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Autoria: André de Faria Thomáz CIÊNCIAS SOCIAIS,CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICASHUMANAS E POLÍTICAS SSEJAEJA BEMBEM--VINDOVINDO!! ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos expediente Ficha técnica autoria: andré de faria tHomáZ suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alves design instrucional: antonio Carlos vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alves rodriGues diagramação e tratamento de imagens: ismael ramos martins revisão textual: antonio Carlos vieira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a autoriza- ção escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. THOMÁZ, André de Faria. T699c Ciências sociais, humanas e políticas. André de Faria Thomáz. 2ed. Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2022. 144 p. 1. Sociologia. 2. Filosofia. 3. Política. 4. Cultura. I. Centro Universitário Ateneu II. Título CDU 658 ISBN: 978-85-5468-330-6 Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio SSEJAEJA BEMBEM--VINDOVINDO!! Caro(a) estudante, Você sabia que quanto mais conhecemos sobre nossas origens mais aptos ficamos para absorver e trocar conhecimento? Então, apresentamos o livro da disciplina Ciências sociais, humanas e políticas. Nele, trabalharemos temas de grande relevância para sua formação pessoal com reflexos na profissional. O nosso material está dividido em quatro unidades. Na primeira delas, faremos uma introdução sobre o Homem e suas vivências dentro de uma sociedade com foco no conhecimento, tendo princípios como prisma para o controle das atividades humanísticas e sociais. Na segunda unidade, aprenderemos sobre a sociedade, suas facetas e controles sobre a evolução do homem como ser natural que procura em sua origem um motivo para descrever seus pensamentos e assim atribui-los dentro das atividades diárias. Na terceira unidade, conheceremos um pouco sobre a relação homem x política, com um foco mais institucional na necessidade do homem em dominar e assim evoluir. Na última unidade, abordaremos mais sobre a cultura e a forma como ela atribui valores aos homens e suas ações e até mesmo um pouco sobre a arte. Estamos juntos nesta jornada de formação, e parabéns para você que chegou até aqui e estudará um tema tão importante como ciências sociais, humanas e políticas. Vamos juntos nessa busca pelo conhecimento?! SUMÁRIO Informação curiosa relacionada com o conteúdo. Texto ou mídia complementar ao conteúdo. Exercícios para fixar o conteúdo. VVIDEOAULAIDEOAULA Vídeos para fundamentar o conteúdo. AANOTAÇÕESNOTAÇÕES RREFERÊNCIASEFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: Importante: Ao final do capítulo ou unidade, você encontrará uma videoaula contendo informações complementares sobre os assuntos estudados. Para ter acesso a essas videoaulas, acesse o link ou utilize o QR Code. SUMÁRIO 1. Os princípios do conhecimento dentro do âmbito cosmológico ......................................................8 1.1. O Homem como ser pensante ..................................10 1.2. As sociedades humanas ..........................................14 2. A pertinência do conhecimento e seus princípios .................................................................20 3. O circuito razão/afeto/pulsão e a unidualidade ...............25 Referências .........................................................................34 01 1. A história das ideias ................................................... 38 2. Para compreender Durkheim e o pensamento sociológico: o objeto – a sociedade ............................ 44 3. Para compreender Marx e o projeto revolucionário ................................................. 46 4. A ideologia alemã de Weber e a conduta do indivíduo .................................................. 50 5. Utopia e ética revolucionária em Marx ...................... 56 Referências .................................................................... 69 02 A SOCIEDADE O HOMEM 1. Antropologia cultural .............................................. 110 2. Cultura x cultura patrimonial x cultura industrial .... 113 3. A arte ..................................................................... 116 4. Desigualdades sociais ........................................... 122 5. Cultura afro e crenças ........................................... 124 6. A influência da religião .......................................... 127 7. Os povos indígenas ............................................... 129 8. A revolução digital ................................................. 132 Referências ............................................................... 143 04 A CULTURA 1. O Estado e a política .................................................. 72 2. Conceito de política e a teoria do Estado ................... 74 3. Introdução à teoria política ......................................... 81 4. A política social e a república ..................................... 85 5. Situação social e política no Brasil e a república ....... 87 6. Platão e a república .................................................... 89 7. A política e a democracia ........................................... 91 7.1. Política na Roma Antiga na visão de Cícero ................................................... 97 7.2. Pensamento político cristão: Agostinho, Tomás de Aquino e Thomas Morus .................. 100 Referências .................................................................. 106 03 A POLÍTICA Unidade 01 O hOmemO hOmem andRé de FaRia thomázandRé de FaRia thomáz ApresentaçãoApresentação Bem-vindo(a) à primeira unidade do nosso livro. Estudaremos aqui os principais eventos históricos que ocorreram no final da Idade Média e levaram ao fim da sociedade feudal. Destacaremos as principais características da sociedade moderna que surgiu a partir desse contexto e os processos de urbanização e industrialização das grandes cidades europeias, que culminaram nas grandes revoluções sociais. Ressaltaremos as mais significativas para o surgimento de uma nova forma de se pensar a vida social: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. A partir do século X, a população europeia apresentou um grande crescimento demográfico, ela praticamente dobrou, o que exigiu a ampliação das lavouras e a dinamização do comércio entre as cidades para atender principalmente as necessidades alimentares. Para atender à crescente demanda, os senhores feudais buscaram manter o controle sobre a produção de alimentos por intermédio de pesadas cobranças de obrigações sobre a utilização das terras, equipamentos e diversos outros tipos de direitos camponeses, o que resultou em uma série de revoltas no século XIV. 8 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Tais revoltas acabaram resultando em melhorias para os camponeses, como o aumento da liberdade para negociar sua produção, especialmente com o barateamento do uso da expansão marítima (período do século XV ao século XVII), melhora nas condições de vida e status social e conquista de posição de destaque no sistema produtivo feudal. Esse movimento histórico, que ocorreu na Baixa Idade Média, recebeu o nome de Renascimento Comercial. OOBJETIVOSBJETIVOS DEDE APRENDIZAGEMAPRENDIZAGEM • Descrever a participação do Homem na filosofia e dentro da sociologia; • Conhecer como o Homem se manifestajunto a sua existência; • Estabelecer a capacidade humana de se autorreconhecer; • Compreender o Homem como ser dentro de uma sociedade. 