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Alergias e intolerâncias
Alergia alimentar: conceito, prevenção e conduta nutricional. Intolerância alimentar: conceito, prevenção,
conduta nutricional. Métodos de avaliação e terapias para o tratamento.
Profa. Nara Horst
1. Itens iniciais
Propósito
Reconhecer as diferenças entre alergia e intolerância alimentar, identificando os fatores envolvidos nas suas
causas e nas manifestações clínicas, pois isso é de fundamental importância para prevenir e indicar a melhor
conduta dietoterápica da doença alérgica.
Objetivos
Identificar as alergias alimentares e suas manifestações clínicas
Relacionar os principais alimentos alergênicos e os exames para diagnóstico da alergia alimentar
Reconhecer as intolerâncias alimentares
Planejar a conduta nutricional do paciente em função da alergia ou intolerância
Introdução
Qualquer manifestação clínica provocada por alimentos, seus derivados ou aditivos após ingestão, contato ou
inalação é considerada reação adversa a alimentos (RAA), uma denominação bem ampla que contempla
reações tóxicas e atóxicas. As RAAs englobam as alergias e as intolerâncias alimentares e, de acordo com os
mecanismos fisiopatológicos envolvidos, podem ser classificadas em imunológicas ou não imunológicas. As
reações imunológicas são chamadas de alergia alimentar, e as reações não imunológicas, de intolerância
alimentar.
A alergia alimentar é, atualmente, um problema de saúde pública, pois a sua prevalência, assim como a de
todas as doenças alérgicas, tem aumentado no mundo todo. A prevalência da alergia alimentar se reduz com a
idade. Em outras palavras, a maioria das crianças com esse problema torna-se tolerante com o passar dos
anos, exceto no caso das alergias a amendoim, outras castanhas e frutos do mar.
Problema de saúde pública
Estima-se que ela afete 4% da população em geral, com maior prevalência na infância (em torno de 8%)
e está associada a impactos negativos na qualidade de vida. Nas últimas décadas, as reações alérgicas
aos alimentos que resultaram em dermatite, asma e anafilaxia aumentaram de três a quatro vezes em
relação às décadas anteriores.
O controle da exposição a alérgenos alimentares é a única forma atualmente aceita de tratar e prevenir a
alergia alimentar, isto é, uma vez estabelecido o diagnóstico, a base do tratamento consiste na exclusão dos
alimentos que contêm alérgenos responsáveis e na sua substituição apropriada
• 
• 
• 
• 
1. As alergias alimentares e suas manifestações clínicas
Alergias alimentares
Alergia alimentar é um termo relacionado a várias entidades clínicas que possuem um mecanismo comum:
ausência da tolerância clínica e imunológica a alguns alimentos. A anafilaxia é a forma mais grave de
manifestação da doença. A alergia alimentar é considerada um problema de saúde pública, pois afeta a
qualidade de vidas das pessoas sob vários aspectos, podendo causar urticárias, que interferem no
relacionamento social, afinal podem ser confundidas com doenças contagiosas. A taxa de prevalência desse
problema é incerta, mas estima-se que afete, nos Estados Unidos, 4% das crianças e 1% dos adultos.
Anafilaxia
Ela envolve vários sistemas orgânicos e pode levar à morte quando não é tratada adequadamente. 
A alergia alimentar é uma reação patológica do
sistema imune, desencadeada pela ingestão de
um alérgeno alimentar. Em indivíduos alérgicos,
a exposição a quantidades muito pequenas de
alimentos alergênicos pode desencadear
sintomas clínicos como distúrbios
gastrointestinais, urticária e inflamação das vias
aéreas, variando em gravidade, que pode ser
leve ou, até mesmo, levar a risco de morte.
Podemos dizer, então, que alergia alimentar é
uma RAA que acontece em pessoas genética e
ambientalmente suscetíveis, dependendo de
mecanismos imunológicos, mediados pelos
anticorpos imunoglobulina E (IgE) ou não. Essa
reação adversa imunológica geralmente é causada por uma proteína alimentar ou hapteno de alimentos. Os
sintomas são causados pela resposta específica do indivíduo ao alimento, e não pelo alimento em si. O
mecanismo mais comum da alergia alimentar é a reação mediada pelo IgE, que causa reações rapidamente,
em até duas horas após a exposição a alérgenos alimentares.
Hapteno
Molécula que pode provocar uma resposta imune quando ligada a uma proteína transportadora de
grande porte.
Por isso, a classificação da alergia alimentar, baseada no mecanismo imunológico, pode ser de três tipos:
Mediada por IgE
Decorre de sensibilização a alérgenos
alimentares com formação de anticorpos
específicos da classe IgE. Contatos
subsequentes com este mesmo alimento e sua
ligação a moléculas de IgE próximas
determinam a liberação de mediadores
vasoativos e citocinas, que induzem às
manifestações clínicas de hipersensibilidade
imediata. Ocorrem dentro de minutos e podem
se manifestar em até duas horas após a
ingestão do alimento.
Reações mistas
(mediadas por IgE e hipersensibilidade
celular)
 
Estão incluídas as manifestações decorrentes
de mecanismos mediados por IgE associados à
participação de
linfócitos T e de citocinas
pró-inflamatórias.
Reações não mediadas por IgE
Não são manifestações de apresentação
imediata e caracterizam-se basicamente pela
hipersensibilidade mediada por células.
Parecem ser mediadas por linfócitos T. Não são
imediatas, pois surgem horas após a ingestão
do alimento.
Resposta imune
Para entendermos as reações imunológicas que ocorrem em indivíduos alérgicos, é importante lembrar alguns
conceitos. Os linfócitos são as células de “comando e controle” do sistema imunológico e incluem dois grupos
importantes:
Células B, originárias das células-tronco da
medula óssea;
 
Células T, que também se originam de
células-tronco, mas são posteriormente
transportadas para o timo, onde
amadurecem.
Esses dois tipos de células funcionam como
base para a resposta imune humoral e para a
imunidade celular. As células T, muitas vezes
chamadas de T helper (Th), diferenciam-se em
células Th-1 (As células Th1 regulam a atividade
das células B para produzir anticorpos e direcionar o dano às células-alvo, resultando em destruição dos
antígenos. Essa função é útil na defesa contra bactérias, vírus e outras células patogênicas) ou Th-2 (As 
células Th2 mediam a resposta alérgica, regulando a produção de células B da IgE sensibilizada a alérgenos
alimentares), que têm papéis diferentes na resposta imune em circunstâncias diversas, pois secretam
diferentes conjuntos de citocinas.
Imune humoral
A resposta imune humoral é mediada por anticorpos e tem um papel importante na alergia alimentar.
Anticorpos antígeno-específicos são produzidos pelas células B em resposta ao antígeno apresentado. A
união de um antígeno ao anticorpo resulta na liberação de mediadores químicos inflamatórios, ou dano
celular direto, que, por sua vez, provoca sintomas. Cada anticorpo contém uma proteína globulina, que,
por causa de sua associação com o sistema imunológico, são conhecidas como imunoglobulinas (lg). As
imunoglobulinas são produzidas pelos linfócitos B para isolar e combater os antígenos. Os anticorpos
são produzidos por imunoglobulinas A (IgA), D (IgD), E (IgE), G (IgG) e M (IgM), mas somente a IgE
participa das respostas imediatas em casos de alergia alimentar (SICHERER & SAMPSON, 2014).
Papel do trato digestório no sistema imune
O sistema imunológico atua na limpeza de substâncias estranhas ao organismo, também chamadas de 
antígenos.
Antígenos
Os antígenos podem ser vírus, bactérias, células malignas ou outros agentes causadores de doenças,
como, por exemplo, um alérgeno alimentar. 
O trato digestório representa o maior órgão
imunológico do corpo em contato direto com o
meio externo, pois possui uma superfície
correspondente a 200 vezes a da pele. Esse
órgão exerce várias funções, inclusive a de
atuar como uma eficiente barreira contra
patógenos e desenvolver tolerância a muitas
proteínas alimentares às quais é exposto. O
trato digestório é o único órgão em que existe uma convivência harmônica entre grande número de
microrganismos e o sistemaPostgrad Med J, v. 86, p. 94-99, 2010. Consultado em meio eletrônico em:
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SOLÉ, D. et al. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 1 - Etiopatogenia, clínica e
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SOLÉ, D. et al. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 2 - Diagnóstico, tratamento e
prevenção. Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de
Alergia e Imunologia. Arq Asma Alerg Imuno, v. 2, n. 1, p. 39-82, 2018.
 
