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FISIOPATOLOGIA, CLÍNICA E SUPORTE NUTRICIONAL UNIDADE I FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Elaboração Camila de Almeida Pires Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................4 UNIDADE I FISIOPATOLOGIA CLÍNICA ..........................................................................................................5 CAPÍTULO 1 PRINCIPAIS FISIOPATOLOGIAS NUTRICIONAIS CLÍNICAS DE CÃES E GATOS ......................... 5 CAPÍTULO 2 CAUSAS POTENCIAIS DE DESNUTRIÇÃO EM CÃES E GATOS ................................................. 8 CAPÍTULO 3 ALTERAÇÕES DIGESTIVAS E DOENÇAS DO TRATO GASTROINTESTINAL ............................. 10 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................25 4 INTRODUÇÃO Prezado aluno, seja bem-vindo à disciplina de Fisiopatologia, Clínica e Suporte Nutricional, do curso de Nutrologia de Cães e Gatos, é um prazer tê-lo aqui conosco, como leitor de nosso conteúdo. Você deve estar se questionando o motivo para estudar a fisiopatologia, clínica e suporte nutricional cães e gatos. Quais são os principais pontos que precisamos focar? O que a rotina clínica precisa para fornecer aos pacientes um suporte nutricional eficiente? Diante desse contexto, ao longo da disciplina de Fisiopatologia, Clínica e Suporte Nutricional, iremos percorrer os caminhos que os principais nutrientes fazem para auxiliar no bom funcionamento do organismo, bem como restabelecer ou manter uma condição corporal. Na unidade 1, vamos abordar os conceitos de nutrição e desnutrição, os principais elementos que o corpo necessita, as consequências relacionadas as deficiências de forma direta e indireta, as alterações em trato digestivo que encontramos na rotina clínica de pequenos animais. Na unidade 2, vamos conversar sobre as hepatopatias e a doença renal crônica, patologias que afetam os dois principais órgãos relacionados com a metabolização de quase todas as substâncias do organismo, sendo a avaliação criteriosa do paciente o ponto-chave para promover melhor prognóstico. Na unidade 3, a fisiologia digestiva e o comportamento alimentar serão trabalhados para que possamos pontuar as principais diferenças entre as espécies. Conversaremos sobre os carboidratos, as gorduras, as proteínas em relação à sua metabolização, as possíveis fontes e recomendações. Finalizamos com a unidade 4, abordando as principais patologias de cães e gatos e o suporte nutricional respectivo. Os conteúdos apresentados nesse material são de grande importância para sua formação acadêmica e profissional. Espero que possamos obter excelentes aproveitamentos. Desejo um ótimo estudo! Vamos começar? Objetivos » Descrever as fisiopatologias clínicas de cães e gatos. » Discutir os possíveis protocolos para o devido suporte nutricional de pacientes com alterações digestivas. » Explicar as condutas nutricionais mais indicadas para pacientes com alterações endócrinas, como a diabetes, hepáticas, como a lipidose, e em casos de hipersensibilidade alimentar. 5 UNIDADE IFISIOPATOLOGIA CLÍNICA CAPÍTULO 1 PRINCIPAIS FISIOPATOLOGIAS NUTRICIONAIS CLÍNICAS DE CÃES E GATOS A nutrição é a base para o desenvolvimento de todo ser vivo, seja ele animal ou vegetal. Uma dieta balanceada proporciona melhor resposta imunológica do indivíduo, melhor desenvolvimento e escore corporal, melhores desempenhos reprodutivos, e menor incidências de alterações fisiopatológicas de uma forma geral. Porém, em uma condição de subnutrição, o animal pode apresentar doenças secundárias às alterações alimentares, como doenças osteometabólicas, infertilidade, dermatopatias etc. Assim como em uma situação de superconsumo, que pode gerar uma condição de sobrepeso e, consequentemente, alterações articulares, obesidade, diabetes e outras alterações. Outro assim, essas condições são agravadas nas diferentes fases da vida do animal, em que a demanda nutricional também difere. Por exemplo, animais jovens (filhotes), que estão em fase de crescimento, possuem uma demanda maior de minerais, proteínas e energia, para o desenvolvimento ósseo e metabólico, que animais na fase adulta. Assim como os animais mais velhos (sênior), que possuem uma demanda diferenciada de minerais e outros componentes. Fêmeas gestantes ou lactantes também compreendem um grupo de elevadas necessidades nutricionais, principalmente de água. Dessa forma, o conhecimento dessas exigências e a maneira correta de realizar o manejo nutricional auxiliam na maior longevidade, produtividade e expectativa de vida dos animais. Proteínas, gorduras e carboidratos fazem parte do grupo que produz energia. A água, as vitaminas e minerais são o que diretamente não produzem energia, porém, todos possuem importância no funcionamento do organismo (Agar, 2007). 