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Exame Físico de Cabeça e Pescoço 
INSPEÇÃO 
Na inspeção de cabeça e pescoço, o examinador deve avaliar forma, simetria e 
anormalidades visíveis. 
- Observe o tamanho e contorno do crânio, assim como a implantação e 
quantidade de cabelos (buscando áreas de alopecia, higiene e presença de 
lesões no couro cabeludo) 
- Avalie a face (tipos de fácies) quanto à simetria dos traços e expressões; 
alterações faciais podem sugerir patologias específicas (por exemplo, face 
arredondada “cushingoide” em hiperadrenocorticismo, facemixedematosa em 
hipotireoidismo, facies leonina em lepromatose, etc.) 
- Verifique o olhar e a posição de estruturas faciais: ptoses palpebrais ou desvio 
ocular podem indicar neuropatias cranianas. Inspecione a pele da face e pescoço 
em busca de lesões, edema ou cicatrizes cirúrgicas. Observe também o pescoço: 
seu alinhamento, a presença de ingurgitamento jugular (turgescência das veias 
jugulares) ou pulsações anômalas. A ingurgitação jugular visível com o paciente 
semideitado (30-45°) sugere pressão venosa central elevada, ocorrendo 
tipicamente na insuficiência cardíaca congestiva direita. 
- Em crianças, atenção ao perímetro cefálico (macrocefalia pode indicar 
hidrocefalia; microcefalia, infecções congênitas, etc.) Em adultos, deformidades 
cranianas podem sugerir traumas prévios ou condições como acromegalia 
(crânio e mandíbula aumentados). 
 
 
 
PALPAÇÃO: 
A palpação complementa a inspeção, permitindo identificar estruturas e eventuais 
massas ou zonas dolorosas. Palpe delicadamente o crânio para verificar deformidades, 
depressões ou nodulações. Palpe as artérias temporais (acima do arco zigomático) – 
pulsos anormais ou doloridos podem indicar arterite temporal em idosos. Avalie a 
articulação temporomandibular enquanto o paciente abre e fecha a boca, notando 
crepitação ou dor que podem indicar disfunção da ATM (articulação 
temporomandibular). 
No pescoço, a palpação foca principalmente em linfonodos, tireoide e tráqueia. Palpe os 
linfonodos cervicais em sequência sistemática: pré-auricular, retroauricular, occipital, 
cervical superficial, cadeia cervical profunda, tonsilar, submandibular, submentual e 
supraclavicular. Note tamanho, consistência, mobilidade e dor à palpação. Linfonodos 
normais são pequenos, móveis e indolores; já linfonodos aumentados ou endurecidos 
podem ser patológicos. Por exemplo, linfonodos cervicais endurecidos e indolores 
(popularmente “ínguas” sem dor) podem ser o primeiro sinal de linfoma, sobretudo se 
persistentes na ausência de infecção evidente . No linfoma de Hodgkin ou não Hodgkin, é 
comum linfadenopatia indolor em pescoço, axilas ou virilha, enquanto linfonodos 
dolorosos geralmente apontam para infecção local. Palpe também as glândulas 
salivares (parótidas e submandibulares) buscando aumentos de volume que ocorrem, 
por exemplo, em caxumba ou cálculo salivar. 
 
Avalie a glândula tireoide posicionando-se atrás do paciente: identifique o istmo abaixo 
do Pomo de Adão e palpe os lobos lateralmente durante a deglutição (a tireoide ascende 
na deglutição). Verifique se a tireoide é palpável (normalmente não é facilmente 
palpável) e descreva seu tamanho, mobilidade, consistência e sensibilidade. Bócio difuso 
pode ser macio em Doença de Graves ou firme/irregular em tireoidites e bócios 
multinodulares. Nódulos isolados podem sugerir adenomas ou neoplasias tireoidianas. 
Palpe a traqueia na linha média – desvio traqueal pode indicar massas assimétricas no 
pescoço ou condições intratorácicas (por exemplo, desvio da traqueia para o lado 
contralateral em pneumotórax hipertensivo, onde ar está preenchendo a cavidade 
torácica e comprimindo os pulmões). 
 
PERCUSSÃO: 
A percussão não é rotineiramente utilizada no exame de cabeça e pescoço, exceto em 
situações específicas. Pode-se percutir suavemente os seios paranasais (frontal e 
maxilar) com a ponta dos dedos para avaliar dor à percussão – a presença de dor pode 
indicar sinusite. Além disso, em suspeita de hipotireoidismo, o sinal de Chvostek 
(percussão do nervo facial) poderia ser testado, embora seja mais um reflexo 
neuromuscular do que parte do exame habitual. Em geral, para cabeça e pescoço, 
valoriza-se mais a inspeção e palpação, com a ausculta aplicada apenas em vasos ou 
glândula tireoide quando necessária. 
 
AUSCULTA 
A ausculta no exame de pescoço é reservada para estruturas vasculares e a tireoide. 
Utilizando o diafragma ou a campânula do estetoscópio, ausculte cada artéria carótida 
lateralmente no pescoço (pedindo ao paciente para prender a respiração brevemente). 
Sopros carotídeos audíveis sugerem estenose aterosclerótica da carótida, o que eleva 
risco de eventos isquêmicos cerebrais. Sempre ausculte antes de palpar a carótida, para 
evitar desencadear bradicardia reflexa ou deslocar um possível trombo. Na glândula 
tireoide aumentada (bócio), especialmente em bócio vascular da Doença de Graves, 
realize a ausculta sobre a região tireoidiana: um sopro ou frêmito pode ser audível em 
tireoides hiperfuncionantes ou muito vascularizadas. A presença de sopro tireoidiano 
indica hipervascularização, comum no hipertireoidismo. A maioria das estruturas da 
cabeça (cérebro, vasos intracranianos) não são acessíveis diretamente à ausculta 
clínica; contudo, um sopro audível sobre a região temporal ou orbitária pode indicar, 
raramente, malformações arteriovenosas cranianas ou sopros transmitidos de estenoses 
carotídeas significativas. 
(Observação: No exame neurológico, a avaliação de pares cranianos complementa o 
exame de cabeça (pupilas, fundoscopia, motilidade ocular, etc.) 
ROTEIRO OSCE: 
1. INSPEÇÃO GERAL DA FACE 
1. Observar a simetria da face. 
2. Procurar edemas, ptoses, manchas, alterações na pele, tremores ou espasmos. 
3. Testar o nervo facial (VII) → Peça para o paciente levantar as sobrancelhas, 
fechar os olhos, sorrir e soprar. 
O que dizer ao examinador: "A face está simétrica, sem ptose (queda de pálpebra), 
tremores, assimetrias ou irritações na pele. A mobilidade facial é preservada." 
EXAME DOS OLHOS 
1. Inspecionar pálpebras (ptose, edema), conjuntivas (anemia ou inflamação) e 
esclera (icterícia). 
2. Testar motilidade ocular → Peça para o paciente seguir seu dedo formando um 
“H” no ar. 
3. Testar reflexos pupilares (pares cranianos II e III): 
○ Ilumine um olho e observe a contração da pupila (fotomotor direto). 
○ Observe a pupila contralateral (fotomotor consensual). 
○ Reflexo de acomodação → peça para olhar longe e depois perto. 
O que dizer ao examinador: "Pálpebras sem ptose, conjuntivas normocoradas, escleras 
anictéricas. Reflexos pupilares fotorreagentes e simétricos. Motilidade ocular preservada 
sem nistagmo (movimentos involuntários) ou diplopia (visão dobrada.)" 
EXAME DO NARIZ 
1. Inspecionar o nariz externamente (desvios, lesões, secreções). 
2. Testar a permeabilidade nasal → Tampar uma narina por vez e pedir para 
respirar. 
3. Se disponível, usar espéculo nasal para avaliar mucosa, cornetos e presença de 
secreções. 
O que dizer ao examinador: "Nariz sem desvios evidentes, mucosa nasal rosada, sem 
secreções anormais. Permeabilidade nasal mantida." 
EXAME DA BOCA E OROFARINGE 
1. Observar lábios (lesões, descamação), mucosa oral (úlceras, placas brancas), 
dentes e gengivas. 
2. Pedir para o paciente abrir a boca e dizer 'ahhh' → Observar a mobilidade da 
úvula (nervo vago - X). 
3. Observar a língua → Peça para protrair e verifique desvios (nervo hipoglosso - 
XII). 
O que dizer ao examinador: "Mucosa oral úmida, sem lesões. Língua sem desvios e úvula 
centralizada. Dentes e gengivas íntegros." 
 
