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História de Israel EAD

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Curso de Graduação a Distância 
 
 
 
História de 
Israel 
 
(02 créditos – 40 horas) 
 
 
 
 
 
Autores/as: 
Mercedes de Budallés Diez 
José Edmilson Schinelo 
 
 
 
 
 
 
Universidade Católica Dom Bosco Virtual 
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289- 07026 
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Missão Salesiana de Mato Grosso 
Universidade Católica Dom Bosco 
Instituição Salesiana de Educação Superior 
 
 
Chanceler: Pe. Gildásio Mendes dos Santos 
Reitor: Pe. José Marinoni 
Pró-Reitora de Graduação: Conceição A. Galvez Butera 
Diretor da UCDB Virtual: Prof. Jeferson Pistori 
Coordenadora Pedagógica: Prof. Blanca Martín Salvago 
 
 
Direitos desta edição reservados à Editora UCDB 
Diretoria de Educação a Distância: (67) 3312-3335 
www.virtual.ucdb.br 
UCDB -Universidade Católica Dom Bosco 
Av. Tamandaré, 6000 Jardim Seminário 
Fone: (67) 3312-3800 Fax: (67) 3312-3302 
CEP 79117-900 Campo Grande – MS 
 
 
Diez, Mercedes de Budallés e Schinelo, José Edmilson. 
Disciplina: História de Israel 
 
Mercedes de Budallés Diez e José Edmilson Schinelo. Campo 
Grande: UCDB, 2014. 88 p. 
 
Palavras-chave: 
1. Bíblia 2. História 3. Israel 4. Teologia 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO 
 
Este material foi elaborado pelos professores conteudistas sob a orientação da 
equipe multidisciplinar da UCDB Virtual, com o objetivo de lhe fornecer um subsídio didático 
que norteie os conteúdos trabalhados nesta disciplina e que compõe o Projeto Pedagógico 
do seu curso. 
Elementos que integram o material 
Critérios de avaliação: são as informações referentes aos critérios adotados para 
a avaliação (formativa e somativa) e composição da média da disciplina. 
Quadro de Controle de Atividades: trata-se de um quadro para você organizar a 
realização e envio das atividades virtuais. Você pode fazer seu ritmo de estudo, sem 
ultrapassar o prazo máximo indicado pelo professor. 
Conteúdo Desenvolvido: é o conteúdo da disciplina, com a explanação do 
professor sobre os diferentes temas objeto de estudo. 
Indicações de Leituras de Aprofundamento: são sugestões para que você 
possa aprofundar no conteúdo. A maioria das leituras sugeridas são links da Internet para 
facilitar seu acesso aos materiais. 
Atividades Virtuais: atividades propostas que marcarão um ritmo no seu estudo. 
As datas de envio encontram-se no calendário do Ambiente Virtual de Aprendizagem. 
 
Como tirar o máximo de proveito 
Este material didático é mais um subsídio para seus estudos. Consulte outros 
conteúdos e interaja com os outros participantes. Portanto, não se esqueça de: 
· Interagir com frequência com os colegas e com o professor, usando as ferramentas 
de comunicação e informação do Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA; 
· Usar, além do material em mãos, os outros recursos disponíveis no AVA: aulas 
audiovisuais, vídeo-aulas, fórum de discussão, etc.; 
· Recorrer à equipe de tutoria sempre que precisar orientação sobre dúvidas quanto 
a calendário, atividades, ferramentas do AVA, e outros; 
· Ter uma rotina que lhe permita estabelecer o ritmo de estudo adequado a suas 
necessidades como estudante, organize o seu tempo; 
· Ter consciência de que você deve ser sujeito ativo no processo de sua 
aprendizagem, contando com a ajuda e colaboração de todos. 
 
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Objetivo Geral 
Propiciar noções gerais acerca da História de Israel, no contexto bíblico das 
Sagradas Escrituras judaico-cristãs, incluindo informações sobre geografia e história de 
Israel-Palestina, a memória que passa de geração em geração, as dominações nacionais e 
internacionais, nos vários âmbitos (político, social, religioso, econômico, etc.) e os 
movimentos de resistência nesse processo, percebendo o Deus da Vida nesta grande 
“colcha de retalhos” que é a Bíblia. 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO – SUMÁRIO 
 
UNIDADE 1 – “OUVIMOS COM NOSSOS PRÓPRIOS OUVIDOS O QUE NOSSOS 
PAIS NOS CONTARAM” (Sl 44,2) ........................................................................ 11 
1.1 Fazendo memória ................................................................................................. 11 
1.2 O que nossos pais e mães nos contaram: um povo a caminho .................................. 14 
1.3 Quando Israel saiu do Egito ................................................................................... 17 
1.4 Roteiro de leitura dos textos do Êxodo .................................................................... 18 
UNIDADE 2 – “NESSE TEMPO NÃO HAVIA REI EM ISRAEL” 
(Jz 17,6; 18,1; 19,1) ........................................................................................... 22 
2.1 A experiência das tribos ......................................................................................... 22 
2.2 Do sistema tribal à monarquia ................................................................................ 28 
UNIDADE 3 – “ÀS TUAS TENDAS, Ó ISRAEL! E AGORA CUIDA DA TUA CASA, 
DAVI” (1 Rs 12,16) ............................................................................................. 34 
3.1 Divisão dos Reinos (930 a.C.) ................................................................................. 34 
3.2 Profetismo ............................................................................................................ 38 
3.3 Entendendo o “profeta” ......................................................................................... 40 
UNIDADE 4 – “ISSO ACONTECEU PORQUE ELES NÃO OBEDECERAM A PALAVRA 
DE YHWH E VIOLARAM SUA ALIANÇA” (2 Rs 18,12) .......................................... 44 
4.1 Dominados pelos Impérios ..................................................................................... 44 
4.2 A Palestina sob a hegemonia assíria (738-630 a.C.) ................................................. 46 
4.3 Projeto de um novo Israel (640-609 a.C.) ............................................................... 47 
4.4 Acontecimentos do tempo do Exílio e suas consequências ........................................ 49 
UNIDADE 5 – “ASSIM FALA CIRO, REI DA PÉRSIA: YHWH, O DEUS DO CÉU, 
ENTREGOU-ME TODOS OS REINOS DA TERRA” (2 Cr 36,23) .............................. 53 
5.1 Domínio do Império Persa ...................................................................................... 53 
5.2 Judaísmo .............................................................................................................. 55 
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5.3 Neemias e Esdras .................................................................................................. 56 
UNIDADE 6 – “VAMOS FAZER ALIANÇA COM NAÇÕES VIZINHAS PORQUE 
DEPOIS QUE NOS AFASTAMOS DELAS, MUITOS MALES NOS ACONTECERAM” (1 
Mc 1,11) .............................................................................................................. 62 
6.1 Domínio do Império Grego ..................................................................................... 62 
6.2 Consequências vitais para o Judaísmo: nova teologia ............................................... 66 
6.3 Macabeus e Hasmoneus ........................................................................................ 68 
6.4 Literatura da época grega ...................................................................................... 69 
UNIDADE 7 – “NAQUELES DIAS, O IMPERADOR AUGUSTO PUBLICOU UM 
DECRETO ORDENANDO O RECENSEAMENTO EM TODO O IMPÉRIO” (Lc 2,1-2) . 72 
7.1 O período de dominação romana sobre Israel (63 a.C. - 135 d.C.) ............................. 72 
7.2 Movimento popular ............................................................................................... 76 
7.3 Judaísmo formativo: comunidades judeu-cristãs ......................................................Nacional: 
A situação do país não mudou muito do tempo de Salomão para seu filho Roboão já 
que este continuou com a mesma política do seu pai: Exército pago; Capital em Jerusalém 
com os luxos e mordomias de sempre. E o Templo e seus sacerdotes submetidos ao rei. 
Quem foram os reis mais significativos do Reino de Judá? 
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736-716 a.C. Acaz. Isaías aconselhou ao rei não entrar na guerra siro-efraimita. Não 
entrou, mas se aliou à inimiga Assíria, foi o começo do fim. 
716-687 a.C. Ezequias, tentou uma pequena Reforma (2Rs 18,1-6). 
687-642 a.C. Manassés foi o pior rei da história. Não houve profetas durante o seu 
reinado. Os judeus contam que Isaías foi mártir nessa época. 
640-609 a.C. Josias promoveu a grande Reforma. Morreu em Meguido quando enfrentou 
o Egito. 
598-597 a.C. Joaquin. Primeira deportação para o Exílio da Babilônia. Substituído por seu 
tio Sedecias. 
597- 587 a.C. Sedecias negou o tributo. A Babilônia reagiu e acabou com Jerusalém. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O povo foi levado ao cativeiro da Babilônia 
Os livros que contam essa história foram escritos a partir dos Anais da Corte, 
provavelmente no Exílio Babilônico e logo depois. Um dos seus interesses foi justificar a 
mudança do tribalismo para a monarquia e apresentar essa como um sistema melhor que o 
tribalismo. Outro empenho de quem escreveu foi proclamar a teologia da retribuição. Para 
Fonte: Serviço de Animação Bíblica – SAB. Paulinas. 
 
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explicar o fracasso da Monarquia afirmam que Deus castiga o mal que fizeram seus pais, 
por isso destaca as infidelidades do próprio povo desde a época tribal. Ler os livros com 
esta ideia em mente esclarece muita coisa, inclusive no entendimento da radicalidade de 
alguns profetas e do próprio Jesus ao falar do Deus da Aliança, do Deus da vida. Vamos 
tentar compreender! 
Existem outros textos na Bíblia que dão uma visão diferente da Monarquia. Veremos 
no tempo do Pós-Exílio como os livros das Crônicas, em certo modo copiados dos livros dos 
Reis, mudam alguns textos porque a sua intenção é ajudar o povo no sofrimento a manter a 
esperança que chamaremos “messiânica”. Neste mesmo intuito, alguns salmos, como os 
Salmos 72 e 132 refletem a figura do rei ideal do futuro. A tradição tanto judaica como 
cristã verá neste rei messiânico, talvez, o rei predito pelo profeta Isaías (Is 9,5; 11,1-5). 
Também o profeta Zacarias nos anima a esperar o novo rei justo e vitorioso (Zc 9,9-10). 
 
3.2 Profetismo 
 
“Depois disso, derramarei o meu espírito sobre 
todos os viventes, e os filhos e filhas de vocês se 
tornarão profetas. Entre vocês, os velhos terão 
sonhos e os jovens terão visões! Nesses dias 
especialmente sobre os escravos e escravas 
derramarei meu espírito!” (Jl 3.1-2). 
 
Entre os povos cuja história é narrada 
na Bíblia, a profecia aparece como uma fonte, 
um poço. Num período determinado, durante o 
tempo da Monarquia. Os Profetas, diríamos 
hoje que unidos ao movimento social, são os 
adversários dos Reis, como a consciência do 
povo que tem outra experiência de Deus. No 
fim da Monarquia os profetas acabam 
também. Mas continua o espírito e o conteúdo 
da profecia como água corrente que perpassa 
toda a história e chega até nós. 
 Ser profeta, na Bíblia, supõe entrar na realidade: 
1) Identificar o problema e se fazer portador das dores e sofrimento do povo. 
2) Ser radical no julgamento: fim do sistema opressor. Temos que agir! 
3) Ter esperança. O profeta confia no clã, na família, no pequeno, nos pobres. 
Fonte: Arquivo pessoal. 
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Os verdadeiros profetas se diferenciam dos falsos pelo agir. Eles são chamados e enviados: 
O convite é “Vai!”. (Is 6,8; Jr 1,7; Am 7,15) E eles vão. A profecia passa pelos pés. 
Ainda hoje, podemos reconhecer e experimentar profetas e profetizas: mulheres e 
homens num lugar concreto, num momento determinado; intérpretes da situação 
sociopolítica do seu tempo, convidando-nos à ação. 
 
Quem foram os profetas bíblicos e como profetizaram? 
A palavra «nabi» em hebraico quer dizer «profeta» em grego. Quem prega, anuncia, 
tem visões. 
No AT aparecem profetas com diferentes modalidades: Pessoas meio doidas que 
caem em delírio (1Sm 19,24), interpretam sonhos (Dt 13,2.4), consultam a Deus (1Sm 
28,6.15) e tem até quem ganha a vida com a profecia. Há profetas falsos. Há contradições 
entre os profetas (1Rs 22,1ss). E ao mesmo tempo aparecem na Bíblia profetas como 
Samuel (1Sm 3,20) com um lugar importante na sociedade, Amós (Am 7,14) que não aceita 
ser chamado de profeta, Jeremias que amaldiçoa o dia em que foi chamado (Jr 20,14), Joel 
que garante que um dia todos vão profetizar (Jl 3,1) e Zacarias que manda matar a quem 
se diz profeta (Zc 13,3-6). Aparecem profetisas como Miriam (Ex 15, 20), Débora (Jz 4,4), 
Hulda (2Rs 22,14), a esposa de Isaías (Is 8,3), Noadias (Ne 6,14), as profetizas das quais 
fala Ezequiel (13,17-19), etc. 
No seu início, a Monarquia teve o apoio crítico dos profetas. Alguns deles chegaram 
a ser conselheiros do rei (1Sm 22,5; 2Sm 24,11-19). Mas quando a monarquia se desviou 
para criar um sistema contrário à Aliança e ao Projeto de Deus (1Rs 19,10.14), aí, aos 
poucos, a profecia tomou rumo independente e transformou-se em força crítica, livre diante 
do poder, expressão da liberdade do próprio Deus. E começou a permanente tensão entre 
profecia e monarquia! 
Essa separação dos caminhos aconteceu, pela primeira vez, mais claramente, na 
época de Elias. Com ele, o profetismo tomou o rumo da defesa da Aliança e da vida do povo 
contra a prepotência do poder dos reis. E o profeta passou a ser considerado pelos reis 
como “inimigo”, como “flagelo de Israel” (1Rs 21,20; 18,17). Mesmo assim, nunca 
conseguiram calar a voz dos profetas e das profetisas. Essa situação provocou a divisão 
interna nos próprios movimentos de profetas. De um lado, havia profetisas e profetas 
ligados ao poder opressor do Rei que usavam sua autoridade profética para apoiar os reis. 
Foram os chamados “falsos profetas”. De outro lado, havia profetas e profetisas, os nossos 
profetas bíblicos, que se opunham às pretensões dos reis e dos “falsos profetas” (Jr 28,1-
17; 14,13-16; 23,9-40). 
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Na Bíblia hebraica encontramos os chamados “Profetas Anteriores”: Josué, Juízes, os 
dois livros de Samuel e os dois livros dos Reis, para distingui-los dos “Profetas Posteriores” 
que são Isaías, Jeremias e Ezequiel e os doze Profetas menores: Oseias, Joel, Amós, Abdias, 
Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageus, Zacarias e Malaquias. Nas nossas Bíblias 
temos além dos profetas posteriores já citados, as Lamentações, Baruc e Daniel. São 
variantes de caráter histórico que não deixam de ser uma riqueza para nós. 
 
3.3 Entendendo o “profeta” 
 
Tenho de gritar, tenho de arriscar, 
Ai de mim se não o faço! 
Como escapar de ti, como calar, 
Se tua voz arde em meu peito! (Cf. Jr 1). 
 
“Meu Senhor YHWH é minha força, Ele me dá pés 
de gazela e me faz caminhar altaneiramente” 
(Hab 3,19). 
 
Jeremias gritando, Habacuc e todos os outros profetas nos ensinam o que é ser 
profeta: com pés no chão, na realidade (pés de gazela) e com dignidade (altaneiramente). 
Assim foram os profetas reais. Um encontro com dois deles num estudo um pouco mais 
detalhado nos ajudará entender a realidade do que foi a Monarquia e o Profetismo. 
 
ELIAS 
 
Encontramos a história do profeta Elias, cujo nome significa “meu Deus é YHWH”, 
nos livros dos Reis (1Rs 17-21 e 2Rs 1-2). E ainda o Novo Testamento fará memória deste 
querido profeta. 
O contexto político do seu tempo está bem definido. Nos primeiros 57 anos de 
independência, o Reino de Israel teve 7 reis, dos quais3 foram mortos em golpes de 
estado. O Reino teve quatro capitais: Siquém, Fanuel, Tersa e Samaria. Ou seja, como já 
dissemos anteriormente era tempo de grande instabilidade. Conseguiu-se certo 
desenvolvimento econômico, contudo, com grande desequilíbrio social. O comércio 
aumentou e as relações com outros reinos cresceram. 
Assim, Israel pactuou com Tiro e depois com Judá, porém teve problemas com 
Damasco. Para ganhar amigos, Acab, rei de Israel casou-se com Jezabel, filha do rei de 
Tiro, a qual devia levar seus deuses à Israel. 
Dentro do contexto religioso do tempo de Elias podemos considerar o fato de Acab, 
que era rei israelita, adorar a Baal, deus da chuva (1Rs 18,18). Aparecem também 450 
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profetas de Baal que foram vencidos pelo próprio YHWH (1Rs 18,20-40). Já o profeta fala 
em nome de Deus (1Rs 21,17-24). Assim a viúva reconhece Elias como homem de Deus 
(1Rs 17,7-24) e Acab o considera agitador, flagelo de Israel (1Rs 18,17). 
 Encontramos em Elias belos exemplos de como um profeta se relacionava com o 
povo. Na falta de chuva, o profeta vai pedir alimento à uma viúva de Sarepta que partilha 
com ele. E acontece a morte e ressurreição do filho 
dela (1Rs 17,7-24). No entanto, também 
encontramos o confronto com os profetas no monte 
Carmelo (1Rs 18,1-46), e consequentemente Elias 
tem que fugir para o deserto. No deserto a 
manifestação de Deus (1Rs 19,1-18), a leve brisa, 
enche o profeta de graça e ocorre o encontro, a 
vocação e disposição de Eliseu. 
O texto que mais evidencia a vocação do 
nosso profeta, porém, é a narrativa sobre a vinha de 
Nabot (1Rs 21,1-29). Homem simples e fiel à tradição 
dos seus pais, morre pela ambição do rei. Elias condena ao rei e defende Nabot, sempre em 
favor do pequeno contra o poderoso. No fim Elias é arrebatado ao céu, mas Eliseu lhe 
sucede (2Rs 2,1-18). 
Elias, de acordo com a memória do povo, é o novo Moisés (como ele, Elias foge para 
o deserto, sobe ao Horeb, encontra com Deus). Sempre se mostra defensor da religião 
javista contra as crenças que os reis aliados aos povos vizinhos deixam introduzir em Israel. 
É bom perceber que dentro da profecia além do profeta Elias, apareceram outras 
sementes de resistência. O chefe do palácio Abdias contrariou a ordem da rainha, como 
tinha feito Nabot. É evidente que os pobres eram fiéis ao projeto de partilha das tribos. 
Assim, encontramos a viúva de Sarepta (1Rs 17,7-16). Talvez por isso Elias é tão lembrado 
no Novo Testamento: João é Elias que devia vir? És tu Elias? (Mt 11,14; Jo 1,21. 25); Uns 
dizem que tu és Elias (Mt 16,14); Na transfiguração (Mt 17,1-9); Elias já veio (Mt 17,10-13; 
Mc 9,11-13); Nos dias de Elias havia muitas viúvas em Israel (Lc 4,25); O que diz a 
Escritura a propósito de Elias (Rm 11,2); Elias que era homem semelhante a nós (Tg 5,17), 
etc. 
O “Ciclo de Elias” é a lembrança que seus discípulos contaram como incríveis 
histórias de um homem de Deus. Este ciclo é o centro de uma roda de recordações e 
releituras do Primeiro Testamento. 
 
Fonte: http://migre.me/jIubd 
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AMÓS 
 
Estamos no Reino do Norte. O momentâneo enfraquecimento da Assíria e de Aram 
faz com que Jeroboão II reconquiste certos territórios tomados pelos vizinhos. Aumenta o 
comércio, se dá o milagre econômico que acentua os contrastes sociais. Em Betel chega ser 
introduzido o “bezerro de ouro”. A teologia sacerdotal (sacerdote Amasias) justifica a 
exploração (o poder do rei). 
Ao estudar o livro de Amós, encontramos nele textos históricos e textos apocalípticos 
onde aparece terremoto, fogo, rugir (Am 1,1.14; 2,2.13). Isso significa que podemos falar 
de um primeiro Amós, anterior, aquele que mostra seu amor pela terra. E um segundo 
Amós, com uma visão mais ampla, apocalíptica. 
Haroldo Reimer (2000), privilegia duas partes: a primeira (Am 1-6) “palavras” e uma 
segunda (Am 7-9) “visões”7. Porém, o importante é a mensagem de Amós que está 
sintetizada no anúncio do “castigo” e a denúncia de suas “causas” que são principalmente o 
luxo, as injustiças, o culto e a segurança da eleição de Israel. Como também afirma Haroldo 
Reimer “em Amós, a crítica social e o anúncio do juízo divino articulam a visão de um Deus 
que toma partido pelas pessoas pobres e oprimidas na sociedade do próprio povo de Israel 
e também dos povos vizinhos (1,3.6.13; 9,7)”. 
Em Amós verifica-se uma profunda defesa dos fracos e empobrecidos e uma luta 
pelos seus direitos. A profecia articula o movimento e esperança por um Deus que através 
de um “dia mau” (Am 5,18-20; 5,8-9; 6,3b) fará com que na terra reinem a justiça, a paz e 
a dignidade humana. Que brote o direito como água e corra a justiça como riacho que não 
seca! (Am 5,24). Podemos conhecer o profeta por suas próprias palavras. Façamos a 
experiência lendo os textos de Am 7,10-17 e 8,1-8 e respondendo 
as perguntas: Qual é o conflito? Qual é a causa do conflito? De 
que lado está o profeta? Hoje, como ser também profeta? 
Os profetas e profetisas voaram alto e longe. Na liberdade 
da palavra, na fidelidade ao projeto de Deus, sua mensagem é 
ainda válida para os nossos dias e nos animam nas dificuldades 
cotidianas da vida. 
 
 
 
 
7 REIMER, Haroldo. Amós – profeta de juízo e justiça. Revista de Interpretação Bíblica Latino-americana, 
Petrópolis; São Leopoldo, v. 35/36, p.171-190, 2000. 
Fonte: http://migre.me/jG2jY 
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- Acontecimentos e rupturas dentro do próprio povo de Israel. 
- Características do Reino de Israel ou Norte e do Reino de Judá ou Sul. Divergências 
políticas e teológicas. 
- Profetismo: resposta de Deus à nova situação criada pelos reis. 
- Profetas: Homens e mulheres da Palavra; homens e mulheres de pé no chão. 
 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 
3.1. 
 
