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Prévia do material em texto

1
Profª. Dra. Bárbara Neves Salviano de Paula
LIBRAS: ASPECTOS DA 
ESTRUTURA GRAMATICAL
2
PROFª. DRA. BÁRBARA NEVES SALVIANO DE PAULA
LIBRAS: ASPECTOS DA ESTRUTURA GRAMATICAL
3
 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério
 Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira
 Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Esp. Imperatriz da Penha Matos
 Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Esp. Izabel Cristina
 Revisão técnica: Profª. Dra. Eva dos Reis
 
 Revisão/Diagramação/Estruturação: Clarice Virgilio Gomes
 Prof. Esp. Guilherme Prado
 Lorena Oliveira Silva Portugal 
 
 Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva 
 Daniel Guadalupe Reis
 Élen Cristina Teixeira Oliveira 
 Maria Eliza P. Campos 
© 2022, Faculdade Única.
 
Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza-
ção escrita do Editor.
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920.
4
LIBRAS III
1° edição
Ipatinga, MG
Faculdade Única
2022
5
 Doutora em Linguística Aplica-
da, atualmente atua como profes-
sora da Faculdade de Educação da 
Universidade de São Paulo (USP) no 
campo do ensino de Libras e como 
professora de Língua Portuguesa da 
rede municipal de ensino. Tem expe-
riência como professora do ensino 
superior na Faculdade de Letras da 
UFMG, como analista e conteudista 
de material didático para a Federa-
ção Nacional de Educação e Inte-
gração dos Surdos (Feneis) de Minas 
Gerais, bem como para plataformas 
digitais e como lexicógrafa de Proje-
tos de Pesquisa da categoria BIC-Jr 
do Centro Federal de Educação Tec-
nológica de Minas Gerais- CEFET/MG. 
É autora da proposta lexicográfica do 
primeiro dicionário geral de língua 
Português/Libras/Português.
BÁRBARA NEVES SALVIANO
Para saber mais sobre a autora desta obra e suas qua-
lificações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link :
http://lattes.cnpq.br/7068440714654961
Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado.
6
LEGENDA DE
Ícones
Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes 
nas quais você precisa ficar atento.
Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão 
do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar 
ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para 
determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, 
mostradas a seguir:
São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca 
virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro.
Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, 
associando-os a suas ações.
Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos 
conteúdos abordados no livro.
Apresentação dos significados de um determinado termo ou 
palavras mostradas no decorrer do livro.
 
 
 
FIQUE ATENTO
BUSQUE POR MAIS
VAMOS PENSAR?
FIXANDO O CONTEÚDO
GLOSSÁRIO
7
UNIDADE 1
UNIDADE 2
UNIDADE 3
UNIDADE 4
SUMÁRIO
1.1 Verbos direcionais .............................................................................................................................................................................................................................................................................11
1.2 Advérbios de tempo .......................................................................................................................................................................................................................................................................15
1.3 Aplicação prática ............................................................................................................................................................................................................................................................................18
 1.3.1 Atividade 1 .........................................................................................................................................................................................................................................................................................18
 1.3.2 Atividade 2 .......................................................................................................................................................................................................................................................................................19
 1.3.3 Atividade 3 ......................................................................................................................................................................................................................................................................................20
FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................22
2.1 Estrutura condicional ....................................................................................................................................................................................................................................................................27
2.2 Horas .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................33
2.3 Aplicação prática ..........................................................................................................................................................................................................................................................................37
 2.4.1 Atividade 1 ......................................................................................................................................................................................................................................................................................37
 2.4.2 Atividade 2 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................38
 2.4.3 Atividade 3 ...................................................................................................................................................................................................................................................................................38
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................40
3.1 Classificadores .................................................................................................................................................................................................................................................................................45
3.2 O papel dos classificadores ..................................................................................................................................................................................................................................................48predicativos não podem ser considerados palavras da 
Libras pois, como vimos, uma mesma forma manual pode referir-se a distintos elemen-
tos dependendo do contexto. Já os sinais classificadores ou classificadores nomes estão 
designados enquanto palavra da língua. A partir do momento que há aceitação e uso 
da comunidade linguística de uma mesma forma manual para mencionar um referente, 
mesmo que a sinalização desse referente tenha origem classificatória, ela deixa de ser um 
classificador predicativo para se tornar uma palavra instituída. Se retomarmos o exemplo 
das lexias citadas, todos os usuários de Libras reconhecem a forma [água + movimento 
FIQUE ATENTO
48
descritivo do deslocamento das ondas do mar] e a forma [bico] + [movimento referente 
ao bater das asas] como sendo indicadores dos substantivos onda e pássaro/ave, res-
pectivamente. No entanto, se pedirmos a esses mesmos falantes descreverem o pássaro 
que veem pela janela, naturalmente incluirão classificadores predicativos de um modo 
absolutamente pessoal e, portanto, arbitrário: cada falante designará as atribuições do 
pássaro com classificações diferentes, pois a sinalização deles dependerá das percep-
ções particulares de cada falante e até mesmo do seu conhecimento do idioma e da sua 
capacidade linguística. 
 O trabalho de Takahira nos propõe importantes identificações sobre o papel dos 
classificadores nos discursos em Libras. Vamos considerar três aspectos mencionados 
pela autora em consideração às pesquisas de Cuxac e Sallandre (2007) sobre a 
importância dos classificadores enquanto agentes de iconicidade, informativos e 
de elucidação do enunciado: a) estruturas essencialmente icônicas; b) iconicidade 
degenerativa e c) iconicidade diagramática.
 As estruturas essencialmente icônicas determinam classificadores mais comuns 
que “envolvem intenção ilustrativa quando o sinalizante busca mostrar o referente no 
mundo.” (TAKAHIRA, 2015, p.60) 
 Esses cumprem a função de identificar, especificar e categorizar o elemento 
classificado e, como consequência disso, tornam a mensagem mais rica e clara para o 
interlocutor. Normalmente são expressos de três maneiras:
• Pelos classificadores de tamanho e forma: identificam, como a nomenclatura sugere, 
representação do tamanho e/ou forma do referente. Takahira exemplifica:
 É possível associar ao sinal árvore um classificador de tamanho e forma de modo 
a aumentar as especificações e detalhes na abordagem temática. No caso retratado, 
temos uma classificação de parte do elemento árvore, qual seja, o seu tronco, na 
ampliação da representação. 
• Pela transferência de situação: nesse caso, como identifica Takahira (2015, p.60), 
“o sinalizante usa o espaço em frente a ele para reproduzir iconicamente cenas 
representando o movimento espacial de um actante em relação a um locativo 
estável funcionando como ponto de referência. ”
 Veja o exemplo trazido pela autora:
3.2 O PAPEL DOS CLASSIFICADORES
Figura 22: Classificador de árvore
Fonte: TAKAHIRA (2015, p.60)
49
 Note que há, com a mão direita do sinalizador, a realização do sinal do substantivo 
cavalo. Ao mesmo tempo há, no espaço neutro à sua frente, uma indicação que reproduz 
a cena do pulo do cavalo. Temos ainda expressões não manuais que, como elemento 
linguístico, completam a classificação.
• Pela transferência de pessoa: a classificação acontece pela utilização do corpo do 
sinalizador que incorpora o referente – objeto, animal, pessoa, etc. A autora também 
traz um exemplo:
 No caso acima, diferentemente do classificador para pulo do cavalo visto na 
Fig.23, a ação não é simplesmente descrita por um narrador observador ou onisciente. 
Ela se torna designada por um narrador personagem que integra à enunciação a ação 
relatada por meio do próprio corpo. Note na Fig. 24 que o sinal para cavalo não aparece 
no discurso, pois o emissor assume a entidade do animal destacando sua essência 
através do corpo, sendo desnecessária uma identificação vocabular. 
 Em todos os três processos mencionados, o papel do classificador será o de indicar 
detalhes sobre aquilo que o discurso é relativo e, então, agregar elementos linguísticos 
descritivos elucidativos.
 Um outro processo lembrado por Takahira tem a ver com os classificadores 
associados à iconicidade degenerativa. Nesse caso, o papel das representações 
classificatórias não tem intenção ilustrativa, mas indica uma motivação quando da 
constituição do sinal. A autora cita como exemplo o par de sinais peixe e sexta-feira:
Figura 23: Classificador de pulo do cavalo
Fonte: TAKAHIRA (2015, p.60)
Figura 24: Classificador de cavalo
Fonte: TAKAHIRA (2015, p.60)
50
Ocorre na construção de uma referência de espaço (Ex.: 
a direção do olhar marca o espaço); na construção de 
uma referência de tempo (Ex.: marcação da sinaliza-
ção em relação ao corpo, para frente ou longe do cor-
po indica futuro e para trás ou próximo do corpo indica 
passado); e, na construção de uma referência de pes-
soa (Ex.: apontamento e verbos direcionais). (TAKAHIRA, 
2015, p.62)
 O dia da semana sexta-feira, ao ser sinalizado, não leva em conta a padronização 
dos outros dias (segunda a quinta). Conforme postulado por Takahira: “o sinal sexta-
feira, [em LSF] foi derivado do sinal peixe, prato típico das sextas-feiras, e, apesar das 
mudanças na sinalização de uma e outra forma, os sinalizantes surdos sabem que o 
sinal sexta-feira veio de peixe. (2015, p.61) 
 Portanto, o classificador icônico, em casos como esse, perde a característica 
originária ao ser introduzido no vocabulário corrente e, embora os usuários reconheçam 
sua origem, não há representatividade ilustrativa.
 Por último, temos a iconicidade diagramática. Assim definida:
 Sua função está para referenciação de espaço, tempo ou pessoa. É classificada 
como iconicidade diagramática por ser a delineação ou esboço daquilo que está sendo 
indicado na exposição comunicativa.
 Sejam altamente icônicos ou não, sejam nas formas imagética, degenerada ou 
diagramática, os classificadores servem como suportes linguísticos, pois são organizados 
a partir do léxico da língua e se constituem como macroestruturas morfêmicas. É preciso 
desmistificar a ideia de que construções icônicas são aleatórias e sempre facultativas. 
Seja em línguas orais ou de sinais, as palavras têm como processo de formação a junção 
de fonemas que agrupam-se em morfemas e resultam em lexias. Os classificadores 
podem atuar enquanto morfemas estando, portanto, sujeitos a estabelecer-se a partir 
de normas lexicais da língua. 
 No que diz respeito aos classificadores com alta iconicidade, sua compreensão 
enquanto morfema é determinada a cada discurso em específico, dado seu alto grau de 
variabilidade: cada sinalizador determinará o morfema classificatório complementar à 
lexia a partir de seu léxico mental individual. Já para os classificadores com iconicidade 
reduzida, como é o caso dos que cumprem a função de referenciação, ao ser acoplada 
uma partícula classificatória de caráter diagramático, o sentido do referente se torna 
mais completo. 
Figura 25: Sinal polissêmico de peixe e sexta-feira
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL (2001)
51
Figura 26: Sinal da lexia parar
Fonte: Google imagens - adaptada
Figura 27: Afixos para flexão verbal
Fonte: PAULA (2020, p.99)
 Tomemos como modelo a iconicidade diagramática na referência ao tempo: uma 
marcação classificatória levando em conta a proximidade do corpo pode substituir o 
morfema afixal de conjugação verbal. Analise:
 O sinal do verbo parar está acima representado. Para constituirmos a flexão de 
tempo, é comum instituirmos afixos referentes ao pretérito, presente e futuro; quais 
sejam:
 Na constituição ‘padrão’ do tipo [afixo temporal + verbo parar] o afixo serve como 
morfema próprio de flexão. No entanto, não é incomum identificarmos um classificador 
de referência temporal substituindo o afixo por, simplesmente, realizarmos o sinal mais 
próximo da área de sinalização específica dos tempos passado (ombrose atrás dos 
ombros); presente (espaço neutro à frente do corpo) ou futuro (espaço neutro mais 
distante à frente do corpo).
 Considere os dois diálogos abaixo:
 Uma forma comum de identificar as variações do verbo (parei e pararei/
vou parar) é atribuir-lhe um afixo próprio ao tempo em questão – pretérito e futuro. 
Todavia, podemos encontrar morfemas classificatórios que substituem tais afixos em 
representações de marcação corporal: quando o sinal é realizado acima dos ombros 
do emissor da mensagem ou em um ponto mais distante do seu corpo o sentido é de, 
respectivamente, parei e pararei/vou parar, como podemos ver abaixo ilustrado.
52
Figura 28: Afixos para flexão verbal
Fonte: Google imagens - adaptada
 Circunstâncias como essas são claramente indicativas de classificadores 
funcionando como morfemas referenciais.
Leia sobre conceitos importantes da Morfologia no capítulo “Morfologia” conti-
do na obra Morfologia do Português organizada por Raquel Faustino e Claudia 
Feitoza. Temos ali tratativas importantes à luz dos estudos da Morfologia que, 
embora estejam relacionados à Língua Portuguesa, são pertinentes também às 
línguas de sinais. Disponível em: https://bit.ly/3ZiJf4D. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
 Os classificadores, como vimos, podem integrar-se a qualquer classe de palavras 
cumprindo distintos papeis. No que diz respeito aos verbos, os classificadores podem 
implicar na sua forma para identificar seu uso contextual. Capovilla et al. mencionados 
por Takahira indicam esse atributo: 
 A descrição dos autores deixa-nos claro que verbos classificadores serão aqueles 
cuja forma será determinada pela circunstância particular do uso. Analise o exemplo 
citado; a saber, o verbo cair. Para tal consideração, utilizamos de vídeo postado no 
canal Libras Além dos Sinais da plataforma de vídeos YouTube. Apesar de inserirmos 
3.3 VERBOS CLASSIFICADORES
O conceito de classificador diz respeito aos diferentes 
modos como um sinal é produzido, dependendo das 
propriedades físicas específicas do referente que ele 
representa. Os classificadores geralmente representam 
algumas características físicas do referente como seu 
tamanho e forma, ou seu comportamento e movimento, 
o que confere grande flexibilidade denotativa e conota-
tiva aos sinais. O sinal CAIR, por exemplo, é classificador, 
pois sua forma varia de acordo com o objeto referido, 
ou seja, que sofre a queda (e.g., papel, copo, pessoa). 
Quando um sinal funciona como classificador, [...] sua 
forma específica varia dependendo das circunstâncias 
particulares de seu uso. (CAPOVILLA et al., 2012, p. 58)
53
as imagens, você poderá compreender melhor as especificações assistindo ao vídeo 
proposto no link: https://bit.ly/40B4YWG. Acesso em: 15 nov. 2022. 
54
 Com os exemplos acima, notamos como não é possível determinar uma palavra 
única para o verbo cair. Embora alguns dicionários e glossários façam essa indicação, 
ela é incompleta, pois normalmente indica apenas uma dessas variações (a mais 
comum relativo à pessoa cair).
 Verbos como cair são constituídos de uma função semântica única; qual seja, 
conforme Dicionário Aulete on-line, “ir ao chão de sua própria altura” e/ou “ir de lugar 
mais alto a lugar mais baixo por ação da gravidade”. Contudo, a depender do objeto 
que vai ao chão, sua performance será distinta. Isso significa que o sentido é o mesmo 
para todos os casos, mas o processo de formação da palavra/sinal é distinto. 
 Destarte, os verbos classificadores são assim denominados por apresentarem um 
morfema classificador “expresso pela configuração de mão, que se refere ao objeto ou 
à entidade que sofreu a [ação]. Esses morfemas tomam a forma do objeto ou pessoa e 
ocorrem junto à raiz que, para Supalla (1982), por exemplo, é realizada pelo movimento.” 
(TAKAHIRA, 2015, p.56) 
Figura 29: Variações do verbo cair
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3lIBiIk. Acesso em: 05 dez. 2021
Reconhecendo a natureza dos verbos classificadores, analise, por exemplo, o verbo ABRIR. 
Considere as seguintes possibilidades: 
• abrir uma lata de refrigerante;
• abrir a porta de casa;
• abrir uma mala ao chegar de viagem;
• abrir o presente de natal;
• abrir o livro na página 15;
• abrir a janela depois da chuva;
• abrir os olhos ao acordar;
• abrir os olhos com o falso amigo.
Seja nas circunstâncias conotativas ou denotativas para o verbo, a escolha da sinalização 
VAMOS PENSAR?
55
de abrir levará em conta seu contexto e singularidade discursiva. Assim, considere como 
é essencial alimentar as nossas próprias perspectivas imagéticas à medida que estuda-
mos línguas de sinais. Nossa proficiência também depende de recorrermos a construções 
pictóricas, especialmente quando tratamos de verbos classificadores e de classificadores 
ilustrativos. 
56
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (IFB- 2017). Gesueli (2009), no capítulo intitulado “A narrativa em Língua de Sinais: um 
olhar sobre classificadores”, relata a análise feita sobre os classificadores utilizados em 
narrativas de duas crianças surdas na faixa etária de 6-7 anos de idade, pertencentes 
ao Programa “Linguagem e Surdez”, do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação 
“Prof. Dr. Gabriel O. S. Porto” (CEPRE/FCM/UNICAMP). A narrativa foi produzida em sala 
de aula em momentos de interação com o professor surdo e com o professor ouvinte. 
