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Estágio Curricular Obrigatório III - Educação Inclusiva
Vanessa Eva Fernandes 
Patricia Kath
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Pedagogia (PED) 7845
24/05/2025
RESUMO
Este artigo resulta do estágio curricular obrigatório III, que ocorreu em 2025, na Escola de Educação Básica Jonas Coelho Neves, situada em Blumenau, Santa Catarina. A pesquisa concentrou-se na gestão educacional dessa instituição, examinando as rotinas administrativas sob a supervisão de Aline Schmitz Klitzke e com a orientação da Pedagógica. O foco do estágio foi avaliar a implementação da educação inclusiva, realçando elementos como o campo de experiência, objetivos, propostas pedagógicas, organização e o progresso da inclusão de indivíduos com necessidades especiais. Ao longo da observação, foi ressaltada a participação ativa de todos os participantes, abrangendo alunos, pais, educadores, funcionários e a comunidade que integra a escola. 
Palavras-chave: Gestão, educação, Inclusão.
 1 INTRODUÇÃO 
 O objetivo deste trabalho é observar, refletir e coletar dados que evidenciem a importância da inclusão de alunos com necessidades especiais nas atividades lúdicas e de alfabetização na unidade escolar. Essas atividades desempenham um papel fundamental na construção de uma aprendizagem significativa. Este relato refere-se à experiência vivenciada durante o estágio curricular obrigatório III, supervisionado pela gestora da instituição, o que me permitiu, como aluna da Uniasselvi, experimentar na prática as rotinas administrativas e as diversas atividades realizadas na escola, incluindo a interação com professores, gestores, assessores, funcionários, pais e alunos.
Durante o estágio, foi realizado um roteiro de observação abrangente com o intuito de compreender a gestão da unidade escolar, as metodologias de ensino adotadas, a acessibilidade oferecida, o funcionamento operacional da instituição, a atenção e a receptividade dos alunos, além da participação dos pais e responsáveis na vida escolar das crianças.
 
 Após a definição da área de concentração em Educação Inclusiva, foi realizada uma discussão com a gestora da instituição sobre os temas a serem abordados durante o processo de observação. Em colaboração com a gestora, elaborou-se um questionário composto por quinze perguntas, direcionadas aos membros do corpo administrativo da instituição escolar. O intuito dessas questões foi proporcionar esclarecimentos sobre o cotidiano da área em questão, explorar aspectos relacionados às trajetórias profissionais dos entrevistados, identificar as dificuldades enfrentadas na criação e implementação de um ambiente educacional inclusivo e compreender as estratégias adotadas para assegurar uma experiência de aprendizagem significativa a todos os alunos, independentemente de suas necessidades específicas.
2 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
A educação inclusiva constitui uma perspectiva pedagógica e social que visa atender às necessidades de cada aluno, independentemente de suas capacidades, históricos ou limitações. Este conceito tem ganhado relevância nos últimos anos, à medida que educadores e legisladores reconhecem a importância de assegurar um acesso equitativo à educação para todos os indivíduos. A abordagem da educação inclusiva concentra-se na construção de um ambiente educacional acolhedor e receptivo, que valoriza a diversidade, promove a justiça e respeita as particularidades de cada estudante.
Dentro dessa concepção educacional, desenvolvem-se salas de aula inclusivas, ajustam-se métodos de ensino e programas curriculares, além de serem disponibilizados serviços e recursos de apoio, com o intuito de garantir que todos os alunos possuam as condições necessárias para participar plenamente e alcançar seu máximo potencial. A partir desse enfoque inclusivo, tanto os alunos com deficiência quanto aqueles provenientes de diferentes origens culturais e linguísticas são reconhecidos, integrados e capacitados a desenvolver suas habilidades de forma integral.
A Secretaria de Educação Especial do MEC solicitou ao Conselho Nacional de Educação a regulamentação do Decreto nº 6.571/2008, visando a distribuição de recursos do FUNDEB a partir de janeiro de 2010, com base nos dados do Censo Escolar de março de 2009. Essa regulamentação visa orientar o atendimento educacional especializado na Educação Básica, em conformidade com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. O objetivo é garantir que o atendimento seja complementar ao ensino regular, oferecido preferencialmente na rede pública de ensino, e que seja realizado em turno inverso ao da escolarização, contribuindo para o acesso dos alunos à educação comum. O Decreto nº 6.571/2008 estabelece o compromisso da União em fornecer apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino para o atendimento educacional especializado.