 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisor tdo 
nosso estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
Dica de aprofundamento 
Ler os livros bíbicos sobre a história de Israel é, às 
vezes, cansativo. Mas, surprende a riqueza de dados e o 
conteúdo teológico neles, manipulado por quem escreve. 
Faça a experiência de ler detalhes sobre a vida de Davi 
como em 2Sm 12,1-13,25 e seu paralelo em 1Cr 20,1-3 
comparado à história contada. Porque será que o livro 
das Crônicas não conta o episódio completo? 
*Depois poste no fórum da unidade suas reflexões. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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UNIDADE 4 
“ISSO ACONTECEU PORQUE ELES NÃO 
OBEDECERAM A PALAVRA DE YHWH E 
VIOLARAM SUA ALIANÇA” (2Rs 18,12) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Compreender os acontecimentos narrados na história e 
procurar o porquê da interpretação desses fatos na Bíblia. Abordar as dominações da 
Assíria, da Babilônia e da Pérsia e as consequências para a fé do povo da Bíblia. Teologia 
da retribuição. 
 
4.1 Dominados pelos Impérios 
 
“Depois o rei da Assíria invadiu toda a terra e pôs 
cerco a Samaria durante três anos” (2Rs 17,5). 
 
 “Isso aconteceu porque os israelitas pecaram 
contra YHWH seu Deus que os fizera subir da 
terra do Egito, libertando-os da opressão do Faraó 
Rei do Egito. Adoraram outros deuses e seguiram 
os costumes das nações que YHWH havia 
expulsado de diante deles” (2Rs 17,7-8). 
 
“Correndo atrás da Vaidade, eles próprios se 
tornaram vaidade, como as nações ao redor, 
apesar de YHWH lhes ter ordenado que não 
agissem como elas” (2Rs 17,15). 
 
Primeiro a Assíria, depois a Babilônia e ainda a Pérsia dominaram desde o Oriente as 
nossas terras bíblicas.E aconteceu... Encontramos escritos contraditórios nos quais alguns 
contam, outros interpretam e até tem aqueles que falam em nome de Deus. O que está por 
trás dessas palavras? 
 Entendamos num olhar rápido o contexto histórico da dominação da época para 
compreender a situação do povo e as palavras dos profetas nesse contexto. 
 
 
 
 
 
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SÍNTESE DO DOMÍNIO DOS IMPÉRIOS ASSÍRIO E BABILÔNICO 
 
SITUAÇÃO INTERNACIONAL SITUAÇÃO NACIONAL 
ASSÍRIA X EGITO X BABILÔNIA REINOS DO NORTE E SUL ameaçados 
734 a.C. Teglatfalassar III, da Assíria 
chegou até Galileia. Cobrou tributos de 
Acaz. 
Guerra siro-efraimita contra Acaz rei de 
Israel que pediu ajuda à Assíria. Isaías 
interveio. Pregação de Miqueias. 
732 Fim do Reino de Damasco. 
722 Sargon II chegou até Egito. Fim do Reino do Norte, queda da Samaria. 
Ezequias tentou reforma. 
Fonte: Elaboração própria. 
 
Fonte: Elaboração própria. 
 
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Troca de populações Manassés (45 anos de terror). 
701 Senaquerib de Assíria atacou 
Jerusalém. 
 
630 Profeta Sofonias. 
627 Vocação de Jeremias. 
626 Babilônia ressurgiu com Nabopolasar. 
 Josias: Reforma. Centraliza o culto em 
Jerusalém. Profetisa Hulda. 
612 Destruição de Nínive. Profeta Naum. 
609 Josias é morto quando tentou impedir o 
avanço de Necao do Egito que, aliado a 
Assíria, queria fazer frente a Babilônia. 
Profeta Habacuc. 
605 Nabopolasar chega até Síria. 
597 1ª Deportação à Babilônia. Joaquin se rende a Nabucodonosor e é 
levado ao cativeiro. 
Ezequiel prediz a ruína de Jerusalém. 
Os babilônios deixam Sedecias como rei, até 
que ele se nega pagar o tributo. 
Reação: novo cerco e queda de Jerusalém. 
587 2ª Deportação à Babilônia. Godolias, governador. 
Exilados: Reféns: Rei + Corte. 
 
Remanescentes: camponeses pobres, 
grupos proféticos, levitas, cantores, do 
interior. 
Jeremias fica entre eles. 
538 Edito de Ciro, rei da Pérsia, para que os 
exilados voltem à sua terra. 
 
 
4.2 A Palestina sob a hegemonia assíria (738-630 a.C.) 
 
A Assíria estabeleceu como uma de suas prioridades, controlar todo o acesso 
terrestre ao Egito. Para assegurar o domínio desta rota, era necessário, do ponto de vista 
do império, ter reinos vizinhos aliados entre os dois reinos de Israel e de Judá. Após um 
confronto, Israel foi reduzido à montanha de Efraim em torno da capital Samaria. No ano de 
722 a.C., sendo rei assírio Sargão II, a cidade de Samaria foi sitiada, derrotada e convertida 
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numa nova província. Judá converteu-se em um reinado submetido à Assíria. Porém, após a 
campanha de Senaquerib em 701 a.C., ficou para o reino de Judá somente a cidade e seus 
arredores. Israel ficou desde a queda da Samaria totalmente incorporado a Assíria, e Judá 
submisso como reino vassalo. Com esta incorporação do território de Israel ao império 
assírio, ficou só Judá como o herdeiro da identidade nacional e religiosa do povo que se 
conhecia como povo de YHWH. 
 
4.3 Projeto de um novo Israel (640-609 a.C.) 
 
Chegou, também, a hora do colapso do poderio assírio. Os sacerdotes e outras 
pessoas no poder fizeram um significativo esforço para restaurar Israel. Foi a chamada 
Reforma de Josias. Os textos de 2Rs 22,1-23,30 e seus paralelos nos livros das Crônicas 
informam que a política renovadora de Josias foi inspirada no “livro da Lei” (Deuteronômio) 
encontrado no Templo. 
O rei Josias procurou legitimar o reino sob uma Aliança entre YHWH, o rei e o povo 
(2Rs 23,1-3), onde o rei assumia o papel de intermediário e fiador da aliança. Assim, o 
agente capaz de executar as profundas reformas sugeridas pelo livro da aliança não podia 
ser outro senão o rei de Jerusalém. 
Surpreendente é que Jeremias denuncia a reforma de Josias como uma conversão só 
aparente (Jr 3,6-13). Samaria, disse o profeta, foi mais honesta que Jerusalém, pois nunca 
pretendeu converter-se. A conversão de Jerusalém é mentirosa, pois a injustiça continuou 
sendo a base da vida nacional. Com a diferença de que naquele momento pretendiam ter 
YHWH de seu lado. Converteram o Templo escolhido por YHWH em um covil de ladrões! (Jr 
7, 11). Lembremos essas palavras também na boca de Jesus (Mt 21,13). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma palavra a mais sobre o reinado de Josias: Conhecemos as motivações que 
justificaram a divisão do Reino e o fim do reino do Norte pelo domínio da Assíria. 
Um outro olhar! 
Fonte: http://migre.me/jGGS8 
Fonte: http://migre.me/jGGS8 
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Logicamente o declínio desse Império deu oportunidade para a elite do reino do Sul reforçar 
sua política econômica centralizada em Jerusalém. 
A chamada reforma josiânica proclamada para purificar e centralizar o culto em 
Jerusalém aboliu os santuários locais e forçou a população rural ir à Jerusalém para 
manifestar sua fé. A elite de Jerusalém expandia assim sua política centralizadora do 
estado. A imposição de uma só religião oficial fortaleceu os sacerdotes de Jerusalém e sua 
situação dentro do reino de Israel. 
Uma leitura fundamentalista só enxerga a fidelidade de Josias para com YHWH. 
Entendendo o contexto sociopolítico da época, compreendemos a grande manipulação do 
povo que a reforma conseguiu fazer. 
Vejamos por exemplo a celebração da Páscoa em 2Rs 23,21-23. Conhecemos a 
evolução da celebração da Páscoa na História de Israel. É bom, agora entender o porquê 
essa festa passou ser celebrada no Templo quando na realidade era a festa da casa, da 
família. E o significado que teve nas mudanças proclamadas por Josias8. 
Analisaremos só um exemplo, a palavra “sacrifício”, o que nos ajudará entender algo 
importante da realidade da celebração da Páscoa. 
 O sacrifício na sociedade tribal, o zebah era uma refeição comunitária das famílias 
no clã. A gordura do animal sacrificado era oferecida a YHWH e a carne partilhada com 
quem fazia a oferta. Era a renovação do pacto entre Deus e seu povo, a aliança. O pai de 
família realizava o sacrifício sem necessidade de sacerdote. 
 Na sociedade monárquica, a festa passou aos poucos a ser celebrada no santuário 
ou no templo (1Sm 1,1-7). O sacerdote era o ofertante que ficava com as melhores partes 
da carne (1Sm 2,14-16). Depois foi o rei quem oferece este sacrifício (1Sm 15,22-23) com 
reação por parte do povo e dos profetas (Am 5,22; Os 6,6). No tempo de Josias “não se 
havia celebrado uma Páscoa semelhante a esta em Israel...” (2Rs 23,22). Até o acontecido 
na sociedade pós-exílica quando o sacrifício foi não só cooptado pelo templo, mas celebrado 
junto a outros sacrifícios (em hebraico se usam nomes diferentes como shelamim e olah 
citados no livro de Levítico, capítulos 6 e 7) que não tem nada a ver com o sacrifício do 
cordeiro para ser partilhado na família. 
 
Qual é a síntese do próprio autor bíblico? 
 
2Rs 23,26-27: Contudo, YHWH não abrandou o furor de sua grande ira, 
que se havia inflamado contra Judá, por causa das provocações que 
 
8
 Acompanhamos e aconselhamos ler as preciosas orientações no livro do nosso colega: NAKANOSE, 
Shigeyuki. Uma história para contar: A Páscoa de Josias - Metodologia do Antigo Testamento a partir 
de 2Rs 22,1-23,30. São Paulo: Paulinas, 2000. 
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Manassés lhe havia feito. YHWH decidiu: “Também a Judá expulsarei da 
minha presença, como expulsei Israel; rejeitarei esta cidade de Jerusalém, 
que eu tinha escolhido e o Templo do qual eu dissera: Aí residirá o meu 
Nome” (BIBLIA DE JERUSALÉM, 2002). 
 
Jesus ao ser perguntado pela mulher samaritana sobre o lugar de adoração 
respondeu que “aquelesque adoram devem adorá-lo em espírito e verdade” (Jo 4,20-24). E 
ao ser perguntado pelos seus discípulos sobre o cego de nascença, “quem pecou ele ou 
seus pais para que nascesse cego”, Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram...” 
(Jo 9,2-3). O Deus de Jesus, nosso Pai, se revela como aquele que sempre acompanhou e 
está junto do seu povo. 
 
4.4 Acontecimentos do tempo do Exílio e suas consequências9 
 
 “No seu tempo Nabucodonosor rei 
da Babilônia marchou contra Joaquim que lhe 
esteve sujeito durante três anos” 
(2Rs 24,1). 
 
“Naquele tempo, os oficiais de Nabucodonosor, 
rei da Babilônia, marcharam contra Jerusalém e a 
cidade foi sitiada [...] Nabucodonosor levou todos 
os tesouros do Templo de YHWH e os tesouros do 
palácio [...] Levou para o cativeiro Jerusalém 
inteira, todos os dignitários e todos os notáveis” 
(2Rs 24,10- 17). 
 
“No nono ano de seu reinado [...] 
Nabucodonosor, rei da Babilônia veio atacar 
Jerusalém com todo o seu exército” (2Rs 25,1). 
 
A história relatada na Bíblia é bem conhecida por outros documentos extrabíblicos, 
anais dos Impérios. Mas, precisamos ler detalhadamente no segundo livro dos Reis os 
capítulos 24 e 25 para compreender os sentimentos de quem foi levado ao Exílio, a 
memória feita por quem contou. Quem foi ao cativeiro da Babilônia e quem ficou na terra 
de Judá? 
Provavelmente não foram muitas pessoas levadas ao Cativeiro da Babilônia. Algumas 
foram obrigadas, outras foram porque quiseram. Muitas pessoas fugiram para outros 
lugares (diáspora). O certo é que na cabeça de todos ficou a saudade da terra, do Rei, do 
Templo e sacerdotes, dos profetas. Então, criaram e fortaleceram outros espaços como: 
PALAVRA escrita, registro da memória. E radicalizada na lei. 
 
9 Agradeço esta síntese sobre o Exílio aprendido com frei Carlos Mesters, no Curso Intensivo do 
Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), no ano 1987, na Universidade Metodista de São Paulo. 
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SÍMBOLOS como a circuncisão, festas e espaço (que mais tarde será a sinagoga). 
No fundo existiram questões profundas em relação ao poder, ao passado e à 
missão. 
O poder: Já não era mais dos judeus. O povo foi levado e trazido sem se perguntar 
sua opinião. Durante o tribalismo: Deus dava o poder ao POVO. Durante a Monarquia, Deus 
dava-o ao REI. Agora... 
537 a.C.: Nabucodonosor os leva, submete, tenta acabar com sua cultura, religião. 
538 a.C.: Ciro, depois precisará de um grupo para assegurar a paz. Com o decreto, 
os judeus que voltam, exultam a Ciro, como salvador da Pátria! 
O relacionamento com o passado: Sem patriarca, sem juiz, sem rei, sem 
sacerdote, sem profeta. Para os judeus, naquele momento, a fala de Deus estava no 
passado! Assim, no cativeiro da Babilônia e entre os que ficaram na terra de Israel foi um 
tempo de síntese! Graças à preocupação de guardar o passado temos a Bíblia escrita. 
Como ficou a missão? 
A lembrança do passado não podia ser lineal. Aconteceu, passou... Tinha-se que 
reconstruir a história! Escreveu-se a Bíblia como janela, porque através dela podemos ver o 
passado. Mas também como espelho. O povo se olhava nele, olhava ao redor e criava uma 
nova consciência: O passado faz sentido! Nosso Deus ainda é um Deus Criador, Libertador... 
No sofrimento “maior” do Exílio, os feitos do nosso Deus são maiores também (por 
exemplo: o rio Nilo vira sangue!). 
Tratava-se de RE-CRIAR, de fazer novas todas as coisas. Se Deus libertou ao povo 
com poder criador (Gênesis) hoje, também o faz assim. Temos que caminhar como Abraão, 
sair da escravidão como Moisés e o povo oprimido no Êxodo. Se Abraão foi pai do povo, 
fonte de vida, agora temos que reler Abraão incluindo todas as nações. Surgiu assim, o 
projeto do 2º Isaías (capítulos 40-55): A missão do povo que sofre é universal, no serviço 
(não no poder como nossos opressores), somos chamados a ser luz das nações, nossa 
missão é universal. 
 Entendamos uma vez mais que a história 
bíblica é como uma colcha de retalhos. Recolhendo o 
mais belo das memórias contadas e escritas pelos 
“nossos pais e mães” que transmitiram a fé aos/às 
seus/suas filhos/as, neste tempo de exílio, de forma 
especial foram costurados os retalhos que hoje 
encontramos nas nossas Bíblias! 
Fonte: http://migre.me/jGO9P 
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Muitos foram os exílios, os retornos do povo dominado. E muitos foram os relatos 
tantas vezes contraditórios. Quando comparamos o texto de 2Reis 24,10-25,30 com o de 
2Crônicas 36,6-23 e levamos em conta as narrativas de Jeremias 39,1-41,18 e 52,4-34 
sentimos a sintonia com a versão do segundo livro dos Reis, porém, apresentando 
novidades importantes. 
Segundo os dados recolhidos encontramos, por um lado os exilados que, segundo o 
testemunho do livro de Jeremias, foi uma minoria: 4.600 pessoas ao todo, mesmo que 
nesta contagem tenham sido considerados só os homens. Entre eles, a elite que foi em 597 
a.C. e o "resto da população da cidade" (2Rs 25,11), quando Jerusalém foi destruída. 
Por outro lado, os remanescentes, em grande número, já que houve esse “resto” 
que ficou numa situação de desânimo ao ver seu Templo queimado, mas com meios de vida 
podendo cultivar a terra. E isso deu ânimo na vida deles e na memória que faziam. Neles 
encontramos a profecia (Jeremias ficou na terra e ainda com seu possível pessimismo deu 
testemunho de profeta) e a vontade de um projeto igualitário e justo, sem corrupção. 
É bem possível que esse grupo tenha colaborado na coleção de memórias da história 
do povo. Jerusalém, mesmo com os muros destruídos, continuou sendo o lugar do culto. Lá 
devia estar um grupo de sacerdotes e de levitas e eles contribuíram na coleção das 
memórias ligadas aos santuários populares, ao templo de Jerusalém e à monarquia como 
ficara expresso no livro das Lamentações. 
Os/as exilados/as que viviam na Babilônia não deixaram de sonhar com seu regresso 
a Jerusalém. Seus sentimentos de saudade e nostalgia se recolhem no belo, mas também 
triste canto, do Salmo 137: “À beira dos canais da Babilônia nos sentamos e choramos com 
saudades de Sião. Nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas Harpas”. 
Surgiu ainda o livro reconhecido como Dêutero-Isaías ou Segundo Isaías, afirmando 
o propósito de YHWH em restaurar a terra. As importantes promessas eternas feitas a Davi 
se cumprirão não em um novo rei, mas em uma nova situação paradisíaca para todo o povo 
(Is 55, 1-3). Seus sofrimentos têm uma função salvífica. As nações irão maravilhar-se e 
crerão quando YHWH exaltar o servo antes castigado (Is 52, 13 – 53, 12). 
Is 52,13-15: Eis que meu Servo prosperará, ele se elevará, será exaltado, 
será posto nas alturas. Exatamente como multidões ficaram pasmadas à 
vista dele – pois ele não tinha mais figura humana e sua aparência não era 
mais a de homem – assim, agora nações numerosas ficarão estupefactas a 
seu respeito, reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes 
haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham 
ouvido (BIBLIA DE JERUSALÉM, 2002). 
 
No sofrimento, o povo reflete, articula, organiza e mantém sua fé até hoje! É 
esperança de ressurreição. 
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Estes textos nos trazem as experiências atuais de migração que é cativeiro, com 
sofrimento na esperança de uma vida nova. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- O domínio dos Impérios. 
- O domínio da Assíria e a queda da Samaria, que provoca o fim do Reino do Norte. 
- A sobrevivência do Reino do Sul, seus reis e sua concentração do poder até conseguir 
manipular a Religião, ao próprio Deus. 
- Babilônia e seu poderdestruidor. Consequências da experiência de cativeiro. 
 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 
4.1. 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisor nosso 
estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jIB35 
Dica de aprofundamento 
Para conhecer a História de Israel é necessário ler os livros 
reconhecidos como históricos. Leia os livros dos Reis, 
especialmente agora a partir do capítulo 17 de 2 Reis e os 
seus paralelos no livro de Crônicas a partir de 2 Crônicas 
28. Certos Salmos e as Lamentações ajudam experimentar 
os sentimentos do povo no cativeiro e diante da destruiçõo 
de Jerusalém. 
*Depois poste no fórum da unidade suas reflexões. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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UNIDADE 5 
“ASSIM FALA CIRO, REI DA PÉRSIA: YHWH, O 
DEUS DO CÉU, ENTREGOU-ME TODOS OS 
REINOS DA TERRA” (2 Cr 36,23) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Entender, no contexto bíblico, como YHWH, Deus que 
caminhava com seu povo nos tempos da saída do Egito e na época das Tribos, agora sob o 
domínio de outras culturas, passa ser o Deus do céu. As consequências sociais e teológicas 
desta mudança. 
 
5.1 Domínio do Império Persa 
 
Estamos no Pós-Exílio. Todo “pós” é difícil de definir, é algo difuso. Entramos no 
tempo do “2o Templo”. O imperialismo (domínio da Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma) foi 
quebrando o poder político, cultural e religioso semita. Israel – Palestina, neste tempo, foi 
uma “colônia”. E toda colônia sobrevive na dialética de “assimilar” ou “reagir”. Na literatura 
bíblica deste tempo encontraremos assimilação (história cronista, por exemplo) e reação 
(novelas de resistência). 
Prestemos atenção ao momento que vamos estudar. 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Situação internacional e nacional. Edito de Ciro (2Cr 36,22; Esd 1,1; 6,3-5) 
Características do Imperialismo Persa: 
 1) Pérsia é Oriente. Judá era o fim do mundo para os persas e de repente Judá é 
dominada por esse outro povo e cultura que não tinha muito interesse em conhecer e 
respeitar o ocidente. Os persas estavam na rota da 
seda, na cultura do macarrão sempre para o oriente, 
não na cultura do vinho e do trigo do ocidente. 
2) Porém, se preocuparam em preservar a 
convivência pacífica. Para isso, favoreceram a 
autonomia dos povos dominados (podiam ter sua 
religião, seus templos, suas festas e costumes). Houve 
uma mistura de tradições religiosas, festas, símbolos, 
etc. 
3) Cuidaram de organizar o território do seu Império para garantir: a unidade do 
Império e o pagamento do tributo. Para isso, cogitam e têm novas estratégias de poder: 
Divisão em Satrapias, estas em províncias e ainda em distritos. 
Na realidade de Israel estamos no distrito de Jerusalém, na província da Samaria, na 
Satrapia da Transeufratênia. Logicamente, por cima do Governador, está o Satrapo e por 
cima com todo poder, o Rei. Aparecem muitos cargos 
e responsabilidades (Esd 7,12-26). Cria-se um 
sistema secreto de informação (a CIA?), o satrapo é 
“os olhos do rei”. Nos textos apocalípticos deste 
tempo aparecem muitos “olhos”... No cotidiano tinha 
muita gente vigiando! 
Criação de estradas: De Sardes a Susa = 
2.400 km. Na estrada, o governo vai agilizar o 
correio, já que cada 30 km havia um posto onde se 
trocava de cavalo. As notícias deviam ser enviadas e 
vigiadas. 
4) Centralizaram o poder de diversas formas: 
- Com novas moedas: dáricos, para o tributo e o comércio. 
- Com um idioma comum: o aramaico foi a língua oficial em todo o Império, ainda 
não sendo a fala da Pérsia. Mas, era o mais simples e com possibilidade de ser entendido 
com facilidade. 
 
 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
 Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Consequências para Israel: 
 Em 539 a.C., Ciro promulgou um edito que autorizava a reconstrução do templo de 
Jerusalém. Deste modo, o novo templo seria construído pelos exilados, que questionaram a 
legitimidade dos que viviam na Palestina. Quer dizer que estamos numa conflituosa situação 
política, econômica, social e religiosa em Israel. Muitas pessoas que foram ao exílio, não 
voltaram. Os que o fizeram, tiveram problemas. Depois de 50 anos, a terra dos seus 
antepassados estava na mão de outros que a cultivaram durante esses anos. Surgiram 
questões de Genealogias ligadas à posse da terra. Problemas de identidade, herança, 
resgate. De repente, estava nascendo ou talvez cristalizando um novo estilo de ser judeu. 
 
