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ATENÇÃO EM CENÁRIOS DE INTERNAÇÃO: 
ENFERMARIA E HOSPICE 
 
VISÃO GERAL 
- Os cuidados paliativos hospitalares devem ser 
entendidos como parte de um continuum de cuidado, 
e não como uma medida exclusiva para os últimos dias 
de vida. 
- O objetivo central é promover qualidade de vida, 
segurança, conforto e cuidado integral, considerando 
dimensões físicas, psicossociais e espirituais. 
 
CUIDADOS PALIATIVOS HOSPITALARES NO BRASIL 
- Ainda há uma baixa disponibilidade de equipes 
especializadas. 
- Apenas 28% dos hospitais brasileiros possuíam 
equipe de cuidados paliativos, evidenciando 
necessidade de expansão e qualificação dos serviços. 
- Dados do Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil – 
2022 destaca a existência de centenas de profissionais 
e serviços, mas ainda com oferta limitada diante da 
demanda. 
- Principais modalidades hospitalares 
1. Equipe de interconsulta 
2. Enfermaria especializada 
3. Unidade hospitalar especializada 
4. Hospice 
- A atenção hospitalar integrada ao sistema tradicional 
é apresentada como a modalidade mais comum; o 
hospice caracteriza-se por ambiente especializado e 
maior foco em conforto e humanização. 
 
MODALIDADES DE CUIDADO 
1— EQUIPE DE INTERCONSULTA 
- É uma equipe consultora, que atua junto às demais 
equipes do hospital. 
- Vantagens 
• Menor custo; 
• Necessita de menos profissionais; 
• Permite interação com diferentes equipes; 
• Favorece disseminação dos princípios dos 
cuidados paliativos no hospital. 
 
- Desvantagens 
• Pode haver baixa aceitação das 
orientações pela equipe assistente; 
• Necessidade de retorno diário; 
• Depende de uma equipe muito bem treinada e 
com capacidade educativa. 
 
2 – ENFERMARIA ESPECIALIZADA EM CUIDADOS 
PALIATIVOS 
- Unidade hospitalar própria para pacientes que 
necessitam de cuidados paliativos mais intensivos. 
- Vantagens 
• Menor sensação de abandono; 
• Respostas mais rápidas às necessidades do 
paciente; 
• Maior segurança para a família; 
• Ambiente favorável ao ensino e à formação 
acadêmica. 
- Desvantagens 
• Tendência a internações relativamente curtas 
pelo custo-benefício; 
• Menor acesso a áreas externas, jardins e áreas 
verdes; 
• O ambiente hospitalar pode contribuir para 
piora do humor; 
• Custo maior devido à necessidade de equipe 
treinada e atuação em período integral. 
 
3 – UNIDADE HOSPITALAR ESPECIALIZADA 
- É uma unidade com estrutura voltada 
especificamente para cuidados paliativos. 
- Vantagens 
• Prática especializada e completa em cuidados 
paliativos; 
• Maior facilidade para atuação de voluntários; 
• Redução da angústia associada à 
hospitalização; 
• Maior convivência entre pacientes e 
familiares. 
- Desvantagens 
• Necessidade de transferência do paciente; 
• Aumento dos custos relacionados ao 
transporte; 
• Menor disponibilidade de avaliação por outras 
especialidades; 
• Pode ser erroneamente associada a: 
- "unidade de doentes crônicos"; 
- Local destinado exclusivamente a pacientes 
em final de vida. 
 
4 – HOSPICE 
- O hospice representa um modelo de cuidado 
construído em torno de conforto, humanização, 
individualização e qualidade de vida, particularmente 
importante em situações de fim de vida e transições 
críticas. 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
- Século V: registros de hospedaria em Ostia, no Porto 
de Roma. 
- 1967: fundação do St. Christopher's Hospice, marco 
do movimento hospice moderno. 
- Atualidade: expansão mundial do conceito, com 
adaptações às diferentes culturas. 
 
CARACTERÍSTICAS 
- Ambiente humanizado 
• Espaços planejados para conforto e bem-estar 
do paciente e da família. 
- Cuidado personalizado 
• Atendimento individualizado durante todo o 
período de internação. 
- Cuidados de transição 
• Especialmente voltados ao fim de vida ou a 
períodos de transição crítica. 
 
HOSPICE NO BRASIL 
- 31 de janeiro de 2025 ocorreu a inauguração 
do Hospital Estadual Mont Serrat – Cuidados 
Paliativos, em Salvador, Bahia. 
- É apresentado como o primeiro hospital público 
brasileiro dedicado exclusivamente aos cuidados 
paliativos. 
- O serviço foi implantado em um prédio histórico de 
1853 e tem como foco a qualidade de vida de pessoas 
com doenças graves, crônicas ou ameaçadoras da 
vida. 
 
COMPARANDO AS MODALIDADES 
CARACTERÍSTICA INTERCONSULTA ENFERMARIA UNIDADE 
ESPECIALIZADA HOSPICE 
Controle de sintomas ++/+++ +++ ++/+++ +/++ 
Instabilidade 
psicossocial 
++/+++ +++ ++/+++ +/++ 
Instabilidade clínica +/++ ++/+++ ++/+++ +/++ 
Dependência funcional +/+++ +/+++ +/+++ +/+++ 
Cuidados médicos 
contínuos 
+++ +++ ++/+++ + 
Estrutura social +/+++ +/+++ +/+++ +++ 
- Como interpretar? 
• Interconsulta: adequada quando o paciente permanece em 
unidade convencional, mas precisa de expertise paliativa. 
• Enfermaria: maior intensidade de acompanhamento clínico e 
controle sintomático. 
• Unidade especializada: oferece estrutura completa para 
cuidados paliativos. 
• Hospice: maior ênfase em conforto, humanização, suporte 
familiar e estrutura social, especialmente em situações de fim 
de vida/transição. 
 
