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209 Maria Ciavatta Ronaldo Rosas Reis Organizadores 11 ARQUIVOS DA MEMÓRIA DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO CENTROS DE MEMÓRIA E FORMAÇÃO INTEGRADA PARA NÃO APAGAR O Maria Ciavatta" A memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem e no objeto. A história se prende às continuidades temporais, à evolução e às relações entre as coisas (NORA, 1984, XIX). A PESQUISA HISTÓRICA EM EDUCAÇÃO INTRODUÇÃO A memória do trabalho e da educação é um tema pouco explorado. Levantamos algumas hipóteses possíveis para entender o fenômeno. A primeira, facilmente constatável nas escolas, é a qua- se ausência de registros históricos que não sejam documentos relativos a matrícula, frequência, aproveitamento, aprovação, repro- DADOS DE CATALOGAÇÃO NA FONTE (CIP) vação, conclusão de curso. conservação em arquivo de outras fontes P474 A pesquisa histórica em trabalho e educação / Organizadores: Maria primárias ou de época (relatórios, comunicações, cartas, estudos, Ciavatta; Ronaldo Rosas Reis. - Brasília Liber Livro Editora, 2010. fotografias) são raridades nas instituições ou são conservadas 200 P. (Série Pesquisas em Educação: diferentes enfoques, 5) privadamente, por professores dedicados. Uma segunda possível Inclui bibliografias. explicação é o predomínio quase absoluto da cultura oral de seus ISBN: 978-85-7963-020-0 1. Trabalho. 2. Educação pública. Ciavatta, Maria; Reis, Ronaldo Este texto é parte da pesquisa Memória e temporalidades da formação do cidadão dutivo emancipado Do ensino médio técnico à educação integrada profissional e tecno- pro- Rosas. lógica (2007), desenvolvida com bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com o auxílio financeiro da CDU 37:331(81) Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Impresso no Brasil ** Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Pesquisa- Brasília-DF, 2010 dora do CNPq. mciavatta@terra.com.br16 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 17 principais protagonistas, os professores. "Nossos documentos são tramento para o trabalho simples, para as atividades funcionais da as nossas aulas", nos respondeu uma antiga professora, quando produção? buscávamos fontes documentais em sua escola. A carência de tempo, Nesse sentido, queremos mostrar como o recorte histórico de espaço, de recursos financeiros e humanos especializados para o do tema da pesquisa sobre formação integrada ampliou o universo trabalho de arquivo e, também, a tradição das gerações sem história própria, de uma sociedade colonizada e autoritária, nos subtraíram dos participantes para a organização de um centro de memória em suas escolas. O texto será desenvolvido através dos seguintes o gosto e o cultivo da memória. aspectos: a historicidade do conceito de formação integrada e as lutas Mas as lutas políticas renascem sempre, porque são parte em sua defesa; a escola e o trabalho como lugares de memória e da cultura e das aspirações dos grupos e dos sujeitos sociais que as de identidade; e o desdobramento da pesquisa em centros de empreenderam. Elas permanecem como um substrato de memória memória. nos lugares de sua gênese, sempre passíveis de brotar e de renascer Do ponto de vista metodológico, trabalhamos a história como nas novas conjunturas da vida social. Locais, espaços, eventos, processo e a história como método, no sentido de que a história é a comemorações e sofrimentos tornam-se lugares de memória que produção da existência dos homens em sociedade. Sua compreensão, alimentam o presente e a perspectiva de suas lutas. no nível do discurso historiográfico, se faz considerando as Os anos 1980 foram marcados por lutas pela redemocratização mediações que constituem os diferentes fenômenos da vida social do País e em defesa da educação na Constituição e na nova LDB. Um (LABASTIDA, 1983). Essa referência fundamental permite resgatar dos temas, que mobilizou um conjunto de educadores em defesa a historicidade do conceito de formação integrada (CIAVATTA, da escola pública, foi a inclusão da educação politécnica no ensino 2005), as lutas para sua introdução no ensino médio técnico e a médio profissionalizante. Essa questão retornou nos anos 1990, com organização e o significado da criação de um centro de memória. a defesa da formação integrada entre as disciplinas de formação Complementarmente, trabalhamos com o conceito de memória e geral e a educação profissional, separadas na estrutura do ensino "lugar de memória" (POLLACK, 1989, 1992; NORA, 1984). Do médio técnico, pelo Decreto 2.208/97. Defendia-se sua revogação, ponto de vista das fontes, baseamo-nos na constituição dos acervos o que veio a ocorrer com a aprovação do Decreto 5.154/2004, que documentais a partir da atividade de pesquisa e da organização de revogou o anterior, recuperou a força da Lei de Diretrizes e Bases dois centros de memória (CIAVATTA; CAMPELLO, 