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Seminário – Síndromes sistêmicas Lucas de Andrade Alexandre – Turma 106 1. Síndrome febril a) Definição A febre é a elevação da temperatura corporal consequente a algumas doenças. Atualmente, considera-se que a febre indica a presença de doença subjacente, que pode ser infecciosa, autoimune, neoplásica ou induzida por drogas, sendo estes os verdadeiros objetivos do tratamento. A febre é fisiologicamente distinta da hipertermia, que consiste na elevação da temperatura corporal sem aumento da temperatura do termostato hipotalâmico. Na hipertermia, ocorre aumento na produção de calor sem correspondente aumento na perda. Já na febre, a termorregulação permanece funcionante, mas com deslocamento para níveis mais elevados, com ativação dos mecanismos de produção quanto de conservação de calor. b) Causas Geralmente pensa-se em infecção quando o paciente está febril. Embora isto seja verdadeiro na maioria das vezes, deve-se ter em mente que inúmeras outras doenças não infecciosas também produzem febre. • Doenças infecciosas: constituem a causa mais frequente de febre em todas as faixas etárias. • Doenças neoplásicas: a febre pode ser decorrente do próprio tumor, de infecção ou necrose secundária ou da obstrução das vias excretoras (biliares, urinárias ou respiratórias). • Doenças do tecido conjuntivo: lúpus, artrite reumatoide e febre reumática. • Embolias pulmonares: a febre é atribuída à necrose tecidual ou inflamação. • Traumatismos: podem produzir febre os traumatismos de partes moles ou ósseas. • Doenças de origem desconhecida ou metabólica: febre familiar do Mediterrâneo, sarcoidose e dislipoproteinemias. • Febres induzidas por drogas: frequentemente, ocorrem por causa da hipersensibilidade mediada por anticorpos, em que os leucócitos, após fagocitose do complexo anticorpo-droga, liberam pirógenos endógenos. Outros mecanismos são a contaminação de frascos e soluções por microrganismos, liberação de pirógenos exógenos ou efeito direto do microrganismo. • Febre de origem indeterminada (FOI): a identificação da causa é difícil. c) Sintomas Febre (aumento da temperatura corporal), vasoconstrição periférica, calafrios, sonolência, anorexia, mialgias e artralgias, miólise e lipólise, hipoglicemia, reabsorção óssea, anemia, leucocitose, proteínas da fase aguda, hipergamaglobulinemia, extravasamento capilar, choque circulatório. Fase de 10-20 minutos: dilatação das pupilas, piloereção, diminuição da frequência respiratória, elevação da pressão arterial, cefaleia, dores lombares e nos membros inferiores, mal-estar e náusea. Com a queda da temperatura após o pico da febre, há vasodilatação periférica, sudorese profusa, constrição das pupilas e diminuição acentuada da pressão arterial. Pode haver perda do controle de esfíncteres e ereção peniana. d) Fisiopatologia da síndrome e dos sintomas e sinais A manutenção da temperatura corporal normal depende do termostato localizado no hipotálamo. Existem receptores térmicos tanto nas vísceras quanto na pele que informam ao centro termorregulador hipotalâmico as variações existentes. A febre aumenta a migração dos neutrófilos, a produção de interferon, a atividade antiviral e antitumoral do interferon, a produção de células T e desestimula o crescimento de microrganismos. Na presença de patógenos ou seus componentes, isto é, os pirógenos exógenos, o organismo reage produzindo os pirógenos endógenos. Os pirógenos endógenos são proteínas produzidas principalmente pelo macrófago e linfócito T. Eles são chamados citocinas. O macrófago produz: IL-1, IL-6, FNT, interferon (IFN) e IL-8, entre outras. O linfócito T gera o FNT e o interferon. No hipotálamo, essas citocinas agem no endotélio, onde elas induzem a produção de prostaglandinas (PGE-2) que regulam o termostato do hipotálamo para cima, causando febre. É estimulado o aumento da produção de calor corporal através de tremores musculares (calafrios) e conservação de calor pela vasoconstrição periférica. A proteína C reativa (PCR) é uma proteína da fase aguda. Ela liga-se a resíduos de fosforilcolina que são comumente encontrados na parede das bactérias. As endotoxinas também possuem esses resíduos. A PCR ligada fixa complemento e facilita a fagocitose de microrganismos. e) Anormalidades do exame físico geral (sinais à ectoscopia) Aumento da temperatura corporal identificado através do uso de termômetro. Na cabeça e pescoço, deve-se procurar por gânglios cervicais, tumefação das glândulas salivares, conjuntivite, otite e meningismo (tríade de rigidez na nuca, fotofobia e dor de cabeça). Não esquecer o exame de fundo de olho em pacientes com febre obscura, pois este pode revelar granulomas compatíveis com tuberculose, brucelose, esquistossomose aguda ou, ainda, manchas de Roth, muito sugestivas de endocardite infecciosa subaguda. A pele pode apresentar exantemas, petéquias, fístulas e sinais