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Metabolismo dos lipídeos APOSTILA Aula 03 – Entendendo o Metabolismo lipídios Prof. Luan Lisboa milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Sumário Visão geral do metabolismo dos lipídeos ........................................................ 3 Digestão e absorção dos lipídeos ..................................................................... 5 Metabolismo das lipoproteínas (via exógena) ................................................. 8 Metabolismo das lipoproteínas (via endógena) ............................................ 10 Biossíntese de ácidos graxos e triglicérides ......................................... 13 Síntese de corpos cetônicos ...................................................................... 17 milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Visão geral do metabolismo dos lipídeos Este capítulo possui como objetivo trazer uma visão geral do metabolismo dos lipídeos, com uma abordagem didática e sem perder profundidade no conteúdo apresentado. Esses são os requisitos necessários que torna possível o máximo de aprendizado e o real entendimento da aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. A partir deste conteúdo, será possível compreender os tipos de gorduras, suas principais funções, síntese, degradação e oxidação dos triglicerídeos e ácidos graxos, digestão e absorção, metabolismo das lipoproteínas e produção dos corpos cetônicos. Imagem: Visão geral da oxidação e síntese de gordura. Os lipídeos são moléculas caracterizadas por sua insolubilidade em água. Podemos perceber isso facilmente toda vez que adicionamos óleo em um copo de água. É possível observar que geralmente o óleo se deposita na superfície do recipiente, demonstrando assim sua incapacidade de se solubilizar, bem como sua menor densidade. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Existem diferentes tipos de lipídeos presentes em nosso organismo. Encontramos ácidos graxos livres, triglicerídeos, colesterol e fosfolipídeos entre as principais formas. Sendo assim, antes de discutirmos sobre como ocorre a digestão e absorção dessas gorduras, precisamos entender o que são e as principais funções dos lipídeos citados acima. Os ácidos graxos são moléculas derivadas de hidrocarbonetos, podendo ser saturadas (sem duplas ligações) ou mono (apenas uma dupla ligação) e poli-insaturadas (mais de uma dupla ligação), variando em diferentes tamanhos de acordo com o número de átomos de carbono (observe na figura abaixo). No item (a) temos um ácido graxo saturado de 18 carbono chamado de ácido esteárico presente nas carnes vermelhas. O item (b) trata-se do ácido graxo monoinsaturado oleico (ômega 9) presente principalmente no azeite oliva. Além desses, podemos encontrar os ácidos graxos poli- insaturados da família ômega 3: Ácido alfa-linolênico presente na linhaça, EPA e DHA encontrados peixes de águas frias como salmão, atum e sardinha. Os triglicerídeos ou triacilgliceróis são moléculas formadas pela ligação de três ácidos graxos com o glicerol. Funcionalmente, consiste na milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos principal forma de armazenamento de energia para o nosso organismo, garantindo estoques suficientes no tecido adiposo para suprir nossas necessidades por até meses de insuficiência energética. Pensando nisso, nossa eficiência no armazenamento de gordura pode ter sido crucial para a garantia de sobrevivência em momentos de escassez. Fosfolipídeos e colesterol consistem em lipídeos importantes para a estrutura e função correta das membranas celulares, além de servirem como precursores para síntese de eicosanoides e hormônios lipossolúveis cruciais para o nosso corpo. Devemos entender todas essas funções para conhecermos a importância funcional dos tipos de gorduras, sendo os riscos convencionalmente citados na literatura mais decorrentes do tipo e quantidade de gordura ingerida através da dieta e o balanço de nossa eficiência para armazena-la ou oxidá-la para uso energético. A partir deste momento, você será direcionado para o conteúdo específico deste módulo e estará cada vez mais próximo de compreender, de forma didática e aprofundada, a importância da bioquímica por trás do metabolismo dos lipídeos. Digestão e absorção dos lipídeos