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48 CÁLCULO MENTAL CAPÍTULO 6: CÁLCULO MENTAL 49 CÁLCULO MENTAL O cálculo mental ajuda a compreender o sistema de nume- ração e as propriedades das operações e deve ser sistematizado e valorizado como um jeito de fazer contas. Existem quatro maneiras de resolver as contas que diaria- mente aparecem na nossa frente: usando a calculadora, estimando o resultado com base em referências e em experiências anterio- res, fazendo a conta ou usando o cálculo mental. Em atividades profissionais, geralmente os adultos usam a calculadora ou outras máquinas afins. No dia a dia, porém, o mais comum é as pessoas chegarem mentalmente ao resultado ou estimar um valor aproxi- mado. Mas na escola essas estratégias não são valorizadas e a aten- ção ainda está no ensino da conta armada. Durante muito tempo, se acreditou que a economia de eta- pas e a rapidez na resolução de problemas fossem os objetivos máximos a serem alcançados na disciplina de Matemática. Nesse sentido, ensinar algoritmos para fazer contas parecia ser o mais indicado. Se por um lado o uso de fórmulas permite organizar o ra- ciocínio, registrá-lo, lê-lo e chegar à resposta exata, por outro, fixa o aprendizado somente nessa estratégia e leva o estudante a conhe- cer apenas uma prática cada vez menos usada e, pior, a realizá-la de modo automático, sem entender exatamente o que está fazendo. Já fazer contas de cabeça sempre foi considerada uma práti- ca inadequada. Porém, para saber quanto vai gastar na cantina ou somar os pontos dos campeonatos esportivos, o estudante não usa o algoritmo: sem lápis e papel, ele faz aproximações, decompõe e aproxima números e alcança o resultado com bastante segurança. Além de ser um procedimento ágil, ele permite à criança ser ativa e criativa na escolha dos caminhos para chegar ao valor final. Os primeiros contatos com o cálculo mental costumam acontecer no 50 CÁLCULO MENTAL convívio com outros adultos, quando as crianças incorporam cer- tas técnicas usadas por eles. Na escola, ele precisa ser sistematiza- do e valorizado como uma estratégia eficiente para fazer contas. Para garantir o sucesso dessa forma de calcular, é imprescin- dível que a saber de memória alguns resultados de contas simples, como o dobro, o triplo, a metade e outras adições, subtrações, mul- tiplicações e divisões. Os primeiros cálculos realizados certamente envolveram es- tratégias relacionadas ao dobro e à metade. Isso pode ser explicado pela simetria do corpo humano, que nos permitiu realizar tarefas como agrupar ou separar elementos com ambas as mãos ao mesmo tempo. Os nossos povos indígenas usavam esse procedimento para resolver os problemas cotidianos, como o da agricultura, descrito pelos índios xavantes. Já os egípcios usavam um engenhoso método para multipli- car dois números baseado na compensação de dobros e metades. Para multiplicar 16 por 13, eles compensavam o fato de multiplicar a metade de um pelo dobro do outro. É importante você perceber que aquele raciocínio que parece desorganizado, na verdade, está apoiado nas propriedades das operações e do sistema de numera- ção. Exemplos: ● para resolver 99 + 26, é possível pensar da se- guinte maneira: 100 + 26 = 126 - 1 = 125 (propriedade associativa da adição); ● para calcular 9 x 4, um caminho é partir de 9 x 2 x 2 = 18 x 2 = 36 ou de 4 x 10 = 40, 40 - 4 = 36 (propriedades associativa e distributiva da adição e da subtração em re- lação à multiplicação). 