5.2 Judaísmo 
 
No Exílio, o povo ficou sem suas referências: sem terra - sem rei - sem templo. 
Perguntavam-se: Como conservar nossa identidade? Como passar para os nossos 
filhos a nossa grande experiência de nação? 
Na volta do Exílio, Israel não era mais um conjunto de 12 tribos, nem era uma 
nação. Era uma mistura de muitos povos. Dos filhos de Israel muitos ficaram na diáspora. 
De novo a pergunta: Como conservar e até recuperar nossa identidade? Aos poucos, a lei, a 
sinagoga, a circuncisão e o cumprimento do descanso do sábado foram sinais visíveis da 
pertença ao povo judeu. E assim se desenvolveu o judaísmo. 
 
 
 
Depois do Exílio, em Israel, desde o ponto de vista social e ideológico, apareceram 
dois grupos bem definidos, cada vez mais, e duas posições sociais e religiosas diferentes: 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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- a “golah” (exilados, segundo a terminologia hebraica) era a origem da comunidade 
de judeus que foram para o Exílio e voltaram (muitos ficaram na Babilônia!) com um 
projeto: RESTAURAR. 
- o ‘povo da terra’ que foi o grupo de remanescentes que ficou na terra de Israel e 
tinha outro tipo de concepção social, queria RE-CRIAR, fazer novas todas as coisas. 
Desde o ponto de vista religioso, encontramos nos escritos bíblicos, uma síntese das 
mudanças religiosas: YHWH, o Deus da História de Israel, aquele que caminhava com seu 
povo foi “elevado” pelos deuses da Pérsia que estavam no céu. Agora YHWH, o Deus do céu 
será o Deus do novo Rei (“Assim fala Ciro, rei da Pérsia: YHWH, o Deus do céu, entregou-
me todos os reinos da terra” 2 Cr 36,23). 
Portanto, o Deus criador é visto como aquele que dirige os acontecimentos da 
história desde o céu. E o povo de Israel, povo da Aliança será o centro da criação. 
Neste tempo, aconteceu outra grande mudança. A Aliança do povo com seu Deus já 
não era gratuita por parte de Deus, já que por definição dos sacerdotes e dirigentes do 
povo a graça dependia da observância da Lei. A profecia virou lei. Os profetas viraram 
doutores. Só o movimento popular, os anawin resistiram até o tempo de Jesus e teimam até 
hoje! (Lendo alguns esclarecimentos mais sobre o Judaísmo nas Atividades entenderemos a 
reação de Jesus frente a certos judeus e a situação atual Israel Palestina. Faça isso logo!) 
 
5.3 Neemias e Esdras 
 
Temos dois livros na Bíblia chamados Neemias e Esdras que foram escritos lá pelos 
anos 340 a.C., como sempre, falando de tempos passados, mas refletindo os problemas do 
presente. O autor do livro uniu com versículos redacionais duas histórias para dar sua 
mensagem. É curioso perceber que os últimos versículos das Crônicas, escritas também 
neste tempo, se repetem no livro de Neemias como dando continuidade. De fato, tudo 
indica que Neemias foi anterior a Esdras (ainda que na ordem dos livros que aparecem na 
Bíblia encontramos primeiro a Esdras e depois Neemias). 
Neemias achou a capital destruída e por isso trabalhou na sua reconstrução fazendo 
a muralha,que apareceu como símbolo da reconstrução da vida do povo. Já Esdras 
preocupou-se com outra segurança: a lei. 
 A nossa pergunta poderia ser: Como estes homens de confiança do dominador se 
apresentavam como lideranças dos dominados? De que lado eles estavam? 
 
 
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Quem foi Neemias? 
 No ano 20 de Artaxerxes (445 a.C.), como rei da Pérsia, enviou a Jerusalém 
Neemias, esse israelita de sua confiança, com uma missão bastante ampla. Devia 
reconstruir os muros de Jerusalém, povoar a cidade e tomar as medidas civis necessárias 
para consolidar a região. Judá ficou assim separada da Samaria, com sua própria 
administração (persa). 
Neemias era copeiro do Rei da Pérsia (Ne 1,11), sim, seu homem de confiança. Fez 
duas viagens a Jerusalém. Com o poder do rei, foi Governador (Ne 5,6-13), reconstruiu as 
muralhas da cidade. Preocupado com o problema político, social (Ne 5,1-6) voltou para 
Jerusalém (Ne 13,7) para promover outras mudanças. 
Para Neemias, como para outros muitos, Jerusalém era a luz dos povos, eixo da 
roda (existem documentos interessantes sobre a família Murachu, muito rica e que provam 
essa afirmação sobre Jerusalém) e tinha que se preservar a identidade original do povo. 
Neemias era um homem bom, sensível aos problemas do povo. Via como os ricos 
exploravam os pobres (Ne 5,1-5). Ele convocou uma assembleia exigindo a quem tinha 
acumulado que devolvesse terras até a penhora em dinheiro, trigo, vinho (Ne 5,6-13). 
Mas Neemias acabou agindo autoritariamente exigindo a reconstrução da muralha 
da cidade para dar segurança aos seus moradores (Ne 2,11-3,38), e obrigando o povo 
lavrador a trabalhar e morar na cidade (Ne 7,4-72; 11,1-2.20.25). Ainda favoreceu o poder 
do grupo sacerdotal (Ne 13,13; 13,30). Para Neemias os sacerdotes eram os intermediários 
entre Deus e o povo. Surgiu aqui o sacrifício como expiação indispensável para Deus 
perdoar o pecado do povo. Aquela teologia que distanciou Deus do povo e o povo do seu 
Deus. 
Junto com Esdras exige a ruptura dos casamentos mistos, o que produz uma reação 
triste e sofrida (Ne 13,23-25; Esd 9). 
 
Quem foi Esdras? 
Provavelmente atuou em torno dos anos 398 a.C. Era doutor da lei, escriba que fazia 
parte do grupo intelectual que chegou a Jerusalém (Esd 7,6-7). Ele também achava que o 
sofrimento do povo era castigo de Deus pelo relaxamento deles já que muitos se casaram 
com estrangeiras e deixaram entrar costumes diferentes aos do povo de Israel. 
Esdras propôs expulsar as mulheres estrangeiras e seus filhos e observar a lei como 
meio de purificação (Esd 9,1-10,44). Chegou e deu o nó na teologia que Neemias propagou: 
a lei, a observância em torno ao templo daria a identidade da raça, confirmando o povo 
eleito. 
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Para o povo simples a lei era diferente como prova o Salmo 19. Os hassidim 
(piedosos) e os anawin (pobres) propõem nesse salmo e em tantos outros escritos um 
novo jeito de viver a fé. O jeito que Jesus assumiria mais tarde! 
A lei de YHWH é perfeita, 
Consolação para a vida 
O testemunho de YHWH é firme 
Sabedoria para os pequenos (Sl 19,8). 
 
É importante citar alguns outros personagens bíblicos pelo seu envolvimento social e 
religioso nessa época. Pelo lado dos exilados, encontramos os profetas Ageu e Zacarias que 
apoiaram com suas profecias a reconstrução do templo. Pelo lado oposto, o lado dos que 
estavam sendo excluídos de participação nesse projeto, se situam os profetas anônimos, 
cujas profecias foram recolhidas numa parte do livro de Isaías (Is 56 – 66). 
Inicialmente os profetas que falaram por esse povo, negam qualquer interesse de 
YHWH pelo templo que a Golá estava construindo, pois para eles YHWH é o criador de tudo 
e não necessita do Templo. O jejum desejado por YHWH era libertar os oprimidos e 
alimentar os famintos, e não o inclinar a cabeça como juncos (Is 58,1-12). YHWH é um 
Deus que habita nas alturas, mas, também está com os oprimidos e humildes da terra (Is 
57,15). 
A complicação que as genealogias queriam verificar são questionadas pelo 
testemunho profético que afirma: YHWH aceita até eunucos, os estrangeiros que guardam o 
sábado e a aliança (Is 56,1-7). Pelo lado da Golá, também encontramos profetas como 
Ageu e Zacarias que deram um grande impulso na construção do Templo, interpretando as 
limitações econômicas como resultado das suas poucas ofertas e seus fracos esforços em 
prol desta causa. Ageu via em Zorobabel o comissário responsável pela obra ante o império, 
um novo Davi escolhido por YHWH como sinete para “destruir o poder das nações”. 
Porém, por que será que o profeta Ageu, com tanta firmeza encorajou seus 
compatriotas a construir o Templo? De fato, ele convocou os camponeses a construir o 
Templo (Ag 1,5-11) dizendo: Se o Templo for reconstruído, tudo vai melhorar, pois Deus 
habitará no meio do povo e espalhará suas benções. O Templo será o sinal e o lugar da paz 
(Ag 2,6-9). Tratava-se de evitar a desintegração total e de proteger os fracos, os pequenos. 
Ainda era tempo de viver a fartura (Ag 2,19) e a liberdade frente aos reinos das nações (Ag 
2,20-23). 
 Já os argumentos de Zacarias, profeta contemporâneo de Ageu que também 
animava o povo para reconstruir o Templo e Jerusalém como sede do governo de YHWH, 
era assegurar uma dupla estrutura: Zorobabel, príncipe davídico e Josué, Sumo Sacerdote. 
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Seu projeto foi monárquico-sacerdotal (Esd 4,14) e não deve ter sido assumido pelo poder 
persa já que na inauguração do Templo Zorobabel não está presente (Esd 6,15-17) 
Porém, aqui, em 515 a.C. acaba de vez a monarquia davídica como experiência 
política. Ainda que, o davidismo, a utopia davídica permanecesse até hoje entre os judeus. 
O Pós-Exílio é um tempo difícil de ser avaliado. Acerca da perspectiva ideológica, o 
conflito de poder é percebido nitidamente nos escritos e 
nas profecias da época. E as opções dos diferentes grupos 
nos ajudam a compreender o que aconteceu no tempo de 
Jesus e acontece até hoje. Afortunadamente para nós, a 
Bíblia nos oferece outro tipo de literatura, livros que como 
pequenas luzes iluminam nossos olhos e esquentam nosso 
coração. 
Assim, chega até nós, a narrativa de Rute. Num cenário de seca, fome, pobreza e 
migração, aparece uma clara mensagem sobre a herança, reação contra a realidade vivida 
no tempo do domínio persa com sua nova ideologia. 
No livro de Rute aparecem em cena 
personagens carregadas de sentido, que já, desde seu 
nome apresentam chaves de leitura para nós: Um casal 
Elimelek (meu pai é rei) e Noemi (Graça) com dois 
filhos Maalon (Doença) e Quelion (Raquítico). 
Em tempo de seca e fome saem de Bethelem, a casa do pão, na procura de 
alimento e vão a Moab, terra vizinha e na história, inimiga de Israel. Os filhos casam com 
mulheres moabitas Rute (Amiga) e Orfa (Costas). Morrem os homens da família e Noemi 
resolve voltar na procura dos seus parentes se autodenominando Mara (Amarga). Rute a 
acompanha mostrando fidelidade e amor. 
Na procura de soluções aparece uma trama de 
amizade e relação profunda entre a sogra e nora. Rute 
vai respigar10, na procura de alimento, e o faz, por 
acaso no campo de Booz (Pela força) que a recebe e 
acolhe até com paixão. Há casamento e nasce o filho 
chamado Obed (Servo). 
No livro de Rute existe uma releitura do 
passado: Abraão e o seu povo deixaram sua terra. No 
Êxodo voltaram. No Exílio saíram e voltaram para 
 
10 Apanhar no campo as espigas que aí ficaram após a colheita. 
Rute, mulher pobre, estrangeira, 
viúva. “Entra” para fazer parte do 
povo de Israel. Ela, mulher 
moabita é quem resolve a trama 
com todos os direitos de herança. 
 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
Fonte: http://migre.me/jFpwJUCDB VIRTUAL 
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casa. No nosso livro: Noemi sai de Belém para Moab e volta. Rute vai até o campo e volta. 
Vai até a eira e volta. Vai até a porta da cidade e volta. 
Há também uma releitura do presente: O direito do pobre passou de ser esmola, 
quando é direito! Se refaz a aliança na terra, lá se dá a fartura. E tudo graças a uma mulher 
estrangeira. Rute é o avesso de Esdras! 
Rute representa uma reação universalista frente ao nacionalismo do pós-exílio, 
sobretudo depois de Esdras. Rute, uma estrangeira que se casa com Booz, passa ser uma 
ascendente de Davi e até de Jesus de Nazaré. 
a) Canto a providência. Não com grandes manifestações como no Êxodo. Mas 
sim, de uma forma simples e discreta. As mulheres chegam a Belém no tempo da colheita 
(Rt 1,22), Rute por sorte vai aos campos de Booz, parente do seu marido de Noemi (Rt 
2,3), etc. 
b) Universalismo. Que se opõe abertamente à atuação de Esdras tanto pelo 
argumento, como pelo fim da história. 
c) Mulher a serviço é reconhecida. Vó de Davi. Que em Rt 1,16-17 declara uma 
das mais belas profissões de amizade e fé: "[...] para onde fores, irei também, onde for tua 
moradia, será também minha; teu povo será meu povo e teu Deus será meu Deus". 
 O livro de Rute confirma também a fé messiânica. Sabendo que a espera do Messias 
para alguns é a certeza de um enviado por Deus, como rei forte e dominador, para outros, 
o Messias, o Ungido será “consagrado para anunciar a Boa Notícia aos pobres, para 
proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os 
oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Is 61,1-2; Lc 4, 18-21). 
Poderíamos ler o livro de Rute assim dividido: 
 
1,1-5 = situação que se cria 
1,6-22 = a volta 
2,1-23 = respigar (PÃO) 
3,1-18 = noite na eira (FAMÍLIA) 
4,1-17 = o resgate (TERRA) 
4,18-22 = apêndice. 
 
Pão, família e terra poderiam ser a solução para tantos problemas de vida na 
atualidade? 
 
 
 
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Sugestão para seu aprofundamento: 
 
Estamos conhecendo um dos momentos mais 
importantes da história de Israel. Tempo de síntese, de 
escrita no meio da dor e da procura de identidade. Leia 
o livro de Rute, curto e cheio de encanto. 
*Depois poste no fórum suas reflexões. 
 
 
 
 
- Domínio do Império Persa. 
- Consequências para Israel: Judaísmo. 
- Neemias e Esdras: o fechamento na Lei. 
- O livro de Rute, resposta ao cotidiano. 
- Quem é nosso Deus? 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 
5.1. 
 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisoro nosso 
estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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UNIDADE 6 
“VAMOS FAZER ALIANÇA COM NAÇÕES 
VIZINHAS PORQUE DEPOIS QUE NOS 
AFASTAMOS DELAS, MUITOS MALES NOS 
ACONTECERAM” (1Mc 1,11) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Entender a influência do helenismo grego no judaísmo e a 
mudança de valores do povo da Bíblia. O sentido da morte e da vida. 
 
6.1 Domínio do Império Grego 
 
 “O macedônio Alexandre, filho de Filipe já 
era rei de Élade. Ele saiu do país de Cetim, 
venceu a Dario, rei dos persas e medos, e se 
tornou rei no seu lugar” (1Mc 1,1). 
 
Houve uma passagem do domínio persa ao comando grego. A Pérsia invadiu três 
vezes a Grécia destruindo cidades e massacrando povos, mas os gregos sempre 
conseguiram expulsá-los. Em 356 a.C. nasceu na Macedônia Alexandre chamado depois o 
Magno. Ele reinou entre 330-323 a.C., e morreu com 33 anos doente, enfraquecido por 
tantas andanças e guerras. Alexandre, o Grande, conquistou um dos maiores impérios da 
história em tão pouco tempo e espalhou a filosofia e as ideias gregas, sua cultura, 
conhecida como helenismo (da palavra grega "Hélade", que significa Grécia), a partir da 
filosofia de Aristóteles. O império dele chegou até a Índia. 
Depois da morte de Alexandre, este império se dividiu em três partes: 
- Macedônia e Grécia (capital Atenas), que ficou sob a dinastia dos Antígonos. 
- Egito (capital Alexandria), governada pela dinastia dos Ptolomeus. 
- Ásia e Síria (capital Antioquia), submetida pela dinastia dos Selêucidas (ou 
Lágidas). 
A Palestina, primeiro foi governada pelos Ptolomeus, desde o Egito. Depois passou 
para ser conduzida pelos reis Selêucidas, desde a Síria. 
 
 
 
 
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Características do imperialismo grego: 
 Enormemente organizado, poderíamos dizer, os gregos conseguiram: 
1) Novo Império: Reorganização a partir da polis (cidade), nomos (aldeia) e oikos 
(casa). 
2) Nova Sociedade: Democracia. (Se bem que foi uma classe dominante, a aristocracia 
que impunha um Estado novo) 
3) Nova Ordem Econômica: (2Mc 3-4) 
3.1) Ótima reorganização administrativa strategos (funcionário militar), dioketes 
(administrativo) e epistates (escrivão). 
3.2) Modo de produção escravagista ao serviço do mercado. 
3.3) Livre circulação de mercadorias, nas novas estradas do Império. 
3.4) Grandes projetos agrícolas (até irrigação artificial!). 
4) Nova Sabedoria: Novo modo de pensar, 
para manter a “ordem”. Fusão de culturas orientais e 
ocidentais. Lógica da lei natural, imutável. Sabedoria 
a serviço dos nobres, dos ricos, dos homens, das 
cidades. Lógica baseada na divisão da realidade 
dualista: racional x espiritual; alma x corpo; rico x 
pobre; homem x mulher; patrão x escravo; belo x 
puro; etc. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Do ponto de vista político, o mundo grego era um império imenso, conquistado 
pela guerra e organizado como um conjunto de "cidades livres". 
O núcleo da organização política era a cidade, a "polis". Cada uma tinha sua 
autonomia política e econômica, e cada cidade era diferente das outras: podia ter conselhos 
populares, tiranos, aristocracias ou reis no poder. 
Elemento central da política eram os "homens livres" (da cidade). Campo, camponês, 
mulher, escravos eram elementos periféricos que não contavam. 
A forte "democracia" (governo do povo) das cidades, se contrapunha ao estado 
forte. Só foi possível um sistema monárquico imperial (uma confederação de polis) para o 
controle do mercado. O palácio do imperador estava a serviço das cidades (e não o 
contrário!). O rei cobrava tributo, pedágio, taxa do sal, ou "per capita" (1Mc 10,29-45) só 
nas regiões e cidades que ainda não eram livres. 
O ideal de vida na cidade era nossa “modernidade”: ambiente limpo, arte, encontro 
na praça ("ágora"), democracia (conselhos dos homens livres), religião (templos), estudo 
(ginásios), teatro (tragédias), lazer (jogos), comércio (porto) e língua comum para todos os 
povos ("koiné"). 
A dedicação a sabedoria, a arte e o belo transformaram a mentalidade e a vida no 
mundo ocidental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porém, desde o ponto de vista econômico, o eixo da organização foi o mercado 
livre chamado empório. O comércio não era controlado pelo palácio, mas era livre nas 
cidades livres. Cada cidade tinha um mercado que era um armazém, onde se podia comprar 
e vender de tudo (Ap 18,12s.). A riqueza não era o produto em si, mas seu valor comercial, 
sua capacidade de virar mercadoria, de ser comprado e vendido. O ideal era fazer circular a 
riqueza, não acumular. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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O palácio protegia o mercado, isto é, as rotas comerciais (contra os piratas) o que 
garantia mais mercadorias.Ele estava a serviço do mercado. Assim sendo surgiu um 
sistema monetário único para todo o império. 
As Colônias que eram reprodução das cidades gregas fora da Grécia (260-300 ao 
redor do Mar Mediterrâneo) ampliaram o volume do mercado e do produto. A organização e 
rede autônoma de cidades e colônias era mais poderosa e rica do que o próprio estado. Os 
comerciantes tinham mais poder do que o próprio rei. 
A conquista dos "Mares". A Grécia precisou controlar os mares como rotas 
comerciais. Na terra funcionava o poder do estado (pedágio, tributos), nos mares o 
comércio livre das cidades. 
Logicamente as relações sociais iam mudando. O mercado exigia o aumento da 
produção. O sistema de produção tributarista centrado no palácio do rei ou no templo, não 
funcionava mais. O novo sistema de produção que os gregos inventaram foi o "latifúndio 
escravagista", com características bem definidas: 
- a terra era do rei: o trabalhador da terra não era mais dono da terra; 
- da terra não tirava seu sustento já que o patrão era quem o sustentava; 
- era e vivia como escravo na sua própria terra; 
- o ser humano podia ser vendido ou trocado como qualquer mercadoria; 
- não podia decidir o que plantar já que o produto era também do patrão; 
- o trabalhador era só instrumento de trabalho, como o arado, a foice, a enxada. 
Para o camponês, o helenismo foi escravidão e desapropriação total de suas terras e 
de seu trabalho. Surgiu a propriedade privada e o latifúndio: o rei doava as terras aos seus 
amigos e seguidaores. Como consequência as pessoas tiveram que sair das suas terras, 
começando assim o êxodo rural já que o povo teve que ir morar nas cidades. 
Realmente uma filosofia materialista, o lado ideológico do domínio grego, foi a base 
desta organizaçao e vida. O Olimpo grego (a montanha onde moram os deuses), estava 
cheio de deuses com experiências humanas: brigas, intrigas, amores, paixões, etc. Os 
deuses eram manipulados, dando-lhes projeção humana e as pessoas humanas viraram 
deuses ou semideuses. Essa era a religião do estado. 
Para explicar os conflitos dentro da história humana, não se precisava mais de um 
deus ou dos deuses. Tudo se explicava pela pessoa humana e seu dualismo: o conflito 
estava na própria pessoa humana, nos seus elementos constitutivos, conflito interior entre 
alma que era superior e o corpo considerado inferior. A ordem consistia no fato de que um 
deve governar sobre o outro. A desordem era ir contra esta lei da natureza. A submissão do 
inferior (corpo, pobre, escravo, mulher, etc.) ao superior (alma, rico, patrão homem, etc.) 
era a ordem natural. 
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Aristóteles dizia: "Os escravos devem ser escravos porque não são homens. É bom 
para o escravo ser escravo, porque, sem governante não sabe se governar. Sua única 
virtude é não faltar ao trabalho". 
O estado só devia servir aos homens livres, uma revolta contra o governo era uma 
revolta contra a própria natureza. Tudo isso foi a legitimação do mercado. A religião dos 
filósofos era a religião do mercado! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6.2 Consequências vitais para o Judaísmo: nova teologia 
 
A situação social e religiosa foi mudando no mundo conquistado pelos gregos. O 
helenismo chegou também ao Egito, à Síria e à Ásia e no meio deles a Israel. O domínio dos 
Ptolomeus (323-200 a.C.) desenvolveu um estado burocrático, fortemente centralizado, mas 
que trouxe paz nas novas cidades como Aco (Ptolomeida) e Betsã (Scitópolis) habitadas por 
cidadãos livres que participavam da vida pública e governavam as terras vizinhas onde 
trabalhavam seus escravos. 
A cultura dos judeus foi até valorizada, reconhecendo a Torá tão respeitada pelos 
judeus como livro de valor. Em 275 a.C. o rei Ptolomeu II pediu a tradução desse escrito ao 
grego, em Alexandria, o que se converteu na Bíblia dos LXX. 
Essa “Bíblia dos Setenta” se tornou importante para os judeus da diáspora, 
certamente é "a" Bíblia do judaismo helenista. Existem várias lendas para explicar o nome: 
seriam 70 sábios, cada um trabalhando sozinho, que pelo Espírito de Deus, chegaram a 70 
traduções absolutamente idênticas. Ou: tradução em 70 dias. Ou: 72 escribas, 6 de cada 
tribo, que teriam feito a tradução em 6 dias. Para os cristãos foi importante porque 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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acompanhamos essa tradução, que hoje é fonte de estudo e de comparação da escrita 
anterior em hebraico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Também, a Sinagoga, que existia como ideia desde o Exílio, como casa de reunião, 
agora, com Ptolomeu III (247-221 a.C.) passa a existir como lugar concreto: casa de 
estudo. Para ler a Torá, para rezar e discutir a lei. 
Porém, os ginásios gregos, também no Egito e na Síria, eram os lugares de 
formação física e mental, onde especialmente os jovens, tanto judeus como gregos se 
preparavam para a guerra e para a vida. 
Verificamos que desde o ponto de vista político, entre os próprios gregos houve lutas 
de poder. Antíoco III, o Grande, dos Selêucidas, derrotou o exército de Ptolomeu V em 
Páneas (200 a.C.) e estabeleceu sua soberania sobre Síria e Fenícia. Jerusalém, que 
continuava sendo uma cidade sacerdotal, foi mudando. E durante o governo de Antíoco IV 
se transformou numa cidade helenística chamada “Antioquia em Jerusalém” (2Mc 4,9). 
Em 175 aC, Antíoco IV Epífanes quis acabar com a cultura e religião judaica. Como 
já dissemos profanou o Templo de Jerusalém introduzindo o culto ao deus Zeus, o que no 
ano 167 a.C. fez estourar a revolta dos Macabeus, para "purificar" o Templo e libertar a 
Palestina do jugo dos gregos. 
Se até esse momento o universalismo, a abertura, a sabedoria dos gregos ficava 
com uma elite, aos poucos se confirmou dentro do judaísmo que com os pobres permanecia 
o peso da lei. No Templo, os sacerdotes divinizavam a lei, que diziam ter sido escrita pela 
mão de YHWH e entregue a Moisés e por isso tinha-se que cumprir ao pé da letra. Mas 
eram os pobres quem deviam cumprir já que nessa mentalidade eram vistos como culpados 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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da sua pobreza. Lembremos que no princípio da história, no tempo das tribos, a riqueza era 
fruto da partilha. Na solidariedade do clã se ajudavam uns aos outros, partilhando a vida. 
Depois do exílio, como já vimos anteriormente, o Deus que caminhava com seu povo 
converteu-se num Deus castigador dos pobres que pagavam com sua pobreza e sofrimento 
o pecado das gerações anteriores ou deles mesmos porque agora influenciados pela filosofia 
helenista, cada um tinha o que merecia. Os pobres eram os responsáveis da sua pobreza, 
ela era castigo. A Teologia da retribuição foi fortalecida neste momento histórico. 
 