Assim como acontece com os carboidratos e as proteínas, precisamos digerir moléculas grandes em menores para que seja possível sua absorção adequada pelo intestino. Isso não é diferente quando pensamos nas gorduras da dieta. Em nossa dieta ocidental podemos encontrar uma diversidade de lipídeos provenientes de alimentos vegetais e animais. Mas, por questões quantitativas, vamos dar prioridade para os triglicerídeos (TG), colesterol livre, colesterol esterificado e fosfolipídeos. Estes são os lipídeos mais abundantes em nossa alimentação. Como já é conhecido, os lipídeos são moléculas insolúveis em água (lembrem do exemplo da adição de óleo em água citado no início do milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos módulo). Logo, para que sua digestão possa ocorrer, precisamos aumentar sua solubilidade para ação correta das enzimas lipolíticas. Devemos lembrar que as enzimas que participam da hidrólise dos lipídeos são proteínas solúveis em água secretadas em porções diferentes do TGI. Este último, é o principal responsável por todos os eventos necessários para digestão e absorção dos lipídeos. Em nosso TGI, as enzimas que digerem TG são chamadas de lipases, podemos encontra-las na boca (lipase lingual), no estômago (lipase gástrica), no pâncreas (lipase pancreática) e até mesmo nas bactérias que compõe nossa microbiota intestinal. O colesterol esterificado e os fosfolipídeos podem ser digeridos através da colesterol-éster-hidrolase pancreática e fosfolipases A2 pancreáticas, respectivamente. Vamos agora entender os eventos necessários para ação dessas enzimas na digestão correta das gorduras. - Formação das micelas. Para tornar-se acessíveis as enzimas lipolíticas, as gorduras da dieta precisam ser organizadas em micelas dispersas no lúmen intestinal. Dois fatores principais são responsáveis para sua formação: 1- Os movimentos que contribuem para mistura do alimento no estômago e a motilidade intestinal. 2- A secreção de ácidos biliares através da bile, tendo em vista que essas substâncias conseguem reagir concomitantemente com a água e as gorduras, permitindo maior solubilização e acesso dos lipídeos a digestão enzimática. Analogamente, os sabões que utilizamos para nossa higiene funciona de forma semelhante, solubilizando a gordura de nossa pele para que ela possa ser retirada através da água. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Após a formação das micelas os TG podem ser digeridos em ácidos graxos e glicerol. Se o tamanho da cadeia dos ácidos graxos for longa, estes necessitam serem transportados para o enterócito pela ação de transportadores. Diferentemente, os ácidos graxos de cadeia média e curta podem ser transportados diretamente para corrente sanguínea. - Absorção dos lipídeos A lipase pancreática, sais biliares e lecitina são cruciais para continuar a formação das micelas citadas anteriormente. De um modo geral, as micelas são formadas a partir de vesículas maiores contendo gotículas de gordura até atingirem um tamanho menor chamadas de micelas mistas. A absorção dos produtos da digestão ocorre quando as micelas atingem a membrana do enterócito por difusão, permitindo que os produtos da digestão (2-monoacilglicerol, ácido graxo de cadeia longa, colesterol livre) penetrem pela membrana luminal do enterócito. No enterócito, esses lipídeos deverãoser direcionados para síntese dos quilomícrons, tendo em vista que será através dessa lipoproteína que serão transportados na circulação sistêmica. Os quilomícrons são lipoproteínas ricas em triglicerídeos, mas contém colesterol esterificado e milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos fosfolipídeos, contendo apoproteínas B48, CII, E na sua composição. Após formado no enterócito, estes podem atingir a circulação linfática e, posteriormente, a circulação sanguínea. Metabolismo das lipoproteínas (via exógena) O metabolismo das lipoproteínas pode ser organizado através da divisão e análise da via exógena e endógena. A primeira é responsável pelo transporte de gordura da dieta para os tecidos e ao fígado. A segunda, tem função voltada para transporte da gordura produzida pelo fígado aos tecidos extra hepáticos via VLDL. Neste capítulo vamos conhecer inicialmente os cinco tipos de lipoproteínas, suas estruturas e funções desempenhadas