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	Alergias e intolerâncias
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. As alergias alimentares e suas manifestações clínicas
	Alergias alimentares
	Mediada por IgE
	Reações mistas
	(mediadas por IgE e hipersensibilidade celular)
	Reações não mediadas por IgE
	Resposta imune
	Células B, originárias das células-tronco da medula óssea;
	Células T, que também se originam de células-tronco, mas são posteriormente transportadas para o timo, onde amadurecem.
	Papel do trato digestório no sistema imune
	Inespecíficos
	Específicos
	Primário (imediato ou tardio)
	Secundário
	Saiba mais
	Manifestações clínicas
	Manifestações cutâneas
	Urticária
	Angioedema
	Dermatite
	Manifestações gastrointestinais
	Hipersensibilidade gastrointestinal imediata
	Síndrome da alergia oral
	Esofagite eosinofílica alérgica
	Gastrite eosinofílica alérgica
	Gastrenterocolite eosinofílica alérgica
	Enteropatia induzida por proteína alimentar
	Proctite induzida por proteína alimentar
	Manifestações respiratórias
	Vídeo com Avaliação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O trato digestório é um órgão em que existe uma convivência harmônica entre grande número de microrganismos e o sistema imunológico, graças a mecanismos de defesa específicos e inespecíficos. Dentre as alternativas a seguir, qual relaciona apenas mecanismos de defesa inespecíficos?
	A resposta imunológica à alergia alimentar gera uma variedade de sintomas e manifestações clínicas expressas em diversos sistemas orgânicos. Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:(   ) A hipersensibilidade gastrointestinal imediata é caracterizada por náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia, que aparecem logo após a ingestão do antígeno alimentar.(   ) Dentre as manifestações cutâneas da alergia, destacam-se a urticária e a dermatite atópica.(   ) As manifestações clínicas de maior gravidade provocadas por alergias alimentares são aquelas que, por diversos caminhos, levam ao conjunto de sintomas conhecido como anafilaxia.(   ) Os sintomas gastrointestinais das alergias alimentares podem interferir positivamente no estado nutricional do paciente, uma vez que melhoram a absorção de nutrientes.
	2. Os principais alimentos alergênicos e os exames para diagnóstico da alergia alimentar
	Principais alimentos alergênicos
	Saiba mais
	Exames diagnósticos
	Conheça os exames imunológicos
	Identificação de sensibilização IgE específica
	Teste cutâneo de hipersensibilidade imediata
	Anticorpos específicos da classe IgG e outros procedimentos não comprovados
	Teste de provocação oral
	Teste de provocação alimentar duplo cego e controlado por placebo
	Outros exames usados são
	Exames coprológicos
	Endoscopia e colonoscopia
	Vídeo com Avaliação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Entre os alimentos listados, qual está mais frequentemente relacionado à alergia alimentar em crianças?
	O teste de provocação oral (TPO) é considerado o método mais confiável no diagnóstico da alergia alimentar. Como ele é feito?
	3. As intolerâncias alimentares
	Intolerâncias
	Classificações
	Classificações
	Aditivo alimentar ou reações farmacológicas
	Aditivo alimentar ou reações farmacológicas
	Aditivos alimentares e seus possíveis mecanismos de ação
	Aditivos alimentares e seus possíveis mecanismos de ação
	Deficiência enzimática
	Deficiência enzimática
	Deficiência de lactase
	Deficiência de lactase
	FODMAP
	Frutose
	Frutanos
	Galactanos
	Polióis
	Exames diagnósticos
	Exclusão alimentar
	Testes respiratórios
	Vídeo com Avaliação
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	As intolerâncias alimentares são exemplos de RAAs causadas por mecanismos não imunológicos e ocorrem devido à forma como o corpo processa o alimento ou os componentes dos alimentos. Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmativas abaixo e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:(   ) As alergias alimentares são muito mais comuns do que as intolerâncias alimentares.(   ) A intolerância a alimentos está normalmente associada ao perfil metabólico dos pacientes, como, por exemplo, a ausência ou ineficiência da enzima intestinal lactase.(   ) Recentemente, a frutose, os frutanos, os galactanos e os polióis podem também ser responsáveis por intolerância alimentares. Esse grupo de carboidratos é conhecido por FODMAP.(   ) Os exames laboratoriais, com base na mensuração de IgG para alimentos, devem ser utilizados para fins de diagnóstico de intolerância alimentar.
	O diagnóstico clínico da intolerância alimentar é muito importante, mas, às vezes, é necessário a realização de exames complementares para confirmar o diagnóstico. Dentre as alternativas abaixo, qualé considerada “padrão-ouro” para auxiliar o diagnóstico desse problema?
	4. A conduta nutricional do paciente em função da alergia ou intolerância
	Planejamento nutricional
	Atenção
	Conduta nutricional na alergia alimentar
	Exemplo
	Atenção
	Atenção
	Tratamentos emergentes e imunomodulação na alergia alimentar
	Imunoterapia oral (ITO) e a sublingual (ITSL)
	Probióticos e prebióticos
	Conduta nutricional na intolerância alimentar
	Fontes alimentares de FODMAP e alternativas adequadas
	Fase 1
	Fase 2
	Fase 3
	Prevenção como oportunidade de intervenção nutricional
	Primário
	Secundário
	Terciário
	Exemplo
	Vídeo com Avaliação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O papel da prevenção primária da doença alérgica tem sido muito discutido nas últimas décadas, e são poucas as evidências a respeito de intervenções que possam minimizar o seu aparecimento. Dentre as opções a seguir, indique a medida considerada mais efetiva para a prevenção primária da alergia alimentar:
	O tratamento da alergia alimentar começa a partir da exclusão de alimentos suspeitos. Depois que o paciente melhorar com a dieta de exclusão, recomendam-se testes de desencadeamento oral sob supervisão médica para avaliar se o alimento poderá ou não voltar a fazer parte da dieta daquela pessoa. Porém, para que sejam evitadas deficiências nutricionais, é desaconselhada a exclusão prolongada e/ou desnecessária de um alimento ou de um grupo alimentar. Qual é o tempo recomendado para que um alimento suspeito seja excluído?
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	A Nutricionista Sonja Sales fala sobre gastronomia clínica no tratamento nutricional das alergias.
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasimunológico. Além disso, ele tem a capacidade de receber diariamente grande
quantidade de alérgenos alimentares, sem desenvolver um processo inflamatório que cause danos a uma
pessoa.
A função do trato digestório de promover a digestão dos alimentos com a incorporação de nutrientes, água,
eletrólitos e, ao mesmo tempo, manter um equilíbrio imunológico só é conseguida pela presença de
mecanismos de defesa bem elaborados. Esses mecanismos podem ser classificados como:
Inespecíficos
Os mecanismos de defesa inespecíficos englobam a barreira mecânica representada pelo próprio
epitélio intestinal e pela junção firme entre suas células epiteliais, a flora intestinal, o ácido gástrico, as
secreções biliares e pancreáticas e a motilidade intestinal.
Específicos
Entre os mecanismos de defesa específicos, encontramos aqueles relacionados à defesa imunológica
do trato digestório, que agem em adição à barreira física. Essa defesa específica é composta por uma
intrincada barreira imunológica, constituída principalmente pelo sistema imune de mucosas do trato
digestório (tecido linfoide associado ao intestino – GALT, Gut-associated lymphoid tissue). O GALT faz
parte de um grande sistema de imunidade de mucosas (MALT – Mucosa-associated lymphoid tissue)
e é considerado o maior órgão linfoide do organismo. O GALT é composto por diferentes tecidos
linfoides organizados, que incluem as placas de Peyer, os folículos linfoides isolados e os linfonodos
mesentéricos.
Quando os mecanismos de defesa falham, isoladamente ou em conjunto, podem ocorrer fenômenos de 
sensibilização. A sensibilização determina o aparecimento exagerado de complexos antígeno-anticorpo e de
substâncias imunologicamente ativas, que se depositam principalmente na mucosa intestinal, causando
edema e lesões inflamatórias.
 
Em outras palavras, podemos dizer que, ao vencer a barreira da mucosa intestinal, as formas peptídicas
presentes nos alimentos, que não são reconhecidas pelas células do epitélio intestinal, induzirão a resposta
imunológica. Essa proteção é a garantia de defesa a ataques por vírus, bactérias, protozoários e outros
agentes biológicos que representem perigo à saúde do indivíduo.
Normalmente, quando os alérgenos alimentares
interagem com as células do sistema
imunológico, não desencadeiam nenhuma
reação adversa. Isso ocorre porque, apesar dos
alimentos (vegetais ou animais) conterem
alérgenos, nosso sistema imunológico
normalmente os percebe como “estranhos, mas
seguros”. Esse reconhecimento é chamado de
processo de tolerância da mucosa oral, que
ocorre naturalmente conforme digerimos e
absorvemos os alimentos. Ou seja, essa
tolerância do nosso sistema imunológico aos
alérgenos dos alimentos indica que um
indivíduo é clínica e imunologicamente tolerante
àquele alimento. Acredita-se que a alergia
alimentar ocorra quando a tolerância oral falha. A quantidade de antígeno e os fatores ambientais também
influenciam no desenvolvimento de alergia alimentar.
Embora tenha havido grande avanço na compreensão do sistema imunológico da mucosa intestinal, a
patogênese exata da maioria das reações de alergia alimentar permanece desconhecida. Porém, sabe-se que
vários fatores participam da ocorrência da alergia, tais como:
 
Genética;
Flora intestinal do hospedeiro;
Dosagem e frequência de exposição a vários alérgenos alimentares;
Alergenicidade de várias proteínas alimentares.
 
Na alergia, o sistema imune desencadeia defensivos químicos (mediadores inflamatórios) em resposta a algo
(neste caso, o alimento) que não deveria causar uma resposta.
O sistema imune identifica erroneamente o alimento como uma ameaça e monta um ataque contra ele.
A sensibilização ocorre na primeira exposição do alérgeno às células imunes, e não há nenhum sintoma
de reação.
Depois disso, sempre que esse material estranho entrar no corpo, o sistema imunológico responderá a
essa ameaça da maneira anormal.
A alergia alimentar está associada à imunidade humoral, que envolve anticorpos (imunoglobulinas). A
imunidade celular ou mediada por células envolve a ação de linfócitos T, que não produzem anticorpos, mas
desencadeiam ações que levam à destruição de antígenos.
 
