODUTO INATIVO PRODUTO INATIVOT P M AO M AO P T 62Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 07. Um paciente idoso está internado, fazendo uso de tetraciclina para infecção bacteriana. Dentre as recomendações para melhor efetividade do tratamento, deve-se evitar o consumo da tetraci- clina com: 🅐 Leite ou derivados, já que esse medicamento forma quelato, que diminui a absorção da tetraciclina e cálcio. 🅑 Leite ou derivados, já que esse medicamento forma íons, que diminuem a absorção da tetraciclina e citratos. 🅒 Sucos cítricos, já que esse medicamento forma quelato, que diminui a absorção da tetraciclina e citratos. 🅓 Sucos cítricos, já que esse medicamento forma íons, que dimi- nuem a absorção da tetraciclina e do cálcio. Clique aqui para ver o gabarito da questão. 08. Os inibidores de monoaminoxidase (IMAOs) são medicamentos considerados de segunda linha e muito eficazes. Entretanto, há o risco de síndrome hiperadrenérgica quando utilizados com outros antidepressivos e com alimentos ricos em: 🅐 Prolina. 🅑 Arginina. 🅒 Tiramina. 🅓 Glutamina. Clique aqui para ver o gabarito da questão. 63Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Assista agora a Pocket Aula sobre Interação Fármaco X Nutriente clicando no ícone ao lado http://sanar.link/STLRs 64 ANOTAÇÕES 65Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 6. REAÇÕES ADVERSAS AOS ALIMENTOS As reações adversas aos alimentos são muitas e são classificadas como as imunomediadas, que são aquelas que envolvem resposta mediada pelo sistema imunológico, e as não imunomediadas, compreendendo proces- sos de dificuldades absortivas em algum momento desse processo. I. INTOLERÂNCIA E SENSIBILIDADE ALIMENTAR – A intolerância alimentar, por outro lado, não é desencadeada por um processo mediado por resposta imunológica, mas, sim, é definida como uma limitação nos processos de digestão, absorção e metabolização de substâncias provenientes do alimento. As intolerâncias alimentares são muito mais comuns que as alergias e geralmente são desencadea- das por substâncias químicas de baixo peso molecular e também por compostos biologicamente ativos do alimento. As reações adversas à intolerância alimentar, quando comparadas às da alergia alimentar, são mais brandas e não apresentam sintomas que colocam a vida desses indivíduos em risco. Elas geralmente consistem em desconforto gas- trointestinal, presença de gases, diarreia e dores de cabeça. – Alguns exemplos de intolerância alimentar são à lactose, frutose, a co- rantes artificiais, a fenilalanina (fenilcetonúria), a tiramina, a nitratos e nitritos. – A sensibilidade alimentar é um processo relativamente novo e pou- co descrito pela ciência. Um clássico da sensibilidade alimentar é ao glúten. Alguns indivíduos não apresentam as mesmas alterações his- tológicas da doença celíaca, caracterizada por alterações na mucosa intestinal na presença do glúten, mas ainda assim parecem desenca- 66Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II dear um processo inflamatório, levando à manifestação de sintomascomo o desconforto gastrointestinal, imediatamente após a ingestão de alimentos que contenham essa proteína. Ainda não se sabe se essa é uma reação imunologicamente mediada ou ocorre em razão de uma deficiência bioquímica ou fisiológica nesses indivíduos. Ao excluir um grupo alimentar, é importante atentar à ingestão desses nu- trientes por outras fontes alimentares. Por exemplo, na exclusão de laticínios, orientar o consumo de cálcio e vitamina D de outras fontes. Na exclusão do glúten, orientar fontes de ácido fólico. II. ALERGIA ALIMENTAR O processo alérgico é definido como uma reação imunomediada adversa a um alimento. Os indivíduos que apresentam alergia alimentar têm uma reação exacerbada do sistema imunológico a um antígeno, que, nesse caso, chamamos de alérgeno, que geralmente se trata de uma proteína, glicoproteína ou hapteno. Sempre que consumidos nos alimentos, desen- cadeiam a liberação de mediadores inflamatórios ou químicos, os quais agem nos tecidos corporais e resultam em sintomas como prurido, incha- ço ou erupções na pele, vermelhidão, e muitas vezes é acompanhado de sintomas gastrointestinais como diarreia (sanguinolenta ou não) e sinto- mas respiratórios, podendo incluir consequências graves como o edema de glote. Quando ocorre: O processo de alergia alimentar ocorre geralmente na infância, pois é nes- se momento que é desenvolvido o processo de tolerância oral. Durante a fase de maturação do sistema imune, as células do sistema imunológico reconhecem as partículas na primeira vez que entramos em contato com elas, e, posteriormente, não são mais classificadas como antígenos. Esse 67Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II processo é denominado como tolerância oral. Com a perda de tolerância oral, o sistema imune erroneamente reconhece um alimento ou molécula como estranha, e esse processo, embora também possa ocorrer na fase adulta, é muito mais comum na infância, até os dois anos. A fisiopatologia básica da resposta alérgica pode ser descrita em três fases: • Fase 1: Quebra da tolerância oral, associada à redução das células Treg; • Fase 2: Sensibilização ao alérgeno, denominada resposta do tipo Th2; • Fase 3: Reatividade aos alérgenos, levando aos sintomas de alergia. Nesta fase pode ocorrer produção de IgE específica para esse alimen- to, que é o que denominamos alergia mediada por IgE. As reações alérgicas aos alimentos mediadas pela IgE são rápidas no iní- cio, ocorrendo em minutos a poucas horas de exposição ao alérgeno. As alergias de leite, ovos, amendoim, nozes, soja, trigo, peixe, mariscos e ger- gelim são exemplos de alergias IgE mediadas. É importante compreender que alguns desses tipos de alergias apresentam reações IgE mediadas como: urticária, angioedema, eczema, sintomas GI e sintomas respira- tórios, além de reações não mediadas. Nessas situações, são referidas como mistos, como é o caso da APLV. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é comum na infância, e é rela- tada em 2% a 7% dos bebês com idade inferior a um ano (Ludman et al., 2013). As porções proteicas que causam maior sensibilidade no bebê são a caseína e a beta-lactoglubulina. As reações não mediadas por IgE são mais difíceis para identificar, uma vez que são tardias, podendo ocorrer em até 20 horas após o consumo do alérgeno, no caso, a proteína do leite de vaca. A criança é exposta a essa proteína nas primeiras horas de vida, por meio do leite materno ou pela fórmula. 68Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II TRATAMENTO: A maioria das crianças com APLV supera a reação aos 5 anos em reações mediadas por IgE e aos 3 anos para reações não mediadas por IgE sem complicações. Quando a criança é amamentada, a orientação é a suspen- são do consumo de leite de vaca pela mãe. Entretanto, em muitos casos é necessário utilizar Fórmulas Infantis (FI), e as indicadas são: fórmulas com proteínas extensamente hidrolisadas, que, embora estas sejam pro- venientes do leite de vaca, costumam ser bem toleradas por 90% das crianças. Para as crianças que não toleram essas fórmulas são indicadas fórmulas de aminoácidos. ACERTE O ALVO! Muitos bebês com APLV desenvolvem sensibilidade a outros alérgenos como OVOS e SOJA. Portanto, as fór- mulas infantis à base de soja não são recomendadas. A reação não mediada parece envolver células Th que liberam TNF-alfa, que é uma resposta Th1 (lembre-se que a resposta IgE mediada é do tipo Th2). Nesse caso, há uma concentração muito baixa de TGF-beta, que é a citocina envolvida no desenvolvimento de tolerância aos alimentos. Uma vez desencadeada essa resposta, ocorreu a sensibilização. Assim sendo, da próxima vez que o alimento é consumido, acontece a liberação de me- diadores de resposta Th1 e a reação de vômito e diarreia (expulsão do ali- mento). Dessa forma, podemos concluir que, para alergias não IgE media- das, os testes para a IgE não são úteis no diagnóstico desses distúrbios. Algumas doenças têm relação com alergias e sensibilidade alimentar, como a dermatite atópica, síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (SEIPA), enxaqueca, artrite, doenças autoimunes como artrite, lúpus, entre outras que apresentam melhora com a exclusão de alimentos específicos que causam reação inflamatória (ou imunológica, no caso da alergia). 69Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II O esquema a seguir traz algumas diferenças no desenvolvimento dessas patologias: Figura 12 – Reações adversas a alimentos Reações adversas ao alimento Intolerância alimentar não imunomediada Alergia alimentar imunomediada Toxicidade ao alimento/ contaminação microbiana Agentes farmacológicos/ aditivos Distúrbios gastrointestinais Psicogênico/ comportamental Distúrbios genéticos metabólicos Outros idiopáticos ● Envenenamento escromboide ● Toxinas bacterianas ● Aflotoxinas ● Leveduras ● PKU ● DUXB ● Anafilaxia ● Asma ● AIEDA ● Síndrome do látex- fruta ● SAO ● APLV ● EEO ● GEO ● Dermatite herpertiforme ● SEIPA ● PIPA ● EIPA ● Doença celíaca ● Síndrome de Heiner ● Dermatite herpetiforme ● Deficiências enzimáticas/ mã absorção ● Intolerância à lactose ● Intolerância à frutose ● Intolerância à SFODMAP ● Doença GI ● Doença da vesícula biliar ● Doença pancreática ● Doença hepática ● DII ● Transtorno alimentar ● Fatores psicológicos de condicio- namento/ expectativa ● Histamina ● Tiramina ● Cafeína ● Aditivos alimentares ● Tartrazina ● Benzoatos ● Sulfitos ● GMS IdE mediada IdE mista e não IgE mediada Não IgE mediada Legenda: APLV: alergia à proteína do leite de vaca; EEO: Esofagite eosinofílica; GEE: Gastroenterite eosinofílica; AIEDA: Anafilaxia induzida por exercício dependente de alimento; FODMAP: Síndrome da frutose, oligo-, di-, monossacarídeos e polióis; EIPA: enteropatia induzida pela proteína do alimento; SEIPA: síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar; PIPA: proctocolite induzida por pro- teína do alimento; DII: doença inflamatória intestinal; DUXB: doença da urina do xarope de bordo; SAO: síndrome da alergia oral; PKU: fenilcetonúria. Fonte: Maham, 2018. NOTA: O tratamento da ALERGIA ALIMENTAR constitui na exclusão COM- PLETA do alérgeno, seus derivados e alimentos que possam ter tido contato cruzado com este. Na INTOLERÂNCIA ALIMENTAR, por sua vez, nem sempre é necessário excluir todos os alimentos que contenham uma fração desse com- posto. Nesses casos, concentrações mínimas da substância causadora da into- lerância podem não desencadear reações. Para estes, o uso de enzimas pode ser uma alternativa, como é o caso da intolerância à lactose. 70Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Assista agora a Pocket Aula sobre Reações Adversas aos Alimentos clicando no ícone aolado 09. “O que é alimento para alguns é veneno amargo para outros” (Lucrécio – filósofo romano) Nas consultas ambulatoriais é necessário estabelecer-se amplo diagnóstico dos quadros de alergia alimentar apresentados, por meio de história clínica detalhada e exame físico acurado, aliados ao histórico alimentar. Em relação aos quadros de alergia alimentar é CORRETO afirmar: 🅐 A total exclusão do alimento reconhecido ou supostamente envolvido na alergia alimentar (inclusive os produtos dele derivados e de preparações que o contenham) na alimentação do paciente é ainda a única forma disponível comprovadamente eficaz no trata- mento da alergia alimentar. 🅑 Crianças com colite alérgica, diagnosticada depois dos cinco anos de idade, podem vir a tolerar a reintrodução do alimento um a dois anos após a dieta de exclusão, mas recomenda-se poster- gar a exposição ao alimento, quando as reações envolvidas são mediadas por IgA. 🅒 No tratamento nutricional nos casos de intolerância à lactose deve-se excluir o leite e produtos lácteos que contenham os alér- genos alimentares, fazendo-se a substituição apropriada. 🅓 A alergia alimentar a amendoim, nozes e frutos do mar desa- parece na infância, ao contrário da alergia a ovo, trigo e soja que duram por toda a vida. Clique aqui para ver o gabarito da questão. http://sanar.link/hlVWB 71Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 10. Os responsáveis por uma criança de 8 meses de vida, diagnos- ticada com alergia à proteína do leite de vaca do tipo não IgE-me- diada, com sintomas gastrointestinais, foram orientados a utilizar na alimentação do bebê: 🅐 Bebidas à base de soja. 🅑 Bebidas à base de arroz. 🅒 Fórmulas extensamente hidrolisadas. 🅓 Fórmulas poliméricas isentas de lactose. 🅔 Leite de ovelha. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. http://sanar.link/5fik9 72 ANOTAÇÕES 73Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Questões Comentadas (1-5) Questões Comentadas (6-10) GABARITO: 01 D 02 C 03 C 04 A 05 D 06 A 07 A 08 C 09 A 10 C Para retornar a questão em que estava, clique nos botões abaixo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 http://sanar.link/oOeCZ http://sanar.link/5fik9 74Curso Intensivo para Residências | Farmácia REFERÊNCIAS 3. ARENDS, et al. ESPEN guidelines on nutrition in cancer patients. Clini- cal Nutrition, 2016. http://dx.doi.org/ 10.1016/j.clnu.2016.07.015 4. ARGILÉS, J. M et al. Cancer cachexia: Understanding the molecular basis. Nature Reviews Cancer. November 2014, 754-762, VOLUME 14, Macmillan Publishers. 5. Aguilar-Nascimento, J. E. Diretriz ACERTO de intervenções nutricio- nais no perioperatório em cirurgia geral eletiva. Rev Col Bras Cir 2017; 44(6): 633-648. 6. Athanazio RA, Silva Filho LVRF, Vergara AA, Ribeiro AF, Riedi CA, Pro- cianoy EFA, Adde FV, Reis FJC, Ribeiro JD, Torres LA, Fuccio MB, Epi- fanio M, Firmida MC, Damaceno N, Ludwig-Neto N, Maróstica PJC, Ra- ched SZ, Melo SFO; Grupo de Trabalho das Diretrizes Brasileiras de Diagnóstico e Tratamento da Fibrose Cística. 7. BARACOS, V. E et al. Cancer associated cachexia, Nat. Rev. Dis. Pri- mers, 4. 17105. 2018. 8. BRASPEN, DIRETRIZES BRASILEIRAS DE TERAPIA NUTRICIONAL. ISSN 2525-7374 Volume 33 – 1o Suplemento Diretrizes/2018. 9. Carvalho MHC editor. Diretriz de diagnóstico e tratamento de síndro- me metabólica. Arq Bras Cardiol. SBC(Sociedade Brasileira de Car- diologia).2005;84:1-28 10. Diretriz brasileira baseada em evidências sobre prevenção de doen- ças cardiovasculares em pacientes com diabetes: posicionamento da SBD, da SBC e da SBEM. Arq Bras Cardiol 2017; 109(6 Supl.1):1-31 11. HANAHAN, D. and WEINBERG, R. A. The hallmarks of cancer. Cell 100, 57–70. 2000. 75Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 12. HANAHAN, D. and WEINBERG, R. A. Hallmarks of cancer: The next ge- neration. Cell, 144, March 4, 2011. Elsevier Inc. 13. II Consenso Brasileiro sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica . Jornal Brasileiro de Pneumologia. Vol.30 sup.5 nov.2004 14. Ludman S, Shah N, Fox AT. Managing cow’s milk protein allergy in chil- dren. BMJ. 2013;347:f5425. 15. Malachias MVB, Souza WKSB, Plavnik FL, Rodrigues CIS, Brandão AA, Neves MFT, et al., Sociedade Brasileira de Cardiologia. 7ª Diretriz Bra- sileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2016; 107 (supl 3): 1-83 16. MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, nutrição e die- toterapia. 14ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 17. PRÉCOMA D.B, OLIVEIRA G.M.M, SIMÃO A.F, DUTRA O.P, COELHO OR, Izar MCO, et al. Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovas- cular da Sociedade Brasileira de Cardiologia - 2019. Arq Bras Cardiol. 2019; 113 (4): 787-891. 18. PLAUTH, M. et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in liver disea- se. Clinical Nutrition, https://doi.org/10.1016/j.clnu.2018.12.022 2020. 19. SINGER et al.ESPEN guideline on clinical nutrition in the intensive care unit https://doi.org/10.1016/j.clnu.2018.08.037 0261-5614/© 2019. Eu- ropean Society for Clinical Nutrition and Metabolism. Published by Elsevier Ltd. All rights reserved. 20. WARBURG, O. On the origin of cancer cells. Science 123, 309–314. 1956. 21. WEINMAN, A. et al. ESPEN guideline: Clinical nutrition in surgery. Cli- nical Nutrition 36 (2017) 623e650. https://doi.org/10.1016/ © 2020 - Todos os Direitos Reservados - R. Alceu Amoroso Lima, 172 - Salvador Office & Pool, 3º andar - Caminho das Árvores, CEP 41820-770, Salvador - BA - Brasil. Tel.: 0800 337 6262 Editora Sanar LTDA - ME. CNPJ: 18.990.682/0001-92riana (DAC). 8Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Figura 1 – Sistema cardiovascular Cor vermelha – circulação arterial (com O2); cor azul – com circulação venosa (com CO2). Fonte: https://www.significados.com.br/sistema-cardiovascular/. Estratificação de Risco para DCV Para estimar a gravidade da DCV, foram criados os chamados escores de risco, existindo vários deles: Escore de Risco de Framingham (ERF); Esco- re de Risco de Reynolds (ERR); Escore de Risco Global (ERG); e Risco pelo Tempo de Vida (RTV). Entretanto, a Sociedade Brasileira de Cardiologia considera em sua diretriz o escore de risco global (ERG) de Framingham, classificação que inclui a estimativa em dez anos de eventos coronaria- nos, cerebrovasculares, doença arterial periférica ou insuficiência cardía- ca (IC), tendo sido o escore adotado pelo Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-DA). Desse modo, a estratificação do risco cardiovascular divide-se da seguin- te forma: Fluxo Sanguíneo para a Cabeça e Membros Superiores Fluxo Sanguíneo para os Órgãos do Sistema Digestório e Membros Inferiores Veias Pulmonares Artérias Pulmonares Artéria Aorta Veia Cava Inferior Veia Cava Superior Pulmão Pulmão Coração https://www.significados.com.br/sistema-cardiovascular/ 9Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Quadro 1 – Estratificação do risco cardiovascular Risco muito alto São classificados nessa categoria os indivíduos que apresentam doença aterosclerótica significativa (ou seja, obstrução > 50%) (coronária, cerebro- vascular ou vascular periférica) com ou sem eventos clínicos. Risco alto São os pacientes em prevenção primária que apresentam ERG > 20% (ho- mens) ou > 10% (mulheres) ou que apresentam condições agravantes de risco com base em dados clínicos ou de aterosclerose subclínica. Risco intermediário Indivíduos com ERG entre 5% e 20% no sexo masculino e entre 5% e 10% no sexo feminino. Presença de diabetes mellitus (DM) sem os critérios de doença DASC ou a presença dos estratificadores de risco (ER). Risco baixo Adultos entre 30 e 74 anos, de ambos os sexos, cujo risco de eventos CV em dez anos calculado pelo ERG é inferior a 5%. Fonte: Précoma et al., 2019. I. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM) Para o desenvolvimento do IAM, ocorre o desenvolvimento das placas de ateroma nas artérias coronárias. A presença dessas placas de gordura nesse local, desencadeia a liberação de substâncias inflamatórias e fa- tores de coagulação que, num ciclo vicioso, tende a aumentar a placa de ateroma, limitando cada vez mais o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio para esta região, podendo levar à necrose do músculo cardíaco e ao infarto conforme ilustrado na figura a seguir. Figura 2 – Evolução da placa de ateroma no IAM Fonte: Mahan, 2018. 1. Estria gordurosa 2. Placa fibrosa Artéria normal Anos 0 10 20 30 40 50 60 Infarto Túnica adventícia Túnica média Túnica íntima 3. Placa avançada Oclusão completa Trombo 10Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Fatores de risco para o IAM: • Predisposição genética; • Sexo masculino; • Estresse; • Hipertensão arterial; • Diabetes mellitus; • Dislipidemias; • Obesidade; • Tabagismo; • Idade (Homens > 45 anos e Mulheres > 55 anos); • Alterações hemostáticas. Intervenção Nutricional Entre os objetivos da intervenção nutricional estão: • Diminuir a sobrecarga cardíaca; • Repouso metabólico e digestivo; • Promover a recuperação ou manutenção do estado nutricional; • Garantir suporte nutricional adequado por meio de ingestão equilibra- da de energia e nutrientes. Quadro 2 – Recomendações nutricionais no IAM. Nutrientes Recomendações Energia Harris banedict (adicionar fator injúria) 20-30 kcal/ peso /dia Carboidratos Normoglicídica 45-60% VET Proteínas Normoprotéico 15-20% do VET Lipídios Normolipídica 20-30% VET Fibras 20-30g/ dia Consistência Dietética Pastosa ou branda Distribuição de refeições ao longo do dia Em média 6-8 refeições/dia Líquidos Adultos 30 ml /kg / dia ou 1500 ml / dia Idosos 30ml / kg/ dia ou 1700 ml/ dia *em caso de edema ou retenção hídrica, poderá haver necessidade de restrição de líquidos. Fonte: Mahan, 2018. 11Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Após o evento do infarto, é recomendado o repouso digestivo por até 12 horas visando evitar a sobrecarga metabólica e cardíaca do paciente. A reintrodução alimentar poderá acontecer por via oral ou via terapia nu- tricional. Em caso de TN, será necessário dieta com baixa velocidade e in- fusão e em por via oral a consistência dependerá da tolerância digestiva do paciente, sendo geralmente recomendada pastosa ou branda . Impor- tante lembrar que as comorbidades do paciente (diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade, etc.) deverão ser levadas em conta para a pres- crição nutricional. II. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA É uma síndrome multissistêmica, caracterizada pela disfunção cardíaca em bombear o sangue (disfunção sistólica) e/ou de acomodar o retorno sanguíneo (disfunção diastólica). Os principais fatores de risco são: IAM, idade, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, hipertrofia ven- tricular esquerda, valvulopatia, obesidade e dislipidemia. Intervenção Nutricional Indivíduos com IC podem apresentar perda ponderal progressiva e invo- luntária, podendo apresentar o quadro chamado de caquexia cardíaca (déficit de peso de até 20% do peso usual). A caquexia foi definida como a perda ponderal involuntária de 6% da massa muscular no período de seis meses. Alguns fatores contribuem para a diminuição da ingestão alimentar e o aproveitamento de nutrientes, como: • Alterações no trato digestório, como compressão gástrica e congestão hepática, gerando sensação de plenitude pós-prandial.; • Redução da capacidade de absorção; • Náuseas; 12Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II • Anorexia; • Dispneia; • Fadiga nos pequenos esforços. As necessidades de energia variam conforme o estado nutricional, ativi- dade física, atividade ocupacional e grau de IC. Pacientes que apresentam redução de peso devem suprir as necessidades energéticas para a manu- tenção do peso ideal e evitar redução de peso. Quadro 3 – Recomendações nutricionais no Infarto Agudo do Miocárdio Necessidade Energética 28-32 kcal/ kg de peso Carboidratos 50-60 % do VET Lipídios 20-30 % do VET Proteína 1,5- 2,0g / kg / dia (desnutrição) 1,0 g/ kg/dia (eutrófico) Fibras 25-30 g/ dia. (sendo 6 gramas de fibras solú- veis) Sódio 100 mEq (mesmo para assintomáticos) Potássio 50- 70 mEq Fonte: Mahan, 2018; SBC,2019. O fracionamento recomendado é de cinco a seis refeições por dia para reduzir o trabalho cardíaco, facilitar a ingestão energética e diminuir a plenitude pós-prandial. Em caso de dispneia e fadiga, pode ser necessário modificar a consistência da dieta. II. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS) A hipertensão arterial (HA) é a doença crônica mais prevalente em todo o mundo, afetando aproximadamente um terço da população adulta. A pressão arterial (PA) é mantida por diversos fatores que incluem princi- 13Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II palmente o volume intravascular, o débito cardíaco, a resistência vascular periférica e a capacidade elástica dos vasos arteriais. Entre os diversos mecanismos regulatórios, o sistema renina-angiotensi- na-aldosterona (SRAA), envolvendo o sistema renal, tem participação sig- nificante; um desbalanço nesse complexo sistema regulador, no entanto, pode resultar em elevação crônica dos níveis pressóricos, o que chama- mos de HA. A HA é um dos mais importantes fatores de risco de doença cardiovascular, em que o indivíduo apresentamuito mais aterosclerose levando ao AVC, IC, doença coronária, insuficiência vascular periférica e doença renal. Segundo a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão, é considerado hiperten- são quando se apresentam valores de PAS e pressão arterial diastólica (PAD) iguais ou acima de 140 por 90 mmHg. A gênese da HA primária é multifatorial, com influências genéticas e do meio ambiente, por isso é importante detectar os fatores predisponentes para uma prevenção ade- quada desse relevante fator de risco CV. Entre os fatores não modificá- veis estão o histórico familiar, a idade, a raça e a resistência à insulina, além de fatores ambientais relacionados ao desenvolvimento da HA e que são tidos como fatores modificáveis, tais como obesidade, aspectos psi- cossociais, dieta, ingestão de sódio, sedentarismo e consumo de álcool. Tratamento não farmacológico da HAS Hipertensos devem ser aconselhados a praticar pelo menos 30 minutos de exercício aeróbico dinâmico de intensidade moderada (caminhada, corrida, ciclismo ou natação) em cinco a sete dias por semana. O controle do estres- se psicossocial pelas diversas técnicas existentes, entre elas a meditação, musicoterapia, yoga e respiração lenta, pode ser importante na prevenção e no controle pressórico. Em geral, tais técnicas apresentam capacidade de redução discreta dos níveis tensionais dos hipertensos. 14Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Intervenção Nutricional Vários estudos apontam que a dieta não saudável é um fator de risco im- portante para o desenvolvimento da HAS. Da mesma forma, o consumo de uma dieta saudável e adequada previne e diminui níveis pressóricos. Muitos modelos de intervenção dietética foram propostos, conforme quadro a seguir. Entretanto, a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é a mais indicada por comprovações científicas e clínicas. Suas principais características são: baixo teor de gordura, hiperproteica, de baixo teor de carboidratos, moderada em carboidratos, de baixo índice glicêmico/baixa carga glicêmica, de baixo teor de sódio, vegetariana/ve- gana, mediterrânea, paleolítica, nórdica e tibetana. Quadro 4 – Modelos de intervenções dietéticas propostas para o tratamento nutricional na HAS a. DASH: alta ingestão de hortaliças e frutas, laticínios com baixo teor de gordura, grãos inteiros e baixo teor de sódio. b. Mediterrânea: alto consumo de frutas, legumes, azeite, leguminosas, cereais, peixe e ingestão mo- derada de vinho tinto durante as refeições. c. Baixo carboidrato: 20% de ingestão proteica de energia total ingerida; alta ingestão de proteína ani- mal e/ou vegetal; 5 g de sódio por dia) mostrou ter efeito de aumento pressórico e está associado a uma maior prevalência de HA sistólica com o avançar da idade. Estima-se que, no Brasil, a ingestão habitual de sódio esteja entre 3,5 a 5,5 g/dia (o que corresponde a 9 a 12 g de sal por dia. É recomendado que a ingestão de sódio seja limitada a aproximadamente 2,0 g/dia (equiva- lente a aproximadamente 5,0 g de sal por dia) na população em geral, mas principalmente nos hipertensos. O efeito redutor na PA com a restrição de sódio é maior em negros, idosos, diabéticos, na SM e na doença renal crônica (DRC). IV. DISLIPIDEMIAS A dislipidemia é caracterizada pela elevação variada das concentrações plasmáticas de lipídios e de lipoproteínas. A classificação das dislipide- mias está de acordo com a etiologia e do ponto de vista laboratorial. 16Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Pela etiologia, podem ser classificadas em primárias e secundárias, quan- do decorrentes de alterações genéticas como a hipercolesterolemia fa- miliar (HF), doença autossômica dominante e as secundárias estão rela- cionadas a outras doenças ou ao uso de medicamentos. Do ponto de vista laboratorial, podem ser classificadas em: • Hipercolesterolemia isolada: elevação do colesterol total e/ou da LDL; • Hipertrigliceridemia isolada: elevação isolada dos triglicérides; • Hiperlipidemia mista: elevação combinada do colesterol e dos triglicé- rides; • Diminuição da HDL: redução isolada ou associada ao aumento dos tri- glicérides ou da LDL. Quadro 5 – Valores de referência para diagnóstico das dislipidemias Colesterol total LDL-c HDL-c Triglicérides Muito alto - - Alto 160-189 mg/dl - 200-499 mg/dl Limítrofe 200-239 mg/dl 130-159 mg/dl - 150 mg/200 mg/ml Baixo Homens: 40 mg/dl Mulheres pré- menopausa: 2,0 >2,0 Fibras 25 g, sendo 6 g solúvel AGs = Ácidos Graxos. Fonte: Précoma, 2019. V. SÍNDROME METABÓLICA A síndrome metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina. 18Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II A Organização Mundial da Saúde (OMS)e o National Cholesterol Edu- cation Program’s Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) formularam definições para a SM. Segundo o NCEP-ATP III, a SM representa a com- binação de pelo menos três componentes dos apresentados no quadro a seguir. Pela sua simplicidade e praticidade, é a definição recomendada pela