Logo Passei Direto
Buscar

8 GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL

Documento sobre gestão escolar e coaching educacional que apresenta história institucional e missão; traz sumário, introdução ao coaching, metodologia, apresentação de dados e discussão, coaching na gestão, ferramentas aplicáveis pela gestão e referências.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL 
 
 
 
 
2 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 
2. METODOLOGIA ........................................................................................................ 9 
3. APRESENTAÇÃO DE DADOS E DISCUSSÕES ................................................. 10 
4. COACHING EDUCACIONAL NA GESTÃO ESCOLAR ...................................... 19 
5. GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL: CAMINHOS 
PARALELOS EM BUSCA DO SUCESSO DA EQUIPE ............................................. 22 
6. FERRAMENTAS DO COACHING QUE PODEM SER UTILIZADAS PELA 
GESTÃO ESCOLAR NA OBTENÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS .................. 26 
7. REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
O coaching é um processo que se utiliza de um mix de técnicas, ferramentas e 
conhecimentos para o atingimento de metas, realização de objetivos e tomada de 
decisão. Esse processo visa a conquista de mudanças profundas e duradouras em 
um curto espaço de tempo de maneira duradoura e acelerada (Pércia e Sita, 2011). 
Sabemos que a inovação faz parte da sociedade contemporânea e exige novas 
práticas culturais, econômicas e sociais. Neste contexto é necessário a inserção de 
novos artefatos e práticas no fazer pedagógico, para potencializar o ensinar e o 
aprender. O desenvolvimento de novas ações que promovam um aprendizado 
significativo aos estudantes oriundos desse mundo imerso em tecnologias da 
informação e comunicação digital são essenciais na sociedade atual, uma sociedade 
baseada no conhecimento. 
Hodiernamente na sociedade do conhecimento interconectada por um cenário 
de comunicação digital o ambiente educacional passa a ser um espaço integrado de 
saberes onde a promoção de um aprendizado exige inovadoras de ensino. Observa-
se que não basta o professor ter competência teórico-prática é preciso ir além e incluir 
fatores pessoais e sociais que formam e influenciam a inteligência emocional 
impactando diretamente na direção para um aprendizado ativo e de sucesso. Esta 
nova visão potencializa o processo de socializar, externalizar, compartilhar e 
internalizar os novos conhecimentos. Assim, surge o professor-coach um profissional 
que impulsiona e potencializa o processo de aprendizagem de seu aluno-coachee. 
 
 
 
5 
Numa visão tradicional do ensino, considera-se que o professor ensina e o aluno 
aprende ou, muitas vezes este aluno não aprende, por limitações como incapacidade 
cognitiva ou mesmo falta de interesse. Contudo, num olhar atual e inovador o 
professor assume o papel central de melhoria continua de sua prática contribuindo 
com a formação integral de seu aluno, deixando de lado sua verdade absoluta e 
estando inteiro em sua prática a serviço do aluno por uma formação qualidade. O que 
exige, segundo Pérez (2009, p. 23) ações como: "saber ouvir, oferecer disponibilidade, 
saber fazer o seu trabalho, ser competente, ter motivação, uma atitude mental 
positiva, e sobretudo, uma metodologia precisa." 
De acordo com Paiva, Macilha e Richards (2012) coaching é uma palavra 
oriunda da palavra “coche”, do inglês medieval e do atual “coach”, carruagem. A 
evolução do coaching, termo utilizado pela primeira vez em 1500 na Hungria, 
relacionada a carruagem de quatro rodas onde o coach aparece como aquele que 
conduz uma pessoa de um lado para o outro. Mas, somente por volta de 1991 que 
esta prática se propaga como disciplina e profissão e expande em 1992 com a 
fundação da Coach University. Estas iniciativas tiveram a participação de Thomas 
Leonard que contou também com Laura Whithworth Karen e Henry que 
potencializaram esta expansão por meio da fundação do Coaching Training Institute. 
Em 1993 a prática avança focada no desenvolvimento de esportista e também 
no contexto empresarial no alcance acelerado de metas num como sendo um 
processo visto como evolução continua. Seguindo um crescimento substancial surgiu 
em 1995 a International Coaching Federation (IFC), hoje presente em mais de 140 
países, com o objetivo de promover a ciência e a prática profissional do coaching. Na 
sequência outras instituições com a visão de expansão do coaching e consolidação 
das práticas ganham força, como: European Coaching Association (ECA); Behavioral 
Coaching Institute (BCI); International Association of Coaching Institutes (ICI) e é no 
ano de 2000 que tem-se a primeira tese de doutorado na área. 
No Brasil, interpretado como processo que permite o desenvolvimento da 
competência humana de modo prático, ativo e direto para se atingir o resultado 
desejado, o coaching deu os primeiros passos nos anos de 2000 e se expandiu 
significativamente nos últimos cinco anos. Tem-se grandes escolas de formação, 
como, a Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) fundada em 1999 e o Instituto 
Brasileiro de Coaching (IBC) fundado em 2007. 
 
 
 
6 
O processo de coaching integra um mix de ciências como: Filosofia Socrática, 
Psicologia, Programação Neolinguística (PNL), Gestão de Pessoas, Psicologia entre 
outras e por isso aplicado ao contexto educacional aproxima-se de ações para 
obtenção de rendimento e liderança do professor-coach com seu aluno-coachee. No 
cenário educacional o coaching é uma ferramenta de colaboração que amplia a 
consciência e potencializa a aprendizagem permitindo a obtenção de resultados. 
 
“...processo sistemático de aprendizagem, centrado na situação presente e 
orientado para a mudança, onde facultam recursos e ferramentas de trabalho 
específico que permitem a melhoria do desempenho(...) linguagem, porque 
se baseia num diálogo entre o coach (para nós, o professor) e a pessoa (o 
coachee, no nosso caso, o aluno) (...) aprendizagem, porque o coaching é a 
arte de aprender a aprender, mais do que a ensinar. E a mudança, porque o 
coaching é disciplina que trata das mudanças, do modo como implementar 
mudanças em nós próprios, nos nossos comportamentos, atitudes, 
destrezas, capacidades e competências, e nas dos outros. Sem mudança não 
há solução (PÉREZ, p. 17-18).” 
 
