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1 UNIPLAN CENTRO UNIVERSITARIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL BACHARELADO EM ENFERMAGEM DARLLIN ROCHA DA SILVA – UL23202615 SAÚDE DO HOMEM ALTAMIRA-PÁ 2026 1 DARLLIN ROCHA DA SILVA SAÚDE DO HOMEM Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza. Altamira-Pa 2026 1 SUMÁRIO 1 1. INTRODUÇÃO A saúde do homem constitui uma importante área de atenção das políticas públicas de saúde, considerando que a população masculina apresenta padrões específicos de morbidade, mortalidade e utilização dos serviços de saúde. Estudos demonstram que os homens tendem a utilizar os serviços de saúde de maneira diferente das mulheres, sendo influenciados por fatores relacionados ao trabalho, às condições sociais, às concepções de masculinidade e à própria organização dos serviços de saúde (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). Durante muitos anos, a atenção à saúde masculina esteve fortemente concentrada no tratamento das doenças e dos agravos já instalados, enquanto as ações de promoção da saúde e prevenção apresentaram menor participação na rotina de muitos homens. Gomes, Nascimento e Araújo (2007) identificaram que a representação social do homem como indivíduo forte e invulnerável pode contribuir para a menor procura pelos serviços de saúde, favorecendo o adiamento da busca por assistência profissional. No Brasil, a criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) representou um importante avanço na organização da assistência destinada à população masculina. A política foi instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 1.944, de 27 de agosto de 2009, tendo entre seus objetivos melhorar as condições de saúde dos homens, reduzir morbidade e mortalidade, enfrentar fatores de risco e facilitar o acesso às ações e aos serviços de assistência integral (BRASIL, 2009). A literatura científica demonstra que a relação dos homens com os serviços de saúde está relacionada às diferentes formas de masculinidade existentes na sociedade. Separavich e Canesqui (2013), em revisão sobre saúde masculina e masculinidades, identificaram como temas relevantes o acesso aos serviços de saúde, sexualidade, saúde reprodutiva, violência e principais agravos que acometem os homens, destacando que as masculinidades são atravessadas por determinantes sociais e culturais. 1 Nesse contexto, compreender a saúde do homem exige uma abordagem que ultrapasse a perspectiva exclusivamente biológica, incorporando aspectos sociais, culturais, econômicos, familiares, profissionais e comportamentais. A própria PNAISH estabelece que a atenção integral deve considerar a complexidade dos modos de vida e da situação social dos indivíduos, reconhecendo os determinantes sociais relacionados ao processo saúde- doença (BRASIL, 2009). A saúde masculina também está relacionada à exposição diferenciada a determinados fatores de risco, incluindo acidentes, violência, consumo de álcool e outras drogas, comportamentos sexuais de risco e dificuldades de acesso aos serviços preventivos. A literatura sobre masculinidades demonstra que esses fatores não podem ser analisados isoladamente, pois estão associados às formas pelas quais os homens constroem suas identidades e estabelecem relações com o cuidado e com a saúde (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013; SCHRAIBER et al., 2012). Dessa maneira, a assistência integral à população masculina deve envolver promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce, tratamento, reabilitação e acompanhamento contínuo. A PNAISH prioriza a organização dos serviços de modo que os homens sejam reconhecidos como sujeitos que necessitam de cuidado e que os serviços de saúde sejam capazes de acolher suas necessidades (BRASIL, 2009). Diante disso, o presente relatório aborda os principais aspectos relacionados à saúde do homem, destacando a importância da prevenção de doenças, da promoção da saúde, do acesso aos serviços, da Atenção Primária à Saúde, da saúde sexual e reprodutiva, da saúde mental, da prevenção da violência e da atuação dos profissionais de saúde na assistência integral à população masculina (BRASIL, 2009; GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 1 2. OBJETIVO GERAL Analisar os principais aspectos relacionados à saúde do homem, considerando os fatores biológicos, sociais, culturais e comportamentais que interferem no processo saúde-doença, bem como a importância da promoção da saúde, prevenção de agravos, acesso aos serviços, Atenção