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PERICARDIOPATIAS – RESUMO JOÃO VITOR DUARTE (AULA + UPTODATE) Anatomia do pericárdio ● Formado por duas lâminas: o Parietal: ▪ Mais espesso; fico em colágeno e fibras elásticas ▪ Confere proteção ao coração. o Visceral: ▪ Fina; apresenta microvilosidades que são formadoras do fluido pericárdico; esse fluído faz com que haja uma pequena camada líquida entre as duas lâminas do pericárdio. ▪ Íntima relação com o epicárdio. ● Sobre a camada líquida: o Cerca de 15 – 50 mL de líquido claro; ● Sobre a pressão: o A pressão intrapericárdica se equivale a pressão pleural (um pressão negativa de cerca de -6 a -3 mmHg); ● Funções do pericárdio: o Proteção do coração; o Garantir a interdependência entres os ventrículos. Classificação evolutiva e clínica das pericardites ● Pericardite aguda; ● Pericardite crônica; ● Derrame pericárdico/tamponamento cardíaco; ● Pericardite constritiva; ● Pericardite recorrente. Etiologia ● São inúmeras causas (mostrou tabela enorme), a principal: o Mais de 90% dos casos – idiopática; ▪ Não conseguimos chegar a uma conclusão sobre a etiologia; ▪ Costuma ter curso rápido e se cura a despeito do uso de medicações ou não. ● Outras: o Infecciosas; ▪ Bacteriana; ▪ Tuberculosa (muito comum no nosso meio): leva a quadro de pericardite constrictiva. ▪ Virais: muito comuns também; ▪ Fúngicas; micoplasma; parasitárias e outras. o Vasculites e doenças do tecido conectivo; ▪ AR, LES, Esclerodermia, Febre Reumática... (não detalhou). o Doenças de estruturas adjacentes; ▪ IAM pode levar a algum grau de pericardite; dissecção de aorta, embolia pulmonar etc. o Distúrbios metabólicos; ▪ Principal: pericardite urêmica, comum em pacientes nefropatas. o Neoplasias (principalmente metástases); ▪ Metástases são bem mais comuns do que neoplasias primárias do pericárdio. o Trauma; ▪ Perfuração pericárdica, lesão esofágica, perfuração gástrica; ▪ Cirurgia cardíaca → causa mais comum de pericardite constrictiva nos países desenvolvidos. ▪ Radiação. o Associação com algumas síndromes; ▪ Síndrome pós-pericardiotomia etc. (não detalhou). Apresentação clínica – 3 características principais. ● Dor torácica o Às vezes, pode simular uma dor que pode deixar dúvidas em relação a etiologia ser uma SCA; entretanto, algumas características falam contra: ▪ Faixa etária: nas pericardites idiopáticas, a faixa etária dos pacientes é mais jovem (30 a 40 anos); ▪ Pode mudar um pouco sua característica com a mudança de posição do tórax (o que não é comum nas SCA) o Dor aguda no tórax que irradia para escápula; É ventilatório-dependente; ● Atrito pericárdico pode aparecer e desaparecer; o Ao auscultarmos o atrito pericárdico, a suspeita diagnóstica torna-se mais relevante; entretanto, ele não está presente em todos os casos. o Além disso, ele pode ser evanescente (aparece e desaparece várias vezes durante o dia). ▪ Quando auscultar um atrito pericárdico, sempre chame alguém para auscultar também, pois pode servir de prova; pode ser que daqui a 15/20 minutos o atrito desapareça. ● Alterações do ECG; o Também podem causar alguma confusão (será abordado a seguir). Exame físico – depende muito da doença subjacente ● Sinal de Broadbent (ictus cordis fica atenuado e pode retrair-se na sístole): o Retração sistólica apical; o Presente nas pericardites adesivas e constritivas. ● Sinal de Kussmaul: o Ingurgitamento jugular na inspiração; ▪ Normalmente, quando inspiramos, há aumenta o retorno venoso e a jugular deveria colabar; isso não acontece em paciente que têm pericardites importantes o Geralmente em pacientes com pericardites importantes; ▪ Aumento da pressão intrapericárdica com alguns sinais de constrição pericárdica e tamponamento cardíaco. ● Pulso paradoxal: o Queda > 10mmHg de PAS na inspiração; o Muito comum nos casos de derrames pericárdicos importantes. ● Tríade de Beck – clássica de pacientes com derrames pericárdicos importantes e com sinal de tamponamento cardíaco. o Frequente em provas; o Composta por: 1) Bulhas hipofonéticas; 2) Hipotensão arterial; 3) Ingurgitamento jugular. ● Importante examinar o paciente em busca de doenças subjacentes. Complicações ● Tamponamento cardíaco; ● Pericardite recidivante; o É frequente; o Trata o paciente e, quando