2006; ROSA, da Educação (Lei 9.394/97), permitindo às instituições de ensino 2006, 2007; SILVEIRA, 2005, 2006). técnico de nível médio a volta ao ensino médio integrado à educação profissional. A HISTORICIDADE DO CONCEITO DE FORMAÇÃO INTEGRADA Com isso, refaz-se um caminho latente na educação brasileira, NOS EMBATES POLÍTICO-PEDAGÓGICOS uma memória negada, mas não apagada, uma história que, nos anos 1980, reiterou a vitória das forças conservadoras sobre a luta pela Criam-se, continuamente, novos termos, novas palavras, seja emancipação de toda a sociedade. Que tipo de educação se deve dar para expressar novas realidades engendradas pela vida social, seja à população: um ensino de qualidade com os elementos científico- para projetar, ideologicamente, novas idéias que queremos que se tecnológicos e histórico-sociais exigidos pela vida social ou o ades- tornem realidade, pela aceitação social que possam vir a ter. Mais doe Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 19 que em outras épocas, mediante novos termos, reiterados pelos meios de comunicação, projeta-se uma história virtual, uma ideologia que época em que foram produzidos, o historiador Paolo Rossi (2000, p. deve se tornar verdade. Assim foi durante o período de reformas 15) assim se expressa: neoliberais no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). As [...] nenhum expoente da Revolução Científica jamais afirmou que mudanças políticas, econômico-sociais e educacionais foram sendo a libertação do homem pudesse ser confiada à ciência e à técnica anunciadas por novos termos, que deveriam expressar a realidade enquanto tais: a restauração do poder humano sobre a natureza, a ser instaurada. o avanço do saber só têm valor se realizados num contexto mais amplo, que concerne em conjunto e simultaneamente - à religião, Subjacente a esses processos, permaneceu a memória escrita à moral, à política. e oral das idéias e das lutas históricas dos setores organizados da sociedade brasileira. O termo formação integrada retoma o ideário da Em outros termos, significa que a emancipação humana se faz educação politécnica, e reitera-se a disputa de significados e de ações na totalidade das relações econômicas e sociais, políticas, culturais, que possam intervir para implementar as mudanças necessárias à em que a vida é produzida. sua implementação e à reafirmação de sua legitimidade perante a opinião pública. O tema da formação integrada coloca em pauta uma concepção de educação que está em disputa permanente na história Também as leis são elaboradas como novos discursos que da educação brasileira: educar todos ou uma minoria, supostamente, devem impulsionar a sociedade em determinada direção, mas que mais apta ao conhecimento? A e a outros, que tipo de educação podem ser entendidos de diversas formas. É o caso do Decreto n° deve ser dada, de modo a atender às necessidades da sociedade? 5.154/2004, que é alvo de controvérsias sobre sua oportunidade e sobre sua efetividade para alimentar a prática (sobre sua gênese, ver A origem remota do tema está na educação socialista, que FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2005). O decreto prevê que uma pretendia ser omnilateral, no sentido de formar o ser humano das formas de "articulação entre a educação profissional técnica de em sua integralidade física, mental, cultural, política, científico- nível médio e o ensino médio dar-se-á de forma (Art. 4°, tecnológica. Foi daí que se originou o grande sonho de uma § 1°, I). É sobre esse tema que nos dispomos a refletir. formação completa para todos, conforme queriam os utopistas do Renascimento, Comenius com seu sonho de regeneração social Remetemos os termos integrar e formação integrada ao seu e, principalmente, os socialistas utópicos da primeira metade do sentido de completude, de compreensão das partes no seu todo ou século 19. De modo especial, foram Saint-Simon, Robert Owen e da unidade no diverso, de tratar a educação como uma totalidade Fourier que levantaram o problema de uma formação completa social, isto é, nas múltiplas mediações históricas que concretizam os para os produtores. Finalmente, Karl Marx extrai das próprias processos educativos. No caso da formação integrada ou do ensino contradições da produção social a necessidade de uma formação médio integrado ao ensino profissional e técnico, queremos que a científico-tecnológica (CIAVATTA, 2003). educação geral se torne parte inseparável da educação profissional em todos os campos onde se dá a preparação para trabalho Historicamente, o conhecimento sempre foi uma reserva (GRAMSCI, 1981, 144 e ss.). de poder das elites, na qual se incluíam os filósofos, os sábios, Discutindo a idéia de progresso, à luz da historicidade do os religiosos. Na Europa, à medida que vai desaparecendo o conhecimento e do valor relativo do pensamento dos clássicos à aprendizado tradicional da oficina do artesão