A sensibilização ocorre em dois níveis:
• 
• 
• 
• 
1. 
2. 
3. 
Primário (imediato ou tardio)
É uma reação mediada por IgE que ocorre no trato digestório, sem prévia lesão da mucosa, sendo
mais comum em crianças pequenas.
Secundário
Ocorre após uma infecção aguda do trato digestório ou a partir de um dano prolongado à mucosa
intestinal, com excessiva absorção de macromoléculas alimentares, capaz de gerar um quadro de
sensibilização local ou sistêmica.
Saiba mais
A exposição inicial a um antígeno (sensibilização) pode ocorrer durante a gravidez, na lactação ou na
primeira infância. O alimento não precisa ser diretamente ingerido pela criança. A sensibilização a
alérgenos alimentares pode ser decorrente da exposição a um antígeno de alimento pelo leite materno,
por exemplo. Os alérgenos da dieta da mãe podem passar para o leite materno e causar sensibilização e
uma reação alérgica no lactente exclusivamente alimentado pelo seio. Às vezes, a reação não ocorre até
que o alimento seja realmente ingerido pelo bebê. Comer amendoim mais de uma vez por semana
durante a gravidez, por exemplo, aumenta o risco de o bebê ter alergia a esse produto. Outro problema
comum são alguns alimentos da dieta da mãe que causam sintomas no bebê e podem ser confundidos
com sintomas alérgicos. Bebidas com cafeína, chocolate, alguns chás de ervas, repolho, cebola, alho,
rabanete, ruibarbo, espinafre e especiarias podem estar associados a reações não alérgicas –
geralmente desconforto intestinal –, mas que podem ser confundidas com sintomas alérgicos (VICKERY
et al., 2011; SOLÉ, et al. 2018). 
A permeabilidade e a microbiota gastrointestinal influenciam de modo importante a doença alérgica. Por um
lado, a disbiose influencia a função imunológica intestinal, que está ligada ao GALT. Por outro, acredita-se que
a permeabilidade gastrointestinal seja maior no início da infância e decline com a maturação intestinal.
Condições como doença gastrointestinal, desnutrição, prematuridade e estados de imunodeficiência podem
aumentar a permeabilidade intestinal. A hiperpermeabilidade intestinal e, possivelmente, a disbiose permitem
a penetração de antígenos e a apresentação aos linfócitos do GALT e a sensibilização do indivíduo (SOLÉ et
al., 2018).
Disbiose
Presença de quantidades excessivas de bactérias anormais.
Manifestações clínicas
As manifestações clínicas da alergia alimentar podem ser expressas em diversos sistemas orgânicos, como na
pele (cutâneas), no trato gastrointestinal e, até mesmo, no trato respiratório (FILHO et al., 2012; SICHERER &
SAMPSON, 2014; MAHAN & SWIFT, 2014).
Manifestações cutâneas
As manifestações cutâneas, em sua maioria, são mediadas por IgE e podem ser:
 
Urticária e angioedema
 
Frequentemente, são acompanhadas de sintomas gastrointestinais e respiratórios com reação imediata,
aparecendo em até duas horas após a ingestão, o que facilita a identificação do alimento envolvido.
 
Dermatite atópica
 
Ocorre normalmente em crianças e adolescentes. O ovo é o principal causador dessa manifestação.
Urticária
É uma lesão na pele, cuja principal característica é a formação de
elevações circulares salientes e bem demarcadas chamadas de pápulas
ou urticas.
Angioedema
Consiste em “inchaços” das zonas finas da pele, principalmente nos
lábios e olhos.
Dermatite
Atópica ou eczema é uma lesão crônica da pele, seguida por prurido,
vermelhidão e descamação.
• 
• 
Manifestações gastrointestinais
Os sintomas gastrointestinais das alergias alimentares podem interferir negativamente no estado nutricional
do paciente. São eles:
Hipersensibilidade gastrointestinal imediata
Caracterizada por náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia, que aparecem logo após a ingestão do
antígeno. O leite de vaca, o ovo, o amendoim, a soja, o trigo e os frutos do mar são os principais envolvidosnesses casos.
Síndrome da alergia oral
Simula a alergia de contato mediada por IgE. Restringe-se à orofaringe e inclui aparecimento rápido de edema,
hiperemia e sensação de queimação dos lábios e da língua. É mais comum em adultos. A sensibilização ocorre
pelo sistema respiratório ou por meio da pele.
Síndrome da alergia oral é uma reação alérgica que afeta a boca, os lábios, a língua e a garganta. Também é
conhecida como síndrome pólen-alimento.
Esofagite eosinofílica alérgica
Decorre de hipersensibilidade mista e caracteriza-se por aparecimento de inflamação eosinofílica na mucosa
do esôfago, levando a refluxo gastroesofágico, disfagia e recusa alimentar.
Gastrite eosinofílica alérgica
Também decorre de hipersensibilidade mista, ou seja, IgE mediada, e não IgE mediada. Inclui vômitos, dor
abdominal, anorexia, saciedade precoce e déficit de crescimento.
Gastrenterocolite eosinofílica alérgica
Esse também é um exemplo de hipersensibilidade a alimentos do tipo mista. Acomete crianças de qualquer
idade e apresenta sintomas semelhantes àqueles descritos para a esofagite e gastrite eosinofílicas.
Enteropatia induzida por proteína alimentar
Caracteriza-se por um quadro de diarreia crônica, que pode estar acompanhada de vômitos, levando à mà-
absorção intestinal. O alérgeno mais comum é o do leite de vaca e ocorre mais frequentemente em lactentes.
Proctite induzida por proteína alimentar
Comumente encontrada em crianças alimentadas com fórmulas de leite de vaca ou de proteína de soja. O
bebê reage com vômitos, diarreia, déficit de crescimento e letargia. Também são vistas fezes sanguinolentas e
cheias de muco.
Manifestações respiratórias
Os quadros de rinite e rinoconjuntivite estão pouco relacionados às alergias alimentares, que, em geral,
atingem crianças e adolescentes, porém adquirem importância em virtude da associação com pacientes
asmáticos. No entanto, os sintomas respiratórios presentes na alergia alimentar geralmente indicam quadros
mais graves, associados à anafilaxia.
 
As manifestações clínicas de maior gravidade, provocadas por alergias alimentares, são aquelas que, por
diversos caminhos, levam ao conjunto de sintomas conhecido como anafilaxia, que pode levar o paciente ao
óbito se não for atendido com urgência após o aparecimento dos primeiros sinais clínicos.
O quadro de anafilaxia compreende uma sequência de edemas de laringe, faringe, língua e lábios,
constrição das vias aéreas pulmonares, hipotensão arterial, edema agudo de pele e angioedema.
A anafilaxia é mais grave e frequente em indivíduos portadores de asma, pois a constrição das vias aéreas
pulmonares é rápida, expondo o paciente a um grande perigo de óbito quando comparado aos não asmáticos.
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Assista ao vídeo e veja o ponto de vista médico sobre imunidade, genética e cascatas de reação.
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Questão 1
O trato digestório é um órgão em que existe uma convivência harmônica entre grande número
de microrganismos e o sistema imunológico, graças a mecanismos de defesa específicos e
inespecíficos. Dentre as alternativas a seguir, qual relaciona apenas mecanismos de defesa
inespecíficos?
A
Tecido linfoide associado ao intestino (GALT) e barreira mucosa.
B
Tecido linfoide associado ao intestino (GALT) e placa de Peyer.
C
Folículos linfoides e motilidade intestinal.
D
Flora intestinal e secreções biliares.
A alternativa D está correta.
Os mecanismos de defesa inespecíficos englobam a barreira mecânica representada pelo próprio epitélio
intestinal e pela junção firme entre suas células epiteliais, a flora intestinal, o ácido gástrico, as secreções
biliares e pancreáticas e a motilidade intestinal. Os mecanismos de defesa específicos estão relacionados à
defesa imunológica do trato digestório (GALT, placa de Peyer e folículos linfoides, por exemplo).
Questão 2
A resposta imunológica à alergia alimentar gera uma variedade de sintomas e manifestações
clínicas expressas em diversos sistemas orgânicos. Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as
afirmativas a seguir e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
( ) A hipersensibilidade gastrointestinal imediata é caracterizada por náuseas, vômitos, dor
abdominal e diarreia, que aparecem logo após a ingestão do antígeno alimentar.
( ) Dentre as manifestações cutâneas da alergia, destacam-se a urticária e a dermatite
atópica.
( ) As manifestações clínicas de maior gravidade provocadas por alergias alimentares são
aquelas que, por diversos caminhos, levam ao conjunto de sintomas conhecido como
anafilaxia.
( ) Os sintomas gastrointestinais das alergias alimentares podem interferir positivamente no
estado nutricional do paciente, uma vez que melhoram a absorção de nutrientes.
A
F – F – V – F
B
V – V – F – V.
C
V – V – V – F.
D
F – F – F – V.
A alternativa C está correta.
Os sintomas gastrointestinais das alergias alimentares interferem negativamente no estado nutricional do
paciente, uma vez que reduzem a absorção de nutrientes e podem levar ao desenvolvimento de
deficiências nutricionais.
2. Os principais alimentos alergênicos e os exames para diagnóstico da alergia alimentar
Principais alimentos alergênicos
Define-se como alérgeno qualquer substância capaz de estimular uma resposta de hipersensibilidade, isto é, a
resposta imunológica humoral (IgE) ou celular. Os alérgenos alimentares são, em sua maioria, representados
por glicoproteínas hidrossolúveis, termoestáveis e resistentes à ação de ácidos e de proteases com peso
molecular entre 10 e 70 kDa. Podem sofrer modificações conforme o processamento do alimento ou durante a
digestão, resultando em aumento ou diminuição da alergenicidade.
Embora qualquer alimento possa causar alergia,
cerca de 80% das manifestações de alergia
alimentar ocorrem com a ingestão de leite de
vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas,
peixes e crustáceos. Deve-se destacar,
entretanto, que novos alérgenos têm sido
descritos, como kiwi e gergelim, e alguns deles
bastante regionais, como a mandioca. Levando-
se em consideração a faixa etária, nas crianças,
o leite de vaca, o ovo, a soja, o trigo e o
amendoim estão associados à grande maioria
das reações clínicas encontradas. Para os
adultos, o amendoim, as castanhas, o peixe e
os frutos do mar são aqueles mais descritos.
 
