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doença de cushing e addison, 
 
 
 
OBJETIVOS: 
1. Rever a morfofisiologia da adrenal e 
correlacionar com a produção dos 
glicocorticoides; 
2. Compreender a fisiopatologia e 
manifestações clínicas da Doença de 
Cushing e Addison; 
 3. Conhecer o diagnóstico clínico e exames 
laboratoriais da Doença de Cushing e 
Addison; 
4. Descrever o tratamento da Doença de 
Cushing e Addison 
 
MORFOFISIOLOGIA DA ADRENAL 
As glândulas adrenais ou suprarrenais são 
duas glândulas endócrinas situadas 
crânio-medialmente aos rins. 
 
Elas respondem ao stress por meio da síntese 
e liberação de corticosteróides, como o 
cortisol, e de catecolaminas, como a 
adrenalina, a noradrenalina e a dopamina. 
 
Esses hormônios produzidos nas adrenais 
desempenham importante papel na 
regulação da resposta adaptativa do 
organismo ao estresse, na manutenção do 
equilíbrio da água corporal, do sódio e do 
potássio, bem como no controle da pressão 
arterial. 
O córtex da suprarrenal produz hormônios 
esteroides, que são essenciais para a vida. A 
perda total dos hormônios adrenocorticais 
leva à morte em consequência de 
desidratação e desequilíbrios eletrolíticos no 
decorrer de poucos dias a 1 semana, a não 
ser que seja iniciada imediatamente uma 
terapia de reposição hormonal. A medula da 
suprarrenal produz três hormônios 
catecolaminas – a norepinefrina, a epinefrina 
e uma pequena quantidade de dopamina 
 
Durante o desenvolvimento embrionário, as 
glândulas suprarrenais se diferenciam em 
duas regiões estruturais e funcionais: um 
grande córtex periférico, que representa 
80-90% da glândula, e uma pequena medula 
central, ambas envoltas por uma cápsula de 
tecido conjuntivo. 
 
As glândulas supra-renais direita e esquerda 
não são imagens espelhares uma da outra; 
ao contrário, a supra-renal direita tem o 
formato de uma pirâmide e está apoiada 
diretamente no topo do rim direito, enquanto 
a supra-renal esquerda tem mais um 
formato de crescente e fica localizada ao 
longo da borda medial do rim esquerdo, 
entre o hilo e seu pólo superior 
 
Córtex adrenal 
Essa região é subdividida em três zonas e 
cada uma secreta tipos de hormônios 
diferentes 
A zona glomerulosa, logo abaixo da cápsula 
de tecido conjuntivo, possui células densas 
em agrupamentos esféricos e colunas 
arqueadas, secretando mineralocorticoides 
que regulam a homeostasia mineral. 
 
A zona fasciculada, intermediária e a maior 
das três, é formada por células dispostas em 
longas colunas retas e produz 
glicocorticoides, como o cortisol, que atuam 
na homeostasia da glicose. 
 
A zona reticular, a mais interna, tem células 
organizadas em cordões ramificados que 
sintetizam pequenas quantidades de 
androgênios fracos, hormônios esteroides 
com efeitos masculinizantes. 
 
