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1 UNIPLAN CENTRO UNIVERSITARIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL BACHARELADO EM ENFERMAGEM ADAIANA LOPES SOARES - UL23300214 CONSULTA AO PACIENTE COM HANSENÍASE ALTAMIRA-PÁ 2026 2 ADAIANA LOPES SOARES CONSULTA AO PACIENTE COM HANSENÍASE Trabalho avaliativo referente ao ESTAGIO CURRICULAR II, contendo roteiros referente aos temas propostos dentro da disciplina no portal academico, utilizado para obtenção de notas da mesma, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza. Altamira-Pa 2026 3 SUMÁRIO 1. Introdução ................................................................................4 2. Objetivo geral ...........................................................................5 2.1 Objetivos especificos ...................................................................................5 3. Desenvolvimento ......................................................................6 3.1 4 1. INTRODUÇÃO A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada principalmente pelo Mycobacterium leprae, também denominado bacilo de Hansen, que apresenta tropismo principalmente pela pele e pelos nervos periféricos. A doença pode comprometer a pele, os nervos periféricos, as mucosas das vias respiratórias superiores e os olhos e, quando não diagnosticada e tratada oportunamente, pode provocar danos neurais progressivos e incapacidades físicas permanentes. Dessa forma, o diagnóstico precoce, o início oportuno do tratamento e o acompanhamento sistemático são medidas fundamentais para prevenir incapacidades e reduzir a transmissão da doença (BRASIL, 2022; WHO, 2026). A hanseníase permanece como importante problema de saúde pública em diferentes regiões do mundo, incluindo o Brasil. Embora seja uma doença curável por meio da poliquimioterapia, o diagnóstico tardio continua sendo um desafio, principalmente devido à evolução muitas vezes lenta das manifestações clínicas e ao estigma social historicamente associado à doença. A Organização Mundial da Saúde destaca que a identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir incapacidades e reduzir os impactos físicos e psicossociais da hanseníase (WHO, 2018; WHO, 2026). A consulta ao paciente com hanseníase deve ser realizada de maneira integral, sistematizada e humanizada. Além da investigação das lesões cutâneas, é necessário avaliar a função dos nervos periféricos, a sensibilidade, a força muscular, a presença de dor ou neurite, possíveis alterações oculares, episódios reacionais e a existência de incapacidades físicas. A avaliação da função neural possui papel fundamental porque o comprometimento dos nervos periféricos está diretamente relacionado ao desenvolvimento de deformidades, perda funcional e incapacidades (BRASIL, 2022; WHO, 2020). O Ministério da Saúde estabeleceu o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (PCDT) como instrumento para orientar o diagnóstico, tratamento, acompanhamento e organização da assistência às pessoas acometidas pela doença no Sistema Único de Saúde. O protocolo 5 também estabelece estratégias para detecção precoce, tratamento, avaliação dos contatos, prevenção de incapacidades e acompanhamento psicossocial, fortalecendo a assistência integral à pessoa com hanseníase (BRASIL, 2022). Nesse contexto, a consulta ao paciente com hanseníase constitui uma importante estratégia de cuidado na Atenção Primária à Saúde, permitindo identificar precocemente manifestações clínicas, alterações neurológicas, reações hansênicas e fatores relacionados ao risco de incapacidades. A assistência deve integrar diagnóstico, tratamento, prevenção de incapacidades, educação em saúde, investigação dos contatos, autocuidado e acompanhamento multiprofissional (BRASIL, 2022; WHO, 2020). 2. OBJETIVO GERAL Analisar os principais aspectos relacionados à consulta e ao acompanhamento do paciente com hanseníase, enfatizando a avaliação clínica e neurológica, o diagnóstico, a classificação operacional, o tratamento, a prevenção de incapacidades, a investigação de contatos, a educação em saúde e a atuação da equipe de enfermagem na Atenção Primária à Saúde (BRASIL, 2022; WHO, 2020). 