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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA
NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO – UEMAnet
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO COMERCIAL
LIBRAS
ROSÂNGELA FERREIRA MELO
RESENHA ANALÍTICA DO FILME “E SEU NOME É JONAS”
Imperatriz
2025
ROSÂNGELA FERREIRA MELO
RESENHA ANALÍTICA DO FILME “E SEU NOME É JONAS”
Atividade apresentada ao Curso Superior de Tecnologia em Gestão Comercial do Núcleo de Tecnologias para Educação (UEMAnet) como requisito parcial para aprovação na disciplina de LIBRAS.
Professora: Maria da Cruz Gomes dos Santos
Tutor: Jhones Paulo
Imperatriz
2025
RESENHA ANALÍTICA DO FILME “E SEU NOME É JONAS”
 Rosângela Ferreira Melo
A narrativa fílmica “E Seu Nome é Jonas” dirigida por Richard Michaels, nos idos 1970, conta em detalhes o enredo do garoto Jonas, um garoto surdo, mas que antes, porém, foi diagnosticado de forma errada como deficiente mental, fazendo este passar três anos em um sanatório para crianças com deficiência intelectual. De início sentimos que a trajetória do menino não será fácil, causando logo de início a empatia do telespectador, e estendendo por toda a história, tornando-a sensível e para grandes reflexões e análises.
Após sair da “clínica” e retornar para o convívio familiar e social, novamente é reforçado sobre a dificuldade que Jonas terá ao longo da diegese do filme. Os pais iniciam a ressocialização deixando claro as dificuldades travadas por eles e mais ainda pelo filho por ser o “diferente”, cita-se aqui, na cena em que Jonas observa os convidados dançarem e divertidamente imita os passos e o ritmo, mas ao parar a música ele continua deixando os pais constrangidos.
Sabe-se que a filosofia da educação de surdos percorre três etapas que são: oralidade, comunicação total e o bilinguismo. No filme percebe-se claramente as alusões a tais filosofias. No princípio o não aceitar a diferença pela família, que insistiam em travar comunicação exclusivamente pela fala, causando uma barreira na comunicação e entendimento entre os lados. Deve se lembrar que do final do século XIX até a década de 70 do século XX, o oralismo era o método adotado em escolas do mundo inteiro como correto e eficaz, no entanto, não é o que ocorreu com Jonas, quando sua mãe buscou um instituto para surdos com o método de oralização, percebeu-se como ineficaz e algumas vezes como cruel e equivocado. Como exposto na história, ouviu-se declarações como: não é permitido o uso de sinais e gestos, pois, segundo os “médicos”, ao utilizarem sinais, “os surdos se tornam preguiçosos para ler os lábios e tentar usar a língua”, além disso, “quando crescer, só poderá falar com surdos”, sem mencionar o uso de um aparelho de surdez desnecessário.
Partindo do pressuposto que a comunicação não é o que você fala, mas o que o outro compreende do que foi dito, os conflitos de Joanas se acentuam, apesar de toda trama o conflito da falta de comunicação ser o central, em dois momentos se ver o quanto esse abismo de não entender o mundo, não se entender cresce em Jonas. O primeiro é sobre a conversa com seu irmão, no qual é apresentado o personagem Homem Aranha, porém por não entender do que se trata, do histórico-cultural dele, apenas se assusta com a aparência e entende erroneamente que é do “mal”, é um inimigo, pondo-o por fim no forno. A outra situação da falta de entendimento por falta de comunicação entre todos com Jonas, é na morte do seu avô, onde presencia, participa do velório, mas falta-lhe comunicação e novamente, falta entendimento das coisas, dos acontecimentos da vida, do mundo. Daí conclui-se que a necessidade de uma comunicação vai além da habilidade natural da fala, carece de meios para não só aprenda a ler, antes, porém aprenda a se conectar com os outros, que se entenda como ser humano, que perceba e compreenda a vida.
Ainda analisando a relação de Jonas e o avô, faz-se aqui uma reflexão sobre a inclusão, foi o único dos familiares a aceitar o neto sem questionar sua situação, sua surdez, ensinava na linguagem do amor, do cuidado, a qual era compreendida, Joanas era acolhido e produtivo na feira, ajudava-o nos afazeres, local de trabalho do avô. 
Já o pai representa todo descaso e preconceito contra a pessoa portadora de surdez, tratava o filho como incapaz, tem vergonha e por fim abandona a família para não ter participação na vida da sua família. Praticamente metáforas impressas e expressas no filme. O vô é o lado bom e feliz de Jonas, é se sentir incluso no mundo, é trocar conhecimentos e afetos, o pai é o lado triste, negligente de algumas famílias, escolas e dos governantes que em vez de orientar, cuidar, prefere abandonar, realidade ainda vivida no século XXI.
A história toma outro rumo no processo de comunicação de Jonas, quando sua mãe observa um casal de surdos comunicando com o filho com sinais, a princípio não se manifestou, pois o instituto de oralismo insistia que não houvesse estímulo nenhum para uso de sinais, em outra ocasião, travou diálogo e marcou uma visita no clube dos surdos, e foi uma noite de troca e conhecimento sobre a utilidade e importância do uso dos sinais. Sem perder tempo, inseriu com ajuda de um casal bilingue a linguagem dos sinais para Jonas, partindo daí, ele compreende as coisas, entendeu o simples como: uma folha que cai, um cachorro-quente, a morte do seu vô ao deparar com um casco de tartaruga na beira do mar. O “fantástico mundo” de Jonas vai se refazendo, se ressignificando, até o humor muda, antes por não conseguir se comunicar, passava a ser agressivo, depois, porém, torna-se alegre, entendeu quem era o Homem Aranha, por exemplo.
Nesse momento, é claro a introdução da outra filosofia educacional da educação de surdos, a mãe de Jonas deixa de tentar o oralismo, pois percebeu a ineficácia em seu filho, deu oportunidade ao uso da língua de sinais como primeira, para assim, a língua escrita como segunda língua. O aprendizado das duas línguas acontece de formas separadas e respeitando o tempo e peculiaridade de cada uma. É interessante observar que o filme é de 1979, década X para mudanças de métodos a respeito da educação de surdos, passando pela tentativa da comunicação total (em desuso atualmente) e se firmando no bilinguismo, como Libras como língua primeira e a escrita como segunda língua.

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