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DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
1 
P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O 
 
1. Introdução 
 
Importa, antes de tudo, compreendermos qual a essência e finalidade da Lei n. 
9.784, de 29/01/1999, conhecida como a lei do processo administrativo federal. 
Se você tem uma demanda e precisa, por exemplo, pedir o ressarcimento por 
danos causados num acidente de trânsito, terá a alternativa de provocar a atuação do 
poder judiciário, por meio de um processo próprio, isto é, o processo judicial (que 
neste caso hipotético terá natureza civil). 
Existe uma lei que define quem tem legitimidade para entrar com o processo, os 
requisitos da petição inicial, os prazos para a realização dos atos, a produção de provas 
e até os recursos cabíveis. Trata-se do Código de Processo Civil. Portanto, no âmbito 
do Poder Judiciário, já existe uma regulamentação tratando dos seus processos. 
Já quando falamos da criação das leis em sentido amplo, sabemos que tal 
prerrogativa cabe, primordialmente, ao Poder Legislativo. É a sua função típica criar 
direitos e deveres por meio da elaboração de atos normativos. Essa produção 
normativa também obedece a um processo próprio, chamado de processo legislativo, 
regulamentado pela Constituição Federal e pelos regimentos internos da Câmara 
dos Deputados e do Senado Federal. 
No âmbito da Administração Pública, a função típica envolve a prática de atos 
administrativos. Para que a Administração Pública pratique tais atos, é necessário um 
processo administrativo prévio. A concessão de licenças para dirigir ou construir, as 
autorizações de porte de arma, as permissões de uso de bens públicos, as interdições 
de estabelecimentos e as aplicação de multas são todos exemplos de atos 
administrativos que devem ser precedidos por um processo administrativo. 
Assim, a Lei n. 9.784/1999 foi criada para regulamentar esses processos, 
estabelecendo quem são os legitimados a participar, os direitos e deveres dos 
interessados, a forma de iniciar o processo, os prazos para a prática dos atos, os prazos 
para recorrer, a possibilidade de participação de advogados e as provas que podem 
ser produzidas. 
Devemos ter especial atenção com o fato de que a Lei n. 9.784/1999 é uma lei 
geral de processo administrativo, vale dizer que deve ser aplicada aos processos 
administrativos que não tenham legislação específica. Poderá, todavia, ser aplicada, 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
2 
também, nos casos de processos administrativos dotados de normas próprias, desde 
que de forma subsidiária, conforme estabelecido em seu art. 69. 
 
Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por 
lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 
 
Quando a Administração Pública, por exemplo, deseja adquirir bens ou serviços, 
via de regra, o fará por meio de processo licitatório para garantir a escolha da proposta 
mais vantajosa. Para esse tipo de processo já existe uma lei específica, qual seja, a Lei 
n. 14.133/2021, que detalha todo o procedimento da licitação. Deste modo, em tese, 
não haverá a aplicação da Lei n. 9.784. Todavia, se preciso, esta poderá vir a ser utilizada 
de modo subsidiário. 
Idêntica é a situação dos processos administrativos disciplinares (PADs), 
instaurados para a averiguação do cometimento de infrações funcionais por parte de 
servidores públicos federais. Na Lei n. 8.112/1990 (Estatuto dos servidores públicos 
civis da União) existe um capítulo específico para tratar do PAD. Nesse contexto, o 
processo seguirá as determinações da citada lei, mas não há impedimento para que 
sejam aplicados os ditames da Lei n. 9.784/1999 de forma subsidiária. 
 
2. Âmbito de aplicação 
 
Devemos ter especial atenção ao âmbito de aplicação da Lei n. 9.784/99. 
Vejamos o que estabelecem o caput e o §1º, do Art. 1º do referido diploma legal: 
 
Art. 1º Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo 
no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em 
especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor 
cumprimento dos fins da Administração. 
§1º Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos Poderes 
Legislativo e Judiciário da União, quando no desempenho de função 
administrativa. 
 