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é a mais encontrada em crianças com até 24 meses de vida. Ela é
caracterizada pela reação imunológica às proteínas do leite, principalmente à caseína (proteína do coalho) e
às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e betalactoglobulina). Seu diagnóstico é muito raro em crianças
acima dessa idade, pois o ser humano desenvolve tolerância oral progressiva à proteína do leite de vaca.
(BRASIL, 2017).
Saiba mais
O conceito clássico de alérgeno envolve proteínas que suscitam uma resposta de hipersensibilidade,
mas até mesmo o carboidrato de alguns alimentos tem sido descrito como deflagrador de reações. O
mecanismo pelo qual o carboidrato consegue estimular a produção de IgE específica ainda não é muito
conhecido, mas estima-se que, ao conjugar-se com uma proteína do organismo, seria capaz de estimular
a síntese de IgE específica via receptores presentes na superfície de linfócitos B (SOLÉ et al., 2018). 
Vários alérgenos podem produzir reações cruzadas, como é possível verificar no quadro a seguir. Em outras
palavras, ocorrem reações cruzadas quando o sistema imunológico do corpo confunde as proteínas de um
alimento com as proteínas de outro alimento que apresenta similaridade de sequência de aminoácidos. Isso
pode determinar restrição de consumo de um grupo de alimentos para um mesmo indivíduo. Por exemplo, o
paciente alérgico a amendoim pode apresentar reação cruzada ao ingerir soja ou outros feijões.
Alimentos de risco para reações alérgicas cruzadas
Alérgeno Risco de reação cruzada
Amendoim Ervilha, lentilha e feijão
Alimentos de risco para reações alérgicas cruzadasAlérgeno Risco de reação cruzada
Nozes Castanha-do-pará, castanha de caju, amêndoas e avelã
Salmão Peixe-espada e linguado
Camarão Caranguejo e lagosta
Trigo Centeio de cevada
Leite de vaca Carne bovina e leite de cabra
Pólen Maçã, pêssego e melão, cereja, pera, melancia
Látex Kiwi, banana e abacate
Adaptado de Filho et al., 2012
 
Exames diagnósticos
O diagnóstico da alergia alimentar deve,
inicialmente, considerar uma ampla variedade
de diagnósticos diferenciais, que apresentam
manifestações clínicas semelhantes à alergia
alimentar, entre eles outras RAAs, alterações
anatômicas, doença do refluxo gastroesofágico,
insuficiência pancreática, dentre outras. O
primeiro passo é investigar a história clínica
completa do paciente, seguida pela realização
de exames adequados. É importante também
realizar exame físico completo. No entanto, o
diagnóstico precisa ser confirmado com a dieta
de eliminação e testes de desencadeamento
oral.
 