I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Meta- bólica (I-DBSM). Quadro 7 – Componentes da síndrome metabólica Componentes da síndrome metabólica segundo o NCEP-ATP Componentes Níveis Obesidade abdominal (circunferência da cintura) Homens Mulheres >102 cm > 88 cm Triglicerídeos >150 mg/dl Hdl – colesterol Homens Mulheres o qual leva à função anormal do gene do regu- lador transmembrana da fibrose cística (RTFC). Caracterizada por uma doença pulmonar supurativa crônica, insuficiência pancreática e aumento dos níveis de sódio e cloro no suor. 25Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Figura 4 – Fibrose cística Fonte: https://www.richet.com.br/clientes/novidades/ saiba-mais-sobre-a-fibrose-cistica-a-doenca-do-beijo-salgado. Na FC, a maioria das glândulas exócrinas é afetada pela secreção de muco es- pesso e aderente que obstrui as glândulas e os ductos em diversos órgãos. A proteína RTFC em condições fisiológicas adequadas regula o canal iônico de cloreto de sódio. Quando essa proteína está em condição anormal, há alteração no transporte de cloro, sódio e água e ocorre desidratação da superfície celular e formação de um muco espesso ocasionando a obstrução dos brônquios. Figura 5 – Alterações metabólicas da fibrose cística Fonte: https://www.cfsource.com.br/pt-br/sintomas/outras-partes-do-corpo. Sangue no muco Muco espesso Infecção bacteriana Vias aéreas normais SEIOS PARANASAIS Congestão nasal Perda do olfato Infecção crônica Pólipos nasais PULMÕES Infecção crônica das vias aéreas, evoluindo para bronquiectasia, aprisionamento de gás, hipoxemia e hipercapnia GLÂNDULAS SUDORÍPARAS Perda excessiva de sal Desidratação Alcalose metabólica crônica Prostração no calor SISTEMA REPRODUTIVO Infertilidade Ausência bilateral congênita dos canais deferentes PÂNCREAS Insuficiência pancreática Má absorção de gorduras Deficiência vitamínica Pancreatite aguda/crônica TRATO GASTROINTESTINAL Má absorção de nutrientes Doença do refluxo gastroesofágico Síndrome da obstrução intestinal distal (SOID) Obstrução do duto biliar Cirrose biliar focal https://www.richet.com.br/clientes/novidades/saiba-mais-sobre-a-fibrose-cistica-a-doenca-do-beijo-salgado/ https://www.richet.com.br/clientes/novidades/saiba-mais-sobre-a-fibrose-cistica-a-doenca-do-beijo-salgado https://www.richet.com.br/clientes/novidades/saiba-mais-sobre-a-fibrose-cistica-a-doenca-do-beijo-salgado https://www.cfsource.com.br/pt-br/sintomas/outras-partes-do-corpo https://www.cfsource.com.br/pt-br/sintomas/outras-partes-do-corpo 26Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Intervenção Nutricional A seguir, o quadro descreve as recomendações nutricionais na fibrose cís- tica. Quadro 10 – Intervenções nutricionais na fibrose cística ENERGIA GE 120% (Considerar fator atividade, coeficientes de doença e função pulmonar) CHO ajustes de acordo com a intolerância a glicose e lactose PTN 15- 20% do VET LIP 35-40% do VET → conforme tolerância digestiva Vitaminas Vit. Lipossolúveis : suplementar Minerais Perda de Na→ repor eventualmente Fe, Mg e Zn – suplementados Fonte: Mahan, 2018. Ainda são recomendadas algumas orientações nutricionais como: Pela ocorrência da insuficiência pancreática, é necessário realizar a re- posição enzimas pancreáticas de acordo com horários e composição da alimentação. Lembrando que a suplementação de Fe não pode ser feita próxima à reposição enzimática, pois enzimas pancreáticas diminuem a absorção do Fe. 27Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 02. Na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a diminuição do IMC (inferior a 25 kg/m2 ), a perda não intencional de peso e a redução da massa magra são consideradas fatores independen- tes de mau prognóstico clínico nestes pacientes. O tratamento nutricional na DPOC em indivíduos desnutridos e sem assistência ventilatória deve considerar uma dieta: 🅐 normoproteica (0,8 a 1 g/kg/dia), hipercalórica (40 a 45 kcal/ kg/dia), com maior aporte de vitamina D e sódio. 🅑 hiperproteica (2 a 2,5 g/kg/dia), normocalórica (25 a 30 kcal/kg/ dia), com maior aporte de ácidos graxos da série n-3 e fibra solúvel. 🅒 hiperproteica (1,2 a 1,7 g/kg/dia), hipercalórica (30 a 35 kcal/kg/ dia), com aumento do aporte de fósforo e magnésio. 🅓 normoproteica (0,8 a 1,1 g/kg/dia), hipercalórica (35 a 45 kcal/ kg/dia), com maior aporte de cálcio e vitaminas do complexo B. 🅔 hiperproteica (1,5 a 2 g/kg/dia), hipocalórica (20 a 25 kcal/kg/ dia), com maior aporte de ferro e vitamina K. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Assista agora a Pocket Aula sobre Intervenção Nutricional nas Doenças Pulmonares clicando no ícone ao lado http://sanar.link/ySo3m 28 ANOTAÇÕES 29Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 3. INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NO PACIENTE ONCOLÓGICO As alterações causadas pelo tumor são muitas e modificam o metabolis- mo de todo o organismo. De forma geral, os tumores são hipermetabóli- cos, entretanto alguns mais que os outros. A dietoterapia nesses casos visa minimizar os principais efeitos adversos e sobretudo auxiliar na manutenção e ou recuperação do estado nutricional do indivíduo. O câncer acontece quando há uma sucessão de mutações no DNA celular, que são passadas adiante no processo de replicação celular. Isso ocorre quando o gene supressor de tumor (p53), responsável por induzir a apop- tose nesses casos, não atua de forma efetiva, levando à perpetuação destes erros. Assim, essas mesmas células que carregam em seu DNA uma série de mutações, sejam estas causadas por oncogenes, genes rela- cionados à ocorrência de alguns tipos de câncer que são passados de uma geração para outra, sejam estas decorrentes de agentes mutagênicos, tornam-se células neoplásicas, levando à formação de tumores. Figura 6 – Mutações que dão origem a células neoplásicas Célula normal Células neoplásicas 1ª mutação 2ª mutação 3ª mutação 4ª mutação Fonte: Instituto Nacional de Câncer, 2011. A obtenção de glicose pelas vias anaeróbias, descrita pelo efeito Warburg, não é a única fonte de energia que pode ser captada pelo tumor. Estudos liderados por Hanahan e Weinberg (2000; 2011) descreveram os mecanis- 30Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II mos de evasão e autossuficiência tumoral, demonstrando que na verdade, o tumor é capaz de captar e utilizar quaisquer outras fontes energéticas disponíveis no organismo, tanto proteínas quanto lipídios. Além disso, ele realiza, por meio da liberação de citocinas, a angiogênese sustenta- da, promovendo a formação de vasos sanguíneos que não só facilitam o acesso a outros nutrientes, como também a ocorrência de metástase, a invasão tumoral a outros tecidos e órgãos. Figura 7 – Metástase – como ocorre Fonte: Instituto Nacional de Câncer, 2011. Entre as desordens metabólicas causadas pela presença do tumor, desta- ca-se a CAQUEXIA, um desequilíbrio entre o consumo e o gasto energéti- co que provoca alterações no funcionamento de diversos órgãos. Obser- ve no esquema a seguir essas alterações: Tumor original Célula tumoral Tecido normal Célula imune Capilares Metástase Eliminação da célula tumoral 31Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Figura 8 – Alterações fisiológicas causadas pela caquexia CAQUEXIA INTESTINO • Aumento da Permeabilidade