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PLANO DE CARGOS, SALÁRIOS E CARREIRAS PROFESSORA Me. Lisiane Boscardin Wolff ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8965 EXPEDIENTE C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. WOLFF, Lisiane Boscardin. Plano de Cargos, Salários e Carreiras. Lisiane Boscardin Wolff. Maringá - PR: Unicesumar, 2021. 192 p. “Graduação - EaD”. 1. Cargos 2. Salários 3. Carreiras. EaD. I. Título. FICHA CATALOGRÁFICA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Coordenador(a) de Conteúdo Luciano Santana Pereira Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli, Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Editoração Sabrina Novaes Juliana Duenha Design Educacional Bárbara Tamires Neves Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira Ilustração André Azevedo Fotos Shutterstock CDD - 22 ed. 658.3 CIP - NBR 12899 - AACR/2 ISBN: 978-65-5615-757-3 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie Medeiros Vilela Daros Head de Tecnologia e Planejamento Educacional Tania C. Yoshie Fukushima Head de Recursos Digitais e Multimídias Franklin Portela Correia Gerência de Planejamento e Design Educacional Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção Digital Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Recursos Educacionais Digitais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Design Educacional e Curadoria Yasminn T. Tavares Zagonel Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi BOAS-VINDAS A UniCesumar celebra os seus 30 anos de his- tória avançando a cada dia. Agora, enquanto Universidade, ampliamos a nossa autonomia e trabalhamos diariamente para que nossa edu- cação à distância continue como uma das me- lhores do Brasil. Atuamos sobre quatro pilares que consolidam a visão abrangente do que é o conhecimento para nós: o intelectual, o profis- sional, o emocional e o espiritual. A nossa missão é a de “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimen- to, formando profissionais cidadãos que contri- buam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária”. Neste sentido, a UniCesumar tem um gênio importante para o cumprimento integral desta missão: o coletivo. São os nossos professores e equipe que produzem a cada dia uma inovação, uma transformação na forma de pensar e de aprender. É assim que fazemos jun- tos um novo conhecimento diariamente. São mais de 800 títulos de livros didáticos como este produzidos anualmente, com a distribui- ção de mais de 2 milhões de exemplares gra- tuitamente para nossos acadêmicos. Estamos presentes em mais de 700 polos EAD e cinco campi: Maringá, Curitiba, Londrina, Ponta Gros- sa e Corumbá), o que nos posiciona entre os 10 maiores grupos educacionais do país. Aprendemos e escrevemos juntos esta belíssi- ma história da jornada do conhecimento. Mário Quintana diz que “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. Seja bem-vindo à opor- tunidade de fazer a sua mudança! Reitor Wilson de Matos Silva Tudo isso para honrarmos a nossa mis- são, que é promover a educação de qua- lidade nas diferentes áreas do conheci- mento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A Me. Lisiane Boscardin Wolff É Mestre em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Especialização em Educação a Distância e Pós-Graduação em Gestão da Qua- lidade. Bacharel em Administração de Empresas (UFRGS). Atualmente, cursa Pós-graduação em HSM University, em Gestão Estratégica de Pessoas. É Certifi- cada Internacionalmente em Coaching, Mentoring e Holomentoring® do Sistema ISOR®. Atua como Coordenadora dos Cursos de Gestão da Faculdade Estácio, em Porto Alegre, e professora dos cursos. Atuou como Conteudista pela YDUQS - Estácio, Sistema AURA, para Planos de Ensino e Aulas. É Sócia-diretora da LBW Cursos e Desenvolvimento Organizacional. Conteudista para a SAGAH, Avaliadora do MEC e Palestrante no INLEGIS. Foi Coordenadora de Pós-graduação do Centro Universitário FADERGS e professora por 8 anos. Em 2014, atuou como professo- ra-bolsista do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) - PRONATEC, projeto: Mulheres Mil. Tem 14 anos de experiência em docência e orientações de traba- lhos de conclusão (Graduação e Pós-Graduação). Foi docente na ESPM SUL por 05 anos na Graduação do curso de Bacharelado em Administração de Empresas e na Faculdade SENAC RS por 08 anos. Possui sólida experiência como executiva de grandes empresas multinacionais e nacionais. http://lattes.cnpq.br/1102963307495761 A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A PLANO DE CARGOS, SALÁRIOS E CARREIRAS Olá aluno(a), muito bem-vindo(a) à disciplina de Plano de Cargos, Salários e Carreiras! Eu sou a Professora Lisiane Boscardin Wolff e sou a responsável pela produção pedagógica desta disciplina. Essa unidade auxiliará você a compreender como a aplicação de uma Ges- tão Estratégica de Recursos Humanos pode aumentar os resultados das organizações. Este material foi subdividido em três tópicos, os quais irei apresentá-los para você. No primeiro tópico, você compreenderá como ocorreu a Evolução da área de Recursos Hu- manos, considerando o seu início no final da Revolução Industrial até os dias atuais, em que será possível refletir por meio de uma análise e o contexto do negócio das Organizações. O intuito é apresentar a contextualização histórica dos Recursos Humanos, demonstrando através de uma linha do tempo, os principais marcos históricos, as fases e evolução da área de Recursos Humanos até os dias atuais nas Organizações. No segundo tópico, você irá identificar quais são as novas formas de Recrutamento e Sele- ção e como elas se utilizam de metodologias e ferramentas tecnológicas que buscam avaliar as competências dos candidatos, a fim de selecionar aqueles que estejam mais adaptados e aderentes às posições e vagas oferecidas, considerando os norteadores estratégicos dos negócios e a cultura organizacional. Nesse tópico, será apresentado, ainda, o conceito e importância da remuneração estratégica nos processos seletivos como fator de decisão e escolha pelo futuro empregado, uma vez que esta proporciona uma visão de crescimento e desenvolvimento dos empregados nas Organizações. Finalmente, no terceiro tópico, você irá avaliar os benefícios trazidos pela Gestão Estratégica de Pessoas na contemporaneidade, por meio do conhecimento de tendências que buscam resultados efetivos para aumentar a permanência dos empregados, diminuindo a sua rota- tividade (turnover). Além disso, você será capaz de relacionar essas tendências de Gestão Estratégica de Pessoas com as contribuições que esta poderá trazer para os resultados dos negócios nas Organizações, proporcionando o aumento da competitividade e sobrevivência das Organizações nos tempos atuais. Bons Estudos! ÍCONES Sabe aquele termo ou aquela palavra que você não conhece? Este ele- mento ajudará você a conceituá-lo(a) melhor da maneira mais simples. conceituando No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos. quadro-resumo Neste elemento,Bohlander e Snell (2015) levantam os problemas com a descrição de cargos. Para os autores, apesar de os Gerentes compreenderem que a descrição de cargos é uma ferramenta para o desempenho de suas funções, os autores apontam que, frequentemente, observam que: a) a descrição de cargo foi mal redigida, deixando margem para interpretações dúbias das responsabilidades para o empregado; b) falta de atualização considerando a atual realidade de mudanças constantes; c) podem ir contra a Lei Trabalhista, violando algum direito devido a uma especi- ficação que não promova sucesso no desempenho; e, d) redução ou limitação do escopo do cargo, trazendo inflexibilidade para a Organização. Para Marras (2016), a descrição de cargo seria a síntese das informações oriundas da análise das funções existentes na organização realizada de forma padronizada e documental, permitindo acessibilidade rápida às informações pertinentes à cada cargo. O autor ilustra o conceito de descrição de cargo com um exemplo de um cargo de Chefe de Importação/Exportação, conforme repre- sentado na Figura 6. U N IC ES U M A R 47 Descrição da Imagem: a imagem apresenta exemplo de uma estrutura de descrição de cargos. Figura 6 – Modelo de Descrição de Cargo / Fonte: Marras (2016, p. 80). U N ID A D E 2 48 A descrição de cargo se refere ao cargo e não ao seu ocupante. No documento, são descri- tas as tarefas que o ocupante realiza, ou seja, a descrição é impessoal. É possível identificar: a) o que se espera do funcionário que ocupa ou ocupará aquele cargo; b) quais as aptidões necessárias; e c) quais as condições em que o trabalho deverá ser realizado. A descrição de cargo está condicionada à estrutura organizacional, cultura e negócio da empresa. explorando Ideias Assista: Gestão de Rh - Importância da Descrição de Cargos, realizado em Maringá/PR, demonstra a importância da descrição de cargo e do mapea- mento das atividades para entendimento dos empregados. conecte-se A nomenclatura dos cargos é prerrogativa da empresa, embora exista o CBO (Classificação Brasileira de Ocupação), não há uma legislação que proíba a em- presa a criar um cargo mesmo com nomenclatura estrangeira. Conforme definido na Portaria nº 397, de 09 de outubro de 2002 (MTE, 2020) no seu artigo 4: “ Art. 4º - Os efeitos de uniformização pretendida pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) são de ordem administrativa e não se estendem às relações de emprego, não havendo obrigações decorren- tes da mudança da nomenclatura do cargo exercido pelo empregado. Em face a isso, muitas empresas se utilizam, inclusive, de nomenclatura estran- geira, conforme o Quadro 1. Nome Sigla Função correspondente Descrição do cargo Chief Executive Officer CEO Presidente, diretor executivo É o principal executivo, comanda a empresa Chief Administration Officer CAO Diretor ou gerente Gerencia e administra a empresa https://www.youtube.com/watch?v=CmevKNbCBaM U N IC ES U M A R 49 Nome Sigla Função correspondente Descrição do cargo Chief Information Officer CIO Diretor de relações públicas Responsável pelas rela- ções da empresa com seu público Chief Financial Officer CFO Diretor ou gerente financeiro Encarregado da parte financeira da empresa Chief HUman Resource Officer CHRO Diretor ou gerente de recursos humanos Gerencia o setor de recursos humanos Chief Technology Officer CT0 Diretor de sistemas ou gerente de tecnologia Gerencia os recursos tecnológicos da empresa Chief Operating Officer COO Diretor ou gerente de operações Cuida da operacionali- zação do negócio Chief Knowledge Officer CKO Diretor ou gerente de conhecimento Gerencia e administra o capital intelectual da empresa Chief Private Officer Officer ou Chief Client Service Officer CPO ou CCSO Diretor ou gerente de marketing de permissão Encarregado do res- peito à privacidade do cliente ou do relaciona- mento com o cliente Chief Marketing Officer CMO Diretor ou gerente de marketing Responsável pelas ações de marketing da empresa Webdesigner Designer ou progra- mador visual Cuida da programação visual da empresa, usando ferramentas de mídia interativa Webmaster Responsável pela arquitetura e pelo controle de sites Webwriter Redator Cria os textos para os sites e portais Websurfer Seleciona informações, classifica sites e dados por assunto e ajuda na parte editorial Quadro 1 – Termos comuns em inglês para nomenclaturas de cargos / Fonte: Oliveira (2017, p. 25). U N ID A D E 2 50 Para conhecer a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), constantemen- te atualizada frente à realização do mercado, acesse o link disponível em: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/downloads.jsf. conecte-se A Revista HBR traz um estudo sobre a descrição de cargo e o impacto na rotatividade de Executivos. Disponível em: https://hbrbr.com.br/cmos-nao- -esquentam-cadeira/. conecte-se Uma descrição de cargo bem elaborada traz também maior aderência dos candi- datos em relação a uma vaga e, com isso, aumenta a chance de permanência dos colaboradores nos seus cargos, diminuindo o turnover (rotatividade de pessoas) em uma empresa. De posse do documento formal, que é a descrição de cargo, o processo de prospecção de candidatos a uma vaga, recrutamento e seleção ten- dem a ter mais sucesso, uma vez que a descrição traduz as competências técnicas e comportamentais que o candidato necessita para executar da melhor forma possível o cargo pretendido. Com a pandemia causada pela COVID-19, muitas empresas adotaram o home office como forma de manter seus negócios em funcionamento e preser- var a saúde de seus funcionários. Houve flexibilização nas leis que autorizaram a redução de jornada e também a suspensão de contratos para evitar o aumento do desemprego e, consequentemente, o índice de rotatividade das empresas. http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/downloads.jsf https://hbrbr.com.br/cmos-nao-esquentam-cadeira/ https://hbrbr.com.br/cmos-nao-esquentam-cadeira/ https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6721 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6722 U N IC ES U M A R 51 A descrição de cargo permite uma melhor adequação da divisão do trabalho, uma definição clara do perfil de atuação que deve ser periodicamente revisado, acompanhando as tendências de mercado, como: as Influências tecnológicas, os trabalhadores do conhecimento, as estratégias da organização, os novos modelos de trabalho e contratos etc. Algumas empresas adotam, já na descrição de cargo, o nível considerando a possibilidade de progressão de carreira mediante o desenvolvimento de co- nhecimento, habilidades e atitudes, assim, na própria descrição já consta o nível a que pertence aquele cargo quando da análise inicial dos cargos, visto que na coleta de dados já se consegue definir essa classificação por meio da experiência dos ocupantes e responsabilidades a eles atribuídas, normalmente se utilizam de nomenclaturas como: Júnior, Pleno e Sênior, a saber: a. JR ou Trainee (Junior): profissional que está iniciando a carreira (0 a 2 anos de experiência). b. PL (Pleno): exige do ocupante experiência e práticas prévias (3 a 5 anos de experiência). c. SR (Sênior): altamente qualificado com ocupações que exi- gem conhecimentos específicos. Tem prolongado conhe- cimento e experiência prática (5 anos ou mais no cargo). Esse tipo de nomenclatura auxilia a empresa, como forma de subsidiar cada cargo dentro da estrutura, para classificação e posterior avaliação dos cargos. U N ID A D E 2 52 Analisando o conceito sobre avaliação de cargos, pode-se dizer que é uma forma de se estabelecer uma equidade em termos de salários para mesmas características e respon- sabilidades, grupo de cargos, em que existe maior transparência das informações. pensando juntos A avaliação de cargos é a terceira etapa do processo, ou seja, acontece imediata- mente após a análise e descrição dos cargos. Para Pearson Educationdo Brasil (2012) e Chiavenato (2014), a avaliação de cargos diz respeito à valoração do cargo por meio da atribuição de grau de importância para cada cargo, enquanto a classificação busca hierarquizar os cargos de forma que os salários estejam alocados por classes de cargos, facilitando a estruturação deles, observando uma ordem gradativa de valores. A avaliação de cargos pode ser definida como um conjunto de ações sistê- micas e ordenadas, cuja finalidade é medir a importância dos cargos de uma Organização para atribuição de valor ao cargo. Para isso, é necessário estabelecer um padrão de critérios que resulte em diferenciações salariais que atribuem valor para o trabalho dos participantes do cargo (BOHLANDER; SNELL, 2015). 2 PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE CARGOS E MODELOS de Classificação de Cargos U N IC ES U M A R 53 Marras (2015) afirma que é na etapa da avaliação de cargos que se utilizam mo- delos matemáticos e estatísticos para embasar a avaliação, a fim de estabelecer uma estrutura salarial correta na empresa. Essa é uma etapa avaliativa, enquanto as duas primeiras eram etapas descritivas. O autor ainda descreve as etapas a serem consideradas para a realização da avaliação de cargos. São elas: a) escolha dos fatores; b) montagem do manual de avaliação de cargos; c) montagem da tabela de avaliação; d) determinação dos pesos e tratamento estatístico; e) criação dos formulários de avaliação; f) avaliação de cargos por cargo; g) tabela de classificação de cargos (MARRAS, 2015, p. 81). Em relação à escolha de fatores para a avaliação, Marras (2015, p. 81) afirma o que se deve considerar dentro de quatro campos de análise: a) Requisitos Mentais b) Requisitos Físicos c) Responsabilidades d) Condições de trabalho. Sobre esses fatores, Chiavenato (2016) exemplifica quais seriam esses fatores de especificação considerando os requisitos citados anteriormente por Marras (2015), por meio de um esquema teórico simples representado pela a Figura 7. U N ID A D E 2 54 Descrição da Imagem:esquema que representa os fatores de especificação para avalição de cargos, sendo os requisitos mentais, que abrangem educação essencial, experiência anterior essencial, adaptabilidade do cargo, iniciativa necessária, aptidões necessárias; os requisitos físicos, que são esforço físico, concentração visual, destreza ou habilidade, compleição física; a responsabilidade pela supervisão de pessoal, pelos materiais, ferra- mentas ou equipamentos, pelo dinheiro, títulos ou documentos, contatos internos ou externos e informações confidenciais; e, por último, condições de trabalho, que envolvem ambiente de trabalho e possíveis riscos. Figura 7 – Fatores de especificação para avaliação de cargos: esquema simplificado Fonte: Chiavenato (2016, p. 74). Ainda sobre os fatores, Marras (2015) comenta que não existe um número exato de quantos fatores a serem considerados, pois cada empresa possui diferentes aspectos, cultura etc., mas apesar de ser uma escolha da empresa, normalmente existe um conjunto entre 5 e 10 elementos de avaliação. O Quadro 2 apresenta um exemplo de conjunto de fatores contemplando cada um dos requisitos, a fim de melhor compreensão da abordagem desses fatores. REQUISITOS MENTAIS Escolaridade Experiência Complexidade Habilidade analítica Criatividade Precisão Julgamento e iniciativa Planejamento Fatores de especi�cações a) Requisitos mentais 1) Educação essencial 2) Experiência anterior essencial 3) Adaptabilidade do cargo 4) Iniciativa necessária 5) Aptidões necessárias b) Requisitos físicos 1) Esforço físico 2) Concentração visual 3) Destreza ou habilidade 4) Compleição física c) Responsabilidade por 1) Supervisão de pessoal 2) Material, ferramentas ou equipamento 3) Dinheiro, títulos ou documentos 4) Contatos internos ou externos 5) Informações con�denciais d) Condições de trabalho 1) Ambiente de trabalho 2) Riscos U N IC ES U M A R 55 REQUISITOS FÍSICOS Esforço físico Habilidade manual Fadiga mental/visual Concentração Monotonia Pressão do trabalho Pressão emocional RESPONSABILIDADES Por material ou produto Por ferramentas/equipamentos Por erros Por valores Por contato Por subordinados Por dados confidenciais Quadro 2 – Exemplos