6.3 Macabeus e Hasmoneus 
 
 
 
Acompanhando a história contada nos livros dos Macabeus da Bíblia e outros textos 
extrabíblicos, podemos confirmar que a partir de Antíoco IV o helenismo se incorporou 
vitalmente ao judaísmo. 
O Sumo Sacerdote Jasão, que ficou do lado dos gregos, obteve o cargo aumentando 
os impostos do povo a favor do rei. Ele substitui o irmão, Onias III. Apoiado pelos 
sacerdotes, estabeleceu em Jerusalém a polis com ginásio e tudo (2Mc 4,7-15). A corrupção 
aumentou quando Menelau comprou o sumo sacerdócio por 300 talentos (2Mc 4,23-29). E 
ainda Antíoco IV saqueou o Templo (1Mc 1,16-28) e posteriormente como já dissemos o 
consagrou a Zeus Olímpico (2Mc 6,2). Talvez para humilhar os judeus, no dia do seu 
aniversário proibiu a circuncisão de crianças, e obrigou sacrifícios no altar do templo a 
outros deuses e participação nas procissões em honra a Dionísio (2Mc 6,7-9). 
 Diante desta situação, aconteceua insurreição judaica conhecida como a Guerra dos 
Macabeus (o termo macabeu significa “martelo”). Matatias, um fiel judeu, respondeu às 
provocações com violência em Modim (1Mc 2,24-25), fugindo para as montanhas com filhos 
e voluntários, começando a luta contra os que violavam a lei de Deus. 
Hanuká, candelabro de 
nove braços para celebrar 
a festa lembrança da 
vitória dos macabeus que 
conseguiram óleo puro 
para as lâmpadas do 
Templo. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Nos anos 167-63 a.C. a família dos Hasmoneus, sacerdotes levitas de Modim, 
constituíram o Governo da Judeia. Depois de Matatias, Judas Macabeu (“martelo”) venceu 
ao exército selêucida, tomou o Templo de volta, o purificou e consagrou de novo (1Mc 4,36-
37). 
Os judeus foram derrotados em Bet-Zacarias e o rei ofereceu ao povo, cansado de 
guerra, o direito de viverem suas leis (1Mc 6,59). Alcimo foi nomeado sacerdote e aceito 
pelos “assidim”, os piedosos, que queriam a paz e a atrelavam ao cumprimento da lei. Mas 
foi rejeitado pelos seguidores de Judas que continuaram a luta armada. 
Outro momento trágico foi no ano 152 a.C. quando Jonatam, irmão de Judas, tomou 
o comando e assumiu o sumo sacerdócio. Os assideus e os fariseus não queriam a luta pelo 
poder nacional e também romperam com os hasmoneus. 
 Seu irmão Simão “sumo sacerdote, general e líder dos judeus” (1Mc 13,42) 
comportou-se cada vez mais como rei, renovando alianças com Esparta e Roma. Seu filho, 
João Hircano e seu neto Alexandre Janeu conseguiram completar a conquista da Palestina. 
A esposa desse, Salomé Alexandra e seus filhos Hircano II e Aristóbulo II foram os últimos 
hasmoneus. Esses disputaram o poder até chamar a Pompeu, general romano no Oriente, 
para ajudar resolver suas brigas pelo poder. Pompeu veio, mas foi para ficar. E o domínio 
romano facilmente chegou até nossas terras bíblicas e completou uma história triste de 
predomínio político, social e até religioso como vimos até agora. 
O fato de aparecer histórias como as narradas em 2Mc 6,1-11 das mulheres que 
circuncidaram seus filhos ou da mãe e os sete irmãos (2Mc 7,1-42) mostram a realidade da 
resistência e do martírio de um povo que quis defender seus valores e até dar sua vida por 
esta causa. 
 
6.4 Literatura da época grega 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: http://migre.me/jFpwJ Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Todas esses últimos acontecimentos deram origem a uma nova literatura, livros que 
foram incluídos nas nossas Bíblias. 
Assim sendo, verificamos que grande parte da literatura sapiencial foi recolhida 
nesse tempo. Ela mostra a vida do povo e a fidelidade a YHWH no cotidiano. Sapienciais são 
os livros: 
a) Eclesiastes (Ecl): ou em hebraico "Qhoelet" que significa "da comunidade". 
Surgiu ao redor de 250 a.C. e é uma crítica a ideologia dos gregos, o helenismo: “Tudo é 
vaidade!” (Ecl 1,2). Para ele, a felicidade é ter a panela cheia e poder amar. É uma forte 
crítica ao sistema escravagista que deixa os pratos vazios. 
b) Eclesiástico (Eclo): o nome grego significa "do clero". O livro é também 
conhecido pelo nome do autor "Jesus Sirac" ou "Sirácide". O pano de fundo do livro é o 
medo de que o povo perca sua identidade. Reflete a serenidade e confiança com que a 
aristocracia judaica podia enfrentar os perigos do momento. Diante disso, é necessário um 
ato de fé no Deus vivo, presente na história e sabedoria do povo. 
c) Sabedoria (Sb): livro escrito em grego, em Alexandria, bem mais tarde, ao redor 
de 50-30 a.C. Quer ajudar o povo da diáspora a viver sua fé dentro da cultura grega. A 
mensagem principal é: a vida é fruto da justiça. 
Dentro dos livros históricos, os livros dos Macabeus são o grito e sofrimento de 
quem vê sua fé e sua cultura massacrada: 
a) O 2º livro dos Macabeus: escrito ao redor de 160 a.C. provavelmente pelos 
Assideus, para justificar a dinastia Asmonea. Escreveram na ótica da cidade, num tom 
extremamente triunfalista. 
b) O 1º livro dos Macabeus: É o livro da luta ou guerrilha dos Macabeus, à luz 
da visão profética da história. Escrito na ótica do campo e na memória do Deuteronômio, 
proclama a resistência ao redor de um único Deus. 
Deste mesmo tempo da mesma época da revolta dos Macabeus temos a visão 
apocalíptica da história no livro de Daniel, nos capítulos 7 ao 12 escritos em tempos de 
perseguição, entre símbolos, visões e sonhos. 
 E ainda encontramos os romances ou novelas populares como: 
a) Ester (de 250 a.C.): Deus vence qualquer manobra política. Aparecem mulheres 
que contestam o sistema vigente. 
b) Judite (167-164 a.C.): Deus derrota os poderosos através de novo por mãos de 
uma mulher. Fala, na verdade, da revolta dos Macabeus. Holofernes, é Antíoco IV Epífanes. 
c) Daniel 1-7.13: também da época da revolta dos Macabeus. 
 
 
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Sugestão para seu aprofundamento: 
De novo encontramos momentos importantes da 
história de Israel sintetizados na escrita de diversos 
livros. História, novelas que tentam se defender da 
grande influência helenista na cultura e fé judaica. 
Mulheres agindo como Ester e Judite ou no silêncio 
como Susana contestam o sistema vigente. 
*Depois poste no fórum suas reflexões. 
 
 
 
 
- Domínio do Império Grego. 
- Grande influência do helenismo grego. 
- A luta dos Macabeus. 
- Muitos livros, muitas histórias. 
- O sentido da vida e da morte. 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 
6.1. 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisoro nosso 
estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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UNIDADE 7 
“NAQUELES DIAS, O IMPERADOR AUGUSTO 
PUBLICOU UM DECRETO ORDENANDO O 
RECENSEAMENTO EM TODO O IMPÉRIO” (Lc 2,1-
2) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Entender, no contexto bíblico, o domínio do Império Romano, 
sua brutalidade e a destruição da Palestina. 
 
 “Fazia quinze anos que 
Tibério era imperador de Roma. Pôncio Pilatos era 
governador da Judeia. Herodes governava a 
Galileia, seu irmão Filipe, a Itureia e a Traconítide 
e Lisânias e Abilene. Anás e Caifás eram sumos 
sacerdotes” (Lc 3, 1-2). 
 
7.1 O período de dominação romana sobre Israel (63 a.C - 135 d.C.) 
 
O território da Palestina esteve sob dominação romana de 63 a.C. a 135 d.C., 
período de intensas lutas populares que terminaram com o fim violento de Israel nas mãos 
de brutal repressão das legiões romanas. 
No ano 63 a.C., o general romano Pompeu, que estava na província romana da Síria, 
foi chamado a Israel para resolver brigas internas de poder entre os irmãos Aristóbulo II e 
Hircano II. Ele chegou e facilmente conquistou Jerusalém, resolvendo levar Aristóbulo e seu 
filho Antígono para Roma, deixando Hircano em Jerusalém, como Sumo Sacerdote. Assim, 
os imperadores romanos facilmente dominaram outra parte do mundo mediterrâneo, 
impondo altos tributos e saqueando tesouros. 
 
Os imperadores romanos 
O mundo romano é citado inúmeras vezes e por diferentes motivos em toda a Bíblia 
e especificamente no Novo Testamento (Lc 2,1; Mc 12,17; Jo 11,47b-48, assim como no 
livro dos Atos, nas cartas de Paulo e nas Cartas Católicas). 
A seguir, uma síntese dos fatos mais importantes para a compreensão da nossa 
história de Israel. 
 
 
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Em 47 a.C. o imperador Júlio César nomeou como etnarca a Hircano. E a Herodes, 
filho de seu ministro Antipater, como “estrategós” (general) da Galileia. Herodes sufocouas 
revoltas da região e conquistou espaço, tendo sido mais tardei nomeado tetrarca de toda a 
região. Anos depois recebeu de Roma o título efetivo de rei. 
César foi assassinado em 44 a.C. Depois de nova disputa entre generais (Otaviano, 
Marco Antonio e Lépido), Otaviano (Otávio Augusto) conseguiu se impor no trono, 
expandindo enormemente as fronteiras do império. 
- 14 a.C. até 37 d.C.: Tibério continuou deu continuidade à mesma 
política do seu pai Otávio Augusto. 
- 37-41 d.C.: Calígula intensificou a obrigação de adorar ao 
imperador como meio de unificação do Império. Como nos tempos 
de Antíoco IV, que desencadeou a revolta dos Macabeus (aqueles 
tempos apocalípticos refletidos no livro de Daniel), os judeus não 
aceitam a imagem de um imperador no Santo dos Santos do 
Templo de Jerusalém. Flávio Josefo, no seu livro 
Antiguidades Judaicas, conta que quando o Procurador Romano Petrônio veio para executar 
Fonte: http://migre.me/jMAb2 
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a ordem do imperador, dez mil camponeses se reuniram diante do palácio em Ptolomaida. 
Jogando-se no chão, esticando o pescoço para morrer. Herodes Agripa ajudou a adiar o 
decreto. Mais tarde, ao apoiar o Cláudio como imperador, Agripa recebeu o poder sobre a 
Judeia e a Samaria, mantendo a ordem com extrema 
violência. Foi Agripa que mandou matar o apóstolo Tiago (At 
12,2). 
- 41-54 d.C.: Cláudio: Expulsou os cristãos de Roma (At 
18,2). 
- 54-68 d.C.: Nero perseguiu de novo aos cristãos, mais 
como forma de justificar suas loucuras. Neste período morrem Pedro e Paulo (entre 64 e 67 
d.C.). Após a morte de Nero, em um ano houve quatro imperadores, tamanha foi a luta pelo 
poder. 
- 69-79 d.C.: Vespasiano obteve vitórias na Galileia e Judeia. Depois foi proclamado 
imperador, o “único Senhor do Império”. Confiou ao seu filho Tito a destruição de Jerusalém, 
o que aconteceu no ano 70 d.C. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- 79-81 d.C.: Tito Imperador continuou o governo do seu pai, confirmando uma dinastia. 
- 81-96 d.C.: Domiciano, irmão de Tito, Imperador provoca nova perseguição aos cristãos. 
Afirma-se que mandou executar até seu primo Flávio Clemente, por ser cristão. Decretou a 
expulsão de todos os que praticassem a “religio illícita”. São conservadas cartas dirigidas ao 
“senhor e deus nosso” como ele se fazia chamar. 
 
 
 
 
 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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Tito e seu irmão Domiciano: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- 96-98 d.C.: Nerva, eleito pelo Senado. A partir dele, se escolhem pessoas que 
responderiam ao ideal de soberano segundo o estoicismo. 
- 117-138 d.C.: Adriano. Em 131-135 d.C. acontece a segunda grande revolta judaica, 
liderada por Bar Kocba (o “filho da Estrela”). Jerusalém é tomada mias uma vez pelos 
romanos e os judeus sobreviventes são dispersos pelo mundo. 
Por que o Império Romano acumulou tanto poder com tanta violência? O Império se 
apresentava como o grande benfeitor dos povos dominados, trazendo-lhes “paz, segurança e 
desenvolvimento”. Era a ideologia da “Pax Romana” apoiada na ideia da “Pax Deorum” (Paz 
dos Deuses). Como no panteão, onde havia hierarquia e organização entre os deuses, na 
terra deveria haver ordem e perfeita harmonia. Assim, o Império podia submeter e acabar 
com culturas diferentes em favor de “ordem e progresso”. 
 
Consequências para o cotidiano da vida em Israel 
 
Na Palestina, o tempo de dominação de Herodes, o Grande (37 a 4 a.C), foi marcado 
por extrema violência. Herodes chegou ao ponto de mandar matar esposa e filhos. Fez 
grandes construções (o Herodium, o palácio de Massada, etc), e ampliou o Templo de 
Jerusalém. Depois da morte de Herodes, na Páscoa de 4 a.C. seu filho Arquelau se 
apresentou como “governador” da Judeia. A população não aceitou. Protestos explodem por 
todo o país. Em um deles, 3.000 pessoas teriam sido massacradas Jerusalém. 
 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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Entre 4 a.C. a 6 d.C. os romanos repartiram o reino de Herodes entre seus filhos de. 
Arquelau (4 a.C. a 6 d.C.) ficou com a Judeia e a Samaria. Herodes Antipas (4 a.C. a 39 d.C.) 
com a Galileia e a Pereia. E Filipe (04 a.C. a 34 d.C.) com a Bataneia, Traconítide, Auranítide, 
Gaulanítide, Paneias e Iturea. Essa informação foi registrada pelo evangelho de Lucas 
(capítulo 3). 
No caso da Judeia, Arquelau não conseguiu se firmar no poder. Foi destituído por 
sua incompetência. Roma passou a nomear procuradores, desde o não 6 até 70 d.C.. 
Quando se decretou um censo para reorganizar a administração e o pagamento do tributo, 
novas revoltas eclodiram. E Roma, sob o comando de Vespasiano, decidiu destruir de 
Jerusalém. 
 
7.2 Movimento popular 
 
Desde a chegada dos romanos à Palestina, no ano 63 a.C., sempre houve revolta 
popular. De forma especial na Galileia, foram muitos os movimentos, agindo ora como 
“guerrilheiros ou cangaceiros”, ora com “proféticos e messiânicos”. Vejamos alguns 
exlemplos. 
Em 54 a.C. Pitolau, um agricultor, chegou a ocupar a cidade de Tariquea (Magdala). 
O galileu Ezequias liderou uma revolta contra latifundiários e romanos. Em função disso 
Herodes, filho de Antípater, “varreu” a Galileia, chegando a incendiar as grotas onde 
estariam escondidos os rebeldes. 
Mais tarde, quando Herodes instalou a águia romana na fachada do Templo, os 
doutores da Lei Matias e Judas e seus alunos, se rebelaram. Herodes mandou queima-los. 
Reconstrução do que seria o Templo 
embelezado por Herodes. 
Detalhe do Arco de Tito, que celebra a 
destruição do templo de Jerusalém. Os 
soldados romanos carregam como despojos 
os símbolos da fé israelita. 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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Uma revolta na Galileia, durante a infância de Jesus, culminou com a crucificação de 
2.000 pessoas ao redor de Séforis, a capital. E a cidade foi totalmente destruída. 
 
7.3 Judaísmo formativo: comunidades judeu-cristãs 
 
Desde o ponto de vista religioso, o judaísmo era pluralista. Os grupos religiosos 
eram diversificados e até inimigos no seu entendimento e na prática da Lei (Mt 22,23.34; Jo 
4,9.20; 23,1-12; Jo 11,47-53). Famosas foram as escolas de Shammai e Hillel, escribas 
conhecidos por suas ideias opostas. O rigoroso Shammai se opunha ao manso e 
benevolente Hillel, cuja mística prevaleceu depois da destruição do Templo de Jerusalém. A 
essa escola pertencia Gamaliel, o mestre de Paulo (At 22,3). 
Confirmados pelos textos dos essênios do deserto de Judá, pelo Novo Testamento e 
pela história preservada por Flávio Josefo e outros, são conhecidos os seguintes grupos: 
essênios, saduceus, fariseus, batistas, samaritanos, zelotas ou sicários que se organizaram 
como grupo posteriormente. Vejamos as características dos grupos mais influentes: 
Os essênios: Quando Jonatam no ano 152 a.C. foi Sumo Sacerdote, um grupo de 
judeus observantes se separou. O Documento de Damasco encontrado na Geniza de El 
Cairo explica o começo dos essênios: “20 anos sem rumo até que veio o Mestre de Justiça”. 
Em Qumram sabemos que estiveram lá pelo ano 152 a.C. e que de 34 a.C. até 4 d.C. 
sumiram (por um terremoto? Ou pela rejeição de Herodes?). É importantíssimo o trabalho 
que deixaram escrito. Uma autêntica biblioteca de manuscritos no deserto, 
independentemente da opinião de muitos estudiosos que pensam que os rolos e os 
pergaminhos encontrados eram em grande parte a biblioteca do Templo de Jerusalém 
escondida no deserto. 
Os saduceus: Era o grupo da situação (opostos aos fariseus que sempre estiveram 
na oposição). Seu nome poderia vir de Sadoc, sacerdote influente perto de Davi e que 
tomou o partido de Salomão. Na volta do Exílio apareceu entre eles a função do Sumo 
Sacerdote. Assim,77 
 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 82 
ATIVIDADES ....................................................................................................... 83 
 
Avaliação 
A UCDB Virtual acredita que avaliar é sinônimo de melhorar, isto é, a finalidade da 
avaliação é propiciar oportunidades de ação-reflexão que façam com que você possa 
aprofundar, refletir criticamente, relacionar ideias, etc. 
A UCDB Virtual adota um sistema de avaliação continuada: além das provas no final 
de cada módulo (avaliação somativa), será considerado também o desempenho do aluno ao 
longo de cada disciplina (avaliação formativa), mediante a realização das atividades. Todo o 
processo será avaliado, pois a aprendizagem é processual. 
Para que possa se atingir o objetivo da avaliação formativa, é necessário que as 
atividades sejam realizadas criteriosamente, atendendo ao que se pede e tentando sempre 
exemplificar e argumentar, procurando relacionar a teoria estudada com a prática. 
As atividades devem ser enviadas dentro do prazo estabelecido no calendário de 
cada disciplina. As atividades enviadas fora do prazo serão aceitas nas seguintes condições: 
• As atividades enviadas 7 dias após o vencimento do prazo serão corrigidas com a 
pontuação normal, isto é, sem penalização pelo atraso. 
• Após os 7 dias, o professor aplicará um desconto de 50% sobre o valor da ati-
vidade. 
 
