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Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 Módulo 1 - Problema 3 Tema: crescimento na infância e adolescência Devagar, devagarinho… Cláudio, acadêmico da Afya Faculdade de Ciências Médicas, está no Ambulatório de Pediatria de uma UBS de Jaboatão dos Guararapes, acompanhando as consultas de Dr. Breno, que pede para o paciente entrar. J.A.C., sexo masculino, 13 anos, chega com a sua mãe e a mesma relata que o filho não parece estar doente, mas a sua altura está mais baixa que a dos colegas da escola, negando queixas médicas significativas, bem como doenças crônicas ou hospitalizações prévias. Os primos sempre dizem que ele é o menor entre eles. Na avaliação, Dr. Breno registrou na Caderneta de Saúde que J.A.C. estava com 132 cm e 50 Kg. Observou na curva de altura que aos 10 anos ele estava com 125 cm e aos 11 anos, 128 cm. Após avaliação completa, o médico observou ausência de características dismórficas, estágios puberais não iniciados, bem como boas proporções corporais. O médico registrou sobre os anos iniciais de vida de J.A.C.: gravidez sem intercorrências, nascimento a termo, parto transpelviano, PN = 2.760g, comprimento = 47 cm e APGAR = 9 / 10 (1º minuto / 5º minuto). Mamou exclusivamente até os seis meses e teve dieta orientada por pediatra. Nunca apresentou distúrbio gastrintestinal, respiratório ou doenças crônicas. Dr. Breno dá algumas explicações ao paciente e à mãe, solicita exames, e pede que voltem com os resultados. Após 4 meses, eles retornam e os exames evidenciam: idade óssea compatível com 13 anos. Hemograma, funções hepática e tireoidiana normais, porém, IGF-1 com níveis baixos para a idade cronológica. Ressonância magnética de sela túrcica sem alterações. A altura do paciente, nesta consulta, é de 137 cm. Continua com boas proporções corporais, SS/SI = 1. Estadiamento de Tanner: G1/P1. Volume testicular bilateral: 4 ml. Dr. Breno solicita que Cláudio calcule a projeção da altura alvo do paciente, conforme o canal genético familiar. A altura dos pais: mãe = 150 cm e pai = 160 cm. O acadêmico encontra 162 cm e coloca no gráfico, ficando pouco acima do Escore Z -2. O preceptor indaga ao aluno, qual o tipo de baixa estatura de J.A.C.? Termos desconhecidos Parto transpelviano Ocorre de forma espontânea e fisiológica, onde o feto nasce através do canal vaginal, e está intensamente ligado à cultura humana, como também na interação mãe e filho. https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/in dex.php/AMSCSP/article/download/570/860/1423#:~: text=O%20parto%20transpélvico%20ocorre%20de,ocor ra%20o%20nascimento(1). IGF-1 Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 ou Somatomedina C) é um hormônio produzido principalmente pelo fígado, e estimulado pelo hormônio do crescimento humano (GH) e retardada pela má nutrição. O IGF-1 é utilizado no rastreio da deficiência e excesso de GH. ● Níveis baixos = crianças com deficiência de GH com craniofaringioma e na síndrome de Laron. ○ Um valor baixo em uma criança com atraso no crescimento não constitui diagnóstico de hipopituitarismo ● Níveis normais sugerem que não exista deficiência de GH. ● Níveis elevados estão associados na gavidez, acromegalia e em crianças com gigantismo. As taxas mais elevadas de https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/download/570/860/1423#:~:text=O%20parto%20transp%C3%A9lvico%20ocorre%20de,ocorra%20o%20nascimento(1) https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/download/570/860/1423#:~:text=O%20parto%20transp%C3%A9lvico%20ocorre%20de,ocorra%20o%20nascimento(1) https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/download/570/860/1423#:~:text=O%20parto%20transp%C3%A9lvico%20ocorre%20de,ocorra%20o%20nascimento(1) https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/download/570/860/1423#:~:text=O%20parto%20transp%C3%A9lvico%20ocorre%20de,ocorra%20o%20nascimento(1) Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 produção ocorrem na puberdade e os níveis mais baixos ocorrem na infância e na velhice. SS/ SI= 1 A cabeça e o tronco são proporcionalmente grandes ao nascer, e essa proporção vai reduzindo com o alongamento dos membros, durante a puberdade. Proporção entre o segmento superior (SS= diferença entre estatura e o segmento inferior) e o segmento inferior (SI= medida desde a sínfise púbica até o chão) é uma característica marcante do desenvolvimento infantil. Relação SS/SI NORMAL ● nascimento = 1,7 ● 3 anos de idade = 1,3 ● 8 e 10 anos = 1 ● MENINO DO CASO ESTÁ PROPORCIONAL POIS ESTAVA = 1 Relação SS/SI ANORMAL (patologia do esqueleto possivelmente presente) ● relação SS/SI diminuída = encurtamento da coluna ● relação SS/SI aumentada = encurtamento dos membros inferiores ○ Ex: micromelia (micromelia rizomélica = comprometimento das raízes dos membros; micromelia mesomélica ou acromélica – das extremidades dos membros). sms-3712-2317.pdf (bvsalud.org) (pág 27) 1- Compreender a fisiologia do crescimento após o nascimento bjetivo - Documentos Google REGULAÇÃO HORMONAL DO CRESCIMENTO. O eixo GH-sistema IGF constitui a via que a maioria dos fatores que atuam no crescimento exercem sua ação. O GH é produzido na hipófise anterior e sua secreção ocorre em pulsos, principalmente no início das fases III e IV do sono, com meia-vida de aproximadamente 20 minutos. A amplitude dos pulsos de GH secretada variam com a idade, aumentando durante a puberdade, período em que ocorre a maior secreção deste hormônio, e decaindo na vida adulta para concentrações semelhantes às de indivíduos pré-púberes. A secreção hipofisária de GH tem controle hipotalâmico, exercido pelo GHRH (hormônio liberador do GH) e a grelina que estimulam a secreção de GH atuando mediante receptores específicos acoplados à proteína G, enquanto a somatostatina exerce ação inibitória. A tiroxina (T4), o glucagon, os esteróides