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Descrever os principais conceitos, características clínicas e epidemiológicas da hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2026); Identificar os principais sinais e sintomas que devem ser investigados durante a consulta ao paciente com suspeita ou diagnóstico de hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2018); Abordar a importância do exame dermatológico e da avaliação da sensibilidade para o diagnóstico da doença (BRASIL, 2022; WHO, 2018); Descrever a importância da avaliação dos nervos periféricos e da força muscular para identificação precoce de comprometimentos neurológicos (BRASIL, 2022; WHO, 2020); 6 Apresentar os critérios utilizados para classificação operacional e diagnóstico da hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2018); Abordar os princípios do tratamento da hanseníase e a importância da adesão terapêutica (BRASIL, 2022; WHO, 2018); Descrever as principais medidas de prevenção de incapacidades e autocuidado (BRASIL, 2022; WHO, 2020); Abordar a importância da investigação e acompanhamento dos contatos (BRASIL, 2022; BRASIL, 2024); Destacar a importância da educação em saúde e do combate ao estigma relacionado à hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2026); Analisar a atuação da enfermagem no acompanhamento da pessoa com hanseníase na Atenção Primária à Saúde (BRASIL, 2022). 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e características da hanseníase A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada principalmente pelo Mycobacterium leprae. O agente apresenta tropismo pelos tecidos cutâneos e pelos nervos periféricos, podendo provocar alterações sensitivas, motoras e autonômicas. A doença também pode comprometer estruturas como os olhos e as mucosas das vias respiratórias superiores, especialmente nos casos não tratados ou diagnosticados tardiamente (BRASIL, 2022; WHO, 2026). A manifestação clínica da hanseníase varia de acordo com a resposta imunológica do indivíduo frente ao M. leprae. Por esse motivo, a doença pode apresentar diferentes manifestações clínicas e diferentes graus de comprometimento cutâneo e neurológico, sendo necessária avaliação individualizada para estabelecer o diagnóstico e o acompanhamento adequado (WHO, 2018; BRASIL, 2022). A OMS estabelece como sinais cardinais da hanseníase a presença de lesão ou lesões de pele com alteração definida da sensibilidade, o comprometimento de nervo periférico associado à alteração da sensibilidade 7 e/ou fraqueza muscular, ou a demonstração do bacilo em exame específico. O reconhecimento desses sinais é fundamental para o diagnóstico e deve integrar a avaliação clínica da pessoa com suspeita da doença (WHO, 2018). 3.2 Importância da consulta ao paciente com hanseníase A consulta constitui uma das principais estratégias para identificação precoce da hanseníase, acompanhamento da evolução clínica e prevenção das incapacidades relacionadas ao comprometimento dos nervos periféricos. O atendimento sistematizado permite identificar alterações dermatológicas e neurológicas e estabelecer medidas de cuidado antes que ocorram danos permanentes (BRASIL, 2022; WHO, 2020). O atendimento deve considerar não apenas a presença de manchas ou lesões na pele, mas também alterações sensitivas, motoras e neurais, que podem ser discretas nas fases iniciais. A avaliação adequada da função neural é particularmente importante porque a neurite e o danodos nervos constituem importantes mecanismos relacionados às incapacidades físicas na hanseníase (WHO, 2020). Durante a consulta, devem ser realizadas anamnese, exame dermatológico, avaliação da sensibilidade, palpação dos nervos periféricos, avaliação da força muscular, investigação de incapacidades, avaliação ocular, investigação de episódios reacionais, investigação dos contatos, avaliação psicossocial e orientações relacionadas ao tratamento e ao autocuidado (BRASIL, 2022; WHO, 2020). O PCDT brasileiro estabelece que a assistência à pessoa com hanseníase deve incluir não apenas o tratamento da infecção, mas também ações de prevenção de incapacidades, reabilitação, atenção psicossocial, educação em saúde, assistência farmacêutica e acompanhamento dos contatos, promovendo uma abordagem integral e centrada na pessoa (BRASIL, 2022). 