Prévia do material em texto
Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Construção do Pensamento Nesta disciplina discutiremos um conjunto de questões sobre a construção do pensamento filosófico na sociedade ocidental. Somos seres humanos e raciocinamos, mas a forma como adquirimos o saber veio sendo debatido ao longo da história, como vamos observar com o estudo desta disciplina. Portanto, nosso objetivo é entender como a Filosofia nos ajuda a construir o conhecimento. Se formos buscar uma definição de “conhecer”, podemos ver que vem do Latim, cognoscere, que significa aprender, procurar saber. A partir desse significado, você pode se perguntar: atualmente nós procuramos saber? Se sua resposta for sim, saiba que a procura pelo conhecimento requer observação e investigação, ou seja, quer dizer que exige “gasto de energia”. Conhecer implica ir além da observação de dados sem reflexão, repetindo-os sem analisá-los. A busca pelo conhecimento não é só atentar para as redes, ou ler o Google. Conhecimento implica numa reflexão sobre o objeto que deseja conhecer. É aí que entra o papel da Filosofia, pois ela instiga uma procura reflexiva e racional. Nesta disciplina, veremos que a construção do pensamento veio perpassado por etapas evolucionistas, sendo a Filosofia parte dessa evolução. Ela nasce para ampliar o pensamento direcionado para o racional, que buscava respostas sobre o funcionamento do universo e da vida. Afinal, é em torno da vida e do mundo em que vivemos que nascem nossas grandes perguntas. Não é mesmo? Portanto, nosso estudo pretende discutir sobre a construção do pensamento ao longo dos temas das unidades, para fins de cumprimento dos objetivos propostos para esta disciplina. Na Unidade 1 faremos um percurso pelos caminhos da história para entender como veio evoluindo a construção do pensamento ocidental. Na Unidade 2 nosso assunto será a construção do pensamento na modernidade e a descoberta do sujeito; na Unidade 3 pretendemos trazer o assunto para a pós-modernidade e as rupturas na construção do pensamento; e, por fim, na Unidade 4 entenderemos o pós- estruturalismo e a desconstrução da estrutura formal de pensamento baseada na razão. É muito importante conhecer os assuntos discutidos para o seu aprendizado. Não se preocupe com as dúvidas, pois esta disciplina gosta de dúvidas, afinal, o que seria a Filosofia se não fosse a famosa dúvida? Bons estudos! Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Objetivos Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de: • Entender o valor da Filosofia para a construção do pensamento ocidental. • Capacitar os educandos para a interpretação de textos ao apresentar as correntes da Filosofia. • Iniciar os educandos nas principais questões filosóficas que norteiam a construção do pensamento ocidental. • Auxiliar os educandos no processo reflexivo de compreender a si mesmos, a sociedade e o mundo que os cercam, estimulando-os para busca de maior autonomia no ato de pensar, agir e se comportar. Conteúdo Programático Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades: • Unidade 1 – A trajetória histórica na construção do pensamento • Unidade 2 – A construção do pensamento na modernidade e a descoberta do sujeito • Unidade 3 – A pós-modernidade e as rupturas na construção do pensamento • Unidade 4 – O pós-estruturalismo e a desconstrução da estrutura formal de pensamento baseada na razão Autoria Marli Wandermurem Licenciada em Letras (1986), licenciada em Filosofia (2015), bacharela em Administração (2010), bacharela em Teologia (2009). Especialista em Metodologia do Ensino Superior com Ênfase em Novas Tecnologias (2007), especialista em Teologia Feminista (2001), mestre em Ciências da Religião, área de Literatura e Religião (1998) e doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista em São Paulo (2002). Coordenadora e pesquisadora do Núcleo de Estudo Interdisciplinar sobre Gênero e Religião. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. A trajetória histórica na construção do pensamento O objetivo deste estudo é compreender como o pensamento foi se construindo ao longo da nossa história. No entanto, cabe destacar algo muito importante, que é a delimitação de nosso campo de estudos. Isso significa que nossos diálogos sobre esse assunto pretendem abarcar apenas as propostas de alguns estudiosos que contribuíram para a nossa compreensão de como vem sendo construído o ato de conhecer no contexto da sociedade ocidental. Nós, como seres humanos que somos, perguntamos. Questionamos por que queremos saber como e para que as coisas existem, o que são os fenômenos, a existência de todas as leis que regem nossa vida, entre tantos outros questionamentos. É bem natural questionar. Como já disse Sócrates, uma vida não questionada não merece ser vivida. Duvidar e acreditar é parte de nosso cognitivo. No entanto, as respostas que nos foram dadas ao longo da história não partiram do mesmo campo de conhecimento. Em outras palavras, a humanidade já recebeu explicações sobre a vida e o mundo em que vive por meio do Mito, da Filosofia e da Ciência. Assim, nesta unidade veremos como evoluíram os campos de conhecimento: nascendo com a Mitologia, passando pela Filosofia e chegando ao Cientificismo. Observação Até o final do século VIII a.C., a Mitologia era responsável para dar as explicações para a realidade existente sobre a terra. A partir do momento em que a humanidade começou a meditar sobre o funcionamento do universo, da vida, e a buscar explicações racionais para o mundo, nascem os primeiros passos para o surgimento da Filosofia. Então, a mitologia foi o primeiro campo de explicação sobre as dúvidas das antigas civilizações. Aliás, era a única forma de elucidar o que eram os fenômenos. A Filosofia surgiu dentro do contexto da Mitologia Grega. Destacamos que a religiosidade interferia e moldava o pensamento e as atitudes do povo grego, que tinham deuses para todas as atividades que existiam em sua sociedade. A Ciência, ou o método científico como o conhecemos hoje, nasceu dentro da Filosofia. É bom ressaltar que as sociedades antigas também possuíam suas ciências, conhecimento voltado para a observação empírica, diferentemente da Ciência moderna, que trabalha de forma sistemática e racional. Ela estuda o objeto do conhecimento por meio do método científico. Você já conhece o período histórico que foi chamado de “era das trevas”. Essa denominação se refere ao período em que a Filosofia ficou submetida ao domínio Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reproduçãoTodos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. relevante se a vida não faz sentido, isto é, se a pessoa não entendeu a arte de viver. As pessoas lidam com as incertezas da vida, os anseios do coração, e nem sempre procuram respostas para as contradições do existir. A arte de viver está em entender como lidar com as contradições e manter o controle sobre elas. É por isso que a filosofia estoica deve ser trazida para a reflexão. Entender a proposta filosófica do estoicismo é fundamental porque é ela que tem a proposta da arte de viver. E o que é viver? Questionamentos fazem parte da existência humana. Não há intervalo na história humana em que não tenha se perguntado, ao menos uma vez: o que é a vida? Por exemplo, em obras literárias poéticas, podemos encontrar uma variedade de reflexões que partem dessa pergunta. Uma delas é a de Gonzaguinha. O que é, o que é? (Gonzaguinha) E a vida o que é? Diga lá, meu irmão Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão, ê ô! Mas e a vida, ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? Meu irmão Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo. É uma gota, é um tempo, que nem dá um segundo. Há quem fale que é um divino mistério profundo. É o sopro do criador, numa atitude repleta de amor. Você diz que é luta e prazer. Ele diz que a vida é viver. Ela diz que melhor é morrer, pois amada não é E o verbo é sofrer Eu só sei que confio na moça, e na moça eu ponho a força da fé Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser Sempre desejada, por mais que esteja errada Ninguém quer a morte. Só saúde e sorte E a pergunta roda e a cabeça agita. Eu fico com a pureza da resposta das crianças É a vida, é bonita, e é bonita. Viver e não ter a vergonha de ser feliz Cantar e cantar e cantar A beleza de ser Um eterno aprendiz Ah meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser Bem melhor e será Mas isso não impede Que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. E aí, o que você achou da resposta de Gonzaguinha? É sobre esses questionamentos que nasce a filosofia estoica, que se propôs a alcançar um modo sábio de conduzir as circunstâncias cotidianas; a buscar o domínio da arte de viver. Viver requer reflexão! Sobre a ideia de reflexão, destacamos a citação a seguir, de Marilena Chauí: “Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo. A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento.” (Chauí, 2006, p. 12) Essa corrente filosófica se desenvolveu no período histórico helenístico — o último período da filosofia antiga. Com a entrada do império romano na região, o mundo grego sofreu uma mudança social que finalizou o tempo da polis como centro político. Vamos entender um pouco mais sobre o contexto do surgimento do estoicismo. O termo “estoicismo” vem de Hélas, que era uma antiga região onde se fixaram as cidades-estados da Grécia e o povo era denominado de helenos. O helenismo é conhecido como a influência da cultura grega em toda a região do Mediterrâneo Oriental e do Oriente próximo, que se iniciou com as conquistas de Alexandre, o Grande, no ano de 332 a.C. e foi até a conquista romana do Egito no ano 30 a.C. Você sabia que Roma sabia a arte de guerrear, mas não dominava a arte de filosofar? É isso mesmo. Apesar do domínio político da região, Roma não consegue suplantar a cultura helênica grega. Ao contrário, ela a absorveu, adotou o conceito dos seus deuses e não conseguiu superar a língua grega koiné em toda a região dominada pelo helenismo. A cultura helênica era muito elaborada e tinha vários instrumentos de implementação, como o exército, a língua grega (koiné) e os grandes festivais, que somavam quatro, nos quais circulavam visitantes de todas as partes do mundo grego, além de artistas: músicos, atores, poetas, políticos e atletas. Nesses festivais, enfatizavam-se a unidade Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. do ethos grego, incentivavam-se a prática do atletismo, que era uma característica do helenismo, como uma postura social civilizada, e também se estimulavam as artes, especialmente a poesia, a música, a escultura e a pintura. Em resumo, os quatro grandes festivais eram: olímpico, celebrado em Olímpia a cada quatro anos; o pítico, realizado em Delfos no terceiro ano de cada Olimpíada, em agosto-setembro, para celebrar a vitória de Apolo sobre a serpente Píton; o ístmico, que era celebrado no istmo de Corinto em honra de Melicertes, um grego divinizado que morre afogado e cujo cadáver aparece em uma praia do istmo de Corinto; e o nemeu, realizado a cada dois anos no vale de Nemea, dois meses