desmama o anti-inflamatório, a pericardite volta a acontecer. ● Pericardite constritiva – casos mais graves: o Causa mais comum no nosso meio: a infecção por TB; o Nos países de primeiro mundo – cirurgia cardíaca prévia; Laboratório – extremamente inespecífico – depende das doenças subjacentes. ● Pericardite bacteriana: leucograma alterado, com desvio à esquerda. ● Hemograma com VHS; ● FAN, FR, complemento; o Quando suspeitar de doença do colágeno. ● HIV; o Sempre que pegamos um paciente com pericardite inexplicável, nunca é demais fazer teste para HIV. ● ADA, PCR; o Quando suspeita de TB. Miopericardites ● São pericardites que de alguma maneira atingem o miocárdio; ● Podem elevar a troponina: o Podendo causar confusão com as síndromes coronarianas agudas; ● Diferente do que ocorre das SCA, nesse contexto a elevação da troponina não tem relação com prognóstico adverso. Eletrocardiograma – é muito típico ● Supra do segmento ST de forma difusa: o Não guarda nenhuma parede de forma específica, como na SCA; ● As elevações são de forma concava o Nas SCA a elevação é convexa. ● Pode haver infradesnivelamento do intervalo PR. Figura 1 – Supra do segmento ST de forma difusa. A elevação é de forma concava. Figura 2 – Infradesnivelamento do intervalo PR. Raio X de Tórax Figura 3 – Coração em Moringa de um complicação de pericardite. Coração com base estreita e bastante aumentado (aumento de área cardíaca), sugerindo derrame pericárdico de grande monta. ● Muitas vezes o Raio X de Tórax pode ser inespecífico – principalmente quando o derrame pericárdico é pequeno. Figura 4 – Paciente submetido a cirurgia cardíaca (fios metálicos no esterno). Observamos calcificação extensa do pericárdio circundando o coração. Pericardite constritiva possivelmente por cirurgia anterior. Paciente provavelmente apresenta sintomas congestivos, que podem ser sintomas de hipertensão venocapilar-pulmonar naqueles com constrição mais restrita ao coração esquerdo; ou sintomas congestivos sistêmicos (hepatomegalia, edema de MMII e ascite volumosa) quando a constrição acomete mais o coração direito). Ecodopplercardiograma – exame de eleição para avaliar derrame pericárdico Figura 5 – Ecodopplercardiograma RNM e Tomografia ● São uteis principalmente quando não chegamos a um diagnóstico conclusivo a respeito da doença pericárdica. ● Importante ressaltar que o diagnóstico é sim quase sempre feito pela história, exame clínico, ECG e, principalmente, pelo ECO. Porém, podemos lançar mão da RNM e Tomografia. Preditores de mortalidade ● Principal: idade (aumenta complicações e mortalidade); ● Sinais infecciosos. Tratamento – depende de cada caso ● Antes os corticoides eram usados como 1ª linha – hoje sabemos que tem associação com pericardite recidivante. ● Geralmente usamos anti-inflamatórios [primeira-linha]; ● Hoje em dia usamos também a colchicina [primeira-linha]: o Diminui significativamente pericardite recorrente. Tratamento – segundo UpToDate ● Objetivos: o alívio da dor, a resolução da inflamação e a prevenção da recorrência. ● Abordagem geral para o tratamento é a seguinte: o Tratamento ambulatorial versus hospitalar – A maioria dos pacientes de baixo risco com pericardite aguda pode ser tratada com eficácia em um ambiente ambulatorial, enquanto os pacientes de alto risco devem ser internados para iniciar o tratamento e continuar a avaliação diagnóstica. o Restrição de atividades – os pacientes devem ser instruídos a restringir atividades físicas extenuantes até que os sintomas tenham remitido e os biomarcadores tenham normalizado. o Tratamento inicial: ▪ Para quase todos os pacientes com pericardite idiopática ou viral aguda, recomendamosa terapia combinada com colchicina mais AINEs. ▪ Os glicocorticoides devem ser usados para o tratamento inicial da pericardite aguda apenas em pacientes com contraindicações aos AINEs ou para indicações específicas (ou seja, doenças inflamatórias sistêmicas, gravidez, insuficiência renal) e devem ser usados na menor dose eficaz. o Redução do tratamento - Após a resolução dos sintomas: ▪ Reduzimos a dose do agente anti-inflamatório semanalmente por várias semanas na tentativa de reduzir a taxa de recorrência subsequente. ▪ A colchicina é continuada por um período total de três meses.