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1 GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 2. METODOLOGIA ........................................................................................................ 9 3. APRESENTAÇÃO DE DADOS E DISCUSSÕES ................................................. 10 4. COACHING EDUCACIONAL NA GESTÃO ESCOLAR ...................................... 19 5. GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL: CAMINHOS PARALELOS EM BUSCA DO SUCESSO DA EQUIPE ............................................. 22 6. FERRAMENTAS DO COACHING QUE PODEM SER UTILIZADAS PELA GESTÃO ESCOLAR NA OBTENÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS .................. 26 7. REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 30 4 1. INTRODUÇÃO O coaching é um processo que se utiliza de um mix de técnicas, ferramentas e conhecimentos para o atingimento de metas, realização de objetivos e tomada de decisão. Esse processo visa a conquista de mudanças profundas e duradouras em um curto espaço de tempo de maneira duradoura e acelerada (Pércia e Sita, 2011). Sabemos que a inovação faz parte da sociedade contemporânea e exige novas práticas culturais, econômicas e sociais. Neste contexto é necessário a inserção de novos artefatos e práticas no fazer pedagógico, para potencializar o ensinar e o aprender. O desenvolvimento de novas ações que promovam um aprendizado significativo aos estudantes oriundos desse mundo imerso em tecnologias da informação e comunicação digital são essenciais na sociedade atual, uma sociedade baseada no conhecimento. Hodiernamente na sociedade do conhecimento interconectada por um cenário de comunicação digital o ambiente educacional passa a ser um espaço integrado de saberes onde a promoção de um aprendizado exige inovadoras de ensino. Observa- se que não basta o professor ter competência teórico-prática é preciso ir além e incluir fatores pessoais e sociais que formam e influenciam a inteligência emocional impactando diretamente na direção para um aprendizado ativo e de sucesso. Esta nova visão potencializa o processo de socializar, externalizar, compartilhar e internalizar os novos conhecimentos. Assim, surge o professor-coach um profissional que impulsiona e potencializa o processo de aprendizagem de seu aluno-coachee. 5 Numa visão tradicional do ensino, considera-se que o professor ensina e o aluno aprende ou, muitas vezes este aluno não aprende, por limitações como incapacidade cognitiva ou mesmo falta de interesse. Contudo, num olhar atual e inovador o professor assume o papel central de melhoria continua de sua prática contribuindo com a formação integral de seu aluno, deixando de lado sua verdade absoluta e estando inteiro em sua prática a serviço do aluno por uma formação qualidade. O que exige, segundo Pérez (2009, p. 23) ações como: "saber ouvir, oferecer disponibilidade, saber fazer o seu trabalho, ser competente, ter motivação, uma atitude mental positiva, e sobretudo, uma metodologia precisa." De acordo com Paiva, Macilha e Richards (2012) coaching é uma palavra oriunda da palavra “coche”, do inglês medieval e do atual “coach”, carruagem. A evolução do coaching, termo utilizado pela primeira vez em 1500 na Hungria, relacionada a carruagem de quatro rodas onde o coach aparece como aquele que conduz uma pessoa de um lado para o outro. Mas, somente por volta de 1991 que esta prática se propaga como disciplina e profissão e expande em 1992 com a fundação da Coach University. Estas iniciativas tiveram a participação de Thomas Leonard que contou também com Laura Whithworth Karen e Henry que potencializaram esta expansão por meio da fundação do Coaching Training Institute. Em 1993 a prática avança focada no desenvolvimento de esportista e também no contexto empresarial no alcance acelerado de metas num como sendo um processo visto como evolução continua. Seguindo um crescimento substancial surgiu em 1995 a International Coaching Federation (IFC), hoje presente em mais de 140 países, com o objetivo de promover a ciência e a prática profissional do coaching. Na sequência outras instituições com a visão de expansão do coaching e consolidação das práticas ganham força, como: European Coaching Association (ECA); Behavioral Coaching Institute (BCI); International Association of Coaching Institutes (ICI) e é no ano de 2000 que tem-se a primeira tese de doutorado na área. No Brasil, interpretado como processo que permite o desenvolvimento da competência humana de modo prático, ativo e direto para se atingir o resultado desejado, o coaching deu os primeiros passos nos anos de 2000 e se expandiu significativamente nos últimos cinco anos. Tem-se grandes escolas de formação, como, a Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) fundada em 1999 e o Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) fundado em 2007. 6 O processo de coaching integra um mix de ciências como: Filosofia Socrática, Psicologia, Programação Neolinguística (PNL), Gestão de Pessoas, Psicologia entre outras e por isso aplicado ao contexto educacional aproxima-se de ações para obtenção de rendimento e liderança do professor-coach com seu aluno-coachee. No cenário educacional o coaching é uma ferramenta de colaboração que amplia a consciência e potencializa a aprendizagem permitindo a obtenção de resultados. “...processo sistemático de aprendizagem, centrado na situação presente e orientado para a mudança, onde facultam recursos e ferramentas de trabalho específico que permitem a melhoria do desempenho(...) linguagem, porque se baseia num diálogo entre o coach (para nós, o professor) e a pessoa (o coachee, no nosso caso, o aluno) (...) aprendizagem, porque o coaching é a arte de aprender a aprender, mais do que a ensinar. E a mudança, porque o coaching é disciplina que trata das mudanças, do modo como implementar mudanças em nós próprios, nos nossos comportamentos, atitudes, destrezas, capacidades e competências, e nas dos outros. Sem mudança não há solução (PÉREZ, p. 17-18).” O coaching é um