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ATLAS HEMATOLÓGICO Hematologia básica e clínica Biomedicina - 5° Semestre Andressa Marques (@ji9study) 2025 1.0 Células jovens 1.1 Mieloblasto Mieloblastos Mieloblastos Características morfológicas Tamanho: Célula grande (15 - 20 µm); Forma: Geralmente arredondada ou ligeiramente oval; Núcleo: · Cromatina: Finamente dispersa, aspecto delicado e homogêneo (“aberto”); · Nucléolos: 2 a 5, bem evidentes; Citoplasma: · Basofilia: Moderada à intensa (cor azulada); · Granulações: Ausentes ou raros grânulos azurófilos (diferente do promielócito, que já exibe grânulos primários. · Auer rods: Presentes em alguns casos patológicos (bastonetes citoplasmáticos vermelho vivo, específicos de LMA). Diferenciação do mieloblasto Mieloblasto tipo I: Sem grânulos citoplasmáticos; Mieloblasto tipo II: Com poucos grânulos azurófilos; Função É a célula mais imatura da linhagem mieloide, responsável por originar os granulócitos através da diferenciação em promielócitos, mielócitos e metamielócitos. Sua proliferação é regulada por citocinas como GM-CSF e G-CSF. Patologias associadas Leucemia mieloide aguda (LMA): · Diagnóstico quando >20% de mieloblastos estão presentes na medula óssea ou no sangue periférico; · Auer rods são patognomônicos de LMA; · LMA sem maturação (M1): Predomínio de mieloblastos tipo I; · LMA com maturação (M2): Mieloblastos tipo II e presença de promielócitos / mielócitos. Síndromes mielodisplásicas (SMD): Aumento de blastos (5 - 19%) associado a displasia em outras linhagens. Crise blástica de leucemia mieloide crônica (LMC): Transformação aguda da LMC com explosão de mieloblastos na medula. Reações inflamatórias graves: Aumento reacional e transitório de blastos (raro, mas descrito em sepse ou estresse medular extremo). 1.2 Promielócito Promielócitos Promielócitos Características morfológicas Tamanho: Célula grande (15 - 25 µm), geralmente maior que o mieloblasto; Núcleo: · Cromatina: · Nucléolos: · Forma: Redondo ou oval, podendo apresentar um achatamento inicial em um dos polos; Citoplasma: · Basofilia: Moderada, mas menos intensa que a do mieloblasto; · Granulações: · Primárias (azurófilas): Abundantes, grossas e coradas em roxo-avermelhado; · Secundárias (específicas): Ainda não estão presentes (surgem no mielócito); Aparência geral: Citoplasma mais granular que o do mieloblasto, mas sem a segmentação nuclear dos estágios posteriores. Diferenciação do promielócito Promielócito precoce: Granulações menos numerosas; Promielócito tardio: Granulações mai abundantes e citoplasma menos basofílico; Função Estágio de síntese ativa de grânulos primários: Contêm enzimas como mieloperoxidase (MPO), lisozima e proteínas bactericidas, essenciais para a função dos granulócitos maduros (neutrófilos, eosinófilos e basófilos); Precursor direto do mielócito: Inicia a formação de grânulos secundários (específicos) nos estágios seguintes; Patologias associadas Leucemia promielocítica aguda (LMA - M3 ou APL): · Características: · Acúmulo de promielócitos anormais na medula (>20% de blastos + promielócitos atípicos); · Células com granulações abundantes e frequentemente Auer rods múltiplos (“bastonetes de fagocitose”); · Núcleos bilobados ou em “ferradura” (típico da LMA - M3); · Alteração genética: Translocação t(15;17), que forma o gene de fusão PML - RARA (diagnóstico confirmado por PCR ou citogenética); · Risco elevado de coagulação intravascular disseminada (CIVD) devido à liberação de fatores pró-coagulantes pelos grânulos. Síndromes mielodisplásicas (SMD): Promielócitos podem apresentar displasia (granulações anormais, núcleos irregulares); Reações infecciosas / Inflamatórias graves: Aumento reacional de promielócitos na medula (porém sem atipias); 1.3 Mielócito Mielócitos Mielócitos Características morfológicas Tamanho: 12 - 18 µm (menor que o promielócito); Núcleo: · Cromatina: Mais condensada que no promielócito, porém ainda não segmentada; · Forma: Redondo ou oval, excêntrico; · Nucléolos: Geralmente ausentes; Citoplasma: · Basofilia: Reduzida; · Granulações: · Grânulos secundários (específicos): Surgem nesta fase (neutrofílicos, eosinofílicos ou basofílicos, dependendo da linhagem); · Grânulos primários (azurófilos): Persistem, mas em menor quantidade. Classificação Mielócito neutrofílico: Grânulos finos cor de rosa (neutrófilos); Mielócito eosinofílico: Grânulos grandes, alaranjados (eosinófilos); Mielócito basofílico: Grânulos grosseiros, azul escuros (basófilos). Função Estágio intermediário da granulopoiese: · Produz grânulos secundários específicos (enzimas, proteínas antimicrobianas); · Perde capacidade proliferativa (diferente do promielócito, que ainda pode se dividir); Patologias associadas Leucemias mieloides agudas (LMA): · Presença de mielócitos displásicos ou bloqueio maturativo (ex.: LMA - M2); Síndromes mielodisplásicas (SMD): · Mielócitos com displasia (granulações anormais, núcleos bilobados); Infecções/Processos inflamatórios graves: · Aumento reacional de mielócitos na medula (e, raramente no sangue periférico - desvio à esquerda). 1.4 Metamielócitos Metamielocito neutrófilo Metamielocito eosinófilo Metamielocito basófilo Metamielocito neutrófilo Características morfológicas Tamanho: 10 - 15 µm (menor que o mielócito); Núcleo: · Forma: Em ferradura ou rim; · Cromatina: Mais condensada que no mielócito; · Nucléolos: Ausentes; Citoplasma: · Cor: Rosa pálido (basofilia minima); · Granulações: · Neutrofílicas: Finas e róseas; · Eosinofílicas: Grandes e alaranjadas; · Basofílicas: Grosseiras e azul escuras; Diferenciação Mielócito: Núcleo redondo/oval, sem indentação; Bastonete: Núcleo alongado em forma de “S” ou “C”; Segmentado: Núcleo com constrições completas; Função Estágio final da maturação granulocítica antes da formação do granulócito maduro. Perde completamente a capacidade proliferativa. Acúmulo de proteínas específicas nos grânulos. Aspectos clínicos Desvio à esquerda regenerativo: · Aumento de metamielócitos no sangue periférico em infecções; · Resposta medular normal a estímulos inflamatórios; Desvio à esquerda degenerativo: · Presença de metamielócitos com alterações displásicas; · Observado em síndromes mielodisplásicas; Leucemias: · Bloqueio maturativo pode levar a acúmulo de metamielócitos na