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Herança Jacente Conceito – Art.1.819, CC Se uma pessoa falece e não deixa testamento e não haja conhecimento da existência de algum herdeiro, os bens deste serão arrecadados e ficarão sob a guarda da administração de um curador que seja devidamente habilitado ou à declaração de sua vacância. ● Tem como fundamentação impedir que os bens pereçam e como objetivo entregar estes aos herdeiros ou declarar vacância. A jacência é uma fase do processo → transitoriedade. a) Procedimento – Arts. 738 a 743, CPC Arrecadação – Art. 1.820, CC e art.738, CPC Arrecadação Pelo Juiz – Art.740, CPC Juiz ordena que o oficial de justiça, acompanhado do escrivão ou chefe de secretaria e do curador, arrole bens e descreva-os em auto circunstanciado. Arrecadação Pela Autoridade Policial – Art.740, §1º, CPC Não podendo estes comparecer ao local, o juiz pode requisitar uma autoridade policial que proceda à arrecadação e ao arrolamento dos bens, com 2 testemunhas que vão assistir às diligências. §2° → Se ainda não tiver curador nomeado, o juiz vai designar um depositário e lhe entregará os bens, mediante simples termo nos autos, depois de compromissado. Importância dos Vizinhos – Art.740, §3º, CPC O juiz ou autoridade policial vai interrogar os moradores da casa e da vizinhança sobre a qualificação do falecido, paradeiro de seus sucessores e a existência de outros bens, lavrando-se de tudo auto de inquirição e informação. §4º → O juiz vai analisar reservadamente os papéis, cartas missivas (escritas) e os livros domésticos, e se ele verificar que não existe interesse, mandará empacotá-los e lacrá-los para que se entregue aos sucessores ou queimados quando for declarado vacante. §5° e §6° → o juiz vai mandar expedir carta precatória se houver existência de bens em outra comarca; a arrecadação não será feita ou será suspensa quando - apresentar-se o cônjuge ou companheiro, herdeiro ou testamenteiro, notoriamente reconhecido e não houver oposição das outras partes no processo (curador, MP ou representante da Fazenda Pública). Curador – Art.1.819, CC Pode ser nomeado um para que os bens fiquem sob sua guarda. - Remuneração/Responsabilidade (art.159 a 161, CPC): ➔ Guarda e conservação dos bens arrecadados → confiadas ao depositário ou administrador; ➔ O depositário ou administrador perceberá remuneração que o juiz fixará levando em conta a situação dos bens, ao tempo do serviço e às dificuldades de sua execução; ➔ Juiz pode nomear 1 ou mais prepostos → indicação do depositário ou administrador; ➔ Se por dolo ou culpa o depositário ou administrador causar prejuízo à parte: perde a remuneração, mas tem direito de haver o que legitimamente despendeu no exercício do encargo; ➔ Depositário Infiel: responde civilmente pelo prejuízo causado, sem prejuízo de sua responsabilidade penal e da imposição de sanção por ato atentatório à dignidade da justiça. - Art.739, CPC – Vai incumbir ao curador: ➔ Representar a herança em juízo ou fora dele → com intervenção do MP; ➔ Ter em boa guarda e conservação os bens arrecadados e promover arrecadação de outros existentes; ➔ Executar medidas conservatórias dos direitos da herança; ➔ Apresentar ao juiz balancete da receita e da despesa; ➔ Prestar conta ao final de sua gestão. Editais – Art. 1.820, CC e art.741, CPC Vai ser expedido o edital depois de praticada as diligências e ultimado o inventário. (Explicado no quadro acima) - Art.741, CPC ➔ Será publicado: ➢ Na rede mundial de computadores; ➢ No sítio do tribunal a que estiver vinculado o juízo; ➢ Na plataforma dos editais do Conselho Nacional de Justiça. ➔ Vai permanecer por 3 meses, se não havendo sítio no órgão oficial da comarca, vai ser publicado 3 vezes com intervalos de 1 mês (30 dias), para que os sucessores possam se habilitar no prazo de 6 meses contado da primeira publicação. Habilitação dos Herdeiros no Período de Jacência – arts. 687 a 692, CPC Ocorre quando os interessados houverem de suceder, do falecido, no processo. Esta pode ser requerida: - Pela parte → em relação aos sucessores do falecido; - Pelos sucessores do falecido → em relação à parte. Art.689 e 690, CPC: deve proceder a habilitação nos autos do processo principal, na instância em que estiver e, a partir disso, suspender o processo. O juiz recebendo a petição, ele ordenará a citação para que se pronunciem no prazo de 5 dias (a citação será pessoal se a parte não tiver procurador constituído nos autos). O juiz decidirá o pedido de habilitação imediatamente, SALVO: - Se for impugnado, havendo necessidade de dilação probatória diversa da documental (extensão de prazos processuais para a produção de provas que não sejam documentais); ● Nesse caso o pedido será lavrado em separado e vai dispor sobre a instrução. - Transitou em julgado a sentença de habilitação, o processo principal volta ao seu curso e a cópia da sentença vai ser juntada aos autos respectivos. Art.741, §§1°, 2° e 3° CPC → Se for verificada a existência de sucessor ou testamenteiro em lugar certo, vai ser feita a citação destes sem prejuízo do edital. Se o falecido for estrangeiro, deve comunicar o fato à autoridade consular. Sendo julgada a habilitação do herdeiro, reconhecendo a qualidade do testamenteiro ou provada a identidade do cônjuge ou companheiro, a arrecadação vai se converter em inventário. Credores – Art. 741, §4º, CPC c/c 1.821, CC Os credores da herança podem se habilitar como nos inventários ou propor ação de cobrança, sendo assegurado a estes o direito de pedir o pagamento