processo que tem como premissa o desenvolvimento, a motivação, o apoio do indivíduo de modo que estes saiam do estado atual que se encontram para atingir o estado desejado, a partir de um objetivo claro e definido. O conceito de coaching está atrelado a interação entre duas ou mais pessoas (coaching individual - um coach e um coachee ou coaching em grupo - um coache e vários coaches),no nosso estudo tem-se o professor como o coach e o grupo de alunos como coaches. O próprio Ministério da Educação (MEC) reconhece a formação em nível de especialização na área de coaching e mostra-se aderente a proposta desta atuação. Esta ação fica evidente quando identifica-se a parceria, por exemplo no ano de 2012, com o propósito de dar celeridade às ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), firmada com a Organização dos Estados Ibero-Americanos, para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), organizado a partir de seis pilares: visão sistêmica da educação; territorialidade; desenvolvimento; regime de colaboração; responsabilização; 7 mobilização social – e se traz como perfil desejado para os consultores desta demanda o coaching e mentoring (MEC, 2012). Contudo, considera se recente a prática de coaching no processo de docente nas universidades brasileiras, mas já se conta com resultados de pesquisa apontando a potencialização dos resultados conquistados. Um professor-coach cria formas de tornar o aprendizado mais fácil, explorando as diferentes experiências de seu aluno de modo que este possa compreender e aplicar o "novo". O processo de coaching é pautado numa psicologia positiva que valoriza os pontos fortes do aluno saindo de visões de senso comum, como: "aluno é tudo igual"; "aluno não quer nada com nada" etc. Por meio de técnicas e ferramentas de coaching instituições de ensino tem ampliado o olhar num novo fazer pedagógico. E profissionais da educação vem se especializando na área de modo a potencializar o processo de ensinar e aprender, levando a um novo processo conexionista, a partir da autoconsciência, numa prática de educação em rede gerando resultados extraordinários. Neste processo, o professor-coach precisa desenvolver além de conhecimentos específicos, algumas noções de psicologia para mobilizar a motivação e levar o seu aluno a resultados extraordinários. O procedimento consiste em ajudar o indivíduo a aprender e desenvolver competência e não ensinar tudo pronto, ou seja, fazendo uma analogia com o provérbio chinês, o coaching aponta para uma visão no qual o docente deve "Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida." A partir desta contextualização, o objetivo neste nosso estudo é mapear práticas do profissional de coach na atuação docente como uma ação inovadora para potencializar o processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, o presente estudo está organizado em cinco seções. A primeira introdutória aqui explicitada. Na segunda seção, descreve-se a trilha metodológica onde apresenta-se os procedimentos utilizados para realizar a pesquisa. Na terceira seção, descreve-se os dados e resultados que permitem realizar uma análise bibliométrica. Na quarta faz-se as considerações finais apresentando a relevância práticas do coaching no processo de 8 docência que inclui o ensinar e aprender. Um professor-coach acompanha o processo de construção do conhecimento, desenvolve competências, leva o seu aluno a um estado de movimento. Por último, na quinta seção, elencam-se as referências utilizadas para conduzir o referente estudo. 9 2. METODOLOGIA Para um melhor entendimento, trabalhou-se a partir de uma visão exploratória- descritiva com o método indutivo que permitiu delinear o tema, ampliar a familiaridade dos pesquisadores, a partir de dados suficientes, e inferir uma nova concepção a partir do caminho percorrido (MARCONI; LAKATOS, 2010). Como método de pesquisa da literatura, utilizou-se a busca sistemática em uma base de dados on-line, seguida de uma análise quantitativa dos resultados por meio da bibliometria. A bibliometria é uma metodologia oriunda das ciências da informação que utiliza métodos matemáticos e estatísticos para mapear documentos e dados de publicação. A bibliometria permite, a organização e análise quantitativa de dados relevantes como: produção por região; temporalidade das publicações; pesquisas por área do conhecimento; contagem da citação do estudo; fator de impacto de uma publicação científica entre outros (FEATHER; STURGES, 2003; SANTOS; KOBASCHI, 2009). Esta análise permite a sistematização dos resultados de uma pesquisa e a minimização da ocorrência de possíveis vieses ao se olhar para um determinada temática. Considerando a problemática, delimitou-se os termos de busca, a saber: “coach” and “teacher” and “teaching”. Como princípio básico para a busca, optou-se pela utilização dos termos nos campos “title”, “abstract” e “keyword”, sem restrição temporal, de idioma ou outra qualquer que pudesse limitar o resultado. Na fase de coleta de dados recuperou-se um total de 415 documentos indexados com predominância de 65% dos resultados concentrado na área de ciências sociais, seguido pela área da saúde com 38,6% dos resultados, ciências da computação com 12,1% dos resultados e engenharia (grande área e engenharia química) com 9%. Considerando o objeto de estudo delimitou-se o resultado para área de engenharia o que representa 36 trabalhos indexados, com o primeiro registro datado de 1986 e o último de 2017, levando em consideração que a pesquisa foi realizada no dia 11 de maio do corrente ano. Contudo, somente em 2009 teve-se estudo intersectando a área das engenharias. 