medula; · Na LMC, podem aparecer no sangue periférico; Importância diagnóstica Presença no sangue periférico indica estresse medular; Avaliação quantitativa importante em: · Infecções bacterianas; · Processos inflamatórios; · Neoplasias mieloides; 1.5 Neutrófilo bastonete Neutrófilo bastonete Neutrófilo bastonete Neutrófilo bastonete Características morfológicas Tamanho: 10 - 15 µm (ligeiramente maior que o segmentado); Núcleo: · Forma: Alongado, em forma de “S”, “C” ou bastão (sem segmentação completa); · Cromatina: Grossa e condensada; · Constrição nuclear: A indentação é maior que 50% da largura do núcleo (diferente do metamielócito); Citoplasma: · Cor: Rosa claro; · Granulações: · Finas e numerosas (neutrofílicas); · Pode apresentar grânulos tóxicos em processos infecciosos; Função Estágio imediatamente anterior ao neutrófilo segmentado maduro; Já possui capacidade funcional de fagocitose e quimiotaxia; Circula no sangue periférico antes de completar a maturação final; Aspectos clínicos Desvio à esquerda: · Aumento de bastonetes no sangue periférico (>5% ou 500/µL; · Indica resposta medular ativa (infecções, inflamações); Granulações tóxicas: · Bastonete com grânulo mais escuros e proeminentes; · Sugerem processo infeccioso grave; Vacuolização citoplasmática: · Pode ocorrer em sepse grave; Patologias associadas Metamielócito: Núcleo em ferradura (indentaçãoSinais de alerta: · Bastonetes >10% (resposta medular intensa); · Presença de formas imaturas mais precoces (metamielócitos); 1.6 Neutrófilo segmentado Neutrófilo segmentado Neutrófilo segmentado Neutrófilo segmentado Características morfológicas Tamanho: 10 - 15 µm de diâmetro; Núcleo: · Segmentação: 2-5 lóbulos conectados por finos filamentos de cromatina; · Cromatina: Muito condensada, cor púrpura escura; · Sexo-cromatina: Em mulheres, pode apresentar o “drumstick” (apêndice nuclear em forma de raquete); Citoplasma: · Cor: Rosa claro à róseo; · Granulações: · Finas e numerosas (neutrofílicas); · Grânulos secundários específicos (contêm enzimas como fosfatase alcalina); · Grânulo terciários (contêm gelatinase); Variações fisiológicas: · Hipersegmentação: · 5 lóbulos nucleares; · Pode ocorrer em: Deficiência de vitamina B12 ou folato; Anemia megaloblástica; Idosos (alteração senil); · Pelger-Huët (anomalia hereditária): · Núcleo com segmentação reduzida (forma de “óculos”); Função Principal célula de defesa contra infecções bacterianas; Capacidades: · Fagocitose; · Morte microbiana via explosão oxidativa; · Liberação de enzimas lisossomais; · Formação de NETs (armadilhas extracelulares de neutrófilos); Alterações patológicas Neutrofilia (aumento): · Infecções bacterianas agudas; · Inflamações teciduais; · Estresse agudo; · Uso de corticoides; · Leucemia mieloide crônica; Neutropenia (redução): · Infecções virais; · Deficiências nutricionais; · Efeitos de droga/quimioterapia; · Aplasia medular; Alterações morfológicas Alterações morfológicas: · Grânulos tóxicos: Mais escuros e proeminentes (infecções graves); · Corpos de Döle: Inclusões azuis (RNA residual); · Vacuolização: Sepse grave; Importância clínica Primeira linha de defesa contra infecções agudas; Marcador inflamatório em hemogramas; Monitoramento de: · Quimioterapia; · Transplantes; · Doenças autoimunes; 2.0 Células maduras 2.1 Monócito Monócito Monócito Monócito Monócito Características morfológicas Tamanho: 12-20 µm (maior leucócito do sangue periférico); Núcleo: · Forma: Irregular, reniforme, lobulado ou em “ferradura”; · Cromatina: Fina, delicada, aspecto de “renda” ou “espongiose”; · Nucléolos: Geralmente não visíveis em coloração rotineira; Citoplasma: · Cor: Cinza-azulado (basofilia moderada); · Aspecto: Abundante, irregular, frequentemente vacuolizado; · Granulações: Finas e numerosas (azurófilas), menos evidentes que nos neutrófilos; Variações morfológicas: Monócitos ativados: · Citoplasma mais basofílico; · Vacuolização acentuada; · Pseudópodes evidentes; Formas jovens: · Núcleo mais redondo (em processos proliferativos); Função fisiológica Precursor dos macrfófagos teciduais (quando migra para os tecidos); Atividades imunológicas: · Fagocitose de microrganismos e detritos celulares; · Apresentação antigênica (células apresentadora de antígeno); · Produção de citocinas; Participação em processos: · Inflamação crônica; · Reparo tecidual; · Resposta imune adaptativa; Alterações patológicas Monocitose (aumento): · Infecções crônicas (tuberculose, endocardite bacteriana); · Doenças autoimunes (LES, artrite reumatoide); · Doenças mieloproliferativa; · Neoplasias (especialmente linfomas); · Síndromes mielodisplásicas; Monocitopenia (redução): · Aplasia medular; · Leucemia aguda; · Terapia com glucocorticoides; Alterações morfológicas Monócitos atípicos: · Tamanho aumentado; · Núcleo mais lobulado; · Citoplasma mais basofílico (comuns em infecções virais - “virócitos”) Células de reserva (estresse): · Granulações mais evidentes; · Vacuolização acentuada; Importância clínica Marcador de processos crônicos (ao contrário dos neutrófilos, que respondem a processos agudos); Monitoramento de: · Doenças infecciosas crônicas; · Doenças autoimunes; · Neoplasias hematológicas; 2.2 Linfócito Linfócito Tipos de Linfócitos Características morfológicas Tamanho: · Pequenos: 7-9 µm (mais numerosos); · Grandes: 10-15 µm (incluindo as formas ativadas); Núcleo: · Forma: Redondo ou ligeiramente indentado; · Cromatina: Densa e grosseira (aspecto de “blocos” ou “grumos”) · Nucléolos: Geralmente não visíveis em coloração rotineira; Citoplasma: · Escasso (formando um fino anel ao redor do núcleo); · Basofilia leve a moderada (azul claro; · Geralmente agranular, podendo apresentar raros grânulos azurófilos; Subpopulações principais Linfócitos T (70-80% dos linfócitos circulantes): · Responsáveis pela imunidade celular; · Subtipos: T-helper (CD4+), T-citotóxicos (CD8+); Linfócitos B (10-15%): · Responsáveis pela imunidade humoral (produção de anticorpos); · Quando ativadas, diferenciam-se em plasmócito; Células NK (5-10%): · Granulações citoplasmáticas mais evidentes; · Função citotóxica inata; Variações morfológicas fisiológicas Linfócitos atípicos (virócitos): · Tamanho aumentado; · Citoplasma mais abundante e basofílico; · Núcleo menos condensado; · Comuns em infecções virais (mononucleose, citomegalovírus) Linfócitos granulares grandes (LGL): · Citoplasma contendo grânulos azurófilos proeminentes; · Representam principalmente células NK; Alterações patológicas Linfocitose (aumento): · Infecções virais agudas; · Coqueluche; · Leucemia linfocítica crônica; · Linfomas; · Tireotoxicose; Linfocitopenia (redução): · Imunodeficiências; · Terapia com corticoides; · Radioterapia/quimioterapia; · Infecção por HIV; Alterações morfológicas importantes Linfócito “em favo de mel”: · Citoplasma espumoso (na doença de Niemann-Pick); Linfócitos com inclusões: · Corpos de Dutcher (em LLC); · Grânulos de mucina (em adenocarcinomas); Função: Linfócitos B Produção de anticorpos (imunidade humoral) · Diferenciam-se em plasmócitos para secretar imunoglobulinas (IgM, IgG, IgA, IgE, IgD); · Neutralizam vírus, toxinas e bactérias extracelulares. Apresentação de antígenos · Capturam e apresentam antígenos às células T via MHC-II. Memória imunológica · Formam células B de memória para respostas rápidas em reinfecções. Mecanismo de ação: · Reconhecem antígenos livres (via BCR - receptor de célula B); · Proliferam e sofrem hipermutação somática (nos centros germinativos de linfonodos). · Diferenciam-se em plasmócitos ou células de memória. Função: Linfócitos T T CD4+ (Helper): · Marcadores: CD3+, CD4+; · Função: Coordenam a resposta imune (secretam citocinas: IFN-y, IL-2, IL-4, IL-17); T CD8+ (Citotóxico): · Marcadores: CD3+, CD8+; · Função: Matam células infectadas por vírus ou tumorais (via perforina/granzima); T Reguladores (Treg): · Marcadores: CD4+, CD25+, FoxP3+; · Função: Suprimem respostas imunes excessivas (evitam autoimunidade); Mecanismo de ação: · Reconhecem antígenos via TCR (receptor de célula T) associado ao MHC (I para CD8+, II para CD4+); · Ativam outras células (macrófagos, B, NK), ou destroem alvos diretamente. Função: Células NK (natural killer) Imunidade Inata: · Destroem células infectadas ou tumorais sem prévia sensibilização; · Usam receptores ativadores (ex.: NKG2D) e inibidores (KIR); Citotoxicidade: · Liberam perforina e granzimas para induzir apoptose; · Secretam IFN-y para ativar os macrófagos; Importância clínica Marcador de infecções virais; Diagnóstico de desordens linfoproliferativas; Avaliação do estado imunológico; 2.3 Plasmócito Plasmócito Características morfológicas Tamanho: 10-20 µm (geralmente maior que um linfócito típico); Núcleo: · Posição: Excêntrico (deslocado para a periferia da célula); · Forma: Redondo ou oval, ocasionalmente bilobado; · Cromatina: Grosseira, em “roda de carroça” ou “paralelepípedos” (aspecto típico); · Nucléolos: Raramente visíveis em coloração rotineira. Citoplasma: · Basofilia intensa: Azul profundo (devido ao alto teor de RNA para síntese de imunoglobulinas); · Zona hialina perinuclear (“halo claro”): Área clara próxima ao núcleo (corresponde ao complexo de Golgi bem desenvolvido); · Vacúolos secretores: Podem estar presentes em células ativamente secretoras; · Incluões: ·Corpos de russell: Vacúolos eosinofílicos contendo imunoglobulinas armazenadas; · Inclusões cristaloides: Acúmulo cristalinos de proteínas. Origem e função Derivado de linfócitos B ativados (especialmente em resposta a antígenos); Principal função: Produção e secreção de anticorpos (imunoglobulinas); Localização normal: · Medula óssea (pequena quantidade, 10%, muitas vezes >30%); · Plasmócitos atípicos (núcleos multilobados, citoplasma irregular); · Produção de imunoglobulina monoclonal (pico no proteinograma). · Plasmocitoma: · Tumores localizados de plasmócitos (ósseo ou extramedular); · Macroglobulinemia de Walderström: · Proliferação de linfoplasmócitos (células intermediárias entre linfócitos e plasmócitos). Alterações morfológicas em doenças: · Células flamejantes: Citoplasma róseo avermelhado (acúmulo de glicoproteínas); · Plasmócitos binucleados/ multinucleados: Comuns em mieloma; · Plasmócitos de Mott: Células com múltiplos vacúolos (armazenamento de imunoglobulinas). Importância clínica Diagnóstico de discrasias plasmocitárias (ex.: mieloma múltiplo); Monitoramento de doenças autoimunes/inflamatórias; Identificação de reações infecciosas crônicas. 2.4 Eosinófilo Eosinófilo Características morfológicas Tamanho: 12 - 17 µm (ligeiramente maior que o neutrófilo); Núcleo: · Forma: Bilobado (em “óculos” ou “ferradura”) - raramente trilobado. · Cromatina: Condensada, porém menos que no neutrófilo; Citoplasma: · Cor: Rosa pálido de fundo; · Granulações: · Grânulos específicos: Grandes, uniformes e alaranjados; · Grânulos azurófilos: Poucos e pequenos (menos evidentes); · Membrana celular: Geralmente bem definida. Função fisiológica Resposta a alergias e parasitoses: · Libera mediadores como proteína básica maior (MBP) e peroxidase eosinofílica (EPO), tóxicos para parasitas. Modulação da inflamação: · Regula reações alérgicas através da degradação de histamina. Resposta a infecções: · Atua contra helmintos e alguns fungos. Alterações patológicas Eosinofilia (aumento de eosinófilos): · Causas mais comuns: · Alergias: Asma, rinite alérgica, dermatite atópica; · Parasitoses: Esquistossomose, ascaridíase, estrongiloidíase; · Doenças autoimunes: Granulomatose eosinofílica com poliangiite (Churg-Strauss) · Neoplasias: Leucemia mieloide crônica (LMC), linfoma de Hodgkin. · Eosinofilia grave (>1.500 células/µL): Síndromes hiper eosinofílicas (neoplasias ou idiopáticas). Eosinopenia (redução de eosinófilos): · Causas: Infecções agudas, estresse, uso de corticoides; Alterações morfológicas Grânulos fracamente corados: · Em casos de deficiência de mieloperoxidase; Vacuolização citoplasmática: · Em processos infecciosos graves; Eosinófilos hipersegmentados: · Em deficiência de vitamina B12/folato. Importância clínica Diagnóstico de alergia e parasitoses; Monitoramento de doenças mieloproliferativas; Sinal de alerta para síndromes hipereosinófilicas (risco de dano cardíaco e pulmonar). 