A Lei n. 9.784/1999 rege o Processo Administrativo Federal, sendo aplicável aos 
órgãos da União no desempenho de suas atividades administrativas. Será, portanto, 
aplicável aos diversos órgãos que compõem a administração direta, quando no 
exercício da função administrativa, bem como, nessa mesma situação, às entidades da 
administração indireta federal (autarquia, fundações públicas, empresas públicas e 
sociedades de economia mista). 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
3 
Os demais entes federativos, como Estados, Distrito Federal e Municípios, 
devem editar suas próprias leis para regulamentar os processos administrativos em 
suas respectivas esferas de atuação. 
Não existe impedimento, todavia, para que um determinado ente federado 
venha a adotar a Lei n. 9.784/99 como sua lei geral de processo administrativo. Basta, 
para isso, que uma lei deste ente federado estabeleça essa adoção. Esse é o caso do 
Distrito Federal, que optou por adotar, por intermédio de uma lei distrital (Lei n. 2.834, 
de 7/12/2001), a mencionada legislação federal para reger seus processos 
administrativos. 
O STJ possui entendimento no sentido de que, nos estados e municípios nos 
quais inexistam leis locais que disciplinem o processo administrativo, a Lei n. 9.784/99 
terá aplicação subsidiária, principalmente em relação ao prazo decadencial para a 
revisão de atos administrativos. É o conteúdo da Súmula n. 633/STJ: 
 
“A Lei n. 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial 
para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública 
federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se 
inexistente norma local e específica que regule a matéria.” 
 
A Lei n. 9.784/99 também será aplicável aos órgãos dos Poderes Legislativo e 
Judiciário da União (art. 1º, §1º), quando no desempenho de função administrativa. 
Assim, por exemplo, se o STF pretender conceder uma autorização de uso de um 
espaço de seu prédio, mediante requerimento de um particular, deverá haver prévio 
um processo administrativo que, como não havendo uma lei específica para esse 
processo, aplicar-se-ão os comandos da Lei n. 9.784/1999. 
Convém atentar para os conceitos trazidos pelo §2º, do art. 1º, conforme a 
seguir transcrito: 
 
§2º Para os fins desta Lei, consideram-se: 
I – órgão: a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração 
direta e da estrutura da Administração indireta; 
II – entidade: a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; 
III – autoridade: o servidor ou agente público dotado de poder de decisão. 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
4 
3. Princípios aplicáveis aos processos administrativos 
 
O art. 2º da Lei n. 9.784/1999 elenca uma série de princípios, todos de índole 
constitucional – alguns expressos na Constituição, outros implícitos. Vejamos, in verbis: 
 
“Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da 
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse 
público e eficiência.” 
 
Por questão de praticidade não iremos tratar dos princípios aqui citados, uma 
vez que estes e alguns outros já foram estudados quando falamos de regime jurídico 
administrativo. Sendo assim, o material contendo o estudo destes diversos princípios 
será postado, à parte, no ambiente virtual. 
 
4. Direitos e deveres dos “administrados” perante a Administração 
 
A lei utiliza o termo “administrados” em diversos de seus dispositivo. Todavia, 
por não traduzir corretamente a ideia de que estes são sujeitos de direitos e deveres, 
estácaindo em desuso. Dessa forma, seria mais apropriado usar termos como usuário 
ou cidadão, que refletem melhor o papel ativo dos particulares no processo decisório 
da Administração Pública moderna. 
Sem prejuízo de outros que lhes sejam assegurados, o art. 3º da Lei n. 9.784/99 
garante aos usuários os seguintes direitos: 
a) ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar 
o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; 
b) ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a 
condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles 
contidos e conhecer as decisões proferidas; 
c) formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão 
objeto de consideração pelo órgão competente; 
d) fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a 
representação, por força de lei. 
Já de acordo com o art. 4º da Lei n. 9.784/99, constituem deveres dos usuários 
perante o Poder Público, sem prejuízo de outros previstos em atos normativos: 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
5 
a) expor os fatos conforme a verdade; 
b) proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; 
c) não agir de modo temerário; 
d) prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o 
esclarecimento dos fatos. 
 
5. Da instauração do processo administrativo 
 
Em decorrência do princípio da inércia (ou demanda), via de regra1, no processo 
judicial cível é vedado ao magistrado atuar de ofício, conforme disposto no art. 2º do 
CPC. 
Conforme ensina o professor Alexandre Mazza2, “ao contrário do Poder 
Judiciário a Administração Pública constitui um organismo estatal dinâmico, 
podendo sempre agir de ofício, isto é, sem necessidade de provocação. Por isso, o 
art. 5º da Lei n. 9.784/99 afirma que o processo administrativo pode iniciar-se de ofício 
ou a pedido do interessado”. 
Conforme disposto no art. 6º, com exceção das hipóteses em que for admitida 
solicitação oral, o requerimento de abertura de processo administrativo deverá ser 
formulado por escrito pelo interessado. 
O requerimento de abertura deverá indicar os seguintes elementos: 
a) órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; 
b) identificação do interessado ou de quem o represente; 
c) domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; 
d) formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; 
e) data e assinatura do requerente ou de seu representante. 
Importante, ainda, ressaltar que é vedada à Administração recusar sem 
motivo o recebimento de documentos, conforme disposição contida no parágrafo 
único, do art. 6º, da Lei n. 9.784/99. 
 
