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Organização da ESF e o trabalho em redes na Saúde Coletiva Definição e apresentação do Programa Nacional de Atenção Básica, com foco na Estratégia Saúde da Família, no que se refere à organização familiar, e nos demais serviços que formam as Redes de Atenção à Saúde como articulação da NASF/ESF com a saúde mental. Profª. Rute de Oliveira Almeida 1. Itens iniciais Propósito A organização da ESF e o trabalho em redes na Saúde Coletiva são essenciais para o enfermeiro implementar intervenções em saúde que promovam a qualidade de vida individual e coletiva. Objetivos Identificar a organização familiar e os tipos de família, bem como o território e o cadastramento, como bases da Estratégia Saúde da Família (ESF). Reconhecer áreas, microáreas e áreas prioritárias, assim como o sistema de referência e contrarreferência. Analisar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)/ESF em articulação com a saúde mental. Introdução Após a reforma sanitária na década de 1980, a saúde começou a ser considerada um conceito mais amplo, não mais voltado somente à questão clínico-assistencial da doença. Por esse motivo, na Constituição Federal de 1988, iniciaram-se os apontamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, apenas em agosto de 1990, foram aprovadas as Leis 8.080 e 8.142. Juntas, essas leis são denominadas Leis Orgânicas da Saúde. O SUS é responsável por garantir acesso de toda a população brasileira às ações de Atenção Básica, sejam elas promocionais, preventivas ou assistenciais, que incluem imunização, vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental. Complementam a rede do SUS para alcançar sua finalidade: os serviços de Atenção Básica a que abrangem as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Saúde da Família (USF), onde se insere a Estratégia Saúde da Família (ESF); os serviços ambulatoriais especializados, de diagnóstico e terapia e os hospitais de média e alta complexidade do SUS; os serviços vinculados às universidades públicas de saúde; e os serviços contratados do setor privado (AGUIAR, 2011). A seguir, apresentam-se a organização e o funcionamento da Estratégia Saúde da Família, considerando organização familiar, território e cadastramento. Observaremos o sistema de referência e contrarreferência e trataremos da articulação da NASF/ESF com a saúde mental. Vamos começar? • • • 1. Organização familiar Organização da Estratégia Saúde da Família (ESF) Durante a implementação do SUS e em decorrência de um de seus princípios básicos, a descentralização, os municípios brasileiros gradualmente passaram a responsabilizar-se pela atenção à saúde de seus habitantes e cada município do país teve que criar uma estrutura gerencial e implementar serviços de saúde mesmo onde, até então, não havia uma única unidade de saúde (AGUIAR, 2011). Desse modo, a Atenção Básica à Saúde começou a ser pensada e desenvolvida com o objetivo de estar mais próxima da vida das pessoas, tornando-se o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e o centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Como resposta a essa demanda, o Programa Saúde da Família (PSF) foi criado em 1994, tornando-se o principal acesso para o contato à rede do SUS. Em 2006, após mais de dez anos de existência, o Programa Saúde da Família foi transformado em Estratégia Saúde da Família (ESF), apresentado na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que posteriormente foi revisada em 2011, 2017 e 2020. A PNAB tem como objetivo a organização da Atenção Básica na Rede de Atenção à Saúde. Para alcançarmos nosso objetivo e entendermos o funcionamento da ESF, é necessário entender onde ela está inserida e a importância dessa estratégia para a expansão e a consolidação da Atenção Básica em saúde. Acompanhe mais alguns detalhes a seguir: Atenção Básica A ESF está inserida dentro da Atenção Básica ou da Atenção Primária em Saúde. Como principais características da Atenção Primária em Saúde, temos: ser o primeiro contato do indivíduo com o sistema de saúde e o centro de comunicação com o RAS; e possibilitar oferta integral e gratuita de atendimento a todas as pessoas, sem qualquer exclusão, seja com base em idade, gênero, raça, cor, etnia, crenças, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade, limitações físicas, intelectuais, funcionais ou outros. A ESF é a estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica. Unidade de Saúde da Família A ESF está inserida na Unidade de Saúde da Família (USF), que é toda unidade de saúde que possui pelo menos uma Equipe de Saúde da Família. Cada ESF pode ser composta de até quatro Equipes de Saúde da Família, que devem ser formadas, no mínimo, por um médico, preferencialmente da especialidade medicina de família e comunidade, um enfermeiro, preferencialmente especialista em saúde da família, um auxiliar e/ou técnico de enfermagem e um agente comunitário de saúde (ACS). Podem fazer parte da equipe, o agente de combate às endemias (ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião-dentista, preferencialmente especialista em saúde da família, e auxiliar ou técnico em saúde bucal, conforme Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017). Sistema de saúde Apesar da ESF ser o primeiro contato do usuário com o sistema de saúde, não deve ser apenas considerada uma unidade de triagem e encaminhamento para serviços especializados. Pelo contrário, essa unidade deve ser capaz de assistir aos problemas de saúde mais comuns, promovendo a saúde e prevenindo doenças em geral. É necessário promover a mudança de hábitos e costumes alimentares, a atividade física e a higiene pessoal, do domicílio e do ambiente em geral, com base em uma série de ações individuais e coletivas voltadas para proteção, promoção, tratamento e reabilitação da saúde em conjunto com a comunidade (NETO, 2000). A estrutura onde atua a ESF deve assegurar acessibilidade à maior quantidade possível de pessoas. Entenda como isso acontece a seguir: Comentário Além das atribuições que regulamentam o exercício de cada uma das profissões, as principais atribuições comuns dos profissionais das equipes de atenção básica da ESF, segundo a PNAB, relacionam-se a fim de garantir a atenção à saúde por meio da realização de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde e prevenção de agravos. Para tanto, atribuições comuns e em conjunto dos profissionais da estratégia da família são o mapeamento da área de atuação da equipe e o cadastro atualizado no sistema de informação indicado pelo município, das famílias e dos usuários, para identificar grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos e vulnerabilidades. Dessa maneira, é possível gerar dados para a análise da situação de saúde, onde se busca priorizar as situações a serem acompanhadas, facilitando também a busca ativa e a notificação de doenças e agravos de notificação compulsória, conforme Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017). Antes de estudarmos como é realizado o mapeamento e o cadastramento das famílias, é necessário entender quais são os tipos de famílias atualmente reconhecidas no Brasil. Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde A ESF deve assegurar acessibilidade independentemente de idade, estatura, deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações e mobiliário. Essa estrutura pode ser nova e montada com as especificações do Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde, ou um antigo Centro de Saúde ou prédio reestruturado do município, desde que trabalhando dentro de uma nova lógica, com maior capacidade de ação para atender às necessidades de saúde da população. Profissionais de saúde É necessário que a estrutura física da ESF disponha recursos estruturais e equipamentos compatíveis que possibilitem a ação dos profissionais de saúde. Os espaços e salas têm sua utilização compartilhada por todos os profissionais da ESF. Paracada um desses espaços ou salas, é definida uma finalidade para seu uso, caracterizando os ambientes específicos e as dimensões necessárias ao desenvolvimento das ações de saúde. Cada unidade de saúde, porém, definirá espaços e equipamentos necessários às atividades exercidas de acordo com sua demanda (BRASIL, 2008). Organização familiar e tipos de família A Constituição Federal Brasileira reconhece a família como a base da sociedade, independentemente da forma como ela se configura. Por esse motivo, passou a proteger judicialmente os diferentes tipos de famílias, além da tradicional matrimonial formada a partir de um casamento civil, composta por pai, provedor da casa, pela mãe, cuidadora da família, e seus filhos. Hoje se reconhecem algumas formas diferentes de famílias, considerando seus aspectos legais e culturais. Os tipos diferentes de famílias variam de acordo com suas características e complexidades. Dito isso, as famílias existentes em legislação são aquelas formadas pelo casamento (civil ou religioso), pela união estável, pela família monoparental e pela família adotiva. Porém existem outros tipos de configurações familiares, e a lei, ou seja, o entendimento jurídico, atualmente reconhece algumas formas de apresentação da família, no que diz respeito a seus direitos e deveres, desde que sua formação seja baseada em afeto e finalidade de constituição familiar. São algumas delas: Família tradicional nuclear — formada pelos pais e seus filhos, ela pode ser reconhecida de duas formas: Matrimonial — legitimada pelo casamento civil ou religioso, ou seja, os responsáveis são casados legalmente. Até a constituição da República de 1988, as famílias formadas a partir do casamento civil ou religioso, ou seja, do matrimônio, eram o único tipo de família reconhecido efetivamente pela lei. Informal — legitimada pela convivência, ou seja, a união não é oficializada legalmente. Assegurada na Lei 9.278/96, no art. 1º, entende-se como reconhecimento de união estável a convivência duradoura, pública e contínua, a convivência com objetivo de constituição de família. Atualmente, o tipo de formação, seja matrimonial ou informal, pode abranger tanto os casais heterossexuais como os casais homoafetivos. Por esse motivo, surgiu uma nova formação reconhecida. Família homoafetiva Formada por casais do mesmo sexo, seja por homens, seja por mulheres. O relacionamento é reconhecido como família, desde que preencha os requisitos da afetividade e estabilidade, com finalidade de constituição de família. Esse grupo familiar é reconhecido pelos tribunais e garantido por leis, com regras de adoção, união estável e herança. • • Família paralela ou simultânea Formada simultaneamente com a existência de casamento anterior, em que o homem ou a mulher, casados, formam outra família. Não podendo a última ficar desamparada, principalmente quando chega a preencher os requisitos para o reconhecimento da união estável, como uma convivência conjugal de longa data, os parceiros acabam adquirindo direitos e deveres entre si. Família poliafetiva Formada pela união de pessoas poliamorosas, em que os adultos compartilham o afeto e o cuidado das crianças. Essa configuração geralmente é constituída por trios, sendo um homem com duas mulheres ou uma mulher com dois homens, vivendo na mesma casa e dividindo a mesma cama, ou seja, de forma conjugal. Nesse caso, novamente com provas de convivência conjugal e afetiva, os indivíduos passam a ter direitos e deveres garantidos. Família monoparental Formada por apenas um dos responsáveis, pai e seus filhos ou mãe e seus filhos. Essa configuração pode acontecer em caso de separação dos cônjuges ou morte. Família parental e anaparental Formada sem nenhum dos pais, como em uma casa em que moram irmãos ou primos e os mais velhos cuidam dos mais novos. Essa formação também abrange o agregado não consanguíneo, ou seja, a relação sem parentalidade a partir de laços afetivos, como no caso de amigos. O vínculo afetivo e familiar é reconhecido, e adquire todos os direitos e deveres inerentes à família. Família composta ou reconstituída Formada pela união de um casal em que pelo menos um ou ambos possuem filhos de relacionamentos anteriores. Também chamada de família multiparental, pluriparental ou família mosaico. Família adotiva ou substituta Formada quando a criança ou o adolescente é inserido(a) em uma nova família, o que pode ocorrer por meio de guarda, tutela ou adoção. Família unipessoal Formada por apenas uma pessoa, como viúvos, separados, divorciados ou solteiros que vivem sozinhos. As novas configurações familiares são fruto de mudanças sociais, financeiras, culturais, de desejos pessoais e da busca pela felicidade. Com o aperfeiçoamento do conceito de família, todas as relações que se baseiam na convivência, afeto e união, passam a ser chamados de família. Diante disso, é essencial para o profissional da saúde ver, entender, reconhecer e respeitar a pluralidade familiar e as variáveis que podem ocorrer quando trabalhamos com as famílias. Além disso, o profissional deve ter em mente que suas preconcepções não devem influenciar no tratamento e no cuidado em saúde do usuário. Comentário Sendo um dos atributos da Atenção Primária