Primária à Saúde e atuação multiprofissional na assistência integral à população masculina (BRASIL, 2009; SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Descrever os principais aspectos relacionados à saúde da população masculina e seus determinantes sociais, culturais e comportamentais (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013); Apresentar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e seus principais objetivos e diretrizes (BRASIL, 2009); Discutir as dificuldades relacionadas ao acesso dos homens aos serviços de saúde (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007); Abordar a importância da promoção da saúde e da prevenção de doenças entre a população masculina (BRASIL, 2009); Identificar os principais agravos e fatores de risco relacionados à saúde dos homens (BRASIL, 2009); Discutir a importância da saúde sexual e reprodutiva na atenção integral ao homem (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013); Abordar a importância da saúde mental e dos fatores psicossociais relacionados à população masculina; Analisar a influência das diferentes masculinidades sobre comportamentos relacionados à saúde (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013); Discutir a relação entre violência, acidentes e comportamentos de risco na saúde masculina (SCHRAIBER et al., 2012); Destacar a importância da Atenção Primária à Saúde na promoção, prevenção, diagnóstico e acompanhamento da população masculina; Apresentar o papel dos profissionais de saúde na assistência integral ao homem (BRASIL, 2009). 1 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) foi instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Sua criação representou uma iniciativa destinada a organizar uma linha de cuidado voltada às necessidades específicas da população masculina, buscando reduzir morbidade e mortalidade e facilitar o acesso dos homens aos serviços de saúde (BRASIL, 2009). A PNAISH estabelece princípios relacionados à universalidade, equidade, humanização e qualificação da atenção à saúde do homem. Entre suas diretrizes está a organização dos serviços públicos de saúde de modo a acolher a população masculina e favorecer sua integração aos diferentes níveis de atenção, com prioridade para a Atenção Básica e para a Estratégia Saúde da Família (BRASIL, 2009). Entre os objetivos da política encontra-se a mudança de paradigmas relacionados à percepção dos homens sobre o cuidado com a própria saúde, além da captação precoce da população masculina para ações de prevenção de doenças cardiovasculares, cânceres e outros agravos. A política também estabelece a necessidade de fortalecer a atenção básica e ampliar o acesso às informações sobre medidas preventivas (BRASIL, 2009). A PNAISH também reconhece que a população masculina nãoconstitui um grupo homogêneo. A política considera aspectos relacionados à diversidade sociocultural e estabelece que as ações devem contemplar diferentes condições e necessidades da população masculina, incluindo aspectos relacionados a gênero, orientação sexual, identidade de gênero e condição étnico-racial (BRASIL, 2009). A literatura sobre a construção da política demonstra, entretanto, que a formulação da PNAISH foi influenciada por diferentes perspectivas e atores sociais. Moreira, Gomes e Ribeiro (2016) analisaram a construção da política e 1 identificaram tensões entre diferentes perspectivas sobre a saúde masculina, destacando a presença de uma abordagem biomédica ao lado de discussões relacionadas às masculinidades e aos determinantes sociais. Dessa forma, a PNAISH representa uma importante ferramenta de organização das ações de saúde destinadas aos homens, mas sua efetividade depende da implementação concreta de suas diretrizes nos serviços, da qualificação profissional e da criação de estratégias capazes de aproximar os homens da rede de atenção à saúde (MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). 