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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 
Construção do Pensamento 
 
 
Nesta disciplina discutiremos um conjunto de questões sobre a construção do 
pensamento filosófico na sociedade ocidental. Somos seres humanos e raciocinamos, 
mas a forma como adquirimos o saber veio sendo debatido ao longo da história, como 
vamos observar com o estudo desta disciplina. 
 
Portanto, nosso objetivo é entender como a Filosofia nos ajuda a construir o 
conhecimento. Se formos buscar uma definição de “conhecer”, podemos ver que vem 
do Latim, cognoscere, que significa aprender, procurar saber. A partir desse 
significado, você pode se perguntar: atualmente nós procuramos saber? Se sua 
resposta for sim, saiba que a procura pelo conhecimento requer observação e 
investigação, ou seja, quer dizer que exige “gasto de energia”. Conhecer implica ir 
além da observação de dados sem reflexão, repetindo-os sem analisá-los. 
 
A busca pelo conhecimento não é só atentar para as redes, ou ler o Google. 
Conhecimento implica numa reflexão sobre o objeto que deseja conhecer. É aí que 
entra o papel da Filosofia, pois ela instiga uma procura reflexiva e racional. Nesta 
disciplina, veremos que a construção do pensamento veio perpassado por etapas 
evolucionistas, sendo a Filosofia parte dessa evolução. Ela nasce para ampliar o 
pensamento direcionado para o racional, que buscava respostas sobre o 
funcionamento do universo e da vida. Afinal, é em torno da vida e do mundo em que 
vivemos que nascem nossas grandes perguntas. Não é mesmo? 
 
Portanto, nosso estudo pretende discutir sobre a construção do pensamento ao longo 
dos temas das unidades, para fins de cumprimento dos objetivos propostos para esta 
disciplina. 
 
Na Unidade 1 faremos um percurso pelos caminhos da história para entender como 
veio evoluindo a construção do pensamento ocidental. Na Unidade 2 nosso assunto 
será a construção do pensamento na modernidade e a descoberta do sujeito; na 
Unidade 3 pretendemos trazer o assunto para a pós-modernidade e as rupturas na 
construção do pensamento; e, por fim, na Unidade 4 entenderemos o pós-
estruturalismo e a desconstrução da estrutura formal de pensamento baseada na 
razão. 
 
É muito importante conhecer os assuntos discutidos para o seu aprendizado. Não se 
preocupe com as dúvidas, pois esta disciplina gosta de dúvidas, afinal, o que seria a 
Filosofia se não fosse a famosa dúvida? 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
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Objetivos 
 
Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de: 
 
• Entender o valor da Filosofia para a construção do pensamento ocidental. 
• Capacitar os educandos para a interpretação de textos ao apresentar as 
correntes da Filosofia. 
• Iniciar os educandos nas principais questões filosóficas que norteiam a 
construção do pensamento ocidental. 
• Auxiliar os educandos no processo reflexivo de compreender a si mesmos, a 
sociedade e o mundo que os cercam, estimulando-os para busca de maior 
autonomia no ato de pensar, agir e se comportar. 
 
 
Conteúdo Programático 
 
Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades: 
 
• Unidade 1 – A trajetória histórica na construção do pensamento 
• Unidade 2 – A construção do pensamento na modernidade e a descoberta 
do sujeito 
• Unidade 3 – A pós-modernidade e as rupturas na construção do 
pensamento 
• Unidade 4 – O pós-estruturalismo e a desconstrução da estrutura formal 
de pensamento baseada na razão 
 
 
Autoria 
 
Marli Wandermurem 
 
Licenciada em Letras (1986), licenciada em Filosofia (2015), bacharela em 
Administração (2010), bacharela em Teologia (2009). Especialista em Metodologia do 
Ensino Superior com Ênfase em Novas Tecnologias (2007), especialista em Teologia 
Feminista (2001), mestre em Ciências da Religião, área de Literatura e Religião (1998) 
e doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista em São Paulo (2002). 
Coordenadora e pesquisadora do Núcleo de Estudo Interdisciplinar sobre Gênero e 
Religião. 
 
 
 
 
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A trajetória histórica na construção do 
pensamento 
 
 
O objetivo deste estudo é compreender como o pensamento foi se construindo ao 
longo da nossa história. No entanto, cabe destacar algo muito importante, que é a 
delimitação de nosso campo de estudos. Isso significa que nossos diálogos sobre 
esse assunto pretendem abarcar apenas as propostas de alguns estudiosos que 
contribuíram para a nossa compreensão de como vem sendo construído o ato de 
conhecer no contexto da sociedade ocidental. 
 
Nós, como seres humanos que somos, perguntamos. Questionamos por que 
queremos saber como e para que as coisas existem, o que são os fenômenos, a 
existência de todas as leis que regem nossa vida, entre tantos outros 
questionamentos. É bem natural questionar. Como já disse Sócrates, uma vida não 
questionada não merece ser vivida. 
 
Duvidar e acreditar é parte de nosso cognitivo. No entanto, as respostas que nos 
foram dadas ao longo da história não partiram do mesmo campo de conhecimento. Em 
outras palavras, a humanidade já recebeu explicações sobre a vida e o mundo em que 
vive por meio do Mito, da Filosofia e da Ciência. 
 
Assim, nesta unidade veremos como evoluíram os campos de conhecimento: 
nascendo com a Mitologia, passando pela Filosofia e chegando ao Cientificismo. 
 
Observação 
Até o final do século VIII a.C., a Mitologia era responsável para dar as explicações 
para a realidade existente sobre a terra. A partir do momento em que a humanidade 
começou a meditar sobre o funcionamento do universo, da vida, e a buscar 
explicações racionais para o mundo, nascem os primeiros passos para o surgimento 
da Filosofia. 
 
Então, a mitologia foi o primeiro campo de explicação sobre as dúvidas das antigas 
civilizações. Aliás, era a única forma de elucidar o que eram os fenômenos. A Filosofia 
surgiu dentro do contexto da Mitologia Grega. Destacamos que a religiosidade 
interferia e moldava o pensamento e as atitudes do povo grego, que tinham deuses 
para todas as atividades que existiam em sua sociedade. A Ciência, ou o método 
científico como o conhecemos hoje, nasceu dentro da Filosofia. É bom ressaltar que 
as sociedades antigas também possuíam suas ciências, conhecimento voltado para a 
observação empírica, diferentemente da Ciência moderna, que trabalha de forma 
sistemática e racional. Ela estuda o objeto do conhecimento por meio do método 
científico. 
 
Você já conhece o período histórico que foi chamado de “era das trevas”. Essa 
denominação se refere ao período em que a Filosofia ficou submetida ao domínio 
 
 
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relevante se a vida não faz sentido, isto é, se a pessoa não entendeu a arte de viver. 
As pessoas lidam com as incertezas da vida, os anseios do coração, e nem sempre 
procuram respostas para as contradições do existir. A arte de viver está em entender 
como lidar com as contradições e manter o controle sobre elas. 
 
É por isso que a filosofia estoica deve ser trazida para a reflexão. Entender a proposta 
filosófica do estoicismo é fundamental porque é ela que tem a proposta da arte de 
viver. 
 
E o que é viver? 
 
Questionamentos fazem parte da existência humana. Não há intervalo na história 
humana em que não tenha se perguntado, ao menos uma vez: o que é a vida? Por 
exemplo, em obras literárias poéticas, podemos encontrar uma variedade de reflexões 
que partem dessa pergunta. Uma delas é a de Gonzaguinha. 
 
O que é, o que é? (Gonzaguinha) 
 
E a vida o que é? Diga lá, meu irmão 
Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão, ê ô! 
Mas e a vida, ela é maravilha ou é sofrimento? 
Ela é alegria ou lamento? O que é? Meu irmão 
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo. 
É uma gota, é um tempo, que nem dá um segundo. 
Há quem fale que é um divino mistério profundo. 
É o sopro do criador, numa atitude repleta de amor. 
Você diz que é luta e prazer. Ele diz que a vida é viver. 
Ela diz que melhor é morrer, pois amada não é 
E o verbo é sofrer 
Eu só sei que confio na moça, e na moça eu ponho a força da fé 
Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser 
Sempre desejada, por mais que esteja errada 
Ninguém quer a morte. Só saúde e sorte 
E a pergunta roda e a cabeça agita. 
Eu fico com a pureza da resposta das crianças 
É a vida, é bonita, e é bonita. 
Viver e não ter a vergonha de ser feliz 
Cantar e cantar e cantar 
A beleza de ser 
Um eterno aprendiz 
Ah meu Deus! 
Eu sei, eu sei 
Que a vida devia ser 
Bem melhor e será 
Mas isso não impede 
Que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita 
 
 
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E aí, o que você achou da resposta de Gonzaguinha? 
 
É sobre esses questionamentos que nasce a filosofia estoica, que se propôs a 
alcançar um modo sábio de conduzir as circunstâncias cotidianas; a buscar o domínio 
da arte de viver. 
 
Viver requer reflexão! 
 
Sobre a ideia de reflexão, destacamos a citação a seguir, de Marilena Chauí: 
 
 
“Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si 
mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, 
interrogando a si mesmo. A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de 
volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar 
como é possível o próprio pensamento.” 
 
(Chauí, 2006, p. 12) 
 
 
Essa corrente filosófica se desenvolveu no período histórico helenístico — o último 
período da filosofia antiga. Com a entrada do império romano na região, o mundo 
grego sofreu uma mudança social que finalizou o tempo da polis como centro político. 
 
Vamos entender um pouco mais sobre o contexto do surgimento do estoicismo. 
 
O termo “estoicismo” vem de Hélas, que era uma antiga região onde se fixaram 
as cidades-estados da Grécia e o povo era denominado de helenos. 
 
O helenismo é conhecido como a influência da cultura grega em toda a região do 
Mediterrâneo Oriental e do Oriente próximo, que se iniciou com as conquistas de 
Alexandre, o Grande, no ano de 332 a.C. e foi até a conquista romana do Egito no ano 
30 a.C. 
 
Você sabia que Roma sabia a arte de guerrear, mas não dominava a arte de filosofar? 
É isso mesmo. Apesar do domínio político da região, Roma não consegue suplantar a 
cultura helênica grega. Ao contrário, ela a absorveu, adotou o conceito dos seus 
deuses e não conseguiu superar a língua grega koiné em toda a região dominada pelo 
helenismo. 
 
A cultura helênica era muito elaborada e tinha vários instrumentos de implementação, 
como o exército, a língua grega (koiné) e os grandes festivais, que somavam quatro, 
nos quais circulavam visitantes de todas as partes do mundo grego, além de artistas: 
músicos, atores, poetas, políticos e atletas. Nesses festivais, enfatizavam-se a unidade 
 
 
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do ethos grego, incentivavam-se a prática do atletismo, que era uma característica do 
helenismo, como uma postura social civilizada, e também se estimulavam as artes, 
especialmente a poesia, a música, a escultura e a pintura. 
 
Em resumo, os quatro grandes festivais eram: olímpico, celebrado em Olímpia a cada 
quatro anos; o pítico, realizado em Delfos no terceiro ano de cada Olimpíada, em 
agosto-setembro, para celebrar a vitória de Apolo sobre a serpente Píton; o ístmico, 
que era celebrado no istmo de Corinto em honra de Melicertes, um grego divinizado 
que morre afogado e cujo cadáver aparece em uma praia do istmo de Corinto; e o 
nemeu, realizado a cada dois anos no vale de Nemea, dois meses após o festival 
ístmico, celebrado em honra de Ofeltes, morto durante a expedição dos Sete contra 
Tebas. 
 