Os testes bioquímicos podem excluir as causas não alergênicas dos sintomas. Os exames que podem ser úteis
incluem hemograma completo, exames de fezes para substâncias redutoras, óvulos, parasitas ou sangue
oculto, exames do hidrogênio da respiração, exames da permeabilidade intestinal, exames genéticos para
doença celíaca e perfis de sensibilidade ao glúten, além de exames para supercrescimento bacteriano do
intestino delgado (SBID). Porém, é importante saber que os exames para diagnosticar RAA e identificar a
resposta imune não devem ser usados isoladamente.
Conheça os exames imunológicos
Identificação de sensibilização IgE específica
A determinação da IgE específica auxilia apenas na identificação das alergias alimentares mediadas
por IgE e nas reações mistas, e este é um dado fundamental. A pesquisa de IgE específica ao alimento
suspeito pode ser realizada tanto in vivo, por meio dos testes cutâneos de hipersensibilidade
imediata, como in vitro, pela dosagem da IgE específica no sangue.
Teste cutâneo de hipersensibilidade imediata
Neste teste, perfura-se a pele e coloca-se um alérgeno alimentar. São testes simples, rápidos e
baratos, que podem ser realizados nos consultórios médicos, fornecendo resultados dentro de 30
minutos. A utilização de extratos padronizados confere a estes testes valores preditivos positivos de,
no máximo 60%, mas raramente os resultados são positivos na ausência de alergias mediadas por IgE,
ou seja, o teste cutâneo de hipersensibilidade imediata negativo tem boa precisão preditiva e sugere
a ausência de uma reação IgE-mediada. São considerados testes positivos quando houver formação
de pápula com pelo menos 3mm de diâmetro médio, reação com o controle positivo (solução de
histamina) e ausência de pápula com o controle negativo (excipiente da solução). Não há restrição de
idade para a realização do teste. Entretanto, deve-se ter em mente que crianças menores de seis
meses de idade podem não ter sido expostas a vários alimentos, impossibilitando a formação de
anticorpos.
Anticorpos específicos da classe IgG e outros
procedimentos não comprovados
Não há evidência científica para respaldar a utilização de exames laboratoriais com base na
mensuração de IgG para alimentos para fins de diagnóstico. Além disso, não devem ser usados
análise de cabelo, cinesiologia e testes eletrodérmicos com essa mesma finalidade. Não são
recomendados também dermografia facial e análise do suco gástrico para o diagnóstico de alergia à
proteína do leite de vaca.
Teste de provocação oral
O teste de provocação oral (TPO) continua sendo o método mais confiável para o diagnóstico da
alergia alimentar. Consiste na oferta progressiva do alimento suspeito e/ou placebo, em intervalos
regulares, sob supervisão médica, para monitoramento de possíveis reações clínicas após um período
de exclusão dietética necessário para resolução dos sintomas clínicos. De acordo com o
conhecimento do paciente (ou de sua família) e do médico quanto à natureza da substância ingerida
(alimento ou placebo), os testes de provocação oral são classificados como aberto (paciente e
médico cientes), simples cego (apenas o médico sabe) ou duplo cego e controlado por placebo,
quando nenhuma das partes sabe o que está sendo ofertado.
Teste de provocação alimentar duplo cego e
controlado por placebo
Esse teste é considerado “padrão-ouro”. O TPADCCP consiste em disfarçar o alérgeno e o administrar
via oral em um momento. Em outro instante, administra-se um placebo e monitoram-se as reações do
paciente. Tanto o paciente como o médico não sabem o que está sendo administrado, o alérgeno ou o
placebo, por isso é chamado de “duplo cego”. No entanto, esse método pode ser dispensado se a
probabilidade diagnóstica for muito alta ou se o procedimento for arriscado, como é o caso de
crianças com história de anafilaxia. Nesse caso, a Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica
e Nutrição recomenda os testes de desencadeamento aberto, em que o alimento suspeito é fornecido
ao paciente por via oral, na forma natural e sem disfarce, em doses graduais, sob supervisão médica.
Quando positivo, o TPO traz benefícios relacionados à confirmação do diagnóstico de alergia
alimentar, à redução do risco de exposição acidental e da ansiedade sobre o desconhecido, além de
validar o esforço do paciente e de seus familiares em evitar o alimento. Se negativo, permite a
ingestão do alimento suspeito, reduzindo risco nutricional e melhorando a qualidade de vida do
paciente.
Outros exames usados são
Exames coprológicos
A pesquisa de sangue oculto nas fezes atualmente é feita pelo método específico para hemoglobina
humana. Contribui quando há dúvida pela anamnese se realmente a perda referida é de sangue. Por
outro lado, não tem valor no diagnóstico de alergia alimentar. A dosagem de alfa-1-antitripsina fecal,
muito empregada no passado, tem valor apenas nas alergias gastrintestinais associadas à síndrome
de enteropatia perdedora de proteínas.
Endoscopia e colonoscopia
A endoscopia alta e a colonoscopia podem ser indicadas, atualmente, para o diagnóstico diferencial
de alergia alimentar em alguns pacientes, como, por exemplo, sintomáticos sem resposta à dieta de
exclusão. Ou seja, quando o paciente excluir da alimentação as proteínas alergênicas e não melhorar,
deverá ser encaminhado a um gastroenterologista, pois pode haver suspeita de alguma outra doença
identificável por esses exames. Esse é o caso de pessoas com suspeita de doença celíaca, de
doenças eosinofílicas, de doença inflamatória intestinal ou de outras doenças de absorção. Nesses
casos, a endoscopia e a colonoscopia são indicadas. Cada situação será avaliada quanto ao número e
aos locais de biópsias a serem obtidos para diagnóstico preciso.
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Sintomas e diagnósticos.
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Questão 1
Entre os alimentos listados, qual está mais frequentemente relacionado à alergia alimentar em
crianças?
A
Peixes.
B
Leite de vaca.
C
Frango.
D
Frutos do mar.
A alternativa B está correta.
Nas crianças, o leite de vaca, o ovo, a soja, o trigo e o amendoim estão associados à maioria das reações
clínicas encontradas na alergia alimentar.
Questão 2
O teste de provocação oral (TPO) é considerado o método mais confiável no diagnóstico da
alergia alimentar. Como ele é feito?
A
É feito com a oferta progressiva do alimento suspeito e/ou placebo, em intervalos regulares, para
monitoramento de possíveis reações clínicas após período de exclusão dietética.
B
É feito através da oferta de alimento suspeito e/ou placebo de 30 a 60 dias para observação do surgimento de
sintomas.
C
É feito através da exclusão de alimentos suspeitos da dieta do paciente.
D
É feito através da dosagem da IgE específica no sangue do paciente.
A alternativa A está correta.
O teste de provocação oral (TPO) consiste na administração de alimentos e/ou placebo, em doses
sucessivamente maiores a intervalos regulares, sob supervisão de pessoal especializado. Deve ser
realizadocom monitorização de possíveis reações adversas e em local com capacidade de resposta
perante uma emergência. Se o médico e o paciente têm ciência da natureza da substância ingerida
(alimentos/placebo), esses testes são designados abertos. Quando apenas o médico sabe a natureza da
substância ingerida, são chamados simples cegos. Caso nenhuma das partes tenha o conhecimento da
natureza da substância, são designados duplamente cegos.
3. As intolerâncias alimentares
Intolerâncias
As intolerâncias alimentares são uma patologia muito frequente em todo o mundo. Estima-se que
aproximadamente 20% da população mundial seja afetada por alguma delas. As intolerâncias alimentares são
muito mais comuns do que as alergias alimentares. Clinicamente, é importante fazer a distinção entre as duas.
Os sintomas causados pela intolerância alimentar muitas vezes são semelhantes à alergia alimentar, incluindo
manifestações gastrointestinais, cutâneas e respiratórias, mas não envolvem resposta imunológica.
As intolerâncias alimentares são uma patologia muito frequente em todo o mundo. Estima-se que
aproximadamente 20% da população mundial seja afetada por alguma delas. As intolerâncias alimentares são
muito mais comuns do que as alergias alimentares. Clinicamente, é importante fazer a distinção entre as duas.
Os sintomas causados pela intolerância alimentar muitas vezes são semelhantes à alergia alimentar, incluindo
manifestações gastrointestinais, cutâneas e respiratórias, mas não envolvem resposta imunológica.
As intolerâncias alimentares (sensibilidade não alérgica a alimentos) são exemplos de RAA causadas por
mecanismos não imunológicos e ocorrem devido à forma como o corpo processa o alimento ou os
componentes dos alimentos. São exemplos a ingestão da cafeína no café e a ingestão da tiramina de queijos
maturados. As reações adversas não imunológicas podem ser desencadeadas também pela fermentação e
pelo efeito osmótico de carboidratos ingeridos e não absorvidos. O exemplo clássico é a intolerância à
lactose. Mais recentemente, vem sendo valorizado também outros carboidratos não completamente
absorvidos, conhecidos pela sigla em inglês FODMAP.
FODMAP
FODMAP (Fermentable Oligo-, Di-, Mono-saccharides and Polyols) FODMAP consiste no conjunto de
hidratos de carbono de cadeia curta e álcoois de açúcares que são mal absorvidos e extensamente
fermentescíveis: Oligossacarídeos (frutooligossacarídeos e galactooligossacarídeos), Dissacarídeos
(lactose), Monossacarídeos (frutose) e Polióis (Manitol e Sorbitol). Essa característica fermentativa leva a
um aumento da permeabilidade intestinal e, possivelmente, à inflamação, causando desconforto e dor
abdominal. 
As intolerâncias alimentares (sensibilidade não alérgica a alimentos) são exemplos de RAA causadas por
mecanismos não imunológicos e ocorrem devido à forma como o corpo processa o alimento ou os
componentes dos alimentos. São exemplos a ingestão da cafeína no café e a ingestão da tiramina de queijos
maturados. As reações adversas não imunológicas podem ser desencadeadas também pela fermentação e
pelo efeito osmótico de carboidratos ingeridos e não absorvidos. O exemplo clássico é a intolerância à
lactose. Mais recentemente, vem sendo valorizado também outros carboidratos não completamente
absorvidos, conhecidos pela sigla em inglês FODMAP.
FODMAP
FODMAP (Fermentable Oligo-, Di-, Mono-saccharides and Polyols) FODMAP consiste no conjunto de
hidratos de carbono de cadeia curta e álcoois de açúcares que são mal absorvidos e extensamente
fermentescíveis: Oligossacarídeos (frutooligossacarídeos e galactooligossacarídeos), Dissacarídeos
(lactose), Monossacarídeos (frutose) e Polióis (Manitol e Sorbitol). Essa característica fermentativa leva a
um aumento da permeabilidade intestinal e, possivelmente, à inflamação, causando desconforto e dor
abdominal.
Os mecanismos que desencadeiam os sintomas da intolerância alimentar não estão completamente
esclarecidos, mas, recentemente, alguns deles foram compreendidos parcialmente. A intolerância a alimentos
está normalmente associada ao perfil metabólico dos pacientes, como a ausência ou ineficiência da lactase na
intolerância ao leite; às propriedades farmacológicas do alimento ingerido, em produtos que contêm
metilxantinas, como a cafeína e a teobromina, relacionadas às alterações de frequência cardíaca; à liberação
de histamina na digestão de proteínas e às respostas idiossincráticas.
Os mecanismos que desencadeiam os sintomas da intolerância alimentar não estão completamente
esclarecidos, mas, recentemente, alguns deles foram compreendidos parcialmente. A intolerância a alimentos
está normalmente associada ao perfil metabólico dos pacientes, como a ausência ou ineficiência da lactase na
intolerância ao leite; às propriedades farmacológicas do alimento ingerido, em produtos que contêm
metilxantinas, como a cafeína e a teobromina, relacionadas às alterações de frequência cardíaca; à liberação
de histamina na digestão de proteínas e às respostas idiossincráticas.
Classificações
Classificações
No texto, é destacado os diferentes fatores desencadeadores das intolerâncias alimentares.
No texto, é destacado os diferentes fatores desencadeadores das intolerâncias alimentares.
Aditivo alimentar ou reações farmacológicas
Aditivo alimentar ou reações farmacológicas
Os alimentos contêm várias substâncias químicas com potencial de atividade farmacológica, como salicilatos,
aminas vasoativas (por exemplo, histamina), glutamatos (por exemplo, glutamato monossódico) e cafeína. Os
mecanismos pelos quais essas substâncias provocam sintomas gastrointestinais não estão totalmente
compreendidos, mas parecem estar ligados à influência no sistema neuroendócrino. O quadro a seguir ilustra
as fontes dietéticas dos aditivos alimentares e o seu possível mecanismo para desencadeamento de sintomas
gastrointestinais.
Os alimentos contêm várias substâncias químicas com potencial de atividade farmacológica, como salicilatos,
aminas vasoativas (por exemplo, histamina), glutamatos (por exemplo, glutamato monossódico) e cafeína. Os
mecanismos pelos quais essas substâncias provocam sintomas gastrointestinais não estão totalmente
compreendidos, mas parecem estar ligados à influência no sistema neuroendócrino. O quadro a seguir ilustra
as fontes dietéticas dos aditivos alimentares e o seu possível mecanismo para desencadeamento de sintomas
gastrointestinais.
Aditivos alimentares e seus possíveis mecanismos de ação
Aditivos alimentares e seus possíveis mecanismos de ação
Aditivo Fonte dietética Mecanismo de ação
Salicilatos
Café, chá, maçãs verdes,
bananas, limão, nectarinas,
uvas, tomates, cenouras,
pepinos, ervilhas
Estimulam os mastócitos a produzir
metabólitos que levam a uma reação pró-
inflamatória e à contração do músculo liso.
Aminas
Cerveja, vinho, queijo, carnes
curadas, conserva de peixe
Indivíduos com baixa atividade da enzima
amino oxidase reduzem a eliminação de
histamina dietética, e o seu excesso leva à
contração muscular exagerada.
Glutamatos
Tomate, queijo, extrato de
levedura, caldos em cubos
Mecanismo ainda incerto.
Cafeína Café, chá, chocolate
Estimula o SNC e aumenta a secreção de
ácido gástrico e a atividade motora do cólon.
Fonte: Adaptado de Lomer, 2014
 
Aditivo Fonte dietética Mecanismo de ação
Salicilatos
Café, chá, maçãs verdes,
bananas, limão, nectarinas,
uvas, tomates, cenouras,
pepinos, ervilhas
Estimulam os mastócitos a produzir
metabólitos que levam a uma reação pró-
inflamatória e à contração do músculo liso.
Aminas
Cerveja, vinho, queijo, carnes
curadas, conserva de peixe
Indivíduos com baixa atividade da enzima
amino oxidase reduzem a eliminação de
histamina dietética, e o seu excesso leva à
contração muscular exagerada.
Glutamatos
Tomate, queijo, extrato de
levedura, caldos em cubos
Mecanismo ainda incerto.
Cafeína Café, chá, chocolate
Estimula o SNC e aumenta a secreção de
ácido gástrico e a atividade motora do cólon.
Fonte: Adaptado de Lomer, 2014
 