1. Os princípiOs dO cOnhecimentO dentrO dO âmbitO 1. Os princípiOs dO cOnhecimentO dentrO dO âmbitO cOsmOlógicOcOsmOlógicO O desejo de ser feliz, de se realizar, de estar bem acompanha a humanidade desde muitos milênios. Ainda que seja o desejo de cada indivíduo, ninguém é feliz sozinho. Essa busca pela felicidade pertence à ,, a toda família humana. A busca por mestres, gurus, coaching, treinamentos, livros de autoajuda e experiências místicas comprovam que essa busca por felicidade e realização continua presente. A motivação mais imediata da pesquisa social é a produção de conhecimento social. Como ferramentas para adquirir tais conhecimentos, a pesquisa pode ter objetivos distintos: ela pode tentar resolver problemas específicos (como medir a renda per capita de um dado município); pode gerar teorias (como a melhor maneira de analisar os fatos); e pode colocar à prova teorias já existentes (com o questionamento se tal método é mesmo eficiente) (MARTINS, 2006). CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 9| O talentoso ator e diretor Antônio Abujamra conduziu um programa de TV durante 15 anos. No início do programa, ele sempre afirmava: “Esse programa pode não ser uma janela aberta para o mundo, mas é, certamente, um periscópio sobre o oceano do social”. Figura 01: A palavra conhecimento vem do latim, de cognoscere, ou seja, ato de conhecer. Fonte: https://bit.ly/3KOzghI. Trata-se de uma afirmação que inspira a pensar os desafios para compreender a sociedade, ou seja, entender esse oceano do social. Mais especificamente, no Brasil, o desafio parece conduzir a complexidades ainda maiores ao darmos conta das contradições e perplexidades do país. Diante disso, surgem o estudo necessário e a busca pelo rigor científico dentro da pesquisa social. Isso ocorre porque é por intermédio desse estudo objetivo da sociedade que se torna possível observar a sociedade e as relações sociais. Nesse sentido, surgem as seguintes questões: como deve ser a produção de conhecimento dentro das ciências sociais? Ou seja, como estabelecer o rigor científico necessário para ser possível avaliar melhor a sociedade, buscar progresso, justiça e mais cidadania? O objeto primordial deste estudo é apresentar o embasamento teórico acerca da pesquisa humana e suas capacidades (por exemplo, o mecanismo formal e sistemático para se desenvolver o método científico de análise), bem como daquilo que é chamado de social (a saber, os aspectos relativos aos seres humanos, em seus diversos relacionamentos com outros seres humanos, seus problemas e demandas), ou seja, aplicar a pesquisa científica no âmbito social. 10 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Esse objeto trata dos percursos escolhidos para este estudo. Para tanto, deve-se fundamentar teórica e historicamente os passos do pesquisador; deve-se, ainda, analisar a realidade do conhecimento e dos dados sociais. É preciso perpassar pelas doutrinas filosóficas e pelas visões de mundo que fundamentam esta pesquisa. Além disso, é essencial, ao final, falar mais objetivamente sobre a própria pesquisa social, sua finalidade, bem como sobre o papel essencial do pesquisador. Tentar compreender a sociedade da forma mais objetiva possível é uma prática mantida pelo menos desde a Grécia Antiga. São clássicos os textos de Aristóteles (367-347 a.C.) sobre a cidade e a afirmação já bem conhecida de que: “Assim, o homem é um animal político, mais social do que as abelhas e os outros animais que vivem juntos”. (HALL, 2003, p. 14). O filósofo já ressaltava a relevância de pensar o ser humano inserido em um contexto social e, mais do que isso, concretizava a sociedade como parte de sua essência primordial. Nesse sentido, desde Aristóteles, muitas teorias acerca da relação do ser humano com seu entorno social foram difundidas. Porém, de forma mais concreta, é a partir da Modernidade que esse olhar sobre o social é aguçado. Cabe a análise de como classificar os conhecimentos, bem como a maneira de aplicá-los dentro das ciências humanas. Por isso, antes de adentrar nos dilemas da Idade Moderna, acerca da validade e essência dos conhecimentos, é preciso conhecer um pouco mais os tipos de conhecimento dentro da pesquisa social. 1.1. O Homem como ser pensante1.1. O Homem como ser pensante Estabelecer a natureza do conhecimento sempre foi uma tarefa árdua para o pensamento filosófico. Nesse sentido, é importante levar em consideração que a palavra conhecimento aqui tratada tem a forma mais elementar possível, apresentando as questões que alguns dos grandes pensadores elaboraram, tais como: podemos realmente conhecer algo? Quais são os limites do conhecimento? Se conhecemos algo, qual o mecanismo deste conhecimento? CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 11| Cronologicamente falando, a Idade Moderna teve início com um grande fato, a queda de Constantinopla, símbolo de uma tradição antiga e medieval. A maioria dos mestres bizantinos (alusão a Bizâncio, como era também conhecida Constantinopla) fugiu para a Itália, e lá se iniciou o que ficou conhecido como Renascimento (MORIN, 2009). O espírito humanista e as reflexões artístico-filosóficas, nessa época, expandiram-se por toda a Europa, dando início a uma etapa muito importante para a História, a chamada Idade Moderna. Diante disso, surge o seguinte questionamento: qual a relação desse novo período histórico com a produção de conhecimento? A conexão da Idade Moderna com a gênese de uma nova ciência e do próprio conhecimento científico é profunda. Nessa época, surgiram cientistas que estabeleceram novas possibilidades de saberes matemáticos e físicos e que ousaram descrever o universo como nunca foi feito. São os novos paradigmas científicos descobertos não somente no âmbito das ciências puras, mas também na filosofia – novas ideias foram desenvolvidas (LIMA, 2000). A Modernidade apresenta, filosoficamente, novas questões acerca do saber puro, especialmente do saber social, o qual nasce, com a Modernidade, em vários autores. Entre eles, destaca-se um filósofo de grande relevância, que prenuncia a importância também política do conhecimento. Com base na definição dessa análise, surge a importância de Francis Bacon como um dos pioneiros a formular o método científico moderno, o qual também foi agregado, pelo filósofo, ao estudo da sociedade, outra ampla fonte de conhecimento. Nesse sentido, no subtema a seguir, vamos compreender quando ocorreu o surgimento das ciências sociais. A influência da filosofia no âmbito das ciências sociais desenvolveu mecanismos que estruturaram o método da pesquisa social. Aqui, mecanismos significa mencionar as várias possibilidades teóricas de se descrever essa pesquisa. As principais formas de se fundamentá-la em seu aparato teórico ocorrem pelas vertentes do racionalismo, empirismo, idealismo e materialismo. 