Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Título do sermão: A extraordinária graça em nós Texto bíblico base: Lucas 7:36-50 Nós, como cristãos, muitas vezes caímos em um erro sutil, mas profundo: limitamos a graça e poder de Deus. Pensamos que há pessoas que não podem ser transformadas, que estão longe demais para serem restauradas, que nunca se renderão aos pés do Senhor. Contudo, quando olhamos para a nossa própria vida, vemos que nós mesmos fomos alcançados pela graça de forma extraordinária. Estávamos presos em nossos pecados, na religiosidade, em nossas fraquezas e limitações, mas Senhor nos resgatou. Se Ele nos alcançou, quem pode dizer que há alguém inalcançável? A graça é maior do que os nossos pecados, maior que os abismos da religiosidade e maior que qualquer condenação. Hoje, vamos refletir sobre como essa graça extraordinária atua em nós e que ela produz em nossa vida cristã. INTRODUÇÃO: A graça é extraordinária e pode alcançar qualquer pessoa. A Conexão entre Fariseus e Jesus Para entender por que um fariseu convidaria Jesus para jantar, mesmo com as notáveis diferenças entre eles, é crucial examinar contexto histórico e social do primeiro século. A relação entre Jesus e os fariseus era complexa e não era de pura inimizade. Havia, na verdade, uma intersecção significativa. Os fariseus, cujo nome significa "separados", eram um grupo religioso judeu que se esforçava para seguir rigorosamente a Lei de Moisés e as tradições orais. Eles eram, em sua maioria, leigos e artesãos, ao contrário dos sacerdotes saduceus, que eram a aristocracia do templo. Por causa de seu foco no estudo da Lei e na sua aplicação prática para a vida cotidiana, os fariseus tinham grande influência sobre povo comum. Possíveis Motivos para Convite Com base nesse contexto, podemos considerar algumas interpretações históricas para convite do fariseu Simão: 1. Curiosidade Intelectual e Teológica Muitos fariseus eram genuinamente interessados em debater e entenderas interpretações das Escrituras. Eles eram conhecidos por seus debates rigorosos. Jesus, com seus ensinamentos radicais e sua forma única de interpretar a Lei, seria uma figura de grande interesse para eles. Simão pode ter convidado Jesus para sua casa não por amizade, mas para ter a chance de ouvir e examinar de perto as ideias de Jesus, para entender de onde vinham seus ensinamentos. 2. Testar e Observar Jesus convite pode ter sido uma armadilha ou um teste. A atitude do fariseu durante a refeição, quando ele não oferece a Jesus os gestos de hospitalidade esperados - como água para os pés e um beijo de saudação sugere que ele estava avaliando Jesus, talvez buscando uma falha para criticá-lo. Quando a pecadora chega e unge os pés de Jesus, fariseu julga Jesus em seu coração, pensando: "Se este homem fosse profeta, saberia quem é e que tipo de mulher é esta que lhe está tocando, pois é uma pecadora" (Lucas 7:39). Isso reforça a ideia de que convite era uma oportunidade para julgar a autenticidade de Jesus. 3. Simpatia e Respeito Embora a maioria das narrativas evangélicas destaque os conflitos entre Jesus e os fariseus, havia fariseus que eram abertos a Jesus. Nicodemos (João 3) e José de Arimateia (Lucas 23:50-51) são exemplos de fariseus que respeitavam ou até seguiam Jesus. É possível que Simão estivesse em um meio-termo, interessado em Jesus, mas ainda preso às tradições sociais e religiosas. convite poderia ser um sinal de respeito, uma tentativa de aproximação, mesmo que ele não compreendesse completamente a mensagem de Jesus. 4. Oportunidade de Discipulado Jesus, por sua vez, aproveitava esses convites para ensinar. Ele não recusava convite para comer com fariseus, que mostra que estava disposto a ir ao encontro deles para apresentar seu Reino. Ele usava as refeições como uma forma de discipulado e evangelismo. convite de Simão, mesmo que motivado por ceticismo ou curiosidade, se tornou uma oportunidade para Jesus ensinar uma das lições mais profundas sobre perdão e amor. Em resumo, convite de Simão não era um ato de pura amizade, mas um complexo evento social e religioso. A interpretação mais provável é que a curiosidade intelectual e a tentativa de testar e avaliar Jesus foramos principais motivos. Simão estava interessado, mas não convencido, e sua atitude durante a refeição demonstra a distância entre sua compreensão da Lei e a misericórdia de Deus que Jesus personificava. O texto de Lucas 7:36-50 nos coloca diante de um cenário impactante: Jesus é convidado por um fariseu chamado Simão para uma refeição em sua casa. Naquele tempo, receber alguém para comer era mais do que um gesto de cortesia: era um ato de honra. Entretanto, Simão não cumpriu com os gestos básicos de hospitalidade da época (beijo de saudação, água para os pés, unção com óleo). Isso revelava uma postura fria e desrespeitosa. Os fariseus, líderes religiosos respeitados, tinham como característica a rigidez com a Lei. Eles buscavam