e o controle do saber pelas corporações de artes e ofícios, ocorre a criação de escolas e20 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 21 sua extensão aos trabalhadores produtivos. Mas os conteúdos ARQUIVOS ESCOLARES E CENTROS DE MEMÓRIA SOBRE vão diferir entre a formação dos dirigentes e a instrução do povo, A ESCOLA E TRABALHO considerada como obra beneficente e baseada no trabalho produtivo (MANACORDA, 1989). Gramsci vai reiterar a crítica a essa escola "Uma instituição é histórica quando ela se torna um problema "interessada", em detrimento de uma "formação desinteressada e para si mesmo" é uma reflexão colhida algures que suscita a formativa", dentro das necessidades de uma formação "matemático- pergunta: por que uma instituição começa a se preocupar com sua mecânica" e da escola unitária (MANACORDA, 1989; NOSELLA, história e a buscar a preservação dos documentos que contêm a 1992). memória de seus feitos? Neste texto relatamos, brevemente, duas experiências que tiveram como fonte de motivação inicial a pesquisa No Brasil, o dualismo das classes sociais e a desigualdade no sobre a alternativa de introdução da formação integrada em escolas acesso aos bens e aos serviços produzidos pelo conjunto da sociedade de ensino médio técnico. se enraízam no tecido social através de séculos de escravismo e de discriminação do trabalho manual. Sua organicidade social está Na tradição das escolas que investigamos nesta e em outras em reservar a educação geral para as elites dirigentes e destinar pesquisas, os arquivos escolares são lugares extremamente pobres, exceto pela profícua burocracia da preservação de datas, nomes, a preparação para o trabalho aos órfãos e desamparados. Esse notas, séries, aprovações, reprovações, leis, resoluções normativas dualismo toma um caráter estrutural especialmente a partir da etc. Contudo, a escola é também um rico "lugar de memória" década de 1940, quando a educação nacional foi organizada por (Nora, 1984), obscurecido pela cultura privilegiada do presente e do leis orgânicas, segmentando a educação de acordo com os setores funcionamento das atividades de controle e de avaliação escolares. produtivos e as profissões, e separando os que deveriam ter o ensino Neste trabalho, a questão emergiu à luz das fotografias, dos secundário e a formação propedêutica para a universidade e os que documentos escritos complementares e dos depoimentos colhidos deveriam ter formação profissional para a produção. junto aos professores, para identificação das fotografias, o que resultou em uma reapropriação dos acervos e sua organização em A origem recente da idéia de integração entre a formação centros de memória sobre o trabalho e a educação. geral e a educação profissional, no Brasil, está na busca da superação desse dualismo da sociedade e da educação brasileiras e nas lutas Historiadores e arquivistas têm se debruçado sobre conceitos, pela democracia e em defesa da escola pública nos anos 1980, princípios e técnicas de levantamento, organização, preservação, sob a liderança do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, pesquisa, acesso e divulgação dos acervos de documentos legados com intensa participação da comunidade acadêmica e o apoio de pelas gerações anteriores. Mas o Brasil é um país onde esse tipo de parlamentares de vários partidos progressistas o que ocorreu, atividade é privilegiado há cerca de duas décadas apenas. Reunida particularmente, no primeiro projeto de LDB, elaborado logo depois sob a denominação de arquivos, museus, centros de memória, centros da promulgação da Constituição de 1988 e em consonância com seus ou núcleos de documentação, a abrangência da documentação pode princípios. Buscava-se assegurar uma formação básica que superasse ser de uma instituição, uma cidade, um país ou uma região. Os a dualidade entre cultura geral e cultura técnica, mediante o conceito centros de memória surgiram no Brasil no século 20, especialmente a partir da década de 1980, e ganharam impulso a partir dos anos de politecnia. Pretendia-se a "superação da dicotomia entre trabalho de 1990.¹ manual e trabalho intelectual, entre instrução profissional e instrução geral" (MANACORDA, 1989; SAVIANI, 1989; RODRIGUES, 1998). Ver: Centro de Memória da Unicamp Centro de Memória de Santa Bárbara d'Oeste, SP (www.santabarbara.sp.gov.br/); Centro22 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... Entre os mais antigos que conhecemos, estão o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), "que remonta ao século 16, Assumimos que a imagem da escola pública técnica, hoje, está quando, logo após a refundação da cidade pelo governador Mem extremamente alterada pelas próprias condições do exercício do que de Sá, no Morro do Castelo, foi constituído Arquivo da Câmara seria a educação. A educação seria um simples adestramento para Municipal" (GUIA..., s.d., p. 8); o Arquivo Nacional, criado