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GESTÃO EDUCACIONAL E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO 2 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 1.1 Os Sistemas Racionais, Naturais e Abertos ................................................... 3 1.1.1 Sistema Racional (Gestão Científica) ...................................................... 3 1.1.2 Sistema Natural (Relações Humanas) ..................................................... 4 1.1.3 Sistemas Abertos (Ciências Sociais) ....................................................... 5 1.2 Administrações Clássicas e Implicações Para a Educação e Prática Educacional ............................................................................................................. 6 2. FUNÇÕES DO GESTOR ESCOLAR ................................................................... 8 2.1 Desafios, Limites e Possibilidades ............................................................... 14 2.2.1 O desenvolvimento profissional a partir de um trabalho realizado em equipe 15 2.2.2 Principais características de um trabalho realizado em equipe ............. 16 2.2.3 Organizações escolares: hierárquicas ou coletivas ............................... 17 Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). ............................................................................. 20 2.2.4 Características fundamentais das funções típicas de uma escola ........ 20 3. O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ........................................................... 23 3.1 A Construção de um Projeto Político-Pedagógico e os Ideais de uma Gestão Democrática ........................................................................................................... 25 3.1.1 A construção de um projeto político-pedagógico: Elementos constitutivos 26 3.1.2 Administrativa ........................................................................................ 27 3.1.3 Pedagógica ............................................................................................ 27 3.2 O Projeto Político-Pedagógico Como Construção Coletiva nas Relações de Trabalho ................................................................................................................. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 30 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 31 3 1. INTRODUÇÃO A escola é uma instituição organizada por meio dos sujeitos que a constituem. Ou seja, é composta por uma equipe diretiva, professores, funcionários, famílias e alunos. Para compreender melhor essa instituição, vamos começar com o estudo sobre as concepções de organização e gestão escolar, compreendendo como estas se definem a partir do cenário social, político e cultural ao qual pertencem. Sendo a escola um espaço formal de educação, ela tem o compromisso com o ensino e com a aprendizagem dos alunos, o que se dá por meio das práticas pedagógicas e curriculares. Assim, para que a escola consiga cumprir com seu compromisso, há a necessidade de que elas sejam administradas, ou seja, geridas de acordo com seus objetivos sociais, políticos e culturais. Desta forma, encontramos posições bem diferentes (divergentes até) entre as concepções que guiam a prática da gestão de uma escola. 1.1 Os Sistemas Racionais, Naturais e Abertos Um sistema é definido como um conjunto de partes integrantes, interdependentes e interativas que forma um todo unitário com objetivo próprio e específico. Tem seu produto final e busca constantemente a adequação de seus processos por meio de ações de melhoria (COLOMBO, 2004). 1.1.1 Sistema Racional (Gestão Científica) Este sistema entende a organização a partir de instrumentos formais, que são projetados para alcançar objetivos organizacionais, tendo a estrutura como sua característica primordial. Os autores que trabalham com o conceito de sistema racional são Frederick Taylor (1856-1915), Jules Henri Fayol (1841-1925), Luther Gulick (1892-1993), Lyndall Urwick (1891-1983) e Max Weber (1864-1920). Apoiado pela racionalidade, esse sistema adota um conjunto de ações para atingir metas pré-determinadas a partir de um tempo programado e com a máxima eficiência. Fundamenta-se também nas ideias do norte-americano Frederick Taylor 4 (taylorismo), o pai da gestão científica, que buscou usar as pessoas com eficácia nas organizações industriais. Taylor compreendia que os indivíduos poderiam ser programados como máquinas para alcançar a sua máxima eficiência. Veja a seguir alguns princípios básicos da gestão científica com base em um sistema de organização racional (HOY; MISKEL; TARTER 2015): ▪ As organizações existem principalmente para realizar seus objetivos. ▪ A divisão do trabalho conduz à especialização. ▪ A especialização promete a competência, ou expertise. ▪ A padronização das tarefas produz a eficiência. ▪ A hierarquia promove conformidade disciplinada. ▪ Uma estreita abrangência de controle melhora e supervisão. ▪ O controle administrativo é essencial para a eficiência. ▪ A racionalidade na tomada de decisão promove a eficiência. ▪ A organização formal pode ser projetada para maximizar a eficiência. 