3.2 Acesso dos homens aos serviços de saúde O acesso dos homens aos serviços de saúde constitui um dos principais desafios para a efetivação da atenção integral. Estudos qualitativos demonstram que fatores como trabalho, horários de funcionamento dos serviços, dificuldades de acesso, representação do cuidado como atividade feminina e ausência de ações especificamente direcionadas à população masculina podem contribuir para a menor utilização dos serviços pelos homens (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). Gomes, Nascimento e Araújo (2007) identificaram que muitos homens associam a procura pelos serviços de saúde à existência de sintomas ou doenças já instaladas. Essa característica favorece uma lógica predominantemente curativa, reduzindo as oportunidades de prevenção e diagnóstico precoce de diferentes agravos. A construção social da masculinidade também pode influenciar a procura por atendimento. A associação entre masculinidade e características como força, independência, resistência e invulnerabilidade pode dificultar o reconhecimento da necessidade de cuidado e favorecer o adiamento da busca por assistência profissional (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). Separavich e Canesqui (2013) destacam que as masculinidades devem ser consideradas nas estratégias de saúde porque diferentes formas de 1 construção da identidade masculina podem produzir diferentes relações com o corpo, a doença, o cuidado e os serviços de saúde. Schraiber et al. (2010) também demonstram que a relação entre homens e serviços de saúde precisa ser compreendida considerando as experiências de violência, gênero e relações interpessoais. Em estudo realizado em serviços de atenção primária, os autores analisaram a violência entre homens e destacaram a necessidade de incorporar essa dimensão às práticas de saúde. Portanto, melhorar o acesso dos homens aos serviços de saúde não significa apenas aumentar a oferta de consultas. É necessário desenvolver serviços acolhedores, acessíveis e capazes de reconhecer as necessidades específicas da população masculina, conforme previsto pelas diretrizes da PNAISH (BRASIL, 2009). 3.3 Promoção e prevenção da saúde A promoção da saúde constitui componente fundamental da atenção integral à população masculina, uma vez que possibilita atuar sobre fatores de risco antes da instalação ou agravamento das doenças. A PNAISH estabelece entre seus objetivos estimular o autocuidado, a realização de exames preventivos e a adoção de hábitos saudáveis pelos homens (BRASIL, 2009). Entre as principais estratégias de promoção da saúde encontram-se a prática regular de atividade física, alimentação adequada, controle do peso corporal, redução do consumo de bebidas alcoólicas, cessação do tabagismo, vacinação, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e acompanhamento periódico das condições de saúde (BRASIL, 2009). A promoção da saúde também deve envolver educação em saúde e desenvolvimento da autonomia dos usuários. A oferta de informações claras permite que os homens reconheçam fatores de risco, identifiquem sinais de alerta e compreendam a importância do acompanhamento preventivo (BRASIL, 2009). 1 A Atenção Primária à Saúde apresenta papel estratégico nesse processo por possibilitar acompanhamento longitudinal, vacinação, consultas, atividades educativas, rastreamento de fatores de risco e acompanhamento de doenças crônicas. A priorização da atenção básica constitui uma das diretrizes estabelecidas na própria PNAISH (BRASIL, 2009). 3.4 Doenças crônicas e principais agravos à saúde masculina As doenças crônicas não transmissíveis constituem importante grupo de agravos que demandam acompanhamento contínuo dos homens. Entre as condições de maior relevância encontram-se hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, obesidade, doenças respiratórias crônicas e diferentes tipos de câncer, cuja prevenção e controle dependem de ações contínuas de promoção da saúde e acompanhamento profissional (BRASIL, 2009). A identificação precoce dos fatores de risco e o acompanhamento regular são importantes para reduzir complicações relacionadas às doenças crônicas. Entretanto, a procura tardia pelos serviços pode limitar as oportunidades de diagnóstico e intervenção preventiva, especialmente quando os indivíduos associam a necessidade de assistência apenas à presença de sintomas (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). A PNAISH estabelece entre seus objetivos a captação precoce da população masculina para atividades de prevenção primária relacionadas às doenças cardiovasculares, cânceres e outros agravos frequentes. Dessa maneira, a política procura deslocar o modelo de atenção exclusivamente curativo para uma perspectiva de cuidado integral e preventivo (BRASIL, 2009). Além das doenças crônicas, a saúde masculina é influenciada por acidentes, violência, uso abusivo de álcool e outras drogas e outros comportamentos que podem aumentar a exposição a situações de risco. Esses fatores precisam ser incorporados às ações de prevenção desenvolvidas pelos serviços de saúde (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 