das dívidas reconhecidas, no limite das forças da herança. Herança Vacante Conceito Essa será declarada quando, ao passar 1 ano da publicação do primeiro edital e não houver habilitação ou penda habilitação dos herdeiros. - Requisitos: arrecadar a herança jacente e cumprimento de prazos; - Deve aguardar as sentenças nas habilitações pendentes. ● Renúncia de Todos os Herdeiros: se todos os herdeiros renunciarem a herança, não vai haver a fase de jacência, será declarada vacante desde logo. (art.1.823, CC) A herança será passada ao Poder Público: Município, Distrito Federal e União. Porém, não transfere de modo definitivo, e sim, propriedade resolúvel, ou seja, é temporária e condicionada, pois, mesmo vacante, permanecerá aguardando por algum tempo, a oportunidade da ação de petição de um possível herdeiro. Essa declaração, não vai prejudicar os herdeiros que legalmente se habilitarem, mas, decorridos 5 anos contados da abertura da sucessão, os bens que foram arrecadados passarão a ser de domínio do Município ou do Distrito Federal, quando situados em território federal. (art.1.822, CC) Depois que transitada em julgada a sentença que declara a vacância, o cônjuge, companheiro, herdeiros e credores, só poderão reclamar seus direitos por ação direta. (art.743, §2º, CPC) Art. 1.822, p.u, CC: ficam excluídos da sucessão os colaterais que não se habilitarem até a declaração de vacância. Efeitos da Vacância a) Cessão Dos Devedores do Curador – Art.739, CPC A herança ficará sob a guarda do curador até a entrega do sucessor legalmente habilitado ou até a declaração de vacância. Depois que é declarada a vacância, o curador fica obrigado a entregar a herança para o Poder Público quando completado 1 ano da publicação do 1º edital. (art.739 e 743, CPC) b) Propriedade Resolúvel do Poder Público – Art. 1.359, CC Propriedade Resolúvel: é quando o título aquisitivo (bem móvel/imóvel) está subordinado a uma condição resolutiva ou advento do termo. O art.1.359 do CC garante que quando a propriedade resolúvel e os direitos reais sejam resolvidos, os direitos sobre ela se extinguem, e o proprietário original pode recuperar a propriedade. - Condição na Propriedade Resolúvel: cláusula subordina a resolução da propriedade a um evento futuro e incerto. - Termo na Propriedade Resolúvel: este subordina a resolução da propriedadea um evento futuro e certo. Ele é inexorável e sempre vai ocorrer, ao passo que a condição é falível. ● A propriedade se extingue com o implemento da condição ou advento do termo. c) Colaterais Afastados da Herança – art. 1.822, § único, CC Após a declaração de vacância, os colaterais ficam excluídos da sucessão. É obrigação do Poder Público, após 5 anos, aplicar o patrimônio em fundações destinadas ao desenvolvimento do ensino universitário. É possível que haja habilitação dos herdeiros necessários nos 5 anos seguintes à abertura da sucessão. ● DL 8.207/45 → revogado , ver Lei 8.049/90. - Art.1.594: igual o 1.822 do CC. - Art.1.603: sucessão legítima defere-se na seguinte ordem → Município, Distrito Federal e União. - Art.1.619: não sobrevivendo cônjuge, nem parente algum sucessível, ou tendo eles renunciado à herança, esta se devolve ao Município ou ao Distrito Federal, se localizada nas respectivas circunscrições, ou à União, quando situada em território federal. Depois de declarada a vacância e antes de completar 5 anos da abertura da sucessão, os herdeiros necessários podem pleitear seu direito sucessório através da ação de petição de herança (art.1.824, CC) ● Art.1.822, CC: a arrecadação definitiva dos bens pelo Poder Público vai ocorrer após 5 anos da abertura da sucessão. Sucessão Legítima Art.1.829, CC De acordo com o art.1.786 do CC, a sucessão se dá por lei ou testamento. Se o de cujus não deixar testamento, o art.1.788 diz que a herança vai ser transmitida para os herdeiros legítimos, o mesmo vai acontecer quando os bens não forem compreendidos no testamento, se o testamento caducar ou for julgado nulo. CARACTERÍSTICAS - Hereditariedade: tem que ter vocação hereditária; - Legalidade: lei; - Universalidade: totalidade dos bens do falecido; - Subsidiariedade: só se aplica quando não há testamento. Herdeiros Necessários São os descendentes, ascendentes e cônjuge, sendo todo parente em linha reta não excluído da sucessão por indignidade ou deserdação (art.1.845, CC). Vale lembrar, que todo herdeiro necessário é um herdeiro legítimo, mas nem todo herdeiro legítimo é necessário. Art.1.846, CC: pertence a estes herdeiros a metade dos bens da herança, constituindo a legítima. a) Forma de Calcular a Legítima – art.1.847, CC Vai ser calculado a legítima SOBRE o valor dos bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral. Em seguida, adicione o valor dos bens sujeitos à colação. O herdeiro necessário ainda terá direito à legítima, que é a metade dos bens que o testador não pode dispor livremente, mesmo que o testador deixe a parte disponível (que é aquela que ele pode dispor) para um herdeiro necessário (art.1.849, CC). - Art.1.789, CC: se houver herdeiro necessário, o testador pode dispor somente da metade da herança. Rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC Ordem da Vocação Hereditária: trata-se de uma relação preferencial, onde a lei chama determinadas pessoas. Vai seguir a seguinte ordem: 1º Descendentes 2º Ascendentes 3º Cônjuge Sobrevivente Colaterais Em concorrência com o cônjuge, SALVO: Se o cônjuge for casado em regime de comunhão universal ou separação obrigatória de bens; Se casado no regime de comunhão parcial de ben: não houver bens particulares. Em concorrência com o cônjuge. Sem concorrência, sucessão por inteiro (art.1.838, CC). Art.1.830, CC: o direito de sucessão a este vai ser reconhecido se caso: Ao tempo da morte do outro, não eram separados judicialmente, nem separados de fato há mais de 2 anos, SALVO, se provar que essa convivência se tornara impossível, sem culpa do sobrevivente. Sem concorrência. Se não for seguida essa ordem, será considerada anômala ou irregular. Art.1.831, CC: ao cônjuge sobrevivente, independente de qual seja o regime de bens e sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativo ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. ● Inciso I: - Art.1.832, CC: havendo concorrência, cabe ao cônjuge quinhão igual aos que sucederem por cabeça, não podendo sua quota ser inferior à quarta parte da herança se este for ascendente do que concorrer. - Art.1.833, CC: entre os descendentes, os de grau mais próximo excluem os mais remotos, SALVO, o direito de representação. (ex: o neto que é parente em linha reta e descendente, exclui o genitor do falecido). - Art.1.834, CC: os descendentes da mesma classe têm o mesmo direito dos seus ascendentes. - Art.1.835, CC: aqui os filhos sucedem por cabeça e os outros descendentes sucedem por cabeça ou por estirpe (representação), conforme se acharem ou não no mesmo grau. ● Inciso II: - Art.1.836, CC: são chamados a suceder na falta de descendentes. - §1º: os de grau mais próximo excluem os mais remotos, sem distinção de linhas. - §2°: igualdade em grau e diversidade em linha → ascendentes da linha paterna herdam metade e a outra metade herdam a da linha materna. - Concorrência com Cônjuge (art.1.837, CC): ao cônjuge caberá ⅓ da herança; vai caber a metade da herança se caso houver apenas um ascendente ou se maior for aquele grau. ● Inciso IV: - Art.1.839, CC: os colaterais sucedem até o 4° grau. - Art.1.840, CC: Os mais próximos excluem os mais remotos, SALVO, direito de representação concedido aos filhos dos irmãos. Art.1.790, CC: formas de concorrência com companheiro(a). Este participará da sucessão do outro, quando os bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas seguintes condições: I. Concorrer com filhos comuns: têm direito a uma quota equivalente ao que for atribuído por lei para os filhos; II. Concorrer com descendentes só do autor: têm direito a metade da herança que tocar a cada um dos descendentes; III. Concorrer com outros parentes sucessíveis: têm direito à ⅓ da herança; IV. Não tem concorrência: totalidade da herança. Este artigo foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu, pela inconstitucionalidade do artigo 1.790 do Código Civil, o qual sustenta diferenciação entre cônjuge e companheiro, no que tange à sucessão hereditária. O Ministro Barroso firmou a seguinte tese acerca do tema: “No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado em ambos os casos o regime estabelecido no artigo 1.829 do CC/02” Sucessão Anômala ou Irregular Situações: Sucessão Estrangeira (art.10, §1º, LINDB; art.5º, XXXI, CF): bens estrangeiros situados no país serão regulados pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou filhos brasileiros (sempre que não for mais favorável a lei pessoal “de cujus”). Art.1.831, CC. (já comentado acima) Relação de Parentesco – Art.1.591 a 1.594, CC - Linha Reta: descendentes e ascendentes. Conta-se os grau de parentesco pelo número de gerações; - Linha Colateral: até o 4º grau. Costa-se pelo número de gerações, subindo de um dos parentes até os ascendentes comum e descendo até encontrar o outro parente; - Natural/Civil: consanguíneos ou outra origem. Art.1.595, CC Cônjuge ou companheiro → aliado aos parentes por afinidade. - Parentesco por Afinidade: limita-se aos ascendentes, descendentes e irmãos do cônjuge/companheiro. (§1°) - Na linha reta a afinidade não vai se extinguir com a dissolução do casamento ou união estável. (§2°) Classificação dos Herdeiros a) Herdeiros Legítimos - Necessários: descendentes, ascendentes e cônjuge. - Não Necessários ou Facultativos: colaterais. Fazenda Pública: sendo arrecadada a herança, a Fazenda Pública é sucessor obrigatório (não tendo nenhum herdeiro → vacância). Classe de Herdeiros (art.1.829, CC) ascendentes → descendentes → cônjuges → colaterais. Ordem de Prejudicialidade -Art.1.833, CC, art.1.836, §1º, CC e art.1.840, CC: mais próximos excluem os mais remotos (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Doutrinadores divergem em relação ao companheiro ser herdeiro necessário, uns dizem que são e outros dizem que não, porém, o Código Civil não arrola o companheiro como herdeiro necessário, sendo somente os descendentes, ascendentes e cônjuge (art.1.845, CC). Concorrência Sucessória – Art.1.829, CC - (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Modos de Suceder X Modos de Partilhas Modo de Suceder - Por Direito Próprio: sucessão por cabeça, ocorre quando um herdeiro herda diretamente do falecido, sem a necessidade de representar outro parente (ex: filho que herda do pai). - Por Representação (art.1.851 a 1.853, CC): a lei chama certos parentes a suceder a herança, sendo somente na linha reta os descendentes, na linha transversal os filhos de irmãos do falecido (nunca na linha dos ascendentes). - Por Transmissão (art.1.809, CC): se um dos herdeiros falece antes de aceitar a herança, o direito de aceitar passa para os outros herdeiros, a menos que se trate de vocação adstrita a uma condição suspensiva, ainda não verificada. Modo de Partilhas - Por Cabeça → direito próprio; - Por Estirpe → representação (art.1.854, CC); - Por Linhas → art.1.829 a 1.840, CC. Meação X Herança Meação: instituto do Direito de Família que tem sua previsão na parte do direito patrimonial. Trata-se da metade ideal do patrimônio comum do casal, o que faz jus a cada um dos cônjuges. Herança: relativa ao regime de bens e sua extinção. É o conjunto de bens, direitos e obrigações que uma falecida deixa para seus herdeiros. O direito à herança é o instituto do Direito das Sucessões que depende do evento morte. Regime de Bens – Como vai Funcionar: Comunhão Parcial (arts. 1.658 a 1.666, CC) Exemplo Do Regime De Comunhão Parcial: - Bens do Marido: R$123.000,00 - Bens da Esposa: R$108.000,00 - Bens Comuns: R$142.000,00 . 2 = R$71.000,00 (meação de cada um) Total do Marido: R$123.000,00 + R$71.000,00 = R$194.000,00 Total para Esposa: R$108.000,00 + R$71.000,00 = R$179.000,00 Aquestos (arts. 1.672 a 1.686, CC) Comunhão Universal (arts. 1.667 a 1.671, CC) Separação de Bens Haverá esse regime quando for obrigatório a separação de bens e pode ser que seja convencional (arts. 1.687 a 1.688, CC). Os bens do marido e da esposa, antes e depois do casamento, vão continuar sendo de cada um, se não houver bens comuns. Sucessão dos Descendentes – Art. 1.829, I do CC Eles são herdeiros por excelência e necessários (art.1845, CC), são chamados a suceder por direito próprio e em primeiro lugar, herdando em qualquer grau. - Art.227, §6º, CF: Princípio da Igualdade → no mesmo grau todos herdam em igualdade de condições. - Sucedem ad infinitum (sucessão sem limites). Art.1833, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Art.1835, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) A herança com filhos pré-morto (morreu antes) se dará da seguinte forma: Herança do de cujus (pai): R$80.000,00 2 filhos pré-morto: Amanda e Bia Amanda: tem 2 filhos Carol e Daisy (netas do de cujus) Bia: tem 3 filhos Eduardo, Fabiana e Gabriel (netos do de cujus) Os R$80.000,00 vai ser dividido 100% entre os 5 netos. R: R$80.000,00 . 5 = R$16.000,00 para cada neto (20% – ⅕) A herança com apenas 1 filho pré-morto se dará da seguinte forma: Herança do de cujus: R$80.000,00 Amanda: pré-morto e tem 2 filhos a Carol e Daisy (netas do de cujus) Bia: viva e tem 3 filhos o Eduardo, Fabiana e Gabriel (netos do de cujus) Os R$80.000,00 vai ser dividido entre a Bia, recebendo 50% e a Carol e Daisy, filhas da Amanda, recebendo 50% também por representação (partilha por estirpe). R: R$80.000,00 . 2 (1 Bia – 1 Carol e Daisy) = R$40.000,00 (50%) R$40.000,00 . 2 (Carol e Daisy) = R$20.000,00 para Carol e Daisy (25%) ● Esse método vai funcionar do mesmo jeito para casos de deserdação e indignidade. A herança com 1 filho renunciante (os 2 vivos) se dará da seguinte forma: Herança do de cujus: R$80.000,00 Amanda: 2 filhos → Carol e Daisy Bia: 3 filhos → Eduardo, Fabiana e Gabriel (RENUNCIOU) R: Os R$80.000,00 serão entregues somente para Amanda (100%). Eduardo, Fabian e Gabriel não terão direito à representação (art.1.811, CC). Concorrência com Cônjuge Art.1.829, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Art.1.830, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Regime de Bens Na morte de um dos cônjuges, o 1º passo é determinar o valor da meação de cada um. Depois deve mensurar o valor da herança do cônjuge falecido, pois a meação do cônjuge sobrevivente não faz parte da herança. HIPÓTESES DE CONCORRÊNCIA DO CÔNJUGE SOBREVIVENTE HIPÓTESES DE NÃO CONCORRÊNCIA DO CÔNJUGE SOBREVIVENTE - Participação final nos aquestos; - Separação Convencional de Bens: não é unânime; - Comunhão parcial: se existir bens particulares do de cujus. - Comunhão universal; - Separação obrigatória de bens (art.1.641, CC); - Comunhão parcial sem bens particulares do de cujus. Na COMUNHÃO UNIVERSAL Casal: Ana e Edu Falecido: Edu Filhos: Tom e Tim Bens comuns: R$140.000,00 - Meação da esposa (Ana): R$70.000,00 - Meação do marido (Edu): R$70.000,00 ● Herança do Edu: R$70.000,00 Meação de Ana: R$70.000,00 (não tem direito à herança) A herança de Edu (R$70.000,00) vai ser dividida 100% entre os 2 filhos. - R$70.000,00 . 2 = R$35.000,00 (50% para cada) Na Comunhão Parcial SEM BENS PARTICULARES Casal: Ana e Edu Falecido: Edu Filhos: Tom e Tim Bens comuns: R$140.000,00 - Meação da esposa: R$70.000,00 - Meação do marido: R$70.000,00 ● Herança de Edu: R$70.000,00 Meação de Ana: R$70.0000,00 (não tem direito a herança) A herança de Edu(R$70.000,00) vai ser dividida 100% para os dois filhos, Tom e Tim. - R$70.000,00 . 2 = R$35.000,00 (50% para cada) Na Comunhão Parcial COM BENS PARTICULARES Casal: Ana e Edu Falecido: Edu Filhos: Tom e Tim Bens particulares da Esposa: R$82.000,00 Bens particulares do marido: R$75.000,00 Bens Comuns: R$140.000,00 . 2 = R$70.000,00 (meação de cada cônjuge) Total do marido: R$70.000,00 + R$75.000,00 = R$145.000,00 Total da esposa: R$70.000,00 + R$82.000,00 = R$152.000,00 ● Herança de Edu: R$145.000,00 1ª CORRENTE: ENUNCIADO 270 CJF/STJ Ana terá direito à herança (art.1.829, I, CC), sendo assim, ela vai ser dividida em entre os filhos (Tom e Tim) e a esposa (concorrência). Bens Comuns (Tom e Tim): R$70.000,00 . 2 = R$35.000,00 (50%) Bens Particulares (Ana, Tom e Tim): R$75.000,00 . 