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CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CURSO: LICENCIATURA EM TURISMO DISCIPLINA: ALIMENTOS E BEBIDAS CONTEUDISTA: MARIA LÚCIA ALMEIDA MARTINS AULA 9 PREPARAÇÕES CULINÁRIAS META Apresentar os principais fundamentos para a elaboração das técnicas básicas utilizadas nas preparações culinárias incluídas na estrutura de um cardápio completo. OBJETIVOS Espera-se que ao final da aula você seja capaz de: 1. Reconhecer e aplicar os principais ingredientes e técnicas clássicas utilizadas como base (bases, molhos e emulsões) para as preparações culinárias; 2. Conhecer as principais técnicas de pré-preparo, preparo e montagem das preparações clássicas; 3. Compreender a importância de cada preparação culinária na estrutura em que se encontra no cardápio. INTRODUÇÃO Como já foi visto anteriormente no curso, as preparações culinárias são associadas a diferentes significados para o comensal (aquele que consome). Vários aspectos estão relacionados a essas preparações, como os afetivos, sensoriais, econômicos, culturais, regionais e nutricionais. Entretanto, antes de se verificar a relação dos ingredientes com a tipicidade de diferentes origens geográficas, percebe-se a necessidade do domínio da aplicação de técnicas básicas, comuns a diversas procedências gastronômicas. AS BASES NA COZINHA As bases de uma cozinha são essenciais para qualquer aprendizado clássico, regional ou contemporâneo. Os Fundos e Molhos básicos são os passos iniciais para entender a complexidade ou simplicidade de aromas e sabores de um bom prato. Sabendo fazer corretamente, por exemplo, um fundo de legumes ou peixe ou então um molho branco (Béchamel), você terá grandes chances de obter resultados favoráveis no seu produto final. As bases são preparações compostas por diferentes ingredientes, utilizadas para facilitar a confecção de determinadas produções culinárias. Elas servem também para modificar ou melhorar o sabor, a textura, a cor e o aroma dos alimentos. As bases podem ser fundos, ligações, aromáticos ou embelezadores/melhoradores. 1.1 Fundos Os fundos são preparações líquidas, aromáticas e, ligeiramente concentradas, sem a adição de sal que se obtém fervendo a água em dois tipos básicos de ingredientes básicos (a + b): a - ingredientes que darão a característica ao fundo (ex.:ave, peixe, vitela, etc.); b- ingredientes que compõe a guarnição aromática (ex.: mirepoix, bouquet garni, cebola, louro, alho, etc.). Início do Verbete Mirepoix: segundo TEICHMANN, (2009), são legumes aromáticos, cortados irregularmente (concassé), para dar sabor ao preparado, devendo ser coados após. Fim do Verbete Fundos claros Também chamados de caldos, são resultado do cozimento de carnes ou aves com legumes em água por meio de um processo lento e prolongado – é dessa maneira que se garante a transparência e a coloração fraca. Devem ter o gosto acentuado dos ingredientes que entraram na sua composição e, depois de frios, uma consistência gelatinosa. Os ingredientes que caracterizam os fundos claros podem ser de procedência bovina, de vitela, ave ou pescado. As fichas técnicas de preparo desses fundos são apresentadas a seguir – Tabelas 1, 2 e 3. Tabela 1. Ficha técnica de preparo de fundo claro de boi, vitela ou ave. Ingredientes Quantidade Ossos de boi/vitela ou ave 1Kg Cenoura 100g Cebola picada 1 unidade Ramo de salsão 1 unidade Alho poró 1 unidade Água fria 1,5 a 2L Rendimento: 1000ml Modo de preparo 1. Cortar os ossos em pedaços pequenos; 2. Colocar em caçarola média; 3. Acrescentar um pouco de água fria e ferver por 2 minutos; 4. Escorrer em peneira passando por água fria; 5. Pré-preparar os vegetais; 6. Colocar os ossos e vegetais em caçarola, acrescidos de água fria, levar ao fogo para cozer, não deixando entrar em ebulição (800C), sem sal o líquido de cozer suavemente, sem tampar, sendo constantemente escumado por mais ou menos 3 horas (se houver redução acentuada, adicionar mais água; 7. Passar pelo chinois (escorredor em formato de chapéu de chinês) forrado com papel de filtro, sem apertar; 8. Desengordurar se necessário; 9. Esfriar rapidamente sobre local com gelo (choque térmico) ou câmara de resfriamento rápido. 10. Armazenar sob refrigeração (30C) Validade - armazenar por no máximo 3 dias sob refrigeração (30C); - armazenar por no máximo 3 meses no congelador (-180C). Aplicações Uso como base para sopas, molhos, complementação de ensopados, estufados, braseados, deglaçar. Tabela 2. Ficha técnica de preparo de fundo claro de pescado – Court- Bouillon Ingredientes Quantidade Aparas de pescado 500g (cabeça, espinhaço, etc.) Cenoura 100g Cebola picada 1 unidade Ramo de salsão 1 unidade Alho poró 1 unidade Água fria, vinho branco ou tinto ou leite 1250 a 2000ml Rendimento: 1000ml Modo de preparo: 1. Cortar as aparas em pedaços pequenos; 2. Pré-preparar os vegetais; 3. Colocar as aparas e vegetais em caçarola, acrescidos de água fria, levar ao fogo para cozer, não deixando entrar em ebulição (800C), sem sal o líquido de cozer suavemente, sem tampar, sendo constantemente escumado por mais ou menos 30 a 40 minutos (se houver redução acentuada, adicionar mais água; 4. Passar pelo chinois (escorredor em formato de chapéu de chinês) forrado com papel de filtro, sem apertar; 5. Desengordurar se necessário; 6. Esfriar rapidamente sobre local com gelo (choque térmico) ou câmara de resfriamento rápido. 7. Armazenar sob refrigeração (30C) Validade: - armazenar por no máximo 3 dias sob refrigeração (30C); - armazenar por no máximo 3 meses no congelador (-180C). Aplicações: Uso como base para sopas, molhos, complementação de pratos de pescados. Tabela 3. Ficha técnica de preparo de fundo claro de pescado – Fumet Ingredientes Quantidade Aparas de pescado (cabeça, espinhaço, etc.) 500g Cenoura 100g Cebola picada 1 unidade Ramo de salsão 1 unidade Alho poró 1 unidade Água fria, vinho branco ou tinto 1250 ml Manteiga 50g Modo de preparo: 1. Pré-preparar os vegetais cortando em pedaços pequenos; 2. Aquecer a manteiga em caçarola média, refogando nela os vegetais sem deixa corar; 3. Acrescentar as aparas nesse refogado mexendo por instantes e tampar por uns 2 minutos; 4. Adicionar o líquido frio levando a pré-ebulição. 