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Cardiologia Doença arterial coronariana ≠ Síndromes coronarianas agudas DAC -> estreitamento progressivo das artérias, principalmente devido a aterosclerose SCA -> complicação aguda da DAC causada por ruptura da placa e trombose. Uma das principais causas de atendimento em unidades de emergência, com incidência de 9 a 19 por 1000 pessoas ao ano. As síndromes coronarianas agudas representam um espectro de manifestações clínicas decorrentes da redução abrupta do fluxo sanguíneo coronariano, geralmente causada por aterotrombose coronária. Incluem três principais entidades: 1. Angina instável -> diminuição do suprimento de O2 2. Infarto agudo do miocárdio sem supra de ST (IAMSSST / NSTEMI) -> lesão miocárdica parcial 3. Infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST / STEMI) -> lesão miocárdica transmural O discernimento entre IM e AI em geral é feito ao comparar as curvas de marcadores de necrose miocárdica. A classificação do IAM baseada no segmento ST é importante, pois modifica a terapia de reperfusão aguda, com os marcadores cardíacos sendo os determinantes se o IAM ocorreu ou não. Existem três mecanismos de instabilização de placa levando à síndrome coronariana aguda: ruptura de placa, erosão de placa e exposição de nódulo calcificado. A ruptura ou erosão da placa aterosclerótica expõe uma superfície trombogênica e o núcleo necrótico da placa que contém micropartículas protrombóticas. • Ativação plaquetária • Formação de trombo coronariano • Redução ou oclusão do fluxo coronário Além da aterotrombose, fatores como vasoespasmo, dissecção coronariana, anemia grave, taquiarritmias e estenose aórtica podem desencadear isquemia por não suprirem a demanda de oxigênio do miocárdio Estudos demonstram que a presença de três ou mais desses fatores em conjunto constitui marcador independente de pior prognóstico nas síndromes coronarianas agudas. A angina instável é definida por pelo menos uma das seguintes características: • Ocorrer em repouso, com duração em geral de 20 minutos (se não for interrompida por nitrato ou outro analgésico). Pelo menos gravidade classe 3, segundo a classificação da Canadian Cardiovascular Society (CCS). • Uma angina de início recente, de pelo menos gravidade classe 3 da CCS. • Ocorrer em crescendo (dor com cada vez menos esforço, dor que é cada vez pior, dor que passou a acordar o paciente do sono) para pelo menos CCS 3. Detalhamento da Classificação CCS de Angina: • Classe I: Angina ocorre apenas com esforços físicos muito intensos, rápidos ou prolongados (ex: subir escadas correndo). • Classe II: Limitação leve às atividades habituais. Angina ao caminhar rapidamente, subir ladeiras ou escadas, ou após refeições, no frio/vento ou sob estresse. • Classe III: Limitação importante das atividades físicas habituais. Angina ao caminhar 1 a 2 quarteirões em terreno plano ou subir um lance de escada. • Classe IV: Incapacidade de realizar qualquer atividade física sem desconforto, ou presença de angina em repouso. O termo IAM deve ser utilizado quando há evidência de necrose miocárdica em um contexto clínico de isquemia cardíaca, sendo usado para níveis de troponina acima do percentil 99 do limite máximo de referência e pelo menos um dos seguintes parâmetros: • Sintomas sugestivos de isquemia miocárdica. • Desenvolvimento de novas ondas Q no ECG. • Alterações novas no segmento ST, na onda T, ou bloqueio de ramo esquerdo novo. • Evidência, em exame de imagem, de perda de miocárdio viável ou de nova alteração segmentar de contratilidade ventricular. • Identificação de trombo intracoronariano por angiografia ou necropsia. • Parada cardiorrespiratória em paciente com sintomas isquêmicos e alterações de ECG sugestivas de isquemia. O diagnóstico de infarto está confirmado quando existem duas coisas juntas: • Isquemia miocárdica (sintomas ou alterações no ECG) • Elevação dos marcadores de necrose miocárdica (ex.: troponina com curva de elevação e queda) Quando não há sinais de isquemia Se a troponina está elevada, mas não há sinais clínicos ou no ECG de isquemia, então não se trata automaticamente de infarto. Pode ser apenas lesão miocárdica. Essa lesão pode ser: • Aguda → quando a troponina mostra elevação e queda (curva dinâmica) • Crônica → quando a troponina permanece elevada, mas estável Progressão da lesão isquêmica A isquemia ocorre inicialmente no subendocárdio, região mais vulnerável à hipóxia. Progressão: 1. Isquemia subendocárdica 2. Lesão miocárdica 3. Necrose transmural (se persistir) Para definir o tratamento, especialmente a necessidade de reperfusão, o infarto é dividido em dois tipos com base no ECG: IM com supra de ST (IAMCSST / STEMI) Caracterizada por: • oclusão coronária total • isquemia transmural ECG Elevação persistente do segmento ST ≥1 mm em derivações contíguas. Esses pacientes geralmente precisam de reperfusão imediata (angioplastia ou trombólise). IM sem supra de ST (IAMSSST / NSTEMI) O paciente apresenta sintomas de infarto, mas não há elevação do ST no ECG. ECG Pode mostrar: • infradesnivelamento de ST • inversão da onda T • ECG normal Adicionalmente a estas categorias, IM pode ser classificado em vários tipos baseados em diferenças patológicas, clínicas e prognósticas, juntamente com diferentes estratégias de tratamento. IM tipo 1 Causado por doença arterial coronariana (DAC) aterotrombótica e usualmente precipitada pela rotura ou erosão de uma placa aterosclerótica IM tipo 2 Isquemia por redução da oferta de oxigênio ou aumento da demanda, sem trombose coronária primária. Estes efeitos são devido a fluxo sanguíneo insuficiente para o miocárdio isquêmico para suprir a demanda de oxigênio do estressor. Exemplos: • anemia grave • sepse • taquiarritmias • hipotensão • hipertensão grave • estenose aórtica • cardiomiopatia hipertrófica IM tipo 3: Morte súbita cardíaca Paciente apresenta sintomas sugestivos de isquemia e morre antes da dosagem de biomarcadores. Diagnóstico possível por: • ECG • autópsia IM tipo 4: Relacionado à angioplastia Subdividido em: Tipo 4a: IAM relacionado à intervenção coronária percutânea (ICP). Critério: Troponina > 5 vezes o percentil 99 + evidência de isquemia. Tipo 4b: IAM associado à trombose de stent documentada. IM tipo 5 Relacionado à cirurgia cardíaca Associado à cirurgia de revascularização miocárdica (CRM). Critério: Troponina > 10 vezes o percentil 99. Pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) geralmente apresentam sintomas e sinais de isquemia miocárdica em repouso com esforço mínimo. Esses sintomas e sinais são semelhantes aos sintomas de angina crônica: Dor torácica retroesternal que pode irradiar para a mandíbula, ombro esquerdo e para o braço. Apesar da dor torácica ser o principal sintoma, como já mencionado, até 30% dos pacientes podem cursar sem dor torácica, podendo apresentar os sintomas considerados como equivalentes anginosos, que incluem: • Dor epigástrica • Dispepsia • Dispneia • Náuseas e vômitos • Sudorese • Hipotensão • Síncope. Pacientes idosos (> 75 anos de idade), mulheres e portadores de diabetes, doença renal crônica ou demência podem se apresentar mais comumente com equivalentes anginosos no DE Os pacientes podem até mesmo apresentar fraqueza generalizada ou confusão mental. No exame físico, geralmente há poucos achados em pacientes com angina instável (AI) ou IAM sem supra de ST (IAMSSST). Na ausculta cardíaca, pode aparecer um sopro sistólico, causado por insuficiência mitral devido à isquemia. Mais raramente, um sopro sistólico pode indicar complicações graves do infarto, como:• ruptura do músculo papilar • comunicação interventricular. Em casos mais graves, o paciente pode evoluir com insuficiência cardíaca ou até choque cardiogênico. Marcadores cardíacos (exames de sangue) Os principais marcadores de necrose do miocárdio são: troponina, CK-MB