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GESTÃO DE PESSOAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Faculdade de Minas 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 O QUE É GESTÃO DE PESSOAS ......................................................................... 6 O QUE É GESTÃO PÚBLICA ................................................................................ 8 A ADMINISTRAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS .................................... 12 GESTÃO POR COMPETÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ...................... 14 A PREOCUPAÇÃO COM A GESTÃO DE PESSOAS NO ÂMBITO PÚBLICO .... 19 MUDANÇAS ESTRUTURAIS ............................................................................... 20 BOAS PRÁTICAS NA GESTÃO DE PESSOAS NO SETOR PÚBLICO ............... 21 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 22 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 24 Faculdade de Minas 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. Faculdade de Minas 4 INTRODUÇÃO A Gestão de Pessoas ou Administração de Recursos Humanos, como foi chamada até recentemente, vem apresentando uma enorme evolução ao longo do tempo. Inicialmente era uma função bastante operacional em que o chefe de pessoal deveria basicamente elaborar a folha de pagamento e impor o bom andamento do chão de fábrica. O professor Jean Marras fala sobre o primeiro momento da administração de RH: “Taylor e Fayol são responsáveis pelo surgimento do movimento da administração científica ou escola clássica. (…) Nesse período e sob tal influência nasceu a função do chefe de pessoal propriamente dita. (...) Alguém deveria contabilizar as entradas e saídas; os pagamentos, os vales, os descontos e as faltas. Cabia ao então chefe de pessoal ‘informar’ eventuais irregularidades e advertir ou despedir os faltosos.” Apesar desse início operacional a administração de pessoas evoluiu bastante e atualmente, tanto na iniciativa privada como na Administração Pública, tem um papel cada vez mais de liderança, autocratismo, democracia no trabalho e motivação humana. A Gestão / Administração Pública é uma das funções principais senão a principal do governo. “A administração é a parte predominante do governo; é o governo em ação. É o executivo, atuante, o aspecto mais proeminente do governo” (Woodrow Wilson, 1887). Gerir é gerenciar, direcionar, organizar, controlar, decidir por. O exercício dessa capacidade é dado ao poder público por lei e nos limites da lei, não sendo possível dela abdicar ou prescindir. Em uma velocidade crescente os diversos órgãos da Administração Pública têm reconhecido e valorizado a importância do setor de gestão de pessoas. Assim investem recursos em capacitá-los como um diferencial organizacional, o que serve Faculdade de Minas 5 de subsídio às mais diversas ações públicas. Para Habermans, a Gestão Pública brasileira é diretamente responsável por uma atuação estratégica que servem de garantia à segurança da nação considerando-se variados aspectos, quais sejam: políticos, econômicos e sociais. E, para que essa atuação ocorra de maneira eficiente, incontáveis vezes a gestão pública tem que lançar mão de uma competente Gestão de Pessoas capaz de desenvolver as habilidades e competências necessárias, além da motivação num setor historicamente marcado pala estagnação profissional. Faculdade de Minas 6 O QUE É GESTÃO DE PESSOAS Para conceituar “Gestão de Pessoas” se faz necessário um retrospecto de sua evolução histórica, uma vez que o termo foi conceitualmente mudando ao longo do tempo. Inicialmente, surgiu como uma tarefa operacional na qual ao chefe de pessoal cabia a elaboração da folha de pagamento e ações que impusessem ordem e disciplina na execução das tarefas da organização. Devido ao seu alto grau de coercitividade fica muito claro que a gestão de pessoal realizada no Brasil, no início do século, foi fortemente influenciada pela Teoria Clássica da Administração na qual o empregado é visto simplesmente do ponto de vista físico de sua força de trabalho, sendo desconsideradas suas características humanas e subjetivas. Acreditava-se que para uma eficiente atuação do empregado era suficiente a garantia das condições materiais de trabalho. Esse cenário começa a ser modificado a partir da concepção do “Homo Social” - indivíduo afetado por condições psicossociais como fator de motivação, como evolução do “Homo Economicus” - indivíduo afetado somente por condições materiais como fator de motivação, iniciada com a Escola das Relações Humanas surgida nos Estados Unidos, nas décadas de 1920 e 1930. Seguindo na evolução vem o Behaviorismo, sucessor do movimento das relações humanas. Ele, o Behaviorismo, também tem os seus fundamentos relacionados ao comportamento, porém constituiu uma crítica à visão simplista e não científica das doutrinas de relações humanas que acreditavam que o simples fato de a pessoa ter satisfação no seu trabalho já seria fato garantidor de eficiência. Os estudos iniciais sobre autocratismo, motivação humana, liderança e democracia no trabalho surgem com a abordagem behaviorista. O líder, que, até então, possuía uma função totalmente operacional, passa a ter acesso ao nível tático dentro da organização. O acréscimo dessas novas responsabilidades traz a Faculdade de Minas 7 necessidade de desenvolver competências relacionadas à capacidade de negociação. Uma das evidências disso é o amplo fortalecimento do movimento sindical que ocorreu nesse período. Na década de 1960, dá-se início ao termo Administração de Recursos Humanos em substituição à Administração de Pessoal e Relações Industriais utilizados até então. A administração de recursos humanos tem a sua gênese nas ideias originais da Teoria Geral dos Sistemas, o que significa a mudança da forma de estudo organizacional, passando de uma visão fragmentada em unidades menores e muitas vezes independentes para a visão de um sistema global e integrado, constituído de vários subsistemas interdependentes que trabalham juntos no alcance dos objetivos organizacionais. O setor de recursos humanos começa a ser contado como um dos subsistemas integrantes nesse novo modelo de organização. Faculdade de Minas 8 O QUE É GESTÃO PÚBLICA A terminologia “política”, originada do grego polis – politikós, foi utilizada de iníciopara identificar o que era social e urbano, relacionando-se às atividades dos seres humanos referentes às atuações do Estado. Na modernidade o termo é substituído por outras expressões tais como “Ciência do Estado”, e passa a ser empregado para nomear tudo o que se refere diretamente ao Estado e, o tem como ponto de partida. De acordo com Bobbio (2004), a teoria da democracia tem a sua origem em três diferentes contextos históricos. Inicialmente tem-se a chamada teoria clássica ou aristotélica, que define as três diferentes formas de governo: o governo do povo ou democracia, a monarquia ou governo de um só, e a aristocracia ou governo de poucos. Em seguida, a teoria medieval que se baseia na ideia da soberania da população. A terceira é teoria de Maquiavel, ou teoria moderna que define duas diferentes formas de governo: monarquia e república. O Estado é, para Aristóteles, a entidade que se encontra acima dos indivíduos, sendo que o bem estar comum predomina em relação ao particular. O Estado não é o resultado da relação entre a complexificação e a evolução da sociedade, mas sim a resposta à necessidade de ordem intrínseca à formação dela. Conforme São Tomás de Aquino, baseado no ponto de vista aristotélico, devido ao fato da natureza humana possuir fins terrenos uma autoridade social é necessária. A origem do poder é divina e ele tem a sua realização através da natureza humana, capacitada para sua aplicação e seu exercício. Ele entende que o Estado é uma necessidade do homem e esse tem o objetivo de servir à comunidade dos cidadãos possibilitando as condições que atendam satisfatoriamente ao bem comum. Já o conceito de lei é desenvolvido no nível do intelecto, da racionalidade. Faculdade de Minas 9 Foi Maquiavel quem fez a separação entre a moral e a religião e a política, originando assim à conceituação moderna de Estado. Ele procurou desenvolver suas teorias de acordo com o Estado já então existente e não com bases em um Estado ideal. Ciência política é a capacidade de realizar a análise de fatos, funcionamento das instituições e ações, realizando também a verificação dos resultados que foram atingidos. Quando se estuda o poder, ela, a ciência, verifica todas as ocorrências que têm relação com ele, de acordo com teorias e conceitos relacionados às relações políticas. Um consenso sobre seu real significado não existe. De acordo com alguns autores é a “ciência que estuda estruturas e processos sociais relacionados à formação, às transformações e ao exercício do poder”. Para outros