O coaching é um processo que tem como premissa o desenvolvimento, a 
motivação, o apoio do indivíduo de modo que estes saiam do estado atual que se 
encontram para atingir o estado desejado, a partir de um objetivo claro e definido. O 
conceito de coaching está atrelado a interação entre duas ou mais pessoas (coaching 
individual - um coach e um coachee ou coaching em grupo - um coache e vários 
coaches),no nosso estudo tem-se o professor como o coach e o grupo de alunos 
como coaches. 
O próprio Ministério da Educação (MEC) reconhece a formação em nível de 
especialização na área de coaching e mostra-se aderente a proposta desta atuação. 
Esta ação fica evidente quando identifica-se a parceria, por exemplo no ano de 2012, 
com o propósito de dar celeridade às ações do Plano de Desenvolvimento da 
Educação (PDE), firmada com a Organização dos Estados Ibero-Americanos, para 
Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), organizado a partir de seis pilares: 
 visão sistêmica da educação; 
 territorialidade; 
 desenvolvimento; 
 regime de colaboração; 
 responsabilização; 
 
 
 
7 
 mobilização social – e se traz como perfil desejado para os consultores desta 
demanda o coaching e mentoring (MEC, 2012). 
Contudo, considera se recente a prática de coaching no processo de docente 
nas universidades brasileiras, mas já se conta com resultados de pesquisa apontando 
a potencialização dos resultados conquistados. Um professor-coach cria formas de 
tornar o aprendizado mais fácil, explorando as diferentes experiências de seu aluno 
de modo que este possa compreender e aplicar o "novo". 
 
O processo de coaching é pautado numa psicologia positiva que valoriza os 
pontos fortes do aluno saindo de visões de senso comum, como: "aluno é tudo igual"; 
"aluno não quer nada com nada" etc. Por meio de técnicas e ferramentas de coaching 
instituições de ensino tem ampliado o olhar num novo fazer pedagógico. E 
profissionais da educação vem se especializando na área de modo a potencializar o 
processo de ensinar e aprender, levando a um novo processo conexionista, a partir 
da autoconsciência, numa prática de educação em rede gerando resultados 
extraordinários. 
 
Neste processo, o professor-coach precisa desenvolver além de 
conhecimentos específicos, algumas noções de psicologia para mobilizar a motivação 
e levar o seu aluno a resultados extraordinários. O procedimento consiste em ajudar 
o indivíduo a aprender e desenvolver competência e não ensinar tudo pronto, ou seja, 
fazendo uma analogia com o provérbio chinês, o coaching aponta para uma visão no 
qual o docente deve "Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um 
dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida." 
A partir desta contextualização, o objetivo neste nosso estudo é mapear 
práticas do profissional de coach na atuação docente como uma ação inovadora para 
potencializar o processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, o presente estudo 
está organizado em cinco seções. A primeira introdutória aqui explicitada. Na segunda 
seção, descreve-se a trilha metodológica onde apresenta-se os procedimentos 
utilizados para realizar a pesquisa. Na terceira seção, descreve-se os dados e 
resultados que permitem realizar uma análise bibliométrica. Na quarta faz-se as 
considerações finais apresentando a relevância práticas do coaching no processo de 
 
 
 
8 
docência que inclui o ensinar e aprender. Um professor-coach acompanha o processo 
de construção do conhecimento, desenvolve competências, leva o seu aluno a um 
estado de movimento. Por último, na quinta seção, elencam-se as referências 
utilizadas para conduzir o referente estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
2. METODOLOGIA 
Para um melhor entendimento, trabalhou-se a partir de uma visão exploratória-
descritiva com o método indutivo que permitiu delinear o tema, ampliar a familiaridade 
dos pesquisadores, a partir de dados suficientes, e inferir uma nova concepção a partir 
do caminho percorrido (MARCONI; LAKATOS, 2010). 
Como método de pesquisa da literatura, utilizou-se a busca sistemática em uma 
base de dados on-line, seguida de uma análise quantitativa dos resultados por meio 
da bibliometria. A bibliometria é uma metodologia oriunda das ciências da informação 
que utiliza métodos matemáticos e estatísticos para mapear documentos e dados de 
publicação. A bibliometria permite, a organização e análise quantitativa de dados 
relevantes como: produção por região; temporalidade das publicações; pesquisas por 
área do conhecimento; contagem da citação do estudo; fator de impacto de uma 
publicação científica entre outros (FEATHER; STURGES, 2003; SANTOS; 
KOBASCHI, 2009). Esta análise permite a sistematização dos resultados de uma 
pesquisa e a minimização da ocorrência de possíveis vieses ao se olhar para um 
determinada temática. 
 
Considerando a problemática, delimitou-se os termos de busca, a saber: 
“coach” and “teacher” and “teaching”. Como princípio básico para a busca, optou-se 
pela utilização dos termos nos campos “title”, “abstract” e “keyword”, sem restrição 
temporal, de idioma ou outra qualquer que pudesse limitar o resultado. Na fase de 
coleta de dados recuperou-se um total de 415 documentos indexados com 
predominância de 65% dos resultados concentrado na área de ciências sociais, 
seguido pela área da saúde com 38,6% dos resultados, ciências da computação com 
12,1% dos resultados e engenharia (grande área e engenharia química) com 9%. 
Considerando o objeto de estudo delimitou-se o resultado para área de engenharia o 
que representa 36 trabalhos indexados, com o primeiro registro datado de 1986 e o 
último de 2017, levando em consideração que a pesquisa foi realizada no dia 11 de 
maio do corrente ano. Contudo, somente em 2009 teve-se estudo intersectando a área 
das engenharias. 
 
 
 
 
 
10 
3. APRESENTAÇÃO DE DADOS E DISCUSSÕES 
 
De início analisou-se a distribuição temporal dos trabalhos, o que permitiu 
identificar que a primeira publicação esta datada de 1986 com um artigo e seguiu por 
7 anos sem publicação, ou seja, de 1987 a 1992 não houve nenhum registro. 
Já no ano de 1993 teve-se uma publicação isolada e no ano de 1994 seguiu 
por mais 10 anos sem publicação novamente, ou seja, de 1994 a 2003. Nos dois anos 
seguintes 2004 e 2005 teve-se o registro de duas publicações. 
Em 2006 não houve publicação. Em 2007 tive duas publicações. E, em 2008 e 
2009 teve-se três publicações por ano. Em 2010 a indexação apontou duas 
publicações. E, em 2011 a 2014 houve três publicações indexadas, por ano. 
 
Em 2015 com um pequeno aumento nas publicações obteve-se um número de 
quatro artigos indexados na base de pesquisa. Em 2016 identificou-se novamente 
uma diminuição no número de artigos publicados com três artigos. 
 