1 3.5 Saúde sexual e reprodutiva A saúde sexual e reprodutiva constitui componente essencial da atenção integral ao homem. As ações nessa área devem envolver educação sexual, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, planejamento reprodutivo, orientação sobre métodos contraceptivos, paternidade e acompanhamento das condições que podem comprometer a função sexual e reprodutiva (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). A abordagem da sexualidade masculina deve ultrapassar a perspectiva exclusivamente biológica e considerar aspectos emocionais, sociais, culturais e relacionais. A compreensão da sexualidade como dimensão da saúde permite desenvolver estratégias educativas mais abrangentes e adequadas às diferentes necessidades dos homens (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). O planejamento reprodutivo também deve incluir os homens como sujeitos ativos nas decisões relacionadas à reprodução. A participação masculina pode contribuir para decisões compartilhadas sobre contracepção, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, gestação e paternidade responsável (BRASIL, 2009). O preservativo apresenta papel importante nesse contexto, pois contribui simultaneamente para a prevenção de gestações não planejadas e para a redução do risco de transmissão de diversas infecções sexualmente transmissíveis. A educação em saúde deve estimular sua utilização adequada e consistente, especialmente nas situações de exposição ao risco (BRASIL, 2009). A atenção à saúde sexual também deve possibilitar que os homens procurem os serviços diante de alterações da funçãosexual, sintomas genitais, dificuldades reprodutivas ou suspeita de infecção. O acolhimento profissional e a ausência de julgamentos são fundamentais para favorecer a comunicação e a busca por atendimento. 1 3.6 Saúde mental A saúde mental deve integrar a assistência integral à população masculina, considerando que situações de estresse, ansiedade, depressão, dificuldades familiares, problemas financeiros, conflitos profissionais, violência e uso abusivo de álcool e outras drogas podem interferir significativamente na qualidade de vida e no bem-estar dos homens. As formas tradicionais de masculinidade podem dificultar a expressão de sentimentos e a procura por ajuda profissional. A valorização da independência, resistência e autossuficiência pode contribuir para que determinados homens ocultem sofrimento emocional ou procurem assistência somente quando os problemas apresentam maior gravidade (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). A relação entre masculinidade e saúde mental deve ser analisada considerando que não existe um único modelo de masculinidade. Diferentes contextos sociais produzem experiências distintas, e fatores como classe social, raça, idade, trabalho, relações familiares e orientação sexual podem interferir na maneira como o homem vivencia e expressa seu sofrimento (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 3.7 Masculinidades e saúde A discussão sobre masculinidades é fundamental para compreender os comportamentos relacionados à saúde dos homens. As masculinidades não constituem uma categoria única e homogênea, sendo produzidas social e culturalmente a partir de experiências familiares, profissionais, econômicas, históricas e relacionais (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). Separavich e Canesqui (2013) demonstram que diferentes formas de masculinidade estão relacionadas às experiências de saúde e doença. Dessa maneira, não é adequado considerar os homens como um grupo uniforme, pois diferentes indivíduos podem apresentar diferentes formas de perceber o corpo, a doença, o cuidado e a utilização dos serviços de saúde. 1 Determinados modelos tradicionais de masculinidade podem valorizar comportamentos relacionados à resistência física, exposição a riscos, independência e dificuldade de demonstrar vulnerabilidade. Gomes, Nascimento e Araújo (2007) observaram que o imaginário social de invulnerabilidade masculina pode contribuir para a menor procura por cuidados de saúde. Entretanto, esses comportamentos não podem ser atribuídos de forma generalizada a todos os homens. A própria literatura demonstra que as masculinidades são plurais e devem ser compreendidas dentro dos contextos sociais nos quais os indivíduos estão inseridos (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). Por esse motivo, as políticas públicas e os serviços de saúde devem desenvolver estratégias que considerem a diversidade da população masculina. A PNAISH reconhece essa necessidade ao estabelecer diretrizes relacionadas à diversidade sociocultural e à humanização da atenção (BRASIL, 2009). 