6 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Mesmo com a evolução da nutrição de animais de pequeno porte, ou petfood, como também é chamado, ainda assim, existem diversas razões para animais de estimação sofrerem deficiências nutricionais. Doenças como a deficiência em taurina ou a polimiopatia hipocalêmica em gatos alimentados com elevados teores de proteínas, mas pobre em potássio, podem gerar o consumo exagerado de nutrientes do organismo (Phillips; Polzin, 1998; Dibartola; Westropp, 2015). Assim como ocorre com gatos que ingerem somente fígado, o que leva o animal a apresentar sinais clínicos de hipervitaminose A (Kienzle et al., 1994). Alguns exemplos importantes compreendem elementos que são exigidos muitas das vezes em poucas quantidades, porém, a sua mínima falta gera muitos impactos, como, por exemplo, a colina classificada como uma vitamina apesar de não se encaixar totalmente na descrição desse grupo. Sua função é primordial, pois atua como doadora de partículas metila em várias reações metabólicas e é uma precursora do neurotransmissor acetilcolina, também é importante no transporte adequado de ácidos graxos entre as células. No organismo, ela é metabolizada pelo fígado e a síntese ocorre a partir do aminoácido serina. Gema de ovo, vísceras, legumes, produtos lácteos e grãos integrais são as principais fontes (Case et al., 2011). Os principais sintomas relacionados com a deficiência de colina são crescimento retardado, esteatose hepática e degeneração renal hemorrágica. O diagnóstico pode ser confirmado pela avaliação de níveis de colina e fosfatidilcolina no sangue (Kirk et al., 2000; Chamone, 2013). A biotina, que também é uma coenzima. Ela é necessária em diversas reações de carboxilação, principalmente, em algumas passagens da síntese de ácidos graxos, aminoácidos não essenciais e purinas. Ovos, por exemplo, contêm grande quantidade de biotina, porém, a clara do ovo possui uma glicoproteína chamada avidina, que inviabiliza a absorção da biotina pelo organismo. O cozimento do ovo destrói a avidina, permitindo que a biotina presente na gema seja usada. Outras fontes são leite, fígado, legumes e nozes (Nogueira et al., 2010). Cálcio e fósforo são minerais essenciais para o desenvolvimento ósseo, atuando na rigidez estrutural dos ossos e dentes, na coagulação sanguínea, funcionamento do sistema nervoso e muscular, sendo componentes de sistemas enzimáticos Burger (1988). Segundo Case (1995) pode ser encontrado em legumes, cereais, carnes e vísceras, sendo peixes, carnes, aves e vísceras boas fontes de fósforos, mas não de cálcio. A deficiência desses nutrientes causa hiperparatireoidismo secundário nutricional, hipocalcemia em fêmeas ou eclampsia. Quando em excesso, ocorre displasia de quadril, síndrome de osteocondrose, enostose e espondilomielopatia cervical caudal, de acordo com Case (1995). 7 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I É importante ressaltar que, além da fase de vida em que o animal se encontra, outrosD. A. Feline diabetes mellitus in the U. K.: The prevalence within an insured cat population and a questionnaire-based putative risk factor analysis. J. Feline Med. Surg., v. 9, pp. 289-299, 2007. 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Um exemplo clássico dentro desse contexto é a obesidade em raças de grande porte como em Pastor Alemão e Golden Retriever que naturalmente já possuem uma predisposição à displasia coxofemoral, que pode agravar-se quando o animal apresenta sobrepeso. A fêmea no período de gestação, segundo Carciofi e Jeremias (2010), necessitará de alimentos de alta digestibilidade e específicos para a fase, valores energéticos controlados até a quinta semana. No terço final da gestação, pequenas porções diárias, valorizar o conceito nutricional pela fase fisiológica, observar ganho de peso das fêmeas, 20% na média. Doenças do trato gastrointestinal, renal, endócrina, hepáticas e dermatológicas são citadas efetivamente pela literatura como as principais fisiopatologias nutricionais na clínica de cães e gatos. 8 CAPÍTULO 2 CAUSAS POTENCIAIS DE DESNUTRIÇÃO EM CÃES E GATOS Desnutrição ou má nutrição é o consumo insuficiente de calorias, proteínas, minerais e vitaminas necessário para o metabolismo tecidual normal (Sawaya, 2006). Inúmeros fatores podem gerar desnutrição em cães e gatos, e esses vão desde a apresentação do alimento, a palatabilidade, o número de vezes que esse alimento é ofertado por dia, a composição nutricional da dieta, a fase fisiológica do animal, alterações clínico-patológicas, alterações ambientais (temperatura, ruídos etc.) e de rotina do animal (por exemplo: mudança de residência, inserção de um novo componente na família), dentre outros. A falta do alimento ou a falta de qualidade desse, muitas vezes, não é a real causa da desnutrição, mas sim outro fator extrínseco, como nos casos de doença periodontal, os sinais clínicos compreendem na presença de cálculo dentário, desgastes dentários, aumento do sulco periodontal com sangramentos, emagrecimento e anorexia (Gioso, 2007; Cox et al., 2007). E assim, devido à dor ou ao incômodo para ingestão do alimento, o animal não consegue consumir de forma correta, emagrecendo progressivamente. Os animais enfermos configuram-se um grande desafio na clínica médica, pois apresentam alterações metabólicas únicas que predispõem grande risco de desnutrição e outros prejuízos. Imunocompetência, dificuldade de cicatrização, maior ocorrência de deiscência de feridas, maior probabilidade de infecção de feridas e septicemia, fraqueza muscular (cardíaca, lisa e esquelética), menores respostas do organismo e óbito (Fontoura et al., 2006). A septicemia representa a principal causa de morte em pacientes veterinários severamente doentes (Lewis et al., 2012). As respostas são diferentes em animais enfermos e em animais saudáveis devido à ingestão nutricional inadequada (Chan, 2009). Animais saudáveis conseguem se adaptar bem a períodos curtos e longos de jejum, utilizando suas reservas de carboidratos, lipídeos e proteínas por mecanismos que diminuem o gasto energético e preservam as proteínas, conforme descrito por Ferreira e colaboradores (2017). A reação ao jejum está diretamente relacionada às reservas energéticas, à duração do jejum e a outros fatores que provoquem estresse adicional. Em períodos prolongados de subnutrição, os triglicerídeos são mobilizados do tecido adiposo pela ação da enzima lipase, estimulada pela falta de insulina circulante (Cunningham, 2011; Ferreira et al., 2017). 