em Saúde a saúde centrada nas famílias, a ESF deve ser a principal porta de entrada ao sistema de saúde. A função da ESF é reorganizar a prática da atenção à saúde e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto das famílias e promovendo a qualidade de vida da população. Território e cadastramento Para gerar dados da situação de saúde das famílias onde a ESF está localizada, os profissionais devem conhecer o território, fazer o mapeamento da área e o cadastro das famílias e usuários para identificar os riscos e vulnerabilidades da população. Entenda melhor a seguir: Planejamento Entender as necessidades de saúde da população é necessário para realizar o planejamento e as intervenções de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças. O planejamento e as intervenções devem acompanhar as mudanças ocorridas na comunidade e se adequar às reais necessidades individuais e coletivas. Para atingir esse objetivo é necessária a identificação dos problemas existentes, assim como suas causas e riscos, para escolher as prioridades e planejamento das atividades. Somente com base no conhecimento desse território em que essa população está inserida é que o diagnóstico de todas as etapas do planejamento poderá ser realizado. Territorialização A territorialização é o processo de levantamento do perfil territorial, ambiental, demográfico e socioeconômico da população. O reconhecimento desse território é essencial para a caracterização da população e de seus problemas de saúde. Cada território tem suas particularidades, características culturais, sociais e econômicas. O profissional de saúde precisa se apropriar das especificidades do território em que a ESF está inserida. É por meio do conhecimento desse território e do cadastramento das famílias que são realizados o diagnóstico da população e o planejamento de ações de saúde. Cadastramento A coleta de dados corresponde ao primeiro momento do cadastramento que se inicia com a apresentação de perguntas diretamente à família e a associação com as informações coletadas pela observação da realidade. As famílias são cadastradas por meio de visitas aos domicílios realizadas pela equipe de saúde da família, em especial pelo ACS. Nas visitas, são observadas as atividades diárias da família, sua composição e a interação entre os membros, sua renda, ocupação dos membros, sua alimentação, seus hábitos de higiene, suas condições de moradia, de saneamento e condições ambientais e os possíveis fatores de risco à saúde, presentes ou potenciais. Vínculo Durante esse cadastro, inicia-se o vínculo da equipe da Unidade de Saúde com a família. Por esse motivo, os profissionais devem desenvolver o contato de forma interativa, evitando demonstrações de preconceitos, ou posicionamentos pessoaisreferentes aos hábitos de vida ou à composição da família. Após o cadastramento, a equipe de saúde realiza o diagnóstico da comunidade, identificando, assim, as áreas que possuem fatores de risco, com indicadores de saúde muito ruins ou barreiras que dificultam ou impedem a chegada da pessoa ao serviço de saúde. No próximo módulo, abordaremos mais sobre as áreas, microáreas e áreas prioritárias para o atendimento da população. ESF: território e cadastramento Neste vídeo, você conhecerá um pouco mais sobre o funcionamento da Estratégia Saúde da Família (ESF), através dos conceitos de território e cadastramento. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Organização da Estratégia Saúde da Família (ESF) Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Organização familiar e tipos de família Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O (a) __________ tem como objetivo regulamentar a implementação e a operacionalização da atenção básica na Rede de Atenção à Saúde no SUS: A Política Nacional de Saúde Mental. B Política Nacional de Humanização. C Núcleo de Apoio à Saúde da Família. D Política Nacional de Atenção Básica. E Sistema Único de Saúde. A alternativa D está correta. A Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, aprovou a Política Nacional de Atenção Básica, que estabelece a revisão de diretrizes e normas para a organização da atenção básica, e tem como objetivo regulamentar a implementação e a operacionalização da atenção básica na Rede de Atenção à Saúde no SUS. Questão 2 Sobre a organização familiar e os tipos de família, marque a alternativa correta: A A família tradicional nuclear pode ser reconhecida de duas formas: matrimonial e formal. B A família tradicional nuclear pode ser reconhecida de duas formas: unipessoal e formal. C A família tradicional nuclear pode ser reconhecida de duas formas: composta e formal. D A família tradicional nuclear pode ser reconhecida de duas formas: matrimonial e informal. E A família tradicional nuclear pode ser reconhecida de duas formas: matrimonial e parenteral. A alternativa D está correta. A família tradicional nuclear pode ser de dois tipos: matrimonial e informal. A matrimonial é quando há o casamento civil ou religioso, ou seja, quando há um casamento legal. Já a informal é aquela união não oficializada legalmente nem pelo casamento civil nem pelo religioso. Mas a família informal é reconhecida pela união estável, pois é assegurada pela Lei 9.278/96. 2. Sistema de referência Áreas, microáreas e áreas prioritárias Para que o mapeamento da população e o cadastramento das famílias aconteçam de forma efetiva, veremos o passo a passo desde a implementação de uma ESF em uma localidade. Entenda melhor a seguir: A definição do número de ESF e de ACS depende da quantidade de famílias/pessoas que irão acompanhar. E isso dependerá das características do território: a distância das casas, as barreiras de acesso (rios, montanhas, inexistência de transporte adequado), a natureza e a dimensão dos problemas (área de risco social ou ambiental). Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 2.000 a 3.500 pessoas. O número de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com a base populacional, os critérios demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, e com a definição local, além de ter uma microárea sob sua responsabilidade, cuja população não ultrapasse 750 pessoas. A carga horária para equipe da ESF deve ser de 40 horas semanais para todos os profissionais de saúde, conforme estabelecido pela Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017). Confira mais alguns detalhes a seguir: Levantamento da população O primeiro passo é o levantamento da população, que deve ser iniciado pela contabilização do número de habitantes, buscando-se as fontes de dados disponíveis, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e informações das Secretarias de Planejamento da Prefeitura, Secretaria de Ação Social, Associações Comunitárias e outros. Limites geográficos Também são levados em consideração os limites geográficos, como rios, montanhas e fronteiras entre municípios. Essa tarefa é do município, com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde, que primeiramente deve prever os recursos humanos e os equipamentos necessários para essa implementação. Levantamento da população Após o levantamento da população, deve-se definir as áreas prioritárias a serem cobertas pela estratégia, ou seja, aquelas que, digamos, apresentam prioridades, pois reside uma população em vulnerabilidade. Mapeamento O mapeamento com a delimitação da área e das microáreas pode ser elaborado copiando-se de uma planta atualizada do município. Após esse passo, faz-se a divisão das áreas de atuação de cada equipe que, por sua vez, serão divididas em microáreas. Microáreas Entende-se como área, na Estratégia de Saúde da Família, o conjunto de microáreas contíguas (máximo de 12) sob a responsabilidade de uma equipe de Saúde da Família, no qual residem até 3.500 pessoas. As microáreas são o espaço geográfico delimitado onde residem até 750 pessoas e que corresponde à área de atuação de um Agente Comunitário de Saúde. Confira a seguir: Após a definição do número de ESF e ACS que a unidade será composta, deve-se buscar a aprovação do Projeto de Implantação da ESF. A Secretaria Municipal de Saúde do município deve solicitar adesão ao Programa Saúde da Família por meio de ofício para a Secretaria Estadual de Saúde, assim o município passa a receber os recursos federais, sob a forma de incentivos para manter o funcionamento das estratégias. Quando as equipes iniciam suas atividades, o município deve implementar e alimentar o banco de dados do Sistema de Informação da Atenção Básica, requisito obrigatório para recebimento dos incentivos (NETO, 2000). Comentário É comum o profissional de saúde iniciar o trabalho em uma unidade de saúde e a área de atuação da ESF já estar delimitada. Nesse caso, algumas inadequações podem ser detectadas pois o território não é estático, mas está em transformação constante. Por esse motivo é importante não apenas seguir os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, mas considerar as flutuações que existem na área adscrita, ou seja, a área em que atua a equipe. Por isso, o profissional deve estar atento para identificar as microáreas de risco, ou seja, áreas que possuem fatores de risco, onde existam pessoas ou famílias que precisam de atenção especial. O conceito baseia-se na probabilidade de um grupo de pessoas adoecer ou morrer, de ser mais vulnerável a determinados agravos, seja por causa de características biológicas, genéticas, ambientais, psicológicas, sociais, econômicas ou de outras que, interrelacionadas, podem oferecer risco a esse grupo específico. Essa identificação é importante para que sejam programadas ações específicas e atividades de acompanhamento nessas áreas de acordo com a realidade local, seja nos espaços da Unidade de Saúde, no próprio domicílio ou nas demais áreas disponíveis e potenciais para tais ações. Entenda melhor a seguir: Mapeamento Logo após a definição das microáreas de risco e as informações contidas no diagnóstico da comunidade adscrita da área de abrangência da ESF, elabora-se o mapeamento do local, a representação no papel da área da atuação da equipe, contendo suas principais informações geográficas e populacionais. Esse mapeamento contendo as microáreas de risco é importante para programar as ações, elaborando o roteiro das visitas e visando às famílias mais necessitadas para o acompanhamento das atividades e para a avaliação dos resultados. Atividades O mapa da área pode ser estático, apresentando as características permanentes da região, como informações geográficas, e é importante ter também o mapa inteligente,que se modifica de acordo com as alterações na área, e mostra as áreas de maior necessidade naquele momento. É a partir desses mapas que ocorre o direcionamento das atividades e das ações da equipe (NETO, 2000). Visita domiciliar A visita domiciliar é realizada pelo ACS, garantindo o vínculo com a unidade de saúde. Cada visita é repassada à equipe. A consulta no domicílio acontece quando é necessário, sendo realizada pelo médico ou pelo enfermeiro, ou até mesmo pelo dentista de acordo com a situação do doente. A visita tem por objetivo monitorar a situação de saúde das famílias e atender às pessoas doentes, que estão acamadas ou têm qualquer ordem de dificuldade para se locomover até a unidade. A ESF deve agendar as visitas segundo uma programação semanal priorizando situações e grupos de risco e as solicitações dos ACS. Redes de Atenção à Saúde Além das visitas domiciliares, a ESF também atende a uma demanda espontânea. A Atenção Básica lida com situações e problemas de saúde, desde os mais simples até os mais complexos, que exigem diferentes tipos de atuações de suas equipes. Para dar suporte às demandas da ESF, ao fim de 2010 foi publicada a Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010, que estabelece diretrizes para organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS). As RAS surgem como uma estratégia direcionada às necessidades de saúde da população, que formam a complementação do cuidado na Atenção Básica que é a principal porta de entrada do sistema e busca atender às necessidades de saúde da população (BRASIL, 2014). O trabalho em conjunto da Equipe da Estratégia da Família é fundamental. Na recepção da unidade, já é possível identificar situações que apresentam maior risco ou que geram sofrimento intenso. É essencial o acolhimento à demanda espontânea, baseando-se no princípio de que é preciso tratar cada um de acordo com sua necessidade (BRASIL, 2012b). Comentário Então, no âmbito da Atenção Básica — por meio do acolhimento e da avaliação para resolutividade da demanda na identificação dos riscos e necessidades das demandas de saúde — a equipe deve estar atenta para coordenar o cuidado e acompanhar o fluxo dos usuários entre os pontos de atenção das RAS, atuando na gestão das listas de espera (encaminhamentos para consultas especializadas, procedimentos e exames). Agora, vamos entender a seguir o que é o Sistema de Referência e Contrarreferência. Sistema de Referência e Contrarreferência Uma das peculiaridades das RAS é a formação de relações horizontais entre os pontos de atenção, sendo a Atenção Básica o centro de comunicação. São