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1 UNIPLAN CENTRO UNIVERSITARIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL BACHARELADO EM ENFERMAGEM DARLLIN ROCHA DA SILVA – UL23202615 METODOS CONTRACEPTIVOS ALTAMIRA-PÁ 2026 1 DARLLIN ROCHA DA SILVA METODOS CONTRACEPTIVOS Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira souza. Altamira-Pa 2026 2 3 SUMÁRIO 4 1. INTRODUÇÃO Os métodos contraceptivos constituem importantes instrumentos de planejamento reprodutivo, permitindo que indivíduos e casais possam decidir de maneira livre e consciente sobre o momento de ter filhos, o número de filhos desejados e o intervalo entre as gestações. O planejamento reprodutivo integra as ações de saúde sexual e reprodutiva e deve estar associado ao acesso à informação, aos serviços de saúde e às diferentes opções contraceptivas disponíveis (BRASIL, 2013; TRINDADE et al., 2021). O planejamento familiar não deve ser compreendido exclusivamente como uma estratégia para evitar a gravidez, mas como um conjunto de ações de educação, aconselhamento, assistência e oferta de métodos que possibilitam aos indivíduos exercer autonomia sobre sua vida reprodutiva. Nesse sentido, o aconselhamento deve considerar as necessidades, preferências, valores, condições clínicas e objetivos reprodutivos de cada pessoa (SANTOS; VIEIRA, 2008; ARAÚJO et al., 2021). A literatura brasileira demonstra que o acesso à contracepção apresenta diferenças relacionadas a características sociais e demográficas. Em estudo realizado com 17.809 mulheres brasileiras em idade reprodutiva, Trindade et al. (2021) verificaram que, embora mais de 80% das participantes relatassem utilizar algum método contraceptivo, permaneciam desigualdades relacionadas à região de residência, escolaridade, condição socioeconômica e características raciais. A escolha do método contraceptivo deve, portanto, ocorrer de maneira individualizada, considerando eficácia, segurança, duração, reversibilidade, possíveis efeitos adversos, contraindicações, condições de saúde, utilização de medicamentos, frequência das relações sexuais e desejo reprodutivo. As recomendações internacionais reforçam que a elegibilidade para cada método depende das características clínicas e fisiológicas da pessoa usuária (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 5 Diante da diversidade de métodos disponíveis e da necessidade de garantir escolhas informadas, torna-se relevante conhecer as principais características dos métodos hormonais, intrauterinos, de barreira, comportamentais, de emergência e cirúrgicos. Além disso, a orientação dos profissionais de saúde constitui elemento essencial para que a pessoa possa compreender as alternativas existentes e participar ativamente da decisão contraceptiva (LIMA et al., 2025; SANTOS; VIEIRA, 2008). Assim, o presente trabalho apresenta uma revisão bibliográfica sobre os principais métodos contraceptivos, abordando suas classificações, mecanismos de ação, vantagens, limitações e aspectos relacionados à escolha e utilização, com destaque para a importância da assistência profissional no planejamento reprodutivo (BRASIL, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 2. OBJETIVO GERAL Analisar, por meio de revisão bibliográfica, os principais métodos contraceptivos disponíveis, suas classificações, mecanismos de ação, vantagens, limitações e características de utilização, destacando a importância da orientação profissional e do respeito à autonomia dos indivíduos no processo de planejamento reprodutivo (BRASIL, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar os principais métodos contraceptivos disponíveis para homens e mulheres e suas respectivas classificações (BRASIL, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019); Descrever os mecanismos de ação dos métodos hormonais, intrauterinos, de barreira, comportamentais, de emergência e cirúrgicos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019; BRASIL, 2013); Apresentar as principais vantagens, limitações, efeitos adversos e contraindicações relacionadas aos diferentes métodos contraceptivos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025); 6 Discutir a importância do planejamento reprodutivo e da autonomia dos usuários na escolha dos métodos contraceptivos (SANTOS; VIEIRA, 2008; SILVA et al., 2021); Analisar a importância da orientação dos profissionais de saúde no aconselhamento contraceptivo (SANTOS; VIEIRA, 2008; LIMA et al., 2025); Abordar a importância dos preservativos na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e da gravidez não planejada (ARAÚJO et al., 2021); Discutir as desigualdades relacionadas ao acesso e à utilização dos métodos contraceptivos no Brasil (TRINDADE et al., 2021). 