Em 2017, identificou-se apenas um artigo indexado. Esta frequência mostra, 
conforme Gráfico 1 abaixo, a descontinuidade e carência de pesquisa na área do 
profissional coach ao intersectar com práticas de ensino e aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 1 – Distribuição dos artigos indexados, por ano Fonte: Elaborado pelos autores (2017). 
 
O primeiro artigo publicado no ano de 1986 foi intitulado Sail Training With A 
Sailing Simulator e teve como autores Klingler, Joseph e Andrews e discutiu sobre a 
simulação de navegação baseada em Computador Pessoal apresentando o método 
 
 
 
11 
como conveniente e eficiente para aprender conceitos de navegação que vão desde 
o vento aparente e a velocidade até estratégias de alto nível para navegar 
competitivamente em condições de vento complexas. Passados 7 anos sem 
publicação, em 1993 foi publicado o artigo Facilitator: as teams battle to be effective 
do autor McChesney III. O objetivo neste artigo foi discutir a ajuda de equipes nas 
soluções para tarefas com um máximo de participação de seus membros e quando 
possível baixa interferência do facilitador que atua como um consultor de processo, 
um professor e um treinador. 
Após 6 anos sem publicação, no ano de 2001 foi publicado o artigo intitulado 
Pupil-centred learning, ICT, and teacher behaviour: observations in educational 
practice é discutido nesse artigo sobre as tecnologias da informação e da 
comunicaçãoque contribuem para ambientes de aprendizagem inovadores e 
centrados nos alunos. Segundo o estudo, nesses ambientes as características 
curriculares melhoram as características dos alunos e os professores que atuam como 
treinadores. Este artigo apresentou os resultados de um estudo das características 
ensino-aprendizagem e o papel do professor em ambientes de aprendizagem com 
tecnologias de informação e comunicação. Após 3 anos sem publicação, tem-se no 
ano de 2004, foi publicado o artigo Development of web-based correction system for 
artistic design dos autores Kura, Kakehi, Suzuki, Sugiyama, Takahashi, Takemiya, que 
discutiu sobre o desenvolvimento de um sistema de correção baseado na web para a 
educação em design artístico. Este sistema tinha como objetivo eliminar as restrições 
quanto ao tempo e à localização dos estudos para os alunos e professores. 
 
Mas foi a partir do ano de 2009 que teve-se início de publicação indexada 
integrando a área de Engenharia. O primeiro artigo de 2009, foi intitulado Student 
Engagement in a Structured Problem-Based Approach to Learning: a first-year 
electronic engineering study module on heat Transfer dos autores Montero e Gonzalez 
que neste artigo discutiram aprendizagem baseada em problemas – metodologia que 
tem sido o cerne do desenvolvimento na educação de engenharia nos últimos anos. 
Este artigo apresentou a experiência de uma abordagem estruturada de 
aprendizagem baseada em problemas para o ensino de um módulo introdutório de 
estudo sobre transferência de calor no primeiro ano de um programa de pós-
graduação em engenharia eletrônica. Outro artigo publicado, no mesmo ano, foi 
 
 
 
12 
Integrating graduate design coaches in undergraduate design project teams de autoria 
de Powers e Summers que descreveu como um estudante de engenharia mecânica 
de pós-graduação foi empregado como um treinador em uma equipe de design sênior 
de graduação trabalhando no desenvolvimento de uma máquina de modelagem de 
injeção de plástico de baixo volume e baixo custo. Ainda em 2009 teve-se a indexão 
do artigo Integrating Professional Skills in the 21st Century Engineering and Technical 
Curriculum que discutiu o desafio de engenharia para o programa do século XXI 
baseado em conceitos do modelo de Educação de Engenharia de Projeto Integrado 
Transferível (TIDEE), um modelo desenvolvido em meados da década de 1990 para 
se concentrar na melhoria contínua da educação em design de engenharia. 
 
Em 2010 foi publicado outro artigo com foco na educação em engenharia 
intitulado High school enterprise: authentic engineering experiences in secondary 
education dos autores Oppliger, Kampe e Troesch que discutiram autênticas 
experiências de engenharia no ensino secundário num olhar voltado para a 
necessidade de preparar mais e mais os indivíduos, como aponta instituições da área. 
 
Em 2011 foi indexado o artigo Active learning environment: applying the 
problem based learning approach to amoeba distributed operating system com foco 
na discussão da aprendizagem baseada em problemas referenciando o ambiente de 
aprendizagem como todo espaço em que o problema permite o aprendizado, pois a 
problemática permite que os alunos percebem que precisam adquirir novos 
conhecimentos antes de resolve-la. O artigo também discutiu a experiência de uma 
abordagem estruturada de aprendizagem baseada em problemas para o ensino de 
um módulo introdutório de estudo sobre sistema operacional distribuído em um 
programa de pós-graduação em engenharia da computação. 
 
No ano de 2012 foi indexado o artigo Enabling innovation in engineering 
education by providing Flexible Funds for teaching staff dos autores Friese, 
Terkowsky, May, Tekkaya, Schuster, Richert e Jeschke. Esse artigo discutiu sobre a 
alta qualidade na educação na área de engenharia chamando a atenção para os 
desafios "do amanhã". A partir deste olhar os autores destacaram que as 
 
 
 
13 
universidades precisam ajustar seus currículos aos requisitos atuais para superar a 
escassez global de engenheiros. 
 
No mesmo ano foi publicado o artigo intitulado On the benefits of using the 
engineering design process to frame project-based outreach and to recruit secondary 
students to STEM majors and STEM careers dos autores Kampe e Oppliger que 
evidenciou os benefícios de usar o processo de design de engenharia para enquadrar 
o alcance de projetos e recrutar estudantes secundários e apresenta uma discussão 
a partir da proposta pedagógica de um programa de extensão baseada na 
aprendizagem baseada em projetos. 
 
No ano de 2013 teve-se a indexação do artigo Learned lessons from the first 
year research experiences for teachers program dos autores Kaya, Yelamarthi, 
Dejong, Cheng, Kettler, e Chen que discutiram sobre as principais lições aprendidas 
a partir de um olhar sobre o rimeiro ano de experiências de pesquisa para o programa 
de professores da Fundação Nacional de Ciências (NSF), intitulado Pesquisa de 
Engenharia Multidisciplinar para o Futuro Rural de Michigan. 
 
