Prévia do material em texto
Convulsão e Mal Epiléptico https://www.ebmedicine.net/topics/neurologic/seizure-status-epilepticus https://www.emdocs.net/core-em-approach-to-adult-first-time-seizure-in-the-ed/ DEFINIÇÕES ➭ Convulsões são episódios de excitação neuronal anormal e, geralmente, são uma manifestação de um processo subjacente. ➭ A epilepsia é definida como convulsões recorrentes não provocadas, causadas por um distúrbio cerebral adquirido ou geneticamente determinado; não é um termo apropriado para convulsões que ocorrem de forma intermitente ou previsível após um insulto conhecido, como intoxicação por álcool e abstinência. ➭ O estado de mal epiléptico é caracterizado por convulsões que duram mais de 5 minutos, ou por convulsões recorrentes, sem retorno ao estado mental inicial. ➭ As crises convulsivas generalizadas são, frequentemente, autolimitadas, mas, se mantidas, requerem tratamento imediato para minimizar as complicações. A atividade de crise não convulsiva e o estado de mal epiléptico não convulsivo podem ser relativamente obscuros em sua apresentação e devem ser suspeitados em pacientes com comportamento alterado ou coma de causa indeterminada. 💡 Causas do estado de mal epiléptico em adultos ✅DISTÚRBIOS METABÓLICOS Encefalopatia hepática, hipocalcemia, hipoglicemia ou hiperglicemia, hiponatremia, uremia ✅PROCESSOS INFECCIOSOS abscesso no sistema nervoso central, encefalite, meningite ✅SÍNDROMES DE ABSTINÊNCIA álcool, medicamentos antiepilépticos, baclofeno, barbitúricos, benzodiazepínicos ✅LESÕES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL hidrocefalia aguda, anóxia ou insulto hipoxêmico, malformações arteriovenosas, metástases cerebrais, acidente vascular cerebral, eclâmpsia, traumatismo craniano: agudo e remoto, hemorragia intracerebral, neoplasia, leucoencefalopatia posterior reversível ✅INTOXICAÇÃO bupropiona, cânfora, clozapina, ciclosporina, flumazenil, fluoroquinolonas, imipenem, isoniazida, chumbo, lidocaína, lítio, MDMA, metronidazol, canabinoides sintéticos, teofilina, antidepressivos tricíclicos Diagnóstico ➭ Primeira coisa é entender se, de fato, foi uma convulsão. Definido que foi convulsão vamos em busca de fatores precipitantes (convulsões de início recente ou mudanças no padrão de convulsão de epilépticos podem ser manifestação primária de doenças subjacentes) ➭ O histórico e os achados físicos podem ser úteis para diferenciar a convulsão de outras condições médicas agudas. Amnésia retrógrada, mordidas laterais na língua e incontinência urinária são sugestivos de um evento neurogênico, mas não são específicos e também já foram relatados em convulsões psicogênicas. Os pacientes podem sentir uma aura, que é, em essência, uma convulsão focal que geralmente se generaliza. As auras são clinicamente definidas pela área do cérebro envolvida. Alguns exemplos incluem alterações na sensação, desregulação autonômica, como sudorese e eritema, afasia, sensação de déjà vu, automatismos, como estalar os lábios, engolir repetidamente, pronunciar sequências verbais ou mexer nas roupas. 💡 Um paciente é considerado em estado de mal epiléptico refratário RSE quando a convulsão não termina após o tratamento com um benzodiazepínico e um segundo medicamento antiepiléptico Sintomas Precisamos fazer 2 perguntas principais: “O incidente foi realmente uma convulsão?ˮ a Início abrupto b Breve duração: raramente duram mais que 90120s c Alteração da consciência: generalizadas = perda da consciência / focais = alteração da consciência d Automatismos e movimentos tônico-clônicos e Estado pós-ictal “Esse paciente tem histórico de convulsões?ˮ ➭ Podem ter hipertensão, taquicardia e taquipneia por estimulação simpática (costumam se resolver bem rápido depois da crise) ➭ Para convulsões mais demoradas pode ter acidose lática ou rabdomiólise ➭ Comum ter incontinência urinária ou fecal, vômitos, mordedura de língua e comprometimento de via aérea ➭ Por fim, um exame neurológico completo é realizado. Um déficit focal persistente após uma convulsão (paralisia de Todd), muitas vezes indica a origem focal do evento, mas também pode ser evidência de um AVC subjacente. Hiperreflexia e um sinal de Babinski positivo que se resolvem são indicações de que ocorreu uma convulsão Convulsão e Mal Epiléptico 1 https://www.ebmedicine.net/topics/neurologic/seizure-status-epilepticus https://www.emdocs.net/core-em-approach-to-adult-first-time-seizure-in-the-ed/ Pedimos TC de crânio sem contraste se não retorna ao estado basal EEG para aqueles que não retornam ao estado basal (o que retorna ao estado basal pode aguardar para ser feito no ambulatório) ECG sempre pedimos para quem sofre convulsão pela primeira vez (procurar síndrome de Wolff-Parkinson-White, intervalo QT prolongado, Brugada, cardiomiopatia hipertrófica, BAVT Punção lombar se suspeita de infecção de SNC Manejo (passo a passo) Fundamental garantir perfusão e oxigenação do SNC a EVITAR via aérea orofaríngea pelo risco de broncoaspirar b Já monitoriza fazendo oximetria de pulso Lembrar de pedir HGT Lateralizar o paciente durante a crise Se o paciente está na crise podemos fazer: 520mg de Diazepam (nunca IM OU 210mg de lorazepam (pode ser qualquer via mas a preferência é IV OU 10mg de midazolam IM, IV ou intranasal - pode repetir até 3x Feito isso, se a convulsão não parou usamos as medicações de segunda linha: 20mg/kg de fenitoína OU 36mg/kg/min de ácido valpróico OU 1000 3000mg correndo em 15 min de levetiracetam Se ainda assim a convulsão continua, partimos para IOT EEG e a terceira linha de medicamentos: 5mg/kg IV de pentobarbital OU 20 mg/kg IV de fenobarbital OU 0,2 mg/kg IV de midazolam OU 2 mg/kg IV de propofol OBSERVAÇÃO Se depois das medicações de primeira ou segunda linha, as convulsões pararam, vamos conciliar os próximos passos com o neuro. Além disso, consideramos um EME não convulsivo nos pacientes que não voltaram ao estado basal. Convulsão e Mal Epiléptico 2