Hormônios da adrenal 
Mineralocorticoides: A aldosterona é o 
principal mineralocorticoide; regula a 
homeostasia de dois íons minerais – íons 
sódio (Na+) e potássio (K+) – e ajuda a 
ajustar a pressão arterial e o volume de 
sangue. A aldosterona também promove a 
excreção de H+ na urina; essa remoção de 
ácidos do corpo pode ajudar a evitar a 
acidose (pH abaixo de 7,35) 
Glicocorticoides, como cortisol, 
corticosterona e cortisona, regulam o 
metabolismo e a resistência ao estresse, com 
os seguintes efeitos: 
● Degradação de proteínas: Os 
glicocorticoides aumentam a taxa de 
degradação de proteínas, 
especialmente nas fibras musculares, 
liberando aminoácidos na corrente 
sanguínea. Esses aminoácidos 
podem ser usados na síntese de 
novas proteínas ou para produção de 
ATP. 
● Formação de glicose: Sob estímulo 
dos glicocorticoides, os hepatócitos 
convertem aminoácidos e ácido 
láctico em glicose, usada por células 
como fonte de energia, 
especialmente pelos neurônios. 
● Lipólise: Glicocorticoides estimulam a 
lipólise, que é a degradação dos 
triglicerídeos, liberando ácidos graxos 
do tecido adiposo para a corrente 
sanguínea. 
● Resistência ao estresse: A glicose 
adicional fornecida pelos hepatócitos 
disponibiliza uma fonte rápida de ATP 
para enfrentar diversos tipos de 
estresse, como exercício, jejum, 
temperaturas extremas, altitude 
elevada, infecções, cirurgias e 
traumas. 
● Efeito anti-inflamatório: 
Glicocorticoides inibem a ação de 
leucócitos nas respostas 
inflamatórias, o que reduz hiperemia, 
resposta celular e migração de 
neutrófilos e macrófagos, 
contribuindo para o controle da 
inflamação . 
● Depress ã o d a s r e s p o s t a s i m u 
n e s : D o s e s e l e v a d a s d e g l i c 
o c o r t i c o i d e s d e p r i m e m a s 
respostas imunes. Por esse motivo, os 
glicocorticoides são prescritos para 
receptores de órgãos transplantados 
com objetivo de retardar a rejeição 
tecidual promovida pelo sistema 
imune 
Androgênios: O córtex da glândula s 
u p r a r r e n a l s e c r e t a p e q u e n 
a s quantidades de androgênios 
fracos. O principal androgênio 
secretado pela g l â n d u l a s u p r a r 
r e n a l é a desidroepiandrosterona 
(DHEA). Nas mulheres, os androgênios 
suprarrenais desempenham funções 
importantes. Eles promovem a libido 
(desejo sexual) e são convertidos em 
estrogênios (esteroides sexuais 
feminilizantes) por outros tecidos 
corporais. Após a menopausa, 
quando a secreção ovariana de 
estrogênios cessa, todos os 
estrogênios femininos são 
provenientes da conversão dos 
androgênios s u p r a r r e n a i s . O s 
a n d r o g ên i o s suprarrenais 
também estimulam o crescimento de 
pelos axilares e púbicos nos meninos 
e nas meninas e c o n t r i b u e m p a 
r a o e s t i r ão d e crescimento 
prépuberal. 
Catecolaminas: A liberação das 
catecolaminas são fundamentais na 
resposta de estresse a uma agressão física 
ou psicológica, como perda grave de sangue, 
diminuição do nível de glicemia, lesão 
traumática, intervenção traumática, cirúrgica 
ou experiência desagradável. Seus efeitos 
fisiológicos consistem em alerta, dilatação 
das pupilas, piloereção, sudorese, dilatação 
brônquica, taquicardia, inibição da atividade 
do músculo liso e constrição dos esfíncteres 
no trato gastrintestinal. 
 
Medula adrenal 
↠ A região interna da glândula suprarrenal, a 
medula, consiste em um gânglio simpático 
modificado da divisão autônoma do sistema 
nervoso (DASN). Desenvolve-se a partir do 
mesmo tecido embrionário de todos os 
outros gânglios simpáticos, porém suas 
células, que carecem de axônios, formam 
agrupamentos em torno de grandes vasos 
sanguíneos. Em vez de liberar um 
neurotransmissor, as células da medula da 
suprarrenal secretam hormônios. As células 
produtoras de hormônio, denominadas 
células cromafins, são inervadas por 
neurônios pré-ganglionares simpáticos da 
DASN. Como a DASN exerce um controle 
direto sobre as células cromafins, a liberação 
de hormônio pode ocorrer muito 
rapidamente 
 
A medula da glândula suprarrenal sintetiza 
dois hormônios principais: a epinefrina 
(adrenalina) e a norepinefrina 
(noradrenalina). As células cromafins da 
medula produzem esses hormônios em 
quantidades desiguais, sendo 
aproximadamente 80% de epinefrina e 20% 
de norepinefrina. Esses hormônios reforçam 
as respostas do sistema nervoso simpático 
em várias regiões do corpo, preparando-o 
para situações de "luta ou fuga". 
 
