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GEOMETRIA ANALÍTICA
Olá!
São várias as situações que exigem a referência de coordenadas
cartesianas e polares de um ponto P. Costuma-se usar as coordenadas
cartesianas para definir a posição de um ponto (objeto) no espaço entre duas
dimensões (plano), enquanto as coordenadas polares servem para resolver
problemas que procuram, por exemplo, descrever a força gravitacional
exercida por um objeto, como o Sol. Em suma, as coordenadas polares
consistem em um esquema alternativo que visa identificar pontos P no plano.
Nesta aula, serão abordados os principais conceitos relacionados às
coordenadas cartesianas e polares, com alguns exemplos para melhor
fixação do conteúdo.
Bons estudos!
AULA 1 – COORDENADAS
CARTESIANAS E
POLARES
1 COORDENADAS CARTESIANAS E POLARES
Santos e Ferreira (2009) consideram que, para entender as coordenadas
cartesianas, deve-se estudar o conceito de produto cartesiano. Um produto entre
conjuntos quaisquer é definido do seguinte modo: dados os conjuntos A e B, o produto
cartesiano de A por B, denotado por A x B (lê-se “A cartesiano B”), é o conjunto
formado por todos os pares ordenados (a, b) a ∈ A e b ∈ B, ou seja: A x B = {(a, b)| ∀a
∈ A, ∀b ∈ B}. Para entender melhor, considere o seguinte exemplo: dados os conjuntos
A = {1, 3, 5} e B = {2, 3}, tem-se:
𝐴 𝑥 𝐵 = {(1,2)(1,3)(3,2)(3,3)(5,2)(5,3)}
𝐵 𝑥 𝐴 = {(2,1)(2,3)(2,5)(3,1)(3,3)(3,5)}
𝐴 𝑥 𝐴 = 𝐴2 = {(1,1)(1,3)(1,5)(3,1)(3,3)(3,5)(5,1)(5,3)(5,5)}
𝐵 𝑥 𝐵 = 𝐵2 = {(2,2)(2,3)(3,2)(3,3)}
Vale ressaltar que, se A possui uma quantidade m de elementos e B possui n
elementos, isso significa que A x B possui mn elementos, o mesmo acontece para B
x A. Se A ≠ B, então A x B ≠ B x A. Ademais, o produto cartesiano se estende para
qualquer número finito de conjuntos, isto é, dados A1, A2, ..., An, então, A1 x A2 x ... x
An = {(a1, a2, ..., an)|∀a1 ∈ A1, ∀a2 ∈ A2, ..., ∀an ∈ An}.
Em relação às coordenadas cartesianas na reta, é primordial saber que a reta
orientada é aquela onde se toma um sentido positivo de percurso, denotado por uma
flecha. Pode-se obter um sistema de coordenadas na reta da seguinte forma: sobre
uma reta orientada, toma-se um ponto arbitrário O, que será a origem do sistema de
coordenadas, ao qual se associa o número real 0.
No sentido positivo de orientação da reta, toma-se outro ponto arbitrário U,
onde se associa o número real 1, de modo que o comprimento do segmento seja a
unidade de comprimento do sistema de coordenadas. Observe a Imagem 1.
Imagem 1 – Sistema de coordenadas na reta
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
O exemplo acima demonstra que cada número real positivo a pode ser
associado a um único ponto A à direita de O, enquanto cada número real negativo b
pode ser associado a um único ponto B à esquerda de O. A bijeção estabelecida,
denotada por P(x), é denominada sistema de coordenadas na reta, e o número real x
recebe o nome de ponto P nesse sistema de coordenadas. Para debater sobre
distância e distância algébrica, observe a Imagem 2, que ilustra os pontos A(a) e B(b)
sobre um eixo real.
Imagem 2 – Pontos A(a) e B(b) sobre um eixo real
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
O comprimento do segmento AB é dado pela distância entre os pontos A e B,
representada por |AB|, e estabelecida como o módulo da diferença de suas
coordenadas: |AB| = |a – b| = |b – a|. Desse modo, a distância entre A e B é igual à
distância entre B e A, ou seja, o comprimento do segmento AB é igual ao comprimento
do segmento BA, então, |AB| = |BA|.