de fatores utilizados para a avaliação do cargo Fonte: Marras (2015, p. 82). As variáveis que influenciam na escolha dos fatores devem ser definidas por membros de uma equipe de Comitê de Salários em conjunto com a área de Re- cursos Humanos e deve levar em conta duas premissas (MARRAS, 2015). a) Variável da discriminação (considerar se a variável pode atribuir um valor diferenciado pela aplicabilidade no rol de cargos). b) Variável da aplicabilidade (se o fator escolhido pode ser aplicado na maioria dos cargos). Após a escolha dos fatores, estes devem ser documentados em um manual de avaliação de cargos para cada estrutura salarial, sendo necessário atribuir valor a cada fator escolhido. Normalmente, a tarefa é realizada de duas formas: consenso da maioria ou ponderação estatística (MARRAS, 2015). O primeiro método, o de Consenso, é o mais simples dos métodos, porém, sem caráter científico, uma vez que a escolha dos pesos é feita de forma arbitrária, po- dendo apresentar diferenças salariais consideráveis na estrutura salarial. Os demais se utilizam do segundo método, o de ponderações estatísticas (MARRAS, 2015). Chiavenato (2014, p. 365) acredita que existam basicamente três métodos para avaliação de cargos e estes partem de uma premissa de comparação, a saber: U N ID A D E 2 56 Conforme apresentado até aqui, a análise de cargos é fundamental para que os ocu- pantes possam compreender suas responsabilidades e dar sentido ao que eles devem realizar na empresa. Devem se estabelecer critérios para coletar os dados e, então, ela- borar a descrição de cargo que é o documento formal onde constam as atividades e especificações dos cargos. Também se observou que diversos autores nominam de formas diferentes os métodos de avaliação de cargos, mas, essencialmente, o que se percebe é que eles concordam que existem fatores a serem levados em conta, considerando o uso de critérios qualitativos e quantitativos e que fundamentam a comparação dos cargos. O mais aplicado no mercado é o método por escalonamento (que também é o mais anti- go), mas com o avanço da tecnologia e seus efeitos de inovação, pode-se utilizar fórmulas estatísticas para promover uma valoração mais equânime dos cargos com a inserção dos dados, organizando de forma mais rápida os critérios para todos os cargos da organização. quadro-resumo a) Posicionar o valor do cargo do maior para o menor. b) Classificar os cargos para que possam ser aferidos interna e externamente. c) Atribuir pontos para cada cargo baseado em quanto eles estão ligados a objetivos organizacionais. Para Chiavenato (2014), existem, basicamente, quatro métodos de avaliação de Cargos: método de escalonamento, categorias predeterminadas, comparação por fatores e avaliação por pontos e estas categorias estão agrupadas em três grupos: a) comparação simples (entre os cargos), b) comparação não quantitativa e c) comparação quantitativa; e, a estes são atribuídos os métodos para a avaliação dos cargos conforme representa o Quadro 3. Comparação simples Comparação não quantitativa Comparação quantitativa Cargo como um todo Cargo como um todo Partes do cargo ou fatores de avaliação - cargo versus cargo - cargo versus escala - escalonamento de cargos - categorias prede- terminantes - comparação por fatores - avaliação por pontos Quadro 3 – Sistemas de Comparação de Avaliação de Cargos Fonte: Chiavenato (2014, p. 250). U N IC ES U M A R 57 PROCESSAMENTO ENTRADA SAÍDA DESCRIÇÕES E ESPECIFICAÇÕES DO CARGO COMITÊ DE AVALIAÇÃO ANALISTA RECURSOS HUMANOS RESULTADO: CARGOS ESCALONADOS Descrição da Imagem: representação do processo de escalonamento simples, composto por Entrada, a des- crição dos cargos; por processamento, pelo comitêde avaliação e RH; e saída, onde os cargos são escalonados. Querido(a) estudante, após aprender nomenclaturas importantes sobre como realizar as análises e descrições de cargos, chegou o momento de você aprender sobre as metodologias que lhe proporcionarão aplicar os seus conhecimentos na sua empresa. Nesta parte estão reunidos os principais métodos para que você realize este processo na sua empresa. Método de Escalonamento O modelo de escalonamento simples ou por comparação é considerado, na li- teratura, como o método mais antigo de avaliação de cargos. Nele, os cargos são organizados conforme o valor relativizado do cargo, isto é, são analisadas as com- plexidades das atividades (em função da dificuldade exigida para os seus ocupan- tes para o desenvolvimento das atividades propostas), instrução, conhecimento e experiência, porém não de forma quantitativa. Esse método pode ser realizado por uma pessoa (um analista experiente da área de recursos humanos) ou por um comitê de avaliação. Em termos de pro- cesso, pode ser representado conforme a Figura 8. Figura 8 – Processo de escalonamento simples / Fonte: a autora. No método de escalonamento simples, os cargos são comparados entre si, cargo a cargo, e dispostos ou de forma crescente ou decrescente. Para tanto, são estabele- cidos padrões de comparação (associados à responsabilidade, complexidade etc., a escolha fica a critério do avaliador ou comitê). Este método apresenta vanta- gens, como: simplicidade, baixo custo de execução, fácil aplicação, flexibilidade, U N ID A D E 2 58 Descrição da Imagem: representação do método de avaliação de cargos por escalonamento, que estabelece um limite inferior e superior em termos de valores pagos na empresa. velocidade entre outras. Contudo, é preciso considerar as desvantagens, se a aplicação do método escolhido for este, como: ineficazes em estruturas organiza- cionais complexas, não têm fundamento lógico, baixa confiabilidade, dificuldade na revisão e manutenção, mais difíceis de serem aplicados. Bohlander e Snell (2015) reforçam que esse método só pode ser realizado quando se comparam poucos cargos em uma empresa. Na opinião dos autores, é considerado ideal para empresas menores que não ultrapassam, na sua estrutura, 15 cargos. A técnica para escalonar os cargos é muito simples, o avaliador ou comitê (normalmente formado por gerentes e representantes dos funcionários) necessitam listar as atribuições e responsabilidades de cada cargo e os colocam em ordem de importância de forma individual, depois, em consenso, hierarqui- zam os cargos. Chiavenato (2016) ainda acrescenta que o avaliador ou comitê estabelecem um limite inferior e superior em termos de valores pagos na empresa e estabele- cem o escalonamento com essa premissa. O autor comenta que algumas empresas utilizam para valorar cargos semelhantes disponíveis no mercado (chamados cargos de referência). Em termos de representação gráfica, pode-se perceber, pela Figura 9, como seria esse desenho para a organização. Figura 9 – Método de avaliação de cargos por escalonamento / Fonte: Chiavenato (2016, p. 250). Salários (R$) Limite inferior (Li) Limite superior (Ls) Critério de escalonamento U N IC ES U M A R 59 O método de escalonamento pode, ainda, ser definido como simples e como binário. No método simples, os membros do comitê de avaliação, isoladamente, hierarquizam os cargos amostrais (chaves) em análise e chegam juntos a um consenso; no método binário, os cargos-chave são comparados aos pares, isto é, cada cargo em análise é comparado a outro, resultando em uma hierarquização. Exemplos de escalonamentos: Escalo- namento (graus) Escalonamento Avaliador A Avaliador B Avaliador c Consenso entre os avaliadores 1 2 3 4 5 Motosserris- ta-rapelista Motorista Carpinteiro Mecânico-a- justador Almoxarife Motorista Motosserris- ta-rapelista Carpinteiro- -mecânico Ajustador Almoxarife Motosserris- ta-rapelista Carpinteiro Motorista Mecânico-a- justador Almoxarife Motosserris- ta-rapelista Motorista Carpinteiro Mecânico-a- justador Almoxarife Quadro 4 - Escalonamento simples / Fonte: a autora. Cargos Comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is - ta -R ap el is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na - m en to Almoxarife X + + + + 1 5 Motorista - X - + - 1 2 Carpinteiro - + X + - 1 3 Motosserrista-Rapelista - - - X - 1 1 Mecânico - - + + X 1 4 Quadro 5 - Avaliação Binária - Avaliador / Fonte: a autora. U N ID A D E 2 60 Cargos Comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is - ta -R ap el is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na - m en to Almoxarife X + + + + 1 5 Motorista - X - + - 1 2 Carpinteiro - + X + - 1 3 Motosserrista-Rapelista - - - X - 1 1 Mecânico - - + + X 1 4 Quadro 6 - Avaliação Binária - Comitê / Fonte: a autora. Método de Categorias predeterminadas (job classification) O modelo de categorias predeterminadas é uma remodelação em que se utiliza uma separação de cargos considerando categorias predeterminadas de acordo com uma série de classes ou graus predeterminados. Utiliza-se a nomenclatura classe para cargos similares e graus para cargos diferentes, porém com dificulda- des similares (BOHLANDER; SNELL, 2015; CHIAVENATO, 2016). Estas categorias atendem a organização dos cargos em três tipos: a) car- gos não qualificados, b) cargos qualificados e c) cargos especializados. Essas classificações variam de acordo com o crescimento de responsabilidades, habilidades, conhecimentos, dentre outros fatores relevantes (BOHLANDER; SNELL, 2015; CHIAVENATO, 2016). A Figura 10 representa o modelo de ca- tegorias predeterminadas. U N IC ES U M A R 61 Descrição da Imagem: modelo de categorias predeterminadas é uma remodelação em que se utiliza uma separação de cargos considerando categorias predeterminadas de acordo com uma série de classes ou graus predeterminados distintos em não qualificados, qualificados e especializados. No exemplo da Figura 9, você deve ter observado que existe um limite inferior e um limite superior para cada uma das categorias, e também, que na categoria subsequente, ela ini- cia antes do limite superior da anterior, com isso, pode-se perceber que mesmo estando em uma categoria superior, o colaborador pode receber menos do que o limite superior da categoria anterior àquela que ele está enquadrado. Uma das vantagens desse sistema é a simplicidade do método e, também, pode agrupar muitos cargos em alguma classe ou categoria para fins de padronização, porém a grande desvantagem é que o cargo é avaliado na sua totalidade, quando, no sistema de pontos e fatores, tende a ser mais preciso. Apesar disso, o sistema Federal dos Estados Unidos se utiliza deste método para a classificação dos cargos em classes, sendo utilizados oito fatores para essa definição por escalonamento predeterminado. explorando Ideias Figura 10 – Modelo de Categorias Predeterminadas / Fonte: Chiavenato (2016, p. 251). Salários (R$) Critério de escalonamento Cargos não quali�cados Cargos quali�cados Cargos especializados Li Li Ls Li Ls Ls U N ID A D E 2 62 Método de Comparação por Fatores O método de comparação por fatores é um método aprimorado do método de escalonamento. Enquanto o escalonamento compara cargo a cargo, a compara- ção por fatores considera a análise do cargo a ser avaliado em relação a diversos fatores de comparação. O método de comparação por fatores atribui 5 fatores a serem analisados, são eles: a) requisitos mentais (experiências, aptidões, inteligência emocional etc.); b) habilidades requeridas (como utilizar a HP12C para cálculos financeiros, como manejar um torno etc.); c) requisitos físicos (idade, força, peso etc.), d) respon- sabilidade (pelo patrimônio, por equipamentos etc.; e e) condições de trabalho (climatização, luminosidade, ergonomia etc.). Para melhor esclarecimentodo método e dos requisitos, apresenta-se o Quadro 7. Requisitos mentais Significa a posse e/ou a aplicação ativa de: Traços mentais (inerentes), como inteligência, me- mória, raciocínio, expressão verbal, relacionamento interpessoal e imaginação. Educação geral (adquirida), como gramática, aritmética, informação geral. Conhecimento especializado (adquirido) como química, engenharia etc. Requisitos físicos Esforço físico (como andar, carregar, escrever etc.) exercido e continuidade do esforço. Condições físicas, idade, sexo, altura, peso, força, capa- cidade visual. Habilidades Coordenação muscular, como movimentos repetitivos, habilidade manual na operação de máquinas, monta- gem etc. Conhecimento específico do trabalho necessário para a coordenação muscular apenas, adquirido pelo desem- penho e pela experiência no trabalho (não confundir com educação geral ou conhecimento especializado). U N IC ES U M A R 63 Responsabilidades Por matérias-primas, materiais, máquinas e equipa- mentos. Por dinheiro ou papéis de valores. Por lucros ou perdas, economias ou métodos de me- lhora. Por contato com o público. Por registros. Por supervisão. Complexidade de supervisão dada e número de subordinados (planejar, construir, coordenar, instruir, controlar e aprovar são tipos de supervisão). Grau de supervisão recebida. Condições de trabalho Influências ambientais, atmosfera, ventilação, ilumina- ção, ruído etc. Risco do trabalho ou do ambiente. Horas de atividade. Quadro 7 – Definição dos cinco fatores do método de comparação Fonte: adaptado de Chiavenato (2016). Método de Comparação por Pontos Chiavenato (2014) comenta que, depois de realizar a descrição e análise dos car- gos, é preciso destacar os fatores que deverão ser comparados, a fim de atribuir pontos aos cargos (Figura 11). Salienta que os fatores devem obedecer a dois critérios: universalidade (isto é, esses fatores deverão estar presentes em todos os cargos que se irá avaliar) e variabilidade (deve apresentar diferentes valores para cada cargo a ser avaliado). A partir dessas premissas, cada fator deve ser desdobrado em graus de variação. Normalmente, esses graus de variação são desdobrados entre quatro a seis graus de fator, sendo que o instrumento para a medição é fator-chave para a ava- Nos dias atuais, esse método pode ser visto como discriminatório quando avalia como critério requisitos físicos, uma vez que parte de uma premissa que não, necessariamente, reflete a capacidade de trabalho de alguém, por exemplo, idade, gênero, altura, peso, en- tre outros, limitando o acesso das pessoas em busca de novas oportunidades. pensando juntos U N ID A D E 2 64 liação de cargos. Uma outra questão importante diz respeito à ponderação dos valores de avaliação que, conforme o autor, “[...] em geral, a ponderação é feita por meio de porcentagens do valor global. Assim, a soma da participação dos fatores de avaliação deve ser igual a 100 no seu conjunto” (CHIAVENATO, 2014, p. 255). Finalmente, após a ponderação dos fatores de avaliação, é necessário definir a base para a distribuição da escala de pontos para cada fator. Conforme Chia- venato (2014, p. 255) “[...] o grau A pode ser igual ao valor da ponderação e os demais graus (B, C, D etc.) são definidos em progressão arbitrária, que pode ser aritmética, geométrica ou mista”. O Quadro 8 ilustra esse conceito apresentado por Chiavenato (2014). Instrução necessária Este fator considera o grau de instrução exigido para o adequado desem- penho do cargo. Deve-se considerar a instrução aplicável ao cargo e não ao nível de educação da pessoa que atualmente o ocupa Grau Descrição Pontos A O cargo requer que o ocupante saiba ler e escrever ou que tenha apenas o curso de alfabetização 15 B O cargo requer nível de instrução correspondente ao curso primário 30 C O cargo requer curso ginasial ou equivalente ao primeiro ciclo colegial 45 D O cargo requer curso colegial ou equivalente ao segundo ciclo 60 E O carro requer curso superior completo ou equivalente 75 Quadro 8 - Exemplo de definição de um fator de avaliação e seus respectivos graus Fonte: Chiavenato (2014, p. 255). A partir dessa ilustração, pode-se dizer que o método de pontos é um método mais objetivo, analítico, preciso e de fácil aplicação. Devem ser selecionados para avaliação os fatores que sejam comuns à maioria dos cargos de um determinado grupo ocupacional. Por serem comuns à maioria dos cargos, alguns fatores são obrigatórios, mas com diferentes graus de exigência, e, finalmente, os fatores se constituirão em réguas que mensuram as múltiplas facetas de cada cargo. U N IC ES U M A R 65 O vídeo disponível no YouTube (2018) apresenta o método de pontos de Marrill Lott, considerando nível de atuação e maturidade. conecte-se O método por pontos quantitativo é aquele em que os cargos recebem um valor atribuído por meio de pontos. Para esse cálculo, leva-se em conta os fato- res de avaliação e a pontuação atribuída a esses. Para Bohlander e Snell (2015, p. 366) “o sistema de pontos permite que os cargos sejam avaliados quantitati- vamente com base nos fatores ou elementos − comumente chamados fatores de compensação − que constituem o cargo”. Os autores destacam que para se utilizar o critério de pontos, deve ser considerado um “manual de pontos”, em que nele “[...] a avaliação de pontos é realizada comparando-se as descrições e especificações do cargo, fator por fator, com as várias descrições contidas no manual” (BOHLANDER; SNELL, 2015, p. 366). Método de Avaliação de Cargos Gerenciais (Método Hay) Conforme Bohlander e Snell (2015), um dos mais conhecidos programas de ava- liação de cargos gerenciais e profissionais se utiliza do método Hay. Este método foi criado, em 1943, por Edward N. Hay e foi elaborado considerando três fatores: conhecimento (conhecimentos e habilidade prática, técnicas ou especializadas e disciplinas correlatas – know-how), atividade mental (capacidade para integrar e harmonizar as diversas funções envolvidas em atividades gerenciais: esta capa- cidade poderá ser necessária em um cargo de linha ou staff) e responsabilidade (habilidade na área de relações humanas). Para os autores “[...] O perfil para cada cargo é estabelecido determinando-se o valor percentual a ser atribuído a cada um dos três fatores” (BOHLANDER; SNELL, 2015, p. 367). https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6723 U N ID A D E 2 66 Conforme França (2013), a pesquisa salarial tem por servir como ferramenta de comparação considerando as remunerações pagas pela empresa e as remunera- ções pagas por organizações de porte e setores similares, a fim de comparação de funções semelhantes nos seus requisitos e natureza, alinhando o valor atribuído a determinada função. Com estas informações, a partir de uma pesquisa salarial, é possível a organização tomar uma decisão racional entre o salário pago pela organização e o salário pago para funções semelhantes pelo mercado. A autora ainda reforça que as empresas devem realizar pesquisas salariais de forma pe- riódica, a fim de manter atualizados os cargos em relação às ofertas do mercado. Para Marras (2016), é necessário levar em conta quando da escolha das em- presas que fizerem parte da pesquisa salarial entre 20 e 50 empresas, a fim de validar esses valores, sendo importante destacar alguns parâmetros, conforme Marras (2016, p. 96): 1. região geoeconômica; 2. segmento da empresa; 3. tipo de estrutura salarial existente; 4. política salarial praticada; 5. número de funcionários/cargos; 6. tipo de mão de obra empregada; 7. porte da empresa. 