no metabolismo dos lipídeos, dando ênfase a via exógena (dietética). Como o próprio nome já diz, as lipoproteínas são formadas predominantemente por lipídeos e proteínas, sendo assim, macromoléculas complexas. A proporção e o tipo dessas macromoléculas é responsável pela determinação das funções e estrutura de cada uma das lipoproteínas do organismo. Podemos destacar cinco tipos principais: Quilomícrons (QM), lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL), lipoproteína de densidade intermediária (IDL), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína de alta densidade (HDL). Todas elas possuem características que determinam seu tamanho e densidade. Por exemplo, o conteúdo de gordura presente é inversamente proporcional a sua densidade, ou seja, quanto maior a quantidade de gordura na lipoproteína, menor será a sua densidade. Estudamos no capítulo anterior sobre a digestão e absorção dos lipídeos. Agora vamos entender como essa gordura absorvida será transportada para os tecidos a partir do nosso intestino. Após a chegada de colesterol, ácidos graxos e demais lipídeos no enterócito, estes são transportados e convertidos novamente em TG, colesterol esterificado e fosfolipídeos no retículo endoplasmático da célula. Esse sistema de milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos conjugação como é conhecido ocorre através da ação da proteína de transferência microssomal (MTP), permitindo assim a formação dos quilomícrons (QM) contendo TG, colesterol livre e esterificado, fosfolipídeos, vitaminas lipossolúveis, APO B48, CII e demais apoproteínas necessárias para funcionamento e estrutura da lipoproteína. Após sua síntese, os QM atingem a circulação sanguínea através do sistema linfático, levando consigo triglicerídeos até os tecidos periféricos. A Apo CII presente nessa lipoproteína estimula a atividade da enzima lipoproteína lipase (LPL) responsável pela quebra de TG para sua transferência às células alvo. Os QM remanescentes, agora com menos triglicerídeos, irão ser retirados da circulação através do fígado ou ser utilizado para síntese de HDL nascentes. Dessa forma, a via exógena representa prioritariamente o transporte de gordura proveniente da dieta. Vamos agora entender como se dá o transporte dos lipídeos produzidos e reorganizados pelo organismo partindo do fígado para os tecidos extra-hepáticos (via endógena). milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Metabolismo das lipoproteínas (via endógena) A chegada de lipídeos no fígado garante possíveis destinos para essas diferentes macromoléculas nos hepatócitos. A gordura que chega através das lipoproteínas, ácidos graxos livres do plasma e a sintetizada no próprio fígado podem ter três principais destinos: 1- Armazenadas; 2- Oxidadas; 3- Liberadas para circulação através das lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL). Sendo assim, a partir deste ponto de partida associado a formação das VLDL, inicia-se a via endógena do metabolismo das lipoproteínas. As VLDL são liporoteínas que contém apoB-100, C-I, C-II, C-III e apoE, diferentente dos quilomícrons formados por apoB-48 como principal apoproteína estrutural. No fígado, as VLDL são utilizadas para transporte dos lipídeos para circulação sanguínea em direção ao abastecimento dos tecidos extra-hepáticos. Como destacado na imagem abaixo, sua formação depende da ação da proteína de transferência microssomal (MTP), garantindo a montagem adequada da lipoproteína por meio da junção entre as apoproteínas e os diversos lipídeos que à compõe (principalmente, TG). Existe uma tendência para uma maior formação de VLDL quando muita gordura chega ao fígado, entre alguns exemplos, podemos citar o excesso de ácido graxo livre liberado pelo tecido adiposo na obesidade. Isso contribui para a hipertrigliceridemia presente em alguns pacientes obesos. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Após atingirem a circulação, as VLDL sofrem alterações que afetam seu conteúdo lipídico. 1- Os TG tendem a sair da lipoproteína para os tecidos através da ação da lipoproteína lipase (LPL) presentes na superfície celular. 2- Os TG podem ser trocados por colesterol esterificado presente nas LDL e HDL através da ação da proteína de transferência de colesterol esterificado (CETP). 