inflamatórios. No aparelho respiratório, a ausculta poderá revelar sinais de consolidação ou derrame pleural. O escarro, se houver, deve ser inspecionado. A ausculta cardíaca pode revelar sopros e estes podem significar valvopatia. A presença de hepato e/ou esplenomegalia é dado de extrema valia. Devem ser pesquisadas massas abdominais, ascite, locais de sensibilidade e alças palpáveis. A punho-percussão lombar revela-se valiosa para o estudo de infecções renais. O toque retal ou vaginal pode revelar massas pélvicas. As articulações devem ser examinadas e mobilizadas, bem como os ossos longos e o tecido subcutâneo. As extremidades digitais e o leito ungueal podem apresentar petéquias ou serem porta de entrada para agentes infecciosos. Linfonodos devem ser palpados nas axilas, regiões inguinal e cervical. Exame físico na FOI: 2. Síndrome edematosa (edemas de origens renal, cardíaca e hepática) a) Definição Denomina-se edema a expansão do volume do componente extravascular (intersticial) do líquido extracelular. Nas formas localizadas, um pequeno acúmulo de líquido no intestício pode ser clinicamente aparente, acompanhando-se, quase sempre, de tumefação das partes atingidas; porém, no caso do edema generalizado, impõe-se um aumento expressivo do volume do líquido intersticial antes que se possa detectá-lo ao exame físico (a não ser pelo aumento do peso corporal). b) Causas O edema pode ser causado por várias afecções, desde a síndrome pré-menstrual até as queimaduras extensas e certas dermatoses que se acompanham de grande perda proteica através das áreas expostas da pele. O acúmulo de líquido pode dar-se no tecido subcutâneo, na intimidade dos diversos órgãos e tecidos e nas cavidades pré-formadas do organismo. Por exemplo, os edemas podem ter origens cardíaca, renal e hepática, que serão abordadas a seguir e se configuram como edemas generalizados. c) Sintomas Edema de origem cardíaca: Manifestações próprias da insuficiência cardíaca como hiporexia, dispneia, tosse noturna, oligúria, taquicardia, sudorese excessiva, palidez cutânea, aumento da pressão venosa central e congestão hepática. Edema de origem renal: Na síndrome nefrótica, há proteinúria maciça. Na síndrome nefrítica, há proteinúria discreta ou moderada, hematúria e hipertensão arterial (frequentemente complicada com encefalopatia hipertensiva). Edema de origem hepática: Na cirrose, o quadro clínico é caracterizado por hipoalbuminemia, ginecomastia, eritema palmar, aranhas vasculares, icterícia e encefalopatia. Na fibrose de Symmers, é dominado pela síndrome de hipertensão portal. d) Fisiopatologia da síndrome e dos sintomas e sinais O líquido intersticial pode ser visto como um ultrafiltrado do plasma, pobre em proteínas. As forças que regulam a disposição de líquido entre os componentes intravasculare intersticial são denominadas forças de Starling. Em condições normais, a maior parte do líquido que chega ao interstício por ultrafiltração a partir da extremidade arteriolar do capilar é reabsorvida em sua extremidade venular. O restante que não é reabsorvido e a pequena quantidade de proteína que atravessa a parede capilar são removidos pelos vasos linfáticos. O aumento do fluxo linfático e a “lavagem” das proteínas do interstício funcionam como fatores de segurança capazes de dificultar a formação do edema. O mecanismo básico que determina o aparecimento do edema consiste em uma ou mais alterações das forças de Starling. Tais alterações são representadas pelo aumento da filtração na extremidade arteriolar, pela diminuição da reabsorção na extremidade venular ou pelo bloqueio da drenagem linfática. A retenção hidrossalina, condição necessária para a instalação do edema generalizado, seria deflagrada, na ausência de doença renal intrínseca, pelo estado de subenchimento da circulação arterial decorrente da diminuição do débito cardíaco ou da queda da resistência arterial periférica. Assim, essa retenção é mediada por uma complexa ativação neuroendócrina a partir da estimulação dos barorreceptores, sendo uma resposta à diminuição do volume circulante efetivo. Edema de origem cardíaca: A insuficiência cardíaca pode dever-se à disfunção sistólica (diminuição do poder contrátil do miocárdio, com redução da fração de ejeção ventricular) ou à disfunção diastólica (dificuldade de relaxamento do miocárdio e/ou diminuição da complacência ventricular, com restrição ao enchimento ventricular em presença de fração de ejeção normal). Na insuficiência cardíaca decorrente da disfunção sistólica ventricular, a redução do volume circulante efetivo, consequente ao estado de baixo débito, desencadeia uma ativação neuro- hormonal que se traduz pelo aumento da resistência vascular e pela retenção de sódio e água. Na insuficiência cardíaca compensada, essa ativação neuro-hormonal é contrabalançada, uma vez restaurado o volume circulante efetivo, pela ativação paralela de sistemas natriuéticos- vasodilatadores. Não