sexuais, a dopamina, a hipoglicemia e alguns hexapeptídeos sintéticos (GH releasing peptides [GHRPs]) estimulam a secreção de GH, atuando no hipotálamo e/ou na hipófise. O GH exerce suas ações mediante receptor específico (GHR), membro da família dos receptores de citocinas. O GHR apresenta domínio extracelular, porção transmembrânica e domínio citoplasmático. O GHR sofre alterações conformacionais após a sua ligação com o GH, a fim de permitir a transfosforilação dos receptores e das proteínas responsáveis pela sinalização intracelular. A transmissão do sinal ocorre mediante a ativação e a fosforilação da enzima JAK2 (Janus kinase 2) e de resíduos do domínio intracelular do GHR, que resulta engajamento de proteínas de sinalização intracelular, incluindo os STAT (signal transducters and activators of transcription) -1, -3 e -5, e componentes da via das MAP (mitogen-activated protein) quinases. A fosforilação do STAT-5 é importante nas ações do GH, pois participa da regulação da secreção do IGF-1 e da IGFBP-3. https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://docs.google.com/document/d/1Q2hinLw-5s1wAAQklFp98OrWHiwfclfXy3yt6AVjIAY/edit Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 A clivagem da porção extracelular do GHR origina uma proteína, com alta especificidade para o GH, denominada GHBP, cujo papel é descrito tanto como estimulador, quanto inibidor. SISTEMA IGF Os IGFs (IGF-1 e IGF-2) são fatores de crescimento peptídeos que têm atividade sobre o metabolismo intermediário, a proliferação, o crescimento e a diferenciação celular. Os IGFs são produzidos na maioria dos órgãos e dos tecidos do organismo, principalmente no fígado. Sua secreção ocorre à medida que são produzidos, não existindo um órgão de armazenamento. Os IGFs exercem suas ações mediante interação com dois diferentes receptores denominados receptoresde IGF tipo 1 (IGF-1R) e tipo 2 (IGF-2R). ● O IGF-1R, apresenta estrutura similar à do receptor da insulina. A maioria das ações conhecidas dos IGFs é mediada via IGF-1R, não sendo ainda claro o papel fisiológico do IGF-2R. ● IGF-2R é estrutural distinto do IGF-1R e parece ser idêntico ao receptor de manose-6-fosfato. ● Recentemente, demonstrou-se que determinados polimorfismos do gene do IGF-2R estão associados à menor crescimento nos primeiros anos de vida. Os IGFs podem ainda interagir, com menor afinidade, com os receptores de insulina (IR). A semelhança estrutural entre o IGF-1R e o IR permite que receptores híbridos compostos por um hemi-IGF-1R e um hemi-IR sejam formados em células que expressam os dois receptores. Estes receptores híbridos apresentam afinidade pelos IGFs comparável ao IGF-1R e afinidade cerca de 15 a 50 vezes menor pela insulina. REGULAÇÃO DA SÍNTESE DOS IGFS O GH é um dos principais promotores da produção de IGF-1 na vida pós-natal. Entretanto, o estado nutricional e o aporte protéico-calórico também desempenham papel relevante, principalmente nos primeiros anos de vida. A concentração de IGF-1, baixa ao nascimento, eleva-se lenta e gradualmente durante a infância, apresenta pico significativo durante a puberdade e volta a cair na idade adulta, estabilizando-se em patamares superiores aos observados na infância. Os hormônios tireóideos também participam desta regulação ao aumentar a ligação hepática do GH e consequentemente a síntese de IGF-1. A ação estimuladora do GH sobre a secreção do IGF-2 é discreta. As concentrações aumentam significativamente no primeiro ano de vida, apresentando discreto aumento durante as etapas seguintes do desenvolvimento, atingindo valores mais elevados na vida adulta. COMPLEXO TERNÁRIO E ALS A maioria dos IGFs é encontrada em circulação como integrante de um complexo ternário formado por uma proteína transportadora (IGFBP-3) e uma subunidade protéica ácido-lábil (ALS). Neste complexo, encontram-se 85% a 90% dos IGFs circulantes. Por causa do seu peso molecular, o complexo IGF-1GFBP-3-ALS não transpõe a barreira endotelial e funciona como reservatório circulante, aumentando a vida média dos IGFs de 10 minutos, em sua forma livre, para 15 horas. IGFBPs Os IGFs associam-se à família de proteínas transportadoras denominadas IGFBPs. IGFBP-1, IGFBP-2, IGFBP-3, IGFBP-4, IGFBP-5 e IGFBP-6. Todas apresentam elevado grau de especificidade e de afinidade para IGFs, afinidade esta semelhante para o IGF-1 e IGF-2, Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 ● Com exceção da IGFBP-2 e IGFBP-6, que apresentam afinidade maior para o IGF-2. IGFBP-3 ● IGFBP mais abundante na circulação ● Apresenta níveis circulantes constantes e não apresenta variação circadiana. ● Seu principal sítio produtor é o fígado, sendo secretada em outros órgãos e tecidos do organismo. ● Tem concentrações baixas ao nascer e aumentam gradualmente durante a infância, atingindo níveis máximos na puberdade ● Guardam estreita correlação com as concentrações de GH e de IGF-1. IGFBP-1 ● Atravessa a barreira endotelial intacta, em processo dependente de insulina ● A vida média do IGF-1, quando associada às IGFBPs-1, aumenta de 10 minutos para cerca de 25 a 30 minutos. ● As concentrações são mais elevadas ao nascimento e diminuem com a idade durante a infância e a adolescência. ● As concentrações de IGFBP-1 apresentam marcada variação ao longo do dia, mostrando correlação inversa com a insulinemia; ○ Podem ser expressas em poucos minutos após as refeições e elevam-se com o jejum noturno, atingindo valores cerca de dez vezes mais elevados ao final da noite. ○ Embora a insulina seja o principal regulador da secreção da IGFBP-1, o glucagon e o cortisol estimulam sua secreção em situações de insulinemia controlada ou hipoinsulinismo. ● Acredita-se que a IGFBP-1 possa participar da modulação da homeostase da glicose mediante rápidas modificações da biodisponibilidade do IGF-1, sendo observada correlação direta entre os níveis de glicemia pós-prandial e