8 3.3 Acolhimento e anamnese O primeiro contato com o paciente deve ocorrer de maneira acolhedora, respeitosa, humanizada e livre de preconceitos. O estigma relacionado à hanseníase pode contribuir para medo, vergonha, isolamento social, sofrimento psicológico e atraso na procura por assistência, tornando a qualidade da comunicação entre profissional e paciente um elemento importante do cuidado (BRASIL, 2022; WHO, 2026). Na anamnese, devem ser investigados dados de identificação, motivo da consulta, início dos sinais e sintomas, surgimento e evolução das manchas, alterações da sensibilidade, dormência, formigamento, sensação de queimação, dor, fraqueza muscular, dificuldades para movimentar mãos ou pés, alterações oculares, dificuldade para fechar os olhos, ressecamento ocular, feridas, episódios anteriores semelhantes, histórico familiar, contato com pessoas diagnosticadas, tratamentos anteriores, presença de outras doenças, uso de medicamentos e repercussões emocionais e sociais relacionadas ao diagnóstico (BRASIL, 2022). A anamnese deve ainda investigar sinais compatíveis com neurite e reações hansênicas, incluindo dor ou espessamento de nervos, alterações recentes da sensibilidade, perda de força, edema e surgimento ou piora de lesões cutâneas. A identificação precoce dessas manifestações é importante porque as reações podem causar dano neural e contribuir para o desenvolvimento de incapacidades permanentes (WHO, 2020; BRASIL, 2022). 3.4 Exame dermatológico O exame dermatológico constitui uma etapa essencial da consulta, devendo ser realizado de forma sistemática e considerando a distribuição e as características das alterações encontradas na pele. A avaliação dermatológica deve estar associada à investigação da sensibilidade, uma vez que a alteração da sensibilidade em lesões cutâneas constitui um dos principais sinais cardinais da hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2018). 9 Durante o exame, o profissional deve observar toda a superfície corporal, procurando identificar manchas hipocrômicas, eritematosas, placas, infiltrações, nódulos, lesões com alteração da sensibilidade, alterações de pelos, redução ou ausência de sudorese e modificações da textura ou coloração da pele (BRASIL, 2022). A presença de lesão ou lesões de pele com alteração definida da sensibilidade constitui um dos sinais cardinais utilizados no diagnóstico da hanseníase. Por esse motivo, a identificação de uma alteração dermatológica deve ser acompanhada por avaliação adequada da sensibilidade da região comprometida (WHO, 2018). A avaliação dermatológica deve considerar também a comparação entre áreas corporais simétricas e a utilização de métodos adequados para investigar sensibilidade térmica, dolorosa e tátil, conforme as orientações estabelecidas pelos protocolos de assistência à pessoa com hanseníase (BRASIL, 2022). 3.5 Avaliação da sensibilidade A avaliação da sensibilidade possui importância central na consulta da pessoa com hanseníase, uma vez que o comprometimento neural pode produzir perda ou redução da percepção de estímulos térmicos, dolorosos e táteis. Essas alterações podem estar presentes nas lesões de pele e nos territórios correspondentes aos nervos periféricos acometidos (BRASIL, 2022; WHO, 2018). As alterações sensitivas podem envolver a sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. A avaliação desses componentes contribui para identificar o comprometimento neurológico, acompanhar sua evolução e estabelecer medidas preventivas individualizadas (BRASIL, 2022). A perda da sensibilidade aumenta o risco de traumatismos, queimaduras e ferimentos, pois a pessoa pode não perceber adequadamente estímulos potencialmente lesivos. Dessa maneira, a identificação precoce das alterações sensitivas permite orientar medidas de autocuidado e prevenção de incapacidades (BRASIL, 2022; WHO, 2020). 10 Os resultados da avaliação da sensibilidade devem ser registrados no prontuário e comparados ao longo do acompanhamento. A avaliação seriada permite identificar novas alterações ou agravamento de déficits existentes, especialmente durante episódios reacionais (WHO, 2020). 