sendo, porém, atingido um novo estado de equilíbrio, ocorre a exacerbação da retenção de sódio e água, propiciando o surgimento do edema generalizado (insuficiência cardíaca descompensada). Na insuficiência cardíaca por disfunção sistólica, como a pressão venosa não atinge níveis muito elevados, predomina o edema subcutâneo. Em vez de dever-se à redução do poder contrátil do miocárdio, a insuficiência cardíaca pode resultar da restrição ao enchimento ventricular. Há níveis extremamente altos alcançados pela pressão venosa sistêmica, com acentuada hipertensão venocapilar nos vasos do sitema porta e do peritônio, de modo a favorecer o extravasamento de líquido para o interior da cavidade peritoneal, provocando volumosa ascite. Edema de origem renal: A síndrome nefrótica se caracteriza pelo aumento da permeabilidade dos capilares glomerulares acompanhado de proteinúria maciça, hipoproteinemia e edema. A perda proteica é predominantemente de albumina. De acordo com a teoria clássica, a proteinúria maciça, aliada ao catabolismo proteico aumentado, determina o aparecimento de hipoalbuminemia, que se acompanha da redução da pressão oncótica do plasma, do aumento da fuga de líquido para o interstício e, finalmente, da diminuição do volume circulante efetivo, que culmina com a retenção hidrossalina e edema. O edema que ocorre na síndrome nefrítica aguda, cujo protótipo é a glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica, acompanha-se de proteinúria discreta ou moderada, hematúria e hipertensão arterial (frequentemente complicada com encefalopatia hipertensiva). O edema é formado pela retenção primária de sódio e água, derivada da redução do ritmo de filtração glomerular e da queda da pressão hidrostática nos capilares peritubulares consequente à diminuição do fluxo sanguíneo renal. Edema de origem hepática: A cirrose hepática é uma hepatopatia crônica fibrosante na qual a neoformação conjuntiva, consequente à necrose dos hepatócitos e à inflamação intra e extralobular, subverte a arquitetura lobular. Nela há duas grandes síndromes: a síndrome de insuficiência hepatocelular (com deficiente síntese proteica) e a síndrome de hipertensão portal (acompanhada de hipertensão nos sinusoides hepáticos com extravasamento de líquido rico em proteínas). Nas formas descompensadas, costumam ocorrer edema subcutâneo e ascite. De acordo com a teoria clássica, a retenção hidrossalina sucederia o desenvolvimento da ascite. Segundo a teoria do transbordamento, a retenção de sódio e água seria o evento primário. De acordo com a teoria da vasodilatação periférica, o evento iniciador seria a vasodilatação arterial que determinaria a redução do volume circulante efetivo, culminando com a retenção de sódio e água. Foi proposta uma teoria conciliatória, a teoria da vasodilatação modificada, segundo a qual a retenção primária de sódio e a vasodilatação periférica seriam simultâneos e até certo ponto independentes. Por sua vez, na fibrose de Symmers, que pode ser vista na esquistossomose, o obstáculo é pré-sinusoidal, não havendo extravasamento de linfa através da cápsula do fígado, de modo que a ascite é excepcional. e) Anormalidades do exame físico geral (sinais à ectoscopia) O edema subcutâneo é reconhecido pelo intumescimento das partes atingidas, pela tendência ao arredondamento das formas e pela perda do pregueamento cutâneo. A pele mostra-se brilhante e rompe-se com facilidade, permitindo a saída de líquido. Em especial nos locais de maior proeminência óssea produz-se, pela digitopressão, uma depressão na pele, caracterizando o chamado “sinal do cacifo”. Ademais, a coexistência ou não de processo inflamatório fará com que a pele se apresente hiperemiada e quente, no primeiro caso, ou pálida e fria, no segundo. O aumento do peso corporal acompanha o edema generalizado. Edema de origem cardíaca: O edema que acompanha a descompensação cardíaca inicia-se geralmente ao nível dos tornozelos, na região maleolar interna, adquire caráter ascendente e pode, em fases avançadas, chegar até a raiz das coxas e se generalizar, associando-se a derrame nas cavidades serosas e configurando um quadro de anasarca. É um edema mole, frio, indolor, que se associa a crepitações pulmonares predominantemente teleinspiratórias e presença, à ausculta cardíaca, de galope pré-sistólico, indicativo de contração atrial vigorosa associada à redução da complacência ventricular e/ou de galope protodiastólico, indicativo de disfunção sistólica ventricular. Edema de origem renal: O edema da síndrome nefrótica costuma ser mais evidente nas pálpebras e na face (onde existe um regime de baixa pressão tecidual que favorece a transudação de líquido) e tende a ser mais intenso pela manhã, podendo predominar na hemiface direita ou esquerda, na dependência da posição preferencial adotada pelo paciente durante o sono; nos casos graves, pode haver anasarca. Edema de origem