1 Existem exceções ao princípio da inércia. O juiz poderá atuar de ofício para, por exemplo, suscitar conflito 
de competência (art. 951) e instaurar incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 978). Essas 
exceções decorrem da parte final do art. 2º do CPC. 
 
2 MAZZA, Alexandre. Manual de direito administrativo, 3ª ed., São Paulo: Saraiva, 2013, p. 662 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
6 
Em atenção ao princípio da eficiência, órgãos e entidades administrativas 
deverão criar modelos e formulários padronizados para questões que envolvam 
pretensões semelhantes. Isso facilitará tanto o pedido efetuado pelo interessado, 
quanto a própria atuação da Administração. 
Quando diversos interessados pretenderem formular requerimento que 
apresentem conteúdo e fundamentos idênticos, poderão formulá-lo mediante um 
único requerimento dirigido à Administração. 
 
6. Dos interessados 
 
O art. 9º da Lei n. 9.784/99 traz o rol de legitimados no processo administrativo. 
São eles: 
a) os titulares dos direitos e interesses que dê início o processo, sejam eles 
pessoas físicas ou jurídicas; b) os terceiros interessados que, embora não tenham dado 
início ao processo, possuam direitos ou interesses que possam vir a ser afetados pela 
decisão a ser proferida pela Administração; c) as organizações e associações 
representativas, no que diz respeito a direitos e interesses coletivos; e, d) as pessoas 
ou associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. 
Aqui é importante fazermos uma diferenciação entre direitos difusos e coletivos. 
A principal diferença entre direitos difusos e coletivos é a titularidade. Os direitos 
difusos são titulares de pessoas indeterminadas, enquanto os direitos coletivos são 
titularizados por grupos de pessoas. 
Direitos difusos são interesses indivisíveis, que abrangem um número 
indeterminado de pessoas, entre as quais não há uma relação jurídica que as une. 
Seus titulares são ligados por circunstâncias de fato. Como exemplo podemos citar 
o direito ao meio ambiente. 
Imagine uma situação em que a Administração pretenda transformar um parque 
em zona comercial em um espaço para estacionamento. Para isso deverá haver um 
prévio processo administrativo e, por exemplo, uma associação que protege o meio 
ambiente poderá requerer a sua participação nesse processo, já que representa 
titulares de direito difuso. 
Já os direitos coletivos são interesses indivisíveis, que pertencem a grupos ou 
categorias de pessoas determinadas. Existe uma relação jurídica que une os 
integrantes daquele grupo. 
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7 
Suponha uma situação em que diversos comerciante possuam quiosques ao 
longo da orla de uma praia e a Administração resolva revogar as autorizações de uso 
da referida área pública. Neste caso, os donos de quiosques atingidos pela medida 
constituirão um grupo determinado de pessoas que têm um vínculo jurídico que as 
une (Autorizações de uso outrora concedidas). Esse grupo poderá vir a ser 
representado no processo administrativo por uma associação constituída por eles. 
Para fins de processo administrativo, são considerados capazes os maiores de 
dezoito anos, salvo previsão especial em normas próprias (art. 10 da Lei n. 9.784/99). 
Havendo menor interessado, este, por não possuir capacidade, deverá ser 
representado. 
Caso o processo envolva interesse geral, o órgão competente poderá abrir 
consulta pública antes da tomada da decisão, desde que isso não prejudique a parte 
interessada. Essa consulta deverá ser divulgada pelos meios oficiais, para que pessoas 
físicas ou jurídicas possam examinar os autos e apresentem alegações escritas dentro 
do prazo determinado (art. 31). 
O simples comparecimento à consulta pública não confere a condição de 
interessado do processo, mas confere o direito de obter da Administração resposta 
fundamentada, que poderá ser comum a todas as alegações substancialmente iguais. 
Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade competente, diante da 
relevância da questão, poderá ser realizada audiência pública para debates sobre a 
matéria objeto do processo. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria 
relevante, poderão estabelecer outros meios de participação de administrados, 
diretamente ou por meio de organizações e associações legalmente reconhecidas (arts. 
32 e 33). 
Os resultados da consulta e audiência pública e de outros meios de participação 
de administrados deverão ser apresentados com a indicação do procedimento 
adotado (art. 34). 
Quando necessária à instrução do processo, a audiência de outros órgãos ou 
entidades administrativas poderá ser realizada em reunião conjunta, com a 
participação de titulares ou representantes dos órgãos competentes, lavrando-se a 
respectiva ata, a ser juntada aos autos (art. 35). 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
8 
7. Do exercício da competência 
 
