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GESTÃO EDUCACIONAL E ORGANIZAÇÃO 
DO TRABALHO PEDAGÓGICO 
 2 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 
1.1 Os Sistemas Racionais, Naturais e Abertos ................................................... 3 
1.1.1 Sistema Racional (Gestão Científica) ...................................................... 3 
1.1.2 Sistema Natural (Relações Humanas) ..................................................... 4 
1.1.3 Sistemas Abertos (Ciências Sociais) ....................................................... 5 
1.2 Administrações Clássicas e Implicações Para a Educação e Prática 
Educacional ............................................................................................................. 6 
2. FUNÇÕES DO GESTOR ESCOLAR ................................................................... 8 
2.1 Desafios, Limites e Possibilidades ............................................................... 14 
2.2.1 O desenvolvimento profissional a partir de um trabalho realizado em 
equipe 15 
2.2.2 Principais características de um trabalho realizado em equipe ............. 16 
2.2.3 Organizações escolares: hierárquicas ou coletivas ............................... 17 
Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). ............................................................................. 20 
2.2.4 Características fundamentais das funções típicas de uma escola ........ 20 
3. O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ........................................................... 23 
3.1 A Construção de um Projeto Político-Pedagógico e os Ideais de uma Gestão 
Democrática ........................................................................................................... 25 
3.1.1 A construção de um projeto político-pedagógico: Elementos constitutivos
 26 
3.1.2 Administrativa ........................................................................................ 27 
3.1.3 Pedagógica ............................................................................................ 27 
3.2 O Projeto Político-Pedagógico Como Construção Coletiva nas Relações de 
Trabalho ................................................................................................................. 28 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 30 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 31 
 
 
 
 3 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A escola é uma instituição organizada por meio dos sujeitos que a constituem. 
Ou seja, é composta por uma equipe diretiva, professores, funcionários, famílias e 
alunos. 
Para compreender melhor essa instituição, vamos começar com o estudo sobre 
as concepções de organização e gestão escolar, compreendendo como estas se 
definem a partir do cenário social, político e cultural ao qual pertencem. Sendo a 
escola um espaço formal de educação, ela tem o compromisso com o ensino e com a 
aprendizagem dos alunos, o que se dá por meio das práticas pedagógicas e 
curriculares. 
Assim, para que a escola consiga cumprir com seu compromisso, há a 
necessidade de que elas sejam administradas, ou seja, geridas de acordo com seus 
objetivos sociais, políticos e culturais. Desta forma, encontramos posições bem 
diferentes (divergentes até) entre as concepções que guiam a prática da gestão de 
uma escola. 
 
1.1 Os Sistemas Racionais, Naturais e Abertos 
 
Um sistema é definido como um conjunto de partes integrantes, 
interdependentes e interativas que forma um todo unitário com objetivo próprio e 
específico. Tem seu produto final e busca constantemente a adequação de seus 
processos por meio de ações de melhoria (COLOMBO, 2004). 
 
1.1.1 Sistema Racional (Gestão Científica) 
 
Este sistema entende a organização a partir de instrumentos formais, que são 
projetados para alcançar objetivos organizacionais, tendo a estrutura como sua 
característica primordial. Os autores que trabalham com o conceito de sistema 
racional são Frederick Taylor (1856-1915), Jules Henri Fayol (1841-1925), Luther 
Gulick (1892-1993), Lyndall Urwick (1891-1983) e Max Weber (1864-1920). 
Apoiado pela racionalidade, esse sistema adota um conjunto de ações para 
atingir metas pré-determinadas a partir de um tempo programado e com a máxima 
eficiência. Fundamenta-se também nas ideias do norte-americano Frederick Taylor 
 4 
 
 
(taylorismo), o pai da gestão científica, que buscou usar as pessoas com eficácia nas 
organizações industriais. Taylor compreendia que os indivíduos poderiam ser 
programados como máquinas para alcançar a sua máxima eficiência. Veja a seguir 
alguns princípios básicos da gestão científica com base em um sistema de 
organização racional (HOY; MISKEL; TARTER 2015): 
▪ As organizações existem principalmente para realizar seus objetivos. 
▪ A divisão do trabalho conduz à especialização. 
▪ A especialização promete a competência, ou expertise. 
▪ A padronização das tarefas produz a eficiência. 
▪ A hierarquia promove conformidade disciplinada. 
▪ Uma estreita abrangência de controle melhora e supervisão. 
▪ O controle administrativo é essencial para a eficiência. 
▪ A racionalidade na tomada de decisão promove a eficiência. 
▪ A organização formal pode ser projetada para maximizar a eficiência. 
 
1.1.2 Sistema Natural (Relações Humanas) 
 
Este tipo de sistema contrasta com o racional, pois fornece outra visão da 
organização. Os autores que trabalham com a perspectiva do sistema natural são 
Mary Follett (1868-1933), Elton Mayo (1880-1949), Fritz Roethlisberger (1898-1974) e 
Douglas McGregor (1906-1964). 
 A perspectiva de sistemas naturais encara as organizações como mais 
semelhantes a organismos do que a máquinas. Ou seja, a abordagem de relações 
humanas suavizou o foco dos gestores científicos na estrutura organizacional com 
uma ênfase na motivação e na satisfação dos funcionários e na moral do grupo. 
 Porém, tanto a abordagem da gestão científica quanto a das relações humanas 
desconsideram o ambiente externo, ou seja, tratam as organizações como sistemas 
fechados. Veja a seguir alguns princípios básicos da gestão científica com base em 
um sistema de organização natural (HOY; MISKEL; TARTER, 2015): 
As organizações são primordialmente grupos sociais tentando se adaptar e 
sobreviver. 
▪ As necessidades individuais são os motivadores principais do desempenho 
organizacional. 
▪ Os indivíduos são mais importantes do que a estrutura para atingir a eficácia. 
 5 
 