as temáticas das RAS: Rede Cegonha, Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE), Rede de Atenção Psicossocial (Raps), Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência e Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas (BRASIL, 2014). Rede Cegonha A Rede Cegonha busca qualificar o acesso às ações de planejamento reprodutivo, pré-natal, parto, nascimento, puerpério e cuidado da criança até os dois anos. No que se refere à Atenção Básica, os planos de ação da Rede Cegonha são ações voltadas para: o planejamento reprodutivo por meio do programa de planejamento familiar; o pré-natal, que é realizado na unidade de saúde pelo médico e pela enfermeira; o puerpério e saúde da criança, por meio do acolhimento mãe-bebê; e o acompanhamento mensal da criança com o pediatra. A Unidade de Atenção Básica também promove a vinculação da gestante desde o pré-natal ao local onde será realizado o parto (BRASIL, 2014). Rede de Atenção às Urgências e Emergências A seguir, conheça os Planos de Ação Regionais (PARs) da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE): Planos de Ação Regionais O Ministério da Saúde publicou diversas portarias aprovando os Planos de Ação Regionais (PARs) da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE), que estão sendo implementadas nos municípios. Portaria MS/GM nº 2.338 Entre elas, há a sala de estabilização, que foi instituída pela Portaria MS/GM nº 2.338, de 3 de outubro de 2011, que servirá para estabilização de pacientes críticos e/ou graves, e posterior encaminhamento à rede de atenção à saúde pela central de regulação das urgências. SAMU O SAMU serve de suporte para as Unidades Básicas de Saúde, principalmente quando é necessário prestar socorro em domicílio. As UPAS e os Hospitais com Urgências também integram a rede de atenção às urgências e emergências (BRASIL, 2014). Unidades de Atenção Básica Para tanto, é importante que as Unidades de Atenção Básica conheçam os fluxos dos serviços que constituem a Rede de Atenção às Urgências em seu município. Como porta de entrada da rede de Atenção Básica, em emergências, a equipe deve estar capacitada para identificar precocemente os casos graves, iniciar manobras de suporte básico de vida e acionar o serviço de remoção para que haja a adequada continuidade do atendimento. Atenção É importante que as Unidades de Atenção Básica conheçam os fluxos dos serviços que constituem a Rede de Atenção às Urgências em seu município. Como porta de entrada da rede de Atenção Básica, em emergências, a equipe deve estar capacitada para identificar precocemente os casos graves, iniciar manobras de suporte básico de vida e acionar o serviço de remoção para que haja a adequada continuidade do atendimento. Rede de Atenção Psicossocial Conforme BRASIL (2014), a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) é composta pela(s): Atenção básica em saúde, na Unidade de Saúde Básica ou Estratégia da Família; Atenção psicossocial, no centro de atenção psicossocial que existir no município; Atenção de urgência e emergência, por meio do SAMU, UPAs e Emergência quando o quadro do paciente for agudo; Atenção residencial de caráter transitório; unidades de acolhimento com regime residencial; Atenção hospitalar, com internação em leitos destinados à saúde mental; Estratégias de desinstitucionalização, a partir do Programa de Residências Terapêuticas e do Programa Volta para Casa; Reabilitação psicossocial, com incentivo de retorno para casa e familiares e atuação no mercado de trabalho. Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência A Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência faz parte do Programa Viver sem Limite lançado no fim de 2011. Ele é composto pelos Centros Especializados de Reabilitação (CERs), que são um ambulatório especializado em reabilitação que realiza diagnóstico, avaliação, orientação, estimulação precoce e atendimento especializado em reabilitação. Todo atendimento realizado no CER é articulado com os outros pontos de atenção da Rede de Atenção à Saúde (BRASIL, 2014). Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas • • • • • • • A Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas não Transmissíveis tem como objetivos fomentar a mudança do modelo de atenção à saúde e fortalecer e garantir o cuidado integral às pessoas com doenças crônicas. A mortalidade ocasionada pelas doenças crônicas não transmissíveis tem aumentado consideravelmente no Brasil e no mundo, entre as quais está o câncer. A Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, sanciona que os usuários com câncer terão o início de seu tratamento assegurado em no máximo 60 dias após o registro do diagnóstico em seu prontuário, o prazo abrange o início do tratamento, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia (BRASIL, 2014). Comentário A ESF foi citada, mais uma vez, como a principal porta de entrada da população à Rede de Atenção à Saúde, mas ela não atuará somente como porta, pois a ESF é responsável também pelo plano terapêutico do tratamento, mesmo não realizando ele como um todo. Entenda melhor sobre os níveis de cuidados básicos, a seguir: Para ficar mais claro, vamos a um exemplo: Equipe multidisciplinar da ESF Na maioria das vezes, a equipe multidisciplinar da ESF acolhe o paciente, identifica o agravo e é responsável pela referência desse paciente, contatando outros serviços e depois recebendo-os de volta, na contrarreferência, para continuar com o tratamento e a reabilitação, atuandono nível dos cuidados básicos. O sistema de referência e contrarreferência é a conexão entre as unidades básicas e as unidades especializadas. Articulação dos serviços de saúde Entende-se por referência o trânsito do nível menor para o de maior complexidade e, inversamente, a contrarreferência compreende o trânsito do nível de maior para o de menor complexidade. Por isso, é de extrema importância que ocorra a articulação dos serviços de saúde nos diferentes níveis de atenção, seja primário, secundário ou terciário, para que haja eficácia e eficiência na continuidade do cuidado. Exemplo A gestante M.F.L compareceu à Unidade Básica de Saúde queixando-se de fortes dores na cabeça, insônia e dor pélvica. Ao verificar os sinais vitais, observou-se Pressão Arterial elevada. Ela foi, então, atendida pelo médico da Unidade, que suspeitou de pré-eclâmpsia. O médico solicitou imediatamente a transferência da gestante para uma unidade especializada, nesse caso uma maternidade. O médico preencheu a ficha de referência, que será entregue na maternidade no momento de admissão. Nela, o profissional detalha a clínica da gestante, ou seja, sinais e sintomas e possível diagnóstico. A gestante foi atendida na maternidade e estabilizada. O pico de pressão deu-se devido a um aborrecimento. A gestante recebeu medicamentos e realizou exames, e o bebê apresentou sinais de vitalidade, sem riscos. Após dois dias, a paciente teve alta com a ficha de contrarreferência que será entregue na unidade em sua primeira consulta de pré-natal com o médico e o enfermeiro. Geralmente, as consultas são alternadas com médicos e enfermeiros. A ficha será anexada na documentação/prontuário da paciente. A pressão arterial será acompanhada durante todo o pré-natal. Tratou- se de um pico hipertensivo isolado, não configurando uma gestante de alto risco, logo será acompanhada na UBS. Áreas, microáreas e áreas prioritárias Neste vídeo, você conhecerá um pouco mais sobre o funcionamento da Estratégia de Saúde da Família (ESF), através dos conceitos de áreas, microáreas, áreas prioritárias. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Rede de Atenção às Urgências e Emergências Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas e Câncer Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) cita, como uma das atribuições comuns dos profissionais da Estratégia Saúde da Família, participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos e vulnerabilidades. O cadastramento da população é importante para direcionar as estratégias de ação da equipe da ESF perante as demandas de saúde. Ainda de acordo com o PNAB, cada equipe da ESF deve ser responsável por quantos indivíduos? Marque a alternativa correta: A Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 3.000 a 3.500 pessoas. B Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 2.000 a 5.500 pessoas. C Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 1.000 a 3.500 pessoas. D Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 1.000 a 4.500 pessoas. E Cada equipe de Saúde da Família é responsável por 2.000 a 3.500 pessoas. A alternativa E está correta. Inicialmente, cada equipe de Saúde da Família é responsável por 2.000 a 3.500 pessoas. E o número de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com a base populacional e ter uma microárea sob sua responsabilidade, cuja população não ultrapasse 750 pessoas. Questão 2 O(a) __________ é uma integração e uma correlação de todos os níveis de assistência com o objetivo de atender melhor à população. A Política Nacional de Saúde Mental. B Rede de Atenção à Saúde. C Núcleo de Apoio à Saúde da Família. D Política Nacional de Atenção Básica. E Sistema Único de Saúde. A alternativa B está correta. A Rede de Atenção à Saúde (RAS) tem o conceito de arranjos organizativos integrados por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, que procura promover a integralidade do cuidado. Isso quer dizer que a Rede de Assistência à saúde é uma integração e uma correlação de todos os níveis de assistência com o objetivo de atender melhor à população. A letra A refere-se à Lei 10.216/02, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASFs) tem como objetivo apoiar a consolidação da Atenção Básica no Brasil, ampliando as ofertas de saúde na rede de serviços. A Política Nacional de Atenção Básica, que estabelece a revisão de diretrizes e normas para a organização da atenção básica e para a Estratégia Saúde da Família (ESF). E o Sistema único de Saúde (SUS), sistema de saúde do Brasil que garante acesso integral, universal e gratuito a serviços de saúde. 3. NASF Rede de saúde mental Atualmente, busca-se o cuidado com as pessoas com transtornos mentais o mais próximo da rede familiar, social e cultural do paciente. Assim, a atenção hospitalar não é mais o centro de atenção desse paciente, mas entra como complemento ao cuidado. A Política Nacional de Saúde Mental planeja a redução gradual de leitos em hospitais psiquiátricos e a desinstitucionalização de pessoas com longo histórico de internações, e prioriza a efetivação de uma rede diversificada de serviços de saúde mental. Assim, a rede de saúde mental é formada por diversas ações e serviços, sendo: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Ambulatórios, Residências Terapêuticas, Leitos de Atenção Integral em Saúde Mental, Programa de Volta para Casa, Cooperativas de Trabalho e Geração de Renda, Centros de Conveniência e Cultura, Ações de Saúde Mental na Atenção Primária, entre outros (BRASIL, 2010). Visando a uma melhor percepção do que se trata a rede de saúde mental, antes de abordar a atuação da Atenção Primária na saúde mental, vamos identificar brevemente alguns dos serviços que compõem a rede de saúde mental. Confira a seguir: Centro de Atenção Psicossocial Os CAPS são unidades para tratamento de crises em saúde mental por meio de atendimento e reinserção social de pessoas com transtornos mentais graves e/ou com transtornos mentais decorrentes do uso prejudicial de álcool e drogas. Nessas unidades ocorre atendimento por uma equipe multiprofissional composta de médicos, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, entre outros. O atendimento aos CAPS ocorre por demanda espontânea, por encaminhamento de uma unidade ambulatorial especializada ou encaminhamento de uma emergência ou após uma internação psiquiátrica. Os CAPS funcionam de segunda a sexta, com atendimento das 8h às 17h. O CAPS tem suas variações, como o CAPS III, que funciona 24h, durante os sete dias da semana, assim oferecendo acolhimento noturno. Os Centros de Atenção Psicossocial Álcool Outras Drogas (CAPSad) são voltados para o tratamento dos usuários em relação ao uso de drogas e têm funcionamento diário. E os Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), que atendem a adolescentes e crianças, também com funcionamento durante o dia. Residências Terapêuticas As Residências Terapêuticas são casas destinadas a pessoas com transtornos mentais que permaneceram em longas internações psiquiátricas e não existe possibilidade de retornar às suas famílias de origem. Elas têm por objetivo a desinstitucionalização e a reinserção social dos egressos dos hospitais psiquiátricos. Foi criada pela Portaria/GM nº 106 de fevereiro de 2000, e são mantidas pelos recursos financeiros destinados aos leitos psiquiátricos, ou seja, cada paciente que é transferido para a residência terapêutica, a vaga do hospital é cancelada e transferida juntamente com seus recursos para a manutençãodessas residências. Leitos de Atenção Integral em Saúde Mental Os leitos de atenção integral em saúde mental são leitos em hospitais gerais destinados para o atendimento