Os dados da pesquisa são um recorte de um momento de conversa livre, no qual a 
criança conta um fato vivenciado por ela juntamente com sua família e amigos. Abaixo 
serão mostrados os classificadores que a autora toma como referencial, presentes nos 
trabalhos de Pimenta (2000) e Ovideo (2000). Associe-os com as descrições que os 
seguem:
I. GRANDE.
II. DESPEJAR ENCHER.
III. TRAMPOLIM.
IV. AFUNDAR/MERGULHAR.
 
( ) A configuração da mão representa a forma de uma parte do corpo (CL-PC), no 
caso, a criança utiliza a mão para representar o movimento das pernas pulando.
( ) Neste sentido, consideramos como classificador do tipo descritivo (CL-D) que é 
utilizado para descrever a aparência, formato do objeto, tamanho do objeto.
( ) Encontramos o classificador do corpo (CL -C) representado pela parte superior do 
corpo, em que a criança utiliza os braços erguidos sobre a cabeça.
( ) Classificador denominado de elemento (CL-E), utilizado em concordância com o 
verbo para explicar a quantidade de líquido gasta para encher a piscina.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de associação:
a) III- I- II- IV.
b) I- III- IV- II.
c) I- IV- II- III.
d) III- I- IV- II.
e) III- IV- I- II.
2. (CPCON- 2020). Na Libras, os verbos ANDAR e CAIR, são categorizados como:
a) classificadores.
b) direcionais.
c) direcional e classificador.
d) de negação.
e) simples.
3. (UFERSA- 2019 – Adaptada). Ferreira (2010) elenca os classificadores considerados 
57
como mais produtivos na LIBRAS, dentre os quais se encontram os realizados com a 
seguinte configuração de mão: 
Tal classificador é utilizado para representar:
a) pessoa andando, e objetos altos e largos.
b) superfícies planas, e objetos nem altos e nem finos.
c) objetos cilíndricos, planos e pequenos.
d) cidades, locais e outros referentes espaciais.
e) superfícies espessas e arredondadas.
4. Analise as lexias e identifique seus conceitos relacionando a primeira coluna à 
segunda:
(1) Estruturas essencialmente icônicas
(2) Iconicidade degenerativa
(3) Iconicidade diagramática
( ) Referem-se a classificadores que indicam uma motivação da forma como o sinal 
foi constituído.
( ) Referem-se a classificadores que cumprem o papel de referenciação.
( ) Referem-se a classificadores que cumprem o papel de ilustrar, detalhar e categorizar 
o referente.
A sequência que identifica a relação de modo assertivo é:
a) 1 – 2 – 3. 
b) 3 – 1 – 2. 
c) 1 – 3 – 2.
d) 2 – 1 – 3.
e) 2 – 3 – 1. 
5. (CEPS- UFPA – 2018). Para Gesueli (2009), os classificadores são configurações de 
mãos que, relacionadas a coisa, pessoa e animal, funcionam como marcadoresde 
concordância verbal. Observe a datilologia a seguir e marque a alternativa (uso de 
classificadores) que corresponde ao enunciado da datilologia.
58
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
6. (COVEST-COPSET- 2019). Na tradução para Libras da sentença O CAMINHÃO JÁ 
ESTACIONOU, será necessário usar:
a) um classificador em uma localização particular.
b) uma apontação ostensiva ao término do referente.
c) uma forma pronominal com referente ausente.
d) uma pantomima na localização do objeto.
e) um verbo não direcional para o referente.
 
7. (UFU – 2016- Adaptada). Em qual frase aparece o uso do classificador (CL), para 
representar a ação do sujeito na Língua de Sinais?
a) João trabalhou muito.
b) Rita comprou um carro novo.
c) Pedro vende balas de chocolate.
d) Ana já escovou os dentes.
e) Cristian perdeu as chaves. 
8. (COVEST-COPSET- 2019). 
59
______________________________ se refere ao tamanho e à forma. É utilizado para apresentar a 
aparência de um objeto, isto é, a forma, o tamanho, a textura ou o desenho de um objeto. 
Usualmente, é produzido com ambas as mãos, para formas simétricas ou assimétricas. 
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna acima.
a) Classificador descritivo.
b) Classificador do plural.
c) Classificador semântico.
d) Classificador instrumental.
e) Classificador de corpo.
60
LIBRAS EM FOCO III
61
 Vamos conhecer vocabulário específico para vestimenta. Para contextualizar, 
vamos, inicialmente, analisar o vídeo “A vida em Libras- História da moda” elaborado 
pela TV INES. Você encontra o vídeo no link: https://bit.ly/40IVRDv. Acesso em: 15 nov. 
2022.
 Durante todo o vídeo, temos descrições das circunstâncias que ajudaram 
a ditar a moda das últimas décadas do século XX e dos anos iniciais do século XXI. 
Junto com essas especificações, podemos encontrar um rico vocabulário próprio do 
assunto. Trabalharemos com uma lista de palavras que retomam os elementos de 
vestuário lá mencionados e ainda outros para compreensão do sentido e, em seguida, 
identificaremos no material formas de adjetivação feitas por meio de sinais e/ou de 
classificadores.
 Primeiramente, apresentamos os vestuários mais recorrentes nesse contexto 
comunicativo. Você pode encontrá-los sinalizados pelo avatar da plataforma Hand Talk 
no seguinte link de acesso: https://bit.ly/2OOdKjz. Acesso em: 15 nov. 2022.
4.1 VESTIMENTA 
62
 Essas palavras são comumente utilizadas na consideração que tenha como 
temática a escolha de roupas para ocasiões específicas e descrição desses elementos. 
Assim, não é incomum associar a tais referentes a palavra interrogativa QUAL. Veja:
A palavra interrogativa qual é um vocábulo que está quase 
sempre relativo ao contexto de uso das lexias próprias do 
vestuário. Podemos citar um exemplo:
• Qual vestido eu devo escolher?
• Com qual roupa Rute vai à sua entrevista de emprego?
• Qual tipo de roupa você gosta?
Figura 30: Sinais do vestuário
Fonte: Acervo pessoal da autora (2022)
63
 A partir de uma interrogativa assim, podemos dar continuidade ao assunto 
usando as novas palavras que agora conhecemos. Vamos tentar? Analise o diálogo 
abaixo e proponha uma tradução para a Libras:
 Outras duas interrogativas comuns a esse campo semântico utilizando a –QU 
qual são:
 Analisar bem o vídeo da TV INES proposto no início desta unidade pode ajudá-
lo com construções oracionais dessa natureza que aqui tratamos. Por exemplo, lá é 
possível identificarmos referências a distintos estilos da moda, além dos sinais das 
peças mais comuns de vestuário. 
Figura 31: Interrogativas de vestuário
Fonte: Google Imagens - adaptada
Palavras interrogativas também são chamadas de partículas interrogativas. São aquelas 
que, por si mesmas, denotam interrogação sem precisar, necessariamente, estar atre-
lada ao contexto. São palavras como: por que; quando; quem; onde; o quê; quanto(s); 
qual; para quê; como; etc.
GLOSSÁRIO
64
FIQUE ATENTO
A estrutura sintática da Libras é independente da estrutura sintática da Língua Portugue-
sa. Por isso, as estruturas frasais em Libras não serão simplesmente uma replicação de 
sinais sobrepostos à organização da língua oral. Como língua imagética de modalidade 
espaço-visual, a Libras prioriza as construções nesse âmbito. Um exemplo são as duas ora-
ções interrogativas apresentadas na Fig. 31. Enquanto em Português temos as organizações 
“Quanto você calça?” e “Quanto você veste?”, em Libras temos: e 
 A adjetivação em Libras acontecerá através de duas possibilidades de processo 
como os já mencionados na unidade 3 deste livro. São eles: o uso dos classificadores 
cujo papel é descrever ou categorizar o referente e o uso dos adjetivos, que podem ser 
icônicos ou arbitrários.
 Vamos retomar ao vídeo sugerido no início da unidade para identificar a categoria 
de classificadores descritivos e ver como funcionam para adjetivar. Note, a partir 
do minuto 6 do vídeo, a descrição que o narrador faz quando adjetiva os elementos 
vestidos, chapéus e cabelos. O texto em Português é assim traduzido:
4.2 ADJETIVOS
 Alguns verbos também são importantes na constituição de sentenças referentes 
à vestuário. Vamos conhecer alguns deles em contextos reduzidos:
• É importante vestir antes de comprar as roupas. 
• Depois de ter certeza que irá servir, compre apenas aquilo que realmente for usar.
65
 Cada um dos três elementos citados recebeu um adjetivo que corresponde à sua 
particularidade na década retratada. Mas, perceba como o emissor da mensagem não 
faz uso de apenas uma palavra, como se dá com a Língua Portuguesa.
 Para indicar vestido tubular, a menção da especificidade é feita com classificadores 
descritivos: como que molda a forma da roupa usando o próprio corpo como base 
para o elemento alusivo. Em seguida, também indica o tamanho e forma do vestuário 
usando o espaço neutro à sua frente. Por fim, usa um classificador de parte do corpo (os 
dedos indicador e médio representando as pernas de um corpo) para também indicar 
a característica tubular do vestido. 
 Na designação de chapéus diurnos, não temos apenas um sinal funcionando 
como adjetivo, mas sim uma descrição por meio de classificadores. O locutor utiliza do 
próprio corpo, nesse caso, da cabeça, para caracterizar diferentes tipos de chapéus e 
posições em que são vestidos.
 Por último, o cabelo também é relativizado com classificação própria do caráter 
curto. Com descrição ilustrativa, o narrador determina a forma do corte tendo a cabeça 
como ponto de articulação.
 Para todos os casos, expressões não manuais são incluídas quando da 
manifestação dos classificadores, tornando a comunicação compreensível. Os 
classificadores e as ENM funcionam como elementos linguísticos descritivos, ou seja, 
que promovem a função de categorização, por meio de locução adjetiva. Isso está de 
acordo com o que encontramos em Silva:
 Como considerado na unidade 3, os classificadores diferem-se dos sinais por 
muitos motivos; um deles tem a ver com a alta flexibilidade; isto é, cada sinalizador 
produz o classificador descritivo, como é o caso dos aqui analisados, de acordo com 
sua percepção imagética do elemento mencionado. Assim, se levarmos em conta a 
forma como o professor Heveraldo Ferreira adjetiva as lexias vestido, chapéus e cabelos 
no vídeo que assistimos, podemos afirmar que será diferente daquela como outro 
sinalizador as faria, simplesmente pelo fato de os classificadores serem executados a 
partir da particularidade do léxico mental de seu emissor. 
Os classificadores [...] são importantíssimos – afinal, 
ajudam a construir a estrutura sintática da oração, por 
meio de recursos corporais que enfatizam e organizam 
ideias no discurso. São estruturas auxiliares, portanto. 
Note que as expressões faciais são fundamentais para 
que os classificadores fiquem claros na conversa, pois 
intensificam, mais ainda, o significado. (SILVA, 2015, p.38)
66
 No entanto, a forma de indicar característicastambém pode se dar pela utilização 
de palavras da classe dos adjetivos. Assim como acontece nos discursos em Português, 
eles categorizarão substantivos, indicando-lhe qualidade, defeito, estado, condição, 
etc.
 Pelo conceito, “[...] todos os seres nomeados pela categoria dos substantivos, no 
dia a dia de sua existência, apresentam qualidades, estados ou ainda propriedades 
que serão expressos pela classe dos adjetivos.” (Almeida & Almeida, 2008, p.66).
 Diferentemente dos classificadores descritivos que atuam como locução adjetiva, 
os adjetivos são palavras registradas e convencionadas que têm como função descrever 
os nomes. Contexto e registro lexicográfico indicarão o que é um adjetivo e o que é um 
classificador. No primeiro caso, palavras registradas e sinal convencionado; ou seja, 
forma única para todos os sinalizantes. No segundo caso, formas não registradas e 
peculiares ao sinalizante.
 Trazemos alguns dos adjetivos em Libras: 
Para considerar mais detalhes a respeito dos classificadores não deixe de ler o 
subtítulo Os classificadores, a partir da página 38, na obra Língua Brasileira de 
Sinais – Libras, organizada por Rafael Dias Silva. Disponível em: https://bit.ly/3nr-
nq61. Acesso em: 15 nov. 2022.
Para relembrar a função dos adjetivos, considere a Gramática Sucinta do Por-
tuguês, no tópico 3.3 - capítulo O adjetivo. As considerações sobre o papel do 
adjetivo servem tanto para as línguas orais como para as línguas de sinais. Dis-
ponível em: https://bit.ly/3lJRsRI. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
BUSQUE POR MAIS
67
68
 Note que adjetivos aqui representados foram retirados do Dicionário Enciclopédico 
Ilustrado Trilíngue de Capovilla e Raphael (2001). Sendo palavras catalogadas em uma 
obra lexicográfica, temos a principal evidência de sua convencionalidade e, portanto, 
Figura 32: Alguns adjetivos em Libras
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, (2001)
69
de categorização no domínio das palavras de forma estrita. Assim, nessa perspectiva, 
mesmo que haja outra possibilidade de indicar a característica sugerida, será feita por 
uma palavra sinônima. 
 Com os conhecimentos adquiridos, vamos realizar algumas aplicações práticas 
para ampliar nossos conhecimentos.
 4.3.1 Atividade 1
 Analise o texto proposto e faça uma tradução para a Libras:
4.3 APLICAÇÃO PRÁTICA
Policial: Você pode descrever o indivíduo?
Porteiro: Ele era alto, magro e vestia 
um casaco azul escuro. Ele também andava 
de uma maneira estranha.
Policial: Ele usava óculos?
Porteiro: Não. Quando eu o vi entrar 
no prédio ele não estava de óculos.
Policial: Você falou com ele?
Porteiro: Sim, rapidamente. Quando ele 
chegou, me perguntou em qual andar morava a senhora Oliveira. 
Apenas isso.
Policial: Ele tinha alguma característica particular?
Porteiro: Além do andar peculiar, tinha uma falha na parte da frente 
do cabelo e um nariz bem grande e avermelhado.
Policial: E como estava a senhora Oliveira? Ela pareceu nervosa 
quando ele saiu?
Porteiro: Sim, ela estava bem nervosa: olhos arregalados, pálida e 
sem reação. 
Policial: E como estava o apartamento?
Porteiro: Eu entrei apenas na sala. Os móveis estavam 
desorganizados. As cadeiras caídas; a cortina rasgada na parte 
inferior. Tinha muitas caixas pequenas no chão. E dentro delas ainda 
restaram alguns anéis, colares e pulseiras bem brilhantes.
Fonte: Miquel, (2004, p.110)
70
 4.3.2 Atividade 2
 Analise a imagem abaixo e faça a descrição das pessoas apresentadas de acordo 
com suas características e sua vestimenta.
 4.3.3 Atividade 3
 Faça e apresente para a classe, para um grupo de colegas ou para o professor a 
situação abaixo indicada através de diálogo. 
• Você entra em uma loja de roupas para experimentar um casaco e uma calça que 
viu na vitrine. A vendedora pergunta seu tamanho e mostra as opções de cores. 
Você responde sobre o tamanho e escolhe a cor das peças. Quando experimenta, o 
casaco ficou bom, mas a calça está um pouco grande. Você pede um outro tamanho. 
Agora que os tamanhos estão apropriados, você decide o que levar.
 Depois de apresentar seu texto, certifique-se de que as informações compreendidas 
pelos colegas e/ou pelo professor tenham sido as intencionadas por você. Aceite 
sugestões de adaptação de estruturação de sentenças e, caso seja necessário, refaça 
o texto para que fique ainda mais compreensível aos seus interlocutores.
 4.3.4 Atividade 4
 E você? Como você se descreveria?
 Indique suas características. Especifique particularidades físicas e de personalidade. 
Quais os seus gostos? Como você gosta de se vestir? Quais os acessórios têm costume 
de usar?
Figura 33
Fonte: Freepik (2021)
Como você pode, nesta etapa, construir sentenças complexas que formam um texto com-
pleto? Vamos pensar em medidas práticas: retome o aprendizado da Unidade, incluindo o 
vídeo sugerido. Assim, poderá enriquecer seu texto com sentenças oracionais completas de 
sentido. Lembre-se também das expressões não manuais associadas aos classificadores 
quando da adjetivação pelo processo de descrição. Use-os para elucidar o texto e para 
facilitar construções de vocabulário próprio para caracterização. 
VAMOS PENSAR?
71
72
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (AROEIRA – 2021 – Adaptada). Leia o texto para responder a questão:
LÍNGUA
Esta Língua é como um elástico
Que espicharam pelo mundo.
No início era tensa, de tão clássica.
Com o tempo, se foi amaciando,
foi-se tornando romântica,
incorporando os termos nativos
E amolecendo nas folhas de bananeira
As expressões mais sisudas.
Um elástico que já não se pode
Mais trocar, de tão gasto;
Nem se arrebenta mais, de tão forte.