Nos termos do art. 11 da Lei n. 9.784/99, a competência administrativa é 
irrenunciável e deve ser exercida pelo órgão legalmente habilitado para seu 
cumprimento, exceto nos casos de delegação e avocação. 
Na delegação, um órgão administrativo ou seu titular transferem 
temporariamente parte da sua competência a outros órgãos ou titulares,ainda que 
estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em 
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Essa 
delegação é revogável a qualquer tempo por vontade unilateral da autoridade 
delegante. 
Não é admissível, segundo art. 13 da Lei n. 9.784/99, a delegação: a) as matérias 
de competência exclusiva do órgão ou autoridade; b) a edição de atos de caráter 
normativo; e, c) a decisão de recursos administrativos. 
Em sentido contrário, na avocação o órgão ou seu titular chamam para si, em 
caráter excepcional e temporário, competência atribuída a órgão hierarquicamente 
inferior. 
Assim, pode-se concluir que delegação e avocação constituem exceções à regra 
geral da indelegabilidade de competências administrativas. Além disso, precisamos 
estar atentos ao fato que ambos os casos deverão ser publicados no meio oficial (art. 
14 da Lei n. 9.784/99). 
O processo administrativo, conforme disposição do art. 17 da Lei n. 9.784/99, 
deverá ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir, 
caso inexista competência legal específica. 
 
8. Dos impedimentos e suspeições no processo administrativo 
 
Os artigos 18 a 21 da Lei n. 9.784/99 estabelecem regras de impedimento e 
suspeição para garantir a imparcialidade dos agentes públicos em processos 
administrativos. 
A principal diferença entre impedimento e suspeição é que naquele tem-se uma 
situação objetiva, isto é, perceptível a partir da análise dos fatos, ao passo que neste 
existe um vínculo subjetivo (relacionamento) com algumas das partes, fato que pode 
vir a comprometer seu dever de imparcialidade (situação subjetiva). 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
9 
De acordo com o art. 18 da Lei n. 9.784/99, fica impedido de atuar em processo 
administrativo o servidor ou autoridade que: a) tenha interesse direto ou indireto na 
matéria; b) tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou 
representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou 
parente e afins até o terceiro grau; c) esteja litigando judicial ou administrativamente 
com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. 
A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento tem o dever de 
comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se de atuar. Caso se omita na 
comunicação do seu impedimento incorrerá em falta grave, para efeitos disciplinares. 
Já os casos de suspeição relacionam-se com a condição da autoridade ou 
servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados 
ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. 
Nos termos do art. 21 da Lei n. 9.784/99, o indeferimento de alegação de suspeição 
poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo. 
 
9. Da forma, tempo e lugar dos atos processuais 
 
Os atos do processo administrativo devem ser produzidos de forma acessível e 
descomplicada, dispensando exigências desnecessárias e excesso de formalidade. 
Apenas quando a lei expressamente determinar, é que se exigirão formalidades 
específicas para a produção de um determinado ato no processo. 
Os atos processuais devem ser realizados em dias úteis, no horário normal de 
funcionamento da repartição na qual tramitar o processo, de preferência na sede do 
órgão, cientificando-se o interessado se outro for o local de realização. 
Os atos serão produzidos de forma escrita, em vernáculo, com a data e o local 
de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. O processo deverá ter suas 
páginas numeradas sequencialmente e rubricadas. 
Como dito anteriormente, o processo administrativo dispensa formalidades 
desnecessárias, por esta razão, por exemplo, salvo imposição legal, o reconhecimento 
de firma somente será exigido se existirem fundadas dúvidas acerca da autenticidade. 
Essa autenticação poderá ser feita pelo próprio órgão administrativo. 
Salvo por motivo de força maior ou pelo estabelecimento de prazo específico, 
será de cinco dias o prazo para que as autoridades e demais participantes do processo 
pratiquem seus atos. Esse prazo poderá ser, mediante justificativa, dilatado até o 
dobro. 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
10 
 