9 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I Animais doentes em situação de jejum, relacionado ou não com inapetência, ou emagrecimento progressivo não conseguem economizar proteína muscular devido aos efeitos neuroendócrinos e de citocinas em resposta ao traumatismo, septicemia e doenças graves (Ferreira et al., 2017). Porém, animais extremamente doentes respondem a essa condição com catabolismo, hipermetabolismo, síntese inadequada de proteínas, além de hiperglicemia para suprir a demanda de aminoácidos requeridos para reparar tecidos e para a rota de gliconeogênese (Lehninger, 2006), consequentemente, isso gera um desequilíbrio metabólico e exige um suporte nutricional para desacelerar ou até mesmo parar a perda de massa magra, e poder melhorar as respostas imunológicas, diminuindo, então, os índices de morbidade e mortalidade (Codner, 2012). Caso o estado hipermetabólico vier a se estender sem a devida intervenção, pode gerar imunossupressão, esgotamento de nutrientes em nível tecidual e celular, falência de órgãos e, consequentemente, óbito do paciente (Liu et al., 2012; Ferreira et al., 2017). Cirurgias, politraumatismos, grandes queimaduras e neoplasias são situações que geralmente levam ao aumento e ao gasto de calorias oriundas de proteínas e outros substratos para reparação dos danos, aumentando a necessidade de nutrientes para realizar homeostase e promover a recuperação do paciente (Dudrick, 2009; Ferreira et al., 2017). O suporte nutricional e clínico precisa ser rápido, pois, caso ocorra demora, a doença crítica e o estresse oxidativo geram alterações fisiológicas e conduzem a uma redução no tamanho da vilosidade e na profundidade da cripta, assim como no aumento na permeabilidade intestinal (o que permite o escape de bactérias Gram negativas), ulceração e atrofia da mucosa (Chan, 2009) agravando a situação. A presença de nutrientes no lúmen intestinal pode prevenir esses efeitos deletérios (Nguyen et al., 2012; Ferreira et al., 2017). A desnutrição pode ser facilmente observada nos animais, essa pode ser crônica ou aguda. Ou seja, animais que podem apresentar perda de peso progressiva a longo prazo ou a curta prazo. A investigação e o entendimento das causas exigem do veterinário um conhecimento apurado sobre os fatores que levaram à condição do paciente, bem como abordagem eficiente para melhorar a condição do paciente. 10 CAPÍTULO 3 ALTERAÇÕES DIGESTIVAS E DOENÇAS DO TRATO GASTROINTESTINAL O trato gastrointestinal possui uma função fundamental na extração de nutrientes dos alimentos e na sua disponibilidade para serem utilizados pelo corpo, além disso, é regulador e protetor do organismo. Obtém a capacidade de controlar a digestão e absorver os nutrientes, por estímulo ou inibição, quando esses se encontram em falta ou em excesso (Case; Carey; Hirakawa, 2000). Dessa forma, o entendimento e conhecimento das características anatômicas e fisiológicas de cães e gatos são fundamentais para elucidar as alterações do trato gastrointestinal. Além dos conhecimentos teóricos, muitos necessitam do auxílio de exames laboratoriais e de imagem, e de um direcionamento nutricional para favorecer a recuperação do paciente. Dentre as alterações mais observadas na rotina clínica de pequenos animais, é possível citar as constipações, doenças virais como a parvovirose, doença inflamatória intestinal, alterações diversas que acometem especificamente o intestino delgado e grosso, dentre outras. 3.1. Constipação A constipação é caracterizada pela ausência, pouca frequência ou dificuldade de defecação associada à retenção de fezes no colón e no reto. A constipação grave pode evoluir para um fecaloma quando as fezes se tornam excessivamente duras e incrustadas dentro do colón (Kim et al., 2017; Abonizio et al., 2018). O megacólon refere-se à dilatação e hipomotilidade do colón, mas é raro ser observado em cães, mas em gatos pode incluir anormalidades neurológicas no músculo liso do cólon (Bauer, 1996). De forma geral, essa pode ocorrer em consequência de qualquer doença que prejudique o movimento das fezes através do colón. Quando as fezes são mantidas dentro do colón por um período prolongado, a água continua a ser absorvida, produzindo fezes cada vez mais duras e secas (Eastwood et al., 2005). A constipação pode ser causada de forma secundaria à obstrução retocolônica (como a hipertrofia prostática, fratura pélvica, tumor, divertículos), a defecação com dor (lesões anais, transtornos ortopédicos), fatores ambientais(cativeiros/hospitalização, inatividade), a medicamentos (opioides, diuréticos etc), disfunção neuromuscular, anormalidades em líquidos e eletrólitos, ingestão de pelos e materiais estranhos ou ingestão inadequada de água (White, 1997; Curró et al., 2017; Kim et al., 2017; Abonizio et al., 2018). 