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Critérios para composição da Média Semestral: 
Para fazer a Média Semestral, leva-se em conta o desempenho atingido na avaliação 
formativa e na avaliação somativa, isto é, as notas alcançadas nas diferentes atividades 
virtuais e na(s) prova(s). 
Antes do lançamento desta nota final, o professor divulgará a média de cada aluno, 
dando a oportunidade de que os alunos que não tenham atingido média igual ou superior a 
7,0 possam fazer a Segunda Chamada. 
Após a Segunda Chamada, o professor já fará o lançamento definitivo da Média 
Semestral, seguindo o procedimento abaixo: 
A prova presencial tem peso 7,0 e as atividades virtuais têm peso 3,0. Portanto, para calcular a 
Média, o procedimento é o seguinte: 
 
1. Multiplica-se o somatório das atividades por 0,30; 
2. Multiplica-se a média das notas das provas por 0,70. 
Para termos a Média Semestral, somam-se os dois resultados anteriores, ou seja: 
MS = MP x 0, 7 + SA x 0,3 
MS: Média Semestral 
MP: Média das Provas 
SA: Somatório das Atividades 
 
Assim, se um aluno tirar 10 na(s) prova(s) e tiver 10 nas atividades: 
MS = 10 x 0,7 + 10 x 0,3 = 7,0 + 3,0 = 10 
 
Se a Média Semestral for igual ou superior a 4,0 e inferior a 7,0, o aluno ainda 
poderá fazer o Exame. A média entre a nota do Exame e a Média Semestral deverá ser igual 
ou superior a 5,0 para considerar o aluno aprovado na disciplina. 
 
FAÇA O ACOMPANHAMENTO DE SUAS ATIVIDADES 
 
O quadro abaixo visa ajudá-lo a se organizar na realização das atividades. Faça seu 
cronograma e tenha um controle de suas atividades: 
 
AVALIAÇÃO PRAZO * DATA DE ENVIO ** 
Atividade 1.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 2.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
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* Coloque na segunda coluna o prazo em que deve ser enviada a atividade (consulte o 
calendário disponível no ambiente virtual de aprendizagem). 
** Coloque na terceira coluna o dia em que você enviou a atividade. 
Atividade 3.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 4.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 5.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 6.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 7.1 
Ferramenta: Tarefas 
 
Atividade 7.2 
Ferramenta: Questionário 
 
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BOAS VINDAS 
 
Olá, estimado/a acadêmico/a! 
Neste módulo nós vamos passear juntos/as pela História de Israel. Trata-se da 
história de um povo de Deus, visto que todos os povos são povos de Deus. Uma história de 
um povo, gente como a gente, que com todas as limitações humanas e desejo de viver a fé, 
foi tecendo seu caminho. 
Para nós, pessoas cristãs, a História de Israel é de fundamental importância 
porque, de acordo com nossa fé, Deus se encarnou em um palestino-israelita, um galileu 
chamado Jesus. Conhecer a história de seu povo, portanto é conhecer melhor a história do 
Filho de Deus feito gente! 
Palestinos e judeus deixaram importante legado para a humanidade e para a 
própria tradição judaico-cristã. Que nesse passeio pela História de Israel, possamos 
reconhecer o Deus da Vida que se revela e se manifesta, lá e agora. Que, ao estudar a 
história “povo de Deus”, nos sintamos incomodados/as ao ver um mesmo grupo que se 
autoproclamou “povo de Deus” massacrar irmãos palestinos, muitas vezes justificando sua 
prática por meio de uma leitura equivocada da Bíblia e da História. 
Que uma compreensão mais ampla da História de Israel nos leve a realizar ações 
em favor do diálogo, da paz entre todas as nações, que formam o grande “povo de Deus”. 
Desejamos a você um bom estudo! 
Um abraço! 
Mercedes de Budallés Diez 
José Edmilson Schinelo 
 
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Pré-teste 
 
A finalidade deste pré-teste é fazer um diagnóstico quanto aos conhecimentos 
prévios que você já tem sobre os assuntos que serão desenvolvidos nesta 
disciplina. Não fique preocupado/a com a nota, pois a atividade não será 
pontuada. 
 
1. Em que períodos podemos dividir a História de Israel, no contexto bíblico? 
Sinteticamente, quais as características de cada período? 
2. Você sabe por que se utiliza YHWH ao invés de Javé ou “o senhor”? Como você 
costuma traduzir o nome “El Shaddai”? 
3. Que movimentos de resistência podemos citar na História de Israel, no contexto 
bíblico? 
 
Submeta o Pré-teste por meio da ferramenta Tarefas.
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APRESENTAÇÃO 
Estimado/a acadêmico/a, 
Nesta disciplina apresentaremos um panorama geral sobre a História de Israel, de 
modo que você tenha elementos importantes para realizar um estudo bíblico, bem como 
aprofundar o conteúdo de outras disciplinas decorrentes de Bíblia. É importante que você leia os 
textos, assista aos vídeos que esclarecem os conteúdos, participe e interaja nos fóruns e chats 
das unidades. 
O material se estrutura em sete unidades. Na primeira, abordamos a metodologia do 
estudo da História de Israel e a importância da memória e da compreensão dos fatos, lugares e 
tempo em que foram escritos, contados e recontados. 
Na segunda unidade, trataremos da formação do povo de Israel na terra de Canaã, 
organizando-se em tribos. Você vai observar que muitas vezes utilizamos a expressão Israel-
Palestina. Trata-se de uma escolha política, visto que afirmar que “Israel venceu os cananeus”, 
primeiros habitantes da terra, é uma forma de justificar ideologicamente o massacre do atual 
estado de Israel sobre os palestinos (como se os palestinos fossem descendentes dos primeiros 
habitantes, que Deus mandou derrotar). Na verdade o povo de Israel é fruto de mistura de 
grupos distintos, como veremos nessa unidade. A introdução da Monarquia também será vista 
nesta unidade. 
A terceira unidade abordará a divisão dos reinos na monarquia (Norte e Sul) e as 
diferentes experiências de vida e de Deus que levaram a essa ruptura entre o povo de Israel. 
Também trataremos do surgimento do movimento profético, que no contexto monárquico, 
anuncia, denuncia e anima. 
Na quarta unidade, falaremos da dominação dos impérios assírio e babilônico, a 
experiência de exílio, bem como a interpretação dada a todos esses acontecimentos. Na quinta, 
veremos a dominação persa. Veremos como YHWH, Deus que caminhava com seu povo nos 
tempos da saída do Egito e na época das tribos, agora sob o domínio deos saduceus em grande parte passaram de ser um grupo ou categoria, a 
ser a família do Sumo Sacerdócio. Flavio Josefo diz que eles vêm do ano 152 a.C. ligados a 
Jonatam, ao culto e à tradição. Eram conservadores. Sua fé num Deus rigoroso fez que 
aplicassem um direito penal muito severo. Não acreditavam na ressurreição. O importante 
para os saduceus era o presente, o “Israel Grande” já! Não tinham esperança messiânica 
nem apocalíptica. Com a chegada dos romanos se refugiaram no Templo. Mas assim que 
Roma tomou o poder se passaram para o seu lado para não perderem os privilégios. 
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Os fariseus: Seu nome deve vir de farás que quer dizer “separados”. Há diferentes 
opiniões sobre suas origens: 
- Fariam parte dos “homens da grande Assembleia”, do tribunal criado por Esdras e 
Neemias. 
- Ou do grupo de hassidim reagrupados em torno de Matatias por motivos religiosos 
e não políticos. 
Ainda que divididos em vários grupos, se caracterizavam pela fé e observância da Lei. Pela 
sua fidelidade aos rituais da pureza. Eram organizados em haburot ou irmandades. 
Realmente foram os divulgadores das sinagogas como assembleias populares. Esperavam o 
Messias e acreditavam na outra vida e na ressurreição. 
No tempo de Jesus, segundo alguns estudiosos seriam uns 6.000. Deles se separariam os 
zelotas organizados lá pelo ano 56 d.C. É o grupo dos sábios que continuaram a tradição 
farisaica depois do 70 d.C. 
Os samaritanos: Eram os descendentes dos remanescentes do tempo do Exílio na 
Babilônia. Povo pobre proveniente da mistura racial nesta época. Não acreditavam que o 
Messias era descendente de Davi. No exílio, sofreram influências de outras culturas. Os 
samaritanos eram solidários e acolhedores. 
Os batistas: Seguidores de João Batista desapareceram em pouco tempo. 
Os zelotas ou sicários: Foram grupos violentos que se revoltaram e mantiveram 
pela violência até o seu fim, quando Simão Bar-Kokba os levou até sua destruição, 
dominados pelas armas romanas. 
Existem dados de situações extremas: Quando Roma interferiu e requisitou o 
dinheiro do Templo, em 66 d.C., os grupos se uniram, apesar de suas divergências internas 
e a revolta popular se transformou na Guerra Judaica que durou 7-8 anos. Só os judeus 
fariseus e os judeus cristãos não assumiram a guerra. Para eles, a revolta contra Roma não 
era expressão da chegada do Dia de YHWH. 
Conta Flavio Josefo que durante o cerco de Jerusalém o respeitável Iohanan Ben-
Zakai, líder dos fariseus, se fez carregar ostensivamente num esquife para fora da cidade 
em sinal de desacordo. Como esses fariseus e escribas já estavam estruturados em volta da 
sinagoga, nesse momento trágico, foram apoio para muitos outros judeus e assim se 
reorganizaram com certa facilidade em Jâmnia como judaísmo formativo (precursor do 
judaísmo rabínico normativo) que assumiu a função teológica de ensinar e interpretar a Lei. 
Para eles, a libertação do povo só aconteceria quando a Lei fosse rigorosamente 
observada. Quem não cumpria a Lei (pobre, doente, ignorante) era maldito porque atrasava 
a vinda do messias. 
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Gamaliel II, sucessor de Zakai foi bem mais rigoroso. Do seu tempo é o cânon 
bíblico judaico e uma série de atividades religiosas para substituir o culto e sacrifício do 
Templo. Entre elas a prática das 18 orações, três vezes ao dia. Uma das 18 benções é 
maldição aos hereges: “Para os apóstatas que não haja esperança [...] e deixa os nazareus 
e os minim perecerem em um momento. Deixa-os ser apagados do livro da vida. E que não 
sejam escritos junto com os justos”. 
 Os cristãos, que já antes da destruição de Jerusalém, se reuniam nas casas e pouco 
a pouco se tinham distanciado do Templo, saíram também de Jerusalém para o além do 
Jordão, o norte da Galileia e a Síria. No confronto com os judeus foram também expulsos 
das sinagogas. 
Pixley (1990) sintetiza o fim de Israel dizendo que sobreviveu à hecatombe somente 
a “diáspora”, uma grande comunidade religiosa dispersa pelo mundo todo, desarraigada do 
seu solo e da natureza camponesa que em parte constituía a essência do projeto israelita. 
Também sobreviveu outra comunidade religiosa, a igreja cristã. Durante os duzentos anos 
do domínio romano sobre Israel até seu desaparecimento definitivo, houve muita troca na 
administração da região. Uma das preocupações dos romanos foi a defesa da fronteira 
oriental do império. Que impunha controle sobre o território e a população da Palestina para 
obter riquezas através do complexo sistema de tributos e impostos. Assim, o império extraia 
riqueza da Palestina por três vias: 1) diretamente, mediante os cobradores de impostos que 
arrecadavam tributo de toda a população; 2) mediante os conselhos das cidades, que eram 
obrigados a contribuir para vários serviços que lhes prestava o Estado; 3) mediante o 
templo, por cujos rendimentos as autoridades sempre mantiveram um especial interesse. 
Ao longo dos anos 6-135 d.C. devemos entender 
os muitos conflitos havidos como expressões de um 
provável movimento popular que não conseguiu 
articular-se atrás de uma liderança senão nos últimos 
anos, quando Simão Bar-Kokba (Bar Coshiba) o dirigiu 
até sua destruição pela força das armas romanas. 
Por volta do ano 30 d.C surgiu na Galileia um 
movimento em torno de um mestre de Nazaré chamado 
Jesus. O conhecemos graças aos escritos de quatro 
Evangelhos redigidos por seguidores interessados em 
Jesus não como líder popular e sim como fundador de 
um novo caminho rumo a Deus e à salvação aberta 
para todos/as, judeus e gentios. 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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Destacam-se vários elementos no movimento de Jesus: primeiro e antes de tudo, viu 
o templo de Jerusalém e os mestres fariseus da Galileia como o antagonismo principal ao 
Reino de Deus. Em segundo lugar, a estratégia do movimento de Jesus foi fundamentar seu 
ideal no plano ideológico, buscando deslegitimar um domínio sustentado acima da lei de 
Deus. Deus é um pai bondoso e não um juiz temível. Em terceiro lugar, Jesus buscava 
desde já criar uma pequena comunidade que se organizasse segundo as relações de 
irmandade que caracterizarão o Reino de Deus. 
Depois da perseguição dos romanos, o movimento de Jesus não teve papel de 
importância na defesa de Jerusalém. Foi obrigado a sair de Jerusalém, sobrevivendo nas 
cidades do império, onde se formaram “igrejas” para pôr em prática a esperança popular do 
movimento. Houve resistência, porém o decisivo, na derrota das forças populares foi o 
poderio incomensuravelmente superior das legiões romanas, que terminou esmagando toda 
resistência. As medidas tomadas pelos romanos conseguiram eliminar da Palestina os restos 
do experimento Israel. Cidades helenísticas dominaram o território, os centros religiosos e 
culturais de Israel foram destruídos, e a identidade cultural dos camponeses foi rapidamente 
eliminada. Aqui termina a história de Israel, o povo de YHWH. 
 
“Pronuncie minha boca o louvor do Senhor, 
que todo vivente bendiga seu santo nome 
para sempre” (Sl 145,21). 
 
Sugestão para seu aprofundamento: 
Estamos no fim de Israel neste tempo da história. 
É importante entender o fim do que chamamos 
Primeiro ou Antigo Testamento ao Segundo ou Novo 
Testamento nas nossas Bíblias. Leia nas Atividades 
certos artigos que lhe ajudam entender a evolução da 
história e de tantos grupos religiosos que foram 
derivados da fé do povo de Israel. 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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- Domínio do Império Romano. 
- Sua brutalidade e loucuras por manter o poder. 
- A teimosia e organização do povo por mantersua cultura e sua fé. 
- O movimento popular. 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize as Atividades 
7.1 e 7.2. 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisor tdo 
nosso estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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REFERÊNCIAS 
 
 
ASSOCIAÇÃO LAICAL DE CULTURA BÍBLICA. Vademecum para o Estudo da Bíblia. São 
Paulo: Paulinas, 2000. 
 
BIBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002. 
 
CORDEIRO, Ana Luisa A. Onde estão as deusas? Asherah, a deusa proibida, nas linhas e 
entrelinhas da Bíblia. São Leopoldo: CEBI, 2011. 
 
DONNER, Herbert. História de Israel e dos Povos Vizinhos. Vol 1 e 2. São Leopoldo: 
Sinodal/EST. 5 ed, 2010. 
 
NEUENFELDT, Elaine e SCHINELO, Edmilson. As relações de gênero na casa de Davi. 
Estudos Bíblicos, 86, Petrópolis: Vozes, 2005, p.16-25. 
 
GASS, Ildo Bohn (Org.). Formação do Povo de Israel. 7 ed. São Leopoldo: CEBI; São 
Paulo: Paulus, 2005. [Coleção Uma Introdução à Bíblia, Volume 2] 
 
_____. Formação do Império de Davi e Salomão. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: 
Paulus, 2005. [Coleção Uma Introdução à Bíblia, Volume 3] 
 
_____. Reino Dividido. Coleção São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2004. [Coleção 
Uma Introdução à Bíblia, Volume 4] 
 
_____. Período Grego e Vida de Jesus. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2005. 
[Coleção Uma Introdução à Bíblia, Volume 5] 
 
GOTTWALD, Norman Karl. As tribos de Iahweh: Uma sociologia da religião de Israel 
liberto 1250-1050 a.C. São Paulo: Edições Paulinas, 1986. 
 
NAKANOSE, Shigeyuki. Uma história para contar: A Páscoa de Josias - Metodologia do 
Antigo Testamento a partir de 2Rs 22,1-23,30. São Paulo: Paulinas, 2000. 
 
PIXLEY, Jorge. A história de Israel a partir dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1990. 
 
REIMER, Haroldo. Amós – profeta de juízo e justiça. Revista de Interpretação Bíblica 
Latino-americana, Petrópolis; São Leopoldo, v. 35/36, p.171-190, 2000. 
 
SILVA, Valmor. Leituras do Êxodo na América Latina. In: REIMER, Haroldo; SILVA, 
Valmor (Org.). Libertação – Liberdade. Novos Olhares. São Leopoldo: OIKOS; Goiânia: UCG, 
2008. 
 
THE FORBIDDEN GODDESS: Archaeology on the Learning Channel (documentário-vídeo). 
Arizona/EUA: Discovery Channel, 1993, 28 min., inglês, dublado português. 
 
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ATIVIDADES 
 
 ATIVIDADE 1.1 
 
1. Leia os textos indicados e responda com atenção: 
1.1 Qual o papel das mulheres no processo de resistência e de organização dos 
hebreus? Para essa resposta, tome como base Ex 1,15-22; 2,1-10. 
1.2 Releia Ex 2,11-15 e compare o método de Moisés em relação ao método das 
parteiras em uma situação de injustiça. A que resultado cada método 
chegou? 
1.3 Releia Ex 3,7-10 e responda: Qual a imagem de Deus presente no texto? 
Como você relacionaria esse texto com Jo 1,14? 
 
2. Apresente um pequeno estudo comparando o Decálogo tal como se 
apresenta na Bíblia (Ex 20) com a forma como ainda é, em muitos lugares, 
“decorado” na catequese. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 2.1 
 
1. Observe o quadro abaixo, leia com atenção as características do ‘Sistema 
Egípcio e Cananeu’ e do ‘Sistema Tribal’, e responda: 
 Entre os dois projetos em disputa, quais os aspectos que você considera mais 
importantes no sistema tribal? 
 
A. Sociedade desigual, fundada no interesse 
particular e organizada a partir de cima: rei-
funcionários-notáveis-soldados-camponeses e 
artesãos (Js 11-12). 
A. Sociedade igualitária, fundada no 
interesse comum e organizada a partir da 
base: família patriarcal-clã-tribo (Nm 1,1-
2.34). 
B. Exploração da força de trabalho. A terra 
pertence ao rei e o povo é obrigado a 
trabalhar sob as duras condições impostas 
pelo rei, que se apropria do excedente da 
produção dos camponeses (Ex 5,6-18). 
B. Autonomia produtiva. A terra pertence 
ao povo e é distribuída entre as famílias 
ou grupos. Proíbe acumulação (Ex 16) e 
celebra o ano jubilar e o ano sabático, 
para devolver a terra aos seus antigos 
donos (Lv 25; Dt 15,1-18). 
C. Poder centralizado no rei. O rei é dono de 
tudo e decide sobre tudo (1Sm 8,10-17). 
 
C. Poder participado. As decisões são 
tomadas pelos anciãos (chefes de família, 
de clã e de tribo). Grandes decisões são 
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tomadas em assembleias do povo (Ex 
18,13-27; Nm 11,16-25; Js 24). 
D. Exército estável de mercenários. O rei 
mantém exércitos regulares que lhe garantem 
a dominação e a repressão (1Sm 8,11-12). 
 
D. Exército ocasional improvisado. Para se 
defenderem, as tribos se reúnem e 
organizam suas forças para lutar contra o 
inimigo comum (Jz 4,6-10). 
E. As leis defendem os interesses do rei. 
Graças ao seu poder, a palavra do rei é lei 
para o povo (Ex 1,8-10.22; 5,6-9). 
E. As leis defendem a igualdade. Os 
mandamentos preservam a liberdade 
conquistada (Ex 20,2-17; Dt 5,6-21). 
F. Vários deuses, manipulados pelo rei, a fim 
de legitimar e promover a exploração e a 
opressão: Baal, outros (Js 24,14-15). 
 
F. Fé unicamente em YHWH, o Deus 
libertador que promove a liberdade e a 
vida, através da fraternidade e da partilha 
(Ex 3,1-15; 22,20-26; Dt 24,6-22). 
G. Culto centralizado para celebrar mitos que 
legitimam o poder do rei. Poderoso meio de 
dominação, sujeito a um esquema rigoroso. 
Nada deve mudar (1Sm 5; 1Rs 11,1-8). 
 
G. Culto descentralizado para celebrar a 
vida e a história. Realizado nas famílias e 
depois nos santuários, celebra a presença 
e a ação de Deus na vida (Ex 19,1-18; Dt 
26,1-11; Js 24,1-28; Jz 17). 
H. Sacerdotes e sacerdotisas a serviço do 
sistema. Os sacerdotes, ricos e donos de 
terra, são também os intermediários entre o 
povo e os deuses, colocando-se inteiramente 
a serviço do sistema (Gn 47,20-22). 
 
H. Sacerdotes-levitas a serviço do povo. 
Exercem uma liderança que não permite a 
acumulação de bens. Não podem ter 
terras e vivem de seu trabalho, ao lado 
dos pobres e necessitados (Nm 18,20; 
35,1-8; Dt 12,12.18-19; 14,27; Js 13,14). 
Mas não havia sacerdotisas. 
GASS, Ildo Bohn (Org.). Formação do Povo de Israel. 7. ed. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: 
Paulus, Volume 2, 2005, p. 89-90. [Coleção Uma Introdução à Bíblia] 
 
2. Leia 1Sm 8,1-22 que relata o pedido de um rei e responda: 
2.1 Quais são os motivos que levam a pedir um rei? 
2.2 Quais as vantagens de ter um rei, segundo esse texto? 
2.3 Quais as desvantagens de ter um rei, segundo esse texto? 
 
3. Leia 2Sm 13,1-22 que relata a história de Tamar, violentada por Amnon e 
responda: 
 Quais são as atitudes dos homens nessa narrativa: Amnon, Jonadab, Davi e 
Absalão? Como Tamar viveu esses acontecimentos? 
 O que é possível e necessário fazer para diminuir a violência contra as 
mulheres atualmente? 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 3.1 
 
1. Leia Am 2,6-8 e perceba os sete crimes de Israel, procurando identificar: 
1.1 Quais os responsáveis pelas injustiças cometidas? 
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1.2 Quais são as vítimas injustiçadas? 
1.3 Que acusação é feita aos responsáveis? 
 
2. Leia a vocação de Isaías em Is 6,1-13 e responda: 
2.1 Quais são as características do Deus que se manifesta ao profeta (vv. 1-4)? 
2.2 Qual é a reação de Isaías (v. 5)? 
2.3 Qual é o sentido da “brasa nos lábios” do profeta (vv. 6-7)? 
2.4 Que atitude Isaías toma diante da pergunta do Senhor (vv. 8-9)? 
2.5 Quem é “esse povo” (vv. 9-13)? 
2.6 O que o relato da vocação de Isaías diz para sua vida e para nossa realidade de 
hoje? 
 