Em situações de estresse e exercício, 
impulsos do hipotálamo estimulam os 
neurônios simpáticos, que ativam as células 
cromafins para liberar epinefrina e 
norepinefrina. Esses hormônios intensificam a 
resposta de luta ou fuga, aumentando a 
frequência e força cardíacas, o débito e a 
pressão arterial. Eles também aumentam o 
fluxo sanguíneo para o coração, fígado, 
músculos esqueléticos e tecido adiposo, 
dilatam as vias respiratórias e elevam os 
níveis de glicose e ácidos graxos no sangue. 
obs.: A síntese de adrenalina ocorre a partir 
da noradrenalina e essa conversão é 
realizada pela enzima 
feniletanolamina-n-metiltransferase. 
 
Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal 
O hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), ou 
corticotrofina, é produzido pelas células 
corticotróficasda hipófise anterior e tem a 
função de estimular a produção de 
glicocorticoides e androgênios nas glândulas 
adrenais. 
A liberação de ACTH é regulada pelo 
hormônio liberador de corticotrofina (CRH), 
produzido pelo hipotálamo. Quando o nível 
de cortisol (principal glicocorticoide) 
aumenta, ele inibe a produção de CRH e 
ACTH, estabelecendo um sistema de 
retroalimentação negativa. Esse processo de 
feedback também ocorre com o próprio 
ACTH, que pode sinalizar para o hipotálamo 
reduzir a liberação de CRH. 
Esse ciclo, conhecido como eixo 
hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA), 
garante o controle dos níveis de ACTH e 
cortisol no sangue, evitando excessos. 
SÍNDROME DE CUSHING 
A Síndrome de Cushing consiste em uma 
constelação de anormalidades clínicas c a u 
s a d a s p o r c o n c e n t r a ç õ e s 
cronicamente elevadas de cortisol ou 
corticoides. 
Pode resultar da administração prolongada 
de doses suprafisiológicas de GC (SC 
exógena ou iatrogênica) ou, bem menos 
frequentemente, da hiperprodução crônica 
de cortisol (SC endógena) 
Epidemiologia 
A SC endógena pode ocorrer em qualquer 
faixa etária, mas é mais comum em adultos, 
com idade mediana de 41,4 anos ao 
diagnóstico, e predomínio no sexo feminino 
(3:1). Trata-se de doença rara, com 
incidência estimada de 0,7 a 2,4 casos novos 
por milhão de habitantes por ano e 
prevalência estimada de 37 a 39 por milhão 
em várias populações. No entanto, maior 
prevalência foi relatada para o 
hipercortisolismo subclínico (HCSC) em 
indivíduos com diabetes melito tipo 2 (DM2) 
mal controlado (2 a 3%), hipertensão (0,5 a 
1%), incidentalomas adrenais (até 10%) e 
osteoporose de início precoce (até 11%) 
(VILAR, 2020). ↠ Cerca de 60 a 70% dos casos 
de síndrome de Cushing consistem em 
doença de Cushing causada por adenoma 
solitário de corticotrofos, embora raros casos 
sejam causados por hiperplasia dos 
corticotrofos ou até mesmo mais raramente 
por carcinoma de corticotrofos 
 
 
 
 
 