12 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Com base nesses métodos, pode-se formular algumas perguntas básicas, tais como: qual o papel da racionalidade para o desenvolvimento de uma pesquisa? É o aparato racional sua única gênese? E a base empírica do conhecimento, ela se mantém por si mesma? Ou há alguns elementos ideais que norteiam a pesquisa? Se a corrente materialista surge como uma síntese desses questionamentos, o materialismo é a solução mais completa? Veremos a resposta a esses questionamentos nos próximos subtemas. Primeiramente, vamos compreender o racionalismo. A corrente racionalista recebe essa designação porque é representada por filósofos, principalmente os modernos, que formularam a máxima de que os procedimentos racionais para a determinação de técnicas e crenças são os únicos confiáveis para qualquer área de labor. Isso significa que a razão é o único critério de verdade, ou seja, o que torna algo conhecido ou não. Uma das grandes influênciasracionalistas para o desenvolvimento das pesquisas científicas e sociais é o método cartesiano, formulado no tratado matemático e filosófico de René Descartes, constante na sua obra O discurso do método, publicada pela primeira vez em 1637. (MARTINS, 2006) Figura 02: René Descartes (1596-1650), filósofo, físico e matemático francês conhecido como "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna". Fonte: https://bit.ly/3nxtBm8. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 13| O idealismo também é uma corrente filosófica importante para entendermos os fundamentos da pesquisa social. Ao contrário do empirismo, o idealismo descreve a verdade por meio das ideias, dos conceitos e das formas, todos sinônimos de um conhecimento inato. Em termos da pesquisa social, o idealismo pode influenciar a concepção, trazendo as formas e o aparato conceitual já estabelecido em determinados problemas. Trata-se de assumir a importância dos conceitos como guias que conduzem a pesquisa. Em contrapartida, quando um programa de doutorado de dada universidade lança pesquisas para desvendar alguns conceitos que aparecem através da História, sua motivação é de cunho teórico, ou seja, criar teorias que ajudem a compreender a realidade. Como pôde ser observado, o teórico e o prático andam juntos e, por isso, é difícil separá-los em determinados momentos. Contudo, deve-se ter em mente que a motivação das pesquisas nasce, sim, de pressupostos teóricos ou práticos. Acerca desse tema, Hall (2003, p. 42-43) afirma que: A pesquisa pura busca o progresso da ciência, procura desen- volver os conhecimentos científicos sem a preocupação direta com suas aplicações e consequências práticas. Seu desenvolvi- mento tende a ser bastante formalizado e objetiva à generaliza- ção, com vistas na construção de teorias e leis. A pesquisa apli- cada, por sua vez, apresenta muitos pontos de contato com a pesquisa pura, [...] todavia, tem como característica fundamen- tal o interesse na aplicação, utilização e consequências práticas dos conhecimentos. Dentro das perspectivas teóricas e práticas, o avanço das ciências sociais é o norte maior da pesquisa social, com o objetivo de desenvolver-se como ciência e tentar desbravar as questões que mais desafiam as relações em sociedade. Quando se pensa no distanciamento de um cientista em relação a seu objeto de estudo, por exemplo, um biólogo e as células vegetais, ou um químico que estuda as partículas de carbono, observa-se que o não envolvimento com o objeto de estudo parece algo relativamente fácil. Porém, dentro das ciências sociais, a tarefa de não se misturar, ou mesmo se desviar emocionalmente dos fatos, torna-se mais difícil. 14 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| É exatamente nesse momento que é preciso lembrar da posição do pesquisador, mas sem perder de vista a comoção e a responsabilidade com o próximo. Cabe ressaltar os aspectos éticos da função de pesquisador, devido ao importante fato de ele estar lidando com as vidas e as histórias das pessoas. Nesse caso, o pesquisador deve ter sempre consigo o norte ético no tratamento com os dados e com as pessoas, no sentido de não inventar dados, guardá-los com o máximo sigilo e, em nenhuma instância, apelar para o plágio e para o simples copiar e colar de dados. Esses aspectos éticos são de grande magnitude na relação do pesquisador com a pesquisa. 1.2. As sociedades humanas1.2. As sociedades humanas As sociedades humanas são mutáveis, e a realidade social sempre foi objeto de estudo dos cientistas sociais ao longo do tempo. Ao mencionar organização de pessoas e de cultura, isso se trata de formas distintas de sociedade. E são distintas por terem hábitos e culturas diferenciados e por se organizarem com base em uma dada formação cultural. Nesse sentido, é fundamental perceber que as ações das pessoas em sociedade são influenciadas pelos acontecimentos históricos, que podem até parecer distantes a elas em termos temporais, mas que, na realidade, influenciam decisivamente na vida cotidiana. Dessa forma, os diversos autores estudados nesta unidade apresentam suas compreensões das relações entre indivíduos e sociedade e seus conceitos com a finalidade de fazer possível a compreensão do próprio cotidiano da História. Diversos teóricos elaboraram diferentes conceitos como forma de explicar as ações dos homens em sociedade e, por meio disso, identificaram caminhos para as elaborações das suas teorias sociológicas. Essas teorias, entre outras finalidades, possibilitaram compreender o agir dos homens na História. Vamos acompanhar agora um pouco sobre estes fatores que elencam alguns desses teóricos, bem como o objeto de estudo de cada um. Max Weber foi um sociólogo alemão que nasceu em 1864. É considerado um dos pensadores mais modernos e suas teorias exerceram grande influência nas ciências sociais a partir dos anos de 1920 no que diz respeito à relação do capitalismo com o protestantismo. Weber procurou investigar a influência das doutrinas religiosas no campo econômico. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 15| Os seus estudos giram em torno do significado da ação social. Mas o que seria a ação social? Para ele, a ação social é qualquer ato praticado pelo indivíduo, o qual se orienta pela ação dos outros. Essas ações podem ser ações passadas, presentes ou futuras (ANDERY, 2007). A ação social é qualquer ação que o indivíduo pratica orientando-se pela ação de outros. As ações sociais são condutas praticadas por indivíduos ou grupos de indivíduos dotados de um sentimento, uma motivação e que existem como respostas às ações de outros indivíduos (ANDERY, 2007). De acordo com Morin (2008), Weber considerava que era necessário realizar estudos empíricos com um número significativo de casos de qualquer aspecto da sociedade que se queira analisar. Baseando-se nesse estudo, é possível elaborar o que ele chamou de tipo ideal. Obtém-se um tipo ideal mediante a acentuação unilateral de um ou vários pontos de vista e mediante o encadeamento de grande quantidade de fenômenos isolados dados, difusos e discretos, que se podem dar em maior ou menor número ou mesmo faltar por completo, e que se ordenam segundo pontos de vista unilateralmente acentuados, a fim de formar um quadro homogêneo de pensamento. (MORIN, 2008, p. 78). O tipo ideal é um modelo teórico de uma realidade captada em processos empíricos. O sociólogo deve colocar-se no lugar do agente analisado e buscar as razões para as suas condutas (WEBER, 1996). O mérito de Durkheim aumenta quando publica o livro As regras do método sociológico, em 1895, obra em que ele define uma metodologia de estudo, a qual, apesar de boa parte ser extraída das ciências naturais, apresenta a sociedade como funcional. Ele define uma metodologia de estudo que dá seriedade à nova ciência, a sociologia. A sociologia tinha por finalidade não somente explicar a sociedade, bem como encontrar soluções para a vida social, pois a sociedade, como todo organismo, apresentaria estudos normais e patológicos, isto é, saudáveis e doentios (DURKHEIM,1999). Assim, a metodologia de Durkheim é a observação dos fatos sociais como coisas e o reconhecimento desses fatos pela coerção que estes exercem sobre os indivíduos. 