em 1838; que os jovens se tornem "empregáveis" ou seria um meio de acesso o Museu Paulista USP; o Museu do Ipiranga, criado em 1890-1891 à leitura e à escrita, às abstrações matemáticas, às ciências da terra e como Museu do Estado; e o Centro de Pesquisa e Documentação do homem, para o homem ler os códigos do mundo, para conhecer (CPDoc) FGV-RJ, criado em 1973 (GUIA.., 1996, p. os fundamentos sociais e científico-tecnológicos dos fenômenos que produzem a vida e a morte, a criação e a destruição presentes em Não encontramos uma denominação unívoca para todas as culturas e nas artes? centros de memória, que os distinga, com clareza, dos centros de documentação, que é uma denominação encontrada em Quando falamos em formação integrada, fazemos apelo a universidades, empresas, órgãos públicos, sindicatos, prefeituras esse sentido profundo da educação como humanização de todo ser humano e nos deparamos com mundos que parecem ruir um municipais. São, basicamente, instituições voltadas para a geração atrás do outro diante das guerras, da violência desencadeada, da de informações e para a organização de fontes de pesquisa. Os aceleração do tempo e da comunicação, das inversões do valor da acervos podem ser compostos de documentos textuais, iconográficos vida e do trabalho, que adentram nas escolas corroendo seu sentido (imagens fotográficas e outras, negativos, cromos, gravuras, mapas), legislação, jornais e recortes, livros, revistas, material audiovisual educativo (CIAVATTA, 2005). que nos leva à pergunta: qual a (fitas cassete, vídeos, filmes). Os suportes podem ser tanto impressos, memória que os diferentes sujeitos sociais (alunos, professores, gestores, funcionários) têm da escola e como se reconhecem em ou em outro material, quanto digitais. meio às contradições entre o que esperam, o que desejam e o que Os centros de documentação ou centros de memória destinam- conseguem fazer? Como cada instituição se reconhece no torvelinho se, basicamente, a objetivos de pesquisa, preservação e divulgação das transformações aceleradas em curso? Como interpretam as de documentos de história, cultura e educação. São instituições que transformações do mundo do trabalho e, de modo especial, a cumprem a função de resgate da memória e da identidade, para educação profissional e o ensino técnico ou a educação tecnológica? o reconhecimento histórico de grupos e classes sociais ou de todo Como as famílias interpretam esses múltiplos significados que um povo. Os países com consciência de sua história têm grandes emergem das palavras e das ações de seus filhos? Queremos nos museus e centros de documentação e memória abertos à população deter sobre esse rio do tempo que é a memória e o lugar que esta e, particularmente, aos estudantes, a exemplo do México, do Peru e ocupa na escola, permitindo aflorar lembranças e formas de ser que dos países europeus. constituem sua identidade. de Memória Bunge Centro de Memória Fluminense Embora dirigida a uma memória em particular, a da (www.ndc.uff.br/); Centro de Memória da Medicina em Minas Gerais (www.medici- constituição da nação,³ o historiador francês Pierre Nora (1984) na.ufmg.br/); Museu Histórico Nacional (www.museuhistoriconacional.com.br/) Cen- tro de Memória do CNPq Centro de Pesquisa e Devemos essa interpretação sobre a nação como lugar de memória à professora Documentação (CPDoc) (www.cpdoc.fgv.br/). Acesso em: 23 de agosto de 2007. Ana Maria Mauad, mas consideramos legítima a apropriação do termo para outros 2 Ver 2007. www.arquivonacional.gov.br/ e www.mp.usp.br/. Acesso em: 23 de agosto de "lugares de memória" que alimentam a identidade dos povos, dos grupos sociais, das escolas, quando logram preservar alguma memória de seus feitos e de seus protagonistas.24 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 25 desenvolveu importante reflexão sobre "os lugares de subterrâneas" ou marginalizadas, e como essas memórias competem Segundo ele, os arquivos, as bibliotecas, os dicionários, os museus, pela consolidação de uma história, de uma versão, do papel de um os cemitérios e as coleções, assim como as comemorações, as festas, determinado grupo social, na preservação ou no esquecimento de os monumentos, santuários, as associações, os testemunhos de certos fatos e de seus significados. Pollack destaca o que ele chama outro tempo, são "sinais de reconhecimento e de pertencimento a de trabalho de "enquadramento" da memória, que reinterpreta um grupo", em uma sociedade onde se tende a perder os rituais, a continuamente o passado em função dos embates travados no dessacralizar as fidelidades particulares, onde se nivela por princípio presente, em função da identidade dos grupos detentores dessa e se tende a reconhecer apenas indivíduos iguais e idênticos (NORA, memória. Em um segundo texto, Pollak (1992) trata, especialmente, 1984, xxiv). dos processos e dos atores que intervêm na formalização