Prévia do material em texto
Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 2/13 Objetivos de Aprendizagem • Avaliar e planejar a Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais: mercados emergentes, países industrializados, mercado único europeu e países em desenvolvimento. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais Conteúdo organizado por Renato Cividini Matthiesen em 2023 do livro Internacionalização de empresas: teorias e aplicações, publicado em 2013 por Adriana Beatriz Madeira, José Augusto Giesbrecht Da Silveira, pela editora Saint Paul. https://player.vimeo.com/video/824892526 Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 3/13 Introdução “Os principais pontos de uma estratégia de acesso são simplicidade, conveniência, ubiquidade e flexibilidade. Oferecer um serviço mais perto, mais fácil ou mais rápido ajuda a empresa a criar, continuamente, valor adicional para os clientes e a conquistar a lealdade deles. ” Rogers (2021, p. 53). A estratégia é um conceito que representa um posicionamento da organização, uma mudança de direção, o que pode vir a ser; significa reinventar a organização no médio prazo e longo prazos. Conforme o pensamento de Lemos (2012), o objetivo da estratégia é construir o futuro da organização de forma que o presente seja alterado além de fazer negócios de maneira diferente dos concorrentes locais e globais utilizando as melhores escolhas de quando, onde e como competir. Quando abordamos as organizações empresariais, a estratégia precisa identificar e definir investimentos, diversificação do portfólio dos produtos, novos negócios, fusões, aquisições, integração de departamentos e tecnologias, e alocação dos recursos da empresa. Existe uma complexidade que necessita de conhecimento de mercado, tecnologias e recursos. Veja, caro leitor, para que a estratégia possa ser aplicada, ela deve ter objetivos simples, bem definidos e de longo prazo. Desta feita, dois pressupostos básicos e imprescindíveis da estratégica podem ser explorados: 1. A estratégia deve representar os direcionamentos e os objetivos da organização, possibilitando análise e adequações em resposta ao ambiente de atuação da empresa e ao mercado alvo. 2. A estratégia deve representar o propósito das organizações e ter colaboradores cujos propósitos estejam alinhados. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 4/13 Gestão internacional de recursos humanos Fazer a gestão de recursos humanos em uma organização empresarial de médio porte já representa um grande desafio para os diretores, gerentes e supervisores de forma geral. Ao considerar um mundo de imensa diversidade de origens e comportamentos, aliado a uma composição de equipes multidisciplinares e compostas por pessoas de diferentes gerações, a complexidade aumenta. Pois bem, aliou tudo isso a uma gestão internacional de pessoa, que precisa considerar as origens, os costumes, regras e legislação particular de cada profissional que compõem os quadros de colaboradores e que, principalmente a partir de 2020, tiveram intensificadas suas atividades via teletrabalho no formato de Homeworking. O desafio passa ser maior ainda. Segundo Cavusgil (2010, p. 426) “a Gestão Internacional de Recursos Humanos (GIRH) pode ser definida como planejamento, seleção, treinamento, emprego e avaliação de funcionários para as operações internacionais”. Veja, caro leitor, que os gerentes internacionais de recursos humanos cumprem um papel consultivo ou de apoio aos gerentes de linha, contratando, treinando e avaliando funcionários e fornecendo Saiba Mais Ahlstrand, Lampel e Mintzberg (2010) citado por Nyegray (2020 p. 51) diz que “estratégia é um plano, ou algo equivalente – uma direção, um guia ou curso de ação para o futuro, um caminho para ir daqui até ali”. É importante entender que a estratégia corporativa pode ser desenvolvida para curto, médio e longo prazos. O autor ainda afirma que a estratégia é utilizada para que as empresas saibam onde estão, onde querem chegar e o que farão para chegar no destino desejado. Observando esta definição, Nyegray ainda reforça que o sucesso ou o fracasso de um negócio está diretamente relacionado aos desejos ou às necessidades de um determinado público que se deseja atender. E para realizar este atendimento de forma correta em um mercado internacional, um executivo de negócios precisa se preocupar com os costumes culturais do público alvo e suas diferenças. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 5/13 orientações de GIRH. Neste contexto, Cavusgil (2010) classifica em três categorias os funcionários ou colaboradores que atuam em empresas internacionais. Vejamos: 1. NPA (Nativos do país anfitrião): funcionários cidadãos do país onde a filial ou a subsidiária está localizada, normalmente constituem a maior proporção dos empregados que a empresa contrata no exterior. Atuam em maior quantidade na manufatura, montagem, atividades de serviços básicos e de expediente, compondo a força de trabalho não gerencial de uma empresa. 2. NPM (Nativos do país de origem da matriz): conhecidos como cidadãos do país de origem, são colaboradores cidadãos do país onde está sediada a empresa multinacional. 3. NPE (Nativos de país estrangeiro): são os empregados que são cidadãos de outros países, que não o de origem nem o de acolhimento, sendo a maioria alocada em funções de gerência e concentrados porque possuem um conhecimento ou alguma habilidade especial para a empresa. Em comparação com a gestão de recursos humanos no contexto nacional, a gestão internacional de recursos humanos é mais complexa, afirma Cavusgil (2010). Alguns fatores aumentam a complexidade da gestão destes recursos. Vejamos alguns deles. 1. Novas responsabilidades do departamento de Recursos Humanos: tributação internacional, serviços internacionais de mudança e orientação, serviços administrativos para expatriados, relações com o país anfitrião e serviços de tradução de idiomas. 2. Necessidade de perspectiva internacional mais ampla na política de remuneração: orientações sobre a política de remuneração para trabalhadores e estabelecimento de escala de remuneração justa e compatível, independentemente da nacionalidade do colaborador. 3. Maior envolvimento na vida dos trabalhadores: profissionais de recursos humanos devem preocupar-se com o bem-estar dos expatriados e suas famílias em questões como condições de moradia, saúde, escolaridade de crianças, segurança e remuneração adequada. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 6/13 4. Gerenciamento da combinação de expatriados e trabalhadores locais: as organizações devem empregar em cada país pessoal do país de origem, do país de acolhimento ou de países estrangeiros. A mistura do pessoal depende de diversos fatores, incluindo a experiência internacional da empresa, o custo de vida do local estrangeiro e a disponibilidade de pessoal local qualificado. 5. Maior exposição ao risco: análise da produtividade de cada colaborador e gestão da produção para contemplar os níveis aceitáveis pela organização. 6. Influências externas do governo e da cultura: fora da empresa se encontra o contexto mais amplo do país de acolhimento e a influência do governo e da cultura nacional é importante ser gerenciada. Saiba Mais De forma complementar às abordagens estratégicas de internacionalização, Madeira e Silveira (2013) relatam que a abordagem Intercultural é impactada pela distância cultural, como um constructo amplamente empregado em negócios internacionais, aplicado na expansão de investimentos no estrangeiro, nos modos de entrada e no desempenho de filiais estrangeiras. Por haver uma natureza complexa intercultural, intangível e sutil, a cultura tem sido difícil de conceituar e medir. Gestão estratégica de recursos humanos enegócios internacionais • 7/13 Política internacional de contratação de pessoal Uma das tarefas consideradas críticas por Cavusgil (2010) para as empresas que buscam internacionalização de negócios é a determinação do mix ideal de funcionários em filiais internacionais da empresa e nas suas subsidiárias. A combinação adequada para a composição de seus quadros de colaboradores varia de acordo com a localização, a indústria, a fase da cadeia de valor e a disponibilidade de pessoal qualificado. Também há impacto pelas leis locais e suas determinações de proporção de empregados estrangeiros que a empresa pode contratar. Importante considerar que há diferentes critérios e fundamentos para a contratação de cada tipo de funcionário em uma empresa internacionalizada. Em geral, as empresas fazem levam profissionais cidadãos do país onde a empresa está sediada para o estrangeiro a fim de tirar proveito de seu conhecimento especializado, especialmente nas operações iniciais da cadeia de valor ou quando a diretoria pretende manter um controle substancial sobre as operações no estrangeiro. A subsidiária tem mais chances de cumprir os objetivos e as políticas da empresa quando os profissionais estão no comando e, eles podem auxiliar no desenvolvimento de gerentes locais. Empresas podem preferir trabalhar com os NPA (Nativos do país anfitrião) quando o ambiente https://player.vimeo.com/video/824892738 Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 8/13 do país anfitrião é complexo e seus conhecimentos especializados ou conexões locais são necessárias no mercado