Deficiência enzimáticaDeficiência enzimática
O exemplo mais comum deste mecanismo é a intolerância à lactose, mas a frutose, os frutanos, os galactanos
e os polióis podem também ser responsáveis por intolerâncias alimentares. Esse grupo de carboidratos é
conhecido por FODMAP, um acrônimo para um conjunto de carboidratos osmóticos que podem ser de difícil
digestão para algumas pessoas (BARRET, 2017).
FODMAP
F = fermentável;O = oligossacarídeos (frutanos, galactooligosacarídeos);D = dissacarídeos (lactose);M =
monossacarídeos (frutose);A = e;P = polióis (sorbitol). 
O exemplo mais comum deste mecanismo é a intolerância à lactose, mas a frutose, os frutanos, os galactanos
e os polióis podem também ser responsáveis por intolerâncias alimentares. Esse grupo de carboidratos é
conhecido por FODMAP, um acrônimo para um conjunto de carboidratos osmóticos que podem ser de difícil
digestão para algumas pessoas (BARRET, 2017).
FODMAP
F = fermentável;O = oligossacarídeos (frutanos, galactooligosacarídeos);D = dissacarídeos (lactose);M =
monossacarídeos (frutose);A = e;P = polióis (sorbitol).
Deficiência de lactase
Deficiência de lactase
A lactase é uma enzima necessária para a
hidrólise da lactose em dois monossacarídeos
(glucose e galactose), que são mais facilmente
absorvidos no intestino. Na deficiência desta
enzima, a lactose não é completamente
hidrolisada, e as bactérias no cólon degradam-
na em água, dióxido de carbono e hidrogênio.
Esta fermentação leva ao aparecimento de
sintomas como dor abdominal, flatulência e
diarreia. A tolerância à lactose depende de
diversos fatores relacionados com a quantidade
ingerida, duração do trânsito intestinal,
presença de outros componentes na dieta,
consistência, temperatura e flora intestinal. Os
sintomas surgem apenas quando há déficit de
>50% de lactase. Sendo assim, algumas pessoas podem tolerar pequenas quantidades de lactose na dieta,
caso elas sejam ingeridas ao longo do dia e num total de 12-15g/dia.
A lactase é uma enzima necessária para a
hidrólise da lactose em dois monossacarídeos
(glucose e galactose), que são mais facilmente
absorvidos no intestino. Na deficiência desta
enzima, a lactose não é completamente
hidrolisada, e as bactérias no cólon degradam-
na em água, dióxido de carbono e hidrogênio.
Esta fermentação leva ao aparecimento de
sintomas como dor abdominal, flatulência e
diarreia. A tolerância à lactose depende de
diversos fatores relacionados com a quantidade
ingerida, duração do trânsito intestinal,
presença de outros componentes na dieta,
consistência, temperatura e flora intestinal. Os
sintomas surgem apenas quando há déficit de
>50% de lactase. Sendo assim, algumas pessoas podem tolerar pequenas quantidades de lactose na dieta,
caso elas sejam ingeridas ao longo do dia e num total de 12-15g/dia.
FODMAP
Os FODMAP atingem o trato gastrointestinal inferior por diferentes mecanismos, mas, geralmente, é atribuído
a eles um aumento dos sintomas gastrointestinais funcionais em indivíduos mais susceptíveis, como, por
exemplo, quando existe a presença da Síndrome do Intestino Irritável.
Frutose
A frutose, monossacarídeo presente na fruta e no mel, tem sido
amplamente utilizada na indústria alimentar. No entanto, sua capacidade
de absorção no intestino é limitada. A frutose e glicose são co-
transportadas pelo GLUT-2, presente na superfície apical da mucosa
intestinal. Por isso, alimentos com excesso de frutose em relação à
glicose podem levar à má absorção da primeira.
Frutanos
Os frutanos são carboidratos de cadeia curta formados por polímeros de
frutose. A sua absorção é inferior a 5% devido à ausência de enzimas que
quebrem as ligações glicosídicas entre as cadeias. Isto leva ao seu
acúmulo no intestino, com sua posterior fermentação por microrganismos
lá presentes. Uma variedade de cereais e vegetais podem conter
frutanos, mas eles podem também ser adicionados a alguns alimentos
devido à sua propriedade prebiótica.
Galactanos
Os galactanos também são carboidratos de cadeia curta, porém são
formados por polímeros de galactose com um terminal de glicose. Estes
alimentos não são hidrolisados no trato digestivo humano devido à
ausência de α-galactosidade, tornando-os disponíveis para a
fermentação pelos microrganismos presentes no cólon. Estão presentes
no leite, em legumes, leguminosas, grãos e frutos secos.
Polióis
Os polióis são álcoois com uma terminação de açúcar (sorbitol, manitol,
xilitol). Eles são absorvidos de forma passiva pelo intestino delgado, mas
a sua absorção depende do tamanho da molécula. Os polióis estão
naturalmente presentes na fruta (pêssegos, damascos, cerejas, maçãs,
peras) e vegetais (cogumelos, couve-flor). Estes alimentos estão
associados a um efeito laxante.
Exames diagnósticos
Para o diagnóstico clínico, é muito importante realizar uma anamnese muito detalhada, incluindo os hábitos
dietéticos e o estilo de vida. De acordo com os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, é necessário
realizar exames complementares para confirmar o diagnóstico. Dentre os exames possíveis de se realizar,
encontram-se as análises sanguíneas e fecais, endoscopia digestiva e colonoscopia.
 
Atualmente, existem poucos testes úteis disponíveis para identificar intolerâncias alimentares específicas, mas
podem ser recomendados os seguintes:
Exclusão alimentar
A utilização de dietas restritas em FODMAP tornou-se “padrão-ouro” no diagnóstico das intolerâncias
alimentares. Nestas dietas, são excluídos, inicialmente, os alimentos mais prováveis de desencadearem
sintomas durante um período entre quatro e seis semanas, e, assim que todos os sintomas tiverem
desaparecido, são feitos os desafios de reintrodução dos alimentos. Quando há indução dos sintomas com
determinado grupo, é necessário testar a tolerância a esses alimentos para avaliar a quantidade de comida
necessária para desencadear os sintomas.
Testes respiratórios
São úteis para avaliar a absorção dos carboidratos pelo trato digestório. Os carboidratos (lactose e frutose,
principalmente), quando mal absorvidos, são metabolizados pelos microrganismos, produzindo hidrogênio,
que atinge rapidamente a corrente sanguínea e, depois, é expirado pelos pulmões. O hidrogênio não é
produzido pelo organismo humano. Por isso, qualquer hidrogênio exalado é produto da fermentação dos
microrganismos existentes no trato gastrointestinal. Alguns microrganismos produzem metano como produto
das suas fermentações, que também é medido pelos testes respiratórios. Para a realização deste teste, é
necessário um preparo que inclua dieta pobre em carboidratos fermentáveis entre 24 e 48 horas antes da
realização do exame – jejum. Além disso, o paciente também não pode ter usado antibióticos, laxantes e
probióticos nos 14 dias anteriores.
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A Doutora Raquel Bicudo apresenta a relação da alimentação com as alergias na infância.
A Doutora Raquel Bicudo apresenta a relação da alimentação com as alergias na infância.
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Questão 1
As intolerâncias alimentares são exemplos de RAAs causadas por mecanismos não
imunológicos e ocorrem devido à forma como o corpo processa o alimento ou os
componentes dos alimentos. Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmativas abaixo e
assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
( ) As alergias alimentares são muito mais comuns do que as intolerâncias alimentares.
( ) A intolerância a alimentos está normalmente associada ao perfil metabólico dos pacientes,
como, por exemplo, a ausência ou ineficiência da enzima intestinal lactase.
( ) Recentemente, a frutose, os frutanos, os galactanos e os polióis podem também ser
responsáveis por intolerância alimentares. Esse grupo de carboidratos é conhecido por
FODMAP.
() Os exames laboratoriais, com base na mensuração de IgG para alimentos, devem ser
utilizados para fins de diagnóstico de intolerância alimentar.
A
V – F – V – F.
B
V – V – F – V.
C
F – F – V – V.
D
F – V – V – F.
A alternativa D está correta.
Comentário: as intolerâncias alimentares são muito mais comuns do que as alergias alimentares. Estima-se
que de 15 a 20% da população mundial seja afetada por alguma delas. As intolerâncias alimentares são
causadas por mecanismos não imunológicos. Os exames laboratoriais, com base na mensuração de
imunoglobulinas (Ig), não têm utilidade nesses casos.
Questão 2
O diagnóstico clínico da intolerância alimentar é muito importante, mas, às vezes, é necessário
a realização de exames complementares para confirmar o diagnóstico. Dentre as alternativas
abaixo, qual é considerada “padrão-ouro” para auxiliar o diagnóstico desse problema?
A
Dosagem sérica de IgE.
B
Exclusão alimentar.
C
Testes respiratórios.
D
Colonoscopia.
A alternativa B está correta.
Apesar de existem poucos testes úteis disponíveis para identificar intolerâncias alimentares específicas, a
exclusão alimentar de FODMAP é considerada “padrão-ouro”. Nessa dieta, excluem-se, inicialmente, os
alimentos mais prováveis de desencadearem sintomas durante um período de 4 a 6 semanas, e, assim que
todos os sintomas tiverem desaparecido, realizam-se os desafios de reintrodução dos alimentos.
4. A conduta nutricional do paciente em função da alergia ou intolerância
Planejamento nutricional
A exclusão do alimento suspeito é o princípio básico não só do diagnóstico, mas do tratamento da alergia e da
intolerância alimentar. Embora muitas intolerâncias alimentares permitam uma pequena ingestão do alimento
agressor, as alergias alimentares geralmente não permitem isso, ou seja, a abstenção total dos alimentos
inseguros é o único tratamento comprovado para a alergia alimentar. A imunoterapia para alérgenos
alimentares é um possível tratamento futuro destinado a complementar o ato de evitar alérgenos alimentares,
mas essas vacinas ainda são experimentais.
Atenção
A avaliação do estado nutricional é importante em qualquer condição, pois a implementação de uma
dieta de eliminação que tenha como objetivo identificar e excluir os antagonistas de alimentos pode ser
muita restritiva e causar deficiências nutricionais. A avaliação minuciosa do estado nutricional tem como
objetivo planejar e adequar a ingestão recomendada de nutrientes essenciais de acordo com os tipos de
alimentos permitidos. 
Conduta nutricional na alergia alimentar
A base do tratamento da alergia alimentar é essencialmente nutricional e está apoiada sobre dois grandes
pilares:
 