e na O autor começa sua reflexão pela aceleração da história no consolidação da memória O autor destaca a importância da história mundo atual. Descarta-se o passado cada vez mais rapidamente, oral para afloramento das subterrâneas" represadas pelas imposições da ordem social. perde-se a visão da totalidade, há uma ruptura de equilíbrio. Com isso cresce a curiosidade pelos lugares onde a memória se Com isso queremos dizer que a identidade que cada escola cristaliza e se refugia neste momento particular da história. É uma e seus professores, gestores, funcionários e alunos constroem é um memória dilacerada que se confunde com a ruptura com o passado, processo dinâmico, sujeito permanentemente à reformulação das e "o sentimento de continuidade torna-se residual aos lugares de novas vivências, às relações que estabelecem. De outra parte, esse memória" (NORA, 1984, p. 1). processo está fortemente enraizado na cultura do tempo e do lugar onde os sujeitos sociais se inserem e na história que se produziu a Por ser um espaço ocupado pela infância e pela juventude, cujo sentimento do passado é quase inexistente, a escola (que não partir da realidade vivenciada, que constitui ela mesma "um lugar de é citada pelo historiador), parece ser um lugar de memória ainda mais esmaecido. No entanto, esse sentimento aflora com o passar A reforma do ensino médio e profissional dos anos 1990, do tempo e até a vivência com os colegas de infância e de juventude através da fragmentação do ensino médio técnico, trouxe implicações tornam-se, mais tarde, densos "lugares de contribuindo para a identidade das escolas. Por ter sido um processo no qual as para a construção das identidades singulares e, ao mesmo tempo, escolas tiveram que se inserir, sem opção contrária (salvo abrindo coletivas, como pertencimento a um espaço-tempo, a um grupo mão de receber recursos para reformas, ampliações, equipamentos com as marcas desse tempo. "Segurar traços e vestígios é a forma de etc.), suas identidades foram afrontadas por um projeto não contrapor-se ao efeito desagregador da rapidez contemporânea [...] construído por elas próprias, mas por sujeitos externos. Nisto, novas em que o passado vai perdendo seu lugar para um presente eterno identidades foram também se tecendo. Cabe saber até que ponto as com a ameaça da perda da identidade" (D'ALESSIO, 1993, p. 97). comunidades escolares têm consciência disso, qual a memória que preservam e qual a história que constroem sobre si próprias. Michel Pollack (1989) trata com propriedade o tema da memória e do esquecimento na construção da identidade dos O trabalho de pesquisa com fotografias, no projeto sobre O autor analisa diversos grupos sociais e as "Memória e temporalidades da formação do cidadão produtivo" (CIAVATTA, 2007) teve desdobramento em dois centros de Essas reflexões são parte, originalmente, de Ciavatta (2002, p. 32-34). memória, no Cefetq de Nilópolis, RJ, e no Cefet/RJ.A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e CENTRO DE MEMÓRIA FOTOGRÁFICA DO CEFET (CEFETQ) Na criação do Centro de Memória Fotográfica do Cefetq, DE NILÓPOLIS, RJ UNIDADE RIO DE JANÈIRO evidenciou-se um processo difícil de busca de alguns aliados para O Cefetq tem uma história marcada pela carência de um local a tarefa estafante de identificar e classificar papéis; aproximar-se próprio para funcionar e de constituição de sua identidade como das áreas consolidadas, como arquivos de documentação escolar; instituição autônoma de formação técnica em química. Criado valorizar antigos objetos empoeirados, de cores esmaecidas pelo em 1942, em pleno processo de industrialização, veio a funcionar tempo; contemplar e selecionar centenas de fotografias, organizando- em 1945 como curso técnico na Universidade do Brasil e, depois, as segundo critérios cronológicos, temáticos e arquivísticos. A exposição de um histórico institucional com fotos destinou-se a nas instalações cedidas pela Escola Técnica Nacional, atual Cefet/ RJ. Em 1956, adquiriu a condição de autarquia e, apenas em 1986, motivar a adesão de possíveis doadores e colaboradores do projeto. conquistou sede própria e pôde expandir-se com a criação de novos Mas a utilização da fotografia como fonte de pesquisa cursos nos anos 1990. Transformou-se em Cefet de Química em 1999, social coloca o difícil problema de como ir além de seu fascínio de mudando sua sede para Nilópolis, RJ, em um processo conflituoso recriação da realidade, de seu mistério de simulacro, que é e não é, de perda de status e de identidade de sede principal da instituição. ao mesmo tempo, o objeto real; de como utilizá-la como documento Em 2007, o compunha-se de seis unidades situadas para a reconstrução da realidade. Seu uso como fonte de pesquisa no Rio de Janeiro e em municípios vizinhos sendo duas em é um tema de estudos ainda pouco explorado na área de educação. As referências usuais para o estudo da fotografia