após o festival ístmico, celebrado em honra de Ofeltes, morto durante a expedição dos Sete contra Tebas. A cultura helênica vai do início do Império Macedônico, por volta do ano de 332 a.C., até o início da Filosofia Medieval, porque há influência grega nos escritos de Agostinho de Hipona, que era um retórico, antes de tornar-se bispo da religião cristã. Por certo, houve a influência da Filosofia Grega e das escolas fundadas no início do helenismo, que permaneceu durante o Império Romano, na região. Era pela língua grega koiné que se passava a erudição dos escritores e se definiam os conceitos, inclusive os relacionados à religião cristã. Somente com a cristianização do Império Romano que se traduziu o texto sagrado para o latim, utilizando a Septuaginta (LXX), que estava na língua grega, para a língua latina. Essa tradução é conhecida como Vulgata, escrita no século IV, no ano de 382. O surgimento dessa forma de viver está baseado na cultura helênica, que já não vivia segundo os conceitos da tríade filosófica da Idade Antiga, porque diziam que a felicidade estava em viver moralmente na sociedade. Já a tese helenística diz que o que conduz à felicidade está no próprio ser humano e não fora, nas coisas externas. A pessoa helênica não precisa de uma polis politicamente organizada, nem de riquezas, alma imortal, nem de deuses, nada além dele mesmo para ser feliz. A única coisa da qual depende é de sua razão, que está nele, para guiá-lo na condução de um caminho correto, de onde ele constrói sua arte de viver. Essa é a proposta do estoicismo. Para eles, a felicidade real depende da pessoa, tudo que precisa é voltar-se para si e desempenhar tudo o que depende dele. O helenismo marcou uma época. Foi de dentro das escolas helenísticas que nasceram as filosofias que estavam envolvidas com a arte de viver. Entre elas,o estoicismo, que nasceu na Grécia; contudo, seu desenvolvimento foi intensificado em Roma. E qual é a base da arte de viver bem? Para o estoico, não se constrói a arte de viver feliz sem entender a ordem cósmica. Sua forma de pensar está arrolada a três pontos, que são: o Kosmos, a razão e a Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. ética. Esses três pontos devem estar sempre unidos. É importante observar o conceito de Kosmos na proposta filosófica estoica. Nas palavras de Chauí (2006), os estoicos têm o mundo como sua cidade e as pessoas são cidadãos desse mundo, que é ordenado, lógico e racional. Entende que o humano é um micro dentro do macrocosmo, sendo o Kosmos uma essência viva. É ordenado e estruturado, regido por suas leis, que o torna belo e harmônico. A filosofia estoica utiliza a natureza como lugar de refletir suas teorias sobre a vida. É uma filosofia cosmopolita, pois suas teorias estavam voltadas para entender a natureza, o ser humano e as relações entre eles. É em harmonia com a essência viva e ordenada da natureza que o humano que se entende parte integradora desse lugar, desenvolve uma reflexão por meio da razão e, por meio da ética, cria a arte de viver feliz. É com o objetivo de responder sobre a arte de viver bem, que o estoicismo surge com sua proposta. Como vimos, nasce no período helênico, uma cultura na qual se desenvolveu o pensamento de que viver depende do próprio ser humano. Assim, os questionamentos estoicos giram em torno de “como viver?” ou “o que é ser um cidadão do Kosmos?”. O interesse dos filósofos estoicos estava em viver a virtude da alma. Como vimos nos estudos sobre Aristóteles, ele entendia a ética associada à ação prática, que não podia ser separada da política, de modo que as práticas éticas e virtuosas do ser humano definem o lugar onde ele pode ser avaliado. Nota Essa teoria foi descrita na Ética a Nicômaco. O Império de Alexandre descaracterizou a polis, inviabilizando a teoria de Aristóteles, que estava associada à ideia de polis, não pode mais ser vivenciada. O império macedônico tem início em 334 a.C., quando Alexandre, rei da Macedônia, controla toda a Grécia, derrotando os persas. A capital da Macedônia estava situada ao norte da Grécia, era semigrega, o que significa que os gregos de origem começam a viver em contato com populações não gregas, e por isso os atenienses os qualificam como bárbaros. Alexandre conquista a hegemonia sobre a Grécia. Ressaltamos que as cidades gregas tinham autonomia, isto é, eram cidades-estados. Mantinham sempre um perfil belicoso e rivalidade entre si. Foi isso que permitiu a conquista de Alexandre. Com política e sem escrúpulos, explorou as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. Era filho de Filipe II com Olímpia, uma princesa do Épiro. Nasceu em 356 a.C. e dos 13 aos 16 anos teve como preceptor o filósofo Aristóteles. Alexandre viveu por algum tempo em Épiro, com sua mãe, quando seu pai, Felipe II, se casou com a sobrinha de Átalo, um nobre macedônio, em 337 a.C. Olímpia volta Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. para sua terra com Alexandre, que ficou por um ano se falar com o pai. Retorna à Macedônia em 336 a.C., quando o pai foi assassinado, possivelmente por vingança de Olímpia. É sabido que Alexandre tinha conhecimento do assassinato e ele assume o poder com 20 anos de idade, conquistando um dos maiores impérios conhecidos. Unificou seu império por meio da língua koiné, um dos pilares da cultura helênica. O império macedônico instituiu a cultura helênica e, como já vimos, o helenismo influenciou o estoicismo e, por meio da concepção de pensamento helenístico, conceitua o ser humano como aquele que se define como responsável pelo controle de si e de suas ações. Portanto, busca entender a vida nas querelas de sua própria existência. Isso significa que não está mais vinculada à polis. A fundação do estoicismo é atribuída a Zenão. A tradição nos conta que a inspiração por uma vida reflexiva veio após sobreviver a um naufrágio no qual perdeu suas posses. Após essa tragédia, ele partiu para Atenas, onde diz ter encontrado o caminho da racionalidade, com a qual aprendeu como reagir diante da imprevisibilidade da vida. Assim, o estoicismo iniciou sua trajetória. A razão é um dos pilares dessa filosofia. Já que o desequilíbrio na vida está muito associado às emoções, a racionalidade é empregada para lidar com as sensibilidades emocionais, pois são elas que causam as reações que fazem da vida um lugar de paz ou a expulsa do paraíso. Por isso, a razão é fundamental, e, no estoicismo, usa-se a razão para controlar a emoção. Suas teorias objetivam o controle das emoções para evitar os vícios das paixões e cultivar as virtudes. De forma bem simples, podemos dizer que o estoicismo traz a ideia de que a forma de ser feliz reside na própria pessoa, independentemente das circunstâncias externas, que, apesar de existirem, não podem nos impedir de sermos felizes. Isso porque as circunstâncias serão vividas de acordo com a reação que daremos a elas. Apesar de ter seu início na Grécia, contudo, foram os estoicos romanos que influenciaram a sociedade ocidental. As obras do período romano são bem conhecidas e os principais nomes são: • Sêneca (cerca de 4 a.C.-65 d.C.). • Epicteto (cerca de 50-130 d.C.). • Marco Aurélio (121-180 d.C.). Sêneca viveu entre os anos 4 a.C.-65 d.C., foi filósofo, escritor e político. Nascido em família ilustre e criado em Roma, onde estudou retórica e filosofia. Sua vida foi bem conturbada pelas tragédias, esteve exilado em Córsega, onde viveu até 49 d.C. Volta para Roma e, durante os anos de 54 e 62 d.C., foi conselheiro de Nero. Foi condenado ao suicídio, por Nero, em 65 d.C. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Filósofos estoicos A seguir, apresentamos brevemente os principais pensadores do estoicismo. Sêneca As bases do estoicismo romano se firmaram com Sêneca, cujas ideias foram retomadas por Epicteto e Marco Aurélio, posteriormente. Sêneca entendia que o pensamento deve estar a serviço da organização moral da vida humana. Nota Nessa corrente de pensamento, a pergunta sobre o que é o ser humano é sempre posta em discussão. Epicteto Epicteto foi o segundo nome do estoicismo romano. Nasceu escravo por volta de 55 d.C., em Hierápolis, foi jovem para Roma e serviu na casa de Epafrodito, um secretário de Nero (37-68). Sua sabedoria alcançou destaque e ensinou em Roma até 94 d.C. O reinado de Domiciano, de 81 a 96, foi um período de varredura dos filósofos, fazendo com que ele saísse de Roma e fundasse sua escola em Nicópolis, uma cidade localizada na costa oeste da Grécia, ondefaleceu em 135 d.C. Sua filosofia inspirou o imperador Marco Aurélio, que deixou uma espécie de diário, publicado após sua morte, com o nome Meditações. Nesse diário, fica claro que teve influência da filosofia do escravo. Os estudos de Epicteto foram registrados por um de seus discípulos, que compilou o famoso Encheiridion de Epicteto. O nome da obra vem de uma espécie de faca pequena que se carregava no bolso para se defender. Assim, metaforicamente, entendia-se que essas anotações que se carregavam nos bolsos eram instruções que serviam em momentos de confrontos da vida com a adversidade. Marco Aurélio O terceiro nome na filosofia estoica é a do filósofo imperador Marco Aurélio (121-180 d.C.), que era o homem mais poderoso de seu tempo, travou duras batalhas contra os bárbaros e venceu todas. Quando lemos sobre sua biografia, podemos perceber o quanto a sua vida foi conturbada: lidou com uma série de guerras e, nesse período, houve uma assolação de pessoas com a pandemia da peste antonina. A peste devastou cerca de cinco milhões de pessoas, levou à morte prematura vários de seus filhos e, provavelmente, a sua própria vida. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Qual foi o legado desses três pensadores estoicos? São eles a origem da concepção sobre a possibilidade de uma vida feliz somente em harmonia com a natureza, pois o ser humano é parte integrante da natureza. Para eles, o Kosmos é uma totalidade, é ordenado, é belo, é realidade e é justo. A vida está em estreita relação com a natureza, portanto, a sabedoria estoica está na forma de agir de acordo com a natureza. Ainda que o ser humano seja um fragmento dentro do Kosmos, a forma de alcançar a plenitude é: não se perceber como fragmento. Deve-se ter consciência de que é um elo unido ao total. Por meio da união com o Kosmos: ordenado, harmônico e belo, o ser humano se integra a essa harmonia cósmica e vive em plenitude. O Kosmos é total. É pleno, entendido como um ser vivo e divino, denominado de theion. É uma potência completa, dotada de consciência, inteligência e razão. Aqui, vale destacarmos que o conceito de Deus não é voltado para a transcendência, como consta na concepção de transcendência vivida pelas religiões que acreditam num Deus “de fora”, como aquele que transcende. Os estoicos, por sua vez, tinham uma visão de imanência, de um divino que está dentro, integrado ao ser humano. É vivido no interior e não no exterior. Portanto, o ser humano é parte do Kosmos que é ser animado, dotado de consciência, inteligência e razão. Todos esses atributos também integram a pessoa quando ela se sente parte de um total. Para eles, os fenômenos naturais são fatos e, por isso, nem podem ser classificados como bons ou maus. Do Kosmos, pode vir o caos, mas dele também vêm todos os benefícios, especialmente todas as nossas necessidades para promover a vida. Para o estoicismo, não se pode confundir fatos com valores. É um exercício de sabedoria entender que tudo o que está conforme a ordem cósmica é bom, independentemente da vontade humana. Nota Podemos perceber que as escolas estoicas se preocupavam menos com os conceitos e mais com exercícios práticos de sabedoria. Outra questão importante no pensamento estoico é viver o presente: a vida é o que é no aqui e agora. Nem o passado pode deter a vida, nem o futuro tem nada a oferecer. As pessoas se apegam ao futuro, visando uma esperança que é posta em algo que representa “aquilo que nos falta”. Os estoicos entendiam que não há necessidade de se carregar pesos que estão no passado, nem esperar por algo no futuro; a vida é o que acontece no presente, assim propõem que se pode libertar de passado e futuro e viver o “agora”. Sobre isso, destacamos o trecho a seguir, extraído das Meditações. Veja o que diz Marco: Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. “Que a imagem de tua vida inteira não te perturbe jamais. Não sonhes com todas as coisas dolorosas que provavelmente te aconteceram, mas, a cada momento presente, pergunta: o que há de insuportável e de irreversível neste acontecimento? Lembra-te, então, de que não é nem o passado, nem o futuro, mas o presente que pesa sobre ti.” (Marco Aurélio, 1989) Estoicismo entende que a vida só pode ser no “agora”. Não valorizam a esperança por estar projetada no futuro. É preciso ter cuidado com a esperança, especialmente quando ela estiver apontando para algo que achamos que é uma falta. Viver o dia, sem estar no fragmento que gera a falta, é estar em harmonia com a felicidade. Esperar por algo sem viver o presente de forma harmônica é adiar a felicidade. Destacamos, sobre esta discussão, a seguinte citação de Epicteto: “É preciso conciliar nossa vontade com os acontecimentos de tal maneira que nenhum acontecimento ocorra contra nossa conveniência, e que também não haja nenhum acontecimento que ocorra quando não o desejamos. A vantagem para aqueles que estão assim prevenidos é de não falhar em seus desejos, de não se deparar com o que detestam, de viver interiormente uma vida sem dificuldade, sem temor e sem perturbação [...]” (Epicteto, 2014) No gráfico a seguir podemos entender o princípio-chave do estoicismo. Princípio-chave Acontecimentos Predeterminados pelo destino x Fortaleza interior Oriunda de nossa liberdade da escolha de nossas reações. A noção de efemeridade é na qual se recomenda o desapego. Sobre isso, destacamos a seguinte citação de Marco Aurélio: Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. “Mesmo que você vivesse três mil anos, ou até mesmo trinta mil, lembre-se de que a única vida que um homem pode perder é a que está sendo vivida nesse momento; e que ele não pode ter nenhuma outra vida além daquela que perde.” (Marco Aurélio, 1989) Veja, no gráfico, o resumo da escravidão da posse: Enfim, os estoicos produziram uma filosofia que instrumentaliza a pessoa a trazer argumentos, lógicos e racionais, para compreender, de forma crítica e racional, a vida e o Kosmos, portanto eles não estavam ocupados com os grandes tratados filosóficos sobre as complexidades da construção do pensamento, nem sobre os tratados sobre a política; viver com controle de si era a forma de estar em harmonia e feliz. Aí estava sua forma de filosofar. Ressaltamos que o pensamento estoico instrumentaliza a pessoa com teorias racionais que auxilia no exercício da prática que conduz a uma responsabilidade com a forma de viver a vida, sempre entendendo que viver implica em relacionar-se com o outro e com o Kosmos. Ressalta-se que, na atualidade, há uma interpretação do estoicismo que busca atualizar a filosofia estoica e trazer uma explicação sobre a arte de viver feliz. Propostascomo viver a calmaria em meio ao caos, bem como lidar com as emoções, lidar com o apego entre tantas outras situações que trazem desarmonias à vida, têm atraído muitas pessoas para a leitura dessas sabedorias. Afinal, viver hoje é complexo, nossa sociedade está voltada para o materialismo, o individualismo e a exterioridade como lugares de construção da felicidade, o que tem conduzido muitas pessoas a vidas conturbadas. Nesse sentido, a descoberta da filosofia estoica tem sido alvo de muitas leituras na busca de libertar-se e voltar-se para a prática da arte de viver. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Encerramento Ao encerrar a Unidade 1, por certo você teve a oportunidade de entender acerca da importância da filosofia que nos convoca a sermos amantes do saber. Como pode perceber, a filosofia traz, na própria palavra, o conceito de amor e saber. Philos = amizade/amor e Sofia é saber. Todos nós já tivemos dúvidas sobre quem somos, também, por certo, já nos perguntamos sobre a forma de viver bem em sociedade. Já nos deparamos com dúvidas sobre o Cosmos. A dúvida é importante, contudo, há diferença entre a dúvida cética e a dúvida filosófica. Como você entende a dúvida filosófica? A dúvida filosófica é relevância, porque nos encaminha para a busca de uma explicação. É por meio dela que vamos partir para a busca de uma construção de pensamento, baseadas em argumentos lógicos. • A dúvida filosófica anseia por uma explicação lógica. • É na dúvida filosófica que se busca uma resposta com argumentos racional. • Dúvidas filosóficas não se satisfazem com respostas advindas do senso comum. • Dúvidas filosóficas não são respondidas por meio das crenças advindas da religiosidade. • A dúvida filosófica é respondida somente com argumentos embasados em construções elaboradas, com base na investigação racional. Especialmente quando se trata de questões importantes para todos nós, como a existência humana e o mundo em que estamos inseridos. Platão foi discípulo de Sócrates e, por meio de discursos dialogados com seu mestre, escreveu sua filosofia, nela expressou a teoria das ideias, na qual diz que os seres humanos são feitos de corpo e alma. O corpo é ilusório, pois é finito e mutável. A alma é verdadeira, carregando consigo a eternidade e a imutabilidade. Para ele, o corpo faz parte do mundo sensível e a alma tem acesso ao mundo inteligível. Você acha que o autoconhecimento é importante? E como a Filosofia pode auxiliar no autoconhecimento? Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. A filosofia antiga nasceu com Sócrates, contudo, ele foi um filósofo que não escreveu seus conceitos. Sua obra vai ser escrita por Platão. A proposta filosófica tem centralidade no autoconhecimento. Sócrates inicia essa jornada, quando retira do Templo de Apolo, em Delfos, a expressão “conhece-te a ti próprio”. Por isso, sua proposta filosófica afirma que só podemos conhecer alguma outra coisa, depois de nosso autoconhecimento. • A palavra Filosofia se encarrega de dizer que devemos ter amor pelo saber. Ela une os termos amor e sabedoria (Philos + Sofia). • A Filosofia abre um caminho para o autoconhecimento, pois nos conduz por um caminho lógico e racional. • A Filosofia nos ajuda a entender os conceitos, porque são importantes para o autoconhecimento. Conceitos não se firmam em opinião ou senso comum, eles estão vinculados a uma busca pelo conhecimento racional. • A Filosofia é o lugar para se buscar e entender o conhecimento, especialmente porque é o conhecimento que nos guia na descoberta de si mesmo. Como diz Platão, sem o conhecimento, vive-se nas sombras, a luz da Filosofia é o que nos liberta da caverna (senso comum) e nos condiciona a ver a luz. É bem complexo entender sobre quem somos. Foi sobre esse assunto que Aristóteles encaminhou sua filosofia, porque quis entender o ser enquanto ser. Uma das coisas importantes trazidas por ele para traçar seu conhecimento foi o conceito de felicidade, que nominou de Eudaimonia. Ele diz que a Eudaimonia só pode ser vivida por meio da virtude. Você concorda com o filósofo? Seria feliz a pessoa que vive uma vida moralmente dentro de princípios? Como você entende a felicidade como um conceito ético? Na filosofia de Aristóteles: • O ser humano é um ser político, isto é, ele é um ser sociável, sem isso, deixa de ser humano. É um ser dotado da capacidade racional. É desse lugar que ele pratica a eudaimonia, que se efetiva a partir de uma ação virtuosa por meio da ética. • A ética é ensinada, não é inata, ela resulta no hábito de sua prática. Se almejamos a felicidade, é preciso que criemos hábitos conduzidos pela ética. Enfim, para Aristóteles, a ética está intrínseca na felicidade, assim como a felicidade está intrínseca na ética. Como ser político-social, o local de praticar a ética é na sociedade, em relação com as outras pessoas. Ética e felicidade estão na base do exercício da cidadania, portanto, nós temos a missão de viver a ética e construir a autorrealização como lugar de viver a felicidade. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. O estoicismo deixou uma marca de integridade moral que deve ser vivida a qualquer prova. Para o estoico, a integridade, a paz de espírito, a autonomia, a felicidade depende apenas de nós mesmos. Na nossa sociedade atual, em que há uma crise moral, perpassada por corrupção, fake news entre tantas situações complexas, essa corrente filosófica afirma que está na reflexão racional, sobre nós mesmos, por meio da integridade ética, o lugar onde é possível viver feliz. Como você entende a reflexão e como ela pode nos auxiliar a viver uma vida harmônica? É papel da Filosofia constituir, em nós, um lugar de reflexão. Já dizia Sócrates que uma vida não refletida não merece ser vivida. A reflexão é um ato de pensar que não nos deixa apenas reagir, mas nos obriga a criar uma resposta lógica e racional sobre as questões que são trazidas para uma reflexão. • Reflexão é sempre algo que parte de nós na busca pelo entendimento de alguma coisa. • Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. • A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo. • A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. É essa a proposta do estoicismo, que acredita que a arte de viver uma vida feliz está na capacidade de reflexão sobre os atos da vida. Resumo da Unidade Nossa discussão nesta Unidade 1 foi em torno das temáticas sobre os contextos históricos filosóficos de como veio sendo construído o conhecimento. Vimos como o mitose evoluiu para a Filosofia e como ela, com seu objeto questionador, levou à nova concepção da racionalidade, da qual brotou a ciência metodológica. Entendemos que o mito não é uma mentira, ele é uma narrativa em linguagem simbólica. Vimos que a Filosofia deixou suas marcas no Ocidente com a tríade Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles compuseram as teorias sobre o mundo, o Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. humano, a política, a ética, entre tantos outros assuntos que ainda são relevantes para as discussões filosóficas atuais. Na temática dois, entendemos um pouco mais sobre a teoria de Platão, uma vez que ele deixou um