1.1.2 Sistema Natural (Relações Humanas) Este tipo de sistema contrasta com o racional, pois fornece outra visão da organização. Os autores que trabalham com a perspectiva do sistema natural são Mary Follett (1868-1933), Elton Mayo (1880-1949), Fritz Roethlisberger (1898-1974) e Douglas McGregor (1906-1964). A perspectiva de sistemas naturais encara as organizações como mais semelhantes a organismos do que a máquinas. Ou seja, a abordagem de relações humanas suavizou o foco dos gestores científicos na estrutura organizacional com uma ênfase na motivação e na satisfação dos funcionários e na moral do grupo. Porém, tanto a abordagem da gestão científica quanto a das relações humanas desconsideram o ambiente externo, ou seja, tratam as organizações como sistemas fechados. Veja a seguir alguns princípios básicos da gestão científica com base em um sistema de organização natural (HOY; MISKEL; TARTER, 2015): As organizações são primordialmente grupos sociais tentando se adaptar e sobreviver. ▪ As necessidades individuais são os motivadores principais do desempenho organizacional. ▪ Os indivíduos são mais importantes do que a estrutura para atingir a eficácia. 5 ▪ Os indivíduos organizam-se informalmente com base em seus interesses. ▪ Normas e procedimentos não oficiais muitas vezes são mais importantes do que os formais. ▪ A tomada de decisão compartilhada promove a eficácia. ▪ Uma ampla abrangência de controle aumenta a eficácia e a autonomia do professor. ▪ A cultura organizacional faz a mediação dos efeitos da estrutura. ▪ O trabalho em equipe é a chave para o sucesso organizacional. ▪ As estruturas informais são mais importantes do que as formais. 1.1.3 Sistemas Abertos (Ciências Sociais) Este sistema apresenta como característica principal uma organização que não só é influenciada pelo ambiente, mas também é dependente dele. Nesse sentido, as escolas são sistemas sociais que retiram do ambientes recursos, como mão de obra, alunos e dinheiro, e submetem essas entradas a um processo de transformação educacional para produzir alunos e graduados letrados e instruídos. Os autores que trabalham com o conceito de sistema aberto são Max Weber (1864-1920), Chester Barnard (1886-1961), Saint Simon (1760-1825), Talcott Parsons (1902-1979), Karl Weick (1936-), DanielKatz (1903-1998) e Robert Kahn (1908-). Como a abordagem de sistemas racionais (particularmente os gestores científicos) ignorava o impacto das necessidades individuais e das relações sociais, e como os sistemas naturais (especialmente os defensores de relações humanas) não levavam em conta a estrutura formal, essas duas perspectivas de sistemas acabam sendo limitadas e incompletas. Certamente que os aspectos formais e informais, bem como a estrutura e as pessoas, são cruciais para entender as organizações. Os sistemas abertos escolares estão preocupados igualmente com a estrutura e com o processo. Esse sistema é dinâmico: com estabilidade e ao mesmo tempo flexibilidade, com relações estruturais firmes e também frouxas. A organização não é um arranjo estático de relações e cargos. Para sobreviver, a organização deve se adaptar e, para se adaptar, ela precisa mudar. Assim, a interdependência da organização com o ambiente é fundamental. Veja a seguir alguns princípios básicos de um sistema de organização aberto (HOYK & MISKEL, 2015): 6 ▪ Todas as organizações são sistemas abertos que interagem com seu ambiente. ▪ O comportamento organizacional depende da interação da estrutura organizacional com as necessidades individuais. ▪ Todas as organizações têm características racionais e naturais. ▪ As organizações precisam tanto de vinculações frouxas quanto firmes para ter sucesso. ▪ A política permeia a vida organizacional. ▪ As organizações têm duas faces interativas: uma formal e outra informal. ▪ Não há melhor maneira de organizar, motivar, decidir, liderar, ou se comunicar: a eficácia desses processos depende de uma série de contingências. 1.2 Administrações Clássicas e Implicações Para a Educação e Prática Educacional Para compreender a organização e atual conjuntura da gestão educacional, faz-se necessário recordar um pouco sobre seu trajeto histórico. No início, a gestão educacional era denominada por outro termo, como administração escolar, com escritos que datam da década de 1930 no Brasil. Anterior a esse período, até a Primeira República consistiam em "memórias, relatórios e descrições de caráter subjetivo, normativo, assistemático e legalista" (SANDER, 2007a, p. 21). Tal fato aponta a existência de pessoas que se ocupam com os afazeres quanto à administração educacional, mas não eram reconhecidas profissionalmente enquanto função. A partir da década de 1930 a administração educacional se desenvolve sob influências dos ideais progressistas de educação, contrapondo-se à educação tradicional, que não favorecia as ideias de expansão industrial que o país vivenciava naquele momento (SANDER, 2007b). O cenário educacional, entusiasmado com o movimento pedagógico da Escola Nova, principalmente por estudos de John Dewey, apoiava a necessidade de aprimorar a cientificidade no campo educacional, ampliando a oferta educacional. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova mencionava a ausência de espírito filosófico e científico na resolução dos problemas da administração escolar como principal responsável pela desorganização da estrutura escolar (MANIFESTO, 7 2006). A partir de então, despontam estudos que fomentaram as bases para o surgimento dos primeiros escritos teórico sobre o tema Administração Escolar. No início do século XX, a expansão da oferta educativa e consequente aumento dos afazeres nos processos administrativos da educação suscitaram uma organização de administração modernizada. Desta forma, a administração educacional passou a se basear na organização das companhias, empresas e associações industriais ou comerciais (LEÃO, 1945). A administração educacional absorve as premissas da administração geral, desenvolvida por Henry Fayol com base nos seguintes argumentos, de acordo com Leão (1945): ▪ Operações técnicas (distribuição, produção, transformação). ▪ Operações financeiras (rendimento do trabalho efetuado). ▪ Operações de segurança (proteção dos bens e das pessoas). ▪ Operações de contabilidade (inventários, balanços, estatísticos...). ▪ Operações administrativas propriamente ditas (previdência, organização, comando, coordenação, colaboração, verificação). O Diretor Escolar era um educador com conhecimento da política educacional e dos saberem técnico-administrativos. Estava subordinado ao Diretor da Educação e agia de forma a reproduzir a sua visão administrativa educacional. Nesse sentido, o Diretor da Educação atua de forma mais específica voltada à administração, enquanto que o Diretor de Escola se ocupa também dos assuntos pedagógicos. A estrutura administrativa passa a ser concebida como uma organização baseada na hierarquia das funções, segundo a teoria de Fayol. Assim, o diretor da escola assume um importante papel de dirigir o trabalho, auxiliando no progresso mental e moral da comunidade inserida. Passa a ser uma espécie de líder, aquele que conduzirá todos os envolvidos no processo escolar (LEÃO, 1945). 8 2. FUNÇÕES DO GESTOR ESCOLAR No exercício da função de Diretor da escola, como destacamos no organograma, o profissional necessita apresentar certas características além da liderança, como a experiência. Figura 1: Conhecimentos do diretor. Fonte: (LEÃO, 1945). Segundo Leão (1945, p. 167), o Diretor de Escola "não deixa de ser educador, mas sua ação amplia-se. É então o coordenador de todas as peças da máquina que 9 dirige o líder de seus companheiros de trabalho, o galvanizador de uma comunhão de esforços e de ações em prol da obra educacional da comunidade". Assume a função de destaque e proximidade com a comunidade escolar, colaborando na execução das premissas determinadas no entendimento do Diretor de Educação. Nas escolas maiores, com intenso volume de trabalho educativo, o diretor necessitava de auxílio, os chamados "peritos especializados" ou inspetores orientadores, eram profissionais destinados a observar as atividades desenvolvidas por estudantes e professores. Desta forma, emitiam análises e julgamentos sobre os métodos e processos aplicados, com a finalidade de orientar e conduzir os trabalhos educativos (LEÃO, 1945). Nesta forma de divisão do trabalho, ao professor cabe a função de “técnico cuja função é preparar o ambiente e os meios dentro dos quais e pelos quais a educação se processa naturalmente” (LEÃO, 1945, p. 227). Leão (1945, p. 10) aponta ainda que “a administração não é nem um privilégio exclusivo nem uma sobrecarga pessoal do chefe ou dos dirigentes; é uma função repartida, como as demais funções especiais, entre a cabeça e os membros do corpo social”. Ou seja, a expressão “cabeça” refere-se ao Diretor de Educação, responsável por pensar a política educacional, no sentido de diretrizes, linhas gerais. Os membros seriam aqueles a quem compete colocar em prática a política educacional. Observe, no quadro a seguir, uma síntese sobre a concepção do papel da Direção Escolar e os pressupostos que conduziriam o trabalho da Gestão Escolar, expressos por Souza (2006). Na época não havia uma divisão entre o papel do diretor escolar e os aspectos referentes à gestão escolar, ambos se fundiam numa ação somente: o trabalho administrativo educacional desenvolvido na função do Diretor Escolar. 10 Quadro 1: Concepção do papel da Direção Escolar. Fonte: (Souza, 2006). Após os anos de 1970, outra visão sobre a gestão escolar surgiu, diferenteda aceita desde os anos de 1930. Emergem estudos críticos sobre as formas de agir e pensar a educação no país, sobretudo avançando nas questões que envolvem a Gestão Educacional. O movimento político-democrático de reabertura no Brasil oferece uma nova fase de elaborações teóricas no campo da administração escolar, a partir do enfoque sociológico. Este novo enfoque surge das lutas na conquista da democracia e cidadania, consolidação de estudos em nível de pós-graduação no país e a influência dos estudos marxistas (SOUZA, 2006). O enfoque tecnocrático de administração escolar, defendido até o momento, passa a ser questionado por diversos estudiosos da época. Os teóricos baseiam-se 11 na dúvida sobre a eficácia, para a educação, na relação estabelecida entre a racionalidade administrativa e os processos educativos, contribuindo para as desigualdades sociais. Arroyo (1979) aponta sobre o entendimento da administração como exercício do poder a fim de reproduzir determinadas relações sociais que são funcionais à manutenção da sociedade civil, sob o prisma do desenvolvimento econômico, ou seja, do capitalismo. Tendo em vista que as desigualdades são inerentes à lógica deste sistema produtivo, a administração escolar, ao reproduzir as relações capitalistas, contribui na manutenção de tais desigualdades. Os princípios da administração geral, pensados sob uma racionalidade capitalista, ao serem adotados nos espaços escolares acabam por compactuar também desta racionalidade, contribuindo para a manutenção das relações de exploração capitalista. A administração capitalista, apesar de sua hegemonia na sociedade, consiste apenas em um tipo de administração, o que não