são das áreas de construção. Mantém o ensino médio técnico de várias especialidades, cursos de nível superior de Tecnologia e de Licenciatura, cursos de comunicação e de história. O próprio conceito de fotografia como fonte histórica é uma discussão aberta. Nesta pesquisa, tratamos a pós-graduação lato sensu, cursos de educação de jovens e adultos e atividades voltadas para as comunidades em torno das unidades. fotografia como mediação, que significa entendê-la como processo social complexo, produzido historicamente, em que a compreensão Na história recente da instituição, identificamos dificuldades do todo do objeto fotográfico supõe ir além da representação na aceitação da segmentação do ensino proposta pelo Decreto n° aparente da imagem (CIAVATTA, 2002). 2.208/74, apesar de essa proposta estar alimentada pela pressão A educação do olhar como forma de compreensão do sedutora dos recursos financeiros oferecidos pelo Programa de mundo, como domínio dos conceitos e criação de novas formas Expansão da Educação Profissional (Proep) para obras, equipamentos de sociabilidade educativa, é parte desse universo complexo, e treinamentos. Houve adesão de alguns professores à proposta; às facilidades para ações e manejo de recursos através de convênios estetizado pela imagem, misto de um claro-escuro do aparente e do não revelado sob o fragmento visível. É nesse mundo fascinante e com empresas, mas houve, também, reticências ou recusa por parte de outros e o empenho em preservar a qualidade do ensino, que é movediço, tanto o da história dos homens quanto o das linguagens, dos discursos e das interpretações que estes constroem, que se move uma tradição da instituição. toda pesquisa que tem a fotografia como fonte. Hoje, em 2009, o Cefetq tornou-se o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e, A partir do estudo da formação integrada mediante as além da unidade-sede em Nilópolis, RJ, conta com oito campi no Estado: Maracanã, Paracambi, Duque de Caxias, Volta Redonda, São Gonçalo, Realengo, Arraial do fotografias do Cefet Química (CIAVATTA; CAMPELLO, 2006), Cabo e Pinheiral. no processo de organização do centro de memória fotográfica,28 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 29 gerou-se novo projeto de pesquisa que deu origem a uma dissertação O CENTRO DE MEMÓRIA DO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO de mestrado (ROSA, 2006) focalizando a Semana de Química, que TECNOLÓGICA DO RIO DE JANEIRO (CEFET/RJ) 6 se realiza anualmente, ao longo de 25 anos. A Semana congrega alunos e professores durante todo um semestre, para a preparação O Cefet/RJ é uma renomada e tradicional escola de ensino de experiências e de mostras em torno de um problema, de uma médio técnico e superior que atua com quatro unidades de ensino.⁷ questão de interesse científico e/ ou social para a área. Desenvolvem- Destaca-se pela qualidade de ensino, reconhecida nacionalmente, se relações entre ciência e arte, que destacam a importância do uso tem atuação expressiva no campo das políticas educacionais sobre trabalho e educação e atua em vários níveis de ensino: ensino de linguagens artísticas (teatro, música, artes visuais etc.), para a formação integrada. médio, educação profissional de nível técnico, licenciaturas de nível superior para a formação de professores das áreas técnicas, cursos Com essa introdução de elementos artísticos no projeto, estamos de pós-graduação lato sensu, mestrado, atividades de pesquisa e de conseguindo falar uma linguagem bem mais ampla do que a extensão às comunidades vizinhas. linguagem fechada do projeto científico em si. Está ajudando muito na divulgação e na popularização dos projetos [...] (Depoimento de As escolas técnicas, atuais Cefets, têm uma história marcada um professor) (ROSA, 2006., p. 64). pela industrialização, depois da Revolução de 1930, e pela presença Além das questões teóricas do uso das imagens, ativa dos industriais na formulação de políticas educacionais que metodologicamente, o trabalho de organização inicial do acervo atendessem às necessidades de preparação de mão de obra. Não fotográfico pautou-se pelo seguinte: a) contato e identificação obstante serem escolas de nível médio e, por isso, dedicadas à preliminar das fotos; b) identificação dos temas e elaboração dos formação geral nas ciências da natureza e nas ciências humanas, códigos de identificação; c) mapeamento do acervo por ano e tema; sempre prevaleceram os valores tecnicistas voltados para as d) consulta a materiais informativos sobre a história do Cefetq, para engenharias, para o fazer técnico orientado pelos ditames do mercado. construir uma intertextualidade entre as fotos e as outras fontes (MAUAD, 2004; CIAVATTA, 2002); e) caracterização geral do acervo O Cefet/RJ é uma das instituições federais que implantaram para fins de digitalização e divulgação (CIAVATTA; CAMPELLO, o Decreto 2.208/97 com todas