de urgências e emergências do paciente com transtornos mentais em crise e com sintomas psíquicos agudizados. O objetivo desses leitos é a internação curta e, para isso, é necessária a articulação com a rede de saúde mental para a continuidade do cuidado, proporcionando um atendimento integral para atender às necessidades desses pacientes. Programa de Volta para Casa O Programa de volta para casa foi criado em 31 de julho de 2003, pela Lei Federal 10.708, que dispõe o auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes que tenham permanecido em longas internações psiquiátricas. Tem por objetivo a desinstitucionalização e o resgate da cidadania das pessoas portadoras de transtornos mentais submetidas à privação da liberdade nos hospitais psiquiátricos, contribuindo para o processo de inserção social previsto na Política Nacional de Saúde Mental. NASF/ESF em articulação com a saúde mental Após conferir alguns dos serviços que integram a rede de saúde mental, agora, para atender ao objetivo desse tópico, focaremos os principais pontos relacionados à NASF/ESF em articulação com a saúde mental. Vamos lá? A Atenção Primária à Saúde é caraterizada por um conjunto de conhecimentos e procedimentos, e necessita de uma intervenção em diversos aspectos para que cumpra seu objetivo de atender e gerar qualidade de vida à população, pois também é responsável pela continuidade e pelo acompanhamento da assistência. Sendo a ESF a porta de entrada prioritária da Atenção Primária à Saúde e consequentemente ao sistema de saúde de uma forma geral, ela necessita de apoio para ampliar a abrangência e a resolutividade da grande demanda que absorve da população. Por esse motivo, o Ministério da Saúde criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) em janeiro de 2008. Confira mais detalhes a seguir: NASF O NASF é considerado apoio da ESF e deve ser composto por uma equipe de profissionais de diferentes áreas de conhecimento, que atuam de maneira integrada com os profissionais das Equipes de Saúde da Família, compartilhando e apoiando as práticas em saúde nos territórios sob responsabilidade das equipes. Essa equipe de profissionais deve ser definida pelos gestores municipais e ESFs, por intermédio dos critérios e prioridades identificados na população local (BRASIL, 2010). ESF A atuação do NASF é desenvolvida sempre sob encaminhamento da ESF. Ele é composto por nove áreas estratégicas, sendo elas: saúde da criança, do adolescente e do jovem; saúde mental; reabilitação da saúde integral da pessoa idosa; alimentação e nutrição; serviço social; saúde da mulher; assistência farmacêutica; atividade física e práticas corporais; e práticas integrativas e complementares (BRASIL, 2010). A Atenção Primária à Saúde é um dos serviços que integra a Rede de Assistência à Saúde Mental, e visto que a ESF tem como principal função possibilitar o primeiro acesso das pessoas ao sistema de saúde, é importante que exista o trabalho compartilhado das ESFs com os profissionais dos NASFs. E, para que esse cuidado seja efetivo na Atenção Primária, foram criadas algumas diretrizes gerais para a atuação da Equipe de Saúde, que direcionam os profissionais na assistência aos pacientes com transtornos mentais. Atenção Algumas dessas diretrizes são: identificar, acolher e atender às demandas de saúde mental do território, os pacientes com transtornos mentais bem como seus familiares devem ter acesso ao cuidado em saúde mental o mais próximo possível do seu local de moradia. Durante esse acolhimento devem ser priorizados os casos mais graves, que necessitam de cuidados imediatos. É importante que o cuidado, o tratamento e as intervenções sejam realizados a partir do contexto familiar e comunitário, ou seja, é necessário que a família seja parceira no processo de cuidado. É fundamental a articulação do cuidado integral em ações de prevenção, promoção, tratamento e reabilitação, garantindo a continuidade do cuidado pelas equipes de Saúde da Família, seguindo estratégias construídas de forma interdisciplinar (BRASIL, 2010). Por atuarem diretamente com a população, visitando os lares, as ESFs podem se deparar com a violência e situações de risco psicossocial que necessitam de intervenção urgente. Como história de múltiplas internações psiquiátricas sem tratamento extra-hospitalar; uso de medicação psiquiátrica por longo tempo sem avaliação médica; problemas graves relacionados ao abuso de álcool e outras drogas; e situações graves — como cárcere privado, abuso ou negligência familiar, maus-tratos e abuso sexual de crianças e adolescentes; além de outras evidências de violência intrafamiliar, tentativas de suicídio e situações de extremo isolamento social. Todos esses cenários também conferem um importante componente de sofrimento psíquico. A seguir entenda um pouco mais sobre esse assunto: Demanda espontânea Na demanda espontânea, quando a população procura a Unidade de Saúde, é frequente que essas pessoas apresentem vários problemas, sejam eles psicológicos, físicos ou sociais, podendo existir quadros depressivos, ansiosos, de somatização e abuso de substâncias. Isso aponta para a importância das ações de saúde mental na Atenção Primária, e para a detecção e a capacidade resolutiva para o tratamento das pessoas com transtornos mentais, bem como desenvolvimento de ações preventivas e de promoção à saúde. Visitas domiciliares Para que toda essa demanda, espontânea ou identificada nas visitas domiciliares, seja atendida, a articulação entre as equipes da ESF e do NASF é essencial. Por isso, o caderno de atenção de diretrizes do NASF norteia as ações conjuntas direcionadas à saúde mental dos profissionais dessas esquipes. Responsabilidade A primeira dessas ações conjuntas é a responsabilidade pelo cuidado aos usuários de saúde mental do território, que deve ser compartilhada entre as equipes de Saúde da Família, o NASF e os demais serviços de saúde mental vistos anteriormente, nos quais o atendimento conjunto por meio de consultas nas unidades, nos domicílios, e outros espaços da comunidade, deve ser promovido. Atenção Outra ação importante é o planejamento da situação de saúde mental da população do território, onde se deve identificar os problemas mais frequentes. E isso pode ser articulado por meio de reuniões interdisciplinares para discussão de casos e educação permanente. Atente-se, a seguir, sobre algumas definições importantes sobre o NASF e o ESF: NASF/ESF em articulação com a saúde mental Neste vídeo, você conhecerá um pouco mais sobre como funciona o NASF/ESF articulado com a saúde