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Exame Físico de Cabeça e Pescoço INSPEÇÃO Na inspeção de cabeça e pescoço, o examinador deve avaliar forma, simetria e anormalidades visíveis. - Observe o tamanho e contorno do crânio, assim como a implantação e quantidade de cabelos (buscando áreas de alopecia, higiene e presença de lesões no couro cabeludo) - Avalie a face (tipos de fácies) quanto à simetria dos traços e expressões; alterações faciais podem sugerir patologias específicas (por exemplo, face arredondada “cushingoide” em hiperadrenocorticismo, facemixedematosa em hipotireoidismo, facies leonina em lepromatose, etc.) - Verifique o olhar e a posição de estruturas faciais: ptoses palpebrais ou desvio ocular podem indicar neuropatias cranianas. Inspecione a pele da face e pescoço em busca de lesões, edema ou cicatrizes cirúrgicas. Observe também o pescoço: seu alinhamento, a presença de ingurgitamento jugular (turgescência das veias jugulares) ou pulsações anômalas. A ingurgitação jugular visível com o paciente semideitado (30-45°) sugere pressão venosa central elevada, ocorrendo tipicamente na insuficiência cardíaca congestiva direita. - Em crianças, atenção ao perímetro cefálico (macrocefalia pode indicar hidrocefalia; microcefalia, infecções congênitas, etc.) Em adultos, deformidades cranianas podem sugerir traumas prévios ou condições como acromegalia (crânio e mandíbula aumentados). PALPAÇÃO: A palpação complementa a inspeção, permitindo identificar estruturas e eventuais massas ou zonas dolorosas. Palpe delicadamente o crânio para verificar deformidades, depressões ou nodulações. Palpe as artérias temporais (acima do arco zigomático) – pulsos anormais ou doloridos podem indicar arterite temporal em idosos. Avalie a articulação temporomandibular enquanto o paciente abre e fecha a boca, notando crepitação ou dor que podem indicar disfunção da ATM (articulação temporomandibular). No pescoço, a palpação foca principalmente em linfonodos, tireoide e tráqueia. Palpe os linfonodos cervicais em sequência sistemática: pré-auricular, retroauricular, occipital, cervical superficial, cadeia cervical profunda, tonsilar, submandibular, submentual e supraclavicular. Note tamanho, consistência, mobilidade e dor à palpação. Linfonodos normais são pequenos, móveis e indolores; já linfonodos aumentados ou endurecidos podem ser patológicos. Por exemplo, linfonodos cervicais endurecidos e indolores (popularmente “ínguas” sem dor) podem ser o primeiro sinal de linfoma, sobretudo se persistentes na ausência de infecção evidente . No linfoma de Hodgkin ou não Hodgkin, é comum linfadenopatia indolor em pescoço, axilas ou virilha, enquanto linfonodos dolorosos geralmente apontam para infecção local. Palpe também as glândulas salivares (parótidas e submandibulares) buscando aumentos de volume que ocorrem, por exemplo, em caxumba ou cálculo salivar. Avalie a glândula tireoide posicionando-se atrás do paciente: identifique o istmo abaixo do Pomo de Adão e palpe os lobos lateralmente durante a deglutição (a tireoide ascende na deglutição). Verifique se a tireoide é palpável (normalmente não é facilmente palpável) e descreva seu tamanho, mobilidade, consistência e sensibilidade. Bócio difuso pode ser macio em Doença de Graves ou firme/irregular em tireoidites e bócios multinodulares. Nódulos isolados podem sugerir adenomas ou neoplasias tireoidianas. Palpe a traqueia na linha média – desvio traqueal pode indicar massas assimétricas no pescoço ou condições intratorácicas (por exemplo, desvio da traqueia para o lado contralateral em pneumotórax hipertensivo, onde ar está preenchendo a cavidade torácica e comprimindo os pulmões). PERCUSSÃO: A percussão não é rotineiramente utilizada no exame de cabeça e pescoço, exceto em situações específicas. Pode-se percutir suavemente os seios paranasais (frontal e maxilar) com a ponta dos dedos para avaliar dor à percussão – a presença de dor pode indicar sinusite. Além disso, em suspeita de hipotireoidismo, o sinal de Chvostek (percussão do nervo facial) poderia ser testado, embora seja mais um reflexo neuromuscular do que parte do exame habitual. Em geral, para cabeça e pescoço, valoriza-se mais a inspeção e palpação, com a ausculta aplicada apenas em vasos ou glândula tireoide quando necessária. AUSCULTA A ausculta no exame de pescoço é reservada para estruturas vasculares e a tireoide. Utilizando o diafragma ou a campânula do estetoscópio, ausculte cada artéria carótida lateralmente no pescoço (pedindo ao paciente para prender a respiração brevemente). Sopros carotídeos audíveis sugerem estenose aterosclerótica da carótida, o que eleva risco de eventos isquêmicos cerebrais. Sempre ausculte antes de palpar a carótida, para evitar desencadear bradicardia reflexa ou deslocar um possível trombo. Na glândula tireoide aumentada (bócio), especialmente em bócio vascular da Doença de Graves, realize a ausculta sobre a região tireoidiana: um sopro ou frêmito pode ser audível em tireoides hiperfuncionantes ou muito vascularizadas. A presença de sopro tireoidiano indica hipervascularização, comum no hipertireoidismo. A maioria das estruturas da cabeça (cérebro, vasos intracranianos) não são acessíveis diretamente à ausculta clínica; contudo, um sopro audível sobre a região temporal ou orbitária pode indicar, raramente, malformações arteriovenosas cranianas ou sopros transmitidos de estenoses carotídeas significativas. (Observação: No exame neurológico, a avaliação de pares cranianos complementa o exame de cabeça (pupilas, fundoscopia, motilidade ocular, etc.) ROTEIRO OSCE: 1. INSPEÇÃO GERAL DA FACE 1. Observar a simetria da face. 2. Procurar edemas, ptoses, manchas, alterações na pele, tremores ou espasmos. 3. Testar o nervo facial (VII) → Peça para o paciente levantar as sobrancelhas, fechar os olhos, sorrir e soprar. O que dizer ao examinador: "A face está simétrica, sem ptose (queda de pálpebra), tremores, assimetrias ou irritações na pele. A mobilidade facial é preservada." EXAME DOS OLHOS 1. Inspecionar pálpebras (ptose, edema), conjuntivas (anemia ou inflamação) e esclera (icterícia). 2. Testar motilidade ocular → Peça para o paciente seguir seu dedo formando um “H” no ar. 3. Testar reflexos pupilares (pares cranianos II e III): ○ Ilumine um olho e observe a contração da pupila (fotomotor direto). ○ Observe a pupila contralateral (fotomotor consensual). ○ Reflexo de acomodação → peça para olhar longe e depois perto. O que dizer ao examinador: "Pálpebras sem ptose, conjuntivas normocoradas, escleras anictéricas. Reflexos pupilares fotorreagentes e simétricos. Motilidade ocular preservada sem nistagmo (movimentos involuntários) ou diplopia (visão dobrada.)" EXAME DO NARIZ 1. Inspecionar o nariz externamente (desvios, lesões, secreções). 2. Testar a permeabilidade nasal → Tampar uma narina por vez e pedir para respirar. 3. Se disponível, usar espéculo nasal para avaliar mucosa, cornetos e presença de secreções. O que dizer ao examinador: "Nariz sem desvios evidentes, mucosa nasal rosada, sem secreções anormais. Permeabilidade nasal mantida." EXAME DA BOCA E OROFARINGE 1. Observar lábios (lesões, descamação), mucosa oral (úlceras, placas brancas), dentes e gengivas. 2. Pedir para o paciente abrir a boca e dizer 'ahhh' → Observar a mobilidade da úvula (nervo vago - X). 3. Observar a língua → Peça para protrair e verifique desvios (nervo hipoglosso - XII). O que dizer ao examinador: "Mucosa oral úmida, sem lesões. Língua sem desvios e úvula centralizada. Dentes e gengivas íntegros." EXAME DOS OUVIDOS (OTOSCOPIA) 1. Observar secreções, edema, obstrução do meato (canal) auditivo externo. 2. Com otoscópio: ○ Inspecionar conduto auditivo externo (cerume, inflamação, corpos estranhos).com necrose, indica-se desbridamento – idealmente cirúrgico (retirada de tecido inviável) complementado por colagenase em restos necróticos. Feridas de pé diabético com exsudato e infecção se beneficiam de curativos com ação antimicrobiana (ex: alginato com prata, ou gaze impregnada com iodopovidona ou PHMB). Após controle da infecção, para estimular granulação em úlceras plantares profundas pode-se usar espuma de poliuretano ou curativo à vácuo (VAC therapy) se disponível. Dor nem sempre é acentuada (devido à neuropatia), mas atentar para sinais sistêmicos de infecção. Em pé diabético, as trocas de curativo geralmente são diárias ou a cada 2 dias inicialmente, avaliando evolução. Em resumo: desbridar tecido morto, controlar infecção (curativos antimicrobianos + antibióticos sistêmicos conforme necessidade), manter umidade balanceada (alginato se muito úmida, hidrogel se seca), e proteger de novo trauma (alívio de pressão) são os pilares. • Feridas Cirúrgicas Limpas (Primeira Intenção): Feridas operatórias fechadas com sutura geralmente cicatrizam por primeira intenção. O curativo inicial (gaze estéril ou filme transparente) geralmente pode ser removido em 24-48 horas se não houver drenagem, pois já se formou a barreira de fibrina e epitelização superficial inicial 98 . Muitas incisões limpas nem necessitam de novo curativo após 48h, bastando manter limpeza. Caso o paciente prefira cobrir (por conforto ou proteção da roupa), utiliza-se curativo passivo simples – gaze estéril seca fixada com adesivo ou filme transparente semipermeável 98 . Se houver dreno ou mínima drenagem, pode-se acolchoar com gaze absorvente trocada diariamente. Importante orientar sinais de infecção (rubor local, saída de pus) que demandariam avaliação. Em resumo, incisões cirúrgicas limpas e bem aproximadas não requerem curativos avançados, apenas proteção até fechamento epidérmico (24-48h) e depois