3.6 Avaliação dos nervos periféricos A hanseníase apresenta importante tropismo pelos nervos periféricos, podendo causar alterações sensitivas, motoras e autonômicas. Por esse motivo, a avaliação da função neural constitui componente essencial da consulta e do acompanhamento da pessoa diagnosticada (BRASIL, 2022; WHO, 2020). Durante a avaliação dos nervos periféricos devem ser observados sinais como espessamento neural, dor à palpação, alteração da sensibilidade no território correspondente, redução da força muscular e alterações motoras. A identificação desses achados pode indicar comprometimento neural e necessidade de acompanhamento específico (BRASIL, 2022). Entre os nervos avaliados na assistência à pessoa com hanseníase encontram-se, conforme a avaliação clínica, os nervos ulnar, mediano, radial, fibular comum, tibial e auricular. A avaliação deve ser realizada de acordo com a metodologia estabelecida pelos protocolos e considerando os territórios anatômicos e as funções relacionadas a cada nervo (BRASIL, 2022). A avaliação da função neural é particularmente importante para identificar neurites e alterações que possam evoluir para incapacidades. As recomendações da OMS destacam a importância do acompanhamento da função dos nervos periféricos, especialmente porque a neurite constitui importante causa de dano neural e incapacidade na hanseníase (WHO, 2020). 3.7 Avaliação da força muscular A avaliação da força muscular complementa o exame neurológico e possibilita identificar alterações motoras relacionadas ao comprometimento dos nervos periféricos. A avaliação deve ser realizada de maneira padronizada e 11 registrada para possibilitar comparação entre diferentes momentos do acompanhamento (BRASIL, 2022). Podem ser avaliados movimentos relacionados aos nervos periféricos acometidos, incluindo abdução do quinto dedo, oposição do polegar, extensão do punho, dorsiflexão do pé, flexão plantar, fechamento das mãos e movimentos da musculatura facial, conforme a avaliação neurológica padronizada para a hanseníase (BRASIL, 2022). A redução da força muscular pode representar comprometimento neural e deve ser registrada para permitir comparação nas consultas subsequentes. A documentação sistemática desses achados contribui para identificar precocemente alterações funcionais (BRASIL, 2022; WHO, 2020). A avaliação periódica da força muscular é especialmente importante durante episódios reacionais, pois a inflamação dos nervos pode resultar em perda funcional e dano neural permanente quando não identificada e tratada oportunamente (WHO, 2020). 3.8 Avaliação ocular A avaliação ocular é fundamental no acompanhamento da pessoa com hanseníase porque o comprometimento neural pode interferir na sensibilidade da córnea e na capacidade de fechamento adequado das pálpebras. Essas alterações podemaumentar o risco de lesões oculares e perda visual (BRASIL, 2022; WHO, 2020). Durante a consulta, devem ser investigados dificuldade para fechar os olhos, redução da sensibilidade corneana, ressecamento ocular, dor, vermelhidão, alterações da visão e outras manifestações que possam indicar comprometimento ocular (BRASIL, 2022). A perda da sensibilidade da córnea e a incapacidade de fechamento adequado das pálpebras podem aumentar o risco de lesões corneanas. Por isso, alterações oculares devem ser identificadas precocemente e, quando 12 necessário, o paciente deve ser encaminhado para avaliação especializada (WHO, 2020). 3.9 Classificação operacional A classificação operacional possui importância para a definição do tratamento e do acompanhamento da pessoa com hanseníase. A classificação utilizada pela OMS diferencia os casos em paucibacilares (PB) e multibacilares (MB), considerando critérios relacionados à extensão da doença e aos achados bacteriológicos (WHO, 2018; BRASIL, 2022). De forma geral, os casos paucibacilares são caracterizados por menor número de lesões e ausência de demonstração de bacilos em exame apropriado, enquanto os casos multibacilares apresentam maior número de lesões ou evidência de bacilos, de acordo com os critérios estabelecidos pelas diretrizes nacionais (BRASIL, 2022; WHO, 2018). A classificação operacional correta é importante para definir o esquema terapêutico adequado e organizar o acompanhamento clínico. Entretanto, a avaliação não deve se limitar ao número de lesões, devendo considerar também o comprometimento neural e os demais critérios clínicos e laboratoriais previstos no protocolo vigente (BRASIL, 2022). 