suas consequências em termos de 2006, p. 322-324). separação do nível médio do ensino técnico, de cursos sequenciais e concomitantes para alunos provenientes de outras instituições, de Depois do trabalho de contagem, identificação e classificação ampla gama de atividades conveniadas com a indústria. O retorno das fotos, chegou-se a um total de 8.527, que foram organizadas segundo a sistemática de organização do Ensino Público Profissional 6 O Cefet/RJ teve origem na Escola Normal de Artes e Ofícios Wenceslau Brás (1917- no Estado de São Paulo (MORAES; ALVES, s.d.). Também foram 1937) e passou por diversas fases e denominações: Escola Técnica Nacional (1942- 1965), Escola Técnica Federal da Guanabara. (1965-1067), Escola Técnica Federal elaborados projeto, o regimento interno (Rosa, 2007) e outros Celso Suckow da Fonseca (1967-1978) e Centro Federal de Educação Tecnológica documentos sobre o Centro de Memória Fotográfica, que, na época do Rio de Janeiro (1978-). da pesquisa, ainda não havia sido institucionalizado de modo Diferente dos demais Cefets, Cefet/RJ manteve a denominação Cefet/RJ, ori- ginalmente Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca a contar com ambiente próprio, recursos humanos e materiais (cf. CIAVATTA; SILVEIRA, no prelo) e, além da unidade-sede no Rio de Janeiro, adequados e ter garantida sua continuidade. conta com mais cinco unidades: Nova Iguaçu, Maria da Graça, Petrópolis, Nova Friburgo e Itaguaí, esta última em processo de30 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória 31 ao ensino médio técnico integrado, previsto como alternativa pelo uma época, a comunicação informatizada da linguagem verbal e Decreto 5.154/97, não encontrou interesse nem acolhida no projeto visual multiplicou seu alcance e ampliou seus efeitos na cultura e institucional, salvo pela opção individual de alguns professores. na formação humanas. Em todo esse processo, a educação não teve apenas ampliados os espaços sociais de sua realização. Mudou a Defendemos em outro trabalho (CIAVATTA, 2005), a qualidade dos processos educativos e dos processos de pesquisa formação integrada aliada à concepção da escola como um "lugar (CIAVATTA, 2002). de como um recurso de resgate das raízes culturais da instituição escolar, de sua identidade, em contraposição ao que Desde o início, o projeto de um centro de memória do Cefet/ ocorreu internamente, durante os oito anos da reforma do governo RJ se articulou com o arquivo de documentos escolares existente Fernando Henrique Cardoso. O autorreconhecimento de seus valores na instituição, de cerca 2 milhões e meio de documentos de alunos e escolhas deve se constituir em elemento de coesão e alargamento e 900 mil documentos administrativos. A coordenadora do projeto da função educativa para além da técnica e do tecnicismo, para sua (SILVEIRA, 2005) teve, como integrantes da equipe inicial, duas compreensão como produção social que deve estar a serviço da arquivistas da instituição, um professor historiador e dois alunos educação humanizadora e não às ordens do mercado. bolsistas de apoio técnico, além do apoio do vice-diretor do Cefet/ RJ para a implantação do projeto. Se a idéia do centro de memória teve essa intencionalidade, não parece ter sido esse o motivo de acolhida do projeto. No Até novembro de 2006, em contato com diversos setores da entanto, este se tornou uma realidade porque é valor em si mesmo, escola, foram reunidas, 4 mil fotografias que pela sua capacidade de agregar valores novos, enriquecedores da foram sendo separadas, classificadas, identificadas e catalogadas por vida institucional. Concebido, inicialmente, sob o estímulo das seguindo a ordem cronológica das diversas fases político- discussões teórico-metodológicas e o trato com a fotografia no Cefet pedagógicas pelas quais passou a instituição. A iniciativa pautou-se Química, o Centro de Memória do Cefet/RJ ampliou seus objetivos pelo empenho de para o tratamento de todo seu acervo [...] envolver o maior número possível de entrevistados, o que vem contribuindo não apenas para a catalogação de imagens, mas A problematização da "verdade" histórica mediante a sobretudo para a organização do banco de história oral. Neste fotografia passa pelo problema do olhar e, portanto, pela questão processo, a prioridade é depoimento de ex-alunos da Escola Técnica da interpretação. Não há "inocência" nesse processo: os objetos Nacional que, mais tarde, tornaram-se professores da instituição incluídos, sua forma de aparecer, que ganha expressão e destaque, (SILVEIRA, 2005, p. 7). os efeitos conotativos da fotografia, as legendas ou informações que a complementam compõem um painel educativo que estrutura Apenas no fundo relativo à fase que vai até os anos 1960, uma determinada memória e participa da escrita de uma "verdade" identificaram-se e foram descritos 9.180 documentos, totalizando histórica. 