2.5 Basófilo Basófilo Basófilo Características morfológicas Tamanho: 10 - 15 µm (similares aos neutrófilos); Núcleo: · Forma: Irregular, pouco segmentado (frequentemente em “S” ou trilobado); · Cromatina: Frouxa, menos condensada que nos outros granulócitos; · Nucléolos: Não visíveis em coloração rotineira; Citoplasma: · Cor: Rosa pálido (pode ser obscurecido pelos grânulos); · Granulações: · Grandes, grosseiras e irregulares; · Cor azul escura a roxa; · Frequentemente sobrepõem o núcleo; · Membrana celular: Pode apresentar projeções citoplasmáticas. Funções fisiológicas Resposta alérgica: · Liberação de histamina e heparina; · Expressão de IgE de alta afinidade (FceRI); Imunidade inata: · Resposta a parasitas; · Modulação da resposta imune; Angiogênese e reparo tecidual; Alterações patológicas Basofilia (aumento): · Doenças mieloproliferativas (LMC, policitemia vera); · Hipersensibilidades/alergias; · Infecções virais (varicela, influenza); · Doenças inflamatórias crônicas; Basopenia (redução): · Hipertireoidismo; · Uso de corticoides; · Estresse agudo; · Anafilaxia; Alterações morfológicas importantes Basófilos atípicos: · Granulações escassas ou ausentes (em algumas leucemias); · Tamanho aumentado (basófilos gigantes); Degranulação: · Grânulos menos evidentes (em reações alérgicas agudas); Importância clínica Marcador de doenças mieloproliferativas; Indicador de processos alérgicos; Monitoramento de terapia em LMC; 3.0 Inclusões em eritrócitos 3.1 Corpos de Howell Jolly Corpos de Howell Jolly Definição Inclusões eritrocitárias arredondadas, únicas e densas, remanescentes de fragmentos de cromatina nuclear não degradados durante a maturação dos eritrócitos; Características morfológicas Tamanho: 0,5 - 1 µm de diâmetro; Forma: Redonda e bem delimitada; Coloração: · Intensamente basofílica (roxa escura/preta); Quantidade: · Normal: 1 - 2% dos eritrócitos em recém nascidos; · Patológico: >2% em adultos. Fisiopatologia Formação: · Falha na expulsão completa do núcleo durante a eritropoiese; · Remoção incompleta pelo baço (asplenia/hipoesplenismo); Localização: · Exclusivamente em eritrócitos maduros (não presentes em reticulócitos). Causas de aumento Hipoesplenismo/asplenia: · Esplenectomia cirúrgica; · Atrofia esplênica (anemia falciforme, doença celíaca); Eritropoiese acelerada: · Anemias hemolíticas; · Anemia megaloblástica; · Pós-hemorragia aguda; Doenças congênitas: · Síndrome de DiGeorge; · Anemia diseritropoética; Importância clínica Marcador sensível de função esplênica: · Primeira alteração a aparecer após esplenectomia; · Última a desaparecer na regeneração esplênica; Diagnóstico diferencial: · Pappenheimer (contém ferro, corável co Perls); · Corpos de Heinz (precipitados de hemoglobina, corados com azul de metileno fresco). Associações clínicas relevantes Risco aumentado para: · Infecções encapsuladas (em asplênicos); · Trombose (em síndromes mieloproliferativas com esplenomegalia); Monitoramento: · Pacientes esplenectomizados; · Doenças com autoesplenectomia (anemia falciforme). 3.2 Pontilhado basófilo Pontilhados basófilos Definição Inclusões eritrocitárias compostas por agregados de ribossomos e RNA residual, que aparecem como pontinhos basofílicos dispersos no citoplasma de hemácias; Características morfológicas Aspecto: · Múltiplos pontos finos e azulados (basofílicos); · Distribuição irregular pelo citoplasma; · Tamanho variável (0,3 - 0,5 µm cada ponto); Coloração: · Mais evidentes com May-Grünwald-Giemsa; · Azul arroxeados em campo óptico claro; Distribuição celular: · Presentes em eritrócitos maduros e reticulócitos; · Melhor visualizados na periferia do esfregaço; Fisiopatologia Composição: · Agregados de ribossomos e RNA mitocondrial; · Resíduos de síntese proteica incompleta; Mecanismo de formação: · Alteração na maturação eritrocitária; · Defeito na degradação de organelas durante a eritropoiese. Causas principais Anemias por intoxicação: · Intoxicação por chumbo (saturnismo) - clássico; · Intoxicação por arsênico; Anemias displásicas: · Síndromes mielodisplásicas; · Anemia sideroblástica; Outras condições: · Talassemias ( especialmente beta-talassemia); · Anemia megaloblástica; · Pós-esplenectomia; Importância clínica Marcador de intoxicação por chumbo: · Associado a outros achados como: · Anemia microcítica hipocrômica; · Coproporfinúria; · Aumento de protoporfirina eritrocitária livre; Diagnóstico diferencial: · Corpos de Pappenheimer (contêm ferro, corado com Perls); · Reticulócitos (rede de RNA residual).Associações clínicas Saturnismo: · Pontilhado grosseiro e abundante; · Associado a basofilia periférica; Talassemia: · Pontilhado fino e difuso; · Associado a eritrócitos em alvo: 3.3 Plasmodium sp. Plasmodium sp. Características gerais · Protozoário intracelular obrigatório (parasita de eritrócitos); · Espécies humanas principais; · P. falciparum · P. vivax · P. malariae · P. ovale · Vetor: Fêmea do mosquito Anopheles; Morfologia nos esfregaços sanguíneos (May-Grünwald-Giemsa) Formas jovens (trofozoítos): · P. falciparum: “Anéis delgados” (1-2 cromatina, citoplasma fino); · P. vivax: Anéis mais robustos, hemácia aumentada; · P. malariae: Anéis compactos, hemácia não aumentada; · P. ovale: Similar ao vivax, porém hemácia ovalada; Formas maduras (esquizontes): · P. falciparum: Raros no sangue periférico; · Outras espécies: visíveis, contendo merozoítos; Gametócitos: · P. falciparum: Forma de “banana” (gametócitos maduros); · Outras espécies: esféricos ou ovalados; Alterações eritrocitárias associadas P. vivax/ovale: · Hemácias aumentadas; · Pontilhado de Schuffner (granulações rosadas); P. malariae: · Hemácias normais ou diminuídas; · Faixa de Maurer (irregular, no falciparum); P. falciparum: · Múltiplos parasitos/hemácia; · Hemácia não aumentadas; Diagnóstico diferencial · Babeia spp. (formas em “cruz de malta”); · Artefatos de coloração; · Inclusões eritrocitárias (Howell-Jolly, Pappenheimer); 3.4 Anel de Cabot Anel de cabot Definição Estruturas em forma de anel ou ferradura observadas no citoplasma de eritrócitos, constituídas por restos do fuso mitótico ou microtúbulos nucleares remanescentes da eritropoiese anormal. Características morfológicas Aspecto: · Linhas ou filamentos finos, corados em roxo azulado; · Forma de anel completo ou ferradura; · Localização geralmente excêntrica na célula; Coloração: · Basofílicos (coram-se com May-Grünwald-Giemsa); · Mais evidentes em eritrócitos maduros; Tamanho: · Diâmetro de 1- 2 µm; · Espessura filamentosa fina; Fisiopatologia Origem: · Vestígios do aparelho mitótico (microtúbulos); · Resíduos da membrana nuclear não completamente degradada; Associação: · Eritropoiese acelerada e desorganizada; · Maturação eritrocitária anormal; Causas principais Anemias megaloblásticas: · Deficiência de vitamina B12; · Deficiência de ácido fólico; Anemias hemolíticas: · Esferocitose hereditária; · Talassemias; Outras condições: · Leucemias; · Síndromes mielodisplásica; · Intoxicação por chumbo; Importância diagnóstica Marcador de eritropoiese ineficaz; Sugere distúrbio na maturação eritrocitária; Frequentemente associado a: · Policromatofilia; · Pontilhado basófilo; · Macrócitos; Diagnóstico diferencial Corpos de Howell-Jolly: · Massas densas e arredondadas (não filamentosas); Pappenheimer: · Grânulos de ferro (positivos no Perls); Parasitas maláricos: · Formas em anel mais irregulares; 3.5 Siderócitos Sideócitos Siderócitos Definição Eritrócitos que contém grânulos de ferro não-hemogênicos (ferritina ou hemossiderina) visíveis ao microscópio óptico após coloração especial (Perls ou azul da Prússia); Características morfológicas Grânulos de ferro: · Tamanho: 0,5 - 1,5 µm; · Cor: Azul esverdeada (com coloração de Perls); · Distribuição: 1 - 2 grânulos por célula, dispersos no citoplasma; · Localização: Frequentemente próximos à membrana celular; Eritrócito hospedeiro: · Pode ser normocítico ou ligeiramente microcítico; · Morfologia variável (normal ou com alterações displásicas); Fisiopatologia Origem do ferro intracelular: · Depósitos anormais de ferro mitocondrial (em eritroblastos); · Falha na utilização do ferro para síntese de hemoglobina; Mecanismos associados: · Eritropoiese ineficaz (ferro acumula-se nas mitocôndrias); · Defeitos na síntese do heme (porfirias, deficiência de piridoxina); · Hemólise crônica (aumento da reciclagem de ferro); Causas de siderócitos no sangue periférico Condições fisiológicas: · Recém nascidos (transitoriamente); Patologias adquiridas: · Anemia sideroblástica (adquirida ou hereditária); · Síndromes mielodisplásicas (SMD) · Hemólise crônica (talassemias, anemia hemolítica autoimune); · Intoxicação por chumbo (inibição da síntese do heme); · Pós-esplenectomia (falha na remoção de eritrócitos anormais); Doenças raras: · Síndrome de Pearson (doença mitocondrial); · Porfiria eritropoiética congênita; Importância clínica Anemia sideroblástica: · 15% de sideroblastos em anel na medula (critério diagnóstico); · Pode ser hereditária (ligada ao X) ou adquirida (tóxica, MDS); Síndrome mielodisplásica (SMD): · Siderócitos no sangue periférico sugerem displasia eritroide; Monitoramento de terapia: · Resposta ao tratamento com piridoxina (em algumas anemias sideroblásticas); 4.0 Alterações em leucócitos 4.1 Granulações tóxicas Granulações tóxicas Definição Granulações tóxicas são alterações citoplasmáticas secundárias à aceleração da granulopoiese, observadas principalmente em neutrófilos (mas podem ocorrer em eosinófilos e basófilos) durante: · Processos infecciosos graves (especialmente bacterianos) · Estrese medular agudo; · Condições inflamatórias sistêmicas; Características morfológicas Localização: Citoplasma de neutrófilos (segmentados e bastonetes); Morfologia: Grânulos grosseiros, basofílicos (roxo escuro/azulados); Distribuição: Difusa, podendo ocupar todo o citoplasma: Associações: Frequentemente acompanhadas de: · Corpos de Döhle; · Vacuolização; Mecanismo fisiopatológico Aceleração da maturação medular: liberação precoce de células com grânulos primários (azurófilos) não completamente processados; Aumento da atividade enzimática (mieloperoxidase, hidrolases ácidas) nos grânulos; Resposta a citocinas inflamatórias (G-CSF, TNF-α); Causas principais · Infecções bacterianas agudas (especialmente por cocos gram+) · Sepse; · Queimaduras extensas; · Doenças inflamatórias (ex.: Doença de Crohn ativa); · Intoxicações (álcool, drogas); · Pós-quimioterapia (recuperação medular); Classificação de intensidade Leve: Poucos grânulos dispersos (processos inflamatórios iniciais); Moderado: Múltiplos grânulos, sem obscurecer o núcleo (infecções estabelecidas); Intenso: Grânulos numerosos e confluentes (sepse/processos muito graves); Diagnóstico diferencial Grânulos normais de neutrófilos: · Mais finos e uniformes; · Coloração lilás (não azul escuro); Corpos de Döhle: · Inclusões azuladas (RNA residual); · Localizadas na periferia celular; Doenças de Alder-Reilly: · Grânulos azurófilos grosseiros; · De origem genética (mucopolissacaridoses); Abordagem clínica Quando observar: · Leucocitose com desvio à esquerda; · Quadros febris sem etiologia definida; Ações recomendadas: · Investigar foco infeccioso; · Monitorar evolução após tratamento; · Em casos graves, considerar hemocultura; 4.2 Vácuolos citoplasmáticos Vacúolos citoplasmáticos Vacúolos citoplasmáticos Vacúolos citoplasmáticos Vacúolos citoplasmáticos Definição Vacúolos citoplasmáticos são áreas claras, arredondadas e não coradas no citoplasma de leucócitos, observadas em esfregaços sanguíneos corados pelo May-Grunwald-Giemsa (MGG). Eles representam: · Espaços de degradação lipídica (fagocitose de membranas celulares); · Acúmulo de substância intracelulares (glicogênio, água, toxinas); · Artefatos de preparação (em casos raros); Características morfológicas Neutrófilos: Múltiplos, pequenos (1 - 2 µm). (Sepse bacteriana, queimaduras); Monócitos: Grandes e irregulares. (Processos inflamatórios, crônicos); Linfócitos: Pequenos e escassos. (Infecções virais ex.: EBV, HIV); Causas principais Infecções graves · Sepse bacteriana (especialmente por gram-negativos); · Tuberculose miliar; · Meningite bacteriana; Queimaduras graves · Associados a granulações tóxicas e corpos de Döhle; Intoxicações · Álcool, drogas hepatotóxicas; Neoplasias hematológicas · Leucemias agudas (principalmente LMA-M5 monoblástica); · Linfomas; Mecanismo de formação 1. Ativaçãocelular intensa: aumento da fagocitose e autofagia; 2. Degradação de organelas: acúmulo de vesículas lipídicas; 3. Desequilíbrio osmótico: entrada de água no citoplasma; Diagnóstico diferencial Vácuolos: · Cor: Incolor; · Tamanho: Variável; · Associações: Infecções graves; Corpos de Döhle: · Cor: azul claro; · Tamanho: 1 - 3 µm; · Associações: Granulações tóxicas; Inclusões lipídicas: · Cor: Branco acinzentado; · Tamanho: 2 - 5 µm; · Associações: Doenças metabólicas; Importância clínica Marcador de gravidade em: · Sepse; · Infecções