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1 
UNIPLAN 
CENTRO UNIVERSITARIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL 
BACHARELADO EM ENFERMAGEM 
 
 
 
 
DARLLIN ROCHA DA SILVA – UL23202615 
 
 
 
 
 
 
Saúde do Homem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ALTAMIRA-PÁ 
2026
2 
 
DARLLIN ROCHA DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
Saúde do Homem 
 
 
 
Trabalho avaliativo de 
conclusão do estágio curricular 
II em enfermagem, servindo 
como obtenção de nota para 
conclusão de curso, orientado 
pela enfermeira docente do 
curso, Joelma Santos de 
Oliveira Souza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Altamira-Pa 
 2026
3 
SUMÁRIO 
 
1. Introdução ............................................................................4 
2. Objetivo geral ......................................................................6 
2.1 Objetivos especificos .............................................................................6 
3. Desenvolvimnto ...................................................................7 
 3.1 Politica Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem ..................7 
3.2 Acesso dos homens aos serviços de saúde .........................................8 
3.3 Promoção e prevenção da saúde .........................................................9 
3.4 Doenças cronicas e principais agravos à saude masculina .................10 
3.5 Saúde sexual reprodutiva .....................................................................11 
3.6 Saúde mental ........................................................................................12 
3.7 Masculinidade e saúde .........................................................................12 
3.8 Violencia, acidentes e comportamentos de risco ..................................13 
3.9 Atenção Primaria a Saúde ....................................................................14 
4. Conclusão ...........................................................................15 
5. Referencias bibliograficas .................................................17 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
1. INTRODUÇÃO 
A saúde do homem constitui uma importante área de atenção das 
políticas públicas de saúde, considerando que a população masculina 
apresenta padrões específicos de morbidade, mortalidade e utilização dos 
serviços de saúde. Estudos demonstram que os homens tendem a utilizar os 
serviços de saúde de maneira diferente das mulheres, sendo influenciados por 
fatores relacionados ao trabalho, às condições sociais, às concepções de 
masculinidade e à própria organização dos serviços de saúde (GOMES; 
NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
Durante muitos anos, a atenção à saúde masculina esteve fortemente 
concentrada no tratamento das doenças e dos agravos já instalados, enquanto 
as ações de promoção da saúde e prevenção apresentaram menor 
participação na rotina de muitos homens. Gomes, Nascimento e Araújo (2007) 
identificaram que a representação social do homem como indivíduo forte e 
invulnerável pode contribuir para a menor procura pelos serviços de saúde, 
favorecendo o adiamento da busca por assistência profissional. 
No Brasil, a criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Homem (PNAISH) representou um importante avanço na organização da 
assistência destinada à população masculina. A política foi instituída no âmbito 
do Sistema Único de Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 1.944, de 27 de 
agosto de 2009, tendo entre seus objetivos melhorar as condições de saúde 
dos homens, reduzir morbidade e mortalidade, enfrentar fatores de risco e 
facilitar o acesso às ações e aos serviços de assistência integral (BRASIL, 
2009). 
A literatura científica demonstra que a relação dos homens com os 
serviços de saúde está relacionada às diferentes formas de masculinidade 
existentes na sociedade. Separavich e Canesqui (2013), em revisão sobre 
saúde masculina e masculinidades, identificaram como temas relevantes o 
acesso aos serviços de saúde, sexualidade, saúde reprodutiva, violência e 
principais agravos que acometem os homens, destacando que as 
masculinidades são atravessadas por determinantes sociais e culturais. 
5 
Nesse contexto, compreender a saúde do homem exige uma abordagem 
que ultrapasse a perspectiva exclusivamente biológica, incorporando aspectos 
sociais, culturais, econômicos, familiares, profissionais e comportamentais. A 
própria PNAISH estabelece que a atenção integral deve considerar a 
complexidade dos modos de vida e da situação social dos indivíduos, 
reconhecendo os determinantes sociais relacionados ao processo saúde-
doença (BRASIL, 2009). 
A saúde masculina também está relacionada à exposição diferenciada a 
determinados fatores de risco, incluindo acidentes, violência, consumo de 
álcool e outras drogas, comportamentos sexuais de risco e dificuldades de 
acesso aos serviços preventivos. A literatura sobre masculinidades demonstra 
que esses fatores não podem ser analisados isoladamente, pois estão 
associados às formas pelas quais os homens constroem suas identidades e 
estabelecem relações com o cuidado e com a saúde (SEPARAVICH; 
CANESQUI, 2013; SCHRAIBER et al., 2012). 
Dessa maneira, a assistência integral à população masculina deve 
envolver promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce, 
tratamento, reabilitação e acompanhamento contínuo. A PNAISH prioriza a 
organização dos serviços de modo que os homens sejam reconhecidos como 
sujeitos que necessitam de cuidado e que os serviços de saúde sejam capazes 
de acolher suas necessidades (BRASIL, 2009). 
Diante disso, o presente relatório aborda os principais aspectos 
relacionados à saúde do homem, destacando a importância da prevenção de 
doenças, da promoção da saúde, do acesso aos serviços, da Atenção Primária 
à Saúde, da saúde sexual e reprodutiva, da saúde mental, da prevenção da 
violência e da atuação dos profissionais de saúde na assistência integral à 
população masculina (BRASIL, 2009; GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 
2007). 
 