é a “ciência que lida com as formas pelas quais as sociedades se organizam e se estruturam para a realização de seus fins.” O conceito mais utilizado é o que se refere “aos instrumentos, mecanismos e instituições que se valem da autoridade para distribuir os recursos escassos em uma sociedade.” Sendo classificada em clássica, moderna e contemporânea a ciência política é completamente aderente à doutrinas filosóficas de inclusão do homem na sociedade. Se faz importante dizer que a política internacional também integra a ciência política, dizendo respeito “a relação de poder, estrutura e composição do sistema internacional, corrida armamentista, sistemas de cooperação internacional, acordos e protocolos no campo socioeconômico-ambiental.” Conforme Schwartzman, 1977, existem basicamente três campos de pesquisa científica sobre o funcionamento do Estado: estudos sobre a forma como se dá a tomada de decisões dentro das instituições públicas; estudos sobre a relação entre o Estado e o sistema de governo, relacionados às áreas de saber jurídico e da forma de se distribuir a autoridade e o poder; e, estudos sobre os diversos agrupamentos sociais, nos quais a ciência política vai se aproximando da psicologia, sociologia e economia, procurando entender a estrutura das classes e o seu comportamento, bem como dos grupos sociais e as várias instituições a eles relacionadas. Faculdade de Minas 10 Com a finalidade de evitar uma possível revolução popular na Alemanha que ocorreria no final do século XIX, o chanceler alemão Otto Von Bismarck, tendo o suporte da elite elabora o modelo de Estado do Bem-Estar, criador do Welfare State. A construção do Estado do Bem-Estar depende de três elementos essenciais: devem existir excedentes econômicos, os quais serão os recursos utilizados pelo Estado para atender às demandas da sociedade; O pensamento keynesiano, em que o Estado é indispensável para o controle da economia; e uma maior capacitação administrativa do Estado, a qual foi possível a partir da centralização governamental que ocorreu no curso da Segunda Guerra Mundial. Quando se entra no paradigma da Administração Pública podemos conceituar eficácia como uma forma de verificação de cumprimento de objetivo, já o conceito de eficiência relaciona-se à utilização racional dos recursos disponibilizados e efetividade é o quanto melhor e mais adequado é o resultado alcançado. Considerando-se uma definição “lato senso” pode-se conceituar a Administração Pública como o conjunto de entidades e de serviços dotados da capacidade de realizar as diversas atividades administrativas. Waldo (1971, p. 6) diz que: “Administração pública são a organização e a gerência de homens e materiais para a consecução dos propósitos de um governo, são a arte e a ciência das gerências aplicadas aos negócios de Estado.” Já para Noberto Bobbio (1998, p. 10), “Administração Pública designa o conjunto das atividades diretamente destinadas à execução das tarefas ou incumbências consideradas de interesse público ou comum, numa coletividade ou numa organização estatal.” Conforme Di Pietro (2002), o serviço público é a ação material que através de lei é imputada ao Estado, o qual pode exercer diretamente ou pode realizar a delegação a terceiros, tendo em vista o objetivo de atender satisfatoriamente as demandas coletivas, regido parcial ou totalmente pelo regime de Direito Público. Para Shepherd e Valencia (1996, p. 103-128), as instituições públicas possuem as suas atividades administrativas dificultadas por várias situações, dentre as quais: Faculdade de Minas 11 os entraves no controle dos funcionários enfrentados por parte dos políticos; os eleitores são muito limitados no controle e acompanhamento das ações realizadas pelos políticos; e, devido ao monopólio público dos serviços oferecidos, o que possibilita a ineficiência. “no setor público, o desafio que se coloca para a nova Administração Pública é como transformar estruturas burocráticas, hierarquizadas e que tendem a um processo de insulamento em organizações flexíveis e empreendedoras. […] Essa transformação só é possível quando ocorrer uma ruptura com os modelos tradicionais de administração dos recursos públicos e introduzir-se uma nova cultura de gestão” (Guimarães, 2000, p. 127) A Administração Pública compreende estruturalmente três formas diferentes de atuação: a) burocrática – com princípios de crescimento, carreira