Um elástico assim como é a vida
Que nunca volta ao ponto de partida.
(TELES, Gilberto Mendonça. Falavra. Lisboa: Dinalivro, 1989, p. 95-96.)
Observe os versos: “No início era tensa, de tão clássica.” / “Com o tempo se foi amaciando,” 
/ “foi-se tornando romântica.” 
A respeito dos termos sublinhados podemos concluir que:
a) exercem a função de adjetivo e têm como base o mesmo referencial “língua”.
b) estão fazendo referência a “língua”, “elástico” e “mundo”. 
c) têm como base o mesmo referente, mas possuem funções gramaticais diferentes no 
contexto.
d) têm como base referentes distintos, no entanto, exercem a mesma função gramatical 
no contexto.
e) são locuções adjetivas que caracterizam substantivo e verbo.
2. Quais dos sinais abaixo são realizados com a mesma configuração de mão?
a) Bermuda – sutiã – saia.
b) Sapato – bota – relógio.
73
c) Brinco – salto alto – meia. 
d) Bota – regata – cinto.
e) Chapéu – bolsa – tênis. 
3. A sentença abaixo pode ser traduzida:
a) Preciso comprar sapato e calça novos.
b) Eu já comprei uma bota e saia lindas!
c) Pague os sapatos e vestidos, por favor!
d) Eu comprei roupas novas ontem.
e) Preciso pagar a compra das meias e vestido.
4. (CREATIVE GROUP - 2021 - Adaptada). Textos como as fábulas são repletos de 
adjetivos. Qual o papel fundamental deles?
a) Determinar os argumentos para convencimento do leitor.
b) Mostrar a constância nas atitudes e pensamentos das personagens, fluindo para um 
desfecho claro e previsível.
c) Nenhum, pois os adjetivos formam uma classe gramatical meramente alegórica.
d) Caracterizar os personagens e a partir disso permear as ações sendo determinantes 
para o conflito e o desfecho da narrativa.
e) Construir o próprio sentido do texto, sem adjetivos para sustentar a fábula, ela não se 
realiza como gênero textual.
5. Encontre a alternativa que contém um intruso entre as opções.
a) 
b) 
74
c) 
d) 
e) 
6. A alternativa que traz apenas exemplos de adjetivos icônicos é:
a) bonito – limpo – ruim.
b) fácil – triste – colorido.
c) calmo – baixo – curto/pequeno.
d) alto – depressa – igual.
e) forte – amplo/grande – liso.
7. (CETAP- 2019- Adaptada). Na sentença, “A menina respondeu com a audácia 
disruptiva”, o adjetivo significa: 
a) reacionária. 
b) separatória.
c) ingênua. 
d) alienada. 
e) irreverente.
8. Considere as afirmativas:
I. A estrutura sintáticada Libras é determinada pela organização da Língua Portuguesa.
II. A adjetivação em Libras pode acontecer ao agregar um adjetivo ou um classificador 
ao referente.
III. Os adjetivos são a classe de palavras que apresentam características como 
qualidades, defeitos e/ou condição do elemento categorizado.
IV. O classificador descritivo funciona como locução adjetiva.
São verdadeiras as sentenças:
a) III e IV.
b) I e III.
75
c) II e IV.
d) II, III e IV.
e) I, II, III, IV.
76
LIBRAS EM FOCO IV
77
 A adjetivação em Libras e também o uso de classificadores, já aprendidos, são 
características muito comumente associadas ao vocabulário dos animais. No vídeo 
que sugerimos no subtítulo 1.2 deste livro, já fomos inicialmente apresentados a alguns 
animais pela história da Bel. Vamos ampliar esse vocabulário? Veja abaixo o sinal de 
alguns animais em Libras. Em seguida, assistiremos a um outro vídeo da personagem 
Bel que contextualiza o tema.
5.1 ANIMAIS
78
 Note que os sinais que designam os animais podem ser icônicos ou arbitrários; 
assim como as palavras de qualquer campo semântico de uma língua natural. É 
verdade que nas línguas de sinais temos uma maior recorrência de sinais icônicos do 
que arbitrários; enquanto que nas línguas orais, acontece o inverso.
Relembrando os conceitos aqui mencionados; sinais icônicos são aqueles que têm pro-
priedades bastante comuns com o esquema perceptivo do que representam. Quadros 
e Karnopp descrevem: 
GLOSSÁRIO
Figura 33: Sinais de animais em Libras
Fontes: Disponível em: https://bit.ly/40uS8K8. Acesso em: 20 ago. 2022.
79
 Analisemos o vocabulário em contexto e assim focalizaremos também nas 
construções, e não apenas nas palavras. Assista ao vídeo “Animais selvagens”, do Diário 
da Bel, no link: https://bit.ly/42Ri1Fh. Acesso em: 15 nov. 2022.
 Temos ali, além da menção de alguns animais já aqui apresentados, construções 
importantes que merecem nossa atenção para constituirmos textos claros e coerentes 
em Libras.
 Note que há, em alguns momentos do diálogo entre a Bel e o tio Tobias, a presença 
de datilologia, como no caso:
 No primeiro momento da fala mencionada, o tio Tobias apresenta à sobrinha o 
passeio chamado safári. Essa é uma palavra para a qual não há sinal convencionado 
ou catalogado. De modo que o uso de datilologia é necessário para referir-se a esse 
tipo de expedição.
Já os sinais arbitrários são o inverso disso. As mesmas autoras indicam: 
A iconicidade reproduz a forma, o movimento e/ou a 
relação espacial do referente, tornando o sinal transpa-
rente e permitindo que a compreensão do significado 
seja mais facilmente apreendida. Assim, mesmo não se 
conhecendo bem uma língua, há uma motivação do 
signo com relação ao referente. (QUADROS; KARNOPP, 
2004, p.32). 
As palavras e os sinais apresentam uma conexão arbi-
trária entre forma e significado, visto que, dada a forma, 
é impossível prever o significado, e dado o significado, 
é impossível prever a forma. Os símbolos usados são 
arbitrários; não há, por exemplo, uma conexão intrín-
seca entre a palavra ‘cão’ e o animal que ele simboliza. 
(QUADROS; KARNOPP, 2004, p.26)
Retome os conceitos de iconicidade e arbitrariedade, principalmente para dis-
tinguir os sinais icônicos dos classificadores. Consulte o subtítulo da Unidade 3 
intitulado Língua brasileira de sinais – aspectos linguísticos e gramaticais da 
obra “Libras”, de Morais et al., 2018. Disponível em: https://bit.ly/3LYtblx. Acesso 
em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
80
 Menções de palavras ainda não registradas em Libras podem ser feitas em forma 
de datilologia mesmo que, assim como as personagens do vídeo fazem, depois instituam 
uma sinalização para o referente naquela conversa. O tio Tobias faz a soletração de 
S-A-F-A-R-I ao introduzir o tema na conversa. Para facilitar a comunicação, porém, em 
seguida ele não mantém a datilologia; mas retrata a excursão por meio de sinais que 
atribuem seu conceito: passeio de carro. 
 Isso não significa que a composição [passeio + carro] torna-se o sinal de safári. 
Mas, para aquela circunstância enunciativa, o uso passa a ser compreendido como tal, 
dada uma espécie de acordo discursivo intuitivo entre locutor e interlocutor.
 Mas, percebemos que o tio Tobias também usa datilologia para indicar um 
elemento que já tem sinal constituído. Isso se justifica pois, como locutor, o tio Tobias 
conhece bem sua interlocutora - a sobrinha Bel. Assim, ao mencionar palavras que 
julga serem novas para Bel, ele faz uso do recurso da datilologia, mesmo que já exista 
um sinal para aquela palavra que menciona. É o caso do nome do país, Quênia. Embora 
na conversa saiba-se que Bel teve uma aula na escola sobre a África e sua fauna, 
o emissor da mensagem certifica-se que sua comunicação será completamente 
compreendida ao fazer uso da soletração com o alfabeto manual para o referente que 
julga desconhecido. Em seguida à tal indicação, tio Tobias faz o sinal próprio do país, 
permitindo que, a partir de então, caso queira retomá-lo em sua conversa, não haja 
dificuldade de decodificação do sinal indicado. 
 Logo, o recurso da datilologia pode ser muito bem aproveitado mesmo para 
casos de palavras que já tenham sinal convencionado e registrado. Para tanto, é preciso 
identificar o contexto e o interlocutor. Pergunte-se: é esse sinal pouco conhecido, de 
modo que há alguma possibilidade do meu interlocutor não compreender a mensagem 
completamente se ele for utilizado? É um sinal referente a um termo de alguma área de 
especialidade da qual meu interlocutor não tem amplo conhecimento? É um sinal novo 
(neologismo) ou antigo (arcaísmo)? É um sinal reconhecidamente regional? Além das 
análises sobre o próprio sinal, é preciso também considerar as características do seu 
interlocutor: qual sua idade, cultura, grau de escolaridade, sexo, região, etc.? 
 A resposta a essas perguntas nos permitirá identificar contextos em que seja mais 
assertivo fazer, no primeiro momento da menção da palavra, a sua datilologia e, em 
seguida, apresentar o seu sinal. Dessa maneira evitamos dúvida, conflito, ambiguidade 
e não compreensão discursivos e auxiliamos nosso par linguístico na ampliação do seu 
léxico mental. 
Analise o conceito e considerações sobre o uso da datilologia no subtítulo 9.2 
(página 100) intitulado Datilologia, da obra Libras de Baggio e Casa Nova (2017). 
Disponível em: https://bit.ly/3M44CnD. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
 Por último, nos atentemos, mais uma vez, ao uso de classificadores. Vamos 
considerar o excerto do vídeo que conta com o diálogo abaixo descrito:
81
 Logo que a personagem Bel diz que tem medo de sapos, o tio dela faz essa 
observação mencionada. Tanto Bel como o tio Tobias fazem o sinal para a palavra 
sapo nas suas primeiras menções desse animal. Mas, quando vai se referir aos sapos 
que vivem próximo à sua casa, tio Tobias não mais utiliza o sinal convencionado para 
nomear o animal; ele faz uso de classificadores descritivos, quando retrata o sapo a 
partir da sua ação de pular (conforme Fig. 34 abaixo); de corpo, quando incorpora o 
sapo, usando o próprio corpo para especificar o animal (conforme Fig.35 abaixo) e de 
plural, ao usar uma configuração de mão e movimento de modo repetido, passando a 
ideia de grande quantidade (conforme Fig.36 abaixo).
Figura 34: Classificador descritivo para sapo
Fontes: Disponível em: https://bit.ly/3nzBiLa. Acesso em: 20 ago. 2022.
Figura 35: Classificador de corpo para sapo
Fontes: Disponível em: https://bit.ly/3LYUeNK. Acesso em: 20 ago. 2022.
Figura 36: Classificador de plural para sapo
Fontes: Disponível em: https://bit.ly/3zeGczR. Acesso em: 20 ago. 2022.
82
 Aqui, chamamos atenção para a presença dos classificadores associada ao 
sinal icônico. Perceba como essa é mais uma perspectiva que, além de corroborar o 
classificador como elemento linguístico distintivo do contexto, o distância do status de 
palavra. 
 Tal uso também nos esclarece que o classificador não tem como únicafunção 
servir como caracterizador; já que, se assim o fosse, seria desnecessária sua aplicação 
junto com o sinal icônico, pois esse já é um sinal que tem sua formação diretamente 
relacionada ao que representa. Logo, concluímos que os classificadores são mais 
do que constituintes descritivos, eles também atuam como substitutos do referente, 
marcadores da ideia de plural, incorporadores do personagem para descrição de ações 
ou utilização de instrumento, descritores de ação, etc.
 Já analisamos os processos de adjetivação em Libras no item 4.2 deste material. 
Porém, deixamos uma seção especificamente para tratar das cores, que também 
atuam como adjetivos, pela sua variedade própria de vocabulário. Vamos fazer isso de 
modo contextualizado?
 Assista ao vídeo “Cores”, promovido pela TV INES, no seguinte link: https://bit.
ly/3zfJAKV. O vídeo traz a apresentação de cores primárias e secundárias, além 
de elementos que caracterizam as próprias cores. Vejamos as cores e, depois, 
consideraremos a forma de especificá-las.
5.2 CORES
Figura 37: Cores em Libras
Fontes: CAPOVILLA, RAPHAEL, (2001)
83
 As cores em si já servem quais adjetivos. Veja:
 Todavia, ainda é possível delimitar ainda mais as cores de modo a constituir 
adjetivos compostos, como os mencionados no vídeo que analisamos: 
 No caso dos adjetivos compostos, em Libras eles terão estrutura semelhante: [cor 
+ lexia caracterizante].
 A segunda caracterização pode ser um substantivo (azul turquesa); um outro 
adjetivo (branco cintilante) e até um estrangeirismo, como é o caso do rosa shocking; 
cuja apropriação para o Português rosa choque também é apropriada.
 Casos mais comuns de cores compostas são com as indicações de tonalidade:
 Lembre-se que além do sinal indicativo da variação de tom claro ou escuro, as 
marcas não manuais também acompanham essa enunciação, deixando tanto mais 
compreensível quanto possível o grau de intensidade dos compostos. Note como o 
professor Heveraldo traz as expressões corporais e faciais próprias à indicação ‘claro’ 
versus ‘escuro’:
Figura 38: Classificação de tonalidade das cores em Libras
Fontes: CAPOVILLA, RAPHAEL, (2001)
84
 Por último, ressaltamos que a indicação das cores também pode vir associada 
aos classificadores quando o objetivo for trazer especificação e detalhamento mais 
pormenorizados. Vemos isso na descrição de azul turquesa, quando, além de nos indicar 
o sinal desse adjetivo composto, há uma descrição pontual de suas características. 
Veja:
 Nas imagens acima, temos a indicação do sinal azul turquesa, em uma formação 
composicional. Mas, além de usá-lo, o emissor da mensagem traz classificadores 
apropriados para indicar a cintilância, tonalidade e vivacidade da cor:
 Logo, a adjetivação, assim como trabalhamos no subtítulo 4.2 terá distintas formas 
de ser apresentada.
FIQUE ATENTO
O uso de cores enquanto adjetivo levará em consideração o contexto, emissor e interlocu-
tor. Em alguns casos, apenas o uso do adjetivo cumpre a função enunciativa com clareza; 
em outros pode ser necessário um adjetivo composto para maior detalhamento; e, em ain-
da outros uma descrição complementar classificatória é o que definirá com exatidão os 
referentes.
 Com base nos conhecimentos prévios e naqueles aqui adquiridos, vamos 
5.3 APLICAÇÃO PRÁTICA
85
considerar construções práticas na aplicabilidade do tema.
 5.3.1 Atividade 1 
 Caça Palavras
 5.3.2 Atividade 2 
 Nossa comunicação envolve diversos tipos textuais, inclusive alguns que incluem 
o vocabulário nas suas formas conotativas e denotativas. Vamos treinar?
 Primeiro, assista ao vídeo da música Bicharia do espetáculo Saltimbancos. Nesse 
link você encontra uma versão: https://bit.ly/2yBozdQ. Acesso em: 15 nov. 2022.
 Abaixo, temos também a letra:
Bicharia – Os Saltimbancos
Francisco Buarque De Holanda / Sergio Bardotti / Luis Enrique Bacalov
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
 Encontre no caça palavras os nomes dos seguintes animais:
86
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo, e ora vejam só
Au, au, au, cocorocó
Era uma vez (e é ainda)
Certo país (e é ainda)
Onde os animais eram tratados como bestas
São ainda, são ainda
Tinha um barão (tem ainda)
Espertalhão (tem ainda)
Nunca trabalhava, então achava a vida linda
E acha ainda, e acha ainda
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
O animal é paciente
Mas também não é nenhum demente
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
Quando o homem exagera
Bicho vira fera, e ora, vejam só!
Au, au, au, cocorocó
Puxa, jumento (só puxava)
Choca, galinha (só chocava)
Rápido, cachorro, guarda a casa, corre e volta
Só corria, só voltava
Mas chega um dia (chega um dia)
Que o bicho chia (bicho chia)
Bota pra quebrar, e eu quero ver quem paga o pato
Pois vai ser um saco de gatos
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana
Au, au, au, hi-hó, hi-hó
Miau, miau, miau, cocorocó
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo, ora, vejam só!
Au, au, au, cocorocó
Au, au, au, cocorocó
87
Au, au, au, cocorocó (hi-hó)
 Agora, faça e apresente para a classe, para um grupo de colegas ou para o 
professor a tradução da música em Libras.
 Depois de apresentar seu texto, certifique-se de que as informações compreendidas 
pelos colegas e/ou pelo professor tenham sido as intencionadas por você. Aceite 
sugestões de adaptação de estruturação de sentenças e, caso seja necessário, refaça 
o texto para que fique ainda mais compreensível aos seus interlocutores. 