51 CÁLCULO MENTAL Desta maneira você sistematiza um conjunto de procedi- mentos, constrói um pessoal e consegue decidir pelo mais eficaz. Entender que 342 é formado por 300 + 40 + 2, 300 = 100 + 100 + 100 e assim por diante ajuda a raciocinar matematicamente e a entender o sentido da conta armada. Assim é possível entender o que significa o ‘vai 1’ ou o ‘vai 2’ do algoritmo, pois compreende que o 1 é uma dezena”. Assim, para solucionar o cálculo 52 - 38, por exemplo, é possível optar pela busca do complemento, fazendo 38 + 2 = 40, 40 + 10 = 50 e 50 + 2 = 52 e depois somar os números que foram acrescentados a 38 (2 + 10 + 2 = 14). Da mesma maneira, pode-se usar a decomposição. Para resolver 15 + 14, uma opção pode ser somar as dezenas e as unidades separadamente (10 + 10 = 20 e 5 + 4 = 9) e juntar os resultados parciais (20 + 9 = 29). No dia a dia, nem sempre é imprescindível chegar ao valor exato no fim das contas. Na maioria das vezes, basta uma aproxi- mação para tomar uma decisão: o dinheiro vai dar para comprar tudo o que preciso na cantina da escola? A quantidade de pacotes de cadernos vai ser suficiente para toda a turma? Arredondar pode ser útil em situações como essas e para antecipar e checar contas feitas na calculadora e com algoritmo. A escrita também faz parte do trabalho com cálculo mental, mas devem ser usadas formas diferentes do algoritmo. Você pode registrar para apoiar o seu raciocínio, marcar com traços, bolinhas, ou ainda algarismos, desde que sejam utilizados para registrar re- sultados parciais das etapas percorridas mentalmente. Ou até mes- mo o texto: dessa forma, você pode desenvolver o raciocínio mate- mático em outra linguagem. O registro, porém, não deve acontecer sempre, pois o incentivo ao uso da memória é outro ponto impor- tante do cálculo mental. 52 CÁLCULO MENTAL Mas, afinal, com as vantagens apresentadas pelo uso do cál- culo mental, será que ele vai tomar o espaço dos algoritmo tradi- cionais que já conhecemos? A resposta é não, pois os dois procedi- mentos são importantes e devem ser desenvolvidos paralelamente. Quando você estiver na sala de aula como professor é importante não valorizar somente os algoritmos, mas também o cálculo men- tal e cálculo aproximado e também o cálculo estimado. Desta ma- neira você estará contribuindo para que seus alunos desenvolvam outras habilidades. A Holanda e a Inglaterra têm experiências paradigmáticas e muito diversas no trabalho com cálculo mental em sala de aula. Os educadores holandeses adotaram nos anos 1980 a Educação Ma- temática Realística, uma linha pedagógica que privilegia a criação de situações cotidianas para o desenvolvimento do cálculo. Apos- tam tanto no cálculo mental, que os algoritmos das operações só são introduzidos no 3º ano dos anos iniciais. Já na Inglaterra o trabalho começou mais tarde, no fim da década de 1990, adotan- do um método de ensino de operações mentais muito próximo do desenvolvido com os algoritmos. Ou seja, os alunos continuaram a decorar regras para resolver os problemas propostos, mudando apenas o “suporte” do cálculo. Agora vejamos algumas técnicas para calcular rapidamente, utilizado os números de 1 a 9. A partir daí, você já vai ter uma gran- de vantagem nos cálculos mais complexos. Para fazer uma soma com um número que acabe com 9, arre- donde primeiro esse número e depois subtraia 1. Exemplo: para calcular quanto é 525 + 29, faça 525 + 30 - 1 = 554. 