 
Etiologia 
A síndrome pode ser dependente e 
independente de ACTH. 
As causas ACTH-dependentes da doença de 
Cushing envolvem o excesso de produção de 
ACTH, que estimula as glândulas adrenais a 
produzirem cortisol em excesso. As principais 
etiologias ACTH-dependentes são: 
1. Adenoma hipofisário produtor de 
ACTH (Doença de Cushing): Este é o 
tipo mais comum de Cushing 
ACTH-dependente. Um tumor 
benigno na hipófise secreta ACTH em 
excesso, levando a uma estimulação 
contínua das glândulas adrenais 
para a produção de cortisol. 
2. Produção ectópica de ACTH: Tumores 
fora da hipófise, como o carcinoma 
de pequenas células do pulmão, 
carcinoma do timo ou tumores 
pancreáticos, podem produzir ACTH 
de forma autônoma. Esses tumores 
"ectópicos" secretam ACTH de 
maneira descontrolada, levando ao 
aumento do cortisol pelas adrenais. 
As causas ACTH-independentes da síndrome 
de Cushing são aquelas em que o excesso de 
cortisol é produzido pelas glândulas adrenais 
sem estímulo do ACTH. As principais 
etiologias ACTH-independentes incluem: 
1. Adenoma adrenal: Um tumor 
benigno na glândula adrenal que 
produz cortisol em excesso de forma 
autônoma, sem necessidade de 
estímulo pelo ACTH. 
2. Carcinoma adrenal: Tumor maligno 
na adrenal que também secreta 
cortisol independentemente do ACTH. 
Esse tipo é menos comum, mas 
geralmente causa níveis muito 
elevados de cortisol. 
3. Hiperplasia adrenal nodular: 
Condição em que a glândula adrenal 
desenvolve múltiplos nódulos que 
produzem cortisol de forma 
independente. Ela pode ser 
esporádica ou relacionada a 
síndromes genéticas, como a 
síndrome de McCune-Albright. 
4. Cushing exógeno ou iatrogênico: Uso 
prolongado de medicamentos 
corticosteroides (como prednisona) 
para tratar outras condições 
médicas, o que suprime a produção 
natural de ACTH pela hipófise e leva 
ao excesso de cortisol. 
Manifestações clínicas 
↠ O excesso de cortisol leva a manifestações 
clínicas sistêmicas, com prejuízo metabólico, 
funcional e cognitivo 
Em estados de hipercortisolismo, 
encontraremos hiperglicemia associada à 
resistência à insulina. 
O cortisol estimula a proteólise, a fim de 
liberar aminoácidos para a gliconeogênese. 
Assim, na SC, há perda muscular levando à 
fraqueza muscular proximal (dificuldade de 
levantar-se da cadeira, por exemplo. 
Ganho ponderal e hiperlipidemia: o cortisol 
também estimula a lipólise, liberando ácidos 
graxos em circulação, que são depositados 
principalmente na região abdominal, 
ocasionando obesidade centrípeta. Isso 
ocorre devido a maior atividade da enzima 
11-beta hidroxiesteroide desidrogenase tipo 1 
(que deposita os ácidos graxos nos 
adipócitos) e de desregulação no 
metabolismo de carboidratos e lipídios. Esse 
acúmulo de gordura também pode ocorrer 
em outras áreas, remetendo a características 
muito sugestivas de SC, como a giba 
(adiposidade em dorso torácico), o 
preenchimento das fossas supraclaviculares 
e a fácies em lua cheia. Adicionalmente, os 
elevados níveis circulantes de ácidos graxos 
também resultam em dislipidemias, 
principalmente hipertrigliceridemia. 
 
Ação pró-coagulante: o cortisol induz o 
aumento de fatores de coagulação, 
principalmente o fator VIII e o fator de von 
Willebrand, além de diminuir a atividade 
fibrinolítica, resultando em 
hipercoagulabilidade e risco aumentado de 
tromboembolismo venoso. 
Alterações hematológicas: nos estados de 
hipercortisolismo, ocorre mobilização de 
granulócitos da medula óssea para o sangue 
periférico, levando à neutrofilia. Entretanto, 
também encontramos linfopenia e 
eosinopenia, uma vez que há retorno dos 
linfócitos e dos eosinófilos aos órgãos 
linfáticos, nos quais ocorre apoptose dessas 
células. Tais modificações hematológicas 
aumentam a susceptibilidade a infecções 
(que correspondem a cerca de 20% da 
mortalidade na síndrome de Cushing). 
Alterações dermatológicas: o ganho ponderal 
excessivo leva à distensão da pele, com o 
aparecimento de estrias violáceas (lesões > 
1cm de largura e de cor púrpura, 
principalmente em abdome e tronco). Além 
disso, o hipercortisolismo causa atrofia 
cutânea (por redução dos queratinócitos e 
fibroblastos), levando a maior friabilidade, 
dificuldade de cicatrização e ao 
desenvolvimento de equimoses. O 
adelgaçamento da pele também permite 
maior visualização dos vasos, o que leva ao 
aparecimento de pletora 
 
Na síndrome de Cushing ACTH dependente, 
podemos encontrar hiperpigmentação 
mucocutânea, assim como ocorre na 
insuficiência adrenal primária 
 
Alterações oftalmológicas: são mais comuns 
na síndrome de Cushing iatrogênica e 
incluem glaucoma e catarata. O cortisol 
liga-se a proteínas do cristalino, levando à 
formação da catarata, que costuma ser 
posterior e bilateral (o que a diferencia da 
catarata senil). Já o glaucoma pode ser 
resultante do aumento da pressão 
intraocular. 
 
