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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Profa. Katy Brianezi Obrigação de Dar Coisa Incerta (art. 243 a 246 do CC/ 02) Coisa incerta não quer dizer qualquer coisa, mas sim coisa indeterminada, porém possível de ser determinada no futuro (momento em que for cumprida a obrigação). Assim, a prestação nas obrigações de dar coisa incerta, consiste na entrega de coisa especificada apenas pela espécie e quantidade. Exemplo: sujeito se obriga a dar duas sacas de açúcar, sem determinar sua qualidade (tipo 1 ou 2). Trata-se das chamadas obrigações genéricas. Outro exemplo: convencionou-se a venda de um filhote de animal que faz parte do rebanho do vendedor (devedor da coisa). Nesse caso, haverá a necessidade de determinação futura do objeto, por meio de uma escolha.Portanto, a determinação se faz pela escolha, este ato jurídico é denominado de concentração do débito, que constitui um ato jurídico unilateral. Neste sentido, art. 243 do CC/02 estabelece: "Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade." Agora surge a dúvida: a quem caberia a escolha? Ao credor ou ao devedor? art. 244 do CC/02 responde que, como regra, a escolha será do devedor: Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor" Assim, seguindo a regra geral, a concentração do débito efetuar-se-á por escolha do devedor, se contrário não resultar do título da obrigação.Importante, Essa liberdade de escolha, todavia, não é absoluta, uma vez que devedor não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a dar a melhor. Este princípio é denominado equivalência das prestações. No exemplo do açúcar, sujeito passivo da relação obrigacional deverá, havendo mais de um tipo de açúcar, concentrar débito naquele de qualidade intermediária, se não tiver havido convenção em sentido contrário. Após a escolha feita pelo devedor, e tendo sido cientificado credor, a obrigação genérica é convertida em obrigação específica (art. 245 do CC). Desta forma, passaremos a aplicar as regras previstas para a obrigação de dar coisa certa (arts. 233 a 242 do CC). Antes dessa concentração, não há que se falar em inadimplemento da obrigação genérica, em regra. É que determina art. 245 do CC/02: Art. 245. Cientificado da escolha credor, vigorará disposto na Seção antecedente.Com a perda ou destruição da coisa antes da concentração, aplica-se a regra de que gênero nunca perece (genus nunquam perit). Art. 246. Antes da escolha, não poderá devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. Exemplo: Imagine-se que adquiri 60 sacas de café, tendo acertado retirar no dia seguinte (obrigação de dar coisa incerta: gênero e quantidade.). Mas, como foi ajustada a entrega das sacas no dia seguinte, fazendeiro preferiu deixar para este dia ato de separar as sacas, não tendo feito, então, a concentração do débito. Durante a madrugada um raio cai sobre galpão e todas as 1000 sacas que lá estavam são destruídas. No dia seguinte, ao ir retirar as 60 sacas (que não existem mais), fazendeiro diz que a obrigação está resolvida, pois foi houve força maior, sem culpa sua. No entanto, neste caso, ele continuará devedor das 60 sacas de café ou pagará perdas e danos. Regra: Se as coisas se perdem antes da concentração do débito, mesmo que sem culpa- do devedor, a obrigação não se resolve, (art. 246 do NCC) Evidente que, se as 60 sacas já tivessem sido separadas, se já tivesse ocorrido a concentração, aí sim,estaria resolvida a obrigação pois ai já se teria transformado em obrigação de dar coisa certa. Claro, no entanto, que isto é matéria de prova em Juízo. Se não lograr fazer a prova, Juiz considerará que a concentração não se deu e que; a obrigação não se resolveu. Portanto, retardamento ou a falta da concentração, ou a não comprovação desta, causa risco maior ao devedor, pois será responsabilizado pela perda da coisa, mesmo sem culpa. Qual a razão desta regra? A razão está em que, enquanto não se faz a concentração, a obrigação é apenas de gênero. Então, com a destruição das 1000 sacas, gênero açúcar desapareceu do mundo? Não. E se a obrigação é de gênero e este não desapareceu do mundo, devedor deverá adquirir açúcar para cumprir a sua obrigação perante credor. Gênero nunca perece, que perece é a coisa. Enquanto gênero continuar existindo, devedor continua obrigado.

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