O Decreto nº 6.571/2008 trata do atendimento educacional especializado, regulamentando a legislação relacionada e adicionando disposições ao Decreto nº 6.253/2007. 
Art. 1º A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou super dotação, matriculados na rede pública de ensino regular.§ 1º Considera-se atendimento educacional especializado o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular.§ 2º O atendimento educacional especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a participação da família e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas.
 
O Decreto em questão regulamenta o parágrafo único do artigo 60 da Lei nº 9.394/96:
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em Educação Especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. 
Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.
O Decreto nº 6.571/2008 adicionalmente introduz um dispositivo ao Decreto nº 6.253/2007, que versa sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação-FUNDEB, regulamentando a Lei nº 11.494, datada de 20 de junho de 2007, e provendo disposições. Nesse sentido, o mencionado decreto passa a vigorar acrescido do subsequente artigo. 
Art. 9-A. Admitir-se-á, a partir de 1º de janeiro de 2010, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cómputo das matrículas dos alunos da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado, sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na Educação Básica regular.
Parágrafo único O atendimento educacional especializado poderá ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou pelas instituições mencionadas no art. 14.
3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO
 É imprescindível contextualizar a educação em Santa Catarina, levando em consideração aspectos demográficos, socioeconômicos e culturais que influenciam diretamente a gestão das instituições escolares. Também é necessário abordar as questões históricas e legislativas, destacando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e as legislações estaduais pertinentes.
Durante o processo de observação do roteiro, foi possível adquirir uma compreensão aprofundada sobre o funcionamento e a administração da instituição concedente. Adicionalmente, foi viável identificar os mecanismos de orientação utilizados para informar a coordenação pedagógicae os docentes sobre as normativas e legislações em vigor no estado de Santa Catarina.
Durante a observação, foi possível perceber que a equipe segue uma rotina diária que inclui o atendimento de pais, alunos e professores. Em relação à estrutura organizacional da escola, a gestão é inicialmente liderada pela direção e coordenação pedagógica. A gestora, Simone Raquel Santos, é a responsável pela administração geral da escola, abrangendo aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos. Suas responsabilidades incluem a coordenação das atividades educacionais, o acompanhamento do desempenho escolar e a articulação com a comunidade escolar e com instituições externas.
Os coordenadores pedagógicos, ou assessores, desempenham a função de apoiar o trabalho dos professores no planejamento e execução das atividades educativas. Eles colaboram na elaboração de projetos pedagógicos, na avaliação do processo de ensino-aprendizagem e na formação continuada dos docentes. Esse departamento também é encarregado da gestão de recursos materiais, financeiros e humanos da escola, o que inclui a manutenção da infraestrutura, a administração do orçamento escolar e a organização do quadro de funcionários não docentes, entre outros aspectos.
O corpo docente, por sua vez, é composto pelos professores responsáveis por ministrar as disciplinas conforme o currículo estabelecido. Eles são encarregados de planejar aulas, aplicar metodologias de ensino, elaborar avaliações e monitorar o progresso dos alunos, além de participarem de reuniões pedagógicas e atividades de formação.
Os estudantes, como foco central da escola, são atendidos conforme suas necessidades educacionais. A instituição promove um ambiente inclusivo, respeitando a diversidade de perfis e oferecendo suporte para garantir o aprendizado de todos os alunos.
A equipe administrativa, por sua vez, é responsável pelos procedimentos de matrícula de novos alunos e rematrícula dos antigos. Além do atendimento ao público, a secretaria realiza a inserção das vagas no sistema da SED, vinculado ao governo catarinense. O professor selecionado para uma vaga tem um prazo de 24 horas para se apresentar à secretaria da escola e entregar a documentação necessária. Após a verificação da documentação, se estiverem todos os documentos corretos, a contratação é formalizada e iniciada no dia seguinte. Os documentos são encaminhados ao SIRGH para registro, matrícula do professor e formalização do contrato.
Esse setor também é responsável por tarefas como a impressão de boletins e outros documentos, a organização dos diários de classe, o fechamento de turmas e a verificação de alunos faltosos, entre outras demandas administrativas.