11 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I No caso de obstrução retocolônica ou obstrução parcial associadas a uma doença, é contraindicada a alimentação com uma dieta rica em fibras para gerar maior volume de fezes. Nesses casos, é adequada uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa de fezes. Quando a constipação é observada com anormalidades nos fluidos e eletrólitos (como hipocalemia ou hipercalcemia), corrigir o estado de hidratação e o desequilíbrio eletrolítico deve ser a prioridade do plano de tratamento (Sherding, 1998). A constipação pode ocorrer em cães de qualquer idade, e ocorre tanto em machos como em fêmeas de todas as raças. A predisposição pode ajudar a limitar o diagnóstico diferencial. Nos gatos, a constipação pode ocorrer em qualquer idade, e não foram documentadas predileções por raça ou sexo (Frgelecová et al., 2013). No entanto, tem sido documentado megacólon com mais frequência em gatos machos de meia idade, sendo mais comumente afetados os gatos domésticos de pelo curto, os gatos domésticos de pelo comprido e os siameses (Bauer, 1996). O diagnóstico de constipação é normalmente realizado na anamnese e exame físico. Sinais clínicos podem incluir tenesmo, anorexia, vômitos, perda de peso, letargia e pelagem quebradiça. A apalpação retal e abdominal provavelmente revelará fezes sólidas no interior do reto e colón. Pode-se usar radiografias abdominais para melhor definir a extensão da constipação e descartar corpos estranhos, aumento da próstata e ferimentos pélvicos ou de coluna que podem contribuir para a constipação. A análise química de tiroxina sérica (T4), exames de sangue e de urina também são indicados para descartar alterações metabólicas subjacentes (Thrall, 2010). Em relação ao tratamento, uma das possibilidades que auxiliam é controlar o conteúdo de fibra dietética e de umidade na dieta e a modificação essencial nos nutrientes, o que pode neutralizar a constipação em cães e combater os casos de constipação leve a moderada nos gatos. Para gatos com megacólon, recomenda-se uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa fecal (Eastwood et al., 2005; Navarrete; Uribe, 2013; Westgarth; Singh; Vince, 2013). O tratamento medicamentoso deve procurar eliminar ou controlar qualquer doença subjacente que for identificada. Se houver presença de uma grande massa de fezes, pode-se necessitar tratamento com enema e/ou a remoção manual. Se for identificada desidratação ou anormalidades nos eletrólitos, indica-se o tratamento de líquidos adequados. Os casos sem tratamento de megacólon podem exigir uma colectomia. Abaixo, é apresentada uma representação esquemática para ilustrar de forma resumida a sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados. 12 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Figura 1. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de constipação em cães. Identificação da doença subjacente Tratar a doença subjacente Presença de desidratação Tratar a desidratação Nenhuma doença subjacente identificada Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro, T4, exames de sangue completo e urina Enema e/ou remoção manual das fezes Aumento na dieta de quantidade de fibras solúveis e/ou umidade Resolução Recorrência Implementar tratamento pro-motilidade e/ou com laxantes por via oral SIM NÃO Grande massa da matéria fecal no cólon Fonte: adaptada de Nestlé® Purina®, 2010. Figura 2. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de constipação em gatos. SIM NÃO Identificação da doença subjacente Tratar a doença subjacente Presença de desidratação Tratar a desidratação Constipação de leve a moderada sem doença subjacente identificada Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro, T4, exames de sangue completo e urina Grande massa de matéria fecal no cólon Enema e/ou remoção manual das fezes Aumento da quantidade de fibras solúveis e insolúveis e/ou umidade Enema ou remoção manual de fezes Recorrência Implementar tratamento pro-motilidade e/ou com laxantes por via oral Constipação ou megacólon Enema e/ou remoção manual das fezes Aumento da quantidade de fibras solúveis e/ou umidade Resolução Recorrência Considere colectomia Resolução Fonte: adaptada de Nestlé® Purina®, 2010. 13 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I 3.2. Diarreia do intestino delgado A diarreia consiste no aumento no teor de água, frequência ou volume das fezes (Ettinger; Feldman, 2010), as quais apresentam-se disformes ou sem consistência e que pode estar associada a perda de peso (crônico) ou vômitos. Quando há presença de sangue digerido, chamamos de melena, e diversos são os fatores que podem levar a esse quadro, assim como há diversos fatores que podem gerar o quadro diarreico, como doenças infecciosas, inflamatórias, parasitárias ou alterações mecânicas, dietéticas, e até mesmo neoplásica, em relação a duração esta pode ser aguda ou crônica) (Norsworthy et al., 2009). Nos felinos, há uma variedade de causas geradoras, incluindo infecções bacterianas ou virais, infecções causadas por parasitas ou protozoários (Giárdia, coccídeos, Cryptosporidium, tritrichomonas ou outros parasitas), disfunção mecânica (corpos estranhos ou intussuscepção), endocrinopatias (hipertireoidismo), doenças infiltravas (doença inflamatória intestinal, infecções fúngicas ou câncer, como o linfoma), má digestão de nutrientes (insuficiência pancreática exócrina – IPE) ou sensibilidades da dieta (alergia alimentar, intolerância alimentar) (Batt, 2009; Dossin, 2009). A diarreia aguda ocorre com maior frequência em cães e gatos jovens devido ao seu maior risco para indisposições alimentares, infecções parasitarias ou virais, tais como parvovirose nos cães e como vírus da imunodeficiência felina (FIV, em inglês), peritonite infecciosa felina (PIF) ou panleucopenia em gatos (Chandler; Gaskell; Gaskell, 