10 3. APRESENTAÇÃO DE DADOS E DISCUSSÕES De início analisou-se a distribuição temporal dos trabalhos, o que permitiu identificar que a primeira publicação esta datada de 1986 com um artigo e seguiu por 7 anos sem publicação, ou seja, de 1987 a 1992 não houve nenhum registro. Já no ano de 1993 teve-se uma publicação isolada e no ano de 1994 seguiu por mais 10 anos sem publicação novamente, ou seja, de 1994 a 2003. Nos dois anos seguintes 2004 e 2005 teve-se o registro de duas publicações. Em 2006 não houve publicação. Em 2007 tive duas publicações. E, em 2008 e 2009 teve-se três publicações por ano. Em 2010 a indexação apontou duas publicações. E, em 2011 a 2014 houve três publicações indexadas, por ano. Em 2015 com um pequeno aumento nas publicações obteve-se um número de quatro artigos indexados na base de pesquisa. Em 2016 identificou-se novamente uma diminuição no número de artigos publicados com três artigos. Em 2017, identificou-se apenas um artigo indexado. Esta frequência mostra, conforme Gráfico 1 abaixo, a descontinuidade e carência de pesquisa na área do profissional coach ao intersectar com práticas de ensino e aprendizagem. Gráfico 1 – Distribuição dos artigos indexados, por ano Fonte: Elaborado pelos autores (2017). O primeiro artigo publicado no ano de 1986 foi intitulado Sail Training With A Sailing Simulator e teve como autores Klingler, Joseph e Andrews e discutiu sobre a simulação de navegação baseada em Computador Pessoal apresentando o método 11 como conveniente e eficiente para aprender conceitos de navegação que vão desde o vento aparente e a velocidade até estratégias de alto nível para navegar competitivamente em condições de vento complexas. Passados 7 anos sem publicação, em 1993 foi publicado o artigo Facilitator: as teams battle to be effective do autor McChesney III. O objetivo neste artigo foi discutir a ajuda de equipes nas soluções para tarefas com um máximo de participação de seus membros e quando possível baixa interferência do facilitador que atua como um consultor de processo, um professor e um treinador. Após 6 anos sem publicação, no ano de 2001 foi publicado o artigo intitulado Pupil-centred learning, ICT, and teacher behaviour: observations in educational practice é discutido nesse artigo sobre as tecnologias da informação e da comunicaçãoque contribuem para ambientes de aprendizagem inovadores e centrados nos alunos. Segundo o estudo, nesses ambientes as características curriculares melhoram as características dos alunos e os professores que atuam como treinadores. Este artigo apresentou os resultados de um estudo das características ensino-aprendizagem e o papel do professor em ambientes de aprendizagem com tecnologias de informação e comunicação. Após 3 anos sem publicação, tem-se no ano de 2004, foi publicado o artigo Development of web-based correction system for artistic design dos autores Kura, Kakehi, Suzuki, Sugiyama, Takahashi, Takemiya, que discutiu sobre o desenvolvimento de um sistema de correção baseado na web para a educação em design artístico. Este sistema tinha como objetivo eliminar as restrições quanto ao tempo e à localização dos estudos para os alunos e professores. Mas foi a partir do ano de 2009 que teve-se início de publicação indexada integrando a área de Engenharia. O primeiro artigo de 2009, foi intitulado Student Engagement in a Structured Problem-Based Approach to Learning: a first-year electronic engineering study module on heat Transfer dos autores Montero e Gonzalez que neste artigo discutiram aprendizagem baseada em problemas – metodologia que tem sido o cerne do desenvolvimento na educação de engenharia nos últimos anos. Este artigo apresentou a experiência de uma abordagem estruturada de aprendizagem baseada em problemas para o ensino de um módulo introdutório de estudo sobre transferência de calor no primeiro ano de um programa de pós- graduação em engenharia eletrônica. Outro artigo publicado, no mesmo ano, foi 12 Integrating graduate design coaches in undergraduate design project teams de autoria de Powers e Summers que descreveu como um estudante de engenharia mecânica de pós-graduação foi empregado como um treinador em uma equipe de design sênior de graduação trabalhando no desenvolvimento de uma máquina de modelagem de injeção de plástico de baixo volume e baixo custo. Ainda em 2009 teve-se a indexão do artigo Integrating Professional Skills in the 21st Century Engineering and Technical Curriculum que discutiu o desafio de engenharia para o programa do século XXI baseado em conceitos do modelo de Educação de Engenharia de Projeto Integrado Transferível (TIDEE), um modelo desenvolvido em meados da década de 1990 para se concentrar na melhoria contínua da educação em design de engenharia. Em 2010 foi publicado outro artigo com foco na educação em engenharia intitulado High school enterprise: authentic engineering experiences in secondary education dos autores Oppliger, Kampe e Troesch que discutiram autênticas experiências de engenharia no ensino secundário num olhar voltado para a necessidade de preparar mais e mais os indivíduos, como aponta instituições da área. Em 2011 foi indexado o artigo Active learning environment: applying the problem based learning approach to amoeba distributed operating system com foco na discussão da aprendizagem baseada em problemas referenciando o ambiente de aprendizagem como todo espaço em que o problema permite o aprendizado, pois a problemática permite que os alunos percebem que precisam adquirir novos conhecimentos antes de resolve-la. O artigo também discutiu a experiência de uma abordagem estruturada de aprendizagem baseada em problemas para o ensino de um módulo introdutório de estudo sobre sistema operacional distribuído em um programa de pós-graduação em engenharia da computação. No ano de 2012 foi indexado o artigo Enabling innovation in engineering education by providing Flexible Funds for teaching staff dos autores Friese, Terkowsky, May, Tekkaya, Schuster, Richert e Jeschke. Esse artigo discutiu sobre a alta qualidade na educação na área de engenharia chamando a atenção para os desafios "do amanhã". A partir deste olhar os autores destacaram que as 13 universidades precisam ajustar seus currículos aos requisitos atuais para superar a escassez global de engenheiros. No mesmo ano foi publicado o artigo intitulado On the benefits of using the engineering design process to frame project-based outreach and to recruit