pública, profissionalização, impessoalidade, hierarquização funcional, formalização, pretendendo combater a corrupção; b) gerencial – privilegiando a transferência para o setor privado em relação às atividades que podem ser reguladas pelo mercado proporcionando a eficiência no Estado democrático, além da descentralização e do controle do alcance dos objetivos. Ela, a administração gerencial, relaciona-se diretamente à globalização da economia mundial, ao desenvolvimento tecnológico e à expansão e abertura dos mercados; e, c) patrimonialista – na qual os ativos do Estado constituem em uma extensão do poder do monarca, que se utiliza deles de acordo com a sua vontade. De acordo com Bresser-Pereira (2006), todos os países passaram por uma segunda reforma administrativa, a saber: a reforma da gestão pública, amplamente relevante ao Estadomoderno. Assim, ele defende que, quando começa, não é possível outra atitude que não seja dar-lhe continuidade, ressalvando, no entanto, que os formas e caminhos podem ser variados, uma vez que a amplitude de instituições é muito grande. Faculdade de Minas 12 A ADMINISTRAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS O setor público possui alguns funcionários acomodados que não possuem motivação para inovar, para melhorar seu desempenho, sua produtividade, ou para simplesmente se desenvolver, pois não “ganhariam” nada com isso e nem perdem se fizerem algo a mais, ou melhor, do que é praticado, podendo afirmar que isso ocorre em consequência da política de recursos humanos que é praticada na área pública. Em decorrência disso, essa área possui uma imagem burocrática e quase sempre é ligada com a ineficiência. Os maiores motivos para essas circunstâncias seriam a falta de definição de diretrizes gerais para as políticas de recursos humanos, além da falta de tecnologia para auxiliar os responsáveis do setor. Por ser uma área que responde a diversas solicitações, de inúmeros departamentos e os funcionários aparentam muitas vezes estarem sem controle, ou seja, é um setor área que geralmente tem a função de apenas resolver problemas, e trabalha exclusivamente para “apagar incêndios”. A realização de concursos periódicos, renovando constantemente os quadros públicos, enriquece mais as carreiras, evitar os grandes espaços e diferenças entre gerações, viabilizar uma maior continuidade de políticas públicas e criar conseqüências importantes como a motivação dos servidores, uma vez que inibe a sua segregação em grupos fechados. Faculdade de Minas 13 A imagem abaixo ilustra uma prova de concurso público sendo realizada ( Fonte: https://imirante.com/oestadoma/noticias/2019/05/03/nove-concursos-publicos-estao- abertos-no-maranhao/ ) Além de permitir que os potenciais candidatos se programem para prestar os concursos. Uma ferramenta que pode contribuir para o pleno funcionamento da gestão de recursos humanos na administração pública é a avaliação de desempenho, seja ela individual ou por equipes, pois uma política consistente de avaliação de desempenho força os funcionários e gerentes a definir e priorizar em conjunto as metas e objetivos, além de determinar como os indivíduos e as equipes contribuem para o alcance dos objetivos da organização, permitindo assim identificar os pontos fracos e fortes do desempenho individual e podendo reconhecer e premiar a busca do aumento da produtividade. A área de recursos humanos deveria atuar como facilitadora e uma fonte de consulta para as demais áreas das organizações públicas, oferecendo assim condições necessárias para o desenvolvimento profissional dos servidores. Essa seria a mudança mais significativa e que traria mais resultados para as organizações públicas, mas sabemos que é muito difícil e até mesmo utópico, dada a cultura que predomina no setor, que a área deve atuar apenas apagando incêndios, operando rotinas administrativas, ou seja, um verdadeiro departamento pessoal. Uma mudança será fundamental e de extrema importância para a gestão adequada de recursos humanos: o papel dos gerentes em relação ao https://imirante.com/oestadoma/noticias/2019/05/03/nove-concursos-publicos-estao-abertos-no-maranhao/ https://imirante.com/oestadoma/noticias/2019/05/03/nove-concursos-publicos-estao-abertos-no-maranhao/ Faculdade de Minas 14 desenvolvimento profissional de seus servidores, pois a maioria dos gerentes não se envolve nesta questão atualmente e entende que este papel cabe à área de recursos humanos, quando