16 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Figura 03: Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês, e o seu As regras do método sociológico. Fonte: https://bit.ly/3qzI42L (Divulgação). Ao finalizar as explicações sobre os grandes pensadores da época, é importante que tenham ficado claros os pontos abordados por cada um deles e que tenha sido possível conhecer as matrizes teórico-metodológicas do pensamento sociológico. Elas são essenciais para compreender o mundo no qual o(a) profissional intervirá. Além disso, é fundamental que sejam identificadas as matrizes teóricas das pesquisas na área das ciências sociais. Podemos compreender a sociedade moderna a partir da Revolução Industrial. Esse momento ocasionoudrásticas mudanças na forma de organização da sociedade, a qual era caracterizada pela racionalização legal e burocrática, pela urbanização, pela mobilização social e pela democratização das ações políticas. Além disso, têm-se a valorização do homem, a diminuição do poder da Igreja sobre o comportamento das pessoas e o domínio da tecnologia. Porém, é preciso entender que a sociedade moderna é extremamente complexa, pois, para o seu funcionamento, é necessário que as coisas se integrem e interajam entre si. Marx, por exemplo, concebe que as relações de produção entre os homens no sistema capitalista dependem de suas relações com os meios de produção. Por isso, devido à atualidade desse pensamento, o debate sobre os temas tratados por Marx, como globalização, luta de classes, mais-valia e desigualdade, continuam sendo realizados em âmbito acadêmico. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 17| O positivismo lógico possuía uma inspiração radicalmente empirista e totalmente antimetafísica, a qual é uma postura filosófica contrária a qualquer aspecto suprassensível da realidade. O que existe só pode ter existido primeiro na experiência sensível. Esse antimetafisicismo teve como principais expoentes Moritz Schlick (1882-1936), Rudolf Carnap (1891-1970), entre outros pensadores que se destacaram. Já o neopositivismo tornou-se uma inspiração teórica para se pensar a epistemologia e a metodologia, trazendo luz às concepções indutivas, dedutivas e hipotético-dedutivas dentro da metodologia científica. Em um primeiro momento, esses passos se assemelham às fases clássicas da metodologia científica. No entanto, Popper adiciona um componente de grande relevância. Sua ideia básica era definir o que é ciência, contrapondo-se a outras áreas que não teriam a característica de ciência. Para isso, Quintaneiro (2002) observou que toda ciência é, de fato, ciência – exatamente por ser refutável e por não ser totalizante e verificável. Pode-se verificar, por exemplo, se há algum cisne negro, e não todos brancos. Isso dá caráter científico ao ramo da biologia. Porém, não é possível verificar de forma objetiva outras áreas do saber extremamente populares à época de Popper, como o marxismo e a psicanálise. Ambas definem o mundo por meio de suas concepções, respectivamente, da luta de classes e do inconsciente. O conceito de materialismo pressupõe que não há, na realidade, nada além do que a materialidade dos corpos; não há, na realidade, nada de metafísico, mas, sim, uma lei física de conservação da matéria. Essa matéria opera de forma dialética por meio da História, tendo a luta das classes daqueles que querem possuir essa matéria (ou conservá-la) como motor e movimento. Dessa forma, a dialética se associa à materialidade da História. O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo que estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida da sociedade, de sua evolução histórica e da prática social dos homens, no desenvolvimento da humanidade. O materialismo histórico significou uma mudança fundamental na interpretação dos fenômenos sociais que, até o nascimento do marxismo, apoiava-se em concepções idealistas da sociedade humana. (CHAUÍ, 2009) 18 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Assim, observa-se que o materialismo histórico e dialético corresponde a uma abordagem teórico-metodológica que visa compreender a dinâmica das transformações que se processaram na História e nas relações sociais. Em resumo, o materialismo histórico diz respeito ao trato com a matéria operada pelo trabalhador, que desenvolve a cultura e a História, o que faz surgir o pensamento e o que possibilita a práxis, ou seja, a mudança. As categorias analíticas, sob uma perspectiva marxista, emanam da realidade. Assim, elas podem ser usadas na tentativa de explicar o movimento de constituição do real e dos fenômenos que envolvem a realidade. Para isso, é necessário um movimento de sucessivas aproximações com essa realidade, mediante a ação imbuída de processo reflexivo e capaz de perceber as contradições que estão por trás dos fenômenos presentes, os quais devem ser entendidos como síntese de múltiplas determinações. A observação da realidade inspirou Marx e continua a inspirar os pesquisadores sociais a formatarem suas pesquisas, delinear hipóteses, sem deixar de observar a relevância das transformações sociais, as quais sempre indicam algo. Além disso, o funcionamento do método científico está pautado na produção conceitual que várias áreas do pensamento humano promoveram. Por isso, a pesquisa social se relaciona com diversas perspectivas teóricas. Dessa forma, pudemos observar a pesquisa social por meio das bases estruturalistas, por exemplo, que observam as sociedades como uma estrutura cultural, linguística e de relações. Essas estruturas possuem maneiras sistemáticas de observar a cultura humana. Foram estudos, portanto, que desenvolveram novos olhares sobre a pesquisa social. Ainda, pudemos definir a epistemologia das ciências sociais mediante o olhar marxista, ou seja, por meio da metodologia materialista- dialética. O alcance do método marxista se dá na aproximação que essa concepção teórica tem com o mundo das pesquisas sociais. Essas metodologias possibilitam um olhar mais crítico acerca da pesquisa social, pois, por meio delas, pode-se observar como a sociedade funciona e de que forma os pensadores tratavam a pesquisa ao longo da História. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 19| Essas metodologias demonstram que, tanto nas ciências puras quanto nas sociais, os métodos se adequam à rotina da pesquisa. Porém, nas ciências sociais, as particularidades se apresentam no detalhamento que os pensadores da sociedade indicam. Por isso, é importante ressaltar as várias correntes teóricas que nos ajudam a investigar a sociedade com o devido rigor científico. É importante saber que uma das características que distingue a ciência de outros tipos de conhecimento é o método. Como mencionado, o método compreende o conjunto de etapas e procedimentos que orientam a investigação dos fatos ou a busca pela verdade. O surgimento da ciência e, com isso, do seu método, está diretamente vinculado às ciências da natureza, considerando que são as primeiras a se desenvolverem no século XVII. É apenas no final do século XVIII que surgem as ciências sociais e humanas (psicologia, sociologia, entre outras) (LIMA, 2000). Em um primeiro momento, as ciências tentaram garantir um estatuto de cientificidade e, para tal, utilizaram o método experimental nas suas formulações teóricas. Aos poucos, os cientistas da época foram percebendo a inadequação desse método para os fenômenos humanos. Com isso, a coleta de dados pode ser realizada por meio de várias formas: pesquisas, entrevistas, questionários e outros meios. Após essa coleta, faz-se necessária a tabulação dos dados, que são ordenados de acordo com o tipo de informação que se deseja obter. Esse método, portanto, é um aliado do planejamento de empresas, governos e instituições voltadas à realização de pesquisas. Além disso, vale ressaltar que, atualmente, a tecnologia é uma aliada forte do método estatístico. Existe, por exemplo, a aplicação desse método por softwares de análise de dados. Com base nisso, as instituições podem reorganizar os seus procedimentos de controle e os seus processos, para que a pesquisa se mantenha atualizada e competitiva. Estudar esses métodos pressupõe que é necessário que tenhamos uma ferramenta para nos guiar na elaboração de uma pesquisa. É por meio do método que são realizados os experimentos, as comparações, as análises e as investigações. Trata-se de um instrumento eficaz na investigação e que dá credibilidade aos resultados que estão sendo investigados. 20 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Já com relação à pesquisa social, presente em diversas profissões, é fundamental ter o conhecimento sobre os métodos, pois, no cotidiano profissional e acadêmico,a pesquisa social é uma atribuição do pesquisador, sendo que, nos mais diversos campos de atuação profissional, encontram-se pesquisadores investigando a realidade social, com o objetivo de compreendê- la, para que, assim, a intervenção seja realizada de forma precisa e coerente. 2. A pertinênciA dO cOnhecimentO e seus princípiOs2. A pertinênciA dO cOnhecimentO e seus princípiOs A ciência é um conjunto de fatos, teorias e métodos que constituem um conhecimento e técnicas específicas. Sua história mostra o acúmulo de saberes e também os obstáculos. Cada teoria ou lei científica que é descoberta ou inventada provoca discussões, e a assimilação requer que as teses anteriores sejam revistas. Desde os astrônomos na Antiguidade, passando pelos pesquisadores do movimento na Idade Média, as descobertas sobre a óptica no século XVII e a geologia histórica no início do século XIX, a ciência está continuamente em evolução. Já os saberes espontâneos se referem aos tipos de conhecimento do senso comum, como o saber religioso, os mitos, o misticismo, o folclore e o saber holístico. Não são considerados racionais pela comunidade científica, mas são levados em consideração por alguns métodos de pesquisa social, como o interacionismo ou o construtivismo simbólico. Os desenhos pré- históricos, como o ilustrado a seguir, indicam a origem do conhecimento a partir desses saberes. Figura 04: Registros rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara no Brasil. Fonte: https://bit.ly/33dv1uv. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 21| A arte, como a poesia, a literatura e o cinema, revela fatos importantes do inconsciente coletivo, por exemplo, questões sobre a existência humana e o destino. Com isso, conclui-se que embora a ciência seja uma parte do saber valorizada no mundo ocidental, não é a única referência de conhecimentos para um grupo social. A pesquisa científica é entendida como um processo formal e sistemático para descobrir respostas para problemas usando métodos científicos. Dentro desse campo, existe a pesquisa social, que é um processo que analisa dados sobre novos conhecimentos no campo da realidade social e se aplica aos assuntos relacionados ao homem e às instituições (MARTINS, 2006). Pode ser pura, desenvolvendo conhecimentos científicos sem considerar aplicações e consequências práticas, ou aplicada, com interesse em sua aplicação, utilização e consequências práticas. As pesquisas são úteis para resolver problemas, formular teorias e também testá-las, ou seja, comprovar ou não que funcionam ou são viáveis. Mas Hall (2003) ressalta que a ideia de uma verdade científica nem sempre é real, pois os pesquisadores, em sua busca do saber, lidam com incertezas, relatividade dos dados e ambiguidades. Antes do século XIX, o estudo do homem era realizado pelos filósofos, que elaboravam as concepções de sociedade e governo, como direitos, liberdades sociais e econômicas e contrato social. No entanto, surgiu a necessidade de desenvolver conhecimentos confiáveis e práticos, como se fazia nas ciências da natureza. Foi nesse momento que surgiu o positivismo, desenvolvido principalmente pelos filósofos franceses Augusto Comte e Émile Durkheim. Essa filosofia se divide em três temas básicos. Os problemas básicos enfrentados pelas ciências têm sido a determinação do fato, a harmonização dos fatos e a articulação da teoria. Esses problemas são trabalhados usando paradigmas e pressupostos para que o desenvolvimento da pesquisa aconteça de forma harmoniosa e coerente. Sem clareza sobre quais são as metodologias e o objetivo ao se propor uma investigação, pode-se gerar desorientação e resultados que não atendam aos procedimentos básicos científicos. Nesse sentido, as perspectivas em pesquisa social apontam para metodologias específicas que possam manter o caráter científico, mas com pressupostos que considerem a consciência e identidade histórica e as dinâmicas sociais. 22 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Ontologia é uma palavra de origem grega que significa o estudo do ser. Na perspectiva ontológica, a pesquisa social é desenvolvida a partir de teorias filosóficas apoiadas em uma metafísica geral aplicada ao estudo do ser. O pesquisador observa o sujeito tal como ele é e, considerando suas propriedades, investiga os problemas do objeto com intenção de propor soluções. No modelo filosófico fundamental criado por Aristóteles, acreditava-se que apenas por meio da experiência e estudo da natureza seria possível ter acesso ao conhecimento e se desenvolveria a prática do silogismo, em que as verdades observadas são incontestáveis, em que o hábito da leitura só seria um habitus se dependesse da convivência social. As generalizações são interpretações ou conclusões, isto é, conhecimentos construídos a partir dos fatos reais. Os conceitos são tentativas de compreensão, uma espécie de representação mental em que se chega a uma imagem geral a partir de um conjunto de casos particulares. Nas ciências sociais, muitas vezes, representam realidades abstratas, daquelas em que não se consegue identificar o aspecto concreto, por exemplo, a democracia. Quanto mais conceitos são conhecidos, mais é possível “ler” a realidade social, por isso a importância de estabelecer o percurso ontológico da pesquisa, determinando qual