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e classificação dos métodos contraceptivos A contracepção pode ser compreendida como o conjunto de métodos e técnicas utilizados com a finalidade de impedir ou reduzir a possibilidade de ocorrência de uma gravidez. Os métodos contraceptivos constituem instrumentos importantes do planejamento familiar e podem ser organizados em diferentes categorias de acordo com seu mecanismo de ação e forma de utilização (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2020). Entre as principais categorias estão os métodos hormonais, os dispositivos intrauterinos, os métodos comportamentais, os métodos de barreira e os métodos cirúrgicos. Os métodos hormonais incluem pílulas, injetáveis, implantes, adesivos e anéis vaginais; os dispositivos intrauterinos incluem o DIU de cobre e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel; enquanto os métodos de barreira incluem principalmente os preservativos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2020). Também fazem parte das alternativas contraceptivas os métodos baseados na percepção da fertilidade e a contracepção de emergência. Os métodos permanentes incluem principalmente a vasectomia e a esterilização tubária, cuja indicação deve estar associada a uma decisão consciente e informada sobre a 7 intenção de não ter futuras gestações (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019; CAETANO, 2014). A existência de diferentes métodos permite que a escolha seja adaptada às características e necessidades de cada usuário. Entretanto, a diversidade de alternativas exige orientação adequada, pois os métodos apresentam diferenças importantes quanto à eficácia, duração, reversibilidade, efeitos adversos, contraindicações e dependência da adesão do usuário (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 3.2 Métodos contraceptivos hormonais Os métodos contraceptivos hormonais utilizam hormônios sintéticos para interferir no processo reprodutivo. Entre as principais alternativas estão os contraceptivos orais, injetáveis, implantes subdérmicos, adesivos transdérmicos e anéis vaginais, que apresentam diferentes formulações e formas de administração (ALVES; LOPES, 2007). Os contraceptivos hormonais combinados geralmente associam estrogênio e progestagênio, enquanto os métodos de progestagênio isolado utilizam somente derivados desse hormônio. Entre os principais mecanismos de ação encontram-se a inibição da ovulação, o espessamento do muco cervical e alterações endometriais que dificultam a fecundação (ALVES; LOPES, 2007). Os contraceptivos hormonais podem apresentar diferentes perfis de benefícios e efeitos adversos. A escolha deve considerar as características clínicas da pessoa, uma vez que determinadas condições podem representar contraindicações ou exigir avaliação específica antes da utilização de alguns métodos hormonais (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2020). Os contraceptivosorais dependem de utilização regular para manter sua eficácia. Esquecimentos e uso inadequado podem reduzir a proteção contraceptiva, especialmente quando comparados a métodos de longa duração que não dependem da administração diária (TRINDADE et al., 2021). 8 A avaliação individualizada é especialmente importante porque determinadas condições cardiovasculares e fatores de risco podem interferir na escolha dos contraceptivos hormonais. A literatura recomenda considerar o perfil clínico da usuária e os riscos associados a cada formulação antes da indicação (ROSENFELD et al., 2011). 3.3 Dispositivo intrauterino – DIU O dispositivo intrauterino é um método contraceptivo reversível e de longa duração, sendo representado principalmente pelo DIU de cobre e pelo sistema intrauterino liberador de levonorgestrel. Esses métodos apresentam elevada eficácia e possuem a vantagem de não depender da administração diária por parte da pessoa usuária (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). O DIU de cobre não contém hormônio e produz alterações locais no ambiente uterino que prejudicam a função e a mobilidade dos espermatozoides, reduzindo a possibilidade de fecundação. O sistema liberador de levonorgestrel libera progestagênio no interior do útero e promove alterações no muco cervical e no endométrio, contribuindo para seu