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Capítulo 2 FIOS E AGULHAS CIRÚRGICAS Maria Clara S. B. Pereira / Márcio Rivison Desde aproximadamente 2.000 a.C. existem referências evidenciando o uso de barbantes e tendões de animais para suturar. Através dos séculos, uma grande variedade de materiais tem sido usados na confecção de fios para procedimentos cirúrgicos, tais como: seda, linho, algodão, crina de cavalo, tendões de animais e intestinos. Contudo, alguns destes ainda são utilizados hoje em dia. A evolução dos materiais de sutura nos trouxe para um ponto de refinamento que inclui o desenvolvimento de suturas e fios especiais para tipos específicos de procedimentos. Sendo assim, eliminou-se algumas das dificuldades encontradas no passado pelos cirurgiões e, também, diminuiu-se substancialmente o potencial de infecção pós-operatória. Definição: Os fios cirúrgicos são usados na seqüência do ato operatório, na hemostasia definitiva de vasos sanguíneos seccionados e na sutura de diversos órgãos e planos anatômicos do corpo. É uma porção de material, sintético ou derivado de fibras vegetais ou estruturas orgânicas, flexível, de secção circular com diâmetro muito reduzido em relação ao comprimento. Destina-se à contenção ou fixação de estruturas orgânicas ou elementos usados em cirurgia através de suturas ou nós. Características do fio ideal: • Grande resistência a tração e torção • Calibre fino e regular • Mole, flexível e pouco elástico • Ausência de reação tecidual • Esterilização Fácil • Resistente à esterilizações repetidas • Custo baixo Tais condições não são alcançadas por nenhum tipo de fio devido às múltiplas condições orgânicas e as situações variadas para as quais é destinado. Por isso, para cada finalidade de uso, existe um fio mais indicado, que melhor se adapta àquela função especifica. Classificação dos fios (quadro 1): São classificados em três grandes grupos. 1. Permanência temporária ou indefinida dentro dos tecidos no organismo. 2. Origem 3. Estrutura ou configuração física è Quanto à permanência no organismo: Absorvíveis: Quando desaparece na intimidade dos tecidos, num período variável de tempo, que se estende geralmente de uma semana a alguns meses. Podem ser de origem animal ou sintética. São eles: categute simples ou cromado, o colágeno, o ácido poliglicólico (Dexon), o poliglactin (Vicryl) e o polidioxanone (PDS). Inabsorvíveis: Permanecem indefinidamente nos tecidos, embora possam sofrer alterações em sua estrutura. Podem ser de origem animal, vegetal, sintética e metálica. Os Principais são: algodão, a seda, o náilon (Mononylon), o dácron (Mersilene), o polipropilene (Prolene) e o aço inoxidável. A seda deve ser considerada um fio de absorção lenta embora classificada por muitos como fio inabsorvível. è Quanto à Origem: Biológicos - Animal ou vegetal; Sintéticos e Metálico è Quanto a sua estrutura ou configuração básica (figura 1): Monofilamentares- Fabricados sob a forma de um único filamento, são em geral menos maleáveis do que os fios compostos por vários filamentos torcidos e enrolados entre si. Ex: categute simples e cromado, o colágeno, o náilon, o polipropilene. Multifilamentares- Recebem este nome porque apresentam-se trançados ou torcidos, o que lhes confere maior flexibilidade e manuseio mais fácil do que os primeiros, embora sejam mais traumatizantes e ásperos ao passarem através dos órgãos e tecidos do organismo. Ex: Algodão, Seda, Náilon, dácron, aço inoxidável, o ácido poliglicólico e o poliglactin. Figura 1: Fio monofilamentar; fio multifilamentar torcido; fio trançado simples e fio trançado revestido. Lembre-se! v Disponíveis como monofilamentares e multifilamentares: Náilon e o aço inoxidável. v Unicamente monofilamentares: Categute simples e cromado, colágeno, polidioxanone e o polipropilene. v Apenas sob a forma trançada: Algodão, seda, dácron, o ácido poliglicólico e o poliglactin. Quadro 1- característica dos fios Calibre dos Fios: O diâmetro em décimos de milímetro é expresso numa escala que vai de 12 zeros, o mais fino, ao número 6 o de maior diâmetro. Os fios de calibre 4.0 são os mais habitualmente usados na pratica cirúrgica geral. Os calibres 5.0 a 7.0 são usados para suturas vasculares e de outras estruturas delicadas. Os calibres 8.0 à 12.0 têm maior aplicação em cirurgia oftalmológica e microcirurgia. A escolha do Fio: 1- Tecidos que se caracterizam por um processo cicatricial mais lento, como é o caso da pele, fáscia e tendões, geralmente são fechados com fios inabsorvíveis. 2- Em ferimentos potencialmente contaminados deve-se evitar os fios multifilamentares, os quais podem facilitar a transformação de um ferimento potencialmente contaminado em um infectado. 3- Em ferimentos potencialmente contaminados prefere-se fios monofilamentares ou absorvíveis. 4- Quando os resultados estéticos da sutura forem importantes usa-se os fios monofilamentares, dando sempre preferência para os mais inertes e finos possíveis, como, por exemplo, o mononylon ou o polipropilene. Nestes casos pode-se optar por suturas do tipo intradérmica, as quais não perfuram a epiderme e assim conseguem um melhor resultado estético. Lembrar que para que ocorra um adequado processo cicatricial existem algumas medidas a serem tomadas e outras a serem evitadas. Agulhas Cirúrgicas As agulhas são classificados de acordo com o tipo do buraco, eixo (corpo) e da ponta. O buraco da agulha deve ser projetado para causar o mínimo trauma para o tecido. Os melhores exemplos disso são as agulhas atraumáticas e são fabricadas com material de sutura já inserido. Agulhas cilíndricas causam pouco dano nos tecidos e por isso são utilizadas nos vasos sanguíneos, coração e no intestino Os tipos básicos de pontas de agulha são: corte e sem corte. São utilizadas conforme sua curvatura, 1/4 círculo (pele, olhos ou sutura dos tendões), 1/2 círculo (suturas ou fáscia muscular), 3 /8 círculo (fáscia, pele ou suturas gastrointestinais), e 5/8 círculo (músculo ou sutura urogenital). As agulhas são feitas em diferentes tamanhos. Agulhas convencionais cortantes são utilizadas para suturas firmes, em tecidos resistentes (pele, tecido subcutâneo, músculo e fáscias).