esta última não reúne condições para identificar as necessidades de desenvolvimento de cada equipe. Quando o gerente assumir este papel, que cabe a ele, as unidades de recursos humanos poderão enfim atuar como facilitadoras e consultoras deste processo que, em última instância, será discutido entre as chefias e seus subordinados. Como vivemos na era do conhecimento acreditamos que, cada vez mais, o RH terá um papel imprescindível na empresa, sendo verdadeiro parceiro para a consecução dos objetivos desta, pois conhecimento se produz e armazena na cabeça das pessoas, e se conhecimento é considerado, em nossa atualidade, como um bem preciosíssimo, é preciso cuidar da máquina, se nos permitem a metáfora, que o produz: as pessoas. O segredo de uma boa administração de recursos humanos na administração pública está voltado a capacitação de servidores, reconhecimento e premiação pelos bons resultados alcançados e principalmente pela boa gestão de gerentes e líderes de equipe. E, como não poderíamos deixar de concluir, é preciso cuidar das pessoas; metaforicamente falando, mesmo se os recursos existirem, mesmo se os processos estiverem definidos, não há produto se não houver pessoas aptas a sincronizar os insumos de produção. GESTÃO POR COMPETÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA As organizações, públicas ou privadas, antes de recrutarem e selecionarem as pessoas que ocuparão os cargos propostos, já têm definido o perfil dos candidatos desejados. No que se refere à gestão por competências nas organizações públicas, Faculdade de Minas 15 Pires et. al. (2009) preceitua que a formação do quadro de servidores deve estar embasada na contratação de pessoal que não apenas demonstrem o domínio de conhecimentos técnicos sobre matérias específicas, mas que também tenham um conjunto de habilidades e atitudes compatíveis com suas futuras atribuições. Para ele, há uma grande dificuldade de implantação na administração pública do modelo de gestão por competências, uma vez que, há várias restrições quanto a realização de processos seletivos, pois tais processos seletivos não avaliam determinados comportamentos e atitudes. Contudo, para a adoção do modelo de gestão por competências, o referido autor, propõe que algumas questões relativas às principais fases dos concursos sejam levadas em conta. Essas etapas são compostas, principalmente, por recrutamento e seleção externa, lotação e movimentação, e seleção interna. Para o autor, devem-se analisar as lacunas de competências existentes em cada equipe de trabalho, para que, desse modo, o recrutamento atraia candidatos com os principais requisitos desejados, através de publicações voltadas para grupos específicos. Observe o entendimento de Pires et al. (2009, p. 24) “Os concursos devem ter como objetivo a seleção de indivíduos que apresentem as competências requeridas pelas equipes e/ou áreas a serem supridas e estejam alinhados com as competências estratégicas definidas pela organização. Nesse contexto, é proposto ainda, pelo autor supracitado, que os concursos públicos, além de serem aplicadas provas e comprovação de títulos, devem possuir outras formas de avaliação. Alguns concursos já possuem, por exemplo, uma etapa chamada de curso de formação, no qual são verificadas as competências interpessoais, estratégicas e gerenciais, cujas observações feitas não são possíveis através, unicamente, de provas escritas. Para Pires et al. (2009), a preocupação em provimento de cargo público de pessoas com as características inerentes ao cargo e às atividades que irão ser desempenhadas, dar-se por conta do objetivo de se contar com servidores aptos a Faculdade de Minas 16 realizar com êxito e motivação suas futuras funções e progredir de forma satisfeita em suas carreiras. O autor supracitado alerta sobre a necessidade de se mudar a filosofia predominante nas organizações públicas, segundo a qual os postos de trabalho são ocupados por pessoas com maior qualificação técnica, mas que não há uma avaliação de sua plena adequação ao cargo ou à função. Na gestão por competência, as organizações do setor público, o perfil do candidato para o posto de trabalhoe a carreira passa a ser uma variável-chave, muito embora a qualificação técnica ainda conta pontos positivos. Caracterizando os processos seletivos externos, nos quais englobam os concursos públicos para o preenchimento de cargos, Pires et al. (2009), coloca que é de suma