Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Planejamento das atividades da escola
Planejamento das atividades da escola
O planejamento das atividades escolares é um processo fundamental para a efetivação de uma educação de qualidade. Por 
meio de um planejamento bem estruturado, a escola consegue organizar e otimizar seus recursos, definir metas claras e 
estabelecer estratégias para alcançá-las. Este material busca apresentar os principais conceitos, metodologias e práticas 
relacionados ao planejamento e à gestão escolar, fornecendo subsídios teóricos e práticos para profissionais da educação.
Ao longo do conteúdo, serão abordados temas como os fundamentos do planejamento da gestão escolar, a estrutura do 
sistema educacional brasileiro, os conceitos e dimensões da gestão educacional e escolar, a gestão da qualidade na educação, a 
importância do projeto político pedagógico e as diferentes práticas de gestão escolar. Também serão discutidos os desafios e 
tendências contemporâneas nessa área.
Sumário
Planejamento da Gestão Escolar: Fundamentos e Concepções1.
Metodologias de Planejamento na Gestão Escolar2.
Sistema Educacional Brasileiro: Estrutura e Organização3.
Base Legal do Sistema Educacional Brasileiro4.
Principais Políticas Educacionais Contemporâneas no Brasil5.
Gestão Educacional: Conceitos e Dimensões6.
Gestão Educacional e Regime de Colaboração7.
Gestão Escolar: Conceito e Evolução Histórica8.
Modelos e Abordagens da Gestão Escolar9.
Dimensões da Gestão Escolar10.
Princípios da Gestão da Qualidade11.
Ferramentas da Gestão da Qualidade Aplicadas à Educação12.
Gestão da Qualidade e Avaliação Educacional13.
Conceitos e Práticas da Gestão Escolar: Gestão Democrática14.
Gestão Escolar e Liderança Educacional15.
O Conceito: Gestão da Qualidade na Educação16.
Dimensões da Qualidade na Gestão Escolar17.
A Importância da Gestão Escolar na Efetivação da Qualidade de Ensino18.
Indicadores de Qualidade na Gestão Escolar19.
Projeto Político Pedagógico: Concepção e Fundamentos20.
Elaboração e Implementação do Projeto Político Pedagógico21.
O Projeto Político Pedagógico como Instrumento de Gestão Democrática22.
Projeto Político Pedagógico e Currículo23.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Participativa24.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Estratégica25.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão de Pessoas26.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Financeira e de Recursos27.
Desafios e Tendências Contemporâneas na Gestão Escolar28.
Referências Bibliográficas29.
Planejamento da Gestão Escolar: Fundamentos e 
Concepções
O planejamento constitui um elemento fundamental na gestão escolar, caracterizando-se como um processo sistemático e 
contínuo que orienta as ações educativas para o alcance de objetivos predeterminados. No contexto educacional brasileiro, o 
planejamento da gestão escolar assume características particulares, considerando as demandas e desafios específicos do 
sistema de ensino nacional.
Segundo Libâneo (2018), o planejamento educacional pode ser compreendido em diferentes níveis: o planejamento do sistema 
de educação, realizado em âmbito nacional, estadual e municipal; o planejamento escolar, desenvolvido no âmbito da 
instituição; e o planejamento didático, elaborado pelos professores para orientar suas práticas pedagógicas. Estes níveis se 
articulam e se complementam, garantindo coerência entre políticas educacionais e práticas escolares.
Planejamento Estratégico
Envolve a definição da missão, visão 
e valores institucionais, além do 
estabelecimento de objetivos de 
longo prazo. Considera análises do 
ambiente interno e externo da 
instituição, identificando forças, 
fraquezas, oportunidades e 
ameaças.
Planejamento Tático
Traduz os objetivos estratégicos em 
metas e planos de médio prazo, 
geralmente setoriais. Envolve 
coordenadores pedagógicos, 
orientadores educacionais e outros 
profissionais em posições 
intermediárias na estrutura 
organizacional.
Planejamento Operacional
Refere-se às ações cotidianas, 
contemplando aspectos como 
calendário escolar, distribuição de 
tarefas, procedimentos 
administrativos e planejamento 
didático das aulas.
Lück (2019) destaca que o planejamento da gestão escolar deve ser participativo, envolvendo toda a comunidade escolar na 
definição dos rumos da instituição. Esta participação não apenas legitima as decisões tomadas, mas também promove o 
sentimento de pertencimento e corresponsabilidade pelos resultados educacionais. Além disso, o planejamento deve ser 
flexível, permitindo ajustes e adaptações em função de novas demandas ou desafios que surjam ao longo do processo.
É importante ressaltar que o planejamento da gestão escolar, embora muitas vezes associado a aspectos burocráticos e 
administrativos, possui finalidade essencialmente pedagógica. Como afirma Paro (2020), a administração escolar só se justifica 
quando contribui para o alcance dos objetivos educacionais, que envolvem a formação integral dos estudantes e o 
desenvolvimento de suas potencialidades.
Metodologias de Planejamento na Gestão 
Escolar
A implementação efetiva do planejamento na gestão escolar requer a adoção de metodologias específicas que possam 
orientar as etapas do processo e garantir sua execução sistemática. Diversas abordagens metodológicas podem ser aplicadas 
ao contexto educacional, adaptando-se às necessidades e características de cada instituição.
Diagnóstico
Análise da realidade escolar, identificando pontos fortes, fragilidades, oportunidades e desafios. Utiliza 
instrumentos como avaliações institucionais, análise documental e consultas à comunidade escolar.
Definição de objetivos e metas
Estabelecimento de finalidades claras e mensuráveis, alinhadas à missão institucional e às demandas 
identificadas no diagnóstico.
Elaboração de estratégias e ações
Definição dos caminhos e atividades para alcançar os objetivos propostos, considerando recursos disponíveis e 
potenciais parcerias.
Execução e monitoramento
Implementação das ações planejadas e acompanhamento contínuo, com registros sistemáticos dos processos e 
resultados.
Avaliação e replanejamento
Análise dos resultados obtidos em relação aos objetivos propostos, identificação de ajustes necessários e 
redefinição de estratégias.
Entre as metodologias frequentemente adaptadas para o planejamento escolar, destaca-se o Ciclo PDCA (Plan, Do, Check, 
Act), que possibilita a gestão da qualidade através de um processo cíclico de melhoria contínua. Conforme Dourado (2019), 
esta metodologia tem sido aplicada com sucesso em instituições educacionais, promovendo uma cultura de avaliação e 
aprimoramento constante.
Outra abordagem relevante é o Balanced Scorecard (BSC), adaptado ao contexto educacional. Segundo Oliveira e Silva (2021), 
o BSC educacional permite o alinhamento entre indicadores de desempenho e objetivos estratégicos da escola, contemplando 
diferentes perspectivas: aprendizagem dos estudantes, processos pedagógicos, desenvolvimento profissional e gestão de 
recursos.
Vasconcellos (2020) destaca ainda a importância da metodologia participativa no planejamento escolar, enfatizando o diálogo 
e a construção coletiva. Esta abordagem, fundamentada nos pressupostos da gestão democrática, valoriza os saberes e 
experiências da comunidade escolar, reconhecendo que o planejamento não é uma atividade técnica neutra, mas um processo 
político-pedagógico que reflete concepções de educação e sociedade.
Sistema Educacional Brasileiro: Estrutura e 
Organização
O Sistema Educacional Brasileiro constitui uma estrutura complexa, organizada em diferentes níveis e modalidades de ensino, 
com competências distribuídas entre os entes federativos. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/1996) estabelecem os princípios e normas gerais que orientam a educação no país.
De acordo com Saviani (2019), o sistema educacional brasileiro caracteriza-se por sua organização federativa, com 
responsabilidadese desafios; escuta das expectativas e necessidades dos diversos atores.
Definição de Concepções, Objetivos e Metas
Explicitação das concepções sobre educação, conhecimento, ensino, aprendizagem, avaliação e gestão que 
fundamentarão as práticas institucionais; estabelecimento de objetivos estratégicos e metas específicas, 
mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais.
Planejamento de Ações e Estratégias
Definição de ações, procedimentos, responsabilidades, prazos e recursos necessários para a consecução dos 
objetivos e metas estabelecidos; organização curricular; propostas metodológicas; estratégias avaliativas; 
projetos específicos; formação continuada; gestão administrativa e financeira.
5
Sistematização e Validação do Documento
Redação do documento final, articulando de forma coerente os diversos componentes do projeto; 
apresentação, discussão e validação do documento pela comunidade escolar; aprovação pelo Conselho Escolar 
e encaminhamento aos órgãos competentes do sistema de ensino.
A implementação do PPP, conforme destacam Silva e Fernandes (2020), representa o maior desafio do processo, pois implica 
na transposição do projeto do plano das intenções para o plano das ações concretas. Os autores identificam três fatores 
críticos para o sucesso nesta etapa: a) apropriação do projeto pela comunidade escolar, que deve reconhecê-lo como 
expressão de suas aspirações e não como imposição externa; b) liderança efetiva da equipe gestora, capaz de mobilizar e 
articular os diversos atores em torno dos objetivos comuns; e c) monitoramento e avaliação contínua da implementação, 
permitindo ajustes e correções de percurso.
Libâneo (2021) ressalta que o PPP não deve ser concebido como um documento estático, mas como instrumento dinâmico e 
flexível, sujeito a revisões e atualizações periódicas. O autor propõe a institucionalização de tempos e espaços específicos para 
avaliação sistemática do projeto, envolvendo a análise tanto dos processos quanto dos resultados obtidos. Esta avaliação 
permite identificar aspectos bem-sucedidos que devem ser mantidos ou ampliados, assim como fragilidades que demandam 
reorientação, alimentando ciclos contínuos de aprimoramento do projeto institucional.
Um aspecto fundamental da implementação do PPP, como argumenta Ganzeli (2020), é a sua articulação com outros 
instrumentos de planejamento e gestão da escola, como o regimento escolar, os planos de ensino, o plano de gestão e o 
planejamento financeiro. Esta articulação garante coerência entre os diversos níveis de planejamento, evitando contradições e 
paralelismos que comprometem a efetividade das ações institucionais. O autor defende ainda a incorporação do PPP ao 
cotidiano da escola, de modo que ele se torne referência efetiva para as decisões e práticas de todos os atores educacionais.
O Projeto Político Pedagógico como Instrumento 
de Gestão Democrática
O Projeto Político Pedagógico (PPP) constitui um instrumento privilegiado para a efetivação da gestão democrática nas 
instituições escolares, materializando os princípios de participação, autonomia, transparência e construção coletiva. A relação 
entre PPP e gestão democrática não é meramente instrumental, mas se configura como condição recíproca: o projeto viabiliza 
a gestão participativa, e esta, por sua vez, é requisito indispensável para um projeto autêntico e transformador.
De acordo com Paro (2019), o caráter democrático do PPP manifesta-se em três dimensões fundamentais: na forma de sua 
elaboração, que deve garantir participação efetiva dos diversos segmentos da comunidade escolar; no conteúdo de suas 
proposições, que devem expressar valores democráticos e compromisso com a formação cidadã; e em sua implementação, que 
deve ser orientada por processos participativos de tomada de decisão, acompanhamento e avaliação.
O PPP como Processo de Exercício 
Democrático
A construção coletiva do PPP configura-se como 
experiência concreta de participação e cidadania, 
permitindo que os diversos atores da comunidade escolar 
exercitem capacidades fundamentais para a vida 
democrática, como: expressar opiniões e argumentar; ouvir 
e respeitar perspectivas divergentes; negociar e construir 
consensos; assumir responsabilidades compartilhadas; e 
avaliar criticamente processos e resultados.
Esta dimensão formativa do processo de elaboração do PPP 
é destacada por Gadotti (2020), para quem a participação na 
construção do projeto institucional constitui aprendizado 
político significativo, especialmente relevante em contextos 
marcados historicamente por práticas autoritárias e 
excludentes. O autor ressalta que "a própria participação 
educa e forma para a cidadania", contribuindo para a 
superação da passividade e do conformismo.
O PPP como Instrumento de Democratização 
das Relações Escolares
Enquanto documento que explicita concepções, valores, 
objetivos e estratégias compartilhadas, o PPP estabelece 
referenciais comuns que orientam as práticas institucionais 
e as relações entre os diversos atores. Esta função 
norteadora contribui para a superação de práticas 
arbitrárias, personalistas ou improvisadas, favorecendo 
relações mais horizontais, transparentes e baseadas em 
princípios coletivamente acordados.
Lima (2020) argumenta que o PPP, quando construído 
democraticamente, atua como "contrato social" da 
comunidade escolar, estabelecendo direitos, deveres e 
responsabilidades recíprocas. Este pacto coletivo 
fundamenta processos decisórios mais legítimos e 
consistentes, pois as deliberações passam a basear-se em 
referenciais explícitos e conhecidos por todos, e não em 
critérios implícitos ou casuísticos.
Outra contribuição significativa do PPP para a gestão democrática, conforme destaca Veiga (2019), refere-se à sua função 
como instrumento de autonomia escolar. Ao sistematizar um projeto educativo próprio, fundamentado tanto nas diretrizes 
nacionais quanto nas especificidades locais, a escola afirma sua identidade e sua capacidade de autodeterminação relativa. 
Esta autonomia institucional, construída coletivamente, contrapõe-se tanto à uniformização burocrática quanto ao 
voluntarismo individualista, configurando o que a autora denomina "autonomia construída", em oposição à "autonomia 
decretada".
Importante ressaltar, como alerta Souza (2018), que a relação entre PPP e gestão democrática não se estabelece 
automaticamente, podendo ser comprometida por fatores como: processos participativos meramente formais ou ritualizados; 
apropriação do discurso democrático para legitimação de práticas autoritárias; elaboração de documentos desvinculados da 
realidade e das possibilidades concretas da instituição; ou descontinuidade entre a fase de elaboração (participativa) e a fase 
de implementação (centralizada). Estas contradições evidenciam a necessidade de vigilância crítica permanente, para que o 
PPP se configure efetivamente como instrumento de democratização da gestão escolar.
A consolidação do PPP como instrumento de gestão democrática, segundo Oliveira (2021), requer ainda condições objetivas 
que viabilizem tanto sua elaboração quanto sua implementação participativas. Entre estas condições, o autor destaca: tempos 
e espaços institucionalizados para discussões coletivas; formação adequada dos diversos atores para participação qualificada; 
acesso a informações relevantes sobre a realidade escolar; e apoio técnico-pedagógico dos órgãos do sistema de ensino, 
respeitando a autonomia da instituição.