hepática: Na cirrose, há edema subcutâneo e ascite. Na fibrose de Symmers, a ascite é excepcional. ------------------------------------------------------------- *Alguns edemas localizados: -Edema linfático (linfedema): bloqueio da drenagem linfática, com prejuízo à reabsorção do líquido intersticial. Edema duro, acompanhado de espessamento, fibrose e hipertrofia da pele e do tecido celular subcutâneo, bem como da acentuação dos sulcos e dobras cutâneos na região afetada, que pode atingir proporções gigantescas e assumir aspecto verrucoso ou papilomatoso (elefantíase). -Edema inflamatório: o edema é uma ocorrência constante nos processos inflamatórios (especialmente se agudos,pela predominância dos fenômenos vasculares e exsudativos), acompanhando-se, então, de dor, hiperemia e aumento da temperatura local. Os mediadores químicos provocam vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar a macromoléculas. *Edema pulmonar: há um aumento da quantidade de líquido extravascular no pulmão. Com base no mecanismo desencadeante – aumento da pressão hidrostática capilar ou lesão da membrana alveolocapilar com aumento de sua permeabilidade – classifica-se o edema pulmonar em cardiogênico e não cardiogênico. Percebem-se, à ausculta respiratória, dois tipos de ruídos adventícios: sons contínuos, de caráter musical (sibilos) e sons descontínuos, de caráter explosivo (crepitações), percebidos ao final da inspiração (crepitações teleinspiratórias). No cardiogênico, o paciente transpira abundantemente, tem as extremidades frias, cianóticas, e costuma eliminar pela boca uma secreção rósea, espumosa, às vezes com raias de sangue vermelho-vivo. Há um agravamento da hipoxemia, podendo surgir hipercapnia (aumento da concentração de CO2 no plasma) e acidose. O protótipo do edema pulmonar não cardiogênico é representado pela síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) do adulto. 3. Síndrome consumptiva a) Definição Caracterizada pela perda de peso involuntária maior que 10% nos últimos 6-12 meses. Configura- se como um estado complexo de interação entre anorexia, perda de massa gorda e magra, distúrbios psicológicos e piora acentuada da qualidade de vida. b) Causas • Metabolismo exagerado: feocromocitoma e hipertireoidismo. • Perdas anormais de elementos nutritivos: diabetes mellitus, síndromes de má absorção e fístulas do trato gastrintestinal. • Anorexia e digestão alimentar reduzida: neoplasias e Aids. c) Sintomas Hiporexia, emagrecimento discreto, adinamia (grande fraqueza muscular), cãibras musculares, tonteiras e ausências ao assumir de forma rápida a posição ortostática, incoordenação motora, enfraquecimento, irritação, depressão, perda de libido, ambição e interesse, esvaziamento gástrico lento, flatulência, diarreia, diminuição da capacidade de concentração, poliúria, hipotensão, bradicardia, disfagia e distúrbio do paladar (disgeusia). d) Fisiopatologia da síndrome e dos sintomas e sinais Divide-se a base fisiopatológica da perda de peso em três categorias: diminuição da ingestão de alimentos, metabolismo acelerado ou aumento da perda de energia. A perda de peso pode ser traduzida como um sintoma de desordem multifatorial que inclui alteração da ingesta calórica, da absorção intestinal, da motilidade intestinal, do uso de medicamentos e abuso de drogas ou da produção aumentada de substâncias endógenas como fator de necrose tumoral, a interleucina-6, substâncias bombesina-like e fatores liberadores de corticotropina. Outros fatores como náusea e vômito causados pela quimioterapia também são importantes processos associados à perda de peso, bem como dor oncológica e compressões tumorais do trato gastrintestinal, quando provocam disfagia (dificuldade de deglutir) e distensão abdominal. As neopasias liberam fatores proteolíticos e lipolíticos, alterando o metabolismo intermediário. Classifica- se perda de peso em dois grandes grupos: 1) Perda de peso involuntária com aumento ou diminuição do apetite; 2) Perda de peso voluntária (exemplo: anorexia nervosa). A capacidade de o organismo humano sobreviver a prolongados períodos de jejum está intimamente relacionada ao poder de mobilização e aproveitamento das próprias reservas corpóreas, que são carboidratos, gorduras e proteínas. A provisão de energia para as demandas do organismo é obtida a partir de glicose. Com a inanição, observa-se queda na absorção de glicose, dos aminoácidos e dos ácidos graxos pelos intestinos. Os níveis de insulina decrescem em resposta à falta de oferta de glicose, enquanto os de glucagon se elevam gradativamente. O organismo deixa de remover glicose da circulação porta e então passa a produzi-la a partir do glicogênio e dos precursores periféricos, que são o músculo esquelético e o tecido adiposo. Os carboidratos são os fornecedores urgentes de energia, sendo os primeiros a serem acionados. No organismo, os carboidratos estão armazenados sob a forma