ser está sendo examinado e a partir de quais pressupostos filosóficos, definindo o aspecto metafísico da investigação. Epistemologia é uma palavra proveniente do grego que significa estudo do conhecimento certo, ou seja, da ciência. É uma parte da filosofia que reflete sobre o conhecimento científico e a lógica, também é identificada como filosofia da ciência. Ou seja, uma perspectiva epistemológica de pesquisa é uma reflexão sobre o método científico. Toda pesquisa tem como estratégia fundamentos que se baseiam em premissas ontológicas e que definirão a abordagem e direcionarão a proposta do pesquisador. Na perspectiva epistemológica, identifica-se qual método, metodologia e técnicas serão usadas para desenvolver a pesquisa. Na pesquisa social, as três principais correntes epistemológicas usadas são o positivismo lógico, o estruturalismo e o materialismo dialético. Essas linhas de pensamento determinam o método e mudam a perspectiva do pesquisador, como a proposta de hipóteses, o estudo das múltiplas causas, a diferenciação entre objetividade e objetivação e se a pesquisa será quantitativa ou qualitativa, por exemplo. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 23| Aos poucos, o pesquisador percebe que existem conceitos e questões analíticas, que o ajudam em sua forma de analisar os dados, e conceitos metodológicos, que se referem diretamente ao problema, à teoria, à hipótese. Teorias que inicialmente surgem de uma pesquisa podem se tornar uma teoria social com um ideal, uma ideia de como seria uma sociedade ideal, na opinião daquele teórico. Daí, surgem as ideologias, que são um conjunto de ideias ou pensamentos. Todas as teorias, conceitos e generalizações são influenciadas pelos valores dos pesquisadores, ou seja, o que o estudioso acredita que seja o bom e o ideal para a solução daquele problema. É assim que um pesquisador acaba por direcionar seu trabalho, identificando, por exemplo, se deseja pesquisar feminicídio ou o mercado de trabalho para mulheres ou se a questão econômica brasileira é decorrente da escravidão e da desigualdade ou do patrimonialismo, ou seja, a concentração do patrimônio e poder nas mãos de uma elite. Existem, portanto, vários caminhos de pesquisa e eles dependem de valores epistemológicos combinados com os valores metodológicos, que vão analisar os dados e propor soluções. A pesquisa científica nas ciências sociais tem se desenvolvido em quatro vertentes dinâmicas e em constante transformação: epistemológica, teórica, morfológica e técnica. Atualmente, são discutidos a cientificidade e o campo científico da pesquisa e suas condições de verificação, validade e confiabilidadedo conhecimento. No entanto, devido às características específicas de imprevisibilidade em se tratar questões humanas, pressupostos como quantificação, valoração e experimentação nem sempre podem ser seguidos nas pesquisas sociais. Essas críticas foram abrindo espaço para novas abordagens. Aos poucos, percebeu-se que alguns modelos matemáticos não podiam ser usados em fenômenos sociais ou que estudar só a aparência de uma questão social não oferece respostas, portanto, é preciso entender a essência dos problemas. A sociedade é feita de relações humanas e, por isso, não é possível estudar o indivíduo isoladamente. O positivismo aponta para os resultados, mas não valoriza os processos que, nas ciências sociais, são extremamente importantes. 24 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| O enfraquecimento do positivismo também ocorreu devido à maior percepção sobre o indivíduo e de como ele interfere no encaminhamento das questões que estuda no campo social. São opiniões, ambições e conhecimentos que se misturam e provocam reações diferentes, por exemplo, se compararmos com uma experiência de fórmulas na química ou um teste em óptica. Uma experiência relacionada ao comportamento humano pode ser completamente imprevisível, alterando o resultado da pesquisa. Figura 05: O comportamento social refere-se à conduta geral dos indivíduos em sociedade. Fonte: https://bit.ly/3A6fiKn. Na corrente da crítica ao positivismo, novos métodos de pesquisa foram se delineando. O estruturalismo analisa as estruturas sociais para entender os fenômenos, procurando o que é invariável, e considera também os modelos conscientes e inconscientes. Modelos conscientes são o conhecimento sobre as normas sociais, crenças e usos, e os inconscientes são os fenômenos que ainda não são reconhecidos. Já o materialismo dialético interpreta a natureza e seus fenômenos em uma teoria materialista usando a dialética, ou seja, o debate, a argumentação. Procura investigar as contradições da realidade para explicar a realidade e propor respostas científicas ancoradas na compreensão das múltiplas causas de um problema. Aos poucos, os pesquisadores das ciências sociais foram sentindo a necessidade de se abrir para uma abordagem multidisciplinar, em que diversos métodos podem colaborar para oferecer caminhos para as suas questões. Nesse sentido, a multidisciplinaridade significa tratar dos diversos problemas de uma pesquisa usando várias disciplinas que possam ser úteis. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 25| A união de diversos saberes, desde que feita com consciência e identificando suas diferenças, tem se apresentado como uma proposta de desenvolvimento de novas metodologias e ampliado os ângulos de questionamento e de visão das questões sociais. 3. O circuitO rAzãO/AfetO/pulsãO e A uniduAlidAde3. O circuitO rAzãO/AfetO/pulsãO e A uniduAlidAde A ciência reúne fatos, teorias e métodos criados por pesquisadores que contribuem para organizar e sistematizar o conhecimento. Seu desenvolvimento foi gradual e teve momentos de avanços e de crises e retrocessos, dependendo de fatores externos ou mesmo de mudanças inerentes ao próprio processo examinado pela unidualidade. A contribuição da unidualidade e dos diversos campos do saber revela maiores e melhores possibilidades de procurar respostas e realizar pesquisas mais eficazes. FFIQUEIQUE ATENTOATENTO O empirismo do positivismo, ou seja, seu método de observação e experimentação racional, colaborou para organizar a pesquisa científica nas ciências humanas. Com o tempo, os pesquisadores se deram conta de que a complexidade das relações humanas e suas variáveis e imprevisibilidade eram um obstáculo para encontrar respostas mais eficazes para os problemas sociais. Então, novas metodologias foram aparecendo e enriquecendo a pesquisa social. Nesse contexto, o positivismo perdeu espaço e outros paradigmas e pressupostos foram se somando nas pesquisas científicas relacionadas à realidade social. Fatores subjetivos e argumentações também passaram a fazer parte das pesquisas. 