Distúrbios neuropsiquiátricos: podem ocorrer 
em até metade dos pacientes com síndrome 
de Cushing. Manifestações como labilidade 
emocional, depressão, insônia, ansiedade e 
déficit de memória são relacionadas ao 
excesso de cortisol 
 
Diagnóstico 
 
Os três principais instrumentos diagnósticos 
atualmente empregados para estabelecer o 
diagnóstico de SC são o teste de supressão 
noturna com 1 mg de DMS (1 mg-DST), a 
dosagem do cortisol salivar ao final da noite 
e a medida do cortisol livre urinário (em 
amostra de 24 h). Recomenda-se a utilização 
de pelo menos dois desses testes 
 
↠ Diante de resultados inconclusivos ou 
discordantes, pode-se lançar mão de testes 
complementares, como o teste de supressão 
com 2 mg de dexametasona durante 48 h e a 
dosagem do cortisol sérico no final da noite. 
Teste de Supressão com Dexametasona em 
Dose Baixa (Teste Noturno de 1 mg) 
Este teste é usado como triagem para a 
síndrome de Cushing. 
Procedimento: 
● O paciente toma 1 mg de 
dexametasona por via oral às 23h. 
● A amostra de sangue para medir o 
nível de cortisol é coletada na manhã 
seguinte, entre 8h e 9h. 
Interpretação:● Em indivíduos saudáveis, a 
dexametasona suprime o cortisol 
plasmático para menos de 1,8 µg/dL 
(50 nmol/L). 
● Níveis elevados de cortisol pela 
manhã (acima de 1,8 µg/dL) indicam 
possível síndrome de Cushing, pois o 
eixo não está sendo adequadamente 
suprimido. 
Teste de Supressão com Dexametasona em 
Dose Alta 
Este teste é usado para diferenciar as causas 
da síndrome de Cushing após um 
diagnóstico inicial. 
Procedimento: 
● O paciente toma 8 mg de 
dexametasona por via oral às 23h. 
● A amostra de sangue para cortisol é 
coletada na manhã seguinte. 
Interpretação: 
● Na doença de Cushing (adenoma 
hipofisário), o cortisol é parcialmente 
suprimido. 
● Em casos de produção ectópica de 
ACTH ou tumores adrenais 
(ACTH-independentes), o cortisol 
geralmente não é suprimido. 
Medição do cortisol salivar à noite 
O teste do cortisol salivar à noite (23h a 0h) 
está sendo cada vez mais utilizado como 
exame inicial para avaliar pacientes com 
suspeita clínica de síndrome de Cushing. A 
sensibilidade diagnóstica desse teste é alta 
(80 a 90%), porém sua especificidade é mais 
baixa (70 a 90%). 
Procedimento do Teste de Cortisol Salivar 
Noturno: 
Preparo do Paciente: É recomendado evitar 
alimentos, bebidas (exceto água), atividades 
físicas intensas e uso de certos 
medicamentos nas horas que antecedem o 
teste, pois podem influenciar os resultados. 
Coleta da Amostra: 
A coleta de saliva é feita em casa, 
geralmente por volta das 23h. 
O paciente utiliza um kit específico, com um 
tubo ou swab especial. 
O paciente deve deixar a saliva acumular na 
boca e, em seguida, cuspir no tubo ou 
mastigar o swab até que a amostra seja 
coletada. 
Armazenamento e Envio: 
A amostra deve ser mantida refrigerada e 