 
▪ Os indivíduos organizam-se informalmente com base em seus interesses. 
▪ Normas e procedimentos não oficiais muitas vezes são mais importantes do 
que os formais. 
▪ A tomada de decisão compartilhada promove a eficácia. 
▪ Uma ampla abrangência de controle aumenta a eficácia e a autonomia do 
professor. 
▪ A cultura organizacional faz a mediação dos efeitos da estrutura. 
▪ O trabalho em equipe é a chave para o sucesso organizacional. 
▪ As estruturas informais são mais importantes do que as formais. 
 
1.1.3 Sistemas Abertos (Ciências Sociais) 
 
Este sistema apresenta como característica principal uma organização que não 
só é influenciada pelo ambiente, mas também é dependente dele. Nesse sentido, as 
escolas são sistemas sociais que retiram do ambientes recursos, como mão de obra, 
alunos e dinheiro, e submetem essas entradas a um processo de transformação 
educacional para produzir alunos e graduados letrados e instruídos. Os autores que 
trabalham com o conceito de sistema aberto são Max Weber (1864-1920), Chester 
Barnard (1886-1961), Saint Simon (1760-1825), Talcott Parsons (1902-1979), Karl 
Weick (1936-), DanielKatz (1903-1998) e Robert Kahn (1908-). 
 Como a abordagem de sistemas racionais (particularmente os gestores 
científicos) ignorava o impacto das necessidades individuais e das relações sociais, e 
como os sistemas naturais (especialmente os defensores de relações humanas) não 
levavam em conta a estrutura formal, essas duas perspectivas de sistemas acabam 
sendo limitadas e incompletas. Certamente que os aspectos formais e informais, bem 
como a estrutura e as pessoas, são cruciais para entender as organizações. 
 Os sistemas abertos escolares estão preocupados igualmente com a estrutura 
e com o processo. Esse sistema é dinâmico: com estabilidade e ao mesmo tempo 
flexibilidade, com relações estruturais firmes e também frouxas. A organização não é 
um arranjo estático de relações e cargos. Para sobreviver, a organização deve se 
adaptar e, para se adaptar, ela precisa mudar. Assim, a interdependência da 
organização com o ambiente é fundamental. 
Veja a seguir alguns princípios básicos de um sistema de organização aberto 
(HOYK & MISKEL, 2015): 
 6 
 
 
▪ Todas as organizações são sistemas abertos que interagem com seu ambiente. 
▪ O comportamento organizacional depende da interação da estrutura 
organizacional com as necessidades individuais. 
▪ Todas as organizações têm características racionais e naturais. 
▪ As organizações precisam tanto de vinculações frouxas quanto firmes para ter 
sucesso. 
▪ A política permeia a vida organizacional. 
▪ As organizações têm duas faces interativas: uma formal e outra informal. 
▪ Não há melhor maneira de organizar, motivar, decidir, liderar, ou se comunicar: 
a eficácia desses processos depende de uma série de contingências. 
 
1.2 Administrações Clássicas e Implicações Para a Educação e Prática 
Educacional 
 
Para compreender a organização e atual conjuntura da gestão educacional, 
faz-se necessário recordar um pouco sobre seu trajeto histórico. No início, a gestão 
educacional era denominada por outro termo, como administração escolar, com 
escritos que datam da década de 1930 no Brasil. Anterior a esse período, até a 
Primeira República consistiam em "memórias, relatórios e descrições de caráter 
subjetivo, normativo, assistemático e legalista" (SANDER, 2007a, p. 21). Tal fato 
aponta a existência de pessoas que se ocupam com os afazeres quanto à 
administração educacional, mas não eram reconhecidas profissionalmente enquanto 
função. 
 A partir da década de 1930 a administração educacional se desenvolve sob 
influências dos ideais progressistas de educação, contrapondo-se à educação 
tradicional, que não favorecia as ideias de expansão industrial que o país vivenciava 
naquele momento (SANDER, 2007b). O cenário educacional, entusiasmado com o 
movimento pedagógico da Escola Nova, principalmente por estudos de John Dewey, 
apoiava a necessidade de aprimorar a cientificidade no campo educacional, 
ampliando a oferta educacional. 
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova mencionava a ausência de 
espírito filosófico e científico na resolução dos problemas da administração escolar 
como principal responsável pela desorganização da estrutura escolar (MANIFESTO, 
 7 
 