 
6 
2. OBJETIVO GERAL 
Analisar os principais aspectos relacionados à saúde do homem, 
considerando os fatores biológicos, sociais, culturais e comportamentais que 
interferem no processo saúde-doença, bem como a importância da promoção 
da saúde, prevenção de agravos, acesso aos serviços, Atenção Primária à 
Saúde e atuação multiprofissional na assistência integral à população 
masculina (BRASIL, 2009; SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 Descrever os principais aspectos relacionados à saúde da população 
masculina e seus determinantes sociais, culturais e comportamentais 
(SEPARAVICH; CANESQUI, 2013); 
 Apresentar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e 
seus principais objetivos e diretrizes (BRASIL, 2009); 
 Discutir as dificuldades relacionadas ao acesso dos homens aos 
serviços de saúde (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007); 
 Abordar a importância da promoção da saúde e da prevenção de 
doenças entre a população masculina (BRASIL, 2009); 
 Identificar os principais agravos e fatores de risco relacionados à saúde 
dos homens (BRASIL, 2009); 
 Discutir a importância da saúde sexual e reprodutiva na atenção integral 
ao homem (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013); 
 Abordar a importância da saúde mental e dos fatores psicossociais 
relacionados à população masculina; 
 Analisar a influência das diferentes masculinidades sobre 
comportamentos relacionados à saúde (SEPARAVICH; CANESQUI, 
2013); 
 Discutir a relação entre violência, acidentes e comportamentos de risco 
na saúde masculina (SCHRAIBER et al., 2012); 
 Destacar a importância da Atenção Primária à Saúde na promoção, 
prevenção, diagnóstico e acompanhamento da população masculina; 
 Apresentar o papel dos profissionais de saúde na assistência integral ao 
homem (BRASIL, 2009). 
7 
3. DESENVOLVIMENTO 
3.1 Política Nacional de AtençãoIntegral à Saúde do Homem 
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) 
foi instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde por meio da Portaria 
GM/MS nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Sua criação representou uma 
iniciativa destinada a organizar uma linha de cuidado voltada às necessidades 
específicas da população masculina, buscando reduzir morbidade e 
mortalidade e facilitar o acesso dos homens aos serviços de saúde (BRASIL, 
2009). 
A PNAISH estabelece princípios relacionados à universalidade, 
equidade, humanização e qualificação da atenção à saúde do homem. Entre 
suas diretrizes está a organização dos serviços públicos de saúde de modo a 
acolher a população masculina e favorecer sua integração aos diferentes níveis 
de atenção, com prioridade para a Atenção Básica e para a Estratégia Saúde 
da Família (BRASIL, 2009). 
Entre os objetivos da política encontra-se a mudança de paradigmas 
relacionados à percepção dos homens sobre o cuidado com a própria saúde, 
além da captação precoce da população masculina para ações de prevenção 
de doenças cardiovasculares, cânceres e outros agravos. A política também 
estabelece a necessidade de fortalecer a atenção básica e ampliar o acesso às 
informações sobre medidas preventivas (BRASIL, 2009). 
A PNAISH também reconhece que a população masculina não constitui 
um grupo homogêneo. A política considera aspectos relacionados à 
diversidade sociocultural e estabelece que as ações devem contemplar 
diferentes condições e necessidades da população masculina, incluindo 
aspectos relacionados a gênero, orientação sexual, identidade de gênero e 
condição étnico-racial (BRASIL, 2009). 
A literatura sobre a construção da política demonstra, entretanto, que a 
formulação da PNAISH foi influenciada por diferentes perspectivas e atores 
sociais. Moreira, Gomes e Ribeiro (2016) analisaram a construção da política e 
8 
identificaram tensões entre diferentes perspectivas sobre a saúde masculina, 
destacando a presença de uma abordagem biomédica ao lado de discussões 
relacionadas às masculinidades e aos determinantes sociais. 
Dessa forma, a PNAISH representa uma importante ferramenta de 
organização das ações de saúde destinadas aos homens, mas sua efetividade 
depende da implementação concreta de suas diretrizes nos serviços, da 
qualificação profissional e da criação de estratégias capazes de aproximar os 
homens da rede de atenção à saúde (MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). 
3.2 Acesso dos homens aos serviços de saúde 
O acesso dos homens aos serviços de saúde constitui um dos principais 
desafios para a efetivação da atenção integral. Estudos qualitativos 
demonstram que fatores como trabalho, horários de funcionamento dos 
serviços, dificuldades de acesso, representação do cuidado como atividade 
feminina e ausência de ações especificamente direcionadas à população 