 5.3.3 Atividade 3 
 Identifique a cor correta de acordo com a mistura solicitada. Retome o vídeo 
Cores – TV INES e terá informações para algumas delas:
Como você pode, nesta etapa, construir sentenças complexas que contém, inclusive, ca-
racterísticas de sentido figurado? Vamos pensar em medidas práticas: primeiramente, re-
tome o conhecimento que você já adquiriu para fazer bom uso lexical. Depois, lembre-se 
que, mais do que compreensão gramatical de ordenação sintática, você poderá ser um 
emissor de mensagens claras quando faz uso das expressões não manuais de modo plau-
sível ao seu propósito textual. Aproprie-se de conceitos que lhe permitam pensar em Libras 
e rejeitar qualquer ímpeto de estruturar frases ou períodos em Libras a partir de sua consci-
ência linguística da Língua Portuguesa como base processual. Os classificadores também 
serão de grande ajuda. Retome os conceitos dos distintos tipos de classificadores e faça 
uso deles. Que tal tentar utilizar classificadores de corpo na incorporação do animal quando 
a música sugere onomatopeias?
VAMOS PENSAR?
88
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (CEV-URCA – 2021- Adaptada). De acordo os parâmetros linguísticos da Libras, 
assinale a alternativa que apresenta sinais com a mesma localização:
a) Rato – rosa – girafa.
b) Coelho – cavalo – vaca.
c) Azul – mosquito – macaco.
d) Amarelo – cachorro – verde. 
e) Nenhuma das alternativas.
2. (INSTITUTO AOCP- 2020 - Adaptada). Quais são os sinais que têm o tipo de movimento 
para frente e para trás? 
a) Prateado – verde – roxo.
b) Girafa – sapo – gato.
c) Laranja – cinza – verde.
d) Tubarão – golfinho – jacaré.
e) Cor – cavalo – coelho.
3 (FAU- 2019- Adaptada). No decorrer dos anos, com a luta da comunidade surda e por 
meio de vários estudos linguísticos, foi possível perceber que a língua de sinais é uma 
língua completa com gramática e estrutura própria. Verificou-se também que a língua 
de sinais apresenta iconicidade e arbitrariedade, assim como mecanismos fonológicos, 
morfológicos, sintáticos, podendo representar ideias e/ou conceitos concretos ou 
abstratos, emocionais ou racionais, complexos ou simples. 
Com base em seus conhecimentos sobre a Libras, marque a alternativa em que todos 
os sinais apresentamiconicidade:
a) COR – INSETOS - SAPO.
b) ROXO – MARROM – PRETO.
c) ÁRVORE – BORBOLETA – MACACO. 
d) BRANCO – LILÁS – BRONZE.
e) GIRAFA – AMARELO – VERMELHO.
4. (FAU – 2019 – Adaptada). A partir dos seus conhecimentos sobre a Libras, analise os 
sinais e informe se é (V) verdadeiro ou (F) falso, e assinale a alternativa que apresenta 
a ordem correta.
( ) Os sinais de RINOCERONTE e PORCO são realizados com configuração de mão em Y.
( ) Os sinais TUBARÃO, URSO e GOLFINHO são realizados no espaço neutro e possuem 
configuração de mãos diferentes.
( ) Os sinais PÁSSARO, MOSQUITO e RATO possuem a configuração de mãos em PINÇA, 
89
mas pontos de articulação diferentes.
( ) Os sinais CINZA e LILÁS possuem configuração de mãos, pontos de articulações e 
movimentos iguais.
( ) Os sinais BOI e VACA possuem a mesma configuração de mãos, mas com ponto de 
articulação diferente.
( ) O sinal de BORBOLETA pode ser considerado icônico, visto que se parece com a 
realidade.
( ) Os sinais TUBARÃO e BRANCO possuem a mesma configuração de mãos, em B, mas 
pontos de articulação diferentes.
a) V- V- F- F- V- V- V.
b) F- F- V- F- V- V- F.
c) F- V- V- F- F- V- V.
d) V- F- V- F- F- V- V.
e) F- V- F- V- V- F- F.
5. (PROGEP- FURG – 2019 - Adaptada). As configurações de mãos podem conter vários 
tipos de movimentos e elas podem ser produzidas com diferentes tensões, velocidade 
e frequências.
Referente ao sinal AMARELO, pode definir que movimento?
a) Movimento circular.
b) Movimento linear.
c) Movimento sinuoso.
d) Movimento helicoidal.
e) Movimento semicircular.
6. (PROGEP- FURG – 2019 – Adaptada). Na Libras, são parâmetros para a formação de 
sinais as alternativas abaixo:
I- Datilologia.
II- Movimento.
III- Expressão facial e corporal.
IV- Orientação.
Assinale a alternativa correta.
a) II, III e IV.
b) II e IV.
c) I e IV.
d) I e III.
e) I, II, III e IV.
7. (COVEST- COPSET – 2019 - Adaptada). Dos processos de composição morfológica, 
indique os sinais da Libras assim produzidos:
90
a) tartaruga, macaco e gato.
b) azul, laranja e safári.
c) tigre, insetos e onça.
d) cavalo, ovelha e amarelo.
e) zebra, cor, verde.
8. São pares mínimos:
a) lilás e cinza.
b) cavalo e zebra.
c) sapo e pato.
d) laranja e sábado.
e) amarelo e azul.
91
LIBRAS EM FOCO V
92
 Os pronomes indefinidos são aqueles que servem para substituir ou acompanhar 
nomes com matiz de indeterminação; ou seja, com pouca exatidão. Como temos 
indicado ao longo dos nossos estudos de domínio gramatical, a forma como as classes 
de palavras é instituída é universal; ou seja, sua função e características estão para 
as línguas orais, assim como estão para as línguas de sinais. Obviamente, dentro da 
perspectiva de cada idioma, essas classes de palavras e critérios sintáticos aparecerão 
de modo próprio à estrutura linguística de cada língua.
 De modo que os pronomes indefinidos em Libras também servirão para indicar a 
3ª pessoa de modo vago ou incerto. Veja:
 Em todos os exemplos acima, temos uma lexia relacionada a um referente de 
3ª pessoa: animais (3ª pessoa do plural); instrução (3ª pessoa do singular) e alguém/
pessoa (3ª pessoa do singular).
 Almeida e Almeida (2008) nos indicam que há pronomes indefinidos variáveis e 
invariáveis:
 Nas sentenças que nos serviram de exemplo, vemos exatamente isso. No caso 
das primeiras orações, o pronome indefinido está acompanhando o substantivo a que 
se refere:
 Mesmo que as palavras muitos e nenhuma estejam restringindo a quantidade 
de animais e instrução; elas não definem de maneira exata esse quantitativo; logo, 
funcionam como partícula de indefinição do substantivo.
 No caso da última oração, porém, não há um referente ao qual o pronome 
acompanha para restringir. Veja:
6.1 PRONOMES INDEFINIDOS
Há pronomes indefinidos que têm por função apenas 
substituir um nome e nunca acompanhá-lo. É o caso 
das formas variáveis. [...] As demais formas dos pro-
nomes indefinidos podem ser tanto substitutos como 
acompanhantes de substantivos. (ALMEIDA & ALMEIDA, 
2008, p.82) 
93
 Ao emitir essa interrogativa; o emissor da mensagem não evidencia um 
substantivo ao qual o pronome estará atrelado, indefinindo-o. O pronome já é, por si 
mesmo, o referente de indefinição. É fácil depreender, pelo contexto discursivo, que a 
menção é sobre uma pessoa que talvez esteja sendo aguardada, mesmo que não haja 
de modo explícito menção de palavras como pessoa, indivíduo, etc. Nesse caso, então, 
o pronome serve como substituto do nome.
 Os mesmos autores estabelecem uma tabela que indica algumas dessas formas 
pronominais:
 Em Libras, os pronomes indefinidos serão utilizados com a mesma intenção de 
considerar a 3ª pessoa de modo vago e indeterminado. Quando concernente à nulidade, 
terá algumas especificidades:
Os pronomes indefinidos NINGUÉM (Pessoa) e NINGUÉM 
(acabar) são usados somente para pessoa; NINGUÉM/
NADA/NENHUM (mãos abertas esfregando uma sobre a 
outra) é usado para pessoa, animal e coisa; NENHUM/
NADA (dedo polegar e indicador com o formato oval e 
os outros dedos estendidos, mão com movimento ba-
Figura 39: Os pronomes indefinidos
Fontes: ALMEIDA & ALMEIDA, (2008, p.82)
Além dos pronomes indefinidos na sua forma simples considerada, temos ain-
da a possibilidade de locuções pronominais indefinidas. Consulte o título Prono-
mes Indefinidos, a partir da página 370, da obra de Cunha e Cintra (1985) para 
aprofunda-se na tipologia dos pronomes indefinidos e identificar expressões 
que atuam com essa função. Disponível em: https://bit.ly/3KgVf2h. Acesso em: 
20 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
94
 Vamos trazer os sinais mencionados por Felipe em sua obra, quando considera os 
pronomes indefinidos, e, em seguida, retomaremos suas considerações para facilitar a 
compreensão das particularidades que a autora determina.
 Inicialmente, Felipe descreve que alguns dos sinais indicados são próprios para 
referir-se a pessoas: 
 Outros sinais podem servir de referência a pessoas, objetos e animais:
lançando) é usado para pessoa, animal e coisa e pode, 
em alguns contextos, ter o sentido de "não ter"; final-
mente o pronome indefinido NENHUM-POUQUINHO (pal-
ma da mão virada para cima fazendo, com os dedos 
polegar e indicador em contato) é um reforço para a 
frase negativa e pode vir após o sinal NADA. O sinal so-
letrado "DE-N-A-D-A" é usado como resposta para um 
agradecimento. (FELIPE, 2007, p.110)
Figura 40: Pronomes indefinidos em Libras
Fontes: FELIPE, (2007, p.110) 
95
 Destarte, em Libras, o uso do pronome indefinido de inexistência levará em conta 
o contexto para ser definido de acordo com a circunstância.
 Quanto a outros pronomes indefinidos, temos:
 A ordenação dos elementos acontecerá tendo em vista o pronome definido 
como substituto ou acompanhante do referente. No primeiro caso, será incluído 
sintaticamente como elemento associado à ação verbal e, no segundo, incluído em 
proximidade ao nome a que se refere. Tome por exemplos:
Figura 41: Pronomes indefinidos em Libras
Fontes: FELIPE, (2007, p.110) 
FIQUE ATENTO
Faz-se importante ressaltar que a variação dos pronomes indefinidos em Libras não acon-
tecerá quanto ao gênero; dado que a marcação em masculino e feminino é principalmente 
definida por meio de afixos na classe de palavras dos substantivos. É por essa razão que 
a descrição desses pronomes acontece, em notação, como vimos na obra de Felipe; por 
exemplo: pouc@; muit@; etc.
96
 As construções serão fruto da análise do contexto associada às possibilidades de 
sinalização dos elementos que constituem os pronomes indefinidos. 
Nesta seção tratamos de alguns termos próprios do campo da Linguística como prono-
mes indefinidos; variação; substantivo e afixos. São eles: pronomes indefinidos são termos 
que se referem à 3ª pessoa do discurso. Eles aportam ao texto um sentido impreciso ou 
vago e indicam uma quantidade não determinada. São variáveis em Língua Portuguesa 
quando modificam sua forma se o referente for masculino/feminino ou singular/plural. Opronome indefinido muit@, por exemplo, é variável: muita informação/muitas informa-
ções; muito aluno/muitos alunos. Em Libras; no entanto, a variação não acontecerá por 
meio de afixos, como no Português, essa variação pode ser simplesmente decodificada 
pelo contexto ou indicada pela alteração de parâmetros fonológicos, como o movimen-
to e as expressões não manuais, e, ainda, pela escolha da amplitude do sinal. Falando 
em afixos, eles podem ser classificados como prefixos (morfema ou elemento mórfico 
acrescido antes do radical da palavra modificada) e/ou sufixos (morfema ou elemento 
mórfico acrescido depois do radical da palavra modificada). Já os substantivos são a 
classe de palavras que nomeia seres reais ou imaginários, concretos ou abstratos.
GLOSSÁRIO
 Agora trabalharemos com vocabulário. Como de praxe, nossa análise se dará 
pela contextualização do tema. Vamos aprender os sinais de algumas profissões usuais 
e, em seguida, de novas profissões. 
 Algumas das profissões aqui identificadas estão também apresentadas no 
vídeo “Sinais de profissões em Libras”, produzido pela Hand Talk. Acesse o link: https://
bit.ly/3TSf3MI. para ver o Hugo, avatar da plataforma, sinalizando algumas das lexias 
próprias de ofícios.
6.2 PROFISSÕES
97
98
 Percebemos o caráter de iconicidade como agente motivador de grande parte 
da lexicalização das profissões, como as acima exemplificadas. Essa dominância tem 
a ver com a experiência visual do surdo - sujeito linguístico foco da comunicação em 
língua de sinais. 
 Conforme lemos em Plinski et al. (2018, p.89), as línguas de sinais “[têm] por 
característica a construção de uma subjetivação com base nas experiências visuais.”. 
Isso justifica uma interação icônica, tendo em vista a percepção e decodificação das 
informações externas pela prática visual. Como as mensagens são assim recebidas, 
serão, em grande parte, assim repassadas.
Para compreender a relevância da iconicidade e como as experiências visuais 
vivenciadas pelo surdo auxiliam na formação da sua identidade, leia o capítulo 
“Libras como língua natural e português como segunda língua”, na obra Libras, 
de Plinski et al. (2018). Disponível em: https://bit.ly/3TPq8OJ. Acesso em: 15 nov. 
2022.
BUSQUE POR MAIS
Figura 42: Profissões em Libras
Fontes: Disponível em: https://bit.ly/40lwGHc. Acesso em: 15 nov. 2022.
99
 Algumas outras profissões são chamadas novas, devido sua recente necessidade 
de criação. Normalmente, estão relacionadas ao mercado tecnológico e virtual. O vídeo 
“A vida em Libras – novas profissões”, produzido pela TV Ines e disponível no link https://
bit.ly/3ziuwMw. retrata esse contexto. Vamos considerar algumas construções que lá 
aparecem para associar ao nosso vocabulário temático. 
 Logo no início do vídeo, o professor Heveraldo traz sinais comuns ao campo 
semântico dos ofícios, em sentenças como:
 Outros sinais próprios desse contexto comunicativo que temos no vídeo são:
 Ainda podemos citar outras palavras para o contexto vocabular como:
100
Figura 43: Lexias do campo semântico de profissões em Libras
Fontes: SILVA et al., (2007, p. 16)
 A partir dessas considerações, podemos estabelecer discursos próprios da 
temática sugerida com propriedade não apenas vocabular, mas também estrutural. 
Nesse último caso, aprimore sua habilidade por considerar em detalhes a organização 
textual do professor Heveraldo no vídeo da TV INES.
 Com os conhecimentos adquiridos até aqui, vamos realizar algumas aplicações 
práticas para ampliar nossos conhecimentos.
 6.3.1 Atividade 1
 Retomemos ao vídeo produzido pela TV INES, disponível no seguinte link: https://
bit.ly/3nwS120. Acesso em: 15 nov. 2022.
 Depois de assistir novamente a esse vídeo aula, identifique no texto:
• Os sinais reconhecidos por você e, portanto, já aprendidos;
• Sinais novos, porém do mesmo campo semântico tratado nesta unidade; 
• Marcações não manuais utilizadas junto aos sinais para elucidar o discurso. Note, 
por exemplo, as indicações de tempo, intensidade e plural do professor Heveraldo 
quando traz frases como: “A internet mudou radicalmente o mercado de trabalho 
e as empresas. Graças a elas surgiram novas profissões.”. (próximo ao tempo de 
1:30 minutos de vídeo); “A internet democratizou tanto as oportunidades que ficou 
até mais fácil ser famoso.”. (próximo ao tempo de 4 minutos de vídeo); “Por trás de 
cada jogo divertido, existe um trabalho multidisciplinar” (próximo ao tempo de 8:30 
minutos de vídeo).
• Estruturação das sentenças; de modo a reconhecer como as construções em Libras 
são independentes da gramática da Língua Portuguesa e, a partir dessa constatação, 
auxiliar você nas suas próprias organizações frasais.
 Dica: uma boa maneira de se chegar a conclusões assertivas, conforme sugerido 
6.3 APLICAÇÃO PRÁTICA
101
no último item, é transcrever a forma como o texto foi sinalizado em Libras. Isso permite 
que você tenha uma imagem visual de cada um dos elementos das orações e estabeleça 
critérios que te permitirão sinalizar com clareza e propriedade. 
 6.3.2 Atividade 2
 Construa sentenças em Libras utilizando pronomes indefinidos para identificar os 
elementos referentes, tenha o modelo por auxílio :
 Modelo:
 6.3.3 Atividade 3
 Faça e apresente para a classe, para um grupo de colegas ou para o professor a 
seguinte sugestão textual: 
102
• A descrição de sua profissão e de um dia de trabalho.