26 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Ao realizarmos observação e experimentação, de alguma forma, já estamos fazendo ciência, mas precisamos ter linhas epistemológicas claras para que possamos seguir medidas científicas que tragam objetividade, racionalidade, sistematização, generalização, verificação e falibilidade para a pesquisa. Os pesquisadores precisam fazer uma análise crítica ao pesquisar temas relacionados à sociedade e, por isso, correntes filosóficas como o materialismo dialético/marxismo encontraram espaço nas ciências sociais. O materialismo significa que o mundo exterior existe mesmo que a consciência não o reconheça, e a dialética é o debate de pontos de vista contrários. Outra corrente filosófica importante para as ciências sociais é o construtivismo social, cujo princípio é que o conhecimento científico também tem causas sociais e que tal fato deve ser considerado. Nele, a pesquisa social se apresenta como empírica, partindo do princípio de que o conhecimento científico também tem causas sociais. O método que escolhemos para nossas pesquisas depende do objeto, de recursos e de nossa criatividade. O importante é lembrar que temos que ter sempre uma hipótese porque ela é a ligação o entre o começo e o fim da pesquisa. Na prática profissional na área de ciências sociais e humanas, os desafios cotidianos exigem engajamento, curiosidade e criatividade. Diante dos problemas que surgem e atrapalham o desenvolvimento da sociedade, os profissionais podem se sentir instigados a procurar respostas e soluções, e a pesquisa social é um dos percursos que podem ser percorridos porque oferece conhecimento científico para embasar decisões, políticas públicas ou, simplesmente, revelar a origem dos problemas. Abordaremos algumas técnicas de pesquisa que podem ser usadas dependendo dos objetivos e das características dos fenômenos sociais estudados. Ter clareza sobre o problema, construir hipóteses e saber diferenciar quando deve ser usado o método quantitativo ou qualitativo são fundamentais para produzir pesquisas sociais de qualidade. Quando e em que situações se deve adotar o método quantitativo ou qualitativo ao realizar uma pesquisa social? CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 27| A escolha da abordagem da pesquisa indica os procedimentos sistemáticos que vão ser usados para descrever e explicar o fenômeno social que se pretende investigar. Os dois principais métodos científicos são as pesquisas quantitativa e a qualitativa. A quantitativa é relacionada a números e exatidão, isto é, a precisão dos resultados. A qualitativa é voltada a compreender fenômenos sociais complexos e dinâmicos. Na prática, a pesquisa qualitativa precisa dos dados estatísticos e da compreensão das variáveis para suas análises, além disso, transformam-se dados qualitativos em elementos quantificáveis para demonstrar suas conclusões. Ou seja, é possível fazer uma abordagem combinada de ambos os métodos. O importante é que não faltem os critérios científicos: confiabilidade e validade. As técnicas de pesquisa social dependem de quais objetivos o pesquisador pretende alcançar. A investigação pode ser realizada por meio de questionários, entrevistas, observação, dados estatísticos, amostras, métodos de teste, enquetes, escalas de variáveis, pesquisa histórica, medição de atitudes, formulação de testes e escalas de atitudes, entre outros. Cada um desses instrumentos se aplica melhor a um tipo ou outro de pesquisa, mas, também, podem ser combinados, dependendo do plano de pesquisa elaborado e da metodologia científica que o pesquisador escolheu para desenvolver o seu percurso de ação investigativa. A pesquisa-ação é uma técnica de pesquisa social que tem uma base experimental relacionada diretamente a uma ação para a solução de um problema. Nesse caso, tanto os pesquisadores quanto os participantes da pesquisa como objeto seenvolvem com o estudo. Figura 06: O Homem e suas pesquisas. Fonte: https://bit.ly/3KBeDp5. 28 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| Conforme Martins (2006), essa técnica é criticada pelo fato de que, como prevê muito envolvimento e não distanciamento entre os sujeitos e os objetos de estudo, pode perder critérios de cientificidade. Por outro lado, é uma proposta dialética, de confronto entre pontos de vista diferentes sobre um mesmo problema, o que indica a intenção de entender a dinâmica dos fenômenos históricos e sociais diante das questões que parecem complexas e para as quais a observação empírica, muitas vezes, não é suficiente. No mesmo caminho, seria a melhor maneira de produzir maior capital, divisão do trabalho social e maior volume de recursos, cada vez mais demandados pela crescente população. Sendo a característica principal da sociedade que pretendia estudar e melhorar, Durkheim se dedicou ao estudo dessa divisão e apresentou os conceitos de solidariedade orgânica e solidariedade mecânica como principais geradores da estabilidade social. Para entender a coesão social das diferentes sociedades, Durkheim comparou as sociedades arcaicas e tribais às modernas, contrastando o impacto da divisão do trabalho na organização social e nos vínculos entre os membros. A sociedade é a forma de vínculo entre os indivíduos típica das sociedades arcaicas, solidariedade mecânica e pequena tanto em limites geográficos quanto em número de pessoas, nas quais um mesmo conjunto de valores está profundamente enraizado nos indivíduos (MARTINS, 2006). Nessas sociedades, os indivíduos são semelhantes e a divisão do trabalho social é pequena. A coesão social é determinada pela rigidez pela qual se impõe a consciência coletiva, de modo que os desvios são reprimidos por fortes sanções repressivas. MMEMORIZEEMORIZE A solidariedade orgânica é a forma de organização social típica das sociedades modernas, maiores em limites geográficos e principalmente em número e densidade populacional. Nelas, as consciências individuais ganham mais espaço em detrimento da consciência coletiva. Os indivíduos não precisam mais seguir as mesmas crenças e costumes, e a própria sociedade CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 29| comporta novos conjuntos de valores e formas de conduta. A solidariedade mecânica perde força na medida em que os indivíduos deixam de ser uniformes, semelhantes entre si e passam a se diferenciar cada vez mais. Durkheim (1999) afirmava que, nas sociedades modernas, a solidariedade orgânica surgia a partir da regulamentação jurídica que se estabelecia para normatizar as diferentes áreas especializadas de trabalho. Entretanto, mesmo nas sociedades com elevado grau de divisão do trabalho social, a solidariedade mecânica não deixa de existir, assim como a consciência coletiva que a precede. Segundo Durkheim (1999), consciência coletiva é o conjunto de crenças e sentimentos que são comuns aos membros de determinada sociedade, enquanto as consciências individuais são as peculiaridades subjetivas dos indivíduos. Ainda segundo Durkheim (1999, p. 26): Parece-nos inteiramente evidente que a matéria da vida social não é possível de se explicar por fatores puramente psicológi- cos, isto é, por estados individuais de consciência. Com efeito, o que as representações coletivas traduzem é a maneira pela qual o grupo se enxerga a si mesmo nas relações com os objetos que o afetam. Ora, o grupo está constituído de maneira diferente do indivíduo, e as coisas que o afetam são de outra natureza. Assim, a consciência coletiva não seria equivalente à soma das consciências individuais pois, diferente destas, tem o que Durkheim (1999) chamava de vida própria, ou seja, leis que regem seus fenômenos sociais e seu desenvolvimento. Por mais que a consciência coletiva se manifeste por meio das consciências individuais, não precisa destas para existir, sendo duradouras. Nas sociedades arcaicas, a consciência coletiva prevalecia sobre as individuais, resultando em indivíduos semelhantes entre si e gerando vínculos de solidariedade mecânica. Já nas sociedades modernas, com o avanço das consciências individuais sobre a coletiva, as instituições passam a regular as relações entre os indivíduos, cada vez mais diferentes entre si, gerando vínculos de solidariedade orgânica. 