 
2006). A partir de então, despontam estudos que fomentaram as bases para o 
surgimento dos primeiros escritos teórico sobre o tema Administração Escolar. 
No início do século XX, a expansão da oferta educativa e consequente aumento 
dos afazeres nos processos administrativos da educação suscitaram uma 
organização de administração modernizada. Desta forma, a administração 
educacional passou a se basear na organização das companhias, empresas e 
associações industriais ou comerciais (LEÃO, 1945). 
A administração educacional absorve as premissas da administração geral, 
desenvolvida por Henry Fayol com base nos seguintes argumentos, de acordo com 
Leão (1945): 
▪ Operações técnicas (distribuição, produção, transformação). 
▪ Operações financeiras (rendimento do trabalho efetuado). 
▪ Operações de segurança (proteção dos bens e das pessoas). 
▪ Operações de contabilidade (inventários, balanços, estatísticos...). 
▪ Operações administrativas propriamente ditas (previdência, organização, 
comando, coordenação, colaboração, verificação). 
O Diretor Escolar era um educador com conhecimento da política educacional 
e dos saberem técnico-administrativos. Estava subordinado ao Diretor da Educação e 
agia de forma a reproduzir a sua visão administrativa educacional. Nesse sentido, o 
Diretor da Educação atua de forma mais específica voltada à administração, enquanto 
que o Diretor de Escola se ocupa também dos assuntos pedagógicos. 
A estrutura administrativa passa a ser concebida como uma organização 
baseada na hierarquia das funções, segundo a teoria de Fayol. Assim, o diretor da 
escola assume um importante papel de dirigir o trabalho, auxiliando no progresso 
mental e moral da comunidade inserida. Passa a ser uma espécie de líder, aquele que 
conduzirá todos os envolvidos no processo escolar (LEÃO, 1945). 
 
 
 
 
 
 
 
 8 
 
 
2. FUNÇÕES DO GESTOR ESCOLAR 
 
No exercício da função de Diretor da escola, como destacamos no 
organograma, o profissional necessita apresentar certas características além da 
liderança, como a experiência. 
 
Figura 1: Conhecimentos do diretor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: (LEÃO, 1945). 
 
Segundo Leão (1945, p. 167), o Diretor de Escola "não deixa de ser educador, 
mas sua ação amplia-se. É então o coordenador de todas as peças da máquina que 
 9 
 
 
dirige o líder de seus companheiros de trabalho, o galvanizador de uma comunhão de 
esforços e de ações em prol da obra educacional da comunidade". Assume a função 
de destaque e proximidade com a comunidade escolar, colaborando na execução das 
premissas determinadas no entendimento do Diretor de Educação. 
 Nas escolas maiores, com intenso volume de trabalho educativo, o diretor 
necessitava de auxílio, os chamados "peritos especializados" ou inspetores 
orientadores, eram profissionais destinados a observar as atividades desenvolvidas 
por estudantes e professores. Desta forma, emitiam análises e julgamentos sobre os 
métodos e processos aplicados, com a finalidade de orientar e conduzir os trabalhos 
educativos (LEÃO, 1945). 
 Nesta forma de divisão do trabalho, ao professor cabe a função de “técnico 
cuja função é preparar o ambiente e os meios dentro dos quais e pelos quais a 
educação se processa naturalmente” (LEÃO, 1945, p. 227). Leão (1945, p. 10) aponta 
ainda que “a administração não é nem um privilégio exclusivo nem uma sobrecarga 
pessoal do chefe ou dos dirigentes; é uma função repartida, como as demais funções 
especiais, entre a cabeça e os membros do corpo social”. Ou seja, a expressão 
“cabeça” refere-se ao Diretor de Educação, responsável por pensar a política 
educacional, no sentido de diretrizes, linhas gerais. Os membros seriam aqueles a 
quem compete colocar em prática a política educacional. 
Observe, no quadro a seguir, uma síntese sobre a concepção do papel da 
Direção Escolar e os pressupostos que conduziriam o trabalho da Gestão Escolar, 
expressos por Souza (2006). Na época não havia uma divisão entre o papel do diretor 
escolar e os aspectos referentes à gestão escolar, ambos se fundiam numa ação 
somente: o trabalho administrativo educacional desenvolvido na função do Diretor 
Escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 10 
 
 
Quadro 1: Concepção do papel da Direção Escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: (Souza, 2006). 
 
Após os anos de 1970, outra visão sobre a gestão escolar surgiu, diferenteda 
aceita desde os anos de 1930. Emergem estudos críticos sobre as formas de agir e 
pensar a educação no país, sobretudo avançando nas questões que envolvem a 
Gestão Educacional. 
 O movimento político-democrático de reabertura no Brasil oferece uma nova 
fase de elaborações teóricas no campo da administração escolar, a partir do enfoque 
sociológico. Este novo enfoque surge das lutas na conquista da democracia e 
cidadania, consolidação de estudos em nível de pós-graduação no país e a influência 
dos estudos marxistas (SOUZA, 2006). 
O enfoque tecnocrático de administração escolar, defendido até o momento, 
passa a ser questionado por diversos estudiosos da época. Os teóricos baseiam-se 
 11 
 
 
na dúvida sobre a eficácia, para a educação, na relação estabelecida entre a 
racionalidade administrativa e os processos educativos, contribuindo para as 
desigualdades sociais. 
Arroyo (1979) aponta sobre o entendimento da administração como exercício 
do poder a fim de reproduzir determinadas relações sociais que são funcionais à 
manutenção da sociedade civil, sob o prisma do desenvolvimento econômico, ou seja, 
do capitalismo. Tendo em vista que as desigualdades são inerentes à lógica deste 
sistema produtivo, a administração escolar, ao reproduzir as relações capitalistas, 
contribui na manutenção de tais desigualdades. Os princípios da administração geral, 
pensados sob uma racionalidade capitalista, ao serem adotados nos espaços 
escolares acabam por compactuar também desta racionalidade, contribuindo para a 
manutenção das relações de exploração capitalista. 
 A administração capitalista, apesar de sua hegemonia na sociedade, consiste 
apenas em um tipo de administração, o que não impedia a sociedade na época de 
conceber outros processos administrativos orientados por uma lógica diferente. Nesse 
sentido, os estudiosos da época avançaram nas discussões em relação às críticas 
anteriores, investindo na ideia de se considerar os condicionantes sociais, históricos, 
políticos e econômicos, para desenvolverem uma administração escolar voltada para 
a transformação social. As ações desenvolvidas estariam voltadas para a participação 
social, contrapondo-se ao caráter conservador daquela administração pautada na 
racionalidade capitalista (PARO, 2000). 
A crítica levantada pelos estudiosos quanto ao enfoque tecnocrático aplicado 
às escolas da época suscitou o aparecimento do conceito de Gestão Escolar, mais 
precisamente, a preocupação com o desenvolvimento dos processos pedagógicos 
que deram sustentação para o conceito de Gestão Escolar. Uma forma de diferenciar 
os fazeres da escola em relação à visão técnica, que historicamente permeou o 
conceito de administração escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 12 
 