masculina podem contribuir para a menor utilização dos serviços pelos homens 
(GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 
Gomes, Nascimento e Araújo (2007) identificaram que muitos homens 
associam a procura pelos serviços de saúde à existência de sintomas ou 
doenças já instaladas. Essa característica favorece uma lógica 
predominantemente curativa, reduzindo as oportunidades de prevenção e 
diagnóstico precoce de diferentes agravos. 
A construção social da masculinidade também pode influenciar a procura 
por atendimento. A associação entre masculinidade e características como 
força, independência, resistência e invulnerabilidade pode dificultar o 
reconhecimento da necessidade de cuidado e favorecer o adiamento da busca 
por assistência profissional (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; 
SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
Separavich e Canesqui (2013) destacam que as masculinidades devem 
ser consideradas nas estratégias de saúde porque diferentes formas de 
9 
construção da identidade masculina podem produzir diferentes relações com o 
corpo, a doença, o cuidado e os serviços de saúde. 
Schraiber et al. (2010) também demonstram que a relação entre homens 
e serviços de saúde precisa ser compreendida considerando as experiências 
de violência, gênero e relações interpessoais. Em estudo realizado em serviços 
de atenção primária, os autores analisaram a violência entre homens e 
destacaram a necessidade de incorporar essa dimensão às práticas de saúde. 
Portanto, melhorar o acesso dos homens aos serviços de saúde não 
significa apenas aumentar a oferta de consultas. É necessário desenvolver 
serviços acolhedores, acessíveis e capazes de reconhecer as necessidades 
específicas da população masculina, conforme previsto pelas diretrizes da 
PNAISH (BRASIL, 2009). 
3.3 Promoção e prevenção da saúde 
A promoção da saúde constitui componente fundamental da atenção 
integral à população masculina, uma vez que possibilita atuar sobre fatores de 
risco antes da instalação ou agravamento das doenças. A PNAISH estabelece 
entre seus objetivos estimular o autocuidado, a realização de exames 
preventivos e a adoção de hábitos saudáveis pelos homens (BRASIL, 2009). 
Entre as principais estratégias de promoção da saúde encontram-se a 
prática regular de atividade física, alimentação adequada, controle do peso 
corporal, redução do consumo de bebidas alcoólicas, cessação do tabagismo, 
vacinação, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e 
acompanhamento periódico das condições de saúde (BRASIL, 2009). 
A promoção da saúde também deve envolver educação em saúde e 
desenvolvimento da autonomia dos usuários. A oferta de informações claras 
permite que os homens reconheçam fatores de risco, identifiquem sinais de 
alerta e compreendam a importância do acompanhamento preventivo (BRASIL, 
2009). 
10 
A Atenção Primária à Saúde apresenta papel estratégico nesse 
processo por possibilitar acompanhamento longitudinal, vacinação, consultas, 
atividades educativas, rastreamento de fatores de risco e acompanhamento de 
doenças crônicas. A priorização da atenção básica constitui uma das diretrizes 
estabelecidas na própria PNAISH (BRASIL, 2009). 
3.4 Doenças crônicas e principais agravos à saúde masculina 
As doenças crônicas não transmissíveis constituem importante grupo de 
agravos que demandam acompanhamento contínuo dos homens. Entre as 
condições de maior relevância encontram-se hipertensão arterial, diabetes 
mellitus, doenças cardiovasculares, obesidade, doenças respiratórias crônicas 
e diferentes tipos de câncer, cuja prevenção e controle dependem de ações 
contínuas de promoção da saúde e acompanhamento profissional (BRASIL, 
2009). 
A identificação precoce dos fatores de risco e o acompanhamento 
regular são importantes para reduzir complicações relacionadas às doenças 
crônicas. Entretanto, a procura tardia pelos serviços pode limitar as 
oportunidades de diagnóstico e intervenção preventiva, especialmente quando 
os indivíduos associam a necessidade de assistência apenas à presença de 
sintomas (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 
A PNAISH estabelece entre seus objetivos a captação precoce da 
população masculina para atividades de prevenção primária relacionadas às 
doenças cardiovasculares, cânceres e outros agravos frequentes. Dessa 
maneira, a política procura deslocar o modelo de atenção exclusivamente 
curativo para uma perspectiva de cuidado integral e preventivo (BRASIL, 2009). 
Além das doenças crônicas, a saúde masculina é influenciada por 
acidentes, violência, uso abusivo de álcool e outras drogas e outros 
comportamentos que podem aumentar a exposição a situações de risco. Esses 
fatores precisam ser incorporados às ações de prevenção desenvolvidas pelos 
serviços de saúde (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
 