santidade por meio de regras, mas, ao mesmo tempo, construíram um abismo entre si e os outros. Criaram muros espirituais que impediam de reconhecer a presença de Jesus. Para eles, a religião se tornava mais importante do que relacionamento com Deus. Os fariseus nutriam forte antagonismo com Senhor Jesus. Eles criaram um abismo, construíram um muro no coração que os impediam de reconhecer caminho, a verdade a vida. Elesatavam fardos pesados nos outros, que nem eles eram capazes de suportar(Mateus 23:4). texto bíblico mostra que certo fariseu, chamado Simão,aparentemente rompe essa barreira e convida Jesus para uma refeição em suacasa.Se o relato fosse ali interrompido estaria ótimo, porém texto prossegue. Umamulher pecadora ultrapassa a entrada da porta da casa e se prostra aos pés deJesus. É nesse contexto que surge uma mulher conhecida como pecadora. A Bíblia não revela seu nome, porque sua identidade é marcada pelo estigma do pecado. Na cultura judaica, mulheres assim eram excluídas, vistas como indignas. No entanto, essa mulher entra na casa de Simão, se lança aos pés de Jesus e realiza gestos de quebrantamento: lágrimas, beijos e unção com perfume precioso. que para os fariseus era um escândalo, para Jesus era adoração. Esse contraste nos mostra duas posturas diante da graça: orgulhoreligioso que a rejeita e a humildade arrependida que a recebe. Ao receber a adoração daquela mulher, Senhor Jesus é censurado pelo anfitrião. fariseu não conseguia admitir que Jesus fosse tocado por uma mulherde reprovável reputação. Uma importante lição surge: não adianta convidar Jesuspara sua casa, se você não dá total liberdade a Ele. É necessária inteireza perceber que fariseu estava pensando, Senhor propôs uma breve parábolasobre extraordinária graça: nos versículos 41-42? Necessária atenção total para a expressão "não tendo nenhum dos dois com oque pagar". Eis a nossa relação com a graça de Deus. Alguns tiveram grandeprivilégio de nascer em berço evangélico e desfrutar dos melhores ensinos. Pela conduta de vida, são os que devem menos. Outros, cresceram nas piores práticasda vida e deixaram um rastro de pecado, são os que devem mais. Há entre elesuma semelhança: ninguém consegue pagar a dívida. Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23). Deus, portanto nos amar, entregou seu único Filho para pagar a dívida, essa que por nossosméritos é impagável. Somos incapazes de autorredenção. Todo mérito é do Eterno,foi Ele quem nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para reino doseu Filho amado (Colossenses 1:13). Jesus, portanto, ao interagir com fariseu coloca aquela mulher em local dedestaque ("voltando-se para a mulher" - v.44) e a usa como um exemplo doalcance da extraordinária graça. 1. PONTOS DO SERMÃO Olhar essa história é responder à pergunta: que a extraordinária graça gera em nós como discípulos, como jovens? I. A extraordinária graça gera visão (v.44 "vês essa mulher?"). Jesus não estáarguindo acerca da capacidade oftalmológica do fariseu. Não se trata dodiscernimento de cores e contrastes, mas sim da necessidade de ver ser humanocom tal. Vivemos numa sociedade de visão embaçada. Inventamos telescópioscapazes de enxergar outros astros da amplidão, mas não conseguimos enxergar ovizinho.(verso 44 "Vês esta mulher?") Simão enxergava apenas rótulo: "pecadora". Mas Jesus via um coração arrependido. A graça muda nossa forma de enxergar. Ela nos dá discernimento espiritual, abre os nossos olhos para vermos pessoas não apenas pelo passado, mas pelo que podem se tornar em Cristo. Exemplo: Eliseu orou para que servo tivesse os olhos espirituais abertos (2 Reis 6:17). 1 Samuel 16:7: "O homem vê exterior, mas Senhor vê coração." Aplicação: Quantas vezes julgamos pelas aparências? A graça nos desafia a enxergar como Deus enxerga. Onde vemos fracasso, Deus vê futuro. Onde vemos pecados, Deus vê oportunidade de restauração. Em 2 Reis 6:17, Eliseu orou: "Senhor, abre os olhos dele para que veja". Existe oque vemos com os olhos naturais, mas também com os da fé. A espiritualidadecristã desenvolve em nós a aptidão de enxergar as pessoas não apenas pelo quesão, mas pelo que podem ser. Aprendemos com essa mulher que só podemos ver -de fato a quem nós amamos. II. A extraordinária graça gera afeto (v.45 "ela, porém, desde que entrei, nãovdeixou de me beijar os pés"). amor de muitos está esfriado (Mateus 24:12). Precisamos de ternura, é urgente estabelecer relacionamentos saudáveis. Não sepode afirmar amar sem a capacidade de demonstrar de forma prática. amor não é uma teoria. Simão convidou Jesus, mas tratou com indiferença. Já a mulher demonstrou amor intenso, lágrimas de arrependimento e gratidão sincera. A graça não apenas muda nossa visão, mas aquece nosso coração. Ela gera afeto, ternura e amor que transbordam. Romanos 12:10: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros." Mateus 24:12: "Por se multiplicar a iniquidade, amor se esfriará de