3 A PESQUISA SALARIAL COMO EQUALIZADOR de Salários na Organização U N IC ES U M A R 67 Ainda conforme o autor, é necessário que a empresa defina o instrumento de Coleta de Dados, e que apresente os dados em uma espécie de caderno ou rela- tório de coleta de dados que deverá possuir os seguintes elementos básicos na apresentação dos dados (MARRAS,2016, p. 96): a) informações gerais sobre o trabalho; b) informações da empresa participante; c) pesquisa de política de salários e benefícios; d) relação de empresas participantes; e) metodologia a ser aplicada na pesquisa; f) relação de cargos pesquisados; g) formulário de preenchimento de dados. Finalizada essa etapa, o material é enviado para as empresas previamente sele- cionadas que responderão às questões propostas e devolvem o material para a empresa que fará a análise estatística dos dados a partir da metodologia proposta no material. Finalmente, esse material deve ser compartilhado com as empresas respondentes obedecendo o prazo acordado. Todas as empresas devem ter sua identidade preservada, portanto, serão representadas por códigos (MARRAS, 2016). “É praxe informar às empresas participantes seu código de identificação, bem como o código da empresa que patrocina (realiza) a pesquisa. Isso represen- ta, no mínimo, uma troca justa de informações” (MARRAS, 2016, p. 97). Bohlander e Snell (2015) chamam a atenção sobre a importância de a pes- quisa salarial apresentar, ainda, a curva salarial e a classe de salários. Por curva salarial se compreende “[...] a relação entre o valor relativo de cargos e suas faixas salariais” (BOHLANDER; SNELL, 2015, p. 369). A curva salarial pode “[...] demonstrar tanto os dados reais informados (mercado real) como esses mesmos dados ajustados (mercado ajustado), por meio de um índice de custo de vida comum aplicado nas respectivas datas-bases (por exemplo, INPC)” (MARRAS, 2016, p. 99). A classe salarial, conforme Bohlander e Snell (2015), diz respeito ao agrupa- mento de cargos semelhantes que são incluídos em um grupo e remunerados de forma igualitária ou faixa salarial, que é um intervalo de valores aplicados para pagamento de salários de um mesmo cargo. Esse agrupamento faz parte do processo de avaliação. U N ID A D E 2 68 Para se atualizar e realizar o download da pesquisa salarial de 2020 efetuada pela empresa Robert Half. conecte-se Considerações Finais Nesta unidade, apresentamos a importância de uma descrição de cargos bem estruturada em uma organização. Essa descrição pode ser realizada a partir de uma análise dos cargos existentes no mercado. Também foram apresentados os principais métodos utilizados pelas empresas para realizarem a sua avaliação e cargos, sendo estes, métodos e técnicas quan- titativas e não quantitativas de avaliação de cargos que auxiliam as empresas a valorá-los considerando as responsabilidades de cada cargo, visam corrigir distorções salariais, descobertas pelas avaliações de cargos e perfis, melhoram o gerenciamento e agilizam as tomadas de decisões sobre os salários dos emprega- dos, proporcionam uma administração de salários a partir de critérios claros para todos e, com isso, minimizam as insatisfações devido às remunerações. A unidade também reforçou como se estabelece o valor relativo dos cargos e, com isso, a possibilidade de hierarquização dos cargos do menor para o maior, de acordo com os requisitos estabelecidos. Essa prática auxilia a empresa na ma- nutenção do equilíbrio interno e externo, fornecendo subsídios para a tomada de decisões. Esta prática traz as bases para o sistema de remuneração: critérios, premissas e foco do negócio. A avaliação de cargo determina quais os requisitos físicos e mentais que o ocupante deve possuir, as responsabilidades que o cargo lhe impõe e as condições em que o trabalho deve ser feito. Isto é, analisar um cargo significa detalhar o que o cargo exige do seu ocupante em termos de conhecimentos, habilidades e capacidade para que possa desempenhá-lo adequadamente. A pesquisa salarial é ferramenta importante, a fim de adequar os salários pagos pela empresa em função das análises e avaliações dos cargos, uma vez que é possível ajustá-los de acordo com o que o mercado remunera, aumentando a satisfação dos empregados e também diminuindo a rotatividade dos empregados. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6724 69 na prática 1. Analise as afirmativas e assinale a sequência de verdadeiro (V) e falso (F) na ordem cujas afirmações correspondam. I - Cargo é o conjunto de tarefas e responsabilidades atribuídas a um empregado. II - Função é a ocupação oficial do empregado na empresa. III - A descrição de cargo em uma empresa subsidia cada cargo da empresa em relação a atribuições e requisitos para posterior avaliação e afins. IV - A nomenclatura de cargos é uma prerrogativa da legislação trabalhista e deve ser seguida. V - A análise do cargo em relação ao conteúdo do cargo diz respeito ao que o ocu- pante faz, como faz, sob quais condições ele faz e por que faz. a) F, F, V, F, F. b) F, F, V, V, F. c) V, F, V, F, V. d) F, F, V, F, V. e) V, F, V, V, V. 2. Para garantir o equilíbrio externo de uma empresa, responda qual o instrumento para verificar a compatibilidade dos salários oferecidas em outras organizações em relação aos mesmos cargos. a) Remuneração. b) Classificação de cargos. c) Pesquisa salarial. d) Descrição de Cargos. e) Manual de avaliação de cargos. 3. Quais as formas para se fazer uma coleta de dados para a análise de Cargos? Explicar cada uma delas. 4. Analise as afirmações a seguir: I - A pesquisa salarial tem por objetivo servir como ferramenta de comparação consi- derando as remunerações pagas pela empresa e as remunerações pagas por or- ganizações de porte e setores similares para fins de alinhamento de remuneração. 70 na prática II - São alguns exemplos de fatores de escolha para o grupo de pesquisas: região geoeconômica; segmento da empresa; tipo de estrutura salarial existente etc. III - A classe salarial demonstra tanto os dados reais informados (mercado real) como esses mesmos dados ajustados (mercado ajustado), por meio de um índice de custo de vida comum aplicado nas respectivas datas-bases. Qual alternativa corresponde a(s) questão(ões) correta(s)? a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Afirmações I e II estão corretas. e) Afirmações II e III estão corretas. 5. Analise o gráfico a seguir e marque a alternativa a qual ele corresponda em relação ao método de avaliação: a) Método de Pontos. b) Método de Escalonamento Simples. c) Método de Escalonamento Binário. d) Método de Comparação por Fatores. e) Método de Categorias Predeterminadas. Salários (R$) Critério de escalonamento Cargos não quali�cados Cargos quali�cados Cargos especializados Li Li Ls Li Ls Ls 71 aprimore-se Aluno(a), para aprimorar seu conhecimento sobre o que abordamos nesta unidade, deixo o seguinte caso para reflexão: A indústria de calçados Calce Bem, localizada na cidade de Novo Hamburgo/RS, impacta- da pela pandemia e falta de matéria-prima, que era advinda da China, desenvolveu esta ma- téria-prima a partir de materiais reciclados de embalagens pet. Este material é fundamental para a sua produção de sandálias do tipo “rasteirinha”, que é o carro-chefe da empresa. Com a proximidade do verão e a pandemia tendo se alongado por vários meses, a indústria se viu obrigada a redesenhar seu processo e, portanto, a matéria-prima do produto necessitou ser produzida aqui para que a empresa pudesse continuar a sua produção. Com esta mudança, a indústria necessitou contratar um maior nú- mero de empregados, porém, cabe lembrar que, nos últimos anos, países como a China fizeram forte concorrência, encolhendo o mercado e produção da indústria calçadista do Estado e, além disso, esta região abrange grandes mercados de calça- dos, aumentando a concorrência por mão de obra especializada. Quais ações você acredita que a Indústria de calçados Calce Bem deve levar em conta a fim de atrair os melhores recursos para o seu quadro de empregados? A empresa deve considerar a necessidade de realizar uma pesquisa salarial contemplando: a) Região geoeconômica. b) Segmento da empresa. c) Tipo de estrutura salarialexistente. d) Política salarial praticada. e) Número de funcionários/cargos. f) Tipo de mão de obra empregada. g) Porte da empresa. Além disso, cabe propor benefícios que atraiam os empregados a trabalharem na empresa, por isso pesquisar na região é tão importante, pois auxiliará a empresa na sua tomada de decisão e, também, para que, a partir de ofertas que façam sentido para o funcionário, este, além de permanecer na empresa, aumente a sua produti- vidade, auxiliando a empresa na consecução do seu objetivo. Fonte: a autora. 72 eu recomendo! Um Senhor Estagiário Ano: 2015 Sinopse: filme retrata um aposentado que se inscreve em um programa de estagiários para a 3ª idade em uma startup de ves- tuário. Inicialmente, não lhe é demandado nenhuma atividade no negócio, percebe-se que não foi realizada uma descrição de car- go e, portanto, o personagem fica ocioso de responsabilidades considerando suas competências técnicas e comportamentais, porém, ao longo do filme, a relação entre a dona da startup vai se intensificando e ela passa a reconhecer a sua experiência em administração de negócios. Comentário: muitas empresas criam cargos para programas de inserção e inclu- são de pessoas, porém, se não realizar uma descrição de cargo, o empregado ficará sem saber quais atividades deve realizar, sendo subestimado um recurso valioso para uma organização filme Assista a essa animação, criada com o objetivo de apresentar os concei- tos de análise, avaliação e descrição de cargos. O vídeo da RH Academy, de 2019, apresenta a descrição de cargos e seus principais elementos para que possa ser aplicada em uma empresa. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6725 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6726 73 eu recomendo! Algumas empresas de pesquisa realizaram estudos no ano de 2020, que ser- vem como base para análise de tendências e revisão de remuneração de empresas, tais como: Robert Ralf HAYs Recruting experts worldwide Michael Page conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6728 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6729 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6727 3 REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA E BENEFÍCIOS PROFESSORA Me. Lisiane Boscardin Wolff PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Remuneração estratégica e bene- fícios • Conceitos introdutórios sobre remuneração estratégica • Modelos de remuneração estratégica e o uso da remuneração variável como incentivador de equipes e empregados • O portfólio de benefícios como ferramenta de retenção e diminuição de turnover. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Introdução ao assunto remuneração estratégica e benefícios • Apresentar os componentes da remu- neração estratégica conceituando os elementos que a compõem • Estudar os modelos de proposição de remuneração estratégica com o intuito de garantir a permanência dos empregados, como forma de valorização dos resultados obtidos individualmente ou por equipe • Descrever os benefícios sociais e benefícios espontâneos, bem como apresentar o modelo de benefícios flexíveis que visa um menor turnover nas Organizações. INTRODUÇÃO Olá aluno(a), bem-vindo(a)! Nesta terceira unidade da disciplina Plano de Cargos, Salários e Carreiras, você aprenderá sobre a Remuneração Es- tratégica e oferta de benefícios como forma de retenção de talentos. Essa prática vai de encontro ao cenário atual onde cada vez mais as empresas buscam trabalhar a Gestão Estratégica de Pessoas e, portanto, proporcionar às empresas uma maior flexibilidade na sua estrutura salarial. A política de remuneração vem de encontro com essa premissa, por- tanto, serão apresentados os conceitos relativos aos componentes da remu- neração estratégica, como salário, benefícios, remuneração variável entre outros, esse tipo de remuneração leva em conta os objetivos estratégicos da Organização, além da estrutura e o próprio estilo gerencial desta. Além disso, é importante para você compreender quais modelos de remuneração estratégica são possíveis de serem implementados na sua empresa, porque este tipo de prática valoriza o trabalho dos colaboradores e faz com que, de forma justa, premie-se o engajamento dos empregados em uma organização, além de ser ferramenta de retenção de talentos fazendo com que a empresa diminua os índices de rotatividade (turnover) e seja referência para o mercado na atração de novos talentos. Também será visto, nesta unidade, os benefícios sociais (obrigatórios) de uma empresa e aqueles que ela disponibiliza de forma espontânea, es- tes benefícios que são oferecidos desta forma aumentam a satisfação dos colaboradores, seja por serem um complemento importante, ou por fi- nanceiramente serem vantajosos ou, até mesmo, como oportunidade de qualificação pessoal e profissional. Além disso, será apresentado um modelo de benefícios flexíveis que, em grandes empresas, são fatores de permanência, uma vez que se trata de benefícios a escolha do empregado mediante um sistema de escolha por pontuação proveniente do cargo executado, sendo possível uma customi- zação do que o empregado entende por gerar valor para ele. Bons estudos! U N ID A D E 3 76 1 REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA E BENEFÍCIOS Em tempos de alta competitividade de mercados, de globalização e escassez de recursos, o fator humano ganhou um grande peso na gestão das organiza- ções, passando a ser encarado como um importante diferencial para alcance das competências empresariais. A diferenciação em ambientes competitivos exige pessoas capazes de su- perar resultados. Sabe-se que os desafios, a filosofia de gestão e o reconheci- mento dos empregados determinam comportamentos de alto desempenho. Portanto, aplicar estratégias de remuneração pode ser um forte diferencial na busca por resultados sustentados. U N IC ES U M A R 77 A partir dessa contextualização, pode-se inferir que cada vez mais se faz pertinente associar à remuneração elementos tradicionais e elementos não tradicionais a esta, com o objetivo de atingimento por parte da empresa de seus objetivos organizacionais e estratégicos. Sendo assim, a remuneração ganha novos elementos para ser atribuída a um empregado, como competências e habilidades que podem ser remuneradas por meio do atingimento de metas da organização em forma de remuneração variável (remuneração por desempenho) ou benefícios que tendem a aumentar a permanência dos empregados nas empresas, diminuindo, assim, os índices de rotatividade (turnover). Por esta razão, nesta unidade, serão estudados os elementos que compõem a re- muneração, além dos benefícios que são oferecidos pelas empresas e têm funcionado como instrumento de retenção para os colaboradores das empresas. Nesse sentido, cabe ressaltar que existem benefícios sociais e benefícios espontâneos, além de benefícios flexíveis que, conforme o próprio nome, são de escolha do empregado, que normalmen- te atribui um peso diferente a cada item ofertado de acordo com as suas necessidades. A proposta desta aula consiste em conceituar o que é remuneração estraté- gica, bem como os elementos que fazem parte da remuneração para um melhor entendimento dessa prática. Serão apresentadas as aplicações da remuneração estratégica nas empresas e também os tipos de benefícios que fazem parte deste modelo, sendo apresentados os que são obrigados por lei e aqueles que a empresa oferece de forma espontânea no intuito de atender as demandas dos empregados e aumentar a sua satisfação em relação à empresa. Além disso, será vista novas formas de oferta de benefícios, os benefícios flexíveis que, como em um sistema à la carte (pode-se fazer essa analogia ao sistema de benefícios flexíveis), são escolhidos pelos colaboradores de acordo com a sua conveniência e vontade. U N ID A D E 3 78 2 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS SOBRE REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA Foi no início do século XX, que a remuneração fixa passou a compensar as ativi- dades consideradas rotineirase executadas de modo repetitivo numa época de estabilidade. Esse modelo foi chamado de modelo funcional, cuja remuneração era baseada em cargos. Contudo, com as mudanças do século XXI, as empresas perceberam que esse modelo não se estendia para toda a organização e passaram a adotar modelos envolvendo habilidades e competências, modelos mais com- plexos, em que se fez necessário adotar a remuneração flexível como força de incentivo à motivação dos empregados e também para acompanhar os movimen- tos do mercado e inovações nas atividades (ORSI, 2015; CHIAVENATO, 2016). O subsistema remuneração, cuja função é remunerar os empregados de forma habitual pela prestação de serviços prestados, a fim de satisfazer suas necessidades básicas e de sua família, é considerado um dos subsistemas mais importantes da área de recursos humanos (GARCIA, 2020). Neste subsistema, encontra-se a administração de cargos, de salários de benefícios e a Pesquisa de Mercado (MARRAS, 2016). A Figura 1 representa o organograma apresentado pelo autor referente à divisão dos subsistemas da área de Recursos Humanos. U N IC ES U M A R 79 A partir da Figura 1, pode-se perceber que, em relação à remuneração, é possível concluir que o salário não é o único meio compensatório de um colaborador. Deve- -se considerar, também, os benefícios inclusos, pois estes fazem parte do conceito de remuneração (MARRAS, 2016). Inicialmente, é necessário compreender o conceito de salário e, portanto, os conceitos relativos a ele são apresentados no Quadro 1: Tipo de salário Definição 1. Salário nominal É aquele que consta na ficha de registro, na carteira profissional e em todos os documentos legais. Pode ser expresso em hora, dia, semana, mês etc. 2. Salário efetivo É o valor efetivamente recebido pelo empregado, já des- contadas as obrigações legais (INSS, IR etc.). 3. Salário complessivo É o que tem inserido no seu bojo toda e qualquer parce- la adicional (hora extra etc.). 4. Salário profissional É aquele cujo valor está expresso na lei e se destina especificamente a algumas profissões (por exemplo, médicos, engenheiros). 5. Salário relativo É a figura de comparação entre um salário e outro na mesma empresa. 