A exclusão dos alérgenos alimentares responsáveis pela reação alérgica com substituição apropriada;
A utilização de fórmulas ou de dietas hipoalergênicas caso o paciente seja um lactente que tenha
alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
O tratamento nutricional tem como objetivo
evitar o desencadeamento dos sintomas, a
progressão da doença e a piora das
manifestações alérgicas, sem provocar
distúrbios ou carências nutricionais. As crianças
precisam de mecanismos para crescer e se
desenvolver adequadamente.
 
O tempo de duração da dieta de exclusão tem como variáveis a idade do paciente ao iniciar o tratamento e
sua adesão ao tratamento, os mecanismos envolvidos, as manifestações apresentadas e o histórico familiar
para alergia.
• 
• 
Exemplo
Para a alergia ao leite de vaca, preconiza-se que a dieta de exclusão dure, no mínimo, de 6 a 12 meses.
Nos casos de outras alergias, embora haja recomendação de que a dieta de exclusão dure o menor
tempo possível, é importante avaliar se o tempo de duração será suficiente para avaliar a resposta
clínica. Por isso, não existe regra em relação ao tempo necessário de exclusão de um alimento suspeito. 
Depois que o paciente melhorar com a dieta de exclusão, recomenda-se realizar testes de desencadeamento
oral sob supervisão médica. Nesses testes, o médico introduz gradativamente os alimentos suspeitos para
avaliar se os sintomas reaparecem. Se não houver reaparecimento dos sintomas em até duas semanas, o
diagnóstico de alergia está excluído. No entanto, os testes de desencadeamento oral não devem ser
realizados se as manifestações clínicas anteriores forem graves ou se existir risco de morte.
Em lactentes alérgicos a leite, o aleitamento
materno exclusivo, até seis meses de vida,
deve ser priorizado, e a introdução da
alimentação complementar deve ocorrer
posteriormente a esta idade. Nesse caso, se
uma alergia alimentar isolada ou múltipla for
identificada, quem deve ser submetido à dieta
de exclusão é a mãe do bebê. No entanto, é
importante lembrar que a exclusão deve ser
acompanhada de orientação nutricional adequada para a mãe e para a criança, quando os alimentos
complementares forem introduzidos, para que não haja risco de surgirem deficiências nutricionais.
As fórmulas nutricionais utilizadas na APLV de lactentes alérgicos que não estão sendo amamentados por
qualquer motivo ou para aqueles em que o leite materno é insuficiente são (BRASIL, 2017):
 
Fórmulas infantis à base de proteína de soja (indicadas como primeira opção somente para crianças de
6 a 24 meses com APLV mediadas por IgE. Para crianças menores, essa fórmula não é indicada devido
a riscos de efeitos adversos);
Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas específicas à base de proteína extensamente
hidrolisada com ou sem lactose;
Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas específicas à base de aminoácidos livres.
 
A introdução da alimentação complementar em crianças com APLV deve seguir os mesmos princípios
preconizados para crianças sem alergia, ou seja, a partir do sexto mês de vida.
• 
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• 
Atenção
É importante frisar que não há necessidade de restrição de alimentos contendo proteínas
potencialmente alergênicas (ovo, peixe, carne bovina, de frango ou porco). Deve-se evitar apenas a
introdução simultânea de dois ou mais alimentos fontes de novas proteínas. Outro detalhe importante é
que a introdução dos alimentos complementares para a criança com alergia deve ser cautelosa, com
período de observação mínimo de uma semana após a introdução de cada alimento. É importante
também evitar restrições desnecessárias que podem comprometer o estado nutricional. 
O trabalho multiprofissional, com presença
fundamental do nutricionista, é primordial para
o sucesso do tratamento. A educação
nutricional da família é importante para garantir
o atendimento às recomendações,
principalmente por parte da mãe ou do
cuidador, assim como a conscientização da
criança, quando em idade que permita a
compreensão. É valioso o esclarecimento
completo a respeito dos alimentos recomendados e seus substitutos, das formas de apresentação
disponíveis, bem como dos alimentos que devem ser evitados. Além disso, deve ser realizada orientação
detalhada quanto à inspeção e à leitura minuciosa dos rótulos de alimentos consumidos que podem
apresentar alérgenos.
A Anvisa publicou no DOU n° 125 a Resolução – RDC n° 26, de 02 de julho de 2015, que dispõe sobre os
requisitos para rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares. A norma se
aplica aos alimentos, incluindo bebidas, ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia
embalados na ausência dos consumidores. Segundo a Anvisa, dezessete tipos de alimentos deverão trazer
informações de que contém: trigo, centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas, crustáceos, ovos,
peixes, amendoim, soja, leite de todas as espécies de animais mamíferos, amêndoa, avelãs, castanha de caju,
castanha-do-brasil ou castanha-do-pará, macadâmias, nozes, pecãs, pistaches e látex.
Atenção
Também é importante destacar que, nos casos em que não for possível garantir a ausência de
contaminação cruzada, o alimento deve conter no rótulo a seguinte declaração: “Alérgicos: pode conter
(nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”. Essa informaçãodever estar disposta
logo após ou abaixo da lista de ingredientes (ANVISA, 2015). 
Tratamentos emergentes e imunomodulação na alergia alimentar
O tratamento recomendado até o momento para as alergias alimentares é a restrição absoluta do alimento
responsável da dieta do paciente. Porém, devido à chance de reações graves poderem acometer os indivíduos
mais sensibilizados, alguns novos planos terapêuticos têm sido estudados para melhor controle das alergias
alimentares. No entanto, nenhum deles foi estabelecido como definitivo, até o momento, como é o caso da
imunoterapia e dos probióticos.
Imunoterapia oral (ITO) e a sublingual (ITSL)
A imunoterapia oral (ITO) e a sublingual (ITSL) para o tratamento de alergia alimentar e uma área de
investigação ativa: apesar da eficácia em certos casos, limitações emergentes devem ser
consideradas, como o alto índice de reações adversas, o tempo longo de tratamento e evidências da
perda rápida da proteção com a interrupção do tratamento ativo, demonstrado com o amendoim e
com o leite de vaca.
Probióticos e prebióticos
Probióticos e prebióticos: carecem de evidências, como produtos para prevenção ou tratamento de alergia
alimentar (EBISAWA & FUJISAWA, 2017). A administração de probióticos para prevenção ou tratamento de
doenças alérgicas tem resultados conflitantes. Uma microbiota intestinal alterada poderia predispor crianças à
alergia alimentar por modificar a sinalização de receptores e a integridade de células epiteliais intestinais. Os
benefícios dos probióticos provavelmente dependem das cepas utilizadas. Já em relação aos prebióticos, não
há evidências de que eles possam auxiliar no tratamento de doenças alérgicas, em particular na alergia
alimentar.
Prebióticos
São componentes alimentares não-digeríveis que contribuem beneficamente através de estímulo
seletivo a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon do hospedeiro.
Conduta nutricional na intolerância alimentar
Uma das dietas mais utilizadas atualmente é a dieta com baixa ingestão de FODMAP. Se, após a dieta de
eliminação, houver melhoria sintomática, é assumido que os alimentos desempenham um papel no quadro
clínico. É importante perceber e monitorizar quais os alimentos ou grupos alimentares que desencadeiam os
sintomas, evitando, assim, dietas demasiadamente restritivas.
 
Na estratégia da dieta com baixo teor de FODMAP, retiram-se todos os alimentos contidos numa grande lista,
conforme o quadro a seguir. O paciente é orientado a fazer a dieta por um período de quatro a seis semanas
e, depois, esses alimentos são introduzidos gradativamente por grupos e em baixa quantidade. Inicia-se pela
frutose, lactose, sorbitol e manitol. Depois, continua-se com fructanas e GOS (rafinose). Deve-se tentar
aumentar as quantidades de cada grupo até a tolerância máxima. Cerca de 75% dos pacientes com queixas de
sintomas gastrointestinais diminuem para quase metade sua sintomatologia.
 