9 Segundo o Guia do Acervo da Casa Oswaldo Cruz, fundo "é conjunto de docu- mentos, independentemente de sua forma ou suporte, organicamente produzido Se a linguagem sempre existiu como representação da ou acumulado e utilizado por uma pessoa física, família ou instituição, no de- realidade, como memória e expressão da cultura de um povo, de curso de suas atividades e funções". Com base nesse glossário, a equipe do Centro de Memória do Cefet/RJ classificou as diversas fases da instituição, ao longo de sua história, por fundos que tratam de documentos de diferentes espécies (textual, Notícias recentes sobre a nova direção da instituição revelam um retrocesso no iconográfico e museológico), que possibilitam a reconstrução das transformações processo de institucionalização do Centro de Memória. ocorridas (apud SILVEIRA, 2006, p. 7).32 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 33 18.161 folhas (SILVEIRA, 2006). trabalho se organizou de forma superação do dualismo de classes, as diversas instâncias responsáveis a realizar: 1°) o inventário da documentação ao longo das cinco fases da instituição, conforme as conjunturas históricas e as diversas pela educação (governo federal, secretarias de educação, direção denominações assumidas; 2°) a implantação do acervo iconográfico das escolas e professores) manifestem a vontade política de romper (contagem e triagem das fotos, identificação por ano, identificação com a redução da formação à simples preparação para o mercado de trabalho. por assunto, catalogação do material, elaboração de fichas síntese do acervo, digitação e organização de um banco de dados), mediante Do ponto de vista da história a ser construída com os subsídios a classificação de imagens e a catalogação por entradas e categorias, da memória revelada pelo acervo documental, Alves chama a nos moldes do Centro de Memória Fotográfica do Cefetq; 3°) atenção para o papel do pesquisador: reunião dos objetos museológicos (canetas, carimbos, uniformes, mobiliário, máquinas, quadros etc.), localização no espaço físico A busca permanente de uma aproximação de passado amparada e chamada para doações; 4°) elaboração do banco de história oral no rigor conceitual e metodológico movimenta os debates entre as correntes historiográficas [...]. No âmago dos debates, permanece a (entrevistas, transcrição das gravações, informatização dos dados e relação fundamental entre o historiador e suas fontes. A forma como acondicionamento do material gravado) (SILVEIRA, 2005, p. 9-10). se apresentam os registros e a força da interferência do pesquisador são aspectos em constante relação (ALVES, s.d., 2). Todo o trabalho se fez acompanhar de visitas a outros arquivos institucionais, seminários e palestras sobre questões de Um centro de memória pode atuar como elemento aglutinador, história e de arquivística, para a equipe envolvida no projeto, o qual gerador de coesão social. A escola deve assumir-se como um lugar de foi institucionalizado pela Portaria n° 008, de 5 de janeiro de 2006. memória, de resgate das identidades, de compreensão do presente, incorporando as dificuldades, as lutas e as conquistas do passado, suas representações na forma de imagens de documentos, seus CONSIDERAÇÕES FINAIS símbolos carregados de história e de significados. Neste trabalho, duas foram as questões principais tratadas: a criação de centros de memória em escolas que preparam para REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS o trabalho e uma das alternativas legais dessa preparação, que se expressa na formação integrada. O resgate da totalidade social que ALVES, Cláudia. Os_arquivos e a construção de categorias de análise na dá sentido a ambos os processos permeia a possibilidade de uma história da educação. Niterói: UFF, s.d. (mimeo). reconstrução histórica institucional, por meio do resgate da memória CIAVATTA, Maria; CAMPELLO, Ana Margarida. Do discurso à de suas etapas de crescimento, das crises e das conquistas o que imagem Fragmentos da história fotográfica da reforma do ensino deve ser feito no contexto da história de seus alunos, professores e médio técnico no Cefet Química. In: FRIGOTTO, Gaudêncio; gestores, como parte da sociedade. CIAVATTA, Maria (Org.). A formação do cidadão produtivo. A cultura de mercado no ensino médio técnico. Brasília: Inep, 2006, 117- Assim, o primeiro pressuposto da formação integrada é a 136. existência de um projeto de sociedade no qual, ao mesmo tempo em CIAVATTA, Maria. A formação integrada: a escola e o trabalho como que se enfrentem os problemas da realidade brasileira, visando à lugares de memória e de identidade. In: FRIGOTTO, Gaudêncio;34 A Pesquisa Histórica em Trabalho e Educação Arquivos da memória do trabalho e da educação centros de memória e formação... 35 CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise (Org.). O ensino médio integrado. NORA, Pierre. 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