 
Quadro 2: Gestão Escolar. 
 
 Fonte: (Souza, 2006). 
 
Desta maneira, conseguimos observar no quadro o pensamento dos teóricos 
críticos quanto à percepção da ação do Diretor Geral e dos processos que envolvem 
a Gestão Escolar. Principalmente os aspectos técnicos que assemelham os trabalhos 
desenvolvidos na educação ao funcionamento de uma empresa com enfoque 
industrial. Os estudiosos passam a lembrar de aspectos próprios dos processos 
educativos, pertencentes ao universo da educação. 
 Na década de 1980, a sociedade brasileira convivia com a luta da 
democratização da escola pública, tanto para o acesso como das práticas 
desenvolvidas. Com a aprovação da Constituição Federal de 1988, surgem os estudos 
voltados para a Gestão Democrática do Ensino Público. 
 A partir de então, surgem estudos que diferenciam o conceito de gestão com 
o de administração. A gestão supera as especificidades da administração, pois se 
 13 
 
 
“assenta na mobilização do elemento humano, coletivamente organizado, como 
condição básica e fundamental da qualidade do ensino e da transformação da própria 
identidade das escolas” (LÜCK, 2007, p. 27). A administração passa a ser um dos 
elementos que compõe a gestão, como a gestão administrativa, que corresponde à 
administração de recursos, do tempo etc. A gestão envolve um sentido e prática mais 
abrangente, apresenta os elementos culturais, políticos e pedagógicos do processo 
educativo, sendo sua lógica “orientada pelos princípios democráticos” (LÜCK, 2007, 
p. 36). 
O uso do termo Gestão Escolar apresentou significado para os autores que 
defendiam, na década de 1980, uma gestão democrática. Segundo Adrião e Camargo 
(2007, p. 68), a adoção do termo gestão sugere “uma tentativa de superação do 
caráter técnico, pautado na hierarquização e no controle do trabalho por meio da 
gerência científica, que a palavra administração (como sinônimo de direção) continha”. 
A substituição da administração pelo termo gestão significava a tentativa de instaurar 
uma nova lógica na organização do trabalho. 
 
Quadro 3: Gestão Escolar. 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: (Souza, 2006). 
 
 
 Fonte: (Souza, 2006). 
 
Observamos nas informações do quadro, segundo Souza (2006), que todos 
os envolvidos na escola, por meio do trabalho pedagógico, são responsáveis pelo 
andamento do processo de ensino e aprendizagem. A administração escolar se 
desenvolve no atendimento ao conjunto de características que a escola apresenta. 
 Do mesmo modo, podemos refletir sobre a atuação do diretor em relação ao 
funcionamento da escola, expressando uma preocupação com a educação e com o 
 14 
 
 
desenvolvimento cultural dos estudantes. Nessa perspectiva, a educação se torna um 
instrumento que possibilita às camadas populares uma ampliação do universo cultural, 
de forma democrática. 
 
2.1 Desafios, Limites e Possibilidades 
 
Figura 2: Organizando a participação da comunidade escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Muller, 2012. 
 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), lei 
complementar da educação, estabelece e regulamenta as diretrizes gerais para a 
educação e seus respectivos sistemas de ensino. O art. 214 da Constituição Federal 
(1988), dispõe sobre a elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE (art. 9º), 
que mantemos princípios determinados pela lei maior, inclusive, o da gestão 
democrática do ensino público. 
O PNE, aprovado em 2001 - Lei nº 10.172/2001, conforme os textos legais, 
tem como objetivo apontar e desvelar os problemas referentes à qualidade do ensino 
e à gestão democrática decorrentes das diferenças socioeconômicas, políticas e 
regionais. Traz diagnósticos, diretrizes e metas para serem discutidas, avaliadas e 
implementadas tendo em vista a democratização da educação nacional. O PNE, 
também diz respeito aos diferentes níveis e modalidades da educação escolar, da 
gestão, do financiamento e dos profissionais da educação. 
A LDB nº 9.394/96 estabelece alguns princípios para a gestão democrática. 
No art. 3 sinaliza que o ensino será ministrado com base em diversos princípios e, 
entre eles, encontra-se a gestão democrática do ensino público, seguindo os preceitos 
dessa lei e da legislação dos sistemas de ensino. 
 15 
 
 
Nos artigos 14 e 22 da (LDB nº 9.394/96), assim como no Plano Nacional de 
Educação, está expresso que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão 
democrática do ensino público na educação básica com a participação dos 
profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e 
organizando a comunidade escolar e segmentos da sociedade local em conselhos 
escolares. Contudo, a democracia nas unidades escolares precisa estar vinculada a 
democratização dos vários segmentos sociais existentes, o que quase sempre é uma 
tarefa difícil. 
Sabemos que essa novaperspectiva de educação escolar é um processo e, 
por isso, está em mudanças constantes e que exige dos profissionais da educação 
conhecimento, comprometimento e responsabilidade, para que de fato esse preceito 
seja cumprido. A participação de toda a comunidade escolar é fator imprescindível 
para uma gestão democrática no espaço institucional da educação possibilitando a 
formação humana para todos. 
O exercício da democracia nas instituições de ensino, buscando a 
participação da comunidade escolar, permite que, atentos às mudanças sociais, as 
pessoas ampliem esse movimento, atuando de forma responsável também na 
sociedade como cidadãos conscientes. 
 