Fontes alimentares de FODMAP e alternativas adequadas
Grupo de
alimentos Fontes de FODMAP Alternativas adequadas
Frutas
Maçãs, damascos, cerejas, amoras,
mangas, peras, nectarinas,
pêssegos, caquis, ameixas,
melancias
Banana, mirtilos, melão, toranjas,
uvas, limões, limas, tangerinas,
laranjas, maracujás, framboesas,
ruibarbos, morangos
Verduras
Alcachofras, aspargos, couve-flor,
alho, cogumelos, cebola, vagens,
cebolinha verde (parte branca)
Cenoura, pimentão, cebolinha,
pepino, berinjela, gengibre, ervilhas,
alface, azeitonas, nabos, pimentão,
batata, espinafre, tomate, abobrinha
Grupo de
alimentos Fontes de FODMAP Alternativas adequadas
Fontes de
proteína
Leguminosas (feijão, soja, ervilha,
tremoços), pistache, castanhas de
caju
Toda a carne fresca de boi, frango,
cordeiro, porco, vitela, macadâmia,
amendoim, nozes e pinhões, ovos,
tofu
Pães,
cereais e
farinhas
Trigo, centeio, cevada e cereais com
xarope de milho
Milho, aveia, quinoa, arroz, tapioca,
mandioca e produtos sem glúten
Laticínios
Leite de vaca, cabra ou ovelha,
sorvete, iogurte (mesmo
o desnatado), leite condensado,
queijo fresco e cremoso (ricota,
cottage, cream cheese)
Leite sem lactose, iogurte sem
lactose, leite de soja, leite de arroz ou
amêndoa, manteiga e queijos
curados, como cheddar, parmesão, 
brie ou camembert
Outros
Mel, sorbitol ou manitol, xarope de
milho rico em frutose, frutose
Xarope de bordo, açúcar comum
(sacarose), glicose
Adaptado de Barrett (2013)
A dieta restrita em FODMAP é mais bem implementada com a ajuda de um nutricionista experiente na área. Ela
deve seguir três fases, que são:
Fase 1
Análise inicial dos sintomas e a ingestão de FODMAP, seguida da orientação sobre a dieta com
restrições, que duram de quatro a seis semanas. O principal objetivo desta fase inicial é melhorar os
sintomas.
Fase 2
Análise da resposta do paciente à modificação dietética e a inclusão gradual de alimentos com
FODMAP. O objetivo desta fase é identificar os alimentos desencadeadores de sintomas específicos
em cada indivíduo.
Fase 3
Esta é a fase final ou fase de manutenção, com a análise da resposta do paciente à fase anterior e
interpretação dos resultados. O objetivo da fase de manutenção é que o paciente reintroduza o
máximo de alimentos ricos em FODMAP na dieta conforme tolerado. Todos os alimentos que sejam
bem tolerados devem ser reintroduzidos na dieta. Alimentos que são moderadamente tolerados
podem ser reintroduzidos ocasionalmente, enquanto alimentos mal tolerados devem continuar sendo
evitados.
Prevenção como oportunidade de intervenção nutricional
A influência da carga genética associada a fatores ambientais no desenvolvimento da alergia alimentar é
indiscutível. Todavia, a sua prevenção possui um impacto relevante na qualidade de vida dos indivíduos
acometidos por esse problema.
 
Em se tratando de alergia alimentar, o controle dos alérgenos pode ser instituído em três estágios, com o
objetivo de sua prevenção: o primário, o secundário e o terciário.
Primário
A prevenção primária busca diminuir a
possibilidade de sensibilização inicial e
desenvolvimento de sintomas em indivíduos em
risco, mas ainda não sensibilizados.
Secundário
A prevenção secundária é indicada para os
indivíduos já sensibilizados, a fim de suprimir a
expressão da doença após a sensibilização.
Terciário
A prevenção terciária tenta limitar os sintomas e
problemas adicionais em indivíduos que já
sofrem de alergia crônica.
O papel da prevenção primária da doença
alérgica tem sido muito discutido nas últimas
décadas. No entanto, são poucas as evidências
a respeito de intervenções que possam
minimizar o seu aparecimento. A única medida
que pode, de fato, diminuir esta chance é a
amamentação exclusiva com leite materno até
os seis meses de vida. O leite materno contém
uma série de compostos imunologicamente
ativos, como fator transformador de
crescimento beta, lactoferrina, lisozimas, ácidos
graxos de cadeia longa, antioxidantes e IgA
secretora, que atuam no desenvolvimento
imunológico, incluindo a tolerância oral,
ajudando a reforçar a barreira epitelial
intestinal.
 
A exclusão de alguns alimentos da dieta da mãe durante o aleitamento materno deve ser considerada apenas
se houver manifestação de sintomas pelo lactente em aleitamento natural. O adiamento na introdução do leite
de vaca e dos alimentos sólidos também não está relacionado à diminuição no risco de desenvolvimento de
alergias alimentares. Crianças que evitaram leite de vaca até o primeiro ano de vida, ovo até os dois anos e
amendoim até os três anos de idade não apresentaram menor índice de sensibilização a alimentos, em
comparação a crianças sem restrições.
Ainda são citados como fatores de risco e, portanto, sua exclusão deve ser vista como preventiva o efeito
nocivo da exposição à fumaça de cigarro, exposição a poluentes etc.
Exemplo
Tendo em vista que as intolerâncias alimentares estão normalmente associadas ao perfil metabólico dos
pacientes, como a ausência ou ineficiência de algumas enzimas digestivas, sua prevenção é maisdifícil.
No entanto, sabe-se que o estilo de vida do paciente é um dos fatores desencadeadores relevantes
nessa síndrome. A adoção de um estilo de vida mais saudável, portanto, pode implicar na redução de
sua incidência. 
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O vídeo apresenta os conhecimentos sobre FODMAP e a necessidade de criatividade no manejo de alimentos.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O papel da prevenção primária da doença alérgica tem sido muito discutido nas últimas
décadas, e são poucas as evidências a respeito de intervenções que possam minimizar o seu
aparecimento. Dentre as opções a seguir, indique a medida considerada mais efetiva para a
prevenção primária da alergia alimentar:
A
Exclusão de alérgenos na dieta materna durante a gestação.
B
Exclusão de alérgenos na dieta materna durante a lactação.
C
Amamentação exclusiva até o sexto mês de vida.
D
Amamentação exclusiva durante o primeiro ano de vida.
A alternativa C está correta.
O leite materno contém uma série de compostos imunologicamente ativos, como fator transformador de
crescimento beta, lactoferrina, lisozimas, ácidos graxos de cadeia longa, antioxidantes e IgA secretora, que
atuam no desenvolvimento imunológico, incluindo a tolerância oral, ajudando a reforçar a barreira epitelial
intestinal.
Questão 2
O tratamento da alergia alimentar começa a partir da exclusão de alimentos suspeitos. Depois
que o paciente melhorar com a dieta de exclusão, recomendam-se testes de
desencadeamento oral sob supervisão médica para avaliar se o alimento poderá ou não voltar
a fazer parte da dieta daquela pessoa. Porém, para que sejam evitadas deficiências
nutricionais, é desaconselhada a exclusão prolongada e/ou desnecessária de um alimento ou
de um grupo alimentar. Qual é o tempo recomendado para que um alimento suspeito seja
excluído?
A
Deve durar tempo suficiente para desaparecimento dos sintomas.
B
Deve durar até a idade adulta.
C
12 a 24 meses.
D
1 a 2 semanas.
A alternativa A está correta.
Embora haja recomendação de que a dieta de exclusão dure o menor tempo possível, é importante avaliar
se o tempo de duração será suficiente para avaliar a resposta clínica.
5. Conclusão
Considerações finais
As alergias alimentares continuam a ser uma grande preocupação devido à crescente prevalência mundial, ao
potencial de reações fatais e à ausência de tratamentos curativos. O diagnóstico deve ser baseado na história
clínica, em testes cutâneos e na concentração de IgE sérico específico. Por vezes, pode ser difícil chegar a um
diagnóstico devido à limitação dos testes diagnósticos disponíveis atualmente. O tratamento mais eficaz é a
eliminação do alérgenos da dieta. Vários estudos têm sido realizados para investigação das possíveis formas
de prevenção e de potenciais abordagens curativas, tais como a imunoterapia, mas ainda não existem estudos
consistentes que comprovem o seu benefício.
 
As intolerâncias alimentares estão associadas a sintomas gastrointestinais, mas apenas recentemente se
percebeu o mecanismo que desencadeia esses sintomas. A eliminação de um alimento e sua posterior
reintrodução na dieta continua a ser o melhor método de diagnóstico. A dieta com baixa quantidade de
FODMAP tem mostrado ser eficaz na melhoria sintomática destes pacientes. Dessa forma, as alterações
dietéticas são muito importantes no seu tratamento.
 
Nos dois casos de reação adversa ao alimento, o paciente, seja ele adulto, seja pediátrico, requer
acompanhamento multiprofissional, em que a presença do nutricionista é primordial. As manipulações
dietéticas restritivas precisam ser conduzidas com muita cautela, e as substituições precisam ser adequadas
para evitar o surgimento de deficiências nutricionais. É importante também que cada paciente seja
considerado individualmente com base em seu histórico e sua sintomatologia.
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Alergia alimentar é um tema muito extenso, por isso aprendê-lo de forma alegre facilita a compreensão,
em virtude da complexidade do assunto. Então, sugiro que você conheça o site Alegria Alimentar.
A dieta restrita em FODMAP é um assunto novo. Por isso, o nutricionista, na sua prática clínica, tem
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de prescrição desse plano alimentar. Pesquise alguns sites e artigos científicos que ajudem a
compreender o tema e a diversificar as opções alimentares.
Referências
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Consultado em meio eletrônico em: 23 jun. 2020.
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