A cultura helênica vai do início do Império Macedônico, por volta do ano de 332 a.C., 
até o início da Filosofia Medieval, porque há influência grega nos escritos de Agostinho 
de Hipona, que era um retórico, antes de tornar-se bispo da religião cristã. Por certo, 
houve a influência da Filosofia Grega e das escolas fundadas no início do helenismo, 
que permaneceu durante o Império Romano, na região. Era pela língua grega koiné 
que se passava a erudição dos escritores e se definiam os conceitos, inclusive os 
relacionados à religião cristã. Somente com a cristianização do Império Romano que 
se traduziu o texto sagrado para o latim, utilizando a Septuaginta (LXX), que estava na 
língua grega, para a língua latina. Essa tradução é conhecida como Vulgata, escrita no 
século IV, no ano de 382. 
 
O surgimento dessa forma de viver está baseado na cultura helênica, que já não vivia 
segundo os conceitos da tríade filosófica da Idade Antiga, porque diziam que a 
felicidade estava em viver moralmente na sociedade. Já a tese helenística diz que o 
que conduz à felicidade está no próprio ser humano e não fora, nas coisas externas. A 
pessoa helênica não precisa de uma polis politicamente organizada, nem de riquezas, 
alma imortal, nem de deuses, nada além dele mesmo para ser feliz. A única coisa da 
qual depende é de sua razão, que está nele, para guiá-lo na condução de um caminho 
correto, de onde ele constrói sua arte de viver. 
 
Essa é a proposta do estoicismo. Para eles, a felicidade real depende da pessoa, tudo 
que precisa é voltar-se para si e desempenhar tudo o que depende dele. 
 
O helenismo marcou uma época. Foi de dentro das escolas helenísticas que nasceram 
as filosofias que estavam envolvidas com a arte de viver. Entre elas,o estoicismo, que 
nasceu na Grécia; contudo, seu desenvolvimento foi intensificado em Roma. 
 
E qual é a base da arte de viver bem? 
 
Para o estoico, não se constrói a arte de viver feliz sem entender a ordem cósmica. 
Sua forma de pensar está arrolada a três pontos, que são: o Kosmos, a razão e a 
 
 
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ética. Esses três pontos devem estar sempre unidos. É importante observar o conceito 
de Kosmos na proposta filosófica estoica. Nas palavras de Chauí (2006), os estoicos 
têm o mundo como sua cidade e as pessoas são cidadãos desse mundo, que é 
ordenado, lógico e racional. Entende que o humano é um micro dentro do 
macrocosmo, sendo o Kosmos uma essência viva. É ordenado e estruturado, regido 
por suas leis, que o torna belo e harmônico. 
 
A filosofia estoica utiliza a natureza como lugar de refletir suas teorias sobre a vida. É 
uma filosofia cosmopolita, pois suas teorias estavam voltadas para entender a 
natureza, o ser humano e as relações entre eles. É em harmonia com a essência viva 
e ordenada da natureza que o humano que se entende parte integradora desse lugar, 
desenvolve uma reflexão por meio da razão e, por meio da ética, cria a arte de viver 
feliz. 
 
É com o objetivo de responder sobre a arte de viver bem, que o estoicismo surge com 
sua proposta. Como vimos, nasce no período helênico, uma cultura na qual se 
desenvolveu o pensamento de que viver depende do próprio ser humano. Assim, os 
questionamentos estoicos giram em torno de “como viver?” ou “o que é ser um 
cidadão do Kosmos?”. 
 
O interesse dos filósofos estoicos estava em viver a virtude da alma. 
 
Como vimos nos estudos sobre Aristóteles, ele entendia a ética associada à ação 
prática, que não podia ser separada da política, de modo que as práticas éticas e 
virtuosas do ser humano definem o lugar onde ele pode ser avaliado. 
 
Nota 
Essa teoria foi descrita na Ética a Nicômaco. 
 
O Império de Alexandre descaracterizou a polis, inviabilizando a teoria de Aristóteles, 
que estava associada à ideia de polis, não pode mais ser vivenciada. O império 
macedônico tem início em 334 a.C., quando Alexandre, rei da Macedônia, controla 
toda a Grécia, derrotando os persas. A capital da Macedônia estava situada ao norte 
da Grécia, era semigrega, o que significa que os gregos de origem começam a viver 
em contato com populações não gregas, e por isso os atenienses os qualificam como 
bárbaros. 
 
Alexandre conquista a hegemonia sobre a Grécia. Ressaltamos que as cidades gregas 
tinham autonomia, isto é, eram cidades-estados. Mantinham sempre um perfil belicoso 
e rivalidade entre si. Foi isso que permitiu a conquista de Alexandre. Com política e 
sem escrúpulos, explorou as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar 
como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. Era filho de Filipe II 
com Olímpia, uma princesa do Épiro. Nasceu em 356 a.C. e dos 13 aos 16 anos teve 
como preceptor o filósofo Aristóteles. 
 
Alexandre viveu por algum tempo em Épiro, com sua mãe, quando seu pai, Felipe II, 
se casou com a sobrinha de Átalo, um nobre macedônio, em 337 a.C. Olímpia volta 
 
 
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para sua terra com Alexandre, que ficou por um ano se falar com o pai. Retorna à 
Macedônia em 336 a.C., quando o pai foi assassinado, possivelmente por vingança de 
Olímpia. É sabido que Alexandre tinha conhecimento do assassinato e ele assume o 
poder com 20 anos de idade, conquistando um dos maiores impérios conhecidos. 
Unificou seu império por meio da língua koiné, um dos pilares da cultura helênica. 
 
O império macedônico instituiu a cultura helênica e, como já vimos, o helenismo 
influenciou o estoicismo e, por meio da concepção de pensamento helenístico, 
conceitua o ser humano como aquele que se define como responsável pelo controle 
de si e de suas ações. Portanto, busca entender a vida nas querelas de sua própria 
existência. Isso significa que não está mais vinculada à polis. 
 
A fundação do estoicismo é atribuída a Zenão. A tradição nos conta que a inspiração 
por uma vida reflexiva veio após sobreviver a um naufrágio no qual perdeu suas 
posses. Após essa tragédia, ele partiu para Atenas, onde diz ter encontrado o caminho 
da racionalidade, com a qual aprendeu como reagir diante da imprevisibilidade da 
vida. Assim, o estoicismo iniciou sua trajetória. 
 
A razão é um dos pilares dessa filosofia. Já que o desequilíbrio na vida está muito 
associado às emoções, a racionalidade é empregada para lidar com as sensibilidades 
emocionais, pois são elas que causam as reações que fazem da vida um lugar de paz 
ou a expulsa do paraíso. Por isso, a razão é fundamental, e, no estoicismo, usa-se a 
razão para controlar a emoção. Suas teorias objetivam o controle das emoções para 
evitar os vícios das paixões e cultivar as virtudes. 
 
De forma bem simples, podemos dizer que o estoicismo traz a ideia de que a forma de 
ser feliz reside na própria pessoa, independentemente das circunstâncias externas, 
que, apesar de existirem, não podem nos impedir de sermos felizes. Isso porque as 
circunstâncias serão vividas de acordo com a reação que daremos a elas. 
 
Apesar de ter seu início na Grécia, contudo, foram os estoicos romanos 
que influenciaram a sociedade ocidental. As obras do período romano são 
bem conhecidas e os principais nomes são: 
 
• Sêneca (cerca de 4 a.C.-65 d.C.). 
• Epicteto (cerca de 50-130 d.C.). 
• Marco Aurélio (121-180 d.C.). 
 
Sêneca viveu entre os anos 4 a.C.-65 d.C., foi filósofo, escritor e político. 
Nascido em família ilustre e criado em Roma, onde estudou retórica e 
filosofia. Sua vida foi bem conturbada pelas tragédias, esteve exilado em 
Córsega, onde viveu até 49 d.C. Volta para Roma e, durante os anos de 54 
e 62 d.C., foi conselheiro de Nero. Foi condenado ao suicídio, por Nero, 
em 65 d.C. 
 
 
 
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Filósofos estoicos 
 
A seguir, apresentamos brevemente os principais pensadores do estoicismo. 
 
Sêneca 
 
As bases do estoicismo romano se firmaram com Sêneca, cujas ideias foram 
retomadas por Epicteto e Marco Aurélio, posteriormente. Sêneca entendia que o 
pensamento deve estar a serviço da organização moral da vida humana. 
 
Nota 
Nessa corrente de pensamento, a pergunta sobre o que é o ser humano é sempre 
posta em discussão. 
 
Epicteto 
 
Epicteto foi o segundo nome do estoicismo romano. Nasceu escravo por volta de 55 
d.C., em Hierápolis, foi jovem para Roma e serviu na casa de Epafrodito, um 
secretário de Nero (37-68). Sua sabedoria alcançou destaque e ensinou em Roma até 
94 d.C. 
 
O reinado de Domiciano, de 81 a 96, foi um período de varredura dos filósofos, 
fazendo com que ele saísse de Roma e fundasse sua escola em Nicópolis, uma 
cidade localizada na costa oeste da Grécia, ondefaleceu em 135 d.C. 
 
Sua filosofia inspirou o imperador Marco Aurélio, que deixou uma espécie de diário, 
publicado após sua morte, com o nome Meditações. Nesse diário, fica claro que teve 
influência da filosofia do escravo. 
 
Os estudos de Epicteto foram registrados por um de seus discípulos, que compilou o 
famoso Encheiridion de Epicteto. O nome da obra vem de uma espécie de faca 
pequena que se carregava no bolso para se defender. Assim, metaforicamente, 
entendia-se que essas anotações que se carregavam nos bolsos eram instruções que 
serviam em momentos de confrontos da vida com a adversidade. 
 
Marco Aurélio 
 
O terceiro nome na filosofia estoica é a do filósofo imperador Marco Aurélio (121-180 
d.C.), que era o homem mais poderoso de seu tempo, travou duras batalhas contra os 
bárbaros e venceu todas. Quando lemos sobre sua biografia, podemos perceber o 
quanto a sua vida foi conturbada: lidou com uma série de guerras e, nesse período, 
houve uma assolação de pessoas com a pandemia da peste antonina. A peste 
devastou cerca de cinco milhões de pessoas, levou à morte prematura vários de seus 
filhos e, provavelmente, a sua própria vida. 
 
 
 
 
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Qual foi o legado desses três pensadores estoicos? 
 
São eles a origem da concepção sobre a possibilidade de uma vida feliz somente em 
harmonia com a natureza, pois o ser humano é parte integrante da natureza. Para 
eles, o Kosmos é uma totalidade, é ordenado, é belo, é realidade e é justo. 
 
A vida está em estreita relação com a natureza, portanto, a sabedoria estoica está na 
forma de agir de acordo com a natureza. Ainda que o ser humano seja um fragmento 
dentro do Kosmos, a forma de alcançar a plenitude é: não se perceber como 
fragmento. Deve-se ter consciência de que é um elo unido ao total. Por meio da união 
com o Kosmos: ordenado, harmônico e belo, o ser humano se integra a essa harmonia 
cósmica e vive em plenitude. 
 
O Kosmos é total. É pleno, entendido como um ser vivo e divino, denominado de 
theion. É uma potência completa, dotada de consciência, inteligência e razão. 
 
Aqui, vale destacarmos que o conceito de Deus não é voltado para a transcendência, 
como consta na concepção de transcendência vivida pelas religiões que acreditam 
num Deus “de fora”, como aquele que transcende. Os estoicos, por sua vez, tinham 
uma visão de imanência, de um divino que está dentro, integrado ao ser humano. É 
vivido no interior e não no exterior. Portanto, o ser humano é parte do Kosmos que é 
ser animado, dotado de consciência, inteligência e razão. Todos esses atributos 
também integram a pessoa quando ela se sente parte de um total. 
 
Para eles, os fenômenos naturais são fatos e, por isso, nem podem ser classificados 
como bons ou maus. Do Kosmos, pode vir o caos, mas dele também vêm todos os 
benefícios, especialmente todas as nossas necessidades para promover a vida. 
 