Projeto Político Pedagógico e Currículo
O Projeto Político Pedagógico (PPP) e o currículo escolar mantêm uma relação de interdependência e complementaridade, 
constituindo elementos estruturantes da proposta educativa da instituição. Enquanto o PPP define a identidade, os 
fundamentos e os rumos da escola, o currículo materializa estas definições em termos de conhecimentos, experiências e 
práticas formativas, estabelecendo o que, como, quando e para queensinar e avaliar.
Segundo Sacristán (2020), o currículo pode ser compreendido como "a expressão da função socializadora e cultural da escola", 
representando a seleção de conteúdos culturais e a organização de experiências formativas consideradas relevantes em 
determinado contexto histórico e social. Nesta perspectiva, o currículo nunca é neutro, mas carrega em si visões de mundo, 
valores e intencionalidades, que devem estar explicitadas e fundamentadas no PPP da instituição.
Currículo como 
Concretização do PPP
Traduz as concepções e valores 
do PPP em seleção e 
organização de conhecimentos 
e experiências formativas
Materializa os objetivos 
educacionais em situações de 
ensino-aprendizagem
Transforma princípios abstratos 
em práticas pedagógicas 
concretas
Especifica como as finalidades 
educativas serão 
operacionalizadas no cotidiano 
escolar
PPP como 
Contextualizador do 
Currículo
Estabelece os fundamentos 
filosóficos, epistemológicos e 
pedagógicos que orientam as 
escolhas curriculares
Define os objetivos 
institucionais que o currículo 
deve contribuir para alcançar
Explicita o projeto de sociedade 
e de ser humano que 
fundamenta o currículo
Articula o currículo com outras 
dimensões da vida escolar 
(gestão, avaliação, relações 
comunitárias)
Articulação PPP-Currículo
Ambos devem ser construídos 
coletivamente, garantindo 
coerência e complementaridade
O PPP oferece diretrizes para 
seleção, organização e avaliação 
curricular
O currículo concretiza as 
intencionalidades educativas 
expressas no PPP
Juntos, configuram a identidade 
pedagógica da instituição
A construção curricular, como elemento integrante do PPP, deve considerar tanto as diretrizes nacionais (BNCC, diretrizes 
curriculares) quanto as especificidades locais e institucionais. Como ressalta Moreira (2021), esta tensão entre o universal e o 
particular constitui desafio central da elaboração curricular: garantir o direito de todos os estudantes ao conhecimento 
socialmente produzido e validado, ao mesmo tempo em que se respeitam contextos culturais específicos e necessidades 
diferenciadas de aprendizagem.
Arroyo (2019) destaca a importância de um currículo que reflita a diversidade sociocultural dos estudantes, superando 
abordagens homogeneizantes e excludentes. O autor propõe que o PPP contemple explicitamente esta questão, definindo 
princípios e estratégias para um currículo inclusivo, que reconheça e valorize os diversos saberes, culturas e identidades 
presentes na comunidade escolar. Esta orientação alinha-se com a concepção de escola democrática, que deve garantir acesso, 
permanência e aprendizagem significativa para todos os estudantes, independentemente de sua origem social, étnico-racial, 
territorial ou de suas condições físicas e intelectuais.
Um aspecto fundamental da relação entre PPP e currículo, segundo Veiga e Silva (2020), refere-se à avaliação curricular como 
elemento constitutivo do projeto institucional. Os autores argumentam que o PPP deve estabelecer princípios, critérios e 
procedimentos para avaliação contínua do currículo, considerando tanto sua implementação (o currículo em ação) quanto seus 
resultados (as aprendizagens desenvolvidas). Esta avaliação sistemática possibilita ajustes e reorientações que assegurem a 
pertinência e efetividade da proposta curricular em relação aos objetivos educacionais estabelecidos no projeto institucional.
A articulação consistente entre PPP e currículo, conforme destacam Candau e Leite (2021), requer processos formativos que 
capacitem os profissionais da educação para refletir criticamente sobre questões curriculares e para traduzir os fundamentos 
do projeto institucional em práticas pedagógicas coerentes. Os autores ressaltam a importância da formação continuada 
centrada na escola, articulada ao PPP e voltada para o desenvolvimento profissional docente em sua dimensão curricular, 
como estratégia para superar a fragmentação entre projeto institucional e práticas cotidianas de ensino.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Participativa
A gestão participativa constitui uma abordagem fundamental nas práticas contemporâneas de gestão escolar, caracterizando-
se pelo envolvimento efetivo dos diversos segmentos da comunidade escolar nos processos decisórios e nas ações 
institucionais. Esta abordagem supera concepções tradicionalmente centralizadoras e hierarquizadas de administração 
educacional, promovendo relações mais horizontais e colaborativas, fundamentadas nos princípios da democracia e da 
corresponsabilidade.
Segundo Barroso (2021), a gestão participativa pode ser compreendida como um conjunto de princípios e práticas que 
favorecem a participação coordenada de diferentes atores na definição de objetivos, na formulação de estratégias, na 
implementação de ações e na avaliação dos resultados institucionais. Esta participação não se restringe a consultas 
esporádicas ou a eventos pontuais, mas configura-se como processo contínuo e sistemático, incorporado à cultura 
organizacional da escola.
Informação
Acesso amplo às informações relevantes sobre a instituição.
Consulta
Escuta sistemática de opiniões e sugestões dos diversos atores.
Debate
Discussão coletiva de questões e alternativas para a instituição.
4
Deliberação
Tomada de decisões compartilhada sobre questões relevantes.
Corresponsabilidade
Compromisso coletivo com a implementação e avaliação 
das ações.
A implementação da gestão participativa, como destaca Lück (2020), envolve tanto aspectos formais quanto culturais. No 
plano formal, requer a criação e fortalecimento de espaços e mecanismos institucionalizados de participação, como conselhos 
escolares, grêmios estudantis, associações de pais e mestres, assembleias, comissões paritárias e grupos de trabalho. No plano 
cultural, demanda o desenvolvimento de atitudes e competências favoráveis à participação, como respeito à diversidade de 
opiniões, capacidade de diálogo, disposição para construção de consensos e compromisso com o bem comum.
Gadotti e Romão (2019) identificam diversos benefícios da gestão participativa para as instituições escolares: maior 
legitimidade das decisões, baseadas em processos democráticos; aproveitamento da inteligência coletiva, incorporando 
múltiplas perspectivas e saberes; fortalecimento do sentimento de pertencimento e identificação com a instituição; maior 
comprometimento com a implementação das decisões; transparência na gestão, reduzindo espaços para práticas arbitrárias 
ou corporativistas; e aprendizado político e cidadão para todos os envolvidos.
No entanto, os autores alertam para desafios significativos na concretização da gestão participativa, entre os quais: 
resistências culturais, decorrentes de tradições autoritárias e centralizadoras; desigualdades de poder e conhecimento entre 
os diversos segmentos, que podem comprometer a equidade participativa; limitações de tempo e disponibilidade dos atores, 
especialmente familiares e estudantes; burocratização dos espaços participativos, que podem tornar-se meramente formais 
ou ritualizados; e utilização da participação como estratégia de legitimação de decisões previamente tomadas.
Um aspecto fundamental para o sucesso da gestão participativa, segundo Paro (2018), é o investimento na formação para a 
participação, capacitando os diversos atores para intervir de forma qualificada nos processos decisórios. Esta formação deve 
contemplar aspectos como: conhecimento sobre o funcionamento do sistema educacional e da instituição escolar; 
compreensão de questões pedagógicas, administrativas e financeiras; desenvolvimento de habilidades comunicativas e 
relacionais; e aprendizado de metodologias participativas para diagnóstico, planejamento e avaliação institucional.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Estratégica
A gestão estratégica configura-se como uma abordagem estruturada e sistemática para o planejamento, implementação e 
avaliação dasações institucionais, visando à consecução de objetivos de médio e longo prazo e à antecipação e resposta a 
mudanças no ambiente externo e interno da organização. No contexto educacional, esta abordagem tem sido crescentemente 
incorporada às práticas gestoras, buscando-se equilíbrio entre a racionalidade estratégica e os valores e especificidades 
próprios das instituições escolares.
Segundo Miranda e Machado (2020), a gestão estratégica escolar pode ser compreendida como um processo contínuo e 
sistemático de análise, planejamento, implementação, monitoramento e avaliação, voltado para a consecução da missão 
institucional e para a melhoria contínua dos processos e resultados educacionais. Esta abordagem caracteriza-se pela visão de 
futuro, pelo foco em resultados, pela orientação para inovação e pela capacidade de adaptação a contextos complexos e 
dinâmicos.
Etapas do Processo
Análise estratégica: 15% tempo, 20% impacto nos 
resultados
Formulação estratégica: 25% tempo, 25% impacto nos 
resultados
Implementação: 40% tempo, 35% impacto nos resultados
Monitoramento e avaliação: 20% tempo, 20% impacto nos 
resultados
Análise estratégica Formulação estratégica
Implementação Monitoramento e
avaliação
A gestão estratégica escolar desenvolve-se em quatro etapas principais, conforme sistematização proposta por Oliveira e 
Santos (2021):
Análise Estratégica
Compreende o diagnóstico da realidade institucional e de seu contexto, identificando pontos fortes e 
fragilidades internas, bem como oportunidades e ameaças externas (Análise SWOT). Esta etapa inclui 
também a revisão ou definição da identidade institucional: missão (razão de ser), visão (situação futura 
desejada) e valores (princípios orientadores). A análise estratégica fundamenta-se em dados concretos 
sobre a realidade escolar, obtidos por meio de avaliações institucionais, indicadores educacionais e escuta 
da comunidade.
Formulação Estratégica
Envolve a definição de objetivos estratégicos (resultados amplos a serem alcançados no 
médio e longo prazo), metas específicas (resultados mensuráveis em prazos 
determinados) e estratégias (caminhos escolhidos para consecução dos objetivos). Nesta 
etapa, são priorizadas áreas de intervenção, considerando tanto sua relevância quanto a 
capacidade institucional para promover mudanças significativas. A formulação estratégica 
materializa-se no planejamento estratégico da escola, que deve articular-se com seu 
Projeto Político-Pedagógico.
Implementação Estratégica
Refere-se à execução das estratégias definidas, por meio de planos de 
ação detalhados que especificam atividades, responsáveis, prazos, 
recursos e resultados esperados. Esta etapa requer comunicação eficaz 
dos objetivos e estratégias a todos os envolvidos, mobilização e 
alinhamento da comunidade escolar, alocação adequada de recursos e 
desenvolvimento das competências necessárias para a execução das ações 
planejadas. A implementação estratégica constitui o momento crítico do 
processo, pois é quando o planejamento se converte em práticas 
concretas.
Monitoramento e Avaliação
Compreende o acompanhamento sistemático da 
implementação e a análise dos resultados obtidos em 
relação aos objetivos e metas estabelecidos. Esta etapa 
utiliza indicadores previamente definidos, que permitem 
mensurar o progresso e identificar necessidades de 
ajustes ou correções de rumo. O monitoramento e a 
avaliação alimentam novos ciclos de planejamento 
estratégico, em um processo contínuo de aprendizagem 
organizacional e melhoria da gestão.
Importante ressaltar, como argumentam Costa e Lima (2019), que a gestão estratégica escolar deve adaptar-se às 
especificidades das instituições educacionais, evitando transposições mecânicas de modelos empresariais. Os autores 
destacam que, no contexto escolar, a gestão estratégica deve: a) subordinar-se aos valores e finalidades educacionais, 
definidos coletivamente no PPP; b) articular-se com os princípios da gestão democrática, garantindo participação efetiva da 
comunidade em todas as etapas do processo; c) considerar a complexidade e multidimensionalidade dos processos educativos, 
que não se reduzem a relações lineares de causa-efeito; e d) equilibrar a busca por eficiência e resultados com o compromisso 
com a formação integral e cidadã dos estudantes.
A implementação da gestão estratégica nas escolas, segundo Sousa e Fonseca (2020), enfrenta desafios significativos, entre os 
quais: a cultura de improvisação e imediatismo, que dificulta planejamentos de longo prazo; as limitações de autonomia das 
escolas, especialmente em sistemas centralizados; a rotatividade de equipes e descontinuidade administrativa; e a 
complexidade da avaliação de resultados educacionais, que envolvem aspectos tanto quantitativos quanto qualitativos. 
Superar estes desafios requer formação específica das equipes gestoras, apoio técnico das secretarias de educação e 
construção de uma cultura institucional orientada para planejamento e avaliação sistemáticos.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão de Pessoas
A gestão de pessoas constitui uma dimensão fundamental das práticas de gestão escolar, tendo como foco o desenvolvimento 
profissional, a valorização e o bem-estar dos diversos atores que compõem a comunidade educativa. Considerando que a 
qualidade da educação depende essencialmente das pessoas que a realizam, uma gestão eficaz nesta área torna-se 
determinante para o sucesso institucional.
De acordo com Souza e Ribeiro (2021), a gestão de pessoas no contexto escolar pode ser compreendida como um conjunto de 
políticas, práticas e estratégias voltadas para a mobilização e desenvolvimento das potencialidades humanas na instituição, 
visando tanto à realização profissional e pessoal dos colaboradores quanto à consecução dos objetivos educacionais. Esta 
concepção supera abordagens meramente administrativas, centradas em aspectos burocráticos da gestão de pessoal, para 
enfatizar a dimensão humana e relacional do trabalho educativo.
Seleção e Alocação de Pessoal
Embora em muitos sistemas públicos os processos seletivos 
sejam centralizados, o gestor escolar pode influenciar 
significativamente na alocação interna dos profissionais, 
considerando suas competências, experiências e afinidades. 
Uma distribuição adequada de funções e responsabilidades, 
que considere tanto as necessidades institucionais quanto 
os perfis profissionais, contribui para melhor 
aproveitamento das potencialidades da equipe.
Moreira (2020) destaca a importância de processos 
transparentes e criteriosos para atribuição de turmas, 
disciplinas e funções, evitando práticas clientelistas ou 
discricionárias. O autor ressalta que estes processos devem 
orientar-se por critérios pedagógicos explícitos, discutidos e 
acordados coletivamente, assegurando legitimidade às 
decisões e reconhecimento do mérito e da experiência 
profissional.
Formação Continuada e Desenvolvimento 
Profissional
Uma gestão eficaz de pessoas prioriza a formação 
continuada como estratégia para qualificação das práticas 
profissionais e para promoção de uma cultura de 
aprendizagem permanente. Esta formação deve articular-se 
às necessidades específicas da instituição, identificadas por 
meio de diagnósticos sistemáticos, e às demandas de 
desenvolvimento individual dos profissionais.