efeito contraceptivo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). Os métodos intrauterinos são considerados alternativas de elevada efetividade porque apresentam baixa dependência da adesão cotidiana do usuário. Essa característica é particularmente importante quando se considera que métodos de curta duração podem apresentar falhas relacionadas ao uso incorreto ou irregular (TRINDADE et al., 2021). No Brasil, entretanto, a utilização do DIU permanece inferior à de outros métodos contraceptivos. Trindade et al. (2021) identificaram diferenças importantes na utilização do DIU segundo escolaridade, região de residência e acesso a plano de saúde, evidenciando que a disponibilidade de um método não significa necessariamente acesso igualitário para toda a população. A escolha entre o DIU de cobre e o sistema intrauterino hormonal deve considerar as características clínicas, o padrão menstrual, as preferências da usuária e seus objetivos reprodutivos. A orientação profissional é necessária para apresentar 9 benefícios, limitações e possíveis efeitos adversos de cada alternativa (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 3.4 Métodos contraceptivos de barreira Os métodos de barreira têm como princípio impedir ou dificultar fisicamente a passagem dos espermatozoides para o trato reprodutivo feminino. Entre eles estão os preservativos masculino e feminino, o diafragma e os espermicidas, sendo os preservativos os métodos de maior relevância para a prevenção simultânea da gravidez e das infecções sexualmente transmissíveis (ARAÚJO et al., 2021). O preservativo masculino e o feminino apresentam importante papel na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, além de contribuírem para a prevenção da gravidez. Por essa razão, recomenda-se sua oferta e orientação para pessoas sexualmente ativas, independentemente da utilização de outro método contraceptivo (ARAÚJO et al., 2021). A utilização correta e consistente do preservativo é fundamental para melhorar sua efetividade. A orientação profissional deve incluir informações sobre armazenamento, colocação, retirada, descarte e necessidade de utilização de um novo preservativo em cada relação sexual (ARAÚJO et al., 2021). A utilização do preservativo pode ser associada a outro método contraceptivo, estratégia conhecida como dupla proteção. Essa abordagem permite combinar a prevenção da gravidez com a redução do risco de infecções sexualmente transmissíveis, sendo particularmente relevante no contexto da saúde sexual (TRINDADE et al., 2021). Apesar da importância dos preservativos, sua utilização apresenta diferenças segundo características sociais e demográficas. Trindade et al. (2021) verificaram diferenças na utilização de preservativos e dupla proteção entre regiões, escolaridade, raça/cor, área de residência e acesso a plano de saúde, demonstrando que os fatores sociais também influenciam as práticas contraceptivas. 10 3.5 Métodos comportamentais Os métodos comportamentais, também conhecidos como métodos baseados na percepção da fertilidade, utilizam a identificação de alterações fisiológicas que ocorrem durante o ciclo menstrual. Entre essas estratégias estão a observação do muco cervical, o acompanhamento da temperatura basal, a avaliação do ciclo menstrual e a identificação de outros sinais relacionados ao período fértil (ROHDEN, 2021). As práticas de percepção da fertilidade podem envolver o registro e a interpretação de sinais corporais, como o fluido cervical, a temperatura basal e alterações relacionadas ao ciclo menstrual. Essas estratégias podem ser utilizadas tanto com finalidade contraceptiva quanto para favorecer a concepção ou acompanhar características do ciclo (ROHDEN, 2021). A utilização dos métodos comportamentais exige conhecimento do próprio ciclo, acompanhamento sistemático dos sinais corporais e participação ativa dos usuários. Dessa maneira, sua efetividade pode ser influenciada pela capacidade de reconhecer corretamente os períodos férteis e seguir as orientações relacionadas à prevenção da gravidez (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). Embora possam representar uma alternativa para pessoas que preferem métodos não hormonais, os métodos baseados na percepção da fertilidade exigem orientação adequada e compreensão de suas limitações. A escolha deve considerar a capacidade do usuário de realizar o acompanhamento necessário e sua disposição para evitar relações desprotegidas durante os períodos de maior fertilidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). 