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BERGER, P.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. 36. ed. Petrópolis: Vozes, 2014, cap. 1, p. 173-215 (“A interiorização da realidade”).
Psicologia Social
Aula: Bases da Psicologia Social Europeia: Processo de Socialização.
 
Realidade objetiva e subjetiva simultaneamente
Sociedade compreendida como: Processo dialético em curso
A "Dialética" (Confronto de Ideias): Moscovici vê a interação social como um diálogo dinâmico, frequentemente tenso, entre o "universo reificado" (ciência, instituições, regras rígidas) e o "universo consensual" (senso comum, conversas cotidianas, grupos sociais). A sociedade evolui através da mediação entre esses dois mundos.
Três momentos: para uma análise não devem ser observados separadamente, visto que “estar em uma sociedade é participar da dialética dessa sociedade” (pg. 173)
Exteriorização
Objetivação
interiorização
Tabela Comparativa: Socialização Primária vs. Secundária
Essa distinção é fundamental para compreender como o indivíduo se torna um membro da sociedade, transitando de um mundo doméstico inevitável para a complexidade dos diversos papéis e submundos institucionais que compõem a vida adulta.
	Característica	Socialização Primária	Socialização Secundária
	Fase da Vida	Ocorre na infância e é a primeira que o indivíduo experimenta.	Qualquer processo posterior que introduz o indivíduo já socializado em novos setores da sociedade.
	Carga Emocional	Realizada sob condições de alta carga emocional e identificação afetiva.	Geralmente dispensa a identificação emocional intensa, sendo mais racional e formal.
	Agentes Socializadores	Realizada pelos "outros significativos" (geralmente os pais), que não são escolhidos pela criança.	Realizada por funcionários institucionais anônimos e substituíveis (professores, mestres).
	Percepção da Realidade	O mundo é visto como inevitável, maciço e natural ("o mundo").	A realidade é vista como mais artificial e parcial; são "submundos" específicos.
	Conteúdo	Interiorização da linguagem, normas básicas e a formação do "eu social".	Aquisição de vocabulários específicos, habilidades técnicas e rotinas ligadas a funções sociais.
	Terminação/Objetivo	Termina quando o conceito do "outro generalizado" é estabelecido na consciência.	É um processo contínuo de especialização que exige coerência com a socialização anterior.
	Vulnerabilidade	Muito difícil de ser desintegrada; é a base da identidade profunda.	Mais fácil de ser "posta entre parênteses" ou abandonada (ex: trocar de profissão).
Tabela: Conservação vs. Transformação da Realidade Subjetiva
	Aspecto	Conservação da Realidade	Transformação da Realidade (Alternação)
	Objetivo	Reafirmar e manter a realidade já interiorizada, evitando que ela desmorone frente a dúvidas ou crises.	Realizar uma mudança radical e quase total na realidade subjetiva do indivíduo ("mudar de mundos").
	Principais Mecanismos	Conversa cotidiana (geralmente implícita) e rotinas que confirmam o mundo tal como ele é aceito.	Re-socialização (semelhante à socialização primária), exigindo o desmantelamento da estrutura nômica anterior.
	Estrutura de Suporte	Estruturas de plausibilidade: o meio social (família, amigos) que valida sistematicamente a realidade do sujeito.	Laboratório social: exige uma nova estrutura de plausibilidade que segrega o indivíduo de sua realidade anterior.
	Papel dos Outros	Outros significativos confirmam a identidade profunda; o "coro" (conhecidos) reafirma a estrutura básica da vida.	Guias/Novos outros significativos: mediadores com quem o sujeito estabelece forte identificação afetiva para guiar o novo aprendizado.
	Relação com a Biografia	A biografia é mantida em continuidade, com pequenos "remendos" para integrar novos conhecimentos.	Ruptura biográfica: o passado é totalmente reinterpretado através da fórmula "então eu pensava... agora sei".
	Exemplos do Texto	Viagem de trem: ver outros passageiros indo ao trabalho confirma que o mundo é feito de horários e responsabilidades.	Conversão Religiosa: Saulo de Tarso, que precisa da comunidade cristã (ecclesia) para manter sua nova identidade de Paulo.
Exemplos Práticos Adicionais:
Exemplo de Conservação: Um homem de negócios que, embora possa rir de piadas sobre a Regra de Ouro no teatro, retorna ao seu "mundo sério" e reafirma sua realidade profissional através do diálogo com seus colegas e clientes, que agem como seu "coro".