5. Acrescentar o bouquet garni; não colocar sal. Deixar em fogo brando por 20minutos sem tampar, escumando se necessário. 8. Passar pelo chinois (escorredor em formato de chapéu de chinês) forrado com papel de filtro, sem apertar; 9. Desengordurar se necessário; 10. Esfriar rapidamente sobre local com gelo (choque térmico) ou câmara de resfriamento rápido. 11. Armazenar sob refrigeração (30C) Validade: - armazenar por no máximo 3 dias sob refrigeração (30C); - armazenar por no máximo 3 meses no congelador (-180C). Aplicações: Uso como base para sopas, molhos, complementação de pratos de pescados. A principal diferença entre os fundos claros de pescado é a presença do toque ácido no Court-Bouillon comparativamente ao Fumet. Fundos vegetais Nos fundos vegetais duas são as classes que contribuem para sua composição. Na primeira classe, a presença dos vegetais tem a finalidade de aromatizar o caldo, como, por exemplo, a presença de cebola, alho, tempero verde, cebolinha ... A segunda classe de vegetais caracteriza verdadeiramente o fundo, contribuindo com seu sabor propriamente dito como, por exemplo, a incorporação de espinafre ou couve, couve-flor ou repolho, brócolis ou tomate, abóbora ou pimentão ... A elaboração do fundo vegetal pode ser observada na Ficha técnica abaixo – Tabela 3. Tabela 3. Ficha técnica de preparo de fundo de vegetais. Ingredientes QuantidadeVegetais aromáticos (cebola, alho, tempero verde ...) 200g Vegetais que caracterizam o fundo 300g Água fria 1500ml Manteiga 50g Modo de preparo: 1. Pré-preparar os vegetais cortando em pedaços pequenos e juntar aos aromáticos; 2. Aquecer a manteiga em caçarola média, refogando nela os vegetais sem deixar corar; 3. Adicionar água fria levando a pré-ebulição. 5. Temperar com uma pitada de sal. Deixar em fogo brando por 30minutos sem tampar, escumando se necessário. 12. Passar pelo chinois (escorredor em formato de chapéu de chinês) forrado com papel de filtro, sem apertar; 13. Esfriar rapidamente sobre local com gelo (choque térmico) ou câmara de resfriamento rápido. 14. Armazenar sob refrigeração (30C) Validade: - armazenar por no máximo 3 dias sob refrigeração (30C); - armazenar por no máximo 3 meses no congelador (-180C). Aplicações: Uso como base para sopas, molhos, complementação de ensopados, estufados, braseados etc. Os Gordurosos Os meios “gordurosos” não são verdadeiramente fundos já que não se enquadram em seu conceito. A manteiga clarificada e a derretida são utilizadas como meios gordurosos e aplicam-se em molhos quentes (semi-coagulados e emulsionados) ou frios (emulsionados estáveis e instáveis). A emulsão é uma mistura de dois elementos não-miscíveis que, pela presença de um emulsionante, podem ficar juntos fazendo a mistura engrossar. Estes elementos podem ser: água e gordura (molhos emulsionados) e água e ar (molhos batidos, onde a emulsão é instável, pois, após certo tempo o ar irá se libertar, fazendo o produto murchar). A manteiga é um ingrediente utilizado para a finalização em molhos e como agente emulsificante em líquidos quentes, também conferindo brilho. A aplicação da manteiga gelada garante uma maior uniformidade da emulsão, evitando que se separe do molho (talhar). Já o creme de leite atua como agente espessante quando colocado em redução em fogo branco. Fundos escuros (Fond de veau) Os fundos escuros são os caldos preparados à base de carnes e ossos bovinos, vitela e aves (ou ainda de porco), corados ou assados em gordura, às vezes com adição de um mirepoix ou outro composto aromático e logo fervido em água. Como nos fundos claros, o cozimento em água deve ser lento e prolongado. Os fundos que levam ossos bovinos muito corados são escuros. Para se obter fundos de caça, substitui-se os ossos bovinos por aparas e ossos de caça de pelo ou pluma. Às vezes, adiciona-se vinho tinto ao cozimento. Tabela 4. Ficha técnica de preparo de fundo escuro de boi, vitela ou ave. Ingredientes Quantidade Ossos de boi/vitela ou ave 1Kg Cenoura 100g Cebola picada 1 unidade Alho 2 dentes Tomate 200g Bouquet garni 1 unidade Água fria 1 a 2L Rendimento: 1000ml Modo de preparo: 1. Cortar os ossos em pedaços pequenos; 2. Colocar em assadeira rasa sem grodura, em forno muito quente (2500C) para dar um colorido (cuidado apenas para não queimar evitando sabor amargo); 3. Quando estiver corado acrescentar as cenouras e as cebolas picadas, deixando por mais 10minutos para liberar os sabores dos aromáticos, polvilhar um pouco de farinha de trigo para acentuar a cor; 4. Retirar com uma escumadeira todos os ingredientes e colocar em um caldeirão médio, acrescido de água fria, sem sal, adicionando então o bouquet garni e os tomates; 5. Acrescentar um pouco de água ao resíduo da assadeira e incorporar aos ingredientes do caldeirão (se não estiver queimado); 6. Levar para cozer em temperatura de pré-ebulição (900C) por no mínimo 5horas; 7. Escumar constantemente, acrescentando água se necessário; 8. Passar pelo chinois (escorredor em formato de chapéu de chinês) forrado com papel de filtro, sem apertar; 9. Desengordurar se necessário; 10. Esfriar rapidamente sobre local com gelo (choque térmico) ou câmara de resfriamento rápido. 