2.2.1 O desenvolvimento profissional a partir de um trabalho realizado em equipe 
 
O trabalho realizado em equipe na escola possui estreitos vínculos com os 
princípios de uma gestão democrática. Por quê? Porque esse trabalho compreende a 
importância do diálogo entre todos os participantes da escola. A partir de um 
planejamento organizado, equipes diretivas, professores, funcionários, alunos e 
famílias têm a oportunidade de realizar um trabalho em equipe que se torne produtivo. 
A Gestão Democrática da Escola [...] exige, em primeiro lugar, uma mudança 
de mentalidade de todos os membros da comunidade escolar. A gestão democrática 
da escola implica que a comunidade, os usuários da escola, sejam seus dirigentes e 
gestores e não apenas os seus fiscalizadores ou, menos ainda, os meros receptores 
dos serviços educacionais (GADOTTI; ROMÃO, 2004, p. 34-35). 
Assim, trabalhar coletivamente traz a oportunidade de socializar com as demais 
aprendizagens e os conhecimentos conquistados tanto no trabalho coletivo como na 
formação continuada realizada na escola. 
 16 
 
 
O desenvolvimento profissional que parte de um trabalho realizado em equipe, 
no qual há parceria e comprometimento, permite que os profissionais da escola 
avancem profissionalmente, qualificando a sua ação docente a partir das relações que 
se estabelecem nas escolas. 
 
 
 
 
 
 
2.2.2 Principais características de um trabalho realizado em equipe 
 
Figura 3: Características de um trabalho realizado em equipe. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Muller, 2012. 
 
Certamente, a primeira característica a ser lembrada é que quando um trabalho 
é feito em equipe, ele deixa de ser individual e passa a ser coletivo. Desse modo, os 
objetivos e as metas acabam sendo compartilhados por todos os sujeitos da escola. 
Como conseqüência, a sensação de pertencimento e comprometimento é de todos e 
não apenas de alguns. Nesse processo, conseguimos perceber que começa a surgir 
o reconhecimento e o respeito com as diferenças individuais. Para que tudo isso 
aconteça, é imprescindível que haja clareza na comunicação. Aliás, lembre-se de que 
 
 17 
 
 
a comunicação deve ser uma constante em todo esse processo. Outro aspecto 
importante é que há o desenvolvimento de uma cultura colaborativa e de confiança 
entre os integrantes de um trabalho coletivo. Essa confiança, por sua vez, acaba 
gerando um feedback tanto para o aperfeiçoamento de processos ou atitudes quanto 
para a retomada das ações realizadas. Veja na figura a seguir como essas 
características estão interconectadas. 
 
Figura 3: Trabalho em equipe. 
 
 Fonte: Muller, 2012. 
 
2.2.3 Organizações escolares: hierárquicas ou coletivas 
 
Sistemas, as escolas são conhecidas como organizações fragmentadas 
“celulares”. Para ilustrar essa ideia, vamos utilizar a figura de uma caixa de ovos, que 
distribui nas escolas/salas de aula os alunos e professores de maneira a ficarem 
protegidos e separados uns dos outros por divisórias físicas e mentais. 
De fato, essa ideia da separação e da prescrição das funções, obedecendo a 
uma hierarquia preestabelecida, remonta à implantação da obrigatoriedade da escola, 
na metade do século XIX, e corresponde a uma lógica de organização da época 
 18 
 
 
conhecida como concepção técnico-científica, ou científica--racional, preocupada em 
tornar mais eficazes primeiro as cadeias de produção industriais e, depois, as 
burocracias. De caráter conservador, a concepção técnico-científica tem uma 
arquitetura escolar centralizada em uma única pessoa (assumindo o cargo de 
direção), com as decisões seguindo o fluxo de cima para baixo. Outra característica 
visível desse funcionamento burocrático, além dos espaços bem definidos para cada 
um dos sujeitos que fazem parte da escola (daí a ideia da hierarquia) é que o plano a 
ser seguido costuma ser elaborado sem considerar a participação das pessoas e a 
troca de ideias entre elas. O grande objetivo é funcionar como uma empresa, com 
departamentos específicos, e buscando a eficiência e a eficácia a todo custo, 
pensando somente em resultados e não em algum tipo de integração. Nesse modo 
de organização escolar, a realidade tende a ser vista como algo controlável, objetivo 
e neutro e que pode ser mensurado (refletindo seu caráter cientificista). 
Rompendo com as ideias dominantes na metade do século XX, sabemos hoje 
que, para conduzir a mudança no interior dos sistemas educacionais, a ação apenas 
sobre as estruturas não é suficiente. Ou seja, não adianta a arquitetura escolar se 
apresentar de maneira diferente se as relações entre os sujeitos da escola 
permanecem inalteradas – hierárquicas. 
Assim, com o passar dos anos, surgiu uma concepção diferente, denominada 
sociocrática, que, em vez de trabalhar com o conceito de hierarquias, tem como base 
a coletividade: a escola funciona como um todo, e as funções antes segmentadas, 
são unidas em torno de um bem comum: o aluno. As decisões agora, objetivando 
interesses coletivos, são tomadas de baixo para cima, e contam com a participação 
de todos da comunidade escolar. Nessa concepção sócio crítica, as relações entre os 
profissionais das escolas ultrapassam as questões meramente estruturais, 
fundamentando-se na importância e na valorização de todas as áreas de atuação dos 
profissionais da escola. Cada função desempenhada na escola é reconhecida, pois 
cada uma delas se articula, isto é, funciona de forma coletiva, para que a escola tenha 
um trabalho de excelência com o aluno, apresentando uma proposta qualificada 
quando se fala em ensino e em aprendizagem. 
Repensando a organização do trabalho coletivo Para Thurler e Maulini (2012), 
os sistemas escolares claramente não correspondem a blocos estáticos e monolíticos. 
Daí a importância de repensar a organização do trabalho coletivo, apesar das dúvidas 
e hesitações dos atores envolvidos. Talvez seja esta a única maneira de atender às 
 19 
 