Segundo Gatti (2019), a formação continuada centrada na 
escola, articulada ao projeto político-pedagógico e às 
práticas cotidianas, apresenta maior potencial 
transformador que modelos formativos 
descontextualizados. A autora destaca estratégias como 
grupos de estudo, comunidades de prática, mentoria, 
observação entre pares e pesquisa-ação como alternativas 
promissoras para o desenvolvimento profissional docente.
Avaliação de Desempenho e Feedback
A avaliação de desempenho constitui ferramenta 
importante para diagnóstico de necessidades formativas, 
reconhecimento de boas práticas e reorientaçãode ações 
que não estejam alinhadas aos objetivos institucionais. Para 
ser eficaz, esta avaliação deve fundamentar-se em critérios 
claros, previamente acordados, e orientar-se para o 
desenvolvimento profissional, não para punição ou 
classificação.
Lück (2021) ressalta a importância do feedback contínuo e 
construtivo como estratégia de gestão de pessoas. A autora 
argumenta que o feedback, quando oferecido de forma 
adequada - específico, oportuno, equilibrado entre aspectos 
positivos e pontos a desenvolver, e orientado para ações 
futuras - constitui poderoso instrumento para 
aprimoramento das práticas profissionais e fortalecimento 
das relações de confiança na equipe.
Clima Organizacional e Bem-estar
A gestão do clima organizacional envolve atenção 
sistemática às relações interpessoais, ao ambiente de 
trabalho e aos fatores que afetam a motivação e o bem-
estar da equipe. Um clima positivo caracteriza-se por 
relações de confiança e respeito mútuo, comunicação eficaz, 
reconhecimento das contribuições individuais e coletivas, e 
equilíbrio entre exigência profissional e suporte adequado.
Oliveira (2020) destaca que o bem-estar docente 
representa fator crítico para a qualidade educacional, 
considerando os altos índices de adoecimento e 
esgotamento profissional na categoria. O autor enfatiza a 
responsabilidade da gestão escolar na promoção de 
condições de trabalho saudáveis, que incluem aspectos 
físicos, organizacionais e relacionais, além de estratégias 
específicas para prevenção e enfrentamento do estresse 
ocupacional.
Um aspecto crucial da gestão de pessoas no contexto escolar, como ressaltam Torres e Lima (2019), é o equilíbrio entre gestão 
individual e coletiva. Os autores argumentam que o gestor eficaz reconhece e valoriza as especificidades e contribuições de 
cada profissional, ao mesmo tempo em que promove identidade institucional e trabalho colaborativo. Esta abordagem 
equilibrada evita tanto o individualismo exacerbado quanto a homogeneização que desconsidera a diversidade de perfis e 
competências presentes na equipe.
Importante destacar, como aponta Freitas (2021), que a gestão de pessoas nas escolas deve orientar-se pelos princípios da 
gestão democrática, garantindo processos participativos nas decisões que afetam a vida funcional e as condições de trabalho 
dos profissionais. O autor ressalta que a participação não apenas legitima estas decisões, mas também contribui para o 
desenvolvimento de sentido de pertencimento e corresponsabilidade, fatores determinantes para o engajamento profissional 
e para a construção de um projeto educativo coletivo e consistente.
Práticas de Gestão Escolar: Gestão Financeira e 
de Recursos
A gestão financeira e de recursos constitui uma dimensão técnico-administrativa essencial das práticas de gestão escolar, 
responsável pelo planejamento, execução e prestação de contas dos recursos materiais e financeiros da instituição. Esta 
dimensão, embora frequentemente associada a aspectos burocráticos, desempenha papel estratégico para viabilização do 
projeto pedagógico da escola, garantindo as condições materiais necessárias para os processos educativos.
De acordo com Carvalho (2019), a gestão financeira escolar pode ser compreendida como o conjunto de ações voltadas para a 
captação, aplicação e controle dos recursos financeiros disponíveis, de modo a garantir sua utilização eficiente, eficaz e 
transparente, em consonância com os objetivos educacionais da instituição. Nas escolas públicas brasileiras, esta gestão 
envolve principalmente recursos provenientes de repasses governamentais, como o Programa Dinheiro Direto na Escola 
(PDDE), além de eventuais contribuições voluntárias e parcerias.
Fonte de Recursos Características Desafios na Gestão
Repasses Governamentais (PDDE e 
similares)
Recursos transferidos diretamente 
às escolas, com destinação específica 
definida em normativas. 
Periodicamente, exigem prestação 
de contas detalhada.
Rigidez nas regras de utilização; 
atrasos nos repasses; valores 
insuficientes para necessidades 
reais; complexidade dos 
procedimentos de prestação de 
contas.
Recursos de Associações de Pais e 
Mestres (APM)
Provenientes de contribuições 
voluntárias, eventos e parcerias. 
Geralmente têm maior flexibilidade 
de aplicação, conforme deliberação 
dos órgãos da APM.
Incerteza quanto aos valores 
arrecadados; riscos de elitização da 
escola; possíveis conflitos sobre 
prioridades de aplicação; 
necessidade de transparência na 
gestão.
Parcerias e Projetos Recursos obtidos por meio de 
editais, programas específicos ou 
parcerias com organizações públicas 
ou privadas, geralmente destinados a 
projetos determinados.
Descontinuidade dos projetos; risco 
de subordinação da agenda escolar a 
interesses externos; sobrecarga 
administrativa na gestão de 
múltiplos projetos.
A gestão financeira eficaz, segundo Costa e Mello (2020), fundamenta-se em quatro princípios essenciais: planejamento, 
transparência, participação e controle. O planejamento envolve a previsão de receitas e despesas, considerando as 
necessidades da instituição e as prioridades definidas coletivamente. A transparência refere-se à publicização de informações 
sobre recursos disponíveis, aplicações realizadas e resultados obtidos. A participação implica o envolvimento da comunidade 
escolar nas decisões sobre alocação de recursos. O controle compreende o monitoramento da execução financeira e a 
prestação de contas sistemática, tanto às instâncias oficiais quanto à comunidade escolar.
Planejamento Financeiro
Elaboração de plano de aplicação dos recursos, 
considerando tanto despesas de manutenção quanto 
investimentos em projetos pedagógicos. Este 
planejamento deve fundamentar-se no Projeto 
Político-Pedagógico, garantindo que a alocação de 
recursos reflita as prioridades educacionais da 
instituição. Oliveira (2020) ressalta a importância do 
planejamento participativo, que incorpore 
contribuições dos diversos segmentos da comunidade 
escolar, legitimando as decisões e promovendo 
corresponsabilidade na gestão dos recursos.
Execução Financeira
Realização das despesas conforme o planejamento, 
observando procedimentos legais e administrativos 
específicos. Em instituições públicas, esta execução 
envolve processos como cotação de preços, licitação 
(quando aplicável), emissão de notas fiscais, controle 
de entregas e pagamentos. Silva (2019) destaca que a 
execução financeira requer conhecimentos técnicos 
específicos, justificando investimentos na formação 
dos gestores escolares e na constituição de equipes 
de apoio administrativo capacitadas.
Controle e Prestação de Contas
Registro sistemático das receitas e despesas, 
elaboração de relatórios financeiros e apresentação 
de documentação comprobatória às instâncias 
competentes. Além da prestação de contas oficial, 
Santos (2021) enfatiza a importância da prestação de 
contas social, que comunica à comunidade escolar, em 
linguagem acessível, como os recursos foram 
utilizados e quais resultados foram alcançados, 
fortalecendo a transparência e o controle social.
Captação de Recursos Adicionais
Identificação e aproveitamento de oportunidades 
para obtenção de recursos complementares, como 
participação em editais, estabelecimento de parcerias, 
realização de eventos e elaboração de projetos 
específicos. Martins (2020) ressalta que esta captação 
deve orientar-se pelos objetivos institucionais, 
evitando a subordinação do projeto educativo a 
interesses externos ou a desvios da missão escolar.
A gestão de recursos materiais, como destacam Barbosa e Costa (2021), envolve o planejamento, aquisição, distribuição, 
utilização e conservação dos bens e equipamentos necessários ao funcionamento da escola. Os autores enfatizam a 
importância de processos eficientes de controle patrimonial, que garantam tanto a disponibilidade dos recursos para as 
atividadespedagógicas quanto sua conservação adequada, prolongando sua vida útil e otimizando os investimentos 
realizados.
Um desafio significativo na gestão financeira e de recursos das escolas brasileiras, conforme aponta Dourado (2020), é a 
tensão entre autonomia e controle. Por um lado, a descentralização de recursos para as escolas representa avanço importante, 
ampliando sua autonomia para responder a necessidades específicas. Por outro, esta descentralização frequentemente vem 
acompanhada de mecanismos rígidos de controle, que podem burocratizar excessivamente a gestão e limitar a capacidade de 
inovação das instituições. O autor defende um equilíbrio que assegure tanto a autonomia responsável quanto a transparência 
necessária na utilização dos recursos públicos.
Desafios e Tendências Contemporâneas na 
Gestão Escolar
A gestão escolar contemporânea enfrenta um cenário complexo e dinâmico, marcado por transformações sociais, culturais, 
tecnológicas e políticas que reconfiguram as demandas e expectativas em relação à educação. Estas mudanças apresentam 
tanto desafios significativos quanto oportunidades para inovação e aprimoramento das práticas gestoras, exigindo adaptação 
constante e desenvolvimento de novas competências pelos gestores educacionais.
De acordo com Oliveira e Santos (2021), podemos identificar cinco macrodesafios que caracterizam o contexto atual da gestão 
escolar no Brasil, cada qual com implicações específicas para as práticas gestoras e para a qualidade educacional:
Diversidade e Inclusão
A crescente heterogeneidade do 
alunado, em termos 
socioeconômicos, culturais, étnico-
raciais e de necessidades 
educacionais específicas, demanda 
gestão atenta à equidade, que 
desenvolva políticas e práticas 
inclusivas. Este desafio envolve 
aspectos como: diferenciação 
pedagógica; formação docente para 
trabalho com a diversidade; 
adequações curriculares e 
avaliativas; e enfrentamento de 
preconceitos e discriminações no 
ambiente escolar.
Transformação Digital
A integração de tecnologias digitais 
aos processos educativos e 
administrativos representa desafio 
e oportunidade para a gestão 
escolar. Inclui aspectos como: 
infraestrutura tecnológica; 
formação de professores para uso 
pedagógico das tecnologias; 
desenvolvimento de cultura digital 
institucional; e articulação entre 
modalidades presenciais e remotas. 
A pandemia de COVID-19 
intensificou este desafio, 
evidenciando tanto potencialidades 
quanto desigualdades no acesso às 
tecnologias.
Responsabilização e 
Resultados
A crescente pressão por resultados 
mensuráveis, associada a políticas 
de avaliação externa e 
accountability, coloca os gestores 
escolares diante do desafio de 
equilibrar melhoria de indicadores 
quantitativos com preservação de 
valores educacionais mais amplos. 
Este cenário demanda 
competências para utilização 
estratégica de dados, 
implementação de ciclos de 
melhoria contínua e comunicação 
eficaz de resultados aos diferentes 
stakeholders.
Clima Escolar e Violência
A intensificação de problemas como violência, 
indisciplina, bullying e conflitos no ambiente escolar 
apresenta desafios significativos para a gestão, 
demandando estratégias preventivas e interventivas. 
Inclui aspectos como: desenvolvimento socioemocional; 
mediação de conflitos; construção de sentido de 
comunidade; parcerias com famílias e redes de proteção; 
e implementação de projetos específicos de convivência 
democrática.
Sustentabilidade Institucional
Em contexto de restrições orçamentárias e instabilidade 
política, a sustentabilidade das instituições educacionais 
torna-se desafio central. Envolve aspectos como: 
diversificação de fontes de recursos; otimização de 
processos; desenvolvimento de parcerias estratégicas; 
fortalecimento da imagem institucional; e equilíbrio 
entre inovação e manutenção de práticas consolidadas.
Diante destes desafios, Gomes e Machado (2020) identificam tendências emergentes nas práticas de gestão escolar, que 
representam respostas adaptativas às novas demandas e contextos. Entre estas tendências, destacam-se:
Liderança Distribuída e Colaborativa
Abordagem que reconhece e promove múltiplas lideranças 
na comunidade escolar, distribuindo responsabilidades e 
autoridade entre diversos atores, de acordo com suas 
competências e áreas de interesse. Esta tendência supera o 
modelo tradicional centrado na figura do diretor, 
valorizando o desenvolvimento de capacidades de liderança 
em toda a instituição e potencializando a inteligência 
coletiva na resolução de problemas e tomada de decisões.
Gestão Orientada por Dados
Utilização sistemática de dados e evidências para 
diagnóstico, planejamento, monitoramento e avaliação 
institucional. Esta abordagem incorpora tanto indicadores 
quantitativos (desempenho acadêmico, fluxo escolar, 
frequência) quanto qualitativos (percepções, expectativas, 
experiências), fundamentando decisões mais precisas e 
monitoramento rigoroso dos resultados das intervenções 
realizadas.
Gestão de Redes e Parcerias
Desenvolvimento de capacidades para articulação com 
diversos atores externos (famílias, comunidade, 
organizações governamentais e não-governamentais, 
empresas, universidades), estabelecendo parcerias 
estratégicas que ampliem recursos, conhecimentos e 
oportunidades disponíveis para a instituição e seus 
estudantes. Esta tendência reconhece a insuficiência da 
escola isolada para responder às múltiplas demandas 
contemporâneas.
Gestão da Inovação
Promoção sistemática de inovações pedagógicas, 
curriculares, metodológicas e organizacionais, criando 
cultura institucional favorável à experimentação, 
aprendizagem com erros e melhoria contínua. Esta 
tendência equilibra a valorização de práticas tradicionais 
eficazes com a abertura para novas abordagens que 
respondam a desafios emergentes, especialmente no campo 
das tecnologias educacionais.
Gestão do Desenvolvimento Profissional
Abordagem que reconhece o desenvolvimento contínuo das 
equipes como fator crítico para a qualidade educacional, 
investindo em estratégias sistemáticas de formação, 
mentoria, comunidades de prática e outras metodologias de 
aprendizagem profissional. Esta tendência enfatiza 
formação contextualizada, baseada em problemas reais da 
prática educativa e orientada para resultados de 
aprendizagem.