grande legado de produção filosófica e foi um dos interlocutores do pensamento ocidental. Identificou um mundo visível, isto é, um mundo das aparências; e o mundo inteligível (das ideias). Seu legado foi uma complicada construção de pensamento quando instaurou o modelo por excelência do que é transcendência, essa forma de pensar vai alimentar conceitos religiosos da idade média. Em seguida, vimos como a teoria aristotélica busca compreender as estruturas do mundo por meio da ontologia. É uma filosofia que acessa diretamente o conhecimento sem o intermédio da materialidade. Vimos que, para Aristóteles, o conhecimento é adquirido por meio da observação cuidadosa da realidade, da experiência prática e até mesmo da intuição. Aristóteles cunhou sua filosofia atrelando o ato de conhecer ao processo de viver bem. A ética e a política não podem ser separadas, porque ambas constituem a filosofia prática e ética. É na reflexão da vida que se alcança a felicidade, isto é a Eudaimonia. Por fim, vimos a proposta de filosofia estoica voltada para entender as dificuldades da vida. Uma filosofia que buscava refletir sobre a essência da vida, que deve ser guiada pela razão. Os estoicos tinham uma concepção de vida que só poderia ser feliz em harmonia com o Kosmos. Para eles, o Kosmos é ordenado, é belo, é realidade e é justo. Viver o momento é um dos princípios estoicos, nem o passado e nem o futuro são lugares de estar, porque não tem nada a ofertar à vida, de que deve ser plena no “agora”. Referências da Unidade • ANTUNES, J. As bases filosóficas da construção do conhecimento. Guarapuava: Unicentro, 2011. • ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 5. ed. Salvador: Moderna, 2013. • ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. • BITTAR, E. C. B. Curso de filosofia aristotélica: leitura e interpretação do pensamento aristotélico. Barueri: Manole, 2003. • BINGEMER, M. C.; ANDRADE, P. F. C., de (orgs.) Secularização: novos desafios. Rio de Janeiro: Reflexão/PUC-Rio, 2016. • CONDÉ, M. M. Considerações sobre filosofia e vida em Marco Aurélio. Nuntius Antiquus, Belo Horizonte, v. 20, n. 1, p. 1-20, 2024. • CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2006. • CROATTO, J. S. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à fenomenologia da religião. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2010. http://repositorio.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/123456789/891/5/As%20Bases%20Filosóficas%20da%20Construção%20do%20Conhecimento.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5660574/mod_resource/content/1/Etica%20a%20Nicomaco%20%28Aristoteles%29.pdf https://periodicos.ufmg.br/index.php/nuntius_antiquus/article/view/51595 https://periodicos.ufmg.br/index.php/nuntius_antiquus/article/view/51595 Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. • ELIADE, M. Aspectos do mito. Lisboa: Edições 70, 1989. • ELIADE, M. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972. • EPICTETO. Encheiridion de Epicteto. São Paulo: Annablume, 2014. • LIMA, V. F. Isto não é Filosofia. Seropédica: UFRRJ, [s.d.]. • MAGRI, C. G. N. Ontologia e o movimento em Aristóteles. Pensamento Extemporâneo, 30 out. 2018. • MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Cultrix, 1989. • MARCONDES, D. Textos básicos de ética de Platão a Foucault. 4. ed. São Paulo: Zahar, 2007. • MARCONDES, D. Iniciação à história da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 2 ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Zahar, 2017. • ORTA, J. A. Do mito à ciência: reflexões críticas sobre a história do conhecimento. Análise Psicológica, v. 7, p. 33-41, 1989. • PELLEJERO, E. A. Eikasía: a consciência nas sombras do cinema. Paralaxe, v. 2, n. 2, p. 3-20, 2014. • PERINE, M. Mito e Filosofia. Philósophos, v. 7, n. 2, p. 35-56, 2002. • PHILIPPE, M.-D. Introdução à filosofia de Aristóteles. São Paulo: Paulus, 2002. • PLATÃO. A República. 2ª reimp. São Paulo: Perspectiva, 2012. • REALE, G. Introdução a Aristóteles. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. • REALE, G. Metafísica de Aristóteles. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013. Vol. I - Ensaio Introdutório. • SEARCH, A. Mania da Dúvida. Citador, c2021. • SÊNECA. Sobre a brevidade da vida - Sobre a firmeza do sábio. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. • VAN RAIJ, C. F. M. Sêneca, o filósofo. Revista Reflexão, Campinas, v. 20, n. 61, p. 194-201, jan./abr. 1995. Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino publicado na página inicial da disciplina. http://hdl.handle.net/10316.2/32825 https://pt.scribd.com/document/716996239/Aula-07-Estoicismo-e-Epicurismo?doc_id=716996239&order=652913266 https://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=2730 https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/2237 https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/2237 https://revistas.pucsp.br/index.php/paralaxe/article/view/31131 https://revistas.pucsp.br/index.php/paralaxe/article/view/31131 https://www.researchgate.net/publication/269911677_MITO_E_FILOSOFIA https://www.citador.pt/poemas/mania-da-duvida-alexandre-searchbrheteronimo-de-fernando-pessoa https://periodicos.puc-campinas.edu.br/reflexao/article/view/11472ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. religioso da Idade Média. Foi com os pensadores, que culminam no movimento Iluminista, que a Filosofia se liberta e abre espaço para o surgimento da Ciência Moderna. E, assim, vivemos hoje a era cientificista, mas temos a oportunidade de compreender que a humanidade, durante sua etapa evolucionista, pôde obter respostas para suas indagações acerca das coisas, pelo menos de três tipos. E nós somos beneficiados porque temos lugar para o mito, para a filosofia e para a ciência como lugares que nos ajudam a refletir sobre nossos questionamentos a respeito da vida e do mundo. Isso não é legal? Convenhamos: ser e estar no Kosmos não é muito fácil de ser explicado, e você já deve ter pensado sobre isso! Nesta unidade também vamos refletir sobre o pensamento de alguns filósofos que desempenharam papel importante na fundação do modelo de pensamento transcendente. Vamos entender um pouco desses filósofos ao longo dos nossos estudos. Eles são conhecidos como a tríade da filosofia antiga: Sócrates, Platão e Aristóteles. Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Entender o valor da Filosofia para a construção do pensamento ocidental. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 - Do mito à ciência: reflexões sobre a história do conhecimento • Tema 2 - Platão: a fundação do modelo de pensamento transcendente • Tema 3 - Aristóteles e a fundação do indivíduo • Tema 4 - O objeto do pensamento na lógica estoica dos teóricos gregos e romanos Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Observe com atenção a poesia de Fernando Pessoa sobre a dúvida. Mania da Dúvida (Alexander Search, heterônimo de Fernando Pessoa) Tudo para mim é um duvidar Com a normalidade sempre em cisão, E o seu incessante perguntar Cansa meu coração. As coisas são e parecem e o nada sustém O segredo da vida que contém. A presença de tudo sempre perguntando Coisas de angústia premente, Em terrível hesitação experimentando A minha mente. É falsa a verdade? Qual o seu aparentar Já que tudo são sonhos e tudo é sonhar? Perante o mistério vacila à vontade Em luta dividida dentro do pensar, E a Razão cede, qual cobarde, No encontrar Mais do que as coisas em si revelam ser, Mas que elas, por si só, não deixam ver. Fonte: Search (2021). A poesia de Fernando Pessoa tem a dúvida como tema. A dúvida é um lugar de reflexão. Quando duvidamos, trazemos perguntas para serem questionadas. Esse é um campo da Filosofia, pois tem a dúvida como lugar de promover reflexões lógicas acerca dos conhecimentos. Filosofar é ir em busca da construção do pensamento autônomo, mesmo que seja a dúvida. Por ser a forma de construção de saber que, ao ser investigado, cria lugares autônomos. Essa é a função da Filosofia: ela nos proporciona ferramentas para produção do nosso conhecimento, que só é instigado quando trazemos a dúvida para reflexão. https://www.citador.pt/poemas/mania-da-duvida-alexandre-searchbrheteronimo-de-fernando-pessoa Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 1 Do mito à ciência: reflexões sobre a história do conhecimento Todos nós já tivemos dúvidas sobre quem somos, também, por certo, já nos perguntamos sobre a forma de viver bem em sociedade. Já nos deparamos com dúvidas sobre o Cosmos. A dúvida é importante, contudo, há diferença entre a dúvida cética e a dúvida filosófica. Como você entende a dúvida filosófica? A forma de explicar a vida e o mundo passou por três fases. Para entender esse percurso, é comum dizermos que o conhecimento humano se desenvolveu em três fases diferentes, que são: • Fase mítica. • Fase filosófica. • Fase científica. De fato, se olharmos para a história das antigas civilizações veremos que só as conhecemos porque deixaram os registros em seus mitos, ou seja, a mitologia foi a primeira forma de explicação dos fatos, das grandes civilizações que nasceram em torno dos grandes rios, tais como Tigre e Eufrates na Mesopotâmia e o Nilo no Egito. Civilizações que já estavam organizadas politicamente há mais de três mil anos antes de Cristo. Vivemos na era cientifica. Seria possível conhecer as antigas civilizações se elas não tivessem produzidos seus mitos? Todas as civilizações antigas têm seus mitos. São narrativas que dizem como elas nasceram, trazendo, por meio de simbologias, a criação e o surgimento de um povo e de uma cidade. Observação Roma, por exemplo, teve sua fundação vinculada a Remo e Rômulo, os gêmeos que foram jogados no rio e resgatados por uma loba. Essa é uma mitologia da civilização romana. Da mesma forma, temos o mito de fundação da Babilônia, que está descrito nas Setes Tábuas da Criação, entre tantos outros mitos que chegaram até nós. Sobre o mito, destacamos a seguir a citação do autor José Orta (1989): Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. “O mito — pensamento monolítico e globalizante — é dominado e domina nas sociedades arcaicas, que são as sociedades sem Estado e as sociedades com Estados arcaicos. Mas das sociedades arcaicas emergem outras formações sociais mais complexas e com elas o pensamento avança: desabrocha a filosofia.” (Orta, 1989, p. 33) As narrativas míticas indicam que as primeiras explicações humanas dos fenômenos foram por meio do mito. É uma época que os seres humanos viam no sobrenatural todas as explicações de suas interrogações. Isso é uma característica do mito. Nele, os deuses são personagens centrais. É bom destacar que a mitologia que mais influenciou a nossa sociedade ocidental foi a grega. A mitologia estuda o mito. E o que é o mito? Para responder a essa pergunta destacamos a seguinte citação do historiador Mircea Eliade, um dos clássicos em relação ao estudo do mito: “Há mais de meio século, os eruditos ocidentais passaram a estudar o mito por uma perspectiva que contrasta sensivelmente com a do século XIX, por exemplo. Ao invés de tratar, como seus predecessores, o mito na acepção usual do termo, ou como fábula, invenção, ficção, eles o aceitaram tal qual era compreendido pelas sociedades arcaicas, onde o mito designa, ao contrário, uma “história verdadeira” e, ademais, extremamente preciosa por seu caráter sagrado, exemplar e significativo.” (Eliade, 1972, p. 6) Eliade afirma que a definição de mito não é fácil. Para ele, o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada por meio de perspectivas múltiplas e complementares. Nota Mircea Eliade é um autor clássico, especialistaem mitologia. Destacamos, a seguir, a definição de mito, segundo Mircea Eliade: “O mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do “princípio”. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma “criação”: ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Em suma, os mitos descrevem as diversas, e algumas vezes dramáticas, irrupções do sagrado (ou do sobrenatural) no Mundo.” (Eliade, 1972, p. 9) Croatto (2010) aponta que, etimologicamente, a palavra mito vem do vocábulo grego mythos, que significa contar, narrar. Chauí (2006) complementa que a palavra mito vem do grego mythos, também derivando de dois verbos, que são o mytheyo (no sentido de contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e o mytheo (significando conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Quando analisamos o surgimento do mito, podemos entender que ele foi questionado quando começa a nascer o cientificismo, que incialmente tinha o mito como fábula, uma narrativa que não expressava verdade alguma. Contudo, os estudiosos, especialmente das ciências sociais, como Antropologia, Sociologia, Literatura, Psicanálise etc., destacam a relevância das narrativas míticas para a construção de uma verdade por meio de uma linguagem simbólica. A forma de ver o mito veio mudando desde o começo do século XX. Já citamos o pesquisador Mircea Eliade, mas há outros nomes de estudiosos, como Freud, Yung, Heidegger, Lévi-Strauss e Bultmann, que entendem o mito como uma verdade que é narrada por meio de uma linguagem simbólica. Assim, o mito pode ser compreendido como uma forma literária que consegue trazer explicação complexa às questões que envolvem a complexidade da vida, da morte, do bem e do mal. Tanto Croatto (2010) como Eliade (2000) entendem o mito como o relato de um acontecimento cuja finalidade é dar sentido a uma realidade significativa para a vida. Ele se manifesta em linguagem simbólica, buscando, em metáforas e analogias, uma forma de alcançar a interioridade humana. O mito não é uma mentira: ele é uma narrativa que usa linguagem simbólica no intuito de trazer significado com respostas para fenômenos complexos sobre a vida e o mundo em que vivemos. Porém, chegou uma época em que o mito sozinho já não dava conta de explicar as dúvidas sobre a cosmologia. As dúvidas sobre o que é o mundo começam a fomentar muitas perguntas, e assim nasce a Filosofia. Nota Há um consenso de que a Filosofia nasce da mitologia grega. Destacamos, a seguir, uma citação de Aristóteles, em Metafísica: Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. “ Também aquele que ama o mito é, de certo modo, filósofo.” (Aristóteles, A 2, 982 b 18) Saiba mais Alguns filmes têm seu roteiro desenvolvido inspirado nas temáticas mitológicas das civilizações antigas, como as nórdicas, as gregas, as egípcias etc., por exemplo: O senhor dos anéis, Êxodo: deuses e reis, Hércules, Fúria de titãs, Troia, Thor etc. O que é a Filosofia? Para entender o que é Filosofia começaremos comentando uma definição de Jair Antunes (2011). Para ele, a Filosofia nasceu para ajudar os humanos a explicarem as coisas. É a famosa busca pelo saber. A palavra filosofia une os termos amor (Philia) e sabedoria (Sofia), tratando-se, portanto, do amor pelo saber. Isso define o filósofo como aquele que tem amor pelo conhecimento. A filosofia abre um novo caminho para o conhecimento, não mais guiada pela ótica da crença, como na narrativa mítica. Seu caminho é guiado pela lógica do Logos. Trata- se das primeiras rupturas com a mitologia. Os pensadores que buscam uma explicação lógica para os fenômenos, desvinculadas das divindades, são denominados de pré-socráticos, grupo cuja preocupação era entender mais a natureza, que denominaram de Physis. Eles foram se dando conta de que o Kosmos possuía elementos constitutivos que deviam ser investigados de forma racional e lógica acerca de sua natureza e movimento. Nota A ruptura com a mitologia foi realizada de forma gradual. Com os filósofos pré-socráticos surge a tentativa de identificar o elemento primordial da natureza. Em suas conclusões estavam a água, o fogo, o átomo, os números etc. Nomes como Pitágoras, Heráclito e Parmênides aparecem como os primeiros pensadores da Filosofia antiga. Ressaltamos que a filosofia lida com conceitos. Cada proposta filosófica se debate com termos que conduzem sua forma de produzir o saber. Os pré-socráticos trouxeram para o debate os conceitos de Logos, Arché e Physis. Esses termos estavam vinculados à sua busca por entender a cosmologia, isto é, o mundo físico. Veja que a palavra “cosmologia” é composta por Cosmos, que significa mundo ordenado, e logia vem da palavra logos, termo que significa pensamento racional. Assim, os conceitos estão vinculados à busca pelo conhecimento racional da ordem Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. do mundo ou da natureza. Tanto o termo arché como Physis eram usados para designar a substância da composição da natureza. A filosofia denominada de clássica nasce em Atenas e marca sua segunda fase na proposta do conhecimento. É nessa era que se diz iniciar a Filosofia de fato, com os pensadores Sócrates, Platão e Aristóteles. Esses nomes ficaram conhecidos como a tríade que nos deu as mais importantes teorias sobre o ser humano e o mundo que habitamos. Eles investiram na construção do saber. Veja que há uma diferença entre os pensadores pré-socráticos, que estavam em busca de saber sobre a Physis; nessa fase, a filosofia volta seu interesse para o conhecimento de pessoas, isto é, a essência humana. Inicia-se uma busca para entender o que diferenciava o ser humano dos outros seres. Sócrates criticou os primeiros filósofos por se ocuparem com assuntos de grande complexidade sem antes pensar em conhecerem a si mesmos. Você já se perguntou quem é você? Destacamos, a seguir, um trecho do autor José Orta (1989): “No pensamento grego a procura da perfeição-natureza centrou-se no indivíduo e partiu dele as coisas do mundo. Para esclarecer o que afirmamos, parafraseamos Sócrates: “conhece-te a ti próprio”, passagem que ele próprio retirou do Templo de Apolo em Delfos. O homem só poderia conhecer o mundo circundante na condição de se conhecer a si próprio em primeiro lugar, o mesmo é dizer, conhecer a sua natureza.” (Orta, 1989, p. 34)Agora entenderemos um pouco mais a respeito da entrada desses três gênios na proposta do filosofar. Sócrates define o antes e o depois nos estudos da filosofia estabelecendo a era pré- Sócrates. Se antes as dúvidas eram direcionadas à substância do Kosmos, com Sócrates o olhar se desloca para a Ontologia, que significa “Ser Humano”. Com esses filósofos nasce a ideia de que o humano é constituído de corpo e alma. Sócrates e Platão têm a mesma opinião sobre a construção humana, contudo Aristóteles discorda deles, o que vamos ver mais adiante, Fique atento para entender as teorias dessa tríade nas temáticas seguintes! Os três gênios da segunda fase filosófica se voltaram para entender o conhecimento e como ele pode guiar o ser humano na descoberta de si mesmo. Eles entendiam que o conhecimento de si só seria possível por meio da filosofia. Apesar de ter sido Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. um grande filósofo, Sócrates não deixou escritos; suas ideias foram registradas por Platão, seu principal discípulo. Os registros estão em forma de diálogos, como uma conversa entre mestre e aluno. A filosofia seguiu um longo caminho, desenvolveu muitas ideias e teorias sobre a construção do pensamento ao longo de sua história, passou pela Idade Antiga, entrou na era medieval e rompeu com os dogmas do cristianismo, que era a religião oficial do ocidente. Nessa época houve o aprisionamento do conhecimento, que estava vinculado aos dogmas da Igreja, criando a filosofia medieval submissa à Teologia, que era considerada a ciência da época. No entanto, a Filosofia, sempre trazendo dúvidas às cabeças pensantes, insurge contra a religião e promove o Iluminismo, que foi a base para a chegada do cientificismo. Como podemos ver, foi um longo caminho percorrido até chegarmos ao método científico. O surgimento da Ciência Moderna inaugura um novo lugar para explicar as coisas. Ela nasce trazendo um objeto de investigação e um método. Importante lembrar que, durante a Idade Média, a Filosofia ficou aprisionada nas mãos das instituições cristãs. Isso ocorreu com a cristianização do Império Romano, que, aliás, baniu os filósofos que não estivessem de acordo com a explicação dogmática da igreja. Muitos migraram para o Oriente. Nesse período, quem comandava o conhecimento era a Teologia; a Filosofia entrava como auxiliar. Observação Atos como os do imperador Justiniano (483-565) — que governou o lado oriental (Bizantino) do Império Romano — que, por volta do ano 529, oficializou o cristianismo como religião oficial e, com isso, baniu as atividades filosóficas e quaisquer outras expressões religiosas em toda a região do império. A partir dessa data a filosofia só se expressou como uma auxiliar da teologia cristã. O aprisionamento da filosofia e da liberdade de pensar fora dos dogmas religiosos fez com que a Idade Medieval fosse conhecida como “era das trevas” — expressão que será incorporada ao movimento iluminista, isto é, a “era das luzes”, promovida pela libertação da filosofia. Durante toda a era medieval, as pessoas eram educadas para ver as coisas de Deus. Um mundo transcendente. Foi um período em que o conhecimento só podia ser construído por meio das filosofias vinculadas aos pensadores cristãos. Na Era Medieval, era perigoso pensar. Você conhece a expressão “caça às bruxas”? Vem dessa época. Pois é, o medievo foi a era da Inquisição, que queimava hereges, bruxas e punia todos os atos que eram classificados como algo que ofendia a Deus. Quem se dispusesse a se opor às propostas da religião era preso, excomungado ou queimado em praça pública. Nessa época, era perigoso escrever tratados filosóficos e as academias eram controladas pela instituição religiosa. Contudo, houve produção de Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. uma Filosofia conhecida como Medieval, com expoentes como Agostinho, logo no início; Abelardo que era professor na Universidade de Paris; e, posteriormente, Tomás de Aquino, para citar alguns importantes. Saiba mais No filme Em nome de Deus (1988), que relata o nascimento da Universidade de Paris, Abelardo, protagonista da obra, foi um dos principais filósofos da era medieval. A Filosofia, no entanto, sempre acha caminhos para a libertação do pensamento. É ela que vai proporcionar o caminho para o processo de secularização e abrir espaço para o