No ano de 2014 teve-se a indexação do artigo A comparison of adult learning 
characteristics between first-year and senior capstone students de autoria de 
Pembridge que apresentou nesta publicação um comparativo das características de 
aprendizagem de adultos considerando alunos do ensino superior apontando, a partir 
da análise, que a capacidade de ensinar engenheiros e formar a competência de 
trabalho eficaz em um campo ou disciplina depende de uma educação que está 
situado em um ambiente realista e comparável comumente visto em cursos de 
aprendizagem baseada em projetos. 
 
No ano de 2015 foram publicados dois artigos denominados, respectivamente: 
Factors that support teacher shift to engineering design de autoria de Kukreti, Maltbie 
e Steimle; e Work-in-progress: european platform for innovation and collaboration 
between engineer students (EPICES) de autoria de Francois, Lanthony, Nordstrom, 
Nahri, Viksne, Buijs, Van Petegem, Come, Patalano, Fioriti e Ruiz. O primeiro discutiu 
sobre fatores que ajudam o professor a mudar de projeto de engenharia apresentando 
 
 
 
14 
um programa de desenvolvimento profissional conduzido na Universidade de 
Cincinnati para professores de ensino médio e de ciências e matemática. O segundo 
artigo discutiu sobre a plataforma europeia para a inovação e colaboração entre 
estudantes de engenharia (EPICES) cujo objetivo foi desenvolver uma colaboração 
europeia a partir de um framework e um método de aprendizagem baseado em 
projetos a distância, com base em plataformas técnicas já existentes e ainda em 
desenvolvimento, ou seja, ferramentas de colaboração e engenharia. Esta publicação 
apontou a intersecção do papel dos professores, o processo de coaching e a 
participação dos alunos. Esta integração parte da análise da participação de um 
"treinador" para promover a aprendizagem baseada em projetos incluindo a formação 
para professores e desenvolvimento de métodos de avaliação. De acordo com o 
estudo esta é uma questão-chave a ser discutida, a fim de desenvolver a 
aprendizagem baseada em projetos para estudantes de engenharia, especialmente 
em contexto internacional e/ou industrial, que exige uma colaboração forte e eficaz de 
todos os atores para ter sucesso e inovar dentro do quadro de aprendizagem. 
 
Dos 36 artigos que compuseram a amostra desta análise apenas onze tiveram 
sua discussão voltados a educação inovadora na área da Engenharia. Contudo, o 
Workin-progress: european platform for innovation and collaboration between 
engineer students (EPICES) foi o único que discutiu diretamente a prática do 
profissional de coach enquanto uma ação para promover práticas de ensino para uma 
aprendizagem significativa que partiu do olhar da aprendizagem baseada em projeto 
apontando uma ativa participação dos atores da ação de ensinar e de aprender. 
 
A partir de um olhar sistêmicoe direcionado aos trinta e seis trabalhos observa-
se uma variada lista de países que se destacam na pesquisa com ênfase para a região 
dos Estados Unidos que aparece com uma média de 24% das publicações totais 
indexadas, 10 artigos. Em segundo lugar tem-se 10% das publicações indexadas sem 
país definido. A China destaca-se em terceiro lugar com 3 publicações indexadas. 
Outra análise realizada foi a ausência de indexações provenientes do Brasil. O Gráfico 
2 demonstra os países envolvidos em publicações indexadas na área pela base de 
dados Scopus. 
 
 
 
 
15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 2 – Distribuição das pesquisas por países Fonte: Elaborado pelos autores (2017) 
 
Na sequência analisou-se os autores que aparecem no resultado desta busca 
o que permite afirmar que não se tem uma evidência de referência de autoria na área 
o que permite afirmar que está integração de ação inovadora é necessária, está 
baseada em metodologias e práticas de ensino, integra um olhar incipiente a partir do 
processo de coaching, contudo é um olhar em construção e desenvolvimento. No 
Quadro 1 organizou-se os considerados autores de destaque na área por terem no 
mínimo duas indexações na base de dados Scopus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
 
 
 
Quadro 1 - Autores com maior número de publicações na área suas afiliações e países Fonte: 
Elaborado pelos autores (2017) 
 
Com base nesta descrição evidencia-se que são sete o número de autores que 
se destacam com mais de duas indexações de pesquisas na área e destes quatro são 
da Universidade Nacional de Taiwan e três da Universidade Tecnológica de Michigan 
dos Estados Unidos. 
Outra análise de resultados realizada foi quanto a concentração das pesquisas 
nas áreas de conhecimento e percebeu-se que áreas de concentração dos artigos são 
das: Ciências Sociais; Profissões da Saúde (Medicina, Enfermagem, Psicologia e 
Neurociências); Ciência da Computação; Engenharia (Engenharias e Engenharia 
Química) e Artes e Humanidades conforme ilustra o Gráfico 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 3 – Áreas do conhecimento da publicação Fonte: Elaborado pelos autores (2017) 
 
Outra análise realizada, a partir da análise bibliométrica, com base no grupo de 
trabalhos recuperados na base de dados Scopus, foram as palavras-chave utilizadas 
que sintetizam-se em 126 diferentes palavras. O destaque ficou com a palavra-chave 
ensino com 27 ocorrências, seguidos da palavra estudantes com 19 ocorrências, 
educação e educação em engenharia com 10 ocorrências, currículo com 6 
ocorrências, treinamento de pessoal e aprendizagem baseada em projetos com 5 
 
 
 
17 
ocorrências, instrução assistida por computador, educação informática, humano, 
motivação e professor aparecem com uma ocorrência igual a 4. As outras palavras 
não foram consideradas nesse artigo, pois aparecem com a frequência de 3 palavras 
chaves, duas palavras chaves e uma palavra. Na Figura 1 destaca-se as maiores 
ocorrências das palavras chaves. 
 
 
 
 
 
 
Figura 1– Nuvem das palavras chaves 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pelas autoras (2017) 
 
Na análise das palavras-chave, nota-se que a discussão do profissional de 
coach enquanto ação inovadora para potencializar o aprendizado congregam 
diferentes temas com ênfase de indexação a partir das palavras “estudantes”, 
“educação”, “educação em engenharia” e “currículo”. 
 
Vislumbra-se que o processo de coching amplia-se no cenário educacional para 
além do professor exigindo uma nova postura da instituição, dos alunos, da família e 
demais profissionais envolvidos neste contexto. Programas, como o "Acadêmico em 
Ação", um programa de coach e mentoria desenvolvido pela pesquisadora da 
Universidade Federal de Santa Catarina, também tem sido desenvolvido para 
trabalhar direto com os alunos numa proposta de formação integral e significativa que 
respeita as limitações e potencializa os pontos fortes por meio de um processo 
 
 
 
18 
individualizado a necessidade de cada acadêmico de modo que este identifique áreas 
de satisfação para agir e conquistar resultados a ponto de deixar um legado para a 
ciência. Logo, o processo de coaching integrado a prática docente potencializa a 
formação integral do indivíduo trabalhando aspectos emocionais e de pesquisa. 
 
A partir de uma análise qualitativo dos resultados percebeu-se que este debate 
envolve ainda a preocupação com ações inovadoras para potencializar o aprendizado 
por meio de metodologias que possibilitam novas formas de ensinar e aprender 
envolvendo uma proposta ativa de metodologias educacionais que pode ser 
trabalhada a partir de conceitos de metodologias ativas, como, aprendizagem 
baseada em problemas e também aprendizagem baseada em projetos, onde a ação 
professoral seja muito além do conhecimento teórico integre ações práticas e 
conhecimentos de natureza psicológicas onde o motivar e integrar as diferentes fases 
e estágios da aprendizagem podem ser soluções para a problemáticas inseridas no 
seu contexto. Esta nova prática exige dos professores nas diferentes áreas, aqui 
representadas pela "lente da formação em engenharia" pode contar com ferramentas 
e conhecimentos do processo de coaching. 
 
A Educação é, sem dúvida, um dos maiores campos de pesquisa que existem. 
Ela dá o devido suporte aos pesquisadores no que diz respeito às tentativas de 
compreensão de uma série de conflitos nas relações cognitivas e interpessoais. O ser 
humano cresce e é educado para resolver conflitos que surgem a cada dia. Muitas 
são as formas de orientar indivíduos para essas resoluções, mas novas situações 
sempre contrariam tudo o que é aprendido até o momento. 
 
Tão importante quanto resolver conflitos interpessoais, mediar essas relações 
pode ser um dos maiores desafios de um líder. Em âmbito educacional, cuja escola 
será agora o principal foco das discussões um gestor escolar lida, todos os dias, com 
as situações mais adversas. Além de ter suas próprias insatisfações, problemas 
pessoais, motivacionais, etc., também precisa lidar com uma série de situações 
advindas de sua equipe, nas quais precisa manter-se sempre centrado e pronto para 
motivar, delegar e orientar da melhor maneira possível, sempre em prol da instituição 
que lidera, como afirma Lück (2008, p.20): 
 
 
 
19 
 
 
“Sendo a liderança na escola uma característica inerente à gestão escolar 
pela qual o gestor mobiliza, orienta e coordena o trabalho das pessoas para 
aplicarem o melhor de si na realização de ações de caráter sociocultural 
voltadas para a contínua melhoria da qualidade do ensino e da 
aprendizagem, ela se assenta sobre uma atitude proativa e pelo entusiasmo 
e elevadas expectativas do gestor em sua capacidade de influenciar essa 
atuação e seus resultados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. COACHING EDUCACIONAL NA GESTÃO ESCOLAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No modelo atual de gestão, cuja figura do diretor autoritário, opressor e 
egocêntrico ficou para trás dando lugar a um motivador, líder e condutor de sua equipe 
na busca pelo alcance dos objetivos comuns, gerir pessoas passou a ser um dos 
processos mais complexos no âmbito educacional. Ser autoritário é tarefa fácil, pois 
 
 
 
20 
assim o diretor faz uso de seu autoritarismo para delegar tarefas, cobrar resultados e 
apontar defeitos de subordinados sem sequer mover-se para contribuir no trabalho. 
Ser gestor, por sua vez, exige o domínio de técnicas que o levem a tomar as melhores 
decisões pensando no bem institucional, isto é, coletivo. 
 
Partindo dessa premissa, surgiu a inquietação: Como o uso do coaching 
educacional funciona nas ações do gestor escolar, buscando este a obtenção de 
resultados positivos para a instituição de ensino? Sabe-se que uma escola funciona 
bem quando equipe gestora, corpo docente, pessoal administrativo e corpo discente 
trabalham em harmonia,motivados a quererem o melhor para a instituição. A 
motivação é um dos principais agentes que influencia o ser humano a estar sempre 
disposto a dar o seu melhor, portanto, além de estar motivado, o gestor precisa manter 
sua equipe também motivada, fazendo uso de todas as ferramentas que estiverem ao 
seu alcance para que os resultados sejam obtidos da maneira como se deseja: em 
menor tempo, com o menor custo e maior eficiência possíveis. Neste tópico, 
elucidaremos se o coaching educacional pode oferecer subsídios para isso. 
 
O surgimento de novas metodologias que auxiliem na administração escolar é 
muito bem-vindo, desde que bem embasado. Porém, essas novas metodologias 
exigem que as pessoas queiram buscá-las, ou seja, essas ferramentas não são dadas 
como um patch que pode ser acessado a qualquer momento no surgimento de uma 
necessidade. A autossuficiência de muitas pessoas que ocupam cargos de liderança 
muitas vezes fecha essas pessoas para o conhecimento de novas linhas pedagógicas 
como o coaching educacional, tornando a maneira de gerir cada vez mais limitada e 
obsoleta. 
 
O coaching educacional atua como agente que despertará, nos coachees 
(neste caso, os docentes, discentes e administrativos da escola, como será explicado 
mais adiante) e no próprio coach (gestor), os pontos a serem melhorados, as 
fraquezas a serem superadas, enfim, os itens a serem mudados em prol da oferta não 
só de uma educação de qualidade, mas de um bom ambiente de trabalho na escola. 
 
 
 
 
21 
Vale frisar que este trabalho não direciona apenas o gestor à necessidade da 
familiarização com a metodologia coaching, mas sim, inquietar a gestão escolar sobre 
a necessidade de criar meios que levem a toda instituição escolar essa nova 
ferramenta de motivação pessoal com o intuito de melhorar as relações interpessoais 
escolares como um todo. Fazer uso do coaching educacional para a melhoria da 
comunicação interna na instituição; auxiliar a disseminação de ideias, oportunidades 
e estratégias possíveis para encontrar respostas pedagógicas e; conduzir 
professores, gestores e alunos a se autoconhecerem e buscarem seus objetivos 
pessoais e profissionais traçando metas. 
 