quase todos." Aplicação: Em tempos em que amor tem esfriado, a igreja é chamada a ser um lugar de afeto. Onde houver graça, haverá cuidado, compaixão e gestos de amor. amor não é teoria; é prática diária.Que Deus renove em nossos lares dulçor.Em Romanos 12:11, apóstolo Paulo nos alerta para que não sejamos preguiçososquanto ao zelo. Pelo contrário, devemos ser fervorosos de Espírito, servindo aoSenhor. Cuidar é uma demonstração de afeto. Gary Chapman, por exemplo, marcouhistória ao elencar cinco linguagens do amor. Precisamos entender que amor éafeto e precisa ser demonstrado na linguagem que outro possa sentir. III. A extraordinária graça gera partilha (v.46 "esta, com perfume, ungiu os meuspés). fariseu não partilhou bálsamo sobre Jesus, a mulher por sua vez -partilhou que tinha. perfume que a mulher derramou era extremamente valioso. Ela deu a Jesus que tinha de mais precioso. A graça gera em nós generosidade. Quem é alcançado pela graça não vive acumulando apenas para si, mas compartilha que tem, seja bens, dons, tempo ou vida. Provérbios 11:25: "A alma generosa prosperará; quem dá de beber será dessedentado." Atos 2:44-45: A igreja primitiva vivia em comunhão, partilhando tudo. Aplicação: Uma igreja cheia da graça é uma igreja generosa. Não damos apenas das sobras, mas ofertamos do que é valioso, porque reconhecemos que tudo vem do Senhor. Nossa vida se torna uma oferta. Jesus não despreza uma verdadeira adoradora. Somos povoda multiplicação, da generosidade, da entrega. Senhor está disposto a tornarabundante tudo que estamos dispostos a partilhar. Em Provérbios 11:25, Salomão nos ensina que a alma generosa prosperará. Quemregar, será também regado. A lei da semeadura é inquestionável no Reino de Deus.O amor não é egoísta. Aquela mulher nos ensina a partilhar que temos e, note, asociedade precisa urgentemente que venhamos a repartir as boas novas desalvação. IV. A extraordinária graça gera perdão (v.47 "afirmo a você que os muitospecados dela foram perdoados, porque ela muito amou"). Esse é clímax do texto. Jesus declara publicamente: aquela mulherestá perdoada. Seu passado de pecado não determinava mais seu futuro. O perdão é maior presente da graça. Ele nos limpa, nos restaura e nos dá uma nova identidade. Colossenses 3:13: "Assim como Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós." Efésios 1:7: "Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça." Aplicação: Quem experimenta perdão precisa aprender a perdoar. Uma igreja cheia da graça é marcada pela reconciliação, pela restauração de relacionamentos e pela proclamação de que só Jesus salva. Jesus arremata seu ensino estendendo perdão para aquela mulher. Para os seguidores de Jesus,perdoar não é uma opção, trata-se de uma obrigação. Perdão não é sentimento, édecisão. Não é esquecer, é lembrar sem dor. É absolvição, superação e graça. Em Colossenses 3:13, a Bíblia Sagrada nos ordena: "suportem-se uns aos outros eperdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa.Assim como Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros." A lógicado perdão é simples: ele vem do Alto, de forma vertical, e nós repartimos nahorizontalidade das nossas relações. CONCLUSÃO Todas essas lições são possíveis em virtude do alcance da graça na vida daquelamulher. Não sabemos seu nome, mas seu legado perdura entre as gerações. A Bíblia começa apresentando-a como uma pecadora e conclui sua história com operdão recebido. Somos absolutamente dependentes da graça de Deus. amordeve ser nosso estilo de vida. Eis a marca indelével dos discípulos de Jesus: oamor. Aliás, nisto conhecerão todos que somos seguidores dele (João 13:35). Bem- aventurada aquela pessoa que conhece a maravilhosa graça de Deus. Não merecemos, mas precisamos. Que nossa juventude sejainstrumento de visão,afeto, partilha e perdão para a glória de Deus. Todas essas lições são possíveis porque a graça extraordinária alcançou a vida daquela mulher. Ela entrou na história como "pecadora", mas saiu dela como perdoada e restaurada. Seu nome não foi preservado, mas sua atitude ecoa através das gerações como exemplo de arrependimento, adoração e entrega. Nós também estávamos perdidos, mas a graça nos alcançou. Quando estávamos cegos, a graça nos deu visão. Quando éramos frios, a graça nos encheu de amor. Quando éramos egoístas, a graça nos ensinou a partilhar. Quando estávamos condenados, a graça nos perdoou. Romanos 3:23-24: "Todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça." Portanto, irmãos e irmãs, a marca da igreja não é julgamento, mas amor. Não é a exclusão, mas perdão. Não é a frieza, mas afeto. Jesus declarou em João 13:35: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." Que a nossa vida e a nossa igreja sejam testemunhos vivos da extraordinária graça de Deus. Não porque merecemos, mas porque precisamos. Que sejamos instrumentos de visão, afeto, partilha e perdão para a glória de Deus.

Mais conteúdos dessa disciplina