3- Os receptores B-E presentes no fígado podem retirá-la da circulação. Essas alterações estruturais que ocorrem nas VLDL permitem que outras lipoproteínas se formem a partir dela. Forma-se então as lipoproteínas de densidade intermediária (IDL), no entando, como apresentam vida mais curta, logo se tranformam nas lipoproteínas de baixa densidade (LDL) ricas em colesterol e pobres em TG. A principal função da LDL consiste no transporte de colesterol para diversos tecidos do organismo, tendo em vista que dependemos de colesterol para produção de muitos componentes celulares essenciais (hormônios, ácidos biliares no fígado, constituição das membranas plasmáticas). O LDL pode se ligar aos mesmo receptores que a VLDL (receptores B-E) nas células em que o colesterol será transferido. A presença de colesterol nessas células podem interferir na expressão do próprio receptor B-E responsável pela entrada de colesterol (um processo de auto-regulação). milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos - O que determina a disponibilidade de colesterol nos tecidos: Os tecidos e células que recebem colesterol não só regulam sua captação como também a sua síntese. Como dito acima, os receptores B-E de LDL captam a lipoproteína, permitindo sua entrada dentro da célula por meio de vesículas endocíticas formadas na membrana plasmática. Posteriormente, essas vesículas irão se associar com endossomos tardios no meio intracelular. Logo, existem dois fatores que influenciam na disponibilidade de colesterol. 1- Sua captação; 2- Sua síntese nas células. A chegada ou captação de colesterol pode formar óxidos de colesterol capazes de regular a expressão de genes. Isso permite o controle da expressão da principal proteína responsável pela síntese de colesterol celular (HMG CoA Redutase), entre os diversos genes regulados. Quanto maior o conteúdo celular de colesterol, menor tende a ser sua síntese e captação. Os receptores B-E são regulação a nível de expressão gênica, mas principalmente através da ação da proteína PCSK9. Essa proteína pode se ligar ao receptor, impedindo sua reciclagem e garantindo sua degradação. Ou seja, quando maior a disponibilidade de PCSK9, menos receptores de LDL teremos para retirada de colesterol do sangue. Muitos fármacos e estratégias terapêuticas utilizam esses processos regulatórios para tratar condições clínicas associadas a hipercolesterolemia. Seja inibindo a enzima que sintetiza colesterol (HMG CoA Redutase) ou a proteínaPCSK9, de modo a garantir maior captação de colesterol sanguíneo a partir da LDL. A descoberta desses alvos moleculares reguladores da disponibilidade de colesterol celular e sanguíneo, fez com que os pesquisadores buscassem alternativas terapêuticas utilizando inibidores da HMG-CoA Redutase, PCSK9, ou simplesmente ativadores do receptor ativado por proliferadores de peroxissomos alfa (PPAR-alfa). Importante ressaltar milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos que tanto medidas não farmacológicas quanto farmacológicas são importantes para tratamento adequado das dislipidemias. Biossíntese de ácidos graxos e triglicérides Quando lemos um livro de bioquímica sobre metabolismo, entendemos inicialmente o que são reações anabólicas e catabólicas. Em resumo, quando sintetizamos uma molécula grande a partir de precussores menores dependemos de reações e vias ANABÓLICAS. Porém, quando degradamos moléculas grandes em produtos menores temos exemplos de reações e vias catabólicas. Nesse capítulo, vamos discutir sobre a biossíntese de gordura, desde a formação dos ácidos graxos até os triglicerídeos (TG). Ambos são exemplos de vias anabólicas, tendo em vista que suas sínteses ocorrem a partir de precurssores menores contendo dois carbonos chamados de Acetil-CoA, até que moléculas grandes e mais organizadas como os TG sejam obtidas. Aqui, vamos entender porque as pessoas ganham gordura por conta de um desequilíbrio positivo do seu balanço energético (ingestão energética superior as necessidades), sendo muito importante que todos lembrem do que foi relatado nas aulas sobre termodinâmica: “Nenhuma energia pode ser criada ou destruída, mas transformada em diferentes formas de geração de trabalho ou calor”. Uma vez ingerida as calorias, ela deve ser destinada para trabalho biológico, calor ou ARMAZENAMENTO. Este