as concentrações de IGFBP-1 determinadas previamente à ingestão alimentar. IGFBP-2 ● Segunda mais abundante ● Os níveis circulantes são estáveis durante o dia, não apresentando flutuações circadianas. ● Concentrações elevadas são descritas em pacientes com hipopituitarismo. ● A insulina e o cortisol parecem exercer efeito inibidor sobre a secreção da IGFBP-2 ● Também é capaz de transpor a barreira endotelial intacta e não é estimulada pela insulina. IGFBP-4 ● Atravessa o endotélio vascular intacto em processo não influenciado pela insulina ● A regulação é célula-específica, a vitamina D e o paratormônio (PTH) são capazes de aumentar sua secreção. IGFBP-5 ● Maior afinidade pelo IGF-1 e pelo IGF-2, sendo a IGFBP mais abundante no tecido ósseo. ● O GH é o principal regulador da IGFBP-5, ação esta que independe do IGF-1. ● Vários tecidos apresentam expressão mais elevada que o fígado, sendo o rim o órgão onde esta expressão é maior. IGFBP-6 ● Elevada afinidade pela IGF-2 ● IGFBP-6 e a IGFBP-2 constituem as duas IGFBPs mais abundantes no líquor cefalorraquidiano A PUBERDADE E O EIXO GH-SISTEMA IGF Durante a puberdade, a elevação das concentrações dos esteróides sexuais Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 acompanha-se de aumento da velocidade de crescimento, que ocorre mais precocemente nas meninas e mais tardiamente nos meninos, como consequência da estimulação do eixo GH-sistema IGF. Após a puberdade, apesar da persistência de concentrações elevadas de esteróides sexuais, a secreção de GH gradualmente retorna a patamares mais baixos, sugerindo a participação de outros mecanismos reguladores da secreção de GH. Durante a puberdade ocorre elevação das concentrações de IGFBP-3, IGFBP-5 e ALS associada à diminuição das concentrações de IGFBP-1. As elevações das concentrações de IGFBP-3, IGFBP-5 e ALS podem ser explicadas pela elevação das concentrações de GH e IGF-1 observadas neste período, enquanto a diminuição das concentrações de IGFBP-1 ocorreria em virtude do aumento da insulinemia conseqüente à resistência insulínica observada durante a puberdade. SciELO - Brasil - Fisiologia do eixo GH-sistema IGF Fisiologia do eixo GH-sistema IGF Regulação endócrina do crescimento Na fase pós-natal, o hormônio do crescimento (GH) estimula o crescimento por sua ação direta na diferenciação celular, na placa de crescimento e no hepatócito, onde aumenta a secreção de fator de crescimento insulina-símile (IGF-1). O IGF-1, secretado pelos hepatócitos, tem ação específica na expansão e hipertrofia da placa epifisária, e é transportado por uma proteína carreadora (IGFBP3), a qual tem a função de aumentar a meia-vida plasmática dos IGF. Os hormônios tireoidianos são necessários para o crescimento desde a infância, por sua ação de estímulo à produção e secreção de GH, síntese de IGF-1 e ação direta sobre a placa epifisária. Na fase inicial da puberdade, além da elevação dos níveis séricos dos esteróides sexuais, há um aumento na frequência e na amplitude dos pulsos de GH, o que aumenta a produção de IGF-1 pelo fígado. Age, também, em outros órgãos, como musculatura cardíaca, diafragma, adipócitos e sistema hematopoético, adequando esses órgãos às novas necessidades impostas pelo crescimento. Durante a puberdade, em ambos os sexos, os esteróides sexuais, principalmente os estrógenos, são essenciais para acelerar o crescimento por meio da ação em receptores específicos da placa epifisária, promovendo crescimento e decretando o fechamento das epífises. O crescimento na adolescência é desproporcional, iniciando-se, primeiramente, pelas extremidades distais, o que dá ao adolescente um aspecto peculiarnessa fase. Após o crescimento dos pés e mãos, ocorre o crescimento das extremidades proximais e, por último, o do tronco, retomando a harmonia e a proporcionalidade. Hormônio do Crescimento (GH - Somatotrofina ou hormônio somatotrófico). Eixo hipotalâmico hipofisário hepático Transporte de GH ➔ Dissolvidos no plasma ➔ Ligados a proteína GHBP (globulina locadora de GH). Essa proteína aumenta o tempo de meia-vida (+ 12 minutos), que antes seria só 20 min. Então diminui a depuração renal. ➔ Na célula-alvo existe um receptor com dois domínios: ◆ Extracelular: GH ◆ Intracelular: JAK/START Essa JAC/START fosforoliza para a célula realizar transcrição. https://www.scielo.br/j/abem/a/X9gLGyf37NqThWKWsNr4jzk/#:~:text=O%20crescimento%20humano%20pode%20ser,dos%204%20anos%20de%20idade. https://www.scielo.br/j/abem/a/X9gLGyf37NqThWKWsNr4jzk/#:~:text=O%20crescimento%20humano%20pode%20ser,dos%204%20anos%20de%20idade. Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 2- Entender o processo avaliativo do crescimento (velocidade de crescimento, altura alvo (qual cálculo), desvio padrão (escore Z), percentil porque não é mais utilizado, idade óssea, altura final CRESCIMENTO Inicia-se desde a concepção e termina ao final da adolescência, tem períodos variáveis de velocidade, que estão relacionados com maior ou menor ação hormonal nas placas de crescimento epifisário. O acompanhamento do crescimento físico e das variações da velocidade de crescimento (VC) por meio de gráficos específicos traz informações relevantes acerca da saúde individual e populacional, sendo um importante indicador de saúde. FATORES QUE INTERFEREM NO CRESCIMENTO 1) Fatores extrínsecos podem influenciar negativamente o crescimento. ● Agravos físicos e emocionais (privação afetiva) ● Falta de acesso a macro e micronutrientes equilibrados na alimentação ● Sedentarismo 2) Fator intrínseco mais determinante da estatura final é a carga genética familiar (estimada por meio do cálculo do alvo parental). VELOCIDADE DO CRESCIMENTO Quantidade que uma criança deve crescer em determinado período e expresso em cm /ano. O cálculo da velocidade de crescimento é efetuado com 2 medidas. Pode ser determinada semestralmente ou de preferência por 1 ano, evitando-se períodos