É necessário frisar a importância desta produção para a comunidade 
acadêmica, visto que lidar com pessoas mais que isso, gerir pessoas exige grande 
autoconhecimento e capacidade de resolver conflitos da melhor maneira possível. O 
autoconhecimento é um grande desafio para todos. As pessoas costumam apontar 
falhas nos outros indivíduos, mas pouquíssimas delas avaliam como lidam com algum 
desafio. À luz dessa realidade, o coaching educacional é uma ótima ferramenta para 
a promoção desse autoconhecimento, conduzindo os envolvidos no processo ao 
ponto onde todos almejam alcançar: o sucesso. 
Para consolidar as ideias aqui expostas, foi explicitado inicialmente no primeiro 
capítulo o conceito básico sobre o coaching, passando pelas considerações gerais até 
o foco das discussões: o coaching educacional, mostrando as principais 
características da metodologia coaching, bem como as semelhanças desse estudo 
com a gestão de pessoas. 
 
A seguir será feito um link entre as ferramentas utilizadas no coaching 
educacional com as características citadas pelos autores que discorrem sobre a 
gestão escolar de maneira geral, afirmando as hipóteses presentes neste estudo com 
relação à utilização de novas metodologias no auxílio à administração de recursos 
humanos no ambiente escolar. O capítulo também oferece exemplos de aplicabilidade 
de técnicas típicas de cursos de formação em coaching, para pessoas envolvidas nos 
trabalhos da equipe escolar, cujo gestor-coach, participa, motiva e é motivado por sua 
equipe a cada trabalho que logram êxito. 
 
 
 
 
22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. GESTÃO ESCOLAR E COACHING EDUCACIONAL: 
CAMINHOS PARALELOS EM BUSCA DO SUCESSO DA EQUIPE 
Para conhecer o conceito de coaching educacional, faz-se necessário 
familiarizar-se com alguns termos utilizados nesse processo: 
 coaching, o processo ou a metodologia propriamente dita; 
 coach, profissional que conduz o processo; 
 
 
 
23 
 coachee, cliente que passa pelo processo de coaching, cujas características 
de cada um deles serão elucidadas. 
Todas as áreas da vida de um indivíduo requerem o mínimo desses 
conhecimentos, por isso, há vários tipos de coaching, segundo José Roberto Marques 
(2014): 
Coach de carreira 
Coach de vendas 
Coach de relacionamentos 
Coach financeiro 
Coach de negócios 
Coach esportivo 
Coach educacional. 
 
Faremos um breve passeio nas veredas do coaching educacional, mostrando 
à gestão escolar que administrar uma instituição de ensino pode ser muito mais fácil 
do que tem se mistificado ao longo da história da gestão escolar. O gestor deve, acima 
de tudo, agir no eu mais profundo de seus subordinados, fazendo uso de técnicas que 
proporcionem acesso a essas informações tão pessoais de cada um. 
Ser coach é, antes de tudo, já mencionado saber gerir a si próprio com 
maestria; é conhecer suas falhas, porém, não preocupar-se em conhecer seus limites, 
mas superá-los. Um gestor escolar, ao conduzir sua equipe, não pode subestimar os 
limites de cada um, mas sim desafiar as pessoas a buscarem a superação de suas 
limitações. 
 
Ser gestor exige autoconhecimento, autocontrole e capacidade de motivar 
pessoas, e este deve empenhar-se e fazer uso de sua posição hierárquica para 
motivar e dar subsídios para que sua equipe trabalhe em prol de algum resultado. Ele 
conduz a equipe ao sucesso, envolvendo-se, corrigindo falhas e valorizando 
qualidades. Daí surge, etimologicamente falando, o conceito de coach. Esta palavra 
inglesa de origem húngara (kocsi) que significa conduzir tem ganhado cada vez mais 
espaço no ambiente educacional. 
 
 
 
24 
Ou sejas, ser coach é conduzir pessoas. E é nisso que o coaching educacional 
auxilia os indivíduos. O coach não ensina ninguém; apenas desperta nas pessoas a 
capacidade que cada uma tem em dar resolução aos desafios cotidianos. A educação 
é uma área democrática, que aproveita bagagem de várias outras áreas, e o coaching 
educacional ganhou definitivamente seu espaço nas instituições de ensino. Para fins 
informativos, vale reforçar que ao longo desse estudo direcionaremos em muitos 
trechos o termo coach à figura do gestor e coachee, aos respectivos subordinados, 
fazendo uso do neologismo gestor-coach. 
 
Como seres humanos, as pessoas estão sempre em busca de algo. A 
motivação move a humanidade na busca por seus objetivos. Por esse motivo, Kimsey-
House et. al. (2015, p.7) defende a ideia que: 
 
“Às vezes, as pessoas querem mais da vida mais paz mental, mais segurança 
ou causar mais impacto no trabalho. De vez em quando, querem menos 
menos confusão, menos estresse ou menos pressão financeira. Em geral, 
buscam o coaching porque esperam alcançar melhor qualidade de vida mais 
plenitude, melhor equilíbrio ou pretendem aprender um novo processo para 
conquistar seus objetivos de vida. Qualquer que seja essa razão individual, 
tudo começa com uma avaliação minuciosa da motivação do coachee.” 
 
De fato, as palavras dos autores abrem um leque de possibilidades de 
associação da metodologia coaching com a gestão escolar. O estudo em questão 
defende, antes de tudo, que todas as pessoas são naturalmente criativas, engenhosas 
e capazes. Um gestor-coach saberá perceber e extrair de sua equipe o que ela é 
capaz de realizar. Mas primeiro precisa fazê-los acreditar que podem fazer qualquer 
coisa, desde que tenham os objetivos sincronizados e bem estabelecidos. 
 
Segundo José Roberto Marques, diretor do Instituto Brasileiro de Coaching 
(IBC), coaching é um processo onde verdadeiramente duas ou mais pessoas se 
conectam numa sabedoria consciente e inconsciente, onde o melhor de um e o melhor 
do outro se encontramem um nível subjetivo de atenção guiada. É aí que acontecem 
os mais impressionantes resultados alcançados. Quando as pessoas trabalham 
utilizando o máximo de sua atenção e interação, os resultados vêm de forma 
surpreendente, em um curto espaço de tempo. 
 
 
 
 
25 
Em uma instituição de ensino, os processos interpessoais acontecem a todo 
instante, por isso, se faz tão necessária a utilização da metodologia coaching entre os 
envolvidos nos processos. No ambiente escolar, a criação é uma das principais 
atividades desenvolvidas por todos, e se o produto dessa criação não sair como 
desejado, os objetivos traçados certamente não serão alcançados. 
Dinsmore (2007, p.23) diz que: 
 
“Um coach é apaixonado pelas questões das pessoas, gosta de observar e 
entender os motivos por trás dos comportamentos, aprecia e sente-se feliz 
ao perceber o desenvolvimento de seu coachee. É um incentivador e ao 
mesmo tempo firme no rumo que levará em direção aos seus objetivos.” 
 