11. Armazenar sob refrigeração (30C) Validade: - armazenar por no máximo 3 dias sob refrigeração (30C); - armazenar por no máximo 3 meses no congelador (-180C). Aplicações: Uso como base para sopas, molhos, complementação de ensopados, estufados, braseados, deglaçar. Fundos Reduzidos Os fundos quando deixados sob fogo muito baixo diminuem (reduzem) de volume e, com isso, tornam-se mais concentrados. Reduzidos de melhor qualidade são obtidos trocando para recipientes menores a fim de se concentrar mais lentamente. Algumas modificações realizadas nos reduzidos podem gerar ao final produtos distintos, por exemplo: essências, glacê e extrato. As essências podem ser obtidas a partir de fundos com o dobro de ingredientes sólidos ou a quantidade de água reduzida pela metade. Ao final da redução o produto apresenta sabor mais acentuado e aparência pastosa. O glacê (glacê de viande) diferencia-se dos demais pela consistência final do reduzido brilhante e xaroposo. Quando mergulhada uma colher no glacê, a mesma fica recoberta por uma película de aspecto gelatinoso. Um extrato pode ser obtido com uma maior concentração do reduzido chegando a uma consistência sólida ao esfriar. Aproveitamento da crosta: Rôti A crosta obtida ao final da redução de um caldo em uma panela pode ser aproveitada e ser fonte de um saboroso ingrediente no preparo de molho acrescido de vinho, de mais fundo ou nata. O Rôti não é considerado um fundo em si. 1.2 As Ligações As ligas são preparações que proporcionam o adensamento (espessamento) de líquidos como fundos, molhos, cremes, etc. Ex.: cereais e derivados, tubérculos e derivados, legumes e frutas ricas em amidos. As ligas podem ser tanto de fonte animal quanto vegetal: farinhas, féculas, frutas/legumes, ovos, gelatina e sangue. Ligas amiláceas: farinha, féculas, frutas/legumes Os ingredientes que fazem parte desse grupo apresentam em comum um alto teor de amido que quando expostos a temperatura a partir de 500C, na presença de água, são capazes de gelatinizar (espessar, adensar). Alguns fatores estão relacionados ao processo de gelatinização do amido como: Quantidade de amido adicionada ao líquido; Temperatura de cocção; Condição de cocção: as mais rápidas geram produtos mais firmes, as condições mais lentas geram um adensamento mais fino, menos espesso; Fonte amilácea: na mesma quantidade utilizada o amido espessa mais do que a farinha de trigo; A presença de ácido diminui o adensamento e, portanto, certos ingredientes devem ser adicionados ao final, como por exemplo suco de limão, vinho, tomate, pepino ou qualquer outro de natureza ácida; A presença de solutos como o sal e o açúcar também interferem na capacidade de adensamento, retardando o seu processo; O amido na forma dextrinizada redução da sua capacidade de adensamento quando comparado a sua forma original. O amido dextrinizado é aquele que sofreu quebra de parte de sua estrutura, na presença de calor seco. Essa redução de tamanho do amido o torna mais solúvel em água fria, entretanto, sua capacidade de adensamento se torna reduzido. Tipos de ligas amiláceas: Roux: liga cozida de farinha de trigo ou amido e gordura na proporção de 50% de gordura e 50% de amido. Roux branco: consistência aveludado e homogêneo, tempo de permanência em fogo brando de 3minutos, poder de espessamento de 100%; Roux amarelo: consistência aveludada e e coloração amarelo brilhante, permanência em fogo brando de 3 a 5 minutos, poder de espessamento de 80%. Roux escuro: consistência levemente aveludada com coloração marrom, tempo de permanência em fogo brando de 5 a 8 minutos, poder de espessamento de 50%. O roux escuro além de fornecem espessamento também confere coloração ao molho, caldo, sopa, etc... Roux negro: consistência flocada com coloração de torrado, permanência em fogo brando acima de 8minutos, poder de espessamento de 20 a 30%.O roux negro também confere espessamento e coloração ao molho, caldo, sopa... Beurre manié: consiste de uma liga crua de farinha de trigo e manteiga para engrossar caldos e molhos ferventes. A proporção de farinha de trigo e manteiga é a mesma do roux (50% de cada). Pode ser aplicada em preparações que estão prontas e precisam de espessamento imediato, adicionado ao líquido quente e batido com auxílio de um fouet (batedor) até atingir a consistência desejada. Slurry: liga homogênea de líquido com amido (pode ser farinha de trigo, amido de milho, araruta ou fécula). O farináceo é adicionado ao líquido até que se torne uma mistura homogênea. O slurry é adicionado a preparação que deve ser espessada. A proporção utilizada é 1 parte de amido para 2 partes de água (ex.: 10g de amido para 20ml de água). A proporção de farinha/manteiga pode ser alterada na elaboração de um roux de acordo com a consistência final desejada. Para cada 250ml de líquido pode-se aplicar os seguintes percentuais de farinha de trigo e manteiga: Ralo (4%) Médio (7%) Grosso (10%) Farinha de trigo 10g 18g 25g Manteiga 10g 18g 25g Ligas protéicas de origem animal As ligas protéicas de origem animal são compostas pelos ovos, gelatina, sangue, nata/manteiga, fígado, etc. Os ovos podem atuar como liga protéica de três formas: inteiros, conferindo consistência (firmeza) em produtos de confeitaria; com a gema, realizando uma emulsão óleo/água em preparações quentes ou frias (ex.: maionese – molho frio; holandês – molho quente); com a clara efetuando uma emulsão água/ar (ex.: estabilização de sorvetes). A gelatina é uma liga e estabilizante obtida através do colágeno de tecidos conjuntivos e ossos. Sua aplicação destina-se a conferir consistência a líquidos e preparações que serão servidos frios. A força da liga pode ser reduzida por fatores como a quantidade de açúcar e ácido presentes na preparação. A capacidade de adensamento do sangue está relacionada ao poder de coagulação de suas proteínas quando aquecido em um líquido ácido. Pode ser utilizado em molhos e embutidos. Liason: é uma liga protéica de origem animal com baixo poder de espessamento, utilizada para conferir sabor. Nessa liga são utilizados o creme de leite e a gema, nas proporções 25% e 75%, respectivamente. O creme de leite terá a finalidade de conferir textura deixando os molhos com consistência aveludada e brilhante. A gema confere espessamento e coloração aos molhos. Os produtos que apresentam a liga protéica como fonte adensamento não devem ser expostos à temperatura de ebulição. Temperaturas elevadas podem levar a coagulação drástica dessas proteínas ocasionando defeitos de floculação irreversível, ou seja, sem retornar ao estado original. Durante o preparo de um creme inglês, por exemplo, a temperatura deve oscilar entre 85 e 950C. Entretanto, o efeito de adensamento é observado apenas com o esfriamento do produto. No caso de ligas amiláceas, o efeito de adensamento já pode ser observado durante a cocção do produto. Ligas protéicas de origem vegetal Além das ligas amiláceas, também podem ser utilizados alguns polissacarídeos de origem vegetal como agentes espessantes, gelatinizantes, emulsificantes