exposição ao ar livre para melhor cicatrização. • Feridas Cirúrgicas Abertas ou Infectadas (Cicatrização por Segunda Intenção): Aqui a ferida deve preencher por granulação e epitelização a partir do leito aberto. Exemplo: incisões cirúrgicas que deisciram (se abriram) ou sítios cirúrgicos com infecção que precisaram ser abertos para drenagem. O objetivo inicial é limpeza e desbridamento de tecidos desvitalizados e controle de infecção. Aplica-se irrigação salina nas trocas e pode-se usar curativos úmidos (gaze embebida em soro, conhecida como “curativo úmido-seco”) trocados 1-2x ao dia para desbridamento mecânico de detritos. Alternativamente, utilizar curativos de alginato se exsudativa,ou colagenase para ajudar no debridamento enzimático.Após limpeza da ferida (quando já granulando, sem pus), curativos que mantenham úmido sem macerar são indicados: hidrocoloide se pouco exsudato e superficial, ou espuma/algodão se moderado exsudato. Em feridas cavitárias profundas, preencher a cavidade com gáses umedecidas em soro ou alginato/ hidrofibra, pois cavidades vazias podem acumular abscesso. A frequência de troca varia – no início (infecção ativa) é diária; depois pode espaçar para cada 2 dias conforme melhora. Sempre considerar antibioticoterapia sistêmica se sinais de infecção profunda. O fechamento por segunda intenção pode ser lento; técnicas como terapia a vácuo podem acelerar, se disponíveis. O manejo da dor aqui inclui analgesia sistêmica e escolha de curativos menos dolorosos (por ex., usar gazes umedecidas facilita remoção sem arrancar tecido de granulação, ou usar curativos não aderentes). • Feridas Exsudativas: Qualquer ferida com excesso de exsudato (seja uma úlcera de perna, úlcera por pressão, queimadura ou infecção de partes moles) requer curativos de alta absorção. O excesso de exsudato retarda a cicatrização e macera a pele ao redor, então é fundamental remover o excedente. Para isso, indicam-se alginatos/hidrofibras, espumas absorventes ou compressas absorventes não aderentes. Alginatos e hidrofibras podem absorver várias vezes seu peso em líquido e formam gel, mantendo umidade sem encharcar. Espumas também retêm líquido internamente. Essas coberturas são trocadas quando saturadas – em feridas muito exsudativas, pode ser diariamente; em moderadas, a cada 2-3 dias. É importante proteger a pele ao redor (com barreira de pasta de zinco ou filme de barreira) para evitar dermatite por contato com exsudato. Exemplos: úlcera venosa na perna com muito exsudato – usar alginato e cobrir com espuma ou atadura absorvente; queima superficial exsudativa – alginato + gaze. Após controle do exsudato (quando a ferida começa a secar), pode ser necessário mudar para curativos do tipo hidrocoloide ou hidrogel para evitar ressecamento excessivo. •Feridas Necrosadas (com tecido desvitalizado): A presença de necrose ou tecido desvitalizado (escara preta seca, tecido amarelo fibrinoso) no leito da ferida impede a cicatrização e favorece infecção 101 . Portanto, remover a necrose (desbridamento) é prioridade. As opções incluem: desbridamento cirúrgico (excisão instrumental do tecido morto, mais rápido, indicado se grande quantidade de necrose – deve ser feito por profissional habilitado, às vezes no centro cirúrgico); desbridamento autolítico com curativos que mantenham ambiente úmido (ex.: hidrogel, hidrocoloide) – mais lento, porém seletivo e indolor, indicado para pacientes que não toleram cirurgia e feridas não infectadas; desbridamento enzimático – uso de pomadas como colagenase para digerir seletivamente o tecido morto; desbridamento mecânico – uso de curativo úmido-seco (a gaze seca ao aderir na necrose e, ao removê-la, puxa o tecido – método simples porém doloroso e não muito seletivo, utilizado em alguns serviços ainda) . Em feridas com escara preta seca estável(especialmente em pé isquêmico), pode-se optar por não desbridar até que haja revascularização ou sinais de infecção sob a escara, pois remover sem circulação adequada pode abrir porta para infecção. Entretanto, em geral, necroses moles ou úmidas devem ser removidas. O curativo ideal para necrose seca sem infecção é aplicar hidrogel sob oclusão – isso hidratará e amolecerá a escara, facilitando destacamento (trocas a cada 24-72h). Se a necrose for úmida ou há exsudato, a colagenase enzimática é muito útil – aplica-se diária e cobre com gaze umedecida; em poucos dias a necrose vai se liquefazendo. Monitorar sinais de infecção no processo. Assim que o leito estiver limpo (granulando vermelho), trocam-se os curativos para aqueles que promovem granulação/epitelização (espumas, hidrocoloides, etc.). Em todos os casos de tratamento de feridas, deve-se abordar também a infecção e a dor. Infecção local se manifesta por exsudato purulento, mau odor, eritema perilesional ou mesmo febre; nesses casos, além de limpeza rigorosa e curativos com agentes antimicrobianos (ex: prata, iodofórmio), pode ser necessária antibioticoterapia sistêmica. O curativo ideal deve minimizar a dor – isso inclui escolha de materiais não aderentes (espumas, películas de silicone) e técnicas atraumáticas (umedecer gaze antes de removê-la, por exemplo). A analgesia prévia ao curativo pode ser considerada em feridas muito dolorosas. Lembre-se de avaliar e manejar fatores sistêmicos do paciente: controle glicêmico no diabético, nutrição adequada (proteínas, vitaminas) para cicatrização, cessar tabagismo, melhorar perfusão (tratamento de doença arterial, edema venoso), descarga de pressão em úlceras de pressão e pés diabéticos. Esses princípios, aliados à correta seleção do curativo, promovem uma cicatrização mais rápida e eficaz, conectando os sinais físicos e achados locais com uma abordagem terapêutica adequada e embasada em princípios fisiológicos da reparação tecidual. ROTEIRO OSCE: 1. INSPEÇÃO GERALDA FACE EXAME DOS OLHOS EXAME DO NARIZ EXAME DA BOCA E OROFARINGE EXAME DOS OUVIDOS (OTOSCOPIA) EXAME DO PESCOÇO Exame da Artéria Carótida Exame da Veia Jugular EXAME DA TIREÓIDE○ Avaliar membrana timpânica (cor perolada, reflexo luminoso, abaulamento ou retração). 3. Testar audição (Rinne e Weber): ○ Estalar os dedos ao lado dos ouvidos do paciente, ele estando com os olhos fechados. O que dizer ao examinador: "Conduto auditivo livre, membrana timpânica íntegra e com reflexo luminoso preservado. Testes de audição sem alterações, capacidade auditiva bilateral e preservada." EXAME DO PESCOÇO 1. Inspecionar abaulamentos, assimetrias, circulação colateral. 2. Palpar linfonodos (submentonianos, submandibulares, cervicais anteriores e posteriores, supraclaviculares). 3. Palpar a traqueia → Verificar se está centralizada. O que dizer ao examinador: "Sem adenomegalias palpáveis, linfonodos móveis e indolores. Traqueia centralizada." Exame da Artéria Carótida 1. Inspeção/O que observar: ■ Olhe para ambos os lados do pescoço do paciente. ■ Verifique a presença de pulsação visível ou qualquer alteração (ex: aumento da pulsação). ■ Preste atenção em possíveis massas ou aumentos que possam indicar patologias (ex: aneurisma ou estenose). 2. Palpação: ■ Peça para o paciente virar ligeiramente a cabeça para o lado oposto. ■ Palpar a artéria carótida (na linha média entre a traqueia e o músculo esternocleidomastoideo, na região inferior do pescoço). ■ Palpe suavemente e não bilateralmente ao mesmo tempo (evite o risco de desmaio devido à estimulação simultânea dos dois lados, chamado de reflexo vago). 3. O que observar durante a palpação: ○ Ritmo e amplitude: Verifique se a pulsação é regular e simétrica. Acarreta em alterações como uma pulsatilidade forte e irregular pode sugerir um problema. ○ Sons de bruits: Ao palpá-la, preste atenção se há turbulência do fluxo sanguíneo (isso pode indicar estenose). Caso necessário, ausculte com o estetoscópio para ouvir bruits. 4. O que falar ao examinador: ○ "Estou apalpando a artéria carótida, observando ritmo, amplitude e simetria da pulsação, e também verificando a presença de bruits com o estetoscópio." Exame da Veia Jugular 1. Inspeção: ○ O que observar: ■ Peça para o paciente deitar-se em uma posição semi-reclinada (aproximadamente 30-45 graus) e olhar para a frente. ■ Observe se há distensão da veia jugular externa ou interna no pescoço. ■ Note a altura da coluna de sangue. A distensão pode ser um sinal de insuficiência cardíaca direita ou aumento da pressão venosa central. 2. Palpação: ○ O que fazer: ■ Você pode tentar palpar suavemente a veia jugular (normalmente, não é palpável). ■ Se necessário, pressione levemente sobre a veia jugular para verificar sua compressibilidade (se ela não for comprimida facilmente, pode ser um sinal de aumento da pressão venosa). 3. Avaliação do sinal de Galvani (ou onda jugular): ○ O que observar: ■ Meça a altura da distensão jugular em relação à linha da clavícula. Para fazer isso, coloque uma régua ou marcador ao lado do pescoço e meça até o nível de distensão da veia. Compare com a altura da linha da clavícula. 4. O que falar ao examinador: ○ "Estou observando a veia jugular para identificar sinais de distensão, que podem indicar aumento da pressão venosa central. Estou também medindo a altura da coluna de sangue para verificar sinais de insuficiência cardíaca ou outros problemas circulatórios." EXAME DA TIREÓIDE 1. Inspecionar abaulamentos na região cervical anterior. 