importância, uma vez que, as provas exigem conteúdos amplos e profundos, exigindo do candidato alto nível de conhecimentos. As provas de títulos, prevista na legislação, visam a dimensão acadêmica e cognitiva dos processos de seleção. No entanto, tais aspectos priorizam somente os conhecimentos e habilidades, não considerando tão importante os aspectos relacionados às atitudes, deixando, desse modo, de se estar gerindo as pessoas por competências. Para o autor em destaque, há a argumentação por parte da administração pública que existem grandes dificuldades quanto a definição de critérios para se avaliar os aspectos relacionados à conduta pessoal e interpessoal do futuro servidor, ou seja, as atitudes e valores, posturas, a imagem que projetam ou a percepção que têm de si mesmos, sua motivação e outros traços de personalidade. O mesmo autor diz que a conseqüência imediata de tal forma de seleção pública, como está sendo realizada atualmente, é a escolha de candidatos bastante capazes intelectualmente, mas, por vezes, sem o perfil adequado para um bom desempenho num determinado cargo ou função. Outra análise feita pelo autor é que, a fase de recrutamento, na qual deveria ter como foco a identificação do perfil desejado dos futuros servidores, representa apenas uma exigência formal. Assim, é Faculdade de Minas 17 comum se ver, nesse tipo de processo seletivo, problemas de adaptação de trabalho, baixa produtividade e altos índices de doenças profissionais. Para superar a dificuldade de se gerir pessoas por competências, algumas organizações públicas têm implementado mais uma etapa em seu processo seletivo: o curso de formação. Segundo o autor, esse curso visa preparar os novos servidores de acordo com o que a lei estabelece, sem, contudo, deixar de avaliar certas habilidades e atitudes que só serão possíveis após um período de contato que permita o reconhecimento das potencialidades, qualificações e outros aspectos relacionados ao comportamento dos candidatos. Tendo como embasamento essas questões relativas ao curso de formação, esse mesmo autor ainda propõe que seja avaliado o perfil em cursos de ambientação não mais como etapa de concurso, mas já como fase de socialização na instituição. A idéia é que essa fase de observação, avaliação e desenvolvimento comportamental possa servir como base de orientação para a lotação dos servidores. No que se refere ao processo seletivo externo, o qual acontece durante o estágio probatório, o autor coloca que, apesar de não estar adequadamente regulado ou, de não ser corretamente aplicado, pressupõe-se, muitas vezes, na nomeação de servidores cujas atitudes e comportamentos ficam a desejar. Pires et al. (2009), preceitua que as atividades de recrutamento e seleção são de suma relevância para a construção e implantação do modelo de gestão por competências. Para ele, caso essas atividades sejam bem conduzidas, as instituições terão maior probabilidade de recrutar profissionais que estejam alinhados com as estratégias e objetivos organizacionais. Uma seleção em que não priorize os aspectos relacionados a competência, pode gerar custos que durarão até 30 ou 40 anos para a organização, sendo sanada a situação apenas com a aposentadoria do servidor. É proposto pelo autor, no que se refere às práticas de gestão por competências, que as instituições comparem os perfis elaborados pelos setores solicitantes com os perfis dos candidatos, buscando, assim, localizá-los nos espaços organizacionais (carreiras, setores, cargos e funções) apropriados. Faculdade de Minas 18 Com o objetivo de oferecer uma alternativa eficaz para o preenchimento de cargos e funções, o enfoque das competências também tem sido apresentado como instrumento auxiliar para os atos de nomeação de servidores. O autor coloca que esse auxilio se dá, por exemplo, porque as funções de confiança são de livre nomeação e exoneração. No entanto, o processo de preenchimento e ocupação dessas funções pode ser aperfeiçoado através do uso de bancos de talentos, além do trabalho de orientação dos gestores de recursos humanos. Esse banco de talentos versa dados dos servidores sobre sua formação, especialização, atividades acadêmicas, experiência profissional, realizações, atividades de entretenimento artísticas, desportivas, dentre outras. Segundo Pires et al. (2009), serve para auxiliar na identificação do perfil geral dos colaboradores, incluindo informações curriculares e