secondary students to STEM majors and STEM careers dos autores Kampe e Oppliger que evidenciou os benefícios de usar o processo de design de engenharia para enquadrar o alcance de projetos e recrutar estudantes secundários e apresenta uma discussão a partir da proposta pedagógica de um programa de extensão baseada na aprendizagem baseada em projetos. No ano de 2013 teve-se a indexação do artigo Learned lessons from the first year research experiences for teachers program dos autores Kaya, Yelamarthi, Dejong, Cheng, Kettler, e Chen que discutiram sobre as principais lições aprendidas a partir de um olhar sobre o rimeiro ano de experiências de pesquisa para o programa de professores da Fundação Nacional de Ciências (NSF), intitulado Pesquisa de Engenharia Multidisciplinar para o Futuro Rural de Michigan. No ano de 2014 teve-se a indexação do artigo A comparison of adult learning characteristics between first-year and senior capstone students de autoria de Pembridge que apresentou nesta publicação um comparativo das características de aprendizagem de adultos considerando alunos do ensino superior apontando, a partir da análise, que a capacidade de ensinar engenheiros e formar a competência de trabalho eficaz em um campo ou disciplina depende de uma educação que está situado em um ambiente realista e comparável comumente visto em cursos de aprendizagem baseada em projetos. No ano de 2015 foram publicados dois artigos denominados, respectivamente: Factors that support teacher shift to engineering design de autoria de Kukreti, Maltbie e Steimle; e Work-in-progress: european platform for innovation and collaboration between engineer students (EPICES) de autoria de Francois, Lanthony, Nordstrom, Nahri, Viksne, Buijs, Van Petegem, Come, Patalano, Fioriti e Ruiz. O primeiro discutiu sobre fatores que ajudam o professor a mudar de projeto de engenharia apresentando 14 um programa de desenvolvimento profissional conduzido na Universidade de Cincinnati para professores de ensino médio e de ciências e matemática. O segundo artigo discutiu sobre a plataforma europeia para a inovação e colaboração entre estudantes de engenharia (EPICES) cujo objetivo foi desenvolver uma colaboração europeia a partir de um framework e um método de aprendizagem baseado em projetos a distância, com base em plataformas técnicas já existentes e ainda em desenvolvimento, ou seja, ferramentas de colaboração e engenharia. Esta publicação apontou a intersecção do papel dos professores, o processo de coaching e a participação dos alunos. Esta integração parte da análise da participação de um "treinador" para promover a aprendizagem baseada em projetos incluindo a formação para professores e desenvolvimento de métodos de avaliação. De acordo com o estudo esta é uma questão-chave a ser discutida, a fim de desenvolver a aprendizagem baseada em projetos para estudantes de engenharia, especialmente em contexto internacional e/ou industrial, que exige uma colaboração forte e eficaz de todos os atores para ter sucesso e inovar dentro do quadro de aprendizagem. Dos 36 artigos que compuseram a amostra desta análise apenas onze tiveram sua discussão voltados a educação inovadora na área da Engenharia. Contudo, o Workin-progress: european platform for innovation and collaboration between engineer students (EPICES) foi o único que discutiu diretamente a prática do profissional de coach enquanto uma ação para promover práticas de ensino para uma aprendizagem significativa que partiu do olhar da aprendizagem baseada em projeto apontando uma ativa participação dos atores da ação de ensinar e de aprender. A partir de um olhar sistêmicoe direcionado aos trinta e seis trabalhos observa- se uma variada lista de países que se destacam na pesquisa com ênfase para a região dos Estados Unidos que aparece com uma média de 24% das publicações totais indexadas, 10 artigos. Em segundo lugar tem-se 10% das publicações indexadas sem país definido. A China destaca-se em terceiro lugar com 3 publicações indexadas. Outra análise realizada foi a ausência de indexações provenientes do Brasil. O Gráfico 2 demonstra os países envolvidos em publicações indexadas na área pela base de dados Scopus. 15 Gráfico 2 – Distribuição das pesquisas por países Fonte: Elaborado pelos autores (2017) Na sequência analisou-se os autores que aparecem no resultado desta busca o que permite afirmar que não se tem uma evidência de referência de autoria na área o que permite afirmar que está integração de ação inovadora é necessária, está baseada em metodologias e práticas de ensino, integra um olhar incipiente a partir do processo de coaching, contudo é um olhar em construção e desenvolvimento. No Quadro 1 organizou-se os considerados autores de destaque na área por terem no mínimo duas indexações na base de dados Scopus. 16 Quadro 1 - Autores com maior número de publicações na área suas afiliações e países Fonte: Elaborado pelos autores (2017) Com base nesta descrição evidencia-se que são sete o número de autores que se destacam com mais de duas indexações de pesquisas na área e destes quatro são da Universidade Nacional de Taiwan e três da Universidade Tecnológica de Michigan dos Estados Unidos. Outra análise de resultados realizada foi quanto a concentração das pesquisas nas áreas de conhecimento e percebeu-se que áreas de concentração dos artigos são das: Ciências Sociais; Profissões da Saúde (Medicina, Enfermagem, Psicologia e Neurociências); Ciência da Computação; Engenharia (Engenharias e Engenharia Química) e Artes e Humanidades conforme ilustra o Gráfico 3. Gráfico 3 – Áreas do conhecimento da publicação Fonte: Elaborado pelos autores (2017) Outra análise realizada, a partir da análise bibliométrica, com base no grupo de trabalhos recuperados na base de dados Scopus, foram as palavras-chave utilizadas que sintetizam-se em 126 diferentes palavras. O destaque ficou com a palavra-chave ensino com 27 ocorrências, seguidos da palavra estudantes com 19 ocorrências, educação e educação em engenharia com 10 ocorrências, currículo com 