2. Palpação da tireoide: ○ Palpe os lobos direito e esquerdo e o ístmo. ○ Peça para o paciente engolir enquanto sente o movimento da tireoide. ○ Avalie tamanho, consistência, presença de nódulos ou dor. 3. Se necessário, ausculte para detectar sopros (hipertireoidismo). O que dizer ao examinador: "Tireoide de tamanho normal, sem nódulos ou dor, com mobilidade preservada à deglutição." Exame Físico do Sistema Respiratório (Pulmonar) O exame físico pulmonar deve ser realizado com o paciente preferencialmente sentado, permitindo acesso à região anterior, lateral e posterior do tórax. INSPEÇÃO Inicie pela inspeção estática do tórax, avaliando forma e simetria. Observe se o tórax é normolíneo (oval e simétrico) ou se apresenta configurações anormais, como o tórax em barril (aumento do diâmetro ântero-posterior, comum no enfisema pulmonar), tórax cifótico ou escoliótico (deformidades da coluna que podem prejudicar a mecânica respiratória) ou pectus escavado (depressão ou proeminência esternal congênitas). Verifique a presença de cicatrizes cirúrgicas (por exemplo, toracotomias) ou lesões cutâneas. Note quaisquer abaulamentos ou retrações localizadas na caixa torácica– retrações intercostais e de fúrcula supraclavicular durante a inspiração indicam aumento do esforço respiratório e uso de musculatura acessória . O uso de músculos acessórios (evidente pela contratação de escalenos, esternocleidomastóideos, bem como uso do diafragma em excesso e visível) e batimento das asas do nariz refletem dificuldade respiratória, comum em insuficiência respiratória aguda ou obstrução de vias aéreas . INSPEÇÃO DINÂMICA: observar o padrão respiratório. Avalie a frequência e ritmo respiratório (taquipneia, bradipneia, irregularidades), bem como a amplitude das incursões (respiração superficial vs. profunda) e a predominância torácica ou abdominal dos movimentos. O padrão normal em adultos em repouso é costoabdominal (leve expansão torácica com movimentação abdominal). Note se há dispneia aparente ou ortopneia (dificuldade para respirar ao deitar, sugestiva de congestão pulmonar na insuficiência cardíaca). Cianose de lábios ou extremidades, assim como baqueteamento digital (hipocratismo digital), devem ser investigados – unhas azuis podem estar associadas a doenças pulmonares crônicas (bronquiectasias, fibrose pulmonar, câncer de pulmão). Observe se há deformidades ou assimetrias respiratórias durante incursões: em derrames pleurais volumosos ou atelectasias pode haver redução do movimento de um hemitórax em relação ao outro. PALPAÇÃO: A palpação do tórax avalia pontos dolorosos, expansibilidade e vibrações. Palpe suavemente toda a parede torácica (anterior e posterior) em busca de dolorimento localizado – dor reproduzida à palpação pode sugerir causas musculoesqueléticas (como costocondrite) ou fratura de costela. Em seguida, avalie a expansibilidade torácica: posicione as mãos em pinça envolvendo simetricamente os hemitórax (por exemplo, polegares juntos na linha média nas costas do paciente, ao nível de T10). Peça ao paciente para inspirar profundamente e observe se os polegares se afastam de modo simétrico. Expansão assimétrica (um lado expandindo menos) indica comprometimento unilateral, como fibrose pulmonar unilateral, derrame pleural, consolidação pneumônica lobar ou atelectasia em um dos pulmões. Outra etapa fundamental é palpar o frêmito toracovocal (FTV). Com as palmas ou borda ulnar das mãos apoiadas simetricamente sobre regiões comparáveis dos dois hemitórax (porção superior, média e inferior, tanto na face posterior quanto anterior), peça ao paciente para repetir palavras de vibração forte, como “trinta e três” ou “noventa e nove”. Compare a vibração sentida de um lado com o do lado oposto. O FTV normalmente é discretamente palpável e simétrico. Alterações: FTV aumentado sugere aumento da transmissão das vibrações sonoras, ocorrendo em áreas de consolidação pulmonar (como pneumonia lobar) que deixam o parênquima mais sólido. FTV diminuído ou abolido indica diminuição da transmissão, ocorrendo em derrame pleural, pneumotórax ou DPOC enfisematosa (onde há mais ar ou líquido isolando a transmissão) . Por exemplo, no pneumotórax (ar livre na pleura) e no derrame pleural (líquido na pleura), o FTV costuma estar marcadamente reduzido ou ausente. Já na atelectasia completa de um pulmão (colapso), o FTV também pode abolir-se pela perda de aeraçãodaquele lado. PERCUSSÃO: A percussão do tórax auxilia na avaliação do conteúdo aéreo ou sólido do pulmão e espaços pleurais. Percuta comparativamente os campos pulmonares, de ápices a bases e também nas regiões laterais, sempre em áreas correspondentes de ambos os lados . O som normal sobre pulmões aerados é o som claro pulmonar (ressonante). Alterações clássicas do som de percussão incluem: hipersonoridade (timpanismo) – som mais intenso e prolongado, de tom baixo, indicando excesso de ar, como em pneumotórax ou pulmonar difuso no enfisema; e submacicez ou macicez – som abafado, de curta duração, indicando aumento de densidade, como em pneumonia com consolidação lobar, atelectasia volumosa, tumor de pulmão ou derrame pleural significativo. Por exemplo, numa síndrome de derrame pleural, espera-se macicez à percussão na base do hemitórax afetado (onde se acumula o líquido) e som mais claro no ápice; já na pneumonia lobar, a área consolidada fornece macicez sobre o lobo acometido. Em casos de ascite volumosa ou gravidez avançada, pode-se notar elevação do diafragma e redução das ressonâncias nas bases pulmonares bilateralmente. AUSCULTA: Utilize o estetoscópio para auscultar sistematicamente os campos pulmonares em áreas simétricas, cobrindo os lobos superiores, médios (direita) e inferiores, tanto na face posterior quanto anterior e nas axilas . Oriente o paciente a respirar pela boca, um pouco mais profundamente que o normal, e compare os sons entre os lados. Primeiro, avalie os murmúrios vesiculares normais – som suave de entrada de ar, audível melhor nas inspirações, presente difusamente. Murmúrio vesicular normais bilaterais indicam via aérea pérvia até os alvéolos. Atenuação ou ausência do som respiratório em alguma área sugere processo obstrutivo ou de isolamento do pulmão daquela região (ex.: diminuição difusa em DPOC grave; ausência localizada em derrame pleural ou pneumotórax, pelos mesmos motivos do FTV diminuído). Sons respiratórios anormais incluem o murmúrio vesicular substituído por sopro tubário/bronquico, que é um som rude semelhante à respiração traqueal ouvido na periferia – ocorre tipicamente sobre áreas de consolidação pulmonar (pneumonia), em que os alvéolos preenchidos por exsudato transmitem os sons brônquicos centrais até a parede torácica. Além dos sons respiratórios básicos, identifique ruídos adventícios (adicionais). Os principais são: estertores (crepitações), sons descontínuos “crepitantes” semelhantes a velcro ou ao barulho de torcer um plástico fino; podem ser finos ou grossos. Estertores finos bilaterais nas bases sugerem edema pulmonar ou fibrose intersticial, enquanto estertores unilaterais localizados sugerem pneumonia ou atelectasia daquela região. Por exemplo, na insuficiência cardíaca esquerda, o aumento da pressão capilar causa transudação de líquido para os alvéolos, gerando estertores crepitantes nas bases pulmonares(sinal de congestão). .Em edema agudo de pulmão, os estertores podem se estender a campos médios e superiores, acompanhados de roncos e sibilos difusos devido ao intenso acúmulo de líquido. Outro ruído comum são os sibilos, sons musicais contínuos, geralmente expiratórios, indicativos de broncospasmo ou vias aéreas estreitadas – ocorrem classicamente na asma brônquica e DPOC (especialmente na crise asmática, sibilos difusos expiratórios). Os roncos são sons mais graves e grosseiros, sugerindo secreção em vias aéreas calibrosas (podem modificar ou desaparecer após tosse eficaz). O estridor (ruído áspero inspiratório alto) indica obstrução de vias aéreas superiores (como laringotraqueíte ou corpo estranho em traqueia). Também atente para sons pleurais: o atrito pleural é um som áspero, “rascante”, sincrônico com respiração, causado pelo deslizamento de pleuras inflamadas (como na pleurite ou pleurisia). Por fim, avalie sinais de transmissão da voz pela ausculta, se suspeita de consolidação: broncofonia (ausculta nítida da voz do paciente ao falar, em vez de abafada), egofonia (voz do paciente com timbre anasalado, por exemplo “33” soando como “e-i”) e pectorilóquia afônica (audibilidade de sussurros na área afetada). Esses achados reforçam a presença de consolidação (como pneumonia) ou cavitação. Em resumo, a combinação dos achados do exame pulmonar permite correlacionar sinais físicos com patologias: por exemplo, estertores crepitantes podem sugerir pneumonia ou edema cardíaco; sibilos difusos sugerem asma; hipofonese de murmúrios vesiculares + macicez + FTV diminuído sugere derrame pleural; sopro tubário + FTV aumentado + macicez sugere pneumonia lobar;hipersonoridade + FTV abolido + silêncio auscultatório aponta pneumotórax. ROTEIRO OSCE: - Observo que não vejo manchas, cicatrizes, abaulamentos ou irregularidades no tórax. digo que a frequência respiratória parece normal. falo o tipo de tórax, que no caso seria o tórax chato/em formato de escudo, o tórax que indica que não há doença como DPOC ou nada congênito aparente. - Peço pra pessoa respirar fundo e digo que há expansibilidade na caixa torácica e uso de musculatura acessória, tipo o diafragma e músculos intercostais - Coloco as mãos na frente e atrás do paciente (na região da clavícula) ao mesmo tempo e peço para respirar novamente. coloco as mãos em asa nas suas costas com os polegares se tocando e peço para respirar novamente, descendo pelas costas e dizendo que há expansibilidade normal da caixa torácica e elasticidade. - Realizar FRÊMITO, colocando sempre a mesma mão nos campos pulmonares e pedindo para a pessoa dizer 33. Dizer com fim que a ressonância