Exemplo de Transformação (Alternação): Programas de doutrinação política ou processos de psicoterapia profunda, onde o indivíduo é isolado de suas influências antigas para que uma nova realidade possa ser "pregada" em sua consciência por novos mediadores
Mapa do Papel dos Afetos na Construção da Realidade
. Socialização Primária: O Alicerce Afetivo
Carga Emocional Elevada: É a condição indispensável para a aprendizagem na infância. Sem uma ligação emocional forte com os socializadores, o processo de interiorização seria difícil ou impossível.
Identificação com o Outro: A criança não apenas aprende regras, ela se identifica emocionalmente com os "outros significativos" (pais/cuidadores).
Mundo Inevitável: O afeto garante a solidez da realidade aprendida. Como a criança ama e confia em seus pais, o mundo que eles apresentam é aceito como a única realidade possível e inquestionável
Mapa do Papel dos Afetos na Construção da Realidade
Socialização Secundária: A Racionalidade e a Afetividade Seletiva
Baixa Carga Emocional: Diferente da infância, esta fase geralmente dispensa a identificação emocional intensa. As relações são mais formais e funcionais (ex: aluno e professor).
Realidade Fragmentada: Por ter menos investimento afetivo, o conhecimento da socialização secundária é mais fácil de ser "posto entre parênteses" ou descartado do que o da primária.
Exceções de Intensidade: Certas vocações (músicos, revolucionários, religiosos) exigem técnicas pedagógicas que intensificam o afeto para garantir que a nova realidade seja "pregada" na consciência com força quase infantil
Conservação da Realidade: O Reforço dos Laços
Confirmação da Identidade: A manutenção da identidade exige a confirmação afetiva dos outros significativos. Se a esposa ou o melhor amigo retiram o apoio afetivo de uma definição de realidade, a identidade do indivíduo torna-se precária.
Estruturas de Plausibilidade: A realidade subjetiva depende de um meio social que a valide. A ruptura da conversa significativa com esses mediadores gera angústia e ameaça o "mundo" interno do sujeito
Alternação (Re-socialização): O Retorno ao Modelo Afetivo
Mimetismo da Infância: Para transformar radicalmente alguém (conversão), o processo deve reproduzir a identificação afetiva forte da infância.
Dependência Emocional: O sujeito precisa estabelecer uma relação de dependência emocional com os novos "guias" para que a estrutura anterior possa ser desmantelada e a nova, estabelecida
Dialética Interna: O Afeto como Resistência
Conflito Biológico: Existe uma dialética entre a identidade social e o substrato biológico. O indivíduo experimenta conflitos de força onde o "eu social" precisa subjugar impulsos e resistências biológicas (fome, medo, desejo) para manter a integridade da realidade social
 linguagem desempenha um papel central e multifacetado na construção e manutenção da realidade social. Os principais aspectos de seu papel são:
Principal Instrumento de Objetivação: A linguagem é o sistema de sinais mais importante da sociedade humana, permitindo que a expressividade subjetiva se manifeste em produtos da atividade humana que são acessíveis a todos. Ela fornece as objetivações necessárias para que a vida cotidiana ganhe significado e ordem para o indivíduo.
Capacidade de Transcendência e Integração: A linguagem permite transcender o "aqui e agora", estabelecendo pontes entre diferentes zonas da realidade cotidiana e integrando-as em uma totalidade dotada de sentido. Ela pode "tornar presente" objetos e sujeitos que estão espacial, temporal ou socialmente ausentes.
Repositório do Acervo Socialde Conhecimento: Ela funciona como o depósito de vastas acumulações de significados e experiências, preservando-os no tempo e transmitindo-os às gerações seguintes. A linguagem constrói campos semânticos que classificam objetos e indicam graus de intimidade ou distância social.
Instrumento Fundamental da Socialização: A linguagem é o conteúdo e o instrumento mais importante da socialização. Na socialização primária, ela permite que a criança interiorize o mundo como uma realidade maciça e inevitável, cristalizando a identidade e a sociedade na consciência do indivíduo.
Veículo de Manutenção da Realidade (Conversa): O veículo mais importante da conservação da realidade subjetiva é o aparelho de conversa. A conversa cotidiana, geralmente implícita, reafirma continuamente as coordenadas do mundo do indivíduo, preenchendo sua vida de objetos dotados de significação.
Base da Legitimação: O edifício das legitimações (modos de explicar e justificar a ordem social) é construído sobre a linguagem, que atua como seu principal instrumento. Ela assegura uma superposição de lógica sobre o mundo social objetivado.
Cristalização da Subjetividade: Ao objetivar o próprio ser por meio da fala, a linguagem torna a subjetividade do indivíduo "mais real" não apenas para o interlocutor, mas para o próprio sujeito, permitindo o autoconhecimento
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