11 
3.5 Saúde sexual e reprodutiva 
A saúde sexual e reprodutiva constitui componente essencial da atenção 
integral ao homem. As ações nessa área devem envolver educação sexual, 
prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, planejamento 
reprodutivo,orientação sobre métodos contraceptivos, paternidade e 
acompanhamento das condições que podem comprometer a função sexual e 
reprodutiva (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
A abordagem da sexualidade masculina deve ultrapassar a perspectiva 
exclusivamente biológica e considerar aspectos emocionais, sociais, culturais e 
relacionais. A compreensão da sexualidade como dimensão da saúde permite 
desenvolver estratégias educativas mais abrangentes e adequadas às 
diferentes necessidades dos homens (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
O planejamento reprodutivo também deve incluir os homens como 
sujeitos ativos nas decisões relacionadas à reprodução. A participação 
masculina pode contribuir para decisões compartilhadas sobre contracepção, 
prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, gestação e paternidade 
responsável (BRASIL, 2009). 
O preservativo apresenta papel importante nesse contexto, pois contribui 
simultaneamente para a prevenção de gestações não planejadas e para a 
redução do risco de transmissão de diversas infecções sexualmente 
transmissíveis. A educação em saúde deve estimular sua utilização adequada 
e consistente, especialmente nas situações de exposição ao risco (BRASIL, 
2009). 
A atenção à saúde sexual também deve possibilitar que os homens 
procurem os serviços diante de alterações da função sexual, sintomas genitais, 
dificuldades reprodutivas ou suspeita de infecção. O acolhimento profissional e 
a ausência de julgamentos são fundamentais para favorecer a comunicação e 
a busca por atendimento. 
 