3. Leia o artigo “Monoteísmo e Identidade”, de Haroldo Reimer. Depois 
apresente uma síntese (máximo 20 linhas) relatando, a partir do artigo, o 
que é o monoteísmo hebraico e quais suas características. Disponível em: 
.Acesso em: 22 jul. 2015. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 4.1 
 
1. Leia 2Rs 23,1-27, que trata da Reforma de Josias, uma reforma 
importante pois, entre muitas coisas, fez de Jerusalém o centro político e 
religioso de seu governo. Então, reflita e responda: 
1.1 Que medidas da reforma de Josias aparecem no texto? 
1.2 À luz do que você leu sobre a reforma de Josias, o que ela representou para a 
nobreza e para o povo? 
1.3 Que lições podemos tirar dessa reforma para a nossa caminhada em direção a 
uma sociedade mais de acordo com os planos de Deus? 
 
2. Pesquise sobre Asherah e redija um texto (máx. de 2 laudas) 
comentando: 
2.1 Quem era Asherah, a “deusa proibida”? 
2.2 Quais suas principais características (símbolo, lugar de culto, etc.)? 
2.3 Quais as principais descobertas arqueológicas que remontam à existência de um 
culto a essa divindade feminina? 
 
a) Há um pequeno vídeo (menos de 5 minutos) Ashera la diosa 
madre:https://www.youtube.com/watch?v=_HCTf5n9vIA. Acesso em 22 jul 2015. 
Caso tenha dificuldade com o espanhol, acompanhe com a tradução abaixo. 
b) Para completar o estudo, você pode também ler o texto ASHERAH: A Deusa 
Proibida, de Ana Luísa CORDEIRO. In: Dossiê Religião N.4 – abril 2007/julho 2007 
(Org.: Karina K. Bellotti e Mairon Escorsi Valério). Disponível 
http://www3.est.edu.br/nepp/revista/016/16haroldo.htm
https://www.youtube.com/watch?v=_HCTf5n9vIA
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em:http://www.unicamp.br/~aulas/Conjunto%20I/4_1.pdf. Acesso em 31 jul. 2014. 
A Deusa Mãe 
(tradução livre do video Ashera la diosa madre) 
Na antiguidade, o culto à Deusa Mãe se estendia desde o Mediterrâneo até a 
Mesopotâmia. Cada cultura tinha a sua própria deusa com um nome diferente. No 
Egito era Isis, a deusa da fecundidade. Para os sumérios era Inana, a deusa amada 
do deus Anus, e uma figura importante no Panteão da Suméria. Para os assírios e 
babilônicos era conhecida como Ishtar. Pelos cananeus, foi chamada de Astarote 
(Astarte). Para os gregos foi Afrodite, e, finalmente, para os romanos foi a deusa 
Vênus. 
O povo primitivo de Israel adorava a deusa mãe Asherá. A tradução grega dos 
LXX, assim como a Vulgata Latina traduzem Asherá como arvoredo, “dos bosques”, ou 
seja, conectada com as árvores. A tradução grega dos LXX utiliza o termo Terebinto 
Sagrado. A versão da Bíblia King James traduz Asherim como árvores, arvoredo, 
normalmente mantendo a associação das “Asherás” com cada colina e árvore verde. 
Também esta tradução compreendeu Asherim relacionadas a arvores. 
Assim, pois, parece claro que originalmente, no Antigo Israel, havia uma deusa 
chamada Asherá associada com as árvores e santuários em lugares altos, que podia 
ser simbolizada às vezes pela imagem de um pedaço de madeira (poste sagrado)[2]. 
Esta tradição referente à deusa veio a ser rejeitada com o tempo, mas permaneceu 
perpetuada somente em referências veladas na bíblia hebraica. 
Apesar de forte batalha contra as deusas cananeias, no primeiro momento os 
profetas somente conseguiram medianamente seus propósitos. Segundo o Primeiro 
Livro dos Reis, Salomão não seguia plenamente a Javé, como fazia Davi, seu pai, visto 
que oferecia sacrifícios e queimava incensos em lugares altos. Uma imagem de 
madeira da deusa Asherá permaneceu por três séculos no tempo de Salomão, até que 
o rei Ezequias a retirou, ainda que apenas transitoriamente. Em 1Rs 15,13-14, supõe-
se que as imagens e o culto a Asherá enojam a Javé, pois vão encontrar sua 
identidade como Deus único e irrepresentável. 
 “Derrubareis seus altares, quebrareis suas estátuas, queimareis suas imagens 
de Asherá, destruireis suas esculturas de seus deuses, fazendo com que o nome deles 
desapareça de tal lugar” (Deuterônomio 12,3). “Não plantarás nenhuma árvore de 
para Asherá, ao redor do altar de Javé, teu Deus, que terás construído” 
(Deuteronômio 16,21). Apesar dessas sentensas, as evidências e a arqueologia 
insistem em associar Asherá com Javé. 
Em 1968 foram descobertas, num túmulo localizado nas colinas da Judéia, uma 
inscrição que diz: “E o salvou dos seus inimigos graças a Asherá”. Uma década depois 
foi encontrada outra inscrição no que deve ter sido um depósito de vasilhas de um 
antigo santuário a leste do Sinai. Na inscrição hebraica pode-se ler que a pessoa seja 
abençoada por “Javé e por sua esposa Asherá”. 
Recentemente, no tel de Arat, foi descoberto um templo onde, provavelmente 
Javé e Asherá eram conjuntamente adorados. Em seu santa sanctorum (altar principal 
ou Santo dos Santos) foram encontradas duas pedras verticais de culto, uma maior 
que representava Javé e outra menor que representava Asherá. Por outro lado, no 
http://www.unicamp.br/~aulas/Conjunto%20I/4_1.pdf
file:///C:/Users/blanca/Downloads/EAD%20-%20Historia%20de%20Israel%20-%20atividades.doc%23_ftn2
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pátio exterior do templo havia outro altar onde foram encontrados vasilhas 
sacerdotais com cinzas de animais a partir do que se supõe tratar-se de um lugar de 
culto. Além disso, sob a base do templo foi encontrado um leão de bronze, tendo-se 
em conta que Asherá se associava a figura do leão. 
Muitos arqueólogos e estudiosos do tema pensam que os interesses políticos e 
econômicos determinaram a eliminação do culto a Asherá. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 5.1 
 
1. Você estudou a situação de exílio. Leia a visão do vale dos ossos secos 
em Ez 37,1-14. Reflita sobre a situação dos/as deportados/as e responda: 
1.1 Como e por meio de quem os ossos revivem? 
1.2 Que luzes traz essa visão para nossa caminhada? 
 
2. Você já deve ter lido o livro de Rute, conforme proposto no 
aprofundamento da unidade. No entanto, releia e responda: 
2.1 Quais são e o que significam as leis que Rute e Noemi fizeram acontecer em favor 
dos pobres? 
2.2 Interpretando para nossos dias, o que significam na prática de hoje essas leis de 
Israel? 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 6.1 
 
1. Leia os textos indicados abaixo e faça uma síntese (máximo duas 
páginas) da história narrada nos livros de Macabeus: 
1.1 Quais foram os acontecimentos contados nos livros dos Macabeus? (1Mc 1,1-50; 
2,1-28) 
1.2 Quem e como tentou segurar o poder e ameaçou a identidade do povo? (2Mc 
3,1-12; 4,7-17; 6,1-11) 
1.3 Qual foi a resposta do povo? (2Mc 6,1-11 e 2Mc 7,1-42) 
1.4 Como e quando expressa o povo, na sua fé, a certeza de que a vida vence a 
morte? (2Mc 7,9.11.14.23.29.33-34.36; 12,43-45) 
 
2. Assista ao documentário “Construindo um Império – Grécia”, da History 
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Channel. Depois redija um texto (uma página) destacando os pontos que 
mais lhe chamaram a atenção, como características da dominação grega. 
Disponível em: . Acesso em: 31 
jul. 2014. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 7.1 
 
1. Leia o texto de Airton José da Silva, e com base também no conteúdo 
estudado na unidade, responda: Em que consistia a “Pax Romana”? 
Disponível em: . Acesso em: 09 jun. 2014. 
 
2. Assista ao documentário “Construindo um Império – Roma”, da History 
Channel. Depois redija um texto (uma página) destacando os pontos que 
mais lhe chamaram a atenção, como características da dominação romana. 
Disponível em: . Acesso em: 09 
jun. 2014. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Tarefas. 
 
ATIVIDADE 7.2 
 
Com base no mesmo texto da atividade anterior (Disponível em: 
), marque a alternativa correta. 
a) Para manter-se no poder, Herodes Magno controlou possíveis revoltas, matou seus 
inimigos e seleciona seus herdeiros e destruiu todas as marcas do helenismo,cultura 
do império grego, anterior à chegada dos romanos. 
b) Ao chegar ao poder, Herodes construiu uma estrutura de poder independente da 
tradição judaica: nomeou o sumo sacerdote do Templo. 
c) Uma das medidas adotadas por Herodes para assegurar a Paz Romana foi proibir a 
venda de escravos. Desta forma, conseguiu diminuir as revoltas populares. 
d) Em 37 a.C. Herodes, o Grande, torna-se o senhor da Palestina. Casa-se com 
Mariana I, parente de Aristóbulo II e Hircano II, entrando definitivamente para a 
família asmoneia. Foi responsável pela matança de crianças narrada em Mateus e pela 
execução de João Batista. 
 
Submeta a atividade por meio da ferramenta Questionário. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=ZNU-VbaOIzI
http://www.airtonjo.com/historia44.htm
https://www.youtube.com/watch?v=liMvesSFM0A
http://www.airtonjo.com/historia44.htmoutras culturas, passa a 
ser o “Deus do Céu”. Destacaremos as consequências sociais e teológicas dessa mudança. 
Na sexta unidade, a dominação grega, procurando entender a influência do helenismo 
grego no judaísmo e a mudança de valores do povo da Bíblia. E por fim, na sétima unidade 
abordamos a dominação romana, entendendo no contexto bíblico seus impactos, que 
culminaram com a destruição de Israel. 
Expressando nossa palavra de gratidão a Ana Luiza Cordeiro, que fez boas sugestões 
ao texto, desejamos a todos/as um bom estudo! 
Um abraço! 
Mercedes de Budallés Diez 
José Edmilson Schinelo 
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UNIDADE 1 
“OUVIMOS COM NOSSOS PRÓPRIOS OUVIDOS O 
QUE NOSSOS PAIS NOS CONTARAM” (Sl 44,2) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Introdução à História de Israel narrada na Bíblia, valorizando a 
memória escrita e compreendendo melhor o lugar e tempo dos fatos descritos. 
 
1.1 Fazendo memória 
“Ó Deus, nós ouvimos com nossos próprios 
ouvidos o que nossos pais nos contaram a obra 
que realizaste com eles nos dias passados” 
(Sl 44,2). 
 
Você já fez uma boa Introdução à Sagrada Escritura e certamente já leu muitos 
textos bíblicos que lhe ajudaram na vida. Isso é o mais importante, a vida! Assim, o mais 
extraordinário do nosso livro sagrado é que proclama o Deus da vida. A Bíblia narra 
acontecimentos e orações da vida de um povo que acreditava que Deus caminhava com ele. 
Por isso é um livro tão importante para nós. 
A Bíblia é, ainda, um livro de memórias e nós certamente podemos fazer a 
experiência de re(cor)dar, passar pelo coração, todo o aprendido até agora e isso facilitará 
nossa formação teológica. 
Nem tudo que lemos nos textos bíblicos realmente aconteceu. Quem conta a 
história, faz memória, sempre desde um ponto de vista. E como dizem os antigos, “quem 
conta um conto aumenta um ponto”. Muitos anos contando histórias, muitos grupos 
repetindo essas histórias, certamente essas narrações estão carregadas de muita fé e muito 
empenho para nos ajudar. 
Façamos uma comparação: na beleza de um iceberg podemos contemplar o 
tamanho, a cor, as diferentes tonalidades e sombras. Mas, o que está abaixo do nível do 
mar, de acordo com os/as cientistas, é até dez vezes mais do que conseguimos ver. Assim 
acontece com os textos bíblicos. A vida que pulsou e ainda pulsa debaixo de cada frase é 
muito maior. Na sua beleza e nas suas contradições. 
 
 
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o que 
vemos...
 
o que 
vemos...
o que não
vemos...
 
Fonte: Elaboração própria. 
 
 Se os fatos não são registrados tal como aconteceram, o mesmo podemos dizer dos 
lugares geográficos. Muitos escritos, ao citar povoados, cidades, rios, etc., querem nos 
ajudar a explicar sua força teológica. Isaías relata que Deus diz “farei jorrar rios por entre 
montes desnudos, e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em açudes e a terra 
seca em nascentes de água” (Is 41,18). Afirmar que Jesus nasceu em Belém, por exemplo, 
é recuperar toda a riqueza teológica por trás desse nome. Lugar pequeno, periferia do 
poder, Belém significa “casa do pão”. Aquele que nasce em Belém passa a vida lutando para 
que as pessoas tenham pão em sua mesa. Jesus ensina a partilhar o pão e, ao morrer, se 
faz pão. 
 Tomemos outro exemplo. Toda a tradição do êxodo encontra-se preservada nos 
textos que relembram o deserto e a montanha no Novo Testamento: João Batista prega no 
deserto (Mt 3,3) e para lá o Espírito conduz Jesus (Mt 4,1); e é no deserto que Jesus 
partilha os pães (Mc 6,31). Tal como Moisés recebeu as tábuas da lei na montanha do Sinai, 
ao anunciar o novo e definitivo êxodo, também numa montanha Jesus proclama a nova Lei, 
que se abre com as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12). Na montanha, Jesus vai orar (Mt 
14,23), curar doentes e famintos (Mt 15,29-31) e se transfigura (Mt 17,1-9). E é a partir do 
Monte das Oliveiras que ele realiza sua entrada em Jerusalém, montado num jumento (Mt 
21,1), é lá, também, que está quando é traído e preso (Mt 26,30). E é a partir da montanha 
que Jesus envia os seus a todas as nações (Mt 28,16-20). 
 Se deserto e montanha evocam a experiência do êxodo, o mesmo acontece com o 
mar. Lugar de caos e de morte, na vitória sobre faraó, o mar foi aberto e o povo passou a 
pé enxuto. No Novo Testamento, Jesus também é mais forte e tem poder de pisar sobre o 
mar, mesmo quando ele se torna agitado e violento (Mc 6,45-51). No livro do Apocalipse, é 
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a terra que se abre para engolir as águas (Ap 12,16). Na antiguidade, o dominador, o mal, 
vinha pelo mar. Desde os “Povos do mar” até o Império Romano, que chamava o Mar 
Mediterrâneo de “Mare Nostrum”, os que chegavam pelo mar eram temidos como invasores. 
O mar era então o símbolo do mal, como afirma Jó: “Acaso sou eu o Mar ou o Dragão para 
que me cerques com guardas?” (Jó 7,12). Por isso, na vida nova, não há espaço para o 
mar: “Vi então um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra já se 
foram, e o mar já não existe mais” (Ap 1,1). 
 Além disso, belíssimos trechos bíblicos são compreendidos melhor se sabemos que 
na cultura hebraica os lugares geográficos são teológicos além de geográficos. Por exemplo, 
deserto e monte são lugares de encontro com Deus. Verifique em sua Bíblia: 
- Gn 16,7: O próprio Deus se encontra com Agar; 
- Ex 3,1-6: Moisés vai para além do deserto, para a montanha de Deus, que Ele 
mesmo diz que é terra sagrada; 
- Ex 19,1-6: Moisés e o povo chegam ao deserto do Sinai e Moisés “subiu a Deus e 
da montanha Deus o chamou”. 
 Faça uma revisão do que você já sabe a respeito da geografia da Palestina. Procure 
nos mapas que estão à sua disposição os nomes geográficos que aparecem num texto 
bíblico. Viaje pelas terras bíblicas. Faça a experiência! Isso facilitará muito a aprendizagem e 
vivência bíblica. E agora recordemos onde está Israel-Palestina. Reveja o que você estudou 
em Introdução à Sagrada Escritura (veja especialmente o item 5.3 - A Terra de Israel ocupa 
lugar estratégico). 
 
Fonte: Serviço de Animação Bíblica – SAB. Paulinas. 
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Você percebe que Israel-Palestina (esta sofrida Palestina que hoje se reconhece só 
como a Cisjordânia) está num lugar estratégico? No meio de dois grandes continentes, 
África e Ásia, que certamente tinham muitas coisas em comum em etnia, cultura e vida com 
o antigo Canaã, terra chamada mais tarde de Israel e Palestina. 
Sobre esse pequeno território que alicerçou nossa fé, relembre o que já foi 
comentado, visto que até nós chegaram interpretações e pinturas com características 
europeias. Hoje, para decodificar as passagens bíblicas temos que nos espelhar nas culturas 
de África e Ásia. Assim entenderemos melhor a história e conteúdo dos relatos. 
Para ler a Bíblia é muito importante entender de geografia e história. Se João disse 
que “a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), se Paulo proclama que o nosso 
Deus se fez gente “tomando a semelhança humana” (Fp 2,5-11), poderíamos deixar de 
conhecer a terra que o próprio Deus pisou e a história do seu povo? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2 O que nossos pais e mães nos contaram: um povo a caminho 
 
“Caminhando e cantando e seguindo a canção 
Somos todos iguais braços dados ou não... 
Vem, vamos embora que esperar não é saber 
quem sabe faz a hora não espera acontecer!” 
 (Geraldo Vandré, 1968). 
 
O caminho vai ser longo. A Bíblia recolhe “histórias” desde uns 1800 anos antes de 
Cristo até cerca de 130 anos da era cristã. Precisamos entender os diferentes momentos, as 
diversas culturas dos impérios que invadiram as terras bíblicas e seu povo dominado, bem 
como as consequências para a fé do povo palestino-israelita. 
Dica de Aprofundamento 
Pegue os mapas da sua Bíblia ououtros e faça 
diversas viagens de acordo com seu gosto. Viaje do 
Egito a Israel com Mirian e Moisés, observando e 
memorizando os nomes dos lugares por onde 
passaram. Ou viaje pela Palestina com Jesus e seus 
discípulos, parando nos lugares, lembrando o que 
aconteceu e verificando no texto bíblico todos os 
detalhes. 
Fonte: http://migre.me/jFpwJ 
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Para simplificar, apresentaremos a história por 
etapas, numa espécie de “Linha do Tempo”. Essas 
etapas acompanham o que os livros da Bíblia contam 
e documentos extrabíblicos confirmam. É evidente 
que com o avanço das ciências e dos métodos de 
pesquisa, questionamos datas, contradições que 
aparecem nos textos e muitos outros detalhes. O 
certo é que nossa fé não depende da verificação de 
certas coisas. A confiança num Deus que caminhava com seu povo e que ainda caminha 
hoje permanece, independente se os fatos contados são reais ou simbólicos, históricos ou 
narrados de forma alegórica. 
 Os primeiros 11 capítulos do livro do Gênesis dificilmente poderiam ser históricos e 
contados por testemunhas presentes na Criação, no Dilúvio ou na construção da Torre de 
Babel. Alguns desses textos são liturgias com belos refrões repetitivos: “E Deus viu que tudo 
era bom” (Gn 1,4.9.12.18.21.25.31). Outros, como as narrativas do Dilúvio e da Torre de 
Babel, são tradições de outras culturas do Oriente atualizadas em Israel1. 
Podemos, porém caminhar com os primeros dados históricos que a Bíblia nos dá: 
Migrações de povos (Dt 26,1-11) como os Amoritas ou Amorreus que, vindos da Arábia, 
chegaram ao Egito e à Mesopotâmia, conquistando espaço e construindo cidades. 
 
 
 
Nesse tempo que chamamos das Mães e Pais do povo (às vezes se usa a 
expressão “Matriarcas e Patriarcas”), podemos identificar pelo menos cinco diferentes 
 
1 Confira a Epopeia de Gilgamesh. Disponível em: 
. Acesso em: 08 jun. 2014. 
Pais e Mãess 
É importante conhecer alguma 
CRONOLOGIA dos tempos antigos 
que ajuda situar as Origens, o 
tempo dos Patriarcas, dos Juízes, 
dos Reis e dos Profetas, o Exílio, o 
Pós-Exílio e os tempos do chamado 
Novo Testamento. O final da edição 
Bíblia de Jerusalém, por exemplo, 
traz um Quadro Cronológico 
bastante completo. 
Fonte: Elaboração própria. 
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grupos de povos migrantes pelos diversos tipos de tumbas que deixaram, pela qualidade da 
sua cerâmica, etc. A força desses povos foi tão grande que acabaram com alguns impérios, 
como o dos sumérios e o dos acádios. O grande Hamurabi, que reinou na Babilônia, seria de 
origem amorita (o código de Hamurabi2 foi uma das primeiras legislações escritas 
existentes). 
Outro grupo conhecido por sua força e organização foram os Hicsos ou príncipes 
estrangeiros (indo-germânicos). Dominaram o Egito entre 1900 e 1550 a.C. Na mesma 
época, surgiram os Hurritas (povo não semita) vindos do Norte. Por volta de 1700 a.C. 
chegaram os Hititas, de origem indo-europeia, que dominaram a região até o ponto de 
acabar com os amorreus. 
E por volta de 1300 a.C. chegaram os “povos do mar” (filisteus e outros) 
guerreiros bem treinados e organizados que, localizados na beira mar, na área de Gaza e 
chegarão mais tarde até o Egito. 
Estariam entre essas migrações as mães e os pais, antepassados do povo de Israel? 
Poderiam ser originalmente de Ur, estariam situados em Arã. Conforme as tradições bíblicas, 
no caminho para a Palestina e o Egito passaram pelas cidades de Mambré, Hebron, etc. Há 
episódios bem conhecidos daquela época, como as disputas pelos poços (Gn 26,15-25), que 
respondem à problemática de falta de água da região, o que acontece de fato em todas as 
ocupações. 
No Egito: Pelos anos de 1550 a.C., foi constituído o que ficou conhecido como Novo 
Império Egípcio. Em 1468 a.C., o Egito conquista Retenu (Palestina-Síria), conforme os 
egípcios chamaram esta região em seus documentos. Controlaram este “corredor 
internacional” com a vitória em Meguido. 
Em 1350 a.C., Amenófis IV, que mudou seu nome por Akhenaton, fez uma revolução 
cultural e religiosa fundando uma nova capital: El Amarna. Lá se encontraram muitas cartas 
que nos deram diversas informações sobre essa época. Tutankamon fez a contrarreforma, 
mas um golpe de estado mudou tudo de novo. Ramsés I e Seti I recuperam o Egito no 
esplendor passado. 
Seu sucessor Ramsés II enfrentou os hititas em Cades. Sua fama como construtor 
chegou até nós. Diversos documentos confirmam que os hebreus ou hapirus ajudaram nas 
grandes construções. Na estela de Merneptah, Israel é citado como grupo ou povo já 
existente. 
Em Canaã apareceram conflitos com os hapirus. Segundo os/as estudiosos/as, 
seriam grupos de origem amorita, conhecidos também por documentos da Mesopotâmia. 
 