Todavia, o comprimento algébrico do segmento orientado AB é dado pela
distância algébrica entre os pontos A e B, denotada por 𝐴𝐵̅̅ ̅̅ , definida como a diferença
entre a coordenada da extremidade e a coordenada da origem do segmento orientado,
isto é: 𝐴𝐵̅̅ ̅̅ = 𝑏 − 𝑎. Analogamente, o comprimento algébrico do segmento orientado
BA é dado pela distância algébrica 𝐵𝐴̅̅ ̅̅ , isto é: 𝐵𝐴̅̅ ̅̅ = 𝑎 − 𝑏. Vale notar que 𝐴𝐵̅̅ ̅̅ = −𝐵𝐴̅̅ ̅̅ .
Observe o seguinte exemplo: dados os pontos A(-8), B(7) e C(10), como mostra a
Imagem 3, tem-se o seguinte:
Imagem 3 – Pontos A(-8), B(7) e C(10) sobre uma reta
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
|𝐴𝐵| = |𝐵𝐴| = |7 − (−8)| = |−8 − 7| = 15
|𝐴𝐶| = |𝐶𝐴| = |10 − (−8)| = |−8 − 10| = 18
𝐴𝐵̅̅ ̅̅ = 7 − (−8) = 7 + 8 = 15
𝐵𝐴̅̅ ̅̅ = −8 − 7 = −15
𝐴𝐶̅̅ ̅̅ = 10 − (−8) = 10 + 8 = 18
𝐶𝐴̅̅ ̅̅ = −8 − 10 = 18
Um sistema de coordenadas cartesianas no plano estabelece uma bijeção
entre os pontos de um plano e os pares ordenados de números reais. Quando se fala
em bijeção, entende-se que cada elemento de um conjunto A corresponde a um único
elemento no conjunto B e vice-versa.
A título de exemplo, considere dois eixos reais perpendiculares entre si, cujas
origens coincidem em um ponto O, que funciona como a origem do sistema de
coordenadas cartesianas no plano e ao qual se associa o par ordenado (0,0). Um eixo
receberá o nome eixo das abscissas, enquanto o outro será denominado eixo das
ordenadas. A Imagem 4 demonstra essa construção.
Imagem 4 – Sistema de coordenadas cartesianas no plano
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
Observe que é possível associar um único ponto P do plano a qualquer par
ordenado de números reais (x,y). O ponto de interseção das duas retas é o ponto P
associado ao par ordenado (x,y), que está representado na parte b da Imagem 4. A
bijeção entre os pontos P e os pares ordenados (x,y) é indicada pela notação P(x,y).
Desse modo, o nome plano cartesiano é atribuído a um sistema de
coordenadas cartesianas no plano. A parte a da Imagem 4 demonstra que os dois
eixos dividem o plano em quatro regiões, chamadas de quadrantes.
Existe outra forma de localizar um ponto em um plano, mediante as
coordenadas polares. Esse sistema é formado por um semieixo real, denominado
eixo polar, e a origem recebe o nome de polo. Nesse sistema, um ponto P do plano é
localizado por meio de sua distância orientada r ao polo e por sua direção θ, dada pelo
ângulo formado entre o eixo polar e o segmento da reta que representa a distância r,
como mostra a Imagem 5.
Imagem 5 – Sistema de coordenadas polares
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
O par ordenado (r,θ) de números reais são as coordenadas polares do ponto P
e, para representar isso, usa-se a notação P(r,θ). A coordenada polar θ deve ser
expressa em radianos, caso ela seja positiva, o ângulo é tomado no sentido
trigonométrico (anti-horário), mas se for negativa, o ângulo é tomado no sentido anti-
trigonométrico (horário), como mostra a parte a da Imagem 6.
Vale saber também que a coordenada polar r também pode assumir valores
negativos. Nesse caso, o ponto tem direção oposta àquela indicada na coordenada
polar θ, isto é, as coordenadas polares (-r,θ) e (r,θ ± π) representam o mesmo ponto
no plano, como mostra a parte b da Imagem 6.
Por fim, vale lembrar que todo ponto do plano pode ser representado por
infinitos pares de coordenadas polares. As coordenadas polares (-r,θ), (r,θ ± π) e (r,θ
± 2kπ), k ∈ Z, representam o mesmo ponto, como mostra a parte c da Imagem 6.
Imagem 6 – Pontos nos sistemas de coordenadas polares
Fonte: Adaptado de Santos e Ferreira, 2009.