2006). A diarreia crônica é mais comum em cães de meia idade ou idosos e pode ocorrer devido a uma variedade de causas nutricionais, endócrinas, inflamatórias ou neoplásicas. Os cães da raça Pastor Alemão têm uma maior incidência de diarreia ou enterite causada por IPE ou enterites responsivas a antibióticos (também chamado de enterite responsiva a tilosina). Inclui-se também nos gatos o hipertireoidismo, linfoma do trato intestinal, doença inflamatória intestinal (DII), alergia alimentar ou outras sensibilidades alimentares e infecções por bactérias, fungos ou protozoários. Não há predisposição de raça específica para DII ou linfoma, mas os gatos de raça pura mostram-se mais propensos a ter PIF, Trichomonas, ou outras doenças características das famílias com vários gatos (Dossin, 2009; Chandler; Gaskell; Gaskell, 2006). A doença inflamatória intestinal crônica é a causa mais comum de vômitos e diarreia crônica em cães e gatos. Pode ser classificada conforme o tipo celular em enterite linfocítico-plasmocitária (ELP), enterite (gastrite), eosinofílica (GEE) ou enterite granulomatosa. De acordo com a literatura, normalmente acomete gatos idosos e os 14 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA sinais clínicos podem ser idênticos aos dos gatos com linfoma alimentar, devendo-se relizar biospia e exame histopatológico para se chegar ao diagnóstico definitivo (Pereira, 2014; Cascon et al., 2017; Gouvêa et al., 2020). A neoplasia mais observada em intestino delgado de felinos é o linfoma, e esse pode ser classificado em: baixo grau (linfoma de células pequenas ou linfocítico), alto grau (linfomade células grandes ou linfoblástico), intermediário e linfoma linfocítico granular (Tams, 2005; Chandler; Gaskell; Gaskell, 2006). O diagnóstico da diarreia do intestino delgado começa com uma anamnese completa, incluindo dieta e histórico de medicação e outros fatores de risco (como o ambiente, a idade, problemas anteriores), e um exame físico que inclua a avaliação da hidratação, o estado físico e palpação cuidadosa do abdômen (Chandler; Gaskell; Gaskell, 2006). A análise de matéria fecal (p. ex.: técnicas de flutuação, citologia, teste imunoabsorvente ligado as enzimas – ELISA, em inglês –, análise da reação em cadeia de polimerase – PCR, em inglês) é especialmente importante em gatos jovens ou que vivem dentro/fora de casa. Na diarreia aguda, o tratamento sintomático ou de suporte pode ser suficiente (p. ex.: dieta altamente digestível, probióticos, vermifugação) (Batt, 2009). Na diarreia crônica (> 2 semanas), podem ser realizadas imagens (radiografia ou ultrassom), provas da função GI (imunorreatividade semelhantes à tripsina – IST –, cobalamina, folato), testes endócrinos (tireoide), testes para detectar vírus (vírus da leucemia felina – FeLV, em inglês –, vírus da imunodeficiência felina – FIV, em inglês), testes para infecções específicas (p. ex.: fungos) ou endoscopia/cirurgia com biopsia (Batt, 2009). Os nutrientes mais importantes, de vital interesse, em cães com diarreia são: carboidratos e gorduras. O objetivo é aumentar a digestão e a absorção de ambos os nutrientes para evitar que a diarreia piore devido ao acometimento da microbiota ou aos efeitos osmóticos da má digestão. As gorduras não digeridas são também uma importante causa da diarreia por esteatorreia. Como resultado, as dietas ideais para a diarreia devem conter quantidades moderadas de fontes de carboidratos altamente digestíveis e quantidades entre moderado e baixo teor de gorduras. Os valores mais baixos de gordura são necessários em cães com linfangiectasia ou outras doenças severas que causam a enteropatia com perda de proteína (EPP). A proteína é uma questão de particular interesse nas dietas de gatos devido a uma maior necessidade desse elemento. De todos os nutrientes na dieta dos gatos, a digestibilidade da proteína é a mais afetada pela qualidade e preparação do alimento. 15 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I Em gatos normais, a gordura é um componente alimentar altamente digestível que provavelmente não está associado à má absorção. A gordura é o principal intensificador de palatabilidade no alimento para gatos (Laflamme, 2008). Em gatos com diarreia do intestino delgado, indica-se diminuir a quantidade de fibras insolúveis, uma vez que essas fibras reduzem a digestibilidade dos alimentos e podem aumentar o risco de má absorção de nutrientes, bem como baixa ingestão (baixa palatabilidade). As fontes de fibras solúveis podem ser benéficas em certos casos, uma vez que essas fibras são digeridas pela microbiota e podem funcionar como prebióticos para ajudar a manter o ambiente intestinal saudável (Cunningham, 2004). Abaixo, há uma representação esquemática para ilustrar de forma resumida a sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados (figuras 3 e 4). Figura 3. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de diarreias associadas ao intestino delgado em cães. A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for aguda ou causada por um problema na dieta, suspender alimentação durante 18 horas. Em seguida, iniciar a alimentação com pequenas quantidades de uma dieta de baixa gordura e altamente digestível a cada 4 a 6 horas. Uma vez que a diarreia for resolvida, adicionar aos poucos a dieta habitual à dieta coadjuvante por 3-5 dias. Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Continuar com a alimentação na diarreia aguda até que o diagnóstico seja realizado. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal ou enteropatia com a perda de proteínas, iniciar uma dieta altamente digestível com muito baixo teor de gordura (alguns cães podem precisar de concentrações de gorduravárias formas de câncer do colón. Cães da raça Boxer apresentaram maior incidência de colite ulcerativa histiocítica (CUHC), um tipo específico de DII associada a antibióticos devido ao crescimento bacteriano excessivo nessa raça. As alterações mais importantes na dieta de cães com diarreia do intestino grosso consistem em administrar nutrientes altamente digestíveis para que os carboidratos, gordura e proteínas em excesso não atinjam o colón sem serem digeridos, e, em segundo lugar, modificar (aumentar) a quantidade e o tipo de fibra alimentar, bem como prebióticos para maximizar a saúde do epitélio e das bactérias do colón. Abaixo, há uma representação esquemática para ilustrar de forma resumida a sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados (figuras 5 e 6). Figura 5. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de diarreias associadas ao intestino grosso em cães. A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for aguda ou causada por um problema na dieta ou estresse, agregar fibras na dieta pode ser tudo o que precisa para normalizar a motilidade e reduzir os sinais clínicos da colite. Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Continuar com a alimentação na diarreia aguda até que o diagnóstico seja realizado. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal, iniciar uma dieta com alto teor de fibras (preferivelmente fibras mistas). Se a diarreia crônica do intestino grosso é causada por um linfoma ou outro câncer do intestino grosso que possa causar obstrução, as melhores opções de alimentação são as dietas altamente digestíveis para reduzir o volume da matéria fecal. Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos, usando uma dieta contendo uma única fonte de proteínas hidrolisadas ou fonte de proteínas hidrolisadas. Fonte: adaptada de Nestlé® Purina®, 2010. WESTGARTH, S.; SINGH, A.; VINCE, A. R. Subclinical cecal impaction in a dog. Canadian Veterinary Journal, v. 54, n. 2, pp. 171-173, Feb. 2013. 18 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Figura 6. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de diarreias associadas ao intestino grosso em gatos. A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for aguda ou causada por um problema na dieta ou estresse, agregar fibras na dieta pode ser tudo o que precisa para normalizar a motilidade e reduzir os sinais clínicos da colite. Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Alimentar como na diarreia aguda do intestino grosso até que se confirme o diagnóstico. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal, iniciar uma dieta rica em fibra, o agregado de fibra pode ser útil ou não. A maioria dos gatos com doença inflamatória intestinal colônica também tem diarreia do intestino delgado, portanto, devem-se considerar os princípios de tratamento dietético para essa doença. Se a diarreia crônica do intestino grosso é causada por um linfoma ou outro câncer do intestino grosso que possa causar obstrução, as melhores opções de alimentação são as dietas altamente digestíveis para reduzir o volume da matéria fecal. Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos, usando uma dieta contendo uma única fonte de proteínas hidrolisadas ou fonte de proteínas hidrolisadas; pode ser útil agregar uma fonte de fibras. Fonte: adaptada de Nestlé® Purina®, 2010. 3.4. Colite A colite é uma inflamação do colón que prejudica a absorção de água e eletrólitos e produz tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. A colite pode ser produzida por infecções causadas por parasitas, fungos ou Clostridium, por neoplasias ou pode ser idiopática. A fisiopatologia da colite é multifatorial e depende da etiologia. A absorção de água e eletrólito é deteriorada pela mucosa inflamada e uma secreção do eletrólito ativo pode também ocorrer. É comum que a motilidade seja comprometida e a secreção de muco aumentada, de forma secundária, pela mesma inflamação. Uma inflamação avançada pode causar erosão e ulceração do colón e sinais clínicos mais graves. A doença inflamatória intestinal (DII) é sumamente comum em cães de meia idade. Os cães da raça Pastor Alemão são os mais representativos, mas a DII está documentada na maioria das raças, bem como em raças mistas. Uma forma rara de colite, a colite ulcerativa histiocítica, ocorre principalmente em cães boxer jovens com menos de dois anos de idade. 19 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I Em relação ao diagnóstico, rotineiramente é indicado: histórico clínico, exame físico, matéria fecal, análise hematológica e análise bioquímica do soro. Muitas vezes, e necessário realizar colonoscopia e biopsia para o diagnóstico, e, ocasionalmente, biopsias da espessura completa do intestino mediante uma laparotomia. Uma dieta rica em fibras, altamente digestíveis com antígenos limitados, pode ser essencial para o tratamento de sinais clínicos. Como a maioria dos cães com colite mantém o apetite e o peso corporal, o principal objetivo da modificação da dieta é reduzir os sinais clínicos de tenesmo, disquezia, sangue ou muco nas fezes, diarreia e/ou constipação. Isto é atingido através do aumento da digestibilidade da dieta através do aumento do teor de fibra de dieta ou minimizando antígenos alimentares. A colite é documentada em todas as raças e