 Lembre-se de colocar no seu discurso: o vocabulário de profissão já trabalhado, 
o vocabulário de ações cotidianas, diferentes tipos de frases (afirmativas, negativas, 
exclamativas e interrogativas). Respostas a perguntas como as abaixo sugeridas 
podem servir como motivação para estruturar seu texto:
 a) Qual a sua profissão ou a profissão que você gostaria de ter?
 b) O que você faz ou faria na profissão que deseja ter?
 c) Qual sua área de trabalho ou a área que gostaria de atuar?
 d) Como é um dia do seu trabalho ou do trabalho que deseja ter?
 Depois de apresentar seu texto, certifique-se de que as informações compreendidas 
pelos colegas e/ou pelo professor tenham sido as intencionadas por você. Aceite 
sugestões de adaptação de estruturação de sentenças e, caso seja necessário, refaça 
o texto para que fique ainda mais compreensível aos seus interlocutores. 
Como você pode, nesta etapa, construir sentenças complexas dos mais diversos tipos? Va-
mos pensar em medidas práticas: primeiramente, retome o conhecimento que você já ad-
quiriu para fazer bom uso lexical. Depois, lembre-se que, mais do que compreensão grama-
tical de ordenação sintática, você poderá ser um emissor de mensagens claras quando faz 
uso das expressões não manuais de modo plausível ao seu propósito textual. Aproprie-se 
de conceitos que lhe permitam pensar em Libras e rejeitar qualquer ímpeto de estruturar 
frases ou períodos em Libras somente a partir de sua consciência linguística da Língua Por-
tuguesa como base processual.
VAMOS PENSAR?
103
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (MÁXIMA - 2021- Adaptada). Leia o texto de Jessica Gómez para responder à questão:
Querida garota do maiô verde:
Sou a mulher da toalha ao lado. A que veio com um menino e uma menina. Antes 
de mais nada, quero te dizer que estou me divertindo muito perto de você e de seus 
amigos, neste pedacinho de tempo em que nossos espaços se tocam e suas risadas, 
sua conversa ‘transcendental’ e a música de sua turma me invadem o ar.
Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento de minha vida deixei 
de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei 
de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças. Mas não te escrevo 
por nada disso. Escrevo porque gostaria de te dizer que prestei atenção em você. Não 
pude evitar.
E eu gostaria de poder te dizer tantas coisas, querida garota do maiô verde… Talvez 
porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha. 
Eu gostaria de poder te dizer que, na verdade, estive na sua toalha e nade sua amiga. 
Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas 
– assim, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida em vez de me 
preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a dela ou 
a sua, prefiro estar.
Eu gostaria de poder te dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena estar tão 
ocupada em se esconder que não te sobre tempo para sorrir mais vezes.
Eu gostaria de poder te dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é 
belo simplesmente por ser jovem. É belo só por estar vivo. Por ser invólucro e transporte 
de quem você realmente é e poder te acompanhar em tudo que você faz. Eu adoraria 
te dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e tantos, 
porque talvez então percebesse o muito que merece ser amada, inclusive por você 
mesma.
Eu gostaria de poder te dizer que a pessoa que um dia te amar de verdade não amará 
a pessoa que você é apesar de seu corpo e sim adorará seu corpo: cada curva, cada 
buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que se desenha 
em seu corpo e, se não o fizer, se não te amar desse jeito, então não merece seu amor.
Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do 
jeito que é: sublime em sua “imperfeição”, se é assim que você se acha.
O que posso te dizer eu, que sou só a mulher do lado?
Mas – sabe de uma coisa? – Estou aqui com minha filha. É aquela do maiô rosa, a que 
está brincando no rio e se sujando de areia. Sua única preocupação hoje foi se a água 
104
estava muito fria.
Não posso te dizer nada, querida garota do maiô verde…
Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.
E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.
Porque é assim que todos merecemos ser amados.
E é assim que todos deveríamos amar.
O emprego do pronome indefinido no final da carta em letra maiúscula
a) demonstra a preocupação da remetente com a filha, pelo fato da menina estar 
vivenciando a mesma situação.
b) demonstra uma certa insegurança da remetente quanto à criação de seus filhos.
c) deixa claro que a remetente não aceitará, em hipótese alguma, que sua filha passe 
por essa situação, pois ela já a cria muito bem. 
d) reforça a importância que a remetente da carta vê em enfatizar o amor-próprio aos 
filhos.
e) revela a vagueza da mensagem que dirá aos filhos, pois o uso do pronome indefinido 
é apenas para indicações de imprecisão.
2. Relacione a primeira coluna com a segunda:
A associação correta será:
a) I-D; II-A; III-B; IV-C.
b) I-A; II-D; III-C; IV-B.
c) I-B; II-C; III-D; IV-A.
d) I-C; II-A; III-D; IV-B.
e) I-C; II-B; III-A e IV-D. 
105
3. Analise as afirmações e julgue se são Verdadeiras ou Falsas.
I. Pronomes indefinidos têm como função substituir ou acompanhar um nome com 
matiz de imprecisão.
II. Os pronomes indefinidos, em Libras, possuem variação de gênero e número 
semelhante às formas em Língua Portuguesa.
III. Afixação é o processo mais comum de proporcionar variação nos pronomes 
indefinidos em Libras e em Português.
IV. Teremos sinais específicos quando da menção de pronomes indefinidos referentes 
à nulidade a depender do seu referente.
A sequência correta é:
a) V – V – V – V.
b) F – V – V – F.
c) V – F – F – V.
d) V – F – F – F.
e) F – F – F – V.
4. Qual dos pronomes indefinidos abaixo pode ser sinalizado em Libras de formas 
distintas a depender se seu referente é pessoa ou objeto/animal?
a) Nenhum(a).
b) Pouco.
c) Muito.
d) Qualquer.
e) Cada um.
5. As seguintes profissões correspondem à área do(a):
a) educação. 
b) construção.
c) arte.
d) secretariado.
e) poder público.
6. (FGV- 2021). Os gênios são aqueles que dizem muito antes o que se dirá muito depois.
Ramón Gómez De La Serna, escritor espanhol.
Nesse pensamento, a palavra muito é empregada duas vezes, com o mesmo valor que 
apresenta na seguinte frase:
106
a) “Que sorte possuir muito discernimento: nunca te faltam bobagens para dizer.” 
b) “A sutileza ainda não é inteligência. Às vezes os tolos e os loucos também são muito 
sutis.”
c) “Os deuses deram ao homem muito intelecto, que é a maior de todas as riquezas.”
d) “Muitas vezes a inteligência traz muito incômodo como uma lamparina no quarto.”
e) “Há muito espaço de onde emana a inteligência.” 
7. A frase que está sendo abaixo sinalizada pode ser traduzida por:
a) Cada um deve escolher a profissão que gostar.
b) É preciso que se escolha vários trabalhos.
c) Alguns trabalhos precisam ser escolhidos rápido.
d) Você deve gostar do trabalho que escolheu.
e) Eu gosto de escolher meu próprio trabalho.
8. (IDIB - 2021). A palavra em destaque “todos “, no trecho abaixo, é classificado como:
“As verdades não parecem as mesmas a todos, cada um as vê em ponto diverso de 
perspectiva”. (Marquês de Maricá)
a) substantivo.
b) artigo indefinido.
c) pronome indefinido.
d) pronome demonstrativo.
e) pronome possessivo.
107
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO
UNIDADE 1
UNIDADE 3
UNIDADE 5
UNIDADE 2
UNIDADE 4
UNIDADE 6
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 B
QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 E
QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 D
QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 E
QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 C
QUESTÃO 7 E
QUESTÃO 8 D
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 E
QUESTÃO 5 C
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 A
QUESTÃO 1 A
QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 C
QUESTÃO 7 B
QUESTÃO 8 D
QUESTÃO 1 B
QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 C
QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 A
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 C
QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 B
QUESTÃO 7 A
QUESTÃO 8 C
108
ALEIXO, F. Orações condicionais na Língua Brasileira de Sinais (Libras): uma análise 
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2009.
110
graduacaoead.faculdadeunica.com.br3.3 Verbos classificadores ...............................................................................................................................................................................................................................................................52
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................56
LIBRAS EM FOCO I
LIBRAS EM FOCO II
OS CLASSIFICADORES EM AÇÃO
4.1 Vestimenta ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................61
4.2 Adjetivos ..............................................................................................................................................................................................................................................................................................64
4.3 Aplicação prática .........................................................................................................................................................................................................................................................................69
 4.4.1 Atividade 1 ......................................................................................................................................................................................................................................................................................69
 4.4.2 Atividade 2 .....................................................................................................................................................................................................................................................................................70
 4.4.3 Atividade 3 .....................................................................................................................................................................................................................................................................................70
 4.4.4 Atividade 4 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................70
FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................72
LIBRAS EM FOCO III
5.1 Animais ...................................................................................................................................................................................................................................................................................................77
5.2 Cores ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................82
5.3 Aplicação prática .........................................................................................................................................................................................................................................................................84
 5.3.1 Atividade 1 .......................................................................................................................................................................................................................................................................................85
 5.3.2 Atividade 2 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................85
 5.3.3 Atividade 3 .....................................................................................................................................................................................................................................................................................87
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................88
LIBRAS EM FOCO IV
UNIDADE 5
8
6.1 Pronomes indefinidos ..................................................................................................................................................................................................................................................................92
6.2 Profissões ............................................................................................................................................................................................................................................................................................96
6.3 Aplicação prática ........................................................................................................................................................................................................................................................................100
 6.3.1 Atividade 1 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................100
 6.3.2 Atividade 2 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................101
 6.3.3 Atividade 3 ...................................................................................................................................................................................................................................................................................101
FIXANDO O CONTEÚDO.......................................................................................................................................................................................................................................................................103
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO......................................................................................................................................................................................107
REFERÊNCIAS .....................................................................................................................................................................................................................................108
LIBRAS EM FOCO V
UNIDADE 6
9
UNIDADE 1
A Unidade 1 considera aplicabilidade das classes de palavras verbos e advérbios em 
Libras. No primeiro caso, trazemos a retomada dos chamados verbos direcionais 
e com/sem concordância. No segundo, mencionamos os advérbios de tempo em 
contexto de desempenho.No final da Unidade, exercícios de execução permitem 
identificar como os conteúdos foram adquiridos.
UNIDADE 2
A unidade 2 trata da apresentação de elementos relativos à gramática e ao léxico 
da Libras. No âmbito gramatical, consideraremos como estabelecer a estrutura 
condicional em Libras. No domínio lexical, trabalharemos com vocabulário de horas 
e períodos de tempo. Para ambos, consideraremos aplicação prática.
UNIDADE 3
A Unidade 3 retoma um conceito já anteriormente trabalhado e de grande relevância 
nas línguas de sinais: os classificadores. Nesta unidade abordaremos sua definição, 
seu papel ou função linguística nos mais variados processos de formação e os 
verbos classificadores.
UNIDADE 4
Tomaremos conhecimento do vocabulário relacionado a vestimentas. Nesse 
sentido, uma das atribuições para esse campo semântico é a adjetivação, que 
também é retratada na unidade. Por fim, teremos a oportunidade de aplicar esses 
conhecimentos em atividades práticas.
UNIDADE 5
Nesta unidade abordaremos dois vocabulários: os animais e as cores. Veremos 
como servem associados à adjetivação e ao uso dos classificadores e, ainda, 
aplicaremos esses vocabulários em práticas discursivas efetivas.
UNIDADE 6
Nesta unidade trazemos os aspectos gramaticais relacionados aos pronomes 
indefinidos na Libras e, também, é foco de estudo o vocabulário das profissões. 
Após as considerações, trataremos de aplicar os conhecimentos em modo prático.
C
O
NF
IR
A 
NO
 LI
VR
O
10
LIBRAS EM FOCO I
11
1.1 VERBOS DIRECIONAIS
 Para compreendermos a estrutura de enunciação dos verbos direcionais, é preciso 
recobrar os tipos verbais a partir das considerações de concordância. A gramática da 
Língua Portuguesa assim descreve a concordância verbal:
 Nas línguas orais, a concordância do sujeito com o verbo está particularmente 
para a escolha entre singular e plural. No entanto, para a Libras, a concordância pode 
extrapolar a questão do número. Autores como Quadros e Karnopp (2004) diferem 
os grupos de tipos de verbos em Libras em verbos com concordância e verbos sem 
concordância:
 Como as autoras deixam claro, mesmo os verbos sem concordância podem ter 
flexão em aspecto. Nesse caso, é possível identificar elementos temporais ou distributivos 
em relação à ação executada. Vejamos como isso acontece em um exemplo prático:
 Assista ao vídeo de Tom Min Alves em que ele interpreta a música Vagalumes da 
banda Pollo. Ele está disponível no link: https://bit.ly/42AEcQ6. Acesso em: 15 nov. 2022.
 Depois de assistir ao vídeo sugerido, podemos reconhecer, no refrão da canção, 
dois verbos que são considerados sem concordância, mas que podem receber flexão 
de tipo distributiva nesse contexto. Trata-se dos verbos caçar e colorir. 
 Perceba como o intérprete realiza a sinalização da referência caçar vaga-lumes. 
A concordância é a conformidade morfológica entre 
uma classe (neste caso, o verbo) e seu escopo (neste 
caso, o sujeito). Essa conformidade implica, portanto, 
na redundância de formas, ou seja, se houver marca-
ção de plural no sujeito haverá marcação de plural no 
verbo. (CASTILHO, 2014, p.411)
Os verbos sem concordância são aqueles que não se 
flexionam em pessoa e número e não tomam afixos lo-
cativos. No entanto alguns desses verbos se flexionam 
em aspecto. Exemplos dessa categoria na língua de si-
nais brasileira são CONHECER, AMAR, APRENDER, SABER, 
INVENTAR, GOSTAR [...]. Por outro lado, os verbos com 
concordância são os que se flexionam em pessoa, nú-
mero e aspecto. Exemplos dessa categoria na língua de 
sinais brasileira são DAR, ENVIAR, RESPONDER, PERGUN-
TAR, DIZER, PROVOCAR. (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 201)
A pesquisa sobre a Concordância Verbal nos auxilia em identificar não apenas 
a definição do conceito, mas também análises sobre estruturações comuns a 
todas as línguas. Confira o texto de Vieira na obra “Ensino de Gramática: des-
crição e uso” nas páginas 85 a 102. Diponível em: https://bit.ly/3lzMrvd. Acesso 
em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
12
Antes de enunciar o verbo, temos a identificação do objeto a ser caçado; a saber, vaga-
lumes. 
 Assim, levando em consideração o alvo da caça (tamanho, quantidade, etc.), o 
verbo caçar ganha forma. Note que a forma de caçar nesse contexto terá flexão do 
aspecto distributivo, pois a ação de pegar os vagalumes está distribuída no espaço de 
acordo com a intenção comunicativa do emissor. 
 A mesma estratégia acontece com o verbo colorir quando o intérprete faz a 
referência de colorir o céu. O emissor inicia a expressão do verbo tendo como ponto de 
articulação a frente do seu próprio rosto. Porém, a finalização da ação verbal se dá em 
um ponto de articulação mais distante, somada à datilologia da palavra do substantivo 
céu. Isso significa que também houve uma flexão distributiva da ação de colorir, como 
se dissesse “colorir todo o céu” ou “colorir a extensão do céu”. 
 Podemos concluir que as construções verbais em Libras consideram o contexto 
para evoluir à sinalização mais apropriada possível. Essa relação semântico-morfológica 
também acontece com os verbos direcionais. 
Figura 1: Identificação do substantivo vaga-lumes
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3LNSnLC. Acesso em: 01 nov. 2021.
Figura 2: Sinalização do verbo caçar 
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3znJOQt. Acesso em: 01 nov. 2021.
Figura 3: Sinalização do verbo colorir 
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/40hOR0C. Acesso em: 01 nov. 2021.
13
 Podemos fazer uso da direcionalidade para referir-nos às pessoas do discurso: 
por meio do parâmetro Orientação da Palma conseguimos marcar a concordância do 
verbo em relação ao número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu/você, ele(a), nós, vós/
vocês, eles(as)), identificando, também, o sujeito e objeto da sentença. Tome como 
exemplo o verbo ajudar.
 A escolha da orientação da palma da mão e do movimento quando da 
realização desse sinal levará em consideração o número e pessoa, isto é, o sinal será 
diferentemente realizado a depender dos elementos que o compõem: quem realiza a 
ação de ajudar? Quem é ajudado? A resposta a essas perguntas nos permitirão optar 
pela direcionalidade da palma que esteja coerente e correta ao contexto. A ilustração 
abaixo nos dá duas situações comunicacionais diferentes com o verbo ajudar: 
Alguns autores denominam os verbos direcionais simplesmente como verbos com con-
cordância, pois consideram a sua capacidade de associar informação semântica à pro-
dução lexical. Teremos, portanto, distintas maneiras de direcionar ou indicar flexões de 
pessoa, número e aspecto nas classes dos verbos com concordância. A concordância 
poderá se dar em caráter pessoal e/ou espacial. Lemos, por exemplo, em Quadros e Kar-
nopp: 
Assim, teremos, dentro da categoria verbos com concordância, os que serão produzidos a 
partir do sujeito e os que serão expressos a partir do objeto.