Percebe-se novamente a relação do coach com um gestor escolar. As pessoas 
produzem e interagem o tempo inteiro. Em organizações onde há muitas pessoas, as 
interações e indisposições são muito frequentes, e sabe-se que funcionários 
produzem menos quando são submetidos a situações que não lhes ofereçam o 
mínimo de conforto. 
 
Na sociedade capitalista, as grandes empresas precisam buscar meios para 
aumentarem sua produção diminuindo os custos o máximo possível e melhorando o 
bem-estar de seus colaboradores. 
 
Paz (2004) apresenta uma definição de bem-estar organizacional, que consiste 
na “satisfação de necessidades e realização de desejos dos indivíduos no 
desempenho do seu papel organizacional” (p.138). Nessa definição, a autora deixa 
clara a necessidade de proporcionar meios que possibilitem um bom ambiente para 
produção de seus colaboradores. Dialogando com Paz, percebemos a segunda 
relação do coaching educacional com a gestão escolar: conhecer as insatisfações de 
cada um, buscando trabalhar a melhor maneira possível de minimizar o problema 
partindo do eu para o todo. 
 
 “Não tem jeito, o que todo mundo busca é ser feliz, experimentar a sensação 
de bem-estar e plenitude. Acredito que esta sensação, a cada dia que passa, 
seja mais valorizada que há tempos atrás” (MARQUES, 2015, p.97). 
 
Nos dias atuais, cada vez mais estudos deixam a sociedade informada sobre 
os mais variados problemas que interferem na produtividade humana. O coaching 
 
 
 
26 
busca resgatar a supervalorização pessoal de cada indivíduo, mostrando-os que os 
problemas surgem para que possamos resolvê-los da melhor maneira possível. 
 
O coaching, assim como uma gestão escolar comprometida e preocupada com 
seus subordinados, trabalha no melhoramento das produções das pessoas. Muitos 
não sabem o potencial que têm dentro de si, por isso, produzem aquém do esperado. 
Coaching reúne uma série de recursos que utilizam técnicas, ferramentas e 
conhecimentos de diversas áreas na busca de efetivos resultados: administração, 
gestão de pessoas, psicologia, neurociência, recursos humanos, planejamento 
estratégico, etc. Conhecer as pessoas é o principal caminho para a obtenção do 
sucesso, portanto, discorreremos sobre como a metodologia coaching pode 
influenciar coaches e coachees no melhoramento de seu rendimento. 
 
 
6. FERRAMENTAS DO COACHING QUE PODEM SER UTILIZADAS PELA 
GESTÃO ESCOLAR NA OBTENÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS 
O caminho que leva um indivíduo ao sucesso requer um planejamento a curto, 
médio e longo prazo. Traçar objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais, exige 
uma boa capacidade de percepção dos elementos que podem estar ou já estão ao 
alcance. 
Uma vez definidos os objetivos de nossa vida em geral, família, trabalho, grupo 
de amigos, etc., temos que compatibilizar nossas ações com esses objetivos. Dessa 
forma, como nosso tempo é sempre curto, temos que fazer somente as coisas 
essenciais, isto é, aquelas que mais colaboram, naquele momento, para que 
atinjamos o nosso objetivo determinado. (FILHO, 1988, p.71). 
 
Um gestor escolar trabalha com metas a todo momento. Mais que isso: para 
que seus objetivos profissionais sejam alcançados, ele precisa de agentes que 
independem da sua ação direta. Sob esta situação, questiona-se: como fazer com que 
as pessoas se empenhem para que os objetivos, comuns a todos, sejam atingidos? 
O coaching pode proporcionar ao gestor mecanismos que o deem subsídios para 
fazer a equipe produzir mais e com qualidade. Kimsey-House et. al. (2015) destaca o 
 
 
 
27 
coach como o sujeito que executa uma prestação de serviços que exige compromisso 
e presença (p.22). Este conceito derruba uma característica muito marcante nos 
modelos tradicionais de gestão, cujo diretor delega, mas não participa diretamente 
das atividades, apenas cobrando sem dar suas efetivas contribuições para o bem 
comum. Comprova-se, então, uma utilização eficaz da metodologia coaching na 
gestão escolar: o coach precisa estar presente contribuindo para a mudança proposta, 
ou seja, sua participação deve fazer a diferença e, sobretudo, ajudar os outros a atingir 
o seu potencial. 
 
Kimsey-House et. at (2015) também chama a atenção dos leitores no que diz 
respeito a determinadas qualidades que o coach deve compartilhar com os coachees: 
confidencialidade, confiança, falar a verdade e dar abertura e espaço. 
O coaching inicia quando o coach orienta o coachee que ele é o principal autor 
de seu processo de autodescobertas. Não há uma forma padronizada para essa 
etapa: alguns cursos de formação de coaching fazem uso de entrevistas ao próprio 
coachee em apenas uma seção, ou entrevistam colegas de trabalho, funcionários ou 
familiares do coachee. Fazendo uma ponte com a gestão escolar, quanto mais o 
gestor conhecer a realidade de seus coachees, maior êxito terá no trabalho de 
despertar o ser produtivo e empenhado que ele é. 
 
Os autores ainda dão sugestões de algumas perguntas que podem ser feitas 
na sondagem dos coachees: 
 
“Em que ponto você quer fazer a diferença em sua vida?”, “O que você mais 
valoriza no seu relacionamento com os outros?”, “O que funciona melhor para 
você quando consegue fazer mudanças bem-sucedidas?”, “Em geral, em que 
ponto você costuma ficar paralisado?”, “O que motiva você?” (KIMSEY-
HOUSE, 2015, p.35)” 
 
Infelizmente, é notável que grande parte dos gestores não conhece a força que 
essas perguntas exercem no processo de motivação de sua equipe. Quando um 
gestor pergunta a um subordinado: “O que você mais valoriza no seu relacionamento 
com os outros?”, está transmitindo segurança e confiança para o coachee, do que se 
perguntasse em uma situação semelhante: “Como você se relaciona com as pessoas 
no ambiente de trabalho?”. Tal situação reforça ainda mais a necessidade de os 
gestores escolares conhecerem e utilizarem a metodologia coaching em sua escola. 
 