também comportamentais. Diante do exposto, percebe-se a linha em que o autor ressalta a relevância da gestão por competências em organizações de governo. Há, sem dúvida, grandes entraves para a adoção do modelo, mas já se compreende o conceito, já se tem a idéia da dimensão que se quer conseguir com tal forma de gerir as pessoas, de modo a gerar melhores resultados. Tem-se que, segundo as idéias propostas pelo autor supracitado, a gestão por competências requer uma análise desde o recrutamento e seleção, para cargos públicos, através da identificação do perfil adequado dos futuros servidores, sugerindo uma nova fase de avaliação (curso de formação) para viabilizar e conhecer algumas atitudes e comportamentos dos servidores, passando pelo estágio probatório, fazendo-se, nessa fase, uma avaliação mais eficiente quanto a que já é estabelecida pela legislação, criando-se um banco de talentos, no qual facilite a identificação de características e determinadas competências para alocar e prover as pessoas (seleção interna), além de redirecionar essas pessoas profissionalmente, permitindo a elas criarem verdadeiras carreiras. Faculdade de Minas 19 A PREOCUPAÇÃO COM A GESTÃO DE PESSOAS NO ÂMBITO PÚBLICO A preocupação com a gestão de pessoas no âmbito público ou privado tradicionalmente era considerada eficiente quando as pessoas tinham o perfeito domínio das habilidades técnicas necessárias para o desempenho de suas funções. Na atualidade, contudo, a capacidade técnica, apesar de necessária, não é um fator suficiente para garantir o êxito no âmbito privado ou público, mas também a eficiência com base em novos modelos de gestão de pessoas. Muitos autores apresentam estudos e tendências sobre as características ideias do funcionalismo público, traçando um perfil que inclui aspectos como visão sistemática e estratégica, domínio pessoal, capacidade de trabalhar em equipe, habilidades, criatividade, flexibilidade e inovação, comportamento ético e capacidade de aprender, liderar e educar. ( Fonte : https://fia.com.br/blog/gestao-de-pessoas/ ) https://fia.com.br/blog/gestao-de-pessoas/ Faculdade de Minas 20 MUDANÇAS ESTRUTURAIS A gestão de pessoas na administração pública é uma área altamente engessada e que precisa de mudanças estruturais e legais para aumentar sua eficiência. Aspectos como maior flexibilidade no desligamento por baixa eficiência e redesenho das carreiras, por exemplo, são pautas que estão sendo discutidas no legislativo e pela sociedade civil e que fogem das mãos dos gestores públicos. Elas visam, de forma geral, aumentar a eficiência do setor oferecendo maior flexibilidade para os gestores e mais atrativos para novos talentos. Como toda reforma, a pauta ainda passará por debates no Congresso Nacional e terá um longo percurso pela frente até ser aprovada. Por isso, até lá, nós do CLP – Liderança Pública entendemos que existem boas práticas que os gestores públicos podem realizar para melhorar a gestão de suas equipes, independentemente das mudanças estruturais que precisam acontecer. https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/07/16/interna_politica,771161/estabilidade-dos-servidores-publicos-entra-na-mira-do-congresso.shtmlhttps://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/07/16/interna_politica,771161/estabilidade-dos-servidores-publicos-entra-na-mira-do-congresso.shtml https://www.oliverwyman.com/content/dam/oliver-wyman/Brazil/A-Reforma-Do%20Rh-Do-Governo-Federal.pdf Faculdade de Minas 21 BOAS PRÁTICAS NA GESTÃO DE PESSOAS NO SETOR PÚBLICO Desalinhamento, desmotivação, pouco comprometimento e dinâmicas pouco saudáveis de relacionamento, como fofocas, são exemplos de desafios que acometem equipes no setor público. Somado a isso, o setor público enfrenta uma alta rotatividade de gestores. Enquanto na iniciativa privada essa rotatividade ocorre com mais frequência no nível operacional, no setor público os servidores ficam anos na carreira e os gestores, por serem eleitos ou indicados, ficam pouco tempo no cargo. Além de contribuir para uma descontinuidade das políticas públicas, isso acaba gerando um baixo comprometimento na equipe, que se torna resistente às mudanças que são propostas. Faculdade de Minas 22 CONSIDERAÇÕES FINAIS A atuação da Gestão de Pessoas na Administração Pública atualmente possui como um dos objetivos implementar e realizar a Gestão do Conhecimento, de forma a subsidiar as ações da organização e