curtos de avaliação. Quando calculada em períodos curtos, fazer proporção: ● Ex: criança que cresceu 2,5 cm, em 4 meses, equivale dizer que ela vai crescer 7,5 cm ao ano, caso ela se mantenha no mesmo ritmo (REGRA DE 3) https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/s ms-3712/sms-3712-2317.pdf (pag 18) A média de velocidade de crescimento de acordo com a idade da criança é: ● Fase intrauterina, a VC é muito alta (1 a 1,5 cm/semana) https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 ● Após o nascimento = desaceleração gradual. ● 1º ano de vida = a criança cresce 25 cm ● 2º ano de vida = Cresce 15 cm ● Entre o 3º ano e o início da puberdade = crescimento constante, entre 5 e 7 cm/ano. ● Na puberdade = novamente uma aceleração durante um período de 2 a 3 anos (VC de 10 cm/ano) ○ Meninas = 8 a 10 centímetros ao ano ○ Meninos = 10 a 12 centímetros ao ano ● Fase final da puberdade = desaceleração abrupta com VC entre 1 e 1,5 cm/ano. (Segundo o Tratado de Ped) ALTURA ALV0 (alvo genético) Depende de uma herança poligênica, porém correlaciona-se com a estatura dos pais. Critério para se avaliar se o percentil de crescimento que a criança está crescendo, é ou não o esperado para ela, com base na altura de seus pais. Considerar um DP de 5. O 13 cm representam a diferença média de altura entre homens e mulheres O resultado desse cálculo indica o canal de crescimento da família. ● Considera-se normal uma variação de ± 5 cm. Por exemplo: se uma menina tem uma mãe com altura de 160 cm e um pai com altura de 173 cm, a altura-alvo para ela será de 160 cm, com uma variação entre 155-165 cm. Crescimento - SBP https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/s ms-3712/sms-3712-2317.pdf (pág 20) PERCENTIL São 100 partes para ter noção de quanto uma determinada criança tem de altura e peso Na classificação em percentis os dados são ordenados de maneira hierárquica por seus valores absolutos, do menor para o maior. O percentil atribuído a cada valor corresponde à posição relativa que o mesmo ocupa na sequência de valores observados, o que corresponde à proporção de indivíduos normais, do mesmo sexo e idade, que apresentam valores antropométricos menores. Nas curvas e nas tabelas habitualmente são apresentados os valores correspondentes aos percentis: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/noticias/nid/crescimento/ https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 Percentil 50 = média entre as pessoas avaliadas (quantidade maior de crianças avaliadas está nessa posição) Ex - estatura igual ao valor do p3 (percentil 3), isto significará que apenas 3% das crianças do mesmo sexo e com a sua idade são mais baixas do que ela e, portanto, que 97% têm estatura maior. A classificação em percentil traz a noção de risco, pois quanto mais próximo dos extremos da distribuição for o valor observado, menos frequentes são os indivíduos normais portadores daquele valor. DESVIO PADRÃO - ESCORE Z Os dados também são ordenados de maneira hierárquica, do menor para o maior, com base na distância em que os mesmos se situam acima ou abaixo da média. Esta distância é calculada em unidades de desvios padrão. ● Indica o quanto uma medida se afasta da média em termos de desvios padrão. Nas curvas e tabelas habitualmente são apresentados os valores correspondentes: ● Espera-se que a maioria dos dados estejam na posição central (no zero) Quanto mais afastado da média, em escores z, for um valor observado, menor será a sua probabilidade de ser normal. Valor apresentado pela pessoa - valor da média correspondente ao seu grupo de idade e sexo / dividido pelo valor do desvio padrão do mesmo grupo. EXEMPLO DO CÁLCULO Método utilizado para avaliar e acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança e adolescente, através de tabelas de ● Peso para idade ● Peso para estatura ● Estatura para idade ● IMC para idade (dos 5 a 19 anos) Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 Escore-z zero é igual ao percentil 50, e são equivalentes à média do parâmetro analisado. O Escore-Z é mais específico, mais criterioso ao classificar uma criança fora dos valores de normalidade (tem risco de dar falso negativo). Já o percentil, classifica como fora da normalidade crianças que pelo escore Z estariam adequadas (risco de dar falso positivo). A OMS e o Ministério da Saúde propõem as seguintes classificações para crianças até 5 anos: Os mesmos critérios valem para as crianças de 5 apara a idade valem os mesmos pontos de corte e a mesma nomenclatura de classificação de estatura utilizada para a estatura dos menores de 5 anos. https://youtu.be/ipCpMVaci8Q?si=uTe3hQZjDPGK3Ap7 Perguntas frequentes sobre antropometria e avaliação de estado nutricional » (usp.br) IDADE ÓSSEA Método diagnóstico auxiliar na avaliação dos distúrbios do crescimento e da puberdade. https://youtu.be/ipCpMVaci8Q?si=uTe3hQZjDPGK3Ap7 https://www.fsp.usp.br/lanpop/faq/ https://www.fsp.usp.br/lanpop/faq/ Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 Determinada pela comparação dos centros de ossificação com padrões cronológicos de crianças normais. A mão esquerda e punho esquerdo ficam convencionados como padrão para a avaliação, pois a maioria da população é destra e a mão esquerda é menos sujeita a lesões e agressões. COMO É REALIZADA? Mão deve estar alinhada com o punho para evitar erros de interpretações. O dedo polegar faça um ângulo de 30º com o dedo indicador. O aparelho de raio X deve estar posicionado na altura do III metacarpo e a 75 cm da mão. Feita por meio da análise do aparecimento de núcleos de ossificação do rádio/ulna, metacarpos/falanges e carpo. MÉTODOS UTILIZADOS Os métodos mais comumente utilizados para avaliação da são: ► Método de Greulich-Pyle Obtido a partir de radiografias de crianças brancas de bom nível socioeconômico de ancestrais da Europa do Norte, na década de 40. As radiografias mostram