cientificismo. Tantas rupturas na era medieval culminaram no movimento Iluminista, que explodiu na Inglaterra, na Alemanha e na França durante o século XVIII, adentrando as universidades, rompendo com a dogmática cristã e dando início à Idade Moderna. Ressaltamos que as ideias dos filósofos franceses, como Voltaire, Montesquieu e Rousseau, são as que mais se destacam nesse movimento: eles vão contribuir com a produção da enciclopédia, uma obra idealizada e conduzida por Denis Diderot e Jean Le Rond D'Alembert, com o objetivo de juntar, em uma única obra, os conhecimentos produzidos pelo movimento iluminista. Observa-se que os filósofos travam uma queda de braço com o controle da instituição religiosa cristã acerca do aprisionamento do conhecimento. Para eles, a liberdade de pensamento só seria possível com o distanciamento entre Igreja e Estado. O Iluminismo afirma que é o uso da razão, e não o da fé, que vai proporcionar a construção de uma sociedade liberta, solidária e igualitária. Nasce, assim, o processo de secularização, isto é, o mundo fora do controle da religião. O processo da secularização deu início à liberdade de se produzir cientificamente sobre qualquer objeto de conhecimento sem o controle da religião. Nasce a sociedade secular, regida pela laicização. Trata-se de um processo que afastou o poder da Igreja (religião cristã) sobre as esferas da sociedade. O processo foi constituído de forma gradual, no qual a sociedade passou por uma redefinição dos preceitos culturais e éticos que se apoiavam na religiosidade proposta pelas instituições religiosas. Nesse contexto histórico é que vamos ver os debates acirrados em academias, inclusive a sobrevivência ou não da esfera religiosa. A secularização faz surgir um estilo de vida social. Foi nesse processo que houve a perda do controle da religião, que era a responsável pelo controle da sociedade; ao perder essa função, criou-se o estado laico, regido por direito próprio e uma legislação que integra todas as instituições que o compõem, inclusive as instituições religiosas. O Iluminismo não veio do nada. A partir do século XVI, muitos movimentos travaram batalhas em torno da liberação do campo do pensamento, muitas descobertas trouxeram questionamentos acerca do ser humano e do mundo, entre eles o Renascimento, Humanismo, Naturalismo e o descobrimento de novos continentes. Todos nós sabemos que as transformações trazem muitas dúvidas: quem explicaria os novos questionamentos? Uma transformação de pensamento importante foi a Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reproduçãoou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. descoberta de que a Terra não é o centro de nada, mas mesmo que a Igreja investisse em excomungar as pessoas, não havia como desconstruir o que se tinha descoberto. Nada mais era certo. O universo é infinito! E o humano, o que é? As transformações ocorridas na sociedade trouxeram novas perguntas que não se respondia mais por meio de dogmas. Explicar o mundo e a vida que habita nele exigiu novas investigações em que todas as hipóteses fossem confrontadas, permitindo-se chegar mais perto de possíveis verdades. Assim é o cientificismo: por meio do método de investigação, busca auferir resultados mais precisos dos objetos estudados. Você acha que o surgimento da ciência rompeu com o mito e a filosofia? A filosofia nunca foi destronada. Sempre ocupou o lugar de reflexão. Por certo, com o cientificismo, surgiram novas epistemologias, como antropologia, sociologia, psicologia, pedagogia etc., cada uma delas com um olhar específico para seu objeto de estudo. A filosofia passou a ser uma epistemologia que se ocupa da construção do pensamento, não é mais responsável pelos grandes tratados, não é mais responsável pelas respostas a todas as indagações humanas. Contudo, as correntes filosóficas vieram, ao longo da história, trazendo conhecimento sobre subjetividade humana e a construção do conhecimento. A ciência também não suplanta o mito. O que significa que o desenvolvimento do pensamento reflexivo racional, por meio da filosofia e da ciência, não decretou a morte da consciência mítica. Nas palavras de Perine (2002), não há uma descontinuidade radical entre razão e mito, justamente porque são dois níveis estruturais da consciência humana. Segundo ele, os mitos são indispensáveis, tanto para os indivíduos como para as sociedades. Os mitos são como a memória social, que assegura a reprodução dos comportamentos da espécie humana. A memória social, ou a memória-tradição, é biologicamente indispensável à espécie humana, desempenhando para ela a mesma função que desempenha o condicionamento genético nas sociedades animais. Saiba mais Para enriquecer nossa discussão, acesse Mito, o nada que é tudo (café filosófico). https://www.youtube.com/watch?v=HAU1pskcewM Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. O que seria da poesia sem o recurso simbólico literário? Para nossa reflexão, fiquemos com a composição A raça humana, de Gilberto Gil. A raça humana (Gilberto Gil) A raça humana é Uma semana do trabalho de deus A raça humana é a ferida acesa. Uma beleza, uma podridão O fogo eterno e a morte A morte e a ressurreição A raça humana é o cristal de lágrima Da lavra da solidão Da mina, cujo mapa Traz na palma da mão A raça humana risca, rabisca, pinta A tinta, a lápis, carvão ou giz O rosto da saudade Que traz do gênesis Dessa semana santa Entre parênteses Desse divino oásis Da grande apoteose Da perfeição divina Na grande síntese A raça humana é Uma semana Do trabalho de deus. A raça humana é uma semana Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 2 Platão: a fundação do modelo de pensamento transcendente Platão foi discípulo de Sócrates e, por meio de discursos dialogados com seu mestre, escreveu sua filosofia, nela expressou a teoria das ideias, na qual diz que os seres humanos são feitos de corpo e alma. O corpo é ilusório, pois é finito e mutável. A alma é verdadeira, carregando consigo a eternidade e a imutabilidade. Para ele, o corpo faz parte do mundo sensível e a alma tem acesso ao mundo inteligível. Você acha que o autoconhecimento é importante? E como a Filosofia pode auxiliar no autoconhecimento? Vamos entender um pouco sobre o que Platão nos deixou como legado sobre a teoria do conhecimento. De fato, se estamos na busca pela compreensão da construção do pensamento ocidental devemos entender um pouquinho das ideias de Platão. Platão viveu no período que vai do ano 428 a 348 a.C. Nasceu em Atenas, dentro de uma família aristocrática. Foi discípulo de Sócrates e herdeiro de suas ideias, que as redigiu em forma de diálogos. Fundou a Academia em Atenas, uma escola de Filosofia, pela qual passou um gênio da Filosofia: Aristóteles. Suas ideias influenciaram as filosofias na era Medieval, como Agostinho e Tomás de Aquino. Platão construiu ideias que diferenciaram o mundo sensível do mundo inteligível. Para entender as formas de construção de pensamento que iniciou com Sócrates, é necessário ver um pouco do contexto sócio-histórico que gerou tais questionamentos sobre o conhecimento. Chauí (2006) diz que Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu período de esplendor. Nesse período de desenvolvimento de Atenas, floresceu a democracia, e a filosofia vai desempenhar um papel importante, especialmente sobre o que significa ser uma democracia e como viver nela. Isso requeria o autoconhecimento. Assim, foi com o desenvolvimento de Atenas como um grande centro político que a Filosofia inicia com seus conceitos sobre o ser humano e como ele conhece. A seguir, destacamos a seguinte citação de Chauí: “Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade. O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão.” (Chauí, 2006, p. 44) A voz filosófica de Sócrates foi registrada por meio dos diálogos com Platão. Contudo, qual é a importância de estar falando da construção filosófica de Platão em pleno século XXI? Podemos iniciar respondendo que, nos diálogos de Platão com seu mestre Sócrates, fica evidente que é na consciência da própria ignorância que está o começo da Filosofia, mas a ignorância não significa falta de capacidade para a busca do conhecimento. Por isso que a Filosofia investe na procura pela essência verdadeira da coisa, da ideia, do valor, de modo que a definição do conceito não deve vir por meio da nossa opinião que temos sobre: nós mesmos, as coisas, as ideias e os valores. Ora, opiniões estão vinculadas às pessoas e, como somos diferentes, não temos a mesma resposta dada à mesma pergunta. É por isso que a Filosofia não tem interesse em opinião, ela cria conceitos. E qual seria a diferença entre opinião e conceito? Para responder a essapergunta, destacamos mais uma citação de Chauí: “A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma coisa.” (Chauí, 2006, p. 45) Por isso, a Filosofia não pergunta se tal ou qual coisa era bela, porque podemos dar nossa opinião que seria pessoal. Nota Quando o filósofo pergunta “O que é a beleza?”, ele quer saber sobre a essência, isto é, definição do conceito de belo. Assim como outros valores, tais como: verdade, felicidade, amor, amizade etc. É com Sócrates, Platão e Aristóteles que a Filosofia toma forma como Episteme. Isto é, um campo de conhecimento fincado na racionalidade. Especialmente porque o Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. interesse não é somente entender do que o mundo é constituído, mas o que é o ser humano que habita esse mundo. Com a episteme, o pensamento filosófico se desloca da perspectiva cosmológica para a antropológica. Platão, um dos maiores interlocutores do pensamento ocidental, deixou um grande legado de produção filosófica. Em sua teoria, ele busca identificar o mundo visível, isto é, um mundo das aparências; e o mundo inteligível — o mundo das ideias. O conceito platônico das teorias, das ideias, foi a base do pensamento ocidental, inclusive alimentou a constituição da teologia cristã na era Medieval. O mundo dicotômico de Platão é conhecido como a teoria das ideias ou teoria das formas. Ele define o mundo sensível como o lugar onde os seres humanos vivem, mas há o outro mundo, o inteligível, onde habitam as ideias. Em outras palavras, segundo Platão, há um mundo habitado pelas pessoas e outro pelas ideias. O que isso significa? O mundo sensível funciona como uma cópia imperfeita do mundo ideal. Assim, nós viveríamos em mundo no qual lidamos com as coisas imperfeitas, sendo que, para cada uma dessas coisas, haveria uma imagem perfeita no mundo das ideias. Por exemplo: Quando vemos um cavalo, que está no nosso mundo material, o que está diante de nossos olhos seria apenas uma cópia da imagem perfeita de cavalo do mundo das ideias, que é o mundo inteligível. Tudo que é ideal e real está no mundo inteligível, isto é, habita o mundo das ideias. Tudo que habita o mundo material é aparência, são apenas sombras. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Assim como seu mestre Sócrates, Platão entende que o ser humano é composto por duas partes: corpo e alma. Sobre esse olhar para o ser humano, destacamos a citação a seguir, do professor Jair Antunes (2011): “ Sócrates acredita que a alma tudo sabe, e se tudo sabe, então não tem que aprender, mas tem apenas que recordar aquilo que ela sempre soube, mas que esqueceu ao mergulhar nas profundezas do rio do esquecimento. O processo do conhecimento é então o de reconhecimento, ou mais precisamente, de rememoração, da recordação daquilo que ela já sabia anteriormente, em vida anterior. Por isso, Sócrates dirá que conhecer é recordar, é rememorar aquilo que a alma já sabe, mas que esqueceu ao passar a fazer parte do mundo sensível. Neste sentido, a filosofia de Sócrates (enquanto teoria da reminiscência) tem um telos, uma finalidade, que é o caminho ao qual a alma tem que percorrer no mundo sensível presa a um corpo, a fim de novamente reencontrar-se com a Ideia do Bem.” (Antunes, 2011, p. 41) Marilena Chauí (2006) define o inatismo como algo com que nascemos, que está alocado em nós desde o nascimento em nossa inteligência; não somente os princípios racionais, mas também algumas ideias verdadeiras, que, por isso, são ideias inatas. Já o empirismo, afirma que a razão, com seus princípios, seus procedimentos e suas ideias, é adquirida por nós por meio da experiência. A palavra experiência tem origem no idioma grego, na palavra empeiria — com o significado de empirismo, conhecimento empírico. Trata-se do conhecimento adquirido por meio da experiência. Para Platão, a alma pertence ao mundo das ideias e o corpo, ao mundo material, que é permanente e imperfeito. Nosso corpo habita e acessa o mundo sensível, de modo que tudo que vemos aqui é uma imitação, uma cópia imperfeita daquilo que existe no mundo das ideias. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Em outras palavras, podemos exemplificar as ideias de Platão da seguinte forma: quando vemos um objeto, estamos diante de cópias projetadas da ideia de objeto visto. Isso porque há uma ideia perfeita, verdadeira e permanente desse mesmo objeto no mundo inteligível (ideias). Contudo, por meio dos nossos sentidos, só acessamos as tentativas de atingir esse ideal. Pelos sentidos, não conseguimos acessar o real. A ideia do inatismo de Platão também pode ser verificada na filosofia de Descartes, no século XVII, que disse “penso, logo existo”, a famosa frase que, em sua concepção, desenvolve a teoria das ideias, especialmente porque a única coisa que não se pode duvidar é de que pensa. Ele também afirma que as ideias inatas estão em nós desde o nascimento, sendo assim que ficou conhecida a teoria do inatismo. Nota Estudaremos os conceitos que permeiam os estudos de Descartes mais adiante na disciplina. O desenvolvimento da ideia do inatismo é demostrada por meio de um dos diálogos de Platão com um escravo de Mênon, que era um jovem analfabeto, mas que soube resolver o teorema de Pitágoras. Observação Quando lemos a obra de Platão, podemos ver que muitas de suas ideias são trabalhadas por meio de diálogos. Aliás, todos os escritos sobre as ideias de Sócrates são dialogadas. Era a forma com que ele escrevia sua filosofia. Como alguém analfabeto, que nunca tinha visto tal problema, conseguiria resolver uma questão tão complexa? Com isso, Platão confirma o inatismo, isto é, a teoria da reminiscência, uma vez que o escravo de Mênon só teve que buscar em sua razão, lembranças daquilo que já era inato nele. A teoria do inatismo está também no diálogo A República, no qual esboça a sua ideia no mito de Er, a que chama de teoria da reminiscência, que postula que já se nasce com a razão e as ideias verdadeiras. O papel da Filosofia, então, seria relembrar das ideias que já estão em nossas almas. Observação O mito de Er O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e têm o conhecimento verdadeiro. Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras Todos os materiaisdidáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei, outras de guerreiro, outras de comerciante rico, outras de artista, de sábio. No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (que, em grego, quer dizer esquecimento), e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram; as que bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram. As que escolheram vidas de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão (Chauí, 2006, p. 86). O gráfico a seguir demonstra como Platão estruturou sua teoria das ideias. É notável, na construção da ideia de Platão, a preocupação com a política de Atenas. Como vimos, a filosofia floresce quando a cidade de Atenas se torna um grande centro político, social e cultural da Grécia. Ali se desenvolveu a democracia e, por isso, houve necessidade de criar conceitos que traziam conhecimento sobre a forma de viver em sociedade. Na época de Platão, Atenas estava em florescimento, mas a democracia tinha sérios problemas éticos. É na obra A República que ele traz sua teoria sobre a decadência da democracia, por falta do entendimento sobre a ética. Sobre isso, destacamos a seguir a citação de Danilo Marcondes (2007): Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. “O sábio é, portanto, aquele que, tendo atingido a visão ou o conhecimento do Bem pela via da dialética, isto é, da ascensão de sua alma até o plano mais elevado e mais abstrato do real, é capaz de agir de forma justa. Pois ao conhecer o Bem, conhece também a Verdade, a Justiça e a Beleza. É por este motivo que a concepção ética de Platão ficou conhecida como “metafísica do Bem”. A forma do Bem é, por conseguinte, o fundamento da ética.” (Marcondes, 2007, p. 12) Platão pontua que a Filosofia é a única capaz de dar luz aos governantes e libertá-los de suas ignorâncias em relação à verdade. Essa teoria está bem explicitada no Mito da Caverna. O mito da caverna é um dos textos de Platão mais conhecidos; ainda é muito real na atualidade. Especialmente quando nos recuamos para entender e investigar a verdade, escolhendo reagir a pensar no lado da sombra. MUNDO VISÍVEL MUNDO INTELIGÍVEL Objetos sensíveis Imagens Ideias, sombras e figuras Objetos Matemáticos Animais, plantas, vasos fabricados OPINIÃO Imaginação | Crença CIÊNCIA Pensamento | Inteligência Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. O mito da caverna Uma das passagens mais conhecidas da Filosofia clássica é o mito da caverna. Platão cria uma alegoria que está registrada na obra A República, no livro VII. Nesse relato, ele vai ilustrar a funcionalidade da teoria das ideias. Resumidamente, o mito conta que algumas pessoas, desde que nasceram, viveram acorrentadas e imóveis numa caverna subterrânea, de modo que não podiam se mover. A caverna tinha uma entrada de luz que projetava sombras na parede diante deles, já que só podiam ver o que estava à frente. Os objetos projetados pela luz, que fazia as sombras se moverem na parede, partiam das pessoas que passavam atrás de um muro, carregando variadas coisas em suas cabeças. Essa era a única realidade conhecida pelos presos dentro da caverna. Mas, em um determinado dia, um dos prisioneiros consegue se libertar. Saindo da caverna, inicialmente, vê a luz e seus olhos, que não estavam acostumados com o brilho, sofrem forte dor. Contudo, persiste e consegue entender que fora da caverna há uma outra realidade. Ao descobrir que dentro da caverna viu apenas as sombras, percebendo a realidade, decide voltar para avisar aos outros sobre a sua descoberta. Mas ele não consegue persuadir os outros, que se mantêm firmes na proposta de acreditar que a realidade eram as sombras projetadas na parede. Assim, ele é taxado de louco, sofre agressões e, por fim, é morto. (Fonte: Adaptação de PLATÃO. A República. 9. ed. Bauru: Edipro, 2001. Livro VII.) https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/8545492/mod_resource/content/1/A%20Rep%C3%BAblica%20-%20Plat%C3%A3o.pdf Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 3 Aristóteles e a fundação do indivíduo É bem complexo entender sobre quem somos. Foi sobre esse assunto que Aristóteles encaminhou sua filosofia, porque quis entender o ser enquanto ser. Uma das coisas importantes trazidas por ele para traçar seu conhecimento foi o conceito de felicidade, que nominou de Eudaimonia. Ele diz que a Eudaimonia só pode ser vivida por meio da virtude. Você concorda com o filósofo? Seria feliz a pessoa que vive uma vida moralmente dentro de princípios? Como você entende a felicidade como um conceito ético? Então, estamos com mais um dos filósofos que compõem a tríade da Filosofia Antiga. Agora trazendo a contribuição de Aristóteles. Por certo, esse foi um dos gênios da Filosofia na era antiga. Aristóteles é considerado um filósofo completo, pois seu campo de estudos incluía Metafísica, Física, Astronomia, Lógica, Biologia, Ética e Política. Aristóteles viveu no período que compreende os anos de 384 a 322 a.C., pertencia a uma família de médicos da cidade de Estagira, ao norte da Grécia. Nota Seu pai era médico de Felipe, rei da Macedônia. O filósofo foi aluno da Academia de Platão em Atenas, permanecendo ali por cerca de 20 anos. Após a morte de Platão, saiu da academia e fundou sua própria escola: o Liceu. Nota Consta em sua biografia que foi professor do filho de Felipe, Alexandre, que veio a se tornar um dos maiores conquistadores do mundo antigo. Aristóteles conheceu as teorias de Platão e Sócrates acerca do conhecimento, contudo, não seguiu essa linha de raciocínio. Com o Liceu, fundado em 335 a.C., Aristóteles traz uma nova forma de pensar para seus alunos, contrapondo-se à Academia de Platão. Os alunos do Liceu ficaram conhecidos como peripatéticos por discutirem filosofias durante os passeios pelos jardins. Todos os materiais didáticos apresentadosnesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Uma das novidades é que ele não usa o diálogo para produzir suas obras. Elas estão organizadas em forma de tratados, nos quais registrou suas investigações acerca de muitos assuntos. Para atingir nosso objetivo neste tema, abordaremos a percepção de Aristóteles em relação ao conhecimento. Como já foi mencionado, ele se distancia da teoria de Platão em relação à constituição do ser. Segundo Chauí (2006), os filósofos Platão e Aristóteles introduziram na filosofia a ideia de que existem diferentes maneiras de conhecer, ou seja, haveria graus de conhecimento, que se distinguiriam pela ausência ou presença do verdadeiro, pela ausência ou presença do falso. Como estudamos anteriormente, segundo Platão, há duas formas de conhecimento, que são: • O conhecimento identificado como conhecimento sensível, que é trazido até o sujeito por meio da crença e opinião. • O conhecimento que vem pelo intelectual, mediado pelo raciocínio e intuição. Somente pelo intelectual se chega à verdade. Vamos entender a diferença entre Platão e Aristóteles e as suas formas de entender os graus de conhecimento. Para Aristóteles, pode se chegar ao conhecimento por meio da sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição. O conhecimento vai sendo formado e enriquecido por acumulação das informações trazidas por todos os graus. Ele não divide o mundo do conhecimento sensível e inteligível. Nota Chauí (2006) pontua que, na percepção de Aristóteles, não há uma ruptura entre o conhecimento sensível e o intelectual, ele estabelece uma continuidade entre eles. Segundo Marcondes (2007), a filosofia de Aristóteles é de caráter mais sistemático e analítico, dividindo a experiência humana em três grandes áreas, que são: • O saber teórico, ou campo do conhecimento. • O saber prático, ou campo da ação. • O saber criativo ou produtivo. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. A professora Marilena Chauí define, da seguinte forma, a filosofia de Aristóteles: “A distinção dos campos do conhecimento verdadeiro, sistematizados por Aristóteles está dividida em três ramos: teorético (referente aos seres que apenas podemos contemplar ou observar, sem agir sobre eles ou neles interferir), prático (referente às ações humanas: ética, política e economia) e técnico (referente à fabricação e ao trabalho humano, que pode interferir no curso da Natureza, criar instrumentos ou artefatos: medicina, artesanato, arquitetura, poesia, retórica.” (Chauí, 2006, p. 141) Uma das construções teóricas de Aristóteles está na obra denominada Filosofia Primeira. Essa obra é conhecida como Metafísica, termo oriundo do grego tá méta tá phýsica, que significa “depois da física”. A metafísica aristotélica busca compreender as estruturas do mundo por meio da ontologia. Isto é, para Aristóteles, a metafísica se faz pela via ontológica porque procura conhecer o mundo por meio do ser. A ontologia é um dos conceitos importantes na filosofia aristotélica, porque ele se volta a estudar o ser e sua forma de adquirir o conhecimento. Ontologia é o estudo do ser, para Aristóteles era entender o ser enquanto ser. No pensamento grego, especialmente em Platão e Aristóteles, compreendia-se ser humano a partir da composição corpo e alma. No entanto, o grande discurso sobre a ontologia está intimamente associado à questão de Aristóteles, quando buscou compreender o ser enquanto ser. Aristóteles entende o ser humano como um todo, isto é, uma unicidade. No esquema a seguir, apresentamos de forma sistemática a perspectiva ontológica prevista por Aristóteles. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Ser humano + Corpo = Alma Matéria Forma É um todo. Descarta o dualismo platônico e a imortalidade da alma. Ao morrer, transforma a substância e o corpo deixa de ter a forma de alma e passa à forma de cadáver. Observe que Aristóteles pensa diferente de Platão porque não separa o ser. Para ele, não há a separação de realidade e aparência em dois mundos diferentes, mas há único mundo no qual existem essências e aparências. É de conhecimento geral que a obra de Aristóteles é ampla e complexa, mas não podemos deixar de entender como ele teorizou acerca da construção de conhecimento, afinal, suas ideias influenciaram a construção do pensamento ocidental na era medieval, especialmente na filosofia de Agostinho e Tomás de Aquino. E o que é conhecimento? Qual é a origem do conhecimento? Dentre as teorias de Aristóteles, o conhecimento é o resultado de uma busca incessante que o ser tem pela verdade e pela compreensão do mundo ao seu redor. O conhecimento não era apenas uma questão intelectual, é também moral e prático. Assim, a filosofia aristotélica divide-se nas três áreas anteriormente mencionadas — o saber teórico, o saber prático e o saber criativo ou produtivo. É na área de conhecimento prático que ele desenvolve a teoria da eudaimonia, o termo grego que significa felicidade. O que seria a felicidade para Aristóteles? Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Vamos entender como a felicidade é trazida para ser pensada pela teoria aristotélica, começando pelo destaque a seguir, da citação do professor Marcondes: “No sistema de Aristóteles, a ética, juntamente com a política, pertence ao domínio do saber prático, que pode ser contrastado ao saber teórico. Enquanto no âmbito do saber teórico, que inclui a metafísica, a matemática e as ciências naturais, sobretudo a física, o objetivo é o conhecimento da realidade em suas leis e princípios mais gerais, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista o nosso objetivo primordial que é a felicidade (eudaimonia), ou a realização pessoal.” (Marcondes, 2007, p. 28) A felicidade só pode ser vivida por meio da ética, virtude e valores. Em outras palavras, conhecer algo implicava em agir eticamente de acordo com esse conhecimento. É desse lugar que pode viver a eudaimonia. A ideia de eudaimonia está associada à área da prática. Para entendermos o motivo, apresentamos a citação a seguir, novamente do professor Marcondes (2007): “O termo eudaimonia pode ser entendido também como bem-estar, principalmente como bem-estar em relação a algo que se realiza” (Marcondes, 2007, p. 29), por isso, está associada à área da prática.”Como a filosofia é uma ciência racional, o filósofo pontua os métodos de adquirir conhecimento por meio da observação, da experiência e da intuição. O conhecimento, segundo ele, é adquirido por meio da observação cuidadosa da realidade, da experiência prática e até mesmo da intuição. Ele enfatizava a importância de estudar os fenômenos naturais e analisar suas causas e consequências para obter um conhecimento mais profundo. Ressalta-se, na filosofia aristotélica, a existência de uma relação entre conhecimento e virtude. Em outras palavras, aprender influencia as ações morais. No gráfico a seguir podemos resumir a teoria do conhecimento aristotélico. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Notamos que, na teoria de Aristóteles, o conhecimento é um processo em parte da sensação que passa pela imaginação e acaba no entendimento. Todo esse processo recebe o nome de abstração, pois o entendimento atua sobre as imagens, separando tudo o que tem elas de particular e concreto para formar o conceito. A teoria aristotélica não é mais a ideia platônica que estava no outro mundo: sua teoria é abstraída da imagem. O ato de conhecer está vinculado ao processo de viver bem e, por isso, Aristóteles deixou muitos escritos sobre ética e política. Na sua visão, a ética e a política não podem ser separadas, porque ambas constituem a chamada filosofia prática e ética. A ética é fundamental, sendo vista como o lugar de reflexão filosófica sobre as ações humanas. É por meio da forma reflexiva da vida que o ser humano pode alcançar a Eudaimonia. A felicidade se identifica com vida vivida por meio dos princípios éticos que, atrelado à atividade intelectual, conduz o ser humano a uma forma plena de vida. Por isso que sua filosofia acentua o valor da virtude. Trata-se de um valor que está ligado ao conhecimento. Só é possível agir corretamente quando se tem um entendimento do que é bom e correto. Nesse sentido, é a razão que orienta a pessoa para que se evite o mau ou o defeito. Nota-se que Aristóteles coloca a lógica como o principal lugar de construção de pensamento racional. Está na lógica a arte de orientar o pensamento que ajuda o ser humano a perceber e desviar do erro. A lógica aristotélica tem como objetivo estudar a relação do pensamento com a verdade. Na explicação de Chauí (2006), Aristóteles criou a lógica propriamente dita, que ele chamava de analítica. A lógica aristotélica é um instrumento que antecede o Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. exercício do pensamento e da linguagem, oferecendo-lhes meios para realizar o conhecimento e o discurso. Enfim, pelo que vimos neste tema, podemos entender como as ideias de Aristóteles são tão necessárias para entender o ato de filosofar. Especialmente porque suas teorias foram retomadas e discutidas por diversos filósofos na era medieval e moderna. Saiba mais ÉTICA A NICÔMACO O conceito de felicidade Aristóteles, na obra dedicada a seu filho, Nicômaco, denominada de Ética a Nicômaco, nos capítulos 4 ao 7 do Livro I, desenvolve o conceito de felicidade (eudaimonia). Segundo Marcondes (2007), o termo eudaimonia pode ser entendido também como bem-estar em relação a algo que se realiza. Na concepção de Aristóteles, a eudaimonia é o fim último, que todos os seres humanos visam mediante a todas as outras coisas que são possíveis de serem realizados por vontade e ação humana. Veja o que ele afirma no livro I capítulo 6: “Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos (pois, ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada um deles); mas também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse deles nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destes, nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria.” (Aristóteles, 1991, p. 7) Para Aristóteles, a felicidade era algo peculiar ao ser humano. Ele considera a felicidade como “a mais desejável de todas as coisas, sem contá-la como um bem entre outros” (Livro I, cap. 6). Marcondes (2007) diz que a noção de felicidade é central à ética aristotélica e, que, por esse motivo, é caracterizada como “ética eudaimônica”. A felicidade é, portanto, algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da ação. Em resumo, podemos entender que Aristóteles via na felicidade (eudaimonia) o bem supremo destinado ao ser humano. Necessária para fazer da vida uma plenitude. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 4 O objeto do pensamento na lógica estoica dos teóricos gregos e romanos O estoicismo deixou uma marca de integridade moral que deve ser vivida a qualquer prova. Para o estoico, a integridade, a paz de espírito, a autonomia, a felicidade depende apenas de nós mesmos. Na nossa sociedade atual, em que há uma crise moral, perpassada por corrupção, fake news entre tantas situações complexas, essa corrente filosófica afirma que está na reflexão racional, sobre nós mesmos, por meio da integridade ética, o lugar onde é possível viver feliz. Como você entende a reflexão e como ela pode nos auxiliar a viver uma vida harmônica? Vamos entender sobre essa corrente filosófica que tem como tema a arte de viver bem. O estoicismo é uma filosofia que se propôs a elaborar uma teoria que estivesse voltada para a busca de um modo sábio de conduzir a vida nas circunstâncias cotidianas, sejam elas boas ou ruins, por isso, é chamada de filosofia da vida. Ela propõe a arte de viver. Ressaltamos que, para o estoicismo, saber viver bem não está vinculado à classe social, política ou racial, por exemplo. O Imperador Marco Aurélio foi orientado pela filosofia de Epicteto, um escravo. Indica que é uma filosofia que serve a reis e escravos, porque todos nós vivemos. O importante é saber conduzir a vida. Nós vivemos! Viver é uma arte? Como já tinha dito Sócrates, uma vida não refletida não merece ser vivida. A vida é um lugar de reflexão. Por isso, é um dos lugares de onde partem nossos questionamentos. É refletindo que buscamos o sentido de nossa vida. É esse o assunto de nossa temática. Falaremos sobre uma filosofia que teve grande influência na construção do pensamento ocidental, pois trouxe para o debate os problemas que mais afligem as pessoas. Aliás, vamos notar que o interesse estoico não são as grandes questões da humanidade, como o surgimento do universo ou sobre o que existia antes dele, ou sobre os grandes tratados sobre ontologia, metafísica da filosofia antiga. Para o estoico, nada dessas grandes discussões era tão