12 
3.6 Saúde mental 
A saúde mental deve integrar a assistência integral à população 
masculina, considerando que situações de estresse, ansiedade, depressão, 
dificuldades familiares, problemas financeiros, conflitos profissionais, violência 
e uso abusivo de álcool e outras drogas podem interferir significativamente na 
qualidade de vida e no bem-estar dos homens. 
As formas tradicionais de masculinidade podem dificultar a expressão de 
sentimentos e a procura por ajuda profissional. A valorização da 
independência, resistência e autossuficiência pode contribuir para que 
determinados homens ocultem sofrimento emocional ou procurem assistência 
somente quando os problemas apresentam maior gravidade (GOMES; 
NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 
A relação entre masculinidade e saúde mental deve ser analisada 
considerando que não existe um único modelo de masculinidade. Diferentes 
contextos sociais produzem experiências distintas, e fatores como classe 
social, raça, idade, trabalho, relações familiares e orientação sexual podem 
interferir na maneira como o homem vivencia e expressa seu sofrimento 
(SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
3.7 Masculinidades e saúde 
A discussão sobre masculinidades é fundamental para compreender os 
comportamentos relacionados à saúde dos homens. As masculinidades não 
constituem uma categoria única e homogênea, sendo produzidas social e 
culturalmente a partir de experiências familiares, profissionais, econômicas, 
históricas e relacionais (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
Separavich e Canesqui (2013) demonstram que diferentes formas de 
masculinidade estão relacionadas às experiências de saúde e doença. Dessa 
maneira, não é adequado considerar os homens como um grupo uniforme, pois 
diferentes indivíduos podem apresentar diferentes formas de perceber o corpo, 
a doença, o cuidado e a utilização dos serviços de saúde. 
13 
Determinados modelos tradicionais de masculinidade podem valorizar 
comportamentos relacionados à resistência física, exposição a riscos, 
independência e dificuldade de demonstrar vulnerabilidade. Gomes, 
Nascimento e Araújo (2007) observaram que o imaginário social de 
invulnerabilidade masculina pode contribuir para a menor procura por cuidados 
de saúde. 
Entretanto, esses comportamentos não podem ser atribuídos de forma 
generalizada a todos os homens. A própria literatura demonstra que as 
masculinidades são plurais e devem ser compreendidas dentro dos contextos 
sociais nos quais os indivíduos estão inseridos (SEPARAVICH; CANESQUI, 
2013). 
Por esse motivo, as políticas públicas e os serviços de saúde devem 
desenvolver estratégias que considerem a diversidade da população 
masculina. A PNAISH reconhece essa necessidade ao estabelecer diretrizes 
relacionadas à diversidade sociocultural e à humanização da atenção (BRASIL, 
2009). 
3.8 Violência, acidentes e comportamentos de risco 
A violência e os acidentes constituem importantes problemas de saúde 
pública relacionados à população masculina. Homens podem estar expostos a 
situações de violência interpessoal, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho 
e outros eventos relacionados a comportamentos de risco, produzindo 
consequências físicas, psicológicas, sociais e econômicas (SCHRAIBER et al., 
2012). 
Estudo realizado por Schraiber et al. (2012) com homens atendidos em 
serviços de atenção primária analisou experiências de violência física, 
psicológica e sexual e demonstrou a importância de incorporar essa dimensão 
à atenção à saúde masculina. 
A violência deve ser compreendida como fenômeno complexo, 
relacionado a fatores individuais, familiares, sociais e culturais. Os serviços de 
saúde possuem papel importante na identificação de situações de violência, 
14 
acolhimento das vítimas e encaminhamento para a rede de proteção quando 
necessário (SCHRAIBER et al., 2012). 
Os acidentes também representam importante causa de adoecimento, 
incapacidades e mortalidade masculina. A exposição ocupacional, o trânsito, o 
consumo de álcool e determinados comportamentos de risco podem aumentar 
a probabilidade de ocorrência desses eventos, tornando necessárias 