10. Da comunicação dos atos processuais 
 
O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo 
promoverá a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de 
diligências. A intimação deverá conter: a) identificação do intimado e nome do órgão 
ou entidade administrativa; b) finalidade da intimação; c) data, hora e local em que 
deve comparecer; d) se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se 
representar; e) informação da continuidade do processo independentemente do seu 
comparecimento; f) indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. 
A intimação pode ser efetuada mediante ciência no processo, por via postal com 
aviso de recebimento (conhecida como carta com A.R.), por telegrama ou outro meio 
que assegure a certeza da ciência do interessado. Já no caso de interessados 
indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser 
efetuada por meio de publicação oficial. 
O §5º, do art. 26 traz importante regra: as intimações que não observarem as 
prescrições legais serão nulas, todavia, o comparecimento do interessado supre a 
sua falta ou irregularidade. 
O desatendimento da intimação realizada não importa em reconhecimento da 
verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Portanto, nos processos 
administrativos, não há os efeitos típicos da revelia. 
 
11. Da instrução do processo 
 
A instrução processual destina-se à coleta de informações, dados e documentos 
que ajudarão na formação da convicção do julgador. Essa etapa é realizada de ofício 
ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo. Isso não impede, 
todavia, que os próprios interessados também proponham a produção de elementos 
probatórios nos autos. 
A Lei n. 9.784/99 traz diversas regras acerca da instrução processual conforme 
elencamos a seguir: a) cabe ao interessado o ônus de provar os fatos que tenha 
alegado; b) são inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios 
ilícitos; c) os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar-
se do modo menos oneroso para estes; d) mediante decisão fundamenta, a autoridade 
DIREITO ADMINISTRATIVO II 
 
11 
competente poderá recusar as provas propostas pelos interessados quando sejam 
ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou meramente protelatórias. 
Havendo a necessidade de participação de um órgão consultivo, este deverá 
emitir parecer dentro do prazo máximo de quinze dias, salvo norma especial ou 
comprovada necessidade de maior prazo. 
Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, 
o processo não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-
se quem der causa ao atraso. Já no caso de um parecer obrigatório e não vinculante 
deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser 
decidido com sua dispensa, sem prejuízo da posterior responsabilização daquele que 
se omitiu no atendimento. 
Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias 
reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e 
documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e 
à imagem. 
Após o encerramento da instrução, o interessado terá o direito de manifestar-
se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. 
Caso o órgão de instrução não for o mesmo órgão competente para o 
julgamento, este deverá elaborar relatório circunstanciado, formulando proposta de 
decisão, objetivamente justificada, e encaminhará os autos do processo para a 
autoridade competente para a tomada da decisão final. 
 
12. Do devere a cópia, atestar a autenticidade; 
c) juntada de documento pessoal do usuário, que poderá ser substituído por 
cópia autenticada pelo próprio agente administrativo; 
d) apresentação de certidão de nascimento, que poderá ser substituída por 
cédula de identidade, título de eleitor, identidade expedida por conselho regional de 
fiscalização profissional, carteira de trabalho, certificado de prestação ou de isenção do 
serviço militar, passaporte ou identidade funcional expedida por órgão público; 
e) apresentação de título de eleitor, exceto para votar ou para registrar 
candidatura; 
f) apresentação de autorização com firma reconhecida para viagem de menor 
se os pais estiverem presentes no embarque.e a cópia, atestar a autenticidade; 
c) juntada de documento pessoal do usuário, que poderá ser substituído por 
cópia autenticada pelo próprio agente administrativo; 
d) apresentação de certidão de nascimento, que poderá ser substituída por 
cédula de identidade, título de eleitor, identidade expedida por conselho regional de 
fiscalização profissional, carteira de trabalho, certificado de prestação ou de isenção do 
serviço militar, passaporte ou identidade funcional expedida por órgão público; 
e) apresentação de título de eleitor, exceto para votar ou para registrar 
candidatura; 
f) apresentação de autorização com firma reconhecida para viagem de menor 
se os pais estiverem presentes no embarque.

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