 
 EXAME DOS OUVIDOS (OTOSCOPIA) 
1. Observar secreções, edema, obstrução do meato (canal) auditivo externo. 
2. Com otoscópio: 
○ Inspecionar conduto auditivo externo (cerume, inflamação, corpos 
estranhos).com necrose, indica-se desbridamento – idealmente cirúrgico (retirada 
de tecido inviável) complementado por colagenase em restos necróticos. Feridas de pé 
diabético com exsudato e infecção se beneficiam de curativos com ação antimicrobiana 
(ex: alginato com prata, ou gaze impregnada com iodopovidona ou PHMB). Após controle 
da infecção, para estimular granulação em úlceras plantares profundas pode-se usar 
espuma de poliuretano ou curativo à vácuo (VAC therapy) se disponível. Dor nem sempre 
é acentuada (devido à neuropatia), mas atentar para sinais sistêmicos de infecção. Em 
pé diabético, as trocas de curativo geralmente são diárias ou a cada 2 dias inicialmente, 
avaliando evolução. 
Em resumo: desbridar tecido morto, controlar infecção (curativos antimicrobianos + 
antibióticos sistêmicos conforme necessidade), manter umidade balanceada (alginato 
se muito úmida, hidrogel se seca), e proteger de novo trauma (alívio de pressão) são os 
pilares. 
• Feridas Cirúrgicas Limpas (Primeira Intenção): Feridas operatórias fechadas com 
sutura geralmente cicatrizam por primeira intenção. O curativo inicial (gaze estéril ou 
filme transparente) geralmente pode ser removido em 24-48 horas se não houver 
drenagem, pois já se formou a barreira de fibrina e epitelização superficial inicial 98 . 
Muitas incisões limpas nem necessitam de novo curativo após 48h, bastando manter 
limpeza. Caso o paciente prefira cobrir (por conforto ou proteção da roupa), utiliza-se 
curativo passivo simples – gaze estéril seca fixada com adesivo ou filme transparente 
semipermeável 98 . Se houver dreno ou mínima drenagem, pode-se acolchoar com gaze 
absorvente trocada diariamente. Importante orientar sinais de infecção (rubor local, 
saída de pus) que demandariam avaliação. Em resumo, incisões cirúrgicas limpas e bem 
aproximadas não requerem curativos avançados, apenas proteção até fechamento 
epidérmico (24-48h) e depois exposição ao ar livre para melhor cicatrização. 
• Feridas Cirúrgicas Abertas ou Infectadas (Cicatrização por Segunda Intenção): Aqui a 
ferida deve preencher por granulação e epitelização a partir do leito aberto. Exemplo: 
incisões cirúrgicas que deisciram (se abriram) ou sítios cirúrgicos com infecção que 
precisaram ser abertos para drenagem. O objetivo inicial é limpeza e desbridamento de 
tecidos desvitalizados e controle de infecção. Aplica-se irrigação salina nas trocas e 
pode-se usar curativos úmidos (gaze embebida em soro, conhecida como “curativo 
úmido-seco”) trocados 1-2x ao dia para desbridamento mecânico de detritos. 
Alternativamente, utilizar curativos de alginato se exsudativa,ou colagenase para ajudar 
no debridamento enzimático.Após limpeza da ferida (quando já granulando, sem pus), 
curativos que mantenham úmido sem macerar são indicados: hidrocoloide se pouco 
exsudato e superficial, ou espuma/algodão se moderado exsudato. Em feridas cavitárias 
profundas, preencher a cavidade com gáses umedecidas em soro ou alginato/ 
hidrofibra, pois cavidades vazias podem acumular abscesso. A frequência de troca varia 
– no início (infecção ativa) é diária; depois pode espaçar para cada 2 dias conforme 
melhora. Sempre considerar antibioticoterapia sistêmica se sinais de infecção profunda. 
O fechamento por segunda intenção pode ser lento; técnicas como terapia a vácuo 
podem acelerar, se disponíveis. O manejo da dor aqui inclui analgesia sistêmica e 
escolha de curativos menos dolorosos (por ex., usar gazes umedecidas facilita remoção 
sem arrancar tecido de granulação, ou usar curativos não aderentes). 
• Feridas Exsudativas: Qualquer ferida com excesso de exsudato (seja uma úlcera de 
perna, úlcera por pressão, queimadura ou infecção de partes moles) requer curativos de 
alta absorção. O excesso de exsudato retarda a cicatrização e macera a pele ao redor, 
então é fundamental remover o excedente. Para isso, indicam-se alginatos/hidrofibras, 
espumas absorventes ou compressas absorventes não aderentes. Alginatos e hidrofibras 
podem absorver várias vezes seu peso em líquido e formam gel, mantendo umidade sem 
encharcar. Espumas também retêm líquido internamente. Essas coberturas são trocadas 
quando saturadas – em feridas muito exsudativas, pode ser diariamente; em 
moderadas, a cada 2-3 dias. É importante proteger a pele ao redor (com barreira de 
pasta de zinco ou filme de barreira) para evitar dermatite por contato com exsudato. 
Exemplos: úlcera venosa na perna com muito exsudato – usar alginato e cobrir com 
espuma ou atadura absorvente; queima superficial exsudativa – alginato + gaze. Após 
controle do exsudato (quando a ferida começa a secar), pode ser necessário mudar 
para curativos do tipo hidrocoloide ou hidrogel para evitar ressecamento excessivo. 
•Feridas Necrosadas (com tecido desvitalizado): A presença de necrose ou tecido 
desvitalizado (escara preta seca, tecido amarelo fibrinoso) no leito da ferida impede a 
cicatrização e favorece infecção 101 . Portanto, remover a necrose (desbridamento) é 
prioridade. As opções incluem: desbridamento cirúrgico (excisão instrumental do tecido 
morto, mais rápido, indicado se grande quantidade de necrose – deve ser feito por 
profissional habilitado, às vezes no centro cirúrgico); desbridamento autolítico com 
curativos que mantenham ambiente úmido (ex.: hidrogel, hidrocoloide) – mais lento, 
porém seletivo e indolor, indicado para pacientes que não toleram cirurgia e feridas não 
infectadas; desbridamento enzimático – uso de pomadas como colagenase para digerir 
seletivamente o tecido morto; desbridamento mecânico – uso de curativo úmido-seco 
(a gaze seca ao aderir na necrose e, ao removê-la, puxa o tecido – método simples 
porém doloroso e não muito seletivo, utilizado em alguns serviços ainda) . Em feridas com 
escara preta seca estável(especialmente em pé isquêmico), pode-se optar por não 
desbridar até que haja revascularização ou sinais de infecção sob a escara, pois remover 
sem circulação adequada pode abrir porta para infecção. Entretanto, em geral, necroses 
moles ou úmidas devem ser removidas. O curativo ideal para necrose seca sem infecção 
é aplicar hidrogel sob oclusão – isso hidratará e amolecerá a escara, facilitando 
destacamento (trocas a cada 24-72h). Se a necrose for úmida ou há exsudato, a 
colagenase enzimática é muito útil – aplica-se diária e cobre com gaze umedecida; em 
poucos dias a necrose vai se liquefazendo. Monitorar sinais de infecção no processo. 
Assim que o leito estiver limpo (granulando vermelho), trocam-se os curativos para 
aqueles que promovem granulação/epitelização (espumas, hidrocoloides, etc.). 
Em todos os casos de tratamento de feridas, deve-se abordar também a infecção e a 
dor. Infecção local se manifesta por exsudato purulento, mau odor, eritema perilesional 
ou mesmo febre; nesses casos, além de limpeza rigorosa e curativos com agentes 
antimicrobianos (ex: prata, iodofórmio), pode ser necessária antibioticoterapia sistêmica. 
O curativo ideal deve minimizar a dor – isso inclui escolha de materiais não aderentes 
(espumas, películas de silicone) e técnicas atraumáticas (umedecer gaze antes de 
removê-la, por exemplo). A analgesia prévia ao curativo pode ser considerada em 
feridas muito dolorosas. Lembre-se de avaliar e manejar fatores sistêmicos do paciente: 
controle glicêmico no diabético, nutrição adequada (proteínas, vitaminas) para 
cicatrização, cessar tabagismo, melhorar perfusão (tratamento de doença arterial, 
edema venoso), descarga de pressão em úlceras de pressão e pés diabéticos. Esses 
princípios, aliados à correta seleção do curativo, promovem uma cicatrização mais 
rápida e eficaz, conectando os sinais físicos e achados locais com uma abordagem 
terapêutica adequada e embasada em princípios fisiológicos da reparação tecidual. 
 
	ROTEIRO OSCE: 
	1. INSPEÇÃO GERALDA FACE 
	EXAME DOS OLHOS 
	EXAME DO NARIZ 
	EXAME DA BOCA E OROFARINGE 
	 
	 
	 EXAME DOS OUVIDOS (OTOSCOPIA) 
	EXAME DO PESCOÇO 
	Exame da Artéria Carótida 
	Exame da Veia Jugular 
	 EXAME DA TIREÓIDE○ Avaliar membrana timpânica (cor perolada, reflexo luminoso, 
abaulamento ou retração). 
3. Testar audição (Rinne e Weber): 
○ Estalar os dedos ao lado dos ouvidos do paciente, ele estando com os 
olhos fechados. 
O que dizer ao examinador: "Conduto auditivo livre, membrana timpânica íntegra e com 
reflexo luminoso preservado. Testes de audição sem alterações, capacidade auditiva 
bilateral e preservada." 
EXAME DO PESCOÇO 
1. Inspecionar abaulamentos, assimetrias, circulação colateral. 
2. Palpar linfonodos (submentonianos, submandibulares, cervicais anteriores e 
posteriores, supraclaviculares). 
3. Palpar a traqueia → Verificar se está centralizada. 
O que dizer ao examinador: "Sem adenomegalias palpáveis, linfonodos móveis e 
indolores. Traqueia centralizada." 
Exame da Artéria Carótida 
1. Inspeção/O que observar: 
■ Olhe para ambos os lados do pescoço do paciente. 
■ Verifique a presença de pulsação visível ou qualquer alteração (ex: 
aumento da pulsação). 
■ Preste atenção em possíveis massas ou aumentos que possam 
indicar patologias (ex: aneurisma ou estenose). 
2. Palpação: 
■ Peça para o paciente virar ligeiramente a cabeça para o lado 
oposto. 
■ Palpar a artéria carótida (na linha média entre a traqueia e o 
músculo esternocleidomastoideo, na região inferior do pescoço). 
■ Palpe suavemente e não bilateralmente ao mesmo tempo (evite o 
risco de desmaio devido à estimulação simultânea dos dois lados, 
chamado de reflexo vago). 
3. O que observar durante a palpação: 
○ Ritmo e amplitude: Verifique se a pulsação é regular e simétrica. Acarreta 
em alterações como uma pulsatilidade forte e irregular pode sugerir um 
problema. 
○ Sons de bruits: Ao palpá-la, preste atenção se há turbulência do fluxo 
sanguíneo (isso pode indicar estenose). Caso necessário, ausculte com o 
estetoscópio para ouvir bruits. 
4. O que falar ao examinador: 
○ "Estou apalpando a artéria carótida, observando ritmo, amplitude e 
simetria da pulsação, e também verificando a presença de bruits com o 
estetoscópio." 
Exame da Veia Jugular 
1. Inspeção: 
○ O que observar: 
■ Peça para o paciente deitar-se em uma posição semi-reclinada 
(aproximadamente 30-45 graus) e olhar para a frente. 
■ Observe se há distensão da veia jugular externa ou interna no 
pescoço. 
■ Note a altura da coluna de sangue. A distensão pode ser um sinal 
de insuficiência cardíaca direita ou aumento da pressão venosa 
central. 
2. Palpação: 
○ O que fazer: 
■ Você pode tentar palpar suavemente a veia jugular (normalmente, 
não é palpável). 
■ Se necessário, pressione levemente sobre a veia jugular para 
verificar sua compressibilidade (se ela não for comprimida 
facilmente, pode ser um sinal de aumento da pressão venosa). 
3. Avaliação do sinal de Galvani (ou onda jugular): 
○ O que observar: 
■ Meça a altura da distensão jugular em relação à linha da clavícula. 
Para fazer isso, coloque uma régua ou marcador ao lado do 
pescoço e meça até o nível de distensão da veia. Compare com a 
altura da linha da clavícula. 
4. O que falar ao examinador: 
○ "Estou observando a veia jugular para identificar sinais de distensão, que 
podem indicar aumento da pressão venosa central. Estou também 
medindo a altura da coluna de sangue para verificar sinais de insuficiência 
cardíaca ou outros problemas circulatórios." 
 EXAME DA TIREÓIDE 
1. Inspecionar abaulamentos na região cervical anterior. 
2. Palpação da tireoide: 
○ Palpe os lobos direito e esquerdo e o ístmo. 
○ Peça para o paciente engolir enquanto sente o movimento da tireoide. 
○ Avalie tamanho, consistência, presença de nódulos ou dor. 
3. Se necessário, ausculte para detectar sopros (hipertireoidismo). 
O que dizer ao examinador: "Tireoide de tamanho normal, sem nódulos ou dor, com 
mobilidade preservada à deglutição." 
Exame Físico do Sistema Respiratório (Pulmonar) 
O exame físico pulmonar deve ser realizado com o paciente preferencialmente sentado, 
permitindo acesso à região anterior, lateral e posterior do tórax. 
INSPEÇÃO 
Inicie pela inspeção estática do tórax, avaliando forma e simetria. Observe se o tórax é 
normolíneo (oval e simétrico) ou se apresenta configurações anormais, como o tórax em 
barril (aumento do diâmetro ântero-posterior, comum no enfisema pulmonar), tórax 
cifótico ou escoliótico (deformidades da coluna que podem prejudicar a mecânica 
respiratória) ou pectus escavado (depressão ou proeminência esternal congênitas). 
Verifique a presença de cicatrizes cirúrgicas (por exemplo, toracotomias) ou lesões 
cutâneas. Note quaisquer abaulamentos ou retrações localizadas na caixa torácica– 
retrações intercostais e de fúrcula supraclavicular durante a inspiração indicam aumento 
do esforço respiratório e uso de musculatura acessória . O uso de músculos acessórios 
(evidente pela contratação de escalenos, esternocleidomastóideos, bem como uso do 
diafragma em excesso e visível) e batimento das asas do nariz refletem dificuldade 
respiratória, comum em insuficiência respiratória aguda ou obstrução de vias aéreas . 
INSPEÇÃO DINÂMICA: observar o padrão respiratório. Avalie a frequência e ritmo 
respiratório (taquipneia, bradipneia, irregularidades), bem como a amplitude das 
incursões (respiração superficial vs. profunda) e a predominância torácica ou abdominal 
dos movimentos. O padrão normal em adultos em repouso é costoabdominal (leve 
expansão torácica com movimentação abdominal). Note se há dispneia aparente ou 
ortopneia (dificuldade para respirar ao deitar, sugestiva de congestão pulmonar na 
insuficiência cardíaca). Cianose de lábios ou extremidades, assim como baqueteamento 
digital (hipocratismo digital), devem ser investigados – unhas azuis podem estar 
associadas a doenças pulmonares crônicas (bronquiectasias, fibrose pulmonar, câncer 
de pulmão). Observe se há deformidades ou assimetrias respiratórias durante incursões: 
em derrames pleurais volumosos ou atelectasias pode haver redução do movimento de 
um hemitórax em relação ao outro. 
 