3.6 Contracepção de emergência A contracepção de emergência é utilizada após uma relação sexual sem proteção contraceptiva ou quando ocorre falha ou utilização inadequada de outro método. Entre as alternativas disponíveis estão determinados medicamentos hormonais e o DIU de cobre, que apresenta elevada eficácia como método de emergência 11 quando utilizado dentro do período recomendado (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). A contracepção de emergência atua principalmente antes da ocorrência da ovulação, dependendo do método empregado e do momento em que é utilizado. Sua finalidade é reduzir o risco de gravidez após uma exposição desprotegida e não interromper uma gravidez já estabelecida (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). O DIU de cobre também pode ser utilizado como contracepção de emergência e possui a vantagem de continuar oferecendo proteção contraceptiva após sua inserção. Essa característica torna o método uma alternativa relevante para pessoas que desejam uma solução de emergência associada a um método reversível de longa duração (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). A contracepção de emergência não deve ser considerada substituta de um método contraceptivo regular. Após sua utilização, é importante oferecer aconselhamento sobre alternativas contraceptivas contínuas e sobre prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, especialmente quando a exposição ocorreu sem preservativo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021; ARAÚJO et al., 2021). 3.7 Métodos contraceptivos cirúrgicos Os métodos cirúrgicos são considerados métodos permanentes e incluem a esterilização tubária e a vasectomia. Por apresentarem caráter definitivo, sua escolha deve ser realizada após informação adequada sobre o procedimento, riscos, benefícios, possibilidade de arrependimento e alternativas contraceptivas reversíveis (MARCOLINO, 2004; CAETANO, 2014). A vasectomia consiste na interrupção ou oclusão dos canais deferentes, impedindo a passagem dos espermatozóides para o ejaculado.A esterilização tubária, por sua vez, interfere na passagem pelas tubas uterinas, impedindo o encontro entre os gametas e reduzindo a possibilidade de fecundação (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). 12 A decisão pela esterilização deve ocorrer de maneira livre, consciente e informada. Estudos brasileiros demonstram que a organização dos serviços e as práticas dos profissionais podem influenciar o acesso das mulheres à esterilização, reforçando a necessidade de garantir aconselhamento adequado e respeito à autonomia (MARCOLINO, 2004; CAETANO, 2014). A análise histórica da esterilização feminina no Brasil também demonstra que fatores relacionados à idade, número de filhos, condições socioeconômicas e organização dos serviços podem interferir no acesso à laqueadura. Caetano (2014) identificou situações de demanda frustrada relacionadas tanto à oferta dos serviços quanto às decisões dos profissionais envolvidos no processo. Dados brasileiros mais recentes também demonstram mudanças na prevalência dos métodos permanentes. Uma análise de série temporal publicada em 2026 identificou redução da prevalência da laqueadura e aumento da vasectomia do parceiro em determinados períodos analisados, evidenciando transformações nas práticas de planejamento reprodutivo da população brasileira (EPIDEMIOLOGIA E SERVIÇOS DE SAÚDE, 2026). 3.8 Importância da orientação profissional A orientação profissional é fundamental para garantir que os usuários conheçam as diferentes alternativas contraceptivas e possam participar da escolha do método. O aconselhamento deve ultrapassar uma abordagem exclusivamente técnica e considerar crenças, valores, preferências, experiências anteriores e expectativas relacionadas à contracepção (SANTOS; VIEIRA, 2008). A decisão contraceptiva deve ser centrada na pessoa, valorizando sua autonomia e permitindo que ela participe ativamente das decisões relacionadas à própria saúde. A literatura sobre tomada de decisão compartilhada destaca que o aconselhamento contraceptivo deve favorecer uma escolha informada e compatível com as preferências e necessidades individuais (SILVA et al., 2021). A escolha do método deve considerar condições clínicas, idade, histórico de saúde, medicamentos utilizados, características do ciclo menstrual, frequência das relações sexuais, desejo de gravidez futura, duração pretendida da 13 contracepção, possibilidade de