O Conselho Escolar reúne representantes de diversos segmentos da comunidade escolar, incluindo pais, alunos, professores e funcionários. Suas atribuições envolvem a participação na elaboração do projeto político-pedagógico da escola, o acompanhamento da execução do orçamento e a contribuição para a tomada de decisões estratégicas para a instituição.
Essa estrutura organizacional tem como objetivo assegurar o bom funcionamento da escola, garantir a qualidade do ensino oferecido e promover o desenvolvimento integral dos alunos, visando proporcionar uma educação que atenda às necessidades e demandas da sociedade catarinense.
A unidade escolar adota medidas para atender à diversidade e promover a igualdade de oportunidades, com foco na inclusão escolar e profissional.
A escola depende de verbas governamentais para realizar investimentos em infraestrutura, tecnologia educacional e materiais didáticos, essenciais para o aprimoramento da qualidade educacional.
Por fim, a gestão escolar enfrenta desafios significativos, como garantir a qualidade do ensino, promover a equidade, administrar os recursos financeiros e humanos, além de projetar o futuro da instituição. No entanto, a equipe, caracterizada por sua cooperação e união, contribui positivamente para o crescimento e fortalecimento da unidade escolar.
4 IMPRESSÕES DO ESTÁGIO (CONSIDERAÇÕES FINAIS)
Ao refletir sobre o início deste Estágio Curricular Obrigatório III, percebo que a educação inclusiva no Brasil ainda necessita de discussões mais amplas e aprofundadas. No entanto, tanto as teorias quanto as práticas estão sendo progressivamente implementadas e ajustadas para atender às necessidades dos alunos que se beneficiam dessa abordagem. A educação inclusiva tem como principal objetivo potencializar ao máximo as habilidades dos alunos com deficiência em ambientes de sala de aula convencionais, buscando, assim, reduzir progressivamente a dependência de apoio externo. Esse é um processo contínuo, que exige revisões regulares, reorganizações e atualizações constantes, à medida que as tecnologias e os métodos educacionais se desenvolvem e se aprimoram. 
A vida acadêmica dos estudantes reflete os desafios enfrentados pela equipe gestora na busca por assegurar uma participação efetiva da comunidade nas atividades escolares. Apesar das dificuldades, alguns membros da comunidade escolar se destacam por sua contribuição ativa na administração da escola. Entre esses cidadãos, estão os integrantes de entidades democráticas, como a Associação de Pais e Professores (APP) e o Conselho Deliberativo Escolar (CDE), que participam de reuniões e influenciam decisões que visam beneficiar a instituição.
A missão da instituição educacional é promover a formação integral dos alunos, tanto no aspecto humano quanto acadêmico, por meio de um processo colaborativo e participativo que busca o bem comum. A visão da escola é ser reconhecida como referência no ensino médio em Santa Catarina, comprometendo-se constantemente com o aprimoramento do desenvolvimento dos estudantes de forma crítica e participativa, por meio de atividades diárias que incentivem a união entre todos os envolvidos.
Os valores essenciais da instituição são cultivados por meio de diversas atividades, como amor, disciplina, justiça, paz, honestidade, solidariedade, sobriedade, equidade e gratuidade.
No contexto da gestão escolar, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) destaca a importância da gestão democrática, que envolve a participação ativa de todos os profissionais da educação e da comunidade escolar na elaboração do Projeto Pedagógico. O gestor tem a responsabilidade de administrar a escola de forma democrática, garantindo a efetiva participação de todos os envolvidos no processo educativo.
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REFERÊNCIAS 
BRASIL. Resolução CEB. Resolução nº 2, de 7 de abril de 1998. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Brasília, DF: abril de 1998. Disponível em: 
. Acesso em: 24/04/2024.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, V.B.; GONÇALVES-JUNIOR, L. Inclusão, educação e diversidade: múltiplos olhares. Disponível em: Acesso em: 13/04/2024.
COSTA, M.P.R.; TURCI, P.C. Inclusão escolar na perspectiva da educação para todos de Paulo Freire. VII encontro da associação brasileira de pesquisadores em educação especial. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/pages/arquivos/anais/2011/politicas/346-2011.pdf> Acesso em: 11/04/2024.
Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Conselho Nacional de Educação. Câmara Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. p.300

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