impedia a sociedade na época de conceber outros processos administrativos orientados por uma lógica diferente. Nesse sentido, os estudiosos da época avançaram nas discussões em relação às críticas anteriores, investindo na ideia de se considerar os condicionantes sociais, históricos, políticos e econômicos, para desenvolverem uma administração escolar voltada para a transformação social. As ações desenvolvidas estariam voltadas para a participação social, contrapondo-se ao caráter conservador daquela administração pautada na racionalidade capitalista (PARO, 2000). A crítica levantada pelos estudiosos quanto ao enfoque tecnocrático aplicado às escolas da época suscitou o aparecimento do conceito de Gestão Escolar, mais precisamente, a preocupação com o desenvolvimento dos processos pedagógicos que deram sustentação para o conceito de Gestão Escolar. Uma forma de diferenciar os fazeres da escola em relação à visão técnica, que historicamente permeou o conceito de administração escolar. 12 Quadro 2: Gestão Escolar. Fonte: (Souza, 2006). Desta maneira, conseguimos observar no quadro o pensamento dos teóricos críticos quanto à percepção da ação do Diretor Geral e dos processos que envolvem a Gestão Escolar. Principalmente os aspectos técnicos que assemelham os trabalhos desenvolvidos na educação ao funcionamento de uma empresa com enfoque industrial. Os estudiosos passam a lembrar de aspectos próprios dos processos educativos, pertencentes ao universo da educação. Na década de 1980, a sociedade brasileira convivia com a luta da democratização da escola pública, tanto para o acesso como das práticas desenvolvidas. Com a aprovação da Constituição Federal de 1988, surgem os estudos voltados para a Gestão Democrática do Ensino Público. A partir de então, surgem estudos que diferenciam o conceito de gestão com o de administração. A gestão supera as especificidades da administração, pois se 13 “assenta na mobilização do elemento humano, coletivamente organizado, como condição básica e fundamental da qualidade do ensino e da transformação da própria identidade das escolas” (LÜCK, 2007, p. 27). A administração passa a ser um dos elementos que compõe a gestão, como a gestão administrativa, que corresponde à administração de recursos, do tempo etc. A gestão envolve um sentido e prática mais abrangente, apresenta os elementos culturais, políticos e pedagógicos do processo educativo, sendo sua lógica “orientada pelos princípios democráticos” (LÜCK, 2007, p. 36). O uso do termo Gestão Escolar apresentou significado para os autores que defendiam, na década de 1980, uma gestão democrática. Segundo Adrião e Camargo (2007, p. 68), a adoção do termo gestão sugere “uma tentativa de superação do caráter técnico, pautado na hierarquização e no controle do trabalho por meio da gerência científica, que a palavra administração (como sinônimo de direção) continha”. A substituição da administração pelo termo gestão significava a tentativa de instaurar uma nova lógica na organização do trabalho. Quadro 3: Gestão Escolar. Fonte: (Souza, 2006). Fonte: (Souza, 2006). Observamos nas informações do quadro, segundo Souza (2006), que todos os envolvidos na escola, por meio do trabalho pedagógico, são responsáveis pelo andamento do processo de ensino e aprendizagem. A administração escolar se desenvolve no atendimento ao conjunto de características que a escola apresenta. Do mesmo modo, podemos refletir sobre a atuação do diretor em relação ao funcionamento da escola, expressando uma preocupação com a educação e com o 14 desenvolvimento cultural dos estudantes. Nessa perspectiva, a educação se torna um instrumento que possibilita às camadas populares uma ampliação do universo cultural, de forma democrática. 2.1 Desafios, Limites e Possibilidades Figura 2: Organizando a participação da comunidade escolar. Fonte: Muller, 2012. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), lei complementar da educação, estabelece e regulamenta as diretrizes gerais para a educação e seus respectivos sistemas de ensino. O art. 214 da Constituição Federal (1988), dispõe sobre a elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE (art. 9º), que mantemos princípios determinados pela lei maior, inclusive, o da gestão democrática do ensino público. O PNE, aprovado em 2001 - Lei nº 10.172/2001, conforme os textos legais, tem como objetivo apontar e desvelar os problemas referentes à qualidade do ensino e à gestão democrática decorrentes das diferenças socioeconômicas, políticas e regionais. Traz diagnósticos, diretrizes e metas para serem discutidas, avaliadas e implementadas tendo em vista a democratização da educação nacional. O PNE, também diz respeito aos diferentes níveis e modalidades da educação escolar, da gestão, do financiamento e dos profissionais da educação. A LDB nº 9.394/96 estabelece alguns princípios para a gestão democrática. No art. 3 sinaliza que o ensino será ministrado com base em diversos princípios e, entre eles, encontra-se a gestão democrática do ensino público, seguindo os preceitos dessa lei e da legislação dos sistemas de ensino. 