vocal está preservada, com vibração mais intensa na parte superior. “Frêmito tóraco-vocal presente e simétrico em todos os campos pulmonares.” - Realizar percussão, entre a escapula e a coluna, descendo em escadinha grega na frente e atrás. Na frente começar em cima da clavícula e ir descendo se guiando pelas costelas, pelo menos uns 6 pontos. Dizer que o som supraclavicular é sub maciço e que os sons infra claviculares são ocos, ou seja, claro pulmonar. - Fazer a ausculta, pedir pro paciente puxar pelo nariz e soltar pela boca. 6 pontos atrás, 6 na frente, embaixo das axilas. CASO NORMAL DIZER: “Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular presente e simétrico, sem ruídos adventícios.” CASO OS PROFESSORES COLOQUEM UM ÁUDIO DE RUÍDO ADVENTÍCIO: 1. Estridor (tanto na inspiração quanto expiração, parece como se houvesse catarro) 2. Grasnido (Parede um peido fino na inspiração) 3. Estertores finos (parece como se batesse um vento no microfone na inspiração) 4. Estertor grosso (vento no microfone na expiração) 5. Atrito pleural (parece um som que em cima e embaixo, tem tanto na inspiração quanto expiração) 6. Sibilo (parece uma pessoa suspirando, parece ter até tom de voz, acontece na inspiração e logo em sequência pode vir um ronco, característico de asma) 7. Ronco (uma forte expiração carregada) Exame Físico do Sistema Cardiovascular (Cardíaco) INSPEÇÃO: Na inspeção cardiovascular, avaliam-se inicialmente sinais periféricos e depois alterações precordiais. Comece examinando o pescoço em busca de turgência jugular. Com o paciente reclinado a 45°, observe as veias jugulares externas/internas em ambos os lados. A distensão jugular patológica indica elevada pressão venosa central, frequentemente devida a insuficiência cardíaca direita ou global. Note se há pulsos venosos visíveis no pescoço – ondas venosas jugulares podem ser observadas e, quando patológicas (onda V proeminente, por exemplo), sugerem regurgitação tricúspide. Em seguida, inspecione possíveis edemas periféricos: edema maleolar ou pré-tibial simétrico com cacifo é sinal de congestão venosa na insuficiência cardíacadireita. Examine o precórdio diretamente. Ilumine tangencialmente o tórax anterior para detectar abaulamentos ou pulsações anormais. Abaulamentos precordiais em crianças podem indicar cardiomegalia de longa data (sinal de “tórax em corcova”). Protusões localizadas poderiam ser aneurismas (por exemplo, aneurisma de ventrículo esquerdo pós-infarto pode causar pulsação visível em região precordial esquerda) . Também procure cicatrizes cirúrgicas: uma cicatriz mediana esternal sugere cirurgia cardíaca prévia (ex.: revascularização miocárdica, troca valvar), cicatrizes laterais podem indicar toracotomias (cirurgia de válvula mitral, por exemplo). Avalie o ictus cordis (choque da ponta do coração): normalmente localizado no 5o espaço intercostal esquerdo, linha hemiclavicular, podendo ser visualizado ou não. Na inspeção, o ictus visível indica impulsão vigorosa do ápice – classificado como precórdio “hiperdinâmico” se muito evidente. Desvio do ictus para linha axilar anterior sugere aumento do ventrículo esquerdo (como em hipertensão crônica ou insuficiência aórtica), ao passo que ictus não visível em paciente magro pode indicar pulmão hiperinsuflado (enfisema) . Também observe se há impulsões paraesternal esquerda – uma pulsação difusa no paraesternal esquerdo pode refletir hipertrofia ventricular direita ou dilatação do ventrículo direito empurrando o esterno. Pulsação epigástrica visível pode advir do ventrículo direito hipertrófico ou de um aneurisma de aorta abdominal. PALPAÇÃO: A palpação cardíaca complementa a inspeção, proporcionando dados sobre choques e frêmitos. Localize e palpe o ictus cordis com as polpas digitais. Notas normais: situa-se no 5o EIC esquerdo, na linha médio-clavicular, com diâmetro de cerca de 2 cm, curto e único. Alterações: ictus deslocado lateral e inferiormente sugere cardiomegalia por hipertrofia/dilatação do VE (ex.: hipertensão de longa data, insuficiência aórtica), frequentemente tornando-se propulsivo (levanta a mão do examinador) devido à hipertrofia vigorosa. Em paciente hipertenso, é clássico encontrar ictus em 6o EIC na linha axilar anterior, propulsivo e sustentado. Se o ictus estiver difuso e com >3 cm, indica dilatação ventricular importante (por ex., miocardiopatia dilatada). A ausência de ictus palpável em paciente em decúbito supino pode ocorrer em casos de DPOC grave (tórax hiperinsuflado), obesidade ou derrame pericárdico – situações em que o choque da ponta fica amortecido. Palpe a região paraesternal esquerda e a base do coração (área dos focos aórtico e pulmonar, segundo EIC direito e esquerdo junto ao esterno) para detectar frêmitos. Frêmito cardiovascular é uma vibração tátil resultante de fluxo sanguíneo turbulento no coração ou grandes vasos, perceptível na mão como um “tremelejo” parecido com celular vibrando Geralmente, os frêmitos estão associados a sopros cardíacos intensos (sopros de grau ≥4+/6 na escala de Levine), indicando lesão valvar significativa. Por exemplo, um frêmito sistólico no foco aórtico (2o EIC direito) que irradia para pescoço sugere estenose aórtica acentuada, enquanto frêmito sistólico em foco mitral (ápice) apontando para axila sugere insuficiência mitral importante. Palpe também os pulsos arteriais periféricos (carótidas, braquiais, radiais, femorais, tibiais e pediosos) avaliando frequência, ritmo, amplitude e simetria. O pulso carotídeo especialmente pode fornecer pistas: pulso parvus et tardus (fraco e atrasado) é clássico da estenose aórtica significativa; pulso em martelo d’água (saltón) sugere insuficiência aórtica. Obs: Palpar carótidas alternadamente, nunca as duas ao mesmo tempo, para evitar comprometimento do fluxo cerebral. AUSCULTA A ausculta cardíaca deve ser feita em ambiente silencioso, com paciente em decúbito dorsal a 30-45° (ou em posições especiais, como decúbito lateral esquerdo para focar o foco mitral, ou sentado inclinando para frente para foco aórtico). Utilize o diafragma do estetoscópio para sons de alta frequência (bulhas e alguns sopros) e a campânula para sons de baixa frequência (galope ventricular S3, sopro ruflar diastólico mitral). Ausculte nos focos cardíacos clássicos: foco mitral (5o EIC esquerdo, linha hemiclavicular – corresponde ao ápice do coração), foco tricúspide (próximo ao processo xifoide, ligeiramente à direita), foco pulmonar (2o EIC esquerdo, linha paraesternal) e foco aórtico (2o EIC direito, linha paraesternal) 38 . Identifique primeiramente as bulhas cardíacas: B1 (fechamento de valvas AV – mitral e tricúspide) normalmente audível com maior intensidade no foco mitral, marcando o início da sístole; B2 (fechamento das valvas semilunares – aórtica e pulmonar) mais audível nos focos de base, marcando o fim da sístole/início diástole. Note se o ritmo é regular ou irregular; irregularidades sugerem arritmias (por exemplo, fibrilação atrial dá ritmo totalmente irregular). Procure desdobramentos de B2 no foco pulmonar – um desdobramento fisiológico ocorre na inspiração, mas desdobramentos amplos ou fixos indicam bloqueios de ramo ou comunicações interatriais. A seguir, concentre-se em detectar sons anômalos. Extras como B3 (terceira bulha) ou B4 (quarta bulha) podem aparecer: B3 é um ruído de enchimento rápido ventricular em protodiástole, audível em ventrículo dilatado ou hiperdinâmico (por exemplo, na insuficiência cardíaca – o chamado ritmo de galope ventricular); B4 é um ruído de contração atrial contra ventrículo rígido, presente em hipertrofia ventricular (como na hipertensão ou estenose aórtica) – ritmo de galope atrial. Ouça atentamente se há sopros cardíacos, que são ruídos prolongados gerados por fluxo turbulento através de valvas ou defeitos 39 40 . Os sopros devem ser caracterizados quanto ao timing (sistólico, diastólico ou contínuo), duração, intensidade (escala de 1+ a 6+), freqüência/tonalidade (agudo ou rude vs. suave),forma (crescendo, decrescendo, etc.), foco de máxima intensidade e irradiações. Essas características permitem correlação clínica: por exemplo, um sopro sistólico ejetivo no 2o EIC D que irradia para os carótidas sugere estenose aórtica; um sopro sistólico holossistólico no ápice que irradia para axila indica insuficiência mitral; já um sopro diastólico ruflante audível no ápice (melhor com campânula em decúbito lateral) aponta estenose mitral; um sopro diastólico aspirativo no foco aórtico aponta insuficiência aórtica. A ausculta dos sopros é crucial para diagnosticar valvopatias – de fato, a avaliação de sopros é uma das principais ferramentas para identificar comprometimento valvar (como estenose ou insuficiência mitral/aórtica) 41 . Além de valvopatias, murmúrios contínuos como o sopro em maquinaria indicam persistência do canal arterial. Não se esqueça de auscultar também regiões extra-focais se necessário: a região carotídea (para sopro de estenose aórtica irradiado), a região axilar esquerda (irradição de sopro mitral), e a área paraesternal esquerda baixa em inspiração profunda (sopro de Rivero-Carvallo para insuficiência tricúspide). Finalmente, busque sons como atrito pericárdico – um som áspero "raspante" sistólico-diastólico, que indica pericardite (melhor audível com paciente inclinado para frente, expirando). Em conclusão, o exame cardiovascular bem conduzido correlaciona sinais com diagnósticos prováveis: turgência jugular, hepatomegalia e edema sugerem insuficiência cardíaca direita; deslocamento do ictus e B3 sugerem insuficiência cardíaca esquerda dilatada; sopro em foco específico aponta valvopatia correspondente; atrito