disseminadas; Pode preceder outras alterações (como neutropenia); Monitoramento terapêutico: Redução dos vacúolos sugere resposta ao tratamento; 4.3 Corpos de Döhle Corpos de Döhle Corpos de Döhle Definição Corpos de Döhle são inclusões citoplasmáticas basofílicas observadas em neutrófilos e, menos frequentemente, em outros granulócitos. Representam: · Agregados de RNA ribossômico e retículo endoplasmático rugoso; · Marcadores de estresse medular e ativação celular acelerada; Características morfológicas Forma: Oval ou alongada; Tamanho: 1 - 3 µm; Cor: Azul acinzentado (basofílico); Localização: Periferia celular; Quantidade: 1 - 5 por célula; Associações: Frequentemente acompanhados de granulações tóxicas e vacuolização; Fisiopatologia Origem: · Resíduos de retículo endoplasmático rugoso; · RNA ribossômico não completamente degradado durante a maturação acelerada; Mecanismo de formação: · Aceleração da granulopoiese por citocinas inflamatórias (G-CSF, TNF-α); · Liberação precoce de células imaturas na circulação; Causas principais Infecções bacterianas graves: · Sepse; · Pneumonia; · Pielonefrite aguda; Queimaduras extensas; Processos inflamatórios sistêmicos: · Doença de Kawasaki; · Artrite reumatoide ativa; Estresse medular: · Pós-quimioterapia; · Síndrome de Down; · Gravidez (fisiológico); Classificação de relevância clínica Leve: · Descrição: 1 - 2 corpos por campo (100x); · Significado clínico: Processo inflamatório inicial; Moderado: · Descrição: 3 - 5 corpos por campo; · Significado clínico: Infecção/inflamação estabelecida; Intenso: · Descrição: >5 corpos + outra alterações; · Significado clínico: Sepse/processo muito grave; Diagnóstico diferencial Corpos de Döhle: · Cor: Azul; · Localização: Periferia; · Associações: Granulações tóxicas; Grânulos tóxicos: · Cor: Roxo escuro; · Localização: Todo citoplasma; · Associações: Vacuolização; Inclusões virais: · Cor: Vermelho; · Localização: Nuclear; · Associações: Infecções virais. Abordagem clínica Quando suspeitar: · Leucocitose com desvio à esquerda; · Quadros febris sem etiologia definida; · Pacientes com queimaduras extensas; Conduta: · Investigar foco infeccioso; · Solicitar hemoculturas se necessário; · Monitorar evolução após tratamento. 4.4 Anomalia de Pelger-Huët Anomalia de Pelger-Huët Anomalia de Pelger-Huët Definição Anomalia hereditária autossômica dominante na maturação nuclear dos granulócitos, caracterizada por: · Hipossegmentação nuclear em neutrófilos, eosinófilos e basófilos; · Cromatina densa e aglutinada (aspecto maduro, apesar da forma imatura); · Função celular preservada (não aumenta risco de infecções). Características morfológicas Pelger-huët verdadeira · Forma nuclear: Bilobada (“óculos”) ou redonda; · Cromatina: Compacta e homogênea; · Prevalência: 1:5.000 pessoas; · Herança: Autossômica dominante; Pseudo-Pelger (adquirida) · Forma nuclear: Irregular, com constrições; · Cromatina: Mais frouxa e irregular; · Prevalência: Associada a MDS, leucemias, drogas; · Herança: Adquirida (sem história familiar); Em neutrófilos: · Bastonetes: Núcleo em “C” ou “S” alongado; · Segmentados: Máximo 2 lobos conectados por filamento fino (≈80% das células); · Grânulos citoplasmáticos: Normais; Genética Mutação no gene LBR que codifica a proteína lamin B receptor; Variante homozigótica: Rara e letal (forma “Pelger-Hüet fetal”); Diagnóstico diferencial Desvio à esquerda patológico (infecções): · Cromatina menos condensada; · Presença de formas imaturas (mielócitos, metamielócitos); Síndromes mielodisplásicas (MDS): · Hipossegmentação + displasia (granulações anormais, pseudo-Pelger); Efeito de medicamentos (valproato, sulfonamidas): · Reversível após suspensão da droga. Abordagem laboratorial Esfregaço sanguíneo (MGG): · Contagem de neutrófilos bilobados (>70% sugere Pelger-Huët); · Avaliação da cromatina (compacta vs frouxa); Testes complementares: · História familiar (confirmar padrão hereditário); · Citometria de fluxo: Normal (diferencia de MDS); · Biópsia de medula: Maturação granulocítica normal; Armadilhas diagnósticas Falso positivo: Neutrófilos bilobados em gestantes (fisiológico); Falso negativo: Portadores leves com segmentação quase normal; Importância clínica Não requer tratamento (variante benigna); Evitar diagnóstico errôneos: · Neutropenia falsa (analisadores automáticos podem subestimar neutrófilos); · Confusão com infecção grave ou MDS); Aconselhamento genético (50% de chance de transmissão); 4.5 Anomalia de Alder-Reilly Anomalia de Alder-Reilly: Neutrófilo (seta preta) Eosinófilo (seta vermelha) Anomalia de Alder-Reilly: Eosinófilo (seta vermelha) Definição Anomalia hereditária rara dos leucócitos, caracterizada pela presença de grânulos azurófilos grosseiros no citoplasma de neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monocitos. · Causa: Defeito no metabolismo de mucopolissacarídeos (associada a mucopolissacaridoses, como Hurler, Hunter e Maroteaux-Lamy). · Mecanismo: Acúmulo de glicosaminoglicanos não degradados nos lisossomos; Características morfológicas Neutrófilos: · Alterações: Grânulos grosseiros, basofílicos (roxo escuro), semelhantes a granulações tóxicas mas persistentes e hereditários; Linfócitos: · Alterações: Grânulos azurófilos proeminentes (raros); Monócitos: · Alterações: Vacúolos ou grânulos irregulares; Diferenciação de granulações tóxicas: · Alder-Reilly: Presentes desde o nascimento, sem correlação com infecção; · Granulações tóxicas: Adquiridas, associadas a processos inflamatórios. Causas e genética 1. Mucopolissacaridoses (MPS) mais associadas: · MPS I-H (Hurler); · MPS II (Hunter) - Ligada ao X; · MPS IV (Maroteaux-Lamy); 2. Herança: · Autossômica recessiva (exceto MPS II, que é ligada ao X); Diagnóstico Esfregaço sanguíneo (MGG): · Grânulos azurófilos grosseiros em neutrófilos e outras células; · Dica: Os grânulos são mais proeminentes que os das granulações tóxicas; Testes confirmatórios: · Urina: Dosagem de glicosaminoglicanos (GAGs); · Enzimáticos: Atividade de enzimas lisossomais (ex.: α-L-iduronidase em MPS I); · Genética: Identificação de mutações específicas. Diagnóstico diferencial Alder-reilly: · Grânulos: Grosseiros, hereditários; · Associação clínica: Mucopolissacaridoses; Granulações tóxicas: · Grânulos: Finos, adquiridos; · Associação clínica: Infecções graves; Doença de Chediak-Higashi: · Grânulos: Grânulos gigantes; · Associação clínica: Síndrome de imunodeficiência; Importância clínica Marcador de doenças de depósito lisossomal; Pode ser o primeiro sinal de uma mucopolissacaridose não diagnosticada; Não causa disfunção leucocitária, mas a doença de base (MPS) pode ter complicações graves. 4.6 Anomalia de May-Hegglin Anomalia de May-Hegglin Definição Doença autossômica dominante rara, caracterizada pela tríade clássica: · Trombocitopenia (leve a moderada); · Plaquetas gigantes (macrotrombocitos); · Inclusões citoplasmáticas em leucócitos (corpos de Döhle-like); Características morfológicas Alterações plaquetárias: · Tamanho das plaquetas: Grandes (≥ 4 µm), algumas gigantes (≥ 7 µm); · Contagem plaquetária: Geralmente 50.000–150.000/µL (mas pode variar); · Função plaquetária: Normal (apesar da trombocitopenia, não há sangramento grave); Alterações leucocitárias: · Neutrófilos: Inclusões basofílicas ovais ou fusiformes (corpos de döhle-like); · Eosinófilos: Podem apresentar inclusões similares. · Monócitos: Raramente afetados;Diferença entre Corpos de Döhle clássicos e May-Hegglin: · Corpos de Döhle (adquiridos): · Forma: Irregulares pequenos; · Associação: Infecções, queimaduras; · Persistência: Transitórios; · Inclusões de May-Hegglin (hereditárias: · Forma: Grandes, bem delimitados; · Associação: Sem correlação com inflamação; · Persistência: Presentes por toda a vida; Genética e fisiopatologia Mutação no gene MYH9, que codifica a miosina não muscular pesada IIA (NMMHC-IIA). Herança autossômica dominante (50% de chance de transmissão). Mecanismo: Defeito na divisão de megacariócitos - plaquetas grandes + inclusões leucocitárias. Diagnóstico Hemograma: · Trombocitopenia (leve a moderada); · Plaquetas gigantes (observadas no esfregaço); Esfregaço sanguíneo (MGG): · Inclusões basofílicas em neutrófilos; Testes confirmatórios: · Imunofluorescência para miosina MYH9 (padrão granular anormal); · Genética molecular (sequenciamento de MYH9); Diagnóstico diferencial Síndrome de Bernard-Soulier: · Semelhanças: Plaquetas gigantes; · Diferenças: Ausência de inclusões leucocitária; Pseudo-Trombocitopenia por EDTA: · Semelhanças: Baixa contagem automatizada; · Diferenças: Plaquetas normais no esfregaço; Trombocitopenia autoimune (PTI): · Semelhanças: Plaquetas baixas; · Diferenças: Sem plaquetas gigantes ou inclusões; Complicações clínicas Sangramentos (geralmente leves: epistaxe, equimoses); Risco cirúrgico aumentado (avaliar necessidade de transfusão plaquetária); Associação rara com surdez neurossensorial e nefropatia (em mutações específicas de MYH9); Conduta e prognóstico Acompanhamento hematológico (controle de sangramento(; Evitar esplenectomia (não corrige a trombocitopenia); Aconselhamento genético (planejamento familiar); Prognóstico geralmente bom (a maioria é assintomática); 4.7 Anomalia de Chediak-Higashi Anomalia de Chediak-Higashi Anomalia de Chediak-Higashi Definição Doença autossômica recessiva rara caracterizada por: · Grânulos gigante anormais em leucócitos e outras células; · Deficiência imunológica (infecções recorrentes); · Albinismo parcial oculocutâneo; · Tendência hemorrágica (disfunção plaquetária); Características morfológicas Alteração em leucócitos: · Neutrófilos: Grânulos azurófilos gigantes (1 - 4 µm), cor púrpura-escura; · Monócitos: Vacúolos citoplasmáticos grandes; · Linfócitos: Inclusões azurófilas proeminentes; Alterações em outras células: · Plaquetas: Grânulos densos diminuídos (causa sangramentos); · Melanócitos: Melanossomos gigantes (albinismo); Genética e fisiopatologia Gene afetado: LYST, que regula o tráfego lisossomal; Mecanismo: Fusão anormal de organelas - grânulos gigantes e disfuncionais; Herança: Autossômica recessiva (25% de risco se ambos os pais forem portadores); Manifestações clínicas Imunológico: Infecções piogênicas recorrentes (Staphylococcus, streptococcus); Hematológico: Sangramentos, anemia, neutropenia; Cutâneo: Pele clara, cabelo prateado, fotofobia; Neurológico: Neuropatia periférica, ataxia (na fase acelerada); Fase acelerada (linfohistiocitose): · Febre alta; · Hepatoesplenomegalia; · Pancitopenia; · Pode ser fatal sem tratamento; Diagnóstico Esfregaço sanguíneo (MGG): · Grânulos gigantes em neutrófilos (patognomônicos); Teste complementares: · Microscopia eletrônica: Lisossomos anormais; · Genética molecular: mutação em LYST; · Teste do cabelo: Grânulos de melanina gigantes; Diagnóstico diferencial Síndrome de Griscelli: Ausência de grânulos gigantes em leucócitos; Síndrome de Hermansky-Pudlak: Disfunção plaquetária sem grânulos leucocitários; Complicações Infecções bacterianas graves (sepse, pneumonia); Sangramentos espontâneos (epistaxe, gengivorragia); Fase acelerada (mortalidade >80% sem transplante); Tratamento Transplante de medula óssea: única cura (corrige o defeito hematológico); Antibióticos profiláticos: Para infecções; Vitamina C: Pode melhorar a função neutrofílica; Evitar cirurgias desnecessárias (risco hemorrágico); Prognóstico Sem transplante: Sobrevida média de 5 à 10 anos; Com transplante: Melhora imunológica, mas sequelas neurológicas podem persistir; 4.8 Bastonetes de Auer Bastonete de Auer Definição Estruturas em forma de agulhas ou bastonetes no citoplasma de células mieloides imaturas, compostas por cristais de mieloperoxidase (MPO) e outras enzimas lisossomais. · Patognomônicos de neoplasias mieloides (principalmente leucemia mielóde aguda - LMA); · Não são encontrados em células normais ou em leucemias linfoides. Características morfológicas Forma: Bastonetes finos ou agulhas (1 - 5 µm de comprimento); Cor: Vermelho vivo ou roxo escuro; Localização: Citoplasmática (isolados ou em feixes); Células afetadas: Mieloblastos, promielócitos, monoblastos (linhagem mieloide); Tipos de bastões de Auer: · Clássicos: Únicos, em forma de agulha (comuns em LMA com maturação); · Múltiplos: Vários batons agrupados (típicos de LMA M3 - promielocítica); · Em fagocitose (“bastões em fagócito”): Observados em macrófagos da medula óssea. Significado clínico Diagnóstico de LMA: · Presentes em 50% dos casos de LMA (exceto LMA M0 e M7); · Mais frequentes em LMA M3 (promielocítica) e LMA M2. Prognóstico: · Favorável: Se associados a t(15;17) (LMA M3, tratável com ATRA). · Desfavorável: Se múltiplos em outros subtipos (ex.: LMA com cariótipo complexo); Diferenciação de LLA: · Ausentes em leucemia linfoide aguda (LLA) - ajudam a distinguir LMA de LLA. Diagnóstico diferencial Grânulos tóxicos: Menores, mais numerosos e menos definidos; Corpos de Döhle: Inclusões azuis (RNA), não alongadas; Cristais de Charcot-Leyden: Eosinofílicos, em doenças alérgicas / parasitoses. Técnicas de confirmação Citomorfologia (MGG): padrão ouro para visualização; Mieloperoxidase (MPO): positiva nos bastões de Auer; Citogenética/molecular: Pesquisar t(15;17) (PML-RARA) se múltiplos bastões. 