Para o estoicismo, não se pode confundir fatos com valores. É um exercício de 
sabedoria entender que tudo o que está conforme a ordem cósmica é bom, 
independentemente da vontade humana. 
 
Nota 
Podemos perceber que as escolas estoicas se preocupavam menos com os conceitos 
e mais com exercícios práticos de sabedoria. 
 
Outra questão importante no pensamento estoico é viver o presente: a vida é o que é 
no aqui e agora. Nem o passado pode deter a vida, nem o futuro tem nada a oferecer. 
As pessoas se apegam ao futuro, visando uma esperança que é posta em algo que 
representa “aquilo que nos falta”. Os estoicos entendiam que não há necessidade de 
se carregar pesos que estão no passado, nem esperar por algo no futuro; a vida é o 
que acontece no presente, assim propõem que se pode libertar de passado e futuro e 
viver o “agora”. 
 
Sobre isso, destacamos o trecho a seguir, extraído das Meditações. Veja o que diz 
Marco: 
 
 
 
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“Que a imagem de tua vida inteira não te perturbe jamais. Não sonhes com todas as 
coisas dolorosas que provavelmente te aconteceram, mas, a cada momento presente, 
pergunta: o que há de insuportável e de irreversível neste acontecimento? Lembra-te, 
então, de que não é nem o passado, nem o futuro, mas o presente que pesa sobre ti.” 
 
(Marco Aurélio, 1989) 
 
 
Estoicismo entende que a vida só pode ser no “agora”. Não valorizam a esperança por 
estar projetada no futuro. É preciso ter cuidado com a esperança, especialmente 
quando ela estiver apontando para algo que achamos que é uma falta. 
 
Viver o dia, sem estar no fragmento que gera a falta, é estar em harmonia com a 
felicidade. Esperar por algo sem viver o presente de forma harmônica é adiar a 
felicidade. 
 
Destacamos, sobre esta discussão, a seguinte citação de Epicteto: 
 
 
“É preciso conciliar nossa vontade com os acontecimentos de tal maneira que nenhum 
acontecimento ocorra contra nossa conveniência, e que também não haja nenhum 
acontecimento que ocorra quando não o desejamos. A vantagem para aqueles que 
estão assim prevenidos é de não falhar em seus desejos, de não se deparar com o 
que detestam, de viver interiormente uma vida sem dificuldade, sem temor e sem 
perturbação [...]” 
 
(Epicteto, 2014) 
 
 
No gráfico a seguir podemos entender o princípio-chave do estoicismo. 
 
Princípio-chave 
Acontecimentos 
 
Predeterminados pelo destino 
x 
Fortaleza interior 
 
Oriunda de nossa liberdade da 
escolha de nossas reações. 
 
 
A noção de efemeridade é na qual se recomenda o desapego. 
 
Sobre isso, destacamos a seguinte citação de Marco Aurélio: 
 
 
 
 
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“Mesmo que você vivesse três mil anos, ou até mesmo trinta mil, lembre-se de que a 
única vida que um homem pode perder é a que está sendo vivida nesse momento; e 
que ele não pode ter nenhuma outra vida além daquela que perde.” 
 
(Marco Aurélio, 1989) 
 
 
Veja, no gráfico, o resumo da escravidão da posse: 
 
 
 
Enfim, os estoicos produziram uma filosofia que instrumentaliza a pessoa a trazer 
argumentos, lógicos e racionais, para compreender, de forma crítica e racional, a vida 
e o Kosmos, portanto eles não estavam ocupados com os grandes tratados filosóficos 
sobre as complexidades da construção do pensamento, nem sobre os tratados sobre a 
política; viver com controle de si era a forma de estar em harmonia e feliz. Aí estava 
sua forma de filosofar. 
 
Ressaltamos que o pensamento estoico instrumentaliza a pessoa com teorias 
racionais que auxilia no exercício da prática que conduz a uma responsabilidade com 
a forma de viver a vida, sempre entendendo que viver implica em relacionar-se com o 
outro e com o Kosmos. 
 
Ressalta-se que, na atualidade, há uma interpretação do estoicismo que busca 
atualizar a filosofia estoica e trazer uma explicação sobre a arte de viver feliz. 
Propostascomo viver a calmaria em meio ao caos, bem como lidar com as emoções, 
lidar com o apego entre tantas outras situações que trazem desarmonias à vida, têm 
atraído muitas pessoas para a leitura dessas sabedorias. Afinal, viver hoje é complexo, 
nossa sociedade está voltada para o materialismo, o individualismo e a exterioridade 
como lugares de construção da felicidade, o que tem conduzido muitas pessoas a 
vidas conturbadas. Nesse sentido, a descoberta da filosofia estoica tem sido alvo de 
muitas leituras na busca de libertar-se e voltar-se para a prática da arte de viver. 
 
 
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Encerramento 
 
 
Ao encerrar a Unidade 1, por certo você teve a oportunidade de entender acerca da 
importância da filosofia que nos convoca a sermos amantes do saber. Como pode 
perceber, a filosofia traz, na própria palavra, o conceito de amor e saber. Philos = 
amizade/amor e Sofia é saber. 
 
Todos nós já tivemos dúvidas sobre quem somos, também, por 
certo, já nos perguntamos sobre a forma de viver bem em 
sociedade. Já nos deparamos com dúvidas sobre o Cosmos. A 
dúvida é importante, contudo, há diferença entre a dúvida 
cética e a dúvida filosófica. Como você entende a dúvida 
filosófica? 
 
A dúvida filosófica é relevância, porque nos encaminha para a busca de uma 
explicação. É por meio dela que vamos partir para a busca de uma construção de 
pensamento, baseadas em argumentos lógicos. 
 
• A dúvida filosófica anseia por uma explicação lógica. 
• É na dúvida filosófica que se busca uma resposta com argumentos racional. 
• Dúvidas filosóficas não se satisfazem com respostas advindas do senso 
comum. 
• Dúvidas filosóficas não são respondidas por meio das crenças advindas da 
religiosidade. 
• A dúvida filosófica é respondida somente com argumentos embasados em 
construções elaboradas, com base na investigação racional. Especialmente 
quando se trata de questões importantes para todos nós, como a existência 
humana e o mundo em que estamos inseridos. 
 
 
Platão foi discípulo de Sócrates e, por meio de discursos 
dialogados com seu mestre, escreveu sua filosofia, nela 
expressou a teoria das ideias, na qual diz que os seres 
humanos são feitos de corpo e alma. O corpo é ilusório, pois é 
finito e mutável. A alma é verdadeira, carregando consigo a 
eternidade e a imutabilidade. Para ele, o corpo faz parte do 
mundo sensível e a alma tem acesso ao mundo inteligível. 
Você acha que o autoconhecimento é importante? E como a 
Filosofia pode auxiliar no autoconhecimento? 
 
 
 
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A filosofia antiga nasceu com Sócrates, contudo, ele foi um filósofo que não escreveu 
seus conceitos. Sua obra vai ser escrita por Platão. A proposta filosófica tem 
centralidade no autoconhecimento. Sócrates inicia essa jornada, quando retira do 
Templo de Apolo, em Delfos, a expressão “conhece-te a ti próprio”. Por isso, sua 
proposta filosófica afirma que só podemos conhecer alguma outra coisa, depois de 
nosso autoconhecimento. 
 
• A palavra Filosofia se encarrega de dizer que devemos ter amor pelo saber. 
Ela une os termos amor e sabedoria (Philos + Sofia). 
• A Filosofia abre um caminho para o autoconhecimento, pois nos conduz por 
um caminho lógico e racional. 
• A Filosofia nos ajuda a entender os conceitos, porque são importantes para o 
autoconhecimento. Conceitos não se firmam em opinião ou senso comum, eles 
estão vinculados a uma busca pelo conhecimento racional. 
• A Filosofia é o lugar para se buscar e entender o conhecimento, especialmente 
porque é o conhecimento que nos guia na descoberta de si mesmo. Como diz 
Platão, sem o conhecimento, vive-se nas sombras, a luz da Filosofia é o que 
nos liberta da caverna (senso comum) e nos condiciona a ver a luz. 
 
 
É bem complexo entender sobre quem somos. Foi sobre esse 
assunto que Aristóteles encaminhou sua filosofia, porque quis 
entender o ser enquanto ser. Uma das coisas importantes 
trazidas por ele para traçar seu conhecimento foi o conceito de 
felicidade, que nominou de Eudaimonia. Ele diz que a 
Eudaimonia só pode ser vivida por meio da virtude. Você 
concorda com o filósofo? Seria feliz a pessoa que vive uma 
vida moralmente dentro de princípios? Como você entende a 
felicidade como um conceito ético? 
 
Na filosofia de Aristóteles: 
 
• O ser humano é um ser político, isto é, ele é um ser sociável, sem isso, deixa 
de ser humano. É um ser dotado da capacidade racional. É desse lugar que ele 
pratica a eudaimonia, que se efetiva a partir de uma ação virtuosa por meio da 
ética. 
• A ética é ensinada, não é inata, ela resulta no hábito de sua prática. Se 
almejamos a felicidade, é preciso que criemos hábitos conduzidos pela ética. 
 
Enfim, para Aristóteles, a ética está intrínseca na felicidade, assim como a felicidade 
está intrínseca na ética. Como ser político-social, o local de praticar a ética é na 
sociedade, em relação com as outras pessoas. Ética e felicidade estão na base do 
exercício da cidadania, portanto, nós temos a missão de viver a ética e construir a 
autorrealização como lugar de viver a felicidade. 
 
 
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O estoicismo deixou uma marca de integridade moral que deve 
ser vivida a qualquer prova. Para o estoico, a integridade, a paz 
de espírito, a autonomia, a felicidade depende apenas de nós 
mesmos. Na nossa sociedade atual, em que há uma crise 
moral, perpassada por corrupção, fake news entre tantas 
situações complexas, essa corrente filosófica afirma que está 
na reflexão racional, sobre nós mesmos, por meio da 
integridade ética, o lugar onde é possível viver feliz. Como 
você entende a reflexão e como ela pode nos auxiliar a viver 
uma vida harmônica? 
 
É papel da Filosofia constituir, em nós, um lugar de reflexão. Já dizia Sócrates que 
uma vida não refletida não merece ser vivida. 
 
A reflexão é um ato de pensar que não nos deixa apenas reagir, mas nos obriga a 
criar uma resposta lógica e racional sobre as questões que são trazidas para uma 
reflexão. 
 
• Reflexão é sempre algo que parte de nós na busca pelo entendimento de 
alguma coisa. 
• Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de 
retorno a si mesmo. 
• A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, 
interrogando a si mesmo. 
• A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento 
sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o 
próprio pensamento. 
 
É essa a proposta do estoicismo, que acredita que a arte de viver uma vida feliz está 
na capacidade de reflexão sobre os atos da vida. 
 
 
Resumo da Unidade 
 
Nossa discussão nesta Unidade 1 foi em torno das temáticas sobre os contextos 
históricos filosóficos de como veio sendo construído o conhecimento. Vimos como o 
mitose evoluiu para a Filosofia e como ela, com seu objeto questionador, levou à 
nova concepção da racionalidade, da qual brotou a ciência metodológica. 
Entendemos que o mito não é uma mentira, ele é uma narrativa em linguagem 
simbólica. Vimos que a Filosofia deixou suas marcas no Ocidente com a tríade 
Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles compuseram as teorias sobre o mundo, o 
 
 
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humano, a política, a ética, entre tantos outros assuntos que ainda são relevantes 
para as discussões filosóficas atuais. 
 
Na temática dois, entendemos um pouco mais sobre a teoria de Platão, uma vez 
que ele deixou um grande legado de produção filosófica e foi um dos interlocutores 
do pensamento ocidental. Identificou um mundo visível, isto é, um mundo das 
aparências; e o mundo inteligível (das ideias). Seu legado foi uma complicada 
construção de pensamento quando instaurou o modelo por excelência do que é 
transcendência, essa forma de pensar vai alimentar conceitos religiosos da idade 
média. 
 