sugere pericardite; pulso paradoxal pode indicar tamponamento, etc. Esses achados físicos orientam a investigação complementar (ECG, ecocardiograma, etc.)e o manejo do paciente. ROTEIRO OSCE APARELHO CARDÍACO: Inspeção - localização do ictus cordis (5o espaço intercostal esquerdo), menor/maior frequência - Tipo de tórax, pulsação visível, ictus visível, circulação periférica boa, sem sinal de cianose nos lábios e dedos, bom refluxo sanguíneo capilar. Palpação Palpar frêmitos nos focos cardíacos: 1) 2o espaço intercostal direito 2) 2o espaço intercostal esquerdo 3) foco tricúspide 4) foco mitral: 5o espaço intercostal (no mesmo local do ictus) ● se houver frêmitos, ausculte a área à procura de sopros ○ determina-se localização e intensidade (classificada em cruzes +) Ictus cordis ● Localizado a 1 ou 2 cm da linha hemiclavicular, no 5o espaço intercostal esquerdo; ● Ictus cordis: ápice do coração ○ Espessamento da parede: se o ventrículo direito está aumentado → vai desviando o coração para o lado que está menor ● extensão de 2 a 2,5 cm O ictus cordis representa a breve pulsação inicial do ventrículo esquerdo, quando ele se movimenta em sentido anterior durante a contração e entra em contato com a parede torácica. Na maioria dos exames, o ictus cordis é o PIM (ponto de impulso máximo); entretanto, condições patológicas, como hipertrofia ventricular direita (HVD), uma artéria pulmonar dilatada ou um aneurisma da aorta podem produzir pulsação mais acentuada que o batimento apical. Caso não consiga achar o ictus com o paciente em decúbito dorsal, peça que ele vire um pouco para a esquerda (decúbito lateral esquerdo) se ainda não conseguir, solicite ao paciente que expire completamente e mantenha-se sem respirar durante alguns segundos. Seu deslocamento lateral na direção da linha axilar nos casos de dilatação ventricular na insuficiência cardíaca, miocardiopatia e cardiopatia isquêmica e, também, deformidades torácicas e deslocamento do mediastino. Localiza-se no 5o ou 4o espaço intercostal. Seu diâmetro costuma ser menor que 2,5 cm (com diâmetro > 3 cm indica dilatação ventricular esquerda, um diâmetro > 4 cm torna a sobrecarga ventricular quase cinco vezes mais provável). Amplitude: Faça uma estimativa da amplitude do ictus. O ictus cordis é propulsivo e vigoroso, prolongado ou difuso? Estes são três importantes descritores na prática clínica. Normalmente, a amplitude do ictus cordis é pequena e a palpação é propulsiva e vigorosa. Alguns adultos jovens apresentam amplitude aumentada (ictus hipercinético), em especial quando estão ansiosos ou após exercícios físicos. A duração, porém, é normal (alta amplitude pode ocorrer no hipertireoidismo, na anemia grave, na sobrecarga de pressão do ventrículo esquerdo consequente a hipertensão arterial ou estenose aórtica, ou sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo na regurgitação aórtica). Ictus cordis prolongado de alta amplitude aumenta significativamente a probabilidade de HVE na sobrecarga de pressão observada na hipertensão arterial. Se esse impulso apical estiver deslocado lateralmente, pense em sobrecarga de volume. Um ictus cordis difuso de baixa amplitude (hipocinético) é observado na insuficiência cardíaca e na miocardiopatia dilatada. DEVE-SE INVESTIGAR A LOCALIZAÇÃO, EXTENSÃO, MOBILIDADE, INTENSIDADE E TIPO DE IMPULSÃO, RITMO E FREQUÊNCIA. Localização ● Mediolíneos: cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5o espaço intercostal. ● Brevilíneos: desloca-se cerca de 2 cm para fora e para cima, no 4o espaço intercostal. ● Longilíneos: 6o espaço intercostal, 1 a 2 cm para dentro da linha hemiclavicular. Palpação dos pulsos - Temporal - Carotídeo - Fúrcula esternal - Axilar - Braquial - Radial - Ulnar - Femoral - Poplíteo - Tibial posterior - Pedioso Percussão → não realizamos percussão cardíaca ● percutimos o tórax ouvindo: ○ som maciço: no coração (do 3o ao 6o espaço intercostal esquerdo) ○ som claro pulmonar: no pulmão Ausculta Para identificar a sístole e a diástole, palpe a artéria carótida primeiro e note que B1 fica logo antes do impulso ascendente carotídeo e a B2 depois do impulso ascendente carotídeo. B2 é mais hiperfonética que B1 na base, e pode também ocorrer seu desdobramento com a respiração. No ápice, B1 é, em geral, mais hiperfonética que B2, exceto nos casos de prolongamento do intervalo PR. A observação cuidadosa da intensidade de B1 e de B2 torna possível confirmar as duas bulhas e, assim, identificar corretamente a sístole, o intervalo entre B1 e B2, e a diástole, o intervalo entre B2 e B1. ● foco aórtico: 2o espaço intercostal direito com a borda esternal direita ● foco pulmonar: 2o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal esquerda ● foco tricúspide: 5o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal ● foco mitral: 5o espaço intercostal esquerdo com a linha hemiclavicular ● foco aórtico acessório: 3o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal Bulhas cardíacas: ● Primeira bulha (B1)/sístole: fechamento da valva mitral e tricúspide, o componente mitral antecedendo o tricúspide. Coincide com o ictus cordis e o pulso carotídeo. É mais grave e tem duração um pouco maior que a 2a bulha. O som pode ser representado por “TUM”. ● Segunda bulha (B2)/diástole: é constituído por 4 grupos de vibrações, porém só são audíveis as originadas pelo fechamento das valvas aórtica e pulmonar. Ouve-se o componente aórtico em toda região precordial (principalmente foco aórtico), enquanto o ruído da pulmonar é auscultado em uma área limitada (foco pulmonar). Durante a expiração as duas valvas fecham dando origem ao som representado por “TA”. Na inspiração, devido ao prolongamento da sístole ventricular (maior afluxo de sangue), o componente pulmonar sofre um retardamento, sendo possível perceber os 2 componentes. Esse fenômeno é chamado de desdobramento fisiológico da 2a bulha que pode ser auscultado como “TLA”. ● Terceira bulha (B3): é um ruído protodiastólico de baixa frequência que se origina da vibração da parede ventricular distendida pela corrente sanguínea que penetra na cavidade durante o enchimento ventricular rápido. É mais audível na área mitral com o paciente em decúbito lateral esquerdo. Pode ser representada por “TU”. ○ TUM TA TA ● Quarta bulha (B4): ruído débil que ocorre no fim da diástole ou pré-sístole e pode ser ouvida mais raramente em crianças e adultos jovens normais. Sua gênese não está completamente esclarecida, mas acredita-se que seja originada pela brusca desaceleração do fluxo sanguíneo na contração atrial em encontro com o sangue no interior do ventrículo, no final da diástole. ○ TUM TUM TÁ Sopro: Produzidos por vibrações decorrentes de alterações do fluxo sanguíneo, que em condições patológicas, adota um caráter turbilhonar. Podem surgir a partir dos seguintes mecanismos: ● aumento da velocidade da corrente sanguínea (exercício físico, hipertireoidismo, febre); ● diminuição da viscosidade sanguínea (anemia); ● passagem do sangue por uma passagem estreita (estenoses); ● passagem do sangue por zona dilatada (aneurismas). Situação do sopro no ciclo cardíaco: sistólico, diastólico, sisto diastólicos ou contínuos. Local de intensidade máxima: É determinado pelo local de origem do sopro. Identifiqueesselocal explorandoaregiãoemqueseauscultaosopro.Descrevaemque espaço intercostal e onde (em relação ao esterno, ao ápice, à linha esternal média, à linha hemiclavicular ou a uma das linhas axilares) o sopro é mais bem auscultado Irradiação ou transmissão a partir do ponto de intensidade máxima: Isso reflete não apenas o local de origem como também a intensidade do sopro, bem como o sentido do fluxo sanguíneo e a condução óssea no tórax. Explore a área em torno de um sopro edetermine onde mais se consegue auscultá-lo (O sopro da estenose aórtica costuma irradiar-se para o pescoço (no sentido do fluxo arterial), especialmente do lado direito. Na regurgitação mitral, o sopro costuma irradiar-se para a axila, com a transmissão sendo auxiliada pela condução óssea). Intensidade: Habitualmente graduada em uma escala de 6 pontos e expressada como fração. O numerador descreve a intensidade do sopro em seu ponto máximo, e o denominador indica a escala em uso. A intensidade é influenciada pela espessura da parede torácica e pelos tecidos entre o estetoscópio e a sede do sopro. Timbre e tom: É classificado como agudo, médio ou grave. Características: Descrição usando termos como em jato de vapor, rude, ruflar e musical. (Esta seria a descrição completa de um sopro: “sopro diastólico, de tom médio, grau 2/6, aspirativo, em decrescendo, no 4o espaço intercostal esquerdo, com irradiação para o ápice” (regurgitação aórtica)). - SOPRO ASPIRATIVO: quando o sangue é aspirado de volta para a cavidade por insuficiência na valva = INSUFICIÊNCIA VALVAR - SOPRO EJETIVO: causado pela Estenose da válvula que acontece quando ela está Enrijecida - Estenose mitral ou tricúspide → Sopro Diastólico Ejetivo do tipo Ruflar Exame Físico do Abdome O exame abdominal exige técnica sistemática e delicadeza, pois pode ser desconfortável para o paciente. Idealmente, realiza-se com o paciente em decúbito dorsal, músculos abdominais relaxados (pernas descruzadas, joelhos eventualmente semifletidos), expondo-se o abdome desde o rebordo costal até a região inguinal. Importante: na avaliação abdominal a sequência clássica é ligeiramente modificada – realiza-se inspeção, ausculta, percussão e palpação, nesta ordem, pois manobras de palpação/percussão podem alterar os ruídos intestinais auscultatórios. INSPEÇÃO: Observe inicialmente a configuração geral do abdome. Avalie o contorno ou tipo de abdome: plano, globoso (distendido) ou escavado. Um abdome globoso pode sugerir obesidade (panículo adiposo volumoso) ou grande quantidade de líquido (ascite), enquanto abdome escavado ocorre em caquexia ou desnutrição severa. O abdome pendular (protuberante em avental) é comum em gestação avançada ou ascite volumosa, podendo também ocorrer em obesos. Verifique a simetria: protuberâncias assimétricas podem indicar organomegalias (por exemplo, aumento do baço à esquerda, ou fígado muito aumentado à direita deformando o contorno), grandes tumores intra- abdominais, ou ainda grandes hérnias de parede . Abaulamentos localizados podem ser causados por tumores, cistos ou hérnias (umbilical, inguinal, incisionais). Retrações ou depressões da parede podem ser sequelas de cirurgias (aderências internas “puxando” a parede, ou cicatrizes retráteis) e em caquexia pronunciada vê-se afundamento entre os côndilos costais 45 . Inspecione a pele: presença de estrias (violáceas em Síndrome de Cushing, esbranquiçadas em ganho ponderal antigo ou gestação), cicatrizes cirúrgicas ou lesões. Circulação colateral venosa na parede abdominal merece destaque: veias dilatadas em padrão radiado a partir do umbigo (cabeça de medusa) sugerem hipertensão portal (como na cirrose hepática), enquanto veias dilatadas no flanco podem indicar síndromedaveiacavasuperiorouobstruçãodeveiacavainferior .Inspecione a cicatriz umbilical– um umbigo revertido e protuso pode indicar ascite volumosa ou hérnia umbilical. Observe se há ondas peristálticas visíveis: em pessoas normais geralmente não se observam movimentos peristálticos através da parede, mas em casos de obstrução intestinal de delgado é clássico notar ondas peristálticas de luta visíveis, progredindo em direção ao local de obstrução (acompanhadas de distensão e borborigmos intensos). Pulsação abdominal visível na região epigástrica pode ser normal em magros (pulsação da aorta abdominal), porém uma pulsação expansiva exagerada sugere aneurisma de aorta abdominal. Ainda durante a inspeção, note se o abdome acompanha os movimentos respiratórios – em peritonite difusa o paciente pode manter o abdome “em tábua” (rígido, pouco móvel à respiração). Por fim, procure sinais cutâneos específicos, como o Sinal de Cullen (equimose azulada ao redor do umbigo) e Sinal de Grey-Turner (equimose em flancos), que indicam hemorragia retroperitoneal – clássicos na pancreatite hemorrágica aguda . AUSCULTA A ausculta abdominal deve ser feita antes da palpação, auscultando todos os quadrantes com toques leves do estetoscópio 49 . Avalie primeiramente os ruídos hidroaéreos (RHA) intestinais, resultantes da peristalse e movimentação de gás/líquido nas alças. Normalmente ouvem-se ruídos intermitentes suaves (clics e borborigmos) a cada 5-10 segundos. Descreva a frequência/intensidade: por convenção pode-se graduar de + até ++++ ou em termos qualitativos (“presentes e normais”, “hiperativos”, “hipoativos” ou “inaudíveis”) 50 . RHA aumentados/hiperativos (borborigmos audíveis à distância) ocorrem em quadros de diarreia ou nas fases iniciais de obstrução intestinal (chamado peristaltismo de luta, tentando vencer a obstrução) . RHA diminuídos ou ausentes indicam íleo adinâmico ou paralítico, como ocorre em peritonite difusa ou pós-operatório imediato, sendo um sinal de alerta quando associados a distensão e dor (íleo paralítico). Ausculte por ao menos 2 minutos antes de declarar ausência de RHA. Além dos ruídos intestinais, ausculte em busca de sopros vasculares abdominais. Com a campânula, ausculte sobre a linha média acima do umbigo (projeção da aorta abdominal) e bilateralmente nas regiões epigástricas/lombares superiores (projeção das artérias renais), nos quadrantes inferiores próximos à linha média (projeção das artérias ilíacas comuns) e regiões inguinais (artérias femorais). Sopros arteriais nestes locais sugerem estenose arterial ou fluxos turbulentos por aneurismas. Por exemplo, sopro sistólico audível na região peri-umbilical pode indicar aneurisma de aorta abdominal ou estenose da artéria renal (se lateralizado). Em pacientes hipertensos de difícil controle, um sopro sistólico em loja renal sugere estenose de artéria renal (causa de hipertensão renovascular). Ausculte também a região do fígado e baço para verificar atritos: em raras situações deperihepatite ou perisplenite (ex.: síndromes de Fitz-Hugh-Curtis na DIP, ou infarto esplênico) pode-se ouvir um atrito pleuroperitoneal (semelhante a dois couros atritando) sincrônico com respiracão. PERCUSSÃO: A percussão auxilia na avaliação de conteúdo aéreo, líquido ou sólido intra-abdominal. Percuta suavemente todos os quadrantes. Timpânico (som claro, de percussão oca) é o som predominante em abdome normal devido às alças cheias de gás. Submacicez ou macicez à percussão ocorre sobre órgãos sólidos (fígado, baço) ou líquido. Mapear as zonas de macicez pode identificar órgãos aumentados ou líquido livre. Percuta o fígado: normalmente há macicez hepática no hipocôndrio direito, com altura de ~6-12 cm na linha hemiclavicular. Macicez hepática superior deslocada (para cima) sugere lobo superior aumentado ou derrame pleural direito; limite inferior palpado abaixo do rebordo costal sugere hepatomegalia ou deslocamento por hiperinsuflação pulmonar. Percuta a área esplênica: em percussão na linha axilar anterior esquerda (Espaço de Traube, abaixo do 6o arco costal), o som normalmente é timpânico; macicez no espaço de Traube ou macicez deslocando-se para decúbito lateral sugerem esplenomegalia. Em presença de ascite (líquido intraperitoneal), a percussão evidencia macicez de flancos e timpanismo central quando o paciente está deitado supino. Realize a manobra de macicez móvel decúbito- dependente: percussione dos flancos parao centro, marque a linha de transição timpanismo->macicez; depois posicione o paciente em decúbito lateral e percussione novamente. Se houver ascite, a macicez “migra” para a região dependente (inferior) e o ar intestinal sobe, produzindo timpanismo na região superior – teste confirmatório de ascite de volume moderado. Outro teste é o sinal do impulso (ou onda) ascítica: peça a um assistente para comprimir firmemente a linha alba (para bloquear transmíssão pela parede); então dê um peteleco em um flanco e sente no flanco oposto – na presença de grande ascite, uma onda líquida será percebida pela mão oposta. Pequenas ascites podem não ser detectáveis clinicamente. Vale lembrar: macicez difusa abdominal pode também ocorrer em tumores volumosos ou cistos (por ex., cistoadenoma de ovário gigante). Timpanismo difuso exagerado, por outro lado, pode indicar obstrução intestinal com grande acumulo de gás nas alças. PALPAÇÃO: A palpação abdominal deve ser realizada em dois momentos: superficial e profunda 56 . Avise o paciente e aqueça as mãos para evitar defesa involuntária. Palpação superficial: com uma das mãos em posição plana, explore toda a superfície abdominal com movimentos suaves, avaliando sensibilidade superficial (áreas de dor à palpação leve), tensão da parede e defesa muscular. Na palpação superficial investiga-se sinais de irritação peritoneal: a defesa muscular involuntária (contratura involuntária da musculatura abdominal ao toque) sugere peritonite subjacente . Diferencie de defesa voluntária (paciente apreensivo contrai por cócegas ou medo – muitas vezes diminui com conversa e respiração profunda). Palpe também defeitos de continuidade da parede: pode- se sentir orifícios herniários (umbilical, inguinal) e a diástase dos retos (separação entre porções do músculo reto abdominal, palpável como faixa mole central). Se o paciente referir dor, palpe por último a região dolorosa, começando longe do ponto doloroso e aproximando-se gradualmente . Observe a face do paciente durante a palpação para notar sinais de dor (face mostrando desconforto). Pesquise sinais de descompressão dolorosa: pressione lentamente uma área e solte abruptamente – dor mais intensa no sinal de Blumberg indica irritação peritoneal, classicamente positivo na apendicite aguda(descompressão brusca dolorosa no ponto de McBurney). Blumberg positivo também ocorre em peritonites generalizadas. Palpação profunda: agora utilize ambas mãos (mão dominante sobre a outra) para palpar profundamente cada quadrante, visando palpar órgãos e massas internas. Palpe o fígado no hipocôndrio direito: a técnica habitual é posicionar a mão esquerda nas costas do paciente como suporte e a direita abaixo do rebordo costal direito, pressionando para dentro e para cima enquanto o paciente inspira profundamente. Normalmente a borda hepática inferior é palpável apenas no rebordo costal ou ligeiramente abaixo dele em inspiração profunda, com consistência macia e regular. Se o fígado não for palpado, pode ser normal (fígado não aumentado). Se palpável abaixo do rebordo, note a distância abaixo das costelas, a consistência (firme ou macio), regularidade da borda (lisa vs nodular) e sensibilidade. Hepatomegalia macia e dolorosa sugere hepatite aguda ou congestionamento (IC direita); hepatomegalia dura/nodular sugere cirrose macronodular ou tumor metastático; fígado pulsátil sugere insuficiência tricúspide grave. Pesquise o Sinal de Murphy na palpação do hipocôndrio direito: coloque os dedos abaixo do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular, e peça ao paciente para inspirar profundamente – dor súbita com interrupção do esforço inspiratório indica Murphy positivo, achado típico de colecistite aguda (inflamação da vesícula biliar). Palpe o baço no hipocôndrio esquerdo: normal não palpável. Para palpá-lo, posicione a mão esquerda por baixo das costelas esquerdas