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ATENÇÃO EM URGÊNCIAS/EMERGÊNCIAS (AUE) EM CUIDADOS PALIATIVOS POR QUE PACIENTES PALIATIVOS PROCURAM A EMERGÊNCIA? 1. Descompensação aguda • Crises de doenças crônicas/avançadas são importantes motivos de procura da emergência. 2. Sintomas mal controlados • Principalmente: dor, dispneia, delírio. 3. Dificuldade de acesso à Atenção Primária • Falta de cobertura; • Horários de funcionamento limitados; • Dificuldade de acesso; • Ausência de orientação/direcionamento adequado. 4. Ansiedade diante da piora • Agravamento súbito gera medo e angústia → paciente/família procuram atendimento imediato. 5. Sensação de segurança • Hospital oferece tecnologia, equipamentos, profissionais, atendimento 24 horas. - Frequência • 60–70% dos pacientes em CP visitam serviços de urgência no último mês de vida. • 85% visitam emergência pelo menos uma vez nos últimos 6 meses de vida. O QUE A AUE DEVE FAZER PELO PACIENTE PALIATIVO? - O atendimento deve seguir uma lógica: 1- IDENTIFICAR O PROBLEMA AGUDO - O que está causando o sofrimento? - É: • Sintoma agudizado? • Complicação da doença? • Comorbidade? • Emergência paliativa? • Situação potencialmente reversível? 2- CONTROLAR SINTOMAS - Principal objetivo inicial: analgesia, controle da dispneia, controle do delirium, controle de ansiedade/agitação e de demais sintomas que estejam causando sofrimento. 3- AVALIAR TRATAMENTOS - Perguntar: Essa intervenção oferece benefício proporcional ao paciente? - Diferenciar: • Tratamentos proporcionais → benefício esperado justifica seus riscos/ônus; • Tratamentos desproporcionais → ônus e sofrimento superam o benefício esperado. 4- DEFINIR PLANO/DESTINO - Após avaliação: • Alta + cuidado extra-hospitalar; • Internação; • Redirecionamento dentro da rede de atenção à saúde (ras). PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA AUE EM CUIDADOS PALIATIVOS - Comunicação facilitadora e eficaz • Linguagem clara, escuta ativa e empatia são essenciais para compreender as necessidades do paciente. - Resgate de informações biológicas e biográficas 1. Conhecer a história clínica e pessoal do paciente orienta decisões mais adequadas. - Acolhimento de todos no cenário de sofrimento • Paciente. • Familiares. • Cuidadores. - Definição de objetivos e reavaliação 2. Estabelecer metas claras de cuidado com revisão periódica. - Tomada de decisões compartilhadas • Paciente + família + equipe. • Quando o paciente possui capacidade de decisão, sua autonomia deve ser respeitada. - Não antecipar nem adiar a morte • Evitar distanásia → prolongamento inadequado do processo de morrer com intervenções desproporcionais. • Buscar ortotanásia → permitir evolução natural da doença, mantendo cuidados adequados e controle do sofrimento. DIRETIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE (DAV) - Um dos grandes problemas da emergência: 3. Decisões precisam ser tomadas rapidamente, muitas vezes sem informações suficientes sobre o que o paciente desejaria. O QUE SÃO DAV? - São manifestações prévias e expressas do paciente sobre: • Cuidados que deseja receber; • Tratamentos que deseja receber; • Cuidados/tratamentos que não deseja receber quando estiver impossibilitado de expressar sua vontade. - Na prática • Podem ser registradas no prontuário pelo médico, a pedido do paciente. • Devem ser consideradas nas decisões. • Têm prevalência sobre outros documentos não médicos e sobre desejos de familiares. • Não obrigam o médico a realizar procedimentos que contrariem o Código de Ética Médica. OBS: Familiar não substitui automaticamente a vontade previamente expressa pelo paciente. INTEGRAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE (RAS) - Uma boa assistência paliativa depende de continuidade do cuidado. - A Rede de Atenção à Saúde (RAS) deve funcionar de forma integrada, com a APS coordenando o cuidado e facilitando a transição entre os diversos níveis de atenção - Uma APS bem estruturada fortalece a RAS e facilita o trabalho da emergência. APS - Porta de entrada + coordenadora do cuidado ↓ Atenção Ambulatorial Especializada (AAE) - Apoio diagnóstico; - Apoio terapêutico. ↓ AUE - Manejo das crises agudas. ↓ Atenção Domiciliar (AD) - Cuidado continuado no ambiente familiar. ↓ Atenção Hospitalar (AH) - Situações que necessitam de cuidados complexos/internação. CRITERIOS DE ELEGIBILIDADE DE PACIENTES QUE PODEM SE BENEFICIAR DE CP NA EMERGENCIA - Nem sempre o paciente chega dizendo que está em Cuidados Paliativos. - Por isso, é necessário reconhecer sinais de necessidade paliativa. 1. Pergunta Surpresa - “O quanto você se surpreenderia se esse paciente morresse nos próximos 12 meses?” - Quanto menor a surpresa diante dessa possibilidade → maior o alerta para necessidade de abordagem paliativa. 2. Bounce-back - Idas e vindas à emergência - Retorno à AUE em um curto período de meses pela mesma condição - Sugere doença avançada e necessidade de reavaliar o plano de cuidado. 3. Aumento da complexidade - Paciente cada vez mais dependente de familiares e cuidados médicos 4. Sintomas mal controlados - Físicos ou psicológicos, principalmente refratários aos cuidados Persistência de sintomas apesar de tratamento adequado 5. Declínio funcional - Observar mudança de comportamento, perda de peso, sobrecarga do cuidador - Deterioração progressiva da capacidade funcional. OBSERVAÇÕES - Indicação de CPs não é igual à limitação de suporte terapêutico - Indicação de CPs não é igual a todos e quaisquer tratamentos sem critérios - Indicação de CPs é igual à maior reflexão sobre benefícios e malefícios - Indicação de CPs é igual ao alinhamento das opções técnicas aos valores TODA DECISAO DEVE SEMPRE SER INDIVIDUALIZADA - Deve-se evitar: Decisão baseada apenas em protocolo • “Todo paciente desse tipo deve fazer X.” • Ignora particularidades. - IDEAL: Decisão personalizada • Considerar simultaneamente: fatores clínicos, psicossociais, espirituais, prognóstico, funcionalidade, valores, preferências, melhores evidências disponíveis. - Não existe uma conduta paliativa universal para todos os pacientes. - A melhor decisão é aquela que integra: • “O que a medicina pode fazer” + “o que o paciente deseja” + “o que realmente lhe traz benefício”. CAPACIDADE DE DECISÃO DO PACIENTE - Em emergência, a autonomia depende de saber se o paciente tem capacidade para aquela decisão específica. - A capacidade não é simplesmente: “Paciente capaz” ou “incapaz” de maneira global. - Ela deve ser avaliada para cada decisão específica. - Os 4 critérios CRITÉRIO PERGUNTA PRÁTICA 1. Compreensão Ele consegue explicar com suas próprias palavras o que foi informado? 2. Contextualização Consegue relacionar a informação à sua própria situação? 3. Racionalização Consegue explicar logicamente por que escolheu determinada opção, pesando riscos/benefícios? 4. Expressão da escolha Consegue comunicar claramente sua decisão? Compreender → Contextualizar → Racionalizar → Expressar