Os verbos direcionais, como o próprio nome indica, serão aqueles que, em sua produção, 
levarão em conta aspectos da direcionalidade.
FIQUE ATENTO
Ainda dentro da classificação de verbos com concor-
dância, há os chamados de backward verbs. Tais ver-
bos iniciam a trajetória do sinal na posição do objeto 
e concluem-na na posição de sujeito, ao contrário dos 
demais verbos com concordância, que começam sua 
trajetória na posição do sujeito e vão em direção à po-
sição do objeto. Na língua de sinais brasileira há vários 
verbos que ilustram este tipo de verbo, como BUSCAR e 
CHAMAR. (QUADROS; KARNOPP, 2004, p.203) 
A Direcionalidade está relacionada à direção do movimento quando o sinal é realizado. 
Ferreira-Brito (1995) aponta esse parâmetro como sendo um subparâmetro do parâme-
tro Movimento. Todavia, por ser um parâmetro distintivo, ou seja, uma modificação nesse 
parâmetro ocasiona um significado diferente ao sinal executado, o apresentamos como 
um dos principais parâmetros das línguas de sinais.
GLOSSÁRIO
14
 Nos casos retratados, antes de performar o sinal é preciso levar em conta o 
sujeito da ação.No primeiro quadrinho, o enunciador determina o interlocutor, ou seja, 
a pessoa você, como sujeito do verbo. Já no segundo quadrinho, o sujeito é o próprio 
enunciador; ou seja, eu. Veja as diferentes formas de deixar essa variação de pessoa 
clara no discurso:
 Observe que, na primeira imagem, a orientação da palma da mão e o movimento 
partem do enunciador e são direcionados para o interlocutor. Assim, levando em conta 
que o ponto inicial do sinal identifica o sujeito e que o ponto final do sinal concorda 
com o objeto da sentença, podemos associar essa forma de sinalização à tradução 
“Eu ajudo você”. Na segunda imagem, temos o inverso: a orientação da palma da mão 
e o movimento partem do interlocutor e são direcionados para o emissor. Pelo mesmo 
preceito citado, essa sentença será traduzida como “Você me ajuda. ”
 Construções como essas, isto é, que levam em consideração o ponto de saída 
e chegada da verbalização, bem como os parâmetros de orientação da palma e 
movimento são, portanto, denominadas direcionais, obviamente pelo seu caráter de 
atribuir diferentes designações de sentido quando há modificação de tais aspectos. 
Além do verbo ajudar, outros verbos também podem ser considerados direcionais no 
que diz respeito à apropriação do número e da pessoa, como avisar, perguntar, pedir, 
dar, etc.
 Verbos também podem ser considerados direcionais quando fazem apontamentos 
de orientação espacial. Veja:
Figura 4: Variação do verbo ajudar 
Fonte: PAULA (2020, p.29)
Figura 5: Variação do sinal ajudar 
Fonte: Gesser (2009)
15
 Por que o verbo seguir pode ser considerado direcional? Porque também é 
um verbo que levará em conta uma concordância para ser verbalizado, nesse caso, 
espacial. Na Fig. 6 podemos perceber que apenas o Ponto de Articulação se difere nas 
duas formas de apresentar a ação de seguir para algum lugar. Tal variação acontece 
e deve acontecer a fim de que a mensagem seja plenamente compreendida. O que 
se levará em conta ao escolher a forma correta de expressar o verbo direcional com 
marcação espacial? Como a classificação nos sugere, consideramos a localização 
para a qual a ação de seguir deve acontecer: para a esquerda, para a direita, para 
frente, para trás, etc.
 Nesse mesmo sentido de identificação espacial, podemos, ainda, enunciar um 
verbo incorporando o referente no espaço como que produzindo na sinalização do 
verbo um afixo locativo. Como? De acordo com seus conhecimentos, especialmente os 
adquiridos quando dos estudos sobre classificadores, reflita e identifique como os verbos 
pegar/colocar serão diferentemente realizados nas situações abaixo mencionadas. 
Em cada uma delas, a indicação verbal também pode ser considerada direcional, pois 
precisará levar em conta a fonte de onde o objeto foi retirado e para onde será colocado:
 a) pegar uma folha dentro de um armário que está acima de você e colocá-la na 
impressora ao seu lado. 
 b) pegar uma moeda dentro de sua bolsa e colocá-la em seu cofrinho.
 c) pegar três maçãs que estão em cima de uma mesa à sua direita e colocá-las 
na gaveta de frutas da sua geladeira.
 O que podemos concluir das nossas considerações e dessa atividade proposta? 
Que em alguns casos não é possível apenas encontrarmos a forma verbal padrão 
registrada em um dicionário e aplicá-la a todas as circunstâncias de sinalização. Para os 
verbos com concordância será necessário considerar todas as informações contextuais 
a fim de optar pela menção apropriada naquele quadro em questão. Lembre-se: além 
das informações direcionais, pode ser preciso considerar aspectos, por exemplo, de 
tamanho, forma e manipulação do referente para que o interlocutor tire as conclusões 
corretas acerca da nossa comunicação. 
Figura 6: Variação do sinal seguir 
Fonte: CHOI et al., (2011, p. 65)
1.2 ADVÉRBIOS DE TEMPO
 Segundo definição da Gramática Tradicional da Língua Portuguesa, o advérbio é 
uma palavra invariável que funciona “fundamentalmente [como] um modificador do 
verbo” (CUNHA; CINTRA, 1985, p.529). Essa modificação está para o caráter de predicação, 
ou seja, determinar, especificar, definir ou identificar características, propriedades ou 
16
atributos referentes à ação indicada pelo verbo cuja palavra da classe dos advérbios 
foi associada. 
 Castilho nos ajuda a compreender os advérbios associando-os com uma classe 
de palavras mais recorrente, a saber, os adjetivos: 
 O autor continua detalhando os advérbios por classificá-los de acordo com a 
nomenclatura gramatical brasileira. Dentre os principais advérbios estão os chamados 
advérbios de afirmação/dúvida/negação; intensidade; lugar; modo/tempo e 
interrogativos. 
 Para este capítulo trataremos de um tipo de advérbio a fim de identificarmos o 
seu funcionamento e aplicabilidade na Libras. No entanto, através de tais exposições 
será possível compreender a execução de advérbios dos demais tipos.
 A nomenclatura dos tantos advérbios não é fixa. Cada gramático ou pesquisador 
pode abordá-la de maneira mais geral ou ramificar, trazendo mais detalhamentos de 
sentido em cada descrição. Todavia, sendo uma listagem maior ou menor, é possível 
identificar claramente as demandas semânticas de uso dos distintos advérbios, sejam 
em contextos de discursos em línguas orais ou de sinais.
 Vamos tratar dos advérbios de tempo e decodificar como se estabelecem em um 
discurso em Língua Brasileira de Sinais na nossa seção de aplicação prática. 
 Os advérbios de tempo agregam ao verbo carga semântica relativa à sua 
atividade durativa, frequência, momento em que a ação acontece, aconteceu ou 
acontecerá, etc.; por isso estarão indicados de acordo com a intenção de modificação.
 Vamos ver o funcionamento em um contexto prático. Assista ao vídeo “Animais 
domésticos” do Diário de Bel, produzido pela TV INES, no link a seguir: https://bit.
ly/3K85cPJ. Acesso em: 15 ago. 2022. Depois, analisaremos juntos algumas construções 
ali apresentadas.
 Logo na introdução, Bel utiliza advérbios que nos ajudam a identificar atributos 
específicos das ações verbais em suas colocações discursivas. Veja:
Dado que grande parte dos adjetivos também predica, 
tem-se atribuído aos advérbios o papel de adjetivar (“o 
advérbio é o adjetivo do verbo”) e de substituir (“o ad-
vérbio substitui o sintagma preposicional”). (CASTILHO, 
2014, p.544) 
Para compreender melhor o conceito e as funções dos advérbios e visualizar 
essas informações através de exemplos, não deixe de ler o item 2.9, intitulado 
“O advérbio”, do capítulo 2 da obra Gramática Sucinta de Português, de Vicente 
Masip. (2018). Disponível em: https://bit.ly/3JQ1FEu. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
17
 As palavras hoje e nunca são, respectivamente, advérbios indicativos de tempo e 
de frequência. Quando a garota especifica o verbo estar com a lexia hoje, ela deixa claro 
que o seu estado determinado pelo verbo em questão tem período definido no espaço 
de tempo. Bel não está, simplesmente, feliz. Bel está feliz hoje. A carga semântica de “Eu 
estou super feliz!” é diferente de “Hoje eu estou super feliz!”. Perceba que a palavra hoje 
será classificada como advérbio, pois está diretamente relacionada ao verbo estar: a 
ação/estado designado pelo verbo está limitada ao tempo que o advérbio determina; 
a saber, hoje.
 Assim também acontece com o advérbio de essência temporal nunca. A oração 
de Bel deixa-nos claro que a ação de ter algo está circunscrita pelo tempo nunca. A 
relevância do advérbio nessa sentença se faz tão importante que retirá-lo torna o 
enunciado com significado oposto ao que a emissora da mensagem quis oferecer: 
“Eu nunca tive um animal doméstico” é exatamente o contrário de “Eu tive um animal 
doméstico.”. Logo, podemos concluir que nunca é, de fato, uma lexia pertencente à 
classe dos advérbios, já que modifica diretamente o verbo da oração (ter). 
 Quais são, em Libras, alguns dos advérbios de tempo que podem delimitar as 
ações verbais enunciadas? 
Figura 7: Advérbios de tempo
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/40laRrf.Acesso em: 10 nov. 2021. 
18
 É preciso lembrar que, sendo uma língua espaço visual, as enunciações em Libras 
não se limitam ao uso exclusivo dos sinais para construção de sentido. Isso também 
pode ser percebido na identificação de duração ou frequência de uma ação.
 Por exemplo, considere como o tio de Bel sinaliza a seguinte frase no vídeo:
 Todavia, embora seja uma palavra usada na tradução do texto, perceba que na 
construção oracional, o tio Tobias não faz uso desse sinal. Mesmo assim, o sentido de 
continuidade/constância é claramente identificado no discurso pelo emprego de um 
movimento mais alongado e contínuo incorporado ao sinal do adjetivo perto/junto. 
 Logo, além de termos a possibilidade de usar lexias específicas indicativas de 
modificadores verbais, podemos caracterizar mesma intenção semântica a partir, por 
exemplo, de propor aos sinais do contexto comunicativo em questão, variações na 
intensidade dos movimentos, na sua amplitude, etc. 
 O sinal para o advérbio sempre é este:
Figura 8: Advérbio sempre
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2DgXUWR. Acesso em: 10 nov. 2021. 
1.3 APLICAÇÃO PRÁTICA
 Com base nos conhecimentos adquiridos até aqui, vamos realizar aplicações 
práticas a fim de identificar suas compreensões gerais acerca dos assuntos tratados, 
bem como ampliar seus conhecimentos.
 1.3.1 Atividade 1
 Assista ao vídeo “Rotina de prevenção da Covid 19 – dentro da sala” que está no 
link: https://bit.ly/42Cya1r. Acesso em: 15 nov. 2022.
 Depois de compreender as instruções, note que há uso de um advérbio de 
negação sempre atrelado ao verbo poder/permitir e outro indicador de frequência na 
última determinação_ sobre o uso de máscaras.
 Refaça o texto tomando cuidando para manter seu sentindo acrescentando nele 
pelo menos outros cinco advérbios. Veja algumas sugestões: 
• De tempo: hoje; nunca; depois; etc.
• De lugar: aqui, lá; etc.
• De intensidade: pouco; muito; mais; menos; etc.
• De afirmação: sim; com certeza; etc.
19
Meus colegas de trabalho
 Olá! Eu me chamo Ariel e hoje vou explicar sobre como é meu ambiente 
de trabalho. Eu trabalho em um escritório. Lá não tem muitas pessoas. Somos 
cinco, no total. Eu trabalho no atendimento. Todas as pessoas que chegam 
me perguntam várias informações. Eu respondo, mas preciso estar sempre 
alerta para não errar. Também é importante atender bem e ser gentil.
 Atrás de mim fica a mesa da Gisele. Ela é secretária. Ela é responsável 
por todos os compromissos dos nossos chefes. Sempre, pela manhã, ela 
avisa a eles sobre as reuniões do dia. À tarde ela só faz relatórios e os entrega 
a mim.
 Tem também a Frida. Ela é contadora. Eu espero que a Frida nunca erre 
as contas porque é ela quem controla nossos salários. Ela é certamente a 
pessoa mais organizada do escritório. Ela gosta de tudo sempre impecável!
Nosso outro colega é o Otto. Ele é muito sério. Otto é responsável pela 
administração. Talvez ele seja o funcionário mais antigo da empresa, pois já 
estava aqui quando todos nós chegamos. 
 Luigi também trabalha como administrador, assim como o Otto. Ele é 
ótimo, mas é lento e esquecido_ está sempre me perguntando as horas. Ele 
não consegue fazer as coisas depressa. Mas é melhor assim: o que Otto faz 
com pressa, o Luigi confirma com calma. 
• De dúvida: talvez; etc.
 DICA: pesquise advérbios sugeridos no exercício, mas que ainda não conhece o 
sinal e utilize-os assim como apresentado na unidade. Lembre-se que você também 
pode indicar o sentido do advérbio sem necessariamente precisar acrescê-lo ao 
discurso. Se variar, por exemplo, a intensidade e movimento do verbo poderá oferecer a 
essência do advérbio sem que ele esteja explícito.
 1.3.2 Atividade 2
 Faça e apresente para a classe, para um grupo de colegas ou para o professor 
o texto sugerido abaixo. Lembre-se de colocar no seu discurso: seu conhecimento 
sobre distintos vocabulários; seu conhecimento sobre estruturação sintática da Libras; 
os verbos de acordo com sua marca (com ou sem concordância; com ou sem afixo 
espacial, locativo, etc.); advérbios e construções com classificadores.
Como você pode, nesta etapa, construir sentenças complexas que formam um texto com-
pleto? Vamos pensar em medidas práticas: retome o aprendizado da Unidade além de 
enriquecer seu texto com expressões não manuais e classificadores. Use-os para facilitar 
construções de vocabulário desconhecido e para atribuir carga semântica de advérbios 
sem precisar incluir a palavra propriamente dita. Por exemplo, considere a afirmação “Ela 
gosta de tudo sempre impecável!”. Lembre-se que a utilização das intensidades e frequ-
ências podem se dar através da variação do movimento do sinal e das ENM na sua perfor-
VAMOS PENSAR?
20
mance. Assim, você não precisará, obrigatoriamente, construir essa sentença com o advér-
bio sempre. Você pode utilizar marcações não manuais e inserir, nos sinais escolhidos para 
a oração, variações de movimentos mais lentos e minuciosos indicando a característica 
dos gostos de Frida. Fazer isso de modo assertivo deixará seu texto mais coerente e claro. No 
que diz respeito ao uso de verbos com marcas de especificidade, estabeleça uma organi-
zação espacial para os interlocutores que mencionar e isso facilitará sua escolha de saída 
e chegada de verbos com concordância, por exemplo.
 1.3.3 Atividade 3
 Para questionar a alguém sobre alguma ação realizada e seu tempo de realização 
é comum o uso das palavras interrogativas o que e quando:
 Siga o modelo para construir um diálogo inquisitivo sobre a atividade de alguém 
e sua consideração temporal:
 Modelo:
a) 
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Figura 9: Palavras interrogativas 
Fonte: PAULA (2020, p.105)
21
b) 
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
c) 
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
d) 
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
e) 
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
22
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (FAU – CPS – PR 2018 – Adaptada). Assinale o trecho que apresente um advérbio de 
tempo destacado:
a) Para uma parte do corpo tão pequena e pouco essencial, a vesícula biliar pode 
causar muita dor.
b) Quando o delicado equilíbrio químico da bile se altera – não sabemos direito como 
nem por quê -, seus componentes podem se cristalizar.
c) Os cálculos biliares são mais comuns em mulheres com mais de 40 anos e em 
pessoas com histórico familiar da doença. 
d) Se você já tem cálculos biliares sintomáticos, e os ataques são leves, é possível 
controlar seus efeitos.
e) O principal fator de risco passível de correção é a obesidade, diz o Dr. Stephen Ryder, 
consultor médico do British Liver Trust. Mas ele é contra emagrecer depressa demais.
2. (COPERVE - UFSC-2018). Os verbos direcionais são também chamados de
a) verbos de movimento.
b) verbos com concordância.
c) verbos associados à localização.
d) verbos pronominais.
e) verbos flexíveis.
Resposta Correta: B
Conforme item 1.1
3. (IF-CE - 2017). Quanto à flexão gramatical dos verbos na Libras, é correto afirmar-se 
que:
a) diferente das línguas orais, os verbos na Libras não apresentam incorporação de 
afixos.
b) na Libras, apenas com o acréscimo de sinais identificados como advérbios, pode se 
marcar morfossintaticamente a ideia de continuidade de alguns verbos, como FALAR e 
PASSEAR.
c) a flexãoverbal na Libras não altera nenhum parâmetro.
d) todos os verbos na Libras flexionam-se em pessoa e número.
e) a ação durativa marca uma forma de flexão verbal que indica a extensão do tempo 
incorporado ao verbo na Libras.