em gatos de todas as idades. Há relatos que a doença inflamatória intestinal (DII) ocorre mais frequentemente em gatos de raça pura. Abaixo, há uma representação esquemática para ilustrar de forma resumida a sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados (figura 7). Figura 7. Representação esquemática resumida da sequência de procedimentos a serem avaliados e realizados em casos de diarreias associadas à colite em cães. Testar novamente uma dieta com antígenos limitados ou testar uma dieta altamente digestível. Considerar um teste de provocação com a dieta usual para ver se os indicadores aparecem novamente. Manejo nutricional e ou medicamento ou tratamento a longo prazo por toda a vida se os indicadores voltarem a aparecer. Dieta altamente digestível Dieta rica em fibras Etiologia desconhecida Doença infamatória intestinal ou intolerante a dieta (confirmar a suspeita) Colite neoplásica ou produzida por parasitas, fungos ou bactérias Tratamento específico com medicamentos como indicado Tratamento específico com medicamentos Avaliação geral do paciente Persistência de sinais clínicos Resolução de sinais clínicos Dieta com antígenos limitados: alimentar só com uma dieta com ingredientes limitados/pouco comuns ou dieta com proteína hidrolisada por pelo menos 4 semanas. Resolução de sinais clínicos Resolução de sinais clínicos Persistência dos sinais clínicos Resolução dos sinais clínicos Testar uma dieta rica em fibras e continue os passos. Considerar um teste de provocação com a dieta usual para ver se os indicadores aparecem novamente. Testar uma dieta altamente digestível. Fonte: Nestlé® Purina®, 2010. 20 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA 3.5. Linfangiectasia A linfangiectasia é a dilatação do sistema linfático, e em especial o sistema linfático mesentérico, que drena o intestino delgado, incluindo os vasos quilíferos das vilosidades intestinais. A doença pode ser primária (causada por um defeito congênito, presumidamente genético), secundária (a outra doença que interrompe o fluxo linfático) ou idiopática. Na maioria dos cães, a doença é idiopática e está muitas vezes associada com a enteropatia e com a perda de proteína (EPP) que ocorrecomo resultado do processo primário (linfangiectasia), ou seja, associadas à má absorção e perda de proteínas em caninos (Finco et al., 1973; Olson; Zimmer, 1978; Van Kruiningen et al., 1984; Fossum et al., 1987; Bezek et al., 1992; Barker et al., 1993). Os cães com forma congênita ou hereditária da doença muitas vezes são severamente afetados e podem ter um período de vida significativamente mais curto. Além disso, a doença em cães que apresentam forma idiopática ou secundária de linfangiectasia é bastante variável, indo de uma doença leve, clinicamente tratável, a uma doença grave, com risco de vida (Dossin; Lavoué, 2011; Gelberg, 2009; Sherding; Johnson, 2006; Tams, 2003b). Sinais clínicos da linfangiectasia (perda de peso, diarreia, esteatorreia) são uma consequência da má digestão e da má absorção de nutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos), que surgem como resultado da dilatação linfática (linfangiectasia) ou a combinação de dilatação linfática e da inflamação (que pode estar presente devido à doença inflamatória intestinal – DII – ou uma reação a lipogranulomas) (Ilha et al., 2004). As raças de cães mais comumente afetadas com linfangiectasia primaria são Lunderhund, Yorkshire Terrier e Wheaten Terrier de pelo macio. Essas raças podem ter sinais clínicos ainda quando jovens. Qualquer raça de cão pode desenvolver linfangiectasia secundária ou EPP, portanto, não há predisposição típica para essa forma em particular (Barker et al., 1993). 3.6. Pancreatite e insuficiência pancreática exócrina Agora que já falamos do trato digestório, vamos observar algumas alterações em um órgão muito importante, com funções particulares e preciosas. Lembre-se o paciente precisa ser avaliado de forma detalhada e o entendimento das patologias pancreáticas são de grande importância. Vamos lá? 21 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I O pâncreas é uma das mais importantes glândulas dos mamíferos, comum aos sistemas endócrino e digestório (Greco; Stabenfeldt, 2015). Localizado no abdômen cranial, cujo lobo direito encontra-se próximo ao duodeno proximal e o lobo esquerdo, estando entre o cólon transverso e a curvatura maior do estômago (Oliveira, 2018). Nos felinos, o ducto pancreático maior une-se ao ducto biliar comum antes da sua entrada no duodeno (figura 8), o que pode justificar a coexistência frequente de pancreatite e doença hepatobiliar no gato (Esteves, 2010). Figura 8. (A) Imagem demonstrando as duas margens (direta e esquerda) e o corpo com relação ao estômago e duodeno. (B) Ducto pancreático e biliar na espécie felina. A B Fonte: adaptada de Prata, 2016. É uma glândula mista, com função endócrina e exócrina. O componente endócrino é formalmente chamado de ilhota de Langerhans. A principal função do pâncreas endócrino é regular o metabolismo de glicose (Kierszenbaum, 2012). E é responsável pela produção de hormônios (Watson, 2015). Possui as células alfa (α), responsáveis pela síntese de glucagon, e as células beta (β), de insulina. Os dois hormônios atuam regulando o metabolismo dos carboidratos, as células delta (δ), por sua vez, produzem a somatostatina, reguladora do hormônio do crescimento (GH) (Santos, 2017). As secreções pancreáticas exócrinas têm quatro funções principais: iniciar a digestão das proteínas, carboidratos e lipídios por meio da secreção de enzimas digestivas; neutralizar o duodeno com bicarbonato, cloro e água; facilitar a absorção da cobalamina (vitamina B12) no íleo distal ao secretar fator intrínseco e regular a flora do intestino através da secreção de proteínas antibacterianas (Williams, 2001; Nelson; Couto, 2010; Washabau, 2013). 