5.0 Alterações em plaquetas 5.1 Plaquetas normais Plaquetas normais Definição Fragmentos citoplasmáticos anucleados derivados de megacariócitos na medula óssea, essenciais para a hemostasia primária; Características morfológicas Tamanho: 2 - 4 µm de diâmetro; Forma: Discóide (inativo) - esférico com pseudópodes (ativo); Cor: Citoplasma róseo claro, com grânulos púrpura (α e δ) centralizados; Distribuição: Agregados pequenos no sangue periférico (5 - 20 plaquetas por campo em 1000x); Estruturas internas (microscopia eletrônica) · Grânulos α (fator de crescimento, fibrinogênio); · Grânulos δ (ADP, serotonina); · Sistema canalicular aberto (superfície de ativação); Valores de referência Contagem: 150.000–450.000/µL Volume Plaquetário Médio (VPM): 7 – 11 fL PDW (amplitude de distribuição): 10 – 18% Funções biológicas Adesão (via glicoproteína Ib/IX/V ao colágeno) Ativação (liberação de grânulos - ADP, TXA₂) Agregação (via GPIIb/IIIa e fibrinogênio) Coagulação (superfície fosfolipídica para formação de trombo) Alterações morfológicas fisiológicas Ativação: · Mudança: Pseudópodes, grânulos centralizados; · Significado: Resposta a lesão vascular; Esfregaço espesso: · Mudança: Agregados artificiais; · Significado: Artefato comum (não patológico); Diagnóstico diferencial Plaquetas gigantes: > 4 µm (Bernard-Soulier, May-Hegglin); Microplaquetas:com macroplaquetas) Bernard-Soulier: · Gene: GP1BA/GP1BB; · Características adicionais: Plaquetas gigantes (≥ 8 µm), ausência de GPIb/IV/V; May-Hegglin: · Gene: MYH9; · Características adicionais: Inclusões leucocitárias (corpos de Döhle-Like); Síndrome da plaqueta cinza: · Gene: NBEAL2; · Características adicionais: Grânulo α reduzidos (plaquetas acinzentadas); Causas: Adquiridas Trombocitopenias Imunes (PTI); Doenças mieloproliferativas (trombocitemia essencial); Pós-esplenectomia (aumento de plaquetas jovens); Resposta a sangramentos agudos; Importância clínica Diagnóstico diferencial: · Plaquetas gigantes + trombocitopenia = Bernard-Soulier; · Plaquetas gigantes + inclusões em leucócitos = May-Hegglin; Risco hemorrágico: · Macroplaquetas hereditárias podem ter disfunção (ex.: Bernard-Soulier); · Em PTI, são funcionais (compensam a trombocitopenia); Monitoramento: · Volume plaquetário médio (VPM) elevado (> 12 fL) sugere produção acelerada; Diagnóstico diferencial Bernard-Soulier: · Macroplaquetas? Sim (gigantes); · Diferenciação: Ausência de agregação com ristocetina; PTI: · Macroplaquetas? Sim; · Diferenciação: Auto anticorpos antiplaquetários (+ teste de Coombs); Pseudo-trombocitopenia: · Macroplaquetas? Não; · Diferenciação: Agregados plaquetários artificiais (EDTA); Técnicas de confirmação · Esfregaço sanguíneo (MGG): Avaliação morfológica. · Citometria de fluxo: · Bernard-Soulier: CD42a/b negativo. · PTI: Presença de anticorpos antiplaquetários. · Genética molecular: Para síndromes hereditárias (MYH9, GP1BA). 5.3 Satelitismo plaquetário Satelitismo plaquetário Satelitismo plaquetário Satelitismo plaquetário Satelitismo plaquetário Definição Fenômeno in vitro em que plaquetas aderem à periferia de neutrófilos (ou, menos comumente, a outros leucócitos), formando um padrão de “satélite” ao redor das células; · Não tem significado patológico, mas pode causar pseudotrombocitopenia em análises automatizadas. · Mecanismo: Mediado por anticorpos IgG que reagem com plaquetas e leucócitos na presença de EDTA (anticoagulante); Características morfológicas Padrão: Plaqueta aderidas à membrana de neutrófilos (formando “coroa”); Leucócitos afetados: Neutrófilos (mais comum), linfócitos ou monócitos; Distribuição: Agregados plaquetários apenas ao redor de leucócitos (não livres no plasma; Dica: O satelitismo só ocorre em tubos com EDTA e desaparecem em amostras coletadas com citrato ou heparina. Causas e fisiopatologia Auto anticorpos: · IgG dirigida contra antígenos plaquetários (como GPIIb/IIIa) e leucocitários (FcγRIII em neutrófilos); · O EDTA expõe esses antígenos, facilitando a ligação; Fatores associados: · Doenças autoimunes (Lúpus, artrite reumatoide); · Uso de medicamentos (valproato de sódio); · Indivíduos saudáveis (0,1% da população). Importância clínica Pseudo-trombocitopenia: · Contagem plaquetária falsamente baixa em analisadores automatizados. · Não há risco hemorrágico (é um artefato laboratorial). Diagnóstico Diferencial: · Trombocitopenia verdadeira: Plaquetas ausentes ou reduzidas no esfregaço. · Agregação plaquetária in vitro: Agregados aleatórios (não apenas ao redor de leucócitos). Como confirmar? Repetir a coleta com anticoagulante alternativo (citrato ou heparina); Esfregaços sanguíneos: visualização do satelitismo; Teste de anticorpos antiplaquetários (se houver suspeita de doença autoimune); Andressa Marques (152.699) Atlas hematológico Referências: LORENZI, Therezinha Ferreira. Atlas de hematologia: clínica hematológica ilustrada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. ISBN 8527711230. image30.png image5.png image55.png image27.png image34.png image2.png image10.png image50.png image29.png image25.png image48.png image26.png image45.png image56.jpg image3.png image7.png image6.png image40.png image51.png image49.png image28.png image18.png image21.png image24.png image60.jpg image47.png image59.png image22.png image35.png image16.png image38.png image19.jpg image17.png image36.png image53.png image33.png image9.png image44.png image42.png image8.png image13.png image23.png image57.png image14.png image52.png image15.png image43.png image39.jpg image46.png image11.png image1.jpg image4.png image54.png image31.png image41.png image37.png image20.png image12.png image32.png image58.jpg