Intestinal • Aumento produção grelina • Liberação de mediadores inflamatórios • Má absorção de nutrientes TECIDO MUSCULAR • Alteração na Síntese Proteica e de Aas • Aumento da proteólise • Redução de transporte de Aas • Aumento de oxidação de BCAA • Redução da Regeneração muscular • REDUÇÃO DA MASSA MUSCULAR ESQUELÉTICA E FUNÇÃO MUSCULAR FÍGADO • Utilização de Aas (alanina) proveniente de degradação muscular • Utilização de glutamina • Utilização de Glicerol • (proveniente do tecido adiposo) • Utilização de Lactato- compensação de acidose GLICONEOGÊNESE TECIDO ADIPOSO MARROM • Ineficiência energética • TERMOGÊNESE TECIDO ADIPOSO BRANCO • Lipólise Aumentada • Ags livres • Liberação de mediadores inflamatóriosPERDA DE TECIDO ADIPOSO CÉREBRO • Mediadores Hipotalâmicos Alterados • Perda de apetite • Disgeusia ANOREXIA Página 28 Fonte: Adaptado de Arguilés et al., 2014. É importante ressaltar que a caquexia ocorre em virtude do tumor, de for- ma independente do estado nutricional do indivíduo, podendo ser mais agressiva em indivíduos desnutridos. Todas essas alterações metabólicas acompanhadas de outros fatores inflamatórios são classificadas como síndrome inflamatória sistêmica, devendo ser consideradas na tomada de decisão da conduta nutricional. Diante de tais alterações, faz-se neces- sário que esse paciente seja avaliado em diferentes momentos do trata- mento oncológico, uma vez que se encontra em risco nutricional. A ocor- rência de desnutrição nesses indivíduos é bastante elevada e deve, assim, ser evitada por meio da nutrição oral, sendo utilizados suplementos nutri- cionais orais, nutrição enteral e parenteral sempre que necessário. Diante disso, observamos que a utilização dos nutrientes é um dos fato- res determinantes no processo da carcinogênese e progressão tumoral. 32Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Podemos concluir, portanto, que, mesmo nutrientes sabidamente interes- santes para a melhora da resposta imunológica, os denominados farma- conutrientes ou imunonutrientes podem apresentar riscos ao paciente oncológico, tanto alimentando o tumor quanto interagindo com os fár- macos quimioterápicos. A imunonutrição é um tema bastante controver- so na comunidade acadêmica, em virtude da escassez de ensaios clínicos randomizados em pacientes com câncer, sobretudo no que diz respeito à sua utilização associada ao tratamento quimioterápico. Veja a seguir al- guns desses nutrientes e suas evidências: O grau de evidência da recomendação varia conforme o seu objetivo. Um nu- triente que não é recomendado numa situação, como durante a quimioterapia, pode ser indicado, por exemplo, no período pré-cirúrgico. Quadro 11 – Recomendação de imunonutrientes durante tratamento radio e quimioterápico Nutriente Objetivo Grau de Recomendação Observações Ômega 3 Atenuar anorexia e melhora do peso corporal Baixa - Ausência de resultados robustos com esse objetivo. - Por interferir na captação de radicais livres, sua utilização durante a quimioterapia não é considerada segura até o momento. Glutamina Melhora da diarreia induzida por quimio e radiote- rapia Baixa A glutamina está envolvida em diversos pro- cessos biológicos, sendo inclusive uma fonte energética primordial de uso dos fibroblastos no tumor. Não é, portanto, recomendada em pacientes com câncer ou mesmo sobreviven- tes do câncer. Probiótico Melhora da diarreia induzida por quimio e radiote- rapia Baixa - Ausência de resultados robustos com esse objetivo. - Em virtude de os pacientes serem imunossu- primidos, o risco de translocação bacteriana é iminente, portanto não é considerado seguro até o momento. Fonte: ESPEN, 2016. 33Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II I. INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NOS EFEITOS ADVERSOS DO CÂNCER TRATAMENTO: As formas de tratamento são: – A remoção cirúrgica, quando viável; – A quimio e radioterapia além do transplante de medula óssea em casos como a leucemia. Existem também tratamentos como a imunoterapia. A quimio e radiote- rapia estão entre os tratamentos que trazem mais efeitos adversos, nes- te caso a nutrição pode reduzir o impacto de alguns deles. São estes: – Xerostomia: é descrita como a redução da produção de saliva pelo indivíduo, ou “boca seca”. Quando o paciente não apresentar mucosite oral, a oferta de alimentos ácidos na boca pode estimular a produção de saliva. Muitos desses pacientes também têm o hábito de manter um gelo na boca por alguns minutos. Além disso, a oferta de sopas, caldos e balas de hortelã melhora esse sintoma. – Disgeusia: a disgeusia é a sensação de gosto metálico na boca, bas- tante comum no dia da quimioterapia ou no dia seguinte. Ela também ocorre por deficiência de zinco e pelo uso de outros medicamentos que não quimioterápicos. Ofertar alimentos com sabor mais acentuado, ali- mentos crocantes e diferentes texturas parece atenuar essa queixa. – Mucosite: a mucosite é definida como um conjunto de ulcerações na mucosa gastrointestinal, podendo se manifestar na boca até o ânus. Clinicamente, ela é observada apenas na boca, mas em muitos casos há ocorrência de diarreia, que pode ser um indicativo de mucosite in- testinal. Nesses casos, é recomendado que sejam ofertados alimentos em temperatura morna, e a textura deve ser adequada conforme tole- rância. Além disso, a oferta de gelo feito com chá de camomila parece melhorar a sensação de desconforto oral. O consumo de condimentos, pimenta e afins é desencorajado por irritar a mucosa já ferida. O trata- mento da mucosite se dá atualmente apenas pelo uso de AINEs e laser- terapia, entretanto é pouco eficaz. 34Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II – Anorexia: a anorexia é definida como a redução do apetite, que pode ocorrer por diversos motivos, seja pela localização do tumor, sendo este gastroesofágico, ou mesmo causada pela depressão e sensação de mal- -estar. Quando há presença de mucosite, o paciente apresenta dificul- dade ou dor ao comer, descrita como odinofagia, diminuindo a ingestão alimentar. As refeições devem ser fracionadas em mais vezes ao dia, em pequenos volumes no maior aporte calórico possível em cada uma delas. – Diarreia ou Constipação: para os pacientes com diarreia deve ser oferta- da dieta rica em líquidos e fibras solúveis, e, para os indivíduos constipa- dos, preferir alimentos laxativos e utilização de fibras insolúveis. Manter o consumo adequado de fibras ajuda a minimizar esses sintomas. A conduta nutricional vai depender de diversos fatores, além dos citados anteriormente. São estes: – Estado nutricional prévio do indiví- duo: Indivíduos obesos ou desnutri- dos previamente apresentam pior prognóstico e maior risco nutricional. – Idade: Crianças e idosos têm ne- cessidades nutricionais específi- cas. – Localização do tumor: Tumores do sistema digestivo e pancreáticos apresentam maior demanda metabólica, além de serem complicadores no processo de ingestão e absorção alimentar. – Estadiamento do tumor: Tumores em fase III ou IV apresentam maior demanda metabólica e maior chance de metástase. – Tipo de quimioterápico ou outro tratamento utilizado: Pacientes sub- metidos a transplante de medula óssea ou que utilizam quimioterápi- cos antracíclicos apresentam maior risco nutricional. A utilização de fibras só é recomendada quando já foram descartadas outras causas da diar- reia, como infecção bac- teriana, por exemplo. 35Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II – Outros medicamentos utilizados: O uso de morfina e outros opióides pode causar constipação. – Complicações metabólicas específicas do tumor: Tumor hepático e pleural demandam redução de carboidratos na dieta. – Considerar a fase do tratamento, são estas: Pré e pós-cirúrgico, pré e pós-transplante, pré, durante e pós-quimioterapia. As condutas nutri- cionais pré e pós-cirúrgicas e transplantes serão abordadas no item 4 deste livro. II. NECESSIDADES NUTRICIONAIS NO PACIENTE COM CÂNCER Considerando todos os aspectos já citados, as recomendações gerais para o paciente oncológico estão no quadro a seguir. Quadro 12 – Necessidades nutricionais no paciente com câncer Situação do Paciente Nutriente Recomendação Objetivo Adulto e idoso – eutrófico Kcal Normocalórica 25-30 Kcal/kg de peso Manutenção do estado nutri- cional Adulto obeso Kcal Hipocalórica 20-25 Kcal/kg de peso Manutenção do estado nutri- cional Adulto e idoso obeso ou eutró- fico Proteínas Normoproteica 1,0 a 1,2 g PTN/kg de peso Quandonão houver inflama- ção sistêmica persistente e não houver elevado catabolis- mo proteico Adulto desnutrido ou caquexia Kcal Hipercalórica 30-35 Kcal /kg de peso Ganho de peso e recuperação do estado nutricional Idoso desnutrido (IMC5% nos últimos seis meses. Figura B. Perda de peso média entre esses tipos de câncer (%). As barras representam o erro-padrão. Fonte: Adaptado de Baracos, 2018. Para fixar o conhecimento, nada melhor do que responder algumas ques- tões sobre o que acabamos de ver. 03. O transplante de célula hematopoiética é realizado para o tra- tamento de certos cancros hematológicos. Segundo o Consenso Nacional de Nutrição Oncológica, as necessidades hídricas (em mL/ kg de peso/dia) para pacientes adultos submetidos a transplante de célula hematopoiético, tanto no pré quanto no pós-operatório, são: 🅐 20 a 25. 🅑 25 a 30. 🅒 30 a 35. 🅓 35 a 40. 🅔 40 a 45. Clique aqui para ver o gabarito da questão. 70 60 50 40 30 20 10 0 a b 30 25 20 15 10 5 0 38Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Assista agora a Pocket Aula sobre Intervenção Nutricional no Paciente Oncológico clicando no ícone ao lado http://sanar.link/EJG8Q 39 ANOTAÇÕES 40Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II 4. INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NO PACIENTE CRÍTICO I. PACIENTE CRÍTICO: TRAUMA, JEJUM E INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS O paciente em atendimento na UTI é considerado crítico. Ele pode ter so- frido um trauma ou manifestar infecção persistente ou sepse, queimadu- ra grave, lesão ou doença neurológica ou uma hemorragia maior. Nesses ou em outros casos, os pacientes graves apresentam características em comum, como a falência ou disfunção de um ou mais órgãos, instabilidade hemodinâmica e risco de morte. A resposta metabólica ao estresse é dividida em fases. São estas: a fase ebb, ou fase de choque, e a fase flow, ou de fluxo. Observe no esquema a seguir: Fase Flow G as to en er gé tic o Fase Ebb 41Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Quadro 13 – Fases EBB e Flow Fase Ebb (inicial) - Choque Fase Flow (fluxo) Início Logo após a lesão Sinalizada pela restauração da oxigenação e utilização dos substratos metabólicos Duração Duração: 12 a 24h Duração: 7 a 10 dias (dependendo da gravidade e intensidade da lesão, infecção e complicações associadas) Alterações meta- bólicas Hipovolemia, Hipóxia tecidual, Hipoperfusão catabolismo proteico, síntese de proteínas hipometabolismo, hiperglicemia, vaso- constrição liberação de ácidos graxos, gliconeogênese Redução do débito cardíaco Taquicardia Redução das concen- trações de insulina sérica (aumento glu- cagon) Liberação de catecolaminas (epinefrina e nore- pinefrina pela suprarrenal) GEB Reduzido Aumentado OBJETIVO Manter a melhor con- dição hemodinâmica possível Utilização de substrato energético Fonte: Mahan, 2018. O estresse metabólico associa-se a a uma alteração no estado hormo- nal, aumentando o fluxo de substratos. Entretanto, o uso de carboidratos, proteínas, lipídeos e oxigênio é reduzido. Hormônios contrarregulatórios, que se elevam depois de trauma e sepse, desempenham papel relevante na proteólise acelerada. Observe no esquema a seguir as alterações cata- bólicas em resposta ao trauma: 42Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II trauma Manutenção da homeostase hemodinâmica Aumento do tônus simpá�co e catecolaminas Glicogenólise Gliconeogênese Inibe a cetogênese Resistência Insulínica Aumento da glicemia TNFα, IL-6 IL-1 Intolerância à glicose e acentuado aumento da proteólise (ubiqui�na) Lipólise AG livres usados como substrato energé�co AG livre – cetona Glicerol - Glicose CATABOLISMO [ ] Ferro [ ] Zinco Sangue • O gasto total de energia aumenta em proporção à gravidade da lesão e outros fatores. • Ocorre redução progressiva da massa de gordura e muscular até que o estímulo para catabolismo termine. A resposta metabólica à doença aguda é muito diferente do jejum ou ina- nição. Neste segundo caso, a perda dos músculos, ou seja, a proteólise, é mais lenta, pois é decorrente de uma resposta adaptativa que tem como objetivo preservar a massa corporal. O glicogênio armazenado entra em depleção em cerca de 24 horas, quando só então a glicose é disponibiliza- da pela degradação das proteínas em aminoácidos. O quadro a seguir traz as diferenças entre o trauma e o jejum: 43Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II Quadro 14 – Diferenças metabólicas entre o jejum e o trauma Jejum Trauma/Sepse Gasto energético + ++ Ativação de mediadores + +++ Quociente respiratório 0,7 0,85 Substrato energético CHO/LIP Misto Gliconeogênese + +++ Síntese protéica + + Catabolismo + +++ Oxidação de aminoácidos + +++ Ureiagênese + ++ Cetose +++ + Resposta ao estímulo +++ + Velocidade de desnutrição + +++ + = leve; ++ = moderado; +++ = intenso. Fonte: Autoria Própria, 2020. O jejum é caracterizado pela redução do gasto energético, redução de glicone- ogênese e aumento de corpos cetônicos. Nessa fase, o consumo das reservasde glicogênio hepático é maior e mais rápido e há redução na glicose sanguínea. O trauma ou sepse são caracterizados pelo aumento do gasto energético, pois trata-se de uma fase hipermetabólica, causando aumento da gliconeogênese e aumento da proteólise. As novas diretrizes de nutrição nacionais e internacionais (ASPEN, ES- PEN e BRASPEN) trazem à luz cada dia mais a importância da interven- ção nutricional precoce, assegurando a adequação nutricional do pacien- te no período pré-cirúrgico a fim de garantir melhor cicatrização e melhor resposta imunológica no pós-cirúrgico, concluindo na redução do tempo 44Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II de internação da mortalidade. Para a ESPEN (2019), o paciente internado em UTI por um período igual ou superior a 48 horas já se encontra em ris- co nutricional, porém alguns trabalhos trazem que o risco nutricional dos pacientes críticos é variável, e o principal fator associado a isso seria o estado nutricional prévio à ocorrência da doença. A avaliação das