de glicogênio, mas em quantidades suficientes para fornecer a energia necessária ao metabolismo por apenas 24 horas. Quando os estoques de glicogênio são depletados, a tendência é de o meio interno valer-se, para produzir energia, de mecanismos defensivos capazes de poupar proteínas, pois o seu consumo sempre causa prejuízo aos sistemas biológicos. No entanto, o organismo não é capaz de, esgotados os estoques de glicogênio, acionar imediatamente os mecanismos poupadores de proteínas. Nesse caso, inicialmente a energia surge tanto de proteínas como de gorduras, até que os chamados mecanismos de adaptação ao jejum (mecanismos de defesa) comecem a funcionar. e) Anormalidades do exame físico geral (sinais à ectoscopia) Na face fina e pálida, há arcos zigomáticos proeminentes. Seus cabelos são secos e escassos. Uma área de pigmentação irregular tipo “marrom- sujo” pode estar presente no rosto, particularmente ao redor da boca, sob os olhos e nas eminências malares. Os olhos são opacos e a esclera lembra porcelana não polida. Os lábios secos apresentam rachaduras, descamações e cianose discreta, podendo a língua apresentar-se edemaciada, lisa e hiperemiada, com impressões dentárias em sua margem inferior. A presença de edemas, especialmente nas pálpebras e nas bochechas, pode mascarar as evidências de uma fácies caquética. O pescoço fino parece anormalmente longo. As clavículas e as costelas são proeminentes, com as escápulas lembrando o aspecto de asas. A coluna vertebral, as cristas ilíacas e as tuberosidades isquiáticas são exuberantes, em concordância com nádegas finas e braços e pernas semelhantes a bastões. A hipotrofia das mamas é achado comum. As mãos e os pés são habitualmente frios, transmitindo sensação de dormência. O edema e as alterações do tegumento são comuns. As unhas têm crecimento lento e apresentam-se quebradiças. A acuidade auditiva está aumentada. No exame de palpação, a pele é fina, fria, seca, de textura rugosa e inelástica. Há diminuição da gordura subcutânea. O tônus muscular é fraco e há edema periférico. Os reflexos tendinosos profundos estão diminuídos ou ausentes. A pressão arterial é usualmente baixa. O pulso é de pequena amplitude, regular e lento em repouso. O coração é pequeno e as bulhas cardíacas são intensas, pela pouca espessura da parede torácica. Pela mesma razão, os pulmões parecem hiperresonantes. O abdome é escavado. Devem ser realizadas as medidas antropométricas para cálculo do IMC. 4. Síndrome séptica: sepse e choque séptico a) Definição A sepse se caracteriza por uma resposta inflamatória e imunológica sistêmica exacerbada, em resposta à uma infecção, o que leva a uma perda no equilíbrio homeostático do corpo e na disfunção de vários órgãos. De acordo com a definição mais recente publicada pelo Journal of the American Medical Association (JAMA), a sepse é composta por um conjunto de anormalidades, causada pela desregulação da resposta inflamatória do paciente em resposta à uma infecção. Já o choque séptico é um subconjunto de sepse acompanhado por anormalidades severas no metabolismo circulatório, celular e metabólico. Definições e padrões de identificação utilizados nas conferências Sepsis-1 e Sepsis-2: Inicialmente, a Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) surgiu no consenso entre associações médicas que visavam à padronização de quadros patológicos associados à sepse, sendo a SIRS um conjunto de manifestações de uma resposta inflamatória grave não obrigatoriamenteprovocada por uma infecção. Quando se trata de um processo provocado por uma infecção, os termos sepse e SIRS são sinônimos. A sepse severa se denomina como uma sepse associada a disfunção de um órgão, hipoperfusão ou hipotensão. A hipoperfusão inclui acidose lática, oligúria e alteração no estado mental. O choque séptico foi classificado como um subtipo de sepse severa, sendo caracterizada por hipotensão induzida persistente mesmo com a administração de fluidos, com anormalidades associadas. Alterações das definições e padrões de identificação na conferência Sepsis-3: A nova definição de sepse abrange quadros distintos (por exemplo: falência orgânica sem hipotensão ou lactato elevado, hipotensão arterial mesmo com vasopressores em qualquer dose desde que o nível de lactato seja ≤18mg/dL, caracterizados, respectivamente, como choque vasoplégico e choque críptico). Ou seja, a estratificação anterior de gravidade e consequente mortalidade da infecção era de sepse (infecção associada à SIRS), sepse grave (sepse com falência orgânica, hipotensão arterial e/ou hipoperfusão) e choque séptico (hipotensão arterial persistente mesmo após a administração de fluidos) se reduziu em infecção simples, sepse (infecção com indícios de falência orgânica) e choque séptico (hipotensão arterial com utilização de vasopressores e lactacidemia elevada). b) Causas Infecções acompanhadas de resposta inflamatória e imunológica sistêmica