efeitos adversos e preferências pessoais. As recomendações da OMS organizam a segurança dos métodos de acordo com condições clínicas e características individuais, reforçando a necessidade de avaliação antes da escolha (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). A atuação dos profissionais também é importante para garantir que informações sobre eficácia e limitações sejam apresentadas de maneira compreensível. O aconselhamento adequado pode contribuir para melhorar o conhecimento dos usuários, favorecer a adesão e reduzir escolhas baseadas em informações inadequadas ou incompletas (SANTOS; VIEIRA, 2008). A Atenção Primária à Saúde constitui espaço estratégico para o desenvolvimento dessas ações, pois permite a realização de atividades educativas, consultas, aconselhamento, oferta de métodos e acompanhamento longitudinal dos usuários. Estudos recentes sobre planejamento reprodutivo destacam a importância da integração entre educação, assistência de enfermagem, aconselhamento contraceptivo e organização dos serviços (LIMA et al., 2025). Além dos aspectos clínicos, as condições socioeconômicas podem interferir no acesso aos métodos. Trindade et al. (2021) demonstraram que região de residência, escolaridade, raça/cor, situação urbana ou rural e posse de plano de saúde estão relacionadas às diferenças observadas no uso dos métodos contraceptivos no Brasil. Dessa maneira, garantir acesso à contracepção não significa apenas disponibilizar diferentes métodos, mas também assegurar informação, acolhimento, orientação qualificada e possibilidade real de escolha. A assistência deve ser organizada para reduzir barreiras de acesso e respeitar os direitos sexuais e reprodutivos dos usuários (BRASIL, 2013; LIMA et al., 2025). Os profissionais de saúde possuem, portanto, papel fundamental na educação sexual e reprodutiva, na identificação das necessidades individuais, no aconselhamento, na oferta dos métodos disponíveis e no acompanhamento da utilização. A assistência baseada em informação científica e decisão 14 compartilhada favorece maior autonomia e contribui para escolhas contraceptivas mais adequadas (SANTOS; VIEIRA, 2008; SILVA et al., 2021). 4. CONCLUSÃO Os métodos contraceptivos representam importantes instrumentos para a promoção da saúde sexual e reprodutiva, contribuindo para a prevenção de gestações não planejadas e para o exercício da autonomia reprodutiva. A diversidade de alternativas permite atender diferentes necessidades e preferências, desde que os usuários tenham acesso aos métodos e às informações necessárias para utilizá-los adequadamente (BRASIL, 2013; TRINDADE et al., 2021). Os principais métodos contraceptivos incluem os hormonais, dispositivos intrauterinos, métodos de barreira, métodos baseados na percepção da fertilidade, contracepção de emergência e métodos cirúrgicos. Cada categoria apresenta mecanismos de ação, níveis de eficácia, duração, benefícios, limitações e possíveis efeitos adversos específicos, sendo inadequada a adoção de uma única opção para toda a população (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2020; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). Os métodos hormonais apresentam diferentes formulações e formas de administração e podem oferecer elevada proteção quando utilizados corretamente. Entretanto, sua indicação deve considerar as condições clínicas e os fatores de risco individuais, especialmente porque algumas situações de saúde podem modificar a segurança de determinadas formulações (ALVES; LOPES, 2007; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). Os dispositivos intrauterinos representam alternativas reversíveis de longa duração e elevada efetividade. Apesar dessas características, sua utilização ainda apresenta baixa prevalência em determinados grupos da população brasileira, demonstrando que a existência de métodos eficazes não garante, por si só, acesso equitativo ou utilização adequada (TRINDADE et al., 2021). 