e estabilizantes, como por exemplo: pectina, agar-agar, goma guar, goma xantana, goma arábica e goma adragante. São utilizadas principalmente na indústria alimentícia em produtos como geléias, sorvetes, conservas, etc. 1.3 Os Aromáticos São ingredientes, geralmente legumes, ervas e especiarias, com a prioridade de realçar o sabor e aroma de alimentos, fundos, caldos e preparações variadas. As proporções utilizadas de cada ingrediente são de grande importância para conferir a característica do aromático. Tipos de aromáticos: Salmoura: o sal pode ser aplicado de diversas formas, seja para marinar o alimento ou temperá-lo na hora do cozimento – polvilhado (sal fino ou grosso) ou esfregado (sal grosso). Vinha d’alhos: é uma marinada com agentes diluentes como o vinho ou vinagre acrescidos de salmoura e aromatizantes (alho, cebola, pimenta em grãos ...) Vegetais: os vegetais são utilizados com o propósito de conferir sabor, cor e melhorar a produção das preparações culinárias. Purês: vegetais e legumes reduzidos a purês incorporados ao alimentos com o propósito de melhorar aspecto e sabor. Mirepoix: vegetais aromáticos cortados em cubos pequenos e utilizados para realças o sabor de fundos, sopas, molhos; as proporções utilizadas sãos as seguintes: 50% de cebola, 25% de salsão e 25% de cenoura; Mirepoix branco: apresenta composição semelhante a mirepoix, retirando-se a cenoura e adicionando-se alho-poró e/ou nabo. Usado para molhos claros e fundos. Matignon: realiza-se a partir do mirepoix, acrescentando gordura como o bacon ou presunto; Bouquet garni: composto basicamente de salsão, cenoura, salsinha, tomilho, louro e funcho (erva-doce) amarrados. Retira-se após fornecer ao fundo, molho ou sopa o sabor desejado. Sachê d’épices: composto por dente de alho (opcional), folha de louro, pimenta em grãos, cravo da índia (opcional), ramo de tomilho e talo de salsinha envoltos em pano fino ou étamine. Retirado ao final da sua utilização. Cebola brulée: cebola descascada cortada ao meio e tostada na chapa ou frigideira. Sua finalidade é aromatizar, acentuar cor de fundos e molhos escuros. Cebola piquée: cebola descascada e cortada ao meio. Acrescenta-se a cebola 1 folha de louro espetada e dois cravos da índia, um de cada lado. Duxelles: mistura de cogumelos bem picados e salteado em manteiga, cebola, alho poro, vinho branco, utilizado para conferir sabor e textura em molhos e preparações diversas. Pesto: preparado cru feito com azeite extravirgem de oliva, alho, manjericão, queijo parmesão ralado, nozes ou pinholes (passados no processador) para acompanhar massas; 1.4 Os Embelezadores e melhoradores A classe dos embelezadores e melhoradores incluem ingredientes que ao serem adicionados proporcionam melhor aparência e sabor, intensificando ou reduzindo determinada característica de fundos, molhos, sopas etc. Tipos: Ligas finas: possuem a capacidade de adensar suavemente os preparados.ex.: gemas, féculas, etc. Gorduras: ingredientes com alto teor de gordura suavizam ou espessam alimentos, por exemplo, manteiga iogurte, requeijão ... Corantes: são ingredientes coloridos que realçam a cor das preparações culinárias podendo também ser aromatizantes, por exemplo, páprica, mostarda, açafrão ... OS MOLHOS E EMULSÃO Os molhos são utilizados para dar consistência, sabor e tempero aos alimentos. Também funcionam como acompanhamento de pratos frios ou quentes e são utilizados principalmente em carnes, aves, pescados, legumes e saladas, ou quando se pretende modificar o sabor de um alimento. Os molhos podem ser quentes, frios e a base de gema. As representações dos molhos clássicos podem ser observadas nos esquemas abaixo. Alguns molhos para sua elaboração devem se encontrar sob a forma de emulsão. A emulsão é uma mistura de dois elementos que não se misturam pois apresentam “polaridades” diferentes. O exemplo clássico de dois compostos que não se misturam é o óleo e a água. Quando adicionada uma certa quantidade de óleo em um copo com água percebe-se a formação de duas fases – a camada do óleo e a camada da água. Entretanto existem alguns compostos chamados emulsionantes capazes de unir esses dois elementos. Os emulsionantes possuem as duas polaridades na mesma estrutura possibilitando a união dos compostos com polaridades diferentes, como o óleo e a água. Molhos emulsionados podem conter uma mistura de manteiga, óleo ou creme de leite servidos frios ou quentes. Os mais comuns são: holandês (hollandaise), bernaise, maionese e picante. Os molhosfrios como o Vinagrete, Ravigote, Pescador, Crioulo, Francês são utilizados para temperar saladas simples, compostas, certos miúdos e hors d’oeuvre frios. Ainda na classe de molhos frios são encontrados molhos que têm manteiga como base. Esses molhos são servidos em molheiras para acompanhar carnes ou pescado. Eles ainda podem ser resfriados e moldados para serem servidos. Outra classe de molhos é o que possui a gema como base. Os molhos podem ser frios ou quentes. Atualmente os molhos frios a base de maionese utilizam a industrial ou gema pasteurizada. Isso evita problemas com contaminação por Salmonella, devido às antigas maioneses possuírem na composição gemas cruas. Molhos quentes à base de gema já não apresentam esse inconveniente já que o processamento término adequado irá eliminar esse contaminante. Composição de alguns tipos de molhos: Holandês: molho elaborado com manteiga clarificada, gema de ovo, suco de limão e temperos, de sabor suave e delicado, usado em peixes e frutos do mar, ovos, vegetais e massas. Béarnaise: utiliza manteiga clarificada, gema de ovo, cebola, vinagre e pimenta do reino, apresenta sabor forte e picante e á aplicado a carnes; Picante: contém gemas, creme de leite, vinho e condimentos. É utilizado em peixes e frutos do mar, aves, caça e carnes; Vinagrete: azeite, vinagre, cebolas, ervas finas (estragão, cerefólio, tempero verde); Ravigote: vinagrete, alcaparras, ovos duros, picles de pepinos; Pescador: vinagrete e camarões miúdos; Crioulo: azeite, vinagre, alho, cebola, tomates, pimentões Francês: azeite, vinagre, mostarda, sal, pimenta branca. Gelatina: o molho