15 Nos artigos 14 e 22 da (LDB nº 9.394/96), assim como no Plano Nacional de Educação, está expresso que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica com a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e organizando a comunidade escolar e segmentos da sociedade local em conselhos escolares. Contudo, a democracia nas unidades escolares precisa estar vinculada a democratização dos vários segmentos sociais existentes, o que quase sempre é uma tarefa difícil. Sabemos que essa novaperspectiva de educação escolar é um processo e, por isso, está em mudanças constantes e que exige dos profissionais da educação conhecimento, comprometimento e responsabilidade, para que de fato esse preceito seja cumprido. A participação de toda a comunidade escolar é fator imprescindível para uma gestão democrática no espaço institucional da educação possibilitando a formação humana para todos. O exercício da democracia nas instituições de ensino, buscando a participação da comunidade escolar, permite que, atentos às mudanças sociais, as pessoas ampliem esse movimento, atuando de forma responsável também na sociedade como cidadãos conscientes. 2.2.1 O desenvolvimento profissional a partir de um trabalho realizado em equipe O trabalho realizado em equipe na escola possui estreitos vínculos com os princípios de uma gestão democrática. Por quê? Porque esse trabalho compreende a importância do diálogo entre todos os participantes da escola. A partir de um planejamento organizado, equipes diretivas, professores, funcionários, alunos e famílias têm a oportunidade de realizar um trabalho em equipe que se torne produtivo. A Gestão Democrática da Escola [...] exige, em primeiro lugar, uma mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade escolar. A gestão democrática da escola implica que a comunidade, os usuários da escola, sejam seus dirigentes e gestores e não apenas os seus fiscalizadores ou, menos ainda, os meros receptores dos serviços educacionais (GADOTTI; ROMÃO, 2004, p. 34-35). Assim, trabalhar coletivamente traz a oportunidade de socializar com as demais aprendizagens e os conhecimentos conquistados tanto no trabalho coletivo como na formação continuada realizada na escola. 16 O desenvolvimento profissional que parte de um trabalho realizado em equipe, no qual há parceria e comprometimento, permite que os profissionais da escola avancem profissionalmente, qualificando a sua ação docente a partir das relações que se estabelecem nas escolas. 2.2.2 Principais características de um trabalho realizado em equipe Figura 3: Características de um trabalho realizado em equipe. Fonte: Muller, 2012. Certamente, a primeira característica a ser lembrada é que quando um trabalho é feito em equipe, ele deixa de ser individual e passa a ser coletivo. Desse modo, os objetivos e as metas acabam sendo compartilhados por todos os sujeitos da escola. Como conseqüência, a sensação de pertencimento e comprometimento é de todos e não apenas de alguns. Nesse processo, conseguimos perceber que começa a surgir o reconhecimento e o respeito com as diferenças individuais. Para que tudo isso aconteça, é imprescindível que haja clareza na comunicação. Aliás, lembre-se de que 17 a comunicação deve ser uma constante em todo esse processo. Outro aspecto importante é que há o desenvolvimento de uma cultura colaborativa e de confiança entre os integrantes de um trabalho coletivo. Essa confiança, por sua vez, acaba gerando um feedback tanto para o aperfeiçoamento de processos ou atitudes quanto para a retomada das ações realizadas. Veja na figura a seguir como essas características estão interconectadas. Figura 3: Trabalho em equipe. Fonte: Muller, 2012. 2.2.3 Organizações escolares: hierárquicas ou coletivas Sistemas, as escolas são conhecidas como organizações fragmentadas “celulares”. Para ilustrar essa ideia, vamos utilizar a figura de uma caixa de ovos, que distribui nas escolas/salas de aula os alunos e professores de maneira a ficarem protegidos e separados uns dos outros por divisórias físicas e mentais. De fato, essa ideia da separação e da prescrição das funções, obedecendo a uma hierarquia preestabelecida, remonta à implantação da obrigatoriedade da escola, na metade do século XIX, e corresponde a uma lógica de organização da época 18 conhecida como concepção técnico-científica, ou científica--racional, preocupada em tornar mais eficazes primeiro as cadeias de produção industriais e, depois, as burocracias. De caráter conservador, a concepção técnico-científica tem uma arquitetura escolar centralizada em uma única pessoa (assumindo o cargo de direção), com as decisões seguindo o fluxo de cima para baixo. Outra característica visível desse funcionamento burocrático, além dos espaços bem definidos para cada um dos sujeitos que fazem parte da escola (daí a ideia da hierarquia) é que o plano a ser seguido costuma ser elaborado sem considerar a participação das pessoas e a troca de ideias entre elas. O grande objetivo é funcionar como uma empresa, com departamentos específicos, e buscando a eficiência e a eficácia a todo custo, pensando somente em resultados e não em algum tipo de integração. Nesse modo de organização escolar, a realidade tende a ser vista como algo controlável, objetivo e neutro e que pode ser mensurado (refletindo seu caráter cientificista). Rompendo com as ideias dominantes na metade do século XX, sabemos hoje que, para conduzir a mudança no interior dos sistemas educacionais, a ação apenas sobre as estruturas não é suficiente. Ou seja, não adianta a arquitetura escolar se apresentar de maneira diferente se as relações entre os sujeitos da escola permanecem inalteradas – hierárquicas. Assim, com o passar dos anos, surgiu uma concepção diferente, denominada sociocrática, que, em vez de trabalhar com o conceito de hierarquias, tem como base a coletividade: a escola funciona como um