local. As empresas tendem então a empregar profissionais NPA para executar atividades finais da cadeia de valor como marketing e vendas e que exigem muito conhecimento local. A vantagem em se trabalhar com nativos do país anfitrião é que o custo deles é geralmente menor quando relacionados a outros profissionais nativos do país de origem da empresa que precisam ser deslocados para o país estrangeiro. A figura 1 apresentada a seguir, traz uma tabela com desafios-chave da gestão internacional e recursos humanos. Vejamos. Figura 1 – Tarefas e desafios-chave da gestão internacional de recursos humanos Fonte: Cavusgil (2010, p. 430) Muitos são os desafios de uma organização para compor um quadro de colaboradores funcionais em uma empresa internacionalizada. A busca pelo talento é um grande desafio e relaciona-se a contratar e alocar pessoas nas posições apropriadas, fazendo uso do recrutamento que envolve a busca e a localização de candidatos e a seleção, que inclui a busca de informações para avaliar e decidir quem deve ser contratado para realizar determinada função. O desenvolvimento do talento também é um processo em várias etapas, e por isso gerentes de recursos humanos, em colaboração com a diretoria executiva precisam considerar alguns fatores: Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 9/13 1. Analisar as estratégias de crescimento e as funções críticas necessárias para levar essas estratégias a bom termo. 2. Definir os requisitos para cada função especificando as competências, comportamentos e experiências desejadas. 3. Examinar a oferta atual de talento na empresa e criar um plano para atrair o talento necessário. 4. Desenvolver talentos internamente e ir atrás de talentos existentes ou potenciais de fora da empresa. 5. Avaliar os talentos atuais e potenciais de acordo com o desempenho de cada indivíduo ao longo do tempo, sua vontade de aprender, as habilidades de aprendizagem e o compromisso com o progresso na carreira. Algumas características buscadas são: competência técnica, autoconfiança, adaptabilidade, habilidades interpessoais, capacidade de liderança, saúde física e emocional e o cônjuge e/ou dependentes devem estar preparados para viver no estrangeiro. Conforme nos ensina Drucker (2010), a composição da equipe de gestores é uma tarefa nobre para um empreendimento, para a gestão de um negócio de forma geral. O autor nos lembra que a falta de administradores qualificados normalmente é um problema para negócios e o remédio proposto por ele é montar uma equipe de alta administração antes que o empreendimento chegue ao ponto de precisar de uma. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 10/13 Em Resumo Nesta aula, vimos que a gestão de recursos humanos em ambientes internacionalizados é mais complexa e dois pressupostos básicos e imprescindíveis da estratégica podem ser explorados: a estratégia deve representar os direcionamentos e os objetivos da organização e a estratégia deve representar o propósito das organizações. Três são as categorias dos funcionários ou colaboradores que atuam em empresas internacionais: NPA (Nativos do país anfitrião); NPM (Nativos do país de origem da matriz) e NPE (Nativos de país estrangeiro). Vimos também que alguns fatores aumentam a complexidade da gestão destes recursos: novas responsabilidades do departamento de Recursos Humanos; necessidade de perspectiva internacional mais ampla na política de remuneração; maior envolvimento na vida dos trabalhadores; gerenciamento da combinação de expatriados e trabalhadores locais; maior exposição ao risco; e influências externas do governo e da cultura. Por fim, vimos que a composição da equipe de gestores é uma tarefa nobre para um empreendimento, para a gestão de um negócio de forma geral. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 11/13 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/824893106 Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 12/13 Referências Bibliográficas Cavusgil, S. T. (2010). Negócios internacionais: estratégia, gestão e novas realidades. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Drucker, Peter. (2010). Gestão. Rio de Janeiro: Agir. Madeira, A. B.; Silveira, K. A. G. (2013). Internacionalização de empresas: teorias e aplicações. São Paulo. BR: Saint Paul. Rogers, David L. (2021). Transformação digital: repensando o seu negócio para a era digital, 1. Ed. São Paulo: Autêntica Business. Gestão estratégica de recursos humanos e negócios internacionais • 13/13 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Internacionalização de Empresas: Teorias e Aplicações Adriana Beatriz Madeira, José Augusto Giesbrecht Da Silveira Saint Paul, 2013