mental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Rede de saúde mental Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Programa de volta para casa Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O/A __________, apoiado(a) na lei 10.216/02, busca um modelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária. Isso é, estabelece a mudança do modelo de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade. Articulação O NASF também promove a articulação e a integração da ESF com os serviços especializados, principalmente com os CAPS, a partir da organização do fluxo de atendimento das especialidades. Por exemplo, em casos graves — que precisam de acompanhamento de saúde mental de maior complexidade, porém permanecem a nível de consultas de atenção primária por questões vinculares, geográficas e socioeconômicas —, mostra-se a importância dessa articulação, fazendo com que o NASF cumpra seu papel de núcleo de apoio. Intervenção Portanto, as ações de saúde mental desenvolvidas pelos profissionais do NASF são muitoimportantes, pois têm como objetivo o aumento das possibilidades de intervenção e de resolutividade das equipes de saúde da família em relação aos problemas de saúde mental do seu território, promovendo a ampliação do cuidado, o tratamento e a reabilitação do paciente portador de transtorno mental. A Política Nacional de Saúde Mental. B Núcleo de Apoio à Saúde Mental. C Núcleo de Apoio à Saúde da Família. D Saúde Mental. E Sistema Único de Saúde. A alternativa A está correta. A Lei 10.216/02 dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Portanto, somente a letra A se caracteriza como a resposta correta. O Núcleo de Apoio à Saúde Mental não existe, porém, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) tem como objetivo apoiar a consolidação da Atenção Básica no Brasil, ampliando as ofertas de saúde na rede de serviços, e uma das estratégias do núcleo é a saúde mental. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o sistema de saúde do Brasil que garante acesso integral, universal e gratuito a serviços de saúde. Questão 2 Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs) foram criados com o objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Básica, bem como sua resolutividade. Marque a resposta que contenha afirmativas sobre o NASF. I — Os NASFs são constituídos por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, que devem atuar de maneira integrada e apoiando os profissionais das equipes de Saúde da Família. II — O Ministério da Saúde criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), mediante a Portaria GM nº 154. III — O NASF é composto por oito áreas estratégicas. São elas: saúde da criança, do adolescente e do jovem; saúde mental; reabilitação e saúde integral da pessoa idosa; alimentação e nutrição; serviço social; saúde da mulher; assistência farmacêutica; atividade física e práticas corporais. A Apenas a alternativa I está correta. B Apenas a alternativa III está correta. C As afirmativas I e II estão corretas. D As afirmativas I e III estão corretas. E As afirmativas II e III estão corretas. A alternativa C está correta. I — A afirmativa está correta, os NASFs, além de serem compostos por profissionais de diferentes áreas, devem atuar em conjunto com a ESF. II — A afirmativa está correta, a Portaria GM nº154, de 24 de janeiro de 2008, criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família. III — A afirmativa está incorreta, pois o NASF é composto por nove áreas estratégicas. Faltando assim, na questão, as práticas integrativas e complementares. 4. Conclusão Considerações finais A Estratégia da Saúde da Família possibilita uma relação de longa duração entre a equipe de saúde e os usuários, sendo assim, o foco da atenção deve ser a pessoa e não a doença. O acolhimento é uma das formas de estender essa relação, não só ouvindo suas necessidades, mas percebendo aquilo que muitas vezes não é dito. Muitas são as atribuições do profissional que atua nessa área, como: prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, produzir saúde. A abordagem da ESF na melhoria da qualidade de vida da população vem trazendo resultados que consolidam esse campo de trabalho para os profissionais de saúde e principalmente para o enfermeiro. A Enfermagem é uma formação que proporciona uma grande variedade de especializações que se enquadram nos muitos perfis de profissionais da área. E, no campo da Atenção Básica à Saúde, é um profissional indispensável. O Brasil é composto por muitas equipes de Saúde de Família e, com o financiamento e o avanço da Atenção Básica de Saúde por meio de seus programas e do suporte das Redes Básicas de Saúde, esse número continua crescendo, o que torna primordial para os profissionais enfermeiros a busca de conhecimento na área da saúde coletiva. Podcast Neste podcast, você conhecerá um pouco mais sobre os principais pontos relacionados à organização da ESF e o trabalho no cotidiano da saúde coletiva. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Procure ler os artigos que exploram mais profundamente a construção da Estratégia da Saúde da família e o papel do enfermeiro na assistência à Estratégia da Saúde da família. São eles: BRODANI JÚNIOR, D. A., HECK R. M., CEOLIN T. Atividades gerenciais do enfermeiro na estratégia de saúde da família. Rev. Enferm. UFSM 2011 Jan/Abr;1(1):41–50. LOPES, O. C. A., HENRIQUES, S. H., SOARES, M. I., CELESTINO, L. C., LEAL, L. A. Competências dos enfermeiros na saúde da família. Rev. Esc. Anna Nery 2020; 24(2): e20190145. Referências AGUIAR, Zenaide Neto. SUS: Sistema Único de Saúde — antecedentes, percurso, perspectivas e desafios. São Paulo: Martinari, 2011. BRASIL. Lei n. 8080 de 19 setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 1990. BRASIL. Lei n. 8142/90. Dispõe sobre a responsabilidade da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 1990. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 110 p. : il. (Série E. Legislação em Saúde). BRASIL. Portaria GAB/MS nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e para o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Brasília: Diário Oficial da União, 2011. BRASIL. Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Diário Oficial da União, 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual de estrutura física das unidades básicas de saúde: saúde da família. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 52 p.: il. color — (Série A. Normas e Manuais Técnicos). BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. 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