a IO a cada três meses no 1º ano, a cada seis meses de um até 5 anos, e depois anualmente. Vantagem: método mais fácil e mais rápido, sendo um bom método de triagem. Desvantagem: Baixa precisão, já que não permite análise contínua. Tem uma correlação linear com a idade cronológica (IC), mas, em caso de assincronismo do aparecimento dos núcleos ósseos, pode haver dúvidas. Além disso, podem haver diferenças com outros grupos populacionais. É um método com alto índice de subjetivismo visto que a comparação é feita com radiografias-padrão. ► Método de Tanner-Whitehouse Característica a avaliação de índices de maturação óssea dando peso a cada um deles. A população estudada é a de classe média e baixa de vários centros britânicos da década de 50. Método mais preciso, tem boa correlação com a variação linear da idade cronológica, não sendo prejudicado pelo assincronismo no aparecimento dos núcleos epifisários. Tem uma menor variação entre dois observadores, pois analisam-se 20 núcleos dos ossos da mão esquerda. RELAÇÃO COM A IDADE CRONOLÓGICA O crescimento estatural tem relação com a idade óssea, visto que a menina cresce até atingir uma idade óssea de 15 a 16 anos, e o menino, até uma idade óssea de 17 a 18 anos. Quanto mais atrasada a idade óssea em relação a idade cronológica, maior o período de tempo que a criança terá para crescer antes do fechamento da cartilagem de crescimento. A idade óssea pode ajudar a diferenciar entre as duas causas mais comuns de baixa estatura que são variantes da normalidade: baixa estatura familiar (idade óssea igual a cronológica) ou baixa estatura por atraso constitucional do crescimento com atraso no início da puberdade (idade óssea atrasada em relação à cronológica). MATURAÇÃO ÓSSEA ATRASADA Seguintes situações clínicas: ● Atraso de causa familiar ● Atraso constitucional do crescimento e da puberdade Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 ● Hipotireoidismo ● Hipopituitarismo ● Desnutrição prolongada ● Doenças crônicas ● Doenças de depósito – Mucopolissacaridoses – síndrome de Hurler ● Hipogonadismo ● Doença de Addison ● Uso crônico de corticóide exógeno ou hiperprodução endógena (síndrome de Cushing) MATURAÇÃO ÓSSEA AVANÇADA ● Avanço de causa familiar ● Puberdade precoce central – idiopática, tumores hipotalâmicos/hipofisários Puberdade precoce periférica – carcinomas virilizantes da supra-renal, tumores de ovários e testiculares ● Síndrome adrenogenital (Hiperplasia adrenal congênita) ● Obesidade simples (exógena) associada à estatura elevada ● Adrenarca precoce ● Síndrome de McCune Albright ● Hipertireoidismo *sms-3712-2317.pdf (bvsalud.org) (pag 28) https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/0 21609_Rec_38_IdadeOssea.pdf ALTURA FINAL (PREVISÃO DA ALTURA FINAL - PAF) Altura que a criança pode alcançar| alcançou. Independente da idade cronológica, a estatura final é obtida quando ocorre a fusão completa entre a epífise e a metáfise dos ossos, que corresponde ao estágio final da maturação óssea. Dois métodos são usados para avaliar a PAF. São relativamente adequados em crianças com crescimento normal e não são precisos em crianças com distúrbios de crescimento. 1) Método de Bayley-Pinneau utiliza como referência avaliada através do método de Greulich-Pyle. Tabelas padronizadas são utilizadas para crianças com idade óssea proporcional à idade cronológica em até um ano, com atraso da maturação óssea de mais de um ano ou avanço de mais de um ano. Uma maneira de calcular a PAF é utilizar a fórmula a seguir: Ela utiliza a idade mínima de sete anos para meninos e de seis anos para meninas. Como o método utiliza radiografias padrão, fica um pouco difícil fazer a PAF em intervalos menores de 12 meses. 2) Método de TW2 permite uma avaliação sequencial em períodos menores de 12 meses. Ele utiliza a idade óssea obtida dos índices de maturação dos ossos do rádio, ulna, metacarpo e falanges proximais médias e distais do primeiro, segundo e quinto dedos da mão esquerda, em total de 12 centros de ossificação (RUS). UTILIZA A VARIAÇÃO DA ALTURA EM RELAÇÃO A IDADE ÓSSEA ACIMA E EM MENINAS ALÉM DISSO LEVA EM CONSIDERAÇÃO A MENARCA. É um método mais demorado. Tem boa previsão da altura final em crianças normais. https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/021609_Rec_38_IdadeOssea.pdf https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/021609_Rec_38_IdadeOssea.pdf Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 3- Relacionar os estágios puberais com as modificações corporais e hormonais na adolescência Tratado de Pediatria 4ª edição - Página 387 A puberdade inicia após a reativação de neurônios hipotalâmicos, que secretam o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). A secreção desse resulta na liberação dos hormônios luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH) pela glândula hipófise (adenohipófise). O LH e FSH, estimulam a função ovariana e testicular. FSH, age aumentando as concentrações de estradiol. O LH auxilia na produção de progesterona e androgênios (ex: testosterona) a partir do colesterol. A dopamina, serotonina e melatonina inibem o GnRH. Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 A puberdade feminina inicia-se em média aos 9,7 anos, mais precocemente quando comparada aos meninos (10,9 anos). A primeira manifestação clínica na menina é o aparecimento do broto mamário (telarca) em resposta ao início da produção estrogênica pelos ovários. A menarca é um evento tardio no desenvolvimento puberal. Ocorre cerca de 2 anos após o início da puberdade, ou seja na época de desaceleração do crescimento. O crescimento é limitado em média a 4-6 cm nos 2 ou 3 anos pós-menarca. Os ciclos iniciais da menarca podem apresentar certa irregularidade nos primeiros dois a quatro anos (ciclos anovulatórios). No menino, observa-se como primeira manifestação o aumento de volume testicular atingindo 4 mL ou cm3 (O PACIENTE ESTÁ OK = 4 ml), o que é raramente percebido pelo próprio adolescente. Na prática clínica, a medida do volume testicular e o acompanhamento de seu desenvolvimento são realizados com auxílio de um orquidômetro. Nas jovens, a partir do início da puberdade e por ação dos esteróides sexuais, começam a ocorrer as modificações corporais,as meninas, além do aumento das mamas, começam a apresentar outras mudanças na forma corporal com aumento dos depósitos de gordura na região dos quadris e das mamas. Além da ativação gonadal e do desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, o crescimento na adolescência envolve mudanças na composição corporal e desenvolvimento dos sistemas cardiovascular e circulatório, além das alterações hematológicas (aumento da eritropoiese) e, na fase final do processo, desaceleração e parada do crescimento. No menino, ocorre acentuação do crescimento do diâmetro biacromial (entre os ombros), aumento da massa muscular, da força e da resistência física. A primeira ejaculação ocorre mais tardiamente, quando os testículos atingem 10 a 12 mL de volume, algumas vezes durante o sono (polução noturna). No final da puberdade ocorre alteração no timbre da voz pela ação androgênica (testosterona) na laringe. A ginecomastia é também um evento puberal comum nos meninos. Conceitua-se como o aumento glandular da mama masculina. Deve ser diferenciada da lipomastia ou adipomastia, Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 presente em meninos pré-puberes ou púberes obesos, que é o aumento mamário devido exclusivamente ao aumento do tecido gorduroso (geralmente é bilateral e de consistência amolecida à palpação). ● A ginecomastia ocorre devido a um desequilíbrio na relação hormonal, na qual os androgênios (ação inibidora do crescimento mamário) estão em proporção menor que os estrogênios, que estimulam o tecido mamário. ● A ginecomastia puberal tem pico de incidência por volta dos 13 aos 14 anos, coincidindo com o estágio maturacional G3 de Tanner. ● Desaparece espontaneamente em menos de 1 ano na metade dos casos, dentro de 2 anos em 75% dos casos, e dentro de 3 anos em 90% dos pacientes. Em ambos os sexos, mas de forma mais acentuada nos meninos, a pele se torna mais oleosa, aumenta a produção de suor e pode surgir a acne, também ocorre o crescimento dos pelos axilares. São muitas as diferenças na composição corporal entre ambos os sexos. O ganho de peso dos meninos é consequência do grande crescimento da sua massa muscular, enquanto nas meninas o maior responsável é o ganho do tecido adiposo. Puberdade precoce Ocorre quando o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários acontece antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. No sexo feminino a puberdade precoce central (PPC) tem origem idiopática em 90% dos casos, por ativação precoce do eixo HHO (hipotálamo-hipófise-ovarios), manifestando-se inicialmente pelo desenvolvimento das mamas. No sexo masculino, 70% são de causa orgânica. O desencadeamento da PPC (puberdade precoce central) tem origem genética fundamentada, pois em estudos familiares foi evidenciado que em 1/4 dos casos havia, pelo menos, mais um familiar acometido. As causas secundárias de PPC incluem exposição crônica a esteróides sexuais usados para tratamento de outras doenças e a síndrome de McCune-Albright. Mais recentemente, tem sido estudado o papel dos chamados disruptores endócrinos, substâncias presentes em plásticos, solventes, pesticidas, cosméticos e poluentes industriais que, por sua ação estrogênica ou antiandrogênica, podem causar diversos efeitos na fisiologia neuroendócrina. A puberdade precoce pode ser de origem central, dependente de gonadotrofinas, ou periférica, independente das gonadotrofinas. Para o diagnóstico, o aparecimento dos caracteres sexuais secundários, classificados segundo critérios de Tanner, seguindo a cronologia normal, isto é, aparecimento de mamas nas meninas e aumento do volume testicular nos meninos acima de 4 mL, pode indicar PPC (puberdade precoce central). A dosagem de LH basal, a radiografia de punho e mão não dominantes para avaliação da idade óssea em ambos os sexos e, nas meninas, a ultrassonografia pélvica para avaliação do volume ovariano e uterino e, nos meninos, a dosagem de testosterona, são exames indicados para complementar a avaliação. A ressonância magnética encefálica é útil para o diagnóstico diferencial entre as formas orgânica ou idiopática. A base do tratamento da PPC é o bloqueio da produção de gonadotrofinas com objetivo de estabilizar ou fazer regredir os caracteres sexuais secundários e desacelerar a maturação esquelética para preservar a estatura dentro do alvo familiar. A escolha terapêutica recai sobre os análogos agonistas sintéticos do hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH), que agem na hipófise anterior de forma competitiva ao GnRH endógeno. Atualmente, estão disponíveis em injeções mensais ou trimestrais, e o tratamento, quando mantido até os 11 anos de idade cronológica e 12 anos de idade óssea. Atraso puberal Falta de desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários aos 13 anos de idade nas meninas e Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 14 anos nos meninos, ou seja, ausência de broto mamário e testículo menor que 4 mL, respectivamente. Tem como causa mais comum o atraso constitucional do crescimento e da puberdade (ACCP), condição duas vezes mais frequente nos meninos do que nas meninas, com herança genética com padrão autossômico dominante. Tanto a puberdade quanto a maturação óssea e o crescimento estão atrasados por falta de ativação do eixo HHO (hipotálamo-hipófise-ovários). O diagnóstico será confirmado quando ocorrer o desenvolvimento puberal, pois quando não ocorre espontaneamente, pode se tratar de hipogonadismo. Os exames laboratoriais disponíveis atualmente podem não fazer