6 ocorrências, treinamento de pessoal e aprendizagem baseada em projetos com 5 17 ocorrências, instrução assistida por computador, educação informática, humano, motivação e professor aparecem com uma ocorrência igual a 4. As outras palavras não foram consideradas nesse artigo, pois aparecem com a frequência de 3 palavras chaves, duas palavras chaves e uma palavra. Na Figura 1 destaca-se as maiores ocorrências das palavras chaves. Figura 1– Nuvem das palavras chaves Fonte: Elaborado pelas autoras (2017) Na análise das palavras-chave, nota-se que a discussão do profissional de coach enquanto ação inovadora para potencializar o aprendizado congregam diferentes temas com ênfase de indexação a partir das palavras “estudantes”, “educação”, “educação em engenharia” e “currículo”. Vislumbra-se que o processo de coching amplia-se no cenário educacional para além do professor exigindo uma nova postura da instituição, dos alunos, da família e demais profissionais envolvidos neste contexto. Programas, como o "Acadêmico em Ação", um programa de coach e mentoria desenvolvido pela pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, também tem sido desenvolvido para trabalhar direto com os alunos numa proposta de formação integral e significativa que respeita as limitações e potencializa os pontos fortes por meio de um processo 18 individualizado a necessidade de cada acadêmico de modo que este identifique áreas de satisfação para agir e conquistar resultados a ponto de deixar um legado para a ciência. Logo, o processo de coaching integrado a prática docente potencializa a formação integral do indivíduo trabalhando aspectos emocionais e de pesquisa. A partir de uma análise qualitativo dos resultados percebeu-se que este debate envolve ainda a preocupação com ações inovadoras para potencializar o aprendizado por meio de metodologias que possibilitam novas formas de ensinar e aprender envolvendo uma proposta ativa de metodologias educacionais que pode ser trabalhada a partir de conceitos de metodologias ativas, como, aprendizagem baseada em problemas e também aprendizagem baseada em projetos, onde a ação professoral seja muito além do conhecimento teórico integre ações práticas e conhecimentos de natureza psicológicas onde o motivar e integrar as diferentes fases e estágios da aprendizagem podem ser soluções para a problemáticas inseridas no seu contexto. Esta nova prática exige dos professores nas diferentes áreas, aqui representadas pela "lente da formação em engenharia" pode contar com ferramentas e conhecimentos do processo de coaching. A Educação é, sem dúvida, um dos maiores campos de pesquisa que existem. Ela dá o devido suporte aos pesquisadores no que diz respeito às tentativas de compreensão de uma série de conflitos nas relações cognitivas e interpessoais. O ser humano cresce e é educado para resolver conflitos que surgem a cada dia. Muitas são as formas de orientar indivíduos para essas resoluções, mas novas situações sempre contrariam tudo o que é aprendido até o momento. Tão importante quanto resolver conflitos interpessoais, mediar essas relações pode ser um dos maiores desafios de um líder. Em âmbito educacional, cuja escola será agora o principal foco das discussões um gestor escolar lida, todos os dias, com as situações mais adversas. Além de ter suas próprias insatisfações, problemas pessoais, motivacionais, etc., também precisa lidar com uma série de situações advindas de sua equipe, nas quais precisa manter-se sempre centrado e pronto para motivar, delegar e orientar da melhor maneira possível, sempre em prol da instituição que lidera, como afirma Lück (2008, p.20): 19 “Sendo a liderança na escola uma característica inerente à gestão escolar pela qual o gestor mobiliza, orienta e coordena o trabalho das pessoas para aplicarem o melhor de si na realização de ações de caráter sociocultural voltadas para a contínua melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, ela se assenta sobre uma atitude proativa e pelo entusiasmo e elevadas expectativas do gestor em sua capacidade de influenciar essa atuação e seus resultados. 4. COACHING EDUCACIONAL NA GESTÃO ESCOLAR No modelo atual de gestão, cuja figura do diretor autoritário, opressor e egocêntrico ficou para trás dando lugar a um motivador, líder e condutor de sua equipe na busca pelo alcance dos objetivos comuns, gerir pessoas passou a ser um dos processos mais complexos no âmbito educacional. Ser autoritário é tarefa fácil, pois 20 assim o diretor faz uso de seu autoritarismo para delegar tarefas, cobrar resultados e apontar defeitos de subordinados sem sequer mover-se para contribuir no trabalho. Ser gestor, por sua vez, exige o domínio de técnicas que o levem a tomar as melhores decisões pensando no bem institucional, isto é, coletivo. Partindo dessa premissa, surgiu a inquietação: Como o uso do coaching educacional funciona nas ações do gestor escolar, buscando este a obtenção de resultados positivos para a instituição de ensino? Sabe-se que uma escola funciona bem quando equipe gestora, corpo docente, pessoal administrativo e corpo discente trabalham em harmonia,motivados a quererem o melhor para a instituição. A motivação é um dos principais agentes que influencia o ser humano a estar sempre disposto a dar o seu melhor, portanto, além de estar motivado, o gestor precisa manter sua equipe também motivada, fazendo uso de todas as ferramentas que estiverem ao seu alcance para que os resultados sejam obtidos da maneira como se deseja: em menor tempo, com o menor custo e maior eficiência possíveis. Neste tópico, elucidaremos se o coaching educacional pode oferecer subsídios para isso. O surgimento de novas metodologias que auxiliem na administração escolar é muito bem-vindo, desde que bem embasado. Porém, essas novas metodologias exigem que as pessoas queiram buscá-las, ou seja, essas ferramentas não são dadas como um patch que pode ser acessado a qualquer momento no surgimento de uma necessidade. A autossuficiência de muitas pessoas que ocupam cargos de liderança muitas vezes fecha essas pessoas para o conhecimento de novas linhas pedagógicas como o coaching educacional, tornando a maneira de gerir cada vez mais limitada e obsoleta. O coaching educacional atua como agente que despertará, nos coachees (neste caso, os docentes, discentes e administrativos da escola, como será explicado mais adiante) e no próprio coach (gestor), os pontos a serem melhorados, as fraquezas a serem superadas, enfim, os itens a serem mudados em prol da oferta não só de uma educação de qualidade, mas de um bom ambiente de trabalho na escola. 21 Vale frisar que este trabalho não direciona apenas o gestor à necessidade da familiarização com a metodologia coaching, mas sim, inquietar a gestão escolar sobre a necessidade de criar meios que levem a toda instituição escolar essa nova ferramenta de motivação pessoal com o intuito de melhorar as relações interpessoais escolares como um todo. Fazer uso do coaching educacional para a melhoria da comunicação interna na instituição; auxiliar a disseminação de ideias, oportunidades e estratégias possíveis para encontrar respostas pedagógicas e; conduzir professores, gestores e alunos a se autoconhecerem e buscarem seus objetivos pessoais e profissionais traçando metas. É necessário frisar a importância desta produção para a comunidade acadêmica, visto que lidar com pessoas mais que isso, gerir pessoas exige grande autoconhecimento e capacidade de resolver conflitos da melhor maneira possível. O autoconhecimento é um grande desafio para todos. As pessoas costumam apontar falhas nos outros indivíduos, mas pouquíssimas delas avaliam como lidam com algum desafio. À luz dessa realidade, o coaching educacional é uma ótima ferramenta para a promoção desse autoconhecimento, conduzindo os envolvidos no processo ao ponto onde todos almejam alcançar: o sucesso. Para consolidar as ideias aqui expostas, foi explicitado inicialmente no primeiro capítulo o conceito básico sobre o coaching, passando pelas considerações gerais até o foco das discussões: o coaching educacional, mostrando as principais características da metodologia coaching, bem como as semelhanças desse estudo com a gestão de pessoas. A seguir será feito um link entre as ferramentas utilizadas no coaching educacional com as características citadas pelos autores que discorrem sobre a gestão escolar de maneira geral, afirmando as hipóteses presentes neste estudo com relação à utilização de novas metodologias no auxílio à administração de recursos humanos no ambiente escolar. O capítulo também oferece exemplos de aplicabilidade de técnicas típicas de cursos de formação em coaching, para pessoas envolvidas nos trabalhos da equipe escolar, cujo gestor-coach, participa, motiva e é motivado por sua equipe a cada trabalho que logram êxito. 22 5. GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL: CAMINHOS PARALELOS EM BUSCA DO SUCESSO DA EQUIPE Para conhecer o conceito de coaching educacional, faz-se necessário familiarizar-se com alguns termos utilizados nesse processo: coaching, o processo ou a metodologia propriamente dita; coach, profissional que conduz o processo; 23 coachee, cliente que passa pelo processo de coaching, cujas características de cada um deles serão elucidadas. Todas as áreas da vida de um indivíduo requerem o mínimo desses conhecimentos, por isso, há vários tipos de coaching, segundo José Roberto Marques (2014): Coach de carreira Coach de vendas Coach de relacionamentos Coach financeiro Coach de negócios Coach esportivo Coach educacional. Faremos um breve passeio nas veredas do coaching educacional, mostrando à gestão escolar que administrar uma instituição de ensino pode ser muito mais fácil do que tem se mistificado ao longo da história da gestão escolar. O gestor deve, acima de tudo, agir no eu mais profundo de seus subordinados, fazendo uso de técnicas que proporcionem acesso a essas informações tão pessoais de cada um. Ser coach é, antes de tudo, já mencionado saber gerir a si próprio com maestria; é conhecer suas falhas, porém, não preocupar-se em conhecer seus limites, mas superá-los. Um gestor escolar, ao conduzir sua equipe, não pode subestimar os limites de cada um, mas sim desafiar as pessoas a buscarem a superação de suas limitações. Ser gestor exige autoconhecimento, autocontrole e capacidade de motivar pessoas, e este deve empenhar-se e fazer uso de sua posição hierárquica para motivar e dar subsídios para que sua equipe trabalhe em prol de algum resultado. Ele conduz a equipe ao sucesso, envolvendo-se, corrigindo falhas e valorizando qualidades. Daí surge, etimologicamente falando, o conceito de coach. Esta palavra inglesa de origem húngara (kocsi) que significa conduzir tem ganhado cada vez mais espaço no ambiente educacional. 24 Ou sejas, ser coach é conduzir pessoas. E é nisso que o coaching educacional auxilia os indivíduos. O coach não ensina ninguém; apenas desperta nas pessoas a capacidade que cada uma tem em dar resolução aos desafios cotidianos. A educação é uma área democrática, que aproveita bagagem de várias outras áreas, e o coaching educacional ganhou definitivamente seu espaço nas instituições de ensino. Para fins informativos, vale reforçar que ao longo desse estudo direcionaremos em muitos trechos o termo coach à figura do gestor e coachee, aos respectivos subordinados, fazendo uso do neologismo gestor-coach. Como seres humanos, as pessoas estão sempre em busca de algo. A motivação move a humanidade na busca por seus objetivos. Por esse motivo, Kimsey- House et. al. (2015, p.7) defende a ideia que: “Às vezes, as pessoas querem mais da vida mais paz mental, mais segurança ou causar mais impacto no trabalho. De vez em quando, querem menos menos confusão, menos estresse ou menos pressão financeira. Em geral, buscam o coaching porque esperam alcançar melhor qualidade de vida mais plenitude, melhor equilíbrio ou pretendem aprender um novo processo para conquistar seus objetivos de vida. Qualquer que seja essa razão individual, tudo começa com uma avaliação minuciosa da motivação do coachee.” De fato, as palavras dos autores abrem um leque de possibilidades de associação da metodologia coaching com a gestão escolar. O estudo em questão defende, antes de tudo, que todas as pessoas são naturalmente criativas, engenhosas e capazes. Um gestor-coach saberá perceber e extrair de sua equipe o que ela é capaz de realizar. Mas primeiro precisa fazê-los acreditar que podem fazer qualquer coisa, desde que tenham os objetivos sincronizados e bem estabelecidos. Segundo José Roberto Marques, diretor do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), coaching é um processo onde verdadeiramente duas ou mais pessoas se conectam numa sabedoria consciente e inconsciente, onde o melhor de um e o melhor do outro se encontramem um nível subjetivo de atenção guiada. É aí que acontecem os mais impressionantes resultados alcançados. Quando as pessoas trabalham utilizando o máximo de sua atenção e interação, os resultados vêm de forma surpreendente, em um curto espaço de tempo. 25 Em uma instituição de ensino, os processos interpessoais acontecem a todo instante, por isso, se faz tão necessária a utilização da metodologia coaching entre os envolvidos nos processos. No ambiente escolar, a criação é uma das principais atividades desenvolvidas por todos, e se o produto dessa criação não sair como desejado, os objetivos traçados certamente não serão alcançados. Dinsmore (2007, p.23) diz que: “Um coach é apaixonado pelas questões das pessoas, gosta de observar e entender os motivos por trás dos comportamentos, aprecia e sente-se feliz ao perceber o desenvolvimento de seu coachee. É um incentivador e ao mesmo tempo firme no rumo que levará em direção aos seus objetivos.” Percebe-se novamente a relação do coach com um gestor escolar. As pessoas produzem e interagem o tempo inteiro. Em organizações onde há muitas pessoas, as interações e indisposições são muito frequentes, e sabe-se que funcionários produzem menos quando são submetidos a situações que não lhes ofereçam o mínimo de conforto. Na sociedade capitalista, as grandes empresas precisam buscar meios para aumentarem sua produção diminuindo os custos o máximo possível e melhorando o bem-estar de seus colaboradores. Paz (2004) apresenta uma definição de bem-estar organizacional, que consiste na “satisfação de necessidades e realização de desejos dos indivíduos no desempenho do seu papel organizacional” (p.138). Nessa definição, a autora deixa clara a necessidade de proporcionar meios que possibilitem um bom ambiente para produção de seus colaboradores. Dialogando com Paz, percebemos a segunda relação do coaching educacional com a gestão escolar: conhecer as insatisfações de cada um, buscando trabalhar a melhor maneira possível de minimizar o problema partindo do eu para o todo. “Não tem jeito, o que todo mundo busca é ser feliz, experimentar a sensação de bem-estar e plenitude. Acredito que esta sensação, a cada dia que passa, seja mais valorizada que há tempos atrás” (MARQUES, 2015, p.97). Nos dias atuais, cada vez mais estudos deixam a sociedade informada sobre os mais variados problemas que interferem na produtividade humana. O coaching 26 busca resgatar a supervalorização pessoal de cada indivíduo, mostrando-os que os problemas surgem para que possamos resolvê-los da melhor maneira possível. O coaching, assim como uma gestão escolar comprometida e preocupada com seus subordinados, trabalha no melhoramento das produções das pessoas. Muitos não sabem o potencial que têm dentro de si, por isso, produzem aquém do esperado. Coaching reúne uma série de recursos que utilizam técnicas, ferramentas e conhecimentos de diversas áreas na busca de efetivos resultados: administração, gestão de pessoas, psicologia, neurociência, recursos humanos, planejamento estratégico, etc. Conhecer as pessoas é o principal caminho para a obtenção do sucesso, portanto, discorreremos sobre como a metodologia coaching pode influenciar coaches e coachees no melhoramento de seu rendimento. 6. FERRAMENTAS DO COACHING QUE PODEM SER UTILIZADAS PELA GESTÃO ESCOLAR NA OBTENÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS O caminho que leva um indivíduo ao sucesso requer um planejamento a curto, médio e longo prazo. Traçar objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais, exige uma boa capacidade de percepção dos elementos que podem estar ou já estão ao alcance. Uma vez definidos os objetivos de nossa vida em geral, família, trabalho, grupo de amigos, etc., temos que compatibilizar nossas ações com esses objetivos. Dessa forma, como nosso tempo é sempre curto, temos que fazer somente as coisas essenciais, isto é, aquelas que mais colaboram, naquele momento, para que atinjamos o nosso objetivo determinado. (FILHO, 1988, p.71). Um gestor escolar trabalha com metas a todo momento. Mais que isso: para que seus objetivos profissionais sejam alcançados, ele precisa de agentes que independem da sua ação direta. Sob esta situação, questiona-se: como fazer com que as pessoas se empenhem para que os objetivos, comuns a todos, sejam atingidos? O coaching pode proporcionar ao gestor mecanismos que o deem subsídios para fazer a equipe produzir mais e com qualidade. Kimsey-House et. al. (2015) destaca o 27 coach como o sujeito que executa uma prestação de serviços que exige compromisso e presença (p.22). Este conceito derruba uma característica muito marcante nos modelos tradicionais de gestão, cujo diretor delega, mas não participa diretamente das atividades, apenas cobrando sem dar suas efetivas contribuições para o bem comum. Comprova-se, então, uma utilização eficaz da metodologia coaching na gestão escolar: o coach precisa estar presente contribuindo para a mudança proposta, ou seja, sua participação deve fazer a diferença e, sobretudo, ajudar os outros a atingir o seu potencial. Kimsey-House et. at (2015) também chama a atenção dos leitores no que diz respeito a determinadas qualidades que o coach deve compartilhar com os coachees: confidencialidade, confiança, falar a verdade e dar abertura e espaço. O coaching inicia quando o coach orienta o coachee que ele é o principal autor de seu processo de autodescobertas. Não há uma forma padronizada para essa etapa: alguns cursos de formação de coaching fazem uso de entrevistas ao próprio coachee em apenas uma seção, ou entrevistam colegas de trabalho, funcionários ou familiares do coachee. Fazendo uma ponte com a gestão escolar, quanto mais o gestor conhecer a realidade de seus coachees, maior êxito terá no trabalho de despertar o ser produtivo e empenhado que ele é. Os autores ainda dão sugestões de algumas perguntas que podem ser feitas na sondagem dos coachees: “Em que ponto você quer fazer a diferença em sua vida?”, “O que você mais valoriza no seu relacionamento com os outros?”, “O que funciona melhor para você quando consegue fazer mudanças bem-sucedidas?”, “Em geral, em que ponto você costuma ficar paralisado?”, “O que motiva você?” (KIMSEY- HOUSE, 2015, p.35)” Infelizmente, é notável que grande parte dos gestores não conhece a força que essas perguntas exercem no processo de motivação de sua equipe. Quando um gestor pergunta a um subordinado: “O que você mais valoriza no seu relacionamento com os outros?”, está transmitindo segurança e confiança para o coachee, do que se perguntasse em uma situação semelhante: “Como você se relaciona com as pessoas no ambiente de trabalho?”. Tal situação reforça ainda mais a necessidade de os gestores escolares conhecerem e utilizarem a metodologia coaching em sua escola. 28 Para a inicialização do trabalho com um coachee, o coach deve tomar algumas medidas preventivas. Como foi visto anteriormente, conhecer a história e algumas de suas características no dia a dia profissional e pessoal é importante, mas o coach deve despertar no coachee o desejo de perceber-se no processo como um ser que está redescobrindo todo o potencial que tem dentro de si mesmo, deixando para trás a percepção negativa que tinha de si mesmo. Frases como “Este é o seu ponto de partida de hoje em diante. Como você se percebe hoje?”. A autopercepção ajudará o coachee a acompanhar e monitorar os seus avanços. Nesse caminho de transformação, segundo Marques (2016, p.88): “Temos a oportunidade de evidenciarmos nosso estado atual, nosso ponto de partida. Olhamos para nós e realmente nos vemos. Geralmente levamos um susto, pois negligenciamos as nossas dores, nossas dificuldades, nossos problemas, nosso corpo, nossa mente, nosso espírito, nossa família, nosso trabalho e nossos amigos.Nós nos descuidamos de nós mesmos, mas não tomamos consciência disso.” Em quase todas as instituições, pode perceber-se a seguinte situação: profissionais que exercem as mesmas funções há anos com marasmo, sem ânimo e fechados para mudanças veem novas pessoas chegando à mesma instituição com vontade de fazer o melhor, de descobrir coisas novas e redescobrirem-se. Esses funcionários “estáticos” ainda não perceberam que essa nova pessoa pode ser ele mesmo! O gestor-coach, identificando pessoas que estejam no mínimo abertas a se auto avaliarem, pode trabalhar com elas o que chamamos de Semirreta da vida de um coachee, conforme a figura a seguir. 29 Na figura, é possível perceber o resumo do antes e depois da percepção do indivíduo inserido no processo de coaching. O gestor, ao fazer uso de tal metodologia, além de melhorar os resultados da instituição a qual está à frente, proporciona aos seus coachees a possibilidade de eles perceberem-se e melhorarem como pessoas, incluindo suas vidas pessoais. O coaching em instituições de ensino é sem dúvida, uma ferramenta a qual o gestor deve interessar-se em conhecer, pois se desenvolvida corretamente, só trará ganhos para a escola, levando-a ao que realmente todos desejam, aqui inclui pais, alunos, docentes e funcionários em geral. O objetivo deste conteúdo foi dar subsídios aos gestores escolares para aplicarem as técnicas do coaching educacional nas vivências cotidianas da instituição a qual estão à frente. Pôde ser percebido o quanto o uso do coaching educacional pode agregar valor aos envolvidos na comunidade escolar. Por ser uma discussão contemporânea, coaching ainda é desconhecido por parte das pessoas que acreditam que administrar uma escola resume-se a postar-se atrás de um birô e delegar tarefas. O gestor, tanto quanto seus subordinados, deve se auto perceber como parte que compõe o processo. Todos são autores do que é produzido na escola, por isso, devem sentirem-se como tal, e o coaching educacional age como um espelho revelador da responsabilidade de cada um. Infelizmente, gerir uma instituição ainda tem sido uma tarefa realizada da maneira que acredita-se ser mais fácil: impondo o autoritarismo ou a autoridade, cobrando resultados que nem sempre podem ser alcançados tendo em vista a capacidade de organização, planejamento e sincronismo que as pessoas se encontram na instituição. 30 REFERÊNCIAS DINSMORE, Paul Campbell. O coaching prático: o caminho para o sucesso – modelo pragmático e holístico usando o método Project-based coaching. Rio de Janeiro: QualyMark, 2007. FILHO, Luiz Almeida Marins. Administrar, hoje: um guia prático com base em estudos de antropologia empresarial sobre administração de empresas nos dias atuais. 14ª ed. São Paulo: Editora Harbra Ltda, 1988. KIMSEEY-HOUSE, Henry; KIMSEEY-HOUSE, Karen; SANDAHL, Phillip. Coaching coativo: mudando negócios e transformando pessoas. [tradução: Cristina Sant’Anna]. 3ª ed. São Paulo: Évora, 2015. LÜCK, Eloísa. Liderança em gestão escolar. 2ª ed. São Paulo: Vozes, 2008. MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2010. 31 MARQUES, José Roberto. Coaching positivo: Psicologia positiva aplicada ao coaching. 2ª ed. Goiânia: Editora IBC, 2015. MEC. Termo de referência para contratação de pessoa física – consultor por produto. 2012. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2017. PAIVA, L. A.; MACILHA, J.; RICHARDS, J. Coaching: passo a passo. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2012. PAZ, M. G. T. Poder e saúde organizacional. In A. Tamayo (Org.). 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