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Apostila- Contratos em geral

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ocasião da celebração. 
Diz respeito tal pressuposto à substância do negócio, concernente exatamente à medida de tal agravamento e desequilíbrio. Se a obrigação foi parcialmente cumprida, a onerosidade pode atingir a parte restante, com a revisão ou a resolução parcial do contrato.
O quarto pressuposto é a existência de nexo causal entre o evento superveniente e a consequente excessiva onerosidade. 
É necessário que esta decorra de uma mutação da situação objetiva, em tais termos que o cumprimento do contrato, em si mesmo, acarrete o empobrecimento do prejudicado. 
O contrato só é resolúvel, no entanto, se a sucessiva onerosidade exceder a álea normal do contrato.
O contratante que estiver em mora, quando dos fatos extraordinários, pode invocar, em defesa, a onerosidade excessiva, pois estando nessa situação, responde pelos riscos supervenientes, ainda que decorrentes de caso fortuito ou força maior
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.
Esta alegação em contestação é, em regra, considerada mal soante, vista como desculpa de mau pagador, entendo-se que deveria a parte lesada tomar a iniciativa e antecipar-se à cobrança judicial, invocando a impossibilidade de cumprimento da dívida antes de seu vencimento, em decorrência de fato superveniente extraordinário e imprevisível, e requerendo a revisão do avençado ou a sua resolução.
Preceitua o Art. 479, do Código Civil:
Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar equitativamente as condições do contrato.
Presentes os pressupostos exigidos no Art. 478, a parte lesada pode pleitear a resolução do contrato. 
Permite-se, todavia, que a parte contrária possa, considerando que lhe é mais vantajoso manter o contrato, restabelecendo o seu equilíbrio econômico, oferecer-se para modificar equitativamente as suas condições.
Por fim, dispõe o Art. 480, do Código Civil:
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva.
O contrato que estabelece obrigações só para uma das partes mostra-se, em geral, leonino. 
Nesse caso, admite-se que a parte prejudicada possa pleitear a redução do montante devido, ou, ainda, a alteração do modo como deve ser efetuado o pagamento, no intuito, sempre, de que se evite a resolução pelo excesso oneroso.
Resilição
A resilição não deriva de inadimplemento contratual, mas unicamente da manifestação de vontade, que pode ser bilateral ou unilateral. Resilir significa ‘voltar atrás’. 
A resilição bilateral denomina-se ‘distrato’, que é o acordo de vontades que tem por fim extinguir um contrato anteriormente celebrado.
A unilateral pode ocorrer somente em determinados contratos, pois a regra é a impossibilidade de um contraente romper a vínculo contratual por sua exclusiva vontade.
Distrato e quitação
Dispõe o Art. 472, do Código Civil:
Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.
Distrato ou resilição bilateral é a declaração de vontade das partes contratantes, no sentido oposto ao que havia gerado o vínculo. Algumas vezes é chamado de ‘mútuo dissenso’.
Qualquer contrato pode cessar pelo distrato, exceto os contratos extintos, eis que estes não precisam ser dissolvidos.
Se já produziu algum efeito, o acordo para extingui-lo não é o distrato, mas outro contrato que modifica a relação. 
O mecanismo do distrato é o que está presente na celebração do contrato: a mesma vontade humana, que tem o poder de criar, atua na direção oposta, para dissolver o vínculo e devolver a liberdade àqueles que se encontram compromissados.
A imposição de observância da mesma forma exigida para o contrato, não deve ser interpretada, contudo, de forma liberal, mas com temperamento: o distrato deve obedecer à mesma forma do contrato a ser desfeito quando este tiver forma especial, mas não quando esta for livre. 
Desse modo, a compra e venda de imóvel de valor superior à taxa legal, que exige escritura pública, só pode ser desfeita, de comum acordo, por outra escritura pública.
Os efeitos do distrato são ex nunc, para o futuro, não se desfazendo os anteriormente produzidos.
Resilição unilateral: denúncia, renovação, renúncia e resgate
A resilição não deriva de inadimplemento contratual, mas unicamente da manifestação de vontade. O fundamento para a sua efetivação é a vontade presumida. 
Outras vezes, o contrato se baseia na confiança, e só perdura enquanto esta existir entre as partes. Por último, os próprios sujeitos reservam-se o direito de arrependimento, sujeitando-se à perda ou pagamento em dobro das arras penitenciais.
A resilição unilateral pode ocorrer somente nas obrigações duradouras, contra a renovação ou continuação, independentemente do não-cumprimento da outra parte, nos casos permitidos por lei (denúncia sobre locações de imóveis urbanos) ou no contrato.
Obrigação duradoura é aquela que não se esgota em uma só prestação, mas supõe um período de tempo mais ou menos longo, tendo por conteúdo ou uma conduta duradoura (cessão de uso, arrendamento, locação), ou a realização de prestações periódicas (como no pagamento dos aluguéis e no fornecimento de gás, de alimentação, de energia elétrica, de mercadorias, etc., por prazo indeterminado). Nesses casos, a resilição denomina-se ‘denúncia’.
Se não fosse assegurado o poder de resilir, seria impossível ao contratante libertar-se do vínculo se o outro não concordasse.
Podem se mencionados, ainda, como exemplos, os contratos de mandato, comodato e depósito. No primeiro, a resilição denomina-se ‘revogação’ ou ‘denúncia’, conforme a iniciativa seja, respectivamente, do mandante ou do mandatário. 
A resilição unilateral independe de pronunciamento judicial e produz efeitos ex nun, não retroagindo. 
Para valer, deve ser notificada à outra parte, produzindo efeitos a partir do momento em que chega a seu conhecimento. É uma ‘declaração receptícia da vontade’. 
Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte.
Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.
Em vez de simplesmente determinar o pagamento de perdas e danos sofridos pela parte que teve prejuízos com a dissolução unilateral do contrato, o legislador optou por atribuir uma tutela específica, convertendo o contrato, que poderia ser extinto por vontade de uma das partes, em um contrato comum, com duração pelo prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos. 
Em um contrato de comodato de imóvel sem prazo, por exemplo, não é razoável que, poucos dias depois de o comodatário se instalar, o comodante solicite a sua restituição, sem a ocorrência de fato superveniente que a justifique.
Nesse caso, se o comodatário realizou obras no imóvel para ocupá-lo, esse prazo ainda pode estender-se por muito tempo. 
Por outro lado, no contrato de mandato, admite-se, por sua natureza, a resilição incondicional, porque se esteia na relação de confiança entre as partes. 
Morte de um dos contratantes
A morte de um dos contratantes só acarreta a dissolução dos contratos personalíssimos (intuitu personae), que não poderão ser executados em virtude da morte daquele em consideração do qual foi ajustado. Subsistem as prestações cumpridas, pois o seu efeito opera-se ex nunc.
Nesses casos, a impossibilidade de execução do contrato sem culpa tem