3.8 Violência, acidentes e comportamentos de risco A violência e os acidentes constituem importantes problemas de saúde pública relacionados à população masculina. Homens podem estar expostos a situações de violência interpessoal, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho e outros eventos relacionados a comportamentos de risco, produzindo consequências físicas, psicológicas, sociais e econômicas (SCHRAIBER et al., 2012). Estudo realizado por Schraiber et al. (2012) com homens atendidos em serviços de atenção primária analisou experiências de violência física, psicológica e sexual e demonstrou a importância de incorporar essa dimensão à atenção à saúde masculina. A violência deve ser compreendida como fenômeno complexo, relacionado a fatores individuais, familiares, sociais e culturais. Os serviços de saúde possuem papel importante na identificação de situações de violência, 1 acolhimento das vítimas e encaminhamento para a rede de proteção quando necessário (SCHRAIBER et al., 2012). Os acidentes também representam importante causa de adoecimento, incapacidades e mortalidade masculina. A exposição ocupacional, o trânsito, o consumo de álcool e determinados comportamentos de risco podem aumentar a probabilidade de ocorrência desses eventos, tornando necessárias estratégias educativas e preventivas (BRASIL, 2009). As ações de prevenção devem incluir educação para segurança no trânsito, prevenção de acidentes de trabalho, redução do consumo abusivo de álcool, promoção de comportamentos seguros e enfrentamento das diferentes formas de violência. Essas ações estão relacionadas ao objetivo da PNAISH de atuar sobre fatores de risco e vulnerabilidades da população masculina (BRASIL, 2009). 3.9 Atenção Primária à Saúde A Atenção Primária à Saúde possui papel estratégico na implementação da assistência integral ao homem, pois representa uma importante porta de entrada do Sistema Único de Saúde e possibilita o acompanhamento contínuo dos usuários. A PNAISH estabelece a priorização da atenção básica e da Estratégia Saúde da Família como espaços fundamentais para o desenvolvimento das ações voltadas à população masculina (BRASIL, 2009). Na Atenção Primária podem ser desenvolvidas ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, educação em saúde e identificação de situações de violência. Essas atividades possibilitam uma abordagem integral e longitudinal do indivíduo. A Estratégia Saúde da Família também favorece a aproximação dos profissionais com o território e com as condições de vida dos usuários. Essa característica permite identificar fatores sociais e ambientais que podem interferir no processo saúde-doença e desenvolver intervenções mais adequadas à realidade local. 1 Entretanto, a organização dos serviços precisa considerar as barreiras que historicamente dificultam a participação masculina. Horários incompatíveis com o trabalho, dificuldade de acesso e ausência de estratégias específicas podem contribuir para o afastamento dos homens dos serviços (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 4. CONCLUSÃO A saúde do homem constitui importante campo de atuação das políticas públicas brasileiras, especialmente diante das diferenças observadas nos padrões de utilização dos serviços, exposição a fatores de risco, morbidade e mortalidade. A criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem representou um avanço na tentativa de organizar ações específicas para essa população e ampliar seu acesso ao Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2009). Os desafios relacionados à saúde masculina, entretanto, não estão restritos às doenças. Aspectos sociais, culturais, econômicos e comportamentais influenciam a maneira como os homens percebem a saúde, expressam necessidades, enfrentam doenças e procuram os serviços. As diferentes formas de masculinidade devem ser consideradas para que as estratégias de cuidado sejam adequadas à diversidade existente entre os homens (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). A menor procura pelos serviços de saúde pode estar relacionada à ideia social de que o homem deve ser forte, independente e resistente à doença. Questões relacionadas ao trabalho, horários dos serviços, dificuldades de acesso e ausência de estratégias específicas também podem contribuir para o afastamento dos homens das