2 Confira o Código de Hamurabi. Disponível em: 
. Acesso em: 08 jun. 2014. 
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Semitas seminômades dos quais o clã abraâmico faria parte? Parece que outros grupos 
estariam dispersos por todo o Crescente Fértil de forma pacífica ou agressiva. Alguns teriam 
chegado ao Egito, onde trabalharam para sobreviver. Em uma das listas genealógicas, a 
Bíblia, fala de Heber como antepassado de Abraão (Gn 11,16). Quem era HeBeR? Existiria 
uma relação com o povo HeBReu? E com os HaPiRu? Sabemos que o hebraico antigo só tem 
consoantes, o que nos leva a suspeitar que estes diferentes nomes estão se referindo ao 
mesmo grupo HBR. As cartas encontradas no Tel El Amarna confirmam nossas suspeitas. 
Conheça uma: 
 
 
 
 
Assim, chegamos ao Egito onde o povo da Bíblia vai viver uma profunda experiência 
de “escravidão e libertação”, segundo conta o livro do Êxodo. 
 
1.3 Quando Israel saiu do Egito 
 
“Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo: 
Eu sou YHWH3, teu Deus, que te fez sair do Egito, 
da casa da escravidão!“ (Ex 20,2). 
 
No leste do delta do Nilo, na terra que a Bíblia chama de Terra de Guesen, existiam 
povos semitas. A carta de um oficial egípcio de Merneptah comunica que “passaram tribos 
beduínas (shasu) de Edom para que elas e seus rebanhos sobrevivam”. Ou seja, no Egito 
chegaram grupos de outros povos e culturas à procura de melhores condições de vida. 
O grupo liderado por Mirian, Aarão e Moisés (Moisés é um nome egípcio), poderia ser 
uma prova de que escribas de origem semita trabalhavam na administração do Egito, o que 
nos ajudaria a entender o texto do Êxodo nesse contexto. Houve, portanto, migrações, 
trabalho escravo e fuga de hebreus do Egito. 
 
3 YHWH é a transliteração das quatro letras hebraicas utilizadas para grafar um dos nomes de Deus 
na Bíblia: YHWH (ou Yahweh). Em respeito à sacralidade divina, os judeus não pronunciam esse 
nome. Sempre que encontram a grafia YHWH, leem Adonai, que significa “senhor”. 
Carta de Milkili de Gazer ao faraó 
 
Ao rei, meu senhor, meu deus, meu sol 
assim fala Milkili, teu servo a poeira de teus 
pés: cai sete vezes e sete vezes aos pés do 
rei, meu senhor, meu deus meu sol. Que o 
rei saiba que são muitas as hostilidades 
contra mim [...] que o rei, meu senhor, 
salve seu pais das mãos dos hapirus. 
Fonte: http://migre.me/jFrYz 
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Algo importante para nós é que o livro do Êxodo conta o relato mais evocado e 
repetido na Bíblia: Deus liberta seu povo da escravidão! Como lembrou Valmor da Silva 
(2008), em conferência durante o II Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica, “o Êxodo é o 
nosso MITO, é o relato fundante da Bíblia. É o barbante, o pavio da vela da Bíblia! O textoque mais se repete e interpreta na Bíblia e na história”.4 
 
1.4 Roteiro de leitura dos textos do Êxodo 
 
 Sugerimos abaixo um roteiro de leitura dos 15 primeiros capítulos do livro do Êxodo. 
IMPORTANTE: Voltaremos nesses textos na próxima disciplina (Pentateuco e Livros 
históricos). Por enquanto, é importante que tenhamos uma visão de conjunto, levando em 
conta que o êxodo é chave de leitura para entendermos toda a história de Israel-Palestina. 
 
a) Capítulos 1,1 –2,22 e 5,6-20: A opressão no Egito e a luta pela vida. 
No contexto do Egito aparece a opressão por serviços pesados por um lado e a 
resistência por outro. Resistência desde a casa, a família, a cultura, a tradição. Ainda, 
encontramos a “saída”, a fuga que são os assuntos do Êxodo. Oprimidos, mulheres, crianças 
fugindo das “ordens” do faraó a partir das suas alianças e parcerias. Até Moisés foge (Ex 
2,15) e encontra seu lugar na casa, na família, onde há partilha do pão (Ex 2,20). 
b) Capítulos 2,23-5,5 e 6,1-13: As etapas do caminho - Desafios e 
procedimentos. 
Depois das histórias do cotidiano, Deus se manifesta explicitamente como Aquele 
que ouve, vê, está atento e presente na história do povo. “Eu estarei contigo” (Ex 3,12) não 
é só uma resposta a Moisés. A afirmação está dentro de um contexto e em sintonia com 
uma história de caminhada que já vem dos pais e mães do povo. Mas há uma novidade. 
Deus responde a pergunta sobre o seu nome: “Eu sou Aquele sempre presente, que está 
sempre junto”. 
c) Capítulos 6,28-11,10 e 12,29-36: As etapas do caminho - os milagres ou 
as pragas. 
As chamadas pragas do Egito apresentam de outra maneira os assuntos do cotidiano 
da vida do povo e como Deus está no nosso meio, ligado aos acontecimentos da história 
humana. 
 
4 Ver SILVA, Valmor. Leituras do Êxodo na América Latina. In: REIMER, Haroldo; SILVA, Valmor 
(Org.). Libertação – Liberdade. Novos Olhares. São Leopoldo: OIKOS; Goiânia: UCG, 2008. 
 
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Estamos diante de um conteúdo apresentado como uma liturgia. O que acontece no 
dia a dia: doença, peste, praga, fenômenos naturais adversos, etc. são narrados de forma 
intencional e querem deixar uma mensagem clara sobre o nosso Deus. É um “confronto de 
poderes”. Deus em relação às autoridades humanas. Deus como aliado dos pequenos e que 
de algum jeito, ainda no escuro, quer conduzir o grupo para a vitória. 
d) Capítulos 12,1-28 e 12,37-13,16: As etapas do caminho - uma festa de 
partida. 
A última Páscoa celebrada no Egito é de fartura de comida e solidariedade. Come-se 
pão sem fermento para não esquecer que o acúmulo entre uma colheita e outra é para a 
festa. Come-se de pé, como quem quer mesmo sair para a mudança e sentindo-se capaz de 
enfrentar o faraó. A festa é lugar de passagem, não de instalação. É ponto de partida, não 
de chegada! 
e) Capítulos 13,17-15,21. As etapas do caminho - Miriam canta a vitória. 
Toda festa é um processo, muito mais do que um momento. Novamente estamos 
diante de um texto contado como uma liturgia. Celebração das histórias passadas e das 
esperanças do porvir. Trata-se de animar a fé para as próximas etapas e desafios da vida. E 
uma mulher, ao ritmo africano (tambores e dança), puxa essa festa transformada em 
louvação do Deus que liberta seu povo e proclama: “Cantai a YHWH, pois de glória se 
vestiu, ele jogou ao mar cavalo e cavaleiro” (Ex 15,20). 
f) A partir do capítulo 15,22 devemos considerar as lições do deserto. 
As lições da necessidade da água em Mara e Massa e Meriba (Ex 15 e 17) e do 
maná (Ex 16) nos ajudam entender que obedecer a YHWH é a base para garantir a vida. 
Onde há acúmulo, há morte (vermes e podridão). A lição de Amalec (Ex 17,8-16) afirma 
que nossa religião não é nem mágica nem alienante, temos que orar, trabalhar e lutar. A 
lição do sogro (Ex 18) confirma como a organização e a partilha resolvem os problemas do 
cotidiano da vida. 
De fato, a organização é vital para a caminhada no deserto e para superar todas as 
dificuldades da vida. No entender do povo, Deus proclamou suas Palavras (que costumamos 
chamar de Mandamentos) para quem tinha saído do Egito e estava a caminho da Terra 
Prometida (Ex 20,1-17). No ato da proclamação, entretanto, Deus declara o motivo e a 
autoridade da nova Lei: “Eu sou YHWH, teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da 
escravidão!“. Ora, decreta uma Lei quem tem autoridade. E a autoridade de Deus, nesta 
proclamação, é a de ser Libertador. O Decálogo, neste contexto, deve ser entendido como a 
ferramenta que Deus deixou na mão do povo para garantir e conquistar a libertação plena. 
É a indicação do caminho: para não voltar à vida da escravidão; para todos/as viverem na 
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justiça e fraternidade para não caírem na tentação do acúmulo, como os faraós, que 
abusando do poder, submeteram o povo a um regime de opressão. 
No início, o chamado Decálogo se compunha de leis curtas, como “dez palavras” (Dt 
4,13; 10,4) fáceis para decorar. Com o tempo e de acordo com as necessidades, alguns 
“mandamentos” foram elaborados de uma forma mais longa. O importante é entender o 
que cada um quer preservar. 
Desde o começo da história do povo de Israel e concretamente na caminhada pelo 
deserto, Deus recebe múltiplos nomes que confirmam que diferentes grupos, culturas e 
crenças foram construindo a fé de Israel. Ex 6,2-8 evidencia que YHWH foi um Deus deste 
momento da história: “Deus falou a Moisés e lhe disse: Eu sou YHWH. Apareci a Abraão, a 
Isaac e a Jacó como El Shaddai, mas pelo meu nome YHWH não lhes fui conhecido”. 
Estamos no começo de uma rica e nova experiência: a Bíblia conta a relação do povo 
com seu Deus a partir das diferentes realidades de vida! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dica de Aprofundamento 
* Para entender tanta migração nos dias de hoje, na 
procura de uma vida mais digna, podemos ler certos mitos e 
lendas mesopotâmicas como as que você encontra em: 
Epopeia de Gilgamesh. Disponível em: 
. Acesso em: 08 jun. 2014. 
* E sobre a festa da passagem da morte para a vida, do 
inverno para a primavera, que chegou até nós como a festa 
da Páscoa, em: Um estudo sobre a origem da Páscoa. 
Disponível em: . Acesso em: 08 jun. 2014. 
 
Fonte: 
http://migre.me/jFpwJ 
http://www.domusaurea.org/disciplinas/ao/A_Epopeia_de_Gilgamesh.pdf
http://www.domusaurea.org/disciplinas/ao/A_Epopeia_de_Gilgamesh.pdf
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- Queremos ouvir com nossos próprios ouvidos, o que nossos pais e mães nos 
contaram. 
- No nosso estudo da Bíblia pretendemos conhecer o que dá para ver facilmente no 
texto e o que está por baixo, por trás, escondido na Palavra, mas que tem a força de vida 
ainda hoje. 
- Desejamos entender o profundo sentido teológico dos relatos bíblicos. 
- Aprender a geografia e a história descrita na Sagrada Escritura enriquecerá nossa 
compreensão teológica da Palavra de Deus. 
- Caminhar com o povo de Deus, rumo à libertação, enriquecerá nossa vida com 
novos desafios. 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 
1.1. 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisor o 
nosso estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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UNIDADE 2 
“NESSE TEMPO NÃO HAVIA REI EM ISRAEL” (Jz 
17,6; 18,1; 19,1) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Compreender como aconteceu a entrada do povo de Israel na 
terra, sua organização emtribos e a passagem do tribalismo para a monarquia. 
 
2.1 A experiência das tribos 
 
“Então o povo respondeu: ‘Longe de nós 
abandonar YHWH para servir a outros deuses! 
YHWH nosso Deus é aquele que nos fez subir a 
nós e nossos pais da terra do Egito, da casa da 
escravidão...’” (Js 24,16-17). 
 
O povo queria viver uma nova experiência, na liberdade, na sua terra. Os livros de 
Josué e Juízes nos contam como se deu esse 
momento tão importante para a narrativa bíblica. O 
tema central dos dois livros é a terra. Josué 
apresenta a tomada da terra e sua distribuição. E o 
livro de Juízes conta as lutas organizadas por 
líderes contra os cananeus para instaurar e manter 
o projeto tribal. 
Em Juízes 5, encontramos um dos textos 
mais antigos da Bíblia, possivelmente um canto de 
mulheres junto aos poços de água. Com base no Cântico de Débora (o texto é um poema 
escrito num hebraico arcaico, por isso um pouco difícil até mesmo para a tradução), é 
possível entender: 
1) YHWH é um Deus que se revela na história humana. 
2) Os cananeus são apresentados como inimigos do projeto tribal. Entretanto, Jael, 
uma mulher madianita ajuda ao povo de Israel (Jz 4,17-22). A luta é social, não é 
racial. 
Leia Jz 5. Para entender a história descrita no poema, leia também a versão em 
prosa (Jz 4). Em seguida, leia Josué 24, texto que apresenta o “pacto” das tribos com o 
Sabemos a formação do povo de 
Israel-Palestina se deu por meio da 
mistura de povos que habitavam a 
terra de Canaã. Não faz sentido, 
portanto, falar de povos cananeus 
como se fossem “pré-israelitas”. Esta é 
a versão de muitos textos bíblicos, 
escritos posteriormente para justificar 
a dominação sobre de supostos 
israelitas contra palestinos. 
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Deus único como meio de assegurar a identidade do povo de Israel. Josué 24 é considerado 
uma espécie de memória celebrativa do compromisso tribal. 
Mas, o que foi o sistema de vida tribal que aparece na Bíblia? De acordo 
com os textos, trata-se de projeto de sociedade igualitária, sem aparelho central de 
governo, caracteristicamente: 
- é uma sociedade sem classes, organizada a partir da base: a família, o clã e a tribo 
(Nm 1,1-2,34). O chefe é provisório e irmão do povo (Dt 17,4-20); 
- com produção comunitária para atender às necessidades de todos: nada de 
acúmulo (Ex 16,1-30); 
- com poder descentralizado e participativo através dos conselhos de chefes de 
famílias, clãs e tribos, e das assembleias (Ex 18,13-37; Nm 11,16-25; Js 24,1-28); 
- sem nenhum aparelho militar ou policial: em caso de guerra, um líder convocava as 
tribos a se unirem e lutarem juntas (Js 4,6-10; Jz 4,10; 6,34-35); 
- com leis em defesa do sistema igualitário: (Ex 20,1-17), em defesa dos pobres (Ex 
23, 3.6; Lv 23,22; Dt 17,7-11), e dos mais fracos (Ex 22,22; Dt 10,18); 
- o culto celebra a vida e a história, não mitos e lendas. A comemoração dos fatos do 
passado serve para renovar a esperança e o ânimo do povo (Ex 19,1-8); culto celebrado nas 
famílias e nos clãs, onde os pais eram os sacerdotes (por exemplo, a festa da Páscoa), 
embora tivessem santuários locais com seu culto e sacerdócio. 
Experiências reais ou simbólicas? Memória ou sonho? 
“Feliz és tu, ó Israel. Quem é como tu, povo vencedor? 
Em Iahweh está o escudo que te socorre e a espada que te leva ao triunfo 
Teus inimigos vão querer bajular-te, mas tu pisarás suas costas” (Dt 33,29). 
Atualmente, os estudiosos postulam diferentes teorias para explicar o surgimento de 
Israel como uma aliança de tribos. Mas, o que aconteceu para Israel conseguir entrar em 
Canaã e ocupar essa terra? 
1) Seria uma unidade racial primitiva? John Brigth e Yehezkel Kaufmann 
sugerem que havia laços de parentesco suficientes entre as tribos para explicar a sua união. 
E que Deus fez uma escolha por Israel. No entanto, podemos perguntar: Deus poderia ter 
escolhido arbitrariamente um povo, os israelitas, deixando de lado outro povo, os cananeus? 
2) Ou existiu uma unidade na prática do pastoreio? Hipótese defendida por 
Albrecht Alt e Martin Noth, é uma teoria sociológica que postula que o conflito entre Israel e 
Canaã seria um problema de pastores com agricultores, uma luta pelas terras melhores 
(Josué 1-11 e Juízes). 
M. Noth (1930) defende a tese da “anfictionia”, a partir do modelo grego de vida ao 
redor do santuário. Noth afirma que as tribos teriam se unido a partir de três instituições: 1) 
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o culto a YHWH em Siquém; 2) a lei (código da aliança - Ex 20-23), cuja promulgação anual 
se fazia em Siquém; 3) a defesa comum (guerra santa). 
Esta tese apresenta hoje vários problemas. Na realidade a defesa não era comum, 
envolvia no máximo duas ou três tribos. A lei é cada vez mais datada como escrita no séc. 
VIII a.C. O santuário comum existiu só a partir de Josias (séc. VI a.C.). Até então, cada 
tribo fazia referência a seus santuários locais: Tabor, Silo, Betel, Mispa, Guilgal, Bersabeia, 
etc. Também não existiu sacerdócio anfictiônico comum. 
3) Teoria da insurreição camponesa. George E. Mendenhall pensou que 
entender a união dos grupos seria procurar uma possível solução sociológica. Porém, foi 
Norman Gottwald5 quem defendeu que as aldeias submetidas ao sistema tributário 
poderiam ter subido as montanhas (com a novidade do cimento para fazer cisternas e 
instrumentos de ferro para trabalhar as terras) libertando-se dos impostos dos reis cananeus 
(Jz 17-18), que controlavam as pequenas cidades-estado em Canaã. Estes grupos 
assumiriam os hebreus vindos do Egito com a sua experiência de libertação. O que regularia 
esses grupos seria a organização tribal, mais ampla do que o clã familiar. E seria o empenho 
no monojavismo, uma mesma fé em YHWH que solidificaria o sistema familiar. 
Hoje, com novas informações sobre o monoteísmo, que estudaremos 
posteriormente, questionamos parte desta teoria. Reconhecemos, entretanto, o quanto ela 
ajudou na compreensão da história de Israel e na luta pela libertação de povos oprimidos 
nos dias de hoje. 
4) Uma nova tese, com elementos de algumas das teorias mencionadas 
anteriormente, merece nossa atenção: Israel seria um conjunto de tribos, com vida, 
tradições, religião própria, que se uniriam em determinados momentos e ao redor de 
projetos de interesse comum. Entretanto, entendido como unidade política, Israel seria fruto 
da monarquia quando uma ou mais tribos, movidas por interesses particulares e favorecidas 
por momentos conjunturais, se sobressaíram e se impuseram no poder com a força militar, 
ideológica e econômica sobre as outras tribos, com o objetivo de criar um pequeno estado-
império. Mas a ideologia imperialista, não conseguiu acabar com a vida das tribos. O 
imperialismo estatal é como um vestido novo colocado por cima, mas que não acaba com o 
que está por baixo. As tribos continuaram, dentro da monarquia. Umas morreram, outras 
surgiram, até o tempo do exílio, onde a estrutura tribal desapareceu definitivamente. 
 
5 Norman Gottwald (1986) é autor de um clássico As tribos de Iahweh – Uma sociologia da religião 
de Israel liberto (1250-1050 a C)”, livro muito valorizado nos anos passados pela ajuda e incentivo 
que deu à luta pela terra aqui no Brasil e a tantas outras lutas na América Latina. 
 
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Mas, quais seriam as origens desse povo organizado em tribos? Quem seria seu deus 
ou deuses? Lembremos que em Ex 6,2-8 YHWH foi o Deus de um momento da história. 
Numa pesquisa pormenorizada dos textos Bíblicos encontramos diversos grupos que 
formaram parte do povo de Israel. Levantamos os grupos mais relevantes e seu “deus”. 
 