22 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Doenças do pâncreas exócrino são relativamente comuns, porém, com frequência são erroneamente diagnosticadas em cães e gatos, em razão dos sinais clínicos inespecíficos e da carência de testes clínicos patológicos sensíveis e específicos. Dentre as doenças pancreáticas exócrinas mais comuns em cães, podem ser citadas a insuficiência pancreática exócrina, a pancreatite e as neoplasias (Nelson; Couto, 2010). Nesse capítulo, será abordada a insuficiência pancreática exócrina (IPE). A insuficiência pancreática exócrina (IPE) é caracterizada por inadequada produção de enzimas digestivas (lipases, amilases e proteases), que resultará em síndrome de má digestão e absorção de nutrientes (Williams, 1996; Sherding et al., 2003). Todavia, o pâncreas possui uma reserva funcional considerável, e não ocorrem sinais de insuficiência pancreática exócrina até que grande parte da glândula tenha sido afetada, seja por perda progressiva do tecido acinar, a partir de atrofia, ou por destruição inflamatória (Sherding et al., 2003; Rallis, 2004; Williams, 2008), conforme a figura 9. Figura 9. Comparação do pâncreas de um animal saudável e animal com insuficiência pancreática exócrina, com perda de 90% do tecido acinar. Fonte: adaptada de: https://pt.slideshare.net/raytostes/aula-de-digestivo-parte-3. p.15. A causa mais comum da perda grave do tecido exócrino nos animais é a atrofia acinar pancreática (AAP) (Williams, 2008). Menos comumente, a pancreatite crônica, episódios recorrentes de pancreatite aguda ou subaguda e, raramente, por neoplasias pancreáticas (Bright, 1985; Williams, 1996; Westermarck; Wiberg, 2003). 23 FISIOPATOLOGIA CLÍNICA | UNIDADE I A maior parte dos pacientes portadores de insuficiência pancreática exócrina são levados para a consulta clínica devido a queixa do tutor em relação ao apetite exagerado dos animais, emaciação e diarreia crônica (Nelson; Couto, 2010). No entanto, a esteatorreia (presença excessiva de gordura nas fezes) não surge em cães até que mais de 85 a 90% da capacidade secretora do pâncreas tenha sido perdida, sendo, portanto, improvável que ocorra após um episódio de pancreatite aguda. As fezes podem se apresentar com a coloração amarelada ou acinzentada (Williams, 1996; Nelson; Couto, 2010). Além desses sinais clínicos, grande volume fecal e frequência de defecação, borborigmos intestinais, flatulência, perda de peso, anorexia e até êmese (Wiberg, 2004; Tams, 2005; Westermack; Wiberg, 2012). Alguns animais com IPE apresentam sinais dermatológicos de alergia alimentar, especialmente os da raça Pastor Alemão (Wiberg et al., 1998). Segundo Nelson e Couto (2010), caso a IPE seja secundária à pancreatite crônica pode haver episódios intermitentes de vômitos e anorexia, sendo que animais com pancreatite em estágio terminal também podem desenvolver diabete melito, antes ou após a instalação da IPE. Nesse caso, sinais clínicos de cães diabéticos podem ser observados, tais como: poliúria, polidipsia, catarata, alterações de pelagem, entre outros. Os felinos com jejum são considerados um grupo de risco, pois o jejum prolongado pode predispor o animal a complicações, como o aparecimento de lipidose hepática. Em casos em que o paciente se encontra muito tempo sem se alimentar, é indicado o uso de sondas até o animal reestabelecer a alimentação de forma adequada (Zoran, 2006). O diagnóstico se baseia na avaliação clínica e no histórico do animal, principalmente. Mas o hemograma e o perfil bioquímico sérico também são de grande importância. Outros exames que podem ser realizados nos pacientes são: o teste de atividade proteolítica fecal (Williams, 2008; Carvalho et al., 2010), o teste de imunorreatividade sérica semelhante à tripsina (TSI ou cTLI), também conhecido como imunorreativivade sérica da tripsina e do tripsinogênio (IST) ou imunorreatividade tripsinoide sérica (ITS) (Westermarck; Wiberg, 2003), teste imunoenzimático antígeno-anticorpo (ELISA) (Nelson; Couto, 2010), imunorreatividade à lipase pancreática canina (cPLI) (Steiner, 2010), e o teor da cobalamina (vitamina B12) devido à deficiência de fator intrínseco pancreático. Avaliar essa vitamina pode auxiliar no diagnóstico (Wiberg, 2004; Williams, 2008; Nelson; Couto, 2010). 24 UNIDADE I | FISIOPATOLOGIA CLÍNICA Naultrassonografia, podem ser observadas alterações na IPE, causada por pancreatite crônica, que auxiliam na avaliação do paciente (Saunders, 1991; Hecht; Henry, 2007), além dessa, o exame histopatológico de amostra do pâncreas obtida por biópsia em animais submetidos à laparotomia exploratória pode auxiliar na diferenciação entre neoplasia e inflamação (pancreatite) (Daleck et al., 2009; Nelson; Couto, 2010). 25 REFERÊNCIAS ABONIZIO, A. G.; KALIL, A. S.; ALBERTINI, A. L.; VIEIRA, A. F.; FOGLIA, B. T. D.; BERNARDI, C. A.; LIMA, C. M. S.; KANASHIRO, G. P.; FERREIRA, G. M.; ANDRADE, S. F. Fecaloma em gato: relato de caso. Colloquium Agrariae, v. 14, n. 2, pp. 177-182, 2018. ACKERMANS, M. T.; PEREIRA ARIAS, A. M.; BISSCHOP, P. H.; ENDERT, E.; SAUERWEIN, H. P.; ROMIJN, J. A. 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