todo, e as funções antes segmentadas, são unidas em torno de um bem comum: o aluno. As decisões agora, objetivando interesses coletivos, são tomadas de baixo para cima, e contam com a participação de todos da comunidade escolar. Nessa concepção sócio crítica, as relações entre os profissionais das escolas ultrapassam as questões meramente estruturais, fundamentando-se na importância e na valorização de todas as áreas de atuação dos profissionais da escola. Cada função desempenhada na escola é reconhecida, pois cada uma delas se articula, isto é, funciona de forma coletiva, para que a escola tenha um trabalho de excelência com o aluno, apresentando uma proposta qualificada quando se fala em ensino e em aprendizagem. Repensando a organização do trabalho coletivo Para Thurler e Maulini (2012), os sistemas escolares claramente não correspondem a blocos estáticos e monolíticos. Daí a importância de repensar a organização do trabalho coletivo, apesar das dúvidas e hesitações dos atores envolvidos. Talvez seja esta a única maneira de atender às 19 diversas solicitações que invadem os estabelecimentos escolares, permitindo-lhes fazer a triagem delas e adotar uma orientação comum, sólida e promissora. O organograma a seguir apresenta um modelo de organização da escola de forma descentralizada e coletiva, compreendendo a importância e a participação de todos os sujeitos pertencentes à escola. Figura 4: Gestão escolar. Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). A estrutura de organização da escola do organograma apresenta a articulação entre os diferentes segmentos da comunidade escolar, afastando-se do modelo fragmentado, hierárquico, ilustrado anteriormente pela “caixa de ovos”. Uma organização de gestão escolar que parte de uma concepção democrática participativa prioriza a valorização do trabalho coletivo, concebendo a participação de todos nas decisões que se fizerem importantes ao cotidiano escolar. Para que ocorra na realidade o fluxo harmônico de atividades em uma escola (conforme você viu no organograma), é imprescindível que todos os envolvidos conheçam as funções20 desempenhadas pelas diferentes partes desse organograma. Assim, você vai ver agora um pouco mais sobre cada um desses elementos, que giram em torno do aluno Geralmente a organização interna da escola é apresentada pelo regimento escolar a partir de uma legislação específica estadual e/ou municipal. Figura 5: Regimento Escolar. Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). 2.2.4 Características fundamentais das funções típicas de uma escola De fato, precisamos de uma organização que apresente as demandas/ responsabilidades de cada segmento a fim de trabalhar coletivamente para o bom funcionamento da escola como um todo. A partir desse entendimento, você vai ver agora as características fundamentais de cada uma das unidades e funções típicas de uma escola. Conselho escolar – é um órgão da escola que possui atribuições consultivas, deliberativas, fiscais e mobilizadoras a partir de definições da legislação estadual e municipal, descritas no regimento escolar. Envolve aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros. É composto por certa proporcionalidade com a participação de docentes, especialistas em educação, funcionários, pais e alunos, tendo a função básica de democratizar as relações de poder. Assim, metade dos representantes são pessoas que trabalham nas escolas, professores e funcionários, e a outra metade são representantes de alunos e pais. Os conselhos escolares são amparados pela Constituição Federal de 1988 quanto à organização democrática do ensino público: 21 Quadro 4: Funções do conselho escolar. Fonte: Brasil, 2004. Equipe pedagógica: corresponde às atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. Segundo Libâneo (2001), o coordenador pedagógico supervisiona, acompanha, assessora e avalia as atividades pedagógico-curriculares. A principal função desse profissional é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho desenvolvido com os alunos. A função do orientador educacional é direcionada ao atendimento e acompanhamento dos alunos, bem como ao relacionamento escola- pais-comunidade. Professores: segundo Libâneo (2001), o corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores, que trabalham efetivamente na escola com a função básica de realizar o objetivo prioritário da escola: o ensino. Os professores, em conjunto com a direção, o coordenador pedagógico e o orientador educacional, formam a equipe escolar. Além do seu papel específico de docência das disciplinas, os professores têm responsabilidades de participar na elaboração do projeto político-pedagógico, da 22 realização das atividades da escola e das decisões dos conselhos de escola e de classe ou série, e das reuniões com os pais. Funcionários: participam do processo educacional, dando o suporte necessário para que a aprendizagem dos alunos aconteça. Os funcionários de uma escola podem exercer funções diversas, como o preparo das alimentações, a limpeza da escola, atividades na secretaria da escola, na biblioteca, e a segurança da escola. A organização funcional de uma escola é composta pela distribuição de seus profissionais, ou seja, cada um possui uma área específica de atuação. Assim, temos os professores, a equipe diretiva e pedagógica, os funcionários e o conselho escolar. Todos esses atores devem trabalhar em um movimento conjunto para atender aos interesses e as necessidades de seu público: os alunos. 