Gestão Centrada no Bem-estar
Reconhecimento da saúde mental, equilíbrio emocional e 
qualidade de vida como condições fundamentais para 
processos educativos eficazes, promovendo práticas 
institucionais que favoreçam bem-estar de estudantes e 
profissionais. Esta tendência responde ao aumento de 
problemas como estresse, ansiedade e burnout no ambiente 
escolar, agravados no contexto pós-pandêmico.
Estas tendências configuram um novo paradigma de gestão escolar, que Alves e Silva (2020) denominam "gestão adaptativa", 
caracterizado pela capacidade de responder de forma ágil e eficaz a contextos complexos, incertos e em rápida transformação. 
Os autores argumentam que este paradigma demanda dos gestores escolares competências específicas, como pensamento 
sistêmico, inteligência emocional, criatividade, comunicação intercultural e adaptabilidade, além de sólida formação técnica e 
compromisso ético com valores democráticos e inclusivos.
Referências Bibliográficas
ALVES, M. F.; MARTINS, C. A. Indicadores de qualidade na educação básica: perspectivas contemporâneas. Revista 
Brasileira de Política e Administração da Educação, v. 37, n. 2, p. 625-648, 2021.
ALVES, R.; SILVA, P. T. Gestão escolar adaptativa: respostas a contextos complexos e dinâmicos. Revista Ibero-Americana 
de Educação, v. 82, n. 2, p. 33-51, 2020.
ARAÚJO, G. C. Federalismo cooperativo e regime de colaboração: um balanço das políticas educacionais no período de 
2003 a 2018. Educar em Revista, v. 35, n. 77, p. 237-258, 2019.
ARROYO, M. G. Currículo, território em disputa.5. ed. Petrópolis: Vozes, 2019.
BALL, S. J. Política educacional global: reforma e lucro. Tradução de Janete Bridon. Ponta Grossa: UEPG, 2021.
BARBOSA, R. S.; COSTA, M. V. Gestão de recursos materiais na escola: desafios e possibilidades. Campinas: Autores 
Associados, 2021.
BARROSO, J. Autonomia e gestão das escolas. 4. ed. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2020.
BARROSO, J. Gestão participativa nas escolas: perspectivas e desafios contemporâneos. Revista Portuguesa de Educação, 
v. 34, n. 1, p. 132-156, 2021.
BORDIGNON, G. Gestão da educação no município: sistema, conselho e plano. 3. ed. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 
2018.
CAMPOS, F. S.; OLIVEIRA, D. A. Ferramentas da qualidade aplicadas à educação: experiências inovadoras. Educação & 
Sociedade, v. 41, n. 1, p. 167-183, 2020.
CAMPOS, M. M.; OLIVEIRA, R. P. Qualidade da educação: gestão, currículo e avaliação. Cadernos de Pesquisa, v. 51, n. 2, p. 
281-303, 2021.
CANDAU, V. M.; LEITE, M. S. Currículos em tempos de diversidade e diferença: tensões e possibilidades. Revista Currículo 
sem Fronteiras, v. 21, n. 2, p. 608-628, 2021.
CARVALHO, M. P. Gestão financeira escolar: fundamentos, processos e estratégias. Porto Alegre: Artmed, 2019.
COSTA, J. A.; FIGUEIREDO, S. Liderança educacional e escolas democráticas: estudos de caso múltiplos. Revista Lusófona 
de Educação, v. 48, n. 48, p. 43-59, 2021.
COSTA, L. O.; LIMA, M. S. R. Gestão estratégica na escola: da teoria à prática. São Paulo: Moderna, 2019.
COSTA, P. H.; MELLO, S. Q. Gestão financeira na escola pública: princípios e procedimentos. 2. ed. Brasília: Liber Livro, 
2020.
CURY, C. R. J. O ordenamento jurídico da educação brasileira: análise e interpretação. Revista Educação em Questão, v. 
58, n. 58, p. 1-22, 2020.
DEMING, W. E. Qualidade: a revolução na administração. 2. ed. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 2018.
DIAS SOBRINHO, J. Avaliação educacional: perspectivas e desafios contemporâneos. 3. ed. Campinas: Unicamp, 2020.
DOURADO, L. F. Gestão da educação escolar. 5. ed. Brasília: Ministério da Educação, 2020.
DOURADO, L. F.; OLIVEIRA, J. F. Políticas educacionais no Brasil: impasses e perspectivas. Cadernos de Pesquisa, v. 48, n. 
169, p. 674-697, 2018.
DOURADO, L. F.; OLIVEIRA, J. F. Qualidade da educação: perspectivas e desafios. Cadernos CEDES, v. 40, n. 112, p. 190-
207, 2020.
DOURADO, L. F.; OLIVEIRA, J. F.; SANTOS, C. A. A qualidade da educação: conceitos e definições. 2. ed. Brasília: INEP, 
2020.
DOURADO, L. F.; SANTOS, C. A. Gestão democrática, qualidade e avaliação: interfaces e perspectivas. Revista Práxis 
Educativa, v. 16, n. 1, p. 1-19, 2021.
FERNANDES, F. M.; GREMAUD, A. P. Avaliação educacional em larga escala e accountability: uma análise da política 
brasileira. Estudos em Avaliação Educacional, v. 30, n. 73, p. 178-205, 2019.
FERNANDES, R.; SILVA, N. Valor agregado em educação: metodologias e experiências. São Paulo: FGV, 2019.
FREITAS, L. C. Gestão democrática e valorização dos profissionais da educação: interfaces e contradições. Educação & 
Sociedade, v. 42, n. 1, p. 1-18, 2021.
GADOTTI, M. Projeto Político-Pedagógico: participação, gestão democrática e qualidade da educação. Revista Retratos da 
Escola, v. 14, n. 30, p. 660-675, 2020.
GADOTTI, M.; ROMÃO, J. E. Autonomia da escola: princípios e propostas. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2019.
GANZELI, P. O Projeto Político-Pedagógico como expressão da gestão democrática: fundamentos e práticas. 2. ed. 
Campinas: FE/Unicamp, 2020.
GATTI, B. A. Formação de professores: condições e problemas atuais. 4. ed. São Paulo: FCC, 2019.
GOMES, A. C. Políticas educacionais no Brasil contemporâneo: desafios e perspectivas. Rio de Janeiro: Lamparina, 2021.
GOMES, C. A.; CRUZ, R. E. Regime de colaboração e gestão da educação básica. Revista Brasileira de Política e 
Administração da Educação, v. 37, n. 3, p. 1051-1070, 2021.
GOMES, F. P.; MACHADO, M. C. Gestão escolar contemporânea: tendências e desafios. São Paulo: Moderna, 2020.
GOMES, R. P.; MARTINS, F. J. Legislação educacional brasileira: estrutura e análise crítica. Revista HISTEDBR On-line, v. 
19, n. 1, p. 455-478, 2019.
LEITHWOOD, K. Liderança educacional: fundamentos e práticas. 2. ed. São Paulo: Summus, 2019.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 7. ed. São Paulo: Heccus, 2018.
LIBÂNEO, J. C. Políticas educacionais no Brasil: desfiguramento da escola e do conhecimento escolar. Cadernos de 
Pesquisa, v. 51, n. 1, p. 1-22, 2021.
LIMA, L. C. A escola como organização educativa. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2019.
LIMA, L. C. Gestão democrática da escola: do autogoverno à governação. Revista Portuguesa de Educação, v. 33, n. 2, p. 
213-237, 2020.
LIMA, L. C. Por que é tão difícil democratizar a gestão da escola pública? Educar em Revista, v. 34, n. 68, p. 15-28, 2018.
LÜCK, H. Dimensões da gestão escolar e suas competências. 4. ed. Curitiba: Positivo, 2019.
LÜCK, H. Gestão da cultura e do clima organizacional da escola. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
LÜCK, H. Liderança em gestão escolar. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.
LÜCK, H. Planejamento em orientação educacional. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.
MACHADO, C.; MIRANDA, E. Gestão da qualidade na educação: teoria e prática. São Paulo: Loyola, 2020.
MACHADO, C.; MIRANDA, E. Indicadores de qualidade na gestão escolar: experiências nacionais e internacionais. Revista 
Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 102, n. 260, p. 126-151, 2021.
MARCONDES, N. A.; SILVA, M. L. Sistemas de gestão da qualidade em instituições educacionais: desafios e possibilidades. 
2. ed. São Paulo: Atlas, 2020.
MARTINS, E. C. Financiamento da educação básica: desafios e alternativas. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2020.
MEZOMO, J. C. Gestão da qualidade na educação: princípios e métodos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
MEZOMO, J. C. Gestão da qualidade total na escola: princípios básicos. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
MIRANDA, S. G.; MACHADO, R. T. Gestão estratégica escolar: teoria, modelos e práticas. São Paulo: Moderna, 2020.
MOREIRA, A. F. B. Currículos e programas no Brasil. 19. ed. Campinas: Papirus, 2021.
MOREIRA, J. A. Distribuição de funções na escola: critérios e procedimentos. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
NÓVOA, A. Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, v. 50, n. 177, p. 1133-
1149, 2020.
OLIVEIRA, A. F. Políticas públicas educacionais: conceito e contextualização. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2021.
OLIVEIRA, A. S. O bem-estar docente: desafios e perspectivas. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
OLIVEIRA, C. S.; CARVALHO, L. M. Desigualdades educacionais no Brasil: perspectivas e desafios. Revista Educação e 
Pesquisa, v. 47, n. 1, p. 1-23, 2021.
OLIVEIRA, J. F.; CASTRO, A. M. Gestão escolar e melhoria da qualidade de ensino: conexões e perspectivas. Goiânia: UFG, 
2021.
OLIVEIRA, J. F.; SANTOS, C. A. Políticas e gestão da educação básica no Brasil: limites e perspectivas. 3. ed. São Paulo: 
Xamã, 2021.
OLIVEIRA, M. A.; SILVA, P. R. Balanced Scorecard na educação: adaptações e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 
2021.
OLIVEIRA, R. P.; SOUSA, S. Z. Sistemas de avaliação educacional no Brasil: características, tendências e uso dos 
resultados. 3. ed. São Paulo: FCC, 2020.
PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2018.
PARO, V. H. Diretor escolar: educador ou gerente? 5. ed. São Paulo: Cortez, 2020.
PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2019.
PARO, V. H. Projeto Político-Pedagógico: fundamentos para a gestão democrática da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 
2021.
PINTO, J. M. R. O financiamento da educação básica no Brasil: avanços e entraves recentes. Fineduca 3 Revista de 
Financiamento da Educação, v. 10, n. 9, p. 1-18, 2020.
RIBEIRO, V. M.; SOUSA, S. Z. Dimensões da qualidade na educação básica. Cadernos de Pesquisa, v. 49, n. 174, p. 264-290, 
2019.
SACRISTÁN, J. G. O currículo:uma reflexão sobre a prática. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2020.
SAVIANI, D. Sistema Nacional de Educação e Plano Nacional de Educação: significado, controvérsias e perspectivas. 2. ed. 
Campinas: Autores Associados, 2019.
SILVA, C. M. C.; COSTA, B. M. B. Gestão das relações escola-comunidade: princípios e práticas. 2. ed. São Paulo: Moderna, 
2020.
SILVA, J. F. Liderança educacional e desenvolvimento profissional: teoria e prática. 2. ed. Campinas: Papirus, 2019.
SILVA, L. G. A. A qualidade da educação básica brasileira: dimensões e indicadores. Revista Educação Pública, v. 28, n. 69, p. 
651-673, 2019.
SILVA, M. A.; FERNANDES, E. F. Projeto Político-Pedagógico: da elaboração à implementação. 3. ed. Campinas: Papirus, 
2020.
SOARES, J. F.; ALVES, M. T. G. Escola eficaz: evidências, práticas e políticas. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2019.
SOUSA, A. P.; RIBEIRO, M. P. Gestão de pessoas na escola: desafios e perspectivas. 2. ed. Curitiba: Appris, 2021.
SOUSA, S. Z.; ARCAS, P. H. Avaliação externa e gestão escolar: repercussões, desafios e possibilidades. Revista Brasileira 
de Política e Administração da Educação, v. 37, n. 1, p. 158-177, 2021.
SOUSA, S. Z.; FONSECA, M. Planejamento estratégico nas escolas: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2020.
SOUSA, S. Z.; OLIVEIRA, R. P. Sistemas de avaliação educacional no Brasil: características, tendências e uso dos resultados. 
Cadernos de Pesquisa, v. 40, n. 141, p. 793-822, 2020.
SOUSA, S. Z.; RIBEIRO, B. Benchmarking educacional: princípios e experiências. São Paulo: Loyola, 2021.
SOUZA, A. R. A natureza política da gestão escolar e as disputas pelo poder na escola. Revista Brasileira de Educação, v. 
17, n. 49, p. 159-174, 2018.
SOUZA, A. R. Gestão democrática da escola pública: direito, participação e formação. 3. ed. Curitiba: Appris, 2021.
SOUSA SANTOS, B.; AVRITZER, L. Para ampliar o cânone democrático. 3. ed. São Paulo: Civilização Brasileira, 2021.
TOLEDO, A. C.; SILVA, F. C. Qualidade educacional: abordagens e perspectivas. São Paulo: Alameda, 2019.
TORRES, A. P.; LIMA, M. E. Gestão de pessoas na escola: equilíbrio entre individualidade e coletividade. Porto Alegre: 
Artmed, 2019.
VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. 24. ed. São Paulo: 
Libertad, 2020.
VASCONCELLOS, C. S. Projeto Político-Pedagógico: uma construção possível. 31. ed. Campinas: Papirus, 2019.
VEIGA, I. P. A. Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. 30. ed. Campinas: Papirus, 2020.
VEIGA, I. P. A. Inovações e Projeto Político-Pedagógico: uma relação regulatória ou emancipatória? Cadernos CEDES, v. 23, 
n. 61, p. 267-281, 2019.
VEIGA, I. P. A.; SILVA, E. F. Currículo e avaliação: os fios da trama. 2. ed. Campinas: Papirus, 2020.
VIEIRA, S. L. Política e gestão da educação básica: revisitando conceitos simples. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2019.compartilhadas entre União, estados, Distrito Federal e municípios, cada qual com atribuições específicas, 
mas atuando em regime de colaboração. Esta estrutura visa garantir a universalização do acesso à educação, respeitando a 
diversidade regional e cultural do país.