Diferente do sistema de coordenadas cartesianas, o de coordenadas polares
não define uma correspondência bijetora entre dois pontos do plano e os pares
ordenados de números reais, já que um dado ponto pode ser representado por infinitas
coordenadas polares diferentes. Mesmo assim, um par de coordenadas polares
representam um único ponto, sem qualquer ambiguidade. Uma função bijetora é
aquela onde todos os valores de y remetem a somente um valor de x.
SegundoRogawski (2009), as coordenadas polares formam um sistema
bidimensional onde cada ponto é definido por uma distância e um ângulo em relação
a um ponto fixo de referência. Esse ponto recebe o nome de polo e a semirreta do
polo na direção de referência se chama eixo polar.
Além disso, a distância a partir do polo é denominada coordenada radial ou
raio, enquanto o ângulo recebe o nome de coordenada angular ou ângulo radial.
Para compreender melhor, considere que será preciso encontrar duas representações
polares de P = (1,-1), uma usando uma coordenada radial positiva e a outra negativa.
No caso da coordenada radial positiva de P = (1,-1), ela é 𝑟 = √(−1)2 + 12 =
√2. Para encontrar essa coordenada angular, deve-se resolver a tangente do ângulo,
que é a razão entre o cateto oposto e o cateto adjacente a ele, portanto, a relação
tangente depende do ângulo considerado, veja:
tan 𝜃 =
𝑦
𝑥
= −1 → 𝜃 =
3𝜋
4
,
3𝜋
4
+ 𝜋 =
7𝜋
4
Como P fica no segundo quadrante, a coordenada angular apropriada para P é
𝜃 =
3𝜋
4
, como mostra a Imagem 7.
Imagem 7 – Representação da coordenada angular de P
Fonte: Adaptado de Rogawski, 2009.
De forma alternativa, P pode ser representado com a coordenada radial
negativa 𝑟 = −√2 e ângulo 𝜃 =
7𝜋
4
. Assim:
𝑃 = (√2,
3𝜋
4
) 𝑜𝑢 (−√2,
7𝜋
4
)
1.1 Conversões entre sistemas
Em várias situações, compensa sobrepor um sistema de coordenadas
cartesianas xy ao sistema de coordenadas polares, de modo que o eixo x positivo
coincida com o eixo polar. Desse modo, cada ponto P terá coordenadas cartesianas
(x,y) e coordenadas polares (r,θ). A Imagem 8 demonstra que as coordenadas estão
relacionadas pelas equações x = r cos θ, y = r sin θ. Tais equações possibilitam
encontrar x e y quando forem dados r e θ.
Imagem 8 – Coordenadas
Fonte: Adaptado de Anton, Bivens e Davis, 2014.
Para encontrar r e θ a partir de x e y, é recomendável usar as identidades sin²
θ + cos² θ = 1 e tan θ = sin θ/cos θ para reescrever x = r cos θ, y = r sin θ, como r² =
x² + y², tan θ = y/x. Observe os seguintes exemplos de conversão: no primeiro, deve-
se encontrar as coordenadas cartesianas do ponto P cujas coordenadas polares são
(6,
2𝜋
3
), como mostra a Imagem 9.
Imagem 9 – Coordenadas polares (6,
2𝜋
3
)
Fonte: Adaptado de Anton, Bivens e Davis, 2014.
Para resolver esse problema, o primeiro passo é pegar a equação x = r cos θ,
y = r sin θ e substituir as coordenadas polares r = 6 e 𝜃 =
2𝜋
3
, a fim de obter:
𝑥 = 6 cos
2𝜋
3
= 6 (−
1
2
) = −3
𝑦 = 6 sin
2𝜋
3
= 6 (
√3
2
) = 3√3
Portanto, as coordenadas cartesianas de P são (-3, 3√3). No próximo exemplo,
deve-se encontrar as coordenadas polares do ponto P cujas coordenadas cartesianas
são (-2, −2√3), como mostra a Imagem 10.
Imagem 10 – Coordenadas cartesianas (-2, −2√3)
Fonte: Adaptado de Anton, Bivens e Davis, 2014.
Para a resolução do problema, será preciso encontrar as coordenadas polares
(r,θ) de P que satisfaçam as condições r > 0 e 0