PALPAÇÃO: 
A palpação do tórax avalia pontos dolorosos, expansibilidade e vibrações. Palpe 
suavemente toda a parede torácica (anterior e posterior) em busca de dolorimento 
localizado – dor reproduzida à palpação pode sugerir causas musculoesqueléticas 
(como costocondrite) ou fratura de costela. Em seguida, avalie a expansibilidade 
torácica: posicione as mãos em pinça envolvendo simetricamente os hemitórax (por 
exemplo, polegares juntos na linha média nas costas do paciente, ao nível de T10). Peça 
ao paciente para inspirar profundamente e observe se os polegares se afastam de modo 
simétrico. Expansão assimétrica (um lado expandindo menos) indica comprometimento 
unilateral, como fibrose pulmonar unilateral, derrame pleural, consolidação pneumônica 
lobar ou atelectasia em um dos pulmões. 
Outra etapa fundamental é palpar o frêmito toracovocal (FTV). Com as palmas ou borda 
ulnar das mãos apoiadas simetricamente sobre regiões comparáveis dos dois hemitórax 
(porção superior, média e inferior, tanto na face posterior quanto anterior), peça ao 
paciente para repetir palavras de vibração forte, como “trinta e três” ou “noventa e nove”. 
Compare a vibração sentida de um lado com o do lado oposto. O FTV normalmente é 
discretamente palpável e simétrico. Alterações: FTV aumentado sugere aumento da 
transmissão das vibrações sonoras, ocorrendo em áreas de consolidação pulmonar 
(como pneumonia lobar) que deixam o parênquima mais sólido. FTV diminuído ou 
abolido indica diminuição da transmissão, ocorrendo em derrame pleural, pneumotórax 
ou DPOC enfisematosa (onde há mais ar ou líquido isolando a transmissão) . Por 
exemplo, no pneumotórax (ar livre na pleura) e no derrame pleural (líquido na pleura), o 
FTV costuma estar marcadamente reduzido ou ausente. Já na atelectasia completa de 
um pulmão (colapso), o FTV também pode abolir-se pela perda de aeraçãodaquele 
lado. 
 
PERCUSSÃO: 
A percussão do tórax auxilia na avaliação do conteúdo aéreo ou sólido do pulmão e 
espaços pleurais. Percuta comparativamente os campos pulmonares, de ápices a bases 
e também nas regiões laterais, sempre em áreas correspondentes de ambos os lados . O 
som normal sobre pulmões aerados é o som claro pulmonar (ressonante). Alterações 
clássicas do som de percussão incluem: hipersonoridade (timpanismo) – som mais 
intenso e prolongado, de tom baixo, indicando excesso de ar, como em pneumotórax ou 
pulmonar difuso no enfisema; e submacicez ou macicez – som abafado, de curta 
duração, indicando aumento de densidade, como em pneumonia com consolidação 
lobar, atelectasia volumosa, tumor de pulmão ou derrame pleural significativo. Por 
exemplo, numa síndrome de derrame pleural, espera-se macicez à percussão na base 
do hemitórax afetado (onde se acumula o líquido) e som mais claro no ápice; já na 
pneumonia lobar, a área consolidada fornece macicez sobre o lobo acometido. Em casos 
de ascite volumosa ou gravidez avançada, pode-se notar elevação do diafragma e 
redução das ressonâncias nas bases pulmonares bilateralmente. 
 
AUSCULTA: 
Utilize o estetoscópio para auscultar sistematicamente os campos pulmonares em áreas 
simétricas, cobrindo os lobos superiores, médios (direita) e inferiores, tanto na face 
posterior quanto anterior e nas axilas . Oriente o paciente a respirar pela boca, um pouco 
mais profundamente que o normal, e compare os sons entre os lados. 
Primeiro, avalie os murmúrios vesiculares normais – som suave de entrada de ar, audível 
melhor nas inspirações, presente difusamente. Murmúrio vesicular normais bilaterais 
indicam via aérea pérvia até os alvéolos. Atenuação ou ausência do som respiratório em 
alguma área sugere processo obstrutivo ou de isolamento do pulmão daquela região 
(ex.: diminuição difusa em DPOC grave; ausência localizada em derrame pleural ou 
pneumotórax, pelos mesmos motivos do FTV diminuído). Sons respiratórios anormais 
incluem o murmúrio vesicular substituído por sopro tubário/bronquico, que é um som 
rude semelhante à respiração traqueal ouvido na periferia – ocorre tipicamente sobre 
áreas de consolidação pulmonar (pneumonia), em que os alvéolos preenchidos por 
exsudato transmitem os sons brônquicos centrais até a parede torácica. 
Além dos sons respiratórios básicos, identifique ruídos adventícios (adicionais). Os 
principais são: estertores (crepitações), sons descontínuos “crepitantes” semelhantes a 
velcro ou ao barulho de torcer um plástico fino; podem ser finos ou grossos. Estertores 
finos bilaterais nas bases sugerem edema pulmonar ou fibrose intersticial, enquanto 
estertores unilaterais localizados sugerem pneumonia ou atelectasia daquela região. Por 
exemplo, na insuficiência cardíaca esquerda, o aumento da pressão capilar causa 
transudação de líquido para os alvéolos, gerando estertores crepitantes nas bases 
pulmonares(sinal de congestão). .Em edema agudo de pulmão, os estertores podem se 
estender a campos médios e superiores, acompanhados de roncos e sibilos difusos 
devido ao intenso acúmulo de líquido. Outro ruído comum são os sibilos, sons musicais 
contínuos, geralmente expiratórios, indicativos de broncospasmo ou vias aéreas 
estreitadas – ocorrem classicamente na asma brônquica e DPOC (especialmente na 
crise asmática, sibilos difusos expiratórios). Os roncos são sons mais graves e grosseiros, 
sugerindo secreção em vias aéreas calibrosas (podem modificar ou desaparecer após 
tosse eficaz). O estridor (ruído áspero inspiratório alto) indica obstrução de vias aéreas 
superiores (como laringotraqueíte ou corpo estranho em traqueia). Também atente para 
sons pleurais: o atrito pleural é um som áspero, “rascante”, sincrônico com respiração, 
causado pelo deslizamento de pleuras inflamadas (como na pleurite ou pleurisia). 
Por fim, avalie sinais de transmissão da voz pela ausculta, se suspeita de consolidação: 
broncofonia (ausculta nítida da voz do paciente ao falar, em vez de abafada), egofonia 
(voz do paciente com timbre anasalado, por exemplo “33” soando como “e-i”) e 
pectorilóquia afônica (audibilidade de sussurros na área afetada). Esses achados 
reforçam a presença de consolidação (como pneumonia) ou cavitação. Em resumo, a 
combinação dos achados do exame pulmonar permite correlacionar sinais físicos com 
patologias: por exemplo, estertores crepitantes podem sugerir pneumonia ou edema 
cardíaco; sibilos difusos sugerem asma; hipofonese de murmúrios vesiculares + macicez 
+ FTV diminuído sugere derrame pleural; sopro tubário + FTV aumentado + macicez 
sugere pneumonia lobar;hipersonoridade + FTV abolido + silêncio auscultatório aponta 
pneumotórax. 
 
 
 
ROTEIRO OSCE: 
- Observo que não vejo manchas, cicatrizes, abaulamentos ou irregularidades 
no tórax. digo que a frequência respiratória parece normal. falo o tipo de tórax, 
que no caso seria o tórax chato/em formato de escudo, o tórax que indica que 
não há doença como DPOC ou nada congênito aparente. 
- Peço pra pessoa respirar fundo e digo que há expansibilidade na caixa torácica e 
uso de musculatura acessória, tipo o diafragma e músculos intercostais 
- Coloco as mãos na frente e atrás do paciente (na região da clavícula) ao mesmo 
tempo e peço para respirar novamente. coloco as mãos em asa nas suas costas 
com os polegares se tocando e peço para respirar novamente, descendo pelas 
costas e dizendo que há expansibilidade normal da caixa torácica e 
elasticidade. 
- Realizar FRÊMITO, colocando sempre a mesma mão nos campos pulmonares e 
pedindo para a pessoa dizer 33. Dizer com fim que a ressonância vocal está 
preservada, com vibração mais intensa na parte superior. “Frêmito tóraco-vocal 
presente e simétrico em todos os campos pulmonares.” 
- Realizar percussão, entre a escapula e a coluna, descendo em escadinha grega 
na frente e atrás. Na frente começar em cima da clavícula e ir descendo se 
guiando pelas costelas, pelo menos uns 6 pontos. Dizer que o som 
supraclavicular é sub maciço e que os sons infra claviculares são ocos, ou seja, 
claro pulmonar. 
- Fazer a ausculta, pedir pro paciente puxar pelo nariz e soltar pela boca. 6 pontos 
atrás, 6 na frente, embaixo das axilas. CASO NORMAL DIZER: “Ausculta pulmonar 
com murmúrio vesicular presente e simétrico, sem ruídos adventícios.” 
 