53 CÁLCULO MENTAL Vale o mesmo mecanismo para somar o número 11: você soma a dezena primeiro e depois acrescenta 1. Exemplo: 428 + 11 = 428 + 10 + 1 = 438 + 1 = 439. Faça o mesmo tipo de cálculo com todos os números que aca- bam com 1, como por exemplo: 668 + 31 = 668 + 30 + 1 = 698 + 1 = 699. Quando quiser multiplicar algum número por 4, multipli- que primeiramente por 2 e depois multiplique novamente o resul- tado por 2. Por exemplo: 36 x 4 = 36 x 2 x 2 = 72 x 2 = 144. Para multiplicar por 10 é bem simples, principalmente quan- do se trata de um número inteiro. Basta acrescentar um zero de- pois do último número, como em 128 x 10 = 1280. Quando se trata de um número com vírgula, basta andar a vírgula uma vez à direita, como em 68,5 x 10 = 685. Por sua vez, para multiplicar por 100, acrescente 2 zeros depois do último número inteiro, ou ande 2 casas à direita. Para multiplicar por 5, é possível multiplicar primeiro por 10 e depois dividir por 2, como em 224 x 5 = 224 x 10 / 2 ou seja 2240 / 2 = 1120. Essas dicas práticas de matemática sãoúteis para muita gen- te e, no fundo, são bem fáceis de realizar, uma vez que nosso cé- rebro funciona dessa maneira e muitos professores utilizam este método de memorização. Num mundo onde tudo funciona cada vez mais depressa e o instantâneo faz parte de todas nossas ações, sempre queremos que as coisas estejam praticamente prontas, a louça lavada antes de 54 CÁLCULO MENTAL ligar a máquina, a roupa limpa e passada para sairmos, a comida pronta no forno e outras coisas mais do nosso dia a dia. O mesmo acontece em matemática, com a aritmética ou outros cálculos. O objetivo é de simplificar a sua vida, seus pensamentos, adquirir au- tomatismos, ganhar tempo e também desenvolver outras habilida- des. Tudo isso treinando seu cérebro simultaneamente. A vida do dia a dia apresenta inúmeras situações que podem contribuir com nossos estudos. Por exemplo, enquanto estiver fa- zendo compras no supermercado, tente estimar o valor total do seu carrinho. Não se trata de calcular exatamente o preço, centavo a centavo, mas de ter uma noção aproximada. Isso serve para testar seus conhecimentos e suas habilidades de calcular rapidamente. Você também pode treinar sua velocidade nos cálculos em mate- mática fazendo uma receita de bolo, familiarizando ou desenvol- vendo seu talento de cálculo mental lidando com quantidades e pesos, convertendo medidas, unidades de volume (grama, quilo- grama, litro, decilitro, etc.). Na cozinha também é uma ótima oportunidade para trabalhar noções de proporção de frações, por exemplo, na hora de dividir um bolo de cenoura em pedaços iguais para 4 ou 6 pessoas. Enfim, a matemática está presente em nossa vida todos os dias, seja na hora de calcular o trajeto de carro, a quantidade de quilômetros, arrumando alguma coisa em casa, costurando, cozi- nhando. Você sempre vai encontrar algum motivo para pensar em números e treinar seu cérebro. Para aprender matemática, não tem muitos segredos, só a prática constante, a frequência e a repetição dos exercícios lhe proporcionarão facilidade e agilidade intelectual para calcular mais depressa. 55 � EXERCÍCIOS PROPOSTOS - UNIDADE 3 Tente resolver os problemas abaixo utilizando estimativas e cálculo mental. 1) O resultado aproximado de 36 x 42 é (a) 1500 (b) 1200 (c) 3600 (d) 4200 (e) 150 2) Assinale a alternativa de quantas notas de dez reais são necessárias para pagar a compra dos produtos abaixo. (a) 10 (b) 12 (c) 13 (d) 14 (e) 15 3) A melhor aproximação para 29 + 41 + 189 (a) 260 (b) 270 (c) 280 (d) 290 (e) 300 56 EX ER C ÍC IO S P R O P O ST O S - U N ID A D E 3 4) Dona Glória encomendou 7 caixas, com 24 doces cada, para vender na festa junina da escola. Depois da festa, ela viu que sobraram 35 doces e, nesse caso, pode concluir que foram consumidos. (a) 133 doces. (b) 124 doces. (c) 117 doces. (d) 105 doces. (e) 77 doces. 5) No tanque do automóvel de Carlos cabem 60 litros de gasolina. Se o marcador estiver indicando que os seus ¾ estão cheios, pode-se concluir que no tanque há (a) 45 litros de gasolina. (b) 40 litros de gasolina. (c) 34 litros de gasolina. (d) 30 litros de gasolina. (e) 20 litros de gasolina.