4. (UFMT- UFSBA -2017). Quadros e Karnopp (2004) mencionam a categoria dos 
verbos com concordância, que são verbos que se flexionam em pessoa e número e não 
incorporam afixos locativos. São exemplos dessa categoria: 
a) DAR, PERGUNTAR, DIZER.
23
b) COMER, PEDIR, FALAR.
c) IR, APRENDER, ENSINAR.
d) CONHECER, TRADUZIR, CHEGAR.
e) GOSTAR, CHEGAR, ANDAR.
5. Analise as distintas sinalizações para o verbo TRABALHAR abaixo representadas. 
A variação de amplitude e intensidade do sinal 2 pode aportar carga semântica do 
advérbio:
a) já.
b) bastante.
c) certamente.
d) nada.
e) bem.
6. (MPE - RS-2021 – Adaptada). Leia o texto para responder à questão:
24
Considere as seguintes propostas de substituição de ocorrências da expressão “Ao 
mesmo tempo” no texto.
1. Substituir Ao mesmo tempo (l. 44) por Inopinadamente.
2. Substituir Ao mesmo tempo (l. 58) por Simultaneamente.
3. Substitui Ao mesmo tempo (l. 73) por Concomitantemente.
a) Apenas 1.
b) Apenas 2.
c) Apenas 1 e 2.
d) Apenas 2 e 3.
e) 1, 2 e 3.
7. (FGV-2018). Observe os sinais referentes a tipos de verbos em Libras.
25
Sobre os sinais acima, assinale a opção correta.
a) O sinal da figura I apresenta um verbo não direcional que incorpora o objeto.
b) O sinal da figura III apresenta um verbo com marca de concordância ancorado no 
corpo.
c) O sinal da figura I apresenta um verbo com marca de concordância pois marca no 
ponto inicial o sujeito e no final o objeto.
d) O sinal da figura II apresenta um verbo não direcional marcando o sujeito e o objeto.
e) O sinal da figura III apresenta um verbo sem marca de concordância pois marca no 
ponto inicial o sujeito e no final o objeto.
8. Analise as duas sentenças abaixo sugeridas e identifique o que haverá de distinção 
entre elas na tradução para a Libras.
1. Eu aconselho Dalva.
2. Dalva me aconselha.
a) a configuração de mão utilizada para o verbo aconselhar.
b) a datilologia das palavras D-A-L-V-A e E-U.
c) as expressões não manuais indicando tipos de frases diferentes.
d) a marcação de pessoa e número.
e) a direcionalidade da orientação da palma da mão.
26
LIBRAS EM FOCO II
27
 A forma condicional pode estar referida a tempo e a modo. Como modo, aporta 
uma ideia de desejo em hipótese. Veja:
 Como podemos notar, a relação dos verbos quando a forma condicional se 
trata de tempo, é dada, em Língua Portuguesa, por verbos relativos a tempos pretérito 
(pretérito imperfeito do subjuntivo) + futuro (futuro do pretérito). Sua função é se referir 
a fatos que teriam acontecido mediante certa condição; exprimir a possibilidade de um 
fato e/ou indicar a incerteza sobre um fato.
 Aleixo (2021) descreve-nos a ocorrência de condicional:
 De acordo com o autor, é comum haver, portanto, flexibilidade na ordenação da 
estrutura condicional, podendo surgir nos contextos discursivos formas como “Se tivesse 
 Como tempo, a estrutura localiza no futuro uma ação relativa a um momento 
passado:
2.1 ESTRUTURA CONDICIONAL 
Cunha e Cintra em sua “Nova Gramática do Português Contemporâneo” deixam 
claro, de modo sucinto e pontual, especificações acerca do uso do Futuro do 
Pretérito (páginas 476 a 479) e dos tempos do Subjuntivo, como o Pretérito Im-
perfeito do Subjuntivo (páginas 487 a 490). Não deixe de conferir as postulações 
dos autores a fim de elucidar os objetivos de uso e construção de sentenças 
condicionais. Disponível em: https://bit.ly/3ZlMuIy. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
A relação prototípica encontrada nessa ocorrência exi-
be dois padrões linguísticos relevantes para as condi-
cionais: primeiro, há uma conjunção – "se" –, que mostra 
a relação condicional entre a primeira oração (próta-
se) e a segunda oração (apódose). Em segundo lugar, 
a ordem da frase é tal que a oração condicional pre-
cede a principal. Translinguisticamente, ambos os pa-
drões são muito frequentes, embora haja variação. No 
português, por exemplo, Neves (2000, p. 829) assume 
que essas construções podem ser enunciadas sob a 
forma “SE-ORAÇÃO CONDICIONAL + ORAÇÃO PRINCIPAL” 
ou “ORAÇÃO PRINCIPAL + SE-ORAÇÃO CONDICIONAL”, 
quer dizer, as orações condicionais podem se apresen-
tar como antepostas ou pospostas à oração principal. 
(ALEIXO, 2021, p.34)
28
açúcar eu faria um café” ou “Eu faria um café se tivesse açúcar.” Mais determinante do 
que fixar uma ordenação discursiva, é compreender os objetivos de uso desse tempo 
verbal. Ainda segundo Aleixo, essas construções vão refletir:
 Seja em uma língua oral auditiva ou espaço visual, as escolhas de estrutura 
condicional serão feitas pelo contexto. Quando o emissor da mensagem tencionar 
uma comunicação relativa a uma circunstância de hipótese ou inferência, utilizará da 
construção em condicional.
 Em Libras, o uso de produção condicional atende aos mesmos critérios. Sua 
estruturação será distinta da estruturação em Língua Portuguesa quando em 
comparado, por exemplo, às escolhas de conjugação verbal e ao uso de marcadores 
não manuais. 
 Como já considerado nos seus estudos das línguas de sinais, as marcações não 
manuais, como as expressões faciais e corporais, possuem função gramatical em 
muitos níveis:
[...] a capacidade que as pessoas têm de (i) consegui-
rem imaginar situações alternativas àquelas em que de 
fato estão, (ii) fazer inferências com base em informa-
ções que lhes foram dadas de modo incompleto, (iii) 
imaginar possíveis correlações entre situações diferen-
tes, (iv) e entender como o mundo mudaria se certas 
correlações fossem diferentes. Assim, compreender a 
organização conceitual e comportamental dessa ca-
pacidade de construir e interpretar condicionais nos dá 
informações básicas sobre os processos cognitivos, so-
bre o uso da língua e sobre as estratégias que as pes-
soas utilizam para organizar os seus discursos. (ALEIXO, 
2021, p.34)
Os marcadores não manuais envolvem quaisquer manifestações não realizadas com 
as mãos em um discurso em língua de sinais. Essas expressões são elementos que, as-
sociados aos sinais manuais, permitirão uma enunciação plena de sentido. Como estu-
dado no módulo que trata dos parâmetros fonológicos das línguas de sinais, as expres-
sões não manuais (ENM) estão entre os parâmetros alistados; tendo em vista seu caráter 
gramatical (por exemplo, identificando se as orações são afirmativas, negativas, inter-
rogativas, exclamativas ou imperativas) e referenciador semântico, como quando, den-
tre outros papéis, surge como indicador de sentimentos. Assim, em línguas de sinais, as 
marcas não manuais não constituem apenas gestos subjetivos associados ao discurso 
gramatical. Elas atuam como complementadoras, reforçadoras e até especificadoras de 
sentido. Os marcadores não manuais envolvem expressões faciais e corporais que apa-
recem isoladas ou concomitantemente apresentadas na performance de sinalização.
GLOSSÁRIO
29
 Dentre essas muitas atribuições, as ENM servirão para elucidar as sentenças de 
uso em condicionalidade. Aleixo (2021) nos indica alguns estudos que concordam e 
descrevem algumas expressões não manuais comuns nesse tipo de sentença:
 De todas as ENM, a mais comum de ser identificada em oração condicional é o 
arqueamento de sobrancelha. Lemos em Figueiredo e Lourenço, sobre a Libras (2019, 
p.86): “[...] a marcação se dá com o levantamento da sobrancelha na oração condicional, 
geralmente no início da sentença, que em sua continuação apresenta a oração principal 
sem a ENM, com expressão neutra. ” Podemos exemplificar e compreender melhor o 
uso de marcadores não manuais no estabelecimento de discursos condicionais com 
situação descrita pelos mesmos autores:
O estudo de Liddell (1980) foca exatamente na conflu-
ência de [Marcadores Não Manuais (MNM)] que identi-
fica uma oração condicional na ASL. Em suas ocorrên-
cias, o autor encontrouos seguintes tipos de MNM nas 
orações condicionais: 
• sobrancelha arqueada; 
• olhar fixo em diferentes direções; 
• mudanças corporais de vários tipos; 
• cabeça inclinada para trás; 
• piscar dos olhos nos limites dos constituintes; 
• e uma grande quantidade de movimentos da cabeça. 
(ALEIXO, 2021, p.67).
Quadro 1: Funções das marcações não manuais das línguas de sinais
Fonte: HERRMANN (2013, p. 39)
30
 A Fig. 10 retrata um trecho da narrativa “O escorpião e a tartaruga” em que a 
personagem tartaruga diz:
 A estrutura da condicional está constituída como:
 Conjunção SE + sinalização em classificador indicativo da condição de carregar 
outrem nas costas + datilologia do verbo ir na forma VAI + verbo FERROAR.
 Veja na Fig. 10 que, durante toda a sinalização da sentença condicional, a 
sobrancelha do enunciador permanece levantada. Notamos também um movimento 
de reclinação da cabeça para trás. Na análise do vídeo percebemos, ainda, que, na 
sequência do discurso as marcas não manuais são perdidas, mantendo uma expressão 
facial neutra. 
 Em Libras, a palavra mais comum na elaboração de casos condicionais é, assim 
como no Português, a conjunção SE. Abaixo, compreendemos que sua sinalização 
consiste em uma espécie de empréstimo da língua portuguesa por ser a datilologia 
das letras S + I.
 Temos uma oração condicional que será assim explanada em Libras:
Figura 10: Levantamento de sobrancelha em trecho condicional
Fonte: FIGUEIREDO; LOURENÇO (2019, p. 95)
31
 Conforme analisado por Aleixo:
 Podemos recorrer ainda às indicações de Rodrigues (2020); citado por Aleixo, 
que propõe uma base para exercer as condicionais utilizando o substantivo EXEMPLO 
atuando como conjunção condicional.
 Descrevendo o fenômeno, temos:
Figura 12: Sinal da lexia EXEMPLO
Fonte: CAPOVILLA et al., (2017, p.1233)
Figura 11: Sinal da conjunção SE
Fonte: Google imagens; Semed (2013)
Esse empréstimo realizado por meio da datilologia, 
consoante Baker-Shenk e Cokely (1980), permite que a 
realização em língua de sinais se torne mais semelhan-
te ao sistema obtendo uma aparência “cada vez mais 
nativa”, ou seja, ela é integrada ao sistema da língua-
-alvo, adaptando-se, inclusive, à sua fonologia. Logo, o 
sinal SE pode ter se originado da forma escrita do por-
tuguês, concomitantemente à sua pronúncia da língua 
oral, em que o “e” átono final é produzido com o som de 
[I]. (ALEIXO, 2021, p.120) 
[...] em Libras, Rodrigues (2020) identificou o uso do si-
nal manual EXEMPLO introduzindo, também, orações 
condicionais. A pesquisadora mostra em sua tese que 
o sinal apresenta, sincronicamente, uma realização + 
lexical, ou seja, com uso para “explicar o que se disse 
anteriormente”, e, também, uma realização +gramati-
cal, como conjunção condicional. De modo semelhan-
32
 O autor traz como modelo de apresentação desse processamento a sentença:
 Em Libras, a evidente sentença condicional inicial foi performada a partir do sinal 
exemplo. Veja:
 É possível percebermos, inclusive, que, é tão natural a aplicação da lexia exemplo 
como introdutória de uma frase condicional que há a possibilidade de oralização da 
conjunção se concomitante à sinalização da palavra exemplo. Foi isso que aconteceu 
no caso acima retratado. A sinalização do contexto de condição foi introduzida pelo 
substantivo exemplo, mas a emissora da mensagem usa do mouthing da conjunção se. 
 Aleixo define mouthing:
te, Quer (2016, p. 375), ao descrever a estrutura prosódi-
ca das condicionais na Língua de Sinais Catalã, afirma 
que as orações condicionais podem50 ser introduzidas 
também pelo sinal EXEMPLO. Segundo Rodrigues (2020, 
p. 147), a forma +lexical de EXEMPLO “carrega um signi-
ficado demonstrativo, que converge, também, com no-
ções de tópico, na medida em que pode ser usado para 
introduzir um novo tema”. Assim, uma vez que as con-
dicionais também têm essa propriedade de introduzir 
um novo tema, denota-se uma relação de proximidade 
semântica entre as realizações. (ALEIXO, 2021, p.121)
Figura 13: Sinalização da sentença: “Se a pessoa quer ou não quer o implante coclear, 
depende de cada um”
Fonte: ALEIXO, (2021, p.122)
Segundo Sandler (2009, p. 14), o mouthing correspon-
de à articulação total ou parcial de palavras da língua 
com a qual a LS está em contato constante; todavia, ele 
não deve ser confundido com a realização do falar da 
33
 Nesse caso, fica claro como ocorre simultâneo à sinalização da palavra exemplo, 
o mouthing correspondente à conjunção se. De modo que podemos concluir que o uso 
da lexia exemplo não está para sua função de nomear, isto é, de substantivo. Aqui, é 
uma partícula própria para indicar o condicionamento da individualidade ao fato de 
aceitar ou não um implante coclear. 
 Retomemos à parte inicial da sentença em análise:
Figura 14: Início da sinalização da sentença: “Se a pessoa quer ou não quer o implante 
coclear, depende de cada um”
Fonte: ALEIXO, (2021, p.122)
língua oral, tendo em vista as diferenças na ordem das 
palavras e de outros aspectos das estruturas dessas 
línguas. Sendo assim, os mouthings podem ser usados, 
de acordo com a autora, seja para “acabar com a am-
biguidade de dois significados de um único sinal”, seja 
para seguir constituintes prosódicos da língua de sinais, 
de modo que esse uso indica não ser apenas um “em-
préstimo esporádico da língua oral”. (ALEIXO, 2021, p,125)
A constituição de uma sentença condicional em Libras se dará por meio de elementos 
manuais e não manuais. As sinalizações de conjunções condicionais ou de lexias perten-
centes a outras classes de palavras, mas que podem exercer função conjuntiva (tomamos 
como modelo a palavra exemplo) são constituintes manuais do processo de enunciação 
condicional. Já as expressões faciais e corporais próprias do instante de sinalização espe-
cífico da ideia de condicionalidade são marcações não manuais que reiteram tal sentido 
e não se apresentam apenas como componente ornamental do discurso. 
FIQUE ATENTO
 Esta seção tratará especialmente da estruturação de horas em Libras, mas 
também indicaremos vocabulário referente a períodos de tempo, a fim de ampliarmos 
nossos conhecimentos nesse domínio.
 A formulação de horas em Libras está embasada no uso dos números cardinais. 
Abaixo, relembramos:
2.2 HORAS
34
 A partir dos numerais, estabelecemos a definição da hora associadas a lexias 
desse campo semântico: 
 Note que na elaboração da oração “Que horas são?”, não temos uma coincidência 
do quantitativo de lexias quando comparamos a formulação em Libras e em Língua 
Portuguesa. O exemplo nos traz uma indicação clara da importância das marcas não 
manuais para compreensão do sentido em Libras. A oração utiliza apenas de um sinal: 
hora. A ideia que se trata de uma interrogativa se dará pelas expressões faciais próprias 
 É comum o uso dessas palavras em proposições como: 
Figura 15: Os números
Fonte: PAULA, (2021, p.26)
Figura 16: Lexias de hora e minuto em Libras
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/42CQ58d. Acesso em: 23 nov. 2021
35
 Esses sinais possibilitam períodos como:
 Analise: como você enunciaria o seguinte diálogo?
 _ Que horas será a prova amanhã?
 _ 7 horas.
 _ Da manhã ou da noite?
 _ Da noite.
 
Figura 17: Períodos do dia em Libras
Fonte: FELIPE (2007 p.37)
a essa tipologia: sobrancelhas franzidas, movimento de cabeça para frente e para trás, 
lábios arredondados e queixo levemente inclinado para cima. 
 Uma resposta afirmativa contempla um número e um referente dele. Por exemplo, 
analise a sinalização abaixo e responda: que horas são?
 Podemos também referir-nos ao horário associando-o ao período do dia; pois, 
em alguns casos, apenas indicar o numeral pode não ser suficiente para compreensão 
total do discurso. Assim, serve-nos como complemento:
36
 Em Libras, ainda temos uma possibilidade de indicar hora no sentido durativo. Por 
exemplo, aprendemos acima como dizer que “Agora são duas horas. ” Mas se quisermos 
indicar que aguardamos na fila do banco duranteduas horas, podemos indicar o tempo 
de espera com uma estrutura diferente daquela que indica a hora.