Níveis de Ensino
Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental 
e Ensino Médio
Educação Superior: Cursos sequenciais, Graduação, Pós-
graduação
Modalidades de Ensino
Educação de Jovens e Adultos
Educação Profissional e Tecnológica
Educação Especial
Educação a Distância
Educação Indígena
Educação do Campo
Educação Quilombola
Competências dos Entes Federativos
União: Coordena a política nacional de educação, presta 
assistência técnica e financeira, estabelece diretrizes 
curriculares nacionais, mantém as instituições federais
Estados: Atuam prioritariamente no Ensino Médio e, em 
colaboração com os municípios, no Ensino Fundamental
Municípios: Responsáveis prioritariamente pela 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Distrito Federal: Assume as competências referentes a 
estados e municípios
A estrutura de financiamento da educação brasileira fundamenta-se na vinculação constitucional de recursos. Conforme 
explica Pinto (2020), a Constituição Federal determina que a União aplique, anualmente, nunca menos de 18%, e os estados, o 
Distrito Federal e os municípios, 25% da receita resultante de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino. Além 
disso, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
(FUNDEB) constitui um importante mecanismo de redistribuição de recursos, visando reduzir as desigualdades educacionais 
entre as regiões.
Compreender a estrutura e organização do sistema educacional brasileiro é fundamental para o gestor escolar, pois permite 
situar sua atuação no contexto mais amplo das políticas educacionais, identificando limites e possibilidades para a gestão da 
instituição.
Base Legal do Sistema Educacional Brasileiro
O arcabouço legal que fundamenta o sistema educacional brasileiro é composto por um conjunto de leis, decretos, resoluções 
e pareceres que estabelecem diretrizes, princípios e normas para a organização e funcionamento da educação nacional. Esse 
conjunto normativo configura o que Cury (2020) denomina como "ordenamento jurídico educacional", que proporciona 
legitimidade e estabilidade às políticas e práticas educativas.
A Constituição Federal de 1988 representa o marco fundamental desse ordenamento, estabelecendo a educação como direito 
social (Art. 6º) e detalhando princípios, garantias e competências relacionados ao tema nos artigos 205 a 214. Entre os 
princípios constitucionais que devem nortear o ensino, destacam-se: igualdade de condições para o acesso e permanência na 
escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento; pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; 
gratuidade do ensino público; valorização dos profissionais da educação; gestão democrática do ensino público; e garantia de 
padrão de qualidade.
Legislação Principais Determinações
Lei nº 9.394/1996 (LDB) Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, 
detalhando a organização da educação em níveis e 
modalidades, definindo responsabilidades dos entes 
federativos e das instituições, e regulamentando a gestão 
democrática.
Lei nº 13.005/2014 (PNE) Institui o Plano Nacional de Educação 2014-2024, com 20 
metas e estratégias para a melhoria da qualidade da 
educação brasileira.
Lei nº 14.113/2020 (FUNDEB) Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento 
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da 
Educação, tornando-o permanente.
Lei nº 13.146/2015 (LBI) Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com 
Deficiência, com implicações significativas para as 
práticas educacionais inclusivas.
Lei nº 8.069/1990 (ECA) Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, 
estabelecendo direitos relativos à educação e deveres das 
instituições escolares.
Além dessas leis fundamentais, o sistema educacional brasileiro é regido por uma série de resoluções, pareceres e diretrizes 
emitidos pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), como as Diretrizes Curriculares Nacionais para as diferentes etapas e 
modalidades da educação. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017 (Educação Infantil e Ensino 
Fundamental) e 2018 (Ensino Médio), representa outro documento normativo importante, definindo os conhecimentos, 
competências e habilidades essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica.
Como ressalta Gomes e Martins (2019), o conhecimento aprofundado desse arcabouço legal é essencial para o gestor escolar, 
pois oferece os parâmetros dentro dos quais suas ações devem se estruturar, além de constituir instrumentos para a defesa do 
direito à educação de qualidade. A gestão escolar fundamentada na legislação educacional possibilita maior segurança nas 
tomadas de decisão e estabelece limites claros para a autonomia institucional.
Principais Políticas Educacionais 
Contemporâneas no Brasil
As políticas educacionais brasileiras contemporâneas configuram um campo dinâmico, marcado por continuidades e rupturas, 
que reflete diferentes concepções sobre o papel da educação na sociedade. Estas políticas materializam-se em programas, 
projetos e ações governamentais que impactam diretamente o cotidiano das instituições escolares e, consequentemente, a 
atuação dos gestores educacionais.
Segundo Dourado e Oliveira (2018), as políticas educacionais da última década têm sido orientadas por três eixos principais: 
expansão do acesso, melhoria da qualidade e redução das desigualdades. Estes eixos articulam-se com os compromissos 
assumidos pelo Brasil em acordos internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da 
ONU, particularmente o ODS 4, que visa "assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover 
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos".
Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Documento normativo que define o conjunto de 
aprendizagens essenciais que todos os estudantes 
devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Sua 
implementação tem exigido das escolas processos de 
reelaboração curricular e formação continuada dos 
profissionais.
Novo Ensino Médio
Política de reformulação curricular e estrutural do 
Ensino Médio, instituída pela Lei nº 13.415/2017, que 
amplia a carga horária e reorganiza o currículo em 
formação geral básica e itinerários formativos.
Política Nacional de Educação Especial na 
Perspectiva da Educação Inclusiva
Conjunto de diretrizes e ações que visam garantir o 
acesso, a permanência e a aprendizagem de 
estudantes com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação 
nas escolas regulares.
Programa Nacional do Livro e do Material 
Didático (PNLD)
Programa que avalia e disponibiliza obras didáticas, 
pedagógicas e literárias para as escolas públicas, 
contribuindo para a qualidade do material didático 
utilizado.
Além dessas políticas específicas, Gomes (2021) destaca a crescente ênfase em sistemas de avaliação educacional, como o 
Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que têm influenciado 
significativamente as práticas escolares. Para a autora, essas avaliações em larga escala, embora proporcionem dados 
importantes sobre a realidade educacional brasileira, também podem induzir a um estreitamento curricular, privilegiando 
conteúdos e habilidades mensuráveis em detrimento de uma formação mais ampla.
O gestor escolar contemporâneo precisa compreender criticamente estas políticas, identificando suas potencialidades e 
limites. Como argumenta Ball (2021), as políticas não são simplesmente implementadas, mas reinterpretadas e recriadas nos 
contextos locais. Assim, o modo como cada instituiçãoescolar se apropria das políticas educacionais nacionais reflete as 
concepções pedagógicas, os valores e as prioridades de sua comunidade, evidenciando a importância da gestão democrática 
na mediação entre as determinações legais e as necessidades específicas de cada realidade.
Gestão Educacional: Conceitos e Dimensões
A gestão educacional constitui um campo teórico-prático que abrange os processos de organização e coordenação dos 
sistemas de ensino em seus diversos níveis. Diferentemente da gestão escolar, que se refere à administração de uma unidade 
específica, a gestão educacional contempla as políticas, estruturas e ações que organizam a educação em âmbito macro, 
envolvendo as esferas federal, estadual e municipal.
De acordo com Bordignon (2018), a gestão educacional pode ser compreendida como o processo de articulação de recursos 
humanos, materiais e financeiros, além da coordenação de políticas, programas e projetos voltados à consecução dos objetivos 
educacionais em sistemas de ensino. Esta concepção supera a visão tradicional de administração educacional, centrada em 
aspectos burocráticos, para enfatizar a dimensão política e pedagógica da gestão.
Vieira (2019) ressalta que a gestão educacional no Brasil, a partir da Constituição de 1988 e da LDB de 1996, assumiu como 
princípio norteador a gestão democrática do ensino público, implicando na ampliação dos espaços de participação da 
sociedade civil na definição e implementação das políticas educacionais. Este princípio se materializa em instâncias como os 
conselhos de educação, fóruns educacionais, conferências e processos consultivos para elaboração de planos e programas.
Um aspecto central da gestão educacional contemporânea é a busca pela equidade e qualidade, como destacam Oliveira e 
Carvalho (2021). Os autores apontam que os sistemas educacionais brasileiros enfrentam o desafio de superar a histórica 
desigualdade educacional, garantindo não apenas o acesso, mas também condições adequadas de permanência e 
aprendizagem para todos os estudantes, independentemente de sua origem socioeconômica, étnico-racial, territorial ou 
condição física e intelectual.
A compreensão das múltiplas dimensões da gestão educacional é fundamental para o gestor escolar, pois permite situar sua 
atuação no contexto mais amplo das políticas e sistemas, identificando as determinações que incidem sobre a instituição e as 
possibilidades de autonomia e inovação no âmbito local.
Dimensão Normativa
Refere-se ao conjunto de leis, 
regulamentos e diretrizes que 
estabelecem as regras de 
funcionamento dos sistemas 
educacionais, definindo 
competências, responsabilidades e 
procedimentos.
Dimensão Organizacional
Contempla a estrutura 
administrativa do sistema, com seus 
diferentes órgãos, instâncias e níveis 
hierárquicos, bem como os fluxos de 
comunicação e tomada de decisão.
Dimensão Relacional
Envolve as interações entre os 
diversos atores do sistema 
educacional (gestores, profissionais, 
estudantes, famílias, comunidade) e 
as estratégias de participação e 
construção coletiva.
Dimensão Pedagógica
Focaliza os aspectos relacionados ao 
currículo, às práticas de ensino-
aprendizagem, à formação docente e 
aos processos avaliativos, orientando 
o sistema para sua finalidade 
essencial.
Gestão Educacional e Regime de Colaboração
O regime de colaboração constitui um princípio organizativo fundamental do sistema educacional brasileiro, estabelecido pela 
Constituição Federal de 1988 e reafirmado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Este princípio 
reconhece a natureza federativa do Estado brasileiro e a necessidade de articulação entre União, estados, Distrito Federal e 
municípios para a efetivação das políticas educacionais.
Segundo Araújo (2019), o regime de colaboração pode ser compreendido como um conjunto de normas e procedimentos que 
organizam a cooperação entre os entes federados, visando à universalização da educação básica e à garantia de um padrão 
mínimo de qualidade do ensino. Esta colaboração envolve aspectos financeiros, técnicos e pedagógicos, estabelecendo 
responsabilidades compartilhadas e complementares.
Funções da União no Regime de Colaboração
Coordenar a política nacional de educação, articulando 
os diferentes níveis e sistemas
Prestar assistência técnica e financeira aos estados, 
Distrito Federal e municípios
Estabelecer diretrizes curriculares nacionais
Coletar, analisar e disseminar informações sobre a 
educação
Avaliar a educação nacional em todos os níveis
Articulações Estados-Municípios
Definição de formas de colaboração na oferta do ensino 
fundamental
Estabelecimento de normas para transporte escolar
Integração das redes de ensino para garantia da 
continuidade do percurso escolar
Compartilhamento de espaços, equipamentos e 
profissionais
Formação continuada conjunta de profissionais da 
educação
A implementação do regime de colaboração tem se materializado por meio de diversos instrumentos e mecanismos, como o 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), os 
Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADEs), os consórcios intermunicipais e os sistemas integrados de matrícula. 
Dourado (2020) destaca, ainda, a importância dos fóruns permanentes de educação e das instâncias colegiadas, como a 
Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade e o Comitê Estratégico do Plano de 
Ações Articuladas (PAR).
No entanto, como aponta Gomes e Cruz (2021), a efetivação plena do regime de colaboração enfrenta diversos desafios, entre 
os quais: a assimetria de poder e capacidade técnica entre os entes federados; a ausência de uma lei complementar nacional 
que regulamente a cooperação federativa na educação; as desigualdades regionais que impactam a capacidade de 
financiamento; e as disputas político-partidárias que por vezes comprometem a continuidade das ações colaborativas.
Para o gestor escolar, compreender o funcionamento do regime de colaboração é essencial, pois permite identificar as 
diferentes instâncias responsáveis pela definição e implementação das políticas educacionais que incidem sobre a escola, bem 
como as possibilidades de articulação e mobilização de recursos para a melhoria da qualidade do ensino. Além disso, esta 
compreensão favorece a participação qualificada da comunidade escolar nos espaços de formulação e acompanhamento das 
políticas educacionais em nível local, regional e nacional.
Gestão Escolar: Conceito e Evolução Histórica
A gestão escolar, enquanto campo teórico-prático responsável pela organização, coordenação e orientação dos processos 
administrativos e pedagógicos das instituições de ensino, tem passado por significativas transformações conceituais e 
operacionais ao longo da história da educação brasileira, refletindo diferentes contextos sociais, políticos e culturais.
De acordo com Paro (2018), a trajetória histórica da gestão escolar no Brasil pode ser compreendida a partir de três grandes 
perspectivas ou paradigmas: a administração escolar tradicional, marcada pela transposição de princípios e métodos da 
administração empresarial para o contexto educacional; a gestão escolar democrática, fundamentada na participação coletiva 
e na consideração da especificidade da organização escolar; e, mais recentemente, abordagens que enfatizam a qualidade, a 
eficácia e os resultados educacionais.
1Década de 1930-1970: Administração 
Escolar Tradicional
Período caracterizado pela influência das teorias 
clássicas da administração (taylorismo e fayolismo) 
e pela centralização das decisões. O diretor escolar 
era visto como um administrador técnico, 
responsável pelo cumprimento de normas e 
regulamentos estabelecidos pelos sistemas de 
ensino, com pouca autonomia institucional e 
separação entre aspectos administrativos e 
pedagógicos.
2 Década de 1980: Transiçãopara a 
Gestão Democrática
Contexto de redemocratização do país e ampliação 
dos movimentos sociais pela educação. Críticas ao 
modelo burocrático e autoritário de administração 
escolar e emergência de propostas de gestão 
participativa, com eleição de diretores e criação de 
conselhos escolares. A Constituição Federal de 
1988 estabelece a gestão democrática como 
princípio do ensino público.3Década de 1990: Institucionalização da 
Gestão Democrática
Consolidação legal do princípio da gestão 
democrática com a LDB (Lei 9.394/1996) e 
ampliação dos mecanismos de participação. 
Simultaneamente, influência crescente de 
abordagens gerencialistas, com ênfase em 
resultados, avaliações externas e responsabilização 
das escolas, no contexto das reformas educacionais 
neoliberais.
4 Anos 2000 até o presente: Tensões e 
Hibridismos
Coexistência de diferentes perspectivas de gestão 
escolar, com tensões entre o ideário democrático-
participativo e abordagens focadas em eficiência, 
resultados e indicadores de qualidade. Ampliação 
da autonomia escolar, porém condicionada a 
mecanismos de controle e prestação de contas.
Como ressalta Libâneo (2021), a evolução conceitual da gestão escolar reflete não apenas mudanças nas teorias 
administrativas, mas também transformações nas concepções sobre a função social da escola e nas relações entre educação e 
sociedade. Assim, enquanto a administração escolar tradicional vinculava-se a uma visão da escola como aparelho reprodutor 
das relações sociais, a gestão democrática associa-se à compreensão da escola como espaço de formação para a cidadania e 
transformação social.