Em seguida, vimos como a teoria aristotélica busca compreender as estruturas do 
mundo por meio da ontologia. É uma filosofia que acessa diretamente o 
conhecimento sem o intermédio da materialidade. Vimos que, para Aristóteles, o 
conhecimento é adquirido por meio da observação cuidadosa da realidade, da 
experiência prática e até mesmo da intuição. Aristóteles cunhou sua filosofia 
atrelando o ato de conhecer ao processo de viver bem. A ética e a política não 
podem ser separadas, porque ambas constituem a filosofia prática e ética. É na 
reflexão da vida que se alcança a felicidade, isto é a Eudaimonia. 
 
Por fim, vimos a proposta de filosofia estoica voltada para entender as dificuldades 
da vida. Uma filosofia que buscava refletir sobre a essência da vida, que deve ser 
guiada pela razão. Os estoicos tinham uma concepção de vida que só poderia ser 
feliz em harmonia com o Kosmos. Para eles, o Kosmos é ordenado, é belo, é 
realidade e é justo. Viver o momento é um dos princípios estoicos, nem o passado e 
nem o futuro são lugares de estar, porque não tem nada a ofertar à vida, de que 
deve ser plena no “agora”. 
 
 
 
Referências da Unidade 
 
• ANTUNES, J. As bases filosóficas da construção do conhecimento. 
Guarapuava: Unicentro, 2011. 
• ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 5. 
ed. Salvador: Moderna, 2013. 
• ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. 
• BITTAR, E. C. B. Curso de filosofia aristotélica: leitura e interpretação do 
pensamento aristotélico. Barueri: Manole, 2003. 
• BINGEMER, M. C.; ANDRADE, P. F. C., de (orgs.) Secularização: novos 
desafios. Rio de Janeiro: Reflexão/PUC-Rio, 2016. 
• CONDÉ, M. M. Considerações sobre filosofia e vida em Marco 
Aurélio. Nuntius Antiquus, Belo Horizonte, v. 20, n. 1, p. 1-20, 2024. 
• CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2006. 
• CROATTO, J. S. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à 
fenomenologia da religião. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2010. 
http://repositorio.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/123456789/891/5/As%20Bases%20Filosóficas%20da%20Construção%20do%20Conhecimento.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5660574/mod_resource/content/1/Etica%20a%20Nicomaco%20%28Aristoteles%29.pdf
https://periodicos.ufmg.br/index.php/nuntius_antiquus/article/view/51595
https://periodicos.ufmg.br/index.php/nuntius_antiquus/article/view/51595
 
 
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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 
• ELIADE, M. Aspectos do mito. Lisboa: Edições 70, 1989. 
• ELIADE, M. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972. 
• EPICTETO. Encheiridion de Epicteto. São Paulo: Annablume, 2014. 
• LIMA, V. F. Isto não é Filosofia. Seropédica: UFRRJ, [s.d.]. 
• MAGRI, C. G. N. Ontologia e o movimento em Aristóteles. Pensamento 
Extemporâneo, 30 out. 2018. 
• MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Cultrix, 1989. 
• MARCONDES, D. Textos básicos de ética de Platão a Foucault. 4. ed. São 
Paulo: Zahar, 2007. 
• MARCONDES, D. Iniciação à história da Filosofia: dos pré-socráticos a 
Wittgenstein. 2 ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Zahar, 2017. 
• ORTA, J. A. Do mito à ciência: reflexões críticas sobre a história do 
conhecimento. Análise Psicológica, v. 7, p. 33-41, 1989. 
• PELLEJERO, E. A. Eikasía: a consciência nas sombras do 
cinema. Paralaxe, v. 2, n. 2, p. 3-20, 2014. 
• PERINE, M. Mito e Filosofia. Philósophos, v. 7, n. 2, p. 35-56, 2002. 
• PHILIPPE, M.-D. Introdução à filosofia de Aristóteles. São Paulo: Paulus, 
2002. 
• PLATÃO. A República. 2ª reimp. São Paulo: Perspectiva, 2012. 
• REALE, G. Introdução a Aristóteles. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. 
• REALE, G. Metafísica de Aristóteles. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013. 
Vol. I - Ensaio Introdutório. 
• SEARCH, A. Mania da Dúvida. Citador, c2021. 
• SÊNECA. Sobre a brevidade da vida - Sobre a firmeza do sábio. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2017. 
• VAN RAIJ, C. F. M. Sêneca, o filósofo. Revista Reflexão, Campinas, v. 20, n. 
61, p. 194-201, jan./abr. 1995. 
 
 
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos 
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências 
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino 
publicado na página inicial da disciplina. 
 
http://hdl.handle.net/10316.2/32825
https://pt.scribd.com/document/716996239/Aula-07-Estoicismo-e-Epicurismo?doc_id=716996239&order=652913266
https://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=2730
https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/2237
https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/2237
https://revistas.pucsp.br/index.php/paralaxe/article/view/31131
https://revistas.pucsp.br/index.php/paralaxe/article/view/31131
https://www.researchgate.net/publication/269911677_MITO_E_FILOSOFIA
https://www.citador.pt/poemas/mania-da-duvida-alexandre-searchbrheteronimo-de-fernando-pessoa
https://periodicos.puc-campinas.edu.br/reflexao/article/view/11472ou distribuição (incluindo o upload para 
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 
religioso da Idade Média. Foi com os pensadores, que culminam no movimento 
Iluminista, que a Filosofia se liberta e abre espaço para o surgimento da Ciência 
Moderna. 
 
E, assim, vivemos hoje a era cientificista, mas temos a oportunidade de compreender 
que a humanidade, durante sua etapa evolucionista, pôde obter respostas para suas 
indagações acerca das coisas, pelo menos de três tipos. E nós somos beneficiados 
porque temos lugar para o mito, para a filosofia e para a ciência como lugares que nos 
ajudam a refletir sobre nossos questionamentos a respeito da vida e do mundo. Isso 
não é legal? 
 
Convenhamos: ser e estar no Kosmos não é muito fácil de ser explicado, e você 
já deve ter pensado sobre isso! 
 
Nesta unidade também vamos refletir sobre o pensamento de alguns filósofos que 
desempenharam papel importante na fundação do modelo de pensamento 
transcendente. Vamos entender um pouco desses filósofos ao longo dos nossos 
estudos. Eles são conhecidos como a tríade da filosofia antiga: Sócrates, Platão e 
Aristóteles. 
 
 
 
Objetivo 
 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
• Entender o valor da Filosofia para a construção do pensamento ocidental. 
 
 
 
Conteúdo Programático 
 
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: 
 
• Tema 1 - Do mito à ciência: reflexões sobre a história do conhecimento 
• Tema 2 - Platão: a fundação do modelo de pensamento transcendente 
• Tema 3 - Aristóteles e a fundação do indivíduo 
• Tema 4 - O objeto do pensamento na lógica estoica dos teóricos gregos e 
romanos 
 
 
 
 
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Observe com atenção a poesia de Fernando Pessoa sobre a dúvida. 
 
Mania da Dúvida 
(Alexander Search, heterônimo de Fernando Pessoa) 
 
Tudo para mim é um duvidar 
Com a normalidade sempre em cisão, 
E o seu incessante perguntar 
Cansa meu coração. 
As coisas são e parecem e o nada sustém 
O segredo da vida que contém. 
 
A presença de tudo sempre perguntando 
Coisas de angústia premente, 
Em terrível hesitação experimentando 
A minha mente. 
É falsa a verdade? Qual o seu aparentar 
Já que tudo são sonhos e tudo é sonhar? 
 
Perante o mistério vacila à vontade 
Em luta dividida dentro do pensar, 
E a Razão cede, qual cobarde, 
No encontrar 
Mais do que as coisas em si revelam ser, 
Mas que elas, por si só, não deixam ver. 
 
Fonte: Search (2021). 
 
A poesia de Fernando Pessoa tem a dúvida como tema. A dúvida é um lugar de 
reflexão. Quando duvidamos, trazemos perguntas para serem questionadas. Esse é 
um campo da Filosofia, pois tem a dúvida como lugar de promover reflexões lógicas 
acerca dos conhecimentos. 
 
Filosofar é ir em busca da construção do pensamento autônomo, mesmo que seja a 
dúvida. Por ser a forma de construção de saber que, ao ser investigado, cria lugares 
autônomos. Essa é a função da Filosofia: ela nos proporciona ferramentas para 
produção do nosso conhecimento, que só é instigado quando trazemos a dúvida para 
reflexão. 
 
https://www.citador.pt/poemas/mania-da-duvida-alexandre-searchbrheteronimo-de-fernando-pessoa
 
 
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Tema 1 
Do mito à ciência: reflexões sobre a história do 
conhecimento 
 
 
Todos nós já tivemos dúvidas sobre quem somos, também, por 
certo, já nos perguntamos sobre a forma de viver bem em 
sociedade. Já nos deparamos com dúvidas sobre o Cosmos. A 
dúvida é importante, contudo, há diferença entre a dúvida 
cética e a dúvida filosófica. Como você entende a dúvida 
filosófica? 
 
A forma de explicar a vida e o mundo passou por três fases. Para entender esse 
percurso, é comum dizermos que o conhecimento humano se desenvolveu em três 
fases diferentes, que são: 
 
• Fase mítica. 
• Fase filosófica. 
• Fase científica. 
 
De fato, se olharmos para a história das antigas civilizações veremos que só as 
conhecemos porque deixaram os registros em seus mitos, ou seja, a mitologia foi a 
primeira forma de explicação dos fatos, das grandes civilizações que nasceram em 
torno dos grandes rios, tais como Tigre e Eufrates na Mesopotâmia e o Nilo no Egito. 
Civilizações que já estavam organizadas politicamente há mais de três mil anos antes 
de Cristo. 
 
Vivemos na era cientifica. Seria possível conhecer as antigas civilizações se elas não 
tivessem produzidos seus mitos? 
 
Todas as civilizações antigas têm seus mitos. São narrativas que dizem como elas 
nasceram, trazendo, por meio de simbologias, a criação e o surgimento de um povo e 
de uma cidade. 
 
Observação 
Roma, por exemplo, teve sua fundação vinculada a Remo e Rômulo, os gêmeos que 
foram jogados no rio e resgatados por uma loba. Essa é uma mitologia da civilização 
romana. Da mesma forma, temos o mito de fundação da Babilônia, que está descrito 
nas Setes Tábuas da Criação, entre tantos outros mitos que chegaram até nós. 
 
 
Sobre o mito, destacamos a seguir a citação do autor José Orta (1989): 
 
 
 
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“O mito — pensamento monolítico e globalizante — é dominado e domina nas 
sociedades arcaicas, que são as sociedades sem Estado e as sociedades com 
Estados arcaicos. Mas das sociedades arcaicas emergem outras formações sociais 
mais complexas e com elas o pensamento avança: desabrocha a filosofia.” 
 
(Orta, 1989, p. 33) 
 
 
As narrativas míticas indicam que as primeiras explicações humanas dos fenômenos 
foram por meio do mito. É uma época que os seres humanos viam no sobrenatural 
todas as explicações de suas interrogações. Isso é uma característica do mito. Nele, 
os deuses são personagens centrais. É bom destacar que a mitologia que mais 
influenciou a nossa sociedade ocidental foi a grega. 
 
A mitologia estuda o mito. E o que é o mito? 
 
Para responder a essa pergunta destacamos a seguinte citação do historiador Mircea 
Eliade, um dos clássicos em relação ao estudo do mito: 
 
 
“Há mais de meio século, os eruditos ocidentais passaram a estudar o mito por uma 
perspectiva que contrasta sensivelmente com a do século XIX, por exemplo. Ao invés 
de tratar, como seus predecessores, o mito na acepção usual do termo, ou como 
fábula, invenção, ficção, eles o aceitaram tal qual era compreendido pelas sociedades 
arcaicas, onde o mito designa, ao contrário, uma “história verdadeira” e, ademais, 
extremamente preciosa por seu caráter sagrado, exemplar e significativo.” 
 