permitir que essa cresça de forma sustentável. Pode-se concluir que no contexto público a Gestão do Conhecimento possui um viés, como não poderia deixar de ser, amplamente social, objetivando ganhos globais, os quais retornam à sociedade como benefícios, possibilitando maior rapidez e qualidade no atendimento das suas necessidades. De forma diversa, na iniciativa privada, a Gestão do Conhecimento é realizada especialmente tendo em vista um maior retorno financeiro. Pode-se constatar ainda a enorme complexidade e importância da Gestão de Pessoas na Administração Pública, além do grande desafio na implementação de projetos de Gestão do Conhecimento, preponderantemente devido à prevalência de critérios puramente políticos visando os interesses dos dirigentes e não necessariamente da sociedade que os elegeram. A busca desses interesses leva à existência um setor público no qual as estruturas são limitadas na sua capacidade de atender adequadamente aos desafios operacionais mais básicos além da escassez de recursos. As instituições públicas se prestam a objetivos diversos das instituições privadas, uma vez que para a iniciativa pública a eficiência relaciona-se ao pronto atendimento das demandas da sociedade e, na iniciativa privada, a eficiência associa- se claramente a demandas vinculadas à maior lucratividade adquirida com os seus negócios. São diversas as razões que atrapalham a implantação da Gestão do Conhecimento no ambiente público, dentre os quais destacam-se: a existência de uma cultural organizacional impregnada de acomodação e continuísmo, com a tendência a se realizar o mínimo de acordo com as exigências da burocracia, em que Faculdade de Minas 23 não existe estímulo ao aprendizado contínuo e nem à formalização e produção de conhecimento; a enorme dificuldade na formalização dos conhecimentos, em sua maior parte, tácitos dos trabalhadores; indisponibilidade de tempo, recursos e/ou interesse para que ocorra a disseminação do conhecimento, as políticas ou visões pessoais para estimularem as questões relacionadas à gestão do conhecimento são falhas ou inexistentes, e o que normalmente se observa é o foco se restringe à utilização da tecnologia; não existem mecanismos que possibilitem avaliações contínuas e sistemáticas referentes ao que está definido na estratégia organizacional, que em grande parte das vezes, como consequência de mudanças políticas, é perdida ou alterada em grande velocidade impossibilitando ou no mínimo, dificultando bastante uma Gestão do Conhecimento eficaz. A certeza de uma eficaz Gestão de Pessoas, suportada pela Gestão do Conhecimento evoluindo para a Gestão por Competências, na Administração Pública, possui grande dependência de mudanças e reformulações organizacionais às quais possibilitem a implantação dos projetos de gestão que em grande parte dos casos, se localizam somente no papel, não tendo de fato aplicação prática. Como vimos acima, a gestão de pessoas na administração pública deve ser uma área estratégica do governo e não uma área burocrática e focada somente em aspectos técnicos, como departamento de pessoal. O recurso humano é o principal ativo do setor público e, por isso, deve ser bem utilizado e pensado de forma estratégica. Para chegar à etapa de maturidade da equipe, os cinco passos explicados acima, isto é, valorizar, engajar, acompanhar, avaliar e desenvolver, são essenciais. Faculdade de Minas 24 REFERÊNCIAS **Ildevania Felix de Lima, Graduada em Administração Geral pela Faculdade Leão Sampaio – Juazeiro do Norte/CE e funcionária pública da Secretaria de Finanças de Juazeiro do Norte/CE. ALVES, Glauber F et.al Learning Organization. A Importância da Gestão do Conhecimento. 2004. AMARAL, Helena Kerr do. Desenvolvimento de competências de servidores na administração pública brasileira. Revista do Serviço Público – ENAP, vol. 57, n 4 – Out/Dez 2006, p. 549-562. APOSTILA DE DIREITO CONSTITUCIONAL. Belo Horizonte: Meritus Preparatório para Concursos, 2008 BENEDETTI, Fabiana. Gestão do Conhecimento: um importante recurso para a inteligência estratégica BERGAMINI, Cecília Whitaker. Motivação nas organizações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. BOOG, Gustavo G. (org.). Manual de gestão de pessoas e equipes. 2 ed. São Paulo: Editora Gente, 2007. BRÁS, Filomena Antunes. Necessidade e dificuldades em valorizar o capital humano. Revista Tékhne, v. 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