neces- sidades energéticas deve ser, sempre que possível, realizada por meio de calorimetria indireta (CI), e, quando não for possível, estimada mediante fórmulas de bolso e equações preditivas. Diante de tais evidências, a triagem e a avaliação nutricional no pacien- te crítico devem ser realizadas rotineiramente, de forma que a oferta de nutrientes seja monitorada com a mesma frequência de outros pacien- tes internados. Observe a seguir as recomendações preconizadas pela BRASPEN (2018) e ESPEN (2019): Quando iniciar a TNE no paciente crítico? – A recomendação é de que a TNE, quando não for possível utilizar a ali- mentação por via oral, seja iniciada nas primeiras 24 a 48 horas do qua- dro crítico. Embora a ESPEN traga essa recomendação como grau B (alta), a BRAS- PEN classifica essas evidências como muito baixas, apesar de consi- derar todos os seus benefícios para o paciente. O início precoce da TNE e a preferência por essa via de alimentação em detrimento da TNP, por ser mais fisiológico, garante a manutenção da integridade do trato gastrointestinal, minimizando o risco de translocação bacteriana, de- corrente do aumento da permeabilidade intestinal, mantendo o fluxo sanguíneo e a liberação de hormônios e agentes, tais como a gastrina, colecistoquinina, ácidos biliares e pancreáticos. A manutenção de tais fatores melhora o quadro de inflamação sistêmica, uma vez que há re- dução do hipermetabolismo. 45Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II A indicação de nutrição enteral no paciente crítico é sempre a via preferencial, quando não for possível a via oral. Em alguns casos, pode ser necessário reali- zar a progressão da terapia nutricional parenteral para a enteral ou vice-versa. Na sepse, por exemplo, após atingir a estabilidade hemodinâmica, é recomen- dável progredir gradualmente para TNE. Qual deve ser a oferta calórica? A progressão da oferta calórica deve ser feita gradualmente. Para isso, recomenda-se que sejam observa- dos os seguintes passos: 1. Início da TNE – A ESPEN reco- menda que nos primeiros dias a oferta máxima de calorias seja de 70% (50%-70%- BRASPEN) das necessidades calóricas, considerando que, quando houver calori- metria indireta disponível, essa oferta pode chegar mais próximo de 70%, e deve ser reduzida quando for necessário o uso de equações preditivas. Em média, ofertar 15-20 Kcal/kg/dia (BRASPEN). 2. Após o 3º dia, aumentar a oferta para 80%-100% das necessidades energéticas do paciente, progredindo para 25-30 Kcal/kg de peso (BRASPEN). – Para indivíduos obesos, a recomendação é que a dieta não evo- lua para hipercalórica, e, sim, permaneça isocalórica. Quando não houver calorimetria disponível, usar peso ajustado. Nos pacientes obesos críticos, a meta calórica não deve ultrapassar 60%-70% da medida da calorimetria indireta. Quando esta não estiver dispo- nível, deve-se utilizar 11-14 kcal/kg/dia do peso real para pacientes Tanto a baixa oferta ca- lórica quanto a hipera- limentação no paciente crítico estão associadas à piora no desfecho e aumento da mortalida- de entre esses indiví- duos. 46Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II com IMC entre 30-50 kg/m2 e 22-25 kcal/kg/dia do peso ideal para IMC eutrófico, se IMC > 50 kg/m2. NOTA: Quando não for possível atingir a meta calórica via TNE, o uso da TNP pode ser uma alternativa para suplementar essas necessidades, devendo ser considerado após cinco a sete dias em pacientes que não conseguiram atingir aporte calórico proteico >60% por via digestiva. Qual deve ser a oferta proteica? – A recomendação é de que seja ofertada 1,5 a 2,0 g PTN/kg de peso, de forma a garantir o aporte proteico aumentado na fase aguda. É impor- tante considerar que, da mesma forma que o excesso de caloria não é benéfico nesses indivíduos, a oferta exacerbada de proteínas na primei- ra semana de TNE também está associada ao aumento da mortalidade, diferente da segunda e terceira semanas, quando já apresenta resulta- dos benéficos. Portanto, a progressão da oferta proteica também deve ser gradual. – Para indivíduos obesos, a oferta proteica deve ser guiada pelo balanço nitrogenado, ou calculada com base em 1,3 g PTN/kg de peso/dia, con- siderando o peso ajustado. – Nos pacientes obesos críticos, recomenda-se fornecer 2 g PTN/kg de peso ideal por dia, caso IMC entre 30-40 kg/m², e até 2,5 g/ kg de peso ideal por dia, se IMC> 40 kg/m². Qual é a recomendação para oferta de carboidratos na TNE do paciente crítico? – A oferta de glicose na nutrição parenteral ou carboidratos disponível na fórmula enteral não deve ultrapassar 5 mg/kg/minuto. A resistência in- sulínica nesses pacientes, comum no quadro agudo grave, deve ser man- 47Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II tida sob controle a fim de evitar a piora do paciente. Além disso, deve ser considerada a produção endógena de glicose (gliconeogênese) aumenta- da nesses indivíduos, que não reduz quando há ingestão de carboidratos. Qual é a recomendação de lipídios? – O metabolismo lipídico é modificado no paciente crítico, baixos índices de triglicerídeos plasmáticos e elevado HDL estão associados à maior mortalidade. A recomendação é de que a composição lipídica seja ba- lanceada contendo triglicerídeos de cadeia média (TCM), óleo de oliva e óleo de peixe. Emulsões compostas exclusivamente de óleo de soja não devem ser utilizadas no paciente crítico. Há recomendação do uso de nutrientes imunomoduladores? Não há recomendação de uso rotineiro de nenhum agente imunomodula- dor em virtude da divergência de resultados, entretanto eles podem ser utilizados em casos específicos. Observe a seguir: – Glutamina: em pacientes queimados (queimadura >20% superfície corporal), o uso de glutamina enteral pode ser considerado. A ESPEN re- comenda a adição de 0,3-0,5 g/kg/dia de glutamina durante 10-15 dias. No trauma, a recomendação é de 0,2-0,3 g/kg/dia de glutamina durante cinco dias, aumentando para 15 dias quando houver complicações no pro- cesso de cicatrização. Não há recomendação para outros casos críticos que não trauma e queimadura. • Ômega 3: fórmulas que contenham ômega 3 como parte da sua com- posição lipídica parecem promover benefícios ao paciente, entretanto não há recomendação sobre sua suplementação para além das reco- mendações lipídicas ser benéfica a estes, considerando que o paciente 48Curso Intensivo para Residências | Nutrição | Fisiopatologia e dietoterapia aplicada Parte II crítico não tem boa tolerância a grandes volumes de lipídios. Para re- comendações de pacientes crítico-cirúrgicos, observar o item 4.2. – Antioxidantes: não há evidência de que a suplementação de antioxi- dantes seja benéfica a pacientes críticossem que seja observada a ca- rência de determinado nutriente. – Probióticos: o uso de probióticos pode ser indicado em doentes críti- cos selecionados, desde que não se enquadrem nas condições de: imu- nossuprimidos, pós-operatório recente de anastomose intestinal, cirurgia de via biliar e pâncreas, isquemia intestinal, portadores de doenças hematológicas e reumatológicas e curta estada na UTI. – Eletrólitos: os eletrólitos potássio, magnésio e fosfato devem ser ava- liados pelo menos uma vez ao dia na primeira semana. Quando houver síndrome de realimentação (hipofosfatemia