Os possíveis grupos que formaram Israel 
 
a) Trabalhadores forçados vindos do Egito 
É possível que vários grupos fugiramou migraram do Egito em direção a Canaã em 
diferentes momentos. Mais significativa e conhecida é a história do grupo liderado por 
Moisés, Aarão e Mirian. Tais grupos viviam em regime de corveia (trabalho forçado e 
gratuito), em condição de semi-escravidão ou escravidão no campo e na construção de 
cidades e pirâmides. Tiveram conflitos com o Faraó (Ex 1,8-22; Ex 5,1-21). 
Os hebreus no Egito não conheciam ainda a Deus sob o nome de YHWH. Essa 
tradição vem da região de Madiã (ou Midiã), a região do Sinai. Os textos do Êxodo falam do 
“Deus dos Hebreus” (Ex 3,18; 5,3; 7,6;9,1.13; 10,3). Adotaram para si a fé no Deus 
Libertador (Ex 3,7-10; 6,2-8). Atravessando o deserto, conseguiram migrar ou fugir e 
atravessar até a Terra de Canaã. 
O Êxodo (a "saída") foi possível graças: à fé no Deus que se colocou ao lado dos 
oprimidos e os ajudou na luta pela libertação; a Miriam, Aarão e a Moisés que aceitou o 
chamado de YHWH, liderando a luta contra o faraó; e à organização do povo. O povo 
levantou-se contra a opressão do faraó, aprendeu na caminhada a viver em fraternidade 
para que nunca mais surgisse a opressão entre eles. 
b) Camponeses empobrecidos que já viviam em Canaã 
As histórias contadas por quem veio do Egito foram as que mais se popularizaram. 
E, de fato, esses grupos “fizeram a proeza” de escapar da proximidade do poder maior: no 
Egito vivia o faraó Mas a dominação egípcia se estendia a toda a região, incluindo as terras 
de Caanã. Pequenos reis cananeus, controlando as cidades-estado, oprimiam a população 
local. Repassam tributo ao Egito, mas mantinham seus privilégios através da exploração dos 
camponeses. As melhores terras junto às planícies eram controladas pelas cidades-estado, 
ainda que cultivadas por camponeses empobrecidos. 
Com algumas “novidades tecnológicas” introduzidas na região por volta de 1250 
a.C., foi possível a grupos de camponeses ocupar as montanhas, até então tomadas de 
matas (cf. Js 17,15.18). Tais novidades foram: o ferro, que passou a ser utilizado na 
derrubada das árvores, na construção de armas e no preparo da terra para a lavoura (1Sm 
13,19-22); o uso da cal para a fabricação das cisternas, permitindo o armazenamento da 
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EL SHADDAY: “Estudos recentes voltaram a ligar o 
epíteto ao acádico shadu, ‘montanha’, mas não no 
sentido estrito do termo, e sim na acepção de ‘seios’, 
‘mamas’ (em hebraico, shaddayim; cf. Gn 49,25: ‘por El 
Shaddai [...] bênçãos das mamas e dos seios’); 
portanto, não o Deus da Montanha’, mas o ‘Deus da 
abundância’, como se pode observar também em outras 
passagens do Gênesis (17,2; 27,1s. 35,11;49,25),nos 
quais a denominação el Shadday está ligada a 
formulações augurais de fecundidade. Nas nossas 
bíblias, normalmente traduz-se por o ‘Todo 
Poderoso,mas com pouco fundamento; esta tradução 
segue os LXX, que pressupõem uma raiz shdd, 
‘devastar’, como ação de um ser forte.” (Vademecum 
para o Estudo da Bíblia. São Paulo: Paulinas, 2000, 
p.281. 
água das chuvas nas regiões montanhosas (ver Dt 6,11 e Nm 21,16-18); e a adoção dos 
terraços, feitos com pedras para reter a terra e permitir o cultivo. 
Passando a ocupar as montanhas (Js 17,14-18; Jz 1,19) esses grupos de gente 
fugitiva e sem terra conseguiram organizar a sobrevivência e a resistência contra o sistema 
das cidades-estado. 
Denominados de Hapirus, palavra com a mesma raiz de Hebreus, eles saíram das 
cidades e das planícies fugindo da opressão e da exploração, do trabalho forçado (corveia) e 
dos tributos. E se instalaram nas serras, onde a terra era livre. Trabalhavam duro, mas a 
vida era muito melhor do que quando moravam na cidade. O conhecido Cântico de Débora 
(Jz 5 canta a vitória de grupos das montanhas enfrentando um rei Jabin, que controlava as 
planícies. A história tem uma versão em prosa em Jz 4). 
Os camponeses cultuavam a El, também a Baal e a Asherá. Em Gn 33,20 e 46,3 
encontramos a expressão El, Deus de Israel. O termo Israel significa “Deus luta” (ou lutará). 
Em nome de seu Deus, os camponeses lutaram por terra livre. E se os hebreus adotam para 
si o nome Israel, significa que em sua origem, participaram da cultura e da religião 
cananeia. 
 Pastores Seminômades de Canaã (grupos abraâmicos) 
Moravam nas montanhas, 
na terra não cultivada e cuidavam do 
rebanho e usavam. Sua divindade 
era El: El Elion (“Deus Altíssimo” - Gn 
14,18-20); El Roí (“Deus que me vê” 
- Gn 16,13-14): El Olam (“o Eterno” 
– Gn 21,33); El Shaddai (“Deus da 
abundância”, ou “Deus das mamas”, 
ou “o que acompanha” – Gn 17,1; 
28,3; 35,11; 43,14; 48,3; 49,25) – 
leia o quadro ao lado. Um deus que 
acompanhava seu povo e que era 
invocado com diferentes nomes (Ex 
6,2-3). E em diversos lugares: árvore, poço, pedra (Gn 13,14-18; 26,24-25; 28,20.) É o 
Deus que mantém a vida no caminho. 
Tais grupos viviam do pastoreio de gado miúdo (ovelhas e cabras). Dele faziam 
parte muitas famílias, como as dos antepassados, pais e mães do povo: Abraão, Agar e 
Sara, Jacó e Rebeca, Isaac, Raquel e Lia. Enfrentavam conflitos com os camponeses que 
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não gostavam de ver os rebanhos perto das suas roças. E com os donos das cidades, para 
quem esses seminômades podiam ser ameaça. 
c) Pastores seminômades, vindos do Sinai, em Madiã 
Como o primeiro grupo, também sobreviviam da criação de gado miúdo. Mas 
vieram de fora, da região de Madiã (ou Mídia), a leste do Golfo de Acaba e ao sul do Mar 
Morto (confira em seus mapas). Juntando-se aos cananeus empobrecidos, aos fugitivos do 
Egito, ajudaram na formação das tribos. E sua maior contribuição, com certeza, foi o culto a 
YHWH. 
A tradição bíblica (Ex 3) conta que foi junto aos pastores de Madiã que Moisés teve 
contato com YHWH, “aquele do Sinai”, como lemos em Jz 5,4. YHWH é Deus da Montanha. 
Nas origens, está ligado a fenômenos climáticos (chuva, raio, trovão) e vulcânicos 
(terremoto, fumaça, fogo). Leia Ex 19,16-20. Mas aos poucos esse culto foi e tornando mais 
próximo. Como que descendo da montanha ou de uma grande árvore, se manifesta numa 
sarça e revela o seu nome: “Eu sou/estou contigo”, “Eu sou aquele que sou” (Ex 3, 12.14). 
É possível que os grupos de Madiã já possuíssem uma experiência diferente de 
exercício de poder. Confira isso lendo Ex 18,13-27. De acordo com a narrativa, mesmo bem 
intencionado, Moisés estava se tornando um “pequeno faraó” na liderança de seu grupo. E 
teve que aprender com seu sogro, um madianita, outra forma de exercer a liderança. 
d) Outros grupos 
 Os quenitas: nômades, também se juntaram ao Israel tribal. Uma tradição afirma que o 
sogro de Moisés era quenita (Jz 1,16; 4,11). Conforme Jz 4,17-21, foi a mulher de Heber, o 
quenita que, “lutando” junto com os israelitas, matou o general Sísara. 
 Grupo de Cades (Nm 13,25-29; 20,1.14-22; Dt 1,19). O oásis de Cades tinha muitos 
“olhos d'água”, pequenas fontes e nascentes. Seus moradores plantavam roças, criavam 
rebanhos. Grupos vindos do Egito ficaram em Cades em sua viagem migratória para Canaã. 
Na época da formação da Confederação de Israel, o povo de Cades, que estava sem terra, 
se uniu a Israel. 
 Assalariados (Gn 30,28-31; Gn 49,14-15). Grupos das planícies de Jezrael, na Galileia. 
Moravam nas roças como lavradores assalariados. Foram morar na cidade, esperando levar 
uma vida melhor e acabaram sendo explorados. Issacar, o nome de uma tribo, significa 
“homem assalariado”. 
 Portuários do mar (Gn 49,13; Dt 33,18-19; Jz 5,17). Pessoas que foram morar nos 
portos do litoral da Terra de Canaã, porque procuravam trabalho e uma vida melhor na 
cidade. Como se pode ver nos textos indicados, eram integrantes das tribos de Zabulon, Dã 
e Aser. 
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 O clã de Raab e os contestadores dentro da cidade (Js 2; Jz 1,22-26). 
Contestadores do reique se aliaram com os hapirus. Marginais, prostitutas, moravam dentro 
das cidades, mas não pertenciam às famílias dos donos das cidades, nem às famílias dos 
sacerdotes. Sofriam com a exploração. Rebelaram-se contra o sistema e procuraram aliança 
com grupos que já conseguiram se libertar da opressão da cidade. 
Muitos grupos, cada qual com seu Deus (ou Deuses). O povo precisava da chuva, da 
terra, do alimento... Seus deuses eram invocados segundo a necessidade. Sem mais 
problemas. YHWH era o Deus da montanha, o ciumento, o forte. Aos poucos, seu culto foi 
se sobressaindo e quase se tornando único. Mas, isso acontecerá muito depois, no tempo de 
Josias. Trataremos depois deste assunto. 
Estamos acostumados a pensar na sociedade tribal como a ideal para todas as 
épocas. De fato, ela tem muitas coisas boas e importantes para nossa vida atual. Mas, tem 
também limites e problemas, que, escondidos, como o cupim, roem as suas bases. E assim 
aconteceu naqueles tempos... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2 Do sistema tribal à monarquia 
“Hoje você é quem manda 
Falou, tá falado 
Não tem discussão 
A minha gente hoje anda 
Falando de lado 
E olhando pro chão, viu” 
 (Apesar de você, de Chico Buarque). 
 
Dica de Aprofundamento 
Releia detidamente todos os textos estudados e descubra novas 
ideias. Pense e dialogue: Na sua compreensão, como podemos 
interpretar o pedido de Gedeão (Jz 8,22-35)? Como entender o 
episódio de Abimelec (Jz 9)? Seria um primeiro sinal da 
monarquia que começa a nascer? O que poderia significar o 
discurso de Samuel em 1 Sm 11? 
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Quem foram os reis? 
 
Na Bíblia existem textos que defendem a Monarquia (1Sm 9,1-10,16; 10,27-11,45) e 
outros que a condenam (1Sm 8; 10,17-26; 12,1-24; 15,22-23). É possível encontrar 
também diversos projetos de Monarquia, mas todos eles alicerçados no poder de um só 
sobre o povo. Não com pouca resistência, a monarquia se impôs em Israel Saul, Davi e 
Salomão foram os primeiros reis. É interessante conhecê-los em seu contexto internacional, 
nacional e pessoal. 
 
REINADO DE SAUL 
 Situação Internacional: 
Foram tempos de ameaças externas por parte dos reinos vizinhos. Os israelitas 
venceram Moab, Edom, Soba e os filisteus (1Sm 13,2-4; 14,47-52). 
 Situação Nacional: 
Sem exército permanente, só com soldados voluntários (1Sm 14,52); sem capital; a 
organização se dá ao redor de Gabaá (1Sm 13,2-3; 15,34). Não há templo, nem sacerdócio 
instituído (1Sm 11,14; 13,8-12; 14,34-35). Permanece o que podemos chamar de “teologia 
tribal”. 
 Quem foi Saul? 
 De família influente (1Sm 9,1), foi mais um “comandante militar” mais do que rei. 
Venceu aos amonitas (1Sm 11,1-15) e os filisteus, eram fortes na tecnologia do ferro (1Sm 
13,19-22; 17,7). Não cobrou impostos e em seu reinado não se consolidaram classes 
sociais. Retomou a Arca que os filisteus tinham levado, mas não reconstruiu o santuário de 
Silo! 
Fonte: Elaboração própria. 
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Preparando a chegada de Davi, os textos afirmam que Saul se mostrou um rei 
depressivo (1Sm 16,14-23), invejoso (1Sm 18,10-11), que busco o acúmulo de poder (1Sm 
22,6-19). Deus “teria se arrependido” de ter permitido a Saul ser rei (1Sm 15,11.22-23.26-
28.35). 
A grande marca do governo de Saul, em resumo, foi estabelecer as marcas para a 
existência de um exército permanente. 
 
REINADO DE DAVI 
 Situação Internacional: 
Continua uma relação tensa com os reinos vizinhos (2Sm 8). 
 Situação Nacional: 
Muitas lutas pelo poder e divisões internas (2Sm 2,8-3,1). Davi conseguiu um 
exército de pobres, endividados e descontentes (1Sm 22,1-2), ainda que com dificuldade 
(1Sm 25; 27,1-12). Ao chegar ao poder, primeiro governa a partir de Hebron (2Sm 2,1-4) e 
depois conquista Jerusalém (2Sm 5,6-12). 
Davi alicerçou a ideia de Templo. Trouxe a Arca para a nova Capital (2Sm 6,1ss) e 
“comprou” o terreno do Templo (2Sm 7,1-7; 24,18ss). Os filhos de Davi oficiavam o culto 
(2Sm 8,18). E Davi se fez sacerdote e foi confirmado por Deus. 
 Quem foi Davi? 
A Bíblia apresenta Davi com uma nova teologia. Se na teologia tribal a aliança era 
entre Deus e o povo, na teologia davídica a aliança é entre Deus e o Rei. E ela é eterna 
(2Sm 7,12-16). Os reis são filhos de Deus (Sl 2,7-8; 89,4-5.35-36). Consequência: 
Jerusalém, a cidade de Davi passa a ser a cidade de YHWH (Sl 132). 
Como muitos textos bíblicos foram redigidos pela própria corte davídica, sulista, Davi 
entrou para a história como um bom rei. Não teria cobrado tributo do povo e repartia os 
despojos dos dominados (1Sm 30,16-31); respeitou YHWH como autoridade (2Sm 11-12) e 
como Deus dos pobres (Sl 72). Sabemos que a história não foi bem assim. As revoltas de 
Absalão (2Sm 15,7-12) e Seba (2Sm 20,1-3), bem como relatos de abuso de poder (2Sm 
11) ou da omissão de Davi quando sua filha foi violentada (2Sm 13,1-22) permaneceram na 
Bíblia. Leia o quadro abaixo. 
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A grande marca do governo de Davi foi a conquista de Jerusalém, que passa a ser a 
capital, a cidade de Davi. 
 
REINADO DE SALOMÃO 
 Situação Internacional: 
Egito e Assíria estavam em decadência. Salomão fez alianças, casamentos políticos e 
comércio com os reinos vizinhos para expandir seu reinado (1Rs 3,1; 9,10). 
 Situação Nacional: 
Salomão enfrentou muita resistência para subir ao trono: as forças do campo se 
opuseram às forças de Jerusalém. O grupo de Adonias fez oposição (1Rs 1,11-40). Mas, 
chegando ao poder Salomão teve a seu dispor um exército bem treinado. Fez uma nova 
organização militar e econômica que “apagou as tribos” (1Rs 4,7-5,5). Foi mantida a capital 
Jerusalém, com seu grande palácio (1Rs 7 e 9,10ss) e o Templo passou ser propriedade do 
rei, com escolha dos seus sacerdotes. Ele mesmo foi sacerdote (1Rs 3,4; 8,62; 9,25). 
Salomão foi o rei das elites da cidade e do comércio (1Rs 10,27ss). 
Quem foi Salomão? 
Foi realmente um rei sábio? A sabedoria e fama de Salomão são exaltadas 
repetidamente (1Rs 3,12.16-28; 4,9-14). Logicamente, em seu palácio foi escrita pela 
primeira vez uma história organizada do povo que legitima seu poder. A redação Incluiu 
poesias e textos antigos, como o cântico de Débora (Jz 5), os oráculos de Balaão (Nm 
22,20,31), etc. Salomão justificou a monarquia fazendo culminar a história de Abraão em 
Davi e em si próprio. A promessa feita a Abraão de um “povo numeroso como as estrelas do 
céu e as areias do mar” (Gn 22,17) se realiza no tempo de Salomão: “Judá e Israel eram 
A chegada de Davi ao poder é descrita como “vontade divina”. No entanto, uma leitura mais 
atenda dos textos nos permite enxergar golpes políticos e muito “jogo sujo”. Tomemos apenas o 
exemplo do acordo com Abner, quando este decide apoiar Davi ou subjugar-se a ele. Davi aceita, 
mas com uma exigência: “Entrega-me a minha mulher Micol, aquela que adquiri por cem 
prepúcios de filisteus” (2Sm 3.14). Moeda de negócio: a mulher, a mesma já antes comprada de 
Saul (dote para o casamento), por nada menos que cem prepúcios. Aliás, na ocasião, Davi achou 
pouco cem prepúcios filisteus, resolveu trazer duzentos (1Sm 18.27). Apesar dos choros do novo 
companheiro de Micol (2Sm 3.16), ela é trazida. E Abner, numa traição, é assassinado. Davi, que, 
segundo a narrativa, não sabia da cilada, apenas chorou e compôs um hino (2Sm 3.22-39). 
Sobrava Isbaal, o filho de Saul, última ameaça aos planos de Davi. Também foi eliminado! E mais 
uma vez a narrativa diz que Davi não tinha conhecimento de nada. Sua sentença, como “rei justo” 
que era, para com os que lhe tinham trazido a cabeça de Isbaal: “Aquele que me anunciou a 
morte de Saul acreditava ser portador de uma boa notícia. Eu o agarrei e o matei em Siceleg, em 
retribuição pela sua boa nova (...) Então Davi ordenou aos seusfilhos mais novos que os 
matassem. Cortaram-lhe as mãos e os pés e os penduraram perto do açude de Hebron” (2Sm 
4.10-12). 
Cf. NEUENFELDT, Elaine e SCHINELO, Edmilson. As relações de gênero na casa de Davi. Estudos 
Bíblicos, 86, Petrópolis: Vozes, 2005, p.16-25. 
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tão numerosas como as areias das praias do mar. Comiam e bebiam e viviam felizes” (1Rs 
4,20). A terra prometida a Abraão (Gn 15,18) é conquistada por Salomão que “dominava 
todos os reinos desde o rio Eufrates até a fronteira do Egito” (1Rs 5,9-14). A organização e 
o tributo da corte de Salomão são justificados pelo próprio José já que “esta lei dura até 
nossos dias” (Gn 47, 26)6. 
O templo se torna o centro da vida do povo. Os dez mandamentos de Deus (Ex 
20,5-17) se transformam em mandamentos de Salomão (Ex 34,17-26) que justificam o 
projeto de Salomão em nome de YHWH: o templo e o dízimo. Deus se alia ao trono. A 
promessa a Davi se cumpre agora, com o seu filho Salomão: “Teu trono estará firme para 
sempre” (2Sm 7,12-16). O Deus dos pobres passa ser o pai do rei. O Deus libertador passa 
a ser usado para justificar a opressão do rei. 
A grande marca do governo de Salomão foi a construção do templo, agora a 
“morada de Deus”. 
Fica a pergunta: Quem foi o Deus de Salomão? Foi o Deus dos oprimidos? Foi o 
Deus de Jesus? A sabedoria de Salomão é a que Jesus agradece: “Eu te bendigo, Pai... 
porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6
 A pesquisa recente, especialmente com a ajuda da arqueologia, vem constatando que muita coisa 
atribuída s Salomão foi construída na época de Josias. Este faz uso das histórias de Salomão 
para justificar seu projeto expansionista. 
Dica de Aprofundamento 
Quer conhecer um pouco mais da personalidade de Salomão e através dele o que foi a 
monarquia? Intriga palaciana para a sucessão (1Rs 1,11-40). Assassino para 
consolidar o poder (1Rs 2,12-35). Tributos organizados para sustentar a corte (1Rs 
4,1-20; 5,1-7). Trabalhos forçados para manter o luxo da corte (1Rs 5,27-32). 
Construção do palácio. Mobília para o Templo (1Rs 7,1-51). Ostentação e política 
externa. Comércio (1Rs 9,10-14.26-10,13). Mulheres e idolatria (1Rs 11,1-13). 
* Depois poste no fórum suas reflexões. 
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- Um povo na procura de terra para viver. 
- A rica experiência da vida nas tribos. 
- Grupos de “marginais” se unem na procura de liberdade. 
- O Deus, Deuses libertadores. 
- Do sistema tribal à Monarquia. 
- O Rei. 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a Atividade 2.1. 
 
 
 Síntese do estudo: 
Olhando pelo retrovisor tdo 
nosso estudo: 
Olhando pelo retrovisor 
Síntese do nosso estudo: 
Olhando pelo 
retrovisor 
Fonte: http://migre.me/jFtbQ 
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UNIDADE 3 
“ÀS TUAS TENDAS, Ó ISRAEL! E AGORA CUIDA 
DA TUA CASA, DAVI” (1Rs 12,16) 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Compreender como as diferentes experiências de vida e de 
Deus provocaram a ruptura entre o povo de Israel. Relação entre Monarquia e Profecia. 
 
3.1 Divisão dos Reinos (930 a.C.) 
 
“O rei Roboão respondeu duramente para o povo 
[...] Meu pai Salomão tornou vosso jugo pesado, 
eu o aumentarei ainda: meu pai os castigou com 
açoites, eu vos castigarei com escorpiões” 
(1Rs 12,13-14). 
 
Aconteceu uma divisão interna, já que as forças contra o poder centralizado do rei 
ainda estavam vivas: houve um confronto entre o povo e Roboão, filho de Salomão (1Rs 
11,26-40). Na realidade foi um conflito provocado contra o domínio e as alianças de 
Salomão para manter o poder (1Rs 11,9-13). A exploração e os altos tributos se fizeram 
“fardo pesado” (1Rs 12,4). A religião não era mais um recurso de integração, ao contrário, 
ela favorecia a exploração. Especialmente as tribos do Norte não agüentavam tamanha 
exploração. 
Um servo de Salomão, Jeroboão revoltou-se contra o rei (1Rs 12,26-40) e teve que 
fugir para o Egito. Mas, na hora do conflito com Roboão e a corte, foi ele, Jeroboão quem 
gritou: “Que parte temos com Davi? Não temos herança com o filho de Jessé. Às tuas 
tendas, ó Israel! E agora cuida da tua casa, Davi” (1Rs 12,16). 
O cisma político e religioso estava consumado. O Reino do Norte, que quis voltar 
para as tendas da tradição do deserto e depois das tribos, ficou com o maior território e 
com as terras mais férteis. Mas, sua população diversificada e num mundo de rotas 
comerciais enfrentou lutas de poder entre os dirigentes que sem dinastia monárquica 
sofriam golpes militares para conseguir o comando do Reino. Já o Reino do Sul ou Judá com 
território menor e de terras na maior parte desérticas, teve população mais homogênea e 
uma dinastia duradoura:a família de Davi ficou mais de 400 anos no poder!. 
 É interessante a narrativa de 1Reis 12. O grito de Jeroboão é uma clara denúncia 
contra a Monarquia: “Que parte temos com Davi? Não temos herança com o filho de Jessé. 
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Às tuas tendas, ó Israel! E agora cuida da tua casa, Davi” (1Rs 12,16). De fato, Jeroboão 
disse: fiquem com o poder monárquico inventado por Davi. Nós voltamos à simplicidade da 
vida nas tendas. 
 
 
Fonte: Elaboração própria. 
 
Situação internacional 
Os dois reinos foram atingidos pela mesma situação dos Impérios vizinhos. O Egito 
estava em auge. O faraó Sesac atacou Palestina (1Rs 14,25). E o já temido Império da 
Assíria reapareceu e venceu, aos poucos, os reinos vizinhos de Israel, que tiveram que fazer 
alianças para se manter durante um tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 X 
Fonte: http://migre.me/jIq7T Fonte: http://migre.me/jIqbZ 
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REINO DE ISRAEL ou NORTE (931-722 a.C.) 
 
Situação Nacional 
Acompanhando o esquema que mantinha o poder precisamos entender como foi a 
precária organização do Reino: o exército era de voluntários. Como já afirmamos não 
tiveram dinastia familiar, mas sempre houve luta pelo poder (1Rs 15,27; 16,9). 
Sua capital não foi fixa: entre elas foram relevantes Siquém e Fanuel (1Rs 12,25). 
Tirsa (1Rs 14,17; 15,33) e Sumária (1Rs 16,24). 
Sem templo: voltaram aos santuários tradicionais com sacerdotes do povo em Dã e 
Betel (1Rs 12,26-33). 
Certo ou errado? As contradições bíblicas confirmam que a Bíblia foi escrita por 
diferentes autores e com ideologias diversas. Se 1Rs 12,26-33 afirma que Jeroboão voltou 
ao Deus YHWH, o libertador do Egito, como aceitar os comentários a quase todos os Reis 
de Israel (1Rs 15,34; 16,26ss): “Fez o mal aos olhos de YHWH e imitou a conduta de 
Jeroboão e o pecado ao qual ele tinha arrastado a Israel”. Nossa suspeita é que esses 
textos seriam o juízo de Jerusalém, no Reino de Judá, onde nunca aceitaram a liberdade da 
vida no Norte, em Israel, e sua procura de um Deus libertador ainda que não conseguisse a 
verdadeira liberdade dos filhos de Deus, que todos/as procuramos. 
Quem foram os reis mais significativos do Reino de Israel? 
885-874 a.C. Omri (ou Amri) fundou a Samaria e estabeleceu uma pequena dinastia. 
874-853 a.C. Acab casou-se com Jezabel, filha do rei de Tiro e Sidônia. 
 Propagou o culto a Baal. 
841-814 a.C. Jeú que “extirpou de Israel o culto a Baal” (1Rs 10,28). 
783-743 a.C. Jeroboão II que restabeleceu os limites de Israel querendo ser outro 
Salomão. 
Em 722 a.C., a Assíria destruiu a cidade da Samaria, o que significou o fim do Reino 
de Israel. 
 
REINO DE JUDÁ ou SUL (930 - 587 a.C.) 
 
Situação

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