do paciente e a mão direita abaixo do rebordo costal esquerdo; peça inspiração profunda – um baço aumentado pode tocar sua mão. Esplenomegalia ocorre em hipertensão portal (cirrose), doenças hematológicas (leucemias, linfomas), infecções (malária, mononucleose) etc. Um baço palpável sugere aumento significativo (normal só se palpa em indivíduos magros com baço no limite alto do normal). Palpe as áreas renais nos flancos: a técnica de "mão em garra bimanual" pode detectar rinomegalia; porém, rins normais raramente são palpados (exceto direito em magros, pois direito fica mais baixo que esquerdo). Rins aumentados ou tumorais (como tumor de Wilms em crianças, ou rim policístico) podem ser palpados como massas em flancos, distinguindo-se do baço/fígado pela manobra de piparote (rim móvel no eixo crânio-caudal, baço não). Faça o Teste de punho-percussão (Giordano) nos ângulos costovertebrais posteriores para avaliar sensibilidade renal – dor à percussão lombar sugere pielonefrite ou litíase renal. Finalmente, investigue pontos dolorosos específicos de vísceras ocas: ponto epigástrico (dor à pressão profunda pode ocorrer em úlcera péptica ativa) ; ponto de McBurney (junção do terço médio com externo de uma linha entre umbigo e crista ilíaca direita – dor ali sugere apendicite); ponto colecístico (interseção do rebordo costal direito com linha hemiclavicular – corresponde ao Murphy já descrito); pontos ureterais (linha que liga cicatriz umbilical à espinha ilíaca ântero-superior, dor em cólica renal); ponto de Morris (dois dedos abaixo de McBurney, sensível em apendicite); ponto de Lanz (FI direita, apendicite em posição pélvica). Avalie também sinal de Rovsing: dor na FID ao comprimir a FIE (sugere irritação peritoneal por apêndice inflamado). Em suma, a palpação profunda permite correlacionar achados com doenças: um massa pulsátil expansiva no epigástrio = aneurisma de aorta; massa móvel e dolorosa no QSD = rim inflamado; massa fixa e indolor no HD = tumor hepático; defesa e dor difusa = peritonite; dor FID com Blumberg = apendicite; fígado duro e nodular = cirrose ou metástases; baço palpável = explorar causas hematológicas, etc. ROTEIRO OSCE EXAME ABDOMINAL: 1. INSPEÇÃO: Definir o tipo de tórax e abdômen, procurar por cicatrizes, edemaciação, abaulamentos, verrugas, etc. “Tórax e abdômen atípicos, sem presença de verruga, edema ou cicatriz” 2. Pedir para o paciente soprar a própria mão, sem soltar o ar, para avaliar presença de hérnia abdominal ou abaulamento. Pedir também que o paciente flexione o abdômen, levantando parte do tronco como se fosse levantar. “Sem presença de hérnia ou abaulamento visível” 3. AUSCULTA: Ouvir os nove quadrantes (hipocôndrio esquerdo, epigástrio, hipocôndrio direito, flanco esquerdo, mesogástrio, falando direita, fossa ilíaca esquerda, hipogástrio e fossa ilíaca direita). “Presença de ruídos hidroaéreos normofonéticos em todos os quadrantes. Não identifico turbilhonamento sanguíneo da aorta abdominal em mesogástrio.” 4. PERCUSSÃO: Começar em linha hemiclavicular, na altura do mamilo, onde ouvirá o som CLARO PULMONAR. O som logo mudará, conforme a mão desce, para sub maciço e maciço, indicando a presença do fígado. Realizar a percussão até o som se tornar timpânico, evidenciando o fim do fígado. A partir disso, é possível determinar o tamanho do fígado com base nos dedos das mãos, apenas na área percutida onde o som foi maciço. “O fígado possui tamanho dentro do normal, de aproximadamente X centímetros com base nas minhas polpas digitais” 5. AINDA PERCUSSÃO, MAS AGORA APENAS DO ABDÔMEN, SEM TÓRAX: Percutir em movimento de caracol os nove quadrantes, de fora para dentro. “Som timpânico em todos os quadrantes abdominais, menos o fígado, que é maciço.” 6. PALPAÇÃO: Primeiro realizar palpação superficial com a ponta dos dedos, em todos os quadrantes,também em movimento caracol. “Sem presença de abaulamentos, líquidos, nódulos ou tumores palpáveis.” 7. PALPAÇÃO PROFUNDA: Com uma mão acima da outra, repetir o processo. Afundar com a mão de baixo e sentir com a ponta dos dedos da mão de cima. Dizer a mesma coisa. MANOBRAS INVESTIGAÇÃO DE FÍGADO (HEPATOMEGALIA, CIRROSE, HEPATITE): - LEMOS TORRES: COLOCAR MÃO NA REGIÃO LOMBAR DIREITA DO PACIENTE, E EMPURRAR O FÍGADO PARA CIMA. PEDIR PRA INSPIRAR E DURANTE A EXPIRAÇÃO AFUNDAR A MÃO NO HIPOCÔNDRIO DIREITO. - MANOBRA MATHIEU (PALPAÇÃO EM GARRA): Ambas as mãos são posicionadas paralelamente no abdome, com os dedos em forma de "garra", ou seja, semifletidos. Pedir que o paciente respire profundamente e afundar ambas mãos no rebordo costal, a ponto de sentir as bordas do fígado. “A borda do fígado é regular e fibroelástica ao toque” INVESTIGAÇÃO DE VESÍCULA BILIAR: COLECISTITE - SINAL DE MURPHY: O examinador coloca a mão no hipocôndrio direito e pede para o paciente inspirar fundo. Se ele parar a respiração por dor nesse momento, o sinal de Murphy é positivo — sugerindo inflamação da vesícula biliar (como na colecistite). INVESTIGAÇÃO DE APÊNDICE: APENDICITE AGUDA - ROVSING: Com a mão fechada em punho, empurrar os gases presentes no intestino desde a fossa ilíaca esquerda, assim vendo se há dor reflexa no quadrante inferior direito (onde se encontra o apêndice). Se a palpação no quadrante inferior esquerdo desencadeia dor no quadrante inferior direito, o sinal de Rovsing é considerado positivo, indicando uma possível inflamação do apêndice. - SINAL DE BLUMBERG NO PONTO DE MCBURNEY: Para encontrar o ponto de McBurney, posicionar a mão na fossa ilíaca e medir a distância do umbigo. Aproximadamente no meio entre esses dois pontos é o local correto. Realizar descompressão rápida, sem avisar o paciente. Se a dor piorar ou surgir durante a descompressão, o sinal de Blumberg é positivo. - LAPINSKI: Levantar a perna direita do paciente, sem flexioná-la, enquanto pinça a fossa ilíaca direita. Esse sinal está associado à irritação do apêndice retrocecal, que se localiza atrás do intestino grosso, o que causa dor ao estender o membro inferior direito. - OBTURADOR: Colocar o joelho e a coxa do paciente flexionados em um ângulo de 90 graus. Rotacionar a coxa internamente. A manobra do obturador é útil para identificar a irritação do músculo obturador interno causada pela inflamação do apêndice. - PSOAS: Com o paciente deitado de costas para o médico (de bundinha), eleva-se a perna direita do paciente para trás enquanto faz pressão com a outra mão no sentido oposto do movimento. A manobra é positiva quando há dor no quadrante inferior direito do abdome, sugerindo irritação do músculo psoas. Curativos e Tipos de Coberturas de Feridas Um curativo ideal deve fornecer condições ótimas para a cicatrização: manter a ferida em ambiente úmido controlado, remover excesso de exsudato, permitir trocas gasosas, isolar termicamente, proteger contra bactérias e ser atraumático nas trocas 62 . A escolha do curativo depende das características da ferida (tecido presente, nível de exsudato, presença de infecção, profundidade) e deve aliviar a dor e promover o debridamento quando necessário. • Gaze (Compressa de Gaze Hidrófila): cobertura tradicional de tecido de algodão, estéril ou não, utilizada principalmente como curativo passivo para cobrir e proteger feridas 65 . A gaze permite absorver pequena quantidade de exsudato e protege o leito da ferida, mas tende a aderir quando em contato direto com tecido d egranulação seco .É indicada frequentemente como cobertura secundária (por cima de curativos primários, como hidrogel) ou em feridas limpas e com pouco exsudato. Deve ser evitada como única cobertura em feridas com muito exsudato ou infecções, pois pode ressecar o leito da lesão e aderir, causando dor e trauma na remoção . Ex: um ferimento cirúrgico limpo, já em fase de granulação, pode ser coberto apenas com gaze estéril seca para proteção. Já feridas com secreção purulenta exigem outro tipo de cobertura mais absorvente (gaze seca saturaria rapidamente e necessitaria trocas muito frequentes). • Filme Transparente (Filme de Poliuretano): curativo fino, adesivo e oclusivo semipermeável, transparente,que mantém a ferida em ambiente úmido e protegido. Permite a visualização do leito da lesão sem removê-lo. Indicado principalmente para feridas superficiais com pouco exsudato (por exemplo, abrasões, cortes menores, áreas doadoras de pele após epitelização inicial) e também muito usado na profilaxia de lesões por pressão em proeminências ósseas (calcanhares, cotovelos) devido à sua capacidade de reduzir o atrito. É útil ainda como curativo secundário para cobrir outros produtos (p.ex., sobre hidrogel ou alginato) ou para fixar cateteres. Por ser impermeável a líquidos e bactérias, porém permitir trocas gasosas, o filme transparente previne contaminação externa. Deve-se evitar seu uso em feridas infectadas ou muito exsudativas, pois não tem alto poder de absorção – nestes casos o acúmulo de exsudato sob o filme pode macerar a pele. A troca geralmente é a cada 3-7 dias ou conforme saturação/ descolamento. •Curativo Hidrocoloide: placa pastosa ou emplastro aderente composto de partículas de gelatina, pectina e carboximetilcelulose que gelificam em contato com exsudato. É um curativo interativo clássico, que mantém o meio úmido ideal para cicatrização. Indicado para feridas abertas rasas, com pouco ou nenhum exsudato, limpas ou em fase de granulação. Excelente para úlceras de pressão estágio I e II (superficiais não infectadas), áreas doadoras de pele após alguns dias, e feridas em fase de epitelização. Também pode ser usado profilaticamente em regiões de pressão para prevenir úlceras. O hidrocoloide oclusivo protege terminações nervosas (reduzindo