a base de gelatina, além desse ingrediente, pode ser incorporado de demiglacê, velouté de ave ou pescado, fumet. Molhos manteiga como base: Maitrê d’hotel: manteiga, suco de limão, salsa, pimenta branca e sal (servir como pomada); Estragão: manteiga, estragão, pimenta branca e sal; Beurre vert: manteiga, purê de espinafre, temperos; Beurre Blanc: echalottes picadas passadas na manteiga derretida e reduzida com vinho branco. Resfriar e misturar com manteiga em pomada; Beurre Rouge: lagosta ou lagostim processado com manteiga, fundir em banho-maria, coar e utilizar em molhos e sopas a base de pescado; Escargot: vinho branco com escargot, reduzido, peneirado e misturado com manteiga em pomada acrescentado de tempero verde, estragão, alho, cogumelo, sal, pimenta e conhaque. Amande: passar amêndoas no processador e misturar com manteiga em pomada, passar em peneira fina. Molhos com gemas como base: Maionese: emulsão de gemas, vinagre, temperos e óleo. Alguns molhos utilizam como base a maionese. Como: Americano: maionese e ketchup Tartare: maionese, cebolinha em conserva, ovos duros e picles de pepinos; Remoulade: maionese, temperos verdes, alcaparras, picles de pepinos; Alegria: maionese, aipo e camarões miúdos Andalouse: maionese, pimentão vermelho e verde, molho inglês, pimenta do reino); Chantilly: maionese, creme de leite fresco, molho inglês e temperos; Golf: maionese, ketchup, creme de leite, suco de laranja, molho inglês e temperos. Mostarda: usa como base molho holandês mais a mostarda; Musseline: usa como base molho holandês mais a nata; Choron: usa como base molho bernaise mais purê de tomate; AS SOPAS As sopas são preparações culinárias de consistência líquida ou semi-líquida, compostas por caldo (de carne, frango, peixe ou legumes) acrescidos de cereais, legumes, verduras, leguminosas, feculentos ou macarrão, com sabor e valor nutritivo variáveis. As sopas são elaboradas a partir de um caldo base e pode ser classificada de acordo com a sua consistência em clara, ligada ou especial. Algumas preparações que delas se derivam podem ser observadas abaixo. Sopa clara: preparado claro, desengordurado e sem ligação, dando origem a: Consommé: pode ser acompanhado ou não de guarnição. Sem a guarnição pode ser dos tipos: ao Porto, de ave, de pescado. Acompanhado de guarnição pode ser: Vermicele, Rainha ou Bouquetiére. Valois: usa como base molho bernaise mais glacê de viande. En gelée: adicionada de elementos gelatinosos tornando-se um pouco espesso, mas ainda transparente. Consommé ligado: caldo adicionado de gemas ou creme em ebulição, tomando cuidado para não ferver e talhar; Fria: consommé com ou sem guarnição servido gelado. Sopa ligada: sopa adicionada de agente de espessamento, de aspecto opaco e consistente, gemas, nata, manteiga, cereais, purê de legumes, farinhas e féculas, dando origem a: Puré: o preparado é ligado por legumes secos ou frescos que após seu cozimento são reduzidos a purê, podendo ou não conter nata/manteiga; Creme: sopa originaria de fundo claro que foi adicionada de roux, sendo posteriormente colocada ao ponto com adição de nata. Velouté: semelhante à creme, entretanto, o ponto é dado no momento de servir com gema ou nata. Fria: sopa preparada com legumes secos ou frescos servida fria. Especial: sopa que segue alguma alteração às especificações anteriores. Geralmente está relacionada com características de uma região ou país. OS HORS-D’OUVRE A tradução literal do termo hors d’ouvre significa “além do trabalho principal”. Ele também é conhecido como aperitivos, entradas, primeiro curso ou amuse bouche e são preparações servidas antes do prato principal de uma refeição. Originalmente eram servidos aos comensais na forma de pequenos petiços para entretê-los durante uma reunião. Entretanto, mais tarde foi incorporado à estrutura do cardápio fazendo parte do serviço. Geralmente o hors-d’ouvre frio é servido no almoço, enquanto o quente costuma ser oferecido no jantar. Ingredientes servidos como hors-d’ouvre podem ser legumes sob a forma crua, cozida, em conserva, recheada, mousse, terrines, musseline, ou ainda como saladas compostas, cereais, frutas, embutidos crus, cozidos e defumados, moluscos crus e cozidos, crustáceos crus e cozidos, pescados crus, cozidos e defumados, carnes, aves, miúdos, pescados e ovos variados. Exemplos de hors-d’ouvre podem ser observados abaixo. Entradas Frias Picles de pepino e cebolinha em conserva Tomates recheados com ervilha e atum Carpaccio com alcaparras Ostras na concha talha com limão Ovos recheados com camarão e maionese Entradas Quentes, pratos com: Massas tipo brisé e folhada Molho bechamel e derivados Legumes/frutas recheadas Cereais e massas em geral ENTRÉES E GUARNIÇÕES O termo entrée deve ser utilizado com cautela porque nem sempre vai ser servido na estrutura do cardápio como uma entrada. A entrée vai variar muito sua ordem de apresentação de acordo com a refeição proposta. Essa preparação será servida sempre após o pescado ou como prato principal ou servido após este. Já a guarnição é a preparação culinária que tem a finalidade de acompanhar ou enfeitar o prato principal. Sua importância consiste em adicionar sabor ou deixar o prato principal com uma aparência melhor. Em muitos casos o nome da guarnição nomeia o prato, por exemplo, Parisienne identifica pratos servidos com molho cremoso e com cogumelos Paris. As guarnições devem ser criteriosamente escolhidas para que não destrua um grande prato. Seu preparo deve ser realizado minutos antes de servir para garantir a qualidade sensorial. Os ingredientes utilizados nas guarnições podem ser vegetais, legumes, massas, ovos, crustáceos, moluscos, azeitonas, frutas, preparações feitas com farinhas e ovos (pastéis, empadas, panquecas). Alguns exemplos de guarnição são apresentados abaixo. Nome da guarnição Composição Adequada à Algeriene Croquetes de batata, tomates pequenos e molho de tomate claro Carnes Alsacienne Choucroute braisée, salsichas poché, cortadas em rodelas e fundo de carne claro ou demiglace Tournedor Americaine Geralmente inclui lagostae escalopes à americana e molho de lagosta Pescado Anglaise Conservas