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EXTUBAÇÃO PALIATIVA CONCEITO - Extubação paliativa = retirada do tubo orotraqueal (TOT) e da ventilação mecânica invasiva (VMI) em paciente em fase final de vida, quando esse suporte deixa de oferecer benefício proporcional. OBJETIVO - Não é provocar a morte, mas: • Retirar uma terapia considerada desproporcional; • Evitar prolongamento artificial do processo de morrer; • Garantir conforto e controle de sintomas. EXTUBAÇÃO PALIATIVA ≠ EUTANÁSIA - Mito: “Retirar a ventilação antecipa a morte” • A morte decorre da doença de base irreversível; a VMI apenas mantém artificialmente uma função orgânica quando já não existe benefício proporcional. - Mito: “É eutanásia” • Eutanásia → intenção de provocar/abreviar a morte. • Extubação paliativa → suspensão de suporte considerado desproporcional, permitindo evolução natural da doença. - Nesse contexto, relaciona-se à ortotanásia, enquanto prolongar artificialmente o processo de morrer pode configurar distanásia. NÃO INICIAR × SUSPENDER VMI - Do ponto de vista ético: Não existe diferença entre não iniciar uma terapia desproporcional e suspender uma terapia que deixou de ser proporcional. - Porém, suspender costuma ter maior impacto emocional, pois a retirada é visível para familiares e profissionais. - Por isso, é fundamental: Comunicação + acolhimento + manutenção do vínculo + garantia de conforto. RESPALDO ÉTICO/LEGAL - A Resolução CFM nº 1.805/2006 permite limitar ou suspender procedimentos que prolonguem a vida de paciente com doença grave, incurável e em fase terminal, respeitando a vontade do paciente ou representante. - É necessário: • Esclarecer as opções terapêuticas; • Fundamentar e registrar a decisão no prontuário; • Respeitar paciente/representante; • Permitir segunda opinião quando solicitada. - O Código de Ética Médica também orienta evitar medidas diagnósticas/terapêuticas inúteis ou obstinadas em situações irreversíveis e terminais, mantendo todos os cuidados paliativos apropriados. QUEM PODE SER CANDIDATO? - Avaliar 4 pontos principais: 1. História natural da doença - Doença avançada/irreversível; - Trajetória de declínio; - Funcionalidade; - Escalas prognósticas quando apropriadas. 2. Fatores de mau prognóstico - Choque refratário; - Piora apesar da otimização terapêutica; - Ausência de condições clínicas para terapias invasivas; - ≥2 falências orgânicas irreversíveis. 3. Esclarecimento - Equipe; - Paciente, quando possível; - Familiares. 4. Acompanhamento - Idealmente com equipe especializada em CP. SOBREVIDA APÓS A EXTUBAÇÃO - É imprevisível. - O paciente pode sobreviver: • Minutos/horas; • Dias; • Eventualmente semanas. - Nunca prometer à família um horário exato para o óbito. - A estimativa pode ser auxiliada por fatores prognósticos, mas permanece incerta. COMO REALIZAR — 4 FASES FASE 1 — Debate inicial - Etapa mais importante: COMUNICAÇÃO - Reunião interdisciplinar • Confirmar irreversibilidade; • Descartar terapias adicionais potencialmente benéficas; • Alinhar a equipe; • Reforçar que extubação paliativa ≠ eutanásia; • Explicar que a morte pode não ser imediata. - Reunião com paciente/família • Explicar claramente o quadro; • Apresentar perspectivas realistas; • Resgatar valores, desejos e crenças do paciente; • Esclarecer dúvidas; • Dar tempo para reflexão. FASE 2 — Preparação - Planejar o momento, definindo: • Data e horário; • Quem deseja estar presente; • Músicas, orações ou rituais importantes. - Reavaliar dispositivos/terapias, considerando suspensão de: • Monitor multiparamétrico; • SNG; • DVA; • Bloqueadores neuromusculares; • Alimentação enteral; • Hidratação EV; • - SVD, conforme contexto. = Individualizar cada intervenção. - Preparar conforto • Cabeceira 35–45°; • Fisioterapia respiratória; • Reduzir estímulos/estresse hospitalar; • Preparar medicamentos para controle sintomático; • Reforçar ordem de não intubação e não RCP, quando estabelecida. • Conforme indicação, preparação prévia com anticolinérgicos, corticoides e diuréticos. FASE 3 — Extubação - Existem duas estratégias descritas: • Desmame da VM → retirada do TOT ou • Extubação imediata - A literatura não estabelece superioridade clara entre as estratégias. - Durante o procedimento: • Garantir conforto; • Manter equipe presente; • Permitir participação/presença da família; • Controlar sintomas. • Permanecer acompanhando especialmente os 30–60 minutos iniciais após estabilização. FASE 4 — Pós-extubação - Intensificar, e não abandonar, o cuidado. - Monitorar e tratar: • Dispneia; • Dor; • Ansiedade/agitação; • Desconforto respiratório; • Sedação. - Sedação • Utilizar RASS para acompanhamento quando aplicável. • Também é essencial: - Acolher a família; - Apoiar a própria equipe; - Permanecer disponível durante todo o processo.