a dor), promove desbridamento autolítico de tecidos desvitalizados e mantém pH ácido local, inibindo bactérias. Não requer trocas diárias – pode permanecer de 3 a 7 dias, ou até saturar e se desprender. Contraindicações: infecção ativa ou exsudação abundante – em feridas muito exsudativas ou infectadas, placas de hidrocoloide podem favorecer acúmulo de exsudato e proliferação bacteriana. Por exemplo, uma úlcera de pressão sacral estágio II (derme exposta, sem infecção) cicatriza bem sob hidrocoloide; já uma úlcera com muita secreção purulenta não deve receber hidrocoloide até controlar a infecção. • Curativo Hidrogel: consiste em gel transparente amorfo, composto majoritariamente de água (>75%) e polímeros como carboximetilcelulose e propilenoglicol. É indicado para feridas que necessitam de hidratação e desbridamento autolítico, tipicamente lesões com tecido necrosado seco ou com pouco exsudato.O hidrogel amolece e ajuda a remover crostas e escaras secas, facilitando a digestão do tecido necrosado pelo próprio organismo (desbridamento autolítico). É útil em úlceras por pressão com necrose seca (escaras), pé diabético isquêmico com necrose seca (desde que não haja infecção ativa), queimaduras de espessura parcial seca, etc. Deve-se cobrir o hidrogel com um curativo secundário oclusivo (filme ou hidrocoloide, ou mesmo gaze estéril) para manter a hidratação. A troca costuma ser diária ou a cada 2-3 dias, dependendo do produto e do objetivo (desbridamento requer trocas mais frequentes, a cada 24-72h). Não indicado para feridas com exsudato excessivo, pois pode macerar (nesse caso, preferir curativos absorventes). Ex: numa úlcera de perna com placa de fibrina amarela e pouca secreção, o hidrogel ajuda a remover o tecido amarelo facilitando a cicatrização. • Curativo de Alginato de Cálcio (ou Hidrofibra): cobertura primária altamente absorvente derivada de algas marinhas, rica em alginato de cálcioe sódio, disponível em forma de manta ou tira. Em contato com o exsudato, forma um gel coeso que mantém o ambiente úmido e facilita o desbridamento autolítico. Indicado para feridas com moderada a alta quantidade de exsudato, sejam superficiais ou cavitárias, inclusive se há sangramento ou infecção 82 .Exemplos: úlceras venosas de perna muito exsudativas, úlceras por pressão estágio III/IV com bastante secreção, leito cruento sangrante (o alginato ajuda na hemostasia local devido ao cálcio). Também pode ser empregado em cavidades (introduzindo tiras de alginato que gelificam e depois são facilmente removidas). Importante cobrir com curativo secundário (gaze, filme ou outro) porque o alginato gelificado permanece no leito. A troca varia de 1 a 3 dias, conforme saturação (trocar antes se o gel estiver saturado ou vazando). Contraindicado em feridas secas ou com muito pouca secreção (pode ressecar o leito). Nota: curativos de hidrofibra são semelhantes aos alginatos em uso, mas feitos de carboximetilcelulose pura, com alta absorção e formação de gel – as indicações coincidem (muitos os classificam juntos com alginatos). Há versões de alginato/hidrofibra impregnadas com prata para efeito antimicrobiano. • Curativo de Espuma (Espuma de Poliuretano): curativo absorvente constituído de espuma hidrófila; indicado para feridas com exsudato moderado, pois a espuma absorve e retém o líquido. Pode ser usado em úlceras de perna, áreas doadoras, feridas cirúrgicas abertas exsudativas, etc. Muitas espumas têm adesivo nas bordas e podem permanecer vários dias (2-5 dias) conforme o volume de exsudato. Oferecem acolchoamento e mantêm umidade sem macerar, além de não aderirem ao leito (remoção relativamente indolor). Não são indicadas para feridas secas (podem ressecar mais) nem devem ser oclusivas em infecções profundas sem controle sistêmico. •Curativos com Prata (Antimicrobianos): incluem várias categorias (algodão com prata, hidrofibra com prata, espuma com prata, filmes com prata, carvão com prata). A prata nanocristalina tem amplo espectro antimicrobiano e é útil em feridas infectadas ou colonizadas criticamente, como úlceras crônicas infectadas e queimaduras. Exemplo: curativo de hidrofibra com prata indicado em úlcera de perna infectada com exsudação – controla infecção e absorve exsudato. Deve-se atentar ao tempo de uso (geralmente trocas a cada 2-3 dias; uso prolongado além de 2 semanas reavaliar necessidade devido a risco de resistência/ argiria). • Curativo de Carvão Ativado (com ou sem prata): consiste em uma placa contendo carvão ativado (freqüentemente associada a prata impregnada). O carvão tem alta capacidade de adsorver moléculas voláteis causadoras de odor, e a prata confere efeito antimicrobiano . É especialmente indicado para feridas crônicas mal odorosas, geralmente infectadas ou colonizadas, com exsudato – por exemplo: úlceras por pressão infectadas com odor fétido, úlceras de perna infectadas, feridas neoplásicas (tumores cutâneos ulcerados) com odor 83 . Esses curativos controlam o mau cheiro em até 24-48h e ajudam na redução da carga bacteriana. Devem ser usados em combinação com cobertura secundária absorvente, se necessário, e trocados tipicamente a cada 2 a 3 dias ou conforme saturação do odor.. Não são úteis em feridas sem odor ou sem exsudato significativo (desperdício de recurso). Exemplo: uma úlcera de perna infectada por pseudômonas com odor forte pode se beneficiar de carvão+prata para controle do odor enquanto se trata a infecção. • Colagenase (Pomada Enzimática): é um agente desbridante enzimático contendo a enzima colagenase (derivada do Clostridium histolyticum) que digere colágeno e proteínas necrosadas no leito da ferida. Indicada para feridas com tecido desvitalizado (necrose ou esfacelo) aderido, especialmente quando se deseja evitar debridamento cirúrgico agressivo . Exemplos: úlceras por pressão com placas de necrose amarelo-cinzenta, feridas crônicas com tecido necrosado aderido ao leito, queimaduras com escara. A pomada de colagenase é aplicada após limpeza da lesão, geralmente diariamente, cobrindo-se com gaze umedecida em soro (a umidade ativa a enzima). Com o uso diário, o tecido morto vai se liquefazendo e pode ser removido em cada troca. Contraindicações: feridas limpas em cicatrização (não usar colagenase em lesões sem necrose, pois pode degradar colágeno recém-formado); também não usar em tecido com ischemia crítica não revascularizada, pois o desbridamento enzimático sem irrigação sanguínea adequada pode predispor a infecção e não cicatriza (neste caso, preferir revascularização ou enxertos). A colagenase é inativada por alguns metais pesados e antissépticos (evitar mercúrio, iodo forte ou prata junto com colagenase) . Um efeito colateral a observar é possível maceração da pele ao redor da ferida – proteja bordas com barreira de zinco/AGE. • Ácidos Graxos Essenciais (AGE): formulações tópicas contendo ácidos graxos (linoleico, etc.), vitaminas e triglicerídeos de cadeia média, utilizadas para hidratação e micro-nutrição local. São indicadas para prevenção de úlceras por pressão (protegem e hidratam pele íntegra sob risco) e como adjuvante em feridas limpas/granulantes para acelerar epitelização. Podem ser usados também em feridas pouco exsudativas para manter umidade. Exemplos: aplicação de AGE spray na pele ao redor de úlcera para prevenção de ressecamento e maceração; uso em escaras superficiais de estágio I. (Os tipos acima não esgotam todas as opções – há ainda curativos de hidrocoloide com alginato, papaína (enzimático vegetal), membranas de celulose, curativos à vácuo (VAC therapy) para feridas complexas, etc., mas focamos nos mais citados.) Indicações de Curativos por Tipo de Ferida A seleção do curativo deve considerar o tipo de ferida e suas características individuais: • Úlceras por Pressão: Avaliar estágio e presença de necrose/infeção. Em úlcera de pressão estágio I (pele intacta, eritema não desaparece à pressão) – usar barreiras protetoras e filme transparente ou hidrocoloide para proteção. Estágio II (perda parcial da derme, ferida superficial) – hidrocoloide é muito utilizado se não há infecção, pois mantém ambiente úmido e acelera a granulação . Estágio III/IV (perda total de tecido, podendo expor músculo/osso): se houver tecido necrótico, é necessário desbridamento (colagenase tópica diariamente, hidrogel em caso de necrose seca ou desbridamento cirúrgico conforme extensão). Após limpar a lesão, feridas cavitárias ou muito exsudativas devem ser preenchidas com alginato ou hidrofibra e cobertas com curativo secundário absorvente. Feridas menos exsudativas podem receber hidrocoloide em placa (se não infectadas) ou espuma de poliuretano. Em todas as fases, alívio de pressão é fundamental: mudanças de decúbito frequentes, colchões especiais, proteção de proeminências ósseas (ex: filmes transparentes ou hidrocoloide sobre sacro/calcanhar intactos para prevenção). Úlceras por pressão infectadas ou com odor: associar curativo de carvão ativado com prata para controle do odor e carga bacteriana , além de antibioticoterapia sistêmica se necessário. Controlar também fatores nutricionais do paciente para otimizar cicatrização. •Feridas em Pé Diabético: Geralmente complexas, com componente neuropático e/ou isquêmico, frequentemente infectadas. O manejo envolve abordagem multidisciplinar (controle glicêmico rigoroso, alívio de pressão no pé – uso de botas, muletas ou repouso – e avaliação vascular para revascularização se isquemia). No curativo, se houver necrose seca e isquemia crítica (pulso ausente), geralmente não se faz desbridamento agressivo até revascularizar, para não expor tecido sem perfusão. Se a ferida estiver úmida/infectada