CASO OS PROFESSORES COLOQUEM UM ÁUDIO DE RUÍDO ADVENTÍCIO: 
1. Estridor (tanto na inspiração quanto expiração, parece como se houvesse catarro) 
2. Grasnido (Parede um peido fino na inspiração) 
3. Estertores finos (parece como se batesse um vento no microfone na inspiração) 
4. Estertor grosso (vento no microfone na expiração) 
5. Atrito pleural (parece um som que em cima e embaixo, tem tanto na inspiração 
quanto expiração) 
6. Sibilo (parece uma pessoa suspirando, parece ter até tom de voz, acontece na 
inspiração e logo em sequência pode vir um ronco, característico de asma) 
7. Ronco (uma forte expiração carregada) 
 
Exame Físico do Sistema Cardiovascular (Cardíaco) 
INSPEÇÃO: 
Na inspeção cardiovascular, avaliam-se inicialmente sinais periféricos e depois 
alterações precordiais. Comece examinando o pescoço em busca de turgência jugular. 
Com o paciente reclinado a 45°, observe as veias jugulares externas/internas em ambos 
os lados. A distensão jugular patológica indica elevada pressão venosa central, 
frequentemente devida a insuficiência cardíaca direita ou global. Note se há pulsos 
venosos visíveis no pescoço – ondas venosas jugulares podem ser observadas e, quando 
patológicas (onda V proeminente, por exemplo), sugerem regurgitação tricúspide. Em 
seguida, inspecione possíveis edemas periféricos: edema maleolar ou pré-tibial simétrico 
com cacifo é sinal de congestão venosa na insuficiência cardíacadireita. 
Examine o precórdio diretamente. Ilumine tangencialmente o tórax anterior para detectar 
abaulamentos ou pulsações anormais. Abaulamentos precordiais em crianças podem 
indicar cardiomegalia de longa data (sinal de “tórax em corcova”). Protusões localizadas 
poderiam ser aneurismas (por exemplo, aneurisma de ventrículo esquerdo pós-infarto 
pode causar pulsação visível em região precordial esquerda) . Também procure 
cicatrizes cirúrgicas: uma cicatriz mediana esternal sugere cirurgia cardíaca prévia (ex.: 
revascularização miocárdica, troca valvar), cicatrizes laterais podem indicar 
toracotomias (cirurgia de válvula mitral, por exemplo). Avalie o ictus cordis (choque da 
ponta do coração): normalmente localizado no 5o espaço intercostal esquerdo, linha 
hemiclavicular, podendo ser visualizado ou não. Na inspeção, o ictus visível indica 
impulsão vigorosa do ápice – classificado como precórdio “hiperdinâmico” se muito 
evidente. 
Desvio do ictus para linha axilar anterior sugere aumento do ventrículo esquerdo (como 
em hipertensão crônica ou insuficiência aórtica), ao passo que ictus não visível em 
paciente magro pode indicar pulmão hiperinsuflado (enfisema) . Também observe se há 
impulsões paraesternal esquerda – uma pulsação difusa no paraesternal esquerdo pode 
refletir hipertrofia ventricular direita ou dilatação do ventrículo direito empurrando o 
esterno. Pulsação epigástrica visível pode advir do ventrículo direito hipertrófico ou de um 
aneurisma de aorta abdominal. 
 
 
PALPAÇÃO: 
A palpação cardíaca complementa a inspeção, proporcionando dados sobre choques e 
frêmitos. Localize e palpe o ictus cordis com as polpas digitais. Notas normais: situa-se no 
5o EIC esquerdo, na linha médio-clavicular, com diâmetro de cerca de 2 cm, curto e 
único. Alterações: ictus deslocado lateral e inferiormente sugere cardiomegalia por 
hipertrofia/dilatação do VE (ex.: hipertensão de longa data, insuficiência aórtica), 
frequentemente tornando-se propulsivo (levanta a mão do examinador) devido à 
hipertrofia vigorosa. Em paciente hipertenso, é clássico encontrar ictus em 6o EIC na linha 
axilar anterior, propulsivo e sustentado. Se o ictus estiver difuso e com >3 cm, indica 
dilatação ventricular importante (por ex., miocardiopatia dilatada). A ausência de ictus 
palpável em paciente em decúbito supino pode ocorrer em casos de DPOC grave (tórax 
hiperinsuflado), obesidade ou derrame pericárdico – situações em que o choque da 
ponta fica amortecido. 
Palpe a região paraesternal esquerda e a base do coração (área dos focos aórtico e 
pulmonar, segundo EIC direito e esquerdo junto ao esterno) para detectar frêmitos. 
Frêmito cardiovascular é uma vibração tátil resultante de fluxo sanguíneo turbulento no 
coração ou grandes vasos, perceptível na mão como um “tremelejo” parecido com 
celular vibrando Geralmente, os frêmitos estão associados a sopros cardíacos intensos 
(sopros de grau ≥4+/6 na escala de Levine), indicando lesão valvar significativa. Por 
exemplo, um frêmito sistólico no foco aórtico (2o EIC direito) que irradia para pescoço 
sugere estenose aórtica acentuada, enquanto frêmito sistólico em foco mitral (ápice) 
apontando para axila sugere insuficiência mitral importante. Palpe também os pulsos 
arteriais periféricos (carótidas, braquiais, radiais, femorais, tibiais e pediosos) avaliando 
frequência, ritmo, amplitude e simetria. O pulso carotídeo especialmente pode fornecer 
pistas: pulso parvus et tardus (fraco e atrasado) é clássico da estenose aórtica 
significativa; pulso em martelo d’água (saltón) sugere insuficiência aórtica. Obs: Palpar 
carótidas alternadamente, nunca as duas ao mesmo tempo, para evitar 
comprometimento do fluxo cerebral. 
 
AUSCULTA 
A ausculta cardíaca deve ser feita em ambiente silencioso, com paciente em decúbito 
dorsal a 30-45° (ou em posições especiais, como decúbito lateral esquerdo para focar o 
foco mitral, ou sentado inclinando para frente para foco aórtico). Utilize o diafragma do 
estetoscópio para sons de alta frequência (bulhas e alguns sopros) e a campânula para 
sons de baixa frequência (galope ventricular S3, sopro ruflar diastólico mitral). Ausculte 
nos focos cardíacos clássicos: foco mitral (5o EIC esquerdo, linha hemiclavicular – 
corresponde ao ápice do coração), foco tricúspide (próximo ao processo xifoide, 
ligeiramente à direita), foco pulmonar (2o EIC esquerdo, linha paraesternal) e foco aórtico 
(2o EIC direito, linha paraesternal) 38 . Identifique primeiramente as bulhas cardíacas: B1 
(fechamento de valvas AV – mitral e tricúspide) normalmente audível com maior 
intensidade no foco mitral, marcando o início da sístole; B2 (fechamento das valvas 
semilunares – aórtica e pulmonar) mais audível nos focos de base, marcando o fim da 
sístole/início diástole. Note se o ritmo é regular ou irregular; irregularidades sugerem 
arritmias (por exemplo, fibrilação atrial dá ritmo totalmente irregular). Procure 
desdobramentos de B2 no foco pulmonar – um desdobramento fisiológico ocorre na 
inspiração, mas desdobramentos amplos ou fixos indicam bloqueios de ramo ou 
comunicações interatriais. 
 
A seguir, concentre-se em detectar sons anômalos. Extras como B3 (terceira bulha) ou B4 
(quarta bulha) podem aparecer: B3 é um ruído de enchimento rápido ventricular em 
protodiástole, audível em ventrículo dilatado ou hiperdinâmico (por exemplo, na 
insuficiência cardíaca – o chamado ritmo de galope ventricular); B4 é um ruído de 
contração atrial contra ventrículo rígido, presente em hipertrofia ventricular (como na 
hipertensão ou estenose aórtica) – ritmo de galope atrial. Ouça atentamente se há 
sopros cardíacos, que são ruídos prolongados gerados por fluxo turbulento através de 
valvas ou defeitos 39 40 . Os sopros devem ser caracterizados quanto ao timing (sistólico, 
diastólico ou contínuo), duração, intensidade (escala de 1+ a 6+), freqüência/tonalidade 
(agudo ou rude vs. suave),forma (crescendo, decrescendo, etc.), foco de máxima 
intensidade e irradiações. Essas características permitem correlação clínica: por exemplo, 
um sopro sistólico ejetivo no 2o EIC D que irradia para os carótidas sugere estenose 
aórtica; um sopro sistólico holossistólico no ápice que irradia para axila indica 
insuficiência mitral; já um sopro diastólico ruflante audível no ápice (melhor com 
campânula em decúbito lateral) aponta estenose mitral; um sopro diastólico aspirativo 
no foco aórtico aponta insuficiência aórtica. A ausculta dos sopros é crucial para 
diagnosticar valvopatias – de fato, a avaliação de sopros é uma das principais 
ferramentas para identificar comprometimento valvar (como estenose ou insuficiência 
mitral/aórtica) 41 . Além de valvopatias, murmúrios contínuos como o sopro em 
maquinaria indicam persistência do canal arterial. 
Não se esqueça de auscultar também regiões extra-focais se necessário: a região 
carotídea (para sopro de estenose aórtica irradiado), a região axilar esquerda (irradição 
de sopro mitral), e a área paraesternal esquerda baixa em inspiração profunda (sopro de 
Rivero-Carvallo para insuficiência tricúspide). Finalmente, busque sons como atrito 
pericárdico – um som áspero "raspante" sistólico-diastólico, que indica pericardite 
(melhor audível com paciente inclinado para frente, expirando). 
Em conclusão, o exame cardiovascular bem conduzido correlaciona sinais com 
diagnósticos prováveis: turgência jugular, hepatomegalia e edema sugerem insuficiência 
cardíaca direita; deslocamento do ictus e B3 sugerem insuficiência cardíaca esquerda 
dilatada; sopro em foco específico aponta valvopatia correspondente; atrito sugere 
pericardite; pulso paradoxal pode indicar tamponamento, etc. Esses achados físicos 
orientam a investigação complementar (ECG, ecocardiograma, etc.)e o manejo do 
paciente. 
 
 
 
ROTEIRO OSCE APARELHO CARDÍACO: 
Inspeção 
- localização do ictus cordis (5o espaço intercostal esquerdo), menor/maior 
frequência 
- Tipo de tórax, pulsação visível, ictus visível, circulação periférica boa, sem sinal de 
cianose nos lábios e dedos, bom refluxo sanguíneo capilar. 
Palpação 
Palpar frêmitos nos focos cardíacos: 
 1) 2o espaço intercostal direito 
 2) 2o espaço intercostal esquerdo 
 3) foco tricúspide 
 4) foco mitral: 5o espaço intercostal (no mesmo local do ictus) 
● se houver frêmitos, ausculte a área à procura de sopros 
○ determina-se localização e intensidade (classificada em cruzes +) 
Ictus cordis 
● Localizado a 1 ou 2 cm da linha hemiclavicular, no 5o espaço intercostal esquerdo; 
 ● Ictus cordis: ápice do coração 
○ Espessamento da parede: se o ventrículo direito está aumentado → vai 
desviando o coração para o lado que está menor 
 ● extensão de 2 a 2,5 cm 
O ictus cordis representa a breve pulsação inicial do ventrículo esquerdo, quando ele se 
movimenta em sentido anterior durante a contração e entra em contato com a parede 
torácica. Na maioria dos exames, o ictus cordis é o PIM (ponto de impulso máximo); 
entretanto, condições patológicas, como hipertrofia ventricular direita (HVD), uma 
artéria pulmonar dilatada ou um aneurisma da aorta podem produzir pulsação mais 
acentuada que o batimento apical. 
Caso não consiga achar o ictus com o paciente em decúbito dorsal, peça que ele vire um 
pouco para a esquerda (decúbito lateral esquerdo) se ainda não conseguir, solicite ao 
paciente que expire completamente e mantenha-se sem respirar durante alguns 
segundos. Seu deslocamento lateral na direção da linha axilar nos casos de dilatação 
ventricular na insuficiência cardíaca, miocardiopatia e cardiopatia isquêmica e, também, 
deformidades torácicas e deslocamento do mediastino. 
Localiza-se no 5o ou 4o espaço intercostal. Seu diâmetro costuma ser menor que 2,5 cm 
(com diâmetro > 3 cm indica dilatação ventricular esquerda, um diâmetro > 4 cm torna a 
sobrecarga ventricular quase cinco vezes mais provável). 
Amplitude: Faça uma estimativa da amplitude do ictus. O ictus cordis é propulsivo e 
vigoroso, prolongado ou difuso? Estes são três importantes descritores na prática clínica. 
Normalmente, a amplitude do ictus cordis é pequena e a palpação é propulsiva e 
vigorosa. Alguns adultos jovens apresentam amplitude aumentada (ictus hipercinético), 
em especial quando estão ansiosos ou após exercícios físicos. A duração, porém, é 
normal (alta amplitude pode ocorrer no hipertireoidismo, na anemia grave, na 
sobrecarga de pressão do ventrículo esquerdo consequente a hipertensão arterial ou 
estenose aórtica, ou sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo na regurgitação 
aórtica). 
Ictus cordis prolongado de alta amplitude aumenta significativamente a probabilidade 
de HVE na sobrecarga de pressão observada na hipertensão arterial. Se esse impulso 
apical estiver deslocado lateralmente, pense em sobrecarga de volume. Um ictus cordis 
difuso de baixa amplitude (hipocinético) é observado na insuficiência cardíaca e na 
miocardiopatia dilatada. 
DEVE-SE INVESTIGAR A LOCALIZAÇÃO, EXTENSÃO, MOBILIDADE, INTENSIDADE E TIPO DE 
IMPULSÃO, RITMO E FREQUÊNCIA. 
Localização 
● Mediolíneos: cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5o espaço 
intercostal. 
● Brevilíneos: desloca-se cerca de 2 cm para fora e para cima, no 4o espaço intercostal. 
● Longilíneos: 6o espaço intercostal, 1 a 2 cm para dentro da linha hemiclavicular. 
Palpação dos pulsos 
- Temporal 
- Carotídeo 
- Fúrcula esternal 
- Axilar 
- Braquial 
- Radial 
- Ulnar 
- Femoral 
- Poplíteo 
- Tibial posterior 
- Pedioso 
Percussão 
→ não realizamos percussão cardíaca ● percutimos o tórax ouvindo: 
 ○ som maciço: no coração (do 3o ao 6o espaço intercostal esquerdo) 
 ○ som claro pulmonar: no pulmão 
 
Ausculta 
Para identificar a sístole e a diástole, palpe a artéria carótida primeiro e note que B1 fica 
logo antes do impulso ascendente carotídeo e a B2 depois do impulso ascendente 
carotídeo. B2 é mais hiperfonética que B1 na base, e pode também ocorrer seu 
desdobramento com a respiração. No ápice, B1 é, em geral, mais hiperfonética que B2, 
exceto nos casos de prolongamento do intervalo PR. A observação cuidadosa da 
intensidade de B1 e de B2 torna possível confirmar as duas bulhas e, assim, identificar 
corretamente a sístole, o intervalo entre B1 e B2, e a diástole, o intervalo entre B2 e B1. 
 ● foco aórtico: 2o espaço intercostal direito com a borda esternal direita 
 ● foco pulmonar: 2o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal esquerda 
 ● foco tricúspide: 5o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal 
 ● foco mitral: 5o espaço intercostal esquerdo com a linha hemiclavicular 
 ● foco aórtico acessório: 3o espaço intercostal esquerdo com a borda esternal 
 
Bulhas cardíacas: 
 
 ● Primeira bulha (B1)/sístole: fechamento da valva mitral e tricúspide, o 
componente mitral antecedendo o tricúspide. Coincide com o ictus cordis e o 
pulso carotídeo. É mais grave e tem duração um pouco maior que a 2a bulha. O 
som pode ser representado por “TUM”. 
 ● Segunda bulha (B2)/diástole: é constituído por 4 grupos de vibrações, porém só 
são audíveis as originadas pelo fechamento das valvas aórtica e pulmonar. 
Ouve-se o componente aórtico em toda região precordial (principalmente foco 
aórtico), enquanto o ruído da pulmonar é auscultado em uma área limitada (foco 
pulmonar). Durante a expiração as duas valvas fecham dando origem ao som 
representado por “TA”. Na inspiração, devido ao prolongamento da sístole 
ventricular (maior afluxo de sangue), o componente pulmonar sofre um 
retardamento, sendo possível perceber os 2 componentes. Esse fenômeno é 
chamado de desdobramento fisiológico da 2a bulha que pode ser auscultado 
como “TLA”. 
 ● Terceira bulha (B3): é um ruído protodiastólico de baixa frequência que se 
origina da vibração da parede ventricular distendida pela corrente sanguínea que 
penetra na cavidade durante o enchimento ventricular rápido. É mais audível na 
área mitral com o paciente em decúbito lateral esquerdo. Pode ser representada 
por “TU”. 
○ TUM TA TA 
● Quarta bulha (B4): ruído débil que ocorre no fim da diástole ou pré-sístole e pode 
ser ouvida mais raramente em crianças e adultos jovens normais. Sua gênese não está 
completamente esclarecida, mas acredita-se que seja originada pela brusca 
desaceleração do fluxo sanguíneo na contração atrial em encontro com o sangue no 
interior do ventrículo, no final da diástole. 
○ TUM TUM TÁ 
 Sopro: 
Produzidos por vibrações decorrentes de alterações do fluxo sanguíneo, que em 
condições patológicas, adota um caráter turbilhonar. 
Podem surgir a partir dos seguintes mecanismos: 
 ● aumento da velocidade da corrente sanguínea (exercício físico, 
hipertireoidismo, 
febre); 
 ● diminuição da viscosidade sanguínea (anemia); 
 ● passagem do sangue por uma passagem estreita (estenoses); 
 ● passagem do sangue por zona dilatada (aneurismas). 
Situação do sopro no ciclo cardíaco: sistólico, diastólico, sisto diastólicos ou contínuos. 
Local de intensidade máxima: É determinado pelo local de origem do sopro. 
Identifiqueesselocal explorandoaregiãoemqueseauscultaosopro.Descrevaemque espaço 
intercostal e onde (em relação ao esterno, ao ápice, à linha esternal média, à linha 
hemiclavicular ou a uma das linhas axilares) o sopro é mais bem auscultado 
Irradiação ou transmissão a partir do ponto de intensidade máxima: Isso reflete não 
apenas o local de origem como também a intensidade do sopro, bem como o sentido do 
fluxo sanguíneo e a condução óssea no tórax. Explore a área em torno de um sopro edetermine onde mais se consegue auscultá-lo (O sopro da 
estenose aórtica costuma irradiar-se para o pescoço (no sentido do fluxo arterial), 
especialmente do lado direito. Na regurgitação mitral, o sopro costuma irradiar-se para a 
axila, com a transmissão sendo auxiliada pela condução óssea). 
Intensidade: Habitualmente graduada em uma escala de 6 pontos e expressada como 
fração. O numerador descreve a intensidade do sopro em seu ponto máximo, e o 
denominador indica a escala em uso. A intensidade é influenciada pela espessura da 
parede torácica e pelos tecidos entre o estetoscópio e a sede do sopro. 
Timbre e tom: É classificado como agudo, médio ou grave. 
Características: Descrição usando termos como em jato de vapor, rude, ruflar e musical. 
(Esta seria a descrição completa de um sopro: “sopro diastólico, de tom médio, grau 2/6, 
aspirativo, em decrescendo, no 4o espaço intercostal esquerdo, com irradiação para o 
ápice” (regurgitação aórtica)). 
 - SOPRO ASPIRATIVO: quando o sangue é aspirado de volta para a cavidade por 
insuficiência na valva = INSUFICIÊNCIA VALVAR 
 - SOPRO EJETIVO: causado pela Estenose da válvula que acontece quando ela 
está Enrijecida 
- Estenose mitral ou tricúspide → Sopro Diastólico Ejetivo do tipo Ruflar 
Exame Físico do Abdome 
O exame abdominal exige técnica sistemática e delicadeza, pois pode ser desconfortável 
para o paciente. Idealmente, realiza-se com o paciente em decúbito dorsal, músculos 
abdominais relaxados (pernas descruzadas, joelhos eventualmente semifletidos), 
expondo-se o abdome desde o rebordo costal até a região inguinal. Importante: na 
avaliação abdominal a sequência clássica é ligeiramente modificada – realiza-se 
inspeção, ausculta, percussão e palpação, nesta ordem, pois manobras de 
palpação/percussão podem alterar os ruídos intestinais auscultatórios. 
INSPEÇÃO: 
Observe inicialmente a configuração geral do abdome. Avalie o contorno ou tipo de 
abdome: plano, globoso (distendido) ou escavado. Um abdome globoso pode sugerir 
obesidade (panículo adiposo volumoso) ou grande quantidade de líquido (ascite), 
enquanto abdome escavado ocorre em caquexia ou desnutrição severa. O abdome 
pendular (protuberante em avental) é comum em gestação avançada ou ascite 
volumosa, podendo também ocorrer em obesos. Verifique a simetria: protuberâncias 
assimétricas podem indicar organomegalias (por exemplo, aumento do baço à 
esquerda, ou fígado muito aumentado à direita deformando o contorno), grandes 
tumores intra- abdominais, ou ainda grandes hérnias de parede . Abaulamentos 
localizados podem ser causados por tumores, cistos ou hérnias (umbilical, inguinal, 
incisionais). Retrações ou depressões da parede podem ser sequelas de cirurgias 
(aderências internas “puxando” a parede, ou cicatrizes retráteis) e em caquexia 
pronunciada vê-se afundamento entre os côndilos costais 45 . Inspecione a pele: 
presença de estrias (violáceas em Síndrome de Cushing, esbranquiçadas em ganho 
ponderal antigo ou gestação), cicatrizes cirúrgicas ou lesões. Circulação colateral venosa 
na parede abdominal merece destaque: veias dilatadas em padrão radiado a partir do 
umbigo (cabeça de medusa) sugerem hipertensão portal (como na cirrose hepática), 
enquanto veias dilatadas no flanco podem indicar 
síndromedaveiacavasuperiorouobstruçãodeveiacavainferior .Inspecione a cicatriz 
umbilical– um umbigo revertido e protuso pode indicar ascite volumosa ou hérnia 
umbilical. Observe se há ondas peristálticas visíveis: em pessoas normais geralmente 
não se observam movimentos peristálticos através da parede, mas em casos de 
obstrução intestinal de delgado é clássico notar ondas peristálticas de luta visíveis, 
progredindo em direção ao local de obstrução (acompanhadas de distensão e 
borborigmos intensos). Pulsação abdominal visível na região epigástrica pode ser normal 
em magros (pulsação da aorta abdominal), porém uma pulsação expansiva exagerada 
sugere aneurisma de aorta abdominal. Ainda durante a inspeção, note se o abdome 
acompanha os movimentos respiratórios – em peritonite difusa o paciente pode manter 
o abdome “em tábua” (rígido, pouco móvel à respiração). Por fim, procure sinais 
cutâneos específicos, como o Sinal de Cullen (equimose azulada ao redor do umbigo) e 
Sinal de Grey-Turner (equimose em flancos), que indicam hemorragia retroperitoneal – 
clássicos na pancreatite hemorrágica aguda . 
 
AUSCULTA 
A ausculta abdominal deve ser feita antes da palpação, auscultando todos os 
quadrantes com toques leves do estetoscópio 49 . Avalie primeiramente os ruídos 
hidroaéreos (RHA) intestinais, resultantes da peristalse e movimentação de gás/líquido 
nas alças. 
 
Normalmente ouvem-se ruídos intermitentes suaves (clics e borborigmos) a cada 5-10 
segundos. Descreva a frequência/intensidade: por convenção pode-se graduar de + até 
++++ ou em termos qualitativos (“presentes e normais”, “hiperativos”, “hipoativos” ou 
“inaudíveis”) 50 . RHA aumentados/hiperativos (borborigmos audíveis à distância) 
ocorrem em quadros de diarreia ou nas fases iniciais de obstrução intestinal (chamado 
peristaltismo de luta, tentando vencer a obstrução) . RHA diminuídos ou ausentes indicam 
íleo adinâmico ou paralítico, como ocorre em peritonite difusa ou pós-operatório 
imediato, sendo um sinal de alerta quando associados a distensão e dor (íleo paralítico). 
Ausculte por ao menos 2 minutos antes de declarar ausência de RHA. 
Além dos ruídos intestinais, ausculte em busca de sopros vasculares abdominais. Com a 
campânula, ausculte sobre a linha média acima do umbigo (projeção da aorta 
abdominal) e bilateralmente nas regiões epigástricas/lombares superiores (projeção das 
artérias renais), nos quadrantes inferiores próximos à linha média (projeção das artérias 
ilíacas comuns) e regiões inguinais (artérias femorais). Sopros arteriais nestes locais 
sugerem estenose arterial ou fluxos turbulentos por aneurismas. Por exemplo, sopro 
sistólico audível na região peri-umbilical pode indicar aneurisma de aorta abdominal ou 
estenose da artéria renal (se lateralizado). Em pacientes hipertensos de difícil controle, 
um sopro sistólico em loja renal sugere estenose de artéria renal (causa de hipertensão 
renovascular). Ausculte também a região do fígado e baço para verificar atritos: em 
raras situações deperihepatite ou perisplenite (ex.: síndromes de Fitz-Hugh-Curtis na DIP, 
ou infarto esplênico) pode-se ouvir um atrito pleuroperitoneal (semelhante a dois couros 
atritando) sincrônico com respiracão. 
 
 
PERCUSSÃO: 
A percussão auxilia na avaliação de conteúdo aéreo, líquido ou sólido intra-abdominal. 
Percuta suavemente todos os quadrantes. Timpânico (som claro, de percussão oca) é o 
som predominante em abdome normal devido às alças cheias de gás. Submacicez ou 
macicez à percussão ocorre sobre órgãos sólidos (fígado, baço) ou líquido. Mapear as 
zonas de macicez pode identificar órgãos aumentados ou líquido livre. Percuta o fígado: 
normalmente há macicez hepática no hipocôndrio direito, com altura de ~6-12 cm na 
linha hemiclavicular. Macicez hepática superior deslocada (para cima) sugere lobo 
superior aumentado ou derrame pleural direito; limite inferior palpado abaixo do rebordo 
costal sugere hepatomegalia ou deslocamento por hiperinsuflação pulmonar. Percuta a 
área esplênica: em percussão na linha axilar anterior esquerda (Espaço de Traube, 
abaixo do 6o arco costal), o som normalmente é timpânico; macicez no espaço de 
Traube ou macicez deslocando-se para decúbito lateral sugerem esplenomegalia. 
Em presença de ascite (líquido intraperitoneal), a percussão evidencia macicez de 
flancos e timpanismo central quando o paciente está deitado supino. Realize a manobra 
de macicez móvel decúbito- dependente: percussione dos flancos parao centro, marque 
a linha de transição timpanismo->macicez; depois posicione o paciente em decúbito 
lateral e percussione novamente. Se houver ascite, a macicez “migra” para a região 
dependente (inferior) e o ar intestinal sobe, produzindo timpanismo na região superior – 
teste confirmatório de ascite de volume moderado. Outro teste é o sinal do impulso (ou 
onda) ascítica: peça a um assistente para comprimir firmemente a linha alba (para 
bloquear transmíssão pela parede); então dê um peteleco em um flanco e sente no 
flanco oposto – na presença de grande ascite, uma onda líquida será percebida pela 
mão oposta. Pequenas ascites podem não ser detectáveis clinicamente. Vale lembrar: 
macicez difusa abdominal pode também ocorrer em tumores volumosos ou cistos (por 
ex., cistoadenoma de ovário gigante). Timpanismo difuso exagerado, por outro lado, pode 
indicar obstrução intestinal com grande acumulo de gás nas alças. 
 
PALPAÇÃO: 
A palpação abdominal deve ser realizada em dois momentos: superficial e profunda 56 . 
Avise o paciente e aqueça as mãos para evitar defesa involuntária. Palpação superficial: 
com uma das mãos em posição plana, explore toda a superfície abdominal com 
movimentos suaves, avaliando sensibilidade superficial (áreas de dor à palpação leve), 
tensão da parede e defesa muscular. Na palpação superficial investiga-se sinais de 
irritação peritoneal: a defesa muscular involuntária (contratura involuntária da 
musculatura abdominal ao toque) sugere peritonite subjacente . Diferencie de defesa 
voluntária (paciente apreensivo contrai por cócegas ou medo – muitas vezes diminui 
com conversa e respiração profunda). Palpe também defeitos de continuidade da 
parede: pode- se sentir orifícios herniários (umbilical, inguinal) e a diástase dos retos 
(separação entre porções do músculo reto abdominal, palpável como faixa mole central). 
Se o paciente referir dor, palpe por último a região dolorosa, começando longe do ponto 
doloroso e aproximando-se gradualmente . Observe a face do paciente durante a 
palpação para notar sinais de dor (face mostrando desconforto). Pesquise sinais de 
descompressão dolorosa: pressione lentamente uma área e solte abruptamente – dor 
mais intensa no sinal de Blumberg indica irritação peritoneal, classicamente positivo na 
apendicite aguda(descompressão brusca dolorosa no ponto de McBurney). Blumberg 
positivo também ocorre em peritonites generalizadas. 
Palpação profunda: agora utilize ambas mãos (mão dominante sobre a outra) para 
palpar profundamente cada quadrante, visando palpar órgãos e massas internas. Palpe 
o fígado no hipocôndrio direito: a técnica habitual é posicionar a mão esquerda nas 
costas do paciente como suporte e a direita abaixo do rebordo costal direito, 
pressionando para dentro e para cima enquanto o paciente inspira profundamente. 
Normalmente a borda hepática inferior é palpável apenas no rebordo costal ou 
ligeiramente abaixo dele em inspiração profunda, com consistência macia e regular. Se o 
fígado não for palpado, pode ser normal (fígado não aumentado). Se palpável abaixo do 
rebordo, note a distância abaixo das costelas, a consistência (firme ou macio), 
regularidade da borda (lisa vs nodular) e sensibilidade. Hepatomegalia macia e dolorosa 
sugere hepatite aguda ou congestionamento (IC direita); hepatomegalia dura/nodular 
sugere cirrose macronodular ou tumor metastático; fígado pulsátil sugere insuficiência 
tricúspide grave. Pesquise o Sinal de Murphy na palpação do hipocôndrio direito: coloque 
os dedos abaixo do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular, e peça ao paciente 
para inspirar profundamente – dor súbita com interrupção do esforço inspiratório indica 
Murphy positivo, achado típico de colecistite aguda (inflamação da vesícula biliar). 
 
Palpe o baço no hipocôndrio esquerdo: normal não palpável. Para palpá-lo, posicione a 
mão esquerda por baixo das costelas esquerdas do paciente e a mão direita abaixo do 
rebordo costal esquerdo; peça inspiração profunda – um baço aumentado pode tocar 
sua mão. Esplenomegalia ocorre em hipertensão portal (cirrose), doenças 
hematológicas (leucemias, linfomas), infecções (malária, mononucleose) etc. Um baço 
palpável sugere aumento significativo (normal só se palpa em indivíduos magros com 
baço no limite alto do normal). Palpe as áreas renais nos flancos: a técnica de "mão em 
garra bimanual" pode detectar rinomegalia; porém, rins normais raramente são 
palpados (exceto direito em magros, pois direito fica mais baixo que esquerdo). Rins 
aumentados ou tumorais (como tumor de Wilms em crianças, ou rim policístico) podem 
ser palpados como massas em flancos, distinguindo-se do baço/fígado pela manobra 
de piparote (rim móvel no eixo crânio-caudal, baço não). Faça o Teste de 
punho-percussão (Giordano) nos ângulos costovertebrais posteriores para avaliar 
sensibilidade renal – dor à percussão lombar sugere pielonefrite ou litíase renal. 
Finalmente, investigue pontos dolorosos específicos de vísceras ocas: ponto epigástrico 
(dor à pressão profunda pode ocorrer em úlcera péptica ativa) ; ponto de McBurney 
(junção do terço médio com externo de uma linha entre umbigo e crista ilíaca direita – 
dor ali sugere apendicite); ponto colecístico (interseção do rebordo costal direito com 
linha hemiclavicular – corresponde ao Murphy já descrito); pontos ureterais (linha que 
liga cicatriz umbilical à espinha ilíaca ântero-superior, dor em cólica renal); ponto de 
Morris (dois dedos abaixo de McBurney, sensível em apendicite); ponto de Lanz (FI direita, 
apendicite em posição pélvica). Avalie também sinal de Rovsing: dor na FID ao comprimir 
a FIE (sugere irritação peritoneal por apêndice inflamado). Em suma, a palpação 
profunda permite correlacionar achados com doenças: um massa pulsátil expansiva no 
epigástrio = aneurisma de aorta; massa móvel e dolorosa no QSD = rim inflamado; 
massa fixa e indolor no HD = tumor hepático; defesa e dor difusa = peritonite; dor FID com 
Blumberg = apendicite; fígado duro e nodular = cirrose ou metástases; baço palpável = 
explorar causas hematológicas, etc. 
 
ROTEIRO OSCE EXAME ABDOMINAL: 
1. INSPEÇÃO: Definir o tipo de tórax e abdômen, procurar por cicatrizes, 
edemaciação, abaulamentos, verrugas, etc. 
“Tórax e abdômen atípicos, sem presença de verruga, edema ou cicatriz” 
 
2. Pedir para o paciente soprar a própria mão, sem soltar o ar, para avaliar presença 
de hérnia abdominal ou abaulamento. Pedir também que o paciente flexione o 
abdômen, levantando parte do tronco como se fosse levantar. 
 
 “Sem presença de hérnia ou abaulamento visível” 
 
3. AUSCULTA: Ouvir os nove quadrantes (hipocôndrio esquerdo, epigástrio, 
hipocôndrio direito, flanco esquerdo, mesogástrio, falando direita, fossa ilíaca 
esquerda, hipogástrio e fossa ilíaca direita). 
 
“Presença de ruídos hidroaéreos normofonéticos em todos os quadrantes. Não identifico 
turbilhonamento sanguíneo da aorta abdominal em mesogástrio.” 
 
4. PERCUSSÃO: Começar em linha hemiclavicular, na altura do mamilo, onde ouvirá 
o som CLARO PULMONAR. O som logo mudará, conforme a mão desce, para sub 
maciço e maciço, indicando a presença do fígado. Realizar a percussão até o som 
se tornar timpânico, evidenciando o fim do fígado. A partir disso, é possível 
determinar o tamanho do fígado com base nos dedos das mãos, apenas na área 
percutida onde o som foi maciço. 
 
“O fígado possui tamanho dentro do normal, de aproximadamente X centímetros com 
base nas minhas polpas digitais” 
 
5. AINDA PERCUSSÃO, MAS AGORA APENAS DO ABDÔMEN, SEM TÓRAX: Percutir em 
movimento de caracol os nove quadrantes, de fora para dentro. 
 
“Som timpânico em todos os quadrantes abdominais, menos o fígado, que é maciço.” 
 
6. PALPAÇÃO: Primeiro realizar palpação superficial com a ponta dos dedos, em 
todos os quadrantes,também em movimento caracol. 
 
“Sem presença de abaulamentos, líquidos, nódulos ou tumores palpáveis.” 
 
7. PALPAÇÃO PROFUNDA: Com uma mão acima da outra, repetir o processo. Afundar 
com a mão de baixo e sentir com a ponta dos dedos da mão de cima. Dizer a 
mesma coisa. 
 
MANOBRAS 
 
INVESTIGAÇÃO DE FÍGADO (HEPATOMEGALIA, CIRROSE, HEPATITE): 
- LEMOS TORRES: COLOCAR MÃO NA REGIÃO LOMBAR DIREITA DO PACIENTE, E 
EMPURRAR O FÍGADO PARA CIMA. PEDIR PRA INSPIRAR E DURANTE A EXPIRAÇÃO 
AFUNDAR A MÃO NO HIPOCÔNDRIO DIREITO. 
- MANOBRA MATHIEU (PALPAÇÃO EM GARRA): Ambas as mãos são posicionadas 
paralelamente no abdome, com os dedos em forma de "garra", ou seja, 
semifletidos. Pedir que o paciente respire profundamente e afundar ambas mãos 
no rebordo costal, a ponto de sentir as bordas do fígado. 
 
“A borda do fígado é regular e fibroelástica ao toque” 
 
INVESTIGAÇÃO DE VESÍCULA BILIAR: COLECISTITE 
- SINAL DE MURPHY: O examinador coloca a mão no hipocôndrio direito e pede para 
o paciente inspirar fundo. Se ele parar a respiração por dor nesse momento, o 
sinal de Murphy é positivo — sugerindo inflamação da vesícula biliar (como na 
colecistite). 
 
 
 
 
 
INVESTIGAÇÃO DE APÊNDICE: APENDICITE AGUDA 
 
- ROVSING: Com a mão fechada em punho, empurrar os gases presentes no 
intestino desde a fossa ilíaca esquerda, assim vendo se há dor reflexa no 
quadrante inferior direito (onde se encontra o apêndice). Se a palpação no 
quadrante inferior esquerdo desencadeia dor no quadrante inferior direito, o sinal 
de Rovsing é considerado positivo, indicando uma possível inflamação do 
apêndice. 
- SINAL DE BLUMBERG NO PONTO DE MCBURNEY: Para encontrar o ponto de 
McBurney, posicionar a mão na fossa ilíaca e medir a distância do umbigo. 
Aproximadamente no meio entre esses dois pontos é o local correto. Realizar 
descompressão rápida, sem avisar o paciente. Se a dor piorar ou surgir durante a 
descompressão, o sinal de Blumberg é positivo. 
- LAPINSKI: Levantar a perna direita do paciente, sem flexioná-la, enquanto pinça a 
fossa ilíaca direita. Esse sinal está associado à irritação do apêndice retrocecal, 
que se localiza atrás do intestino grosso, o que causa dor ao estender o membro 
inferior direito. 
- OBTURADOR: Colocar o joelho e a coxa do paciente flexionados em um ângulo de 
90 graus. Rotacionar a coxa internamente. A manobra do obturador é útil para 
identificar a irritação do músculo obturador interno causada pela inflamação do 
apêndice. 
- PSOAS: Com o paciente deitado de costas para o médico (de bundinha), eleva-se 
a perna direita do paciente para trás enquanto faz pressão com a outra mão no 
sentido oposto do movimento. A manobra é positiva quando há dor no quadrante 
inferior direito do abdome, sugerindo irritação do músculo psoas. 
 
Curativos e Tipos de Coberturas de Feridas 
Um curativo ideal deve fornecer condições ótimas para a cicatrização: manter a ferida 
em ambiente úmido controlado, remover excesso de exsudato, permitir trocas gasosas, 
isolar termicamente, proteger contra bactérias e ser atraumático nas trocas 62 . A 
escolha do curativo depende das características da ferida (tecido presente, nível de 
exsudato, presença de infecção, profundidade) e deve aliviar a dor e promover o 
debridamento quando necessário. 
• Gaze (Compressa de Gaze Hidrófila): cobertura tradicional de tecido de algodão, estéril 
ou não, utilizada principalmente como curativo passivo para cobrir e proteger feridas 65 . 
A gaze permite absorver pequena quantidade de exsudato e protege o leito da ferida, 
mas tende a aderir quando em contato direto com tecido d egranulação seco .É indicada 
frequentemente como cobertura secundária (por cima de curativos primários, como 
hidrogel) ou em feridas limpas e com pouco exsudato. Deve ser evitada como única 
cobertura em feridas com muito exsudato ou infecções, pois pode ressecar o leito da 
lesão e aderir, causando dor e trauma na remoção . Ex: um ferimento cirúrgico limpo, já 
em fase de granulação, pode ser coberto apenas com gaze estéril seca para proteção. Já 
feridas com secreção purulenta exigem outro tipo de cobertura mais absorvente (gaze 
seca saturaria rapidamente e necessitaria trocas muito frequentes). 
• Filme Transparente (Filme de Poliuretano): curativo fino, adesivo e oclusivo 
semipermeável, transparente,que mantém a ferida em ambiente úmido e protegido. 
Permite a visualização do leito da lesão sem removê-lo. Indicado principalmente para 
feridas superficiais com pouco exsudato (por exemplo, abrasões, cortes menores, áreas 
doadoras de pele após epitelização inicial) e também muito usado na profilaxia de lesões 
por pressão em proeminências ósseas (calcanhares, cotovelos) devido à sua 
capacidade de reduzir o atrito. É útil ainda como curativo secundário para cobrir outros 
produtos (p.ex., sobre hidrogel ou alginato) ou para fixar cateteres. Por ser impermeável a 
líquidos e bactérias, porém permitir trocas gasosas, o filme transparente previne 
contaminação externa. Deve-se evitar seu uso em feridas infectadas ou muito 
exsudativas, pois não tem alto poder de absorção – nestes casos o acúmulo de exsudato 
sob o filme pode macerar a pele. A troca geralmente é a cada 3-7 dias ou conforme 
saturação/ descolamento. 
•Curativo Hidrocoloide: placa pastosa ou emplastro aderente composto de partículas 
de gelatina, pectina e carboximetilcelulose que gelificam em contato com exsudato. É um 
curativo interativo clássico, que mantém o meio úmido ideal para cicatrização. Indicado 
para feridas abertas rasas, com pouco ou nenhum exsudato, limpas ou em fase de 
granulação. Excelente para úlceras de pressão estágio I e II (superficiais não infectadas), 
áreas doadoras de pele após alguns dias, e feridas em fase de epitelização. Também 
pode ser usado profilaticamente em regiões de pressão para prevenir úlceras. O 
hidrocoloide oclusivo protege terminações nervosas (reduzindo a dor), promove 
desbridamento autolítico de tecidos desvitalizados e mantém pH ácido local, inibindo 
bactérias. Não requer trocas diárias – pode permanecer de 3 a 7 dias, ou até saturar e se 
desprender. Contraindicações: infecção ativa ou exsudação abundante – em feridas 
muito exsudativas ou infectadas, placas de hidrocoloide podem favorecer acúmulo de 
exsudato e proliferação bacteriana. Por exemplo, uma úlcera de pressão sacral estágio II 
(derme exposta, sem infecção) cicatriza bem sob hidrocoloide; já uma úlcera com muita 
secreção purulenta não deve receber hidrocoloide até controlar a infecção. 
• Curativo Hidrogel: consiste em gel transparente amorfo, composto majoritariamente de 
água (>75%) e polímeros como carboximetilcelulose e propilenoglicol. É indicado para 
feridas que necessitam de hidratação e desbridamento autolítico, tipicamente lesões 
com tecido necrosado seco ou com pouco exsudato.O hidrogel amolece e ajuda a 
remover crostas e escaras secas, facilitando a digestão do tecido necrosado pelo próprio 
organismo (desbridamento autolítico). É útil em úlceras por pressão com necrose seca 
(escaras), pé diabético isquêmico com necrose seca (desde que não haja infecção 
ativa), queimaduras de espessura parcial seca, etc. Deve-se cobrir o hidrogel com um 
curativo secundário oclusivo (filme ou hidrocoloide, ou mesmo gaze estéril) para manter 
a hidratação. A troca costuma ser diária ou a cada 2-3 dias, dependendo do produto e 
do objetivo (desbridamento requer trocas mais frequentes, a cada 24-72h). Não indicado 
para feridas com exsudato excessivo, pois pode macerar (nesse caso, preferir curativos 
absorventes). Ex: numa úlcera de perna com placa de fibrina amarela e pouca secreção, 
o hidrogel ajuda a remover o tecido amarelo facilitando a cicatrização. 
• Curativo de Alginato de Cálcio (ou Hidrofibra): cobertura primária altamente 
absorvente derivada de algas marinhas, rica em alginato de cálcioe sódio, disponível em 
forma de manta ou tira. Em contato com o exsudato, forma um gel coeso que mantém o 
ambiente úmido e facilita o desbridamento autolítico. Indicado para feridas com 
moderada a alta quantidade de exsudato, sejam superficiais ou cavitárias, inclusive se 
há sangramento ou infecção 82 .Exemplos: úlceras venosas de perna muito exsudativas, 
úlceras por pressão estágio III/IV com bastante secreção, leito cruento sangrante (o 
alginato ajuda na hemostasia local devido ao cálcio). Também pode ser empregado em 
cavidades (introduzindo tiras de alginato que gelificam e depois são facilmente 
removidas). Importante cobrir com curativo secundário (gaze, filme ou outro) porque o 
alginato gelificado permanece no leito. A troca varia de 1 a 3 dias, conforme saturação 
(trocar antes se o gel estiver saturado ou vazando). Contraindicado em feridas secas ou 
com muito pouca secreção (pode ressecar o leito). Nota: curativos de hidrofibra são 
semelhantes aos alginatos em uso, mas feitos de carboximetilcelulose pura, com alta 
absorção e formação de gel – as indicações coincidem (muitos os classificam juntos 
com alginatos). Há versões de alginato/hidrofibra impregnadas com prata para efeito 
antimicrobiano. 
• Curativo de Espuma (Espuma de Poliuretano): curativo absorvente constituído de 
espuma hidrófila; indicado para feridas com exsudato moderado, pois a espuma absorve 
e retém o líquido. Pode ser usado em úlceras de perna, áreas doadoras, feridas cirúrgicas 
abertas exsudativas, etc. Muitas espumas têm adesivo nas bordas e podem permanecer 
vários dias (2-5 dias) conforme o volume de exsudato. Oferecem acolchoamento e 
mantêm umidade sem macerar, além de não aderirem ao leito (remoção relativamente 
indolor). Não são indicadas para feridas secas (podem ressecar mais) nem devem ser 
oclusivas em infecções profundas sem controle sistêmico. 
•Curativos com Prata (Antimicrobianos): incluem várias categorias (algodão com 
prata, hidrofibra com prata, espuma com prata, filmes com prata, carvão com prata). A 
prata nanocristalina tem amplo espectro antimicrobiano e é útil em feridas infectadas ou 
colonizadas criticamente, como úlceras crônicas infectadas e queimaduras. Exemplo: 
curativo de hidrofibra com prata indicado em úlcera de perna infectada com exsudação 
– controla infecção e absorve exsudato. Deve-se atentar ao tempo de uso (geralmente 
trocas a cada 2-3 dias; uso prolongado além de 2 semanas reavaliar necessidade 
devido a risco de resistência/ argiria). 
• Curativo de Carvão Ativado (com ou sem prata): consiste em uma placa contendo 
carvão ativado (freqüentemente associada a prata impregnada). O carvão tem alta 
capacidade de adsorver moléculas voláteis causadoras de odor, e a prata confere efeito 
antimicrobiano . É especialmente indicado para feridas crônicas mal odorosas, 
geralmente infectadas ou colonizadas, com exsudato – por exemplo: úlceras por pressão 
infectadas com odor fétido, úlceras de perna infectadas, feridas neoplásicas (tumores 
cutâneos ulcerados) com odor 83 . Esses curativos controlam o mau cheiro em até 
24-48h e ajudam na redução da carga bacteriana. Devem ser usados em combinação 
com cobertura secundária absorvente, se necessário, e trocados tipicamente a cada 2 a 
3 dias ou conforme saturação do odor.. Não são úteis em feridas sem odor ou sem 
exsudato significativo (desperdício de recurso). Exemplo: uma úlcera de perna infectada 
por pseudômonas com odor forte pode se beneficiar de carvão+prata para controle do 
odor enquanto se trata a infecção. 
• Colagenase (Pomada Enzimática): é um agente desbridante enzimático contendo a 
enzima colagenase (derivada do Clostridium histolyticum) que digere colágeno e 
proteínas necrosadas no leito da ferida. Indicada para feridas com tecido desvitalizado 
(necrose ou esfacelo) aderido, especialmente quando se deseja evitar debridamento 
cirúrgico agressivo . Exemplos: úlceras por pressão com placas de necrose 
amarelo-cinzenta, feridas crônicas com tecido necrosado aderido ao leito, queimaduras 
com escara. A pomada de colagenase é aplicada após limpeza da lesão, geralmente 
diariamente, cobrindo-se com gaze umedecida em soro (a umidade ativa a enzima). 
Com o uso diário, o tecido morto vai se liquefazendo e pode ser removido em cada troca. 
Contraindicações: feridas limpas em cicatrização (não usar colagenase em lesões sem 
necrose, pois pode degradar colágeno recém-formado); também não usar em tecido 
com ischemia crítica não revascularizada, pois o desbridamento enzimático sem 
irrigação sanguínea adequada pode predispor a infecção e não cicatriza (neste caso, 
preferir revascularização ou enxertos). A colagenase é inativada por alguns metais 
pesados e antissépticos (evitar mercúrio, iodo forte ou prata junto com colagenase) . Um 
efeito colateral a observar é possível maceração da pele ao redor da ferida – proteja 
bordas com barreira de zinco/AGE. 
• Ácidos Graxos Essenciais (AGE): formulações tópicas contendo ácidos graxos (linoleico, 
etc.), vitaminas e triglicerídeos de cadeia média, utilizadas para hidratação e 
micro-nutrição local. São indicadas para prevenção de úlceras por pressão (protegem e 
hidratam pele íntegra sob risco) e como adjuvante em feridas limpas/granulantes para 
acelerar epitelização. Podem ser usados também em feridas pouco exsudativas para 
manter umidade. Exemplos: aplicação de AGE spray na pele ao redor de úlcera para 
prevenção de ressecamento e maceração; uso em escaras superficiais de estágio I. 
(Os tipos acima não esgotam todas as opções – há ainda curativos de hidrocoloide com 
alginato, papaína (enzimático vegetal), membranas de celulose, curativos à vácuo (VAC 
therapy) para feridas complexas, etc., mas focamos nos mais citados.) 
Indicações de Curativos por Tipo de Ferida 
A seleção do curativo deve considerar o tipo de ferida e suas características individuais: 
• Úlceras por Pressão: Avaliar estágio e presença de necrose/infeção. Em úlcera de 
pressão estágio I (pele intacta, eritema não desaparece à pressão) – usar barreiras 
protetoras e filme transparente ou hidrocoloide para proteção. Estágio II (perda parcial 
da derme, ferida superficial) – hidrocoloide é muito utilizado se não há infecção, pois 
mantém ambiente úmido e acelera a granulação . Estágio III/IV (perda total de tecido, 
podendo expor músculo/osso): se houver tecido necrótico, é necessário desbridamento 
(colagenase tópica diariamente, hidrogel em caso de necrose seca ou desbridamento 
cirúrgico conforme extensão). Após limpar a lesão, feridas cavitárias ou muito 
exsudativas devem ser preenchidas com alginato ou hidrofibra e cobertas com curativo 
secundário absorvente. Feridas menos exsudativas podem receber hidrocoloide em 
placa (se não infectadas) ou espuma de poliuretano. Em todas as fases, alívio de pressão 
é fundamental: mudanças de decúbito frequentes, colchões especiais, proteção de 
proeminências ósseas (ex: filmes transparentes ou hidrocoloide sobre sacro/calcanhar 
intactos para prevenção). Úlceras por pressão infectadas ou com odor: associar curativo 
de carvão ativado com prata para controle do odor e carga bacteriana , além de 
antibioticoterapia sistêmica se necessário. Controlar também fatores nutricionais do 
paciente para otimizar cicatrização. 
•Feridas em Pé Diabético: Geralmente complexas, com componente neuropático e/ou 
isquêmico, frequentemente infectadas. O manejo envolve abordagem multidisciplinar 
(controle glicêmico rigoroso, alívio de pressão no pé – uso de botas, muletas ou repouso 
– e avaliação vascular para revascularização se isquemia). No curativo, se houver 
necrose seca e isquemia crítica (pulso ausente), geralmente não se faz desbridamento 
agressivo até revascularizar, para não expor tecido sem perfusão. Se a ferida estiver 
úmida/infectada

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