 
 
28 
 
Para a inicialização do trabalho com um coachee, o coach deve tomar algumas 
medidas preventivas. Como foi visto anteriormente, conhecer a história e algumas de 
suas características no dia a dia profissional e pessoal é importante, mas o coach 
deve despertar no coachee o desejo de perceber-se no processo como um ser que 
está redescobrindo todo o potencial que tem dentro de si mesmo, deixando para trás 
a percepção negativa que tinha de si mesmo. Frases como “Este é o seu ponto de 
partida de hoje em diante. Como você se percebe hoje?”. A autopercepção ajudará o 
coachee a acompanhar e monitorar os seus avanços. Nesse caminho de 
transformação, segundo Marques (2016, p.88): 
 
“Temos a oportunidade de evidenciarmos nosso estado atual, nosso ponto 
de partida. Olhamos para nós e realmente nos vemos. Geralmente levamos 
um susto, pois negligenciamos as nossas dores, nossas dificuldades, nossos 
problemas, nosso corpo, nossa mente, nosso espírito, nossa família, nosso 
trabalho e nossos amigos.Nós nos descuidamos de nós mesmos, mas não 
tomamos consciência disso.” 
 
Em quase todas as instituições, pode perceber-se a seguinte situação: 
profissionais que exercem as mesmas funções há anos com marasmo, sem ânimo e 
fechados para mudanças veem novas pessoas chegando à mesma instituição com 
vontade de fazer o melhor, de descobrir coisas novas e redescobrirem-se. Esses 
funcionários “estáticos” ainda não perceberam que essa nova pessoa pode ser ele 
mesmo! O gestor-coach, identificando pessoas que estejam no mínimo abertas a se 
auto avaliarem, pode trabalhar com elas o que chamamos de Semirreta da vida de um 
coachee, conforme a figura a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
 
Na figura, é possível perceber o resumo do antes e depois da percepção do 
indivíduo inserido no processo de coaching. 
O gestor, ao fazer uso de tal metodologia, 
além de melhorar os resultados da 
instituição a qual está à frente, proporciona 
aos seus coachees a possibilidade de eles 
perceberem-se e melhorarem como 
pessoas, incluindo suas vidas pessoais. O 
coaching em instituições de ensino é sem 
dúvida, uma ferramenta a qual o gestor deve interessar-se em conhecer, pois se 
desenvolvida corretamente, só trará ganhos para a escola, levando-a ao que 
realmente todos desejam, aqui inclui pais, alunos, docentes e funcionários em geral. 
O objetivo deste conteúdo foi dar subsídios aos gestores escolares para aplicarem as 
técnicas do coaching educacional nas vivências cotidianas da instituição a qual estão 
à frente. Pôde ser percebido o quanto o uso do coaching educacional pode agregar 
valor aos envolvidos na comunidade escolar. 
 
Por ser uma discussão contemporânea, coaching ainda é desconhecido por 
parte das pessoas que acreditam que administrar uma escola resume-se a postar-se 
atrás de um birô e delegar tarefas. 
 
O gestor, tanto quanto seus subordinados, deve se auto perceber como parte 
que compõe o processo. Todos são autores do que é produzido na escola, por isso, 
devem sentirem-se como tal, e o coaching educacional age como um espelho 
revelador da responsabilidade de cada um. 
 
Infelizmente, gerir uma instituição ainda tem sido uma tarefa realizada da 
maneira que acredita-se ser mais fácil: impondo o autoritarismo ou a autoridade, 
cobrando resultados que nem sempre podem ser alcançados tendo em vista a 
capacidade de organização, planejamento e sincronismo que as pessoas se 
encontram na instituição. 
 
 
 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
DINSMORE, Paul Campbell. O coaching prático: o caminho para o sucesso – 
modelo pragmático e holístico usando o método Project-based coaching. Rio de 
Janeiro: QualyMark, 2007. 
 
FILHO, Luiz Almeida Marins. Administrar, hoje: um guia prático com base em 
estudos de antropologia empresarial sobre administração de empresas nos dias 
atuais. 14ª ed. São Paulo: Editora Harbra Ltda, 1988. 
 
KIMSEEY-HOUSE, Henry; KIMSEEY-HOUSE, Karen; SANDAHL, Phillip. 
Coaching coativo: mudando negócios e transformando pessoas. [tradução: Cristina 
Sant’Anna]. 3ª ed. São Paulo: Évora, 2015. 
 
LÜCK, Eloísa. Liderança em gestão escolar. 2ª ed. São Paulo: Vozes, 2008. 
 
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 
São Paulo: Atlas, 2010. 
 
 
 
31 
 
MARQUES, José Roberto. Coaching positivo: Psicologia positiva aplicada ao 
coaching. 2ª ed. Goiânia: Editora IBC, 2015. 
 
MEC. Termo de referência para contratação de pessoa física – consultor por 
produto. 2012. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2017. 
 
PAIVA, L. A.; MACILHA, J.; RICHARDS, J. Coaching: passo a passo. Rio de 
Janeiro: Qualitymark Editora, 2012. 
 
PAZ, M. G. T. Poder e saúde organizacional. In A. Tamayo (Org.). Cultura e 
saúde nas organizações. Porto Alegre: Artmed, 2004. 
PÉREZ, J. F. B. Coaching para docentes. Portugal: Porto Editora, 2009. 
Quais os tipos de coaching? Disponível em: Acesso em: 05 jun. 2017. 
 
ROMA, Andréia; LIRA, Gilson; SANTOS, Neuza; FILHO, Ronald Dennis Pantin 
(coordenadores). Bíblia do Coaching: profissionais da área do coaching apontam 
caminhos e estratégias sobre o poder desta ferramenta para alcançar o sucesso na 
vida pessoal e profissional. São Paulo: Leader, 2015. 
 
SANTOS, Graça. Coaching educacional: ideias e estratégias para professores, 
pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento. São 
Paulo: Leader, 2012. 
 
SANTOS, R. N. M.; KOBASHI, N. Y. Bibliometria, cientometria, infometria: 
conceitos e aplicações. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, 
Brasília, v. 2, n. 1, p. 155-172, 2009. Disponível em: . Acesso em: 12 maio 2017. 
 
Ser de luz: Os mais inspiradores artigos de José Roberto Marques. Goiânia: 
Editora IBC, 2016. 
 
 
 
 
32 
SILVA, Mary Aparecida Ferreira da. Métodos e técnicas de pesquisa. Cajamar, 
SP: Ibpex, 2005. 
 
ZAIB, José; GIBBLER, Jacob. Manual de Coaching Educacional. São Paulo: 
Leader, 2012.

Mais conteúdos dessa disciplina