distinção entre as duas situações. Nos meninos, o hipogonadismo hipogonadotrófico, além da ausência de caracteres sexuais e de desenvolvimento testicular, apresenta baixos níveis séricos de testosterona e concentrações normais ou baixas dos hormônios FSH e LH. Nas meninas, ocorre ausência de desenvolvimento puberal aos 13 anos de idade e baixos níveis de FSH e LH. Lesões infiltrativas, infecciosas e traumas são causas de pan-hipopituitarismo. O uso de análogos do GnRH também induz atraso puberal. A anorexia nervosa é a principal causa em meninas. Quando não estão presentes as causas descritas, a etiologia volta-se para as causas congênitas, avaliando-se a presença ou não de anosmia. O hipogonadismo associado à anosmia ou hiposmia está presente na síndrome de Kallmann, que ocorre por hipoplasia de bulbos olfatórios e defeito de migração dos neurônios GnRH. Heranças ligadas ao X, autossômica dominante e recessiva com penetrância variável têm sido descritas, e a prevalência é cinco vezes maior nos meninos. O diagnóstico é feito por ressonância magnética. Quando não está presente a anosmia, outros genes estão descritos como causadores de hipogonadotrófico. Síndromes genéticas como Prader-Willi e Laurence-Moon têm como apresentação fenotípica o hipogonadismo central. O hipogonadismo hipergonadotrófico pode ter como etiologia doenças que afetam as gônadas ou procedimentos cirúrgicos que afetem os ovários ou testículos. A síndrome de Turner (45,XO), nas meninas, e a síndrome de Klinefelter (47,XXY), nos meninos, são as causas mais frequentes e serão confirmadas por cariótipo. No tratamento do hipogonadismo, nos casos de doenças em que não há possibilidade de tratamento e correção da disfunção que originou o distúrbio hormonal, a reposição hormonal tem por objetivo induzir o desenvolvimento puberal e consequentemente o estirão puberal, a incorporação da massa óssea e a função sexual, além de, se houver possibilidade, garantir a fertilidade. ———————————————————————— Observações adicionais: Nos meninos, o acompanhamento clínico é importante avaliando-se a evolução do volume mamário. As doses vão sendo aumentadas progressivamente ao longo do período médiode 2 anos. Várias formulações estão disponíveis: estrogênio oral (2 mg), esterificado (1,25 mg), efenil estradiol (8 a 10 mg), estrogênio conjugado (0,625 mg), transdérmico e gel. A associação com progesterona pode ser iniciada após os 2 anos de terapia com estrogênio ou quando houver sangramento vaginal. Nas meninas, o acompanhamento clínico é importante avaliando-se a evolução do volume mamário. As doses vão sendo aumentadas progressivamente ao longo do período médio de 2 anos. Várias formulações estão disponíveis: estrogênio oral (2 mg), esterificado (1,25 mg), etinilestradiol (8 a 10 mg), estrogênio conjugado (0,625 mg), transdérmico e gel. A associação com progesterona pode ser iniciada após os 2 anos de terapia com estrogênio ou quando houver sangramento vaginal. Em adolescentes com ACCP que, apesar das orientações adequadas com relação à evolução natural do processo, se encontrem com repercussões emocionais importantes, a indução da puberdade, após os 13 anos nas meninas e 14 anos nos meninos, trará melhora na autoestima e na adequação social, pois a percepção da imagem corporal é de extrema importância para essa fase Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 da vida. A reposição hormonal segue as mesmas doses usadas no hipogonadismo e deve ser mantida por 3 a 6 meses, tempo em que a testosterona leva para ativar o eixo HHO. Há necessidade de controles clínicos e laboratoriais periódicos para avaliar a resposta. https://extensao.cecierj.edu.br/material_didatic o/sau2202/pdf/aula05_leitura01_PuberdadeESuasMud ancasCorporais.pdf https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/do wnload/46276/49930/55415 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_ 11.pdf https://blog.jaleko.com.br/a-fisiologia-do-eixo- hipotalamo-hipofise-ovario-hho/ https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_ 11.pdf 4- Conhecer os principais tipos de baixa estatura e qual JAC se enquadra A grande maioria das causas de baixa estatura durante o crescimento é de origem familiar. A fisiopatologia de baixa estatura pode envolver diversos mecanismos isolados ou a associação entre eles. Baixa estatura idiopática (BEI) Altura mais de 2 desvios padrão abaixo da média, sem sinais de doenças endócrinas ou pediátricas. Crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (PIG) estariam excluídas dessa classificação. Dentro dessa nova classificação de BEI, há duas grandes subdivisões relacionadas ao histórico familiar de baixa estatura e à idade óssea. Baixa estatura familiar -> O alvo genético, baseado na altura dos pais, é abaixo da média da população em geral e a criança apresenta um crescimento dentro do esperado para aquele alvo. Retardo Constitucional do Crescimento e Puberdade -> Está relacionada à idade do início da puberdade, semelhante ao ACCP (atraso constitucional do crescimento). Algumas crianças iniciam a puberdade um pouco mais tardiamente em função de um atraso na idade óssea, mas com uma previsão de estatura adulta dentro do alvo genético. https://extensao.cecierj.edu.br/material_didatico/sau2202/pdf/aula05_leitura01_PuberdadeESuasMudancasCorporais.pdf https://extensao.cecierj.edu.br/material_didatico/sau2202/pdf/aula05_leitura01_PuberdadeESuasMudancasCorporais.pdf https://extensao.cecierj.edu.br/material_didatico/sau2202/pdf/aula05_leitura01_PuberdadeESuasMudancasCorporais.pdf https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/download/46276/49930/55415 https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/download/46276/49930/55415 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_11.