ações preventivas (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). Nesse sentido, a promoção da saúde e a prevenção de doenças devem ocupar lugar central na assistência masculina. Ações relacionadas à atividade física, alimentação saudável, controle do peso, vacinação, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, cessação do tabagismo, redução do 1 consumo de álcool e acompanhamento de doenças crônicas podem contribuir paramelhorar a qualidade de vida e reduzir agravos evitáveis (BRASIL, 2009). A saúde sexual e reprodutiva também deve ser incorporada à assistência integral. A educação sexual, o planejamento reprodutivo, a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, o uso de preservativos e a participação masculina nas decisões relacionadas à reprodução são componentes importantes do cuidado (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). A saúde mental merece igual atenção, especialmente diante das dificuldades que determinados modelos de masculinidade podem produzir na expressão de sentimentos e na procura por ajuda. Os serviços precisam oferecer acolhimento e escuta qualificada, favorecendo a identificação precoce de sofrimento psicológico e o encaminhamento adequado quando necessário (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). A violência e os acidentes também devem ser incorporados às ações de saúde masculina, considerando suas consequências físicas, psicológicas e sociais. A identificação de situações de violência e a prevenção de acidentes são componentes importantes da assistência integral e devem estar articuladas às demais políticas de saúde (SCHRAIBER et al., 2012). A Atenção Primária à Saúde possui papel estratégico nesse processo, por possibilitar acompanhamento longitudinal, educação em saúde, prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e encaminhamento. A priorização da atenção básica constitui uma das principais diretrizes da PNAISH e representa uma oportunidade para aproximar os homens dos serviços e fortalecer o cuidado preventivo (BRASIL, 2009). Conclui-se que a melhoria da saúde masculina depende da articulação entre políticas públicas, serviços de saúde, profissionais, famílias e usuários. É necessário oferecer uma assistência acessível, acolhedora, humanizada e livre de preconceitos, reconhecendo que os homens possuem diferentes necessidades, experiências e formas de vivenciar a saúde e a doença (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 1 Portanto, fortalecer as ações da PNAISH, ampliar o acesso à Atenção Primária, desenvolver estratégias de prevenção e promoção da saúde e estimular a participação dos homens no autocuidado são medidas fundamentais para reduzir agravos evitáveis e melhorar a qualidade de vida da população masculina. A efetivação dessas estratégias depende não apenas da existência de uma política pública, mas também da capacidade dos serviços e profissionais de transformar suas diretrizes em práticas concretas de cuidado (BRASIL, 2009; MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. GOMES, R.; NASCIMENTO, E. F.; ARAÚJO, F. C. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 565-574, 2007. DOI: 10.1590/S0102-311X2007000300015. MOREIRA, M. C. N.; GOMES, R.; RIBEIRO, C. R. E agora o homem vem?! Estratégias de atenção à saúde dos homens. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2016. SCHRAIBER, L. B.; BARROS, C. R. S.; COUTO, M. T.; FIGUEIREDO, W. S.; ALBUQUERQUE, F. P. Homens, masculinidade e violência: estudo em serviços de atenção primária à saúde. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, 2012. SEPARAVICH, M. A.; CANESQUI, A. M. Saúde do homem e masculinidades na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: uma revisão bibliográfica. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 22, n. 2, p. 415-428, 2013. DOI: 10.1590/S0104-12902013000200013. 1 GOMES, R.; NASCIMENTO, E. F.; ARAÚJO, F. C. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 565-574, 2007. DOI: 10.1590/S0102-311X2007000300015. BACHARELADO EM ENFERMAGEM Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza. 2. OBJETIVO GERAL 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem 3.2 Acesso dos homens aos serviços de saúde 3.3 Promoção e prevenção da saúde 3.4 Doenças crônicas e principais agravos à saúde masculina 3.5 Saúde sexual e reprodutiva 3.6 Saúde mental 3.7 Masculinidades e saúde 3.8 Violência, acidentes e comportamentos de risco 3.9 Atenção Primária à Saúde 4. CONCLUSÃO 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS