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O atendimento psicopedagógico e suas interfaces Prof.ª Andresa Ferreira Prof. Caio Abitbol Carvalho Descrição O atendimento psicopedagógico e as questões familiares, escolares, culturais, emocionais e organizacionais que o permeiam. Propósito O conhecimento da relação entre sujeito, família e escola, no que tange às questões sociais, culturais e emocionais, promoverá um panorama do contexto que envolve o trabalho do psicopedagogo para que ele saiba intervir, orientar e se posicionar de maneira crítica e reflexiva frente às demandas psicopedagógicas. Objetivos Módulo 1 A relação entre sujeito, família e escola no processo de aprendizagem 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 1/72 Reconhecer os aspectos da relação entre sujeito, família e escola no processo de aprendizagem. Módulo 2 A importância do assessoramento psicopedagógico Identificar a contribuição do assessoramento psicopedagógico na aprendizagem e na constituição da dinâmica institucional escolar. Módulo 3 A relação professor-aluno e a motivação na aprendizagem Analisar os aspectos afetivos e emocionais na relação professor- aluno e aspectos motivacionais na aprendizagem. Módulo 4 A postura terapêutica e seus desdobramentos Aplicar a postura terapêutica no trabalho em equipe, em orientações e encaminhamentos. Introdução 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 2/72 O conteúdo pretende levar você a refletir sobre aspectos que permeiam todo o trabalho psicopedagógico, desde a avaliação até o processo interventivo, considerando quaisquer modalidades, clínica ou institucional. Para tanto, inicialmente abordaremos a complexa relação entre sujeito, família e escola, trazendo reflexões de como as características dessa relação podem influenciar positiva ou negativamente a aprendizagem do sujeito. Exploraremos os aspectos mais específicos da escola, como a função da escola na vida do sujeito e a cultura escolar, além de apresentar como o assessoramento psicopedagógico atua nesse espaço. Em seguida, trataremos dos aspectos afetivos e emocionais que envolvem o sujeito, a família e a escola, como a relação professor-aluno, a motivação e a aprendizagem. Por último, apresentaremos os aspectos que envolvem o trabalho psicopedagógico quanto à postura do psicopedagogo e seu papel no trabalho em equipe. 1 - A relação entre sujeito, família e escola no processo de aprendizagem Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os aspectos da relação entre sujeito, família e escola no processo de aprendizagem. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 3/72 Ligando os pontos Você sabe qual a relação entre sujeito, família e escola no processo de aprendizagem? Sabe como é a relação do sujeito com a aprendizagem? Vejamos o case a seguir. João era um aluno que mantinha boas notas, estava entre os primeiros da turma e sempre gostava de estudar. Ele costumava chegar em casa e conversar com a família sobre como foi seu dia na escola, o que estava aprendendo e o que tinha gostado nas aulas. Porém, isso tudo mudou. Seu pai foi transferido de estado devido ao seu trabalho e, com isso, a família foi junto. O menino, inicialmente, não queria realizar essa mudança, pois ele sempre estudou naquela escola e tinha amigos tanto da escola como da vizinhança, local onde morava desde pequeno. Porém, sem muitas opções, João mudou-se junto com sua família. Na nova escola, João parecia desanimado e, quando chegava em casa, não tinha toda aquela vontade de conversar sobre o que tinha aprendido e sobre como tinha sido o dia na escola. Além disso, a rotina também mudou, o pai, que antes tinha mais tempo em casa, agora passava muitas horas no trabalho e no trânsito. Nessa nova cidade onde passaram a morar, o pai saía de casa muito cedo e chegava muito tarde, sem ter muito tempo para conversar com João. Preocupados com a situação e queda de aprendizagem que João estava tendo, os pais resolveram levá-lo a um psicopedagogo. Chegando lá, informaram que não estavam entendendo o motivo do desempenho insatisfatório do filho, que sempre foi bom aluno. Logo, culparam a escola pelo problema. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 4/72 O psicopedagogo atendeu João, conversou com os pais, realizou reuniões com a escola, fez uma avaliação e os explicou as possíveis causas para o problema da dificuldade de aprendizagem. João ficou um tempo sendo atendido pelo psicopedagogo e a família também. Após determinado período, João começou a se destacar novamente nos estudos. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, o psicopedagogo listou possíveis fatores que podem levar a problemas de aprendizagem. Das alternativas abaixo, assinale a opção correta, que você, como psicopedagogo, informaria aos pais a respeito de possíveis fatores para os problemas de aprendizagem de João. Parabéns! A alternativa A está correta. No caso específico, não temos informações sobre como era a metodologia da escola, porém sabemos que o pai estava empregado, João tinha oportunidade de estudo (já que estava na escola) e até aquele momento não apresentava nenhum transtorno de aprendizagem ou deficiência. No entanto, João passou por um processo de mudança de escola e de estado, deixando para trás a escola que sempre estudou e os amigos. Além disso, nesse caso, é A Fatores emocionais – questões advindas de relações familiares, falta de motivação, estresse etc. B Fatores metodológicos – a metodologia usada na escola era ruim e atrapalhava a aprendizagem. C Fatores sociais – falta de recursos financeiros ou falta de oportunidade de estudo. D Fatores orgânicos – transtorno de aprendizagem ou algum déficit de atenção. E Fatores neurológicos – algum tipo de deficiência. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 5/72 dito que houve uma mudança em sua rotina, Já que antes o menino tinha muito tempo com o pai e agora não mais. Sendo assim, a alternativa A é a que melhor se encaixa. Questão 2 No caso abordado, é tratado que o pai antes tinha muito tempo com o filho, o que mudou de forma repentina após a transferência de estado. Agora, como trabalhava mais e gastava mais tempo no trânsito, quase não conseguia ficar em casa. Se você fosse o psicopedagogo, como você explicaria o impacto da dinâmica familiar no processo de aprendizagem? A A família pouco interfere no processo de aprendizagem do filho, ou seja, a questão familiar não é levada em consideração em questões de dificuldade de aprendizagem. B A família tem importância, mas, nesse caso, vemos que o problema é de João, que não quer estudar e se comprometer. C A família tem um papel muito importante ao estimular, interagir e promover condições materiais e psicológicas para que as aquisições ocorram de forma mais saudável. Portanto, é importante saber a dinâmica familiar, compreendendo que a interação com a família é fundamental. D A família tem um papel importante, porém, no caso de João, o fundamental é o problema escolar, pois a escola não está prestando um serviço adequado, e o mais correto é a mudança de escola. E Os pais precisam realizar as atividades escolares para que João obtenha boas notas e com isso o processo de aprendizagem melhore, uma vez que ele será um dos primeiros colocados da turma. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio#para todos os estudantes. Promover uma ampla interação social, particularmente com os estudantes com risco de fracasso. Propiciar o desenvolvimento de habilidades sociais. Avaliação Foco de atenção: A natureza e o uso da avaliação e dos procedimentos avaliativos Objetivo: Tratar a avaliação como parte do processo de ensino-aprendizagem, fornecer amplas informações sobre o desempenho e estratégias de aprendizagem, utilizar padrões autorreferenciados. Tempo Foco de atenção: A agenda do dia escolar Objetivo: Utilizar as tarefas de aprendizagem e as necessidades dos estudantes para organizar a agenda. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 49/72 Ainda assim, é preciso que as estratégias para motivação sejam colocadas em prática em qualquer planejamento interventivo, como a escolha da atividade de acordo com o interesse do sujeito, a participação dele nessa escolha de forma direta ou indireta (sondagem na anamnese), a gradação crescente de dificuldade (atividades mais fáceis que estão abaixo do nível do sujeito, atividades medianas de acordo com o nível de conhecimento do sujeito e atividades desafiadoras que estimulem o sujeito), garantindo sempre o caráter lúdico e prazeroso da atividade. A importância da motivação no processo de aprendizagem Acompanhe situações que ilustram a diferença entre a motivação intrínseca e a extrínseca nas escolas, destacando a importância delas e refletindo sobre o papel de cada membro integrante do processo de ensino-aprendizagem. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 50/72 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A relação professor-aluno é permeada por questões que podem interferir no processo de aprendizagem dos alunos. Uma dessas questões é conhecida pelo nome de “profecia autorrealizadora”. Sobre essa questão, pode-se dizer que: A interfere na aprendizagem somente de crianças, já que no caso de adultos não é possível que a profecia se realize devido à maturidade cognitiva do sujeito. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 51/72 Parabéns! A alternativa E está correta. A profecia autorrealizadora diz respeito às crenças ou expectativas que o professor tem com relação aos alunos. Tais crenças levam ao comportamento, por vezes, realizado de forma inconsciente pelo professor, que conduz os alunos ao nível de aprendizagem compatível com a crença. Isso pode acontecer com alunos de qualquer idade e representa um fator de risco na relação professor- aluno. Questão 2 A motivação é considerada fator primordial para a aprendizagem, pois é ela que nos move rumo à execução da tarefa, assegura a persistência, ou seja, mantém o foco na ação mesmo que apareçam obstáculos. Sabe-se, ainda, que existem diferentes tipos de motivação, como a motivação extrínseca e a intrínseca. Assinale a alternativa em que, no diálogo, contenha características referentes à motivação intrínseca. B é um mito, já que a relação professor-aluno é permeada por questões que são verificadas de forma concreta e objetiva. C é natural na relação professor-aluno, pois não há possibilidade de gerar problemas de aprendizagem. D é uma hipótese sobre a influência do professor na aprendizagem dos alunos, mas que foi refutada por todos os pesquisadores da atualidade. E corresponde à expectativa depositada pelo professor no aluno e que, por meio de comportamentos (in)conscientes, faz com que essa expectativa seja concretizada. A Aluno: “Professora, já terminei a tarefa!” Professora: “Que bom, João! Tome aqui o chocolate 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 52/72 Parabéns! A alternativa C está correta. A motivação intrínseca se refere à escolha e realização de determinada atividade por sua própria causa, como no caso da alternativa C, que apresenta um ponto de interesse do aluno (dinossauros). As outras alternativas contêm características da motivação extrínseca, por exemplo: receber recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento, objetivando atender aos comandos ou pressões de outras pessoas, para agradar o outro ou para demonstrar habilidades e competências. que eu havia lhe prometido!” B Professora: “Maria, se você não terminar a tarefa em 5 minutos, ficará sem recreio!” Aluna: “Já terminei, professora!” C Professora: “Lucas, olhe a atividade que trouxe para fazermos hoje!” Aluno: “Uau, professora! Como você adivinhou que eu amo dinossauros?” D Professor: “Combinei com sua mãe que vou avisá-la quando você não conseguir fazer a tarefa!” Aluno: “Vou me esforçar e tenho certeza de que conseguirei, não quero decepcioná-la”. E Professor: “Ana, está aqui a sua prova”. Aluna: “Uau! Eu tirei nota 10, vou mostrar para os meus pais e todos os meus amigos!” 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 53/72 4 - A postura terapêutica e seus desdobramentos Ao final deste módulo, você será capaz de aplicar a postura terapêutica no trabalho em equipe, em orientações e encaminhamentos. Ligando os pontos Você sabe o que é uma postura terapêutica? Sabe como aplicá-la no trabalho em equipe e em orientações e encaminhamento? Vamos ver o caso abaixo. Sabe-se que a atuação do psicopedagogo tem como objetivo a aprendizagem da pessoa, levando em consideração tanto os enfoques preventivos como os clínicos que se configuram em um trabalho terapêutico. Para que isso ocorra, é necessário articular informações sobre cada pessoa, como seu desenvolvimento, história de vida, contexto (escolar e familiar) que a pessoa está inserida etc. É essa articulação, a partir de diversas visões, que vai fazer com que o psicopedagogo seja um profissional com postura terapêutica, o qual vai considerar vários fatores. Baseado nisso, um diretor resolveu chamar um psicopedagogo para começar um trabalho em uma escola. A ideia seria que ele ficasse focado nos alunos e em possíveis problemas de aprendizagem. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 54/72 O diretor realizou algumas entrevistas, até que, finalmente, gostou de uma pessoa em específico. Durante a entrevista, porém, percebeu que o psicopedagogo escolhido discordava de alguns pontos. O diretor havia falado que o trabalho seria focado nos alunos e, por isso, ele só teria contato com eles, ou seja, sem contato com a equipe pedagógica e o corpo docente. Dito isso, o psicopedagogo informou que gostaria de pontuar alguns elementos. O diretor concordou e quis ouvi- lo. O profissional então informou que, para um trabalho psicopedagógico com êxito, era necessário trabalho em equipe e, para que ocorra de fato uma intervenção psicopedagógica, precisaria atuar por duas vias prioritárias. O diretor gostou do que ouviu e decidiu realizar as adaptações e contratar o psicopedagogo, que assumiria então dois papéis para a realização do trabalho psicopedagógico institucional. Dessa forma, o psicopedagogo mostrou qual seria o seu plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico, o que foi bem aceito pelo diretor. Assim, o psicopedagogo pôde iniciar seu trabalho. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 No caso, vimos que o psicopedagogo comenta sobre duas vias prioritárias para que ocorra uma intervenção psicopedagógica dentro da instituição. Das alternativas abaixo, assinale aquela que você imagina explicar de forma corretacomo as duas vias prioritárias. A A primeira via diz respeito à intervenção do psicopedagogo nas avaliações, ou seja, o psicopedagogo passa a ser a pessoa que irá montar e corrigir as avaliações dos alunos; e a segunda via 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 55/72 Parabéns! A alternativa C está correta. A intervenção psicopedagógica institucional pode ocorrer através de projetos ou pela intervenção mais específica na sala de apoio psicopedagógico, e ambas são feitas com a discussão dos pares e pelo trabalho em equipe. A intervenção psicopedagógica dentro de uma instituição pode ser feita por duas vias. A primeira mostra que é a partir da própria estrutura coletiva, na qual o psicopedagogo faz parte, como um departamento de orientação, por exemplo. A segunda via é a da colaboração, em que o psicopedagogo vai ajudar diz respeito à intervenção do psicopedagogo nas aulas, assumindo as turmas dos professores que não estão caminhando bem. B A primeira via mostra que é necessário que o psicopedagogo assuma um papel na direção escolar, para que possa dar ordens e possa modificar toda a estrutura escolar; a segunda via diz respeito à oportunidade de modificar todo o estilo de aulas e avaliações. C A primeira via parte da própria estrutura coletiva, ou seja, é da estrutura que o psicopedagogo faz parte como um membro, como em um departamento de orientação; a segunda via é a da colaboração, ou seja, é aquela que o psicopedagogo vai auxiliar a equipe gestora no desenvolvimento das tarefas coletivas. D A primeira via parte do psicopedagogo assumir cargos de chefia para que possa modificar toda a estrutura escolar; e a segunda via parte do pressuposto que é necessário que o psicopedagogo esteja dentro de sala de aula atuando para poder mudar a questão pedagógica. E A primeira via mostra que é necessário que o psicopedagogo trabalhe como um colaborador, ajudando a equipe gestora; já a segunda via, aborda que é necessário que o psicopedagogo seja um membro de um departamento específico, como o de orientação. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 56/72 a equipe gestora no desenvolvimento de tarefas, como preparações de reuniões. Questão 2 Outro ponto abordado no caso é a importância do trabalho em equipe. Se você fosse o psicopedagogo, como explicaria a importância desse ponto? A O trabalho em equipe traz diversos benefícios, como o intercâmbio com a escola e a família, o fato de se ouvir outros professionais, a questão de se discutir o caso com seus pares que enriquece o olhar do todo. O trabalho vai se fazer presente em diversos momentos e é um meio para se atingir os propósitos, a fim de se avançar em um objetivo comum. B O trabalho em equipe é importante porque, quando uma pessoa não realizar sua função, terá outra pessoa que realizará. Com isso, nunca se terá lacunas ou problemas de diagnóstico, uma vez que sempre terá alguém trabalhando e realizando as funções necessárias. C O trabalho em equipe é importante, mas não fundamental, ou seja, você pode realizar um trabalho em equipe, ou não, pois os resultados não vão mudar, uma vez que só você sabe o que deve ser feito. D O trabalho em equipe só é importante quando o psicopedagogo não sabe o que deve ser feito e, por isso, precisa ouvir diversas pessoas para aprender com elas. Sendo assim, se você sabe o que precisa ser feito, não precisa se preocupar com o trabalho em equipe. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 57/72 Parabéns! A alternativa A está correta. No trabalho clínico, é importante o intercâmbio com a escola e com a família, e é importante também ouvir outros profissionais, como pacientes que fazem acompanhamento com médicos etc. É fundamental ainda que o psicopedagogo discuta o caso com pares quando estão em supervisões psicopedagógicas. A discussão dos casos clínicos vai favorecer um enriquecimento do olhar do todo, assim, o outro pode verificar algum detalhe por outro ângulo. Já em relação ao institucional, o trabalho em equipe é diário e fundamental para atingir propósitos e avançar em um objetivo comum. Questão 3 Ao longo do caso falou-se em plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico. Sobre esse plano, como você o montaria? Quais os aspectos relevantes para constarem no plano de trabalho? Digite sua resposta aqui Chave de resposta O plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico pode ser estabelecido partindo de alguns aspectos. No primeiro aspecto, temos a conceituação da tarefa, que é onde se discute o objeto de trabalho que vai vincular os participantes do grupo a um objetivo em comum. O segundo aspecto é o ponto de partida, uma vez que antes de realizar de fato a tarefa é preciso verificar o contexto, ou seja, se há documentos, experiências anteriores. No terceiro aspecto, temos a definição dos objetivos que precisam ser realizados pela tarefa, ou seja, o que se pretende realizar e o porquê daquilo. No quarto, temos o aspecto metodológico do trabalho em equipe. Por fim, temos as relações interpessoais no grupo, ou seja, é preciso que cada integrante encontre um lugar confortável. E O trabalho em equipe é importante porque você deve explicar para as outras pessoas o que cada uma deve fazer e, com isso, elas saberão como agir e como se comportar em cada situação, realizando seu trabalho de forma melhor. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 58/72 Vamos começar! Este módulo visa apresentar o percurso do trabalho psicopedagógico a partir da reflexão sobre a postura do profissional desde a avaliação até a finalização do plano de intervenção, seja ele clínico ou institucional. Para tanto, discute-se a postura terapêutica do psicopedagogo frente aos tipos de avaliação clínica e mapeamento institucional com foco em um trabalho colaborativo, de diálogo com os pares, a fim de diagnosticar o sintoma do sujeito ou da instituição. Ao final, faz-se uma reflexão sobre a necessidade do psicopedagogo em ser um profissional reflexivo, que a partir de seu aporte teórico e sua prática, executa com maestria seu trabalho psicopedagógico. A postura terapêutica A atuação psicopedagógica tem como objeto a aprendizagem do sujeito, considerando os enfoques preventivo e clínico que se configuram em um trabalho terapêutico. Para tanto, o psicopedagogo articula as informações particulares de cada sujeito, como sua história de vida, seu desenvolvimento e suas demandas específicas, e a visão global, que diz respeito ao contexto no qual o sujeito está inserido, como o contexto escolar, familiar, e a elementos culturais que o permeiam. Essa articulação de visões faz do psicopedagogo um profissional que exerce uma postura terapêutica em que tem a visão do todo, ou seja, considera a interação dos múltiplos fatores (psicobiológicos, 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 59/72 socioculturais e afetivo-cognitivos) a fim de enxergar o sujeito em sua totalidade, de forma integral, o que possibilita pensar estratégias mais eficazes para a intervenção psicopedagógica. O trabalho psicopedagógico não se faz de forma solitária. Para se ter a visão do todo, é preciso conhecer as partes, as quais provêm de inúmeros lugares e vozes. Para o trabalho com formação de professores, por exemplo, é preciso que o psicopedagogo esteja junto ao coordenador pedagógico pensando estratégias a fim de construir um perfil de profissionais dentro da instituição que estejam abertos às transformações socioculturais,ao diálogo, à ação cooperativa, bem como a uma prática interdisciplinar e contextualizada. A postura terapêutica na avaliação e intervenção psicopedagógica Acompanhe uma reflexão sobre a postura terapêutica na avaliação e intervenção psicopedagógica, destacando as diversas considerações que esse profissional precisa ter na análise de cada caso. O trabalho em equipe No trabalho psicopedagógico clínico, além do intercâmbio com a escola e a família, é necessário também ouvir outros profissionais que tangenciam o trabalho interventivo, como os pacientes que fazem acompanhamento médico, psicológico, fonoaudiológico, dentre outros. Além disso, é importante que o psicopedagogo discuta o caso com seus pares, por exemplo, em situação de supervisão psicopedagógica. A discussão de casos clínicos enriquece o olhar do todo, ao passo que o 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 60/72 outro (que está de fora da situação) pode olhar para algum detalhe ou por algum ângulo que não tinha sido visto. No trabalho psicopedagógico institucional, o trabalho em equipe se faz presente em todos os momentos e é considerado como um meio para atingir os propósitos de avançar em um objetivo comum. É preciso, inicialmente, que o psicopedagogo junto à equipe faça uma avaliação da instituição. Assim como no consultório, em que o psicopedagogo investiga os fatores que permeiam a relação do sujeito com o objeto de aprendizagem e que o levam ao sintoma, isso também é feito no ambiente institucional. A essa investigação, damos o nome de “mapeamento institucional”. A partir do mapeamento institucional, que vai da coleta de informações da instituição (recursos físicos, humanos e estruturais) até a análise do contexto e entorno da escola, é possível, como o próprio nome diz, mapear as condições que estão estabelecidas na relação entre os sujeitos e o processo de ensino e aprendizagem. A partir desse momento, identifica-se o “sintoma” presente na instituição e traçam-se as metas. Saiba mais A intervenção psicopedagógica institucional pode ser realizada por meio de projetos ou por intervenções mais específicas na sala de apoio psicopedagógico, ambas são realizadas com a discussão dos pares e trabalho em equipe. A intervenção psicopedagógica dentro da instituição pode ser feita por meio de duas vias prioritárias. Veja a seguir. Estrutural 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 61/72 É realizada a partir da própria estrutura coletiva, da qual o psicopedagogo faz parte e é membro “de direito”, como nos departamentos de orientação ou na comissão de coordenação pedagógica ou, ainda, quando o psicopedagogo aborda uma tarefa concreta que pode adquirir a forma de um programa de trabalho. Colaborativa É realizada através da colaboração, na qual o psicopedagogo vai auxiliar a equipe gestora no desenvolvimento de tarefas coletivas, tais como preparação de reuniões, análise de sessões realizadas para identificar pontos de conflito ou elaboração de instrumentos para melhorar a eficácia do grupo. Ambos os caminhos são, também, complementares, de acordo com Solé (2001). Nesse sentido, no trabalho psicopedagógico institucional, o psicopedagogo assume dois papéis: Membro da equipe Em uma organização de trabalho cooperativo que implica a aprendizagem entre iguais. Colaborador Em situações nais quais mostra maneiras operacionais de manejo das relações que se estabelecem no grupo. É importante que o psicopedagogo saiba claramente seu papel junto à equipe gestora para que não substitua a função do coordenador, pois são funções complementares. Essa preocupação deve ser levada em consideração inclusive no caso de o psicopedagogo assumir, a pedido do grupo, um papel de protagonista na condução das sessões, a não ser em situações em que o psicopedagogo é o profissional que dirigirá o trabalho, como em um programa de orientação acadêmica ou profissional. O plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico pode ser estabelecido a partir de alguns aspectos. Veja quais são: 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 62/72 O primeiro aspecto é como conceituar a “tarefa”, ou seja, discutir qual o objeto de trabalho que vincula os participantes do grupo a um objetivo comum. O segundo aspecto é o ponto de partida, pois antes de realizar a tarefa, é preciso situar o contexto, por exemplo: ver se há documentos a respeito do assunto ou se já houve experiências realizadas que podem ser semelhantes ao que se propõe elaborar. O terceiro aspecto é definir os objetivos visados pela tarefa, ou seja, deve-se saber o que se pretende realizar e por que é indispensável, para encontrar sentido e se envolver na tarefa. O quarto aspecto é a metodologia do trabalho em equipe, pois a organização do trabalho coletivo é essencial para atingir os propósitos de uma tarefa comum. Por último, o aspecto das relações interpessoais no grupo, pois é preciso que cada integrante encontre um lugar confortável para trabalhar e mostrar suas competências, que possa participar tanto das tomadas de decisões como de seu desenvolvimento. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 63/72 Em síntese, a intervenção do psicopedagogo pode focalizar diversos componentes e todos eles em conjunto: a identificação da tarefa como elemento de vínculo entre os membros de um grupo; a análise do ponto de partida do grupo; o projeto (estabelecimento de objetivos e decisões de organização e metodologia de trabalho); o planejamento da tarefa com critérios realistas e de consenso; o adequado manejo das relações interpessoais nas equipes de trabalho. O psicopedagogo como profissional reflexivo A formação do psicopedagogo não se esgota em sua formação inicial, é necessária a formação continuada durante seu exercício profissional, semelhante a qualquer outra profissão ligada à área de humanas, pois, quando se lida com pessoas, aliada a uma complexa dinâmica que envolve a aprendizagem, a própria aprendizagem deve ser constante. A formação do psicopedagogo perpassa várias áreas, como a Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Neuropsicologia, dentre outras, mas mantém a sua especificidade como campo de conhecimento da Psicopedagogia. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 64/72 A partir de um núcleo de formação básica, do qual fazem parte os processos educacionais (estrutura e organização da educação escolar, currículo, educação de alunos com necessidades educacionais especiais etc.); processos psicológicos e de desenvolvimento (memória, atenção, funções executivas, linguagem, desenvolvimento integral, bases biológicas e socioculturais do comportamento etc.), o psicopedagogo adquire seu aporte teórico e se aventura na missão de despertar o prazer pela aprendizagem, seja dentro de seu consultório ou em nível institucional. Nesse sentido, o profissional psicopedagogo, ao adentrar no mercado de trabalho, deve se tornar um profissional reflexivo, capaz não só de se aprimorar e buscar cada vez mais formação e conhecimento teórico, mas também refletir sobre sua prática. Para se tornar um profissional reflexivo, é preciso exercer a práxis psicopedagógica. Práxis psicopedagógica Consiste na relação entre o conhecimento teórico adquirido e sua transposição dialética para a prática profissional, seja ela na clínica ou na instituição. A práxis psicopedagógica, em ambos os casos, não se faz sozinha; é preciso dialogar, ouvir diferentes pontos de vista, desconstruirparadigmas para reconstruí-los em novo formato, sempre aberto e em busca de novos caminhos que levam ao mesmo objetivo: a aprendizagem do sujeito. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 65/72 É com essa reflexão que finalizamos este módulo, no intuito de que você, futuro psicopedagogo, seja um profissional que tenha não só um grande aporte teórico, mas também seja um profissional crítico, reflexivo e cooperativo em sua prática psicopedagógica. Documentos modelo de uso psicopedagógico Para auxiliá-lo nessa empreitada da práxis psicopedagógica, com o intuito de contribuir para a sistematização dos pontos de estudo abordados até aqui junto às ferramentas para a prática profissional, são disponibilizados dois modelos de documentos psicopedagógicos: um voltado para a área clínica (avaliação) e outro para a área institucional (mapeamento). Lembre-se de que são apenas modelos que servirão como ponto de partida para sua investigação e que poderão ser modificados conforme a demanda psicopedagógica. Modelo área clínica (avaliação) Modelo área institucional (mapeamento) 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 66/72 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/pdf/01.pdf https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/pdf/02.pdf Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Assinale a alternativa que apresente a terminologia e ordem correta dos aspectos que compõem o plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico: 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 67/72 Parabéns! A alternativa D está correta. Os aspectos que compõem o plano de trabalho no assessoramento psicopedagógico devem ser executados por meio do trabalho em equipe. Para tanto, é preciso conceituar a tarefa como elemento de vínculo entre os membros de um grupo, analisar o ponto de partida, estabelecer o objetivo pretendido, bem como a metodologia que será utilizada para alcançá-lo. E, por último, cuidar das relações interpessoais nas equipes de trabalho. Questão 2 Julgue as proposições como verdadeiras ou falsas e assinale a alternativa correta a respeito do psicopedagogo como profissional reflexivo: ( ) O psicopedagogo reflexivo é aquele que alia o conhecimento teórico a suas experiências práticas da profissão. ( ) O profissional que busca se aprimorar ao longo do tempo, A Ponto de partida – conceituação da tarefa – definição dos objetivos – execução do trabalho – relações interpessoais. B Ponto de partida – definição dos objetivos – metodologia – execução do trabalho – relações interpessoais. C Conceituação da tarefa – definição dos objetivos – execução do trabalho – relações interpessoais. D Conceituação da tarefa – ponto de partida – definição dos objetivos – metodologia – relações interpessoais. E Ponto de partida – definição dos objetivos – execução – relações interpessoais − socialização. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 68/72 aplicando seus conhecimentos à prática profissional, consequentemente será um psicopedagogo reflexivo. ( ) O psicopedagogo reflexivo, por ter um amplo aporte teórico aliado à sua experiência, não necessita de orientação, discussão e supervisão em seu trabalho clínico. Parabéns! A alternativa B está correta. O profissional psicopedagogo reflexivo é aquele que busca conhecimento contínuo ao longo de toda a carreira, sempre estudando, se aprimorando e atribuindo significado à sua prática. Além disso, o trabalho psicopedagógico deve ser compartilhado, o que pode ocorrer por meio de discussões com outros profissionais em reuniões ou supervisões de casos clínicos, o que possibilita a ampliação do olhar para o sintoma e, consequentemente, uma conduta terapêutica mais assertiva. Considerações finais Como vimos, são muitos os aspectos que envolvem o trabalho psicopedagógico, sejam eles sociais, familiares, escolares, emocionais e os que estão relacionados ao próprio sujeito. A V – V – V B V – V – F C V – F – V D F – V – F E V – F – F 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 69/72 A investigação desses aspectos é de suma importância para o trabalho psicopedagógico, mas é ainda mais importante não considerar tais aspectos de forma isolada e muito menos utilizá-los para a responsabilização de sua ocorrência. Ter ciência desses aspectos auxiliará o psicopedagogo em sua atuação, seja na clínica ou na instituição. Com isso, ele poderá compartilhar com outros profissionais e, a partir de um trabalho colaborativo, traçar metas para alcançar um objetivo comum, que é a aprendizagem do sujeito. Espera-se que você, aluno, adquira esses conhecimentos trabalhados ao longo dos módulos e os alie à sua futura prática profissional, a fim de se tornar um profissional psicopedagogo reflexivo. Podcast Para encerrar, ouça uma reflexão sobre os impactos do confinamento domiciliar devido à pandemia de covid-19, no desenvolvimento da aprendizagem das crianças e o trabalho preventivo e intervenções do psicopedagogo. Explore + Confira a indicação que separamos especialmente para você! Assista ao filme Como estrelas na Terra – toda criança é especial, disponível no YouTube e Netflix. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 70/72 Referências BOSSA, N. A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 5. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2019. DE BRITTO, V.; LOMONACO, J. Expectativa do professor: implicações psicológicas e sociais. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 3, n. 2, 1983. FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. Tradução de Iara Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1991. FREIRE, P. A escola é. Arquivos. Governo Municipal de Cascavel. Consultado na Internet em: 14 set. 2021. FREIRE, P.; BETTO, F. Essa escola chamada Vida. Depoimentos ao repórter Ricardo Kotscho. 9. ed. São Paulo: Ática, 1998. 96 p. GUIMARÃES, S. E. R. Motivação intrínseca, extrínseca e o uso de recompensas em sala de aula. In: BORUCHOVITCH, E.; BZUNECK, J. A. (Orgs). 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A família é muito importante no atendimento psicopedagógico, sendo fundamental entender a relação entre os membros familiares e a pessoa que está sendo atendida, a fim de conseguir pistas de como seguir com o atendimento. Além disso, é preciso saber também a dinâmica familiar para entender a relação da pessoa com a aprendizagem. Em nosso caso, João tinha a rotina de se reunir regularmente com o pai, o que mudou depois da mudança. A família tem um papel fundamental quando interage com os filhos, pois promove condições materiais e psicológicas. Questão 3 Você deve ter percebido que o psicopedagogo, além de atender João, conversou também com os pais e com a escola para tentar entender o que estava ocorrendo. A atitude do profissional foi correta? Ele deveria ter conversado com os pais e com a escola? Por quê? Digite sua resposta aqui Chave de resposta O psicopedagogo fez certo, pois é necessário que se conheça a história da família (no caso, de João), como ocorreu seu desenvolvimento, como a família lidou com questões ligadas à aprendizagem. É preciso entender a dinâmica familiar (nesse caso, antes de procurar o atendimento), conhecer onde e com quem a pessoa vive, saber se houve algum acontecimento marcante, como mudança de casa ou de cidade. Além disso, é importante também conversar com a equipe escolar para entender o comportamento da pessoa na sala de aula, no recreio e até mesmo no refeitório. Tudo isso ajuda o psicopedagogo em seu diagnóstico. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 7/72 Vamos começar! Este módulo visa discutir os aspectos que envolvem o tripé sujeito, família e escola na complexa dinâmica da aprendizagem. Para tanto, é preciso conhecer quem é esse sujeito e o contexto no qual ele está inserido. É importante, ainda, resgatar o conceito de família e compreender como as relações familiares podem influenciar de maneira positiva ou negativa o trabalho psicopedagógico. Da mesma forma, refletir sobre a escola e seu papel na vida do sujeito também pode trazer indícios do vínculo que o paciente estabelece com o aprender. A partir da reflexão sobre a relação entre sujeito, família e escola, o profissional terá ferramentas para conduzir seu raciocínio clínico de forma mais assertiva no trabalho psicopedagógico. O sujeito e o (não) desejo de aprender Para compreender o sujeito e a relação que ele estabelece com a aprendizagem, é preciso escutar não só o que ele tem a dizer, mas também o que ele tenta não dizer e diz de outra forma e até mesmo aquilo que não é dito. Para escutar essas vozes do sujeito, ditas e não ditas, é preciso observar o contexto no qual ele está inserido. Perceber sua relação com a família e a escola é um dos caminhos para diagnosticar a origem do sintoma ou mesmo traçar um plano psicopedagógico interventivo. Durante muito tempo, o sujeito foi culpabilizado pelos problemas de aprendizagem. Os fatores orgânicos, como coeficiente de inteligência (testes de Q.I.), eram usados para justificar os problemas de aprendizagem. Ao longo do tempo, essa percepção mudou graças aos estudos científicos nas áreas da Psicologia, Sociologia e Educação, que tiveram como objetivo investigar as causas do fracasso escolar que podem ou não se configurar em um problema de aprendizagem. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 8/72 O fracasso escolar está muito mais relacionado a uma questão macro, que envolve relações políticas, econômicas e sociais, nas quais o sujeito está inserido. O fracasso escolar se relaciona a uma resposta insuficiente do sujeito às demandas escolares, que pode ter suas razões em inúmeros fatores diretos e indiretos. Exemplo Falta de oportunidades e condições para estudar, ensino deficitário, metodologias inadequadas, falta de estrutura da instituição, formação de professores, entre outros. Tais questões podem privar os sujeitos de uma educação de qualidade, dificultando o acesso à leitura e à escrita, por isso a instalação do fracasso escolar deve ser vista por uma perspectiva mais ampla, porém não deixa de estar relacionada aos problemas de aprendizagem. Quanto aos problemas de aprendizagem, pode-se dizer que devemos considerar também o nível macro, mas devemos analisar como ele incide no nível micro. Em outras palavras, investigar as causas dos problemas de aprendizagem é como se observássemos todo o contexto do sujeito e, aos poucos, fôssemos nos aproximando e colocando uma lupa sobre ele. De fato, o que é possível considerar hoje é que não há um único fator de causalidade para o os problemas de aprendizagem, mas sim uma 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 9/72 interação de fatores que convergem para o problema. Dentre esses fatores, pode-se citar alguns, tais como: Orgânicos, neurológicos ou neuropsicológicos Deficiências; déficit de atenção, memória e/ou funções executivas; transtornos de aprendizagem. Sociais ou econômicos Falta de recursos, condições e/ou oportunidades de estudo. Metodológicos Tipo de ensino ou ferramentas pedagógicas que não se adequam às necessidades do sujeito. Emocionais Questões advindas das relações familiares, escolares e sociais; estresse e ansiedade, dentre outros. Não é possível estabelecer um perfil exato do sujeito com problemas de aprendizagem, mas sabemos que o sintoma é multifatorial e que, portanto, é preciso investigar a interação desses fatores para formular as hipóteses diagnósticas que levam o sujeito a não aprender. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 10/72 A dinâmica familiar no processo de aprendizagem A família é uma peça fundamental no atendimento psicopedagógico, pois a partir dela se obtém as primeiras informações sobre o paciente e, quando se toma conhecimento da relação entre os membros familiares e o sujeito, é possível obter pistas de como conduzir o atendimento psicopedagógico. O conhecimento da dinâmica familiar é imprescindível para saber qual a relação que o sujeito possui com a aprendizagem, independentemente de sua faixa etária. Na maioria das vezes, vamos nos referir às crianças ou adolescentes menores de 18 anos, mas o conhecimento da história familiar e a dinâmica atual na qual o sujeito está inserido são válidos também para casos clínicos de adultos e idosos. Antes de falarmos sobre como a dinâmica familiar pode interferir ou, ao menos, influenciar o processo de aprendizagem do sujeito, é preciso fazer um parêntese sobre o conceito de família. Família, segundo o Dicionário On-line de Português (2021), significa “Pessoas cujas relações foram estabelecidas pelo casamento, por filiação ou pelo processo de adoção”, ou ainda, “Grupo de pessoas que compartilham os mesmos antepassados; estirpe, linhagem, geração”. Atenção! O conceito de família deve ser entendido de forma muito mais ampla do que no dicionário, pois família é o grupo de pessoas no qual o sujeito está inserido, que lhe garante o seu desenvolvimento integral. É preciso, ainda, compreender que família é formada de diferentes maneiras. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 11/72 Você já ouviu alguém dizer esta frase? “Nossa, esse menino não aprende! Lógico, com a família desestruturada que ele tem, não conseguirá aprender mesmo!” Infelizmente, imagino que sim. É preciso esclarecer aqui o que se entende por família desestruturada. Ao longo do tempo, a estrutura nuclear, patriarcal e matrimonial vem sofrendo intensas transformações.Atualmente, diversas formas de arranjos familiares são aceitas socialmente e algumas delas, inclusive judicialmente. É preciso, portanto, considerar como estruturados os diferentes arranjos familiares, como por exemplo: ds Monoparentais O sujeito vive com um dos genitores. Homoafetivos O sujeito vive com pais do mesmo sexo. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 12/72 Recompostos O sujeito vive com um dos genitores e o(a) companheiro(a) dele(a). O que importa não é o tipo de arranjo familiar no qual o sujeito está inserido, mas sim a dinâmica familiar existente, ou seja, a relação afetiva que é estabelecida entre os membros dessa família. Posto isso, vamos refletir agora sobre a família e o processo de aprendizagem, pois é observando a interação entre os membros familiares que podemos compreender como se dá o acesso ao conhecimento e à aprendizagem. É na família que o sujeito adquire suas primeiras aprendizagens, como sugar no seio da mãe, sentar, engatinhar, andar, controlar os esfíncteres, falar, dentre outras aquisições relacionadas ao seu desenvolvimento. Nesse sentido, a família exerce papel fundamental quando se estimula, interage, promove condições materiais e psicológicas para que todas essas aquisições ocorram da forma mais saudável possível. É importante que a família estimule a curiosidade da criança, atenda às suas indagações na fase dos “porquês”, permitindo que a criança pense e aja com autonomia, conscientizando o sujeito de suas ações e respectivas consequências. Quando esse estímulo, que permite à 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 13/72 criança pensar, escolher e agir, é negado, pode reverberar em consequências negativas quanto à aprendizagem escolar. Comentário Uma criança que não é estimulada a pensar com criatividade e autonomia, que é podada no momento de falar e cujas indagações não são consideradas, pode ter dificuldades com a fala, para contar uma história considerando começo, meio e fim; para dar um recado ou contar um problema ocorrido e, quando a oralidade é prejudicada, provavelmente irá refletir no momento da escrita e na produção de textos e narrativas. A escola e sua função social na aprendizagem A escola é o espaço de desenvolvimento integral do sujeito. É nela que se manifestam os primeiros sinais de que algo não está indo bem com a aprendizagem. É a escola que muitas vezes encaminha o sujeito para o médico ou para uma avaliação psicopedagógica. A escola é o espaço rico em informações que ajudará o psicopedagogo a compreender como os sinais se manifestaram e como as pessoas ao redor (professores, colegas e família) lidaram com isso. Nesse sentido, deve-se considerar o espaço escolar como uma fonte de informações e, da mesma forma como se investiga o sujeito e a família, também há a investigação dos fatores escolares que podem influenciar positiva ou negativamente a aprendizagem da criança. A função social da escola não é só transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade ao longo do tempo, mas também promover o desenvolvimento integral e formar cidadãos críticos e reflexivos que saibam conviver em sociedade. Portanto, para além dos conteúdos pedagógicos, a escola é o espaço de interação e de convivência que poderá facilitar e/ou dificultar a relação que o sujeito estabelece com a aprendizagem. A escola é participante do processo de aprendizagem que inclui o sujeito no mundo sociocultural e que se configura em um espaço não só 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 14/72 de coleta de informações dos problemas de aprendizagem para a psicopedagogia clínica, mas também um espaço de prevenção desses problemas na atuação da psicopedagogia institucional. As relações que se estabelecem dentro do espaço escolar, como a relação professor-aluno ou aluno-aluno podem incidir sobre o vínculo do sujeito com o desejo de aprender. É nesse sentido que o psicopedagogo precisa ter ciência de como se estabelecem tais relações a fim de orientar ou até mesmo intervir no sintoma apresentado pelo sujeito. A relação entre sujeito, família e escola O psicopedagogo deve conhecer a história familiar do sujeito, como se deu seu desenvolvimento e como a família interagiu ao longo do tempo com as questões relacionadas à aprendizagem. É preciso também conhecer como é a dinâmica familiar antes e durante a procura pelo atendimento psicopedagógico, ou seja, conhecer onde e com quem o sujeito vive, se houve algum acontecimento ao longo do tempo, como separação dos pais, desemprego, prisão, morte na família, mudança de casa, de cidade, de escola. É importante também conversar com a equipe escolar sobre o comportamento do sujeito na sala de aula, no recreio, no refeitório e como é sua relação com os professores e colegas. Enfim, todas essas informações vão ajudar o profissional a coletar pistas que o levem à origem do sintoma. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 15/72 O fato é que muitas vezes informações importantes são veladas pelo sujeito, pela família e pela escola, seja de forma consciente ou inconsciente, às vezes por não verem sentido em revelar, às vezes porque falar sobre o assunto causa dor e sofrimento, ou às vezes por sentirem culpa ou medo de serem culpabilizados. É preciso que o psicopedagogo acione sua perspicácia em descobrir esses segredos! Segundo Fernández (1991, p. 101), “não há segredo de um só. O segredo age tanto na mente de quem o comunica como de quem o recebe”. Fernández (1991) salienta que os aspectos existentes na dinâmica familiar que conduzem ao sintoma, ou seja, que podem contribuir para um problema de aprendizagem, relacionam-se com o tipo de circulação de conhecimento e com o acionar do segredo. Quando um sintoma aparece, muitas famílias não o assumem porque assumi-lo pode pressupor uma falha na dinâmica familiar, responsabilizando-os pelo ocorrido. Atenção! O problema de aprendizagem não pode ser visto como sendo fruto de uma causalidade linear, na qual a família é a culpada pelo sintoma do sujeito ou o sujeito que determina, por meio de seu sintoma, a dinâmica familiar. Da mesma forma, não se pode apontar o fator social, econômico ou escolar como único responsável pelo problema de aprendizagem. O psicopedagogo deve tomar cuidado quando analisa a relação entre a família e todo o contexto no qual o sujeito está inserido. Para Fernández (1991), deve-se considerar a causalidade circular que corresponde a uma forma psicanalítica para compreender o lugar da família na gestação dos problemas de aprendizagem. Portanto, é necessário que o psicopedagogo investigue a história do sujeito, como foi seu desenvolvimento e qual é o papel do sujeito dentro da dinâmica familiar para compreender o surgimento do sintoma, mas considerando que a família pode fornecer apenas algumas peças desse 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 16/72 quebra-cabeça, que deverá ser complementado com outras peças a serem obtidas a partir do contexto escolar e do próprio sujeito. Causalidade circular A causalidade circular considera a combinação de fatores congênitos, hereditários, junto às experiências infantis no ambiente familiar e social. Essa combinação de fatores constitui a “disposição” que, por influência dos motivos atuais, determina o surgimento do sintoma. Fatores envolvidos na dificuldade de aprendizagem e no fracasso escolar Entenda a diversidade de fatores envolvidos na dificuldade de aprendizagem e no fracasso escolar,especialmente associados à dinâmica familiar e à relação entre sujeito, família e escola. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 17/72 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O conhecimento da dinâmica familiar do sujeito que está em atendimento psicopedagógico pode trazer indícios para: A responsabilizar a família quanto às negligencias em relação à vida escolar do sujeito. B instruir a família quanto à maneira que ela deve educar o filho no ambiente familiar. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 18/72 Parabéns! A alternativa D está correta. O conhecimento da dinâmica familiar traz informações valiosas para o psicopedagogo na medida em que ele consegue perceber qual a circulação do conhecimento dentro da família, bem como a relação que o sujeito estabelece com a aprendizagem e sua valorização perante os membros. Questão 2 Sabe-se que a relação do tripé sujeito-família-escola é imprescindível para a compreensão do sintoma. Para essa compreensão, o psicopedagogo deve: C encontrar o fator responsável pelo problema de aprendizagem, a fim de poder saná-lo. D compreender a relação e o vínculo que o sujeito estabelece com o objeto de aprendizagem. E intervir no ambiente familiar, alterando a relação que os membros familiares estabelecem. A investigar o tipo de circulação de conhecimento na família e o acionar do segredo existente em sua dinâmica. B realizar reuniões com representantes de cada contexto para confrontar as informações sobre o sujeito. C fazer uma entrevista que leve tanto a família quanto a escola a esclarecerem a origem dos problemas de aprendizagem do sujeito. D considerar o comportamento da criança exclusivamente no contexto escolar, no qual ela 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 19/72 Parabéns! A alternativa A está correta. Para compreender o sintoma, o psicopedagogo deve considerar a circulação de conhecimento existente na dinâmica familiar, como a valorização dos estudos, as cobranças, as relações entre os membros da família (separação dos pais, abandono, traição), dentre várias outras questões que podem ser veladas pela própria família de forma consciente ou inconsciente, por isso o psicopedagogo deverá desvendar o segredo que pode estar implícito nessa dinâmica. 2 - A importância do assessoramento psicopedagógico Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a contribuição do assessoramento psicopedagógico na aprendizagem e na constituição da dinâmica institucional escolar. Ligando os pontos passa mais tempo com o objeto de aprendizagem. E se basear somente nas informações fornecidas pelos adultos (família e escola), no caso de atendimento de crianças. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 20/72 Você sabe o que é o assessoramento psicopedagógico? Sabe a importância dele na aprendizagem? Então, vamos ver o caso a seguir. Um psicopedagogo foi contratado para trabalhar em uma escola. Chegando na instituição, a direção comentou que não percebia problemas de aprendizagem com os alunos, mas que era comum ouvir professores falando que alguns jovens apresentavam algumas questões. Sendo assim, a direção achou pertinente contratar um psicopedagogo para avaliar todo o cenário. Depois da primeira conversa com a direção, o psicopedagogo resolveu que era o momento de ouvir outros membros do corpo docente e de todo o staff. Após esse movimento, resolveu ver como eram as aulas em diversas turmas. Depois de verificar as aulas, ele teve uma nova conversa com os professores para tentar entender como eram discutidas as metodologias, como era feito o planejamento pedagógico e como funcionavam as avaliações. Feito isso, ele solicitou conhecer o projeto político pedagógico da escola e o planejamento anual. Após todas as reuniões e a disponibilização dos documentos, a direção chamou o psicopedagogo novamente para uma conversa e quis entender o motivo de tantas reuniões e a necessidade dos arquivos. O profissional informou que era necessário entender a dimensão cultural escolar e, para isso, era necessário conhecer e saber mais sobre dois âmbitos: a cultura escolar e a cultura da escola. Além disso, informou que poderia contribuir realizando um assessoramento psicopedagógico. O psicopedagogo explicou todos esses pontos e comentou que, para realizar o assessoramento pedagógico, ele precisaria assumir algumas funções. Depois dessa conversa, a direção compreendeu e concordou de o psicopedagogo desempenhar determinadas funções. Logo, foi possível 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 21/72 que ele realizasse o assessoramento de modo adequado e eficaz, ao passo que a escola pôde observar os efeitos positivos de sua atuação. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Vimos no caso que o psicopedagogo conversou com a direção sobre a cultura escolar e a cultura da escola. Se você tivesse que explicar para uma pessoa o que é cada um desses âmbitos, como você explicaria? Marque a alternativa correta. A Ambos são iguais, só é separado para que fique mais complexo o assunto e pareça ser um problema grande. B A cultura escolar refere-se à cultura que a comunidade escolar abriga como a cultura do aluno, dos funcionários; e a cultura da escola refere-se aos elementos que estão presentes na escola, como disciplinas, uniforme etc. C A cultura escolar está relacionada apenas com o nível de formação dos profissionais do corpo docente; e a cultura da escola está relacionada com o nível de formação da direção escolar. D A cultura escolar é o que o aluno vai aprender na escola, ou seja, é o nível de conhecimento; já a cultura da escola abrange o que é permitido e o que não é permitido fazer na instituição. E A cultura escolar tem a ver com a BNCC e com a LDB, ou seja, é o que a escola precisa seguir; já a cultura da escola é o que ela pode fazer individualmente, ou seja, suas avaliações específicas. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 22/72 Parabéns! A alternativa B está correta. Quando falamos de dimensão cultural escolar, podemos entendê-la a partir de dois âmbitos diferentes: o da cultura escolar e o da cultura da escola. A dimensão cultural escolar considera os fatores externos e a sua influência na lógica escolar. Quando falamos da cultura, estamos falando da cultura que a instituição abriga, como a cultura do corpo docente, dos funcionários, do aluno, ou seja, é a bagagem cultural que eles já trazem do lugar que vieram, suas especificidades, o que forma uma realidade única dentro do espaço escolar. Já a cultura da escola é a dimensão cultural da própria instituição, ou seja, os elementos que estão presentes na escola, como as regras, o uniforme e outros elementos da identidade funcional da instituição. Questão 2 O psicopedagogo informa que poderia colaborar realizando um assessoramento psicopedagógico. Com o seu conhecimento, quais são as funções que devem ser cumpridas para se realizar o assessoramento psicopedagógico? A Participar das dinâmicas das relações da comunidade escolar; realizar orientações a respeito da metodologia utilizada, apontando adequações quando necessário; realizar orientação educacional, vocacional e ocupacional; participar das reuniões de planejamento pedagógico e de formação em serviço juntoda equipe pedagógica; mediar conflitos que possam ocorrer. B Elaborar o planejamento pedagógico da instituição; elaborar as avaliações; fazer reuniões com os responsáveis; dar advertências; ser professor substituto. C Contratar e demitir funcionários; realizar a manutenção do espaço físico do prédio; verificar tendências dos concorrentes; realizar ações de marketing; fazer palestras e entrevistas com profissionais renomados. Montar a equipe pedagógica; fazer provas para avaliar o nível de conhecimento dos profissionais; 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 23/72 Parabéns! A alternativa A está correta. Para que se realize um processo de assessoramento psicopedagógico eficaz, o psicopedagogo precisa desempenhar algumas funções, como: destacar a necessidade de se participar das dinâmicas da relações da comunidade escolar a fim de favorecer a interação entre os membros; realizar orientações a respeito das metodologias utilizadas no processo de ensino- aprendizagem, apontando possíveis adequações e melhorias, a partir das características do grupo; realizar orientações educacionais, vocacionais e ocupacionais em grupo ou individualmente; participar das reuniões de planejamento pedagógico e de formação em conjunto do corpo docente e direção, a fim de discutir sobre o plano de ensino e mediar possíveis conflitos que possam ocorrer na instituição. Questão 3 Você deve ter percebido que a indicação do assessoramento psicopedagógico foi do psicopedagogo. Por que é importante se ter um assessoramento psicopedagógico em uma instituição? E como ele colabora com a questão da aprendizagem? Digite sua resposta aqui Chave de resposta A questão do assessoramento psicopedagógico precisa considerar a pessoa recebendo influências de diversos ambientes, como o familiar, o escolar, o da comunidade, além da questão dos fatores econômicos, características próprias etc. O psicopedagogo D montar cursos de formação continuada; montar salas de aulas tecnológicas; fazer testes de QI nos alunos. E Montar um consultório psicopedagógico na escola; montar uma brinquedoteca; comprar recursos tecnológicos para colocar nas salas; aplicar metodologias inovadoras; realizar substituição de professores. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 24/72 com seu campo conceitual pode auxiliar a escola, contribuindo para que a escola possa reverter um quadro de dificuldade de aprendizagem, através de descobertas de novas intervenções. O assessoramento psicopedagógico tem a função de analisar a instituição escolar e suas reações, a fim de construir um local mais qualificado e preventivo da práxis psicopedagógica, contribuindo assim para a diminuição de problemas de aprendizagem. O assessoramento psicopedagógico, tendo como fenômeno de estudo o aprender e o não aprender, tem como função a análise da instituição escolar e suas relações de aprendizagem segundo uma abordagem crítica. Vamos começar! Este módulo visa fornecer elementos que constituem a instituição escolar para servirem como ferramentas do trabalho de assessoramento psicopedagógico. Para tanto, discutiremos a função da escola na formação do sujeito, não só como instituição de ensino, mas como promotora de experiências para a vida do sujeito. Em seguida, apresentaremos os elementos que constituem a dimensão cultural escolar e os rituais que ocorrem no cotidiano da escola. E, por fim, resgatamos o objetivo do módulo de identificar como o assessoramento psicopedagógico pode contribuir para a aprendizagem do sujeito, considerando todos os elementos que constituem a dinâmica institucional escolar. A instituição escolar na vida do sujeito A instituição escolar é muito mais do que o espaço no qual o sujeito adquire o conhecimento formal, ela é também o espaço no qual o sujeito aprende o conhecimento para a vida. Como disse Paulo Freire (s. d.) em seu poema A Escola é: 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 25/72 O que o autor alerta é que a escola não é só o espaço de se estudar, é o lugar onde fazemos nossas amizades e que às vezes levamos por toda a nossa vida. É o espaço que cria condições para sermos felizes! E é aí que está a questão que nos interessa como psicopedagogos. Se esse espaço não faz o sujeito feliz, algo está errado, há fatores dentro desse espaço que não estão possibilitando que tudo ocorra de forma natural. Para compreender o que pode estar ocorrendo, é preciso conhecer os aspectos da cultura da instituição escolar. O conhecimento de tais aspectos serve tanto para o psicopedagogo clínico, no que tange à investigação das informações da dinâmica escolar, quanto para o psicopedagogo institucional quando se pretende trabalhar por meio do assessoramento psicopedagógico. A Psicopedagogia, como campo de conhecimento, deve assumir o compromisso ético de garantir aos sujeitos o direito à educação, saúde e cidadania. O papel social psicopedagógico está na sua ação dentro da instituição e, nesse caso, não se trata somente da escola, mas de quaisquer outras instituições, como, por exemplo, hospitais, abrigos, casas de repouso, centros de reabilitação e etc.. O papel social da Psicopedagogia se encontra em uma ação institucional politicamente comprometida e consciente. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 26/72 A dimensão cultural escolar O significado de cultura no dicionário nos remete a algo que corresponde ao conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social. A escola pode ser considerada um espaço onde se transmite cultura, se produz cultura e se promove o encontro de culturas. A escola deve respeitar as diferentes culturas que nela estão inseridas, em busca de uma escola que ensina, humaniza e faz o sujeito feliz. A dimensão cultural escolar pode ser entendida a partir de dois âmbitos, o da cultura escolar e o da cultura da escola. A dimensão cultural escolar nesses dois âmbitos deve considerar os fatores culturais externos e sua influência na lógica institucional escolar. Veja a definição de tais culturas: Se refere à cultura que a comunidade escolar abriga, por exemplo: a cultura do aluno, do professor, dos funcionários, em termos de bagagem cultural que eles trazem de seu lugar de origem, cada qual com suas especificidades, formando uma realidade única e que se constrói dentro do espaço escolar. Diz respeito à dimensão cultural que participa da própria configuração da instituição escolar, ou seja, refere-se aos elementos presentes na escola independentemente do lugar Cultura escolar Cultura da escola 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 27/72 onde a escola se situa, por exemplo: as disciplinas, as salas de aula, o uniforme, as regras, dentre outros elementos que configuram a identidade funcional e institucional da escola. Compreender a dimensão cultural escolar em seus dois âmbitos é fundamental para entender a própria identidade da escola e como ela se constitui como instituição, ao passo que cada escola possui uma cultura própria permeada por valores, expectativas, costumes, tradições, condições historicamente construídas a partir de contribuições individuais e coletivas. A cultura, considerada sistema de símbolos, pode ser entendida por rituais inter-relacionados que ocorrem dentro da instituição escolar. Rituais Os rituais escolares são aqueles relacionados ao cotidiano escolar, à organização e difusão do conhecimento,às perspectivas habituais de planejamento, organização e avaliação. Também são considerados como parte dos rituais escolares os diferentes processos de ensino e aprendizagem que são construídos a partir do conhecimento teórico dos professores ou da metodologia específica utilizada pela escola. O conhecimento desses rituais escolares, bem como da dimensão cultural neles envolvida, possibilita entender mais profundamente as nuances do processo de escolarização e as possibilidades da escola em proporcionar a satisfação educacional e sociocultural dos sujeitos envolvidos. É nesse contexto que se insere a importância do assessoramento psicopedagógico, o qual pode contribuir para a compreensão de toda essa complexidade em prol de uma escola que forme sujeitos que aprendam e saibam viver em sociedade de forma crítica e consciente. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 28/72 O assessoramento psicopedagógico na instituição escolar A Psicopedagogia tem como campo de atuação a aprendizagem, e sua intervenção pode ser preventiva ou curativa, pois se compromete a detectar os problemas de aprendizagem, preveni-los e “resolvê-los”. No enfoque preventivo, mais precisamente de assessoramento psicopedagógico institucional escolar, o papel do psicopedagogo é identificar possíveis problemas no processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, o psicopedagogo tem algumas funções imprescindíveis para realizar o processo de assessoramento de forma adequada e eficaz. O assessoramento psicopedagógico na instituição escolar inclui: Participação na dinâmica das relações da comunidade escolar, com objetivo de favorecer a interação entre seus membros, como professores, alunos, funcionários e comunidade (famílias dos alunos). Mediação de conflitos ocorridos no espaço da instituição que podem vir a prejudicar o processo de ensino e aprendizagem, como questões comportamentais dos alunos, relação professor- aluno, relação família-escola. Orientação educacional, vocacional e ocupacional em grupo ou individualmente, considerando os valores éticos e sociais para a formação de um cidadão crítico, reflexivo e atuante na sociedade, conduzindo-o ao mercado de trabalho. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 29/72 Para Porto (2007), o enfoque da prevenção no assessoramento psicopedagógico deve considerar um sujeito que recebe influências do ambiente familiar, escolar, da comunidade, dos fatores econômicos, da alimentação e de suas próprias características. A autora ressalta que o campo conceitual psicopedagógico vem proporcionar uma nova possibilidade para que a escola reverta o quadro de fracasso, por meio da descoberta de novas intervenções. O assessoramento psicopedagógico, tendo como fenômeno de estudo o aprender e o não aprender, tem como função a análise da instituição escolar e suas relações de aprendizagem segundo uma abordagem crítica e sistêmica, a fim de construir um espaço mais qualificado e preventivo da práxis psicopedagógica institucional que contribua efetivamente na redução dos problemas de aprendizagem e do fracasso escolar como um todo. Segundo Bossa (2019), pensar a escola, à luz da Psicopedagogia, significa analisar um processo que inclui questões metodológicas, relacionais e socioculturais, considerando o ponto de vista de quem Participação nas reuniões de planejamento pedagógico e formação em serviço junto aos professores e equipe gestora, no intuito de discutir a elaboração do plano de ensino, das formas avaliativas, e demais questões que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Realização de orientações quanto à metodologia utilizada no processo de ensino e aprendizagem, apontando adequações, considerando as características do sujeito ou do grupo. Por exemplo, em caso de alunos que não se adaptam à metodologia ou alunos com necessidades educativas especiais. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 30/72 ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da família e de toda a sociedade. É importante ressaltar a função da Psicopedagogia quando consideramos a formação de professores, pois o trabalho psicopedagógico preventivo busca novas formas de otimizar o processo de ensino e aprendizagem e uma delas é a formação docente. As propostas de formação devem oferecer ao professor condições para estabelecer uma relação madura e saudável com os alunos, pais e equipe gestora. Para exemplificar uma proposta de orientação ou formação docente, remeto à Bossa (2019), quando ela se refere à questão da relação transferencial. A relação transferencial está presente em toda relação humana que, segundo a Psicanálise, é um fenômeno de deslocamento do sentido atribuído a pessoas do passado para pessoas do nosso presente, de forma inconsciente. A autora relata que se esse conceito, por exemplo, fosse ensinado aos professores, poderia auxiliá-los a perceber com mais acerto e serenidade o que ocorre durante determinados conflitos. Ela ressalta que o professor não tem o dever de analisar essa transferência, mas é importante ele saber o que desencadeia em certos alunos atitudes adversas, modelos vinculares arcaicos, seus fantasmas do passado, fazendo com que não se ajustem às situações convenientes de aprendizagem e ao próprio convívio harmônico, tanto na sala de aula, quanto no recreio. O vínculo professor-aluno, os efeitos da relação transferencial e o 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 31/72 assessoramento psicopedagógico Acompanhe uma reflexão sobre o trabalho psicopedagógico preventivo e sua participação na orientação de docentes quanto à relação transferencial de alunos. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 32/72 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O psicopedagogo, ao investigar as informações do contexto escolar, deve levar em conta que a escola representa: Parabéns! A alternativa C está correta. A um espaço que se compromete exclusivamente com o conhecimento acadêmico do estudante. B o local onde o sujeito adquire suas primeiras aprendizagens. C o espaço onde se adquire conhecimentos e há a formação de cidadãos críticos e conscientes. D um ambiente hostil aos sujeitos com problemas de aprendizagem. E o único espaço que garante a relação do sujeito com o objeto de conhecimento. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 33/72 A investigação do contexto escolar na busca da compreensão do sintoma deve levar em conta que a escola é um espaço muito significativo na vida do sujeito, pois é por meio dele que o conhecimento é transmitido socialmente e é também dentro dele que o sujeito estabelecerá suas relações interpessoais, adquirindo não só o conhecimento formal, mas o conhecimento para a vida. Questão 2 Sobre o assessoramento psicopedagógico na instituição escolar, assinale a alternativa correta: Parabéns! A alternativa B está correta. A O assessoramento psicopedagógico na escola corresponde especificamente à formação de professores. B O assessoramento psicopedagógico pode incluir a participação em reuniões, orientação quanto ao ensino-aprendizagem, orientação vocacional e mediação de conflitos. C O assessoramento psicopedagógico escolar é um trabalho solitário, já que a participação de outros profissionais poderia enviesar o raciocínio clínico do psicopedagogo. D O assessoramento psicopedagógicodeve ser exercido no âmbito da gestão escolar, uma vez que seu trabalho é voltado exclusivamente para a organização da estrutura escolar. E O assessoramento psicopedagógico constitui em um trabalho que se preocupa, exclusivamente, em sanar os problemas de aprendizagem na escola. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 34/72 O trabalho de assessoramento psicopedagógico com caráter preventivo permite ao psicopedagogo intervir no contexto escolar a partir da participação na dinâmica da comunidade escolar; orientações quanto à metodologia utilizada no processo de ensino e aprendizagem, fazendo as devidas adequações, quando necessário. Permite também que o psicopedagogo oriente os alunos individualmente ou em grupo quanto à aprendizagem, à profissão e ao comportamento, por meio da mediação de conflitos. 3 - A relação professor-aluno e a motivação na aprendizagem Ao final deste módulo, você será capaz de analisar os aspectos afetivos e emocionais na relação professor-aluno e aspectos motivacionais na aprendizagem. Ligando os pontos Você sabe o que são aspectos afetivos e emocionais na relação professor-aluno? E quais os aspectos emocionais? Vamos ver o caso abaixo. Pedro foi chamado para assumir um cargo de direção de um colégio tradicional que vinha enfrentando alguns problemas. As turmas de ensino médio estavam apresentando problemas de notas, baixa autoestima e pareciam desmotivados, o que era estranho, uma vez que antes esses problemas não eram comuns. Pedro então decidiu fazer reuniões com o corpo docente, com os alunos 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 35/72 e com a comunidade para entender o que ocorria, porém não conseguiu muitas informações. Diversos assuntos eram ligados a vestibular, nível de concorrência com outras escolas, últimos resultados da escola, entre outros. Pedro decidiu, então, chamar um psicopedagogo para o auxiliar na tarefa de entender os problemas que estavam ocorrendo. O psicopedagogo reuniu-se com Pedro, anotou todas as informações e solicitou algumas reuniões. Assim como fez com Pedro, o psicopedagogo reuniu-se com o corpo docente, com a comunidade e com os alunos. Ouviu tudo que todos tinham para falar e ficou algumas semanas assistindo a algumas aulas, observando o recreio e o dia a dia dos alunos. Ao fim de toda a sua análise, o psicopedagogo reuniu-se com Pedro e o informou que estavam ocorrendo alguns problemas: as expectativas sobre as turmas que chegavam ao ensino médio estavam em baixa, devido às últimas turmas não terem ido tão bem nos vestibulares. Os últimos resultados haviam frustrado a comunidade e boa parte do corpo docente, o que também atingia os jovens, que não estavam acreditando em seus potenciais. O psicopedagogo, então, explicou para Pedro sobre a profecia autorrealizadora, sobre a importância da motivação na aprendizagem, destacando a motivação extrínseca e a intrínseca, e apresentando algumas estratégias para promover essa motivação. Após isso, o psicopedagogo, junto com Pedro, reuniu-se com o corpo docente, conversou sobre todos esses pontos e mostrou estratégias para desenvolver a motivação através do modelo Target. Os professores “compraram a ideia” e começaram a desenvolver os pontos levantados. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 36/72 No caso, vimos que o psicopedagogo comenta sobre a profecia autorrealizadora. Se você fosse o psicopedagogo e tivesse que explicar essa profecia ligada à educação, qual das alternativas abaixo você escolheria? Parabéns! A alternativa C está correta. O conceito da profecia autorrealizadora não é algo novo na Psicologia e trouxe diversas discussões ao longo do tempo, a respeito de como a expectativa de uma pessoa pode afetar o comportamento de outra. Os criadores do conceito tinham como objetivo testar que crianças nas quais os professores tinham maior A É uma profecia que diz que precisamos pensar positivo e que, com isso, os problemas vão melhorar. Seria apenas necessário pensar que tudo vai dar certo e ocorrer bem que automaticamente isso aconteceria. B É uma profecia feita no início do ano para a turma toda, em que um professor faz a profecia e todos tem que seguir uma espécie de rito para que ela ocorra. É preciso seguir um método específico para que tudo seja realizado. C É um conceito que já provocou diversas discussões acerca do quanto a expectativa de uma pessoa pode afetar o comportamento de outra pessoa. A profecia traz que, quando se tem expectativa sobre algo, há a mudança de comportamentos que leva a essa realização. D É um conceito novo na Psicologia que ainda não foi estudado e que parte de uma premissa de opinião, em que, ao se acreditar na pessoa, essa pessoa vai caminhar bem, independentemente da situação que esteja inserida. E É um conceito que está em fase de testes em diversas universidades, sendo alvo de elogios e críticas, porém sem estudos ainda publicados e que deem base para as afirmações. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 37/72 expectativa de crescimento intelectual, de fato, mostravam tal progresso. Ela é chamada de profecia autorrealizadora, uma vez que a expectativa, no caso a profecia, acaba se realizando por ela mesma, já que, quando se cria uma expectativa sobre algo, há uma mudança de comportamento que leva a essas realizações. No caso de uma sala de aula, professores podem ter estimulado mais as crianças e, assim, elas terem se sentido mais motivadas. Questão 2 Um outro ponto abordado no caso é sobre a importância da motivação. Sabemos que há dois tipos de motivação: a motivação extrínseca e a motivação intrínseca. Agora, se você fosse o psicopedagogo, qual das motivações escolheria para levar o aluno à aprendizagem? Assinale a alternativa que está totalmente correta. A A intrínseca, porque nela temos a realização de determinada atividade pela própria atividade, ou seja, o aluno compromete-se com a atividade de forma espontânea, a atividade se torna um fim nela mesma, sem ter a expectativa de algo em troca. B A motivação extrínseca, porque sempre precisamos receber algo em troca para podermos fazer algo, logo só fazemos atividade porque precisamos receber nota e, com isso, é a melhor a ser utilizada. C A motivação extrínseca, porque só podemos aprender algo quando somos medidos, ou seja, é com essa motivação que estudamos. Queremos sempre tirar notas boas e tudo funciona com base na recompensa. D A motivação intrínseca, porque ela diz que fazemos algo para obter recompensa, ou seja, só estudamos para tirar notas boas, e nada mais além disso. Sendo assim, essa é a melhor motivação do aluno. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 38/72 Parabéns! A alternativa A está correta. Na motivação extrínseca, o sujeito realizando algo para ter uma recompensa no fim. Na educação, seria o aluno realizar uma atividade para receber uma recompensa no fim dela. Ou seja, tentamos atender comando de outros para agradar outros ou para demonstrar que sabemos algo. É comum vermos isso na escola com alunos que se envolvem em uma atividade para ganhar um ponto ou uma nota boa. Já na intrínseca, o sujeito escolhe realizar uma atividade pela sua própria causa, ou seja, por ela ser interessante ou atraente. Temos nesse estilo de motivação um sujeito que se compromete com a atividade de forma espontânea. Para uma efetiva aprendizagem,a melhor seria a intrínseca. Questão 3 Você deve ter percebido que, ao longo do caso, falou-se em estratégias para promoção da motivação, e uma delas foi a TARGET, “Tarefa, Autoridade, Reconhecimento, Agrupamento, Avaliação e Tempo”. Como você definiria os objetivos das palavras que compõem a expressão Target, a fim de promover a melhoria da motivação? Digite sua resposta aqui Chave de resposta Na tarefa, temos a intenção de aumentar a atração intrínseca das atividades, ou seja, torná-las significativas. Na autoridade, temos a intenção de promover a liberdade para que os estudantes possam fazer escolhas e assumam responsabilidades. No reconhecimento, temos a promoção de oportunidades para que todos sejam reconhecidos pela aprendizagem, enfatizando o esforço. No agrupamento, temos a construção de um ambiente de aceitação e de apreciação para os estudantes. Na avaliação, trata-se a avaliação como parte do processo de ensino e aprendizagem. Por E A motivação extrínseca, que diz que fazemos algo por fazer, ou seja, nos comprometemos com a atividade de forma espontânea. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 39/72 fim, no tempo, temos a utilização de tarefas de aprendizagem para a organização da agenda. Vamos começar! Este módulo visa apresentar aspectos afetivos e emocionais que envolvem o processo de aprendizagem do sujeito. Para isso, iniciaremos com a discussão sobre a relação professor-aluno. Em seguida, apresentaremos o conceito de profecia autorrealizadora, o qual corresponde às expectativas que são confirmadas dos professores com relação aos seus alunos e que podem trazer consequências para a relação que eles estabelecem com o objeto de aprendizagem. Por fim, mencionaremos orientações para otimizar a relação professor-aluno por meio de estratégias que levam à motivação do aluno para aprender. A relação professor-aluno A aprendizagem dos alunos é algo esperado por pelos professores. Quando o aluno não aprende ou apresenta alguma dificuldade, o professor se depara com uma situação que envolve muitas questões, dentre elas afetiva e emocional. Isso ocorre porque o motivo dessa não aprendizagem, quando não é transferida para o aluno ou sua família, recai sobre a escola e o professor. O problema de aprendizagem é multifatorial, muitas vezes atrelado a questões relacionadas à escola, à família ou ao próprio sujeito. É fato que há elementos dessa problemática que influenciam os problemas de aprendizagem dos alunos, mas não se deve procurar culpados, pois isso 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 40/72 não resolveria a situação. É preciso, sim, discutir esses elementos para que o aluno tenha um ambiente saudável, tanto na família como na escola, que o motive a aprender. Quando os professores são questionados sobre o motivo do não aprendizado, é comum ouvirmos apontamentos sobre questões que envolvem dois aspectos: o próprio indivíduo e os aspectos familiares. Veja: Indivíduo Baixo nível cognitivo, falta de atenção, mau comportamento. Aspectos familiares Pais que não se preocupam, não ajudam nas tarefas, não acompanham a vida escolar do filho. Assim, o aluno e a própria família são culpabilizados pelo fracasso escolar, o que, além de isentar a responsabilidade do professor, justifica, muitas vezes, a falta de insistência em pensar alternativas para que esse aluno aprenda. Na escola, é comum ouvir a frase: “Ah, esse menino não aprende de jeito nenhum. A família não se importa e ele tem uma dificuldade interna, não aprende, então nem adianta eu fazer mais nada, já desisti”. No entanto, é fato também que há muitos professores comprometidos, os quais, na maioria das vezes, são os que primeiro percebem os sinais da não aprendizagem e passam a orientar a família a procurar ajuda, seja de um médico, psicólogo, fonoaudiólogo ou psicopedagogo. As condições dos professores, em nosso país, ainda que precárias, mantém um corpo docente que idealiza a educação como a porta da esperança para um país melhor. Dica É preciso que você faça uma análise crítica e honesta de todos os pontos tratados, sem fazer generalizações ou procurar culpados. O intuito aqui é discutir questões que, infelizmente, se apresentam na realidade e que influenciam no trabalho do psicopedagogo, por isso a importância de discutir essas questões sempre de forma ética e com parcimônia, reconhecendo que nem todos os professores tomam tais atitudes, mas que essas atitudes existem. 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 41/72 A profecia autorrealizadora A relação professor-aluno é muito poderosa. Essa relação é a responsável pela mediação entre o objeto, no caso o conteúdo, e o sujeito, no caso o aluno. Nessa relação, encontram-se expectativas que podem influenciar a aprendizagem do aluno. O conceito de profecia autorrealizadora já provocou inúmeras discussões ao longo do tempo a respeito do quanto a expectativa de uma pessoa pode afetar o comportamento de outra. Segundo De Britto e Lomonaco (1983), os pioneiros a evidenciar cientificamente essa questão foram Rosenthal e Jacobson em 1968. O objetivo dos autores era testar a hipótese de que, em situação escolar, aquelas crianças das quais os professores esperam um maior crescimento intelectual, realmente mostram tal progresso. Foi dito às professoras, como justificativa do estudo, que era preciso aplicar um teste para avaliar o desempenho acadêmico dos alunos. Após o teste, em cada uma das 18 classes, cerca de 20% das crianças foram escolhidas de forma aleatória e indicadas para as suas professoras como potencialmente capazes de rápido desenvolvimento intelectual, a partir dos resultados do teste. Os autores apresentaram, inclusive, os nomes das crianças, de forma intencional. A experiência consistiu, exatamente, no fato de indicar as crianças para as professoras como sendo aquelas das quais poderiam se esperar progressos rápidos até o final do ano. Assim, a diferença entre as crianças do grupo experimental (crianças indicadas para as professoras) e as crianças do grupo controle (todas as outras crianças que não foram indicadas), estava apenas na mente das professoras. Após 4 meses, ao final do ano escolar, todas as crianças responderam novamente ao teste. Os resultados, de maneira geral, apontaram que as 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 42/72 crianças que foram indicadas e que as professoras esperavam melhores resultados intelectuais, realmente mostraram tal progresso! Após esse estudo, muitos outros foram feitos, alguns refutando essa hipótese, mas a maioria confirmando os resultados de Rosenthal e Jacobson. É por isso que foi chamado de “profecia autorrealizadora”, pois a expectativa, no caso a profecia, acaba sendo realizada por ela mesma. Isso ocorre porque, quando se cria expectativa sobre algo, há a mudança de comportamento que leva a essa realização. No caso da sala de aula, as professoras podem ter dado mais atenção a essas crianças indicadas, podem ter estimulado mais, fazendo com que as crianças se sentissem motivadas, dispendessem mais esforços, sendo consequentemente mais persistentes na realização das tarefas, obtendo bons resultados. Sendo assim, a profecia autorrealizadora nada mais é que: Profecia esperada Ação Nesse sentido, cabe aqui um alerta para as expectativas que criamos sobre as pessoas, não só com relação aos alunos, mas também sobre os pacientes em atendimento. Por isso, é importante que tanto professores quanto psicopedagogos saibam que as informações coletadas a partir de terceiros, seja por meioda família ou da escola, não são suficientes para definir ou rotular 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 43/72 quem é esse sujeito. É preciso que o profissional obtenha as informações, mas seja neutro e livre de julgamentos, para analisar o desempenho ou comportamento real do sujeito. Motivação e aprendizagem A origem etimológica da palavra motivação vem do verbo latino movere e do latim tardio motivum, que deram origem ao termo “motivo”. Assim, genericamente, a motivação é aquilo que move uma pessoa, que a põe em ação ou a faz mudar o curso. A motivação tem sido entendida ora como um fator psicológico, ora como um processo. De qualquer forma, há um consenso de que a motivação leva a uma escolha, instiga, move um comportamento destinado a um objetivo. Pare para pensar em tudo o que você faz, e perceba que, ainda que tenha todas as condições, você só faz aquilo que lhe motiva ou, pelo menos, aquilo que tem um motivo importante por trás. E quando digo isso, você deve também pensar: “Nem tudo, há coisas que faço por obrigação, ainda que não esteja motivado!”. E é aqui que reside o engano. Estar motivado ou ter motivação para algo não significa, necessariamente, que você está feliz, ou que você gosta do que está fazendo. Ter motivação para fazer algo, ainda que seja por obrigação, significa que algo o moveu para que você iniciasse essa ação. Além disso, a motivação não só move sua ação, como também assegura a persistência, ou seja, mantém o foco na ação mesmo que apareçam obstáculos ou motivos concorrentes que tentam interromper ou mudar o curso de ação. Exemplo 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 44/72 Uma pessoa dispõe de certos recursos pessoais que são: tempo, energia, talento, conhecimento, habilidades, que poderão ser investidos em atividades. Esse investimento pessoal será direcionado para a atividade escolhida e será mantido enquanto os fatores motivacionais estiverem atuando. Dessa forma, conclui-se que qualquer tipo de atividade necessita de motivação para ser cumprida com primazia. No contexto escolar ou no consultório psicopedagógico não é diferente! As atividades relacionadas à aprendizagem necessitarão de motivação, assim como quaisquer outras atividades, como esporte, lazer, trabalho profissional. Porém, tais atividades também demandarão do sujeito um esforço cognitivo que envolve atenção, concentração, processamento, elaboração, planejamento, raciocínio, resolução de problemas. Além disso, quando se trata do contexto específico de sala de aula, essas atividades que devem ser realizadas pelo sujeito geralmente estão ligadas a um currículo obrigatório, sem direito de escolha, os conteúdos são variados, extensos, abstratos e, por mais que sejam relevantes, às vezes tal relevância não é clara para o aluno. Nessa situação, a motivação precisa ser constantemente ativada, pois os obstáculos são grandes, ainda que no início a atividade seja de interesse do aluno. Por fim, existe também a avaliação e as relações estabelecidas dentro do contexto escolar que podem trazer implicações de natureza socioemocional. Para compreender como ativar a motivação dentro desse contexto, vamos conhecer os tipos de motivação, segundo Guimarães (2009): Motivação extrínseca A motivação extrínseca é aquela que o sujeito faz para obter algo externo à tarefa ou atividade, como receber recompensas 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 45/72 materiais ou sociais, de reconhecimento, objetivando atender aos comandos ou pressões de outras pessoas, para agradar o outro ou para demonstrar habilidades e competências. Exemplo: o aluno se envolve com a atividade porque quer ganhar nota alta, elogios ou prêmios. Motivação intrínseca A motivação intrínseca refere-se à escolha e realização de determinada atividade por sua própria causa, por ela ser interessante, atraente ou, de alguma forma, geradora de satisfação. Nesse caso, o sujeito se compromete com a atividade de forma espontânea, de forma individual e autotélica, ou seja, a atividade é um fim em si mesma. Exemplo: o aluno faz a atividade porque sente prazer em fazê-la e se diverte enquanto a executa, sem expectativa de algo em troca. Atividade discursiva Agora que você já sabe os dois principais tipos de motivação, cabe a pergunta: qual motivação é melhor para levar o aluno à efetiva aprendizagem? 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 46/72 Digite sua resposta aqui Chave de resposta A motivação intrínseca é a resposta! Mas não é o que costumamos perceber em nosso cotidiano, não é mesmo? Até porque nós mesmos somos conduzidos a todo momento a nos motivar de forma extrínseca, como trabalhar para ganhar o salário, para se divertir ou para viajar. Na escola, a preocupação, tanto dos alunos quanto das famílias, muitas vezes, é com relação à avaliação, às notas alcançadas, já que isso ainda é muito valorizado socialmente. O fato é que, em muitos casos, os recursos disponíveis para a motivação extrínseca não são suficientes, o que leva o sujeito a ficar desmotivado, ocasionando inúmeros problemas socioemocionais que afetarão não só a aprendizagem, mas o comportamento como um todo. Portanto, é preciso que o profissional tenha perspicácia em despertar a motivação intrínseca do sujeito para aprender, o que muitas vezes é difícil, visto que sujeitos com problemas de aprendizagem geralmente apresentam uma história de fracasso que envolve variáveis que dificultam esse processo de ativar a motivação. No entanto, há estratégias que podem ser aplicadas para que o sujeito desenvolva a motivação para a meta de aprender. Seguem aqui algumas dessas estratégias para o contexto escolar a partir do modelo TARGET, 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 47/72 por área, para promoção da motivação do estudante, segundo Guimarães (2009, p. 82): Tarefa Foco de atenção: O planejamento e a estrutura das atividades que os estudantes são solicitados a fazer Objetivo: Aumentar a atração intrínseca das atividades, torná-las significativas, despertar a curiosidade, desafio, fantasia e proporcionar controle. Autoridade / Autonomia Foco de atenção: A participação dos estudantes nas decisões sobre a escola e a aprendizagem Objetivo: Promover liberdade adequada para os estudantes fazerem escolhas e assumirem responsabilidades. Reconhecimento (valorização) Foco de atenção: A natureza e o uso do reconhecimento e atribuição de recompensas na situação escolar Objetivo: Promover oportunidades para que todos os estudantes sejam reconhecidos pela aprendizagem, enfatizar o esforço e o progresso na obtenção de uma meta, a busca de desafios e inovações. Agrupamento F d ã A i ã d di 19/06/25, 19:20 O atendimento psicopedagógico e suas interfaces https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04859/index.html?brand=estacio# 48/72 As estratégias mencionadas foram pensadas para o contexto escolar e servem tanto para que os professores sejam orientados a executar, como também pode-se adaptar tais estratégias para o contexto clínico de aprendizagem. É fato que o ambiente clínico traz uma vantagem em relação ao ambiente de sala de aula, pois na clínica o sujeito é colocado de forma individual frente ao objeto de aprendizagem, o que exclui muitas variáveis que podem interferir na relação com esse objeto. Foco de atenção: A organização da aprendizagem e das experiências escolares Objetivo: Construir um ambiente de aceitação e apreciação