15 Os preservativos apresentam importância diferenciada porque, além de contribuírem para a prevenção da gravidez, são fundamentais para a redução do risco de transmissão de diversas infecções sexualmente transmissíveis. Por esse motivo, a utilização do preservativo deve ser incentivada mesmo entre pessoas que utilizam métodos hormonais ou dispositivos intrauterinos (ARAÚJO et al., 2021). A contracepção de emergência constitui uma alternativa importante para situações de relação sexual desprotegida ou falha contraceptiva, mas não deve substituir os métodos regulares. Sua utilização deve ser acompanhada de orientação sobre métodos contraceptivos contínuos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). Os métodos cirúrgicos, como vasectomia e esterilização tubária, apresentam caráter permanente e, por isso, exigem decisão consciente e informação adequada. A experiência brasileira demonstra que o acesso a esses procedimentos também pode ser influenciado pela organização dos serviços e por fatores sociais, reforçando a importância do respeito à autonomia e da oferta de aconselhamento adequado (MARCOLINO, 2004; CAETANO, 2014). A literatura também evidencia que o acesso aos métodos contraceptivos não ocorre de maneira uniforme no Brasil. Diferenças relacionadas à região, escolaridade, condições socioeconômicas, área de residência e outras características sociais interferem nas possibilidades de escolha e utilização dos métodos, constituindo importante desafio paraas políticas públicas de saúde (TRINDADE et al., 2021). Nesse contexto, o aconselhamento contraceptivo deve ser realizado de forma humanizada, individualizada e centrada na pessoa. O profissional de saúde deve apresentar as alternativas disponíveis, esclarecer dúvidas, discutir benefícios e limitações e respeitar as preferências e os objetivos reprodutivos do usuário, evitando decisões impositivas ou baseadas exclusivamente na perspectiva profissional (SANTOS; VIEIRA, 2008; SILVA et al., 2021). 16 Conclui-se, portanto, que a contracepção deve ser compreendida como componente fundamental da assistência à saúde sexual e reprodutiva. A combinação entre disponibilidade de métodos, acesso aos serviços, educação em saúde, aconselhamento profissional, decisão compartilhada e respeito à autonomia constitui estratégia essencial para promover escolhas reprodutivas conscientes, seguras e informadas (BRASIL, 2013; LIMA et al., 2025; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, A. S.; LOPES, M. H. B. M. Conhecimento, atitude e prática do uso de pílula e preservativo entre adolescentes universitários. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, 2007. ARAÚJO, M. A. L. et al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: abordagem às pessoas com vida sexual ativa. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, v. 30, n. esp. 1, e2020628, 2021. DOI: 10.1590/S1679-4974202100003.esp1. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. (Cadernos de Atenção Básica, n. 26). BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. CAETANO, A. J. Esterilização cirúrgica feminina no Brasil, 2000 a 2006: aderência à lei de planejamento familiar e demanda frustrada. Revista Brasileira de Estudos de População, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 309-331, 2014. DOI: 10.1590/S0102-30982014000200005. LIMA, E. R. et al. Construção de tecnologia MHealth para Promoção da Saúde em Planejamento Reprodutivo: inovações na atenção primária. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 30, n. 8, e04412024, 2025. DOI: 10.1590/1413-81232025308.04412024. 17 MARCOLINO, C. Planejamento familiar e laqueadura tubária: análise do trabalho de uma equipe de saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 3, p. 771-779, 2004. DOI: 10.1590/S0102- 311X2004000300014. ROHDEN, F. Práticas de percepção da fertilidade entre mulheres jovens. 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WORLD HEALTH ORGANIZATION. Family planning: a global handbook for providers. 3. ed. Baltimore: Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health; Geneva: World Health Organization, 2019. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Emergency contraception. Geneva: World Health Organization, 2021. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Contraception. Geneva: World Health Organization, 2023. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 6. ed. Geneva: World Health Organization, 2025. BACHARELADO EM ENFERMAGEM METODOS CONTRACEPTIVOS METODOS CONTRACEPTIVOS (1) Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira souza. 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVO GERAL 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e classificação dos métodos contraceptivos 3.2 Métodos contraceptivos hormonais 3.3 Dispositivo intrauterino – DIU 3.4 Métodos contraceptivos de barreira 3.5 Métodos comportamentais 3.6 Contracepção de emergência 3.7 Métodos contraceptivos cirúrgicos 3.8 Importância da orientação profissional 4. CONCLUSÃO 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS