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Apostila- Contratos em geral

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Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional.
Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar.
Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial.
Cabe esclarecer que ao alienante responde pela plus valia adquirida pela coisa, isto é, a diferença a maior entre o preço de aquisição e o seu valor ao tempo em que se evenceu (§ único, do Art. 450), atendendo a que a lei manda indenizar o adquirente dos prejuízos e, ao cuidar das perdas e danos, o Código Civil considera-as abrangentes não apenas do dano emergente, porém daquilo que o credor razoavelmente deixou de lucrar. 
E, se a evicção vem privá-lo da coisa no estado atual, o alienante tem o dever de recompor o seu patrimônio, transferindo-lhe soma pecuniária equivalente à estimativa da valorização. 
Se, ao contrário, a valorização estiver depreciada, a aplicação pura e simples do disposto no Art. 450 desautoriza levá-la em consideração, pois que constrange o alienante a efetuar a ‘restituição integral do preço’, e não obsta uma possível alegação de que e ‘menor-valia corre à conta de negligência do adquirente’.
O Superior Tribunal de Justiça, afinado com esse entendimento, tem proclamado: “Perdida a propriedade do bem, o evicto há de ser indenizado com importância que lhe propicie adquirir outro equivalente. Não constitui reparação completa a simples devolução do que lhe foi pago, ainda que com correção monetária”.
Na hipótese de deterioração da coisa, em poder do adquirente, persiste a responsabilidade do alienante, que responde por evicção total, salvo em caso de deterioração ter sido provocada intencionalmente por aquele. 
Vale dizer que a responsabilidade permanece quando a deterioração decorre de simples culpa. Não poderá o alienante arguir a desvalorização da coisa evicta, com a pretensão de obter uma diminuição do montante da indenização.
Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente.
Todavia, “se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações” (vendendo material de demolição ou recebendo o valor de um seguro, por exemplo), serão elas deduzidas da verba a receber, a não ser que tenha sido condenado a indenizar o terceiro reivindicante.
Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe houver de dar o alienante.
No tocante às benfeitorias realizadas na coisa, as “necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante”. 
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante.
O evicto, como qualquer possuidor, tem direito de ser indenizado das necessárias e úteis, pelo reivindicante.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Contudo, se lhe oram abonadas (pagas pelo reivindicante) e tiverem sido feitas, na verdade, pelo alienante, “o valor delas será levado em conta na restituição devida”.
Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor delas será levado em conta na restituição devida.
A finalidade da regra é evitar o enriquecimento sem causa do evicto, impedindo que embolse o pagamento, efetuado pelo reivindicante, de benfeitorias feitas pelo alienante.
9.5. Da evicção parcial
Dá-se a evicção parcial quanto o evicto perde apenas parte da coisa adquirida em virtude de contrato oneroso. É o caso, por exemplo, de ter de suportar um ônus, como o de uma hipoteca incidente sobre o imóvel vendido como livre e desembaraçado ou a sucumbência em ação confessória de servidão em favor de outro prédio, etc..
Se a evicção for parcial, mas com perda de parte considerável da coisa, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido.
Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização.
Se, por exemplo, o evicto adquiriu cem alqueires de terra e perdeu sessenta, pode optar por rescindir o contrato, ou ficar com o remanescente, recebendo a restituição da parte do preço, correspondente aos sessenta alqueires que perdeu.
Não se justifica, todavia, o desfazimento de um negócio jurídico perfeito por causa de uma diferença irrelevante, exceto se for nessa diferença que se encontram as principais benfeitorias do imóvel rural, por exemplo.
O preço, seja a evicção parcial ou total, será o do valor da coisa na época em que se evenceu, “e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial”.
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.
Desse modo, o preço dos sessenta alqueires será calculado pelo valor ao tempo da sentença que ocasionou evicção, pois foi nesse momento que efetivamente ocorreu a diminuição patrimonial, e não pelo do tempo da celebração do contrato.
DOS CONTRATOS ALEATÓRIOS
10.1. Conceito e espécies
É o contrato bilateral e oneroso em que pelo menos um dos contraentes não pode antever a vantagem que receberá, em troca da prestação fornecida. 
Caracteriza-se, ao contrário dos contratos comutativos, pela incerteza para as duas partes, sobre as vantagens e sacrifícios que dele podem advir.
São os contratos em que o montante da prestação de uma ou de ambas as partes não pode ser desde logo previsto, por depender de um risco futuro, capaz de provocar sua variação. 
Neles as prestações oferecem uma possibilidade de ganho ou de perda para qualquer das partes, por dependerem de um evento futuro e incerto que pode alterar o seu montante. 
O objeto do negócio está ligado a lucro ou uma perda para qualquer das partes.
Daí o fato de o contrato aleatório ser chamado também de ‘contrato de sorte’ (álea, em latim, significa sorte, risco, azar).
São exemplos dessa subespécie os contratos de jogo, aposta e seguro, ainda que a álea seja de apenas um dos contratantes.
É possível que todos os contratos tenham uma certa dose de risco, mas este é uma essência dos contratos aleatórios, pois o ganho ou a perda consequente está na dependência de um acontecimento incerto para ambos os contraentes.
Os contratos aleatórios não se confundem com os contratos condicionais, pois nestes a eficácia do contrato depende de um evento futuro e incerto, enquanto nos aleatórios o contrato é perfeito desde logo, surgindo apenas um risco de a prestação de uma das partes ser maior ou menor, ou mesmo não ser nenhuma.
A especial essência do contrato aleatório decorre que a eventual disparidade entre prestação e contraprestação