último, iremos discutir logo adiante. Em situações hipercalóricas geradas pela ingestão excessiva de carboidratos, gorduras e, em menor frequência, as proteínas, a relação ATP/ADP aumenta dentro da célula. Do ponto de vista energético, isso significa que existe grande disponibilidade de energia em relação a necessidade celular de utiliza-la, garantindo um sinal crucial para o estímulo de vias metabólicas relacionadas a síntese de gordura (lembrem milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos novamente: precisamos garantir um destino para o excesso calórico ingerido). Como já sabemos, carboidratos, gorduras e proteínas podem formar acetil-CoA necessário para aproveitamento energético dentro das mitocôndrias no ciclo de Krebs. Quando este começa a se acumular em situações hipercalóricas como a relatada no parágrafo anterior, essas moléculas de acetil-CoA são destinadas para síntese de gorduras fora das mitocôndrias (no citosol da célula). Sendo seu transporte através da mitocôndria o primeiro passo para que isso ocorra. - Transporte de acetil-CoA O acúmulo de acetil-CoA gerado pela falta de demanda energética e, consequentemente, maior relação ATP/ADP dentro da mitocôndria aumenta a necessidade do seu transporte para fora da mesma. No entanto, como acetil-CoA é uma molécula impermeável a membrana mitocondrial, é necessária uma estratégia para contornar esse impasse. O mecanismo alternativo consiste na conversão de acetil-CoA em citrato a partir de sua reação com oxaloacetato na primeira reação do ciclo de Krebs. O citrato, por sua vez, consegue ultrapassar a membrana mitocondrial por ação de tricarboxilatos translocases. - Síntese de ácido graxo É no citosol da célula (fora da mitocôndria) que se encontra todo maquinário para síntese de ácido graxo. Como mostra a imagem, o citrato é clivado novamente em oxaloacetato e acetil-CoA. Oxaloacetato poderá ser convertido em malato e este em piruvato pela enzima málica. Já acetil-CoA irá ser convertido em malonil-CoA pela ação da enzima acetil- CoA carboxilase (reação que adiciona 1 carbono a acetil-CoA). Para sintetizar uma molécula de ácido graxo é necessário a presença de acetil-CoA, malonil-CoA e de um agente redutor chamado NADPH. Esse último, poderá ser obtido de duas formas: 1. Através da conversão de malato a piruvato. 2. Pela via das pentoses fosfatos. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Figura: Transporte de acetil-CoA através da transferência de citrato da mitocôndria para o citosol da célula O complexo enzimático responsável por todo o processo de construção da molécula de ácido graxo é chamado de ácido graxo sintase (AGS). De um modo bem resumido, a formação da molécula irá ocorrer através da adição de pares de carbonos a uma cadeia pré-formada. As etapas podem ser resumidas a seguir: 1. A síntese se inicia através da captação do grupamento acetila do acetil-CoA pela proteína de transferência de grupos acila (ACP) presente na ácido graxo sintase (processo catalizado pela enzima Acetil-CoA-ACP-Transacilase) com posterior transferência para o grupo SH de outra enzima da sintase. 2. Captação do grupo malonil da malonil-CoA pela ACP (processo catalizado pela malonil-CoA-ACP-transacilase) com posterior condensação com o grupo acetila anterior (catalizado pela Beta- Cetoacil-ACP sintase), formando o Beta-Cetoacil-ACP. Essa reação funciona com liberação de CO2. 3. O Beta-Cetoacil-ACP passará por processos de redução, milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos desidratação e uma nova redução, utilizando o NADPH como agente redutor da molécula para formação do butiril-ACP. 4. O radical butiril será transferido para o grupo SH (semelhante ao que ocorreu com o acetila no início da via) para permitir que a ACP possa receber outro malonil para integração a molécula pré- formada. Sendo assim, podemos perceber que a molécula de ácido graxo irá sendo formada através da adição de compostos de dois em dois carbonos, até que uma molécula de ácido palmítico com 16 carbonos finalmente seja formada. A partir de então uma molécula de coenzima A é incorporada ao ácido graxo formado, formando o Acil-CoA necessário para síntese de triglicerídeos. - Síntese de triglicerídeos (TG) Provavelmente você já ouviu falar dos triglicerídeos. Essa é uma molécula formada por três ácidos graxos ligados ao glicerol (por isso o nome é TRIglicerídeo). A sua síntese ocorre principalmente no fígado e tecido adiposo, permitindo que a gordura seja sintetizada para distribuição e armazenamento adequado. 