6. Salário absoluto É o montante que o empregado recebe, líquido de todos os descontos e que determina o seu orçamento. Quadro 1 – Quadro-resumo sobre os tipos de salários Fonte: Marras (2016, p. 73). ARH R&S HST T&DRemuneração Administração de cargos Administração de salários Administração de cargos Administração de benefícios Pesquisas de mercado Figura 1 – Subsistemas de Recursos Humanos / Fonte: Marras (2016, p. 72). Descrição da Imagem: a figura representa o organograma apresentado referente à divisão dos subsistemas da área de Recursos Humanos: administração de cargos, administração de salários, administração de bene- fícios e pesquisas de mercado. U N ID A D E 3 80 Para Marras (2016), esses diversos tipos de salários fazem sentido a como são aplicados ou como são apresentados na relação empregado e empregador. As autoras Teixeira e Ribeiro (2017, p. 205) explicam que “[...] o salário é o valor estabelecido pelo trabalho a ser desenvolvido, e remuneração é o pacote que envolve o salário, recompensas e benefícios”. Ao salário deve ser considerada a existência de “[...] outras verbas de crédito a acrescentar, por exemplo: componentes de remuneração variável, adicionais, ho- ras extras, gratificações, bônus, comissões etc.” (MARRAS, 2016, p. 73). A Figura 2 representa uma equação relativa ao conceito de remuneração, a saber: R= S +S + Bt v onde: R= Remuneração S= Salário total (nominal + todas as verbas de crédito)t S= Salário variávelv B= Benefícios Para Garcia (2020), também é possível calcular o salário se, por exemplo, souber a remuneração do empregado a partir da regra da Consolidação das Leis Trabalhis- tas (CLT), no seu artigo 64, no qual se utiliza o valor da Remuneração dividindo pelo número de dias do mês e se multiplica pelo número de dias trabalhados. Com isso, obtém-se o valor do salário no mês. Ainda em relação ao salário, Chiavenato (2016) comenta que a determinação do salário se dá por meio da consideração de fatores internos e externos que im- plicam neste. Por fatores internos se entende a própria política de remuneração da empresa que influencia nas faixas salariais “[...] a política de remuneração da empresa, o valor de um trabalho, o valor relativo do funcionário no cumpri- mento dos requisitos do cargo e a capacidade de pagamento do empregador” (BOHLANDER; SNELL, 2015, p. 358). Figura 2 – Equação da Remuneração / Fonte: Marras (2016, p. 73). Descrição da Imagem: representação da fórmula em que remuneração é igual ao salário total mais o salário viável e os benefícios. U N IC ES U M A R 81 Em relação aos fatores externos, estes são impactados por: “[...] condições do mercado de trabalho, faixas salariais, custo de vida, negociação coletiva e requisitos le- gais” (BOHLANDER; SNELL, 2015, p. 361). A Figura 3 ilustra os fatores apresentados. FATORES INTERNOS Política de remuneração da organização Valor do trabalho Valor relativo do funcionário Capacidade de pagamento da empresa FATORES EXTERNOS Condições do mercado de trabalho Faixa salarial regional Custo de vida Negociação coletiva Requisitos legais Composição do salário A remuneração estratégica é aquela em que a empresa consegue demonstrar o seu reconhecimento aos empregados que contribuíram diretamente nos resultados organizacionais atingindo ou superando os objetivos organiza- cionais e tendo como fio condutor um modelo de compensação que permita tal diferenciação (MARRAS, 2012). Os incentivos que a empresa oferece para garantir uma diferenciação estão atrelados ao alcance de objetivos e entregas de resultados. Apesar de a remune- ração fixa, de certa forma, equalizar e padronizar os salários, esta dificilmente consegue motivar as pessoas. Diferentemente da remuneração variável, que faz parte da remuneração total, que incidirá de acordo com metas estabelecidas pela organização e cumpridas ou superadas pelo empregado (CHIAVENATO, 2014; STADLER; PAMPOLINI, 2014). Conforme Chiavenato (2014, p. 269) “[...] a remuneração variável deve se ancorar em quatro aspectos básicos”: Figura 3 – Fatores que influenciam na composição do salário Fonte: Bohlander e Snell (2015, p. 358). Descrição da Imagem: esquema em três blocos representando, ao meio, composição do salário. Ao lado esquerdo, temos os fatores internos, citados anteriormente no texto, e à direita, os fatores externos, tam- bém citados anteriormente. U N ID A D E 3 82 “ a. Alinhar a remuneração variável com a conquista de resultados. b. Avaliar o desempenho em uma base quantitativa e mensurável. c. Atrelar a remuneração variável ao desempenho tanto individual quanto coletivo. d. Garantir o foco na criação de valor no longo prazo, recompensan- do ao mesmo tempo as metas tangíveis de curto prazo. Marras (2016) diferencia a administração de recursos humanos tradicional como sendo aquela que elabora seus planos salariais conforme as exigências dos car- gos, aplicando sistemas de pontuação e avaliação do cargo (vistos na unidade anterior), enquanto a remuneração estratégica, justamente, tem a característica de adicionar valores a esse modelo. A Figura 4 ilustra o processo considerando abordagens tradicional e moderna. Abordagem tradicional Abordagem moderna Processos de recompensar pessoas Modelo do homem econômico Esquemas rígidos Processos padronizados Política de generalização Baseado no tempo Ênfase no passado Valores �xos e estáticos Modelo do homem complexo Esquemas �exíveis Processos individualizados Política de adequação Baseado nas metas Ênfase no futuro Valores variáveis e �exíveis 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Figura 4 – Processo de recompensar pessoas com a abordagem tradicional versus moderna Fonte: Chiavenato (2014, p. 238). Descrição da Imagem:figura representando a abordagem tradicional versus moderna. Em cima, há uma pontuação de 0 a 10. Abordagem tradicional indica uma seta em direção a 0 e apresenta as características de Modelo do homem econômico, esquemas rígidos, processos padronizados, política de generalização, baseado no tempo, ênfase no passado, valores fixos e estáticos. A abordagem moderna indica uma seta à direita, com as características de Modelo do homem complexo, esquemas flexíveis, processos individuali- zados, política de adequação, baseado nas metas, ênfase no futuro, valores variáveis e flexíveis. U N IC ES U M A R 83 Garcia (2020) acrescenta que a remu- neração estratégica considera como premissa o desempenho do colabora- dor, porém a este é associado três fa- tores: conhecimentos, habilidades e atitudes. São estas competências que incidirão nos comportamentos que ge- rarão os resultados que resultarão no desempenho do colaborador em prol dos resultados organizacionais. O autor ainda sinaliza que são poucas as empresas que adotaram tais práticas remuneratórias. Para Garcia (2020), as poucas empresas que ado- taram o modelo de remuneração es- tratégica se restringiram a um ou dois modelos, e as demais estão apenas em fase embrionária, até porque, para im- plantar a remuneração estratégica, é necessário haver um perfil de organi- zação alinhado a essa proposta. A remuneração variável pro- duz efeitos no curto prazo em relação ao desempenho e políticas de investimentos das empresas. Saiba mais lendo o artigo no QR Code. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6730 U N ID A D E 3 84 Para implementar a remuneração variável em uma empresa, há que se conside- rar alguns modelos já estudados e aplicados pelas empresas. Conforme Marras (2016, p. 260), entre os diversos modelos praticados no mercado, basicamente despontam os seguintes: “ a. Remuneração por habilidade (skill based pay – SBP). b. Remuneração por competência (pay for professional skill) c. Participação acionária (stock ownership). d. Distribuição de ganhos (gain sharing). e. Distribuição de lucros (profit sharing). f. Remuneração por resultados (pay for performance). Remuneração por habilidade A remuneração por habilidade recompensa o desenvolvimento cognitivo do em- pregado, reconhecendo o desenvolvimento dos conhecimentos deste em relação às habilidades ou grupos de habilidades desenvolvidos para a execução das atividades. Nesse caso, o que acontece é o desenvolvimento de habilidades para um cargo mais amplo que poderá resultar na movimentação do empregado (MARRAS 2012; ORSI, 2015; MARRAS 2016), conforme podemos ver no Quadro 2. 3 MODELOS DE REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA E O USO DA REMUNERAÇÃO VARIÁVEL COMO INCENTIVADOR DE EQUIPES E EMPREGADOS U N IC ES U M A R 85 De Cargos Tarefas O pe ra do r d e m áq ui na B ■ Opera máquina B ■ Detecta defeitos nas máquinas ■ Calcula rendimentos e custos ■ Realiza a programação das máquinas ■ Libera produtos ■ Atende a ordem dos produtos ■ Confere o rendimento da máquina O pe ra do r d e m áq ui na A ■ Opera a máquina A ■ Confere a qualidade dos produtos ■ Troca ferramentas ■ Realiza a programação da máquina ■ Inspeciona o equipamento ■ Atende a ordem de serviço O pe ra do r d e po nt e ro la nt e ■ Opera ponte rolante ■ Atende a ordem de serviço ■ Localiza material ■ Transporta material Au xi lia r d e op er aç ão ■ Alimenta as máquinas ■ Limpa as máquinas ■ Embala o produto final ■ Auxilia na operação das máquinas De Cargos Tarefas Estágio Habilidades 5 ■ Orientação aos novos funcionários ■ Proposição de soluções duradouras ■ Execução de programas de manutenção ■ Elaboração de relatórios de produção ■ Elaboração de relatórios de anomalias ■ Acompanhamento do processo 4 ■ Operação da máquina 3 ■ Instrução operacional ■ Atendimento às especificações ■ Normas de segurança no trabalho ■ Interpretação de ordens de serviço ■ Normas e políticas de qualidade ■ Políticas e procedimentos internos 3 ■ Operação da máquina A ■ Regulagem da máquina ■ Organização do ambiente de trabalho ■ Layout da planta ■ Básico de metalúrgica ■ Cálculos matemáticos simples ■ Padrões de inspeção 2 ■ Leitura de ordens de serviço ■ Operação de corte rolante ■ Noções de armazenagem 1 ■ Limpeza de máquinas ■ Embalagem de produtos ■ Instruções de suegurança Quadro 2 – Transição da Remuneração Funcional para a Remuneração por Habilidades Fonte: Orsi (2015, p. 147). U N ID A D E 3 86 Stadler e Pampolini (2014) ainda acrescentam sobre o modelo de remuneração por habilidade e que este deve ser fortemente alinhado a um programa de desen- volvimento e treinamento. Em relação ao modelo, sabe-se que ele está limitado para atividades repetitivas e operacionais. Serve para funções mais previsíveis de execução e para funções administrativas, ou seja, para atividades que possam ser compartilhadas e com certo grau de autonomia (NASCIMENTO; CARVALHO, 2006; STADLER; PAMPOLINI, 2014; ORSI, 2015). Remuneração por Competência Segundo Chiavenato (2014), a remuneração por competência está atrelada à con- tribuição do cargo em relação aos valores da organização a partir das competên- cias pessoais. O autor ainda complementa dizendo que “[...] na remuneração por competência, os funcionários que ocupam o mesmo cargo podem receber salários diferentes conforme a competência de cada um” (CHIAVENATO, 2014, p. 279). Orsi (2015) trata a remuneração por competências como uma forma de esti- mular que a remuneração esteja ligada aos objetivos organizacionais e seja, então, aplicada para atividades mais complexas. Chiavenato (2015, p. 102) define ainda as competências como: “[...] característi- cas necessárias para a obtenção e sustentação de uma vantagem competitiva”. Orsi (2015) sinaliza que a remuneração por competências se vale de duas premissas: a complexidade e responsabilidade atribuídas ao cargo e as contribuições dos empre- gados advindos dessa entrega. Para isso o autor define quatro passos sequenciados a serem considerados para a estruturação das atividades (ORSI, 2015, p. 154): a. identificar as competências necessárias à organização; b. mapear os macroprocessos da organização; c. identificar as trajetórias de carreiras e relacioná-las com os ma- croprocessos; d. identificar os níveis de complexidade e as responsabilidades em cada macroprocesso e trajetória de carreira. O autor ainda comenta a necessidade de se considerar a aplicação de três estra- tégias para tal (ORSI, 2015, p. 154): U N IC ES U M A R 87 a. excelência operacional: a competência está essencialmente na área de operação. Considera-se as competências ligadas ao pla- nejamento e controle, processos, entre outras. b. inovação em produtos: a competência está ligada ao caráter inovativo, criatividade etc. c. orientação para o cliente: ligada as competências de atendimen- to ao cliente, antecipação das necessidades dos mesmos etc. Orsi (2015) apresenta a abrangência das competências levando em conta as pre- missas e estratégias descritas anteriormente para cargos de gerência e demais, conforme ilustrado na Figura 5. TIPOS DE COMPETÊNCIAS ABRANGIDOS Competências especí�cas (por macroprocesso) Competências estratégicas Competências gerenciais Todos os funcionários Gerentes Chiavenato (2015) apresenta o quadro comparativo entre a remuneração por habilidades e a remuneração por competências representado no Quadro 3. Figura 5 – Abrangência das Competências / Fonte: Orsi (2015, p. 157). Descrição da Imagem: esquema que apresenta a abrangência das Competências específicas, ligadas a todos os funcionários, exceto gerentes; das competências estratégicas, ligadas a todos os funcionários e gerentes; a das competências gerenciais, ligada apenas aos gerentes. U N ID A D E 3 88 Analisando as remunerações por habilidades e por competências, é possível dizer qual é a maisjusta entre as duas quando a empresa incentiva programas de estudo e for- mação para os empregados? pensando juntos Critério Avaliação de cargos Remuneração por habilidades: Remuneração por competências Base de comparação Fatores de avaliação Bloco de habilidades Competências Quantificação Graduação e pesos para casa fator Níveis de habilidades Níveis de competência Conversão em pagamento Atribuição de pontos que refle- tem os critérios da estrutura de remuneração Certificação e valoração no mercado Certificação e valo- ração no mercado Vantagens Pagamento baseado no valor do trabalho realizado Flexibilidade Redução do pessoal Recompensa ao aprendizado contínuo Flexibilidade Recompensa ao desenvolvimento Desvantagens Burocratização potencial Inflexibilidade Homogeneização Pode tornar-se onerosa e/ou burocrática Pode tornar-se obsoleta Indefinição Difícil de medir Pode tornar-se obsoleta Quadro 3 – Comparativo entre as remunerações por habilidade e por competência Fonte: Milkovich e Boudreau (1994, p. 562 apud CHIAVENATO, 2015, p. 102). U N IC ES U M A R 89 Para saber mais como a remuneração por ações influencia no montante de recebimentos, acesse: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex- t&pid=S1519-70772020000100084&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. conecte-se Participação Acionária Conforme Marras (2012), esse é um modelo que foca em desempenho por resultados. O autor ainda comenta que esse modelo é aplicado no nível exe- cutivo das empresas (associado ao nível estratégico da organização), em que a empresa remunera os seus executivos por meio de participação em ações da própria empresa (MARRAS, 2016). O plano de ações é um tipo de incentivo aplicado a ciclos maiores que um ano. O mais comum é stock options, normalmente incluído em pacotes para executivos, porém, pode ser desenhado para pagamento em dinheiro ou outro tipo de ações. Como vantagens desse tipo de remuneração, pode-se dizer que é uma remuneração cujo horizonte é de longo prazo. Ao oferecer esse tipo de remuneração, a empresa equilibra decisões de curto prazo. Essa remuneração pode recompensar o valor agregado para sempre, além de estimular o trabalho em equipe (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2012). Por outro lado, como desvantagens, pode ser difícil estabelecer metas e medi- das para o recebimento das ações. É um tipo de remuneração que leva tempo para desenvolver, a remuneração por ações é afetada por fatores externos (mercado etc.). Normalmente, esse tipo de remuneração funciona melhor quando: a) O plano é relativamente simples. b) É preciso melhorar o desempenho de longo prazo. c) Existe a necessidade de aperfeiçoar desempenho coletivo. d) A empresa busca romper a visão de curto prazo. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772020000100084&lng=en&nrm=iso&tlng=pt https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772020000100084&lng=en&nrm=iso&tlng=pt https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6731 U N ID A D E 3 90 Distribuição de Ganhos Ivancevich (2011, p. 334) diz que esse tipo de distribuição é “[...] uma fórmula financeira para distribuição de ganhos no âmbito organizacional, unem diversos elementos da organização na busca comum por aumento na eficácia organiza- cional”. Esse modelo de remuneração, distribuição de ganhos, tem sido praticado nos níveis operacionais da estrutura organizacional, principalmente nas linhas de produção, pois justamente estimula a produtividade e, com isso, a organização acaba reduzindo os custos do processo, uma vez que para haver essa distribuição, o empregado deve fazer certo da primeira vez (MARRAS, 2016). Para Marras (2012), esse modelo de distribuição de ganhos aplicado no Brasil é uma forma em que o empregado participa do negócio e, por sua produtividade e participação, é remunerado financeiramente. Distribuição de Lucros Na participação por distribuição de lucros, os empregados participam de um pool de bônus gerado de uma percentagem de lucro geralmente originada do lucro excedente. Pode-se dizer que as principais vantagens do modelo é que auxilia na integração de grandes grupos, é um modelo fácil de entender e mensurar, estimula o interesse nos resultados financeiros dos elegíveis. Por outro lado, pode-se destacar como desvantagens: o impacto de fatores fora do controle, por vezes se utiliza de uma medição muito ampla. Tende a haver uma perda do foco individual, desconsideram-se fatores secundários e a metodologia pode fazer com que o foco seja direcionado excessivamente para o curto prazo. Normalmente, essa prática funciona melhor quando existem poucos níveis hie- rárquicos e obviamente é acompanhado de um grande esforço de comunicação. Marras (2016) relembra que, desde as Constituições de 1946, 1967 e 1988, a distribuição de lucros já fazia parte e, atualmente, obedece a Lei 10.101 de 19 de dezembro de 2000, que fala justamente sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Segundo o autor, esse é “[...] um sistema que permite contemplar com uma parcela em espécie a todos os funcionários da empresa, em função dos dados da lucratividade levantada pela empresa no fim de determinado período” (MARRAS, 2016, p. 275). U N IC ES U M A R 91 Analisando os modelos de remuneração variável apresentados, será que uma mesma em- presa pode ter mais de um modelo para aplicar nas diferentes estruturas organizacionais? Teria alguma mais eficiente para reter os executivos e outra para os cargos operacionais? pensando juntos Resumindo: a remuneração por habilidade diz respeito ao conhecimento intelectual adqui- rido para o desenvolvimento da atividade em si, a qual está alocado o empregado, atividades mais operacionais; a remuneração por competência diz respeito ao alinhamento entre essas competências em prol do atingimento dos objetivos estratégicos, logo abrange atividades mais complexas; a remuneração por participação acionária é uma remuneração de longo pra- zo, mais comum no nível executivo, que é remunerado por resultados por meio de ações da empresa; a distribuição por ganhos é mais aplicada em linhas de produção, pois estimula a produtividade e trabalhos em equipes; tanto a distribuição por lucros quanto a distribuição por resultados são amparadas pela Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000, sendo que na primeira o empregado é elegível a um bônus vinculado a premissas sobre o lucro excedente e a segunda, por resultados, vincula produtividade e qualidade aos resultados organizacionais. quadro-resumo Distribuição de Resultados Para Marras (2016, p. 275), a distribuição por resultados tem por objetivo “[...] vincular o desempenho à produtividade e à qualidade dos resultados organiza- cionais, estimulando o trabalhador na busca da otimização do seu trabalho e das metas que se propôs a alcançar conjuntamente com a empresa”. A participação nos resultados é resultado da negociação entre a empresa e seus em- pregados e conforme o que dispõe a Lei 10.101 de 19 de dezembro de 2000, mediante: a) Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um represen- tante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. b) Convenção ou acordo coletivo. c) Regras claras e objetivas quanto as características do plano, incidência de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; progra- mas de metas, resultados e prazos pactuados previamente. d) O instrumento de acordo deve ser arquivado no sindicato dos trabalhadores. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores em pe- riodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. U N ID A D E 3 92 4 O PORTFÓLIO DE BENEFÍCIOS COMO FERRAMENTA DE RETENÇÃO E DIMINUIÇÃO DE TURNOVER Segundo a SGS Academy (2015), as empresas de grande porte se baseiam em planos de pagamento que vão além da abordagem tradicional, justamente porque consideram não apenas o mercado, masassociam os mecanismos internos, bem como a própria avaliação dos cargos. Qualquer plano que envolva um portfólio de benefícios deve ser: A evolução da Política de benefícios evoluiu de tal forma que hoje já se fala em oferecer benefícios personalizados ao gosto de cada funcionário (ou de acordo com as necessidades). São os chamados benefícios flexíveis. Conforme Marras (2016, p. 128), os planos de benefícios flexíveis são aqueles que foram “[...] ado- tados mais recentemente por organizações de países desenvolvidos, são aqueles em que os empregados têm a opção de escolher, entre os benefícios disponíveis, aqueles que acham mais interessantes”. a) Culturalmente compatível; b) deve ser autofinanciado; c) percebido como uma vantagem competitiva pelos empregados em relação à empresa que tra- balham; d) deve ser de simples compreensão; e e) deve ser flexível a cada ciclo. U N IC ES U M A R 93 Os planos fixos pressupõem, por parte das empresas, uma postura paternalista e de controle, em que a mentalidade é de que a empresa sabe o que é melhor para os seus funcionários; nos planos flexíveis, pressupõe-se maturidade da empresa, o que exige, por outro lado, alto nível de participação e envolvimento por parte dos funcionários. Alguns benefícios pagos aos empregados pelas empresas são considerados obrigatórios (ou compulsórios). São eles: a) Vale transporte (regido pela Lei 7.418/85): a lei prevê o desconto máximo de até 6% do salário do colaborador, sendo que esse percentual não pode ultrapassar o valor do benefício pago pela empresa. b) Refeição (em acordo com a norma regulamentadora, NR 20): empre- sas que possuam mais de 300 empregados devem oferecer refeitório no local não sendo permitido que o empregado faça a sua refeição em outro local do estabelecimento. c) FGTS: (a contribuição deve ser paga pelos empregados contratados em regime CLT a partir de 05/10/1988), 8% do salário pago ou devido pelo empregado e 2% para menor-aprendiz. d) Férias remuneradas: a cada 12 meses o empregado com carteira assinada tem o direito de gozar 30 dias corridos de férias. e) 13º salário: anualmente, o empregado recebe, a título de gratificação natalina, um salário adicional previsto pela Lei 4.090 de 13/07/1962. Esse valor é proporcional aos meses trabalhados conforme o contrato e pagos em dezembro. Pode ainda ser dividido em duas parcelas, sendo a primeira parcela paga entre o dia 1 de fevereiro e 30 de novembro e a segunda parcela até dia 30 de dezembro. f) Adicional Noturno: nas atividades consideradas urbanas, o adicional inci- de em uma proporção mínima de 20% (vinte por cento) sobre o valor da hora diurna, exceto condições que foram estipuladas em acordo coletivo ou convenção coletiva ou sentença normativa. O percentual é pago para os empregados que trabalham entre as 22h e às 5h da manhã, conforme art. 73, § 2º, da CLT. Para atividades rurais de empregados que trabalham na pecuária: o horário noturno se estende das 20h às 4h, e para empre- gados rurais que trabalham na agricultura, o horário noturno é aquele compreendido entre 21h e 5h. Para esses casos não existe hora reduzida. O adicional noturno do empregado rural é de 25% sobre o valor da hora diurna, acrescidos no salário bruto do empregado. U N ID A D E 3 94 Todos os demais benefícios pagos pelas empresas são considerados espontâneos, como: a) Vale-refeição. b) Vale-alimentação. c) Plano médico. d) Plano odontológico. e) Seguro de vida. f) Auxílio educação. g) Auxílio creche. h) Academia. i) Convênio com farmácias, entre outros. A disponibilização de benefícios espontâneos que são oferecidos pelas empre- sas funcionam como ferramenta de retenção dos talentos desta, uma vez que são benefícios oferecidos de forma gratuita ou com coparticipação dos empre- gados da empresa, mas que se eles tivessem que adquirir teriam de investir o valor total na modalidade que necessitam. No modelo flexível, a empresa define valores para cada benefício (pontos) e estipula uma pontuação para o empregado de acordo com seu cargo/responsa- bilidades para utilizar dentro de um menu de opções, normalmente apresentado em categorias, como: plano de assistência médica, seguro de vida, bolsa educação, checkup, vacina da gripe etc. O empregado compõe o mix ou menu de opções que mais se ajusta às suas necessidades e, uma vez por ano, pode alterar a sua escolha realocando a sua pontuação de acordo com o rol de benefícios que mais lhe convenha (BATEMAN, SNELL, 2012). Em 2015, a Hay Group era a empresa que mais realizava pesquisas e estu- dos na área de benefícios flexíveis, mas, ao final de dezembro de 2015, ela foi adquirida pela empresa global de consultoria organizacional, a Korn Ferry, e atualmente não têm sido realizados e divulgados novos estudos por esta em- presa acerca de benefícios flexíveis. O primeiro passo antes de uma empresa implementar a modalidade de be- nefícios flexíveis é realizar um estudo de viabilidade. Esse estudo inclui algumas U N IC ES U M A R 95 etapas de análise e conhecimento, seguidas de um desenho básico do programa, a fim de avaliar se a modalidade de oferta de benefícios flexíveis é viável para a empresa em questão. Normalmente, o processo de análise dessa modalidade passa pelas seguintes etapas (SGS ACADEMY, 2015): a) Entender a estratégia de negócios e de pessoas da empresa. b) Analisar os benefícios atuais. c) Realizar uma análise da demografia da empresa. d) Decidir sobre a viabilidade da oferta de benefícios flexíveis. e) Realizar um desenho básico. f) Elaborar o resultado do estudo através de um business case (modelo do negócio) para a efetiva implantação. As maiores dificuldades para a implantação desse tipo de prática envolviam (SGS ACADEMY, 2015): a) O custo inicial de implementação do sistema (inclui: desenvolvimento, comunicação do plano e um sistema de informações). b) O custo de manutenção (inclui: melhorias contínuas do sistema de informação, acompanhamento dos itens de utilização e satisfação do cliente interno). c) O risco de utilização excessiva de alguns itens com consequente desba- lanceamento do sistema. d) A perda de escala de alguns itens, penalizando grupos de dentro da organização. A partir deste marco e com o avanço da inovação e tecnologia, algumas startups (empresas emergentes) passaram a desenvolver plataformas para o gerencia- mento dos benefícios oferecidos pelas empresas. Cabe ressaltar que a escolha dos benefícios fica a critério da empresa que resolve implementar esse tipo de política. Um exemplo é o infográfico que a SODEXO (2020, on-line) divulgou, em 2020, sobre o plano que é aplicado na empresa. A Figura 6 representa as vantagens constatadas pela empresa e os tipos de benefícios flexíveis utilizados por elas. U N ID A D E 3 96 A partir do infográfico apresentado, será que qualquer empresa poderia aplicar o modelo de benefícios flexíveis, independentemente do seu porte? pensando juntos QUAIS AS VANTAGENS DOS BENEFÍCIOS FLEXÍVEIS? Funcionários podem escolher, dentro dos critérios de�nidos, quais benefícios querem. O colaborador pode escolher, dentro de uma gama oferecida pela empresa, os benefícios que fazem sentido para ele. PARA O COLABORADOR PERSONALIZAÇÃO DE BENEFÍCIOS MELHORES EXPERIÊNCIAS O trabalhador passa a ser visto de maneira mais personalizada, individualizada, já que o conceito está baseado em sua experiência e em proporcionar opções de escolha. MAIS SATISFAÇÃO Uma pesquisa recente mostrou que 85,7 das empresas, que oferecem portfólio amplo, a�rmaram que seus colaboradores estão satisfeitos. PARA A EMPRESA ATRAIR E RETER TALENTOS Uma pesquisa recente mostrou que 85,7 das empresas, que oferecem portfólio amplo, a�rmaram que seus colaboradores estão satisfeitos. TRAZ INOVAÇÃO O modelo �exível está ganhando espaço. Empresas que o adotam buscam adequar suas práticas às políticas de benefícios difundidos em vários países ou desejam ser vistas como inovadoras e focadas na experiênciavocê fará uma pausa para conhecer um pouco mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos. explorando ideias Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! pensando juntos Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes on-line e aprenderá de maneira interativa usando a tecno- logia a seu favor. conecte-se Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicati- vo está disponível nas plataformas: Google Play App Store CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 05 UNIDADE 04 FECHAMENTO GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS HUMANOS 8 DESCRIÇÃO, ANÁLISE, CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE CARGOS 34 74 REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA E BENEFÍCIOS 108 PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS COMO PLANO DE CARREIRA NAS ORGANIZAÇÕES 146 GESTÃO E PLANEJAMENTO DE CARREIRA 176 CONCLUSÃO GERAL 1 GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS HUMANOS PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Evolução da área de Recursos Humanos e análise do contexto do negócio • Recrutamento e Seleção por competências e a remu- neração estratégica • Contemporaneidade e tendências na Gestão estratégica de Recursos Humanos OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Sintetizar o contexto histórico das fases da área de recursos humanos e como ela evoluiu nos dias atuais dentro das Organizações • Compreender os métodos de recrutamento e seleção de pessoas na gestão estratégica de pessoas alinhadas ao negócio e os conceitos iniciais sobre a remuneração estratégica e a influência na decisão de contratação • Conhecer as tendências de Gestão Estratégica de pessoas e suas contribuições para o negócio nas Organizações. PROFESSORA Me. Lisiane Boscardin Wolff INTRODUÇÃO Olá, aluno (a), muito bem-vindo(a) à disciplina de Plano de Cargos, Salá- rios e Carreiras, sou a Professora Lisiane e, juntos, iremos desenvolver os tópicos desta unidade. Inicialmente, você compreenderá o contexto histórico e as fases de evo- lução da área de recursos humanos até os dias atuais nas Organizações. A seguir, e já considerando o conceito de Gestão Estratégica de Pessoas, apresentar-se-ão os novos métodos de recrutamento e seleção de pessoas alinhadas ao negócio e como a remuneração estratégica influencia na de- cisão de contratação tanto por parte do empregado quanto do emprega- dor. E, finalmente, você conhecerá as tendências de Gestão Estratégica de Pessoas e suas contribuições para o negócio e resultados nas Organizações. Contudo, para acessar esse conteúdo, primeiramente, você imergirá por meio de um conteúdo teórico para compreender o contexto dos conteúdos propostos na composição desta aula. É preciso lembrar que, pela primeira vez, falamos em Pandemia, então, frente às mudanças impostas pelo Coronavírus (COVID-19), as empresas passaram a se ajustar às novas diretrizes que tiveram a anuência do Governo que propôs a flexibilização e/ou suspensão dos contratos de trabalhos, ao mesmo tempo que as Organizações passaram a adotar uma visão de Re- cursos Humanos com características mais aderentes à Gestão Estratégica de Pessoas, na medida em que estas passaram a oferecer novas formas de remu- neração e/ou contratos de trabalho. Cabe ressaltar que muitas Organizações precisaram diminuir o seu quadro de pessoal, fazendo com que aqueles que possuíam competências mais agregadoras ao negócio permanecessem. Pensando sobre a crise que assola o País, o Plano de Cargos, Salários e Carreira certamente é um diferencial para as Organizações lidarem com as adversidades impostas pela pandemia. A Gestão Estratégica de Recursos Humanos pode ser vista como uma ferramenta poderosa para lidar com a situação de Gestão de Pessoas nas Organizações. U N ID A D E 1 10 1 EVOLUÇÃO DA ÁREA DE RECURSOS HUMANOS E ANÁLISE DO CONTEXTO DO NEGÓCIO Caro(a) aluno(a), inicialmente, irei falar sobre a evolução da área de Recursos Humanos a partir de uma linha do tempo, considerando o contexto histórico. Para tanto, é necessário sinalizar os principais marcos e apresentar a evolução do pensamento sobre o tema até os dias atuais. Você refletirá sobre essas mudanças, associando-as às Organizações, tendo como base a reflexão acerca da importância dos norteadores estratégicos e como as empresas se posicionam frente ao Mer- cado e a forma como elas fazem os seus negócios com os seus clientes por meio das pessoas que elas empregam. Para compreender o contexto da área de Recursos Humanos, deve-se regressar para a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em 1730. Nessa época, procurou-se substituir o sistema artesanal utilizado nas produções (que era composto por pedrei- ros, carpinteiros, trabalhadores de curtumes etc., organizados em associações) por um sistema mecanizado que serviria para substituir tarefas totalmente dependentes do esforço humano, por máquinas que poderiam realizar estas mesmas tarefas, em especial, no segmento fabril (PEARSON EDUCATION, 2010; IVANCEVICH, 2011). U N IC ES U M A R 11 O filme “Tempos Modernos” conta a história de um operário que trabalha em uma linha de montagem que passa pela automatização do processo para au- mentar a produtividade. Acaba adoecendo e vai para um sanatório. Passam- -se anos e, quando sai, está desempregado, e acaba sendo confundido como um agitador comunista que conduz uma marcha de protesto dos operários. conecte-se O histórico da área de Recursos Humanos (RH) no Brasil se deu no final do século XIX com o final da Revolução Industrial e início do século XX. A área de RH iniciou com o nome de Relações Industriais, esse nome se deveu à força do impacto da Revolução Industrial nas relações empregador versus empregado e o objetivo de contabilizar faltas e atrasos para o pagamento apenas das horas efetivamente trabalhadas (DESSLER, 2003; IVANCEVICH, 2011). A partir daí o RH passou por diversas fases contemplando, no início do século XX, o departamento de pessoal era quem controlava as admissões e demissões dos funcionários que eram diretamente realizadas pelos supervisores, além de realizar pagamentos e benefícios (DESSLER, 2003). A segunda fase ocorreu após 1930, quando foram aprovadas as primeiras leis trabalhistas. A promulgação das Leis trabalhistas mediante a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foi promulgada em 1º de maio de 1943 no governo do então Presidente da República, Getúlio Vargas, (dando, inclusive, origem ao feriado comemorativo em 1º de maio, celebrado até os dias atuais, referente ao Dia do Trabalho) intensificando-se nas décadas de 40 e 50 (DESSLER, 2003). A CLT Nessa proposta de produção, o processo era particionado, sendo que cada empregado ficava responsável por apenas uma parte do processo, realizando uma única atividade deste. Entendia-se que, desta forma, haveria muitas pessoas trabalhando, realizando uma única tarefa e, por consequência, seria possível pro- duzir muito mais (PEARSON EDUCATION, 2010). https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6717 U N ID A D E 1 12 unificou a legislação trabalhista existente e é o instrumento que regula as relações individuais e coletivas de trabalho, garantindo certos direitos aos trabalhadores como, por exemplo: a limitação da jornada de trabalho, a garantia do repouso semanal e garantia do salário mínimo negociado entre patrão e empregado. A terceira fase se deu entre as décadas de 60 e 70 e se concentrou em minimi- zar ações indenizatórias que poderiam causar grandes prejuízos às empresas por meio de uma legislação sobre discriminação. Nessa fase, começou a fortalecer o foco nas pessoas (DESSLER, 2003). Nas décadas de 60 e 70 foram estabelecidas as leis de Segurança do Trabalho. Outro marco importante foi à promulgação da Constituição Federal em 1988 que criou o Direito Constitucional do Trabalho. A quarta fase se destacou por uma mudança de perspectiva do departamentode seus colaboradores. É UMA FERRAMENTA DE GESTÃO DE PESSOAS Com colaboradores mais satisfeitos, indicadores como turnover e absenteísmo são melhorados, além do ganho no clima organizacional. QUAIS BENEFÍCIOS PODEM SER OFERECIDOS? Plano de saúde, plano odontológico, seguro de vida, auxílio atividade física, vale-refeição, vale-alimentação, vale-cultura, vale-combustível, auxílio home-o�ce, bônus e premiações. O QUE NÃO PODE? Os critérios dos benefícios só podem ser aplicados para sua destinação especí�ca. Não é possível, portanto, usar créditos de vale-alimentação para pagar conta de celular. *os benefícios são apenas ilustrativos. Outros podem ser concedidos de acordo com a política de cada empresa Descrição da Imagem: a imagem apresenta um modelo de divulgação de benefícios flexíveis da empresa SODEXO. O material está organizado em diferentes momentos, um trazendo informações para o colabo- rador, outro trazendo informações para a empresa, em seguida uma relação dos benefícios e, por fim, orientações sobre o que não é permitido. Figura 6 – Infográfico exemplo da SODEXO sobre Benefícios Flexíveis / Fonte: adaptada de SODEXO (2020). U N IC ES U M A R 97 Normalmente, os benefícios atendem a três tipos de objetivos para um empregado: assistenciais, recreativos ou supletivos. Os assistenciais são aqueles que, em caso de uma emergência, amparam o funcionário ou sua família, exemplos: assistência mé- dica, complementação de aposentadoria etc. Os recreativos são aqueles ligados ao lazer ou melhor qualidade de vida do empregado e família, como: academia, clubes etc. Os supletivos visam proporcionar facilidades, como: estacionamento privativo, ônibus fretado, entre outros (CHIAVENATO, 2015; SGS ACADEMY, 2015). A Figura 7, proposta por Chiavenato (2015), dá uma dimensão dessa divisão de benefícios para melhor compreensão. Descrição da Imagem: esquema mostrando os tipos de benefícios: assistenciais (assistência médico-hospitalar, assistência odontológica, assistência financeira, reembolso de medicamento, assistência educacional, assistência jurí- dica, serviço social e aconselhamento, cooperativa de consumo, seguro de vida em grupo subsidiado, suplementação de aposentadoria, remuneração por tempo não trabalhado), recreativos (grêmio ou clube, colônia de férias, lazer recreativo, esportivo e cultural, promoções e excursões programadas, música ambiente) e supletivos (restaurante no local de trabalho, transporte subsidiado ao pessoal, estacionamento privativo, distribuição de café, bar e cafeteria etc. Assistenciais Recreativos Supletivos Tipos de benefícios • Assistência médico-hospitalar • Assistência odontológica • Assistência �nanceira • Reembolso de medicamento • Assistência educacional • Assistência jurídica • Serviço social e aconselhamento • Cooperativa de consumo • Seguro de vida em grupo subsidiado • Suplementação de aposentadoria • Remuneração por tempo não trabalhado etc. • Grêmio ou clube • Colônia de férias • Lazer recreativo, esportivo e cultural • Promoções e excursões programadas • Música ambiente etc. • Restaurante no local de trabalho • Transporte subsidiado ao pessoal • Estacionamento privativo • Distribuição de café • Bar e cafeteria etc. Figura 7 – Tipos de benefícios quanto aos seus objetivos / Fonte: Chiavenato (2015, p. 114). U N ID A D E 3 98 A reportagem de 2016, da Revista Exame, apresenta os melhores benefícios para cada meta da empresa, conforme a Hay Group. conecte-se Os benefícios flexíveis trazem alguns reflexos para os empregados e as empresas, pois é modelo em que as pessoas podem escolher benefícios que mais se adaptam em termos de conveniência, assim, espera-se (SGS ACADEMY, 2015): a) Aumento na satisfação do empregado. b) Maior facilidade para atração e retenção dos empregados. c) Aumento da percepção dos empregados a respeito do pacote de benefícios. d) Aumento do entendimento dos empregados a respeito do valor da re- muneração total. e) Proporciona um sistema menos paternalista e mais conveniente para os empregados. O grau de flexibilização deve variar de empresa para empresa, não existe um “modelo” para o plano. Alguns itens básicos, de interesse de todos os funcionários, podem ser mantidos fixos, os demais, no caso de benefícios flexíveis, podem ser disponibilizados considerando uma pontuação atrelada ao cargo e responsabili- dades dos ocupantes. Uma matéria recente divulgada na revista Forbes (ARBEX, 2019) apresentou o seguinte resultado de estudo: “ Pesquisas indicam que, do total de pessoas contempladas com bene- fícios, 35% acabam transformando-os em dinheiro, com uma perda de 20% do valor. Por outro lado, 85,7% das empresas que oferecem flexibilidade aos seus colaboradores relataram que eles estão satis- feitos com a iniciativa (ARBEX, 2019, on-line). Com base nessa matéria da Forbes (2019), escrita pela Gabriela Arbex, pode- -se perceber que cada vez mais oferecer benefícios flexíveis pode aumentar a satisfação dos empregados em uma empresa. Mesmo que, para isso, a área de https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6732 U N IC ES U M A R 99 A Vee Benefícios é uma fintech de benefícios flexíveis. No RHSummit 2019, o CEO Raphael Machioni falou sobre a plataforma. Veja: https://www.youtube. com/watch?v=KrzCXBjTgDk. conecte-se Em resumo: foram apresentados os principais benefícios concedidos pelas empresas. Al- guns são concedidos porque a lei estabelece, mas outros possuem caráter espontâneo aten- dendo às necessidades assistenciais, recreativas ou suplementares. O intuito da empresa oferecer um rol de benefícios que sejam da conveniência e necessidade dos empregados, benefícios flexíveis, justamente tem por direcionamento elevar o índice de satisfação dos funcionários. Empregados satisfeitos produzem mais, faltam menos ao trabalho (absenteís- mo), trocam menos de empresas (turnover) e, consequentemente, ajudam a empresa a ter a sua marca fortalecida no mercado, garantindo a atração de talentos para as empresas. Não existe um “modelo de plano de benefícios flexíveis”, a empresa deve pesquisar junto aos empregados e mercado quais são os mais atrativos para uma maior satisfação. Com o avanço da tecnologia, novas empresas desenvolveram plataformas para gerenciar essa modalidade, o que facilita o acompanhamento e gestão pela empresa. quadro-resumo recursos humanos necessite de mais tempo para gerenciar esse processo. Sabe-se que a tecnologia cada vez mais vem facilitando a gestão dessa área e, com isso, há um aumento na satisfação dos funcionários que já é medida pelas empresas que fazem uso dessa política e passam a se tornar referência e objeto de desejo das pessoas que buscam maior valorização do seu trabalho por meio de remuneração e benefícios com maior significância. Querido(a) aluno(a), este capítulo apresentou os aspectos relativos à remune- ração estratégica e benefícios. Foram vistos os principais tipos de remuneração aplicados pelas empresas e os benefícios oferecidos pelas empresas, seja por as- pecto legal, seja por caráter espontâneo e, ainda, foi apresentado um modelo de benefícios flexíveis aplicados por empresas mais estruturadas. Espero que tenham gostado. Bons Estudos! https://www.youtube.com/watch?v=KrzCXBjTgDk https://www.youtube.com/watch?v=KrzCXBjTgDk https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6734 U N ID A D E 3 100 Considerações Finais O sistema de remuneração tem influência no sistema de gestão e é decisivo para aumentar o grau de comprometimento dos empregados alinhados aos objetivos da empresa. Em mercados cada vez mais globalizados e com a emergência de novas tecnologias, os recursos humanos cada vez mais são fundamentais para que a empresa possa ser competitiva e autossuficiente. Sendo assim, a remuneração precisa acompanhar essa evolução. A remuneração estratégica surge como um subsistema da gestão de Recursos Humanos que deve contribuir não só para a administração dos níveis salariais a serem pagos aos empregados,mas para as metas e objetivos organizacionais serem cumpridos. A remuneração, quando se utiliza de parte fixa, adicionada a remuneração variável, vira instrumento favorecedor para o desenvolvimento das competências, melhoria do clima organizacional por meio da satisfação dos empregados. A re- muneração estratégica é também ferramenta de retenção de empregados e auxilia as empresas a atingirem os seus resultados, sendo que as empresas se valem de políticas e documentos para que os empregados possam saber claramente o que a empresa espera deles em termos de contribuições. Os modelos de incentivos, tanto de curto quanto de longo prazo, ampliam o horizonte do empregado, no sentido de compreender o seu papel, suas respon- sabilidades e o que precisa fazer para fazer jus a tais valores adicionais. Além dos incentivos, algumas empresas já adotam políticas de benefícios flexíveis que transfere ao empregado o papel de protagonista na escolha daqueles benefícios que melhor atendem às suas necessidades. Para uma política de Plano de Benefícios flexíveis, é preciso considerar a convergência de desempenhos, esforços e um sistema de gestão eficaz para trans- formar o resultado dessas escolhas em motivação para um bom desempenho, além de, é claro, traduzir esse papel para a ampliação dos níveis de satisfação, aumentando a produtividade e diminuindo o turnover (rotatividade de empre- gados em uma empresa). 101 na prática 1. Em relação à composição dos salários, as empresas devem contemplar tanto os fatores internos quanto os fatores externos. Analise as afirmações a seguir. I - As políticas de remuneração de uma empresa são consideradas fatores internos. II - A faixa salarial regional deve ser considerada nos fatores internos da composi- ção salarial. III - Os requisitos legais fazem parte dos fatores internos da composição salarial. IV - A capacidade de pagamento da empresa faz parte dos fatores externos na com- posição salarial. Assinale a alternativa correta. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II, III e IV estão corretas. e) Apenas a I e a IV estão corretas. 2. Leia as afirmativas e considere Verdadeiro (V) ou Falso (F): I - A remuneração por competências é aquela que recompensa o desenvolvimento cognitivo do empregado, reconhecendo o desenvolvimento dos conhecimentos deste em relação às habilidades ou grupos de habilidades desenvolvidos para a execução das atividades. II - As competências estratégicas abrangem todos os cargos de uma organização. III - Uma desvantagem da remuneração por habilidades é que ela, além de poder se tornar obsoleta, pode ser tornar onerosa e/ou burocrática. Assinale a alternativa correta. a) V; V; F. b) F; F; V. c) V; F; V. d) F; V; V. e) V; F; F. 102 na prática 3. Considerando os tipos de remuneração estratégica que são oferecidas no mercado. Analise as afirmações a seguir: I - A participação acionária é um modelo que foca no desempenho por resultados. É um incentivo de longo prazo e mais comumente oferecido no nível executivo, embora algumas empresas ofereçam para todos os funcionários. II - Na distribuição de ganhos, os empregados participam de um pool de bônus gerado de uma percentagem de lucro geralmente originada do lucro excedente. III - A distribuição por resultados vincula produtividade e qualidade aos resulta- dos organizacionais. IV - A distribuição por lucros funciona melhor quando existem poucos níveis hierár- quicos e obviamente é acompanhado de um grande esforço de comunicação. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas III e IV estão corretas. c) Apenas II, III e IV está correta. d) Apenas a I, II e a IV estão corretas. e) Apenas I, III e IV estão corretas. 4. São exemplos de benefícios supletivos: a) Transporte subsidiado aos empregados. b) Assistência médico-hospitalar. c) Assistência educacional. d) Academia. e) Remuneração por tempo não trabalhado. 103 na prática 5. Considerando os benefícios flexíveis e motivação dos empregados. Analise as afir- mações a seguir: I - Os benefícios flexíveis são aqueles que o empregado pode escolher dentro de um menu de opções, os benefícios que mais lhe convier, de acordo com as suas necessidades. II - Para o Plano de benefícios flexíveis, normalmente se utilizam pontos ou créditos, associados ao cargo e responsabilidades de cada empregado que podem ser distribuídos pelo empregado conforme suas escolhas. III - No Plano de Benefícios Flexíveis, o empregado só poderá utilizar os pontos para si, não podendo estender esses benefícios aos seus familiares e dependentes. IV - A melhor forma de motivar os empregados é oferecer a eles benefícios flexíveis. A maioria das empresas já adotam esse modelo para garantir a retenção e sa- tisfação dos empregados. Assinale a alternativa correta. a) Apenas I e III estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Apenas II, III e IV está correta. d) Apenas a I, II e IV estão corretas. e) Apenas I, III e IV estão corretas. 104 eu recomendo! CASO PARA REFLEXÃO: A Empresa Transportes Sul possui 95 funcionários. Sua estrutura organizacional é do tipo funcional, possui: 1 Presidente e 5 Gerentes (Administrativo, Financeiro, Recursos Humanos, Logística, Comercial e Marketing). Além de cada gerente, cada um possui: Gerente Administrativo: 8 empregados; o Financeiro: 10 empregados; o Recursos Humanos: 5 empregados; o Comercial e Marketing: 26 empregados; e o de Logística: 40 empregados. Totalizando 95 pessoas que hoje possuem seus cargos descritos formalmente e existe uma política salarial. O Presidente da Empresa, Sr. Bruno Almeida, atento à entrada de um novo con- corrente, solicitou à gerente de Recursos Humanos, Sra. Ana Maria para sugerir para a próxima reunião de Gestão um Plano de remuneração que ofereça uma remunera- ção mais ajustada com as atuais necessidades do mercado, a fim de neutralizar um possível aumento no turnover em função desse novo concorrente. Ele ouviu falar, em uma palestra que participou, do Plano de Benefícios Flexíveis e gostaria que a sua ge- rente trouxesse uma proposta para a reunião que acontecerá daqui há 5 dias. No lugar da Sra. Ana Maria, o que você faria para realizar uma proposta de benefícios flexíveis? Ana Maria deve: ■ Verificar o alinhamento cultural entre estratégia da empresa e dos empregados. ■ Revisar o Plano de Cargos e Salários da sua empresa. ■ Verificar quais são os benefícios oferecidos atualmente e se são extensivos aos familiares etc. (análise demográfica dos empregados). ■ Realizar uma pesquisa de mercado em empresas do mesmo setor/segmento ou que sejam referência, a fim de descobrir quais benefícios são os mais ofertados. ■ Realizar uma enquete investigativa com os empregados para compreender o que mais valoram como benefícios. ■ Envolver o Gerente administrativo e financeiro para estudo de viabilidade. ■ Contatar empresas que façam a Gestão de Plano de Benefícios no mercado para cotar propostas deste serviço. ■ Elaborar um business case (caso de negócios) com os dados levantados para a reunião. 105 eu recomendo! Governança Corporativa e Remuneração dos Gestores Autor: Marco Antônio Rodrigues Larrate Editora: ATLAS - GEN Sinopse: a governança corporativa, por meio dos seus mecanis- mos de controle e de incentivos, é fundamental para o sucesso de uma organização, razão pela qual o seu estudo se torna instigante e extremamente útil. O objetivo deste livro é expor de forma sim- ples a teoria geral da governança corporativa e, a seguir, aprofundar a discussão sobre a remuneração dos gestores e as políticas de incentivos nas empresas. livro À procura da Felicidade Ano: 2006 Sinopse: a partir de uma crise financeira e tendo de criar o filho sozinho, já que sua esposa o abandona, Chris (Will Smith) passa a ganhar sua vida vendendo aparelhos para tomografia, mas não obtém muito sucesso. Em contrapartida, ele se candidata para umavaga não remunerada em uma grande empresa, pensando na experiência que poderia ajudá-lo a ter um emprego na bolsa de valores para receber uma remuneração que propicie condições melhores ao filho. Comentário: o filme demonstra que nem sempre aquilo que nos é mais valioso pode ser comprado, a felicidade pode se proporcionar aos filhos o que de melhor possa ser deixado de legado, como a educação, por exemplo. filme 106 eu recomendo! O salário emocional é formado por fatores não tangíveis, sendo dire- tamente ligado aos sentimentos, estimulando o colaborador a realizar um bom trabalho e se manter na empresa, mesmo não sendo um sa- lário de cunho financeiro. conecte-se Nesta TED, David Burkus, que é um pesquisador sobre gestão, questio- na a necessidade da empresa e colaboradores em manter os salários em sigilo. Apresenta argumentos para uma mudança cultural por meio dos benefícios que esse compartilhamento pode trazer para todos. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6735 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6736 anotações 4 PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS COMO PLANO DE CARREIRA NAS ORGANIZAÇÕES PROFESSORA Me. Lisiane Boscardin Wolff PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Conceitos e modelos de estru- turas do plano de cargos e salários como plano de carreira organizacional • A comunicação como balizador no entendimento das estruturas de carreiras nas organizações • A gestão de desempenho e seus impactos no Plano de Carreira. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Compreender a finalidade e amplitude do Plano de Cargos e Salários como a lógica da estrutura do Plano de Carreira e os modelos de estruturas salariais • Apresentar os resultados da comunicação asser- tiva de um Plano de Carreira na Organização • Reconhecer a importância da gestão de desempenho para que estas consigam atender às exigências do Plano de Carreira. INTRODUÇÃO Olá aluno(a), bem-vindo(a)! Em um mundo cada vez mais tecnológico e ainda impactado com os reflexos da pandemia, os processos e recursos das organizações estão cada vez mais avaliados em especial, os recursos humanos, a fim de que as empresas mantenham consigo os empregados que efetivamente trazem resultados e estejam alinhados aos objetivos es- tratégicos e cultura organizacional. As empresas do século XXI, inseridas na Revolução 4.0, exigem de seus empregados novas competências, porque a adoção de tecnologia se faz predominante nos processos administrativos. É preciso que elas se ajustem rapidamente às novas necessidades, a fim de responder com velocidade aos investidores, clientes e fornecedores, bem como adaptar-se às constantes necessidades de inovação. Nesta quarta unidade da disciplina Plano de Cargos, Salários e Carreiras, você aprenderá sobre os conceitos pertinentes advindos do Plano de Cargos e Salários por meio da correta avaliação dos modelos de estruturas salariais como direcionadores do Plano de Carreira nas Organizações, com objetivo de oferecer oportunidade factíveis para a movimentação dos empregados. Também será apresentada a importância da comunicação desses Pla- nos, a fim de trazer maior conhecimento e transparência em todo o proces- so que envolva a movimentação de pessoal nas empresas. Este é um ponto crucial para que todos os envolvidos possuam um entendimento equânime dos processos e regras de movimentação, visto que impacta diretamente na remuneração e produtividade. E finalmente, será apresentada a importância da gestão de desempenho dos empregados como mola propulsora à ascensão no Plano de Carrei- ra disponibilizado pelas empresas. A gestão do desempenho permite aos gestores realizarem melhor seu planejamento, distribuição dos recursos, acompanhamento e implementação de ações corretivas e, com isso, em- pregados conseguem perceber oportunidades de melhoria que impactam na alavancagem de suas carreiras. U N ID A D E 4 110 1 CONCEITOS E MODELOS DE ESTRUTURAS DO PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS COMO PLANO DE CARREIRA ORGANIZACIONAL Olá aluno(a), bem-vindo(a) à quarta unidade da disciplina de Plano de Cargos, Salários e Carreiras. Eu sou a Professora Lisiane e irei apresentar a Unidade 4, que trata sobre o Plano de Cargos e Salários e como este pode se tornar o Plano de Carreira nas Organizações. Para isto, é preciso conhecer os modelos de es- truturas de carreiras para que se possa elaborar um Plano que contemple todos os cargos da estrutura salarial. Nesta unidade, ainda serão abordadas as formas de comunicação do Plano de Cargos para os empregados, a fim de promover o entendimento destes sobre o Plano de Carreira da Organização. Além disso, será abordada a importância do papel da avaliação de desempenho como guia para a promoção de cargos e desenvolvimento entre os empregados. A proposta desta aula consiste em compreender a finalidade e amplitude do Plano de Cargos e Salários por meio dos modelos de estruturas salariais, como a lógica da estrutura do Plano de Carreira nas Organizações. Para isso serão apresentados os modelos de estruturas de carreiras a serem consideradas quando da elaboração do Plano de Carreira, bem como formas de divulgação e comunicação dos Plano para os envolvidos. U N IC ES U M A R 111 A comunicação do Plano de Cargos