3.10 Diagnóstico da hanseníase O diagnóstico da hanseníase é predominantemente clínico e deve ser estabelecido a partir da avaliação dos sinais e sintomas característicos da doença. A identificação de pelo menos um dos sinais cardinais pode permitir o diagnóstico clínico, conforme as recomendações da OMS e do Ministério da Saúde (WHO, 2018; BRASIL, 2022). Os principais sinais cardinais são a presença de lesão ou lesões de pele com alteração definida da sensibilidade; o comprometimento de nervo periférico associado à perda de sensibilidade e/ou fraqueza muscular; e a demonstração de bacilos em exame específico (WHO, 2018; BRASIL, 2022). 13 Exames laboratoriais podem ser utilizados em situações específicas, principalmente quando existem dúvidas diagnósticas ou necessidade de confirmação complementar. O exame baciloscópico pode auxiliar na classificação e na avaliação de determinados casos, enquanto outros métodos podem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e a indicação clínica (BRASIL, 2022). O diagnóstico diferencial também é importante, pois diversas doenças dermatológicas e neurológicas podem apresentar manifestações semelhantes. Dessa forma, a avaliação deve ser realizada por profissional capacitado e considerar os achados clínicos, neurológicos, epidemiológicos e laboratoriais quando indicados (BRASIL, 2022). 3.11 Tratamento A hanseníase é uma doença curável e seu tratamento é realizado por meio de poliquimioterapia. As recomendações da OMS estabelecem a terapia multidroga composta por rifampicina, dapsona e clofazimina, com duração e organização do tratamento de acordo com a classificação operacional e os protocolos vigentes (WHO, 2018; BRASIL, 2022). No Brasil, o tratamento deve seguir o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase estabelecido pelo Ministério da Saúde, que apresenta critérios para diagnóstico, classificação, tratamento, acompanhamento, prevenção de incapacidades e demais ações relacionadas ao cuidado (BRASIL, 2022). A adesão ao tratamento é fundamental para alcançar a cura e contribuir para a interrupção da transmissão. O paciente deve receber orientações claras sobre os medicamentos, a duração do tratamento, a importância do comparecimento às consultas e a necessidade de comunicar à equipe de saúde possíveis eventos adversos ou alterações clínicas (BRASIL, 2022; WHO, 2018). O acompanhamento durante o tratamento também deve incluir avaliação periódica da função neural, identificação de reações hansênicas, prevenção de 14 incapacidades e orientação para o autocuidado. Dessa maneira, o tratamento deve ser compreendido como um processo contínuo de cuidado e não apenas como administração dos medicamentos (BRASIL, 2022; WHO, 2020). 3.12 Reações hansênicas As reações hansênicas são episódios inflamatórios associados à resposta imunológica do organismo e constituem importante causa de comprometimento neural. Podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, sendo necessário acompanhamento clínico mesmo após o término da poliquimioterapia (WHO, 2020). Durante a consulta, devem ser investigados sinais como surgimento ou piora de dor nos nervos, aumento da sensibilidade neural, perda de força, novas alterações sensitivas, aparecimento ou agravamento de lesões, edema, inflamação e sintomas oculares (BRASIL, 2022; WHO, 2020). As reações precisam ser reconhecidas e manejadas rapidamente porque podem provocar dano neural permanente. A OMS destaca que as reações hansênicas e a neurite estão entre os principais mecanismos relacionados ao dano nervoso e às incapacidades na hanseníase, tornando essencial a avaliação periódica da função neural (WHO, 2020). 