em rodelas, cebolas em rodelas, purê de nabo e molho de manteiga com alcaparras ao vinagrete Carneiro Belle-Meuniere Tomate concassé, cogumelos em fatias e salsa Peixes Bonne-Femme Batatas, cebolinha, cogumelo e toicinho cozidos juntos Aves Bordelaise Cogumelos e batatas sauté Carnes Borgonha Cebolinhas inteiras, cenouras cortadas, cogumelos inteiros e bacon em pedaços, vinho tinto Aves Bourdeoise Pequenas cebolas, cubinhos de toucinho e cenouras em cubinhos Carnes Bourguignone Cogumelos, bacon cortado em cubos e fritos, pequenas cebolas e fundo de vinho tinto Carnes California Compotas de frutas Carnes/Aves Forrestier Cogumelos, toucinho e batatas em cubos salteadas na manteiga Carnes/Aves Indienne Arroz e molho à Indienne (à base de laranja/mel e curry) Diversos Lyonaise Cebolas recheadas, batatas e molho lyonaise (à base de cebola e vinho branco) Carnes Brasileira Farofa ou pirão Carnes/peixes Macedoine Jardineira de legumes Diversos Napolitane Espaguete cozido, queijo ralado, manteiga e molho de tomate Carnes/Aves Niçoise Purê de tomates salteados na manteiga, estragão, anchovas, azeitona preta, alcaparras, fatias de limão ou tomate Peixes/Carnes Parisiense Fundo de alcachofras, batatas parisienses e molho demiglace Carnes/Aves Paysanne Cenouras e nabos torneados, ervilhas e cebolas pequenas, toicinho refogado em molho Roti Carnes/Aves Provençal Tomates inteiros, cogumelos, alho e molho provençal (tomate e manjericão) Carnes OS PRATOS PRINCIPAIS Conforme foi visto, as guarnições definem muitas das vezes o nome da preparação que acompanham. As possibilidades de técnica de preparo de pratos principais são as mais variadas e, portanto, cabe ressaltar nesse item, as principais técnicas aplicadas de acordo com o tipo de carne utilizado. São apresentadas a seguir as principais técnicas de preparo de peixes e frutos do mar, aves e caças, além das carnes. 1. Peixes e Frutos do Mar Os pescados em geral pertencem a quatro categorias: peixes de água salgada, de água doce, peixes em conserva (defumados salgados, secos) e frutos do mar. Algumas características sensoriais devem ser observadas durante a aquisição dos peixes: olhos inteiros, úmidos, brilhantes e salientes; guelras limpas, vermelhas e brilhantes, sem traço de cinza ou limo; corpo deve estar firme, liso e bem rígido; a pele deve ser brilhante e úmida, não seca ou sem brilho. Ao se adquirir lagosta e caranguejo é fundamental comprá-los vivos, de preferência ativos e pesados em relação ao tamanho. Se a aquisição ocorrer com eles mortos, verificar se a casca está inteira, garras intactas, cheiro fresco, sem ser forte. Mexilhão, mariscos e ostras devem apresentar conchas com pouco lodo ou crostas, rachados ou danificados, rejeitar aqueles que continuarem abertos ao se bater na casca. As vieiras em geral são vendidas sem concha e devem apresentar cheiro adocicado e a coloração da carne levemente cinza e translúcida, não totalmente branca. Os camarões devem apresentar coloração acinzentada, brilhante, formato curvilíneo e ausente de manchas pretas. Cada espécie de peixe pode ser aproveitada através de diferentes técnicas de preparo. Podem ser encontrados peixes roliços cuja família oferece ampla gama de tamanhos e formatos. Sua carne é tipicamente firme e de gosto forte indicando a aplicação de temperos fortes. Peixes roliços Preparo Perca, tainha Ao vapor; assar; fazer churrasco Carpa Assar, refogar Bagre Ensopar, refogar, grelhar Bacalhau, Hadoque Fritar, grelhar, cozinhar, assar Cação Ensopar, assar, grelhar Enguia Ensopar, assar, grelhar Merluza Assar embrulhada, ao vapor, fritar Cavala Fritar, grelhar, fazer churrasco Peixe-anjo Fritar, assar, grelhar, fazer churrasco Salmão, truta Fritar, cozinhar, ao vapor, assar, grelhar, fazer churrasco Sardinha Grelhar, fazer churrasco, fritar, assar Vermelho Fritar, grelhar, fazer churrasco Peixe espada, atum Grelhar, fazer churrasco, fritar, assar, ensopar, refogar Os peixes achatados apresentam textura fina e, portanto, devem ser coccionados de preferência por meio de um método rápido. Deve-se utilizar o mínimo de ingredientes e indica-se preferencialmente o refogar pois ajuda a concentrar o sabor natural e delicado desses peixes. Peixes achatados Preparo Cherne Assar embrulhado ou não, no vapor, grelhar, fritar Garoupa Assar embrulhada ou não, no vapor, grelhar, fritar Linguado gigante Fritar, refogar Peixe-galo Grelhar, fritar Arraia Fritar, assar Linguado Grelhar, fritar, ao vapor, assar Alguns moluscos requerem atenção especial. O molusco vivo dá melhor sabor e portanto devem ser conservados em água salgada (4 colheres de sopa para 1 litro de água ). Devem ser limpos pouco tempo antes de serem usados. Frutos do Mar Preparo Mariscos Fazer no vapor (na casca), grelhar, assar (meia casca), ensopar, fritar (descascar) Caranguejos Ferver, ao vapor (na casca) Lagosta Ferver, ao vapor (na casca), grelhar (aberta) Mexilhões Ferver, ao vapor (na casca), grelhar, assar (meia casca), fritar e ensopar (sem casca) Ostras Servir cruas, assar, grelhar (meia casca), fritar e ensopar (sem casca) Camarão Fritar, grelhar, fazer churrasco, assar, ensopar, ao vapor Vieiras Assar, grelhar (meia casca), fritar (sem casca) Lulas Fritar, assar, ensopar Búzios Ferver (na casca), ensopar (sem a casca) As principais técnicas de preparo de peixe roliço e achatado inteiros, postas e filés, salgados, pochê, ao vapor, grelhado, assado e frito podem ser observadas abaixo. Técnica Etapas Peixe roliço (inteiro e filé) 1. Limpar e escamar (cortar barbatanas, rabos em “V”, raspar escamas); 2. Eviscerar (pelas guelras ou barriga) 3. Retirar espinha pela barriga (quando aplicável) 4. Filetar (passar a faca entre a carne e a pele) Peixe achatado (inteiro e filé) 1. Limpar e escamar (cortar barbatanas, raspar escamas); 2. Eviscerar (pelas guelras) 3. Retirar a pele (puxar primeiro a pele escura, cortar a cabeça e depois soltar a clara) 4. Filetar (passar a faca entre a carne e a pele) Salgados 1. Cortar o peixe (bacalhau) em pedaços 2. Deixar de molho por 2 dias (se muito salgado) 3. Trocar a água de 5 a 6 vezes 4. Deixar cozinhar em fogo brando por 20 minutos ou até amolecer 5. Desfiar em lascas e jogar fora pele e espinhas Pochê Em panela especial 1.Colocar o peixe no suporte 2. Cobrir com o court-bouillon frio 3. Ferver lentamente Sem panela especial 1. Forrar uma assadeira com papel alumínio 2. Colocar o peixe e despejar o court-bouillon 3. Fechar e cozinhar Ao vapor 1. Encher o fundo de uma panela a vapor com court- bouillon 2. Ferver em fogo brando até o peixe ficar opaco Grelhar 1. Retirar o peixe de uma marinada 2. Grelhar em fogo alto por 2minutos 3. Virar o peixe, pincelar com marinada ou azeite de oliva 4. Grelhar por mais 2 minutos Assar 1. Arrumar o peixe em uma assadeira untada 2. Espalhar temperos e cobrir com líquido 3. Assar descoberto a 1800C por 30min ou até ficar opaco Assar En papillote 1. Cortar o papel manteiga, impermeável ou alumínio em formato de coração e untar; 2. Colocar o peixe com os temperos e caldo; 3. Dobrar a outra metade do papel e fechar torcendo toda a volta 4. Por em uma assadeira e assar a 1800C por 15 a 20min até a trouxinha estufar Fritar 1. Colocar o peixe de cabeça para baixo 2. Fritar por 5 minutos e virar 3. Fritar por mais 3 a 5minutos Obs.: no caso de fritura submersa (muito óleo) o tempo total de fritura é de 7 a 10minutos. 2. Aves e caças As aves e caças podem ser escolhidas tanto frescas como congeladas. Elas devem ser escolhidas com aspecto cheio e bem formadas, com pele perfeita, clara e cor homogênea.A pele das aves deve ser úmida sem ser molhada. Tanto a raça quanto a ração podem alterar a cor da pele e sabor da carne. Diferentes tipos de aves serão submetidas a técnicas de preparo similares como assar, ensopar, caçarola, ao vapor, grelhar, fazer churrasco ... Entretanto é de fundamental importância saber diferenciar cada espécie e importantes características sensoriais, conforme descrito abaixo. Aves Descrição Frango Pele cor creme e macia, aparência fresca e imida Pato Pele flexível e lisa. Aparência seca. Corpo comprido com peito estrito Ganso Peito cheio com osso dorsal flexível. Pele clara e lisa. Gordura amarela na cavidade do corpo. Galinha d’angola Peito longo e magro. Pele dourada e carne gorda e escura. Perdiz Cheia, carne clara e macia, cheiro de caça Faisão Boa forma e sem marcas de “tiro”. Membros intactos e não quebrados. Cheiro forte de caça Frango de leite Pele úmida e cor de creme. Coxas grossas e peito magro. Codorna Bastante carne. Forma arredondada e carne cheia. Coelho Camada homogênea de carne e dorso arredondado. Carne magra, úmida, rosa-claro, pouca gordura visível. Peru Cheio, peito e coxa gordos. Carne úmida e sem marcas. Pouco cheiro. 4. A carne bovina A grande variedade de cortes de carne bovina oferece ao cozinheiro uma ampla possibilidade de opções culinárias. A escolha de cortes adequados para o preparo desejado é fundamental. Corte mais magros devem ser preparados rapidamente e pedaços mais duros necessitam de cozimento mais lento e prolongado para que fiquem mais macios. Cortes bovinos e sua adequada aplicação são descritos a seguir. Cortes bovinos Preparo Acém Ensopar, refogar Lombo, filé migon Assar inteiro, grelhar, fritar, churrasco Filé de costela Assar, refogar, cozer na panela (desossado e enrolado) Carne moída Usar em molhos, tortas de carne, hambúrgueres, recheios Contra-filé Assar (com osso ou desossado) Alcatra (bife) Grelhar,fritar, fazer churrasco Capa de filé Refogar, assar, cozer na panela AS SOBREMESAS O significado literal de sobremesa significa após, depois, aquilo que sucede a refeição principal que se consome à mesa. A sobremesa costuma ser preparada com açúcar e geralmente servida após a refeição salgada. Vários pratos feitos de diversas maneiras são considerados sobremesa, variando de acordo com a culinária com os usos e os costumes de cada região. São consideradas sobremesas produtos de pastelaria, confeitaria, sobremesas geladas e quentes, frutas e queijos. 1. Pastelaria Dentre os produtos de pastelaria os principais destacam-se a pâte sucrée (massa esfarelada), pasta choux e massa folhada. A massa esfarelada é chamada de patê brisée quando utilizada em pratos salgados (tortas e quiches) e sucrée para sobremesas. Essa massa é constituída basicamente de farinha de trigo, manteiga sem sal, ovo e água. Para obter um melhor resultado utilizam-se utensílios e ingredientes à temperatura ambiente e deve-se manipular a massa o menos possível. Depois de enrolada a massa deve descansar por uns 30minutos na geladeira. A pasta choux é utilizada para criar massas crocantes que são base para bombas, éclairs e sobremesas como o croquembouche. A técnica básica é cozinhar a pasta até começar a inflar e então juntar os ovos lentamente fora do fogo, batendo para incorporar o máximo possível de ar. Os ingredientes usados são manteiga sem sal, farinha de trigo, açúcar e ovos. A massa folhada é elaborada em três estágios para que se torne leve e com várias camadas. Utilizadas para tortas doces e salgadas, bouchées e feuilletés. Primeiramente deve ser realizada a détrempe (massa trabalhada com farinha de trigo, manteiga derretida, sal e água) em formato de bola, embrulhar e levar a geladeira por 30minutos. Na segunda etapa um quadrado de 2cm de manteiga é incorporada a massa dobrada. Será na terceira etapa então que a massa será enrolada e dobrada como uma carta várias vezes. 2. Confeitaria Na classe dos produtos de confeitaria são incluídas preparações como bolos, cheesecakes e glacês para bolos. A técnica adequada para elaboração de bolos é muito importante para se obter sucesso em sua realização. Os melhores ingredientes também são fundamentais como: os ovos – devem ser frescos, médios e à temperatura ambiente para facilitar a incorporação de ar; gordura – a manteiga deve ser sem sal, exceto quando a receita peça com sal; farinha – a maior parte das receitas leva farinha de trigo e um agente de crescimento como fermento em pó ou bicarbonato de sódio; açúcar – geralmente aplicado sobre a forma de açúcar fino como o refinado ou mascavo claro. As cheesecakes podem ser elaboradas assadas ou não, com biscoito esmigalhado ou massa esfarelada. A realização do recheio consta de purê de fruta, queijo cremoso e creme de leite batido misturados com gelatina para conferir consistência firme para fatiar. Os glacês para bolos podem ser usados para cobrir ou confeitar. Os tipos mais comuns são o glacês de açúcar (açúcar de confeiteiro e água, na proporção de 175g para 1 a 2 colheres de sopa, respectivamente), glacê real (açúcar de confeiteiro, claras, suco de limão e glicerina), glacê de chocolate (açúcar refinado, água e chocolate amargo) e glacê de manteiga (açúcar refinado, água, gema, ovo e manteiga sem sal). 