(Eliade, 1972, p. 6) 
 
 
Eliade afirma que a definição de mito não é fácil. Para ele, o mito é uma realidade 
cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada por meio de 
perspectivas múltiplas e complementares. 
 
Nota 
Mircea Eliade é um autor clássico, especialistaem mitologia. 
 
Destacamos, a seguir, a definição de mito, segundo Mircea Eliade: 
 
 
“O mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo 
primordial, o tempo fabuloso do “princípio”. Em outros termos, o mito narra como, 
graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma 
realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um 
comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma 
“criação”: ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala 
 
 
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apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Em suma, os 
mitos descrevem as diversas, e algumas vezes dramáticas, irrupções do sagrado (ou 
do sobrenatural) no Mundo.” 
 
(Eliade, 1972, p. 9) 
 
 
Croatto (2010) aponta que, etimologicamente, a palavra mito vem do 
vocábulo grego mythos, que significa contar, narrar. Chauí (2006) 
complementa que a palavra mito vem do grego mythos, também 
derivando de dois verbos, que são o mytheyo (no sentido de contar, 
narrar, falar alguma coisa para outros) e o mytheo (significando 
conversar, contar, anunciar, nomear, designar). 
 
Quando analisamos o surgimento do mito, podemos entender que ele foi questionado 
quando começa a nascer o cientificismo, que incialmente tinha o mito como fábula, 
uma narrativa que não expressava verdade alguma. Contudo, os estudiosos, 
especialmente das ciências sociais, como Antropologia, Sociologia, Literatura, 
Psicanálise etc., destacam a relevância das narrativas míticas para a construção de 
uma verdade por meio de uma linguagem simbólica. 
 
A forma de ver o mito veio mudando desde o começo do século XX. Já citamos o 
pesquisador Mircea Eliade, mas há outros nomes de estudiosos, como Freud, Yung, 
Heidegger, Lévi-Strauss e Bultmann, que entendem o mito como uma verdade que é 
narrada por meio de uma linguagem simbólica. Assim, o mito pode ser compreendido 
como uma forma literária que consegue trazer explicação complexa às questões que 
envolvem a complexidade da vida, da morte, do bem e do mal. 
 
Tanto Croatto (2010) como Eliade (2000) entendem o mito como o relato de um 
acontecimento cuja finalidade é dar sentido a uma realidade significativa para a vida. 
Ele se manifesta em linguagem simbólica, buscando, em metáforas e analogias, uma 
forma de alcançar a interioridade humana. 
 
O mito não é uma mentira: ele é uma narrativa que usa linguagem simbólica no intuito 
de trazer significado com respostas para fenômenos complexos sobre a vida e o 
mundo em que vivemos. Porém, chegou uma época em que o mito sozinho já não 
dava conta de explicar as dúvidas sobre a cosmologia. As dúvidas sobre o que é o 
mundo começam a fomentar muitas perguntas, e assim nasce a Filosofia. 
 
Nota 
Há um consenso de que a Filosofia nasce da mitologia grega. 
 
Destacamos, a seguir, uma citação de Aristóteles, em Metafísica: 
 
 
 
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“ Também aquele que ama o mito é, de certo modo, filósofo.” 
 
(Aristóteles, A 2, 982 b 18) 
 
 
Saiba mais 
Alguns filmes têm seu roteiro desenvolvido inspirado nas temáticas mitológicas das 
civilizações antigas, como as nórdicas, as gregas, as egípcias etc., por exemplo: O 
senhor dos anéis, Êxodo: deuses e reis, Hércules, Fúria de titãs, Troia, Thor etc. 
 
 
O que é a Filosofia? 
 
Para entender o que é Filosofia começaremos comentando uma definição de Jair 
Antunes (2011). Para ele, a Filosofia nasceu para ajudar os humanos a explicarem as 
coisas. É a famosa busca pelo saber. A palavra filosofia une os termos amor (Philia) 
e sabedoria (Sofia), tratando-se, portanto, do amor pelo saber. Isso define o filósofo 
como aquele que tem amor pelo conhecimento. 
 
A filosofia abre um novo caminho para o conhecimento, não mais guiada pela ótica da 
crença, como na narrativa mítica. Seu caminho é guiado pela lógica do Logos. Trata-
se das primeiras rupturas com a mitologia. Os pensadores que buscam uma 
explicação lógica para os fenômenos, desvinculadas das divindades, são 
denominados de pré-socráticos, grupo cuja preocupação era entender mais a 
natureza, que denominaram de Physis. 
 
Eles foram se dando conta de que o Kosmos possuía elementos constitutivos que 
deviam ser investigados de forma racional e lógica acerca de sua natureza e 
movimento. 
 
Nota 
A ruptura com a mitologia foi realizada de forma gradual. 
 
Com os filósofos pré-socráticos surge a tentativa de identificar o elemento primordial 
da natureza. Em suas conclusões estavam a água, o fogo, o átomo, os números etc. 
Nomes como Pitágoras, Heráclito e Parmênides aparecem como os primeiros 
pensadores da Filosofia antiga. 
 
Ressaltamos que a filosofia lida com conceitos. Cada proposta filosófica se debate 
com termos que conduzem sua forma de produzir o saber. Os pré-socráticos 
trouxeram para o debate os conceitos de Logos, Arché e Physis. Esses termos 
estavam vinculados à sua busca por entender a cosmologia, isto é, o mundo físico. 
Veja que a palavra “cosmologia” é composta por Cosmos, que significa mundo 
ordenado, e logia vem da palavra logos, termo que significa pensamento racional. 
Assim, os conceitos estão vinculados à busca pelo conhecimento racional da ordem 
 
 
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do mundo ou da natureza. Tanto o termo arché como Physis eram usados para 
designar a substância da composição da natureza. 
 
A filosofia denominada de clássica nasce em Atenas e marca sua segunda fase na 
proposta do conhecimento. É nessa era que se diz iniciar a Filosofia de fato, com os 
pensadores Sócrates, Platão e Aristóteles. Esses nomes ficaram conhecidos como a 
tríade que nos deu as mais importantes teorias sobre o ser humano e o mundo que 
habitamos. Eles investiram na construção do saber. 
 
Veja que há uma diferença entre os pensadores pré-socráticos, que estavam em 
busca de saber sobre a Physis; nessa fase, a filosofia volta seu interesse para o 
conhecimento de pessoas, isto é, a essência humana. Inicia-se uma busca para 
entender o que diferenciava o ser humano dos outros seres. 
 
Sócrates criticou os primeiros filósofos por se ocuparem com assuntos de grande 
complexidade sem antes pensar em conhecerem a si mesmos. 
 
Você já se perguntou quem é você? 
 
Destacamos, a seguir, um trecho do autor José Orta (1989): 
 
 
“No pensamento grego a procura da perfeição-natureza centrou-se no indivíduo e 
partiu dele as coisas do mundo. Para esclarecer o que afirmamos, parafraseamos 
Sócrates: “conhece-te a ti próprio”, passagem que ele próprio retirou do Templo de 
Apolo em Delfos. O homem só poderia conhecer o mundo circundante na condição de 
se conhecer a si próprio em primeiro lugar, o mesmo é dizer, conhecer a sua 
natureza.” 
 
(Orta, 1989, p. 34)Agora entenderemos um pouco mais a respeito da entrada desses três gênios na 
proposta do filosofar. 
 
Sócrates define o antes e o depois nos estudos da filosofia estabelecendo a era pré-
Sócrates. Se antes as dúvidas eram direcionadas à substância do Kosmos, com 
Sócrates o olhar se desloca para a Ontologia, que significa “Ser Humano”. Com esses 
filósofos nasce a ideia de que o humano é constituído de corpo e alma. Sócrates e 
Platão têm a mesma opinião sobre a construção humana, contudo Aristóteles discorda 
deles, o que vamos ver mais adiante, 
 
Fique atento para entender as teorias dessa tríade nas temáticas seguintes! 
 
Os três gênios da segunda fase filosófica se voltaram para entender o conhecimento e 
como ele pode guiar o ser humano na descoberta de si mesmo. Eles entendiam 
que o conhecimento de si só seria possível por meio da filosofia. Apesar de ter sido 
 
 
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um grande filósofo, Sócrates não deixou escritos; suas ideias foram registradas por 
Platão, seu principal discípulo. Os registros estão em forma de diálogos, como uma 
conversa entre mestre e aluno. 
 
A filosofia seguiu um longo caminho, desenvolveu muitas ideias e teorias sobre a 
construção do pensamento ao longo de sua história, passou pela Idade Antiga, entrou 
na era medieval e rompeu com os dogmas do cristianismo, que era a religião oficial do 
ocidente. Nessa época houve o aprisionamento do conhecimento, que estava 
vinculado aos dogmas da Igreja, criando a filosofia medieval submissa à Teologia, 
que era considerada a ciência da época. No entanto, a Filosofia, sempre trazendo 
dúvidas às cabeças pensantes, insurge contra a religião e promove o Iluminismo, que 
foi a base para a chegada do cientificismo. 
 
Como podemos ver, foi um longo caminho percorrido até chegarmos ao método 
científico. 
 
O surgimento da Ciência Moderna inaugura um novo lugar para explicar as coisas. Ela 
nasce trazendo um objeto de investigação e um método. 
 
Importante lembrar que, durante a Idade Média, a Filosofia ficou aprisionada nas mãos 
das instituições cristãs. Isso ocorreu com a cristianização do Império Romano, que, 
aliás, baniu os filósofos que não estivessem de acordo com a explicação dogmática da 
igreja. Muitos migraram para o Oriente. Nesse período, quem comandava o 
conhecimento era a Teologia; a Filosofia entrava como auxiliar. 
 
Observação 
Atos como os do imperador Justiniano (483-565) — que governou o lado oriental 
(Bizantino) do Império Romano — que, por volta do ano 529, oficializou o cristianismo 
como religião oficial e, com isso, baniu as atividades filosóficas e quaisquer outras 
expressões religiosas em toda a região do império. A partir dessa data a filosofia só se 
expressou como uma auxiliar da teologia cristã. 
 
O aprisionamento da filosofia e da liberdade de pensar fora dos dogmas religiosos fez 
com que a Idade Medieval fosse conhecida como “era das trevas” — expressão que 
será incorporada ao movimento iluminista, isto é, a “era das luzes”, promovida pela 
libertação da filosofia. Durante toda a era medieval, as pessoas eram educadas para 
ver as coisas de Deus. Um mundo transcendente. Foi um período em que o 
conhecimento só podia ser construído por meio das filosofias vinculadas aos 
pensadores cristãos. 
 
Na Era Medieval, era perigoso pensar. Você conhece a expressão “caça às bruxas”? 
Vem dessa época. Pois é, o medievo foi a era da Inquisição, que queimava hereges, 
bruxas e punia todos os atos que eram classificados como algo que ofendia a Deus. 
 
Quem se dispusesse a se opor às propostas da religião era preso, excomungado ou 
queimado em praça pública. Nessa época, era perigoso escrever tratados filosóficos e 
as academias eram controladas pela instituição religiosa. Contudo, houve produção de 
 
 
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uma Filosofia conhecida como Medieval, com expoentes como Agostinho, logo no 
início; Abelardo que era professor na Universidade de Paris; e, posteriormente, Tomás 
de Aquino, para citar alguns importantes. 
 
Saiba mais 
No filme Em nome de Deus (1988), que relata o nascimento da Universidade de 
Paris, Abelardo, protagonista da obra, foi um dos principais filósofos da era medieval. 
 