enviada para o laboratório conforme as 
instruções do kit. 
Interpretação dos Resultados: 
● Níveis baixos de cortisol: Esperados 
em indivíduos saudáveis durante a 
noite. 
● Níveis elevados de cortisol: 
Indicativos de possível síndrome de 
Cushing, já que o eixo 
hipotalâmico-hipofisário-adrenal 
não está sendo adequadamente 
regulado. 
Procedimento para Medição do Cortisol Livre 
na Urina de 24 Horas: 
Preparação: 
O paciente pode ser orientado a evitar o 
consumo de certos medicamentos e 
alimentos que possam interferir nos níveis de 
cortisol, conforme indicado pelo médico. 
É importante beber líquidos normalmente 
durante a coleta, evitando a desidratação, 
pois isso pode alterar a concentração da 
urina. 
Coleta da Urina de 24 Horas: 
A coleta é iniciada após o paciente descartar 
a primeira urina da manhã. 
A partir daí, todas as urinas ao longo do dia e 
noite são coletadas em um recipiente 
adequado, até a mesma hora no dia 
seguinte. 
A amostra final é a primeira urina da manhã 
do segundo dia. 
Armazenamento: 
A urina coletada deve ser mantida em um 
recipiente especial fornecido pelo laboratório 
e armazenada em um local fresco ou 
refrigerada para evitar degradação até ser 
entregue ao laboratório. 
Interpretação dos Resultados: 
● Níveis elevados de cortisol: 
Indicativos de possível síndrome de 
Cushing, pois refletem uma produção 
excessiva de cortisol ao longo do dia. 
● Níveis normais ou baixos: Podem 
indicar função adrenal normal ou, se 
houver suspeita de outra condição, 
ajudar na exclusão de Cushing. 
Outros exames: determinação do ACTH 
plasmático, teste de estimulação com CRH, 
RM, cateterismo do seio petroso inferior 
Tratamento 
Os princípios do tratamento para a síndrome 
de Cushing são a reversão do quadro clínico 
por meio da normalização dos níveis de 
cortisol e, quando possível, a exérese do 
tumor responsável pelo excesso hormonal. 
↠ O tratamento clínico para inibir a liberação 
de ACTH do corticotrofo, para bloquear a 
síntese de cortisol pelas glândulas 
suprarrenais ou para inibir a ação do cortisol 
em nível tecidual não é particularmente bem 
tolerada nem fácil de monitorar 
mifepristona, um antagonista dos receptores 
de glicocorticoides, e alguns de seus 
análogos recentes são eficazes contra a 
hiperglicemia e podem melhorar a qualidade 
de vida; no entanto, podem causar 
insuficiência suprarrenal grave devido ao 
bloqueio dos receptores, mesmo com altos 
níveis de cortisol e ACTH. 
Em tumores com cossecreção de prolactina 
e ACTH, a cabergolina pode ter efeito 
limitado. A pasireotida, um análogo da 
somatostatina, normaliza os níveis de cortisol 
em cerca de 20% dos pacientes, mas 
aumenta a hiperglicemia em 
aproximadamente 75%. 
Já a suprarrenalectomia química com 
cetoconazol, mitotano, metirapona ou 
etomidato é pouco tolerada e de difícil ajuste 
para uma função suprarrenal normal. 
 