Essa trajetória histórica evidencia que a gestão escolar não é um processo neutro ou meramente técnico, mas uma prática 
social permeada por valores, concepções e projetos de educação e sociedade. Compreender esta dimensão política da gestão é 
fundamental para os gestores contemporâneos, possibilitando posicionamentos mais conscientes frente aos desafios e 
contradições do campo educacional.
Modelos e Abordagens da Gestão Escolar
A literatura especializada em administração educacional identifica diferentes modelos e abordagens de gestão escolar, que se 
distinguem quanto às concepções sobre organização, liderança, processos decisórios e relações de poder. Estes modelos não 
se apresentam de forma pura na realidade das escolas, mas frequentemente coexistem e se interpenetram, configurando 
práticas gestoras híbridas e complexas.
Conforme sistematização proposta por Lima (2019), podemos identificar quatro principais abordagens ou modelos de gestão 
escolar, cada qual com pressupostos teóricos, valores e procedimentos específicos.
Modelo Burocrático
Baseado na racionalidade administrativa e na 
formalização de processos
Enfatiza hierarquia, regulamentos, impessoalidade e 
documentação
Centraliza decisões e estabelece divisão rigorosa do 
trabalho
Preocupa-se com a conformidade às normas e 
procedimentos
Relaciona-se com uma visão da escola como 
organização formal
Modelo Democrático-Participativo
Fundamentado na participação efetiva da 
comunidade escolar
Valoriza órgãos colegiados e processos decisórios 
coletivos
Promove transparência, diálogo e 
corresponsabilidade
Busca relações mais horizontais e empoderamento 
dos atores
Associa-se à concepção da escola como espaço 
público e democrático
Modelo Gerencialista
Inspirado em princípios da administração empresarial
Centrado em eficiência, produtividade e resultados 
mensuráveis
Adota mecanismos de controle, monitoramento e 
prestação de contas
Enfatiza liderança forte, planejamento estratégico e 
metas
Relaciona-se com a visão da escola como prestadora 
de serviços
Modelo Político-Cultural
Reconhece a escola como arena de conflitos e 
negociações
Considera as micropolíticas e relações de poder 
informais
Valoriza a cultura organizacional e processos 
simbólicos
Enfatiza a construção de significados compartilhados
Relaciona-se com a visão da escola como construção 
social complexa
Barroso (2020) complementa esta classificação destacando a emergência de modelos híbridos de gestão escolar, que 
incorporam elementos de diferentes abordagens, adaptando-os às especificidades dos contextos educacionais. O autor 
ressalta que, no cenário contemporâneo, observa-se com frequência a adoção simultânea de mecanismos participativos (como 
conselhos escolares e assembleias) e instrumentos gerenciais (como indicadores de desempenho e planos estratégicos), 
configurando o que denomina "regulação mista" da gestão escolar.
Sousa Santos e Avritzer (2021) argumentam que a escolha ou combinação de modelos de gestão escolar nunca é neutra, mas 
reflete concepções sobre educação, democracia e sociedade. Para os autores, enquanto modelos gerencialistas tendem a 
reduzir a educação a seus aspectos instrumentais e mensuráveis, abordagens democrático-participativas valorizam a 
formação integral e a construção de uma sociedade mais igualitária e justa.
A consciência sobre estes diferentes modelos e suas implicações é fundamental para que o gestor escolar possa fazer escolhas 
mais fundamentadas e coerentes com os valores e objetivos educacionais da instituição, reconhecendo que as práticas de 
gestão não são apenas procedimentos técnicos, mas carregam em si visões de mundo e projetos de sociedade.
Dimensões da Gestão Escolar
A gestão escolar constitui um campo multidimensional, que integra e articula diferentes esferas de atuação para a consecução 
dos objetivos educacionais. Uma visão sistêmica e integrada dessas dimensões é essencial para uma gestão eficaz, que supere 
a fragmentação e promova a coerência entre os diversos aspectos da organização escolar.
De acordo com Lück (2022), podemos identificar quatro dimensões fundamentais da gestão escolar, que se complementam e 
se influenciam mutuamente: gestão pedagógica, gestão administrativa, gestão financeira e gestão da cultura organizacional e 
do clima escolar.
Gestão Pedagógica
Dimensão central da gestão escolar, focalizada nos 
processos de ensino-aprendizagem e na formação dos 
estudantes. Envolve a organização curricular, as práticas 
pedagógicas, os processos avaliativos, a formação 
continuada dos professores e as estratégias para melhoria 
do desempenho escolar.
A gestão pedagógica pressupõe a liderança do diretor 
escolar e da equipe gestora na orientação, 
acompanhamento e avaliação do trabalho docente, 
estabelecendo o vínculo entre as diretrizes educacionais 
mais amplas e as práticas cotidianas da sala de aula.
Gestão Administrativa
Refere-se à organização e gestão dos recursos materiais, da 
infraestrutura e dos processos operacionais da escola. Inclui 
a administração do espaço físico, dos equipamentos e 
materiais didáticos, a gestão da informação e 
documentação, bem como o gerenciamento do quadro de 
pessoal.
Uma gestão administrativa eficiente deve estar a serviço 
dos objetivos pedagógicos, garantindo as condições 
materiais e operacionais para o desenvolvimento do projeto 
educativo da escola.
Gestão Financeira
Contempla o planejamento, execução e prestação de contas 
dos recursos financeiros da escola, sejam eles provenientes 
de repasses governamentais, como o PDDE (Programa 
Dinheiro Direto na Escola), ou de outras fontes, como APMs 
(Associações de Pais e Mestres) e parcerias.
A gestão financeira requer transparência, participação da 
comunidade nas decisões sobre alocação de recursos e 
alinhamento entre as prioridades financeiras e os objetivos 
pedagógicos da instituição.
Gestão da Cultura Organizacional e do Clima 
Escolar
Focaliza os aspectos relacionais, os valores compartilhados, 
as normas explícitas e implícitas, as tradições e o ambiente 
psicossocial da escola. Visa à construção de uma cultura 
colaborativa, centrada na aprendizagem e no bem-estar de 
todos os membros da comunidade escolar.
Esta dimensão requer atenção às interações entre osdiversos atores, à gestão de conflitos, à comunicação 
institucional e à promoção de um clima favorável ao 
desenvolvimento pessoal e profissional.
Silva e Costa (2020) destacam ainda a crescente importância da gestão das relações escola-comunidade como uma dimensão 
específica, que envolve a articulação com as famílias, organizações locais, outros equipamentos públicos e instâncias de 
participação social. Esta dimensão ganha centralidade no contexto da gestão democrática, reconhecendo a escola como 
instituição inserida em um território e em uma rede de relações sociais.
Uma gestão escolar eficaz, segundo Oliveira (2021), caracteriza-se pela integração harmônica dessas diferentes dimensões, 
evitando que uma se sobreponha às demais e garantindo que todas contribuam para a realização da função social da escola. 
Para o autor, esta integração requer clareza sobre os objetivos institucionais, definidos coletivamente no Projeto Político-
Pedagógico, e processos contínuos de reflexão, avaliação e replanejamento das práticas gestoras.
Princípios da Gestão da Qualidade
A gestão da qualidade representa um conjunto de princípios e práticas organizacionais orientados para a melhoria contínua de 
processos, produtos e serviços, visando à satisfação dos usuários e à eficiência operacional. Originada no contexto industrial, a 
gestão da qualidade tem sido adaptada a diferentes setores, incluindo a educação, onde assume características específicas em 
função da natureza e complexidade dos processos educativos.
Deming (2018), um dos pioneiros no campo da gestão da qualidade, estabeleceu princípios fundamentais que, embora 
concebidos para o contexto empresarial, têm encontrado aplicações significativas em instituições educacionais. Estes 
princípios foram reinterpretados e adaptados por estudiosos como Mezomo (2019), que os traduziu para o contexto específico 
da gestão educacional.
Excelência
Busca constante por padrões elevados de desempenho em todos os aspectos da 
organização.
Foco no usuário
Centralidade nas necessidades e expectativas dos estudantes e comunidade.
Melhoria contínua
Processos cíclicos de planejamento, execução, avaliação e ação 
corretiva.
Gestão participativa
Envolvimento de todos os atores nos processos decisórios e nas 
ações.
Abordagem sistêmica
Visão integrada dos processos e reconhecimento de suas 
inter-relações.
A aplicação destes princípios no contexto educacional, conforme explicam Machado e Miranda (2020), requer adaptações 
significativas, considerando as especificidades da escola como organização. Primeiramente, o "foco no usuário" precisa 
considerar múltiplos atores - estudantes, famílias, comunidade e sociedade em geral - com expectativas diversas e por vezes 
contraditórias. Além disso, a "melhoria contínua" envolve não apenas aspectos operacionais, mas também pedagógicos, 
curriculares e relacionais, demandando processos reflexivos e dialógicos.
Toledo e Silva (2019) destacam que a gestão da qualidade em educação deve superar abordagens meramente tecnicistas, que 
reduzem a qualidade a indicadores quantitativos e resultados padronizados. Para os autores, a qualidade educacional é um 
conceito multidimensional, que inclui aspectos como relevância social dos conteúdos, equidade no acesso e nos resultados, 
processos democráticos de gestão e condições adequadas de infraestrutura e trabalho docente.
Um desafio importante para a aplicação dos princípios da gestão da qualidade na educação, segundo Dourado e Santos (2021), 
é a necessidade de equilibrar a busca por eficiência e resultados mensuráveis com os valores humanísticos e emancipatórios 
que devem orientar o processo educativo. Os autores argumentam que a qualidade educacional não pode ser reduzida a 
aspectos instrumentais, devendo contemplar a formação integral dos estudantes e a construção de uma sociedade mais justa e 
democrática.
Ferramentas da Gestão da Qualidade Aplicadas à 
Educação
As ferramentas da gestão da qualidade, desenvolvidas inicialmente para contextos industriais e empresariais, têm sido 
adaptadas e aplicadas ao campo educacional como instrumentos para diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação 
de processos e resultados. Quando adequadamente contextualizadas, estas ferramentas podem contribuir significativamente 
para a melhoria contínua da qualidade do ensino e da gestão escolar.
Segundo Campos e Oliveira (2020), a apropriação crítica e criativa das ferramentas da gestão da qualidade pelas instituições 
educacionais requer compreensão dos fundamentos teóricos subjacentes a elas, bem como adaptações metodológicas que 
considerem as especificidades dos processos educativos. Entre as principais ferramentas aplicáveis ao contexto escolar, 
destacam-se:
Ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act)
Metodologia cíclica que estrutura processos de 
melhoria contínua em quatro etapas: planejamento, 
execução, verificação e ação corretiva. No contexto 
escolar, pode ser aplicado ao planejamento 
pedagógico, implementação de projetos inovadores, 
avaliação institucional e redesenho de processos 
administrativos e pedagógicos.
Diagrama de Ishikawa (ou Espinha de 
Peixe)
Ferramenta para análise de causas e efeitos, que 
permite identificar fatores que contribuem para 
determinado problema ou resultado. Na educação, 
auxilia na compreensão multifatorial de questões 
como baixo desempenho escolar, evasão, indisciplina 
ou dificuldades específicas de aprendizagem.
5W2H (What, Why, Where, When, Who, 
How, How much)
Metodologia para planejamento de ações, que 
estrutura de forma clara e objetiva o que será feito, 
por que, onde, quando, por quem, como e quanto 
custará. Facilita a elaboração de planos de ação no 
contexto do projeto político-pedagógico, planos de 
formação continuada ou intervenções pedagógicas 
específicas.
Gráfico de Pareto
Ferramenta que identifica e prioriza problemas com 
base no princípio de que um pequeno número de 
causas (20%) geralmente é responsável pela maioria 
dos efeitos (80%). Auxilia a gestão escolar a priorizar 
intervenções em áreas de maior impacto, otimizando 
recursos e esforços.
Sousa e Ribeiro (2021) ressaltam a importância do Benchmarking como ferramenta para a gestão da qualidade educacional. 
Este processo consiste na identificação de práticas exemplares em outras instituições, seguida de análise, adaptação e 
implementação no contexto específico da escola. Os autores argumentam que o benchmarking educacional, quando realizado 
de forma crítica e contextualizada, pode contribuir para a inovação e superação de práticas cristalizadas, desde que considere 
as especificidades culturais, sociais e pedagógicas de cada instituição.
Uma aplicação específica das ferramentas da gestão da qualidade na educação é a implementação de Sistemas de Gestão da 
Qualidade (SGQ), como o modelo ISO 9001 adaptado para organizações educacionais. Conforme explicam Marcondes e Silva 
(2020), estes sistemas estruturam processos-chave da instituição escolar, estabelecem indicadores de desempenho e 
promovem ciclos de melhoria contínua. No entanto, os autores alertam para o risco de burocratização e perda da dimensão 
pedagógica quando a implementação destes sistemas é realizada de forma mecânica e descontextualizada.
A utilização das ferramentas da gestão da qualidade no contexto educacional deve, portanto, equilibrar a busca por eficiência 
operacional com os valores e objetivos específicos da educação, evitando abordagens reducionistas que descaracterizem a 
natureza complexa e eminentemente humana dos processos educativos.
Gestão da Qualidade e Avaliação Educacional
A avaliação educacional constitui um elemento central nos processos de gestão da qualidade em instituições escolares, 
fornecendo informações essenciais para o diagnóstico, planejamento, tomada de decisões e melhoria contínua. A interrelação 
entre gestão da qualidade e avaliação fundamenta-se no pressuposto de que não é possívelmelhorar o que não se conhece 
adequadamente, tornando os processos avaliativos indispensáveis para uma gestão orientada para resultados de excelência.
De acordo com Dias Sobrinho (2020), a avaliação educacional pode ser compreendida em diferentes níveis e modalidades, 
cada qual com objetivos e metodologias específicas, mas todos potencialmente relevantes para a gestão da qualidade. O autor 
propõe a seguinte categorização:
Modalidade de Avaliação Características Contribuições para a Gestão da 
Qualidade
Avaliação da Aprendizagem Focaliza o desempenho individual 
dos estudantes em relação aos 
objetivos de aprendizagem. Pode ser 
diagnóstica, formativa ou somativa.
Fornece informações sobre a eficácia 
das práticas pedagógicas e subsidia o 
replanejamento didático para 
melhoria dos resultados de 
aprendizagem.
Avaliação Institucional Analisa a instituição como um todo, 
considerando múltiplas dimensões: 
pedagógica, administrativa, 
relacional, infraestrutural etc. 