A Filosofia, no entanto, sempre acha caminhos para a libertação do pensamento. É ela 
que vai proporcionar o caminho para o processo de secularização e abrir espaço para 
o cientificismo. Tantas rupturas na era medieval culminaram no movimento Iluminista, 
que explodiu na Inglaterra, na Alemanha e na França durante o século XVIII, 
adentrando as universidades, rompendo com a dogmática cristã e dando início à Idade 
Moderna. Ressaltamos que as ideias dos filósofos franceses, como Voltaire, 
Montesquieu e Rousseau, são as que mais se destacam nesse movimento: eles vão 
contribuir com a produção da enciclopédia, uma obra idealizada e conduzida por Denis 
Diderot e Jean Le Rond D'Alembert, com o objetivo de juntar, em uma única obra, os 
conhecimentos produzidos pelo movimento iluminista. 
 
Observa-se que os filósofos travam uma queda de braço com o controle da instituição 
religiosa cristã acerca do aprisionamento do conhecimento. Para eles, a liberdade de 
pensamento só seria possível com o distanciamento entre Igreja e Estado. O 
Iluminismo afirma que é o uso da razão, e não o da fé, que vai proporcionar a 
construção de uma sociedade liberta, solidária e igualitária. Nasce, assim, o processo 
de secularização, isto é, o mundo fora do controle da religião. 
 
O processo da secularização deu início à liberdade de se produzir cientificamente 
sobre qualquer objeto de conhecimento sem o controle da religião. Nasce a sociedade 
secular, regida pela laicização. Trata-se de um processo que afastou o poder da Igreja 
(religião cristã) sobre as esferas da sociedade. O processo foi constituído de forma 
gradual, no qual a sociedade passou por uma redefinição dos preceitos culturais e 
éticos que se apoiavam na religiosidade proposta pelas instituições religiosas. Nesse 
contexto histórico é que vamos ver os debates acirrados em academias, inclusive a 
sobrevivência ou não da esfera religiosa. 
 
A secularização faz surgir um estilo de vida social. Foi nesse processo que houve a 
perda do controle da religião, que era a responsável pelo controle da sociedade; ao 
perder essa função, criou-se o estado laico, regido por direito próprio e uma legislação 
que integra todas as instituições que o compõem, inclusive as instituições religiosas. 
 
O Iluminismo não veio do nada. A partir do século XVI, muitos movimentos travaram 
batalhas em torno da liberação do campo do pensamento, muitas descobertas 
trouxeram questionamentos acerca do ser humano e do mundo, entre eles o 
Renascimento, Humanismo, Naturalismo e o descobrimento de novos continentes. 
 
Todos nós sabemos que as transformações trazem muitas dúvidas: quem explicaria os 
novos questionamentos? Uma transformação de pensamento importante foi a 
 
 
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descoberta de que a Terra não é o centro de nada, mas mesmo que a Igreja investisse 
em excomungar as pessoas, não havia como desconstruir o que se tinha descoberto. 
Nada mais era certo. O universo é infinito! E o humano, o que é? 
 
As transformações ocorridas na sociedade trouxeram novas perguntas que não se 
respondia mais por meio de dogmas. Explicar o mundo e a vida que habita nele exigiu 
novas investigações em que todas as hipóteses fossem confrontadas, permitindo-se 
chegar mais perto de possíveis verdades. Assim é o cientificismo: por meio do método 
de investigação, busca auferir resultados mais precisos dos objetos estudados. 
 
Você acha que o surgimento da ciência rompeu com o mito e a filosofia? 
 
A filosofia nunca foi destronada. Sempre ocupou o lugar de reflexão. Por certo, com o 
cientificismo, surgiram novas epistemologias, como antropologia, sociologia, 
psicologia, pedagogia etc., cada uma delas com um olhar específico para seu objeto 
de estudo. 
 
A filosofia passou a ser uma epistemologia que se ocupa da construção do 
pensamento, não é mais responsável pelos grandes tratados, não é mais responsável 
pelas respostas a todas as indagações humanas. Contudo, as correntes filosóficas 
vieram, ao longo da história, trazendo conhecimento sobre subjetividade humana e a 
construção do conhecimento. 
 
A ciência também não suplanta o mito. O que significa que o 
desenvolvimento do pensamento reflexivo racional, por meio da filosofia e 
da ciência, não decretou a morte da consciência mítica. Nas palavras de 
Perine (2002), não há uma descontinuidade radical entre razão e mito, 
justamente porque são dois níveis estruturais da consciência humana. 
Segundo ele, os mitos são indispensáveis, tanto para os indivíduos como 
para as sociedades. Os mitos são como a memória social, que assegura a 
reprodução dos comportamentos da espécie humana. A memória social, 
ou a memória-tradição, é biologicamente indispensável à espécie humana, 
desempenhando para ela a mesma função que desempenha o 
condicionamento genético nas sociedades animais. 
 
 
 
Saiba mais 
Para enriquecer nossa discussão, acesse Mito, o nada que é tudo (café filosófico). 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=HAU1pskcewM
 
 
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O que seria da poesia sem o recurso simbólico literário? Para nossa reflexão, 
fiquemos com a composição A raça humana, de Gilberto Gil. 
 
 
A raça humana (Gilberto Gil) 
 
A raça humana é Uma semana do trabalho de deus 
A raça humana é a ferida acesa. 
Uma beleza, uma podridão 
O fogo eterno e a morte 
A morte e a ressurreição 
A raça humana é o cristal de lágrima 
Da lavra da solidão 
Da mina, cujo mapa 
Traz na palma da mão 
A raça humana risca, rabisca, pinta 
A tinta, a lápis, carvão ou giz 
O rosto da saudade 
Que traz do gênesis 
Dessa semana santa 
Entre parênteses 
Desse divino oásis 
Da grande apoteose 
Da perfeição divina 
Na grande síntese 
A raça humana é 
Uma semana 
Do trabalho de deus. A raça humana é uma semana 
 
 
 
 
 
 
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Tema 2 
Platão: a fundação do modelo de pensamento 
transcendente 
 
 
Platão foi discípulo de Sócrates e, por meio de discursos 
dialogados com seu mestre, escreveu sua filosofia, nela 
expressou a teoria das ideias, na qual diz que os seres 
humanos são feitos de corpo e alma. O corpo é ilusório, pois é 
finito e mutável. A alma é verdadeira, carregando consigo a 
eternidade e a imutabilidade. Para ele, o corpo faz parte do 
mundo sensível e a alma tem acesso ao mundo inteligível. 
Você acha que o autoconhecimento é importante? E como a 
Filosofia pode auxiliar no autoconhecimento? 
 
Vamos entender um pouco sobre o que Platão nos deixou como legado sobre a teoria 
do conhecimento. De fato, se estamos na busca pela compreensão da construção do 
pensamento ocidental devemos entender um pouquinho das ideias de Platão. 
 
Platão viveu no período que vai do ano 428 a 348 a.C. Nasceu em Atenas, dentro de 
uma família aristocrática. Foi discípulo de Sócrates e herdeiro de suas ideias, que as 
redigiu em forma de diálogos. Fundou a Academia em Atenas, uma escola de 
Filosofia, pela qual passou um gênio da Filosofia: Aristóteles. Suas ideias 
influenciaram as filosofias na era Medieval, como Agostinho e Tomás de Aquino. 
 
Platão construiu ideias que diferenciaram o mundo sensível do mundo inteligível. Para 
entender as formas de construção de pensamento que iniciou com Sócrates, é 
necessário ver um pouco do contexto sócio-histórico que gerou tais questionamentos 
sobre o conhecimento. 
 
Chauí (2006) diz que Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da 
Grécia, vivendo seu período de esplendor. Nesse período de desenvolvimento de 
Atenas, floresceu a democracia, e a filosofia vai desempenhar um papel importante, 
especialmente sobre o que significa ser uma democracia e como viver nela. Isso 
requeria o autoconhecimento. Assim, foi com o desenvolvimento de Atenas como um 
grande centro político que a Filosofia inicia com seus conceitos sobre o ser humano e 
como ele conhece. 
 
A seguir, destacamos a seguinte citação de Chauí: 
 
 
“Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si 
mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o 
 
 
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período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, 
particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade. O 
retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais 
importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão.” 
 
(Chauí, 2006, p. 44) 
 
 
A voz filosófica de Sócrates foi registrada por meio dos diálogos com Platão. Contudo, 
qual é a importância de estar falando da construção filosófica de Platão em pleno 
século XXI? 
 
Podemos iniciar respondendo que, nos diálogos de Platão com seu mestre Sócrates, 
fica evidente que é na consciência da própria ignorância que está o começo da 
Filosofia, mas a ignorância não significa falta de capacidade para a busca do 
conhecimento. Por isso que a Filosofia investe na procura pela essência verdadeira da 
coisa, da ideia, do valor, de modo que a definição do conceito não deve vir por meio 
da nossa opinião que temos sobre: nós mesmos, as coisas, as ideias e os valores. 
 
Ora, opiniões estão vinculadas às pessoas e, como somos diferentes, não temos a 
mesma resposta dada à mesma pergunta. É por isso que a Filosofia não tem interesse 
em opinião, ela cria conceitos. 
 
E qual seria a diferença entre opinião e conceito? 
 
Para responder a essapergunta, destacamos mais uma citação de Chauí: 
 
 
“A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É 
instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. O conceito, ao 
contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento 
descobre, mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma 
coisa.” 
 
(Chauí, 2006, p. 45) 
 
 
Por isso, a Filosofia não pergunta se tal ou qual coisa era bela, porque podemos dar 
nossa opinião que seria pessoal. 
 
Nota 
Quando o filósofo pergunta “O que é a beleza?”, ele quer saber sobre a essência, isto 
é, definição do conceito de belo. Assim como outros valores, tais como: verdade, 
felicidade, amor, amizade etc. 
 
É com Sócrates, Platão e Aristóteles que a Filosofia toma forma como Episteme. Isto 
é, um campo de conhecimento fincado na racionalidade. Especialmente porque o 
 
 
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interesse não é somente entender do que o mundo é constituído, mas o que é o ser 
humano que habita esse mundo. 
 
Com a episteme, o pensamento filosófico se desloca da perspectiva 
cosmológica para a antropológica. 
 
Platão, um dos maiores interlocutores do pensamento ocidental, deixou um grande 
legado de produção filosófica. Em sua teoria, ele busca identificar o mundo visível, 
isto é, um mundo das aparências; e o mundo inteligível — o mundo das ideias. O 
conceito platônico das teorias, das ideias, foi a base do pensamento ocidental, 
inclusive alimentou a constituição da teologia cristã na era Medieval. 
 
O mundo dicotômico de Platão é conhecido como a teoria das ideias ou teoria das 
formas. Ele define o mundo sensível como o lugar onde os seres humanos vivem, 
mas há o outro mundo, o inteligível, onde habitam as ideias. Em outras palavras, 
segundo Platão, há um mundo habitado pelas pessoas e outro pelas ideias. 
 
O que isso significa? 
 
O mundo sensível funciona como uma cópia imperfeita do mundo ideal. Assim, nós 
viveríamos em mundo no qual lidamos com as coisas imperfeitas, sendo que, para 
cada uma dessas coisas, haveria uma imagem perfeita no mundo das ideias. 
 
Por exemplo: 
 
 
 
Quando vemos um cavalo, que está no nosso mundo material, o que está 
diante de nossos olhos seria apenas uma cópia da imagem perfeita de 
cavalo do mundo das ideias, que é o mundo inteligível. 
 
Tudo que é ideal e real está no mundo inteligível, isto é, habita o mundo das 
ideias. Tudo que habita o mundo material é aparência, são apenas sombras. 
 
 
 
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Assim como seu mestre Sócrates, Platão entende que o ser humano é composto por 
duas partes: corpo e alma. 
 