tem por objetivos: sensibilizar os cola- boradores em relação aos critérios de movimentação, prestar informações claras acerca do Plano de Carreira Organizacional, demonstrar junto aos empregados a importância da avaliação de desempenho como gerador de oportunidades e como ferramenta para ações de desenvolvimento e treinamento para que o empregado possa, de fato, utilizar-se das premissas estabelecidas para a sua pro- moção dentro do Plano de Carreira. Para Pontes (2013), o Plano de Cargos e Salários tem como essência auxi- liar o gestor no direcionamento dos empregados no que se refere a eventuais lacunas que necessitam de desenvolvimento, treinamento e capacitações para a realização das atividades pelos empregados que auxiliem na aderência ao cargo na Organização. O Plano de Cargos e Salários não deve servir apenas como um instrumento para administrar salários; ainda conforme o autor “[...] o plano de cargos e salários deve ser estabelecido de forma que possa ser percebido como uma carreira” (PONTES, 2013, p. 343). Marras (2016) questiona o papel do gestor, se este é realmente capaz e se, de fato, possui habilidades para indicar ações e direcionar os empregados em relação ao alcance dos seus objetivos individuais. Ainda conforme o autor, ele acredita que o treinamento “[...] prepara o homem para a realização de tarefas específicas, enquanto um programa de desenvolvimento gerencial oferece ao treinando uma macrovisão do business, preparando-o para voos mais altos, em médio e longo prazos” (MARRAS, 2016, p. 158). Araújo e Garcia (2009) contextualizam os Planos de Carreira entre os anos de 1939-1945 (final da Segunda Guerra Mundial). Conforme os autores, a base dos planos advém da Escola da Administração Científica de Frederick Taylor, em que, naquele marco, a ênfase era na tarefa, razão pela qual foram estabelecidos os princípios de planejamento, princípios do preparo dos empregados, princípios do controle e princípios de execução. O desenho de cargos foi aplicado em atividades operacionais, mais simples e repetitivas, justamente como uma forma de racionali- zar o trabalho mediante a organização deste. Os autores trazem um outro conceito sobre plano de carreira, em que estes seriam a junção entre os objetivos e aspirações pessoais do empregado em relação às suas aspirações profissionais e as da empresa. U N ID A D E 4 112 Conforme Pontes (2013), o plano de carreira é o documento que indica quais são as possibilidades de carreira de uma organização considerando o percurso de carreira do empregado. Pontes (2013) complementa que a responsabilidade pelo Planode Carreira é da empresa. Oliveira (2018, p. 4) reforça que o plano de carreira “[...] é o documento formal que consolida informações, atividades e deci- sões desenvolvidas com base em uma metodologia de planejamento de carreira”. Segundo Chiavenato (2008), a carreira do indivíduo diz respeito à suces- são de atividades que uma pessoa desenvolve ao longo do tempo na orga- nização em que este trabalha. Para Araújo e Garcia (2009), a carreira pode ser definida como o conjunto de atitudes e comportamentos que resultam em experiências aplicadas ao trabalho, sendo o encontro de suas aspirações profissionais e pessoais. Os autores comparam o plano de carreira “[...] a uma estrada e mostra que não existe, na verdade, um caminho plano, asfaltado e conservador que proporcionara ́ o sucesso pessoal e profissional a quem o trilhar” (ARAÚJO; GARCIA, 2014, p. 101). A carreira do indivíduo é o conjunto dos estágios pelo qual o empregado pas- sa na sua trajetória profissional, com caráter evolutivo de conhecimentos, expe- riências e habilidades, que atende em uma via de mão dupla, trazendo ganhos ou perdas entre o empregado e empresas pelas quais ele passou (OLIVEIRA, 2018). No Brasil, a partir dos anos 1980, verificou-se que “[...] as trajetórias de carrei- ra nas organizações e no mercado não se organizam por profissão ou por função, mas sim pela natureza das atribuições e responsabilidades” (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017, p. 46). Assim, é possível inferir que as pessoas que exercem ativi- dades de mesma natureza realizam uma mesma trajetória de carreira. “A natureza das atribuições e responsabilidades é definida por um conjunto de fatores em que os dois principais são: público para o qual se destina o trabalho e a natureza do conhecimento técnico” (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017, p. 46). Para Chiavenato (2008), cada vez surgem mais oportunidades nas Or- ganizações e, por consequências, as competências têm sido mais valoriza- das, então muitas empresas migraram para oferecer uma carreira baseada em competências em vez da tradicional carreira baseada em cargos. A Figura 1 ilustra essas diferenças. U N IC ES U M A R 113 Descrição da Imagem: esquema ilustrando a Carreira baseada em cargos versus Carreira baseada em com- petências, dividido em objetivo primário, objetivo final, eficiência, eficácia, indicador e retorno sobre o inves- timento. Seguindo essa ordem de itens, carreira baseada em cargos apresenta os dados: preencher cargos vagos, manter o nível adequado da força de trabalho, rapidez no preenchimento das vagas, cargos preenchidos e força de trabalho completa, preenchimento adequado de cargos na organização e cargos preenchidos. Ba- seada em competências, temos: agregar competências individuais, aumentar o capital humano da organização, agregação de competências necessárias à organização, novas competências aplicáveis no negócio e força de trabalho competente, ingresso adequado de novas competências e competências agregadas. Nos anos 1990, identificou-se importantes achados sobre o estudo sobre carreiras. A primeira foi a tentativa de discussão acerca das competências e como estas se distribuíam sendo responsáveis por maiores exigências das organizações. No início se acreditava que as competências se organizavam na mesma linha dos cargos: operacionais, técnicos, vendas gerenciais e assim por diante. Contudo, percebeu-se que as competências se relacionavam com as entregas requeridas aos empregados e, com isso, passou-se ao estudo de como as trajetórias de carreira se organizavam para atender a demanda (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). BASEADA EM CARGOS: BASEADA EM COMPETÊNCIAS: Objetivo Primário Objetivo Final E�ciência E�cácia Indicador Retorno sobre o Investimento • Preencher cargos na organização • Manter o nível adequado da força de trabalho • Rapidez no preenchimento das vagas • Cargos preenchidos e força de trabalho plena e completa • Preenchimento adequado de cargos na organização • Cargos preenchidos/ custos de seleção • Agregar competências individuais • Aumentar o capital humano da organização • Agregação de competências necessárias à organização • Novas competências aplicáveis no negócio e força de trabalho competente • Ingresso adequado de novas competências na organização • Competência agregadas/ custos de seleção SELEÇÃO Figura 1 - Carreira baseada em cargos versus Carreira baseada em competências Fonte: Chiavenato (2008, p. 227). U N ID A D E 4 114 Pensando sobre a importância da evolução das competências como impulsionadoras da carreira do indivíduo, será que somente as competências são realmente importantes para o progresso na carreira do profissional em uma Organização? pensando juntos Segundo Dutra (2019), a complexidade da carreira envolve, além do desenvol- vimento das competências, também a remuneração. Ainda segundo o autor, os empregados devem ser os responsáveis pela transformação de conhecimentos, habilidades e atitudes em competências e estas devem ser agregadoras de valor para as Organizações e, por elas, serem adicionados valor ao Plano de Cargos. Para Oliveira (2018), o Plano de Carreira é a formalização para essa evolução de carreira do indivíduo na empresa sob a visão da empresa, pois, no Plano de Carreira, as etapas para que o empregado atinja os objetivos de crescimento são desenvolvidas e estabelecidas pela empresa. Ainda conforme o autor, os planos de carreira possuem algumas finalidades, a saber (OLIVEIRA, 2018): a) Dar foco de direcionamento profissional para as pessoas: para o autor, é a principal finalidade do plano de carreira. b) Facilitar a interligação entre conhecimentos diversos: além de direcionar as carreiras dos empregados, o plano de carreira auxilia as pessoas a com- preender o tipo de treinamento e capacitações que necessitam para se mo- vimentar dentro da estrutura de cargos, a partir do seu desenvolvimento. c) Facilitar, se necessário, a alteração do rumo profissional: promover uma reflexão sobre a análise crítica da carreira na organização e tomada de decisão em relação ao rumo desta. d) Dar maior segurança para as pessoas: “é uma forma de conseguir, de forma direta ou indireta, as percepções e os conhecimentos das outras pessoas, o que, sem dúvida, proporciona maior segurança para cada lei- tor que elabora seu plano de carreira” (OLIVEIRA, 2018, p. 13). e) Propiciar amplo debate da vida profissional das pessoas: pelo fato do plano ser um documento formal, acaba, conforme o autor, propiciando um “[...] amplo debate com os parentes, amigos e colegas do leitor, con- solidando um aprimoramento em tempo real de várias ideias e análises colocadas no plano” (OLIVEIRA, 2018, p. 19). U N IC ES U M A R 115 Um outro ponto destacado por Oliveira (2018) diz respeito à amplitude do Pla- no de Carreira proposto pela empresa. Conforme o autor, caso o plano apresen- te uma amplitude reduzida, isso significa que pode ser que haja mais vantagens com foco direto, porém menos tempo para o desenvolvimento. No caso de uma amplitude elevada, “[...] as vantagens podem ser o melhor processo de análise e o maior conjunto de alternativas, as quais são importantes em um plano de carreira” (OLIVEIRA, 2018, p. 21). O Plano de Carreira considera a necessidade de este ser planejado pelas or- ganizações que devem considerar alguns pré-requisitos para a elaboração deste, tais como (ARAÚJO; GARCIA, 2014): a) A existência de políticas e normas direcionadas para o planejamento de carreira: neste pré-requisito, consideram-se o crescimento mútuo en- tre empregados e organização por meio de uma relação transparente e dinâmica para que essas políticas sejam compreendidas e elaboradas por ambas as partes. Sabe-se que o plano de carreira pode sofrer alterações; neste caso, acontecerá a revisão de políticas e normas preestabelecidas. b) Ter meios e modos de gerir orientados para o crescimento mútuo: elaborar e aplicar ferramentas e instrumentos de avaliação de desem- penho dos empregadospara que se possa acompanhar se os emprega- dos estão atingindo os objetivos pactuados entre as partes. c) Ter um sistema de administração de carreiras: é preciso que as orga- nizações possuam um plano estruturado de cargos e salários que indi- quem a forma de promoção, tanto horizontal quanto vertical, comunica- do aos empregados e com regras claras e transparentes para que este conheça as formas de movimentação da carreira. U N ID A D E 4 116 Descrição da Imagem: pré-requisitos a serem considerados para um planejamento de um Plano de Carreira: ter políticas e normas direcionadas para o planejamento de carreira; ter meios e modos de gerir orientados para o crescimento mútuo; ter um sistema de administração de carreiras. Veja a Figura 2, que representa o planejamento para a elaboração do Plano de Carreira. PRÉ-REQUISITOS: • TER POLÍTICAS E NORMAS DIRECIONADAS PARA O PLANEJAMENTO DE CARREIRA; • TER MEIOS E MODOS DE GERIR ORIENTADOS PARA O CRESCIMENTO MÚTUO; • TER UM SISTEMA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARREIRAS. PLANEJAR A CARREIRA Figura 2 – Pré-requisitos a serem considerados para um planejamento de um Plano de Car- reira / Fonte: Araújo e Garcia (2009, p. 110). As estruturas de carreira devem ser consideradas quando do estabelecimento do Plano de Carreira das empresas e para que neste sejam considerados e esta- belecidos os cargos e salários da Organização. Basicamente existem três tipos de estruturas de cargos, a saber (ARAÚJO; GARCIA, 2014): a) Estruturas em linha: são aquelas que consideram o crescimento ver- tical do empregado na organização. Um exemplo seria um estagiário que vira assistente, posteriormente um analista, depois um supervisor e assim por diante. Esse tipo é aquele que a sucessão de carreiras não possibilita alternativas às pessoas, elas se movimentam dentro de uma mesma área/departamento da empresa (ARAÚJO; GARCIA, 2014). A Figura 3 ilustra esse tipo de estrutura. U N IC ES U M A R 117 Descrição da Imagem: esquema representando o crescimento vertical do empregado na organização. Lê-se, debaixo para cima: estagiário, auxiliar de vendas e vendedor. Para Oliveira (2018), essa estrutura se chama estrutura da carreira em linha ascendente, ou seja, a estruturação de cargos obedece a uma única linha de pos- sibilidade de movimentação, sem a possibilidade de exceções ao processo. De acordo com Oliveira (2018, p. 65), é importante que a organização possua “[...] um sistema justo, estruturado, lógico e disseminado dos seus critérios e parâme- tros de avaliação de desempenho”, esse tipo de estrutura possibilita a ascensão do empregado e, por outro lado, a empresa traz os melhores profissionais para ao alcance dos seus objetivos estratégicos. Cabe ressaltar que Oliveira (2018) reforça que, independentemente da estrutura de carreira aplicada em uma organização, esta terá ainda outras métricas para que a ascensão efetivamente ocorra, ligada ao resultado que o empregado traz para a empresa. VENDEDOR AUXILIAR DE VENDAS ESTAGIÁRIO Figura 3 – Estrutura de Plano de Carreira em linha (vertical) /Fonte: Araújo e Garcia (2009, p. 111). U N ID A D E 4 118 Descrição da Imagem: estrutura da carreira em linha ascendente. Debaixo para cima, temos 1- Técnico auxiliar de Organização de Métodos; 2- Analista júnior de Organização de Métodos; 3- Analista pleno de Organização de Métodos; 4- Analista sênior de Organização de Métodos; 5- Supervisor de equipe de Organização de Métodos; 6- Gerente de Organização e Métodos; e 7- Diretor de Organização. “ [...] algumas empresas, principalmente as grandes, utilizam os cri- térios up or out e performance or out. No caso do critério up or out, o profissional deve evoluir na carreira funcional dentro de um período de tempo, por exemplo, passando de analista júnior para analista pleno no período máximo de quatro anos, caso contrário é despedido. No caso do critério performance or out, o profissional deve apresentar resultados efetivos na empresa onde trabalha, caso contrário será despedido. Os dois critérios podem ser combinados para melhor avaliação de desempenho e de potencial dos profissio- nais da empresa (OLIVEIRA, 2018, p. 65). A estrutura da carreira em linha ascendente apresentada por Oliveira (2018) está representada na Figura 4. 7 6 5 4 3 2 1 Diretor de Organização Gerente de Organização e Métodos Supervisor de equipe de Organização de Métodos Analista sênior de Organização de Métodos Analista pleno de Organização de Métodos Analista júnior de Organização de Métodos Técnico auxiliar de Organização de Métodos Figura 4 – Estrutura de Carreiras em Linha Ascendente / Fonte: Oliveira (2018, p. 65). U N IC ES U M A R 119 Descrição da Imagem: representação de cargos da Organização são apresentados em forma de rede (vende- dor regional, auxiliar de vendas, estagiário), apresentando alguns campos em branco, simbolizando a condição para que os empregados trilhem um caminho dentro da organização. b) Estruturas em rede: são aquelas em que os empregados possuem alternati- vas em relação às posições que serão ocupadas por elas. Neste tipo de estru- tura, é necessário haver critérios relativos a tais movimentações previamente estabelecidos pela empresa e a escolha por tais movimentações deve ser limitada (ARAÚJO; GARCIA, 2014). A Figura 5 representa essa estrutura. VENDEDOR REGIONAL AUXILIAR DE VENDAS ESTAGIÁRIO AUXILIAR DE VENDAS Figura 5 – Estrutura de Plano de Carreira em Rede / Fonte: Araújo e Garcia (2009, p. 111). Para Oliveira (2018), esta estrutura se denomina estrutura em rede de evolução na carreira, sendo que os cargos ou funções da Organização são apresentados em forma de rede, dando condição para que os empregados trilhem um caminho dentro da organização, considerando as suas vocações e capacidades, possibili- tando uma aderência maior às expectativas e oportunidades na Organização. Oliveira (2018, p. 65) reforça que: “na prática, a flexibilidade apresentada pela estrutura em rede pode ser apenas aparente, pois as dúvidas são muito fortes na abertura dos caminhos, para que os profissionais evoluam em suas carreiras”. Essa visão do autor é muito importante para reflexão do quanto a empresa, de fato, possui regras claras e sistema justo para que essas movimentações real- mente aconteçam, e mais do que isso, se realmente um profissional que inicia em uma determinada área será considerado para outra posição, que não a sua área original, dentro da empresa (OLIVEIRA, 2018). O autor traz um exemplo de movimentação ilustrado na Figura 6. U N ID A D E 4 120 c) Estruturas Paralelas: são aquelas que inserem os empregados em cargos de áreas técnicas sem que estes possuam interesse em cargos de gestão, porém com remunerações equivalentes. Aqui, existem duas estruturas em linha (uma técnica e outra de gestão ou gerencial) de forma paralela. Os empregados se movimentam de forma horizontal, podendo deixar de ocupar um cargo técnico de uma estrutura e integrando a posição de gestão ou gerencial de outra. O tipo mais conhecido de carreira em estru- turas paralelas é chamado de carreira em Y (ARAÚJO; GARCIA, 2014). A Figura 7 demonstra a estrutura apresentada anteriormente pelos autores. Gerente de processos industriais Analista de processos industriais Analista de processos administrativos Analista de produtividade Analista de qualidade Analista júnior de processos Analista júnior de organização e métodos Analista júnior de sistemas Carreira de sistemas Técnico auxiliar de organização e métodos Figura 6 – Exemplo de evolução em estrutura em rede / Fonte: Oliveira (2018, p. 65). Descrição da Imagem: representação da movimentação dos cargos da estrutura em rede. Por exemplo: um analista de qualidade ou de processos industriais pode vir a ser gerente de processos industriais, bem como um técnico auxiliar de organização e métodos pode ser um analista júnior de processos ou de sistemas. U N IC ES U M A R 121 Figura 7 – Estruturas Paralelas(carreira em Y) / Fonte: Araújo e Garcia (2014, p. 112). “ Começando pela base do Y, podemos perceber que se trata de uma estrutura de cargos em linha, na qual as pessoas passam de estagiárias a auxiliar de vendas, depois a vendedor, chegando a vendedores regio- nais. Ao chegar a este estágio, após subirem gradativamente de cargos, se encontrarão niveladas, com a mesma quantidade de informações assimiladas de formas diferentes (ARAÚJO; GARCIA, 2014, p. 112). Descrição da Imagem: representação de uma estrutura em Y, onde, em sua base, temos: auxiliar de vendas, vendedor e vendedor regional. Então, o esquema se divide em dois braços: gerencial, onde temos chefe de vendas, gerente de vendas e diretor de vendas; e o braço técnico, em que temos analista de mercado, analista de marcado nacional e pesquisador de novos produtos. BASE BRAÇO GERENCIAL BRAÇO TÉCNICO Pesquisador de novos produtos Diretor de vendas Analista de mercado nacional Analista de mercado Chefe de vendas Gerente de vendas Vendedor regional Vendedor Auxiliar de vendas U N ID A D E 4 122 Para Oliveira (2018), a estrutura paralela de evolução da carreira permite que aqueles empregados que não possuem interesse na gestão possam se movimen- tar na carreira com remuneração equivalente, apesar de preferirem a condição de especialista técnico, sendo possível alinhar as expectativas de acordo com o desenvolvimento e vocação profissional do empregado. Essa movimentação dos empregados pode ser demonstrada por meio da Figura 8. 