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CASO 1 – MEDIASTINITE, ENDOCARDITE, PERICARDITE E MIOCARDITE 1. Mediastinite Mediastinite = processo inflamatório do mediastino, região central do tórax. Etiologias de mediastinite: • Cirurgias • Perfuração de órgãos adjacentes (ex. perfuração esofágica) • Contiguidade • Causa descendente (ex. infecções de cabeça e pescoço que desceram pelas fáscias musculares, como as infecções odontogênicas em 40-60% dos casos) • Causa ascendente Manifestações clínicas: • Dor torácica • Febre alta • Toxemia • Disfagia • Odinofagia Diagnóstico: ✓ Padrão-ouro: tomografia de tórax ✓ Outras opções: RX e RM Tratamento: 1. Coletar hemocultura 2. Fazer AB empírica 3. Acionar a cirurgia torácica, se necessário 4. Internação em UTI para observação Piperacilina + tazobactam Metronidazol + clindamicina Meropenem ou imipenem Vancomicina + tazobactam Prevenção: ✓ Medidas pré-operatórias ✓ Medidas intra-operatórias ✓ Medidas pós-operatórias 2. Endocardite infecciosa Endocardite infecciosa = infecção da superfície endocárdica do coração. Fatores de risco: idosos, imunossuprimidos, usuários de drogas IV, pacientes neoplásicos, pacientes em hemodiálise, hepatopatas crônicos, acessos de longa duração, próteses valvares, implantes cardíacos, malformações congênitas... Agentes etiológicos: • Estreptococos: especialmente do grupo viridans (S. bovis, S. mitis, S. salivaris, S. mutans), relacionados à endocardite de evolução subaguda • Enterococos: E. faecalis e E. faecium apresentam evolução subaguda • Estafilococos: S. aureus e S. epidermidis, relacionados à endocardite de evolução aguda, tendem a causar fenômenos embólicos frequentes e apresentam maior grau de lesão valvar • Gram-negativos: comuns em endocardites hospitalares, com pior prognóstico • Grupo HACEK: -5% dos casos • Fungos: Candida sp., mais comum em imunossuprimidos e usuários de drogas IV, causando endocardite com vegetações grandes e prognóstico ruim Acometimento valvar: • Valva mitral – 28-45% dos casos • Valva aórtica – 5 a 36% dos casos • Valvas mitral e aórtica – 0 a 35% dos casos • Valvas tricúspide e pulmonar – menos de 5% dos casos Fatores que predispõe ao desenvolvimento de endocardite: 1. Alteração anatômica do endocárdio 2. Lesão que induz a agregação plaquetária e eventos trombóticos (endocardite trombótica não infecciosa) a. Se houver infecção, pode haver a colonização do trombo e a endocardite infecciosa Manifestações clínicas: • Acometimento valvar e surgimento de novos sopros em 85% dos casos • Eventos trombóticos, em 1/3 dos casos, especialmente em infecções estafilocócicas • Bacteremia intermitente: febre, calafrios, tremores, perda de peso, anorexia e sudorese • Fenômenos imunológicos: Manchas de Janeway, Nódulos de Osler, petéquias em pele e conjuntiva ocular, Manchas de Roth e insuficiência renal aguda pela deposição de imunocomplexos Diagnóstico: ✓ Critérios maiores de Duke ✓ Critérios menores de Duke ✓ Hemograma (anemia, plaquetopenia, leucocitose e elevação da PCR) ✓ Urina (proteinúria e hematúria) ✓ Hemocultura (+ exceto para grupo HACEK) ✓ Ecocardiograma transtorácico (S = 60-70%) ✓ Ecocardiograma transesofágico (S = 90%) Tratamento: • Estreptococos do grupo viridans: penicilina • Enterococos: penicilina + aminoglicosídeo (estreptomicina, gentamicina ou amicacina) • Enterococos resistente à penicilina: vancomicina • S. aureus:: oxacilina • MRSA: vancomicina • Fungos: anfotericina B Profilaxia: Feita em pacientes de moderado e alto risco: ✓ Amoxicilina ✓ Ampicilina ✓ Cefazolina ✓ Ceftriaxona ✓ Cefalexina ✓ Azitromicina ✓ Claritromicina ✓ Doxiciclina 3. Pericardite Pericardite = inflamação aguda dos folhetos pericárdicos caracterizada por dor precordial, alterações no ECG e atrito pericárdico. ➢ Pode haver efusão pericárdica (derrame pericárdico) ➢ Acomete predominantemente homens de 20-50 anos Manifestações clínicas: • Dor torácica – intensa, em facada, que piora com a respiração e pode durar de horas a dias • Atrito pericárdico • Derrame pericárdico • Alterações no ECG • Febre • Dispneia • Tosse • Taquicardia ‼ Sinal da prece maometana: alívio da dor com a postura de prece maometana. Etiologia: • Vírus: Adenovírus, Coxsackie A e B, Echovirus, EBV, Influenza... • Bactérias: Haemophilus, Leoginella, Staphylococcus, Streptococcus, micobactérias... • Fungos: Aspergillus sp., Candida sp. ... • Causa aguda idiopática (etiologia predominante) • IAM • Neoplasias • Drogas/medicamentos • Febre reumática • ... Diagnóstico: • ECG o 1º: supra de ST difuso, exceto em aVR e V1 o 2º: depressão do segmento PR o 3º: inversão difusa da onda T o 4º: ECG normal Outros exames complementares: • Hemograma (leucocitose) • PCR (elevação) • VHS • Hemoculturas • Enzimas cardíacas Tratamento: A maioria dos casos é autolimitada e apresenta bom prognóstico, sendo utilizado apenas analgésicos simples ou opioides e AAS de 300-600mg, a cada 4/6h por 7 dias. ✓ Se o paciente não responder ao tratamento: indometacina 25-75 mg de 6/6h ✓ Pericardite bacteriana: AB em altas doses + cirurgia, se necessário ✓ O uso de corticosteroides é restrito para pericardite autoimune ou recorrente, ou pode ser usado como adjuvante em pacientes muito sintomáticos Complicações da pericardite aguda: Tamponamento cardíaco ➢ SS: taquicardia, turgência jugular, abafamento de bulhas cardíacas, hipotensão arterial e pulso paradoxal ➢ Tríade de BECK: turgência jugular, abafamento de bulhas cardíacas e hipotensão arterial Pericardite fibrinosa ➢ Exsudato fibrinoso recobrindo o pericárdio 4. Miocardite Miocardite = inflamação do músculo miocárdio que pode estar associada a disfunção cardíaca, infiltrado inflamatório intersticial, necrose focal e edema de interstício. ➢ É imunomediada Agentes etiológicos: • Vírus: Coxsackie A e B, ECHO, gripe, Arbovírus • Bactérias: Salmonella typhi, Neisseria meningitidis • Protozoários: Trypanossoma cruzi e Toxoplasma gondii • Etiologia autoimune: LES, esclerodermia • Drogas e fármacos Patogênese: 1. Resposta a um agente infeccioso, em geral um vírus 2. Ativação de células NK 3. Produção de TNF-alfa e IFN-gama 4. Recrutamento de linfócitos T 5. Destruição dos Ags próprios do miocárdio, como exacerbação da resposta imune O pico da resposta imunológica ocorre de 4 a 14 dias do contato com o vírus. Em geral, o prognóstico é bom e a recuperação é espontânea. Manifestações clínicas: • Febre • Diarreia • Tosse • Infecção de garganta • Cefaleia • Dispneia • Dor torácica • Aumento e desvio do ictus cordis • Choque cardiogênico Diagnóstico: • Hemograma e bioquímicos • Enzimas cardíacas • Sorologias • Autoanticorpos (se perfil autoimune) • Ecocardiograma (avalia disfunção global) • Cintilografia miocárdica (evidencia inflamação) • RM cardíaca (auxilia no diagnóstico) • Biópsia endomiocárdica (fornece evidências do agente etiológico e é o padrão-ouro) Utilizamos os critérios de Dallas como critérios anatomopatológicos: Necrose e/ou degeneração na ausência de doença coronariana com infiltrado inflamatório e fibrose = Miocardite Tratamento: ✓ Enalapril (IECA) ✓ Losartana (BRA) ✓ Carvedilol (beta-bloqueador) ✓ Furosemida (diurético de alça) ✓ Espironolactona (diurético poupador de K+)