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_11.pdf https://blog.jaleko.com.br/a-fisiologia-do-eixo-hipotalamo-hipofise-ovario-hho/ https://blog.jaleko.com.br/a-fisiologia-do-eixo-hipotalamo-hipofise-ovario-hho/ https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_11.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_11.pdf Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 CAUSAS PATOLÓGICAS Baixa estatura desproporcional São as displasias ósseas – acondroplasia, hipocondroplasia, displasias metafisárias e epifisárias. Nessas crianças, por uma alteração genética, a cartilagem de crescimento não é normal e o crescimento dos ossos longos está prejudicado. Como o crescimento vertebral não está afetado, a relação entre corpo e membros é desproporcional. Por isso, no exame físico de crianças com baixa estatura, é importante avaliar as proporções corporais (relação segmento superior/segmento inferior). Pode haver história familiar ou não. O diagnóstico é radiológico. Baixa estatura proporcional De origem pré-natal Pequenos para a idade gestacional (PIG)/retardo do crescimento intrauterino (RCIU). Este diagnóstico é feito no momento do nascimento por meio da correlação entre a idade gestacional e o peso e/ou comprimento de nascimento. 10% das crianças que nascem PIG não fazem uma recuperação do crescimento até o 2º ano de vida (catch up). Além de risco maior de baixa estatura, as crianças PIG apresentam um risco maior de apresentar adrenarca precoce (produção de esteróides sexuais pela glândula suprarrenal) e, na vida adulta, a síndrome plurimetabólica e hipertensão arterial. Síndromes genéticas São exemplos: síndrome de Russel-Silver, síndrome de Noonan, síndrome de Seckel e síndrome de Bloom. Síndrome de Russel-Silver Patologia de origem genética que cursa com Retardo do crescimento intrauterino (RCIU) desde o 1º trimestre de gestação com estigmas genéticos específicos, além da baixa estatura de origem pré-natal, fácies triangular e assimetria de membros inferiores. Síndromes cromossômicas São exemplos: síndrome de Turner e síndrome de Down. Síndrome de Turner Esta é uma das principais causas de baixa estatura em meninas. Com incidência de 1 para cada 2.000 nativivos, são meninas com discreta baixa estatura ao nascimento que apresentam estigmas característicos (pescoço alado (excesso de pele no trapézio), baixa implantação de orelhas e cabelo, cubitus valgo (joelhos juntos), hipertelorismo mamário (mamilos afastados), 4º metacarpo curto, palato ogival) e, na sua grande maioria, apresentam insuficiência ovariana. O diagnóstico precoce é importante, pois essas meninas devem ser avaliadas para problemas frequentes na síndrome de Turner, como alterações cardíacas, renais, metabólicas, hipotireoidismo, doença celíaca, hipertensão arterial e hipercolesterolemia. Além disso, essas crianças respondem bem ao uso de hormônio do crescimento humano recombinante (rhGH). Tifanny Kauri Afya - FCM - P3 Baixa estatura proporcional de origem pós-natal Doenças crônicas Por exemplo, doença renal, doença hematológica, doença respiratória, doença cardíaca, doença gastrointestinal, doenças reumatológicas e desnutrição. Psicossocial Crianças com privação psicoafetiva podem ter comprometimento em seu crescimento mesmo quando expostas a uma dieta ideal. Nesses casos, o quadro clínico é muito semelhante à deficiência de hormônio de crescimento (DGH), mas pode-se ver uma velocidade de crescimento quando o ambiente social é alterado. Endocrinopatias Hipotireoidismo, síndrome de Cushing, diabete melito, hipogonadismo e DGH. Deficiência do Hormônio do Crescimento (DGH) A DGH ocorre em 1:4.000 crianças e, de todos os usos aprovados para rhGH, é o que apresenta melhor resposta. O quadro clínico depende de três fatores: se é congênito ou adquirido, o grau de deficiência (total ou parcial) e se é isolado ou associado a outras deficiências hipofisárias. Nas formas mais graves, em que o defeito é congênito, o diagnóstico pode ser feito ao nascimento por um quadro de micropênis, icterícia prolongada e história de hipoglicemia. O tamanho de nascimento é normal, apesar de ser um pouco abaixo da média, e pode ou não apresentar diminuiçãona velocidade de crescimento no 1º ano de vida. Nas formas mais leves nas quais a deficiência é parcial e isolada, as crianças apresentam somente uma diminuição na velocidade de crescimento com atraso na idade óssea. Os níveis séricos de IGF-I e IGFBP-3 estão diminuídos. https://www.spsp.org.br/PDF/DC_Endocrino_15set.p df Pág 33 https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/s ms-3712/sms-3712-2317.pdf https://www.sbemsc.org.br/wp-content/uploads/202 1/06/09.10-Baixa-estatura-quando-se-preocupar-e- avaliar-Marilza.pdf http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_a rtigo.asp?id=560 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/201 6/09/CrescimentoVe8.pdf Pág 7 https://jundiai.sp.gov.br/saude/wp-content/uploa ds/sites/17/2023/07/baixa-estatura.pdf EXAMES PARA ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO *sms-3712-2317.pdf (bvsalud.org) (pag 30) https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf https://www.sbemsc.org.br/wp-content/uploads/2021/06/09.10-Baixa-estatura-quando-se-preocupar-e-avaliar-Marilza.pdf https://www.sbemsc.org.br/wp-content/uploads/2021/06/09.10-Baixa-estatura-quando-se-preocupar-e-avaliar-Marilza.pdf https://www.sbemsc.org.br/wp-content/uploads/2021/06/09.10-Baixa-estatura-quando-se-preocupar-e-avaliar-Marilza.pdf http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=560 http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=560 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/09/CrescimentoVe8.pdf https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/09/CrescimentoVe8.pdf https://jundiai.sp.gov.br/saude/wp-content/uploads/sites/17/2023/07/baixa-estatura.pdf https://jundiai.sp.gov.br/saude/wp-content/uploads/sites/17/2023/07/baixa-estatura.pdf https://docs.bvsalud.org/biblioref/sms-sp/2011/sms-3712/sms-3712-2317.pdf