3 = R$25.000,00 (25% para cada - ⅓) Resultado do quinhão de cada: - Tom: R$35.000,00 + R$25.000,00 = R$60.000,00 - Tim: R$35.000,00 + R$25.000,00 = R$60.000,00 - Ana: R$25.000,00 (esse é somente o valor do que ela vai participar na herança) 2ª CORRENTE: MINORITÁRIA A herança (R$145.000,00) será dividida entre os 3 (Ana, Tom e Tim), ficando: - Quinhão de Ana: R$48.333,33 - Quinhão de Tom: R$48.333,33 - Quinhão de Tim: R$48.333,33 3ª CORRENTE: BERENICE DIAS A herança (R$145.000,00) será dividida da seguinte forma: - Meação de Edu: R$70.000,00 . 3 (Ana, Tom e Tim) = R$23.333,33 - Bens Particulares: R$75.000,00 . 2 (Tom e Tim) = R$37.500,00 - Quinhão de Ana: R$23.333,33 - Quinhão de Tom: R$23.333,33 + R$37.500,00 = R$60.833,33 - Quinhão de Tim: R$23.333,33 + R$37.500,00 = R$60.833,33 O cônjuge sobrevivente que é casado no regime de comunhão parcial de bens, se o de cujus deixou bens particulares e comuns, ele vai ocorrer com os descendentes somente no patrimônio particular. (Enunciado nº270 do CJF/STJ – art.1.829, I, CC) – 1º corrente é a aplicada. Aos FilhosComuns – art.1.832, CC De acordo com o art.1.832 do CC, o cônjuge cabe quinhão igual aos dos que sucederem por cabeça (descendentes), não podendo sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros que concorrer. Casal: Gil e Paula (Gil é o falecido) Filhos: Klaus, Brenda, Ado e Elba A herança de Gil no total é de R$175.000,00. - Meação: R$100.000,00 + Bens Particulares: R$75.000,00 A meação será dividida somente entre os filhos e os bens particulares serão divididos entre Paula e os filhos, tendo Paula a reserva de ¼. - Quinhão de Paula: R$75.000,00 . 4 = R$18.750,00 - Dos filhos: 1. BENS PARTICULARES (¾): ● R$18.750,00 x 3 = R$56.250,00 ● R$56.250,00 . 4 = R$14.062,50 (valor para cada um) 2. MEAÇÃO (¼, somente filhos): ● R$100.000,00 . 4 = R$25.000,00 ➢ Quinhão de cada filho: R$14.062,50 + R$25.000,00 = R$39.062,50 Filiação Híbrida – 2 Comuns e 2 Exclusivos É quando o casal tem filhos juntos e o marido/esposa tem os filhos exclusivamente dele(a). Casal: Gil e Paula (Gil é falecido) Filhos do Casal: Ado e Elba Filhos do Marido: Klaus e Brenda A herança de Gil no total: R$175.000,00. - Meação: R$100.000,00 + Bens Particulares: R$75.000,00 1. MEAÇÃO (somente filhos): ● R$100.000,00 . 4 = R$25.000,00 2. BENS PARTICULARES (dividido para os filhos e a esposa. A esposa não tem direito a reserva de ¼ → Enunciado nº527 – CJF/STJ: art.1.832, CC): ● R$75.000,00 . 5 = R$15.000,00 Filhos: R$25.000,00 + R$15.000,00 = R$40.000,00 Esposa: R$15.000,00 ● Enunciado nº527 – CJF/STJ: art.1.832, CC → na ocorrência entre o cônjuge e os herdeiros do de cujus, não será reservada a quarta parte da herança para o sobrevivente no caso de filiação híbrida. REGIMES MEAÇÃO CÔNJUGE HERDA BENS PARTICULARES? CÔNJUGE HERDA BENS COMUNS? Comunhão Universal sim Não Não Comunhão Parcial sim Sim, em concurso com os descendentes Não Separação Obrigatória Não definido Não Não Separação Convencional Não, em princípio Sim, em concurso com descendentes Não há, em princípio, bens comuns. Sucessão dos Ascendentes – Art.1.829, II, CC Vão herdar somente se não houver descendentes. - São herdeiros necessário (art.1.845, CC); - São chamados a suceder por direito próprio e em 2º lugar (2º classe de herdeiros); - Os ascendentes herdam em qualquer grau; - Sucedem ad infinitum. ● Não há direito de representação na linha ascendente. CASOS HIPOTÉTICOS: 1) Pais: Ana e Edu Filho (de cujus): Marcos Herança de Marcos (de cujus): R$20.000,00 R$20.000,00 . 2 = R$10.000,00 (Ana 50% e Edu 50%) ● Como os pais são vivos, a herança vai ser dividida entre eles. 2) Pais (pré-mortos/antes): Ana e Edu Filho (de cujus): Marcos Avós por parte de mãe: A e B Avós por parte de pai: C e D Herança de Marcos: R$20.000,00 R$20.000,00 . 4 = R$5.000,00 (cada avô recebe 25% – ¼) ● Como os pais são falecidos e os avós estão vivos, os avós recebem a herança. 3) Pais (pré-mortos): Ana e Edu Filho (de cujus): Marcos Avós por parte de mãe: A e B (B sendo pré-morto) Avós por parte de pai: C e D Herança de Marcos: R$20.000,00 R$20.000,00 . 2 = 10.000,00 (50% para A e 50% para C e D) C e D: R$10.000,00 . 2 = R$5.000,00 A: R$10.000,00 Concorrência Com o Cônjuge Arts.1.829, II, 1.830 e 1.836, CC (condições de concorrência) Regime de Bens: na ocorrência de morte de um dos cônjuges, o primeiro passo é determinar o valor da meação de cada cônjuge e depois, deverá mensurar o valor da herança do cônjuge falecido, pois a meação do cônjuge sobrevivo não faz parte da herança do cônjuge falecido. Aqui, o regime de bens vai ser irrelevante para a concorrência sucessória, porém, é importante distinguir meação de herança. Regime de Comunhão Universal Com os 2 Genitores Vivos Pais:Cláudia e João (vivos) Filho: Caio (de cujus) Mulher do Caio: Duda (viva) Bens Comuns de Caio e Duda: R$60.000,00 R$60.000,00 . 2 = R$30.000,00 (meação de Caio e Duda) Herança de Caio: R$30.000,00 - Art.1.829, II, CC: Duda vai ter direito a herança. R$30.000,00 . 3 = R$10.000,00 (para Cláudia, João e Duda – ⅓) → art.1.837, CC (concorrência com ascendentes) Regime de Comunhão Universal Com Apenas 1 Genitor Vivo Pais: Cláudia e João (João é pré-morto) Filho: Caio (de cujus) Mulher do Caio: Duda (viva) Bens Comuns (Caio e Duda): R$60.000,00 R$60.000,00 . 2 = R$30.000,00 (meação de Caio e Duda) Herança de Caio: R$30.000,00 ● Art.1.829, II, CC: Duda tem direito a herança. R$30.000,00 . 2 = R$15.000,00 (para Cláudia e Duda) Regime de Comunhão Universal Com Apenas 3 Avós Vivos Avós por parte de mãe: A e B (B é pré-morto) Avós por parte de pai: C e D (vivos) Pais: Cláudia e João (pré-mortos) Filho: Caio (de cujus) Mulher do Caio: Duda (viva) Herança de Caio: R$30.000,00 Quem vai receber a herança: A, C, D e Duda - Art.1.837, CC: Duda vai ter garantida a metade da herança para si. - Art.1.836, §2°, CC: para os avós vivos, a partilha vai ser por linha R$30.000,00 . 2 = R$15.000,00 Divisão dos avós: R$15.000,00 . 2 = R$7.500,00 (25% para C e D e 25% para A) C e D: R$7.500,00 . 2 = R$3.750,00 Resultado: - Duda: R$15.000,00 - Avó A: R$7.500,00 - Avó C: R$3.750,00 - Avó D: R$3.750,00 Regime de Comunhão Parcial de Bens Com Bens Particulares e os 2 Genitores Vivos Pais: vivos Bens do marido: R$60.000,00 Bens da esposa: R$50.000,00 Bens Comuns: R$80.000,00 R$80.000,00 . 2 = R$40.000,00 (meação da esposa e do marido) Marido: R$40.000,00 + R$60.000,00 = R$100.000,00 Esposa: R$40.000,00 + R$50.000,00 = R$90.000,00 Herança do Marido: R$100.000,00 - Art.1.829, II, CC: esposa vai ter direito a herança R$100.000,00 . 3 = R$33.333,33 (⅓) → quinhão da mãe, do pai e da esposa Sucessão dos Ascendentes Com Vínculo Multiparental Comunhão Universal Com Vínculo Multiparental e Apenas 4 Avós Vivos O vínculo multiparental é o reconhecimento jurídico simultâneo de mais de dois pais ou mães em relação a um mesmo indivíduo. Isso ocorre quando, além dos pais biológicos, uma terceira pessoa (ou mais) estabeleceu uma relação socioafetiva tão profunda e duradoura com a criança ou adolescente, que essa relação passa a ter relevância jurídica equiparada à filiação biológica. - Ex: enteados que são criados desde cedo pelo padrasto ou madrasta, desenvolvendo um laço filial com eles, mesmo mantendo o vínculo com o pai/mãe biológico(a) ausente. Avós paternos: A e B Avós Maternos: C e D (D é pré-morto) Pais: Pio e Val (pré-mortos) Filho: Caio (de cujus) Esposa de Caio: Duda Vínculo Multiparental: Ana (pré-morta) Avós de Ana: E e F (F é pré-morto) Herança de Caio: R$300.000,00 - A herança vai ser dividida entre os 4 avós vivos e a esposa, tendo a esposa garantida a metade da herança para si (art.1.837, CC) e a partilha para os avós será por linha (art.1.836, §2°, CC). R$300.000,00 . 2 = R$150.000,00 (50%) - Para os avós: ● R$150.000,00 . 3 = R$50.000,00 (33,33%) - Linha 1 (avô A e avó B): R$50.000,00 . 2 = R$25.000,00 - Linha 2 (avó C): R$50.000,00 - Linha 3 (avó E): R$50.000,00 Resultado: - Duda: R$150.000,00 - Avô A e B: R$25.000,00 - Avó C e E:R$50.000,00 Sucessão do Cônjuge Sobrevivente Art.1.829, III, CC Herdará a totalidade da herança se não houver descendentes nem ascendentes (art.1.838, CC). - Art.1.845, CC: são herdeiros necessários. São chamados para suceder por direito próprio e em terceiro lugar (3ª classe de herdeiros), tendo direito de concorrência com as outras classes anteriores. - É irrelevante o regime de bens como herdeiro de 3ª classe (sem concorrência).O regime de bens só vai ter importância no direito sucessório quando houver concorrência com descendentes. ● Não confundir meação com herança. Condições para herdar – art.1.830, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Existe algumas discussões acerca da separaçãode fato que tem prazo de 2 anos. RIZZARDO Entende que já estando separado de fato, afastaria a participação do patrimônio que surgiu depois da separação. GISELDA Entende que o casamento se dissolve com o fim do afeto e não com a separação de direito, que a separação de fato já demonstra a inexistência de afeto. ROLF Entende que a simples separação de fato desativa o regime patrimonial. A Respeito da Culpa: RIZZARDO Entende que é uma condição praticamente impossível aos demais herdeiros para afastar o direito do cônjuge sobrevivente, que consiste na prova da culpa GISELDA Entende que não há mais cabimento se falar em apuração de culpa pela dissolução da sociedade conjugal, pois não tem finalidade alguma, não tem sentido eleger um culpado pelo insucesso conjugal. FLÁVIO E JOSÉ Emenda constitucional 66/2010 → a culpa deve ser tida como abolida no debate sucessório. Cônjuge Sobrevivente – Direito Real de Habilitação Art.1.831, CC (explicado no tópico “rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC”) Independente do regime, o cônjuge terá o direito real de habilitação. - A condição é ser o único imóvel a inventariar (residência da família); - Morar gratuitamente no imóvel de outro (art.1.414 e 1.415, CC); - É responsável pelas despesas ordinárias e de manutenção; - É vitalício, personalíssimo e intransferível; - Somente enquanto permanecer viúvo (não constituir nova união). Enunciado nº271 CJF/STJ: art.1.831, CC → o cônjuge pode renunciar o direito real de habilitação nos autos do inventário, ou por escritura pública, sem prejuízo de sua participação na herança. Sucessão dos Colaterais Art.1.829, IV, CC Herda a totalidade da herança se não houver descendentes, ascendentes e nem cônjuge (art.1.839, CC) - Não são herdeiros necessários (art.1.845, CC) e sim, facultativos. São chamados para suceder por direito próprio e em 4º lugar (4ª classe de herdeiros). - Irmãos (bilaterais e unilaterais), sobrinhos, tios, primos, tio-avôs e sobrinhos-netos. Os mais próximos em grau vai excluir os mais remotos (art.1.840, CC) Art.1.841, CC: se a herança do falecido estiver sendo concorrida entre irmãos bilaterais e unilaterais, cada um vai receber a metade do que cada um daqueles herdar. Art.1.842, CC: não concorrendo à herança os irmãos bilaterais, os irmãos unilaterais herdarão a herança em partes iguais. Art.1.843, CC: se não houver irmãos concorrendo, a herança vai ser herdada pelos filhos destes, e não havendo, quem herda são os tios (preferência dos sobrinhos aos tios). - §1°: Se na herança concorrer somente filhos dos irmãos, herdarão por cabeça. - §2°: Concorrência entre filhos de irmãos bilaterais e unilaterais → cada um vai herdar metade do que herdar cada um deles - §3°: se todos forem filhos de irmãos bilaterais ou todos de irmãos unilaterais → herdarão por igual. Art.1.840, CC: partilha por cabeça ou estirpe em alguns casos. Sucessão dos Irmãos (Bilaterais) Pai e mãe: pré-mortos Filhos: Malu, Eva, Cadu e Lia (lia é a de cujus) Vai ser dividida entre os 3 irmãos bilaterais (⅓). Herança de Lia: R$210.000,00. 3 = R$70.000,00 Quinhão de Malu: R$70.000,00 Quinhão de Eva: R$70.000,00 Quinhão de Cadu:R$70.000,00 Sucessão dos Irmãos (1 bilateral e 2 unilaterais) Pai e mãe: pré-mortos Filhos somente do pai: Malu, Eva (unilaterais) Filhos do casal: Cadu e Lia (Lia é a de cujus) (bilaterais) Herança de Lia: R$210.000,00 - Vai ser dividida entre seus 3 irmãos. R$210.000,00 . 2 = R$105.000,00 (50% para Cadu e 50% para Malu e Eva) Quinhão de Malu e Eva: R$105.000,00 . 2 = R$52.500,00 (meia-quota) Quinhão de Cadu:R$105.000,00 Art.1.841, CC Resultado: - Quinhão de Malu: R$52.500,00 - Quinhão de Eva: R$52.500,00 - Quinhão de Cadu: R$105.000,00 Particularidades - A sucessão dos sobrinhos é preferencial em relação aos tios; - Há diferença na sucessão dos sobrinhos unilaterais e bilaterais; - Após os sobrinhos chamam-se os tios e após os tios chamam-se todos do 4º grau em igualdade de quinhões; - Há direito de representação aos filhos dos irmãos pré-mortos (mistura de 2º e 3º grau); - No 4º grau não tem direito de representação. Concorrência Entre Cônjuge e o Companheiro Enunciado nº CJF/STJ: arts.1.723, §1°, 1.790 (julgado inconstitucional), 1.829 e 1.830, CC → admite a concorrência entre cônjuge e companheiro sobreviventes na sucessão legítima, quanto aos bens adquiridos onerosamente na união estável. A lei nº8.971/94 foi revogada tacitamente, ela regula o direito dos companheiros a alimentos e à sucessão. (O CC abordou todos os assuntos nela contidos) A lei nº9.278/96 regula o direito real de habilitação, não foi totalmente revogada, pois permanece em vigor o art.7º, p.u., que cita: dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes, o sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova união estável ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família. Direito Real de Habitação Enunciado nº117 CJF/STJ: art.1.831, CC → esse direito deve ser estendido ao companheiro, seja por não ter sido revogada a previsão da lei 9.278, seja em razão da interpretação analógica do art.1.831. Sucessão da União, Distrito Federal e Municípios Art.1.844, CC: não sobrevivendo o cônjuge ou companheiro, nem parente algum sucessível, ou tendo eles renunciado, esta se devolve ao Município, ou Distrito Federal, se localizada nas respectivas circunscrições, ou à União, quando situada em território federal. - Casos de herança jacente e vacante; - É sucessor irregular; - O Fundamento é político-social. Direito de Representação Arts.1.851 a 1.856, CC Art.1.851, CC: tem direito de representação quando a lei chama certos parentes para suceder em todos os direitos, em que o representado sucederia se vivo fosse. Art.1.852, CC: se dá em linha reta descendente, nunca na linha ascendente. Art.1.853, CC: linha transversal → direito dado somente aos filhos de irmãos do falecido, quando com irmão destes concorrerem. Art.1.854, CC: só podem herdar aquilo que o representado iria herdar. Art.1.855, CC: o quinhão do representado vai ser repartido em igual para os que representam. Art.1.856, CC: se uma pessoa renuncia à herança de uma pessoa, ela não está impedida de representar o renunciante na sucessão de outra pessoa. (art.1.810 e 1.811, CC) Observações à Algumas Regra do Direito Sucessório: O chamamento dos herdeiros vai ser feito por classes, a existência de herdeiros de uma classe excluirá os da seguinte (exceção: concorrência). Entre os herdeiros da mesma classe, a herança deve ser divida em partes iguais, e aqueles de grau mais próximo excluem os de grau mais remoto. Exceção Dessas Regras: art.1.851, CC Sucessão por Representação: Ocorre o direito de representação em duas hipóteses, quando o herdeiro é pré-morto ou quando o herdeiro é excluído da sucessão (indignidade e deserdação). - Aqui surgem as expressões vocação hereditária direta (por cabeça) e indireta (por estirpe). Requisitos: - Art.1.816, CC: os efeitos da exclusão são pessoais, os descendentes do herdeiro excluído sucedem como se morto fosse antes da abertura da sucessão; - Art.1.852, CC (já explicado acima); - O representante deve ter legitimação para o ato; - Não pode”pular” graus (sucessão anômala ou irregular). Efeitos: - Art.1.854, CC (já explicado acima); - Art.1.855, CC (já explicado acima). Hipóteses: - Linha Descendentes: art.1.852, CC; - Linha Colateral (Transversal): art.1.853, CC → irmãos e sobrinhos; - Herdeiro Excluído da Sucessão: art.1.816, CC. Representação na Linha Descendente Avô: A (de cujus) Filhos de A: Tito e Tata (Tito é pré-morto) Filhos de Tito: Iuri e Igor Herança de A: R$320.000,00 Herdeiros: Tata, Iuri e Igor Partilha por Estirpe: 50% para Tata e 50% para os representantes do Tito (Iuri e Igor) R$320.000,00 . 2 = R$160.000,00(Tata, Iuri e Igor) R$160.000,00 . 2 = R$80.000,00 (Iuri e Igor) Resultado: - Tata: R$160.000,00 (½) - Iuri: R$80.000,00 (¼) - Igor:R$80.000,00 (¼) Representação da Linha Colateral Pai e mãe: pré-mortos Filhos do pai: Mila e Léia (Mila é pré-morta) – Unilateral Filhos do casal: Téo e Izilda (Izilda é a de cujus) – Bilateral Filhos de Mila: Cris e Padu Herança de Izilda: R$400.000,00 Herdeiros: Padu, Cris, Léia e Téo Mila e Léia são filhas unilaterais – Téo é irmão bilateral - Cris e Padu vai representar Mila R$400.000,00 . 2 = R$200.000,00 (50% para o irmão bilateral e 50% para as irmãs unilaterais) Irmãs Unilaterais: R$200.000,00 . 2 = R$100.000,00 (Representantes Cris e Padu e Léia) Filhos de Mila: R$100.000,00 .2 = R$50.000,00 (Cris e Padu) Resultado: - Quinhão de Téo: R$200.000,00 - Quinhão de Léia: R$100.000,00 Quinhão de Cris: R$50.000,00 - Quinhão de Padu: R$50.000,00 Direito de Representação É ficção jurídica, pois a lei trata o herdeiro representante (o neto, no exemplo) como se ele estivesse no mesmo grau e lugar do parente que ele representa, ocorre quando há diversidade de graus de parentesco (há pessoas com graus de parentesco diferentes sendo chamadas a herdar ao mesmo tempo). O herdeiro sucede por representação e a partilha é por estirpe. Este vai ocorrer no parentesco por linha reta descendente (art.1.852, CC) e na colateral em casos específicos (art.1.853, CC). - Não há direito de representação na renúncia (art.1.811, CC) - Caso especial (art.1.856, CC): - Não existe representação na sucessão testamentária. Herdeiros Necessários Arts.1.845 a 1.850, CC - Descendentes, ascendentes e cônjuge; - Pleno direito da metade dos bens da herança (legítima); - Art.1.848, CC: fala sobre a testador não colocar cláusula de inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade, a não ser que haja justa causa; ➔ §1°: Não é permitido ao testador converter os bens da legítima em outra espécie diversa; ➔ §2°: Havendo autorização judicial e justa causa, poderá alienar os bens gravados, convertendo estes em outros bens, que ficarão sub-rogados nos ônus dos primeiros; - Se o testador deixar a parte disponível para o herdeiro necessário, ele não perderá o direito da legítima. Podem ser herdeiros testamenteiros (art.1.849, CC); - Para excluir os herdeiros colaterais da sucessão, o testador pode dispor de seu patrimônio sem contemplá-los. Finalidades da Sucessão: proteção econômica aos membros da família. Herdeiros Necessários: não podem ser afastados por testamento (art.1.845, CC). Existem correntes que dizem que o companheiro é herdeiro necessário e outras que dizem que não é. (ainda não há uma decisão sobre) A legítima vai ser calculada da seguinte forma: (art.1.847, CC) - Deve ver o regime de bens do de cujus, excluindo a meação antes do cálculo da legítima; - Pagamento das dívidas; - Dividir a herança em duas partes. Porção Disponível: é a legítima, onde o testador não pode dispor desta. (50%) - Herdeiros necessários. Porção Indisponível: é a outra parte da herança que o testador pode dispor em testamento. (50%) ● O herdeiro necessário só pode ser excluído por indignidade e deserdação. Restrições à Liberdade de Testar Arts.1.846 e 1.848, CC (já explicado no tópico herdeiros necessários) Regra: intangibilidade da herança - Observância da porção indisponível. Cláusula de Inalienabilidade, Impenhorabilidade e Incomunicabilidade na legítima: arts.1.911 e 1.848, CC - Exemplos: ➔ Prodigalidade: refere-se ao herdeiro que é gastador compulsivo, que dilapida o patrimônio de forma irresponsável. Impor cláusulas sobre a legítima, neste caso, visa impedir que ele perca rapidamente a herança por má administração. ➔ Vício no Álcool, Drogas, etc: herdeiros com dependência química grave podem ter o discernimento comprometido para administrar bens, podendo vendê-los para sustentar o vício. As cláusulas protegem a herança dessa possibilidade, garantindo um mínimo de segurança patrimonial ao herdeiro (e, indiretamente, à sua família). Capacidade Testamentária Ativa – Art.1.861, CC É a capacidade legal de uma pessoa para elaborar e assinar um testamento, dispor de seus bens e direitos após a morte. Capacidade Testamentária Passiva – Art. 1.787, CC É a capacidade de receber por testamento, refere-se à capacidade de uma pessoa ser nomeada herdeira ou legatária em um testamento. Art.1.787, CC: a sucessão e a legitimação para suceder vai ser regulada pela lei vigente ao tempo da abertura daquela. Princípio da Liberdade Testar Autonomia da Vontade: liberdade do testador de manifestar sua última vontade. Supremacia da Ordem Pública: refere-se à prevalência do interesse público sobre a vontade do testador, quando esta contraria normas imperativas ou a ordem social. Herança Jacente Conceito – Art.1.819, CC a)Procedimento – Arts. 738 a 743, CPC Herança Vacante Conceito Efeitos da Vacância Sucessão Legítima Herdeiros Necessários Rol exclusivo da Sucessão Legítima – Art.1.829, CC Sucessão Anômala ou Irregular Relação de Parentesco – Art.1.591 a 1.594, CC Concorrência Sucessória – Art.1.829, CC Regime de Bens – Como vai Funcionar: Sucessão dos Descendentes – Art. 1.829, I do CC Concorrência com Cônjuge Regime de Bens Sucessão dos Ascendentes – Art.1.829, II, CC Sucessão dos Ascendentes Com Vínculo Multiparental Comunhão Universal Com Vínculo Multiparental e Apenas 4 Avós Vivos Sucessão do Cônjuge Sobrevivente Condições para herdar – art.1.830, CC A Respeito da Culpa: Cônjuge Sobrevivente – Direito Real de Habilitação Sucessão dos Colaterais Particularidades Concorrência Entre Cônjuge e o Companheiro Direito Real de Habitação Sucessão da União, Distrito Federal e Municípios Direito de Representação Observações à Algumas Regra do Direito Sucessório: Exceção Dessas Regras: art.1.851, CC Requisitos: Efeitos: Hipóteses: Herdeiros Necessários Restrições à Liberdade de Testar Capacidade Testamentária Ativa – Art.1.861, CC Capacidade Testamentária Passiva – Art. 1.787, CC Princípio da Liberdade Testar