3.13 Prevenção de incapacidades A prevenção de incapacidades constitui uma das principais metas do acompanhamento da pessoa com hanseníase. As incapacidades estão frequentemente relacionadas ao comprometimento dos nervos periféricos, à perda de sensibilidade, à fraqueza muscular e às alterações decorrentes de episódios reacionais (BRASIL, 2022; WHO, 2020). Entre as medidas de prevenção estão a avaliação neurológica periódica, proteção das áreas com perda de sensibilidade, cuidados com mãos e pés, prevenção de queimaduras, hidratação da pele, inspeção diária dos pés, utilização adequada de calçados, cuidados com ferimentos, exercícios 15 orientados e encaminhamento para fisioterapia, terapia ocupacional, oftalmologia ou outros profissionais quando indicado (BRASIL, 2022). O PCDT brasileiro inclui a prevenção de incapacidades e a reabilitação como componentes fundamentais da assistência à pessoa com hanseníase. A abordagem deve começar desde o diagnóstico e permanecer durante todo o acompanhamento, especialmente nos pacientes com alterações neurológicas (BRASIL, 2022). 3.14 Autocuidado A pessoa com hanseníase deve ser orientada a realizar inspeção diária das mãos, pés e olhos, principalmente quando houver perda de sensibilidade. O autocuidado constitui estratégia importante para reduzir o risco de ferimentos, queimaduras e outras lesões decorrentes da perda de sensibilidade (BRASIL, 2022; WHO, 2020). Entre as orientações de autocuidado estão observar diariamente a pele, procurar feridas ou bolhas, evitar contato direto com fontes de calor, evitar andar descalço quando houver alteração de sensibilidade nos pés, utilizar calçados adequados, hidratar áreas ressecadas e proteger as mãos durante atividades que possam provocar traumatismos (BRASIL, 2022). O paciente deve procurar a unidade de saúde diante do surgimento de novas lesões, perda de força, alterações da sensibilidade, dor neural ou outras manifestações sugestivas de reação ou comprometimento neurológico. A identificação precoce dessas alterações pode reduzir o risco de dano permanente (WHO, 2020; BRASIL, 2022). 3.15 Avaliação do grau de incapacidade física O grau de incapacidade física deve ser avaliado e registrado durante o acompanhamento da pessoa com hanseníase. Essa avaliação permite identificar o impacto da doença sobre olhos, mãos e pés e estabelecer uma referência para acompanhamento da evolução clínica (BRASIL, 2022). 16 A avaliação do grau de incapacidadefísica possibilita identificar alterações funcionais relacionadas ao comprometimento neural e orientar medidas de prevenção e reabilitação. A comparação dos resultados ao longo do tempo permite reconhecer alterações que podem ocorrer durante a evolução da doença ou em episódios reacionais (BRASIL, 2022; WHO, 2020). A identificação precoce de incapacidades ou alterações funcionais possibilita a adoção de intervenções preventivas e o encaminhamento para serviços de reabilitação quando necessário. A abordagem multiprofissional é importante nos casos que apresentam limitações funcionais ou necessidades específicas de reabilitação (BRASIL, 2022). 3.16 Investigação dos contatos A consulta ao paciente com hanseníase deve incluir a investigação das pessoas que convivem ou conviveram com ele. Os contatos devem ser avaliados para identificação de sinais e sintomas suspeitos e, conforme as recomendações vigentes, receber as medidas preventivas indicadas (BRASIL, 2022; BRASIL, 2024). A vigilância da hanseníase inclui a busca e avaliação de contatos como estratégia para identificar precocemente novos casos e ampliar as ações de prevenção e controle. A investigação dos contatos contribui para reduzir atrasos diagnósticos e possibilitar o tratamento oportuno de pessoas que eventualmente desenvolvam a doença (BRASIL, 2024). A OMS também recomenda estratégias de rastreamento e acompanhamento de contatos como parte das ações de prevenção e controle da hanseníase, de acordo com as políticas nacionais e os contextos epidemiológicos de cada país (WHO, 2018). 