O tratamento de escolha para a doença de 
Cushing é a ressecção transesfenoidal do 
adenoma hipofisário. Entretanto, há casos em 
que o adenoma não é visualizado pelos 
métodos de imagem ou o paciente 
apresenta contraindicações cirúrgicas. 
 
A cirurgia transesfenoidal é a opção mais 
eficaz para curar adenomas secretores de 
ACTH. Recorrências ocorrem em 7% dos casos 
quando o cortisol pós-operatório é inferior a 
3 μg/dℓ, mas chegam a 100% quando o nível 
fica entre 3 e 8 μg/dℓ. Em pacientes com 
macroadenomas, apenas cerca de um terço 
alcança remissão a longo prazo. Se a 
primeira cirurgia falha, uma segunda 
intervenção na hipófise tem taxa de sucesso 
de cerca de 50%. 
 
DOENÇA DE ADDISON 
O termo doença de Addison ou insuficiência 
adrenal ou adrenocortical (IA) é definida 
como a incapacidade do córtex adrenal em 
produzir quantidades suficientes de 
glicocorticoides ou glicocorticoides e 
mineralocorticoides, hormônios cruciais para 
a homeostase energética e hidreletrolítica. A 
IA pode ser causada por: 
1. Distúrbio intrínseco adrenocortical (IA 
primária); 
2. Doença hipofisária (IA secundária); 
3. Distúrbio hipotalâmico (IA terciária). 
Etiologia 
1.Destruição autoimune; 
2. Doenças infecciosas; 
3. D o e n ç as granulomatosas infiltrativas; 4. 
Hemorragia e trombose adrenal; 
5. Adrenalectomia bilateral; 
6. Hiperplasia adrenal congênita; 
7. Carcinomas metastáticos; 
8. Sín Imunodeficiência adquirida, na qual as 
glândulas suprarrenais são destruídas por 
vários microrganismos oportunistas. 
9. Fármacos que inibem a síntese ou causam 
degradação excessiva dos glicocorticoides 
(p. ex., cetoconazol) também podem 
desencadear insuficiência suprarrenal. 
Observação: A IA secundária tem como 
causa mais comum o uso crônico de 
glicocorticoides em doses suprafisiológicas, 
que inibem diretamente tanto a secreção de 
ACTH como a de CRH. Os sintomas surgem 
após a suspensão indevida ou brusca dos 
glicocorticoides, bem como pela falta de um 
ajuste adequado da dose do medicamento 
em situações de estresse 
Manifestações clínicas 
As manifestações clínicas da IA crônica 
decorrem tanto da deficiência de 
glicocorticoides (astenia, mal-estar, anorexia, 
perda de peso, náuseas, vômitos, hipotensão 
etc.) quanto de mineralocorticoides (avidez 
por sal, hipovolemia, hipotensão e hipotensão 
ortostática) e androgênios adrenais (redução 
da pilificação axilar e pubiana, em mulheres). 
Para que a DA se manifeste clinicamente, em 
geral é necessário o comprometimento de 
pelo menos 90% do tecido adrenocortical. 
Nas formas autoimunes e infiltrativas, essa 
destruição habitualmente é gradual e 
progressiva. Nos processos hemorrágicos e 
septicêmicos, a destruição do córtex adrenal 
geralmente é mais rápida e a sintomatologia 
se apresenta de modo agudo, caracterizando 
a crise adrena 
Manifestações crônicas são muito 
inespecíficas: fadiga, perda ponderal, 
anorexia, diarreia, náuseas e dor abdominal. 
Nos quadros agudos (crise adrenal), 
desencadeados por aumento da demanda 
pelo cortisol (como em traumas, parto e 
sepse), a ausência de elevação dos níveis 
circulantes deste hormônio ocasiona 
agravamento dos sintomas, acompanhado 
de vômitos, desidratação, letargia, febre, 
confusão e choque não responsivo a volumes 
 
A hiperpigmentação, causada pelo aumento 
de melaninana pele, é o achado mais 
característico da Doença de Addison, 
presente em 92-94% dos casos. Ela ocorre 
devido ao estímulo do receptor MC1R pelos 
altos níveis de ACTH e α-MSH. A 
hiperpigmentação é geralmente 
generalizada, mas é mais visível em áreas 
expostas ao sol (como face e mãos) e em 
regiões sujeitas a fricção ou pressão (como 
dedos, cotovelos, joelhos e cintura). Também 
aparece nas dobras das palmas, aréolas, 
axilas, períneo, cicatriz umbilical e mucosa 
oral. 
Dosagem de ACTH plasmático 
Na prática clínica, você também deve 
suspeitar de insuficiência adrenal quando 
encontrar um paciente com hipertensão 
arterial ou diabetes mellitus que, sem outros 
motivos aparentes (modificações dietéticas, 
insuficiência renal), necessite de redução das 
medicações devido à presença de 
hipotensão ou hipoglicemia. Lembre-se de 
que o cortisol mantém o tônus vascular e é 
um hormônio contrarregulador de insulina; 
assim, sua deficiência pode reduzir os níveis 
pressóricos e glicêmicos mesmo em 
pacientes com hipertensão e diabetes 
Por fim, uma característica que deve chamar 
sua atenção para algumas etiologias da 
insuficiência adrenal central é a diminuição 
de acuidade visual, principalmente a 
hemianopsia temporal. Tumores expansivos 
na sela túrcica podem comprimir o quiasma 
óptico, levando à perda visual nos campos 
temporais 
 
Diagnóstico 
 
Dosagem do cortisol sérico basal 
 O cortisol sérico (CS), coletado entre 8 e 9 h, 
deve ser o primeiro exame a ser solicitado; 
seu valor normal (VN), na maioria dos 
ensaios, é de 5 a 25 μg/dℓ. Nos indivíduos 
normais, geralmente situa-se entre 10 e 15 
μg/dℓ. Enquanto níveis