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P A R T E E S P E C I A L - CODIGO CIVIL - ARTIGOS 233 a 420 OBRIGAÇÕES: O direito das obrigações tem por objetivo relações jurídicas denominadas direitos de crédito, direitos pessoais ou obrigacionais. O direito das obrigações se baseia principio da vontade. Direito Real: Em síntese, para a teoria clássica ou realista, os direitos reais devem ser vistos como um poder direto e imediato sobre a coisa, enquanto os direitos pessoais traduzem uma relação entre pessoas, tendo por objeto uma prestação. Ainda que essa prestação seja mediatamente dirigida a um bem, como ocorre nas obrigações de dar, o objeto em si dos direitos pessoais é sempre o comportamento do devedor, diferentemente do que se tem nos direitos reais, pois estes incidem imediatamente sobre a coisa. O direito real é o poder, o domínio do sujeito ativo sobre a coisa. Direito pessoal: é o vínculo sob o qual o credor pode exigir a prestação. Direito pessoal de exigir ou não a prestação. Teoria unitária e teoria dualista: a teoria unitária realista procura unificar os direitos reais e obrigacionais a partir do critério do patrimônio, considerando que o direito das coisas e o direito das obrigações fazem parte de uma realidade mais ampla, que seria o direito patrimonial. Entretanto, a diversidade de princípios que os orientam dificulta a sua unificação em um só sistema. Mostra-se, portanto, a doutrina denominada dualista ou clássica mais adequada à realidade. TeoriaClássicaDualista: concepção dualista, pode-se dizer que o direito real apresenta características próprias, que o distinguem dos direitos pessoais ou obrigacionais. Sua disciplina segue, dentre outros, os princípios: Fontes das obrigações:São fontes das obrigações de acordo com CC: os Contratos, as declaraçõesde vontadeou atos unilateraiseosatos ilícitos (fontes secundarias). A FONTE PRIMARIA É A LEI. Responsabilidade: conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Não cumprida à prestação nasce à responsabilidade. Também é possível uma obrigação sem responsabilidade (ex. divida prescrita). Normalmente, as relações jurídicas são compostas por uma relação jurídica ordinária (obrigacional) e outra derivada (responsabilidade). Responsabilidade é uma relação jurídica derivada di inadimplemento da relação jurídica originaria. Obrigação: Significa submissão a uma regra de conduta cuja autoridade é reconhecida. É o vínculo de conteúdo patrimonial entre credores e devedores. Obrigação é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação. Corresponde a uma relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento), cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. Direito das obrigações consiste num complexo de normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial, que têm por objeto prestações de um sujeito em proveito de outro. Visa, portanto, regular aqueles vínculos jurídicos em que ao de exigir uma prestação, conferindo alguém, corresponde a um dever de prestar imposto a outrem, como por exemplo, o direito que tem o vendedor de exigir do comprador o preço convencionado. Obrigação éa relação jurídica de caráter transitório, estabelecida entre o devedor e o credor, e cujoobjeto consiste numa prestação econômica positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo patrimônio. A obrigação possui três elementos: Sujeito ativo (credor), Sujeito Passivo (devedor) e objeto (coisa) Sujeito ativo (credor):configura apenas uma parte: a que possui o crédito - o credor - vocábulo este derivado do latim creditor, que provém do verbo credere, cujo significado é confiar. Na relação jurídica, sujeito ativo é a parte a favor de que a obrigação deve ser adimplida. Para o credor, a obrigação constitui, conseguintemente, um direito subjetivo. O credor possui a pretensão, que é o poder de exigir do devedor o cumprimento da obrigação. Toda pessoa pode figurar no pólo ativo da relação obrigacional, assim, inclusive os incapazes pode ser credores. Sujeito Passivo (devedor): é aquele que se obriga a realizar a prestação. Objeto da obrigação: consiste no ato ou fato que cabe ao devedor, sujeito passivo prestar. Daí dar-se ao objeto o nome de prestação, podendo esta ser positiva quando o devedor se obrigar a dar ou fazer alguma coisa e negativa, quando esse se constitui no dever de não fazer, ou abster-se de alguma coisa. É ação ou omissão a que o devedor fica restrito e que o credor tem o direito de exigir.O objeto deve ser lícito, sob pena de nulidade, determinável ou determinado, possível e economicamente apreciável(Art. 104 cc); A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negocio jurídico, se for relativa ou se cessar antes da condição a que ele estiver subordinado (art. 106) Obs.: Os sujeitos da obrigação, tanto o ativo como o passivo, podem ser pessoa natural como jurídica, de qualquer natureza, bem como as sociedades de fato. Devem ser determinados ou, aos menos, determináveis. No contrato de doação, por exemplo, o donatário, às vezes, é indeterminado, mas determinável no momento de seu descumprimento, pelos dados nele constantes (o vencedor de um concurso, o melhor aluno uma classe etc.). Se não forem capazes, serão representados ou assistidos por seus representantes legais, dependendo ainda, em alguns casos, de autorização judicial. Elemento subjetivo: Os sujeitos da relação (ativo e passivo) Elemento objetivo: é o objeto da relação jurídica Vínculo jurídico existente entre os sujeitos da relação. Classificação das obrigações: Quanto às espécies: DAR: COISA CERTA (ART. 233) COISA INCERTA (ART. 243) FAZER: INFUNGÍVEL ART 247 FUNGÍVEL ART. 249 EMITIR DECLARACAO DE VONTADE NÃO FAZER - ART 250 Quanto seus elementos: Simples: um sujeito ativo + um sujeito passivo + um objeto Facultativas: com possibilidade de substituição de objeto Composta: Pormultiplicidade de sujeitos Por multiplicidade de objetos(cumulativas e alternativas) OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS X OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS: Nas obrigações facultativas há apena uma prestação devida, podendo o credor exigir a prestação principal. Nas obrigações alternativas há varias prestações, sendo valida a partir da primeira prestação cumprida, podendo o credor exigir o pagamento de diferentes prestações, a obrigação somente se extinguira com o perecimento de todas as obrigações. OBRIGAÇÕES SIMPLES X OBRIGAÇÕES COMPLEXAS (compostas): As obrigações simples possuem apenas um sujeito ativo, um sujeito passivo e um objeto. As obrigações Compostas ou Complexas: contrária a primeira, apresenta qualquer um dos elementos, ou todos, no plural. Por exemplo: singularidade de sujeitos e multiplicidade de objetos, ou multiplicidade de sujeitos e de objetos; multiplicidade de sujeitos e singularidade de objetos: Cumulativas: os objetos aparecem relacionados com a conjunção "e". Somando-se, então, os dois objetos. Ex.: "A" deve dar a "B" um livro e um caderno. Alternativas: os objetos aparecem relacionados com a conjunção "ou". Alternando então, a opção por um ou outro objeto. Ex.: "A" deve dar a "B" R$ 10.000,00 ou um carro. Quanto à divisibilidade da prestação: Divisíveis: são as obrigações em que o objeto pode ser dividido entre os sujeitos. Ex.: Determinada quantia em dinheiro - R$ 1.000,00. Indivisíveis: são as obrigações em que o objeto não pode ser dividido entre os sujeitos. Ex.: Um animal, um veículo, etc. Solidárias: não depende da divisibilidade do objeto, pois decorre da lei ou até mesmo da vontade das partes. Pode ser solidariedade ativa ou passiva, de acordo com os sujeitos que se encontram em número plural dentro da relação. Quando qualquer um deve responder pela dívida inteira, assim que demandado, tendo direito de regresso contra o sujeito que não realizou a prestação. Ex.: "A" e "B" são sujeitos passivos de uma obrigação. "C", sujeito ativo, demanda o pagamento totalda dívida a "A", que cumpre a prestação sozinho e pode, posteriormente, cobrar de "B" a parte que pagou a mais. Quanto ao conteúdo: Quando ao fim a que se destina, a obrigação pode ser de meio, de resultado e de garantia. Diz-se que a obrigação é de meio quando o devedor promete empregar seus conhecimentos, meios técnicos para a obtenção de determinado resultado, sem, no entanto responsabilizar-se por ele. É o caso, por exemplo, dos advogados, que não se obrigam a vencer a causa, mas a bem defender os interesses dos clientes; bem como o dos médicos, que não se obrigam a curar, mas tratar bem os enfermos, fazendo uso de seus conhecimentos científicos. Quanto aos elementos adicionais: As obrigações possuem, além dos elementos naturais, os elementos acidentais, que acabam muitas vezes por caracterizá-las. Estes elementos são: a alteração da condição da obrigação, do termo e do encargo ou do modo. a) Obrigações puras e simples são aquelas que não se sujeitam a nenhuma condição, termo ou encargo. Ex.: Obrigação de dar uma maçã sem por que, para que, por quanto e nem em que tempo. b) Obrigações condicionais são aquelas que se subordinam a ocorrência de um evento futuro e incerto para atingir seus efeitos. Ex.: Obrigação de dar uma viagem a alguém quando esta pessoa passar no vestibular (condição). c) Obrigações a termo submetem seus efeitos a acontecimentos futuros e certos, em data pré estabelecida. O termo pode ser final ou inicial, dependendo do acordo produzido. Ex.: Obrigação de dar um carro a alguém no dia em que completar 18 anos de idade. d) Obrigações modais em que o encargo não suspende a "aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva", de acordo com o artigo 136 do Código Civil. Ex.: Pode figurar na promessa de compra e venda ou também, mais comum, em doações. Quanto ao momento de Execução: Esta classificação é dada de acordo com o momento em que a obrigação deve ser cumprida. Sendo classificadas, portanto, em: Obrigações momentâneas ou de execução instantânea que são concluídas em um só ato, ou seja, são sempre cumpridas imediatamente após sua constituição. Ex.: Compra e venda à vista de um produto, imóvel ou automóvel, pela qual o DEVEDOR paga ao CREDOR, que o entrega o imediatamente o objeto, EX.: A dá o dinheiro a B que o entrega a coisa. Obrigações de execução diferida também exigem o seu cumprimento em um só ato, mas diferentemente dos moldes anteriores, sua execução deverá ser realizada em momento futuro. Ex.: As partes combinam de entregar o objeto em determinada data, assim como realizar o pagamento pelo mesmo motivo, na compra de um automóvel onde o mesmo só vai ser entregue na data X. Obrigações de execução continuada ou de trato sucessivo (periódica) que se satisfazem por meio de atos continuados. Ex.: Ocorrem no caso das prestações de serviços ou ainda na compra e venda a prazo. Obrigações Líquidas e Ilíquidas Obrigação líquida é aquela determinada quanto ao objeto e certa quanto à sua existência. Expressa por um algarismo ou algo que determine um número certo. Ex.: "MARIA" deve dar a "BRENDON" R$ 300,00 ou 2 garrafas de tequila. Obrigação ilíquida depende de prévia apuração, já que o montante da prestação apresenta-se incerto. Ex.: "MARIA" deve dar legumes a "JORGE", que não sabe quanto e nem quais legumes. Obrigações Principais e Acessórias Obrigações principais são aquelas que existem por si só, ou seja, não dependem de nenhuma obrigação para ter sua real eficácia. Ex.: Executar serviço no contrato de prestação de serviço. Obrigações acessórias subordinam a sua existência a outra relação jurídica, sendo assim, dependem da obrigação principal. Ex.: Pagamento de juros por não ter realizado o pagamento do débito no momento oportuno. No entanto é importante, ressaltar que caso a obrigação principal seja considerada nula, assim também será a acessória. Efeito Ex Nunc. Tradição: É a entrega da coisa ao adquirente, com a intenção de lhe transferir a sua propriedade ou a posse. Conforme regula o “caput”, do artigo 1.267, do diploma civil, "a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição". Nota-se, portanto, que contratos como a compra e venda e a doação, por si só, não têm o condão de gerar a aquisição da propriedade móvel, o que somente ocorre com a entrega da coisa. Os atos de entregar ou restituir (obrigações de dar) são chamados de tradição, o domínio só se dá através da tradição. Tradição é acordo de vontades. Tradição real: quando envolve a entrega efetiva e material da coisa. Tradição simbólica é quando representada por ato que traduz alienação (ex. entrega das chaves). Tradição ficta é o constitutivo possessório (ex. locador/locatório). Domínio: só se adquire pela tradição (ex. registro de imóveis) Poder: é a posse (locatário) Das Obrigações de Dar, entregar ou restituir Coisa Certa São espécies de obrigações de dar, entregar e restituir: obrigação de dar coisa incerta (objeto determinado pelo gênero e quantidade) ou obrigação de dar coisa certa (objeto determinado pela qualidade, gênero e quantidade). As obrigações de dar assumem forma de entrega ou restituição de determinada coisa pelo devedor ao credor. A obrigação de dar é aquela em virtude da qual o devedor fica jungido a promover, em beneficio do credor a tradição da coisa móvel ou imóvel. A obrigação de dar coisa certa exprime a obrigação de transferir a propriedade e a posse da coisa. A “coisa certa” é o objeto determinado, perfeitamente individualizado e distinguível. A venda de determinado automóvel, por exemplo, é negócio que gera obrigação de dar coisa certa, pois um veículo distingue-se de outros pelo número do chassi, do motor, da placa etc. A coisa certa é tudo aquilo que é determinado de modo a poder ser distinguido de qualquer outra coisa. Quando a coisa for determinadapela quantidade e gênero, estamos tratando de obrigações de dar coisa incerta, ou seja, o “objeto” da prestação será determinável apenas pela quantidade e gênero. A obrigação de dar coisa certa confere ao credor simples direito pessoal (jus ad rem) e não real (jus in re). O contrato de compra e venda, por exemplo, tem natureza obrigacional. O vendedor apenas se obriga a transferir o domínio da coisa certa ao adquirente; e este, a pagar o preço. A transferência do domínio depende de outro ato: a tradição, para os móveis; e o registro, que é uma tradição solene, para os imóveis. Nessa modalidade de obrigação, o devedor se compromete a entregar ou a restituir ao credor, um objeto perfeitamente determinado, que se considera em sua individualidade Ex. entrega de um quadro de Picasso, ou imóvel localizado em determinada rua e número. Se o devedor deixar de entregar a coisa, descumprindo a obrigação assumida, é permitido ao credor perseguir a coisa devida. Quando a prestação da coisa se destina a proporcionar o uso, fruição ou posse direta da coisa, a que o credor tem direito. Ex. Como na obrigação de restituir imposta ao aluno-devedor de restituir o livro-coisa para biblioteca-credora. O proprietário ou possuidor, ou credor pode requerer a realização coativa da prestação mediante reintegração de posse ou busca e apreensão. Obrigações de dar coisa Certa (ART.233 a 242) Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. É a obrigação de efetuar a tradição. A Definição compreende duas espécies de obrigações: a de dar, propriamente dita e a de restituir. O devedor não se desobriga se oferecer outra coisa, ainda que mas valiosa. (pacta sunt servanda) Esta norma segue a regra de que o acessório segue o principal, logo, a coisa deve ser entregue com todas as suas partes integrantes, excetuando-se a regra de acordo com a natureza do contrato ou as circunstâncias do caso, aferíveis pelos usos e costumes locais ou ainda pelo comportamento anterior dos contraentes.(1) Os acessórios que forem acrescidos à coisa durante o período em que ela ficou com o devedor pertencerão a ele, que poderá inclusive exigir aumento de preço para entregar a coisa (2), salvo se houver previsão em contrário no contrato. O bem acessório sempre segue o principal, salvo se as partes dispuserem o contrario, ou lei determinar. Se o objeto estiver certo e determinado o devedor não poderá se desobrigar oferecendo coisa diversa ao acertado, mesmo que mais valiosa. Os frutos são utilidades que uma coisa periodicamente produz. Os frutos percebidos (captados) pertencem ao devedor até o momento da tradição, podendo o devedor pedir correção dos valores. (1) Ex: Álvaro aluga de José uma fazenda para plantio de milho, pelo prazo de um ano. Em Abril, três meses antes do termino do contrato/extinção da obrigação Álvaro plantou 03 hectares de milho que deveriam ser colhidos em 02 meses e meio, ou seja, meados de julho, mas por circunstancias climáticas a colheita foi atrasada em 2 meses. Assim o milho que deveria ser colhido em meados de julho, foi colhido em meados de setembro. Neste caso embora o contrato de locação/obrigação já tenha chegado ao fim, o milho que fora colhido pertence a Álvaro e não a José. (2) Pedro firma contrato de aluguel com Marcos, tem por objeto da obrigação a posse e usufruto de uma gleba de terras pelo prazo de 02 anos, pagando para tanto a quantia X. Neste período Pedro prepara a terra a transforma em uma fazenda produtiva, sendo que no prazo final do contrato ainda resta uma lavoura de trigo a ser colhida. Pedro poderá apenas devolver a gleba de terra e colher futuramente o trigo ou devolver a gleba de terra colhendo futuramente o trigo, cobrando, todavia, de Marcos um adicional pelas benfeitorias necessárias até então realizadas. Ex: José compra de Álvaro em um leilão de gado uma vaca leiteira, pelo valor de 2.000,00. Decorridos 04 meses José é surpreendido com o nascimento de bezerro. Neste caso embora tenha comprado a vaca leiteira de Álvaro, o bezerro que nascera é tido como acessório da obrigação, pertencendo a José e não a Álvaro. (Pode se dizer que é um bônus). Os frutos acompanham o principal e não devem ser devolvidos ao proprietário anterior. Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. Se a coisa se perder, ANTES DA TRADIÇÃO,SEM CULPA DO DEVEDOR, O PREJUÍZO É DO DEVEDOR. A coisa pertence ao dono, apenas o detentor arcara com prejuízo. A coisa se perde para o dono. Se o devedor já tiver recebido algum valor, e a coisa se perder antes da tradição sem culpa do devedor, o devedor deverá devolver ao credor aquilo que recebeu. Se a coisa se perder COM CULPA DO DEVEDOR, o devedor arcara com o prejuízo + perdas e danos. SEM CULPA: Ocorrendo a perda total ou perecimento do objeto antes da entrega, sem culpa, resolve-se a obrigação, segundo a regra de que a coisa perece para o dono, equivalendo-se dizer que apenas o detentor da coisa arcará com o prejuízo. Antes da tradição, o devedor fica obrigado a devolver ao credor o que já houver recebido pelo negócio. Ex: Frederico compra de João um cavalo pela quantia X, ficando contratado que o cavalo deverá ser entregue dia 18 de fevereiro, mas três dias antes da data combinada o cavalo objeto da obrigação é atingido por um raio enquanto pastava pelo pasto. Neste caso como o objeto da obrigação (cavalo) se perdeu sem a culpa do devedor (João) a obrigação está resolvida sem ônus para nenhumas das partes. Todavia, caso Frederico já tenha cumprido sua parte na obrigação, qual seja, pagar quantia certa, esta deverá ser devolvida a ele (Frederico), corrigidos os valores não havendo o que se falar sobre perdas e danos. COM CULPA: Perdendo-se a coisa com culpa do devedor, o credor tem o direito de receber o equivalente do objeto perecido em dinheiro, além de perdas e danos. Ex: Pedro compra na loja “Alfaces Mágicas” pertencente a Joaquim, um pivô de irrigação com bomba, o qual será utilizado na plantação de cebolas de Pedro. Joaquim sabendo que os referidos implementos agrícolas não devem ficar ao relento, os deixa fora do abrigo apropriado mesmo estando visível que choveria durante a noite. No dia seguinte ao chegar à loja “Alfaces Mágicas” Pedro depara-se com os implementos que havia comprado totalmente danificados e inutilizáveis. Como o pivô e a bomba comprados por Pedro eram os últimos da loja, foi obrigado a comprar os implementos em outra loja aguardando 20 dias até a entrega de um equipamento novo perdendo totalmente sua plantação de cebolas. Nesta caso Joaquim será obrigado a devolver o valor pago pelo implemento, além das perdas e danos sofridas por Pedro com a não entrega do equipamento. Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. O credor da coisa certa na é obrigado a receber outra coisa diversa daquela acordada, ainda que mais valiosa. Se a coisa se deteriorar, o credor poderá desistir do negócio ou receber a coisa deteriorada com o valor abatido. “Deterioração” é perda parcial ou a danificação da coisa. Se a deterioração acontecer antes da tradição, novamenteo prejuízo é do devedor (a coisa se perde para o dono), restando a ele duas opções: ou abate o valor da deterioração, se o credor aceitar ou permanece com a coisa e devolve ao credor o que recebeu por ela. SEM CULPA: A deterioração é a perda parcial ou danificação da coisa. A regra geral é a de que o credor da coisa certa não estará obrigado a receber outra coisa, diversa daquele que foi ajustada, ainda que mais valiosa. Assim, se esta ocorre antes da tradição, sem culpa, o prejuízo será novamente suportado pelo dono ou devedor, abre-se ao devedor duas possibilidades: ou abate do preço o valor correspondente à depreciação, se ele aceitar a receber a coisa danificada, ou fica com a coisa e devolve o dinheiro que recebeu por ela. Ex: Paulo compra de Mévio um cavalo puro sangue marchador. Antes da tradição o cavalo objeto da obrigação contraia um a rara e incurável moléstia que enfraquece os músculos impedindo desta forma que o cavalo continue a marchar, restando como alternativa a reprodução. Assim Paulo poderá dar como extinta a obrigação, ou seja, não recebe o cavalo e claro não pagando por ele, ou aceitar o cavalo da forma como esta (servindo apenas para reprodução) abatido o valor do prejuízo, ou seja, se um cavalo marcador custar R$ 100.000,00 e um cavalo reprodutor custar R$ 1.000,00, pagará apenas R$1.000,00. Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos. Se o devedor tiver culpa ele arcara com o prejuízo + perdas e danos. O credor poderá exigir a coisa + valor da deterioração, ou aceitar coisa deteriorada e reclamar perdas e danos. COM CULPA: Além da devolução do dinheiro (valor ao tempo em que a entrega deveria ser feita) ou entrega da coisa com abatimento do preço (em razão da diminuição de sua utilidade), o credor pode ainda exigir a indenização por perdas e danos. Ex: Sergio compra de Marcos um cavalo de corrida ficando combinado que o cavalo seria entregue no jóquei-clube em 10 dias, mas precisamente no dia da grande corrida. Ocorre que Marcos negligentemente não alimenta o cavalo como deveria o que acaba por gerar uma anemia no animal impedindo-o assim de competir. Nesta caso a Sergio restam duas alternativas: a)Não aceitar o cavalo cobrando de Marcos Indenização ou, b)Aceitar o cavalo cobrando de Marcos as perdas e danos que sofreu. Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor à coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedorresolver a obrigação. Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. Antes da tradição, a coisa pertence ao dono (ao devedor), havendo melhoramentos ou acréscimos o lucro é do devedor, salvo se houver disposição ao contrario pela lei ou convenção das partes. Ou seja, se o devedor melhorar a coisa, poderá pedir reajuste no seu valor. O credor poderá desistir do negocio ou pagar pela melhora. Os frutos pendentes, após a tradição, pertencem ao credor. Os frutos percebidos, antes da tradição, pertencem ao devedor Melhoramentos: opera mudança para melhor, em valor, em utilidade, em comodidade, na condição e no estado físico da coisa o devedor tiver culpa ele arcara com o prejuízo + perdas e danos. O credor poderá exigir a coisa + valor da deterioração, ou aceitar coisa deteriorada e reclamar perdas e danos. Melhoramentos e acrescidos até a tradição, pertencem ao devedor, que poderá exigir aumento no preço ou mesmo resolver a obrigação se o credor não concordar em pagar pela valorização decorrente dos acréscimos. Ex: Paulo compra de Pedro grande criador de gado, uma vaca leiteira (Mimosa) em 24 de fevereiro, ficando acordado que a tradição se daria 14 de março. O valor atribuído ao animal foi de R$ 8.000,00. Ocorre que dias antes da tradição a vaca leiteira foi emprenhada por um valioso touro (Caprichoso) cujo sêmen vem sendo exportado. Neste caso pode ocorrer três situações: O bezerro de Mimosa e Caprichoso pertencerá a Pedro; Pedro pode aumentar o preço a ser pago por Mimosa; Caso Paulo não aceite o valor oferecido por Pedro, poderá este (Pedro) resolver a obrigação, ou seja, Desfazendo a compra. Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. Aqui continua a regra de que o acessório segue o principal, assim, os acréscimos ainda não percebidos (pendentes) pertencem ao credor e quanto a esses não cabe ao devedor pedir aumento de preço, no entanto, se já tiverem sido percebidos antes da tradição, pertencem ao devedor. Ex: Josefino arrendou a plantação de abacates de Mário por 03 anos (05/01/2005). Durante este período Josefino cuidou da lavoura, colheu seus frutos vendendo-os na CEASA da Cidade de Patos de Minas. Dia 05/01/08 Josefino colheu 90 caixas de abacate sem, contudo, retirá-las da propriedade o que aconteceria dia 06/01/08. Neste caso os abacates colhidos por Josefino pertencem a ele, assim como os abacates futuramente colhidos pertencerão a Mário. Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Obrigação de restituir: na obrigação de restituir, antes da tradição, o dono da coisa é o credor (contrário das obrigações de dar, em que o objeto pertence ao devedor). EX. Se eu (devedor – locatário/inquilino) alugo um apartamento e ele se perde sem culpa, o prejuízo é do credor (Locador), pois ele é de fato o dono da coisa. Nas obrigações de restituir, o dono é o credor, devendo este arcar pelos prejuízos da coisa quando ela se deteriorar SEM CULPA DO DEVEDOR. Ficam ressalvados todos os direitos até o dia da perda. SEM CULPA: Na obrigação de restituir, o dono da coisa é o credor, ao contrário da obrigação de dar, em que a coisa pertence ao devedor até o momento da tradição. A perda da coisa, resolve a obrigação, com prejuízo do credor, seu proprietário, salvo de houver culpa do devedor. No entanto, os valores devidos ao credor até o momento da perda, devem ser pagos pelo devedor. Ex. Contrato de locação, paga-se os aluguéis devidos até a data de perecimento da coisa. Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. PERDA NA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR COM CULPA: Aqui o credor não suportará prejuízo algum. O devedor, além de restituir o equivalente em dinheiro, indenizará o credor pelos danos materiais e imateriais eventualmente suportados. EX: CARRO BATIDO; CAFÉ.Se o devedor tiver culpa ele arcara com o equivalente + perdas e danos. Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239. A regra é a mesma dos art. 234 e 236. Se houver culpa do devedor, o devedor arcará com o equivalente + perdas e danos (recebera o credor coisa danificada + o valor da depreciação + perdas e danos) Se NÃO houver culpa do devedor, o credor recebera a coisa no estado que estiver sem direito a indenização. Aqui as regras são idênticas às dos arts.234 e 236. SEM CULPA: O credor que é o dono da coisa, ficará com o prejuízo: receberá a coisa danificada, sem direito a qualquer indenização. ALGUEM BATE NO CARRO ALUGADO ESTACIONADO (PROPRIETÁRIO LOCADOR/CREDOR). COM CULPA: O credor receberá a coisa danificada, acrescida do valor referente à da depreciação ( valor da época em que deveria ter sido restituída) e ainda das perdas e danos. BATER O CARRO LOCADO. Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização. A regra é a mesma dos art. 237. Se a coisa se valorizar sem despesa ou trabalho do devedor o lucro é do credor. Aqui repetiu-se a regra do art.237 do CC.Ex. Acréscimos e melhoramentos pendentes, ficam para o credor, pois independem do trabalho ou dispêndio do devedor. Ao contrário, aplica-se a regra do artigo seguinte. Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé. Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé. Se o devedor agindo de boa-fé contribuir para a valorização da coisa terá direito a indenização, podendo reter o bem até que o credor o indenize (indenização pelas benfeitorias necessárias e voluptuárias) Se o devedor agir de má-fé receberá indenização apenas pelas benfeitorias necessárias, e não poderá reter o bem BOA FÉ: O devedor de boa-fé que houver contribuído para o acréscimo tem direito a indenização pelos melhoramentos úteis e necessários e a levantar os voluptuários, bem como exercer direito de retenção. MÁ FÉ: O devedor de má-fé terá direito apenas às benfeitorias necessárias e não pode exercer direito de retenção. Classificar Benfeitorias Úteis, Necessárias e Voluptuárias Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé. Regras – resumo obrigações de dar coisa certa: O acessório segue o principal, salvo se houver disposição ao contrario A coisa se perde para o dono. Antes da tradição, o dono é o devedor nas obrigações de dar, e nas obrigações de restituir o dono é o credor. Se a coisa se perder ou se deteriorar, com culpa do devedor, antes da tradição ou pendente condição suspensiva, elearcara com o prejuízo mais perdas e danos. Se a coisa se perder ou se deteriorar, sem culpa do devedor, antes da tradição ou pendente condição suspensiva, o credor pode aceitar com o valor abatido, ou desistir da prestação. A coisa pertence ao dono, se houver melhoramentos o credor pode subir o preço. Os frutos percebidos ate a tradição são do devedor, os frutos pendentes são do credor Nas obrigações de restituir coisa certa se a coisa se perder ou se deteriorarsem culpa do devedor, antes da tradição ou pendente condição suspensiva, a perda será do credor, ressalvados os direitos ate o dia da perda. Nas obrigações de restituir coisa certa se a coisa se perder ou se deteriorarcom culpa do devedor, antes da tradição ou pendente condição suspensiva, o devedor arcará com o prejuízo mais perdas e danos. Nas obrigações de restituir coisa certa, se houver melhoramentosou acréscimos a coisa sem despesa ou trabalho di devedor, o lucro é do credor. O credor não é obrigado a indenizar o devedor Nas obrigações de restituir coisa certa, se houver melhoramentos ou acréscimos a coisa com despesa ou trabalho do devedor, de boa fé, o credor devera ressarci-lo pelas benfeitorias, se houver ma-fé o devedor somente devera ressarcir pelas benfeitorias realmente necessárias. Perecimento: perda total da coisa Deterioração: perda parcial da coisa Restituir: é subespécie de obrigação de dar. Impõe necessidade de devolver coisa que, em razão de contrato, encontra-se legitimadamente em poder do devedor, mas pertence ao credor. Ex. devolução de sinal, devolução de bens ao ausente. O credor é o dono real da coisa. Obrigação pecuniária: é a obrigação de entregar dinheiro. É espécie de obrigação de dar. Tem por objeto a prestação em dinheiro, não de uma coisa. Das Obrigações de Dar Coisa Incerta A obrigação de dar coisa incerta é aquela obrigação em que a coisa não se encontra determinada, ela é até determinável pelo gênero e quantidade, faltando apenas à indicação da qualidade da coisa.Sendo assim, o devedor de uma obrigação de entregar, dar ou restituir coisa incerta tem o dever jurídico de dar entregar ou restituir uma coisa determinada pelo gênero e quantidade – coisa incerta. Ex. 10 sacas de café. O legislador deveria ter trocado a palavra “gênero”por “espécie” no código cível. A obrigação de dar coisa incertatambém é conhecida por obrigação dedar coisas genéricas. Obrigação determinável → coisa incerta → gênero e quantidade OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA X OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS As obrigações alternativas contem dois ou mais objetos individualizados, devendo a escolha recair em apenas um deles. Entretanto, nas obrigações de dar coisa incerta o objeto da obrigação é um só, apenas indeterminado pela qualidade. Uma obrigação pode ser alternativa e indeterminada ao mesmo tempo. Exemplos: - obrigação de dar coisa incerta e alternativa: o devedor deve entregar 10 sacas de café OU 10 sacas de milho - obrigação de dar coisa certa e alternativa: o devedor deve entregar 10 cadernos do mod.XXX OU10 cadernos do mod.YYY - Coisa incerta: o devedor deve entregar 10 sacas de café OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA X OBRIGAÇÕES FUNGÍVEIS A obrigação de dar coisa incerta tem como característica principal o seu objeto determinável apenas pela quantidade e gênero. Entretanto, nas obrigações fungíveis a coisa pode ser substituída por outra de mesma espécie, qualidade e quantidade, como por exemplo, dinheiro. Das Obrigações de Dar Coisa Incerta (atr. 243 a 246) Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade. Coisa incerta sempre será indicada pela quantidade e pelo gênero. EX. 10 sacas de café, 1 saca de milho. O objeto não pode ser completamente interminável, sob pena de anulação do contrato. Ex. entrega de um animal (falta espécie. Qual animal?) / vou entregar arroz (falta quantidade). Conceito: É aquela em que a coisa objeto da prestação não está especificamente determinada, apenas genérica e numericamente. Sendo indiferente ao credor receber uma ou outra partida, visto que todas em tese são iguais e intercambiáveis. O devedor não se libera dando coisa irrisória ou sem utilidade para o credor. Ex. de Obrigações Nulas: a) Quando o objeto não estiver determinado pelo gênero, ex. animal. b) se a coisa for daquelas em que somente são úteis se usadas em quantidade e o contrato não esclarece a quantidade a ser entregue, ex. arroz. Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor. A escolha nas obrigações incerta pertence ao devedor, salvo disposições expressas e contrárias da lei ou da vontade das partes. Nas obrigações de dar coisa incerta o objeto permanece indeterminável até o momento da escolha, cabendo ao devedor a escolha da qualidade da coisa. Entretanto, ao exercer o direito de escolha, o devedor não poderá dar coisa pior, nem mais valiosa, deve prestar o mediano. A escolha está limitada a uma qualidade média de modo a coibir abusos, tanto daquele que pretende dar o menos como aquele que tenciona exigir o mais. Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente. Realizada a escolha pelo devedor e cientificado o credor, a coisa deixa de ser incerta, pois o objeto passa a ser determinado, devendo aplicar as regras da coisa certa. Feita a escolha ou a concentração e dela cientificado o credor, a coisa deixa de ser incerta, transformando-se a obrigação, a partir dali, em obrigação de dar coisa certa, aplicando-se portanto, as regras da seção anterior (DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA). . Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. Até o momento da tradição, da concentração, da escolha, todos os riscos são do devedor. O gênero nunca perece. Ex. Entregar 10 sacas de café → antes da escolha →incêndio → a dívida permanece. O raciocínio é que o devedor antes da escolha do credor, não pode alegar que a coisa se deteriorou ou se perdeu. Nas obrigações de coisa incerta, antes da escolha, o devedor não pode, ainda que por caso fortuito ou força maior, alegar perda ou deterioração da coisa. Na obrigação de coisa certa se a coisa se perder sem culpa do devedor, a prestação será perdoada. Até o momento da concentração, todos os riscos são suportados pelo devedor. (genus nunquanperit- o gênero nunca perece. Como a coisa ainda não estava individualizada, a sua perda ou deterioração, ainda que por caso fortuito ou força maior, não aproveita ao devedor, vale dizer, a obrigação de entregar permanece. Regras – resumo obrigações de dar coisa incerta: Coisa incerta sempre será indicada pela quantidade e pelo gênero. EX. 10 sacas de café, 1 saca de milho. Uma vez realizada a escolha da qualidade, a coisa passa a ser certa, valendo as regras das obrigações de dar coisa certa. A escolha pertence ao devedor, salvo disposições contrarias. O devedor não pode entregar coisa pior, nem mais valiosa. Deve escolher pela qualidade mediana da coisa. A coisa se perde para o dono. Antes da escolha, o dono é o devedor. O devedor, antes da escolha, não pode alegar que a coisa se perdeu ou se deteriorou, mesmo que por fortuito ou forca maior, mesmo que por sua culpa ou não. Antes da escolha, se a coisa se perder ou deteriorar, com ou sem culpa do devedor, não será o devedor isento da obrigação. Obs.: nas obrigações de dar coisa certa, se a coisa se perder sem culpa do devedor este não será obrigado a pagar o prejuízo. Das Obrigações de Fazer A obrigação de fazer abrange o serviço humano em geral, seja material ou imaterial. A prestação se dá pelos atos ou serviços a serem executados pelo devedor. As obrigações de fazer abrangem as OBRIGAÇÕES INFUNGÍVEL (ART 247),FUNGÍVEL (ART. 249) e EMITIR DECLARAÇÃO DE VONTADE A diferença entre obrigações de dar e fazer é que nas obrigações de dar a prestação consiste na entrega da coisa, certa ou incerta. Nas obrigações de fazer o objeto da prestação consiste em ato ou serviço do devedor. As obrigações de fazer não cumpridas, espontaneamente, acarretam para responsabilidade do devedor em cumprir a prestação. EX. Compra e venda – obrigação de dar EX. Registrar a escritura – obrigação de fazer Fungível: é aquela coisa que pode ser substituídopor outro de mesma espécie, logo infungível é aquele que pode ser substituído. Personalíssima:A Prestaçãonão pode ser exercida (realizada) por outra pessoa que não o titular. Espécies de obrigação de fazer: INFUNGÍVEL, IMATERIAL OU PERSONALÍSSIMA: Quando for convencionado que o devedor cumpra pessoalmente a prestação, estaremos diante de obrigação de fazer infungível, imaterial oupersonalíssima. Neste caso, havendo cláusula expressa, o devedorsó se exonerará se ele próprio cumprir a prestação, executando o ato ou serviço prometido, pois foi contratado em razão de seus atributos pessoais. O Art. 247 cuida das obrigações infungíveis, personalíssimas, por convenção expressa ou tácita, o pacto estipula que em razão das qualidades pessoais do devedor, somente ele poderá executar o serviço. A recusa voluntaria induz culpa. A infungibilidade pode decorrerda própria natureza da prestação, ou seja, das qualidades profissionais, artísticas ou intelectuais do contratado ou pode ser expressa (decorrer da vontade das partes). Assim sendo, B não poderá fazer-se substituir por outro (infungibilidade pela natureza da obrigação). Ou, ainda, a contração de C, advogado, por parte de B, com expressa cláusula de vedação ao subestabelecimento (infungibilidade por disposição expressa). FUNGÍVEL, MATERIAL OU IMPESSOAL: Quando não há tal exigência expressa, nem se trata de ato ou serviço cuja execução dependa de qualidades pessoais do devedor, ou dos usos e costumes locais, podendo ser realizado por terceiro, diz-se que a obrigação de fazer éfungível, material ou impessoal. Em caso de prestaçãofungível, o credor ode solicitar que um terceiro realize o ato. Ex. o locatário compromete-se a reparar o imóvel e não cumpre, o locador pode mandar o serviço para outro e cobrar o prejuízo locador DECLARAÇÃO DE VONTADE O devedor se compromete a obrigação de fazer declaração de vontade. Ex. endossar certificado de propriedade de veiculo. A sentença uma vez transitada em julgadoproduzirá “todos os efeitos da declaração emitida”. Das Obrigações de Fazer (art. 247 a 249) Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível. A regra geral da obrigação de fazer é de que a obrigação somente pode ser executada pelo próprio devedor. Se o devedor não cumpre a prestação a que se obrigou, a obrigação se resolve em perdas e danos. A obrigação de fazer pode ser executada pelo próprio devedor ou por terceiro às custas dele (art.249), salvo quando a obrigação for personalíssima (a pessoa do devedor é eleita em atenção às qualidades que lhe são próprias.) Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos. A regra é a mesma que nas obrigações de dar coisa certa: inexistindo culpa do devedor resolve-se a obrigação, retornando ao statu quo ante, devendo o devedor, caso tenha recebido, devolver ao credor o que recebeu pela prestação. Se houver culpa do devedor, este arcará com perdas e danos. A regra aqui é igual a que rege as obrigações de dar coisa certa. (SEM CULPA) Inexistindo culpa do devedor, resolve-se a obrigação, retornando-se ao stato quo ante, sem que o credor tenha direito a qualquer reparação, além da devolução do que eventualmente já houver pago. (COM CULPA). Se o devedor agir com culpa, devolução do que houver sido pago, e, também perdas e danos. Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar a custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. Se a obrigação não for personalíssima, e havendo recusa pelo devedor, pode o credor optar entre mandar executar a obrigação por terceiro, a custa do devedor, ou simplesmente receber perdas e danos. Para que o 3º execute o serviço devera haver uma autorização judicial, somente dispensada nos casos em que a prestação for urgente (parágrafo único). Se a obrigação não for daquelas que só o devedor pode executar, e havendo recusa pelo devedor, pode o credor optar entre mandar executar a obrigação por terceiro, à custa do devedor, ou simplesmente receber perdas e danos. Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. Aqui há uma inovação do direito anterior ao permitir que o credor, em caso de urgência, realize ou mande realizar a prestação, independentemente de autorização judicial. (Justiça pelas próprias mãos). Uma vez que a intervenção do Poder Judiciário, retardaria a realização de seu direito. No entanto, abusos que possam vir a ser praticados pelo credor serão coibidos e reparados através da competente ação de perdas e danos. Regras – resumo obrigações de fazer: Nas obrigações personalíssimas, o devedor que se recusar a prestação pagarápor perdas e danos. Se a prestação se tornar impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação sem perdas e danos. Se a prestação se tornar impossível com culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação com perdas e danos. O credor pode solicitar judicialmente que um terceiro execute a prestação e exigir do credor o ressarcimento + perdas e danos. Se a prestação for urgente, é dispensada a autorização judicial. Das Obrigações de Não Fazer A obrigação de não fazer impõe ao devedor o dever de não fazer, de abstenção: o de não praticar o ato que livremente poderia fazer se não houvesse se obrigado. Ex. o comprador se obriga a não construir muro maior q x altura. A obrigação de fazer é sempre uma omissão uma postura negativa, porem a obrigação de não fazer não pode ferir excessivamente a liberdade do devedor. Ex. não pode casar. Das Obrigações de Não Fazer(art. 250 e 251) Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. A obrigação de não fazer pode resultar da lei ou da convenção das partes. Em qualquer uma das hipóteses, se a obrigação de não fazer se tornar impossível sem culpa do devedor à obrigação será extinta. A obrigação de não fazer, pode resultar da lei (relações de vizinhança, servidões, etc.), de sentença ou de convenção entre as partes. Se o ato for praticado sem culpa, resolve-se a obrigação, retornando-se ao stato quo ante. Se houver culpa, o credor fará jus às perdas e danos. Em ambos os casos, o devedor fica obrigado a devolver o que haja recebido para que o ato não se realize. Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos. Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido. Se o credor deixar de prestar a obrigação de não fazer, pode o credor solicitar que ele o desfaça, e ainda solicitar perdas e danos. Em caso de urgência, o credor poderá solicitar que um terceiro, sem autorização judicial, desfaça a obrigação que o devedor se obrigou a não fazer, podendo solicitar depois perdas e danos. A obrigação de não fazer pode resultar da lei ou da convenção das partes. Em qualquer uma das hipóteses, se a obrigação de não fazer se tornar impossível sem culpa do devedor à obrigação será extinta. O Código permite que o ato seja desfeito pelo próprio credor ou por terceiro, á custa do devedor. Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido. O credor pode promover o desfazimento independentemente de autorização judicial. Eventuais abusos que possam vir a ser praticados pelo credor serão coibidos e reparados por meio da competente ação de perdas e danos. E tal medida dever ser usada apenas em caso de urgência, é claro que um credor da obrigação negativa de não construção de um prédio que já está pronto não poderá promover-lhe diretamente a execução. Regras – resumo obrigações de não fazer: Se o devedor praticar o ato, a cuja abstenção se obrigara, mas é impossível de manter (sem culpa do devedor), resolver-se-á a obrigação sem perdas e danos,a obrigação será extinta. Se a prestação se tornar impossível com culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação com perdas e danos. O credor pode solicitar judicialmente que um terceiro execute a prestação e exigir do credor o ressarcimento + perdas e danos. Se a prestação for urgente, é dispensada a autorização judicial. A obrigação de não fazer pode resultar da lei ou da convenção das partes. Das Obrigações Alternativas Quando a obrigação tem por objeto uma só prestação diz-se que ela é simples (ex. entregar um veículo). Havendo pluralidade de prestação a obrigação é chamada de complexa ou composta. A obrigação alternativa é aquela que compreende dois ou mais objetos e extingue-se com a prestação de apenas um. Na obrigação alternativa por convenção das partes, há varias prestações, mas somente uma devera ser cumprida, mediante a escolha do credor ou do devedor. Ex. a seguradora de veículos pode: reparar o veiculo ou emprestar outro carro. DIFERENCA ENTRE OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS X GENÉRICAS: Nas obrigações de dar coisa incerta, o objeto é determinado apenas pela quantidade e gênero. Nas obrigações alternativas há vários objetos, devendo a escolha recair somente um deles (sempre usa “ou” – ex. entregar 10 sacas de arroz OU 10 sacas de feijão). Das Obrigações Alternativas (art. 252 a 256) Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou. § 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. § 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. § 3o No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação. § 4o Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes. Conceito: Diz-se alternativa a obrigação quando comportar duas prestações, distintas e independentes, extinguindo-se a obrigação pelo cumprimento de qualquer uma delas, ficando a escolha em regra com o devedor e excepcionalmente com o credor. (Decadência do direito de escolha pelo devedor, art.571 do CPC).A escolha é irrevogável, passando-se de alternativa para simples. A prestação que era múltipla passa a ser uma só. A escolha sempre é do devedor, salvo disposições contrarias. A prestação não pode ser dividida. Ex. 10 sacas de arroz ou 10 sacas de milho. O devedor não pode oferecer 2 sacas de arroz e 8 de milho, ele precisa entregar DEZ SACAS de arroz ou de milho. Se a prestação for periódica, em cada entrega o devedor pode exercer o seu direito de escolha. Se houver vários devedores e estes não conseguirem se decidir no prazo, a escolha será feita pelo juiz. Se a escolha pertencer a um terceiro e este não decidir, a escolha também será feita pelo juiz. Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra. Susbsistirá o débito quanto à outra, indiferentemente da manifestação do credor, e, independentemente de que a impossibilidade da outra tenha ocorrido com ou sem culpa pelo devedor. Se a escolha era do credor e não houve culpa do devedor, a solução é a mesma. Se, porém houver culpa do devedor, pode o credor optar entre receber a prestação remanescente ou o equivalente em dinheiro da que se impossibilitou, acrescido de perdas e danos (ver art.255, 1ª parte. Se a escolha era do devedor → Se o devedor fica impossibilitado de escolher entre uma das prestações (com, ou sem culpa, por caso fortuito ou de natureza maior) a escolharecairá na prestação remanescente, indiferente a manifestação do credor. Se a escolha era do devedor → com culpaou sem culpa do devedor → obrigação remanescente. Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor à escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. Nesse caso o devedor perde o direito de escolha, porque com a extinção da primeira prestação ficou devendo obrigatoriamente a segunda. Perdendo as duas, só pela última responde o devedor. SEMPRE QUE HOUVER CULPA DO DEVEDOR, HAVERÁ PERDAS E DANOS. Se a escolha era do devedor →com culpa do devedor → Se o devedor fica impossibilitado de prestar todas as obrigações →deverá pagar o valor da ultima prestação que foi perdida + perdas e danos. Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos. O credor pode exigir o valor em dinheiro da qualquer das prestações que se impossibilitaram, além de perdas e danos, salvo no caso de força maior ou caso fortuito. Se a escolha era do credor → com culpa do devedor →o credor pode aceitar obrigação remanescente OU pedir o valor da coisa que se perdeu + perdas e danos. Se a escolha era do credor → com culpado devedor →Se não houver mais prestações,o credorpode reclamar o valor da coisa que quiser (escolher)+ perdas e danos. Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação. Se todas as prestações se extinguirem, sem culpa do devedor o devedor ira devolver o que recebeu (se tiver recebido algo). “Impossibilidade inocente”. O devedor está obrigado a restituir o que houver recebido pelas prestações que se impossibilitaram. Se no entanto, houver culpa do credor, este terá de indenizar o devedor pelo valor de uma das prestações, uma vez que importa em desfalque de seu patrimônio, pois ele perdeu a coisa que ficaria em seu poder, depois de feita a escolha e satisfeita a obrigação com a entrega da que fora escolhida. Resumo – resumo obrigações alternativas: ESCOLHA CULPA RESTOU PRESTAÇÃO? SOLUÇÃO DEVEDOR SEM culpa do devedor NAO O devedor devolve o que recebeu e extingue-se a prestação ART. 256 DEVEDOR Com culpa do devedor NAO Se houver culpa do devedor, e não sobrar nenhum objeto, o credor tem direito a ultima que se perdeu + perdas e danos. Art.254 DEVEDOR COM OU SEM culpa do devedor SIM A prestação recai sobre a outra ART. 253 CREDOR Culpa do devedor SIM O credor pode escolher ficar com a prestação sobrou OU pode pedir o valor da prestação que se perdeu + perdas e danos. Art.255 CREDOR Sem do devedor NÃO O credor escolhe uma das duas que se perdeu, e cobra o valor dela + perdas e danos. Art.255 Art. 252: A escolha sempre é do devedor, salvo disposições contrárias. A prestação não pode ser dividida. Se a prestação for periódica, em cada entrega haverá o direito de escolha. Se houver vários devedores e estes não conseguirem se decidir no prazo, a escolha será feita pelo juiz. Se a escolha pertencer a um terceiro e este não decidir, a escolha também será feita pelo juiz. Das Obrigações Divisíveis e Indivisíveis(art. 257 a 263) As obrigações simples são aquelas em que há apenas um credor e um devedor, já que as obrigações compostas são aquelas em que há uma multiplicidade de sujeitos. A obrigação indivisível tem por objeto uma coisa ou fato que não podem ser divididos,visto a sua própria natureza. Já a obrigação divisível tem por objeto uma coisa ou fato suscetíveis de divisão. Ex. cavalo (eu não posso prestar partes do cavalo. O cavalo épor natureza indivisível). Quanto à indivisibilidade o art. 313 estabelece que divisível ou não o objeto, o credor não pode ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não o ajustou. Portanto, a obrigação simples é considerada indivisível,mesmo que seu objeto sejadivisível, pois a prestação é uma só. A característicade (in)divisibilidade só interessa quanto à multiplicidade de credores e devedores em uma relação jurídica. Espécies de indivisibilidade: Natureza do objeto - indivisibilidade natural ou indivisibilidade absoluta Ex. cavalo Indivisibilidade legal - indivisibilidade relativa ou imprópria - decorre da lei. Ex. massa falida Por vontade das partes - indivisibilidade subjetiva ou intelectual Nas obrigações indivisíveis, embora concorram várias pessoas, cada credor tem direito de reclamar a prestação por inteiro e cada devedor responde também pelo todo. Já nas obrigações divisíveis cada devedor responde, a rigor, pela sua quota. Das Obrigações Divisíveis e Indivisíveis (art. 257 a 263) Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta se presume dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores. Conceito Obrigação Divisível: São divisíveis as obrigações cujas prestações podem ser cumpridas parcialmente e em que cada um dos devedores só estará obrigado a pagar a sua parte da dívida, assim como cada credor só poderá exigir a sua porção do crédito. A prestação é só uma, o que ocorre são pluralidade de sujeitos da obrigação. (Se há um só credor e um só devedor, a obrigação é indivisível.) Obrigação divisível é aquela em que as prestações podem ser cumpridas parcialmente, cada um dos devedores só estará obrigado a pagar sua parte da dívida, assim como cada credor só poderá exigir a sua porção do crédito. Art. 258.A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto coisa ou um fato não suscetível de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada à razão determinante do negócio jurídico. Obrigação indivisível é aquela que por convenção das partes, ou forca da lei, ou pela perda de seu valor econômico, ou pela natureza do objeto, são indivisíveis. A prestação não poderá ser fracionada, cada devedor é obrigado à totalidade da prestação e a cada credor só poderá exigi-la por inteiro. Conceito Obrigação Indivisível: É indivisível a obrigação caracterizada pela impossibilidade natural ou jurídica de fracionar a prestação, na qual cada devedor é obrigado pela totalidade da prestação e cada credor só pode exigi-la por inteiro. O Código anterior não tinha o conceito de obrigação indivisível, bem como, o atual deixa claro que a indivibilidade não decorre apenas da natureza da prestação (indiv. Física) ou da lei (indivis.legal), mas também por motivo de ordem econômica, ou seja, se o cumprimento parcial implicar na perda de sua viabilidade econômica. (Vide art.87 do CC, sobre o conceito de bens indivisíveis.) Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. Não pode o co–devedor de prestação indivisível quitar parcialmente a dívida, ou seja, mesmo que o devedor não seja obrigado pela divida toda, não poderá pagar parcialmente, pois a prestação é indivisível. O devedor deverá pagar integralmente pela divida, e poderá cobrar dos co- devedores as respectivas quotas partes. Diferente da solidariedade, que cada devedor tem obrigação e responsabilidade sobre o todo. Não pode o co-devedor de prestação indivisível quitar parcialmente a dívida, ou seja, mesmo não estando obrigado pela dívida toda, deve pagá-la integralmente, pois não pode dividir a obrigação. (É diferente de solidariedade, em que o devedor deve o todo). Prescrição: (Dissenso na doutrina). A regra geral é a de que a prescrição de uma dívida indivisível aproveita a todos os co-devedores e prejudica igualmente a todos os credores. Mas, se a prescrição ocorrer apenas em favor de um dos devedores da obrigação indivisível? Beviláqua e Washington de Barros, expressa que a prescrição contra um dos devedores não prejudica aos demais. Já Silvio Venosa entende que sim, citando o acórdão 1951do RE 15.149, do STF, no sentido de que a prescrição em favor de um dos devedores, aproveita aos demais, em se tratando de obrigações indivisíveis. Mário Luiz Delgado Régis, entende que a prescrição operada em favor de um dos devedores de obrigação indivisível não aproveita aos demais, mas o credor só poderá exigir a dívida por inteiro, descontando a parte do devedor atingido pela prescrição. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. O pagamento da dívida por um dos co-devedores faz cessar a indivisibilidade, pois sub-roga-se nas frações do débito atribuíveis a cada um dos demais co-devedores e assim, só poderá exigir dos outros coobrigados a fração que a cada um competia. (Vide art.346 e ss do CC). Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I - a todos conjuntamente; II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. A pluralidade de credores também é chamada de concurso ativo, pode nascer de vários credores ou de apenas um só e depois sobrevir o concurso (ex. herança). O devedor que quiser pagar a dívida toda deverá pagar a todos os credores conjuntamente, cada qual sua quota parte. Ou poderá o devedor pagar a apenas um dos credores, devendo este credor entregar o caução ao devedor. O Caução é a garantia dada pelo credor que recebeu a divida toda ao devedor, que o responsabiliza pela divisão do pagamento entre os outros credores. A pluralidade de credores, também chamado de concurso ativo, pode ser originária ou sucessiva (ato inter vivos ou mortis causa). I - a todos conjuntamente; Embora um só dos co-credores possa exigir a dívida toda, em regra, não pode o devedor liberar-se da obrigação pagando o total da dívida a um só deles. II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. A regra do inc.I não é absoluta. No caso do co-credor que receber apresentar uma autorização ou prestar caução de ratificação pelos demais. Essa caução nada mais é do que uma garantia oferecida pelo credor que recebe o pagamento de que os outros co-devedores o reputam válido e não cobrarão posteriormente do devedor as suas quotas no crédito. A segunda exceção ocorre se o pagamento feito a apenas um dos co-credores aproveitar a todos. (Ex. Construção a se levantar em terreno comum, quando nenhum dos outros teria o interesse em acionar o devedor). Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. Se o devedor paga para apenas um credor, os outros credores podem cobrar suas quotas partes daquele que recebeu a dívida por inteiro. Se o objeto da prestação for fracionável, o credor que recebeu dará a cada concredor a sua parte na coisa divisível. Mas se o objeto não for fracionável, aplica-se o presente artigo. Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão. Mesmo se um dos credores perdoar a divida, a obrigação não será extinta com relação aos demais credores. Ex. Credor A- exige pagamento quota parte R$1000,00 Credor B - exige pagamento quota parte R$1000,00 Credor C – perdoa a sua quota parte (não pode remitir a divida toda)R$ 1000,00 Devedor: O devedor deverá pagar apenas R$2.000,00 para os credoresA e B. E os credores A e B vão cobrar do credor C a parte remida. * Se a obrigação for indivisível, o devedor poderá entregar a o objeto por inteiro, mas os credores A e Bdeverão pagar a parte remida pelo credor C. Posteriormente, credores A e B poderão exigir do credor C suas devidas quotas partes da divida que foi perdoada. Ex. cavalo indivisível. O cavalo: valor da prestação: 3 mil O credor A remite 2 mil – credor b exigepagamento O devedor vai entregar o cavalo, mas receberá dos credores B o valor tododa prestação. Depois o credor ira exigir de A o reembolso da parte remida. Álvaro Villaça: Se o objeto da prestação for divisível, os devedores efetuarão o “desconto do valor dessa cota para entregarem só o saldo aos credores não remitentes. (...) Na obrigação indivisível, como este desconto é impossível, os devedores têm de entregar o objeto todo, para se reembolsarem do valor correspondente à cota do credor, que perdoou a dívida” (In Teoria Geral das obrigações, p.94). Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão. Remitir: perdoar Transação: negocio jurídico bilateral, pelo qual as parte previnem ou terminam relações jurídicasconvertidas por meio de concessões mútuas. Solvens: aquele que fez o pagamento Accipiens: aquele que recebe o pagamento Novação: é criação de outra obrigação Compensação: equiparar a dívida. Confusão: ocorre quando as qualidades de credor e devedor se encontram em uma mesma pessoa. Extingue-se a obrigação por confusão. Mora: atraso no pagamento Inadimplemento: não foi pago Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. § 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais. § 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos. Perecimento por culpa de todos os devedores → todos dividem o valor do objeto + perdas e danos Perecimento com culpa de apenas um devedor → Somente ele irá pagar valor do objeto + perdas e danos Perecimento sem culpa → obrigação resolvida até o statu sine quo Pagamento é o cumprimento da prestação. Perde a indivisibilidade a obrigação que se transformar em perdas e danos. Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. A indenização pelas perdas e danos é expressa sempre em dinheiro, sendo a obrigação pecuniária divisível por sua própria natureza. § 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais. Se a só um deles for imputada a culpa, é lógico que só o culpado deverá responder por perdas e danos. § 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos. Exonera-se os co-devedores apenas no tocante às perdas e danos e não à quitação de suas quotas na dívida. Regras – resumo obrigações divisíveis e indivisíveis: Cada credor e cada devedor só são responsabilizados até a sua quota parte, quando a obrigação é divisível. Cada credor e devedor serão responsabilizados pela divida toda quando a obrigação for indivisível. A indivisibilidade se dá pela natureza do objeto, perda do valor econômico, pela vontade das partes, ou lei. O devedor que pagar a divida toda deve receber um caução do credor. O caução é a garantia do devedor de que o credor que recebeu a divida toda ira repassar as quotas partes aosdemais credores. Ou deverá o devedor pagar a todos credores conjuntamente. Se o credor receber a divida toda não repassar as quotas partes, o demais credores poderão exigir dele a prestação. Se uma parte for remida por uns dos credores, o devedor fica isento de pagar a parte remida, nas obrigações divisíveis. Mas os credores podem cobrar suas cotas partes da parte remida do credor que remitiu. Nas obrigações indivisíveis, se um credor remite a divida, o devedor devera entregar a prestação por inteiro, assim como os credores. Os credores poderão cobrar do credor que remiu a divida a parte que lhes cabe. Se a obrigação for indivisível ou divisível e se perder ou deteriorar sem culpa do devedor, extingui-se a prestação. Perecimento por culpa de todos os devedores →todos dividem o valor do objeto + perdas e danos Perecimento com culpa de apenas um devedor → Somente ele irá pagar valor do objeto + perdas e danos Perecimento sem culpa → obrigação resolvida até o statu sine quo Das Obrigações Solidárias É característica da solidariedade a multiplicidade de credores e/ou devedores, tendo cada credor direito a totalidade da prestação, como se fosse credor único ou estando cada devedor obrigado pela divida toda, como se fosse o único devedor. Qualquer um dos credores pode exigir de qualquer devedor a prestação por inteiro e, efetuada a prestação por qualquer um dos devedores, encerra-se a prestação para todos. Porém, se um dos devedores efetuar o pagamento por inteiro poderá exigir, posteriormente, dos outros co-devedores as respectivas partes. Então, se um dos devedores solidários se tona insolvente, o credor pode chamar qualquer um dos outros para cumprir a prestação por inteiro. O prejuízo não se limita, para o devedor, somente asua quota parte, mas também pelas demais quotas dos co-devedores. A solidariedade é composta por: Pluralidade de sujeitos Multiplicidade de vínculos Unicidade de prestação: devedor responde pelo débito inteiro Co-responsabilidade dos interessados SOLIDARIEDADE X INDIVISIBILIDADE O devedor solidário é compelido a pagar a dívida por inteiro por ser devedor de um todo. Já na indivisibilidade o devedor só responde até o limite de sua quota parte, mas é obrigado ao pagamento total por que a lei determina que é impossível fracionar a prestação. Geralmente a indivisibilidade advém da natureza do objeto, enquanto que na solidariedade da vontade das partes. ESPÉCIES DE SOLIDADRIEDADE: ativa e passiva Ativa: Credores. Multiplicidade de credores, cada qual com direito a sua quota parte, mas, em razão da solidariedade, cada credorpode reclamá-la por inteiro do devedor comum. O credor que receber a dívida por inteiro deve repassar aos co-credores suas respectivas partes. Ex. conta conjunta. Cada correntista pode sacar o dinheiro todo, sem comunicar e os demais, todos os correntistas podem movimentar livremente a conta conjuntamente ou separadamente, São credores solidários perante o banco. Ex. Cofre de banco locado para casal Passiva: Devedores. Na solidariedade passiva, cada devedor tem responsabilidade sobre a dívida toda, podendo ser acionado a paga-la por inteiro e não somente a sua quota parte. A solidariedade passiva permite que o credor a cobrar a dívida inteira de qualquer devedor comum, conjuntamente ou não. Qualquer devedor que pagar a divida a um dos credores, o devedor exonera a todos da obrigação. - multiplicidade de co-devedores → deve cumprir o objeto por inteiro (passiva) - multiplicidade de co-credores → pode exigir a obrigação por inteiro (ativa) Das Obrigações Solidárias -Disposições Gerais (Art.264 A 266) Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. A solidariedade se dá quando há uma obrigação em que a prestação pode ser exigida por qualquer um dos credores, e qualquer devedor é obrigado à dívida toda. A obrigação convertida em perdas e danos perde a indivisibilidade (geralmente, característica da natural do objeto), mas a solidariedade somente é desfeita com o pagamento da prestação. Conceito Obrigação Solidária: Diz-se solidária a obrigação quando a totalidade da prestação puder ser exigida indiferentemente por qualquer dos credores de quaisquer devedores. Cada devedor deve o todo e não apenas uma fração ideal, como ocorre nas obrig. indivisíveis. Nas obrigações indivisíveis estas se relacionam com o objeto da prestação, e nas Solidárias com a relação jurídica subjetiva. Aqui se ao contrário das obrig.indivisíveis (desaparece a indivisibilidade), se a obrigação for convertida em perdas e danos, permanece a solidariedade. (art.271). Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. A solidariedade não se presume ela é expressa, convencionada pelas partes ou pela lei. Duas únicas fontes da solidariedade: lei ou vontade das partes, salvoprova em contrário. Ex. Testemunhal. Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. A solidariedade pode variar de co-devedor e co-credor, pode ser válida para um e nula para outro, sem afetar a solidariedade. Cada devedor tem um vínculo autônomo com o credor, podendo então condicionar ou modificar, ou pagar a cada um em lugar deferente, e de forma diferente. O modo de ser da obrigação solidária pode variar de um co-devedor ou co-credor para outro. Não há prejuízo para a solidariedade visto que o credor pode cobrar a dívida do devedor cuja prestação contenha número menor de óbices, ou seja, reclamar o débito todo do devedor não atingido pelas cláusulas opostas na obrigação. O dispositivo inova o direito anterior, ao inserir a cláusula final acerca do pagamento em lugar diferente apenas em relação a alguns dos devedores solidários. (Se a cláusula ou condição sobrevier à obrigação, leia-se o art.278) Regras das obrigações solidárias: É característica da solidariedade a multiplicidade de sujeitos na relação obrigacional A Solidariedade passiva obriga qualquer co-devedor à dívida toda A solidariedade ativa permite que cada co-credor exija a prestação por inteiro A solidariedade não se presume, ou ela é expressa pela lei ou advém da vontade das partes. A solidariedade pode variar de um co-devedor para co-credor, podendo ser válida para um e nula para outro. Da Solidariedade Ativa (267 A 274) Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. A solidariedade ativa permite que cada credor cobre o cumprimento da prestação por inteiro de qualquer um co-devedor. A essência da solidariedade ativa é: o direito que cada credor tem de exigir de cada devedor a totalidade da dívida e não poder o devedor ou os devedores negarem-se a fazer o pagamento da totalidade da dívida, ao argumento de que existiriam outros credores. Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar. Iniciada a ação judicial o devedor somente pode pagar ao autor da ação. Enquanto não houver a ação judicial o devedor pode pagar a qualquer credor comum. Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. Devedor pode pagar parte da dívida a qualquer um dos credores, a parte paga é descontada da dívida. Entretanto, mesmo que o devedor efetue o pagamento de parte da dívida, sua quota parte, não se isenta da solidariedade, podendo o credor cobrar dele a parte faltante. O devedor, se não tiver sido cobrado pelo todo, pode pagar apenas uma parcela da dívida a qualquer dos co-devedores, uma vez que permanece a obrigação solidária em relação ao remanescente. Qualquer um dos co-credores, poderá exigir do devedor o restante da dívida, abatendo-se o que foi pago. Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. Refração do débito:Se um dos co-credores morre, cada herdeiro só irá receber até o limite da quota parte do co-devedor falecido, limitado ao quinhão hereditário. Cada herdeiro pode exigir o cumprimento até o limite do quinhão que está herdando. Ou seja, herdeiro 1, herdeiro 2, cada poderá exigir 50% da dívida. Pode exigir a prestação por inteiro somente quando: se o credor falecido deixar apenas um herdeiro ou sea obrigação for indivisível. A solidariedade desaparece para os herdeiros, mas, permanece em relação aos demais co-credores sobreviventes. Os herdeiros podem exigir apenas a quota no crédito de que o de cujus era titular, juntamente com os demais credores. Exceções: a) Se houver um só herdeiro, b) Se todos herdeiros agirem conjuntamente, c) Se indivisível a prestação (Aqui qualquer dos herdeiros pode exigir a totalidade do crédito, não em decorrência da solidariedade e sim da indivisibilidade da obrigação, aplicando-se as regras dos arts.257 a 263 do CC). Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade. Reside aqui a diferença de solidariedade e indivisibilidade. - cada devedor solidário deve pagar a divida por inteiro. Na indivisibilidade o devedor é obrigado ao pagamento por inteiro porque o objeto é indivisível. - perde a indivisibilidade a obrigação que se resolver em perdas e danos. - a indivisibilidade verifica-se automaticamente, já a solidariedade vem da lei ou vontade das partes. - as perdas e danos também podem ser cobrados nas obrigações solidárias. O direito anterior inovou ao suprimir “em proveito de todos os credores correm juros de mora”, por ser uma disposição supérflua. Aqui ocorre a PRINCIPAL DIFERENÇA COM AS OBRIGAÇÕS INDIVISÍVEIS: pois o vínculo da solidariedade permanece. (Cf. comentários ao art.261 acima). Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. Se um dos co-credores perdoar a dívida ou tiver recebido pagamento, responderá por isso aos outros co-credores. Quando o credor solidário voluntariamente libera i devedor da dívida, assume perante aos co-devedores a responsabilidade sobre ela. Ou seja, os co-credores poderão cobrar do co-credor que remiu ou recebeu o pagamento sua respectiva quota parte (a parte que lhe caiba). O Credor somente tem direito de remir a divida até a sua quota parte. Quando o credor solidário, por ato pessoal, liberar o devedor do cumprimento da obrigação, assume a responsabilidade perante os demais co-credores, que poderão exigir do que recebeu ou remitiu a parte que lhes caiba. Só que aí cada um só poderá exigir a sua quota e não mais a dívida toda, pois a responsabilidade entre eles é sempre pro parte. Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros. Na ação judicial o devedor não poderá se defender prejudicando os demais. O dispositivo vem deixar expressa a regra de que as defesas que o devedor possa alegar contra um só dos credores solidários não podem prejudicar aos demais. Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer deles A obrigação pode ter características de cumprimento diferentes para cada um dos co-credores, podendo inclusive, vir a ser considerada invalida a relação deles, sem prejuízo aos direitos dos demais. O dispositivo não existia no direito anterior. Vem complementar o art.273, e constituir um desdobramento do 266, segundo a qual a obrigação pode ter características diferentes para cada um dos co-credores, podendo inclusive, vir a ser considerada inválida apenas em relação a um deles, sem prejuízo aos direitos dos demais. Regras da solidariedade ativa - resumo: A solidariedade ativa permite que cada credor exija o cumprimento da prestação por inteiro de qualquer um co-devedor. Iniciada a ação judicial o devedor somente pode pagar ao autor da ação. Enquanto não houver a ação judicial o devedor pode pagar a qualquer credor comum. O devedor pode pagar parte da dívida a qualquer um dos credores, a parte paga é descontada da dívida - extinta. Cada herdeiro pode exigir o cumprimento da prestação somente até o limite do quinhão que está herdando. Exceto: Pode exigir a prestação por inteiro quando: se o credor falecido deixar apenas um herdeiro ou sea obrigação for indivisível. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade. Se um dos co-credores perdoar a dívida ou tiver recebido pagamento, responderá por isso aos outros co-credores. A obrigação pode ter características de cumprimento diferentes para cada um dos co-credores,podendo inclusive, vir a ser considerada invalida a relação deles, sem prejuízo aos direitos dos demais. Da Solidariedade Passiva (art.275 A 285) Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade à propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. Qualquer Co-credor tem o direito de exigir pagamento parcial ou total de qualquer co-devedor a dívida comum. Se o pagamento for parcial todos os demais devedores continuam solidários pelo resto. A propositura da ação ou renúncia não findam a solidariedade. Na solidariedade passiva, cada um dos devedoresestá obrigado ao cumprimento integral da obrigação, que pode ser exigida de todos conjunta-mente ou apenas de algum deles. Como asolidariedade passiva é constituída em benefício do credor, pode ele abrir mão da faculdade que tem de exigir a prestação por inteiro de um só devedor, podendo exigi-la,parcialmente, de um ou de alguns. Só que nesta última hipótese permanece a solidariedade dos devedores quanto ao remanescente da dívida. Nesse sentido é a doutrina consolidada. O fato de o credor propor demanda judicial contra um dos devedores não o impede de acionar os demais. Isso porque, enquanto nãofor integralmente paga a dívida, mantém-se íntegro o direito do credor em relação a todos e a qualquer dos outros devedores, não se podendo, mesmo, presumir a renunciar de tais direitos do fato de já ter sido iniciada a ação contra um dos devedores. Na solidariedade passiva, cada um dos devedores está obrigado ao cumprimento integral da obrigação, que pode ser exigida de todos conjuntamente ou apenas de algum deles. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. Como a solidariedade é constituída em benefício do credor, pode ele abrir mão da faculdade que tem de exigir a prestação por inteiro de um só devedor, podendo exigi-la, parcialmente, de um ou de alguns, mas mantém-se a solidariedade dos devedores quanto ao remanescente da dívida. Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. Cada herdeiro do devedor somente será responsável pelo pagamento dívida proporcionalmente até o limite do quinhão que está herdando. Somente responderão os herdeiros devedores pela prestação por inteiro quando a obrigação for indivisível ou quando acionados conjuntamente. O artigo dá aplicação ao princípio geral de que os herdeiros só respondem pelos débitos do de cujus até os limites de suas quotas na herança. No entanto, a condição da dívida não transmuta, são eles coletivamente considerados e em relação aos co-devedores originários como constituindo um devedor solidário. Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. A solidariedade subsiste quanto ao débito remanescente. O pagamento parcial reduz o valor do credito em aberto, mas a solidariedade permanece para com valor restante da dívida. Remissão: perdão. O credor que perdoa a dívida com o devedor extingue o vínculo da relação obrigacional entre eles, mas não perante os outros. Desta forma, qualquer outro credor pode ainda cobrar dos outros devedores o valor restante da dívida, o devedor que pagar além da sua quota parte pode cobrar o excesso dos outros. O nosso Código não exonera os coobrigadossolidários na hipótese de o credor perdoar um deles ou receber de apenas um o pagamento parcial das dívidas. A solidariedade subsiste quanto ao débito remanescente,ou seja, os outros devedores permanecem solidários, descontada a parte do co-devedor que realizou o pagamento parcial ou foi perdoado. Art. 278. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. A alteração gravosa da obrigação só pode ocorrer com a aquiescênciade todos os devedores solidários. Nenhum dos co-devedores poderá sozinho, agravar a posição do outro na relação obrigacional. A alteração gravosa da obrigação só pode ocorrer com a aquiescência de todos os devedores solidários. Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado. Não havendo culpa, resolve-sea obrigação. Havendo culpa de todos os co-devedores, todos eles responderão solidariamente pelo valor da prestação além das perdas e danos. Se a culpa, no entanto, foi de apenas um dos co-devedores, só o culpado responderá pelas perdas e danos, mas a obrigação de repor ao credor o equivalente em dinheiro pela prestação que se impossibilitou será de todos e, quanto a esta, permanece a solidariedade. Não havendo culpa dos devedores, resolve-se a obrigação. Se a culpa é de todos, eles respondem solidariamente pelo valor da prestação, além das perdas e danos. Se a culpa foi só de um dos co-devedores, só esse responderá por perdas e danos, mas todos continuam solidários de repor ao credor o equivalente em dinheiro da prestação que se impossibilitou. Art. 280. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. Se não houver culpa dos devedores, todos os devedores respondempelos juros moratórios, ainda que a ação seja só contra um dos co-devedores. Se houver culpa, só o culpado suporta a mora. Se todos são solidários na dívida, devem responder conjuntamente pelas conseqüênciasdo inadimplementos, ainda que só um deles seja culpado pelo atraso, mas entre os devedores, só o culpado responde pelo acréscimo. Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor. Quanto às exceções ou meios de defesa pessoais, o devedor solidário não pode invocar os que sejam pessoais dos outros devedores, mas só os que pessoalmente lhe competem. E assim que ele não poderá defender-se, quando seja demandado pelo credor, com a não realização duma condição suspensiva, nem com ofato do dolo, erro ou violência, ou por qualquer incapacidade relativa, quando os fatos e a incapacidade referidos não digam respeito a ele, mas a outros dos co-devedores solidários. Podem existir meios de defesa, exceções particulares e próprias só a um (ou alguns) dos devedores. Aí então, só o devedor exclusivamente atingido por tal exceção é que poderá alegá-la. São as exceções pessoais, que não atingem nem contaminam o vínculo dos demais devedores. Assim, um devedor que se tenha obrigado por erro, só poderá alegar esse vício de vontade em sua defesa. Os outrosdevedores, que se obrigam sem qualquer vício, não podem alegar da sua defesa a anulabilidade da obrigação, porque o outro coobrigado laborou em erro. Os meios de defesas, exceções, particulares e próprias só a um (ou alguns) dos devedores não atingem e não contaminam o vínculo com os demais devedores, e só podem ser alegadas pelo devedor exclusivamente atingido por tal exceção por tal exceção. Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores. Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais. Se o credor renunciar ouexonerar da solidariedade todos os devedores, cada um passará a responder apenas pelasua participação na dívida. Extinguir-se-á a obrigação solidária passiva, surgindo, em seu lugar, uma obrigação conjunta, em que cada um dos devedores responderá exclusivamente por sua parte. Observe-se que estamos tratando de renúncia à solidariedade e não de renúncia à obrigação, que permanece intacta. Nítida é a diferença entre remissão da dívida e renúncia ao benefício da solidariedade, pois o credor que remite o débito abre mão de seu crédito, liberando o devedor da obrigação, ao passo que apenas aquele que renuncia a solidariedade continua sendo credor, embora sem a vantagem de poder reclamar de um dos devedores a prestação por inteiro. Se a exoneração for apenas de um ou de alguns dos co-devedores, permanece a solidariedade quanto aos demais. Nessa outra hipótese, só poderá o credor acionar os co-devedores solidários não exonerados abatendo a parte daquele cuja solidariedade renunciou. A obrigação do devedor beneficiado permanece como obrigação simples. Ter-se-á, então, urna dupla obrigação: a simples, em que o devedor beneficiado passará a ser sujeito passivo, e a solidária, na qual figuram no pólo passivo os demais co-devedores. Se o credor renunciar ou exonerar da solidariedade todos os devedores, cada um passará a responder apenas pela sua participação na dívida, extinguir-se-á a solidária passiva, em seu lugar, uma obrigação conjunta, em que cada um dos devedores responderá exclusivamente por sua parte. TRATA-SE DE RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE E NÃO RENÚNCIA Á OBRIGAÇÃO. Outra diferença importante é entre remissão e renúncia à solidariedade, o credor que remite o débito, abre mão de seu crédito, liberando o devedor da obrigação, ao passo que a renúncia da solidariedade, continua sendo credor, embora, sem a vantagem de poder reclamar de um dos devedores a prestação por inteiro. Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais. Se a renúncia for para apenas alguns devedores, a solidariedade permanece para os demais. E para o beneficiado (s), prevalece uma obrigação simples, tendo-se uma dupla obrigação: simples e solidário para os co-devedores não beneficiados pela renúncia. Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. O devedor solidário que fez um pagamento parcial ou inteiro tem direito de regresso contra os demais co-obrigados. O co-devedor que sozinho paga a dívida, paga além da sua parte e por isso tem o direito de reaver dos outros coobrigados a quota correspondente de cada um, mediante ação regressiva. As partes podem ser desiguais, pois em partes iguais há somente a presunção júris tantum, assim o devedor que pretender receber mais, terá o ônus probandi da desigualdade das cotas. E se o co-devedor demandado pretender pagar menos, suportará o encargo de provar o fato. Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. Trata-se de ponto importante, porque o rateio alcança o devedor exonerado pelo credor. Pode o credor rompero vínculo da solidariedade em relação ao seu crédito, mas não pode dispor do direito alheio, o exonerado da solidariedade pelo credor contribuirá, portanto, proporcionalmente, no rateio destinado a cobrir a quota do insolvente. Os co-devedores têm o direito de repartir, entre todos, a parte do insolvente. Nesse caso, o rateio alcança o devedor exonerado pelo credor, pois não tem ele o direito de dispor sobre direito alheio, assim, o exonerado da solidariedade pelo credor contribuirá, proporcionalmente, no rateio destinado a cobrir a quota do insolvente. Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar. Este artigo prevê hipótese em que o co-devedor que paga a dívida toda não tem direito de regresso contra os demais, mas apenas contra aquele a quem a dívida interessava exclusivamente. O exemplo clássico é o dafiança: sendo um o afiançado e vários os fiadores, e estabelecida no contrato a renúncia ao benefício de ordem, poderá o credor acionar indistintamente tanto o afiançado como quaisquer dos fiadores. Mas o fiadorque pagar integralmente o débito só terá o direito de reembolsar-se do afiançado, que tinha interesse exclusivo na dívida, não podendo acionar os demais co-fiadores. O mesmo se dá quando é o afiançado quem paga a dívida. É óbvio que não existirá direito de regresso deste contra os fiadores. Neste caso o co-devedor que paga a dívida toda não tem direito de regresso contra os demais, mas apenas contra aquele a quem a dívida interessava exclusivamente. Ex: Fiança, sendo um o afiançado e vários fiadores, e estabelecida no contrato a renúncia ao benefício de ordem, poderá o credor acionar a todos, mas se o fiador pagar tudo, só terá o direito de reembolsar-se do afiançado, que tinha interesse exclusivo na dívida, o mesmo se dá quando é o afiançado que paga a dívida, não existindo direito de regresso contra os fiadores. Regras da solidariedade passiva - resumo: Na solidariedade passiva, cada um dos devedoresestá obrigado ao cumprimento integral da obrigação, qualquer Co-credor tem o direito de exigir pagamento parcial ou total de qualquer co-devedor a dívida comum. Se o pagamento for parcial todos os demais devedores continuam solidários pelo resto. A propositura da ação, o pagamento parcial ou renúncia não findam a solidariedade. O fato de o credor propor demanda judicial contra um dos devedores não o impede de acionar os demais. Cada herdeiro do devedor somente será responsável pelo pagamento dívida proporcionalmente até o limite do quinhão que está herdando. Somente responderão os herdeiros devedores pela prestação por inteiro quando a obrigação for indivisível ou quando acionados conjuntamente. O credor que perdoa a dívida com o devedor extingue o vínculo da relação obrigacional entre eles, mas não perante os outros. Desta forma, qualquer outro credor pode ainda cobrar dos outros devedores o valor restante da dívida, O devedor que pagar além da sua quota parte pode cobrar o excesso dos outros. Nenhum dos co-devedores poderá sozinho, agravar a posição do outro na relação obrigacional. Não havendo culpa, resolve-se a obrigação. Havendo culpa de todos os co-devedores, todos eles responderão solidariamente pelo valor da prestação além das perdas e danos. Se a culpa, foi de apenas um dos co-devedores, só o culpado responderá pelas perdas e danos, mas a obrigação de repor ao credor o equivalente em dinheiro pela prestação que se impossibilitou será de todos e, quanto a esta, permanece a solidariedade. Se não houver culpa dos devedores, todos os devedores respondempelos juros moratórios, ainda que a ação seja só contra um dos co-devedores. Se houver culpa, só o culpado suporta a mora. Quanto às exceções ou meios de defesa pessoais, o devedor solidário não pode invocar os que sejam pessoais dos outros devedores, mas só os que pessoalmente lhe Se o credor renunciar ouexonerar da solidariedade todos os devedores, cada um passará a responder apenas pela sua participação na dívida, extinguir-se-á a obrigação solidária passiva, surgindo, em seu lugar, uma obrigação conjunta, em que cada um dos devedores responderá exclusivamente por sua parte. Se a exoneração for apenas de um ou de alguns dos co-devedores, permanece a solidariedade quanto aos demais. O devedor solidário que fez um pagamento parcial ou inteiro tem direito de regresso contra os demais co-obrigados. Em caso de insolvência, os devedores solventes, mesmo que exonerados da divida, respondem pela insolvência. Pode o credor rompero vínculo da solidariedade em relação ao seu crédito, mas não pode dispor do direito alheio, oexonerado da solidariedade pelo credor contribuirá, portanto, proporcionalmente, no rateio destinado a cobrir a quota do insolvente. O co-devedor que paga a dívida toda não tem direito de regresso contra os demais, mas apenas contra aquele a quem a dívida interessava exclusivamente. Da Cessão de Crédito A Transmissão de crédito se dá pela cessão do crédito e pela assunção de dívida. O ato de transmissibilidade das obrigações é chamado de cessão, que é a transferência negocial, gratuitamente ou onerosamente, de um direito, de um dever, de uma ação ou de um complexo de direitos, deveres e bens, de modo que o adquirente, denominado cessionário, exerça posição jurídica idêntica à do antecessor, que figura como cedente (ex credor). Sendo assim, a substituição do credor, ou do devedor, na relação obrigacional, NÃO extingue o vínculo obrigacional. A regra geral é que as obrigações são transmissíveis.O direito admite a livre transferência das obrigações, quer quanto ao lado ativo, quer quanto ao lado passivo. A cessão de crédito é troca de credoressomente não serão transmissíveis quando pela vontade das partes, via judicial ou legal, ou em direitos personalíssimos. Para ceder o crédito há de se avaliar também a legitimidade das partes: pode, por exemplo, um casal em união comunhão universal de bens pode dispor a esposa livremente deste crédito? Não. Falta legitimidade. Cessão de crédito é a relação obrigacional admite alterações na composição de seus elementosessenciais: Conteúdo (Sub-rogação real e transação), Objeto eSujeitos (Ativo e Passivo). A cessão de crédito não se confunde com a cessão de contrato que é a cessão de direitos e deveres daquela relação jurídica, e não apenas de um crédito. CESSÃO DE CRÉDITO: O exemplo clássico de cessão de crédito é a “venda” do direito ao recebimento de uma dívida. Ex. A devia pra B. A vende seu credito para C por que precisa do dinheiro. Cessão de crédito, a transferência de A para C.Ex.banco que vende a dívida para a financeira. O terceiro a quem são os direitos transmitidos é o CESSIONÁRIO. O devedor é o CEDIDO E o velho credor o CEDENTE NOVAÇÃO: Já a novação existe um vínculo jurídico, e ele é renovado. Ex. você já tem um empréstimo, o banco extingue a dívida e faz um novo empréstimo que extingue o anterior e gera outra obrigação. SUB-ROGAÇÃO:a venda do crédito somente é autorizada com o consentimento das partes. ANUÊNCIA DO CRÉDITO XANUÊNCIA DO DEVEDOR: A cessão dispensa a anuência do devedor, salvo cláusula proibitiva. O devedor não pode impedir a cessão, salvo se o devedor se antecipar e pagar sua dívida ao credor primitivo. Todavia, o cedido deve ser notificado da cessão, não para autorizá-la, mas para pagar ao cessionário (o devedor deve saber praquem pagar). A cessão de crédito se justifica/se fundamenta para estimular a circulação de riquezas, através da troca de títulos de crédito (ex: cheques, duplicatas, notas promissórias, títulos que vocês vão estudar em Direito Comercial/Empresarial). ESPÉCIES: CESSÃO DE CRÉDITO, DE DÉBITO E CESSÃO DE CONTRATO CESSÃO DE DÉBITO, que constitui negócio jurídico pelo qual o devedor transfere a outrem a sua posição na relação jurídica, sem novar, ou seja, sem acarretar a criação de obrigação nova e a extinção da anterior; CESSÃO DE CONTRATO, em que se procede à transmissão, ao cessionário, da inteira posição contratual do cedente, como sucede na transferência a terceiro, feita pelo promitente comprador, por exemplo, de sua posição no compromisso de compra e venda de imóvel loteado, sem anuência do credor. CESSÃO DE CREDITO: pela qual o credor transfere a outrem seus direitos na relação obrigacional, sem acarretar a criação de obrigação nova e a extinção da anterior; Ex. desconto bancário, pelo qual o comerciante transfere seus créditos a uma instituição financeira. O terceiro, a quem o credor transfere sua posição na relação obrigacional, independentemente da anuência do devedor, é estranho ao negócio original. A cessão de crédito pode ocorrer a título gratuito ou oneroso, sendo mais comum esta última modalidade. Pode caracterizar, também, dação em pagamento (datio in solutum), quando a transferência é feita em pagamento de uma dívida. DIFERENÇA ENTRE ALIENAÇÃO ONEROSA X CESSÃO DE CRÉDITO: A cessão tem por objeto bem incorpóreo (crédito) e pelo menos três personagens (cedente, cessionário e cedido), enquanto a alienação onerosa(ex. a compra e venda) destina-se à alienação de bens corpóreos e apenas um comprador e um vendedor. DIFERENÇA ENTRE NOVAÇÃO SUBJETIVA ATIVA X CESSÃO DE CRÉDITO: Na novação subjetiva ativa, além da substituição do credor, ocorre a extinção da obrigação anterior, substituída por novo crédito. Já na cessão de crédito subsiste o crédito primitivo, que é transmitido ao cessionário, com todos os seus acessório, inexistindo o animus novandi. DIFERENÇA ENTRE ALIENAÇÃO SUB-ROGACAO LEGAL X CESSÃO DE CRÉDITO: - O sub-rogado não pode exercer os direitos e ações do credor além dos limites de seu desembolso. A cessão de crédito, embora possa ser gratuita, em geralencerra o propósito de lucro. - A sub-rogação convencional, porém, na hipótesedo art. 347, I, do Código Civil (“quando o credor recebe o pagamentode terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos”), será tratadacomo cessão de crédito (art. 348). - A Cessão de crédito é sempre ato voluntário; a sub--rogação, todavia, pode ocorrer por força de lei. - o cedente assume,em regra, a responsabilidade pela existência do crédito cedido, o que já nãoocorre com o sub-rogante; - o cessionário não será assim considerado porterceiros, a não ser a partir do instante em que se notifica a cessão; já o sub-rogado sê-lo-á perante terceiros, sem que seja preciso tomar qualquermedida de publicidade DIFERENÇA ENTRE CESSÃO DE CRÉDITO X CESSÃO DE CONTRATO: A cessão de crédito restringe-se à transferência de determinados direitos (elementos ativos),passando o cessionário a ostentar, perante o devedor, a mesma posição jurídica do titular primitivo. Nacessão de contrato transferem-se todos os elementos ativose passivos correspondentes, num contrato bilateral, à posição da parte cedente. REQUISITOS DA CESSÃO DE CRÉDITO: convenção das partes, lei ou natureza da obrigação Tanto o CEDENTE, quanto o CESSIONÁRIO deverão dispor de capacidade plena.A capacidade de cedente comporta tanto a capacidade genérica da vida civil, quanto a específica (EX. curatela, tutor, pais, cônjuge) para atos de alienação. Legitimidade:Mesmo possuindo a capacidade (civil e de alienação), algumas pessoas não possuem legitimidade para adquirir determinados créditos. Ex.O tutor e o curador, não poderão ser cessionários em créditos que vão contra seus pupilos ou curatelados. Responsabilidade Na Cessão De Créditos: CEDIDO(devedor):Permanecerá com a responsabilidade de cumprir a obrigação.CEDENTE(credor):Não se responsabilizará pelo inadimplemento entre cedente e cessionário, salvo se estipulado de forma contrária e por escrito. (C.C., art.296) Caso a responsabilidade por inadimplemento seja convencionada, o CEDENTE ficará limitado a ressarcir o CESSIONÁRIO no montante que recebeu deste (cessionário). Ex. Paulo se obriga a entregar um Golaté o dia 01/11/2012 para Amanda, mas não o faz Antes da data da entrega, Amanda transmite seu crédito ao Gol para Karina com contraprestação de R$ 2.000, estabelecendo que irá se responsabilizar por possível inadimplemento. Karina poderá cobrar Amandaos R$ 2.000, e não o Gol. (Art.297). O CEDENTE é responsável pelo crédito até o momento da cessão, contudo permaneceráresponsabilidade do CEDENTEque tiverdolo, agir de má-fé. Na cessão de crédito gratuita, o novo credor não pode reclamar do cedente se não pagou nada, se somente viria a ganhar com a cessão do crédito, no entanto o cedente irá responder se houver dolo de sua parte (cessão de crédito inexistente) Ex: O VELHO CREDOR se responsabilizará por cessão de crédito penhorado, se sabia da penhora. ESPÉCIES DE CESSÃO DECRÉDITO: - A cessão de crédito pode ser: Voluntária, Convencional, Total ou Parcial, Onerosa ou Gratuita. Convencional: é a mais comum, e decorre do acordo de vontades como se fosse uma venda (onerosa) ou doação (gratuita) de alguma coisa, só que esta coisa é um crédito; - Pode, ainda, a cessão de crédito ser legal e judicial. Ex. legal: O de cessão dos acessórios (cláusula penal, juros, garantias reais ou pessoais), em conseqüência da cessão da dívida principal, salvo disposição em contrário. O art. 287 do Código Civil, que assim dispõe, aplica a regra de que o acessório segue o destino do principal, independente de expressa menção. Ex. judicial: na prolação de sentença destinada a suprir declaração de cessão por parte de quem era obrigado a fazê-la. - A cessão de crédito pode ser ainda pro soluto e pro solvendo. Na cessão de crédito pro soluto, o cedente apenas garante a existência do crédito, sem responder, todavia, pela solvência do devedor. Na cessão pro solvendo, o cedente obriga-se a pagar se o devedor cedido for insolvente. Nesta última modalidade, portanto, o cedente assume o risco da insolvência do devedor. Ex: A cede um crédito a B e precisa garantir que esta dívida existe, não é ilícita, mas não garante que o devedor/cedido C vai pagar a dívida, trata-se de um risco que B assume). Na cessão pro solvendo o cedente responde também pela solvência do devedor, então se C não pagar a dívida (ex: o cheque não tinha fundos), o cessionário poderá executar o cedente. Mas primeiro deve o cessionário cobrar do cedido para depois cobrar do cedente. Quando a cessão é onerosa, o cedente sempre responde pro soluto, idem se a cessão foi gratuita e o cedente agiu de má-fé (ex: dar a terceiro um cheque sabidamente falsificado gera responsabilidade do cedente, mas se o cedente não sabia da ilegalidade não responde nem pro soluto, afinal foi doação mesmo - 295); mas o cedente só responde pro solvendo se estiver expresso no contrato de cessão (296). PRO SOLUTO: O cedente responderá apenas pela existência do credito, ao tempo da cessão. O cedente não responde pela solvência do devedor. Exceção: má-Fe/dolo do cedente. PRO SOLVENDO: o cedente responde tanta pela existência do credito quanto pela solvência do devedor. FORMAS DA CESSÃO DE CRÉDITO: A cessão de crédito não exige formalidade entre o novo e o velho credor, pode até ser verbal, mas para ter efeito contra terceiros deve ser feita por escrito (288). A escritura pública é aquela do art. 215, feita em Cartório de Notas. O contrato particular é feito por qualquer advogado. QUE CRÉDITOS PODEM SER OBJETO DE CESSÃO? Todos, salvo os créditos alimentícios (ex: pensão, salário), afinal tais créditos são inalienáveis e personalíssimos, estando ligados à sobrevivência das pessoas e aqueles em que a lei ou a vontade das partes proíbe. Da Cessão de Crédito (ART. 286 A 298) Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. Cessão de Crédito: negócio jurídico bilateral onde o credor (cedente) transferesua posição e seus direitos na relação obrigacional a terceira pessoa(cessionário) que passa a ser o novo credor naquela relação jurídica obrigacional com o devedor(cedido), sem extinguir a mesma. Cessão de crédito é o negócio pelo qual o credor transfere a terceiro sua posição na relaçãoObrigacional. O Art. 286autoriza que o Credor a ceder seu crédito se não se opuserem a tal fato, lei, natureza da obrigação, contrato. Não constando do contrato cláusula queimpossibilite a cessão, esta não pode ser oposta ao cessionário que estiver deboa-fé. Posso, deste modo, ceder qualquer crédito que não contrarie a lei, anatureza da obrigação ou o que dispusemos no contrato.A cessão pode ser total ou parcial. Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios. Regra geral é aquela já mencionada anteriormente, ou seja, a de que o acessório tem o mesmo destino do principal (acessoriumsequiturprincipale), a não ser que as partes convencionem o contrário. Ex. juros Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. A cessão será eficaz frente a terceirosse feita por instrumento público ou privado revestidodas formalidades.Além do instrumento público, a cessão de crédito pode operar-se por força da lei ou de decisãoJudicial, pode operar-se também por instrumento particularrevestido das formalidades que a lei prevê. A cessão também pode operar por força da lei ou de decisão judicial, hipóteses que não se subordinam às exigências deste artigo. Pode também operar-se por instrumento particular revestido das formalidades do parágrafo 1° do art.654, que cuida do mandato: a) indicação do lugar em que foi passado, b) qualificação das partes e, c) objetivo e a extensão da cessão. Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. Faculdade do cessionário hipotecário de averbar cessão no registro imobiliário. Cessionário hipotecário (aquele que passa a ser o novo credor na obrigação tendo como crédito a hipoteca - dir. real de garantia - sobre bem imóvel alheio) tem o direito subjetivo de fazer averbar a cessão no registro competente, qual seja, o registro de imóveis para garantir que esta seja erga omnes. A cessão de crédito abrangida porhipoteca abrange a garantia (287), e, por se tratar de crédito real imobiliário, é de toda a conveniência para o cessionário que se proceda à averbação da cessão ao lado do registro da hipoteca, mas isto é uma faculdade do cessionário e não um dever. Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. A cessão só vale perante o devedor(cedido) quando este é notificado da mesma. Ter-se-á notificado o devedor que em escrito(público ou particular) se declara ciente da mesma. O devedor deve saber a quem pagar. Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido. Havendo pluralidade de cessões, como se dá nas operações cambiais, o devedor deve pagar a quem se apresentar como portador do título. Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação. Se o devedor não foi notificado da cessão, deve pagar ao credor primitivo. Se foi notificado mais de uma vez, deve pagar a quem apresentar o titulo da obrigação cedida, salvo se a obrigação constar de escritura pública, hipótese em que prevalecerá a anterioridade da notificação. Fica desobrigado o devedor(cedido) que pagou ao credor primitivo antes de ser notificado da cessão, por não estar ainda vinculado como cessionário. Também fica desobrigado aquele devedor que, havendo mais de umacessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta o título da cessão e otítulo de crédito cedido(cessionário legítimo). Ex: Se sou devedor da Milena eela cede o crédito para o Gabriel e o Danilo, ficando este último com o títuloda cessão e o título de crédito, sendo notificado por ambos, vou estardesobrigado se pagar ao Danilo. Sendo várias cessões feitas por escriturapública, prevalecerá a que notificada primeiro ao devedor. Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido. A notificação do devedor é requisito de eficácia do ato, masnão impede o cessionário de investir em todos os direitos relativos ao crédito cedido, podendo não só praticar os atos conservatórios, mas todos os demais atos inerentes ao domínio, inclusive ceder o crédito a outrem. A cessão de crédito produz efeitos imediatamente nas relações entre cedente e cessionário. Assim todas as prerrogativas que eram do cedente passam de logo ao cessionário. Apenas a eficácia do ato frente ao devedor é que fica dependente da notificação. Possibilidade do cessionário exercer atos conservatórios do direito. Tendo o devedor conhecimento ou não da cessão, pode o cessionário realizar atos para conservar o direito de que ele passou a possuir. Ex: A é credor de B, A não consegue receber de B e cede o crédito para o Banco do Brasil, que antes mesmo de notificá-lo da cessão inscreve seu nome no cadastro de devedores como ato conservatório de direito. Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente. O crédito é transferido com as mesmas características que possuía à época da cessão, não podendo o cedente, transferir mais direito do que tinha. O cessionário passa a ter os mesmos direitos do cedente, incluindo bônus e ônus. Sendo assim, pode o devedor opor contra ocessionário todas as formas de defesa que dispunha contra o cedente, ao tempo em que teve conhecimento da cessão: compensação, prescrição, etc., mas jamais as defesas incorporadas posteriormente à cessão., já as defesas pessoais suas, contra o cessionário, poderão ser alegadas a qualquer tempo. Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé. Nas cessões onerosas, o cedente sempre será responsável pela existência do crédito, mesmo na ausência de convenção a respeito (garantia de direito e viabilidade do exercício de cessão), mas esta garantia não se confunde com a solvência do devedor (garantia de fato), em que o cedente só responderá quando previsto no contrato (art.296). Nas cessões onerosas, o cedente sempre será responsável pela existência do crédito, mesmo na ausência de convenção a esse respeito (garantia de direito). Nas cessões gratuitas (doação, legado etc.),o cedente só será responsabilizado, inclusive pela existência do crédito, se tiver agido de má-fé. Ficará responsável o cedente perante o cessionário pela existência do crédito na cessões onerosas, ainda que não se responsabilize, no momento em que lhe cedeu. Também ficará responsável perante o cessionário, nas cessões gratuitas, o cedente que proceder de má-fé. Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor. O cedente não se obriga pela liquidação do crédito, salvo se tiver agido de má-fé, ou que haja a previsão entre as partes. Não está o cedente, em regra, obrigado pela liquidação do crédito, salvo se tiver agido de má-fé, como se dá nos casos em que, já sabendo da insolvência do devedor, afirma o contrário, induzindo o cessionário a celebrar um negócio que lhe será prejudicial. Regra geral o cedente não responde pela solvência do devedor (pro soluto), mas havendo convencionado as partes em contrário, assim poderá ser(pro solvendo). Cessão de crédito pro soluto o cedente não se responsabiliza pela solvência do devedor perante o cessionário; Cessão de crédito pro solvendo o cedente se responsabiliza pela solvência do devedor perante o cessionário. Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança. HIPÓTESE ESTA QUE TRATA DE GARANTIA DE FATO. O cedente deve fazer retornar o cessionário à situação anterior à celebração da cessão, devolvendo-lhe o que houver gasto, tentando cobrar a dívida do devedor insolvente. Enquanto na garantia de direito (art. 295) o cedente será responsável pelo valor total da dívida cedida, na chamada garantia de fato, denominação que a doutrina usa para se referir à responsabilidade do cedente pela solvência do devedor, aquele só responderá pelo que recebeu do cessionário e não pelo total da dívida cedida. Deve, no entanto, fazer retornar o cessionário à situação anterior à celebração da cessão, devolvendo-lhe o que houver gasto, tentando cobrar a dívida do devedor insolvente. Responsabilidade do cedente na cessão pro solvendo: O cedente responsável pela solvência do devedor perante o cessionário responderá por aquilo que recebeu deste no momento da cessão, com juros, e arcará com as despesas realizadas na cessão e na cobrança do devedor que o cessionário realizou. Ex:A é credor de B; e cede o crédito para C; sendo responsável pela solvência deste; o crédito era de R$20, mas A recebeu de C apenas R$15, logo, deverá responder até a importância de R$15 e também pelas despesas, não pelo valor de R$20, como era antes. Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. A penhora, ao vincular o crédito ao processo de execução, faz com que ele saia da esfera de disponibilidade do credor, que, por essa razão, não pode mais transferi-lo a terceiro. Se ainda assim, ocorrer a cessão de crédito penhorado, abre-se três hipóteses: a) Se o devedor não houver sido notificado da cessão e desconhecia a penhora, paga validamente ao cedente; b) se notificado da cessão e desconhece a penhora, paga validamente ao cessionário, cabendo ao exeqüente buscar o seu crédito, uma vez que a cessão entre eles não tem eficácia frente à execução; c) se o devedor sabia da penhora, não poderia mais pagar ao cedente ou ao cessionário. Se o fizesse, estaria sujeito a pagar novamente. Crédito penhorado e cessão → O crédito que for penhorado não poderá mais ser cedido pelo credor que tiver conhecimento da penhora, pois ele deixa de fazer parte de seu patrimônio. Devedor, não notificado, que pagar crédito penhorado exonerar-se-á, subsistindo para o credor apenas direitos de terceiro. RESUMO - REGRAS DA CESSÃO DE CRÉDITO (ART. 286 A 298) 1) O Art. 286 autoriza a cessão de crédito. Entretanto, há exceções: - quando pela própria natureza da obrigação Ex. pensão alimentícia, - ou por disposição expressa em lei Ex. créditos já penhorados, - ou ainda por convenção das partes (cláusula proibitiva). 2) A cessão pode ser total ou parcial, onerosa ou gratuita. 3) O acessório tem o mesmo destino do principal - Ex. juros 4) A transferência de crédito somente terá validade para terceiros de for formalizada por instrumento publico, e ou demais solenidades que a lei exigir. 5) O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. 6 ) O devedor deve saber a quem pagar.Se o devedor não foi notificado da cessão, deve pagar ao credor primitivo. Se foi notificado deve pagar a quem apresentar o titulo da obrigação cedida, salvo se a obrigação constar de escritura pública, hipótese em que prevalecerá a anterioridade da notificação. 9)A cessão de crédito produz efeitos imediatamente nas relações entre cedente e cessionário, assim todas as prerrogativas que eram do cedente passam de logo ao cessionário, permitindo assim que o cessionário atue para garantir seus direitos, mesmo que o devedor não tenha sido notificado da cessão. 10)Direitodo cedido de opor exceções. Poderá o cedido opor, a qualquer tempo, asexceções que competirem contra o cessionário, no entanto, contra o cedente,somente no momento da notificação da cessão. O devedor não poderá opor ao cessionário exceções posteriores à notificação da cessão e relativas ao cedente, maspoderá opor-lhe as exceções pessoais do mesmo cessionário, como sejam, por exemplo a compensação a prescrição 11) Nas cessões onerosas, o cedente sempre será responsável pela existência do crédito, mesmo na ausência de convenção a esse respeito (garantia de direito). 12)Nas cessões gratuitas (doação, legado etc.),o cedente será responsabilizado, inclusive pela existência do crédito, se tiver agido de má-fé. 13)Cessão de crédito pro solutoo cedente não se responsabiliza pela solvênciado devedor perante o cessionário;. 14)Cessão de crédito pro solvendoo cedente se responsabiliza pela solvência do devedor perante o cessionário.Responsabilidadedo cedente na cessão pro solvendo: Na Garantia de fato, o cedente responsável pela solvênciado devedor perante o cessionário, responderá por aquilo que recebeu deste nomomento da cessão, com juros, e arcará com as despesas realizadas na cessão ena cobrança do devedor que o cessionário realizou. Ex:A é credor de B; ecede o crédito para C; sendo responsável pela solvência deste; o crédito erade R$20, masArecebeu deC apenas R$15, logo, deverá responder até a importânciade R$15 e também pelas despesas, não pelo valor de R$20, como era antes. 15) Créditopenhorado e cessão→ O crédito que for penhorado não poderá mais ser cedidopelo credor que tiver conhecimento da penhora, pois ele deixa de fazer parte deseu patrimônio. Devedor, não notificado, que pagar crédito penhoradoexonerar-se-á, subsistindo para o credor apenas direitos de terceiro. Da Assunção de Dívida Assunção de dívida é a transferência passiva da obrigação, enquanto a cessão é a transferência ativa. A assunção é rara e só ocorrese o credor expressamente concordar, afinal para o devedor faz pouca diferença trocar o credor (cessão de crédito), mas para o credor faz muita diferença trocar o devedor, pois o novo devedor pode ser insolvente, irresponsável, etc. O silêncio do credor na troca do devedor implica em recusa. Na assunção o novo devedor assume a dívida como se fosse própria, ao contrário da fiança onde o fiador responde pela dívida. Conceito: contrato onde um terceiro assume a posição do devedor, responsabilizando-se pela dívida e pela obrigação que permanece íntegra, com autorização expressa do credor.Ou seja, o devedor transmite a um novo devedor a dívida da obrigação, isso com o consentimento do credor (Art. 299, CC/02), porém a assunção de dívida, não pode modificar o caráter subjetivo da obrigação, ou seja, perda de conteúdo da mesma. CARACTERÍSTICAS E PRESSUPOSTOS: CARACTERÍSTICAS E PRESSUPOSTOS: CONSENTIMENTO DO CREDOR, VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO, SOLVÊNCIA DO ASSUNTOR A primeira das características da assunção de dívida, é que o novo devedor assumirá o lugar do anterior, bem como a obrigação com todos os seus acessórios. CONSENTIMENTO DO CREDOR:Para que haja assunção de dívida, é preciso consentimento expresso do credor: Art. 299 - Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa - PORÉMexiste um único caso em que o consentimento pode ser de forma tácita, esse caso é aludido pelo ART 303, que fala sobre a questão da hipoteca. ART 303: O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO:A validade da assunção de dívida depende da observância dos requisitos concernentes aos negócios bilaterais em geral, tais como a capacidade dos contratantes; manifestação de vontade livre e espontânea; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma livre, ou especial, se a escritura pública for da substância do ato. Podem ser objeto cessão (de transferência) todas as dívidas, presentes e futuras, salvo as que devem ser pessoalmente cumpridas pelo devedor. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA X PROMESSA DE LIBERAÇÃO DO DEVEDOR (ASSUNÇÃO DE CUMPRIMENTO): Ambas há alguém que paga a dívida de terceiro, porém: - Na promessa de liberação do devedor ou assunçãode cumprimento: há o promitente obrigado perante o devedor a desonerá-lo da obrigação, efetuando a prestação em seu lugar. Na promessa de liberação do devedor, alguém se obriga a efetuar a prestação no lugar do devedor, desonerando-o da mesma. Contudo, na promessa de liberação, o terceiro consente em apenas efetuar o pagamento, recaindo a obrigação ainda sobre o devedor. Isto significa que o credor não tem direito de cobrar deste terceiro o cumprimento da promessa. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA X NOVAÇÃO SUBJETIVA POR SUBSTITUIÇÃO DO DEVEDOR: A diferença é que, na novação, acontece a criação de nova obrigação, extinguindo-se a antiga. Na assunção, apesar de haver mudança do devedor, a obrigação persiste. A conseqüência prática dessa distinção é que na novação as garantias e os acessórios se extinguem, pois a obrigação se extinguiu. Já na assunção, elas continuam, tendo em vista que a obrigação persiste. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E FIANÇA: A fiança é, na verdade, uma obrigação subsidiária. O fiador responde por dívida alheia. Já o assuntor responde por dívida própria que era alheia, mas que ele o fez sua. O fiador que paga a dívida integralmente subroga-se credor do devedor primário. O assuntor não, pois tudo que fez foi pagar sua própria dívida. A assunção de dívida guarda algumas semelhanças com a fiança, uma vez que em ambos os casos, existe uma obrigação de cumprimento da dívida no lugar do devedor originário, porém na fiança, o fiador só será obrigado a cumprir o débito se por acaso o devedor originário não o fizer. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO: A estipulação em favor de terceiro, o estipulante ou promissário cria a favor do terceiro beneficiário o direito a uma nova prestação, mediante a obrigação contraída pelo promitente. Já na assunção de dívida, o benefício do antigo devedor resulta imediatamente da sua liberação da dívida, e não mediante a atribuição de um novo direito a uma prestação. A estipulação em favor de terceiro, cria uma nova prestação, fazendo com que o terceiro não assuma a posição do devedor por completo. ESPÉCIES DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA: LIBERATÓRIA X CUMULATIVA - EXPROMISSÃOX DELEGATÁRIA A assunção de dívida pode se dar de duas formas: mediante contrato direto entre credor e terceiro, sem a participação ou anuência do devedor e ainda, mediante acordo entre devedor e terceiro, com a participação ou anuência de credor. A primeira hipótese é chamada de expromissão, onde o credor em acordo com terceiro, faz a cessão da dívida, já o segundo é denominado de delegação, onde o devedor em acordo com terceiro e com o credor, faz a delegação do novo devedor que assumirá a dívida. Tal como a delegação, a expromissão pode ser liberatória ou cumulativa, na primeira, o terceiro que assumiu a obrigação, responde por ela inteiramente, liberando o antigo devedor da mesma, já na segunda, o terceiro responde em solidariedade ao devedor originário, por isso ela é cumulativa. ASSUNÇÃO POR DELEGAÇÃO:Quando há acordo entre o devedor primário e o terceiro, com a anuência do credor, a assunção é feita por delegação. O devedor primário é o delegante, o credor é o delegatário e o terceiro é o delegado.Delegação: é firmada com o devedor primitivo e com o assuntor, necessitando a concordância do credor. EXPROMISSÃO:A assunção expropriação é firmada entre o credor mais o assuntor. Não depende de concordância do devedor. Exemplo: Pai assume dívida do filho. Não há no que se falar em anuência do credor na expromissão, pois é o próprio que participa na alteração. Não há necessidade da anuência do devedor primário na expromissão. LIBERATÓRIA - ASSUNÇÃO DE CUMPRIMENTO: Quando o terceiro assume totalmente a dívida, exonerando o devedor primário, a assunção é liberatória. Essa exoneração é extinta, no entanto, quando ocorre a insolvência do novo devedor. O antigo deve arcar com a dívida. As partes podem, entretanto, acertar que osriscos da insolvência correm por conta do credor (pacta sunt servanda). CUMULATIVA - IMPERFEITA: Se o novo devedor assume apenas uma parte da dívida, a assunção é cumulativa. O antigo devedor ainda responde por uma parcela. Como essa assunção não exclui totalmente a responsabilidade do devedor primitivo, diz-se que ela é imperfeita. É aquela em que o devedor primitivo permanece na relação, mas recebe o assuntor como DEVEDOR SOLIDÁRIO. O credor poderá exigir de qualquer um dos dois o valor integral. EFEITOS DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA: Sub pólo passivo: substituição do pólo passivo. Extinção garantias, art 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originalmente dadas ao credor" Em regra a garantia prestada pelo devedor primitivo não será transferida ao assuntor, porém nada impede que expressamente o devedor consinta com a manutenção da garantia. A fiança, por exemplo, é extinta. O fiador não é obrigado a garantir devedor que não conhece (o assuntor) As garantias reais (penhor, hipoteca) são mantidas, pois dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos. Somente o credor pode escolher por desconsiderá-las. As garantias especiais dadas ao devedor anterior, se extinguem no momento da assunção de dívida, salvo disposição expressa em contrário (Art. 300, CC/02). Anulação da assunção, art 301: "Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação" Quando ocorrer anulação ou nulidade da assunção será resgatado o devedor primitivo conforme o artigo 301 do CC. Partindo do principio da boa-fé e da má-fé. Se uma garantia especial dada pelo devedor primitivo (como a fiança), foi extinguida com a cessão da dívida, essa garantia não pode ser restaurada caso haja a anulação da cessão. Só poderá ser se o devedor primitivo tiver conhecimento prévio do vício que anularia a cessão, ou seja, se agisse de má-fé. O efeito de uma possível anulação da assunção, neste caso se o débito é restaurado, todas as suas garantias também serão, salvo as prestadas por terceiros. Oposição de exceções, art. 302: “O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo” As oposições de assunções pessoais não se transmitem para o assuntor. Só pode opor aquelas que dizem respeito ao vínculo obrigacional. O novo devedor não poderá opor ao credor as exceções especiais que competiam ao primeiro devedor (Art. 302, CC/02), porém a qualquer momento, poderá invocar os vícios que maculam a obrigação. Imóvel hipotecado, art 303: conforme o artigo para o credor hipotecário a segurança reside mais na garantia do que no devedor. Com efeito, se a assunção pelo terceiro adquirente de imóvel possibilita a permanência da garantia, pouca ou nenhuma diferença fará ao credor se o devedor é este ou aquele. Se, no entanto, a garantia for menor que o debito, o credor pode impugnar a assunção em 30 dias da sua notificação, se ele não impugnar não se presume aceito. A garantia sempre maior que a divida. Por fim, em caso de substituição de devedor em imóvel hipotecado, o credor poderá impugnar a assunção de dívida, sempre que o valor do imóvel for inferior ao valor da dívida, isso por que coloca em risco a solvência do crédito. Da Assunção de Dívida (ART 299 A 303) Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. Assunção de dívida: Cessão de débito: negócio jurídico bilateral em que o devedor(cedente) cede, com consentimento expresso do credor(cedido), a sua posição e direitos na relação jurídica obrigacional a terceira pessoa(assuntor ou cessionário), que se responsabiliza por cumprir a dívida, sem extinguir a obrigação. É A SUCESSÃO A TITULO SINGULAR DO PÓLO PASSIVO, PERMANECENDO INTACTO O DÉBITO ORIGINÁRIO. Objeto: Seu objeto podem ser todas as dívidas, presentes e futuras, aí incluídos os deveres secundários do devedor, a exemplo da atualização monetária e dos juros de mora. Efeitos: a) Liberatório: Ocorre a liberação do primitivo devedor; b) Cumulativa: dá-se o ingresso do terceiro no pólo passivo da obrigação, sem que ocorra a liberação do antigo devedor, que permanece na relação, com liame de solidariedade com o novo. Não ocorre a liberação do antigo devedor, que permanece como devedor solidário do novo. Espécies: Forma de expromissão: caracterizada pelo contrato entre credor e um terceiro, que assume a posição de novo devedor, sem necessidade de consentimento do antigo devedor; Pai que assume divida do filho - Não Há Necessidade De Consentimento Do Devedor-Filho. Forma de delegação, caracterizada pelo acordo entre o devedor originário e o terceiro que vai assumir a dívida, cuja validade depende da concordância do credor. O art.299 não exclui a possibilidade de assunção cumulativa da dívida, quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordância do credor. Ocorrendo a insolvência do novo devedor, fica sem efeito a exoneração do antigo O artigo exige, ainda, que a aceitação do credor seja expressa, não admitindo, em regra, a aceitação tácita, no entanto, admite em um único caso a aceitação tácita, na hipótese de inação do credor, prevista no art. 303: no caso do adquirente de imóvel hipotecado, o silêncio do credor é interpretado como sua anuência, isto por que torna mais fácil a venda de imóveis hipotecados, pois dispensa a homologação do credor de forma direta. A assunção de divida só pode ser feita com a anuência expressa do credor. O terceiro, que recebe a dívida, responde pelos encargos obrigacionais, inclusive os acessórios. A anuência do credor é indispensável, pois se presume que ele vê na figura do devedor a certeza de que este tem idoneidade patrimonial para solver a dívida. Uma troca de devedor pode representar, para ele, uma incerteza quanto ao seu cumprimento. Parágrafo único: Prazo para consentimento. Tanto cedente como cessionário podem assinalar prazo para o credor (cedido) consentir ou não com a cessão de débito.Não se manifestando este no prazo assinalado, se-á como recusa, e neste caso não haverá cessão alguma. Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. As chamadas garantias especiais (que não são da essência da dívida) dadas pelo devedor primitivo ao credor, só subsistirão se houver concordância expressa do devedor primitivo. Já as garantias reais prestadas pelo devedor originário não são atingidas pela assunção. No caso de garantias dadas por terceiros (fiança, aval, hipoteca de terceiro) prestadas à pessoa do devedor, é imprescindível a concordância de terceiro, ponto omitido do artigo, bem como esse não trata da questão dos acessórios. O cedente não pode ceder a divida para assuntor insolvente, pois o direito caracteriza isso como ma-fe, caso isso ocorra o cedente volta a ser responsável pela dívida. A partir da assunção de dívida, asgarantias especiais concedidas aos credor, pelo devedor originário(cedente), consideram-se extintas, salvo consentimento expresso seu em que elas perpetuem-se. Ex: A é credor de B, tem como garantia da dívida a hipoteca da casa de B, no entanto C torna-se assuntor da dívida de B; e se este não concordar expressamente, fazendo constar do título da cessão, a hipoteca considerar-se uma obrigação de garantia extinta. Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conheciao vício que inquinava a obrigação. Havendo assunção de dívida e está sendo anulada por algum motivo, restaurar-se-á a relação obrigacional que havia antes, com o devedor originário(cedente), inclusive com as garantias prestadas por este. Todavia, não se reputam restauradas as garantias prestadas por terceiros (como fiadores e avalistas), exceto se eles sabiam ou tinham conhecimento do vício da obrigação. Se o contrato de assunção vier a ser anulado, ocorre o renascimento da obrigação para com o devedor originário, com todos os seus privilégios e garantias, salvo as que tiverem sido prestadas por terceiro, se este estava de boa-fé. Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. O novo devedor(cessionário), que assuntiu da dívida do devedor originário(cedente) não pode opor ao credor(cedido) as exceções pessoais que competiam ao devedor originário, mas pode opor todas as exceções comuns. Aquele que assume a posição do devedor só pode alegar contra o credor as defesas decorrentes do vínculo anterior existente entre credor e primitivo devedor. Não cabe alegar as defesas pessoais entre ele, o novo devedor e o primitivo devedor, ou entre este e o credor. Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. Admite a hipótese de concordância tácita do credor hipotecário, que notificado da assunção, não a impugna no prazo de trinta dias. Aquisição de imóvel hipotecado e assunção de dívida. Aquele que adquire bem imóvel hipotecado pode pagar o crédito para ver o bem livre de ser garantia de outra obrigação. O credor desse crédito que sendo notificado não o impugnar, em prazo de trinta dias, terá anuído com a transferência do débito. Ex: A tem uma casa e acaba hipotecando-a para garantir um crédito do qual é devedor para com B; C compra a casa e paga esse crédito para podê-la livrar da hipoteca e do crédito que ela visa garantir. Faz-se necessária a autorização expressa do credor. A autorização do credor hipotecário pode ser dada tacitamente. RESUMO: Da Assunção de Dívida (ART 299 A 303) A sucessão é a troca de devedorespólo passivo da obrigação, permanecendo intacto o débito originário, onde a anuência do credor é, em via de regra, necessária. Devedor(cedente), credor(cedido), a terceira pessoa(assuntor ou cessionário) Se o credor no prazo assinalado pelo cessionário e pelo cedente não se manifestar sobre a assunção de dívida, interpretará como recusa. A aceitação tácita (ART 303): no caso do adquirente de imóvel hipotecado, o silêncio do credor é interpretado como sua anuência Forma de expromissão: contrato entre credor e um terceiro, que assume a posição de novo devedor, sem necessidade de comparecimento do antigo devedor; Pai que assume divida do filho Forma de delegação: acordo entre o devedor originário e o terceiro que vai assumir a dívida, cuja validade depende da concordância do credor. Assunção liberatória: O devedor originário sai da relação negocial. Assunção cumulativa: dá-se o ingresso do terceiro no pólo passivo da obrigação, sem que ocorra a liberação do antigo devedor, que permanece na relação, com liame de solidariedade com o novo. O cedente não pode ceder a divida para assuntor insolvente, pois o direito caracteriza isso como ma-fe, caso isso ocorra o cedente volta a ser responsável pela dívida. O mesmo vale para as garantias. A partir da assunção de dívida, asgarantias especiais concedidas ao credor, pelo devedor originário(cedente), consideram-se extintas, salvo consentimento expresso seu em que elas perpetuem-se. Sendo a assunção de dívida anulada, restaurar-se-á a relação obrigacional que havia antes, com o devedor originário(cedente), inclusive com as garantias prestadas por este. Todavia, não se reputam restauradas as garantias prestadas por terceiros (como fiadores e avalistas), exceto se eles sabiam ou tinham conhecimento do vício (ma-fe/dolo) da obrigação. O novo devedor(cessionário), que assuntiu da dívida do devedor originário(cedente) não pode opor ao credor(cedido) as exceções pessoais que competiam ao devedor originário, mas pode opor todas as exceções comuns. Aquisição de imóvel hipotecado e assunção de dívida: Aquele que adquire bem imóvel hipotecado pode pagar o crédito para ver o bem livre de ser garantia de outraobrigação. O credor desse crédito que sendo notificado não o impugnar, em prazo de trinta dias, terá anuído com a transferência do débito. De Quem Deve Pagar Naturalmente as obrigações de dar, fazer e não fazer extinguem-se pelo pagamento. Sendo também a prescrição é uma forma indireta de cumprimento da obrigação. Em conceito mais simples, pagamento é a morte natural da obrigação, ou a realização real da obrigação, mas nem sempre em dinheiro (ex: A paga a B para pintar um quadro, de modo que a obrigação de B será fazer o quadro, o pagamento de B será realizar o serviço). Todo pagamento não ésó em dinheiro, pois pagar é executar a obrigação, seja essa obrigação de dar uma coisa, de fazer um serviço ou de se abster de alguma conduta (não-fazer). O conceito mais completo, pagamento é o ato jurídico formal, unilateral, que corresponde à execução voluntária e exata por parte do devedor da prestação devida ao credor, no tempo, modo e lugar previstos no título constitutivo. Pode ser direto (entrega da prestação devida) e indireto (novação, dação em pagamento, compensação, confusão etc.). Constitui o meio normal de extinção da obrigação. A obrigação pode se extinguir por meios anormais (sem pagamento), como nos casos de nulidade ou anulação. - Direto: é quando ocorre da forma prevista uma obrigação de dar, uma obrigação de fazer e uma obrigação de não fazer. - Indireto: é por exemplo aquele formulado em consignação e pagamento, quando ocorre por exemplo a confusão entre credor e devedor. - Formal: o pagamento é formal, pois a prova do pagamento é o recibo; tal recibo em direito é chamado de quitação, e deve atender às formalidade do art. 320. - Unilateral: pois é de iniciativa do devedor, que é o sujeito passivo da obrigação. - Voluntário e exato: pagamento é aquele voluntário e exato. Se o devedor só paga após ser judicialmente executado, tecnicamente isto não é pagamento pois foi feito sob intervenção judicial, ao penhorar/tomar bens do devedor; além de voluntário, o pagamento deve ser exato, então se A deve cinquenta a B e paga com um livro, tecnicamente isto não foi pagamento. - tempo, modo e lugar: o pagamento precisa atender a estas regras previstas no contrato na lei ou na sentença que fez nascer a obrigação, respeitando a data, o lugar e a maneira de pagar. QUAL A NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO? Predomina o entendimento de que o pagamento tem natureza contratual, ou seja, resulta de um acordo de vontades, estando sujeito a todas as suas normas. REGRAS GERAISDO PAGAMENTO: Satisfação Voluntária e Rigorosa da Prestação de dar uma coisa, fazer um serviço, ou abster-se de uma conduta porque o pagamento é exato; O credor não pode ser obrigado a receber prestação diferente, ainda que mais valiosa (art. 313); O credor pode aceitar receber prestação diferente, mas não pode ser forçado a aceitar (ART 356); O credor não pode ser obrigado a receber por partes uma dívida que deve ser paga por inteiro (314); esta regra tem duas exceções, no art. 962, que dispõe sobre o concurso de credores, e no art. 1.997, que dispõe sobre pagamento pelos herdeiros de dívida do falecido. ELEMENTOS DO PAGAMENTO: a) a existência de um vínculo obrigacional; b) a intenção de solvê-lo (animus solvendi); c) o cumprimento da prestação; d) a pessoa que efetua o pagamento (solvens); e) a pessoa que o recebe (accipiens). SOLVENS - QUEM PODE REALIZAR O PAGAMENTO? De Quem Deve Pagar art 304 a 307 1) O devedor, como principal interessado; 2) Representante do devedor; 3) Terceiro: - Interessado(pode ser afetado pelo inadimplemento, como o fiador e o avalista) = tem direito à sub-rogação legal (substitui-se na posição do credor originário). Qualquer interessado na extinção da dívida (art. 304) pode pagar. Só se considera interessado quem tem interesse jurídico, ou seja, quem pode ter seu patrimônio afetado caso não ocorra o pagamento, como o avalista e o fiador, por exemplo. Estes podem até consignar o pagamento, se necessário. Havendo o pagamento por terceiro interessado, este se sub-roga automaticamente nos direitos do credor, com a transferência de todas as ações, exceções e garantias que detinha o credor primitivo. É um caso de sub-rogação legal (art. 346, inc. III). - Desinteressado: terceiros não interessados (como pessoas com interesse meramente afetivo em relação ao devedor) não podem consignar o pagamento (pois não têm legitimidade) e podem fazer o pagamento de duas formas (verificadas no recibo de quitação: SE pagou em nome próprio = tem direito ao reembolso - em seu próprio nome. Em princípio tem direito ao reembolso do que foi pago, mas não se sub-rogam nos direitos do credor (art. 305). Se a dívida for paga antes do vencimento, terão direito ao reembolso apenas depois deste (art. 305, prg. único). CONTUDO, não terão direito ao reembolso se o devedor desconhecer ou se opuser ao pagamento feito pelo terceiro e provar que tinha meios para “ilidir a ação” (art. 306 - resolver a obrigação sem pagamento – p. ex., a pretensão de cobrança estava prescrita). SE pagou em nome do devedor = obrigação natural [ex. pagamento de fiança criminal]. Em nome e em conta do devedor, sem oposição deste: não terão direito ao reembolso, pois é como se fizessem uma liberalidade, uma doação. REGRA IMPORTANTE: ALIENAÇÃO A NON DOMINO: Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu. CONSEQUÊNCIA: o objeto do pagamento poderá ser reivindicado pelo legítimo proprietário contra o credor, que será obrigado a devolvê-lo. EXCEÇÃO: Se houve o pagamento de coisa fungível + recebida de boa-fé pelo credor + consumida pelo credor = ele não será obrigado a devolvê-lo e deverá ser ressarcido da perda por quem alienou a non domino (art. 307, prg. único). O pagamento deve ser feito ao credor, a quem de direito o represente (por determinação legal ou por deliberação contratual) ou aos sucessores daquele, sob pena de não extinguir a obrigação (art. 308). CLÁUSULA-OURO E PAGAMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA: São nulas as convenções de pagamento em ouro (cláusula-ouro) ou moeda estrangeira, ressalvados os casos previstos na legislação especial (art. 318). Algumas exceções, previstas no Decreto-lei n. 857, de 1969, são: contratos de importação e exportação de mercadorias, de financiamento a crédito para o exterior, de compra e venda de câmbio e de empréstimos internacionais, entre outros. A Lei 8.880, de 1994, permite, ainda, a realização de contratos de leasing (arrendamento mercantil) com base na variação do dólar, desde que os recursos financeiros para a operação sejam captados no exterior. O STJ tem afirmado que “é válido o contrato celebrado em moeda estrangeira desde que no momento do pagamento se realize a conversão em moeda nacional” (AgRgno REsp 1299460/SP,Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, Julgado em 10/03/2015,DJE 18/03/2015). De Quem Deve Pagar art 304 a 307 Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. São interessados no pagamento da dívida o fiador, o avalista, o devedor solidário, o sublocatário, o sócio, o terceiro que prestou hipoteca ou penhor, o herdeiro. Todos eles podem pagar independentemente do consentimento do devedor ou do credor e mesmo contra a sua vontade. Já o 3° não interessado só pode pagar pelo devedor e sub-rogar-se nos direitos de credor, só se o devedor não se opuser. Havendo oposição, o 3º só pode pagar em nome próprio cf. art.305. Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. Ex: Pai que paga a dívida para o filho, interesse moral e não jurídico, faz em nome do filho. Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor. Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento. Pode ocorrer que o devedor tenha justo motivo para na pagar a dívida e se surpreende ao ver que 3° pagou a dívida. Ex. Dívida não exigida por inteiro, dívida no todo ou em parte prescrita, negócio anulável. Neste caso, para que não haja enriquecimento sem causa, pode o 3° reembolsar-se, junto ao devedor, pelo que houver pago, sem, no entanto, sub-rogar-se nos direitos do primitivo credor. Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento. Como não lhe seria possível onerar a posição do devedor, pagando valor superior ao devido ou em data anterior ao vencimento, o reembolso está limitado ao valor do débito e só poderá ser cobrado na data do vencimento. Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação. A regra de reembolso dispõeque o devedor, mesmo aproveitando-se, aparentemente, do pagamento feito pelo terceiro, não estará mais obrigado a reembolsá-lo, desde que dispusesse, à época, dos meios legais de ilidir a ação do credor, vale dizer, de evitar que o credor viesse a exercer o seu direito de cobrança. Na verdade, se o devedor tinha meios para evitar a cobrança, e ainda assim, com a sua oposição ou seu desconhecimento, vem um terceiro e paga a dívida, sofreria prejuízo se tivesse que reembolsar àquele, significando inaceitável oneração de sua posição na relação obrigacional por fato de terceiro. Tem-se a impressão de estarem os mesmos dispositivos referindo-se à ação do terceiro, mas isso não seria possível, mormente se o devedor desconhecesse o pagamento por ele realizado. Se o devedor tinha meios de evitar a cobrança, e ainda assim, com a sua oposição ou seu desconhecimento, vem um 3° e paga a dívida, sofreria prejuízo se tivesse de reembolsar àquele, significando inaceitável oneração de sua posição na relação obrigacional por fato de terceiro. Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu. Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la. Ninguém pode transferir mais direitos que tem. A alienação por quem não seja dono da coisa é ineficaz. A inovação foi trocar “validade” por “eficácia”: A validade sempre se refere à vigência e a eficácia à conseqüência do ato, ou a sua aplicação. Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la. Se a coisa era fungível e o credor recebeu e a consumiu de boa-fé, reputa-se eficaz o pagamento, e do credor nada se poderá reclamar, cabendo ao 3°, que era o verdadeiro proprietário, buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. RESUMO: De Quem Deve Pagar art 304 a 307 São interessados no pagamento da dívida o fiador, o avalista, o devedor solidário, o sublocatário, o sócio, o terceiro que prestou hipoteca ou penhor, o herdeiro. Todos eles podem pagar independentemente do consentimento do devedor ou do credor e mesmo contra a sua vontade. Já o 3° não interessado só pode pagar pelo devedor e sub-rogar-se nos direitosde credor, se o devedor não se opuser. Pode o 3° reembolsar-se, junto ao devedor, pelo que houver pago, sem, no entanto, sub-rogar-se nos direitos do primitivo credor. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento. O reembolso está limitado ao valor do débito e só poderá ser cobrado na data do vencimento. Se o devedor tinha meios de evitar a cobrança, e ainda assim, com a sua oposição ou seu desconhecimento, vem um 3° e paga a dívida, sofreria prejuízo se tivesse de reembolsar àquele, significando inaceitável oneração de sua posição na relação obrigacional por fato de terceiro. Ninguém pode transferir mais direitos que tem. A alienação por quem não seja dono da coisa é ineficaz. Se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la. Se a coisa era fungível e o credor recebeu e a consumiu de boa-fé, reputa-se eficaz o pagamento, e do credor nada se poderá reclamar, cabendo ao 3°, que era o verdadeiro proprietário, buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR- A QUEM SE DEVE PAGAR? (ARTS. 308 A 312): O pagamento há de ser efetuado a pessoa capaz e autorizada a fornecer a devida quitação, sob pena de não valer (art. 310). “Quem paga mal, paga duas vezes”. EXCEÇÕES: mesmo feito de forma indevida, o pagamento será eficaz: a) se o credor ratificar o pagamento (art. 308, parte final) b) se o devedor provar que o credor foi beneficiado (art. 308, parte final e art. 310) c) se o pagamento for feito de boa-fé ao credor putativo, isto é, àquele que se apresenta aos olhos de todos como o verdadeiro credor (art. 309). Credor putativo e aplicação do artigo 309: O STJ exige que o erro seja escusável, ou seja, que o erro cometido pelo “solvens” (aquele que realizou o pagamento) pudesse ter sido cometido por qualquer pessoa de diligência normal Ex. Amanda e Jorge realizaram contrato de locação através da imobiliária. Amanda, locatária, vem fazendo o pagamento dos alugueis à imobiliária, mas, durante o contrato de locação, Jorge e a imobiliária rompem o contrato de administração sem comunicar a Amanda. Amanda realiza o pagamento do aluguel a imobiliaria, que o recebe normalmente. O pagamento é eficaz? Jorge pode exigir o pagamento daquela importância a Amanda? O pagamento é eficaz. O credor Jorge não pode exigir novo pagamento, nos termos do art. 309. Daqueles a Quem se Deve Pagar 308 a 312 Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. A regra geral é a de que o pagamento só produzirá eficácia liberatória da dívida quando feito ao próprio credor, seus sucessores ou representantes, mas, será eficaz, se feito a um estranho, vier a ser posteriormente ratificado pelo credor de forma expressa ou tácita, ou ainda se converter em utilidade para o credor. Se o pagamento foi feito para pessoa incapaz de quitar, equipara-se ao pagamento feito ao não-credor, competindo ao devedor provar que o pagamento verteu em benefício do credor. Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor. Credor putativo: É aquele que, não só à vista do devedor, mas nos olhos de todos, aparenta ser o verdadeiro credito o seu legitimo representante. A condição de eficácia do pagamento feito ao credor putativo é a boa-fé do devedor, caracterizada pela existência de motivos objetivos que o levaram a acreditar tratar-se do verdadeiro credor Não basta a crença subjetiva. Efetivado o pagamento nessas condições, fica o devedor exonerado, só cabendo ao verdadeiro credor reclamar o seu débito do credor putativo, que o recebeu indevidamente. Pode ocorrer o pagamento à pessoa que tenha aparência de credor. Ex: credor aparente (Portador de título litigioso, que vem posteriormente perder a propriedade do crédito). O accipiens deve ter a aparência de credor e estar o solvens de boa-fé. Ex: Bandido no estabelecimento comercial e o cliente vem e paga, ou um administrador de negócios que não tenha poderes para receber, mas aparece aos olhos de todos como efetivo gerente. A CONDIÇÃO DE EFICÁCIA DO PAGAMENTO FEITO AO CREDOR PUTATIVO É A BOA-FÉ DO DEVEDOR, CARACTERIZADA PELA EXISTÊNCIA DE MOTIVOS OBJETIVOS QUE O LEVARAM A ACREDITAR TRATAR-SE DO VERDADEIRO CREDOR. Nessa hipótese, cabe ao verdadeiro credor, reclamar o seu débito do credor putativo, que o recebeu indevidamente. Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu. O pagamento, como todo ato jurídico, exige plena capacidade das partes. Se feito ao absolutamente incapaz, é nulo de pleno direito. Se o pagamento for feito por relativamente incapaz, o pagamento será válido se for ratificado posteriormente, que pelo seu representante legal, quer pelo próprio incapaz, após cessada a incapacidade. Em ambos os casos será válido o pagamento, provando o devedor que foi proveitoso ao incapaz. Se o devedor desconhecia a incapacidade do credor, aplica-se o artigo anterior (credor putativo), reputando válido o pagamento, independentemente da comprovação de que trouxe proveito ao incapaz. Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. Presume-se (júris tantum) que o credor autorizou o portador a receber a dívida, como verdadeiro mandato tácito, tal qual a hipótese de credor putativo. Havendo controvérsia sobre o portador da quitação, não terá eficácia o pagamento. Todavia, cabe ao credor provar que o devedor sabia ou tinha motivos para saber que o portador não podia usar a quitação. Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor. O artigo versa sobre a hipótese em que o pagamento é feito ao verdadeiro credor mas, mesmo assim, não tem eficácia, vez que o credor estava impedido legalmente de receber. A penhora retira o crédito da esfera de disponibilidade do credor, razão por que ele não pode recebê-lo. Se o devedor é intimado de penhora incidente sobre o crédito ou de impugnação judicial oposta por terceiros e, ainda assim, paga ao credor, estará pagando mal, e corre o risco de vir a ser compelido a pagar novamente. O devedor, ciente da penhora ou daoposição judicial que paga o débito diretamente ao credor, será cobrado novamente pelos credoresdaquele, nada lhe restando fazer senão procurar reaver do seu credor o que havia pago. Neste caso o pagamento é feito ao verdadeiro credor, mas, mesmo assim, não tem eficácia, vez que credor estava impedido legalmente de receber. Se o devedor recebe a intimação de penhora sobre o crédito ou de impugnação de 3° e ainda assim, paga ao credor, estará pagando mal, e corre o risco de vir a ser compelido a pagar novamente. RESUMO Daqueles a Quem se Deve Pagar 308 a 312 O pagamento só produzirá eficácia liberatória da dívida quando feito ao próprio credor, seus sucessores ou representantes, mas, será eficaz, se feito a um estranho, vier a ser posteriormente ratificado pelo credor de forma expressa ou tácita, ou ainda se converter em utilidade para o credor. Se o pagamento foi feito para pessoa incapaz de quitar, equipara-se ao pagamento feito ao não-credor, competindo ao devedor provar que o pagamento verteu em benefício do credor. Credor putativo: É aquele que, não só à vista do devedor, mas nos olhos de todos, aparenta ser o verdadeiro credito o seu legitimo representante. A eficácia do pagamento feito ao credor putativo é a boa-fé do devedor, caracterizada pela existência de motivos objetivos que o levaram a acreditartratar-se do verdadeiro credor. Efetivado o pagamento nessas condições, fica o devedor exonerado, só cabendo ao verdadeiro credor reclamar o seu débito do credor putativo, que o recebeu indevidamente. Nessa hipótese, cabe ao verdadeiro credor, reclamar o seu débito do credor putativo, que o recebeu indevidamente. O pagamento exige plena capacidade das partes. Se feito ao absolutamente incapaz, é nulo de pleno direito. Se o pagamento for feito por relativamente incapaz, o pagamento será válido se for ratificado posteriormente, que pelo seu representante legal, quer pelo próprio incapaz, após cessada a incapacidade. Em ambos os casos será válido o pagamento, provando o devedor que foi proveitoso ao incapaz. Se o devedor desconhecia a incapacidade do credor, aplica-se o artigo anterior (credor putativo), reputando válido o pagamento, independentemente da comprovação de que trouxe proveito ao incapaz. Presume-se (júris tantum) que o credor autorizou o portador a receber a dívida, como verdadeiro mandato tácito, tal qual a hipótese de credor putativo. Havendo controvérsia sobre o portador da quitação, não terá eficácia o pagamento. Todavia, cabe ao credor provar que o devedor sabia ou tinha motivos para saber que o portador não podia usar a quitação. A penhora retira o crédito da esfera de disponibilidade do credor, razão por que ele não pode recebê-lo. Se o devedor é intimado de penhora incidente sobre o crédito ou de impugnação judicial oposta por terceiros e, ainda assim, paga ao credor, estará pagando mal, e corre o risco de vir a ser compelido a pagar novamente. Neste caso o pagamento é feito ao verdadeiro credor, mas, mesmo assim, não tem eficácia, vez que credor estava impedido legalmente de receber. Do Objeto do Pagamento e Sua Prova OBJETO DO PAGAMENTO: O objeto do pagamento é a prestação. O pagamento se regula, quanto ao objeto, por dois princípios: - princípio da exatidão: Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. - princípio da identidade física da prestação: Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou. ÔNUS DA PROVA: QUEM DEVE PROVAR QUE HOUVE PAGAMENTO? Se a obrigação é positiva, ou seja, de dar e de fazer, o ônus da prova é do devedor, assim se você é devedor, guarde bem seu recibo. Se a obrigação é negativa o ônus da prova é do credor, cabe ao credor provar que o devedor descumpriu o dever de abstenção, pois não é razoável exigir que o devedor prove que se omitiu, e mais fácil exigir que o credor prove que o devedor deixou de se omitir, fazendo o que não podia, descumprindo aquela obrigação negativa. Pagamento não se presume, e sim se prova pela regular quitação fornecida pelo credor. Entretanto, CC estabelece três presunções relativas de ocorrência do pagamento, mesmo sem o recibo de quitação: a) quando a dívida é representada por título de crédito devolvido ao devedor (art. 324); b) quando o pagamento é feito em quotas sucessivas, existindo quitação da última (art. 322); e c) quando há quitação do capital, sem reserva dos juros (art. 323) Como os juros não produzem rendimento, é de supor que o credor imputaria neles o pagamento parcial da dívida, e não no capital, que continuaria a render. Em regra, quando o recibo está redigido em termos gerais, sem qualquer ressalva, presume-se ser plena a quitação, inclusive dos juros. COMO SE PROVA O PAGAMENTO? (arts. 319 a 326): Com recibo/quitação. Quitação é o documento escrito em que o credor reconhece ter recebido o pagamento e exonera o devedor da obrigação. A quitação tem vários requisitos no art. 320, mas em muitos casos da vida prática a quitação é informal/verbal e decorre dos costumes (ex: compra e venda em banca de revista). Se o credor não quiser fazer a quitação, o devedor poderá não pagar (319). Mas pagar não é só uma obrigação do devedor, pagar é também um direito, pois o devedor tem o direito de ficar livre das suas obrigações, é até um alívio para muita gente pagar seus débitos. Assim, o devedor pode consignar/depositar o pagamento se o credor não quiser dar a quitação, e o Juiz fará a quitação no lugar do credor. Pagamento não se presume, e sim se prova pela regular quitação fornecida pelo credor. O devedor tem o direito de exigi-la, podendo reter o pagamento e consigná-lo se não lhe for dada (arts. 319 e 335, I). ESPÉCIES DE QUITAÇÃO: pela entrega do recibo, é a mais comum; pela devolução do título de crédito (324) FORMAS ESPECIAIS DE QUITAÇÃO: Consignação em pagamento; Pagamento em sub-rogação, substituição, sub-roga os direitos do credor; Imputação do pagamento; Dação em pagamento; Novação; Compensação; Transação; Compromisso (arbitragem); Confusão Remissão REQUISITOS LEGAIS DA QUITAÇÃO: Pode ser dada por instrumento público ou particular. Os requisitos que a quitação deve conter encontram-se especificados no art. 320: “... o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante”. Entretanto, ainda sem os referidos requisitos, “valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida” (art. 320, prg. único). É o princípio da relativização da quitação. Valor em espécie da dívida quitada; Nome do devedor ou de quem por este pagou; Tempo do pagamento; Lugar do pagamento; Assinatura do credor ou de seu representante. DÍVIDA EM DINHEIRO X DÍVIDA DE VALOR: Na dívida em dinheiro, o objeto da prestação é o próprio dinheiro, como ocorre no contrato de mútuo. Quando o dinheiro não constitui o objeto da prestação, mas apenas representa seu valor, diz-se que a dívida é de valor. As dívidas em dinheiro “deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal (art. 315). O CC adotou, assim, o princípio do nominalismo, pelo qual se considera como valor da moeda o valor nominal que lhe atribui o estado no ato da emissão. De acordo com o referido princípio, o devedor de uma quantia em dinheiro liberase entregando a quantidade de moeda mencionada no contrato ou título da dívida e em curso no lugar do pagamento, ainda que desvalorizada pela inflação, ou seja, mesmo que a referida quantidade não seja suficiente para a compra dos mesmos bens que podiam ser adquiridos quando contraída a obrigação. EXCEÇÃO: prevista pelo art. 316 do Código Civil, ao dispor que “é lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas”. Permite a atualização monetária das dívidas em dinheiro e daquelas de valor mediante índice previamente escolhido, utilizandose as partes da cláusula de escala móvel, pela qual o valor da prestação deve variar segundo os índices de custo de vida (variação da inflação). Do Objeto do Pagamento e Sua Prova 313 a 326 Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. O devedor só se desonera da obrigação após entregar ao credor exatamente o objeto que prometeu dar, ou realizar o ato a que se comprometeu, ou se abster da prestação, nas obrigações de não fazer. Do contrário, a obrigação converter-se-á em perdas e danos. Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou. As prestações parciais só podem ser aceitas quando houver previsão específica no contrato ou assentimento expresso do credor. Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subseqüentes. Dívidas em dinheiro: São aquelas cujo objeto da prestação é a própria na moeda, ou seja, o dinheiro em si, como se dá no mútuoe deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal. Diferem das dívidas de valor, aquelas em que o dinheiro serve apenas para medirou valorar o objeto na prestação. Ex: Mútuo, só serve o dinheiro em si, ou seja, a própria moeda. Diferem-se das dívidas de valor, aquelas em que o dinheiro serve apenas para medir ou valorar o objeto da prestação. Ex. Pensão alimentícia, indenização na desapropriação. Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. O dispositivo permite a atualização monetária das dívidas em dinheiro e daquelas de valor, ao dispor sobre a possibilidade de as partes convencionarem o aumento progressivo das prestações sucessivas. É o que a doutrina convencionou chamar de “cláusula de escala móvel”, mediante a qual o valor da prestação será automaticamente reajustado, no entanto, será nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção de periodicidade inferior a um ano. Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. O dispositivo permite que o valor da prestação seja corrigido por decisão judicial, sempre que houver desproporção entre o quefoi ajustado durante a celebração do contrato e o valor da prestação na época da execução. Para tanto, é imprescindível que a causa da desproporção tenha sido realmente imprevisível e que tenha havido pedido expresso de urna das partes, sendo vedado ao juiz determinar a correção de ofício O novo Código, que, sem se afastar da regra geral pacta sunt servanda, previu aintervenção judicial nos contratos, sempre que houver desproporção manifesta no valor da prestação, decorrente de fato imprevisível. “Teoria da Imprevisão”: Cláusula rebus sic stantibus, abarca tanto causas de desproporção não previsíveis, como também causas previsíveis mas de resultados imprevisíveis. Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial. São nulas quaisquer estipulações de pagamento em ouro ou emoutra espécie de moeda que não fosse a nacional, salvo previsão em legislação específica. É o que a doutrina chama de “curso forçado da moeda nacional”. Exceções: a) Contratos de exportação e importação em geral, bem como acordos resultantes de sua rescisão; b) contratos de compra e venda de câmbio; c) contratos celebrados com pessoa residente e domiciliada no exterior (exceto contratos de locação de imóveis em território nacional, transferência ou modificação a qualquer título); d) contratos de locação de bens móveis, desde que registrados no Banco Central do Brasil; e) contratos de leasing celebrados entre pessoas residentes no País, com base em recursos captados no exterior. Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. Quitação: Na clássica lição de Silvio Rodrigues, é “um escrito no qual o credor, reconhecendo ter recebido o que lhe era devido, libera o devedor, até o montante do que lhe foi pago” Prova-se o pagamento pela quitação ou recibo. Engloba a quitação dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de comunicação à distância. Se o devedor satisfez a obrigação, tem o direito de exigir a comprovação de seu ato. Recusando-se o credor, pode o devedor reter o pagamento ou obter decisão judicial que substitua a quitação mediante ação de consignação em pagamento ou medida cautelar de depósito. Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. O caput do artigo, repetindo estabeleceu os requisitos da quitação, ao tempo em que o parágrafo único, acrescido no novo Código, releva esses mesmos requisitos, sempre que, pelos próprios termos do recibo ou pelas circunstâncias em que ele foi passado, se puder concluir que a dívida foi paga. Estabelece os requisitos da quitação e ao mesmo tempo releva-os, se se puder concluir que a dívida foi paga pelos termos do recibo ou das circunstâncias em que ele foi passado. Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá o devedor exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título desaparecido. Desde que o título seja intransferível, porque sendo títulos ao portador ou à ordem, que podem ser transferidos ou cedidos, a terceiro de boa-fé, este poderá exigi-lo do devedor, que mesmo de posse da declaração de inutilização, será obrigado a pagar novamente. A solução, será o pagamento em juízo, com citação editalícia de terceiros, a fim de se evitar futura alegação de desconhecimento do pagamento realizado. A declaração de inutilização do título em que se fundamenta a dívida produz os mesmos efeitos da quitação regular, desde que ele seja intransferível. Isso porque nos títulos ao portador ou à ordem, que podem ser transferidos ou cedidos, se o título tiver sido transferido a terceiro de boa-fé, este poderá exigi-lo do devedor, que, mesmo de posse da declaração de inutilização, será obrigado a pagar novamente. A melhor solução para o devedor, nessas hipóteses, será o pagamento em Juízo. Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores. Nas obrigações de prestações sucessivas (ex. contrato de locação), o pagamento da última parcela faz supor (presunção júris tantum em benefício do devedor) de que as anteriores estejam pagas. A razão dessa presunção reside na ponto de não ser natural ao credor receber a cota subseqüente sem que as anteriores tenham sido adimplidas. Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos. A regra geral é a de que o acessório acompanha o principal. Assim, é de presumir que a quitação liberatória da obrigação principal também libere o devedor da obrigação acessória, que não tem existência autônoma. A presunção, na entanto, tal qual a estabelecida no artigo anterior, éjuris tantum, cabendo ao credor provar que não recebeu os juros. Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. O título é a prova da existência da obrigação; extinta esta, o credor o restitui ao devedor; conseqüentemente, se o título se acha nas mãos do devedor, é porque esta satisfeito o débito. A entrega do título deve ser feita, voluntariamente, pelo credor, no momento de receber a pagamento. Entretanto pode acontecer que esse documento vá às mãos do devedor por meios ilícitos (violentos ou dolosos), assim tem o credor direito de provar que o não entregou, voluntariamente, que não foi solvida a obrigação. Este seu direito extingue-se em sessenta dias. A presunção (júris tantum) é em benefício do devedor, pois a entrega do título deve ser feita voluntariamente pelo credor e não por meio ilícitos, mas o credor deve prova-los em sessenta dias. Art. 325. Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação; se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida. O art. 325 generaliza a responsabilidade do credor sempre que a devedor vier a arcar com ônus a que não deu causa. Entre as despesas referidas no artigo estão o transporte, a pesagem. a contagem. taxas bancárias etc. Claro que o dispositivo se refere apenas aos ônus extrajudicial, pois os encargos judiciais, no casode execução forçada da divida, serão pagos de acordo com o que vier a ser estabelecido no titulo judicial. Compete ao devedoras despesas com o pagamento e a quitação, no entanto, se ocorrer aumento por fato do credor, só esse o suportará. O dispositivo refere-se aos títulos extrajudiciais, pois os encargos judiciais serão estabelecidos no título judicial. Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á, no silêncio das partes, que aceitaram os do lugar da execução. Os sistemas de pesos e medidas podem variar de acordo com o país. O art 326 estabelece, portanto, que todas as obrigações exeqüíveis no Brasil regular-se-ão, no silêncio das partes, pelo sistema métrico. Claro que as partes podem convencionar medir ou pesar a prestação por sistema diverso. Aplicando-se o sistema métrico, de pesos e medidas do local da execução da obrigação. Resumo- Do Objeto do Pagamento e Sua Prova 313 a 326 O devedor só se desonera da obrigação após entregar ao credor exatamente o objeto que prometeu dar, ou realizar o ato a que se comprometeu, ou se abster da prestação, nas obrigações de não fazer. Do contrário, a obrigação converter-se-á em perdas e danos. As prestações parciais só podem ser aceitas quando houver previsão específica no contrato ou assentimento expresso do credor. As Dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal. Asdívidas de valor, são aquelas em que o dinheiro serve apenas para medir ou valorar o objeto da prestação. Ex. Pensão alimentícia, indenização na desapropriação. “cláusula de escala móvel”:tanto para as dívidas em dinheiro e de valor, o valor da prestação será automaticamente reajustado, se as partes convencionarem sobre tal. “Teoria da Imprevisão”: Cláusula rebus sic stantibus: permite que o valor da prestação seja corrigido por decisão judicial São nulas quaisquer estipulações de pagamento em ouro ou em outra espécie de moeda que não fosse a nacional, salvo previsão em legislação específica. É o que a doutrina chama de “curso forçado da moeda nacional”. Prova-se o pagamento pela quitação ou recibo. Se o devedor satisfez a obrigação, tem o direito de exigir a comprovação de seu ato. Recusando-se o credor, pode o devedor reter o pagamento ou obter decisão judicial que substitua a quitação. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá o devedor exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título desaparecido. Nas obrigações de prestações sucessivas (ex. contrato de locação), o pagamento da última parcela faz supor (presunção júris tantum em benefício do devedor) de que as anteriores estejam pagas. A regra geral é a de que o acessório acompanha o principal. Assim, é de presumir que a quitação liberatória da obrigação principal também libere o devedor da obrigação acessória, que não tem existência autônoma. Cabe ao credor provar que não recebeu os juros. O título é a prova da existência da obrigação; extinta esta, o credor o restitui ao devedor; conseqüentemente, se o título se acha nas mãos do devedor, é porque esta satisfeito o débito. A entrega do título deve ser feita, voluntariamente, pelo credor, no momento de receber a pagamento. Entretanto pode acontecer que esse documento vá às mãos do devedor por meios ilícitos (violentos ou dolosos), assim tem o credor direito de provar que o não entregou, voluntariamente, que não foi solvida a obrigação. Este seu direito extingue-se em sessenta dias.A presunção (júris tantum) é em benefício do devedor, pois a entrega do título deve ser feita voluntariamente pelo credor e não por meio ilícitos, mas o credor deve prova-los em sessenta dias. É responsabilidade do credorressarcir ao devedor que arcar com ônus a que não deu causa. Entre as despesas referidas no artigo estão o transporte, a pesagem. a contagem, taxas bancárias etc. Aplica-se o sistema métrico, de pesos e medidas do local da execução da obrigação, salvo convenção expressa e diversa das partes. Do Lugar do Pagamento 327 a 330 Em alguns contratos, o local do cumprimento da obrigação é determinado pela lei ou pelas circunstâncias. - Exemplo de domicílio estabelecido pela lei: art. 328 do CC: “se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel, farseá no lugar onde situado o bem”. -Exemplo de domicílio estabelecido pelas circunstâncias: contratos de empreitada, em que a prestação prometida é cumprida no local em que se realiza a obra. Quando estão ausentes tais determinações, o lugar do pagamento pode ser livremente escolhido pelas partes e constar expressamente do contrato. Se a lei não o fixar, nem as circunstâncias, nem o contrato, o pagamento deverá ser feito no domicílio do devedor (a dívida é quérable ou quesível, devendo o credor buscar o pagamento no domicílio do devedor). Quando se estipula como local do cumprimento da obrigação o domicílio do credor, a dívida é portable ou portável. SE O CONTRATO ESTABELECER MAIS DE UM LUGAR PARA O PAGAMENTO, A QUEM CABERÁ A ESCOLHA? Ao credor (art. 327, prg. único). Compete ao credor cientificar o devedor do lugar escolhido para o pagamento, em tempo hábil, sob pena de o pagamento vir a ser validamente efetuado pelo devedor em qualquer dos lugares, à sua escolha. SE O LOCAL DO PAGAMENTO FOR O DO DOMICÍLIO DO DEVEDOR E HOUVER MUDANÇA DE DOMICÍLIO DO DEVEDOR APÓS O CONTRATO, QUAL É O LOCAL ADEQUADO? O Código Civil não cogita da hipótese de haver mudança de domicílio do devedor. Apesar da referida omissão, é razoável entender-se que pode o credor optar por manter o local originalmente fixado. Se isso, todavia, não for possível e o pagamento tiver que ser efetuado no novo domicílio do devedor, arcará este com as despesas acarretadas ao credor, tais como taxas de remessa bancária. É POSSÍVEL A FLEXIBILIZAÇÃO DA REGRA DO DOMICÍLIO CONTRATUAL, POR RAZÕES GRAVES? Sim. “Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor”. Deve-se assinalar que, se o fato constituir caso fortuito ou força maior, não se poderá falar em qualquer espécie indenização ao credor (art. 393). É POSSÍVEL A FLEXIBILIZAÇÃO DA REGRA DO DOMICÍLIO CONTRATUAL, PARA PROTEÇÃO DA BOA-FÉ CONTRATUAL? Sim. “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato” (art. 330). (institutos da supressio ou verwirkung). Não se confunde o foro do pagamento com o foro para dirimir litígios (regulado pelas normas processuais). Do Lugar do Pagamento 327 a 330 Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles. O lugar do pagamento é onde deve ser cumprida a obrigação. DÍVIDA QUESÍVEL OU QUERABLE: É a dívida que houver de ser cobrada pelo credor no domicílio do devedor. Compete ao credor procurar o devedor para receber o pagamento. DÍVIDA PORTÁVEL OU PORTABLE: É a dívida que deve ser paga no domicílio do credor. Cabe ao devedor portar, levar o pagamento até a presença do credor. Em regra, toda dívida é QUERABLE, ou seja, deve ser buscada pelo credor no domicílio do devedor. Exceções: a) mercadoria despachada por reembolso postal, paga pelo devedor na retirada; b) dívidas fiscais devem ser pagas na repartição competente, por imposição legal. Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles. • Exceções à regra geral: O lugar do pagamento é de livre convenção das partes, daí que a regra geral da dívidaquesível só tem aplicação quando os contratantes não convencionarem do modo diverso. E mesmo no silêncio do contrato, muitas vezes as circunstâncias da avença, a natureza da obrigação ou a própria lei é que determinam o lugar do pagamento. Assim é que no caso de mercadoria despachada por reembolso postal, a dívida será paga pelo devedor no lugar da retirada. As dívidas fiscais devem ser pagas na repartição competente, por imposição legal. • Se o contrato estabelecer mais de um lugar para o pagamento, caberá ao credor, e não ao devedor, escolher aquele que mais lhe aprouver. Compete ao credor cientificar o devedor, em tempo hábil, sob pena de o pagamento vir a ser validamente efetuado pelo devedor em qualquer dos lugares, à sua escolha. • Se o devedor de dívida quesível muda de domicilio, sem anuência do credor, caber-lhe-ão as despesas que o credor houver tido com a mudança do local do pagamento, tais como taxas de remessa bancária, correspondências etc. Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. Se consistir em prestação decorrente de serviços realizados no imóvel, no local do serviço, salvo convenção em contrário das partes. Crítica: Se o bem é imóvel, a transferência só ocorre com o registro do título no cartório de imóveis do lugar do bem. A segunda parte é confusa, dando a entender que toda e qualquer prestação relativa ao imóvel, terá de ser realizada no lugar da situação, o que nem sempre é verdade. (Aluguéis pela doutrina não são considerados prestações.) Ex. Construção de um muro, a restauração de uma fachada, etc. Art. 329. Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor. O devedor pode alterar o local predeterminado para o pagamento, sempre que ocorrer motivo grave e desde que não haja prejuízo ao credor Se a mudança do local do pagamento implicar o acréscimo de quaisquer despesas, estas serão de responsabilidade do devedor. Caberá ao Juiz decidir sobre a gravidade do “motivo grave”. Se a mudança do local do pagamento implicar o acréscimo de qualquer das despesas, estão serão de responsabilidade do devedor. Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. Se o credor habitualmente aceita que o pagamento seja feito em local diverso, é porque tem a intenção de mudar o lugar do pagamento. A presunção no entanto admite prova em contrário (presunção juris tantum). Resumo Do Lugar do Pagamento 327 a 330 O lugar do pagamento é onde deve ser cumprida a obrigação. O lugar do pagamento é de livre convenção das partes, DÍVIDA QUESÍVEL OU QUERABLE: É a dívida que houver de ser cobrada pelo credor no domicílio do devedor. Compete ao credor procurar o devedor para receber o pagamento. Em regra, toda dívida é QUERABLE. DÍVIDA PORTÁVEL OU PORTABLE: É a dívida que deve ser paga no domicílio do credor. Cabe ao devedor portar, levar o pagamento até a presença do credor. Se o contrato estabelecer mais de um lugar para o pagamento, caberá ao credor,escolher aquele que mais lhe aprouver. Compete ao credor cientificar o devedor, em tempo hábil, sob pena de o pagamento vir a ser validamente efetuado pelo devedor em qualquer dos lugares, à sua escolha. Se o devedor de dívida quesível muda de domicilio, sem anuência do credor, caber-lhe-ão as despesas que o credor houver tido com a mudança do local do pagamento, tais como taxas de remessa bancária, correspondências etc. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. Se consistir em prestação decorrente de serviços realizados no imóvel, no local do serviço, salvo convenção em contrário das partes. O devedor pode alterar o local predeterminado para o pagamento, sempre queocorrer motivo grave e desde que não haja prejuízo ao credor Se a mudança do local do pagamento implicar o acréscimo de quaisquer despesas, estas serão de responsabilidade do devedor. Se o credor habitualmente aceita que o pagamento seja feito em local diverso, é porque tem a intenção de mudar o lugar do pagamento. A presunção no entanto admite prova em contrário (presunção juris tantum). Do Tempo do Pagamento 331 a 333 As obrigações puras (também chamadas de instantâneas com cumprimento imediato), com estipulação de data para o pagamento, devem ser solvidas nessa ocasião, sob pena de inadimplemento e constituição do devedor em mora de pleno direito (art. 397). Nos contratos, o prazo se presume estabelecido em favor do devedor (art. 133). Desse modo, se o devedor desejar, poderá antecipar o pagamento. CONTUDO, existem contratos em que as circunstâncias demonstram que o prazo foi estipulado em favor do credor. Nesse caso, ele não é obrigado a aceitar o pagamento antecipado. Ex. contrato de compra e venda de mercadoria, a ser entregue no prazo de noventa dias ao credor. Esse prazo foi fixado porque, nesse período, o credor construirá um armazém para guardá-la. Não deverá ser obrigado a aceitá-la antecipadamente. Excepcionalmente, a LEI faculta ao credor o vencimento antecipado da dívida: “Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste Código: I — no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; II — se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; III — se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes”. Caso não tenha sido ajustada época para o pagamento, o credor pode exigi-lo imediatamente (art. 331 – princípio da satisfação imediata), salvo disposição especial do CC. As obrigações com condições suspensivas “cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste [o implemento da condição] teve ciência o devedor” (art. 332). Do Tempo do Pagamento art 331 a 333 Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. Obrigações puras e impuras: São puras aquelas em que as partes não estipularam prazo para o pagamento e por isso podem ser exigidas imediatamente. As obrigações impuras ou a termo, são aquelas com prazo fixado. A obrigação pura é exigível de imediato, exceto: a) se a execução tiver de ser feita em local diverso ou depender de tempo, ex. transporte de mercadoria de SP para MA., b) se a própria lei dispuser de modo diverso. Não havendo prazo ajustado, é imprescindível que o credor notifique o credor para que cumpra a obrigação. Não havendo prazo ajustado, é imprescindível que o credor notifique o devedor para que cumpra a obrigação. Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor. Obrigações condicionais são aquelas cujo cumprimento se encontra subordinado a evento futuro e incerto, ou seja, a obrigação só se implementa após o advento da condição. Pode ser suspensiva (a eficácia do negócio fica postergada até o advento da condição) ou resolutiva (é a ineficácia do ato negocial que fica a depender de evento futuro e incerto). Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste Código: I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. Parágrafo único.Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes. Obrigações condicionais são aquelas cujo cumprimento se encontra subordinado a evento futuro e incerto, ou seja, a obrigação só se implementa após o advento da condição. Pode ser suspensiva (a eficácia do negócio fica postergada até o advento da condição) ou resolutiva (é a ineficácia do ato negocial que fica a depender de evento futuro e incerto). Em regra não pode o credor exigir o pagamento antes do vencimento, exceto: I- se executado o devedor e não sendo suficiente os seus bens ao pagamento do débito; II- se os bens do devedor já gravados por ônus real, forem penhorados em execução por outro credor; III- se as garantias que o devedor houver a dado ao credor cessarem ou se tornarem insuficientes (ex. desapropriação do objeto da garantia). Pode o devedor, no entanto, como regra geral, pagar a dívida antes do vencimento, salvo: a) se o prazo tiver sido estabelecido em proveito do credor; b) se o contato ou a lei dispuserem de modo diverso. Resumo Do Tempo do Pagamento art 331 a 333 Obrigações puras: são aquelas em que as partes não estipularam prazo para o pagamento e por isso podem ser exigidas imediatamente. A obrigação pura é exigível de imediato, exceto: a) se a execução tiver de ser feita em local diverso ou depender de tempo, ex. transporte de mercadoria de SP para MA., b) se a própria lei dispuser de modo diverso. Não havendo prazo ajustado, é imprescindível que o credor notifique o credor para que cumpra a obrigação. As obrigações impuras ou a termo, são aquelas com prazo fixado. Não havendo prazo ajustado, é imprescindível que o credor notifique o devedor para que cumpra a obrigação. Obrigações condicionais são aquelas cujo cumprimento se encontra subordinado a evento futuro e incerto,e devem ser cumpridas na data do implemento da condição Em regra não pode o credor exigir o pagamento antes do vencimento, exceto: I- se executado o devedor e não sendo suficiente os seus bens ao pagamento do débito; II- se os bens do devedor já gravados por ônus real, forem penhorados em execução por outro credor; III- se as garantias que o devedor houver a dado ao credor cessarem ou se tornarem insuficientes (ex. desapropriação do objeto da garantia). Pode o devedor, no entanto, como regra geral, pagar a dívida antes do vencimento, salvo: a) se o prazo tiver sido estabelecido em proveito do credor; b) se o contato ou a lei dispuserem de modo diverso. Do Pagamento em Consignação (334 A 345) TEORIA DO PAGAMENTO INDIRETO:Formas especiais ou indiretas de pagamento, com ou sem satisfação do credor, são elas: - Consignação em pagamento: meio pelo qual o devedor deposita a prestação devida e obtém a liberação obrigacional. - Pagamento com sub-rogação: Sub-rogar é substituir. Pode haver pagamento e posterior substituição de um dos sujeitos da obrigação (ativo ou passivo) ou do objeto da prestação (real ou objetiva). - Dação em pagamento: o credor recebe prestação diversa da que lhe é devida. - Novação: ato complexo de extinção de uma obrigação e criação de nova obrigação. - Compensação: extinguem-se as obrigações quando há credores e devedores recíprocos. - Confusão: na mesma pessoa confundem-se as qualidades de credor e devedor. - Remissão: perdão (total ou parcial) da dívida. - Imputação: critério de interpretação acerca da dívida a ser quitada. CONCEITO: DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO (ARTS. 334 A 345): O pagamento em consignação consiste no depósito, pelo devedor, da coisa devida, com o objetivo de liberar-se da obrigação e transferir os riscos da mora ao credor (art. 334). Revela que o pagamento é não só uma obrigação, mas um direito do devedor. É meio indireto de pagamento ou pagamento especial. A consignação pode ser feita na esfera judicial (em conta vinculada ao processo judicial) ou extrajudicial (em estabelecimento bancário). PERSONAGENS: a) Consignante: autor da consignação; b) Consignatário: réu da consignação, para quem se deposita; c) Consignado: objeto da consignação. É a coisa devida. NATUREZA JURÍDICA: A consignação é, concomitantemente, instituto de direito material e de direito processual. O CC menciona os fatos que autorizam a consignação. O modo de fazê-la é previsto no diploma processual civil (NCPC, arts. 539 e seguintes). FATOS QUE AUTORIZAM A CONSIGNAÇÃO: O art. 335 do CC apresenta um rol, não taxativo, dos casos que autorizam a consignação: “I — se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II — se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III — se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV — se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V — se pender litígio sobre o objeto do pagamento.” Outros são mencionados em artigos esparsos, como nos arts. 341 e 342, bem como em leis avulsas (Decreto-Lei n. 58/37, art. 17, parágrafo único; Lei n. 492/37, arts. 19 e 21, III etc.). QUEM PODE CONSIGNAR: A consignação deve ser feita pelo devedor ou pelo terceiro interessado ao verdadeiro credor, sob pena de não valer, salvo se ratificado por este ou se o reverter em seu proveito (arts. 336, 304 e 308). OBJETO DA CONSIGNAÇÃO: Quanto ao objeto, exige-se a integralidade do depósito, porque o credor não é obrigado a aceitar pagamento parcial. O modo será o convencionado, não se admitindo, p. ex., pagamento em prestações quando estipulado que este deve ser à vista. MOMENTO DA CONSIGNAÇÃO: Quanto ao tempo, deve ser, também, o fixado no contrato, não podendo efetuar-se antes de vencida a dívida se assim não foi convencionado. LUGAR DA CONSIGNAÇÃO: Quanto ao lugar do depósito, este deve ser o lugar do pagamento (art. 337). Sendo quesível a dívida, o pagamento efetua-se no domicílio do devedor; sendo portável, no do credor (art. 327), podendo haver, ainda, foro de eleição. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada (art. 341). LEVANTAMENTO DO PAGAMENTO PELO CREDOR: O art. 338 diz que “enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito”. O art. 339 afirma que, depois de julgado procedente o depósito, o devedor não poderá levantar o depósito, a não ser que consintam o credor, bem como todos os devedores e fiadores. Do Pagamento em Consignação (334 A 345) Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais. Pagamento em consignação ou consignação em pagamento: É o depósito da coisa devida, à disposição do credor. Não é pagamento mas produz os mesmos efeitos extintivos da obrigação. É o processo por meio do qual o devedor pode liberar-se, efetuando o depósito judicial da prestação devida, quando recusar-se o credor recebê-la ou se para esse recebimento houver qualquer motivo legal impeditivo” Ex. Jóias, metais preciosos, papéis de qualquer espécie e não só para dívidas em dinheiro. Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. O pagamento em consignação constitui forma excepcional de extinção do vínculo obrigacional e só podeser admitido nas hipóteses expressamente previstas no texto legal: As hipóteses legais que admitem a propositura da ação de consignação em pagamento são as seguintes: a) mora do credor, que se nega a receber (dívida portáble) ou a mandar buscar o pagamento (dívida quérable), ou ainda a dar a quitação, na forma devida; b) credor incapaz, desconhecido, declarado ausente ou residente em local perigoso, incerto ou de difícil acesso; c) ocorrer dúvida sobre a legitimidade do credor; d) existência de litígio sobre o objeto do pagamento. Só pode ocorrer nestas hipóteses acima, então o rol é taxativo Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento. Os requisitos necessários para a validade da consignação estão previstos no CC nos arts.304 a 307 (quem deve pagar), 308 a 312 (quem deve receber o pagamento), 319 a 326 (objeto do pagamento) e 331 a 333 (tempo do pagamento). Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente. Pegar da consignação: E o mesmo local convencionado para o pagamento, afigurando-se de certa forma desnecessária a cláusula inicial do art. 336, que condiciona a validade da consignação aos mesmos requisitos de validade do pagamento. Vide arts. 327 a 330 deste Código. Efetuado o depósito, cessam para o depositante os juros da dívida, salvo se vier a ser julgado improcedente. Nesse caso e como se nunca tivesse ocorrido o depósito, e os juros são estabelecidos desde quando vencida a dívida. Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito. Se o credor aceitar ou não o impugnar, já não pode mais o devedor levantar o depósito, posto que éinadmissível que o devedor possa reaver do credor aquilo que lhe pagou. A época da sentença, a da contestação da lide, em obediência aos princípios dominantes no direito processual. Depois da litiscontestação real, ou presumida, não pode o autor desistir das instâncias. Da mesma forma, se, em vez de impugnar a consignação, o credor aceitar o pagamento, já não pode o devedor retirar o depósito, porque, sendo o fim da consignação tornar efetivo o pagamento, esse fim já está alcançado pela aceitação do credor, e não é admissível que o devedor possa reaver do credor aquilo que lhe pagou... O credor só poderá impugnar o depósito contestando a respectiva ação de consignação em pagamento. Esta, por sua vez, constitui o instrumento processual por meio do qual o pagamento em consignação se materializa. Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores. Julgado procedente o pedido consignatório, operar-se-á a extinção do vínculo obrigacional, não cabendo mais ao devedor pleitear o levantamento do depósito, salvo se o credor e todos os demais co-obrigados pelo débito consentirem. Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento, perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada, ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído. O acordo entre credor e devedor, a implicar verdadeira novação, não pode prejudicar os co-devedores e fiadores que não tenham anuído ou participado da avença. Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada. Corpo certo é o mesmo que coisa ceda, ou seja, objeto perfeitamente identificado em todos os seus contornos. A referência a imóvel acrescida no novo Código parece-nos desnecessária. Se a entrega ou tradição do imóvel opera-se com o registro do título no cartório respectivo, é obvio que só poderá ocorrer no local de situação do bem. Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente. Sobre escolha ou concentração da coisa incerta, vide arts. 244 e 245. Competindo a escolha ao credor, há de ser ele citado para exercer o seu direito, no prazo assinalado pelo juiz. Não atendendo à citação, transfere-se ao devedor o direito de escolher a coisa a ser depositada. Feita a escolha pelo devedor, far-se-á nova citação ao credor para vir ou mandar receber a coisa, sob penade ser depositada. Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor. É óbvio que quem perde a demanda deve arcar com as despesas correspondentes. Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento. Obrigação litigiosa: É aquela objeto de litígio, de demanda judicial. Se o devedor pagar, sabendo do litígio, o pagamento não terá valor. Pagará novamente, embora com direito de pedir a restituição do que deu por erro. A ação de consignação, em regra, é privativa do devedor que pretende exonerar-se da obrigação. Excepcionalmente, em caso de litígio de credores sobre o objeto da dívida, poderá a consignatória ser proposta por um dos credores litigantes, logo que se vencer a dívida, ficando de logo exonerado o devedor e permanecendo a coisa depositada até que se decida quem é o legítimo detentor do direito creditório. Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação. A ação de consignação em pagamento, via de regra, é privativa do devedor, mas, excepcionalmente, em caso de litígio de credores sobre o objeto da dívida, poderá a consignatória ser proposta por um dos credores litigantes, logo que se vencer a dívida, ficando logo exonerado o devedor e permanecendo a coisa depositada até que se decida quem é o legítimo detentor do direito creditório. Do Pagamento com Sub-Rogação 346 A 351 Sub-rogação é a substituição de uma coisa por outra ou de uma pessoa por outra, em uma relação jurídica. No primeiro caso, a sub-rogação é real, enquanto no segundo, pessoal. - Exemplo de sub-rogação real ou objetiva: Art. 1.425, prg. 1º: “Nos casos de perecimento da coisa dada em garantia, esta se sub-rogará na indenização do seguro, ou no ressarcimento do dano, em benefício do credor, a quem assistirá sobre ela preferência até seu completo reembolso”. - A sub-rogação pessoal gera efeito liberatório em relação ao antigo credor e translativo em relação ao novo credor, que ingressa na relação jurídica investido das mesmas garantias, acessórios e privilégios do credor originário. SUB-ROGAÇÃO LEGAL E CONVENCIONAL: A sub-rogação pode ser, ainda, legal ou convencional. A primeira decorre da lei e é um ato unilateral; a segunda, da vontade das partes e é um ato bilateral. NATUREZA JURÍDICA: Trata-se de instituto autônomo e anômalo, em que o pagamento promove apenas uma alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor. A extinção obrigacional ocorre somente em relação ao credor originário, que fica satisfeito. Nada se altera para o devedor, exceto a circunstância de que deverá pagar ao terceiro, sub-rogado no crédito. CAUSAS DE SUB-ROGAÇÃO LEGAL: A sub-rogação opera de pleno direito (art. 346): a) em favor do credor que paga a dívida do devedor comum; A utilidade dessa regra se revela quando um credor desconfia que o patrimônio do devedor não é suficiente para quitar a sua obrigação, pois existe outro credor com privilégio ou garantiaque, para satisfazer seu crédito, pode esvaziar o patrimônio do devedor comum. Assim, ele pode satisfazer esse crédito, para se sub-rogar nele e aumentar as chances de que o seu crédito seja adimplido. Ex. A deve a B R$10.000,00 (e A possui um fiador, F) e A deve a C R$20.000,00. C paga para B R$10.000,00 e poderá cobrar de A R$30.000,00, tendo a faculdade de cobrar de F R$10.000,00. b) em favor do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; Ex. o locatário do imóvel pode quitar a dívida para continuar a locação. Ex2. o novo proprietário que paga a dívida para não sofrer os efeitos da evicção. c) em favor do terceiro interessado que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. Ex. fiador ou avalista. CAUSA DA SUB-ROGAÇÃO CONVENCIONAL (ART. 347): É um ato bilateral que envolve terceiros não-interessados. Ocorre nas seguintes hipóteses: a) quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos; b) quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. EFEITOS DA SUB-ROGAÇÃO: A subrogação produz dois efeitos: a) o liberatório, por exonerar o devedor ante o credor originário; e b) o translativo, por transmitir ao terceiro (sub-rogado) os direitos de crédito do credor originário, com todos os privilégios e garantias contra o devedor e fiadores, mas também com todos os ônus e encargos, pois o sub-rogado passará a suportar todas as exceções (defesas) que o sub-rogante teria de enfrentar (art. 349). PAGAMENTO PARCIAL: O pagamento parcial por terceiro pode gerar conseqüências diversas na sub-rogação legal e na sub-rogação convencional. Na sub-rogação legal, o crédito fica dividido em duas partes: a parte não paga, que continua a pertencer ao credor primitivo, e a parte paga, que será objeto da sub-rogação. Na sub-rogação legal, o sub-rogado só pode reclamar do devedor aquilo que houver desembolsado (art. 350). Em caso de insolvência do devedor, o credor originário, só parcialmente pago, terá preferência sobre o terceiro sub-rogado (art. 351). Na sub-rogação convencional, se o credor originário quiser, ele pode receber o pagamento parcial e transmitir a integralidade de seu crédito, por sub-rogação. Aqui, o regime jurídico da sub-rogação se assemelha à cessão de crédito. DIFERENÇAS IMPORTANTES: CESSÃO DE CRÉDITO: PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO LEGAL Destina-se a servir ao interesse da circulação do crédito, assegurando a sua disponibilidade. Caracteriza-se pelo aspecto especulativo. É feita, em geral, por valor diverso da obrigação. É feita antes da satisfação do débito. Visa transferir ao cessionário o crédito, o direito ou a ação. Visa proteger a situação do terceiro interessado que paga uma dívida que não é sua.Ocorre na exata proporção do pagamento efetuado. Objetiva exonerar o devedor perante o antigo credor. NOVAÇÃO SUBJETIVA: PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO: Caracteriza-se pela intenção de novar, ou seja, de criar obrigação nova para extinguir uma anterior. São as partes na relação original que convencionam a substituição, com a aquiescência do novo titular. Falta-lhe o animus novandi. Do Pagamento com Sub-Rogação 346 A 351 Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor: I - do credor que paga a dívida do devedor comum; II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. Sub-rogação: Consiste na substituição de uma coisa ou pessoa por outra, Pode ser legal (art.346) ou convencional (art.347). No pagamento com sub-rogação ocorre a substituição de um credor por outro, por imposição da Lei (sub-rogação Legal, Art. 346) ou do contrato (sub-rogação convencional, Art. 347). Pagamento com sub-rogação: Trata-se da transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação ou emprestou o necessário para solvê-la. A obrigação pelo pagamento extingue-se, mas, em virtude da sub-rogação, a dívida, extinta para o credor originário, subsiste para o devedor, que passa a ter por credor, investido nas mesmas garantias, aquele que pagou ou lhe permitiu pagar a dívida. Trata-se, portanto, de pagamento não liberatório para o devedor, ainda que extintivo da obrigaçãoem relação ao credor originário. Hipóteses de sub-rogação Legal no Código Civil: são aquelas previstas nos incisos III do art. 346, das quais a única inovação em relação ao Código Civil de 1916 foi o acréscimo da cláusula final do inciso II, para fins de proteção ao terceiro interessado, com direito sobre o imóvel hipotecado, que paga ao credor hipotecário, visando à preservação de seu direito. Art. 347. A sub-rogação é convencional: I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos; II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. Na hipótese prevista no inciso 1 desse artigo, ocorre verdadeira cessão de crédito, aplicando-se o disposto nos arts. 286 a 298 deste Código (v. art. 348). O inciso II regula a sub-rogação do devedor que, pagando ao credor com dinheiro de terceiro, transfere a terceiro os direitos creditórios, com todas as garantias e privilégios antes concedidos ao primitivo credor. Art. 348. Na hipótese do inciso I do artigo antecedente, vigorará o disposto quanto à cessão do crédito. As proibições legais sobre compra e venda, e que são também aplicáveis à cessão de crédito, nenhuma aplicação têm à sub-rogação: a) assim, mesmo não sendo permitida a compra e venda de direitos litigiosos, podem estes ser objeto de sub-rogação; b) quem não pode alienar, não pode ceder, mas pode sub-rogar, recebendo pagamento; C) quem não pode ser cessionário, pode, porém, ser sub-rogado. Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. A cessão transfere o próprio crédito (arts.286 e 287), enquanto a sub-rogação transfere dos direitos, privilégios e garantias incidentes sobre o crédito. O cedente fica responsável pelo crédito, na sub-rogação, só se aplica isso no caso do art.347, I. O principal efeito da sub-rogação é que ela transfere para o novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo credor em relação à dívida, tanto contra os fiadores como contra o devedor principal. Importante não confundir os efeitos da sub-rogação com os da cessão. A cessão transfere o próprio crédito (arts. 286 e 287), enquanto a sub-rogação transfere os direitos, privilégios e garantias incidentes sobre o crédito. O cedente fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que fez a cessão (Art. 295). Na sub-rogação, só se aplica este dispositivo no caso do n. 1 do Art. 347, ou seja, quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos. Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor. O dispositivo refere-se apenas à sub-rogação legal. Na sub-rogação convencional, a limitação tem de estar expressamente convencionada. Art. 351. O credor originário, só em parte reembolsado, terá preferência ao sub-rogado, na cobrança da dívida restante, se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever. Aplicável às hipóteses de sub-rogação legal e convencional. Na sub-rogação parcial, em que o credor origináriocontinua credor pela parte da dívida não sub-rogada, tem esse credor primitivo preferência sobre o sub-rogado, na hipótese de insolvência do devedor. Da Imputação do Pagamento 352 a 355 É um critério de interpretação da dívida quitada. A imputação do pagamento ocorre quando o pagamento é insuficiente para saldar todas as dívidas junto ao credor. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. ELEMENTOS OU REQUISITO- SÃO ELEMENTOS DA IMPUTAÇÃO AO PAGAMENTO: · Pluralidade de débitos; · Identidade entre credor e devedor; · Natureza dos débitos; · Débitos líquidos e vencidos; · Pagamento deve ser suficiente para cobrir alguma divida. ESPÉCIES: IMPUTAÇÃO DO DEVEDOR(art. 352). Ocorre quando o devedor indica qual dívida que está sendo quitada com o pagamento. IMPUTAÇÃO DO CREDOR(art. 353): Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas liquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido violência ou dolo. IMPUTAÇÃO FEITA PELA LEI(art. 355): Se o devedor não indicar a qual débito oferece pagamento, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dividas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. PREFERÊNCIA DA IMPUTAÇÃO NOS JUROS Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. Da Imputação do Pagamento 352 a 355 Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. Imputação do pagamento: “o devedor, quando paga, temo direito de declarar qual é a dívida que está pagando, dentre todas as que ele tem”. A essa operação, pela qual o devedor de várias dívidas a um mesmo credor, ou o próprio credor em seu lugar, diante da insuficiência do pagamento para saldar todas elas declara qual das dívidas estará sendo extinta, denomina-se imputação do pagamento. Requisitos da imputação: a) Existência de duas ou mais dívidas, líquidas e vencidas, de um só devedor para com um só credor; b) idêntica natureza das dívidas. Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido violência ou dolo. Compete ao devedor imputar o pagamento a uma das dívidas líquidas, certas e vencidas que possui junto ao credor. No ato do pagamento, deve ele declarar qual das dívidas pretende quitar. Se não o fizer e aceitar a imputação feita pelo credor, não poderá reclamar a posteriori, a não ser provando que o credor agiu com dolo ou violência. Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. Primeiro pagam-se os juros e depois o capital, via de regra. Os juros serão de uma das dívidas e não das dívidas todas. Tratando-se de exceção à regra geral de que a imputação pressupõe a existência de dois ou mais débitos a um só credor, aqui existe apenas uma única dívida, vez que os juros constituem mero acessório. Os juros podem ser compensatórios ou moratórios. Quando houver mais de uma dívida vencendo juros, e o devedor puder, por serem elas vencidas e líquidas, escolher qual deve ficar extinta, é claro que não se imputa nos juros das outras dívidas, o pagamento destinado a uma dívida determinada com os juros respectivos. Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. Imputação legal: Tem lugar na ausência de indicação expressa do devedor ou do credor. Assim, farse- á a imputação: a) por conta da dívida líquida em concorrência com outra ilíquida; b) na concorrência de dívidas igualmente líquidas, por conta da que for mais onerosa; c) havendo igualdade na natureza dos débitos, imputar-se-á o pagamento da dívida vencida em primeiro lugar Ordem de imputação: 1° pela dívida líquida em face de uma ilíquida, 2° sendo todas líquidas, por conta da mais onerosa, 3° havendo igualdade na natureza dos débitos, imputar-se à o pagamento da dívida vencida em primeiro lugar. Da Dação em Pagamento 356 a 359 Dação em pagamento é uma forma satisfativa de pagamento indireto, na qual, mediante acordo de vontades, o credor concorda em receber do devedor prestação diversa da que lhe é devida, para exonerá-lo da dívida (art. 356). REQUISITOS: a) existência de um débito vencido; b) animus solvendi (intenção de pagar); c) diversidade do objeto oferecido, em relação ao devido; d) consentimento do credor na substituição. Não se confunde com a dação “pro solvendo”, que não extingue o vínculo obrigacional, mas facilita o cumprimento da obrigação. Da Dação em Pagamento 356 a 359 Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Dação em pagamento: Também chamada datio in solutum pelos romanos, é o acordo liberatório feito entre o credor e o devedor, em virtude do qual consente ele em receber coisa que não seja dinheiro, em substituição à prestação que lhe era devida — aliud pro alio. A dação pode ter por objeto qualquer tipo de prestação, positiva (dar e fazer) e negativa (não fazer), bens móveis e imóveis, direitos reais ou pessoais, cessão de crédito etc. Não se pode confundir dação e novação, porque esta substitui a obrigação por outra, enquanto aquela extingue definitivamente a obrigação. Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda. Garante aaplicação quando o objeto da dação consistir na entrega da coisa, móvel ou imóvel, corpórea ou incorpórea, e cujo preço O dispositivo só tem aplicação quando o objeto da dação consistir na entrega de coisa, móvel ou imóvel, corpórea ou incorpórea, e cujo preço seja passível de taxação, regulando-se pelas regras da compra e venda. Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará em cessão. Assim, a operação deve ser notificada ao devedor e quem fez a dação fica responsável pela existência do crédito, Importando a transferência em cessão do credito dado em pagamento, resulta a observância do disposto nos arts. 290 a 295 deste Código. Importando a transferência em cessão de crédito dado em pagamento, resulta a aplicação das disposições dos arts. 290 a 295 do CC. Assim, a operação deve ser notificada ao devedor e quem fez a dação fica responsável pela existência do crédito. Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. Evicção: É a perda da coisa por decisão judicial proferida em ação de reivindicação proposta pelo legítimo dono. (vide arts.447 a 457). “Se a dação é uma forma de pagamento, não se compreende que este se possa fazer senão de modo a libertar o devedor e satisfazer, plenamente, os interesses do credor. Ora, se o que ele prestou não era seu, não se pode ver de que modo ele possa se exonerar Por outro lado, se o credor pode ser ainda incomodado por terceiro, se aquilo que recebeu como uma prestação, que lhe era devida, deixa de o ser, de fato, a que ficaria reduzido o seu direito creditório’ DA NOVAÇÃO 360 a 367 É modo não-satisfativode extinção da obrigação, pois ocorre a criação de obrigação nova para extinguir uma anterior. O credor não recebe a prestação devida, mas apenas adquire outro direito de crédito ou passa a exercê-lo contra outra pessoa. REQUISITOS: a) existência de obrigação jurídica anterior; - Não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas (art. 367). - Por outro lado, obrigações anuláveis, obrigações prescritas e obrigações naturais, embora haja divergências quanto às últimas, podem ser objeto de novação; b) constituição de nova obrigação, mediante diversidade substancial entre a dívida anterior e a nova. - Não há novação quando se verifiquem alterações secundárias na dívida, como exclusão de uma garantia, alongamento ou encurtamento do prazo, ou, ainda, estipulação de juros; c) intenção de novar (animus novandi) claro e inequívoco. - “Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira” (art. 361), como ocorre na mera renegociação de dívida. ESPÉCIES DE NOVAÇÃO: A NOVAÇÃO PODE SER OBJETIVA, SUBJETIVA OU MISTA. 1) Novação objetiva ou real (art. 360, I): Ocorre quando nova dívida substitui a anterior, permanecendo as mesmas partes. A novação objetiva pode decorrer de mudança: a) no objeto principal da obrigação (conversão de dívida em dinheiro em prestação de serviços, p. ex.); b) em sua natureza (uma obrigação de dar substituída por outra de fazer ou vice-versa); ou c) na causa jurídica (quando alguém, p. ex., deve a título de adquirente e passa a dever a título de mutuário). A novação objetiva não se confunde com a dação em pagamento. Na dação, ocorre pagamento mediante a substituição do objeto da prestação e não da obrigação como um todo. Por isso, na dação, salvo disposição contrária, subsistem outros elementos do vínculo obrigacional, como a cláusula penal, por exemplo. Na novação objetiva, há nova obrigação, que, salvo disposição em contrário, extingue todos os acessórios da obrigação anterior. 2) Novação subjetiva: Pode ser passiva ou ativa: a) passiva (art. 360, II) — com substituição do devedor. Pode se dar com ou sem o consentimento do devedor. Será por expromissão, quando feita sem o consentimento do devedor; e Será por delegação, com o consentimento do devedor. Só haverá novação se houver extinção da primitiva obrigação. Neste caso, a delegação será perfeita. Se, todavia, o credor aceitar o novo devedor sem renunciar ou abrir mão de seus direitos contra o primitivo devedor, não haverá novação e a hipótese será de delegação imperfeita, que é regulada como assunção de dívida, pelos artigos 299 a 303 do CC. b) ativa (art. 360, III) — com substituição do credor. Tal espécie de novação não se confunde com a cessão de crédito. Nesta, todos os acessórios, garantias e privilégios da obrigação primitiva são mantidos (CC, art. 287), enquanto na novação ativa eles se extinguem. 3) Novação mista ou complexa: Admitida por alguns doutrinadores, embora não mencionada pelo Código Civil. Decorre da fusão das duas primeiras. Há substituição dos elementos objetivos e subjetivos da obrigação. EFEITOS DA NOVAÇÃO: extinção da primitiva obrigação, substituída por outra: A nova obrigação não tem nenhuma vinculação com a anterior. Se credor for evicto em relação ao objeto da segunda obrigação, não poderá restabelecer a primeira. Isso não ocorreria se houvesse recebido esse objeto em dação em pagamento, pois nesse caso a obrigação primitiva seria restabelecida (art. 359). O Superior Tribunal de Justiça, tendo em conta o princípio da função social do contrato, tem excepcionado a regra que não permite discussão da dívida novada, por extinta, e decidido que “na ação revisional de negócios bancários, pode-se discutir a respeito de contratos anteriores, que tenham sido objeto de novação”. Leva-se em consideração, para assim decidir, o abuso de direito cometido pelo credor e a onerosidade excessiva representada pela cobrança de juros extorsivos nas obrigações anteriores. Esse entendimento veio a ser sedimentado com a edição da Súmula 286, do seguinte teor: “A renegociação de contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores”. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364). Não aproveitará ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação (art. 364, 2ª parte). Os codevedores solidários só continuarão obrigados se participarem da novação (art. 365). O mesmo vale para o fiador (art. 366 e Enunciado 214 da Súmula do STJ: “O fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu”). Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este [o primeiro devedor] obteve por má-fé a substituição (art. 363). A insolvência do novo devedor corre por conta e risco do credor, que o aceitou. Não tem direito a ação regressiva contra o primitivo devedor, mesmo porque o principal efeito da novação é extinguir a dívida anterior. Mas em atenção ao princípio da boa-fé, que deve sempre prevalecer sobre a malícia, abriu-se a exceção, deferindo-se-lhe a ação regressiva contra o devedor originário se este, ao obter a substituição, ocultou, maliciosamente, a insolvência de seu substituto na obrigação. A máfé deste tem, pois, o condão de reviver a obrigação anterior, como se a novação fosse nula. DA NOVAÇÃO 360 a 367 Art. 360. Dá-se a novação: I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este. Novação: (Soriano Neto): “È a extinção de uma obrigação porque outra a substitui, devendo-se distinguir a posterior da anterior pela mudança das pessoas (devedor ou credor) ou da substância, isto é do conteúdo, ou da causa debendi. Ocorre no inciso I: Novação objetiva, II- Novação subjetiva passiva; III- Novação Subjetiva Ativa Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira. Requisitos da Novação: a) Existência de uma obrigação anterior; b) Constituição de uma nova obrigação; c) Capacidade das Partes; d) Intenção de novar, representada pelo consentimento das partes. Animus Novandi: A novação não se presume. As partes devem ter intenção inequívoca de novar, extinguindo o vínculo obrigacional anterior. Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste. A novação subjetiva passiva: ocorre quando novo devedor sucede ao antigo, e em geral, independe do consentimento deste. Assume a forma de expromissão, quando o 3° paga a dívida sem o consentimento do devedor. Assume a forma de delegação, quando feita com a participação do devedor, que mediante anuência do credor, indica uma 3ª pessoa para resgatar o débito. Este artigo trata apenas da novação expromissória. Perdeu o sentido prático no NCC, por causa da inserção do capítulo referente à assunção de dívida. Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição. Restabelece-se a dívida anterior, em caso de insolvência do novo devedor, só se o antigo devedor tiver agido de má-fé, fazendo-se substituir por um outro devedor, cujos bens estavam todos onerados. Ao contrário do que ocorre com a dação em pagamento, em que a evicção faz restabelecer a obrigação extinta, e na novação, em que o credor não tem ação regressiva conta o primeiro devedor, verificada a insolvência do novo, que foi aceito. Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida,sempre que não houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação. Só as exceções referentes à segunda obrigação poderão ser opostas, posto que sendo a novação um ato liberatório, extinguindo-se a obrigação principal, ficam extintos os acessórios. E as garantias reais constituídas por terceiros só passarão ao novo crédito se os terceiros derem o seu consentimento. Art. 365. Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados. Extinta a dívida anterior pela novação, é óbvio que a nova dívida não poderá vincular os devedores solidários da primeira, que não tomaram conhecimento da novação. Se todos co-devedores solidários participarem da novação, ficam mantidas as garantias e privilégios sobre os bens de cada um deles. Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal. Para que subsista a fiança, é imprescindível que o fiador consinta em garantir a nova dívida. Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas. Sendo nula ou inexistente a anterior não o que se novar. No entanto, quanto as obrigações natural ou prescrita não pode ser repetido, tem-se como válida a novação de dívida natural ou prescrita. Da Compensação 368 A 380 É meio de extinção de obrigações entre pessoas que são, ao mesmo tempo, credor e devedor uma da outra (art. 368). ESPÉCIES: 1) Quanto ao alcance, a compensação pode ser: a) plena, total ou extintiva: quando as duas dívidas têm o mesmo valor; ou b) parcial, restrita ou propriamente dita: quando os valores são diversos. - Na dívida solidária a compensação do devedor apenas poderá acontecer até o montante de sua cota. Caso contrário, haveria enriquecimento ilícito. 2) Quanto à origem, a compensação pode ser: a) Compensação legal: opera-se automaticamente, de pleno direito. Requisitos: - reciprocidade das obrigações, mas abre-se exceção em favor do fiador (art. 371, 2ª parte: “o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado”); -liquidez e exigibilidade das dívidas (art. 369); - fungibilidade das prestações (dívidas da mesma natureza). - Admissibilidade da cláusula de exclusão da compensação (art. 375), salvo nos contratos de adesão (art. 424) e de consumo (art. 51, do CDC). Diversidade de causa: em regra, a diversidade de causa não impede a compensação das dívidas. Exceções: - se provier de esbulho, furto ou roubo (origem ilícita); -se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos (em razão da infungibilidade do objeto dos dois primeiros contratos e da incessibilidade dos alimentos); ou - se uma for de coisa não suscetível de penhora (art. 373). b) Compensação convencional: resulta de um acordo de vontades, incidindo em hipóteses que não se enquadram na compensação legal. As partes passam a aceitá-la, dispensando alguns de seus requisitos, desde que o contrato seja paritário. c) Compensação judicial: determinada pelo juiz, nos casos em que se acham presentes os pressupostos legais. Era o caso da compensação de honorários advocatícios sucumbenciais, que restou afastada pelo NCPC. Da Compensação 368 A 380 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem. É um encontro de créditos entre duas pessoas ao mesmo tempo, credoras e devedoras, uma da outra, a fim de extinguir total ou parcialmente as dívidas até a concorrente quantia. Pode ser legal, convencional ou judicial (resultante de reconvenção). Este artigo trata da compensação legal. Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Requisitos da compensação: a) Reciprocidade de dívidas, b) Liquidez das dívidas; c) Exigibilidade das dívidas; d) Coisas fungíveis. Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando especificada no contrato. Esclarece-se neste artigo o caráter da fungibilidade recíproca, indispensável para que se possam compensar as obrigações. Se no contrato se especifica a qualidade das prestações, embora do mesmo gênero, não poderão ser compensadas se diferirem uma da outra. Ex. Não se pode compensar a obrigação de dar um cavalo, com a de entregar um boi. Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. O Código admite que o fiador possa realizar a compensação de sua dívida decorrente de fiança com aquela que o credor tiver para o afiançado. Ex: Se o locador aciona diretamente o fiador, cobrando aluguéis em atraso, e este mesmo locador é também devedor do locatário, pode o fiador invocar a compensação. Já não pode o afiançado opor ao credor a dívida deste para com o fiador. Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação. Prazos de favor: São concedidos, verbalmente pelo credor em atenção ao devedor. O devedor não pode recusar o encontro da sua dívida com seu crédito, alegando que a mesma ainda não venceu. Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto: I - se provier de esbulho, furto ou roubo; II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; III - se uma for de coisa não suscetível de penhora. Presentes os requisitos legais, as dívidas se compensam, qualquer que seja a respectiva causa geradora. Exceções: I- È óbvio que se não poderão compensar dívidas procedentes de atos contrários ao direito., II- Nesse caso, seria desvirtuar a natureza dos contratos, III- A compensação nesse caso, consistiria em burla à impenhorabilidade. Art 374 - Revogado pela LEI No 10.677, DE 22 DE MAIO DE 2003 - (Revogado pela MP Nº 104, DE 9 DE JANEIRO 2003) - Art. 374. A matéria da compensação, no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais, é regida pelo disposto neste capítulo. CRÍTICA. Art. 375. Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas. A compensação é faculdade das partes e só se opera quando alegada. Logo, óbice algum pode haver à renúncia, expressa ou tácita, ao direito de compensar. Art. 376. Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever. Via de regra, a compensação só pode ser oposta pelo próprio devedor ao próprio credor. Aquele que se obriga em favor de terceiro não se pode eximir de sua obrigação, pretendendo compensa-la com o que lhe deve o credor de terceiro, por faltar reciprocidade. Ex. Se um tutor deve ao credor, e o credor deve ao tutelado, não se pode compensar. Art. 377. O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente. O devedor que aceitar a cessão feita pelo credor não poderá opor ao cessionário a compensação da dívida que tinha com o cedente, sobretudo se a dívida do cedente é posterior à cessão, só poderá opor exceção se não tiver sido notificado. (Ver arts.286 a 298 do CC). Art. 378. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação. A regra geral prevê que o pagamento se dará no domicílio do devedor. Se os devedores foram obrigados a pagar fora do domicílio, compensam-se as dívidas, reduzindo-se precipuamente as despesas necessárias á operação. Art. 379. Sendo a mesmapessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento. Ou seja, cabe ao devedor apontar qual das dívidas pretende compensar. Não o fazendo, a escolha ficará a cargo do credor. Seguindo as regras da Imputação do pagamento. (Arts.352 a 355). Art. 380. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. O devedor que se torne credor do seu credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode opor ao exeqüente a compensação, de que contra o próprio credor disporia. A compensação extingue as dívidas recíprocas do credor e do devedor, mas não pode prejudicar terceiros, estranhos á operação. No caso de penhora, há duas situações: a) O devedor tornou-se credor do seu credor antes da penhora, a compensação operou seus efeitos e a penhora não pode subsistir; b) A dívida do credor para com seu devedor, é posterior à penhora, assim, o devedor da dívida penhorada ou embargada não pode pagá-la ao credor executado, e como compensar é pagar, não pode opor a compensação pelo que, por sua vez, tenha de haver do executado. Da Confusão381 a 384 Na confusão, reúnem-se numa só pessoa as duas qualidades, de credor e devedor, ocasionando a extinção da obrigação (art. 381). ESPÉCIES: a) confusão total ou própria: caso se verifique a respeito de toda a dívida; ou b) confusão parcial ou imprópria: caso se efetive apenas em relação a uma parte do débito ou crédito. EFEITOS: A confusão extingue não só a obrigação principal como também os acessórios, como a fiança. Cessando, porém, a confusão, para logo se restabelece, com todos os acessórios, a obrigação anterior (art. 384). CONFUSÃO E SOLIDARIEDADE: A confusão não extingue a solidariedade. “A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade” (art. 383). Exemplo: D1, D2 e D3 são devedores solidários de C, no valor de R$30.000,00. A cota de cada um deles corresponde a R$10.000,00. Ocorre que, em outro contrato, D1 também é credor de C, no valor de R$30.000,00. D1 pode alegar confusão total ou própria, para que nem ele, nem D2, nem D3 possam ser obrigados a pagar a dívida? Resposta: Não. D1 somente pode alegar a confusão em relação à sua cota-parte, correspondente a R$10.000,00. O QUE É CONFUSÃO IMPRÓPRIA? A confusão imprópria ocorre quando há a reunião das qualidades de credor e degarante na mesma pessoa. Leva à extinção da obrigação de garantia acessória. Da confusão 381 a 384 Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Confusão é a reunião na mesma pessoa das qualidades de credor e devedor de uma mesma relação obrigacional. Opera a extinção da dívida, agindo sobre o seu sujeito ativo e passivo e não sobre a obrigação, como se dá na compensação. Acarreta um impedimentum prestandi, isto é, a impossibilidade do exercício simultâneo da ação creditória e da prestação. Havendo confusão na dívida acessória (fiador herda direito creditório que se responsabiliza), não se extingue a principal, mas, se a confusão se der na principal, extingue-se a acessória (fiança, penhor). Ex: A, filho de B, deve a este 1.000,00 e B, deixar legados, para se verificar se a importância destes excede a metade da herança de que B podia dispor, deve considerar-se subsistente o crédito dele contra A. Art. 382. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. Se for parcial a confusão, subsiste o restante da dívida. Ex. O devedor que não é herdeiro único do de cujus. Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. Pela confusão não se extingue o crédito ou a dívida solidários, mas apenas e proporcionalmente a parte que cabia ao devedor solidário. Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior. Cessada a confusão, como no caso de anular um testamento e o devedor deixar de ser herdeiro do credor, restabelece-se a obrigação, com todos os seus acessórios. Cessado o impedimento, ressurge o direito com as garantias acessórias. Beviláqua: Entretanto, se a garantia for real, como hipoteca ou penhor, e aquela foi cancelada, ou este remido, é claro que não se restauram as garantias reais com o restabelecimento da dívida. O mesmo deve-se dizer da fiança. Da Remissão das Dívidas 385 A 388 É a liberalidade efetuada pelo credor, consistente em exonerar o devedor do cumprimento da obrigação. É o perdão da dívida (art. 385). NATUREZA JURÍDICA: É um negócio jurídico bilateral e complexo. Embora seja espécie do gênero renúncia, que é unilateral, a remissão se reveste de caráter convencional porque depende de aceitação. O remitido pode recusar o perdão e consignar o pagamento. Adotamos a teoria alemã, em contraposição à teoria italiana, que identifica a remissão com a renúncia. - No nosso sistema jurídico, não se pode confundir a remissão com a renúncia. A renúncia é ato de disposição unilateral, abdicativo e que independe de aceitação. REGRA DE INTERPRETAÇÃO: a remissão deve ser interpretada restritivamente (art. 114) REGRA DE CONTENÇÃO: a remissão não pode prejudicar terceiros. Se o devedor insolvente remite certa dívida de terceiro em seu favor, praticará fraude contra credores (art. 158). ESPÉCIES: 1) total ou parcial (art. 388); A remissão parcial permite a cobrança da dívida remanescente dos devedores solidários. Mas deverá ser descontada a cota remitida (art. 388). 2) expressa, tácita ou presumida: - Remissão expressa: resulta de declaração do credor, em instrumento público ou particular, por ato inter vivos ou causa mortis, perdoando a dívida. - Remissão tácita: decorre do comportamento do credor, incompatível com sua qualidade de credor. Deve consubstanciar inequívoca intenção liberatória. Ex. credor recebe pagamento parcial e destrói o título de crédito. Não se deve deduzir remissão tácita da mera inércia ou tolerância do credor, salvo nos casos excepcionais de aplicação da supressio, como decorrência da boa-fé, como, por exemplo, se uma prestação for descumprida por largo tempo, e o crédito, por sua própria natureza, exige cumprimento rápido. - Remissão presumida: quando deriva de expressa previsão legal: Entrega voluntária do título da obrigação por escrito particular (CC, art. 386); e Entrega do objeto empenhado, que faz presumir a renúncia à garantia não ao crédito (CC, art. 387). REMISSÃO E PLURALIDADE DE DEVEDORES: a) Se a obrigação é indivisível, o co-devedor perdoado pelo credor está liberado da obrigação, mas os co-devedores permanecem responsáveis pela prestação, com o direito de exigir do credor o reembolso da cota remitida. b) Se a obrigação é solidária, o co-devedor perdoado está liberado de sua obrigação, mas os co-devedores permanecem responsáveis pelo restante, abatida a cota remitida (art. 388); - Como visto, a diferença de regime jurídico não é significativa quando há pluralidade de devedores. REMISSÃO E PLURALIDADE DE CREDORES: a) Se a obrigação é indivisível, se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente (art. 262). b) Se a obrigação é solidária, o credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba (art. 272). No caso de pluralidade de credores, a diferença de regime jurídico é relevante. No caso de obrigação INDIVISÍVEL, o co-credor NÃO pode perdoar toda a dívida, apenas a sua cota-parte. No caso de obrigação SOLIDÁRIA, o co-credor PODE perdoar toda a dívida e deverá responder aos demais credores, com as cotas que lhes cabem. Da Remissão das Dívidas 385 A 388 Art. 385. A remissãoda dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro. Remissão é o mesmo que perdão e tem como causa o espírito de liberalidade do credor, pouco comum nos dias atuais. A aceitação do devedor, expressa ou tácita, é pressuposto indispensável a que a remissão possa extinguir a obrigação. Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular, prova desoneração do devedor e seus co-obrigados, se o credor for capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir. O dispositivo trata da remissão tácita da dívida, só cabível nas obrigações contraídas por instrumento particular. Se o título da obrigação não for instrumento particular, a remissão só poderá ocorrer por ato expresso do credor, seja inter vivos ou mortis causa. A remissão não pode ser condicional. É sempre voluntária e graciosa. Do contrário deixaria de ser remissão para assumir a forma contratual (transação). Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real, não a extinção da dívida. Sendo o penhor uma obrigação acessória, extinta esta pela remissão ou renúncia do credor á garantia real, subsiste a dívida, obrigação principal, salvo se houver quitação desta. Igual princípio deve ser aplicado à renúncia da hipoteca ou anticrese, sem expressa remissão da dívida. (Ver parágrafo 2° do art.1436 CC). Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida. Conforme comentários do art.277 do CC, a remissão obtida por um dos co-devedores solidários não aproveita aos demais, senão até a concorrência da garantia remitida. Mesmo desobrigado pelo credor, o devedor beneficiado pela remissão continua obrigado junto aos demais co-devedores pela parte do co-devedor insolvente. (Art.284). Do Inadimplemento das ObrigaçõesI - Disposições Gerais Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. O art.389 inova o direito anterior ao incluir que a indenização deve incluir juros, atualização monetária e ainda honorários advocatícios, que não são os sucumbenciais já regidos pelo direito processual e sim os extrajudiciais a serem incluídos na conta sempre que o credor houver contratado advogado para fazer valer o seu direito. Ocorre o inadimplemento quando o devedor não cumpre a obrigação (absoluto) ou quando a cumpre imperfeitamente (relativo). Em ambos os casos, o devedor responderá pelas perdas e danos, em face dos prejuízos causados ao credor. Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster. Não se confunde inadimplemento com mora. No 1° caso, a obrigação é descumprida, no 2° caso, ocorre apenas o retardamento do cumprimento da obrigação, ainda que os efeitos de ambos se confundam no caso concreto. Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor. Versa sobre o princípio da responsabilidade patrimonial do devedor. Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as exceções previstas em lei. Nos contratos onerosos, é coerente que respondam não só por dolo, mas também por simples culpa. Ver este artigo na matéria. Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Este artigo consagra o princípio da exoneração do devedor, sempre que o descumprimento da obrigação não decorrer de culpa ou dolo seus. Os efeitos são isentar o devedor da responsabilidade pelo descumprimento da obrigação, salvo disposição em contrário pelas partes. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Caso fortuito: é o acidente que não poderia ser razoavelmente previsto, decorrente de forças naturais ou inteligentes, tais como um terremoto, furacão, etc. Força maior: o fato de terceiro que criou para a execução da obrigação, um obstáculo, que a boa vontade do devedor não pode vencer. Ex: Guerra, embargo de autoridade pública que impede a saída do navio do porto, etc. Da Mora 394 a 401 MORA: é o atraso no pagamento ou no recebimento, tanto por culpa do devedor (mora solvendi) como por culpa do credor (mora accipiendi). Se ambos tiverem culpa não haverá mora, pois as moras recíprocas se anulam. Conceito: mora é a impontualidade culposa do devedor no pagamento ou do credor no recebimento (394). Se o devedor atrasa sem culpa (ex: por causa de um acidente, uma greve, uma cheia, um caso fortuito ou de força maior) não haverá mora (396). Mas a mora do credor independe de culpa e o devedor nesse caso deve consignar o pagamento. Assim não importam os motivos da mora do credor, o devedor precisa exercer seu dever e seu direito de pagar através da consignação (335 , I – observem que tal inciso usa a expressão “se o credor não puder”, não importando assim os motivos pelos quais o credor não pôde ir buscar o pagamento, mesmo que sejam decorrentes de um caso fortuito). A mora do credor é mais rara. Efeitos da mora do credor: o credor que não quiser ou não for receber o pagamento conforme acertado sujeita-se a quatro efeitos: 1) o credor em mora libera o devedor da responsabilidade pela conservação da coisa (ex: A deve um cavalo a B que ficou de ir buscá-lo na fazenda de A; a mora de B não responsabiliza A caso o cavalo venha a morrer mordido por uma cobra após o vencimento; § 2º do 492); 2) o credor em mora deve ressarcir o devedor com as despesas pela conservação da coisa (no exemplo do cavalo, B deve pagar as despesas de A com ração e medicamento desde o vencimento); 3) obriga o credor a pagar um preço mais alto pela coisa se a cotação subir; este efeito se aplica a coisas que têm preço na bolsa de valores, como ações, açúcar, café, soja, etc. No art. 400 do CC vamos encontrar estes três efeitos; 4) último efeito: o credor em mora não pode cobrar juros do devedor desse período, afinal foi do credor a culpa pela atraso no pagamento. Mora do devedor: a mora solvendi pode se equiparar ao inadimplemento e o credor exigir então perdas e danos (389). Ex: A compra docinhos para o casamento da filha, mas a comida atrasa e chega depois da festa, é evidente que esta mora corresponde a um inadimplemento (pú do 395). Se o atraso foi por culpa da doceira, além de devolver o dinheiro, vai ter que pagar as perdas e danos do 389. Mas se o atraso foi por causa de uma enchente que derrubou a ponte, a doceira só terá que devolver o dinheiro, sem os acréscimos das perdas e danos. Se eu atraso o pagamento do condomínio eu estou em mora e vou pagar a multa, mas é evidente que esta mora não corresponde a um inadimplemento pois interessa ao condomínio receber o pagamento atrasado. Pressupostos da mora do devedor: 1) crédito vencido (397); 2) culpa do devedor: esta é a culpa lato sensu (= em sentido amplo) que corresponde ao dolo e à culpa stricto sensu (= em sentido restrito), que se divide em imprudência e negligência; se não há qualquer culpa, mas caso fortuito ou de força maior não existe mora do devedor (393, 396); 3) possibilidade de cumprimento tardio da obrigação com utilidade para o credor, caso contrário teremos inadimplemento e não mora (pú do 395). Efeitos da mora do devedor: 1) o devedor responde pelos prejuízos causados, mais multa, juros, etc (395); 2) o devedor em mora responde pelo caso fortuito ou de força maior ocorridos duranteo atraso (399, ex: A deve um cavalo campeão a B, mas A entrou em mora para levar o cavalo para B, então vem uma cheia e mata o cavalo, A irá responder por perdas e danos, salvo se conseguir provar que a cheia também atingiu a fazenda de B e que o cavalo morreria do mesmo jeito se estivesse lá; se a cheia chegasse antes do vencimento A também não iria responder perante B pela morte do cavalo pois se tratou de um caso fortuito ou de força maior). Purgação da mora: purgar significa emendar, reparar, remediar; purgar a mora é consertar/sanar as consequências da mora, tanto para o devedor como para o credor, conforme art. 401. Em caso de inadimplemento do devedor não se purga mais a mora, resolvendo-se em perdas e danos. A mora do devedor pode também ser purgada se o credor perdoar/remir/dispensar as perdas e danos do 395. Haverá mora quando a obrigação não foi cumprida no tempo, lugar e forma devidos ou convencionados, mas ainda poderá sê-lo com proveito para o credor. Haverá inadimplemento absoluto se, por causa do retardamento ou do imperfeito cumprimento, não houver tal possibilidade, porque o bem objeto da lide pereceu ou se tornou inútil ao credor. A mora pode ser purgada, não o podendo o inadimplemento absoluto. O novo dispositivo legal é mais perfeito do que a anterior redação.Agora, ficou explícito que a responsabilidade pela mora não se restringe apenas aos prejuízos, mas também aos juros, correção monetária e honorários de advogado, o que se coaduna com o princípio da reparação integral. Espécies de mora: a) Mora debitoris ou solvendi Requisitos: - existência de dívida positiva e líquida - vencimento - inexecução culposa por parte do devedor - interpelação judicial ou extrajudicial deste, se a dívida não é a termo, com data certa. Sub-Espécies: 1. Mora ex re – Art. 397, caput, 390 e 398 NCC - em razão de fato previsto na lei. 2. Mora ex persona – Art. 397, § único. Não havendo prazo assinalado, começa a mora desde a interpelação, notificação ou protesto. Depende de providência do credor. Efeitos: - Responsabilização pelo devedor por todos os prejuízos causados ao credor (Art. 395 NCC) - Possibilidade de o credor exigir a satisfação das perdas e danos, rejeitando a prestação, se por causa da mora ela se tornou inútil (Art. 395, § único NCC). - Responsabilidade do devedor moroso pela impossibilidade da prestação, mesmo decorrente de caso fortuito ou força maior, se estes ocorreram durante o atraso, salvo se provar isenção de culpa ou que o dano sobreviria, ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada (Art. 399 e 393 NCC). b) mora creditoris Requisitos: - existência de dívida positiva, líquida e vencida - o devedor se acha em condições de efetuar o pagamento – estado de solvabilidade do devedor - o devedor se oferece para efetuá-lo - recusa por parte do credor injustificada, expressa ou tácita. 5. Constituição do credor em mora – mediante consignação em pagamento. Efeitos: (art. 400 NCC) - liberação do devedor, isento de dolo, da responsabilidade pela conservação da coisa. - Obrigação do credor moroso ressarcir ao devedor despesas efetuadas com conservação da coisa - Obrigação do credor de receber a coisa pela sua mais alta estimação, se o valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o de sua efetivação. - Possibilidade de consignação judicial da coisa pelo devedor. mora de ambos os contratantes Purgação e cessação da mora Purgar ou emendar a mora é neutralizar os seus efeitos. Aquele que nela incidiu corrige, sana sua falta, cumprindo a obrigação já descumprida, e ressarcindo os prejuízos causados à outra parte. (Art. 401 NCC) Da Mora 394 A 401 Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Mora: é o retardamento no cumprimento da obrigação. Se por culpa do devedor, a mora se diz solvendi, se por ato do credor, diz-se mora accipiendi. Pressupostos da mora solvendi: a) existência de dívida líquida e vencida; b) inexecução culposa pelo devedor; c) interpelação judicial ou extrajudicial, quando a dívida não for a termo. Pressupostos da mora accipiens: a) existência de dívida líquida e vencida; b) oferta de pagamento pelo devedor; c) recusa do credor em receber ( se caracteriza normalmente mediante ação de consignação em pagamento, ou interpelação judicial do credor para fornecer a quitação (art.400 do CC). Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos. Na mora solvendi cabe ao devedor indenizar o credor pelos prejuízos sofridos com o retardamento. Os honorários aqui, serão devidos sempre que houver sido acionado o aparado judicial. Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos. Pode o credor rejeitar a prestação e exigir, além da indenização pela mora, o valor correspondente à integralidade da prestação, desde que prove que ela se lhe tornou inútil em razão da mora. Se a prestação devia ser cumprida em dia marcado, está dispensado o credor de ter que provar a sua inutilidade. Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora. Sem culpa do devedor, não há o que se falar em mora. Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. A constituição em mora é automática. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. Sem prazo, a mora só tem início com a notificação ou com o protesto. Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) Aqui, o termo inicial da mora é definido em lei: a data em que praticado o ato ilícito (trata-se de obrigação ex delicto). Daí porque os juros moratórios são contados desde o momento em que o ato delituoso é cometido. Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. Se a impossibilidade ocorrer depois da mora, o devedor responderá por perdas e danos, pois assumiu o risco de permanecer com a coisa ou de retardar o cumprimento da obrigação. Este artigo atenua a regra, exonerando a responsabilidade do devedor em mora se ele conseguir provar: a) inexistência de culpa quanto à mora; b) que o dano teria ocorrido, ainda que a prestação tivesse sido cumprida pontualmente. Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. O artigo estabelece os efeitos da mora accipiendi: a) o devedor desde que não tenha agido com dolo para provocar a mora, não responde pelos riscos com a conservação da coisa; b) as despesas que o devedor tiver com a conservação serão ressarcidas pelo credor; c) se o valor da prestação oscilar durante a mora do credor, o credor está obrigado a receber pelo valor mais favorável ao devedor; d) o devedor pode desobrigar-se, consignando o pagamento (havendo consignação, cessam os juros). Art. 401. Purga-se amora: I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data. Purgação ou emenda da mora: é a extinção dos efeitos futuros do estado moroso, em decorrência da oferta da prestação, pelo devedor, acrescida de todas as perdas e danos até o dia da oferta, ou ainda em face da prontificação do credor em receber a coisa, pagando todos os seus encargos advindos com a demora em receber. A purgação pode ser admitida a qualquer tempo, mesmo depois de iniciada a execução ou a consignatória, sendo que as perdas e danos incluirão também os honorários advocatícios e as custas judiciais. Das Perdas e Danos 402 A 405 Perdas e danos: o suficiente, em dinheiro, capaz de indenizar o prejuízo sofrido pelo credor e que foi causado pelo inadimplemento relativo(mora) ou absoluto da obrigação por parte do devedor. O dano vem ser a efetiva diminuição do patrimônio do credor ao tempo em que ocorreu o inadimplemento da obrigação, consistindo na diferença entre o valor atual desse patrimônio e aquele que teria se a relação fosse exatamente cumprida; o dano corresponderia à perda de um valor patrimonial, pecuniariamente determinado; serias as perdas e danos o equivalente do prejuízo suportado pelo credor, em virtude do devedor não ter cumprido a obrigação, expressando-se numa soma de dinheiro correspondente ao desequilíbrio sofrido pelo lesado. Quando o devedor não cumpre voluntariamente o que deve no tempo e pelo modo devidos, responde por perdas e danos (além de atualização monetária, juros e honorários advocatícios). (Art. 389 NCC) O ressarcimento consiste em substituir, no patrimônio do credor, soma correspondente à utilidade que ele teria obtido, se se cumprisse a obrigação. Não pode jamais provocar lucro ao credor. Só vai até o ponto que lhe recomponha a situação patrimonial. - Dano emergente e lucro cessante: Art. 402 NCC - Extensão da indenização: Art. 402 a 405 NCC O Art. 403 ressalva a hipótese de litigância de má-fé, quando faz remissão à legislação processual. O art. 404 vem incluir a atualização monetária, juros, custas e os honorários advocatícios como componentes das perdas e danos. Também concedeu poderes ao juiz de, na resolução contratual, visando o restabelecimento dos contratantes ao status quo ante, conceder “indenização suplementar”, caso os juros de mora não cubram o prejuízo e não tenha sido pactuada a pena convencional (leia-se Cláusula Penal). Termo inicial dos juros de mora: O art. 405 do NCC traz para o direito material uma norma que se encontrava em sede de Direito formal (art. 219 do CPC). Mas as hipóteses de incidência desse artigo são limitadas à mora ex persona, ou seja, quando se impõe a constituição prévia do devedor em mora. Não opera, portanto, nas hipóteses de mora ex re, como por exemplo os juros que incidem sobre o débito impago os quais, como é sabido, têm como termo inicial o vencimento da parcela e não a data da citação (art. 397 NCC). Fixação da indenização de pernas e danos: As perdas e danos devidos ao credor abrangerão, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar; para conceder indenização o magistrado deverá considerar de houve: 1º) dano positivo ou emergente, que consiste num deficit real e efetivo no patrimônio do credor, isto é, uma concreta diminuição em sua fortuna, seja porque se depreciou o ativo, seja porque aumentou o passivo, sendo, pois, imprescindível que o credor tenha, efetivamente, experimentado um real prejuízo, visto que não passíveis de indenização danos eventuais ou potenciais; 2º) Dano negativo ou lucro cessante, alusivo à privação de ganho pelo credor, ou seja, ao lucro que ele deixou de auferir, em razão do descumprimento da obrigação pelo devedor; 3º) nexo de causalidade entre o prejuízo e a inexecução culposa ou dolosa da obrigação por parte do devedor, pois a dano, além de efetivo, deverá ser um efeito direto e imediato do ato ilícito do devedor. A liquidação do dano tem por fim tornar possível a efetiva reparação do dano sofrido pelo lesado, fixando o montante da indenização de perdas e danos; a liquidação se fará por determinação legal, por convenção das partes e por sentença judicial. Das Perdas e Danos 402 A 405 Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Perdas e danos é a indenização imposta ao devedor que não cumpriu a obrigação, total ou parcialmente. A extensão das perdas e danos incluem: a) Dano emergente: é a diminuição patrimonial sofrida pelo credor; é o patrimônio que ele efetivamente perde, seja porque teve depreciado o seu patrimônio, seja porque aumentou o seu passivo; b) Lucros cessantes: consistem na diminuição potencial do patrimônio do credor, pelo lucro que deixou de auferir, dado o inadimplemento do devedor. Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Na inexecução dolosa os lucros cessantes prescindem do requisito da previsibilidade, razão porque a indenização deve ser a mais ampla possível. Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional. Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar. Nas obrigações pecuniárias, as perdas e danos são preestabelecidas. O dano emergente é a própria prestação, acrescida de atualização monetária, custas e honorários advocatícios.Os lucros cessantes são representados pelos juros de mora. Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar. A inovação do direito, foi a permissão para que o juiz conceda ao credor indenização suplementar, comprovado que os juros de m ora são insuficientes à cobertura dos prejuízos. Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial. A regra geral de contagem dos juros de mora a partir da citação inicial só tem aplicação quando inexistir regra específica, que pode estabelecer marcos diferentes para a mora. Assim nas obrigações positivas e líquidas, os juros de mora devem ser contados a partir do vencimento do termo (art.397), enquanto nas obrigações provenientes de ato ilícito, os juros moratórios são contados desde o momento em que o ato é cometido (art.398). Na prática, a regra deste artigo, se aplicará nas hipóteses de obrigação sem termo de vencimento, havendo necessidade de notificação, interpelação, protesto ou citação do devedor para constituí-lo em mora, ou ainda nas obrigações ilíquidas, cuja liquidação seja feita por decisão judicial. Dos Juros Legais 406 A 407 JUROS LEGAIS: um dos efeitos da mora do devedor é o pagamento de juros ao credor (395), principalmente nas obrigações de dar dinheiro ( = pecuniárias). Conceito de juro: é a remuneração que o credor exige por emprestar dinheiro ao devedor. Juro é igual a rendimento, é igual a fruto civil. Os frutos em direito podem ser civis, naturais ou industriais. Os frutos civis são os juros e os rendimentos; os frutos naturais são as frutas das árvores e as crias dos animais; os frutos industriais são, por exemplo, os carros produzidos por uma fábrica de automóveis. Não confundam frutos com produtos, pois estes se esgotam (ex: uma pedreira, uma mina de ouro, um poço de petróleo), enquanto os frutos se renovam. Bom, vocês já estudaram frutos e produtos lá em Civil 1 (art. 95). Voltando aos juros, estes são livres, conforme art. 406,sendo fixados pelas partes no contrato ou pelo mercado financeiro. Depois de assinado o contrato, não adianta dizer que os juros são altos, pois contrato é para ser cumprido. Se as partes não fixarem os juros, estes serão de um por cento ao mês, conforme art. 406 do CC combinado com o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, pois este é o juro devido no pagamento de impostos. Os Juros Legais: Rendimentos do capital. Frutos produzidos pelo capital. Assim como o aluguel constitui o preço correspondente ao uso da coisa, na locação representam os juros a renda do uso de determinado capital. São obrigações acessórias (Art. 95 NCC) Podem ser: - Compensatórios (constituem um rendimento do capital emprestado). São geralmente convencionais – Art. 591 NCC. -moratórios (representam uma pena imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação, atuando como se fosse uma indenização pelo retardamento no adimplemento). - Convencionais – as partes estipularão, para efeito de atraso no cumprimento da obrigação, a taxa dos juros moratórios, até 12% anuais ou 1% ao mês. Para os compensatórios pode-se convencionar também, mas a taxa também não pode ultrapassar 12% ao ano, sob pena de usura. - Legais: se as partes não os convencionarem. Quanto aos moratórios, mesmo se não estipulados, serão sempre devidos, na taxa estabelecida por lei que é de 1% ao mês – 407 NCC (Art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 406 do NCC). Jornada STJ 20: “A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 é a do art. 161,§ 1º do CTN, ou seja, 1% (um por cento) ao mês. A utilização da taxa SELIC como índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimentos dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária; é incompatível com a regra do art. 591 do novo Código Civil, que permite apenas a capitalização anual dos juros, e pode ser incompatível com o art. 192, § 3º da Constituição Federal, se resultarem juros reais superiores a 12% (doze por cento) ao ano” Incidência dos juros – Art. 407 NCC Dos Juros Legais 406 A 407 Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. Juros moratórios legais: são assim chamados quando estabelecidos em lei, sempre que as partes não houverem convencionado o seu valor. Inovou ao revogar a taxa de 6% ao ano no CC anterior, pela taxa de mora que estiver sendo cobrada pela Fazenda Nacional dos tributos federais. A possibilidade de aplicação da taxa SELIC foi reprimida pela doutrina, que aponta que os juros são os do art.161, parágrafo 1° do CTN, ou seja, 1% ao mês, por estar em consonância com o art.192, parágrafo 3° da CF, que veda juros reais superiores a 12% ao ano. (Régis, entende que o aplicável seria a SELIC, por ser mais rigorosa ao devedor moroso e para que este priorize o pagamento). Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes. Deste artigo decorrem dois princípios: a) Os juros de mora são devidos, independentemente da alegação de prejuízo; b) Os juros de mora são devidos, independentemente da natureza da prestação. Se a obrigação for pecuniária, os juros incidirão sobre a quantia devida. Se não se tratar de dívida em dinheiro, os juros incidirão sobre o valor em dinheiro que vier a ser determinado em sentença, arbitramento ou acordo entre as partes. Da Cláusula Penal 408 A 416 Pacto acessório ou secundário em que se estipula pena ou multa aquele dos contratantes que se subtrair ao cumprimento da obrigação ou que retardar o cumprimento da obrigação. É obrigação acessória que adere a outro vínculo obrigacional. É um meio de resolver e não como cumprir a obrigação. Função: a) funciona como meio de coerção, como força intimidativa, a fim de induzir o devedor a satisfazer o prometido (intimidação) Meio de pressão, reforça o vínculo, compelindo o devedor a honrar sua palavra. b) fixa, ainda, antecipadamente, o valor das perdas e danos devidas à parte inocente, no caso de inexecução do contrato pelo outro contratante. Determina com antecedência o valor dos prejuízos resultantes do não cumprimento do contrato. (ressarcimento). Instrumento de indenização, fixa a priori cifra que o contratante terá de pagar, caso se torne inadimplente. Espécies: a cláusula penal pode referir-se a: a) Inexecução completa da obrigação: Estipulada para o caso de total inadimplemento da obrigação. Converte-se em alternativa em favor do credor (art. 410 NCC). b) Inexecução de alguma cláusula especial: Art. 411 NCC Terá o credor arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada (multa), juntamente com o desempenho da obrigação principal. c) Mora: 411 do NCC Ao credor cabe reclamar simultaneamente a pena convencional e a prestação principal. Valor da cláusula penal: Art. 412 NCC – não poderá exceder o da obrigação principal. Limite máximo, teto. Momento em que se torna devida: Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora (Art. 408 NCC). Se há prazo estipulado, com o vencimento há a mora, ex re, ocorre de pleno direito, independente de qualquer ato do credor. Se não há prazo prefixado, urge que o devedor seja primeiramente constituído em mora, através de interpelação, protesto ou notificação ex persona. Nulidade da obrigação principal: No Código Civil revogado, estava expresso que a nulidade da obrigação principal importava também a da cláusula penal (art. 922). O Novo Código Civil não traz dispositivo semelhante. E assim procede corretamente, pois contornou a redundância do velho diploma. Ora, está implícito nos dos arts. 411 e 412 que a cláusula penal é uma obrigação acessória, simplesmente porque esses dispositivos a distinguem da “obrigação principal”. Tudo que não é principal é acessório. Incide então a norma do art. 184 do NCC, que é expresso em dizer que a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. Mas, se por acaso houver nulidade somente da cláusula penal, o credor sujeitar-se-á ao direito comum que disciplina o pagamento das perdas e danos, isto é, submeter-se-á à demonstração dos prejuízos e à apuração de seu montante, pelas vias judiciais. Redução da cláusula penal (Art. 413 NCC): Há inovação no que pertine à redução da clásula penal que se mostrar excessiva. Primeiro porque o Novo Código determina se tratar de um dever, não mais de uma possibilidade do juiz – como era no direito revogado – reduzir o montante da penalidade. Insere, de outra parte, duas operadoras através das quais deve guiar-se o magistrado nesta tarefa, limitando o arbítrio jurisdicional. Se antes a redução era uma possibilidade sem qualquer parâmetro, hoje, há um dever do juiz em proceder à redução, desde que atenda à (i) natureza e (i) à finalidade do negócio. Tal disposição mostra-se, pois, adequada à função social do contrato, em boa hora adotada pelo Código em seu art. 421. Além da possibilidade de redução da multa quando a pena exceder o valor da obrigação principal, pode-se reduzi-la quando se cumprir em parte a obrigação, onde poderá o juiz reduzir proporcionalmente a pena estipulada para o caso de mora ou inadimplemento. Já a segunda parte do art. 927 do Código revogado, que proibia eximir-se o devedor de cumprir a pena convencional, a pretexto de ser excessiva, foi retirada no novo Código, e com razão, sob pena de grave contradição com o já citado art. 413. Esse excesso, em que pese possa se assemelhar com uma das formas de extinção do contrato por resolução (onerosidade excessiva), dele se distingue,porque enquanto esse opera no sinalagma funcional, aquele macula o próprio sinalagma genético da obrigação acessória. Sendo exagerada, por superar o limite do art. 412, cabe ao devedor reclamar oportunamente, no curso do feito, devendo o juiz, se procedente a alegação, restringi-la às devidas proporções, mas jamais decretar-lhe nulidade. Prova do prejuízo: Para exigir a pena convencional não é necessário que o credor alegue prejuízo (art. 416 NCC). Ainda que o credor não tenha sofrido dano com a mora ou a inexecução da obrigação, total ou parcial, assiste-lhe o direito de reclamar a penalidade. Indenização suplementar:Art. 416 parágrafo único NCC. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo de indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Trata-se de dispositivo original do novo C. Da Cláusula Penal 408 A 416 Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora. Inova o direito anterior ao inserir a cláusula penal na parte do inadimplemento das obrigações, pois antes estava equivocadamente inserida nas modalidades de obrigações. Cláusula Penal ou Pena Convencional: é um pacto acessório em que as partes contratantes preestabelecem as perdas e danos a serem aplicadas contra aquele que deixar de cumprir a obrigação ou retardar o seu cumprimento. Aplica-se o mesmo princípio do art.397 (incide automaticamente nas obrigações com termo e mediante interpelação ou notificação nas obrigações sem prazo definido). Excludente: Caso fortuito ou força maior. Não basta o descumprimento, tem que haver culpa. Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora. Acessoriedade da cláusula penal: Na qualidade de pacto acessório, a cláusula penal é estipulada em regra, em conjunto com a obrigação principal, admitindo ser convencionada em ato posterior, desde que anteriormente ao inadimplemento da obrigação. Por se tratar de obrigação acessória, a sua nulidade não atinge a obrigação principal. O novo código inova ao suprimir a regra do art.922 que estipulava que a nulidade da obrigação principal implicava necessariamente à da cláusula penal, quando isso nem sempre seria verdade. Maria Helena Diniz, disse que a cláusula penal pode ser devida no caso de se tratar de matéria inerente ao prejuízo e não ao contrato. Ex: Cláusula Penal estipulada em contrato de compra e venda de coisa alheia, se esse fato era ignorado pelo comprador. A nulidade deve dar lugar a uma ação de indenização por perdas e danos. Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor. Diz-se compensatória a cláusula penal estipulada para a hipótese de descumprimento total da obrigação. O credor tem a alternativa de exigir o cumprimento da obrigação ou de pedir a cláusula penal. Assim, não é possível cumular o recebimento da pena e o cumprimento da obrigação. Só poderá exigir indenização suplementar (no caso do prejuízo ser maior que a pena) se assim as partes tiverem convencionado (CC, art.416). Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. Diz-se moratória a cláusula penal estipulada para punir a mora ou a inexecução de alguma cláusula determinada. Admite-se a cumulação da cláusula penal com a exigência da obrigação principal. Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. O excesso não invalida a cláusula, mas impõe a sua redução, até mesmo de ofício, pelo juiz. Crítica Beviláqua: “È uma restrição à liberdade das convenções, que mais perturba do que tutela os legítimos interesses individuais. Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. Tratando-se de cláusula penal compensatória, estipulada para a hipótese de descumprimento total da obrigação, mas ocorrendo de a obrigação ser descumprida apenas em parte, a cláusula penal também só será devida em parte, cabendo ao juiz de ofício, proceder à redução. Se o valor da penalidade for manifestamente excessivo, em face da natureza e da finalidade do negócio e ainda dentro dos limites do art.412, poderá o juiz de ofício, determinar a redução. Essa regra inova o direito anterior, afastando completamente o princípio da imutabilidade da cláusula penal. Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um deles, incorrerão na pena; mas esta só se poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada um dos outros somente pela sua quota. Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena. Quando a obrigação é indivisível, o inadimplemento de qualquer um deles determina a cominação da pena à todos. Como a pena é representada, em regra, por uma quantia em dinheiro, torna-se divisível e por isso deve ser exigida proporcionalmente a cada um dos devedores, admitindo o Código que seja exigida de forma integral apenas do culpado. Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena. Se a obrigação for indivisível ou se estiver estabelecido solidariedade, poderá ser toda ela exigida de qualquer um dos co-devedores, independentemente de culpa, sempre ressalvada a ação regressiva contra o culpado. Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação. Beviláqua: “A divisibilidade da obrigação personaliza a responsabilidade pela infração. Somente o culpado incorre na pena, e esta se lhe aplica, proporcionalmente a sua quota, porque o credor apenas em relação a esta parte foi prejudicado. Pela parte restante continuam os outros devedores responsáveis, como desde o começo, cada um por sua quota-parte. Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Um dos efeitos da cláusula penal é a sua exigibilidade imediata, independentemente de qualquer alegação de prejuízo por parte do credor. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Este artigo inova o direito anterior ao permitir, a elevação da cláusula penal, sob o rótulo “indenização suplementar”, sempre que as partes houverem convencionado essa possibilidade. Das Arras ou Sinal 417 A 420 Sinal ou arras é a quantia em dinheiro ou outra coisa fungível entregue por um contratante ao outro a fim de assegurar um pontual cumprimento da obrigação. As arras constituem a importância em dinheiro ou coisa dada por um contratante ao outro por ocasião da conclusão do contrato com o escopo de firmar a presunção de acordo final e tornar obrigatório o ajuste, ou ainda, excepcionalmente, como propósito de assegurar para cada um dos contratantes o direito de arrependimento. Asseguram eventual cumprimento da obrigação e eventual indenização dos danos. Temcaráter acessório. Natureza jurídica: a) pacto acessório – não há arras num contrato principal, pois estas só aparecem se há um negócio jurídico em razão do qual elas existem. b) Caráter real – o acordo a respeito das arras deve existir, é essencial a entrega por um dos contratantes de dinheiro ou de outra coisa. Não há arras sem entrega, não basta a instrumentalização, comodato ou depósito, que não existem sem a efetiva entrega. Espécies: confirmatórios – Art. 417 NCC. Confirmação do contrato, que se torna obrigatório. A entrega deste sinal indica o aperfeiçoamento do contrato e que se acha concluído, fazendo lei entre as partes. Além disso, é a antecipação da prestação prometida pelo contratante, começo de pagamento, e seu quantum é imputado no preço avençado, se do mesmo gênero da obrigação principal. Art. 417 NCC – os arras em dinheiro só são princípio de pagamento se o que se deve na prestação for dinheiro, salvo estipulação em contrário. Se deve café e dá como arras dinheiro, este não se une ao pagamento, e ao prestar a obrigação, deve-se devolvê-lo a quem o deu. É possível também dar o sinal de outra natureza o mesmo destino, como o devedor que deve soja, e a título de arras dá a soja, será princípio de pagamento. E é prévia determinação das perdas e danos pelo inadimplemento - (Art. 418 NCC) – “Se a parte que deu arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por defeito, e exigir a sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado”. Indenização suplementar: art. 419 – a parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente, exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização. B) Penitenciais – Art. 420 NCC. Abrem espaço ao direito de arrependimento, e quem se arrepende exerce um direito, e por isso o contrato é resolúvel. Mas à custa da perda do sinal dado, ou sua restituição mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. Pelo nosso direito as arras, em regra, são apenas confirmatórias do negócio jurídico. Podem as partes, no entanto, convencionar o direito de arrependimento, caso em que elas assumem caráter penitencial. Se é estipulado tal direito, é porque as partes quiseram fazer resolúvel o contrato, atenuando-lhe, destarte, a força obrigatória. Esse direito deverá ser exercido dentro do prazo que se estabelecer, e se não houve, até o início da execução do contrato. É, portanto, predeterminação das perdas e danos da parte inocente, funcionando as arras como cláusula penal, independente de prova de prejuízo real. Das Arras ou Sinal 417 A 420 Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal. Arras ou sinal é a quantia em dinheiro ou outra coisa fungível, que um dos contratantes antecipa ao outro, com o objetivo de assegurar o cumprimento da obrigação, evitando o seu inadimplemento. Se a obrigação vem a ser cumprida normalmente, as arras deverão ser descontadas do preço ou restituídas a quem as prestou. Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. Conseqüências do inadimplemento da obrigação em que tenham sido prestadas as arras: a) se o descumprimento for imputável a quem deu as arras, este perderá em benefício do que recebeu; b) Se a inexecução for imputável a quem recebeu as arras, deverá devolve-las em dobro, acrescidas de juros , correção monetária e honorários de advogado. Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização. Inovação em face do direito anterior. Permite que a parte que não deu causa ao descumprimento da obrigação pleiteie indenização suplementar, provando que seu prejuízo foi maior que o valor das arras. Como também pode exigir a execução do contrato, acrescido de perdas e danos cujo valor mínimo será o prestado em arras. O valor da indenização pode superar o equivalente à devolução em dobro das arras previstas para a hipótese de arrependimento (art.420). Havendo cumulação do pedido de execução do contrato com as perdas e danos, devem as arras ser abatidas do valor da indenização. Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. Arras penitenciais: adquirem essa qualificação sempre que as partes houverem convencionado expressamente o direito de arrependimento, ou seja, de desistir do contrato, valendo as arras, no caso como indenização prefixada: quem deu, perde: quem recebeu, devolve em dobro. Independem de haver ou não inadimplemento da obrigação. Se o contrato não se concretizar por caso fortuito ou força maior, não incidirá este artigo, quem deu as arras, as receberá de volta, acrescidas apenas da atualização monetária pertinente.