Sobre esse olhar para o ser humano, destacamos a citação a seguir, do professor Jair 
Antunes (2011): 
 
 
“ Sócrates acredita que a alma tudo sabe, e se tudo sabe, então não tem que 
aprender, mas tem apenas que recordar aquilo que ela sempre soube, mas que 
esqueceu ao mergulhar nas profundezas do rio do esquecimento. O processo do 
conhecimento é então o de reconhecimento, ou mais precisamente, de rememoração, 
da recordação daquilo que ela já sabia anteriormente, em vida anterior. Por isso, 
Sócrates dirá que conhecer é recordar, é rememorar aquilo que a alma já sabe, mas 
que esqueceu ao passar a fazer parte do mundo sensível. Neste sentido, a filosofia de 
Sócrates (enquanto teoria da reminiscência) tem um telos, uma finalidade, que é o 
caminho ao qual a alma tem que percorrer no mundo sensível presa a um corpo, a fim 
de novamente reencontrar-se com a Ideia do Bem.” 
 
(Antunes, 2011, p. 41) 
 
 
Marilena Chauí (2006) define o inatismo como algo com que nascemos, que está 
alocado em nós desde o nascimento em nossa inteligência; não somente os 
princípios racionais, mas também algumas ideias verdadeiras, que, por isso, 
são ideias inatas. Já o empirismo, afirma que a razão, com seus princípios, 
seus procedimentos e suas ideias, é adquirida por nós por meio da experiência. 
 
A palavra experiência tem origem no idioma grego, na palavra empeiria — com 
o significado de empirismo, conhecimento empírico. Trata-se do conhecimento 
adquirido por meio da experiência. 
 
Para Platão, a alma pertence ao mundo das ideias e o corpo, ao mundo material, que 
é permanente e imperfeito. Nosso corpo habita e acessa o mundo sensível, de modo 
que tudo que vemos aqui é uma imitação, uma cópia imperfeita daquilo que existe no 
mundo das ideias. 
 
 
 
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Em outras palavras, podemos exemplificar as ideias de Platão da seguinte 
forma: quando vemos um objeto, estamos diante de cópias projetadas da 
ideia de objeto visto. Isso porque há uma ideia perfeita, verdadeira e 
permanente desse mesmo objeto no mundo inteligível (ideias). Contudo, 
por meio dos nossos sentidos, só acessamos as tentativas de atingir esse 
ideal. Pelos sentidos, não conseguimos acessar o real. 
 
A ideia do inatismo de Platão também pode ser verificada na filosofia de Descartes, no 
século XVII, que disse “penso, logo existo”, a famosa frase que, em sua concepção, 
desenvolve a teoria das ideias, especialmente porque a única coisa que não se pode 
duvidar é de que pensa. Ele também afirma que as ideias inatas estão em nós desde 
o nascimento, sendo assim que ficou conhecida a teoria do inatismo. 
 
Nota 
Estudaremos os conceitos que permeiam os estudos de Descartes mais adiante na 
disciplina. 
 
O desenvolvimento da ideia do inatismo é demostrada por meio de um dos diálogos de 
Platão com um escravo de Mênon, que era um jovem analfabeto, mas que soube 
resolver o teorema de Pitágoras. 
 
Observação 
Quando lemos a obra de Platão, podemos ver que muitas de suas ideias são 
trabalhadas por meio de diálogos. Aliás, todos os escritos sobre as ideias de Sócrates 
são dialogadas. Era a forma com que ele escrevia sua filosofia. 
 
Como alguém analfabeto, que nunca tinha visto tal problema, conseguiria resolver 
uma questão tão complexa? Com isso, Platão confirma o inatismo, isto é, a teoria da 
reminiscência, uma vez que o escravo de Mênon só teve que buscar em sua razão, 
lembranças daquilo que já era inato nele. 
 
A teoria do inatismo está também no diálogo A República, no qual esboça a sua ideia 
no mito de Er, a que chama de teoria da reminiscência, que postula que já se nasce 
com a razão e as ideias verdadeiras. O papel da Filosofia, então, seria relembrar das 
ideias que já estão em nossas almas. 
 
Observação 
 
O mito de Er 
 
O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali 
chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de 
seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e têm o 
conhecimento verdadeiro. Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras 
 
 
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vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar 
à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas 
podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei, outras de 
guerreiro, outras de comerciante rico, outras de artista, de sábio. No caminho de 
retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o 
Lethé (que, em grego, quer dizer esquecimento), e bebem de suas águas. As que 
bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram; as que bebem pouco 
quase não se esquecem do que conheceram. As que escolheram vidas de rei, de 
guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do 
esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, 
as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que 
conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando 
a razão (Chauí, 2006, p. 86). 
 
O gráfico a seguir demonstra como Platão estruturou sua teoria das ideias. 
 
 
 
É notável, na construção da ideia de Platão, a preocupação com a política de Atenas. 
Como vimos, a filosofia floresce quando a cidade de Atenas se torna um grande centro 
político, social e cultural da Grécia. Ali se desenvolveu a democracia e, por isso, houve 
necessidade de criar conceitos que traziam conhecimento sobre a forma de viver em 
sociedade. Na época de Platão, Atenas estava em florescimento, mas a democracia 
tinha sérios problemas éticos. É na obra A República que ele traz sua teoria sobre a 
decadência da democracia, por falta do entendimento sobre a ética. 
 
 
Sobre isso, destacamos a seguir a citação de Danilo Marcondes (2007): 
 
 
 
 
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“O sábio é, portanto, aquele que, tendo atingido a visão ou o conhecimento do Bem 
pela via da dialética, isto é, da ascensão de sua alma até o plano mais elevado e mais 
abstrato do real, é capaz de agir de forma justa. Pois ao conhecer o Bem, conhece 
também a Verdade, a Justiça e a Beleza. É por este motivo que a concepção ética de 
Platão ficou conhecida como “metafísica do Bem”. A forma do Bem é, por conseguinte, 
o fundamento da ética.” 
(Marcondes, 2007, p. 12) 
 
 
Platão pontua que a Filosofia é a única capaz de dar luz aos governantes e libertá-los 
de suas ignorâncias em relação à verdade. Essa teoria está bem explicitada no Mito 
da Caverna. 
 
O mito da caverna é um dos textos de Platão mais conhecidos; ainda é muito real na 
atualidade. Especialmente quando nos recuamos para entender e investigar a 
verdade, escolhendo reagir a pensar no lado da sombra. 
 
MUNDO VISÍVEL MUNDO INTELIGÍVEL 
Objetos sensíveis 
Imagens 
Ideias, sombras e figuras 
Objetos Matemáticos 
Animais, plantas, vasos fabricados 
 
OPINIÃO 
Imaginação | Crença 
CIÊNCIA 
Pensamento | Inteligência 
 
 
 
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O mito da caverna 
 
Uma das passagens mais conhecidas da Filosofia clássica é o mito da 
caverna. Platão cria uma alegoria que está registrada na obra A 
República, no livro VII. Nesse relato, ele vai ilustrar a funcionalidade da 
teoria das ideias. Resumidamente, o mito conta que algumas pessoas, 
desde que nasceram, viveram acorrentadas e imóveis numa caverna 
subterrânea, de modo que não podiam se mover. A caverna tinha uma 
entrada de luz que projetava sombras na parede diante deles, já que só 
podiam ver o que estava à frente. Os objetos projetados pela luz, que fazia 
as sombras se moverem na parede, partiam das pessoas que passavam 
atrás de um muro, carregando variadas coisas em suas cabeças. Essa era 
a única realidade conhecida pelos presos dentro da caverna. 
 
Mas, em um determinado dia, um dos prisioneiros consegue se libertar. 
Saindo da caverna, inicialmente, vê a luz e seus olhos, que não estavam 
acostumados com o brilho, sofrem forte dor. Contudo, persiste e consegue 
entender que fora da caverna há uma outra realidade. 
 
Ao descobrir que dentro da caverna viu apenas as sombras, percebendo a 
realidade, decide voltar para avisar aos outros sobre a sua descoberta. 
Mas ele não consegue persuadir os outros, que se mantêm firmes na 
proposta de acreditar que a realidade eram as sombras projetadas na 
parede. Assim, ele é taxado de louco, sofre agressões e, por fim, é morto. 
 
(Fonte: Adaptação de PLATÃO. A República. 9. ed. Bauru: Edipro, 2001. Livro VII.) 
 
 
 
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/8545492/mod_resource/content/1/A%20Rep%C3%BAblica%20-%20Plat%C3%A3o.pdf
 
 
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Tema 3 
Aristóteles e a fundação do indivíduo 
 
 
É bem complexo entender sobre quem somos. Foi sobre esse 
assunto que Aristóteles encaminhou sua filosofia, porque quis 
entender o ser enquanto ser. Uma das coisas importantes 
trazidas por ele para traçar seu conhecimento foi o conceito de 
felicidade, que nominou de Eudaimonia. Ele diz que a 
Eudaimonia só pode ser vivida por meio da virtude. Você 
concorda com o filósofo? Seria feliz a pessoa que vive uma 
vida moralmente dentro de princípios? Como você entende a 
felicidade como um conceito ético? 
 
Então, estamos com mais um dos filósofos que compõem a tríade da Filosofia Antiga. 
Agora trazendo a contribuição de Aristóteles. Por certo, esse foi um dos gênios da 
Filosofia na era antiga. Aristóteles é considerado um filósofo completo, pois seu campo 
de estudos incluía Metafísica, Física, Astronomia, Lógica, Biologia, Ética e Política. 
 
Aristóteles viveu no período que compreende os anos de 384 a 322 a.C., pertencia a 
uma família de médicos da cidade de Estagira, ao norte da Grécia. 
 
Nota 
Seu pai era médico de Felipe, rei da Macedônia. 
 
O filósofo foi aluno da Academia de Platão em Atenas, permanecendo ali por cerca de 
20 anos. Após a morte de Platão, saiu da academia e fundou sua própria escola: o 
Liceu. 
 
Nota 
Consta em sua biografia que foi professor do filho de Felipe, Alexandre, que veio a se 
tornar um dos maiores conquistadores do mundo antigo. 
 
Aristóteles conheceu as teorias de Platão e Sócrates acerca do conhecimento, 
contudo, não seguiu essa linha de raciocínio. Com o Liceu, fundado em 335 a.C., 
Aristóteles traz uma nova forma de pensar para seus alunos, contrapondo-se à 
Academia de Platão. 
 
Os alunos do Liceu ficaram conhecidos como peripatéticos por discutirem 
filosofias durante os passeios pelos jardins. 
 
 
 
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Uma das novidades é que ele não usa o diálogo para produzir suas obras. Elas estão 
organizadas em forma de tratados, nos quais registrou suas investigações acerca de 
muitos assuntos. 
 
Para atingir nosso objetivo neste tema, abordaremos a percepção de Aristóteles em 
relação ao conhecimento. Como já foi mencionado, ele se distancia da teoria de 
Platão em relação à constituição do ser. 
 
Segundo Chauí (2006), os filósofos Platão e Aristóteles introduziram na 
filosofia a ideia de que existem diferentes maneiras de conhecer, ou seja, 
haveria graus de conhecimento, que se distinguiriam pela ausência ou 
presença do verdadeiro, pela ausência ou presença do falso. 
 
 
Como estudamos anteriormente, segundo Platão, há duas formas de conhecimento, 
que são: 
 
• O conhecimento identificado como conhecimento sensível, que é trazido até 
o sujeito por meio da crença e opinião. 
• O conhecimento que vem pelo intelectual, mediado pelo raciocínio e intuição. 
Somente pelo intelectual se chega à verdade. 
 
Vamos entender a diferença entre Platão e Aristóteles e as suas formas de entender 
os graus de conhecimento. 
 
Para Aristóteles, pode se chegar ao conhecimento por meio da sensação, percepção, 
imaginação, memória, raciocínio e intuição. O conhecimento vai sendo formado e 
enriquecido por acumulação das informações trazidas por todos os graus. Ele não 
divide o mundo do conhecimento sensível e inteligível. 
 