estratégias educativas e preventivas (BRASIL, 2009). 
As ações de prevenção devem incluir educação para segurança no 
trânsito, prevenção de acidentes de trabalho, redução do consumo abusivo de 
álcool, promoção de comportamentos seguros e enfrentamento das diferentes 
formas de violência. Essas ações estão relacionadas ao objetivo da PNAISH de 
atuar sobre fatores de risco e vulnerabilidades da população masculina 
(BRASIL, 2009). 
3.9 Atenção Primária à Saúde 
A Atenção Primária à Saúde possui papel estratégico na implementação 
da assistência integral ao homem, pois representa uma importante porta de 
entrada do Sistema Único de Saúde e possibilita o acompanhamento contínuo 
dos usuários. A PNAISH estabelece a priorização da atenção básica e da 
Estratégia Saúde da Família como espaços fundamentais para o 
desenvolvimento das ações voltadas à população masculina (BRASIL, 2009). 
Na Atenção Primária podem ser desenvolvidas ações de promoção da 
saúde, prevenção de doenças, vacinação, acompanhamento de doenças 
crônicas, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, educação em saúde e 
identificação de situações de violência. Essas atividades possibilitam uma 
abordagem integral e longitudinal do indivíduo. 
A Estratégia Saúde da Família também favorece a aproximação dos 
profissionais com o território e com as condições de vida dos usuários. Essa 
característica permite identificar fatores sociais e ambientais que podem 
interferir no processo saúde-doença e desenvolver intervenções mais 
adequadas à realidade local. 
15 
Entretanto, a organização dos serviços precisa considerar as barreiras 
que historicamente dificultam a participação masculina. Horários incompatíveis 
com o trabalho, dificuldade de acesso e ausência de estratégias específicas 
podem contribuir para o afastamento dos homens dos serviços (GOMES; 
NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 
4. CONCLUSÃO 
A saúde do homem constitui importante campo de atuação das políticas 
públicas brasileiras, especialmente diante das diferenças observadas nos 
padrões de utilização dos serviços, exposição a fatores de risco, morbidade e 
mortalidade. A criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Homem representou um avanço na tentativa de organizarações específicas 
para essa população e ampliar seu acesso ao Sistema Único de Saúde 
(BRASIL, 2009). 
Os desafios relacionados à saúde masculina, entretanto, não estão 
restritos às doenças. Aspectos sociais, culturais, econômicos e 
comportamentais influenciam a maneira como os homens percebem a saúde, 
expressam necessidades, enfrentam doenças e procuram os serviços. As 
diferentes formas de masculinidade devem ser consideradas para que as 
estratégias de cuidado sejam adequadas à diversidade existente entre os 
homens (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
A menor procura pelos serviços de saúde pode estar relacionada à ideia 
social de que o homem deve ser forte, independente e resistente à doença. 
Questões relacionadas ao trabalho, horários dos serviços, dificuldades de 
acesso e ausência de estratégias específicas também podem contribuir para o 
afastamento dos homens das ações preventivas (GOMES; NASCIMENTO; 
ARAÚJO, 2007). 
Nesse sentido, a promoção da saúde e a prevenção de doenças devem 
ocupar lugar central na assistência masculina. Ações relacionadas à atividade 
física, alimentação saudável, controle do peso, vacinação, prevenção das 
infecções sexualmente transmissíveis, cessação do tabagismo, redução do 
16 
consumo de álcool e acompanhamento de doenças crônicas podem contribuir 
para melhorar a qualidade de vida e reduzir agravos evitáveis (BRASIL, 2009). 
A saúde sexual e reprodutiva também deve ser incorporada à 
assistência integral. A educação sexual, o planejamento reprodutivo, a 
prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, o uso de preservativos e 
a participação masculina nas decisões relacionadas à reprodução são 
componentes importantes do cuidado (SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
A saúde mental merece igual atenção, especialmente diante das 
dificuldades que determinados modelos de masculinidade podem produzir na 