 
diversas solicitações que invadem os estabelecimentos escolares, permitindo-lhes 
fazer a triagem delas e adotar uma orientação comum, sólida e promissora. O 
organograma a seguir apresenta um modelo de organização da escola de forma 
descentralizada e coletiva, compreendendo a importância e a participação de todos 
os sujeitos pertencentes à escola. 
 
Figura 4: Gestão escolar. 
Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). 
 
A estrutura de organização da escola do organograma apresenta a articulação 
entre os diferentes segmentos da comunidade escolar, afastando-se do modelo 
fragmentado, hierárquico, ilustrado anteriormente pela “caixa de ovos”. Uma 
organização de gestão escolar que parte de uma concepção democrática participativa 
prioriza a valorização do trabalho coletivo, concebendo a participação de todos nas 
decisões que se fizerem importantes ao cotidiano escolar. Para que ocorra na 
realidade o fluxo harmônico de atividades em uma escola (conforme você viu no 
organograma), é imprescindível que todos os envolvidos conheçam as funções20 
 
 
desempenhadas pelas diferentes partes desse organograma. Assim, você vai ver 
agora um pouco mais sobre cada um desses elementos, que giram em torno do aluno 
Geralmente a organização interna da escola é apresentada pelo regimento 
escolar a partir de uma legislação específica estadual e/ou municipal. 
 
Figura 5: Regimento Escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: (Pedagogas 2012, 2012). 
 
2.2.4 Características fundamentais das funções típicas de uma escola 
 
De fato, precisamos de uma organização que apresente as demandas/ 
responsabilidades de cada segmento a fim de trabalhar coletivamente para o bom 
funcionamento da escola como um todo. A partir desse entendimento, você vai ver 
agora as características fundamentais de cada uma das unidades e funções típicas 
de uma escola. 
Conselho escolar – é um órgão da escola que possui atribuições consultivas, 
deliberativas, fiscais e mobilizadoras a partir de definições da legislação estadual e 
municipal, descritas no regimento escolar. Envolve aspectos pedagógicos, 
administrativos e financeiros. É composto por certa proporcionalidade com a 
participação de docentes, especialistas em educação, funcionários, pais e alunos, 
tendo a função básica de democratizar as relações de poder. Assim, metade dos 
representantes são pessoas que trabalham nas escolas, professores e funcionários, 
e a outra metade são representantes de alunos e pais. Os conselhos escolares são 
amparados pela Constituição Federal de 1988 quanto à organização 
democrática do ensino público: 
 
 
 21 
 
 
Quadro 4: Funções do conselho escolar. 
 
 Fonte: Brasil, 2004. 
 
Equipe pedagógica: corresponde às atividades de coordenação pedagógica e 
orientação educacional. Segundo Libâneo (2001), o coordenador pedagógico 
supervisiona, acompanha, assessora e avalia as atividades pedagógico-curriculares. 
A principal função desse profissional é prestar assistência pedagógico-didática aos 
professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho 
desenvolvido com os alunos. A função do orientador educacional é direcionada ao 
atendimento e acompanhamento dos alunos, bem como ao relacionamento escola-
pais-comunidade. 
 Professores: segundo Libâneo (2001), o corpo docente é constituído pelo 
conjunto dos professores, que trabalham efetivamente na escola com a função básica 
de realizar o objetivo prioritário da escola: o ensino. Os professores, em conjunto com 
a direção, o coordenador pedagógico e o orientador educacional, formam a equipe 
escolar. Além do seu papel específico de docência das disciplinas, os professores têm 
responsabilidades de participar na elaboração do projeto político-pedagógico, da 
 22 
 
 
realização das atividades da escola e das decisões dos conselhos de escola e de 
classe ou série, e das reuniões com os pais. 
Funcionários: participam do processo educacional, dando o suporte 
necessário para que a aprendizagem dos alunos aconteça. Os funcionários de uma 
escola podem exercer funções diversas, como o preparo das alimentações, a limpeza 
da escola, atividades na secretaria da escola, na biblioteca, e a segurança da escola. 
A organização funcional de uma escola é composta pela distribuição de seus 
profissionais, ou seja, cada um possui uma área específica de atuação. Assim, temos 
os professores, a equipe diretiva e pedagógica, os funcionários e o conselho escolar. 
Todos esses atores devem trabalhar em um movimento conjunto para atender aos 
interesses e as necessidades de seu público: os alunos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 
 