Geralmente envolve processos de 
autoavaliação e avaliação externa.
Proporciona visão abrangente dos 
pontos fortes e fragilidades 
institucionais, fundamentando 
planos de melhoria e alinhamento 
com a missão e objetivos.
Avaliação de Sistemas Avaliações em larga escala que 
monitoram a qualidade dos sistemas 
educacionais, geralmente por meio 
de testes padronizados e 
indicadores. Ex.: SAEB, PISA, ENEM.
Possibilita comparações e 
benchmarking, identificação de 
tendências, diagnóstico de 
problemas sistêmicos e definição de 
políticas e estratégias.
Fernandes e Gremaud (2019) ressaltam que a utilização das avaliações como instrumento de gestão da qualidade requer uma 
abordagem equilibrada, que evite tanto o uso mecânico e punitivo dos resultados quanto sua completa desconsideração. Os 
autores propõem o conceito de "ciclo de avaliação-ação", no qual os resultados avaliativos alimentam processos reflexivos, 
levando à elaboração de planos de intervenção, cuja implementação será posteriormente avaliada, gerando novos ciclos de 
melhoria.
Uma questão crítica na interseção entre gestão da qualidade e avaliação educacional refere-se à definição dos parâmetros de 
qualidade. Dourado e Oliveira (2020) argumentam que a qualidade educacional é um conceito polissêmico e em disputa, que 
reflete diferentes concepções de educação e sociedade. Os autores defendem uma concepção ampliada de qualidade, que não 
se restrinja a resultados em avaliações padronizadas, mas incorpore dimensões como relevância social dos conteúdos, 
equidade, diversidade, gestão democrática e condições de oferta.
Nesta perspectiva ampliada, a gestão da qualidade apoiada na avaliação deve considerar múltiplos indicadores e incorporar 
abordagens tanto quantitativas quanto qualitativas. Sousa e Arcas (2021) destacam a importância da triangulação de dados 
provenientes de diferentes fontes e instrumentos avaliativos, bem como o envolvimento dos diversos atores da comunidade 
escolar na interpretação dos resultados e na definição das estratégias de melhoria, em consonância com os princípios da 
gestão democrática e participativa.
Conceitos e Práticas da Gestão Escolar: Gestão 
Democrática
A gestão democrática constitui um princípio fundamental da educação brasileira, estabelecido pela Constituição Federal de 
1988 (Art. 206, VI) e reafirmado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Art. 3º, VIII). Mais que uma exigência 
legal, representa uma concepção de organização e funcionamento da escola, fundamentada em valores como participação, 
transparência, autonomia e corresponsabilidade.
Segundo Paro (2019), a gestão democrática pode ser compreendida como um processo político através do qual as pessoas que 
atuam na escola identificam problemas, discutem, deliberam e planejam, encaminham, acompanham, controlam e avaliam o 
conjunto das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola. Este processo, baseado na participação efetiva de todos os 
segmentos da comunidade escolar, busca o alcance dos objetivos educacionais e a construção da escola como espaço 
educativo de qualidade.
Fundamentos da Gestão Democrática
Participação: Envolvimento efetivo dos diversos 
segmentos da comunidade escolar nos processos 
decisórios e nas ações
Autonomia: Capacidade da escola para tomar decisões 
próprias nos âmbitos pedagógico, administrativo e 
financeiro, considerando sua realidade específica
Transparência: Publicização das informações, decisões e 
ações, garantindo o controle social
Pluralismo: Reconhecimento e valorização da 
diversidade de ideias, concepções e propostas
Coletividade: Construção de projetos e práticas 
baseadas no bem comum e no interesse coletivo
Mecanismos e Instâncias de Participação
Conselhos Escolares: Órgãos colegiados compostos por 
representantes dos diversos segmentos, com funções 
deliberativas, consultivas e fiscalizadoras
Eleição de Diretores: Processo de escolha democrática 
dos dirigentes escolares pela comunidade
Construção Coletiva do PPP: Elaboração participativa 
do Projeto Político-Pedagógico
Grêmios Estudantis: Organização estudantil autônoma, 
que representa os interesses dos alunos
Associações de Pais e Mestres: Entidades que articulam 
família e escola
Assembleias e Fóruns: Espaços ampliados de debate e 
deliberação coletiva
A implementação efetiva da gestão democrática, conforme destacam Gadotti e Romão (2020), enfrenta diversos desafios e 
tensões. Entre estes, os autores mencionam: a persistência de culturas autoritárias e clientelistas; a sobrecarga de trabalho 
dos profissionais da educação, dificultando a participação; a falta de formação específica dos gestores e comunidade para 
práticas democráticas; e as limitações impostas por políticas educacionais centralizadoras, que restringem a autonomia 
escolar.
Souza (2021) ressalta que a gestão democrática não deve ser compreendida como um fim em si mesma, mas como um meio 
para a construção de uma educação de qualidade social, comprometida com a formação integral dos estudantes e com valores 
democráticos. O autor argumenta que a participação da comunidade na gestão escolar tem não apenas valor instrumental 
(melhorando a eficácia das decisões), mas também valor político e pedagógico, contribuindo para a formação cidadã e para a 
democratização da própria sociedade.
Importante observar, como aponta Lima (2018), que a gestão democrática não implica ausência de autoridade ou de liderança, 
mas sim a reconfiguração destas em bases democráticas e participativas. O gestor escolar, neste contexto, atua como 
articulador e mediador dos processos coletivos, mobilizando e coordenando as potencialidades da comunidade escolar em 
torno de objetivos comuns, sem abdicar de sua responsabilidade pela condução da instituição.
Gestão Escolar e Liderança Educacional
A liderança educacional representa uma dimensão fundamental da gestão escolar contemporânea, configurando-se como um 
dos fatores determinantes para a eficácia das instituições escolares e para a promoção de uma educação de qualidade. A 
literatura especializada tem apontado a liderança como o segundo fator intraescolar mais importante para o sucesso 
educacional, superado apenas pela ação docente em sala de aula.
De acordo com Leithwood (2019), a liderança educacional pode ser compreendida como o processo de influenciar e mobilizar 
pessoas para a consecução de objetivos coletivos relacionados à aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes. Esta 
concepção supera as visões tradicionais de liderança, centradas na figura individual do diretor e em características pessoais 
inatas, para enfatizar um conjunto de práticas e competências que podem ser desenvolvidas por diversos atores da 
comunidade escolar.
Estabelecer direção
Construir e comunicar visão, valores e objetivos compartilhados.
Desenvolver pessoas
Promover desenvolvimento profissional, apoio individualizado e modelagem de valores.
Redesenhar a organizaçãoCriar cultura colaborativa, estruturas facilitadoras e conexões com a 
comunidade.
Melhorar o ensino e a aprendizagem
Focar nos processos pedagógicos, curriculares e 
avaliativos para garantir qualidade.
Costa e Figueiredo (2021) destacam diferentes estilos de liderança educacional que podem ser exercidos no contexto escolar, 
cada qual com características, potencialidades e limitações específicas. Entre estes, os autores mencionam a liderança 
transformacional (focada na inspiração, motivação e mudança cultural); a liderança instrucional ou pedagógica (centrada nos 
processos de ensino e aprendizagem); a liderança distribuída ou compartilhada (que reconhece e promove a liderança de 
diversos atores); e a liderança autêntica (baseada em valores éticos e autoconhecimento).
No contexto da gestão democrática, como argumenta Oliveira (2020), a liderança precisa ser compreendida como um 
processo relacional e compartilhado, que valoriza as múltiplas capacidades e saberes presentes na comunidade escolar. A 
autora propõe o conceito de "liderança democrática", caracterizada pela capacidade de articular e mobilizar pessoas em torno 
de objetivos comuns, promover diálogo e participação efetiva, tomar decisões de forma transparente e compartilhada, e 
garantir a execução e avaliação das ações coletivamente planejadas.
Uma questão central na discussão sobre liderança educacional refere-se à formação dos gestores escolares. Segundo Silva 
(2019), a profissionalização da gestão escolar requer o desenvolvimento de competências específicas de liderança, que 
complementem a formação pedagógica e técnico-administrativa. Entre estas competências, o autor destaca: visão estratégica; 
comunicação eficaz; gestão de conflitos; promoção de trabalho colaborativo; capacidade de inspirar e motivar; resiliência 
diante de desafios; e habilidade para conduzir processos de mudança e inovação.
A liderança educacional eficaz, como ressalta Lück (2021), deve estar fundamentada na compreensão profunda dos processos 
educativos e orientada para a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento integral dos estudantes. A autora enfatiza 
que a liderança centrada apenas em aspectos administrativos ou burocráticos, desvinculada da dimensão pedagógica, tende a 
comprometer a qualidade educacional e desviar a escola de sua missão essencial.
O conceito: Gestão da Qualidade na Educação
A gestão da qualidade na educação representa uma abordagem sistemática e integral para o aprimoramento contínuo das 
instituições escolares, buscando excelência em seus processos e resultados. Este conceito, inicialmente desenvolvido no 
contexto empresarial, tem sido adaptado ao campo educacional, recebendo interpretações específicas que consideram a 
natureza complexa e multidimensional dos processos educativos.
Segundo Mezomo (2020), a qualidade na educação pode ser definida como a capacidade de uma instituição educacional para 
satisfazer as necessidades e expectativas de seus beneficiários (estudantes, famílias, comunidade e sociedade), mediante 
processos eficazes de ensino-aprendizagem e gestão, que resultem no desenvolvimento integral dos educandos e na 
consecução das finalidades sociais da educação. Esta concepção amplia o escopo da qualidade para além de resultados 
mensuráveis em avaliações padronizadas, incorporando aspectos como relevância social, equidade, inclusão e formação 
cidadã.
Melhoria Contínua
A gestão da qualidade educacional fundamenta-se no 
princípio de que a excelência não é um estado final a 
ser alcançado, mas um processo permanente de 
aperfeiçoamento. Isto implica ciclos recorrentes de 
planejamento, implementação, avaliação e reajuste, 
que permitem à instituição aprender com sua própria 
experiência e evoluir constantemente.
Foco nos Resultados e nos Processos
Uma gestão educacional de qualidade equilibra a 
atenção aos resultados (aprendizagem, 
desenvolvimento de competências, permanência e 
conclusão) com o cuidado com os processos (práticas 
pedagógicas, relações interpessoais, procedimentos 
administrativos). Esta abordagem reconhece que 
resultados educacionais significativos dependem de 
processos bem estruturados e coerentes.
Participação e Responsabilidade Coletiva
A gestão da qualidade pressupõe o envolvimento de 
todos os membros da comunidade escolar, 
considerando que a qualidade é construída nas ações 
cotidianas de cada ator educacional. Esta perspectiva 
valoriza o trabalho colaborativo e a 
corresponsabilidade pelos processos e resultados 
institucionais.
Decisões Baseadas em Evidências
O planejamento, a implementação e a avaliação de 
ações educacionais fundamentam-se em informações 
concretas sobre a realidade escolar, obtidas por meio 
de diversos instrumentos e indicadores. Esta 
abordagem possibilita intervenções mais precisas e 
eficazes, superando o improviso e o senso comum.
Dourado e Oliveira (2021) ressaltam que a qualidade educacional é um conceito socialmente construído, historicamente 
situado e permeado por disputas políticas e ideológicas. Os autores alertam para o risco de uma transposição acrítica de 
modelos de gestão da qualidade oriundos do setor empresarial, que podem reduzir a educação a seus aspectos instrumentais, 
negligenciando sua dimensão formativa e emancipatória. Nesta perspectiva, a gestão da qualidade na educação deve estar 
alinhada aos valores democráticos e às finalidades sociais da instituição escolar.
Um aspecto fundamental da gestão da qualidade na educação, como aponta Silva (2019), é sua orientação para a equidade, 
compreendida como a capacidade de garantir aprendizagens significativas para todos os estudantes, independentemente de 
suas condições socioeconômicas, étnico-raciais, culturais ou de suas necessidades específicas. Para o autor, uma educação de 
qualidade é necessariamente inclusiva e comprometida com a superação das desigualdades educacionais, o que implica em 
estratégias diferenciadas de ensino e suporte, distribuição equitativa de recursos e atenção às necessidades específicas de 
cada grupo de estudantes.
Dimensões da Qualidade na Gestão Escolar
A qualidade na gestão escolar configura-se como um conceito multidimensional, que contempla diversos aspectos 
interrelacionados da organização e funcionamento da instituição educativa. Uma abordagem sistêmica da qualidade 
educacional requer a compreensão e o tratamento articulado destas múltiplas dimensões, reconhecendo suas especificidades 
e inter-relações.
De acordo com Dourado, Oliveira e Santos (2020), podemos identificar cinco dimensões fundamentais da qualidade na gestão 
escolar, que se complementam e se influenciam mutuamente: dimensão pedagógica, dimensão administrativa, dimensão 
relacional, dimensão infraestrutural e dimensão dos resultados.
Ribeiro e Sousa (2019) ressaltam a natureza interativa destas dimensões, evidenciando que deficiências em uma delas tendem 
a comprometer as demais. Por exemplo, inadequações na dimensão infraestrutural (como espaços físicos inapropriados) 
limitam as possibilidades pedagógicas; da mesma forma, fragilidades na dimensão relacional (como conflitos não resolvidos) 
afetam o clima organizacional e, consequentemente, os processos de ensino-aprendizagem.
Um aspecto fundamental na gestão integrada destas dimensões, como apontam Alves e Martins (2021), é a definição clara de 
indicadores de qualidade para cada uma delas, que possibilitem diagnóstico, monitoramento e avaliação sistemática. Os 
autores destacam instrumentos como os Indicadores da Qualidade na Educação (INDIQUE), desenvolvidos pelo MEC em 
parceria com organizações da sociedade civil, que proporcionam parâmetros para autoavaliação institucional em diversas 
dimensões da qualidade escolar.
A gestão da qualidade em cada uma destas dimensões, segundo Lück (2020), deve considerar tanto aspectos objetivos quanto 
subjetivos, quantitativos e qualitativos, privilegiando uma abordagem compreensiva que reconheçaa complexidade dos 
processos educativos. A autora enfatiza que a qualidade educacional não se resume a indicadores mensuráveis, envolvendo 
também aspectos como valores, expectativas, percepções e significados construídos pela comunidade escolar.