3.17 Educação em saúde A educação em saúde deve estar presente durante todo o acompanhamento do paciente. As orientações devem abordar o que é a hanseníase, suas manifestações, a importância do diagnóstico e tratamento, os 17 possíveis sinais de reação, a necessidade de acompanhamento, as medidas de autocuidado e a avaliação dos contatos (BRASIL, 2022). O paciente deve compreender que a hanseníase possui tratamento e cura e que o acompanhamento adequado contribui para prevenir incapacidades. A utilização correta dos medicamentos e a comunicação imediata de alterações clínicas à equipe de saúde são componentes importantes da educação em saúde (BRASIL, 2022; WHO, 2026). Também é necessário esclarecer informações relacionadas à transmissão. A hanseníase está associada principalmente ao contato próximo e frequente com pessoas não tratadas, por meio de gotículas eliminadas pelas vias respiratórias; após o início do tratamento adequado, a capacidade de transmissão é reduzida significativamente (WHO, 2026). A educação em saúde possui ainda importante função no combate ao preconceito. Esclarecer que a hanseníase é curável e que o tratamento reduz a transmissão pode contribuir para diminuir o medo, a discriminação e o isolamento social das pessoas acometidas (WHO, 2026). 3.18. Aspectos psicológicos e sociais A hanseníase pode provocar importantes repercussões psicológicas e sociais. O medo da rejeição, a vergonha das lesões, o receio de desenvolver deformidades e o estigma associado historicamente à doença podem afetar a autoestima, as relações sociais e a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas (BRASIL, 2022; WHO, 2026). O profissional deve estabelecer uma relação terapêutica baseada no respeito, confidencialidade, escuta qualificada e acolhimento. A identificação de sofrimento psicológico ou dificuldades sociais deve ser considerada durante o acompanhamento e, quando necessário, deve ser realizado encaminhamento para os serviços e profissionais adequados (BRASIL, 2022). O PCDT brasileiro reconhece a necessidade de atenção psicossocial para pessoas que apresentem demandas relacionadas ao diagnóstico e às 18 consequências da doença. A assistência deve, portanto, considerar não somente os aspectos biológicos, mas também as repercussões emocionais e sociais da hanseníase (BRASIL, 2022). 3.19 Atuação da enfermagem A enfermagem apresenta papel estratégico na assistência à pessoa com hanseníase, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A atuação do profissional envolve ações de identificação, acompanhamento, educação em saúde, prevenção de incapacidades, vigilância e articulação com os demais integrantes da equipe multiprofissional (BRASIL, 2022). Entre as ações de enfermagem estão o acolhimento, consulta de enfermagem, identificação de casos suspeitos, avaliação das lesões, avaliação da sensibilidade, acompanhamento da função neural, educação em saúde, orientação sobre autocuidado, acompanhamento da adesão ao tratamento, identificação de sinais de reação, investigação dos contatos, acompanhamento de incapacidades, encaminhamento para outros profissionais, registro das informações e participação nas ações de vigilância epidemiológica (BRASIL, 2022). O Ministério da Saúde destaca a importância da organização da assistência à hanseníase na Atenção Primária à Saúde, buscando ampliar o acesso ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento. A descentralização do cuidado favorece a proximidade entre os serviços e a população e contribui para uma assistência integral e contínua (BRASIL, 2022). A atuação da enfermagem deve estar integrada ao trabalho multiprofissional, especialmente quando o paciente apresenta incapacidades, alterações neurológicas, comprometimento ocular, necessidades de reabilitação ou demandas psicossociais. Essa integração favorece a continuidade do cuidado e a abordagem integral da pessoa (BRASIL, 2022; WHO, 2020). 19 3.20 Registro e acompanhamento Todas as informações relevantes devem ser registradas no prontuário do paciente, incluindo dados relacionados às lesões, alterações de sensibilidade, nervos acometidos, força muscular, grau de incapacidade, presença de reações, tratamento realizado, adesão, intercorrências e orientações fornecidas (BRASIL, 2022). O registro sistematizado permite acompanhar a evolução do paciente e comparar os resultados das avaliações realizadas ao longo do tratamento. Também contribui para a continuidade do cuidado quando diferentes profissionais participam da assistência (BRASIL, 2022). O acompanhamento periódico possibilita identificar precocemente alterações neurológicas, reações hansênicas, incapacidades e outras complicações. A vigilância clínica e epidemiológica também contribui para a identificação de contatos e para o planejamento das ações de controle da doença (BRASIL, 2022; BRASIL, 2024). 