O Projeto político-pedagógico (conhecido comumente pela abreviação PPP, e 
que será utilizada a partir de agora) é um documento que apresenta e identifica uma 
escola, sendo constituído a partir de um movimento realizado em conjunto entre todos 
os sujeitos que pertencem a ela. 
O art. 15 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (no 9.394/96) diz que: 
Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de 
educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica 
e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito 
financeiro público (BRASIL, 1996, art. 15). 
De fato, este artigo concedeu à escola autonomia, ou seja, a liberdade e a 
responsabilidade de realizar sua própria proposta pedagógica, atendendo aos 
interesses da comunidade escolar. 
A construção da identidade da escola requer reflexão e muito estudo sobre a 
sua intencionalidade e a sua pertinência para a existência da escola como instituição. 
Vamos recorrer à LDBEN novamente, desta vez para destacar alguns artigos que 
versam sobre a importância da missão da escola (BRASIL, 1996, art. 12-art. 14): 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as 
do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: 
I – Elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
VII – informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, 
os responsáveis legais, sobre a freqüência e rendimento dos alunos, bem como sobre 
a execução da proposta pedagógica da escola; 
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: 
I – Participar da elaboração da proposta pedagógica do estabeleci mento de 
ensino; 
 24 
 
 
II – Elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino; 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do 
ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme 
os seguintes princípios: 
I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola; 
As exigências legais precisam ser transformadas na prática, garantindo a 
legislação vigente em situações que organizam e atribuem autonomia às escolas. 
Desta forma, a construção de um projeto político-pedagógico (PPP) não deve 
ser reduzida a uma atividade verticalizada ou a um cumprimento formal e burocrático 
de tarefas: um PPP deve garantir a construção da autonomia da escola, assegurando 
uma gestão democrática por meio de uma elaboração coletiva. 
O projeto político-pedagógico constitui-se a partir de uma visão que envolve 
uma trama de elementos, que, juntos, formam a identidade de uma escola, como você 
pode observar na Figura 6. 
 
Figura 6: PPP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: (CAIC, 2015). 
 
 
 25 
 
 
Veja alguns elementos fundamentais que constituem o PPP na Figura 7: 
 
Figura 7: Fundamentos do PPP. 
 
 
Fonte: Zimmer, 2013. 
 
3.1 A Construção de um Projeto Político-Pedagógico e os Ideais de uma 
Gestão Democrática 
 
A autonomia e gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza 
do ato pedagógico. A gestão democrática da escola é, portanto, uma exigência de seu 
próprio projeto político-pedagógico. (GADOTTI, 2000, p. 36). 
A qualidade do ensino possui estreitos vínculos com a construção coletiva de 
uma PPP e a sua efetivação na prática cotidiana realizada nas escolas. O princípio 
fundamental de uma gestão democrática é a participação. 
Segundo Amaral (2014), é pela participação que os sujeitos da escola se 
apropriam da sua possibilidade de tomar parte na ação. A diferença de papéis e visão 
de mundo e a percepção da complexidade da sociedade, da escola e dos diferentes 
pontos de vista produzidos pelo diálogo inerente aos processos participativos acabam 
traduzindo o verdadeiro significado de democracia. Para Gadotti (2000), todo esse 
processo participativo de construção do PPP no contexto da gestãodemocrática 
apoia-se: 
 26 
 
 
▪ No desenvolvimento de uma consistência crítica individual e coletiva; 
▪ No envolvimento e comprometimento das pessoas: as comunidades internas 
na e externas à escola; 
▪ Na participação e na cooperação das várias esferas do governo; 
▪ Na autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e como produto 
do projeto escolar. 
Ou seja, pelas palavras de Gadotti (2000), os participantes da construção de 
um PPP são sujeitos que, de certa forma, tornam-se pertencentes a uma construção 
coletiva que identifica e representa a identidade de uma instituição escolar. Ou seja, 
quando algo é construído pela coletividade, possui um compromisso que se amplia e 
deixa de ficar centralizado apenas nas mãos de algumas pessoas, passando a ser 
assumido por toda uma comunidade. No caso do projeto político-pedagógico, ele é 
assumido por toda a comunidade escolar. 
 
3.1.1 A construção de um projeto político-pedagógico: Elementos constitutivos 
 
Segundo Farias e Salles (2012), a construção de um PPP deve ter o aluno 
como o centro do processo educativo, compreendendo-o como um sujeito de direito à 
educação em sua integralidade, ou seja, nos aspectos afetivos, cognitivo, físico, social 
e cultural. Veja a seguir um roteiro com os elementos constitutivos de um projeto 
político-pedagógico: 
História da escola: os momentos históricos vivenciados pela escola devem ser 
registrados no início deste documento, resgatando o passado para entender o 
presente e programar o futuro da escola. 
▪ Contexto sociocultural: o contexto sociocultural busca caracterizar a 
condição social e cultural da comunidade em que a escola está inserida. 
▪ Concepções da ação educativa : expõem a visão de sociedade, de educação, 
de ensino, de aprendizagem e de currículo. 
▪ Finalidades e objetivos: apontar qual é a razão da existência desta instituição 
educacional, colocando sempre o aluno como o centro do processo. 
 