expressão de sentimentos e na procura por ajuda. Os serviços precisam 
oferecer acolhimento e escuta qualificada, favorecendo a identificação precoce 
de sofrimento psicológico e o encaminhamento adequado quando necessário 
(GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007). 
A violência e os acidentes também devem ser incorporados às ações de 
saúde masculina, considerando suas consequências físicas, psicológicas e 
sociais. A identificação de situações de violência e a prevenção de acidentes 
são componentes importantes da assistência integral e devem estar articuladas 
às demais políticas de saúde (SCHRAIBER et al., 2012). 
A Atenção Primária à Saúde possui papel estratégico nesse processo, 
por possibilitar acompanhamento longitudinal, educação em saúde, prevenção, 
diagnóstico precoce, tratamento e encaminhamento. A priorização da atenção 
básica constitui uma das principais diretrizes da PNAISH e representa uma 
oportunidade para aproximar os homens dos serviços e fortalecer o cuidado 
preventivo (BRASIL, 2009). 
Conclui-se que a melhoria da saúde masculina depende da articulação 
entre políticas públicas, serviços de saúde, profissionais, famílias e usuários. É 
necessário oferecer uma assistência acessível, acolhedora, humanizada e livre 
de preconceitos, reconhecendo que os homens possuem diferentes 
necessidades, experiências e formas de vivenciar a saúde e a doença 
(SEPARAVICH; CANESQUI, 2013). 
17 
Portanto, fortalecer as ações da PNAISH, ampliar o acesso à Atenção 
Primária, desenvolver estratégias de prevenção e promoção da saúde e 
estimular a participação dos homens no autocuidado são medidas 
fundamentais para reduzir agravos evitáveis e melhorar a qualidade de vida da 
população masculina. A efetivação dessas estratégias depende não apenas da 
existência de uma política pública, mas também da capacidade dos serviços e 
profissionais de transformar suas diretrizes em práticas concretas de cuidado 
(BRASIL, 2009; MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.944, de 27 de agosto de 
2009. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política 
Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Brasília, DF: 
Ministério da Saúde, 2009. 
 BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília, DF: Ministério da 
Saúde, 2009. 
 GOMES, R.; NASCIMENTO, E. F.; ARAÚJO, F. C. Por que os homens 
buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As 
explicações de homens com baixa escolaridade e homens com 
ensino superior. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 
3, p. 565-574, 2007. DOI: 10.1590/S0102-311X2007000300015. 
 MOREIRA, M. C. N.; GOMES, R.; RIBEIRO, C. R. E agora o homem 
vem?! Estratégias de atenção à saúde dos homens. Cadernos de 
Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2016. 
 SCHRAIBER, L. B.; BARROS, C. R. S.; COUTO, M. T.; FIGUEIREDO, 
W. S.; ALBUQUERQUE, F. P. Homens, masculinidade e violência: 
estudo em serviços de atenção primária à saúde. Revista Brasileira 
de Epidemiologia, São Paulo, 2012. 
 SEPARAVICH, M. A.; CANESQUI, A. M. Saúde do homem e 
masculinidades na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Homem: uma revisão bibliográfica. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 
22, n. 2, p. 415-428, 2013. DOI: 10.1590/S0104-12902013000200013. 
18 
 GOMES, R.; NASCIMENTO, E. F.; ARAÚJO, F. C. Por que os homens 
buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? 
Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 565-574, 
2007. DOI: 10.1590/S0102-311X2007000300015. 
 
	BACHARELADO EM ENFERMAGEM
	Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza.
	2. OBJETIVO GERAL
	2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
	3. DESENVOLVIMENTO
	3.1 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem
	3.2 Acesso dos homens aos serviços de saúde
	3.3 Promoção e prevenção da saúde
	3.4 Doenças crônicas e principais agravos à saúde masculina
	3.5 Saúde sexual e reprodutiva
	3.6 Saúde mental
	3.7 Masculinidades e saúde
	3.8 Violência, acidentes e comportamentos de risco
	3.9 Atenção Primária à Saúde
	4. CONCLUSÃO
	5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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