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Farmacoterapia e Farmácia Clínica: Obesidade Prof. Dr. Tadeu Uggere de Andrade @drtadeuuggere OBESIDADE Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), obesidade é o excesso de gordura corporal que pode causar prejuízos à saúde. É uma doença crônica que afeta, em diferentes proporções, pessoas de todas as idades e todos os grupos sociais em países ao redor do globo. A etiologia da obesidade é complexa e multifatorial, resultando da interação de genes, ambiente, estilos de vida e fatores emocionais. DIAGNÓSTICO OBESIDADE De acordo com a ABESCO, 2016, a indicação do tratamento farmacológico deve obedecer ao grau de obesidade, devendo ser associada às modificações de estilo de vida, quando: IMC maior ou igual a 30 kg/m2; ou IMC maior ou igual a 25 ou 27 kg/m² na presença de comorbidades (dependendo do medicamento); ou Falha em perder peso com o tratamento não farmacológico. DIAGNÓSTICO OBESIDADE DIAGNÓSTICO OBESIDADE DIAGNÓSTICO OBESIDADE Composição Corporal? IMC? Densitometria por dupla emissão de raios X - DEXA Ultrassonografia, ressonância, Tomografia Bioimpedância Antropometria DIAGNÓSTICO OBESIDADE Antropometria A medida do perímetro da cintura é um método utilizado para avaliar a distribuição da gordura intra-abdominal, sendo um marcador de maior risco cardiometabólico. DIAGNÓSTICO OBESIDADE Bioimpedância TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE O tratamento da obesidade é bastante complexo e pode envolver diversas abordagens de acordo com a fase da intervenção (ABESCO, 2016): Primária: Objetivo: prevenir o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade; Abordagem: não farmacológica. Deve-se construir meio ambiente propício para a prevenção. Educar o indivíduo, promover alimentação saudável e atividade física regular. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE O tratamento da obesidade é bastante complexo e pode envolver diversas abordagens de acordo com a fase da intervenção (ABESCO, 2016): Secundária: Objetivo: prevenir ganho de peso futuro e desenvolvimento de complicações relacionadas ao peso em pacientes com sobrepeso e obesidade; Abordagem: rastrear e diagnosticar usando IMC. Avaliar a presença de complicações. Tratar com intervenção de estilo de vida sem/com medicamentos antiobesidade. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE O tratamento da obesidade é bastante complexo e pode envolver diversas abordagens de acordo com a fase da intervenção (ABESCO, 2016): Terciária: Objetivo: perda de peso visando aliviar complicações relacionadas à obesidade e prevenir a progressão da doença; Abordagem: Tratar com intervenção de estilo de vida/ comportamental e medicamentos antiobesidade. Considerar cirurgia bariátrica. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Sibutramina Mecanismo de Ação: Inibe a recaptação de noradrenalina e serotonina, e em menor grau dopamina. Atua prolongando a saciedade, sendo um agente sacietógeno. Efeitos colaterais comuns: Xerostomia (29%), taquicardia (21%), constipação (19%), hipertensão (18%), insônia (17%), cefaleia (11%). Interações e contraindicações: Contraindicada em pacientes com DCV, DM2 com fatores de risco, IC, arritmias, hipertensão não controlada. Exige monitoramento de PA e FC. Evidências: Perda de 6 kg em 24 semanas. Eficácia na manutenção do peso após perda inicial. Aumenta risco de IAM e AVC em pacientes com DCV TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Orlistate Mecanismo de Ação: Inibidor irreversível de lipases gástricas/pancreáticas. Reduz absorção de gordura em até 30%. Efeitos colaterais comuns: Esteatorreia, urgência evacuatória, flatulência oleosa, diarreia. Reduz absorção de vitaminas lipossolúveis. Pode causar hiperoxalúria. Interações e contraindicações: Contraindicado em gestantes, lactantes, má absorção e colestase. Evidências: Redução média de 2,9 kg. Reduz colesterol total e LDL independentemente do peso. Útil em PCOS, DM2 e pré-diabetes TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Bupropiona + Naltrexona Mecanismo de Ação: Bupropiona ativa neurônios Hipotalâmicos (ARC) → reduz apetite e aumenta o gasto energético. Naltrexona bloqueia feedback inibitório via receptores opioides µ → potencializa ação da bupropiona. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Bupropiona + Naltrexona Efeitos colaterais comuns: Náuseas (32%), constipação, vômitos, cefaleia, tontura, ansiedade, insônia. Interações e contraindicações: Evitar uso com refeições ricas em gordura. Dose escalonada até 2 cp 2x/dia. Evidências: Efeito sinérgico na perda de peso. Superior à monoterapia com bupropiona ou naltrexona isoladamente. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Drucker and Holst (2023) Diabetologia DOI 10.1007/s00125-023-05906-7 AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Drucker and Holst (2023) Diabetologia DOI 10.1007/s00125-023-05906-7 AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Drucker and Holst (2023) Diabetologia DOI 10.1007/s00125-023-05906-7 Efeitos Metabólicos AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Hammoud, R., Drucker, D.J. Nat Rev Endocrinol(2023). https://doi.org/10.1038/s41574-022-00783-3 Efeitos Cardiovasculares AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Hammoud, R., Drucker, D.J. Nat Rev Endocrinol(2023). https://doi.org/10.1038/s41574-022-00783-3 Efeitos Anti-inflamatórios AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Hammoud, R., Drucker, D.J. Nat Rev Endocrinol(2023). https://doi.org/10.1038/s41574-022-00783-3 Regulação de energia e neuroproteção AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Hammoud, R., Drucker, D.J. Nat Rev Endocrinol(2023). https://doi.org/10.1038/s41574-022-00783-3 Resumo dos Efeitos AGONISTAS DE RECEPTORES DE GLP-1 Wang et al. Front Endocrinol (Lausanne). 2023. doi: 10.3389/fendo.2023.1085799. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Liraglutida (3,0 mg) Mecanismo de Ação: Agonista de GLP-1. Estimula saciedade, reduz fome e retarda esvaziamento gástrico. Aumenta efluxo de colesterol e catabolismo de lipoproteínas. Efeitos colaterais comuns: Náuseas, vômitos, diarreia, constipação. Pequeno aumento de FC. Interações e contraindicações: Uso com cautela em IC avançada. Pode ser usado com hipoglicemiantes. Evidências: Perda de 1,3 a 8,7 kg. Reduz HbA1c e apoB-100. Sem risco cardiovascular aumentado TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Semaglutida (2,4 mg) Mecanismo de Ação: Agonista de GLP-1 de longa duração. Aumenta saciedade, reduz ingestão calórica e fome. Atuação no hipotálamo e sistema de recompensa. Efeitos colaterais comuns: Náuseas, constipação, colelitíase, pancreatite, aumento de FC (2–5 bpm). Interações e contraindicações: Contraindicada em gestantes. Ajuste posológico gradual. Aumento do risco de gastroparesia e obstrução intestinal. Evidências: Redução de 9,9% no peso corporal. Efeitos positivos sobre PA e perfil lipídico. Eficaz em PCOS Semaglutida (2,4 mg) Mecanismo de Ação: Agonista de GLP-1 de longa duração. Aumenta saciedade, reduz ingestão calórica e fome. Atuação no hipotálamo e sistema de recompensa. Efeitos colaterais comuns: Náuseas, constipação, colelitíase, pancreatite, aumento de FC (2–5 bpm). Interações e contraindicações: Contraindicada em gestantes. Ajuste posológico gradual. Aumento do risco de gastroparesia e obstrução intestinal. Evidências: Redução de 9,9% no peso corporal. Efeitos positivos sobre PA e perfil lipídico. Eficaz em PCOS TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Tirzepatida (Mounjaro®) Classe farmacológica: Agonista duplo de receptores de GLP-1 e GIP (peptídeo inibidor gástrico) Mecanismo de ação: Estimula receptores de GLP-1 → aumenta saciedade, retarda esvaziamento gástrico, reduz glicemia. Ativa receptores de GIP → potencializa liberação de insulina, melhora sensibilidade insulínica e ação no tecido adiposo. Efeito sinérgico → maior perda de peso que agonistas de GLP-1 isolados. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Tirzepatida (Mounjaro®) Efeitos colaterais comuns: Náuseas, vômitos, diarreia, constipação. Potencial aumento de colelitíase, pancreatite (raro), Leve aumento da frequência cardíaca Contraindicações e interações: Contraindicada em gestantes, lactantes e históricode carcinoma medular de tireoide. Cautela com hipoglicemiantes e medicamentos de liberação gástrica modificada. Evidência científica: SURMOUNT-1 (2022): perda média de 22,5% do PC com dose de 15 mg/semana. Redução significativa de HbA1c (até 2,1%) e melhora de fatores CV. Superior a semaglutida (comparações indiretas), com tolerabilidade semelhante TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Controle do apetite complexo e envolve a integração entre circuitos neurais: Hipotálamo (controle homeostático); Sistema mesolímbico (controle hedônico); Lóbulo frontal (controle executivo). O “cross-talking” entre os fatores homeostáticos e hedônicos são mediados, principalmente, pelo tecido adiposo, pâncreas e intestino. Paladar e a experiência hedônica escolhas alimentares durante os diferentes períodos da vida TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Estratégias de Educação Nutricional: Para que ocorra mudança de comportamento, o conhecimento sobre os alimentos, embora não seja suficiente, é necessário. Por isso é recomendada a utilização de estratégias de educação nutricional com os indivíduos que desejam modificar o consumo alimentar. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Controle do tamanho de porções: Pode auxiliar na redução do consumo excessivo de alimentos e bebidas, sendo adjuvante no tratamento da obesidade na ausência de quaisquer fatores compensadores na ingestão calórica. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Consumo de Frutas, Verduras e Legumes: A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda: Ingestão diária de ao menos 400g de frutas, verduras e legumes (excluindo-se batatas e outros tubérculos ricos em amido) Consumo diário de 5 porções desses alimentos TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Diminuir a densidade energética da dieta respeitando a palatabilidade: Fornecer estratégias sustentáveis para moderar a ingestão de energia Enfatizar a qualidade da dieta e mantendo a palatabilidade A palatabilidade (a resposta afetiva ao sabor e a textura de um alimento) aumenta o prazer em comer e não podem ser ignoradas. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Densidade energética da dieta (DED): A densidade energética é definida como o conteúdo de energia, em kilocalorias (kcal) ou kilojoules (KJ), por unidade de peso (em g ou em 100g) presente em alimentos e bebidas; Indivíduos com baixa DED apresentaram maior consumo de verduras, legumes, frutas, peixes e aves, bem como maior aporte de fibras alimentares e menor ingestão de gorduras saturadas em comparação a dietas de elevada densidade energética; Redução na frequência de consumo ou substituição de alimentos e bebidas de elevada densidade energética (como preparações fritas, salgadinhos de pacote, doces e preparações à base de cremes). TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE Estratégias comportamentais: Fatores que estão relacionados à adesão em longo prazo de mudanças no consumo alimentar incluem mudança de comportamento alimentar, por isso deve-se associar o acompanhamento nutricional às estratégias de mudança de comportamento. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE A entrevista motivacional (EM): Abordagem centrada no indivíduo; Promover comprometimento com o processo de mudança; Identificação e mobilização de valores intrínsecos (motivação intrínseca) do indivíduo para a promoção da mudança comportamental; A EM considera as dificuldades no processo de mudança como condições humanas fortemente influenciadas por ambivalências (motivações em sentidos opostos), que podem impedir ou dificultar a mudança de hábitos alimentares e do estilo de vida. @labcardio @drtadeuuggere labcardiouvv@gmail.com Obrigado! image1.png image2.jpeg image3.png image4.png image5.png image6.jpeg image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png