 
 
 
 27 
 
 
3.1.2 Administrativa 
 
▪ A estrutura física, que vai descrever os espaços da escola, ou seja, o número 
de salas, a estrutura de pátio, as áreas internas e externas da escola. 
▪ Os recursos materiais, que são os materiais disponíveis na escola para o 
trabalho a ser realizado junto aos alunos, podendo ser identificados como: mobiliário, 
materiais didáticos e pedagógicos, jogos, brinquedos, entre outros. 
▪ Os recursos humanos, que constituem os profissionais que compõem o 
quadro funcional da escola. Diretor e vice-diretor, supervisores/ coordenadores, 
professores e funcionários do pátio e da cozinha. 
▪ O corpo docente, que são os professores, ou seja, aqueles profissionais que 
trabalham diretamente com os alunos. 
▪ O corpo discente, que são os alunos (é imprescindível descrever quem são 
esses alunos). 
▪ Os recursos financeiros, isto é, quais são os recursos financeiros 
disponibilizados à escola (isso é extremamente importante para garantir um horizonte 
de expectativas condizente com a realidade econômica da escola; não adianta sonhar 
com coisas dispendiosas se não haverá orçamento suficiente) 
 
3.1.3 Pedagógica 
 
▪ A metodologia de ensino, que descreve qual metodologia de ensino é adotada 
pela escola. Ou seja, como se dá na prática o trabalho desenvolvido com os alunos. 
▪ A relação professor/aluno/comunidade, isto é, a relação professor/ 
aluno/comunidade é de suma importância para o desenvolvimento de uma educação 
de qualidade na escola. No PPP deve ser descrito como e de que forma essa relação 
se dará. 
▪ A avaliação do ensino, que prevê como se dará o processo de avaliação do 
ensino realizado na escola. 
▪ O tempo escolar, que descreve os tempos da escola (horários de entrada e de 
saída). Também prevê e diferencia o tempo institucional do tempo do aluno. 
▪ A avaliação do projeto político-pedagógico, que prevê como serão feitos o 
acompanhamento e a execução do PPP da escola, e qual será a periodicidade desta 
avaliação. 
 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2 O Projeto Político-Pedagógico Como Construção Coletiva nas Relações 
de Trabalho 
 
Figura 8: PPP: Construído por muitas mãos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Muller, 2012. 
 
O que é um projeto político-pedagógico? Que é um projeto, certamente. Por 
quê? Porque propõe ações concretas a serem postas em prática em um dado espaço 
de tempo. Mas, a que se refere o político? Esse projeto é político porque vê a escola 
como um ambiente de conscientização de cidadãos responsáveis e críticos, que, por 
meio de suas ações coletivas e individuais, ajudarão na transformação da sociedade 
em que vivem. Esse projeto também é pedagógico, porque ordena e estabelece as 
ações e as atividades educativas para que o processo de ensino e aprendizagem 
funcione da maneira esperada e descrita pelo PPP. 
Quando nos referimos a um projeto político-pedagógico (comumente conhecido 
na área como PPP), logo pensamos na qualidade do trabalho desenvolvido pela 
escola, mas também no tipo de sociedade que pretendemos construir. Trata-se de um 
processo marcado por ações intencionais a partir de um compromisso firmado em um 
Saiba mais sobre a construção do projeto político-pedagógico a partir de uma 
premissa coletiva por meio de uma gestão/educação descentralizada lendo o 
artigo Educação e Gestão Descentralizada: Conselho Diretor, Caixa Escolar, 
Projeto Político-Pedagógico (CABRAL NETO; ALMEIDA, 2000). 
Acesse o link para ver um exemplo de um PPP da cidade de Balsa Nova, no 
Estado do Paraná: 
 
 29 
 
 
movimento coletivo entre os sujeitos de uma comunidade escolar. Em resumo: o 
Projeto Político Pedagógico é caracterizado como um documento articulador entre a 
teoria e a prática vivenciada nas escolas, reunindo todos os seus integrantes. 
O PPP tem como referência uma gestão democrática, na qual cada segmento 
da escola busca contribuir na construção de um documento que pertence a todos. 
Esse documento é resultado de um processo de discussão, que define de forma 
coletiva as metas e as prioridades de uma instituição escolar, a fim de garantir uma 
educação que prime pela qualidade. 
Nesse sentido, a colaboração e participação de todos é fundamental em um 
processo de (re) construção do PPP. Segundo Veiga (2000, p. 15), para que essa 
iniciativa se concretize, não precisamos “[...] convencer os professores, a equipe 
escolar e os funcionários a trabalhar mais, ou mobilizá-los de forma espontânea, mas 
propiciar situações que lhes permitam aprender a pensar e a realizar o fazer 
pedagógico de forma coerente. ”. Assim, Veiga (2000) destaca a importância da 
participação dos sujeitos da escola adotando uma perspectiva democrática e 
participativa, e não verticalizada, formal ou linear, com base em uma obrigatoriedade 
contraproducente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 30 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Torna-se necessário um conjunto de fatores para que se conquiste uma 
melhoria na qualidade do ensino e da aprendizagem. Além disso, é fundamental nesse 
processo que a prática pedagógica seja constantemente repensada: os alunos 
precisam fazer parte do processo de inovação da sua maneira de ensinar e do 
aprimoramento da metodologia de trabalho empregada. A educação é uma atividade 
essencialmente humana. 
Logo, uma educação de qualidade está aliada à qualidade de vida das pessoas. 
Isso somente se torna possível por meio de uma gestão democrática que prime pelo 
desenvolvimento integral dos alunos. A qualidade no ensino e na aprendizagem 
também ocorre quando as políticas públicas educacionais vigentes, representadas 
pela valorização dosprofissionais da escola, pela formação continuada, pela inclusão 
digital na escola, entre outras, se articulam ao projeto político-pedagógico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 31 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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