3. Sobremesas quentes e geladas Pudins cremosos de arroz, suflês doces e charlottes de frutas são excelentes sobremesas quentes. Durante a elaboração de pudim de arroz seu cozimento deve ser lento para que os grânulos contendo amido absorvam o leite gradualmente e ganhem textura cremosa. A base de um suflê doce quente é um simples molho branco com temperos clássico como o açúcar e baunilha. Ao assar os suflês em formas individuas é mais fácil de visualizar o ponto e evitar que murchem. A Charlotte quente é uma combinação de uma crosta amanteigada de pão, com recheio doce e úmido de frutas As musses e os suflês são sobremesas simples servidas geladas com aspecto leve e cremoso. Creme de leite batido, gelatina ou suspiro italiano em várias combinações são necessários para deixá-los firmes. A base de uma musse de fruta é o purê de frutas adicionado de gelatina em pó, claras, açúcar e creme de leite. No suflê de frutas os três principais ingredientes são o purê de frutas, merengue e creme de leite. Os cremes são importantes preparações culinárias sendo as três principais preparações o creme anglaise (à base de ovos, baunilha e raspas de frutas cítricas), o creme bavaroise (creme anglaise com gelatina e creme de leite), o creme pâtissière (à base de ovos, farinha de trigo e fubá), o creme musseline (creme pâtissière acrescido de manteiga). Ainda na classe das sobremesas geladas encontram-se os sorvetes, sorbets e granitas. O clássico sorvete francês é uma mistura de creme anglaise congelado com creme de leite batido. A principal diferença entre sorvete e o sorbet é que o segundo nunca leva gordura, ele tem como base o açúcar com suco de frutas e pode ou não ter bebida alcoólica em sua composição, além de clara. Por isso, sua consistência é mais fina que a do sorvete de massa. Já o sorvete de massa é preparado com produtos lácteos (leite fresco, leite condensado, creme de leite ou leite em pó), aromatizantes, agente estabilizante para dar textura e tornar o produto resistente. Já a granita é uma sobremesa semi-congelada preparada com açúcar, água e frutas. 4. Frutas As frutas podem ser consumidas in natura (apenas higienizadas e cortadas) ou cozidas sob a forma de conservas, grelhadas, fritas ou assadas. As frutas podem ser cozidas em calda de açúcar, em vinhos ou mesmo em álcool. As frutas grelhadas são uma boa opção de sobremesa quente simples e rápida. Elas podem também ser fritas na manteiga como bolinhos, sautée ou flambladas. Entretantosuas característica sensoriais são ressaltadas quando assadas oferecendo doçura natural, textura macia e deliciosa. 5. Queijos Queijo é o produto fresco ou maturado, sólido ou cremoso, obtido pela coagulação do leite pasteurizado através de ação de coalho, fermento láctico ou calor. Ele pode ser feito de leite de várias fontes: vaca, cabra, ovelha e búfala. Na estrutura clássica francesa de cardápio o queijo é servido como sobremesa. Sendo bem variado os tipos servidos como o Gorgonzola, Gouda, Estepe, Brie, Camembert, Emmental, Gruyère, Edam, Roquefort, entre outros. CONCLUSÃO Através do conhecimento dos diversos tipos de preparações culinárias podemos observar uma diversidade de pratos que são produzidos nas mais diversas cozinhas dos restaurantes. Estas preparações que irão originar o cardápio ou menu, fazem parte da constituição dos pratos que serão apresentados aos clientes de acordo com cada tipo de serviço que cada restaurante adota de acordo com sua tipologia. A arte culinária é compreendida pelos pratos tradicionais e pela criação dos chefes inovando, contudo dentro de um planejamento organizado para que o cliente não venha se sentir prejudicado. A identidade do empreendimento deve ser resguardada para perdurar e ser um atrativo. Para os amantes da área de alimentos e bebidas existe uma infinidade de possibilidades de criar, de decorar, de apresentar aos clientes os mais variados sabores e beleza da culinária local, regional, e internacional, valorizando a gastronomia in locu ou trabalhando com outras culturas. Conhecer as preparações culinárias é fundamental para entender e elaborar cardápios específicos e familiarizar com a terminologia utilizada na gastronomia da rede hoteleira. Atividade única: atende aos objetivos 1, 2 e 3 De acordo com as preparações culinárias apresentadas observe a ordem e organize por escrito abaixo, verá que são a constituição de um cardápio, onde verão em aulas posteriores, a composição e o planejamento deste. __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ RESUMO Um estudo prévio das preparações culinárias torna-se necessário para entender a terminologia empregada na gastronomia facilitando o aprendizado quando apresentado o conteúdo que trata do planejamento e elaboração de cardápios. Todas as preparações culinárias (bases, molhos e emulsões, sopas, hors d’ouvre, entrées, guarnições, pratos principais e sobremesas) fazem parte da constituição ao elaborar um cardápio dos mais diversos tipos de serviços de um restaurante. Cada preparação tem as suas especificidades por isto é preciso um cozinheiro profissional responsável pela sua elaboração. A gastronomia teve sua relevância na França por isto são empregados muitos termos franceses conservando a sua referência. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS PHILIPPI, S.T. Nutrição e técnica dietética. 2ªed. São Paulo: Manole, 2003. TEICHMAN, I.M. Tecnologia culinária. 2 ed. Caxias do Sul: Educs, 2009. VIEIRA, E.V. & CANDIDO, I. Gestão de hotéis: técnicas, operações e serviços. Caxias do Sul: Educs, 2009. WRIGHT, J. & TREUILLE, E. Le cordon bleu: todas as técnicas culinárias. 6aed. Londres: Marco Zero, 2005.