23 3. O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO O Projeto político-pedagógico (conhecido comumente pela abreviação PPP, e que será utilizada a partir de agora) é um documento que apresenta e identifica uma escola, sendo constituído a partir de um movimento realizado em conjunto entre todos os sujeitos que pertencem a ela. O art. 15 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (no 9.394/96) diz que: Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público (BRASIL, 1996, art. 15). De fato, este artigo concedeu à escola autonomia, ou seja, a liberdade e a responsabilidade de realizar sua própria proposta pedagógica, atendendo aos interesses da comunidade escolar. A construção da identidade da escola requer reflexão e muito estudo sobre a sua intencionalidade e a sua pertinência para a existência da escola como instituição. Vamos recorrer à LDBEN novamente, desta vez para destacar alguns artigos que versam sobre a importância da missão da escola (BRASIL, 1996, art. 12-art. 14): Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I – Elaborar e executar sua proposta pedagógica; VII – informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a freqüência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I – Participar da elaboração da proposta pedagógica do estabeleci mento de ensino; 24 II – Elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; As exigências legais precisam ser transformadas na prática, garantindo a legislação vigente em situações que organizam e atribuem autonomia às escolas. Desta forma, a construção de um projeto político-pedagógico (PPP) não deve ser reduzida a uma atividade verticalizada ou a um cumprimento formal e burocrático de tarefas: um PPP deve garantir a construção da autonomia da escola, assegurando uma gestão democrática por meio de uma elaboração coletiva. O projeto político-pedagógico constitui-se a partir de uma visão que envolve uma trama de elementos, que, juntos, formam a identidade de uma escola, como você pode observar na Figura 6. Figura 6: PPP. Fonte: (CAIC, 2015). 25 Veja alguns elementos fundamentais que constituem o PPP na Figura 7: Figura 7: Fundamentos do PPP. Fonte: Zimmer, 2013. 3.1 A Construção de um Projeto Político-Pedagógico e os Ideais de uma Gestão Democrática A autonomia e gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza do ato pedagógico. A gestão democrática da escola é, portanto, uma exigência de seu próprio projeto político-pedagógico. (GADOTTI, 2000, p. 36). A qualidade do ensino possui estreitos vínculos com a construção coletiva de uma PPP e a sua efetivação na prática cotidiana realizada nas escolas. O princípio fundamental de uma gestão democrática é a participação. Segundo Amaral (2014), é pela participação que os sujeitos da escola se apropriam da sua possibilidade de tomar parte na ação. A diferença de papéis e visão de mundo e a percepção da complexidade da sociedade, da escola e dos diferentes pontos de vista produzidos pelo diálogo inerente aos processos participativos acabam traduzindo o verdadeiro significado de democracia. Para Gadotti (2000), todo esse processo participativo de construção do PPP no contexto da gestãodemocrática apoia-se: 26 ▪ No desenvolvimento de uma consistência crítica individual e coletiva; ▪ No envolvimento e comprometimento das pessoas: as comunidades internas na e externas à escola; ▪ Na participação e na cooperação das várias esferas do governo; ▪ Na autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e como produto do projeto escolar. Ou seja, pelas palavras de Gadotti (2000), os participantes da construção de um PPP são sujeitos que, de certa forma, tornam-se pertencentes a uma construção coletiva que identifica e representa a identidade de uma instituição escolar. Ou seja, quando algo é construído pela coletividade, possui um compromisso que se amplia e deixa de ficar centralizado apenas nas mãos de algumas pessoas, passando a ser assumido por toda uma comunidade. No caso do projeto político-pedagógico, ele é assumido por toda a comunidade escolar. 3.1.1 A construção de um projeto político-pedagógico: Elementos constitutivos Segundo Farias e Salles (2012), a construção de um PPP deve ter o aluno como o centro do processo educativo, compreendendo-o como um sujeito de direito à educação em sua integralidade, ou seja, nos aspectos afetivos, cognitivo, físico, social e cultural. Veja a seguir um roteiro com os elementos constitutivos de um projeto político-pedagógico: História da escola: os momentos históricos vivenciados pela escola devem ser registrados no início deste documento, resgatando o passado para entender o presente e programar o futuro da escola. ▪ Contexto sociocultural: o contexto sociocultural busca caracterizar a condição social e cultural da comunidade em que a escola está inserida. ▪ Concepções da ação educativa : expõem a visão de sociedade, de educação, de ensino, de aprendizagem e de currículo. ▪ Finalidades e objetivos: apontar qual é a razão da existência desta instituição educacional, colocando sempre o aluno como o centro do processo. 