30 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| O pensamento de Durkheim é permeado por elementos que favorecem a coesão das sociedades, como suas instituições, e por elementos de perturbação da ordem social, como os fenômenos patológicos e o estado de anomia. Preocupado com a coesão social nas sociedades modernas, Durkheim (1999) entendia que as instituições eram a materialização das crenças e práticas coletivamente instituídas pela sociedade. Em outras palavras, são o conjunto de regras e condutas socialmente aceitas e reproduzidas na sociedade que permitem a organização dos grupos sociais e das necessidades individuais de seus membros, contribuindo para sua convivência harmoniosa. Dessa forma, instituições como o direito, religião, família e escola têm papel fundamental na regulação das relações sociais e impactam a integração dos indivíduos com a coletividade. Diferentemente de Karl Marx, que entendia que o conflito era inerente à sociedade (de classes), Durkheim via o conflito como efeito de fenômenos patológicos, sintomas que deveriam ser modificados em prol da harmonia. Para Durkheim (1999), a educação é uma instituição social de destaque devido a sua importância na socialização das crianças, introduzindo nelas as formas de agir e de pensar que permitirão sua convivência e sobrevivência em sociedade. É por meio da educação que costumes, crenças e práticas enraizadas na sociedade são repassadas a seus membros no momento de sua formação enquanto indivíduos. Para Durkheim (1999), o suicídio é um fenômeno social quando tomado em seu conjunto temporal em determinada sociedade. O fato de sociedades diferentes terem taxas de suicídio distintas entre si, mas que se mantêm mais ou menos constantes em recortes temporais, demonstra que existe ali algum tipo de influência social. Diante disso, analisou as taxas de suicídio de diferentes grupos e os tipificou a partir do uso de seus conceitos de solidariedade, normalidade, patologia e anomia. Conheça mais sobre cada um desses tipos a seguir: • Suicídio egoísta - Causado por indivíduos que se encontram isolados socialmente, com pouca ou nenhuma integração social com seu grupo; CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 31| • Suicídio anômico - Causado pela situação de disfunção e falta de regulação social típica de momentos de anomia, por exemplo, o suicídio de proprietários de indústrias em momentos de crise financeira ou falência; • Suicídio altruísta - Causado por indivíduos que estão demasiadamente integrados e influenciados pelos laços sociais que mantêm com seu grupo e é típico de sociedades com consciência coletiva mais forte, por exemplo, o suicídio dos kamikazes japoneses na Segunda Guerra Mundial; • Suicídio fatalista - Resultado de um controle excessivamente profundo sobre o indivíduo, oprimindo as manifestações de sua consciência individual. Para Durkheim (1999), o tipo de suicídio de maior interesse para a sociologia é o anômico, pois sua taxa está ligada ao fenômeno social da anomia. Ainda segundo Durkheim (1999), existem períodos transitórios em que os fenômenos patológicos estão mais propensos a ocorrer. São os momentos em que existe um enfraquecimento, anomia, dos vínculos sociais de solidariedade e o corpo de normas perde a capacidade de regular as relações entre os indivíduos. LLINKINK WEBWEB Caro estudante, se você deseja saber um pouco mais sobre a teoria, sugerimos consultar os links indicados nas referências. Indicamos ainda um vídeo com uma explicação bem didática para sua consulta. Para conhecer melhor a filosofia e o comportamento humano, não deixe de ver esse vídeo: https://bit.ly/3tG3dKN.32 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| PPRATIQUERATIQUE 1. De acordo com o que foi estudado nesta unidade, como você definiria o Ho- mem e suas capacidades? 2. Cite um exemplo da corrente racionalista e sua aplicabilidade nos dias atuais. 3. O que descreve o homem pensante? 4. O que é a Idade Moderna? 5. O que é o idealismo? 6. Uma característica forte dentro da sociedade é o materialismo. Explique isso tecnicamente. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 33| 7. O que é a ciência dentro do comportamento humano e social? 8. Cite as características do que conhecemos como positivismo dentro da socie- dade. 9. Com suas palavras, explique construtivismo social. 10. Qual o seu entendimento sobre pesquisa social? RRELEMBREELEMBRE Caro estudante, por fim, diante do que foi abordado nesta unidade, é essencial que se compreenda a realidade social, a fim de construir um pensamento enquanto pesquisador, bem como relacionar essa temática com o homem e a capacidade do homem dentro da sociedade. Isso tem a finalidade de entender a realidade social e, assim, adquirir um novo saber, com possibilidade de ressignificar o processo de trabalho da pesquisa social. 34 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| A epistemologia é uma área do conhecimento carregada de história e rigor conceitual; é também conhecida como teoria do conhecimento. O problema essencial da epistemologia é a realidade das coisas, ou melhor, o conhecimento da realidade das coisas. Isso assombra tanto o início da filosofia quanto as ciências desde a Antiguidade Grega. Dessa época, o problema essencial foi perguntar-se sobre o que se pode conhecer verdadeiramente, e de certa maneira o que se pode compreender acerca do social. As respostas que se tentam desenvolver no âmbito das ciências sociais é que, a partir da Modernidade principalmente, o desenvolvimento de uma metodologia que norteia o processo de conhecer garante uma maior formalidade e segurança ao conhecimento. São as metodologias científicas, impulsionadas por grandes pensadores, entre outros, as quais possibilitaram um olhar mais crítico acerca do social. RREFERÊNCIASEFERÊNCIAS ANDERY, M. A et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. São Paulo: Espaço e Tempo, 2007. CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2009. DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2003. LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000. MARTINS, Carlos Benedito. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 2006. MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand, 2008. CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS 35| MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: espírito do tempo - neurose. Vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2009. QUINTANEIRO, Tânia et al. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim, Weber. Belo Horizonte: UFMG, 2002. WEBER, Max. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: LTC, 1996. AANOTAÇÕESNOTAÇÕES 36 CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E POLÍTICAS| AANOTAÇÕESNOTAÇÕES VVIDEOAULAIDEOAULA Atenção: Para que seu dispositivo eletrônico leia os códigos, ele precisa estar equipado com câmera e com um aplicativo de leitura de QR Code. Sendo assim, para ter acesso às videoaulas do livro, clique no link ou utilize o QR Code. https://bit.ly/3Rx0XhP