e mioglobina, mas a troponina de alta sensibilidade é a mais usada atualmente. No início dos sintomas, os exames podem estar normais, principalmente no IAM sem supra de ST. A troponina começa a aumentar cerca de 2 horas após o início da dor e pode permanecer elevada por 10 a 14 dias. Diagnóstico de infarto: Elevação da troponina acima do percentil 99 + evidência de isquemia, como: • dor típica, • alterações no ECG, • novas ondas Q, • alteração na movimentação da parede do coração em exames de imagem. Avaliação da troponina em série: • variação 50% → alto risco de SCA Função renal Creatinina e ureia ajudam a avaliar o risco cardiovascular. Também são importantes para ajustar doses de medicamentos antitrombóticos. Eletrocardiograma (ECG) Um ECG normal não exclui SCA (cerca de 2% ainda podem ter). Alterações típicas de isquemia incluem: • infradesnivelamento do ST • alterações da onda T Infradesnivelamento do ST ≥ 0,05 mV em duas derivações contíguas sugere SCA e pior prognóstico. Achados importantes: • Alterações dinâmicas do ST → mais específicas de SCA • ST elevado em aVR + infradesnivelamento difuso → pode indicar doença de três artérias ou lesão do tronco da coronária esquerda. Ecocardiograma Pode mostrar: • diminuição da contração do ventrículo esquerdo • hipocinesia ou acinesia de segmentos da parede cardíaca Também ajuda no diagnóstico diferencial da dor torácica, como: • dissecção de aorta • embolia pulmonar • derrame pericárdico Exames de imagem para avaliar isquemia Podem ser usados quando o diagnóstico ainda é incerto: Angiotomografia de coronárias • visualiza as artérias coronárias • exame normal praticamente exclui doença coronariana Cintilografia miocárdica • detecta áreas com pouco fluxo sanguíneo no coração Ecocardiograma com estresse (dobutamina) • avalia isquemia durante aumento do trabalho cardíaco Teste ergométrico (teste de esforço) • Pouco usado na emergência. • Pode ser feito quando o paciente está sem sintomas por 8–12 horas. A avaliação quantitativa do risco de morte por meio de pontuação é superior à avaliação clínica isolada. Os escores GRACE e TIMI NSTEMI foram criados para avaliação de gravidade em casos de IAM sem supradesnivelamento de segmento ST. A calculadora GRACE fornece uma estratificação de risco precisa tanto na admissão quanto na alta do paciente. As variáveis utilizadas no cálculo do risco GRACE 2.0 incluem idade, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca, creatinina sérica, Killip na admissão, parada cardíaca na admissão, biomarcadores cardíacos elevados e alteração de ST. Se o Killip ou os valores de creatinina sérica não estiverem disponíveis, uma pontuação modificada pode ser calculada pela adição de insuficiência renal e uso de diuréticos, respectivamente. A pontuação de risco TIMI utiliza sete variáveis, sendo que cada variável soma um ponto. As variáveis incluem: • Idade ≥ 65 anos. • Três ou mais fatores de risco de doença aterosclerótica coronariana (DAC). • DAC conhecida. • Uso de AAS nos últimos 7 dias. • Angina grave (dois ou mais episódios dentro de 24 h). • Alteração de ST ≥ 0,5 mm. • Marcador cardíaco positivo. O escore é simples de usar, mas sua precisão discriminativa é inferior à da pontuação de risco GRACE. Em pacientes com risco baixo ou intermediário, exames não invasivos podem excluir o diagnóstico como um teste de estresse (preferencialmente com imagem) ou a angiotomografia de coronárias. Os pacientes com confirmação de IAM devem ser internados e submetidos a estratificação coronariana invasiva. Pacientes são considerados de baixo risco para desenvolver arritmias cardíacas desde que não apresentem nenhum dos seguintes critérios: • Instabilidade hemodinâmica. • Arritmia na apresentação. • Fração de ejeção do ventrículo esquerdo 24 h em uma unidade de cuidados intensivos. Tratamento inicial (MONA-B) Estratégia clássica inicial: M — Morfina Se dor refratária O — Oxigênio Se saturação