Dimensão Pedagógica
Refere-se à qualidade dos processos 
de ensino-aprendizagem, incluindo 
currículo, práticas didáticas, 
avaliação, formação docente e 
acompanhamento pedagógico. Uma 
gestão de qualidade garante 
coerência entre proposta pedagógica 
e ações, promove inovação e reflexão 
sobre as práticas, e assegura 
formação continuada alinhada às 
necessidades institucionais.
Dimensão Administrativa
Contempla os processos de 
organização, planejamento, 
coordenação e controle dos recursos 
humanos, materiais e financeiros. 
Uma gestão administrativa de 
qualidade caracteriza-se pela 
eficiência, transparência, 
racionalidade na utilização dos 
recursos e alinhamento com os 
objetivos pedagógicos da instituição.
Dimensão Relacional
Aborda a qualidade das interações 
entre os diversos atores da 
comunidade escolar (gestores, 
docentes, estudantes, famílias, 
funcionários) e o clima 
organizacional. Esta dimensão inclui 
aspectos como comunicação, gestão 
de conflitos, participação, trabalho 
colaborativo e relacionamento com 
a comunidade externa.
Dimensão Infraestrutural
Considera as condições físicas, 
materiais e tecnológicas necessárias 
ao funcionamento adequado da 
instituição. Envolve a qualidade, 
segurança e adequação dos espaços 
escolares, equipamentos, recursos 
didáticos e tecnológicos, bem como 
sua manutenção e utilização 
pedagógica.
Dimensão dos Resultados
Focaliza os efeitos e impactos da 
ação educativa, incluindo 
aprendizagem dos estudantes, 
desenvolvimento de competências, 
permanência, conclusão, equidade 
nos resultados e satisfação da 
comunidade escolar. Esta dimensão 
requer processos sistemáticos de 
monitoramento e avaliação.
A Importância da Gestão Escolar na Efetivação 
da Qualidade de Ensino
A gestão escolar assume papel estratégico na promoção da qualidade do ensino, atuando como elemento articulador e 
potencializador das condições necessárias para processos educativos eficazes. Estudos nacionais e internacionais têm 
evidenciado a correlação significativa entre práticas gestoras eficientes e resultados educacionais positivos, destacando a 
gestão como fator determinante para o sucesso escolar.
Segundo pesquisas realizadas por Soares e Alves (2019), escolas com características socioeconômicas similares podem 
apresentar resultados muito distintos em função da qualidade de sua gestão. Os autores identificaram que instituições com 
gestão eficaz conseguem maximizar o aproveitamento dos recursos disponíveis, criar ambientes favoráveis à aprendizagem e 
implementar práticas pedagógicas inovadoras, superando limitações contextuais e agregando valor à formação dos 
estudantes.
25%
Impacto da Gestão
Percentual de influência da gestão escolar sobre a variação 
dos resultados de aprendizagem, considerando fatores 
intraescolares
70%
Eficácia Docente
Percentual de aumento na eficácia docente em escolas com 
liderança pedagógica forte
40%
Redução da Evasão
Percentual médio de redução nas taxas de evasão escolar 
após implementação de gestão participativa
65%
Clima Escolar
Percentual de melhoria na percepção sobre o clima escolar 
após reformulação da gestão
Oliveira e Castro (2021) destacam seis mecanismos principais pelos quais a gestão escolar impacta a qualidade do ensino:
1. Liderança Pedagógica
A gestão escolar eficaz exerce liderança pedagógica, 
orientando e apoiando o trabalho docente, promovendo 
formação continuada contextualizada, estimulando 
inovações metodológicas e garantindo coerência entre 
currículo, práticas de ensino e avaliação. Esta liderança 
centra-se no acompanhamento dos processos de ensino-
aprendizagem, com foco nas necessidades específicas dos 
estudantes.
2. Gestão de Pessoas
A qualidade da gestão dos recursos humanos da escola - 
incluindo seleção, alocação, formação, motivação e 
avaliação dos profissionais - tem impacto direto na 
qualidade do ensino. Gestores eficazes criam condições 
favoráveis ao desenvolvimento profissional, valorizam os 
saberes e experiências da equipe, e promovem ambiente 
colaborativo e comprometido com os resultados 
educacionais.
3. Clima Organizacional
A gestão influencia decisivamente o clima e a cultura 
organizacional da escola, criando ambientes mais ou menos 
propícios à aprendizagem. Escolas com gestão de qualidade 
caracterizam-se por relações de confiança e respeito mútuo, 
comunicação eficaz, resolução adequada de conflitos e 
expectativas elevadas quanto ao desempenho de todos os 
atores.
4. Gestão de Recursos
A forma como os recursos materiais, financeiros e 
tecnológicos são geridos impacta diretamente as condições 
de ensino e aprendizagem. Gestores eficazes priorizam a 
alocação de recursos em função das necessidades 
pedagógicas, buscam parcerias e recursos adicionais, e 
garantem utilização eficiente e transparente dos meios 
disponíveis.
5. Relação Escola-Família-Comunidade
A qualidade da articulação entre escola, famílias e 
comunidade influencia significativamente os resultados 
educacionais. Gestões escolares eficazes desenvolvem 
estratégias de aproximação com as famílias, promovem sua 
participação efetiva na vida escolar e estabelecem parcerias 
com organizações locais, potencializando o capital social da 
instituição.
6. Monitoramento e Avaliação
Gestores eficazes implementam processos sistemáticos de 
monitoramento, avaliação e feedback, que permitem 
identificar problemas precocemente, reconhecer boas 
práticas e reorientar ações quando necessário. Esta cultura 
avaliativa contribui para uma gestão focada na melhoria 
contínua e orientada por evidências.
Importante ressaltar, como argumenta Nóvoa (2020), que a influência da gestão sobre a qualidade do ensino não acontece de 
forma direta, mas é mediada por fatores como o contexto institucional, a cultura escolar preexistente, as condições objetivas 
de trabalho e a própria autonomia relativa da escola frente às determinações dos sistemas de ensino. Assim, o potencial 
transformador da gestão escolar realiza-se na medida em que consegue articular ações coerentes e convergentes em múltiplas 
dimensões, construindo capacidade institucional para a melhoria contínua dos processos educativos.
Indicadores de Qualidade na Gestão Escolar
Os indicadores de qualidade na gestão escolar constituem parâmetros quantitativos e qualitativos que permitem avaliar, 
monitorar e aprimorar os processos e resultados institucionais. Utilizados como ferramentas de diagnóstico, planejamento e 
avaliação, estes indicadores oferecem evidências objetivas para a tomada de decisões e para a promoção da melhoria contínua 
da qualidade educacional.
Segundo Machado e Miranda (2021), os indicadores educacionais podem ser classificados em três categorias principais: 
indicadores de insumo, que se referem às condições e recursos disponíveis; indicadores de processo, relacionados às ações e 
procedimentos desenvolvidos; e indicadores de resultado, que refletem os efeitos das ações educativas. Para uma gestão 
escolar de qualidade, é fundamental considerar de forma integrada estas três categorias, evitando análises fragmentadas que 
podem levar a diagnósticos parciais ou equivocados.
Categoria Exemplos de Indicadores Fontes de Informação
Indicadores de Insumo Formação e experiência dos 
profissionais; infraestrutura física e 
tecnológica; recursos didáticos 
disponíveis; perfil socioeconômico 
dos estudantes; razão 
estudante/professor
Censo Escolar; cadastros funcionais; 
inventários; questionários 
socioeconômicos
Indicadores de Processo Práticas pedagógicas; estratégias 
didáticas; clima escolar; participação 
da comunidade; gestão do tempo; 
formação continuada;relacionamento interpessoal
Observações de aula; entrevistas; 
grupos focais; análise documental; 
autoavaliação institucional
Indicadores de Resultado Proficiência em avaliações; taxas de 
aprovação, reprovação e abandono; 
frequência escolar; satisfação da 
comunidade; continuidade dos 
estudos; desenvolvimento de 
competências socioemocionais
Avaliações internas e externas; 
estatísticas educacionais; pesquisas 
de satisfação; acompanhamento de 
egressos
Entre os principais sistemas de indicadores utilizados para avaliar a qualidade da gestão escolar no contexto brasileiro, Sousa e 
Oliveira (2020) destacam o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que combina informações de desempenho 
em avaliações padronizadas e dados sobre fluxo escolar; os Indicadores da Qualidade na Educação (INDIQUE), instrumento de 
autoavaliação participativa que contempla sete dimensões da qualidade escolar; e o Prêmio Gestão Escolar, que avalia 
aspectos como gestão pedagógica, participativa, de pessoas, de recursos e de resultados educacionais.
Fernandes e Silva (2019) ressaltam a importância de uma abordagem contextualizada na utilização de indicadores 
educacionais, considerando as especificidades de cada instituição e evitando comparações descontextualizadas. Os autores 
propõem o conceito de "valor agregado", que busca identificar a contribuição efetiva da escola para a aprendizagem dos 
estudantes, considerando suas condições iniciais e o contexto socioeconômico em que se insere. Esta perspectiva permite uma 
avaliação mais justa e precisa da qualidade da gestão escolar, reconhecendo os avanços obtidos em cada realidade específica.
Um aspecto fundamental na utilização de indicadores de qualidade, como destacam Campos e Oliveira (2021), é o 
envolvimento da comunidade escolar na definição, coleta, análise e interpretação dos dados. Esta abordagem participativa não 
apenas enriquece a compreensão dos indicadores, incorporando múltiplas perspectivas, mas também favorece o compromisso 
coletivo com as ações de melhoria derivadas da análise dos dados. Os autores argumentam que a apropriação dos indicadores 
pela comunidade escolar é condição necessária para que estes se tornem efetivos instrumentos de transformação da realidade 
educacional.
Projeto Político Pedagógico: Concepção e 
Fundamentos
O Projeto Político Pedagógico (PPP) configura-se como o documento norteador da identidade e das práticas da instituição 
escolar, expressando suas concepções, valores, objetivos e estratégias pedagógicas. Mais que um documento burocrático 
exigido pela legislação, o PPP representa a sistematização de um processo coletivo de reflexão e planejamento, que define os 
rumos e as especificidades da ação educativa de cada escola.
De acordo com Veiga (2020), o PPP pode ser compreendido a partir da análise dos termos que compõem sua denominação: 
"projeto" indica a projeção de intencionalidades e ações para o futuro, a partir de uma leitura crítica do presente; "político" 
refere-se ao compromisso com a formação do cidadão e com determinada visão de sociedade; e "pedagógico" diz respeito à 
definição de ações educativas para a efetivação dos propósitos da escola. Esta tríplice dimensão evidencia o caráter 
intencional, ético e metodológico do documento.
Expressão da Identidade Institucional
O PPP materializa a singularidade da instituição 
escolar, explicitando suas características específicas, 
sua história, seu contexto, seus valores e sua cultura 
organizacional. Esta identidade não é estática, mas 
configura-se como construção contínua a partir das 
interações entre os diversos atores da comunidade 
escolar.
Instrumento de Planejamento e Gestão
Enquanto documento que sistematiza o planejamento 
global da escola, o PPP orienta a gestão institucional, 
definindo objetivos, metas, estratégias, 
responsabilidades e cronogramas. Esta função 
organizadora contribui para a coerência e 
continuidade das ações educativas, superando o 
improviso e a fragmentação.
Pacto Coletivo
O PPP representa um acordo construído 
coletivamente pelos diversos segmentos da 
comunidade escolar, expressando compromissos 
compartilhados em relação ao projeto educativo 
institucional. Esta dimensão contratual fortalece o 
sentido de pertencimento e corresponsabilidade 
pelos processos e resultados educacionais.
Instrumento de Autonomia
A construção do PPP materializa a autonomia relativa 
da escola para definir seu próprio projeto educativo, 
considerando tanto as diretrizes nacionais quanto as 
especificidades locais. Esta autonomia implica maior 
responsabilidade da instituição por suas escolhas e 
resultados, exigindo processos consistentes de 
avaliação e prestação de contas.
Os fundamentos legais do PPP encontram-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), que 
estabelece em seu artigo 12, inciso I, que "os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema 
de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica". Esta incumbência é reafirmada no artigo 13, 
inciso I, que determina a participação dos docentes na elaboração da proposta pedagógica, e no artigo 14, inciso I, que 
estabelece a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola como um dos 
princípios da gestão democrática.
Vasconcellos (2019) ressalta que o PPP fundamenta-se em três eixos essenciais de análise e proposição: o eixo conceitual, que 
explicita as concepções sobre educação, conhecimento, currículo, avaliação, gestão e relação escola-sociedade; o eixo 
situacional, que analisa criticamente a realidade da escola e seu contexto; e o eixo operacional, que define as estratégias 
concretas para a consecução dos objetivos e para a transformação da realidade. A articulação destes eixos proporciona 
consistência teórico-metodológica ao projeto institucional.
Importante destacar, como argumenta Paro (2021), que o PPP não é um documento neutro, mas expressa posicionamentos 
políticos, epistemológicos e pedagógicos. Suas definições refletem escolhas sobre que tipo de sociedade, de cidadão e de 
conhecimento a instituição valoriza e pretende contribuir para construir. Assim, a elaboração do PPP implica necessariamente 
em processos de negociação e construção de consensos possíveis entre as diferentes visões presentes na comunidade escolar.
Elaboração e Implementação do Projeto Político 
Pedagógico
A elaboração e implementação do Projeto Político Pedagógico (PPP) constituem processos complexos que envolvem 
mobilização coletiva, reflexão crítica, negociação de perspectivas e compromisso com a ação transformadora. Mais que a 
produção de um documento formal, trata-se da construção compartilhada de um projeto educativo que expressa a identidade 
institucional e orienta as práticas cotidianas da escola.
Segundo Gadotti e Romão (2019), a elaboração do PPP deve fundamentar-se nos princípios da gestão democrática, garantindo 
participação efetiva e qualificada dos diversos segmentos da comunidade escolar: gestores, professores, funcionários, 
estudantes, famílias e representantes da comunidade local. Esta participação não se restringe à consulta ou validação, mas 
implica envolvimento real nos processos decisórios, desde o diagnóstico inicial até a definição de estratégias e mecanismos de 
avaliação.
Mobilização e Organização da Comunidade
Sensibilização dos diversos segmentos para a importância do PPP; constituição de comissão representativa 
para coordenação do processo; definição de cronograma e metodologia de trabalho; garantia de condições 
objetivas para participação (tempos, espaços, recursos).
Diagnóstico Institucional
Análise crítica da realidade escolar e seu contexto, incluindo aspectos pedagógicos, administrativos, relacionais 
e infraestruturais; levantamento de dados quantitativos e qualitativos; identificação de pontos fortes, 
fragilidades, oportunidades

Mais conteúdos dessa disciplina