4. CONCLUSÃO A consulta ao paciente com hanseníase representa uma importante estratégia para o diagnóstico precoce, tratamento oportuno, prevenção de incapacidades e controle da doença. Por se tratar de uma enfermidade que compromete principalmente a pele e os nervos periféricos, a avaliação clínica não deve limitar-se à observação das lesões dermatológicas, devendo incluir avaliação neurológica, sensitiva, motora e, quando indicada, ocular (BRASIL, 2022; WHO, 2020). A investigação da sensibilidade, palpação dos nervos periféricos, avaliação da força muscular, avaliação dos olhos e identificação de possíveis reações hansênicas são etapas fundamentais para determinar o comprometimento do paciente e reduzir o risco de incapacidades permanentes. A avaliação periódica da função neural é particularmente importante durante e após o tratamento, pois as reações podem ocorrer em diferentes momentos da evolução da doença (WHO, 2020). 20 O tratamento adequado por meio da poliquimioterapia possibilita a cura da hanseníase, sendo indispensável a adesão do paciente ao esquema terapêutico e o acompanhamento pela equipe de saúde. Entretanto, o cuidado não termina com a administração dos medicamentos, devendo incluir acompanhamento da função neural, prevenção de lesões, orientação para o autocuidado, identificação de reações, investigação dos contatos e suporte psicossocial quandonecessário (BRASIL, 2022; WHO, 2018; WHO, 2020). A enfermagem exerce papel essencial nesse processo, principalmente na Atenção Primária à Saúde, participando do acolhimento, avaliação clínica, acompanhamento do tratamento, educação em saúde, prevenção de incapacidades, investigação dos contatos, registros e vigilância epidemiológica. A atuação sistematizada e multiprofissional contribui para ampliar o acesso ao diagnóstico e fortalecer a continuidade do cuidado (BRASIL, 2022). Dessa maneira, a consulta ao paciente com hanseníase deve ser compreendida como uma prática integral, humanizada, sistematizada e contínua. A identificação precoce dos sinais da doença, associada ao tratamento adequado e à prevenção das incapacidades, contribui para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir as consequências individuais, familiares e sociais da hanseníase (BRASIL, 2022; WHO, 2026). Por fim, o enfrentamento da hanseníase exige não apenas medidas clínicas e terapêuticas, mas também ações de educação em saúde, investigação dos contatos, prevenção de incapacidades e combate ao estigma. A assistência baseada em evidências, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e a atuação multiprofissional são fundamentais para garantir cuidado adequado às pessoas acometidas e contribuir para o controle da hanseníase como problema de saúde pública (BRASIL, 2022; BRASIL, 2024; WHO, 2026). 21 5. Referencias bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: PCDT da Hanseníase — Ministério da Saúde/CONITEC. Acesso em: 10 set. 2026. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde publica protocolo para o atendimento da Hanseníase. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. 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INTRODUÇÃO 2. OBJETIVO GERAL 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e características da hanseníase 3.2 Importância da consulta ao paciente com hanseníase 3.3 Acolhimento e anamnese 3.4 Exame dermatológico 3.5 Avaliação da sensibilidade 3.6 Avaliação dos nervos periféricos 3.7 Avaliação da força muscular 3.8 Avaliação ocular 3.9 Classificação operacional 3.10 Diagnóstico da hanseníase 3.11 Tratamento 3.12 Reações hansênicas 3.13 Prevenção de incapacidades 3.14 Autocuidado 3.15 Avaliação do grau de incapacidade física 3.16 Investigação dos contatos 3.17 Educação em saúde 3.18. Aspectos psicológicos e sociais 3.19 Atuação da enfermagem 3.20 Registro e acompanhamento 4. CONCLUSÃO