Nota 
Chauí (2006) pontua que, na percepção de Aristóteles, não há uma ruptura entre o 
conhecimento sensível e o intelectual, ele estabelece uma continuidade entre eles. 
 
Segundo Marcondes (2007), a filosofia de Aristóteles é de caráter mais sistemático e 
analítico, dividindo a experiência humana em três grandes áreas, que são: 
 
• O saber teórico, ou campo do conhecimento. 
• O saber prático, ou campo da ação. 
• O saber criativo ou produtivo. 
 
 
 
 
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A professora Marilena Chauí define, da seguinte forma, a filosofia de Aristóteles: 
 
 
“A distinção dos campos do conhecimento verdadeiro, sistematizados por Aristóteles 
está dividida em três ramos: teorético (referente aos seres que apenas podemos 
contemplar ou observar, sem agir sobre eles ou neles interferir), prático (referente às 
ações humanas: ética, política e economia) e técnico (referente à fabricação e ao 
trabalho humano, que pode interferir no curso da Natureza, criar instrumentos ou 
artefatos: medicina, artesanato, arquitetura, poesia, retórica.” 
 
(Chauí, 2006, p. 141) 
 
 
 
Uma das construções teóricas de Aristóteles está na obra denominada Filosofia 
Primeira. 
 
Essa obra é conhecida como Metafísica, termo oriundo do grego tá méta tá phýsica, 
que significa “depois da física”. 
 
A metafísica aristotélica busca compreender as estruturas do mundo por meio da 
ontologia. Isto é, para Aristóteles, a metafísica se faz pela via ontológica porque 
procura conhecer o mundo por meio do ser. A ontologia é um dos conceitos 
importantes na filosofia aristotélica, porque ele se volta a estudar o ser e sua forma de 
adquirir o conhecimento. Ontologia é o estudo do ser, para Aristóteles era entender o 
ser enquanto ser. 
 
No pensamento grego, especialmente em Platão e Aristóteles, compreendia-se ser 
humano a partir da composição corpo e alma. 
 
No entanto, o grande discurso sobre a ontologia está intimamente associado à 
questão de Aristóteles, quando buscou compreender o ser enquanto ser. 
 
 
Aristóteles entende o ser humano como um todo, isto é, uma unicidade. 
 
 
No esquema a seguir, apresentamos de forma sistemática a perspectiva ontológica 
prevista por Aristóteles. 
 
 
 
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Ser humano + Corpo = Alma 
 
 Matéria Forma 
 
 
 
É um todo. Descarta o dualismo platônico e a 
imortalidade da alma. Ao morrer, transforma a 
substância e o corpo deixa de ter a forma de 
alma e passa à forma de cadáver. 
 
 
Observe que Aristóteles pensa diferente de Platão porque não separa o 
ser. Para ele, não há a separação de realidade e aparência em dois 
mundos diferentes, mas há único mundo no qual existem essências e 
aparências. 
 
É de conhecimento geral que a obra de Aristóteles é ampla e complexa, mas não 
podemos deixar de entender como ele teorizou acerca da construção de 
conhecimento, afinal, suas ideias influenciaram a construção do pensamento ocidental 
na era medieval, especialmente na filosofia de Agostinho e Tomás de Aquino. 
 
E o que é conhecimento? Qual é a origem do conhecimento? 
 
Dentre as teorias de Aristóteles, o conhecimento é o resultado de uma busca 
incessante que o ser tem pela verdade e pela compreensão do mundo ao seu 
redor. O conhecimento não era apenas uma questão intelectual, é também moral e 
prático. 
 
Assim, a filosofia aristotélica divide-se nas três áreas anteriormente mencionadas — o 
saber teórico, o saber prático e o saber criativo ou produtivo. É na área de 
conhecimento prático que ele desenvolve a teoria da eudaimonia, o termo grego que 
significa felicidade. 
 
O que seria a felicidade para Aristóteles? 
 
 
 
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Vamos entender como a felicidade é trazida para ser pensada pela teoria aristotélica, 
começando pelo destaque a seguir, da citação do professor Marcondes: 
 
 
“No sistema de Aristóteles, a ética, juntamente com a política, pertence ao domínio do 
saber prático, que pode ser contrastado ao saber teórico. Enquanto no âmbito do 
saber teórico, que inclui a metafísica, a matemática e as ciências naturais, sobretudo a 
física, o objetivo é o conhecimento da realidade em suas leis e princípios mais gerais, 
no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir 
da melhor forma possível tendo em vista o nosso objetivo primordial que é a felicidade 
(eudaimonia), ou a realização pessoal.” 
 
(Marcondes, 2007, p. 28) 
 
 
A felicidade só pode ser vivida por meio da ética, virtude e valores. Em outras 
palavras, conhecer algo implicava em agir eticamente de acordo com esse 
conhecimento. É desse lugar que pode viver a eudaimonia. 
 
A ideia de eudaimonia está associada à área da prática. Para entendermos o motivo, 
apresentamos a citação a seguir, novamente do professor Marcondes (2007): 
 
 
“O termo eudaimonia pode ser entendido também como bem-estar, principalmente 
como bem-estar em relação a algo que se realiza” (Marcondes, 2007, p. 29), por isso, 
está associada à área da prática.”Como a filosofia é uma ciência racional, o filósofo pontua os métodos de adquirir 
conhecimento por meio da observação, da experiência e da intuição. O conhecimento, 
segundo ele, é adquirido por meio da observação cuidadosa da realidade, da 
experiência prática e até mesmo da intuição. Ele enfatizava a importância de estudar 
os fenômenos naturais e analisar suas causas e consequências para obter um 
conhecimento mais profundo. 
 
Ressalta-se, na filosofia aristotélica, a existência de uma relação entre 
conhecimento e virtude. Em outras palavras, aprender influencia as ações 
morais. 
 
No gráfico a seguir podemos resumir a teoria do conhecimento aristotélico. 
 
 
 
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Notamos que, na teoria de Aristóteles, o conhecimento é um processo em parte da 
sensação que passa pela imaginação e acaba no entendimento. Todo esse processo 
recebe o nome de abstração, pois o entendimento atua sobre as imagens, separando 
tudo o que tem elas de particular e concreto para formar o conceito. 
 
A teoria aristotélica não é mais a ideia platônica que estava no outro mundo: sua teoria 
é abstraída da imagem. 
 
O ato de conhecer está vinculado ao processo de viver bem e, por isso, Aristóteles 
deixou muitos escritos sobre ética e política. Na sua visão, a ética e a política não 
podem ser separadas, porque ambas constituem a chamada filosofia prática e ética. 
A ética é fundamental, sendo vista como o lugar de reflexão filosófica sobre as ações 
humanas. 
 
É por meio da forma reflexiva da vida que o ser humano pode alcançar a 
Eudaimonia. 
 
A felicidade se identifica com vida vivida por meio dos princípios éticos que, atrelado à 
atividade intelectual, conduz o ser humano a uma forma plena de vida. Por isso que 
sua filosofia acentua o valor da virtude. Trata-se de um valor que está ligado ao 
conhecimento. 
 
Só é possível agir corretamente quando se tem um entendimento do que é bom e 
correto. Nesse sentido, é a razão que orienta a pessoa para que se evite o mau ou o 
defeito. 
 
Nota-se que Aristóteles coloca a lógica como o principal lugar de construção de 
pensamento racional. Está na lógica a arte de orientar o pensamento que ajuda o ser 
humano a perceber e desviar do erro. A lógica aristotélica tem como objetivo estudar a 
relação do pensamento com a verdade. 
 
Na explicação de Chauí (2006), Aristóteles criou a lógica propriamente dita, que ele 
chamava de analítica. A lógica aristotélica é um instrumento que antecede o 
 
 
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exercício do pensamento e da linguagem, oferecendo-lhes meios para realizar o 
conhecimento e o discurso. 
 
Enfim, pelo que vimos neste tema, podemos entender como as ideias de Aristóteles 
são tão necessárias para entender o ato de filosofar. Especialmente porque suas 
teorias foram retomadas e discutidas por diversos filósofos na era medieval e 
moderna. 
 
Saiba mais 
 
ÉTICA A NICÔMACO 
O conceito de felicidade 
 
Aristóteles, na obra dedicada a seu filho, Nicômaco, denominada de Ética a 
Nicômaco, nos capítulos 4 ao 7 do Livro I, desenvolve o conceito de felicidade 
(eudaimonia). Segundo Marcondes (2007), o termo eudaimonia pode ser entendido 
também como bem-estar em relação a algo que se realiza. 
 
Na concepção de Aristóteles, a eudaimonia é o fim último, que todos os seres 
humanos visam mediante a todas as outras coisas que são possíveis de serem 
realizados por vontade e ação humana. 
 
Veja o que ele afirma no livro I capítulo 6: 
 
 
“Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada 
sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao 
prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos (pois, 
ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada um deles); mas 
também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse deles nos 
tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destes, 
nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria.” 
 
(Aristóteles, 1991, p. 7) 
 
 
Para Aristóteles, a felicidade era algo peculiar ao ser humano. Ele considera a 
felicidade como “a mais desejável de todas as coisas, sem contá-la como um bem 
entre outros” (Livro I, cap. 6). Marcondes (2007) diz que a noção de felicidade é central 
à ética aristotélica e, que, por esse motivo, é caracterizada como “ética eudaimônica”. 
A felicidade é, portanto, algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da 
ação. 
 
Em resumo, podemos entender que Aristóteles via na felicidade (eudaimonia) o bem 
supremo destinado ao ser humano. Necessária para fazer da vida uma plenitude. 
 
 
 
 
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Tema 4 
O objeto do pensamento na lógica estoica dos 
teóricos gregos e romanos 
 
 
O estoicismo deixou uma marca de integridade moral 
que deve ser vivida a qualquer prova. Para o estoico, a 
integridade, a paz de espírito, a autonomia, a felicidade 
depende apenas de nós mesmos. Na nossa sociedade 
atual, em que há uma crise moral, perpassada por 
corrupção, fake news entre tantas situações 
complexas, essa corrente filosófica afirma que está na 
reflexão racional, sobre nós mesmos, por meio da 
integridade ética, o lugar onde é possível viver feliz. 
Como você entende a reflexão e como ela pode nos 
auxiliar a viver uma vida harmônica? 
 
Vamos entender sobre essa corrente filosófica que tem como tema a arte de viver 
bem. O estoicismo é uma filosofia que se propôs a elaborar uma teoria que estivesse 
voltada para a busca de um modo sábio de conduzir a vida nas circunstâncias 
cotidianas, sejam elas boas ou ruins, por isso, é chamada de filosofia da vida. Ela 
propõe a arte de viver. Ressaltamos que, para o estoicismo, saber viver bem não está 
vinculado à classe social, política ou racial, por exemplo. O Imperador Marco Aurélio 
foi orientado pela filosofia de Epicteto, um escravo. Indica que é uma filosofia que 
serve a reis e escravos, porque todos nós vivemos. O importante é saber conduzir a 
vida. 
 
Nós vivemos! 
Viver é uma arte? 
 
Como já tinha dito Sócrates, uma vida não refletida não merece ser vivida. A vida é um 
lugar de reflexão. Por isso, é um dos lugares de onde partem nossos 
questionamentos. É refletindo que buscamos o sentido de nossa vida. 
 
É esse o assunto de nossa temática. Falaremos sobre uma filosofia que teve grande 
influência na construção do pensamento ocidental, pois trouxe para o debate os 
problemas que mais afligem as pessoas. Aliás, vamos notar que o interesse estoico 
não são as grandes questões da humanidade, como o surgimento do universo ou 
sobre o que existia antes dele, ou sobre os grandes tratados sobre ontologia, 
metafísica da filosofia antiga. Para o estoico, nada dessas grandes discussões era tão

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