QUANDO INTERNAR EM CUIDADOS PALIATIVOS? 
- A decisão deve partir da identificação 
de necessidades que não estão sendo 
adequadamente atendidas no cenário atual. 
- Principais motivos: 
• Sintomas complexos ou refratários; 
• Instabilidade clínica; 
• Necessidade de monitoramento; 
• Declínio funcional importante; 
• Necessidades psicossociais relevantes; 
• Sobrecarga ou necessidade de suporte ao 
cuidador; 
• Necessidade de cuidados especializados; 
• Desejo do paciente/família por determinado 
plano de cuidado; 
• Necessidade de reorganização dos objetivos 
terapêuticos. 
 
 
 
INTERNAÇÃO ≠ ABANDONO TERAPÊUTICO. 
- A internação paliativa pode permitir tratamento 
ativo dos sintomas, investigação de causas reversíveis 
e reorganização do plano terapêutico. 
 
AVALIAÇÃO PROGNÓSTICA E FUNCIONAL 
- A avaliação do paciente deve ser individualizada. 
- Princípios 
• Utilizar ferramentas com validação científica; 
• Adaptar a interpretação ao contexto 
individual; 
• Considerar o ambiente sociofamiliar; 
• Não utilizar uma escala isoladamente para 
determinar o prognóstico. 
 
- Escalas/ ferramentas de avaliação prognostica: 
• Funcionalidade 
- KATZ 
- LAWTON 
- BISEP 
- PPS 
• Desempenho/prognóstico 
- KPS/LANSKY 
- ECOG 
- PPI 
• Condições específicas 
- FAST → demências 
- Child-Pugh e MELD → doença hepática 
- BODE → DPOC 
- CODEX Index 
- MAGGIC → doenças cardiovasculares 
 
FUNCIONALIDADE: PADROES DE DECLINIO 
- Compreender como a funcionalidade se perde ao 
longo da doença ajuda a determinar o momento e o 
local mais apropriados para os cuidados. 
 
DOENÇAS CRÔNICAS 
- Declínio geralmente gradual; 
- Intercalado por exacerbações; 
- Pode haver períodos de estabilidade seguidos de 
pioras. 
- Exemplo: insuficiência cardíaca, DPOC. 
 
DOENÇAS ONCOLÓGICAS 
- Funcionalidade pode permanecer relativamente 
preservada por determinado período; 
- Apresenta declínio mais acentuado nas fases finais. 
 
DOENÇAS NEUROLÓGICAS 
- Podem apresentar perda funcional importante; 
- O declínio pode ocorrer de forma mais aguda no 
início, seguido de manutenção e novos declínios. 
 
TRAJETÓRIAS DO DECLÍNIO 
Trajetória Característica Exemplos 
Abrupta Grande perda funcional em curto 
período 
Câncer avançado 
Oscilante Estabilidade + exacerbações Doenças crônicas 
Gradual Deterioração lenta e progressiva Demência/fragilidade 
 
 
SPICET – identificação de necessidade paliativa 
- O SPICT é uma ferramenta para identificar pessoas 
sob risco de deterioração e morte e que podem 
necessitar de suporte e cuidados paliativos. 
- Indicadores gerais de piora 
• Internações hospitalares não programadas; 
• Capacidade funcional ruim ou em declínio, 
com pouca reversibilidade; 
- Por exemplo, permanecer na cama/cadeira por >50% do dia; 
• Dependência de outras pessoas para cuidados 
pessoais; 
• Necessidade crescente de suporte ao 
cuidador; 
• Perda significativa de peso nos últimos 3–6 
meses e/oubaixo IMC; 
• Sintomas persistentes apesar do tratamento 
otimizado; 
• Paciente/família solicitando: cuidados paliativos, 
interrupção/limitação de tratamento, foco na qualidade de 
vida. 
 
- Condições avançadas que devem chamar atenção 
• Câncer 
- Declínio funcional pela progressão; 
- Estado físico muito debilitado para tratamento antineoplásico 
ou controle sintomático. 
• Demência/fragilidade 
- Incapacidade de vestir-se, caminhar ou comer sem ajuda; 
- Redução da ingestão alimentar/líquidos; 
- Disfagia; 
- Incontinência urinária/fecal; 
- Pouca interação verbal/social; 
- Quedas frequentes; 
- Febre/infecções recorrentes; 
- Pneumonia aspirativa. 
• Doença cardiovascular 
- Classe funcional III/IV NYHA; 
- Insuficiência cardíaca/doença coronariana extensa e 
intratável; 
- Dispneia ou dor precordial em repouso ou mínimos esforços; 
- Doença vascular periférica grave e inoperável. 
• Doença respiratória 
- Doença respiratória crônica grave; 
- Dispneia em repouso ou mínimos esforços; 
- Necessidade prolongada de oxigenoterapia; 
- Ventilação prévia por insuficiência respiratória ou 
contraindicação à ventilação. 
• Doença renal 
- DRC estágio 4–5, com TFG

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