 Ao identificar aspecto de tempo contínuo, podemos estabelecer uma sinalização 
classificatória que toma o rosto por um relógio. Assim, determinamos o período durativo 
da ação ou acontecimento a partir de enumeração com movimento circular na frente 
do rosto. Por exemplo:
 E se você quiser indicar um período de maneira mais completa, além do horário, 
acrescente o dia da semana e terá estrutura indicativa de tempo mais e/ou menos 
abrangente.
Figura 18: Períodos durativos em Libras
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3ZlCTBM. Acesso em: 23 nov. 2021
37
Figura 18: Dias da semana em Libras
Fonte: PEDROZA (2012)
 Com os conhecimentos adquiridos, vamos realizar algumas aplicações práticas 
para ampliar nossos conhecimentos.
 2.3.1 Atividade 1
 Vamos retornar ao texto de rotina apresentado na Unidade 6 do livro Libras II. 
Agora, além de constituir um discurso com todas as tipologias frasais, como foi lá 
explorado, podemos ampliar nossa exposição para determinar indicações temporais 
das mais distintas: associadas a um período específico (dia/hora) e/ou a períodos 
gerais de intervalos, como com o uso dos advérbios de tempo também aqui estudados. 
 Use sua criatividade para expandir as informações de tempo que estão 
generalizadas. 
 Que tal retomar o texto que você fez quando cursou Libras II e comparar: como 
você sinalizou a história? Há algo que deseja manter? Há alguma estrutura que percebeu 
2.3 APLICAÇÃO PRÁTICA
38
que deve modificar? Essa é uma boa oportunidade de avaliar seu crescimento!
 Sugestões para o novo texto:
• Meu filho acorda e vai para a escola de segunda a sexta.
• Ele chega à escola às 7 horas. Lá ele estuda de 7 às 9:30. Às 9:30 é o recreio e ele 
brinca muito!
• Às 11 horas ele volta para a casa da vovó porque não pode ficar sozinho...
 2.3.2 Atividade 2
 Analise as imagens abaixo:
 Analise as imagens e crie estruturas condicionais para cada uma delas. Lembre-
se, como sempre, de incluir:
• Os sinais reconhecidos por você e, portanto, já aprendidos;
• Sinais novos, porém do mesmo campo semântico tratado nesta unidade. Para isso, 
faça busca em obras lexicográficas da Libras, como os dicionários, glossários e 
vocabulários, sejam impressos ou virtuais; 
• Classificadores utilizados junto aos sinais para elucidar o discurso.
 Exemplo: Se a chuva aumentar, eu vou pegar um táxi.
 2.3.3 Atividade 3
 Faça e apresente para a classe, para um grupo de colegas ou para o professor o 
texto abaixo:
 _O que faremos amanhã? Vamos à praia?
_Sim, se estiver um tempo melhor que hoje. Você quer se 
bronzear?
_Quero, mas eu só fico no sol de 7 às 9 horas, por isso 
precisamos chegar cedo.
_E se estiver chovendo? 
_Podemos assistir um filme. No shopping, a sessão de 20 
horas é sempre vazia e agradável. 
_O filme demora em torno de 2 horas. Depois podemos ir 
jantar no restaurante Bistrô.
39
 Depois de apresentar seu texto, certifique-se de que as informações compreendidas 
pelos colegas e/ou pelo professor tenham sido as intencionadas por você. Aceite 
sugestões de adaptação de estruturação de sentenças e, caso seja necessário, refaça 
o texto para que fique ainda mais compreensível aos seus interlocutores.
_Seria ótimo! Eu não vou lá há muito tempo! 
_Ah sim, porque lá é um restaurante distante. Leva muito 
tempo para chegar lá. Mais ou menos 40 minutos... Por isso 
visitamos pouco.
_Se mudássemos de bairro poderíamos ir no Bistrô mais 
vezes.
_No tempo em que tínhamos carro era mais fácil conhecer 
novos lugares.
_É verdade! Já sei! Se comprarmos um carro, então não 
precisamos mudar de bairro.
Como você pode, nesta etapa, construir sentenças complexas que formam um texto com-
pleto? Vamos pensar em medidas práticas: retome o aprendizado dos números, estrutu-
ra condicional, horas e especialmente de classificadores. Use os classificadores para enri-
quecer o texto e para facilitar construções de vocabulário desconhecido. Por exemplo, veja 
como a palavra tempo é utilizada em todo o texto. Atente-se para seus sentidos distin-
tos. Dessa maneira, compreenderá que não serão sinalizados da mesma maneira. Explore 
os significados e poderá escolher sinais, expressões e/ou classificadores adequados para 
cada uso, mesmo que de uma mesma palavra. 
VAMOS PENSAR?
Identificar que o Português é uma L2 para os surdos nos ajuda a não tomar a 
Língua Portuguesa como base para construir nossos discursos em Libras. Isso é 
o que vai acontecer com a lexia tempo mencionada nesta atividade. Se elabo-
rarmos a tradução do texto levando em conta apenas o Português, algumas co-
locações de tempo ficarão confusas e até equivocadas. Considere novamente 
as informações sobre essa premissa nas páginas 145 a 147 (“As diferenças edu-
cacionais para a aquisição de L1 (Libras) e de L2 (português)”) da obra Libras, 
de Carlos Eduardo Lima de Morais. Disponível em: https://bit.ly/3zdhmR7. Acesso 
em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
40
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (CEPS- UFPA– 2018). Na incorporação de numeral em Libras, os sinais alteram a 
configuração de mão de “um” para “dois”, “três” ou “quatro”, criando outro significado 
ao sinal. Neste processo, a locação, a orientação e as expressões não manuais 
permanecem iguais (QUADROS; KARNOPP, 2004). Observe as imagens e em seguida 
marque a alternativa que corresponde às imagens.
a) UM-DIA / DOIS-DIAS / TRÊS-DIAS / QUATRO-DIAS.
b) UM-MÊS / DOIS-MESES / TRÊS-MESES / QUATRO-MESES.
c) UMA-HORA / DUAS-HORAS / TRÊS-HORAS / QUATRO-HORAS.
d) UMA-VEZ / DUAS-VEZES / TRÊS-VEZES / QUATRO-VEZES.
e) UM-ANO / DOIS-ANOS / TRÊS-ANOS / QUATRO-ANOS.
2. (PROGEP-FURG 2019 – Adaptada). Na Libras, por sua natureza visual-espacial, as 
expressões faciais cumprem vários papéis. Analise as afirmativas abaixo e identifique 
quais delas podem ser consideradas a partir das ENM:
I. Expressar emoções.
II. Marcar tipologia frasal.
III. Marcar estruturas sintáticas como o condicional e a oração relativa.
IV. Marcar locação.
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, II e III.
e) I, II, III e IV.
3. Analise as alternativas abaixo. Qual delas melhor traduziria a sentença: 
“Isso são horas de chegar?”
41
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
4. A produção de sentenças com ideia de condição se dá por um processo específico 
de formação. São essenciais nesse processo:
a) ENM e topicalização.
b) sentenças na afirmativa e conjunção se.
c) iconicidade e partícula relativa à condicional.
d) arbitrariedade e marcas não manuais.
e) partícula própria de condicional e marcas não manuais.
5. Mouthing é:
a) articular total ou parcialmente todas as palavras de uma sentença sinalizada, com 
o objetivo de, mesmo que sinalizando conforme estrutura da língua de sinais, identificar 
para o interlocutor a organização da mesma sentença em língua oral.
b) articular total ou parcialmente algumas palavras de uma sentença sinalizada, a fim 
de elucidar o discurso, evitando ambiguidades, por exemplo.
42
c) articular total ou parcialmente todas as palavras de uma sentença sinalizada para 
melhor organizar o discurso e performá-lo tanto mais claro quanto possível.
d) articular total ou parcialmente as palavras mais incomuns da sentença, pois assim o 
interlocutor surdo pode ter a leitura labial como reforçador na elucidação da mensagem.
e) articular total ou parcialmente as palavras que o próprio emissor da mensagem 
determinar relevantes para assim o fazer, com o objetivo de destacar os pontos 
principais da mensagem.
6. (IF-MT - 2019 – Adaptada). Segundo Quadros e Karnopp (2004) e Farias-Nascimento 
(2013), sinais com a incorporação de números e da negação são formas produtivas na 
Libras. 
De acordo com os conhecimentos adquiridos nesta unidade e com seus conhecimentos 
prévios, sobre os processos de incorporação e negação, analise as afirmativas abaixo:
I. A negação será sempre representada nos vocabulários da Libras pela incorporação 
do movimento de afastamento do corpo, como nos verbos NÃO-GOSTARe NÃO-
QUERER.
II. A negação também pode ser incorporada com a marcação não manual: o movimento 
da cabeça (indicando negação).
III. A incorporação de número ao sinal ocorre em alguns sinais associados à quantidade 
de tempo (HORA) com os números 1, 2, 3 e 4, são exemplos UM-HORA, DUAS-HORAS, 
TRÊS-HORAS, QUATRO-HORAS.
Está CORRETO o que se afirma em: 
a) II, apenas.
b) I, II e III.
c) II e III.
d) I e III.
e) III, apenas.
7. Associe a primeira coluna com a segunda. 
(1) sinal referente à indicação de meia hora.
(2) sinal referente ao dia da semana quarta-feira.
(3) sinal referente à interrogativa Que horas são?.
(4) sinal referente à indicação de cinco minutos.
( ) 
43
( ) 
( ) 
( ) 
Será a resposta correta a seguinte sequência:
a) 2 – 3 – 1 – 4 
b) 3 – 1 – 4 – 2 
c) 4 – 2 – 3 – 1 
d) 1 – 2 – 4 – 3 
e) 4 – 1 – 3 – 2 
8. Ao compararmos os seguintes pares de sentenças, teremos diferença estrutural na 
sinalização de:
a) Agora são 13 horas./ Agora é 1 hora. 
b) Viajaremos na segunda feira./ Viajaremos no fim de semana.
c) Se você se atrasar, perderemos o voo./ A exemplo de haver seu atraso, perderemos 
o voo.
d) A viagem durou duas horas./ Eu te espero às duas horas.
e) O médico demorou uma hora para me atender./ Fiquei na fila do banco por meia 
hora.
44
OS CLASSIFICADORES 
EM AÇÃO
45
 Os classificadores são considerados léxico nativo das línguas de sinais. Eles 
formam um componente lexical distinto do campo das palavras catalogadas, pois, 
conforme postulam Quadros e Karnopp: “[os classificadores] podem violar restrições 
formacionais do núcleo lexical, por exemplo, tais sinais podem violar as restrições de 
simetria e dominância em sinais articulados com as duas mãos.” (2004, p.92)
 As autoras também definem os classificadores: 
 Nessa consideração podemos começar a compreender por que considera-se os 
classificadores como um elemento lexical distinto das palavras em si. Note os exemplos 
citados por Ronice e Lodenir em referência a pessoa e carro. Para ambas as lexias temos 
um sinal específico:
 Contudo, a explicação dos classificadores dada pelas autoras em referência a 
essas lexias não coincide com a performance dos sinais. Isso significa que o objetivo dos 
classificadores, quando instaurado no discurso, é diferente daquele quando há apenas 
a convocação da palavra em si. O classificador prima por descrever. Como dito acima 
por, “especificar o movimento e a posição de objetos e pessoas ou para descrever o 
tamanho e a forma de objetos”. Veja como é mais descritivo e, portanto, mais passível 
de compreensão de sentido até por quem não conhece Libras o uso de classificador:
3.1 CLASSIFICADORES
Os classificadores têm distintas propriedades morfoló-
gicas, são formas complexas em que a configuração 
de mão, o movimento e a locação da mão podem es-
pecificar qualidades de um referente. Classificadores 
são geralmente usados para especificar o movimen-
to e a posição de objetos e pessoas ou para descre-
ver o tamanho e a forma de objetos. Por exemplo, para 
descrever uma pessoa caminhando em um labirin-
to, o sinalizador deve usar um classificador em que a 
configuração de mão (referindo à pessoa) move-se 
em ziguezague; para descrever um carro andando, o 
sinalizador produz uma configuração de mão em “B”, 
que refere-se a veículos. Essas configurações de mão 
ocorrem em predicados que especificam a locação de 
um objeto (por exemplo, a posição de um relógio, uma 
folha de papel ou um copo) ou a forma de um objeto 
(por exemplo, uma vara fina e comprida). (QUADROS; 
KARNOPP, 2004, p.93)
Figura 19: Sinal para as lexias pessoa e carro
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, (2001)
46
 As formas manuais acima identificadas como classificadores de carro e pessoa 
não podem ser classificadas como sinais pois dependem do contexto para serem 
identificadas. Por exemplo, poderíamos usar o classificador aí determinado como 
próprio da lexia carro para identificar um animal rastejante ou, se inclinarmos um 
pouco a mão para baixo, uma criança brincando de escorregar. No entanto, as palavras 
catalogadas, isto é, os sinais, só dependerão de contexto para serem decodificados 
quando se tratarem de homônimos. 
 Logo, os classificadores não são rígidos de sentido, assim como são as palavras 
cuja menção normalmente se dá por uma e/ou outra(s) forma(s) diferente(s) e só. 
Os classificadores incrementam o discurso trazendo categorizações que o esclarecem, 
pois retratam pictoriamente alguns de seus elementos.
Figura 20: Sinal para as lexias pessoa e carro
Fonte: Google imagens - adaptado
Homônimos se referem a palavras que, em línguas orais, são semelhantes na forma, mas 
distintas no significado. Santos e Aragão (2020, p.3) indicam: “Os homônimos aconte-
cem quando as palavras são iguais na escrita, pronúncia e até mesmo na forma, mas 
diferentes na significação.” Os mesmos autores relembram o trabalho de Pietroforte e 
Lopes, que descrevem: “A homonímia resulta da consciência entre significantes de pala-
vras com significados distintos. Entre manga fruta e manga da camisa há apenas uma 
coincidência entre imagens acústicas iguais.” (SANTOS; ARAGÃO, 2020, p.3). Em Libras as 
palavras homônimas serão aquelas que são produzidas com todos os parâmetros fo-
nológicos idênticos mas possuem significados diferentes, como, por exemplo: laranja e 
sábado; jeito e Bahia; interpretar e fritar; etc.
GLOSSÁRIO
É essencial conhecer de perto o subtítulo O Léxico da Língua de Sinais Brasileira 
na obra de Quadros e Karnopp (2004). Nele vocês compreenderão com clareza 
a distinção dos componentes lexicais na Libras, como os aqui discutidos (pala-
vras/sinais versus classificadores). Além disso, há conceitualizações essenciais 
sobre os classificadores. Confira das páginas 88 a 94 dessa obra. Disponível em: 
https://bit.ly/3LVyJ0q. Acesso em: 15 nov. 2022.
BUSQUE POR MAIS
47
 A retratação pictórica do referente não isenta o classificador de basear-se nas 
normas de formação de palavras da Libras. Sendo um elemento linguístico, é constituído 
de modo sistemático a partir das regras lexicais do idioma e, portanto, não pode ser 
considerado mímica e/ou gestos, que são componentes aleatórios do enunciado.
 Os classificadores também podem ser motivação para indicar elementos que 
acabaram por serem constituídos enquanto palavra pela comunidade linguística. 
Considere o caso das palavras onda e pássaro abaixo representadas:
 A palavra onda é constituída pela composição da palavra [água] + [movimento 
descritivo do deslocamento das ondas do mar]. Assim como pássaro ou ave são 
formadas pela composição de [bico] + [movimento referente ao bater das asas]. 
 Isso nos mostra que mesmo algumas lexias hoje determinadas como tal 
originaram-se de uma motivação classificatória; ou seja, muito provavelmente antes 
de haver um sinal específico para designar tal elemento, a forma mais assertiva de se 
fazer entender em uma comunicação foi por meio de indicação descritiva. O processo 
de divulgação dessa forma classificatória é natural e quando atinge a maior parte da 
comunidade linguística positivamente, isto é, quando grande parte dos usuários da 
língua utilizam dessa forma referente, o classificador se torna convenção e migra para 
o status de palavra. Isso aconteceu com lexias como as aqui exemplificadas (onda 
e ave/pássaro); bem como acontece em outros campos semânticos diversos. Dois 
deles em que o processo de formação de palavras perpassa pelas considerações de 
classificadores com bastante recorrência são o vocabulário de animais e de verduras/
frutas.
Figura 21: Sinais das lexias onda e pássaro
Fonte: Google imagens - adaptado
Os classificadores enquanto partícula descritiva e designatória são muito mais estuda-
dos no âmbito das línguas de sinais do que os chamados classificadores nomes; que são 
aqueles que se converteram em palavras instituídas e até mesmo catalogadas. Faz-se 
importante distinguir essas duas modalidades de classificadores encontradas nas lín-
guas de sinais. Os classificadores

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