27 3.1.2 Administrativa ▪ A estrutura física, que vai descrever os espaços da escola, ou seja, o número de salas, a estrutura de pátio, as áreas internas e externas da escola. ▪ Os recursos materiais, que são os materiais disponíveis na escola para o trabalho a ser realizado junto aos alunos, podendo ser identificados como: mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, jogos, brinquedos, entre outros. ▪ Os recursos humanos, que constituem os profissionais que compõem o quadro funcional da escola. Diretor e vice-diretor, supervisores/ coordenadores, professores e funcionários do pátio e da cozinha. ▪ O corpo docente, que são os professores, ou seja, aqueles profissionais que trabalham diretamente com os alunos. ▪ O corpo discente, que são os alunos (é imprescindível descrever quem são esses alunos). ▪ Os recursos financeiros, isto é, quais são os recursos financeiros disponibilizados à escola (isso é extremamente importante para garantir um horizonte de expectativas condizente com a realidade econômica da escola; não adianta sonhar com coisas dispendiosas se não haverá orçamento suficiente) 3.1.3 Pedagógica ▪ A metodologia de ensino, que descreve qual metodologia de ensino é adotada pela escola. Ou seja, como se dá na prática o trabalho desenvolvido com os alunos. ▪ A relação professor/aluno/comunidade, isto é, a relação professor/ aluno/comunidade é de suma importância para o desenvolvimento de uma educação de qualidade na escola. No PPP deve ser descrito como e de que forma essa relação se dará. ▪ A avaliação do ensino, que prevê como se dará o processo de avaliação do ensino realizado na escola. ▪ O tempo escolar, que descreve os tempos da escola (horários de entrada e de saída). Também prevê e diferencia o tempo institucional do tempo do aluno. ▪ A avaliação do projeto político-pedagógico, que prevê como serão feitos o acompanhamento e a execução do PPP da escola, e qual será a periodicidade desta avaliação. 28 3.2 O Projeto Político-Pedagógico Como Construção Coletiva nas Relações de Trabalho Figura 8: PPP: Construído por muitas mãos. Fonte: Muller, 2012. O que é um projeto político-pedagógico? Que é um projeto, certamente. Por quê? Porque propõe ações concretas a serem postas em prática em um dado espaço de tempo. Mas, a que se refere o político? Esse projeto é político porque vê a escola como um ambiente de conscientização de cidadãos responsáveis e críticos, que, por meio de suas ações coletivas e individuais, ajudarão na transformação da sociedade em que vivem. Esse projeto também é pedagógico, porque ordena e estabelece as ações e as atividades educativas para que o processo de ensino e aprendizagem funcione da maneira esperada e descrita pelo PPP. Quando nos referimos a um projeto político-pedagógico (comumente conhecido na área como PPP), logo pensamos na qualidade do trabalho desenvolvido pela escola, mas também no tipo de sociedade que pretendemos construir. Trata-se de um processo marcado por ações intencionais a partir de um compromisso firmado em um Saiba mais sobre a construção do projeto político-pedagógico a partir de uma premissa coletiva por meio de uma gestão/educação descentralizada lendo o artigo Educação e Gestão Descentralizada: Conselho Diretor, Caixa Escolar, Projeto Político-Pedagógico (CABRAL NETO; ALMEIDA, 2000). Acesse o link para ver um exemplo de um PPP da cidade de Balsa Nova, no Estado do Paraná: 29 movimento coletivo entre os sujeitos de uma comunidade escolar. Em resumo: o Projeto Político Pedagógico é caracterizado como um documento articulador entre a teoria e a prática vivenciada nas escolas, reunindo todos os seus integrantes. O PPP tem como referência uma gestão democrática, na qual cada segmento da escola busca contribuir na construção de um documento que pertence a todos. Esse documento é resultado de um processo de discussão, que define de forma coletiva as metas e as prioridades de uma instituição escolar, a fim de garantir uma educação que prime pela qualidade. Nesse sentido, a colaboração e participação de todos é fundamental em um processo de (re) construção do PPP. Segundo Veiga (2000, p. 15), para que essa iniciativa se concretize, não precisamos “[...] convencer os professores, a equipe escolar e os funcionários a trabalhar mais, ou mobilizá-los de forma espontânea, mas propiciar situações que lhes permitam aprender a pensar e a realizar o fazer pedagógico de forma coerente. ”. Assim, Veiga (2000) destaca a importância da participação dos sujeitos da escola adotando uma perspectiva democrática e participativa, e não verticalizada, formal ou linear, com base em uma obrigatoriedade contraproducente. 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS Torna-se necessário um conjunto de fatores para que se conquiste uma melhoria na qualidade do ensino e da aprendizagem. Além disso, é fundamental nesse processo que a prática pedagógica seja constantemente repensada: os alunos precisam fazer parte do processo de inovação da sua maneira de ensinar e do aprimoramento da metodologia de trabalho empregada. A educação é uma atividade essencialmente humana. Logo, uma educação de qualidade está aliada à qualidade de vida das pessoas. Isso somente se torna possível por meio de uma gestão democrática que prime pelo desenvolvimento integral dos alunos. A qualidade no ensino e na aprendizagem também ocorre quando as políticas públicas educacionais vigentes, representadas pela valorização dosprofissionais da escola, pela formação continuada, pela inclusão digital na escola, entre outras, se articulam ao projeto político-pedagógico. 31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADMINISTRAÇÃO PARA ADMINISTRADORES. Site. [S.l.]: Administração para Administra-dores, 2012. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2017. AMARAL, J. C. S. R. Fundamentos de apoio educacional. 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