exacerbada. c) Sintomas Febre ou hipotermia, taquipneia, estado mental alterado, hipotensão arterial e oligúria aguda. d) Fisiopatologia da síndrome e dos sintomas e sinais O processo inflamatório se descreve por uma resposta do organismo em caráter de defesa na presença de um agente agressor, promovendo o reparo tecidual e cura do organismo. Este é mediado por fatores pró e anti-inflamatórios. A não intervenção do processo inflamatório no paciente pode ser considerado um dos fatores determinantes na alta mortalidade de pacientes com sepse e choque séptico. A inflamação é uma reação complexa que envolve respostas vasculares, ativação e migração de leucócitos e reações sistêmicas. Dentro da gama de marcadores, as citocinas destacam-se por sua ação na resposta do hospedeiro como reguladores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios. No geral, as citocinas geram o recrutamento de leucócitos para o foco inflamatório e, consequentemente, uma ativação da ação microbicida. Há diversos mediadores reguladores, como, por exemplo, o Fator de Necrose Tumoral (TNF), as Interleucinas (IL), Interferons (IFN), quimiocinas (citocinas quimiotáticas) e fatores de crescimento. O Fator de Necrose Tumoral (TNF) é uma das citocinas mais importantes, pois evidencia-se como uma das primeiras citocinas detectadas em pacientes com sepse por ser um mediador central de reposta de fase aguda, atuando na cascata das citocinas (estimulando a síntese), na produção de fibrinogênio pelo fígado, produção de Proteína C Reativa (PCR) e outras moléculas do processo. As interleucinas são citocinas anti-inflamatórias na sua maioria e têm como função equilibrar as ações dos mediadores pró-inflamatórios, diminuindo sua síntese e antagonizando suas ações. É evidente que a alta concentração de substâncias que inibem o processo inflamatório é prejudicial ao organismo, uma vez que o combate à infecção fica prejudicado. Sugere-se, então, que o desequilíbrio entre as ações das citocinas pró e anti-inflamatórias está intimamente relacionado com a severidade do quadro séptico. e) Anormalidades do exame físico geral (sinais à ectoscopia) • Febre (temperatura corporal > 38.3ºC) ou hipotermia (temperatura corporal 90bpm ou > 2 SD – desvio padrão – acima do valor normal para a idade; • Taquipneia: > 30bpm; • Estado mental alterado; • Edema significativo ou balanço de fluidos positivo (> 20ml/kg durante 24h); • Hipotensão arterial (pressão arterial sistólica 40mmHg em adultos outempo perdeu. Palpando musculatura, vendo cabelo, pele → isso ajuda para ver o estado de nutrição. Ver se tem redução da gordura subcutânea e do tônus muscular. Perguntar se teve distorção do apetite – pode haver aumento ou redução. Quimioterapia é sistêmica. Mexe muito com o tubo digestivo: abertura de feridas e úlceras, perda do paladar, baixando a ingestão. A maioria dos pacientes oncológicos faz suplementação, porque não come direito. Geralmente linfoma engorda. Pulmões hiperresonantes, com diminuição da quantidade de tecido na região torácica. • Sepse Desregulação da resposta inflamatória. Alterações na FC, temperatura, contagem de leucócitos. Chocado → desidratado, taquipneico, com trauma. Hipotensão arterial, pode ter edema. Pode haver coagulopatia sistêmica, lesão no endotélio e coágulos em vários lugares (CIVD), com consumo de plaquetas e fatores de coagulação. Usa tanto os fatores de coagulação que pode ter hemorragia. Febre muito elevada na tentativa de eliminar o agente infeccioso. Sepse = SIRS + infecção. SIRS = queimado, politraumatizado. A sepse pode evoluir para o choque séptico. Choque séptico = pressão baixa. Choque hipovolêmico, em que é necessário repor a volemia. Choque anafilático, cardiogênico. RESUMOS DO BLOG Febre de Origem Indeterminada (FOI): a principal causa são as infecções, seguidas pelas doenças neoplásicas e inflamatórias. A tuberculose é a principal causa infecciosa. O exame físico deve incluir a curva térmica, o exame de fundo de olho, boca, orofaringe, dentes, região retal e anal. Edema: o edema pode ser localizado, quando restrito a uma determinada região do corpo (por processos inflamatórios, alérgicos, traumáticos, início do edema na congestão venosa sistêmica, compressões venosas e linfáticas), ou generalizado, quando houver distúrbio no metabolismo hidrossalino por mecanismo de natureza sistêmica (retenção de sódio e água), como ocorre na insuficiência cardíaca, hepatopatia crônica, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica e desnutrição grave. Edema – História da Doença Atual: • Modo de início do edema. • Local de início. • Circunstânicas em que aparece ou é mais intenso. • Duração. • Distribuição (localizado ou generalizado). • Curso: fugaz, contínuo e persistente, recorrente (neste caso, duração dos períodos de remissão, duração dos períodos de edema). • Cor e temperatura. • Consistência. • Sensibilidade. • Presença de alterações de pele no local afetado. • Manifestações concomitantes. • Exames realizados e seus resultados. • Diagnósticos já recebidos. • Tratamentos efetuados e respectivos efeitos. • Progressão. Síndrome consumptiva: a etiopatogenia ocorre em função da diminuição da ingestão calórica, aumento do metabolismo e perda de calorias. Esse processo, em especial para as neoplasias, envolve a produção de citocinas, liberação de fatores proteolíticos e lipolíticos e alteração no metabolismo intermediário. Sepse: Entende-se que a orientação do Instituto Latino-americano de Sepse na América é no sentido da manutenção dos critérios operacionais utilizados anteriormente (Sepsis-2), os quais são mais adequados para aplicação em países em desenvolvimento, onde as parâmetros da SIRS continuam a ser recomendados. Assim, no Brasil e na América Latina, ainda há controvérsias quanto ao novo consenso Sepsis-3. Relatório de discussão: *Sepse: SIRS → Taquicardia, taquipneia, temperatura corporal acima de 38 graus ou abaixo de 36 graus, frequência cardíaca maior que 90 bpm, frequência respiratória acima de 20 ou pressão parcial de gás carbônico arterial menor que 32 mmHg, ou ventilação mecânica, leucócitos acima de 12.000 ou abaixo de 4.000, ou acima de 10% de bastonetes. SIRS é uma resposta sistêmica inespecífica, de natureza infecciosa ou não, e aos critérios de diagnóstico da SIRS, se junta um obrigatório para o diagnóstico de sepse: a causa do quadro clínico ser definitiva ou presumidamente infecciosa. Fisiopatologia da sepse: injúria tecidual, com efeitos locais que envolvem o recrutamento de células fagocitárias, essencial para a eliminação dos microrganismos, mas também com efeitos sistêmicos, que causam vasodilatação, hipotensão e choque. As citocinas induzem uma série de efeitos: hipotensão arterial e febre por ação direta sobre o hipotálamo. A liberação das citocinas inflamatórias pelos linfócitos e macrófagos é importante e elas estimulam uma intensa resposta celular, com liberação de mediadores secundários, quimiotaxia e ativação de leucócitos. Além do TNF e interleucinas, metabólitos do ácido araquidônico possuem potente efeito vasodilatador e influenciam a redução da resistência vascular sistêmica e a hipotensão que ocorrem no choque séptico. O óxido nítrico (NO) é mediador da hipotensão, com aumento da sua produção em resposta do endotélio às citocinas inflamatórias, com consequente vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular. As células não recebem aporte adequado de oxigênio pela hipoperfusão periférica. CIVD (Coagulação Intravascular Disseminada). Inflamação e coagulação se associam, estimulando-se e inibindo-se reciprocamente. O consumo e consequente depleção dos fatores de coagulação e plaquetas contribuem para os sangramentos. *Febre: Fisiopatologia: quando o pirógeno endógeno atua sobre o termostato hipotalâmico, eleva-se o limiar térmico (geralmente em torno de 37 graus em condições normais) e desencadeiam-se respostas metabólicas de produção e conservação de calor (calafrios, vasoconstrição periférica, aumento do metabolismo basal). Quando a temperatura corporal ultrapassa o novo limiar do termostato, são desencadeados mecanismos de dissipação de calor (sudorese, vasodilatação periférica). A febre é uma síndrome, apresentando astenia, taquicardia, calafrios, mialgias, cefaleia e mal-estar geral. Durante a febre, aumenta-se o metabolismo basal e isso faz com que se consumam reservas de carboidratos e, como os lipídios são mal utilizados como fontes energéticas por esses pacientes, acabam se mobilizando os aminoácidos musculares. No imunodeprimido, assim como no idoso, a febre costuma ser de baixa intensidade. *Edema: Inflamatório: resultante de quadro infeccioso. O edema é desencadeado pela liberação de substâncias vasoativas e aumento da permeabilidade capilar local pelo processo inflamatório. NÃO É SISTÊMICO. Edema das nefropatias, como na síndrome nefrótica: aumento da permeabilidade da membrana basal glomerular, perda maciça de albumina na urina e, em consequência, edema. O edema de origem renal surge geralmente na face. Edema de origem hepática, por cirrose: também cursa com hipoalbuminemia, por déficit de produção. Um mecanismo importante no edema de origem sistêmica é a retenção de água e sódio pelo rim, em decorrência da redução do volume circulante efetivo provocada pela hipoalbuminemia. Outro edema sistêmico é o desencadeado pela redução do volume sistólico da insuficiência cardíaca, que, da mesma forma, leva a um quadro de redução do volume circulante, culminando também com retenção de água e sódio e, consequentemente, edema. O mecanismo envolvido na fisiopatologia é o sistema neuro-humoral da renina-angiotensina- aldosterona, diretamente envolvido no controle do volume extracelular. Devolutiva de prova: Paciente do sexo masculino, 78 anos, agricultor, viúvo, natural de Sapé, residente em área rural. Procedente do Hospital Padre Zé, nesta capital, de onde foi encaminhado ao Hospital Universitário Lauro Wanderley. Refere que há 2 meses começou a apresentar quadro de hiporexia, diarreia e perda ponderal de 15 kg. A acompanhante referiu que ele já teve tuberculose no passado, mas não sabe se fez o tratamento correto, nem o pacientesabe informar. Nega cirurgias prévias e uso de medicamentos, mas referiu que o paciente é ex-tabagista há 5 anos, tendo fumado por aproximadamente 50 anos. Foi elitista por 20 anos (duas a três doses de aguardente por dia). Sua alimentação é monótona, quantitativamente escassa, pouco fracionada (3 refeições ao dia), pobre em frutas e verduras, além do baixo consumo de líquidos. À ectoscopia, apresentava-se em estado geral comprometido, pálido (+++/4), peso 44,8 kg e altura 1m60. Para demais achados, vide imagens 1 e 2. 1. Que hipótese (s) diagnóstica (s) sindrômica (s) sistêmica (s) você levantaria neste caso? Síndromes consumptiva e edematosa. 2. Comente fisiopatologicamente a (s) síndrome (s) sistêmica (s) apresentada (s) pelo paciente. Síndrome consumptiva: Em decorrência da falta de ingestão alimentar adequada, da diarreia (perda enteral de nutrientes) e da anorexia, além do papel de um possível quadro infeccioso crônico (tuberculose reativada), o paciente apresesenta quadro consumptivo, que é uma síndrome resultante da privação calórica, associada à perda de massa celular, diminuição de atividade física e acelerada degradação de proteínas e lipídios. Entre os marcadores humorais que possuem um papel chave no estabelecimento da síndrome estão as citocinas, que são mediadores produzidos pela maioria das células do organismo, mas principalmente pelos macrófagos. As citocinas têm um papel importante na imunomodulação e têm sido implicadas na etiologia da anorexia e perda de peso, atuando através de um sistema em cascata sinérgico ou antagonista para produzir os seus efeitos anoréticos. A perda de tecido muscular deflagra o quadro de sarcopenia com atrofia muscular. As citocinas também ativam o sistema proteolítico mediado pela ubiquitina, que é o principal sistema envolvido no hipercatabolismo. As citocinas induzem à lipólise. A lipase lipoproteica diminui, impedindo a liberação de triacilglicerol e resultando em hipertrigliceridemia. Todos esses processos resultam em balanço energético negativo e mais perda de peso. Ocorre uma maior mobilização de glicose pela gliconeogênese e aumento de atividade de ciclos fúteis para gerar energia (ciclo de Cori) com perda de ATP. Pode ocorrer certo grau de intolerância à glicose por insulino-resistência periférica e se perde o efeito anabólico da insulina. A redução da leptina é outro fator importante no aumento da anorexia. A grelina, que é um hormônio peptídico anorexígeno, eleva- se por um mecanismo de compensação. O sistema da melanocortina também é estimulado pelas citocinas e tem efeito anorexígeno. Por outro lado, o neuropeptídeo Y, que é orexígeno e anabolizante, apresenta níveis reduzidos. Síndrome edematosa: A grave deficiência nutricional leva à hipoalbuminemia. Os níveis plasmáticos de albumina são importantes para a manutenção da pressão oncótica plasmática e um nível abaixo de 2 g/dL de plasma resuta em edema. Ocorre uma perturbação nas variáveis que regem o equilíbrio de Starling, levando a alterações na dinâmica capilar devido ao aumento da pressão hidrostática e diminuição da pressão oncótica plasmática. A hipoalbuminemia determina a queda da pressão oncótica plasmática, com redução de volume intravascular, o volume plasmático efetivo, criando condições para estimular o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). O aparecimento de edema também é consequência de alterações na homeostase do sódio e da água porque os rins são o principal efetor no balanço de água e sódio, sendo, também, um importante sensor (aparelho justaglomerular), levando ao SNC informações sobre o volume extracelular através das aferências nervosas. 3. À ectoscopia dos membros inferiores, que sinal clínico chama mais sua atenção e como este deve ser descrito quanto as suas características semiológicas objetivamente pelo examinador? Edema de membros inferiores. Deve ser descrito quanto à localização, intensidade (em cruzes), presença de sinal do cacifo, consistência (mole, duro), sensibilidade (doloroso ou não), temperatura (frio, quente) e coloração (branco, avermelhado) da pele suprajacente, alterações tróficas da pele (hiperpigmentação local, presença de ulceração). 4. Como deve ser classificado o estado nutricional deste paciente com base no IMC pelos critérios da OMS? IMC = 17,5 = Baixo peso. 5. O que se pode descrever do tecido celular subcutâneo e musculatura do doente pela imagem do seu tórax e pescoço? Sinais de intensa desnutrição proteico-calórica: escassez de tecido celular subcutâneo e atrofia muscular, com gradil costal e clavículas visivelmente demarcados à ectoscopia.