1. O primeiro passo para síntese de TG consiste na obtenção da molécula de glicerol-3-fosfato. Ela é sintetizada através da conversão da glicose em diidroxiacetona fosfato, sendo esta reduzida para formação do glicerol-3-fosfato. 2. Os próximos passos ocorreram através da incorporação das moléculas de ácidos graxos na forma de Acil-CoA, até que três moléculas sejam contabilizadas para formação de um TG (glicerol- 3-fosfato – monoglicerídeo – diglicerídeo – triglicerídeo). milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Síntese de corpos cetônicos Corpos cetônicos são moléculas produzidas no fígado nas situações em que a disponibilidade de carboidratos é baixa (jejum prolongado, exercício físico prolongado, dieta cetogênica). Sendo assim, produzir corpos cetônicos consiste em um mecanismo de adaptação para solucionar a falta de glicose disponível principalmente para os tecidos dependentes de sua utilização. Devemos agora entender quais são os corpos cetônicos que produzimos e aproveitamos, além de discutirmos as etapas necessárias para sua síntese. - Síntese: 1. Formação de acetoacetil-CoA a partir da associação de grupamentos acetila provenientes de 2 moléculas de acetil-CoA, liberando uma coenzima A no meio (reação catalizada pela enzima tiolase). 2. Incorporação demais uma molécula de acetil-CoA ao acetoacetil- CoA para síntese de hidroxi metil glutaril-CoA (HMG-CoA), liberando coenzima A no meio (reação catalizada pela enzima HMG-CoA sintase). 3. Clivagem ou separação da molécula de HMG-CoA em duas moléculas diferentes, acetil-CoA e o primeiro corpo cetônico formado, o acetoacetato (reação catalizada pela HMG-CoA liase). A partir da formação do acetoacetato, este poderá sofrer uma descarboxilação da molécula para formar a acetona ou sofrer uma redução para síntese de beta-hidroxibutirato. Importante ressaltar que a acetona não é aproveitada energeticamente pelo organismo, sendo geralmente volatilizada nos milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos pulmões pela respiração. Diferentemente, tanto acetoacetato quanto beta-hidroxibutirato podem ser utilizados para aproveitamento energético, destacando ainda que este último encontra-se geralmente em maior quantidade na circulação sanguínea. Na figura a seguir podemos observar todas as etapas para síntese dos corpos cetônicos: - Aproveitamento dos corpos cetônicos Aproveitamos corpos cetônicos (acetoacetato e beta-hidroxibutirato) em alguns tecidos periféricos como músculos, coração e sistema nervoso central. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Na figura abaixo podemos observar que seu aproveitamento ocorre de forma reversa a síntese dos corpos cetônicos citada acima. Possibilitando obtenção de moléculas de acetil-CoA novamente. Isso acontece quando o acetoacetato recebe uma molécula de coenzima A pelo succinil-CoA para síntese de acetoacetil-CoA (reação catalisada pela beta-cetoacil-CoA transferase). Como a reação da tiolase pode ser feita também no sentido inverso, uma coenzima A pode se ligar ao acetoacetil-CoA para síntese de duas moléculas de acetil-CoA novamente (lembre da primeira reação da síntese dos corpos cetônicos). Isso permite grande eficiência para aproveitamento desse substrato energético alternativo em momentos de baixa disponibilidade de glicose. Mantendo o suprimento energético em situações de escassez. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Metabolismo dos lipídeos Todo o conteúdo deste módulo foi elaborado com base nos livros: Harvey, Richard A., and Denise R. Ferrier. Bioquímica ilustrada. Porto Alegre, Artmed Editora, 2012. Nelson, David L., and Michael M. Cox. Princípios de bioquímica de Lehninger. Porto Alegre. Artmed Editora, 2014. HARPER: Bioquímica Ilustrada. 26 ed. Editora Ateneu, 2006. milhomensdaniel@hotmail.com - CPF: 018.346.292-09 Sumário Visão geral do metabolismo dos lipídeos Digestão e absorção dos lipídeos Metabolismo das lipoproteínas (via exógena) Metabolismo das lipoproteínas (via endógena) Biossíntese de ácidos graxos e triglicérides Síntese de corpos cetônicos