7 6 5 4 3 2 1 7 6 5 4 3 2 1 Diretor de Organização e Métodos Gerente de Organização e Métodos Supervisor de equipe de Organização e Métodos Analista Sênior de Organização e Métodos Analista Pleno de Organização e Métodos Analista Júnior de Organização e Métodos Técnico auxiliar de Organização e Métodos Pesquisador Sênior Coordenador Pesquisador Sênior Supervisor Pesquisador Sênior Pesquisador Sênior de Apoio Pesquisador Pleno de Apoio Pesquisador Júnior de Apoio Pesquisador Auxiliar Finalmente, Oliveira (2018, p. 65) sugere a “[...] existência de programas simula- dores da evolução da carreira de cada pessoa, considerando as alternativas pro- porcionadas por cada caminho possível”. Figura 8 – Movimentação dos empregados na estrutura paralela de evolução da carreira Fonte: Oliveira (2018, p. 65). Descrição da Imagem: representação da movimentação de acordo com a vocação e expectativas dos empre- gados e as necessidades, possibilidades e resultados significativos para as Organizações. U N IC ES U M A R 123 A partir das estruturas apresentadas, será que elas devem ser aplicadas de forma única em uma organização ou pode haver mais de um tipo de estrutura a ser contemplada, a partir dos cargos e salários, no Plano de Carreira de uma organização? pensando juntos Saiba sobre as estruturas de carreira, leia o artigo “Formando um perfil pro- fissional para uma carreira de sucesso na industrial”. conecte-se Para Dutra, Dutra e Dutra (2017), a maior dificuldade da estruturação e carreiras é que na construção da estrutura, muitas vezes, as pessoas são vistas dentro dos cargos ou na atual estrutura de carreira a qual pertencem e justamente se basear no que já existe, pode ser uma razão para o fracasso da implementação da estrutu- ra. Ainda conforme alertam os autores: “[...] os cargos e a estrutura organizacional são voláteis e a atualização dessas redes de possibilidades exige um nível alto de atualização, tornando-as inviáveis” (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017, p. 140). Com isso, independentemente da estrutura aderida pela empresa, seria uma forma de se apresentar com mais clareza as possibilidades de movimentação de acordo com a vocação e expectativas dos empregados e as necessidades, possibilida- des e resultados significativos para as Organizações, ou seja, um alinhamento entre as partes que fortalecerão as relações mútuas entre empregados e Organizações. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6803 U N ID A D E 4 124 Dando continuidade ao assunto sobre Planos de Carreira, é importante apre- sentar formas de garantir a comunicação assertiva de um Plano de Carreira na Organização que contemplem os critérios e parâmetros de avaliação para que estes possam ser assimilados por todas as partes. Para que estes Planos de Carreira contemplem as estruturas de carreiras ela- boradas para a empresa e estas tenham a compreensão de todos os envolvidos, é condição de que “[...] a empresa tenha pleno conhecimento das carreiras que vão passar por processo evolutivo mais forte nos próximos anos, o que pode ser algo relativamente difícil” (OLIVEIRA, 2018, p. 65), é preciso que a empresa saiba e estabeleça formas de comunicação clara para todos. Segundo Chiavenato (2020b), a comunicação faz parte da estratégia orga- nizacional, servindo tanto para dar direcionamento às questões futuras como os riscos pertinentes a esta visão. Ainda conforme o autor: “Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. [...] É a maneira de se relacionar com outras pessoas a partir de ideias, fatos, pensamentos e valores” (CHIAVENATO, 2020b, p. 55). Para Chiavenato (2020b, p. 57), cada indivíduo possui “um sistema conceptual próprio, isto é, seu padrão de referência que age como filtro codificador, condicionando a aceitação e o processamento de qualquer informação”. Desta forma, pode-se dizer que todos possuem um sistema de seleção ou rejeição para toda informação que se recebe. 2 A COMUNICAÇÃO COMO BALIZADOR NO ENTENDIMENTO DAS ESTRUTURAS DE CARREIRAS NAS ORGANIZAÇÕES U N IC ES U M A R 125 O que difere esse padrão de seleção ou rejeição da informação são os padrões pessoais que fazem com que haja um entendimento do processo da comunicação. Segundo o autor “[...] existe uma relação entre cognição, percepção, motivação e comunicação” (CHIAVENATO, 2020b, p. 57). Por esta razão, devem ser consi- deradas as barreiras da comunicação quando se pretende comunicar Planos de Estruturas e Carreiras que envolvam remuneração, atendimento às expectativas, aumento de produtividade etc., pois sabe-se que cada indivíduo compreende de maneira diferente aquilo que se quer dizer. De acordo com Chiavenato (2020b, p. 58), as principais barreiras de comunicação são: a) barreiras pessoais: são interferências que decorrem das limitações, emoções e valores humanos de cada pessoa. As barreiras mais comuns em situações de trabalho são os hábitos deficientes de ouvir as emo- ções, as motivações, os sentimentos pessoais. As barreiras pessoais po- dem limitar ou distorcer as comunicações com as outras pessoas. b) barreiras físicas: são interferências que ocorrem no ambiente em que acontece o processo de comunicação. Um trabalho que possa distrair, uma porta que se abre no decorrer da aula, a distância física entre as pessoas, canal saturado, paredes que se antepõem entre a fonte e o destino, ruídos estáticos na comunicação por telefone etc. c) barreiras semânticas: são limitações ou distorções decorrentes dos símbolos por meio dos quais a comunicação é feita. As palavras ou ou- tras formas de comunicação – como gestos, sinais, símbolos etc. – po- dem ter diferentes sentidos para as pessoas envolvidas no processo e podem ter seu significado distorcido. As diferenças de linguagem cons- tituem barreiras semânticas entre as pessoas. Ainda conforme o autor, essas barreiras podem ocorrer de forma simultânea, nesse caso, a mensagem pode chegar distorcida, bloqueada ou filtrada, fazendo com que não haja entendimento equânime dos envolvidos e impactados pelo processo (CHIAVENATO, 2020b). U N ID A D E 4 126 A Figura 9 representa os resultados das barreiras no processo de comunica- ção nos indivíduos, fazendo com que a mensagem possa chegar diferente da que deveria ser compreendida por todos. Entradas Mensagem tal como é enviada Variáveis intervenientes Saídas Mensagem tal como é recebida Barreirasà comunicação Ideias preconcebidas Signi�cados personalizados Motivação e interesse Credibilidade da fonte Recusa de informação contrária Habilidade de comunicação Complexidade dos canais Clima organizacional Problemas e con�itos pessoais Dutra, Dutra e Dutra (2017, p. 195) reforçam sobre o processo da comunicação organizacional que, para que este seja desenvolvido no sistema de comunicação do Plano de Gestão de carreiras, necessita haver “[...] aprimoramento contínuo deve ter como pano de fundo a incorporação das expectativas mais amplas do conjunto de pessoas que trabalham na organização e as expectativas da organi- zação em relação às pessoas”. Figura 9 – Barreiras ao Processo da Comunicação Humana / Fonte: Chiavenato (2020b, p. 58). Descrição da Imagem: representação dos resultados das barreiras no processo de comunicação nos in- divíduos; a mensagem como é enviada é a Entrada, passando por variáveis intervenientes até as saídas, onde recebe-se a mensagem. U N IC ES U M A R 127 Segundo Xavier (2006), existe uma reflexão importante a ser elaborada pelos empregados. Trata-se das percepções acerca das possibilidades na carreira do indivíduo. Primeiramente, temos as percepções gerais, que diz respeito a um conceito amplo, em que tudo é possível em termos de expectativas e desejos de carreira. A segunda diz respeito às possibilidades objetivas que são aquelas em que o indivíduo possui todas as condições para prosperar, mas nada garante, apesar de todos os esforços, que de fato ele irá atingir a sua meta; e, finalmente, o autor apresenta as possibilidades percebidas que dizem respeito a um mínimo de viabilidade para que seja realizada sob o ponto de vista de carreira. A Figura 10 representa essa visão de possibilidades proposta por Xavier (2006). 3 A GESTÃO DE DESEMPENHO E SEUS IMPACTOS NO PLANO DE CARREIRA U N ID A D E 4 128 Conforme Neuburger (2011), apesar de algumas empresas possuírem um Plano de carreira, é preciso que o empregado também avalie quais vantagens ou des- vantagens o auxiliam a reconhecer novas perspectivas para a sua continuidade na empresa com perspectivas reais de crescimento e movimentação de acordo com suas próprias perspectivas em relação à empresa em que trabalha. Isto é, um caminho de mão dupla, em que empresa e empregado ganham se a relação for continuada e os desempenhos alinhados aos objetivos. POSSIBILIDADES GERAIS POSSIBILIDADES OBJETIVAS POSSIBILIDADES PERCEBIDAS Figura 10 – Possibilidade de realização na Carreira / Fonte: Xavier (2006, p. 22). Descrição da Imagem: figura com três círculos. O maior representa as possibilidades gerais; dentro dele temos outro círculo representando as possibilidades objetivas; e, abarcando esses dois círculos temos um menor representando as possibilidades percebidas. U N IC ES U M A R 129 Por outro lado, Chiavenato (2020b) diz que o desempenho está diretamente relacionado à consecução da estratégia organizacional de uma empresa. Para o autor, “[...] o desempenho (performance) é o conjunto de características ou capacidades de comportamento ou rendimento de uma pessoa, equipe ou orga- nização” (CHIAVENATO, 2020b, p. 230). Refletindo sobre esse conceito, pode-se inferir que medir o desempenho é fundamental para que as organizações possam alinhar ou corrigir os desempe- nhos das pessoas em relação àquilo que a empresa busca em termos de posicio- namento do negócio. Ainda para Chiavenato (2020b), a gestão do desempenho é um ecossistema integrado com as seguintes etapas: a) A definição dos objetivos departamentais diz respeito ao alinhamento entre os objetivos organizacionais e espelhados em todos os departa- mentos das empresas. b) O planejamento desse desempenho que engloba compreender o foco do desempenho baseado em articulação e alinhamento de objetivos e departamentos e, obviamente, a organização dos recursos disponíveis para a consecução destes. c) A condução do desempenho que diz respeito ao acompanhamento dos requi- sitos, preparação e instrumentalização das lideranças para acompanhamento; d) Revisão do desempenho, em que se avaliam os resultados alcança- dos, define-se a avaliação do feedback (retorno dos resultados) para a proposição de um plano de ação que reflita em melhorias para em- pregados e empresas. A Figura 11 reflete essa definição apresentada pelo autor, em que é possível per- ceber que se trata de um processo cíclico. U N ID A D E 4 130 Para Chiavenato (2020b, p. 231), os objetivos para se medir o desempenho visam melhorar a: Qualidade: produção totalmente isenta de erros oferecendo pro- dutos ou serviços dentro das especificações. Rapidez: prontidão e tempo de entrega reduzido. Confiabilidade: produção correta e entrega certa e confiável. Flexibilidade: a partir da habilidade em constante melhoria e ino- vação nos produtos e serviços. Baixo custo: produção de baixo custo para garantir preço baixo e margem elevada. Objetivos Organizacionais De�nição de objetivos departamentais Missão Visão Estratégias Prioridades Planejamento do Desempenho Foco no desempenho Articulação de objetivos Alinhamento com departamento Organização de recursos Conduzindo o Desempenho Determinar requisitos Proporcionar liderança Apoio e supervisão Coaching e mentoring Revisão do desempenho Avaliação dos resultados De�nição da avaliação Feedback dos resultados Planos de desenvolvimento GESTÃO DO DESEMPENHO Figura 11- Bases fundamentais da Gestão de Desempenho Fonte: Chiavenato (2020b, p. 23). Descrição da Imagem: representação das bases fundamentais em um esquema em que, no centro, há o título “gestão de desempenho” e, ao redor, um ciclo com as informações: definição de objetivos departamen- tais, planejamento de desempenho, conduzindo o desempenho, revisão do desempenho, que se encontra novamente com o primeiro item. U N IC ES U M A R 131 A esses objetivos estão associados efeitos internos e externos em relação aos ob- jetivos. Para tanto, Chiavenato (2020b) apresenta esse conceito relacionado à produtividade e aos objetivos, demonstrados na Figura 12. Descrição da Imagem: esquema representando os efeitos internos e externos associados aos objetivos de medição do desempenho, abordando custo, confiabilidade, flexibilidade, qualidade e rapidez. Elevada produtividade Preço baixo e margem elevada Custo Produção de baixo custo Entrega con�ável Con�abilidadeProdução con�ável Inovação nos produtos/serviços Flexibilidade Habilidade de melhorar Produtos/serviços dentro das especi�cações Qualidade Produção isenta de erros Rapidez Produção rápida Tempo de entrega reduzido Araújo e Garcia (2014) dizem que a avaliação de desempenho é a forma de se mensurar o desempenho dos indivíduos dentro de uma organização. Os autores ainda acrescentam que existem três pontos a serem considerados: a) Identificação: quando a empresa identifica aspectos tanto positivos quanto negativos no desempenho do empregado e o remaneja com o intuito de atender às suas necessidades e objetivos, nesse caso, o remane- jamento se dá por conta do desempenho. Figura 12 – Efeitos internos e externos associados aos objetivos de medição do desempenho Fonte: Chiavenato (2020b, p. 232). U N ID A D E 4 132 b) Mensuração: parte fundamental da avaliação de desempenho, ou seja, atribuem-se indicadores de medição do desempenho do empregado, dan- do objetividade ao desempenho subjetivo. c) Administração: é uma ação dirigida para o futuro que demonstra que não se espera apenas a execução de um desempenho, mas o que e como o empregado deve buscar para desenvolver todo o seu potencial em uma organização. Conforme Marras (2016, p. 165), a avaliação de desempenho é uma ferramenta para a administração dos recursos humanos de uma empresa para que o gestor possa tomar decisões sobre a sua equipe, uma vez que “[...] permite ao adminis- trador mensurar os resultados obtidos por um empregado ou por um grupo, em período e área específicos(conhecimentos, metas, habilidades etc.). O autor afirma que a ferramenta foi criada a fim de acompanhar o de- senvolvimento cognitivo dos empregados no que tange a habilidades técnicas (conhecimentos e habilidades) e competências comportamentais (atitudes), a partir da avaliação por parte da Organização (feedback) do investimento rea- lizado em desenvolvimento pessoal ao longo da trajetória profissional de um empregado (MARRAS, 2016). Marras (2016, p. 166) ressalta a importância da avaliação de desempenho para ações da empresa e do empregado, a destacar: a) Identificar os empregados que necessitam de aperfeiçoamento. b) Definir o grau de contribuição (individual ou grupal) nos resultados da empresa e descobrir o surgimento de novos talentos na organização. c) Facilitar o autodesenvolvimento dos empregados. d) Fornecer feedback aos empregados. e) Subsidiar programas de mérito, promoções e transferências. Para Chiavenato (2020a, p. 232), a gestão por desempenho tem como finalidade “[...]planejar, organizar, liderar e controlar todo o fluxo da atividade organizacio- nal em todas as áreas e em todos os níveis [...]”. Essa forma de analisar a gestão do desempenho busca alcançar os resultados organizacionais e também atingir os resultados para o negócio. O autor ainda afirma que: U N IC ES U M A R 133 “ As organizações mais inovadoras estão reinventando a maneira como estão gerindo e medindo o desempenho, criando aborda- gens mais ágeis construídas ao redor de check-ins, compartilhando objetivos que são desenvolvidos a partir da base para cima e trans- parentes para toda a equipe, envolvendo conversações que vão de colaborador para colaborador e entre colaborador e gestor nas duas vias (CHIAVENATO, 2020a, p. 232). Chiavenato (2020b), ainda dentro dessa lógica de gestão por desempenho, sugere a aplicação da ferramenta PDCA desenvolvida por Deming para a realização desse acompanhamento e que representa o anagrama P – planning, D – do, C – check e A – act, que em português significam: planejar, fazer, acompanhar e agir, respectivamente, sobre um problema ou proposta. A Figura 13 demonstra esse ciclo sugerido por Chiavenato (2020b). GESTÃO DE DESEMPENHO PLANEJAR De�nir objetivos e resultados a alcançar Identi�car resultados para metas mais amplas. Pactuar objetivos de desempenho especí�cos. Identi�car comportamentos. Fechar acordos ACOMPANHAR Supervisionar e orientar continuamente. Capacitar as pessoas. Veri�car realizações. Fornecer feedback formal. Proporcionar informação sobre o progresso. AVALIAR Comparar os resultados com o planejado Avaliar o período considerado. Oferecer sessões de feedback. Fazer correções de rumo quando necessárias. REVISAR Elaborar novo plano de ação Discutir metas e objetivos e necessidade de suporte. Estimar níveis de desempenho das pessoas. Figura 13 – Aplicação do PDCA na Gestão de Desempenho / Fonte: Chiavenato (2020b, p. 233). Descrição da Imagem: esquema representando o ciclo PDCA: planejar, acompanhar, avaliar e revisar. U N ID A D E 4 134 Analisando o ciclo PDCA, quais resultados você entende que beneficiariam os empregados com a aplicação dessa ferramenta nas suas carreiras? pensando juntos Conforme Dutra, Dutra e Dutra (2017, p. 195) “os processos de ava- liação mais modernos tendem para um diálogo de desenvolvimen- to entre o gestor e a pessoa”, com isso, existe a troca entre gestor e liderado, sendo apresentados os pontos fortes do indivíduo que serão importantes para os desafios futuros, além disso, ambos terão as expectativas alinhadas em relação a desempenho e resultados e, ainda, poderá ser traçado um plano de melhorias que auxiliará ao empregado no atingimento do que foi combinado. A Figura 14 representa um modelo exemplificador do Plano de desenvolvimento de carreira a ser desenvolvido entre gestor e em- pregado, a fim de traçar metas para o seu desenvolvimento e servir como instrumento de feedback pelos resultados oferecidos à orga- nização. Essa sugestão é um instrumento simples para ser imple- mentado na sua empresa, e com grandes resultados pela clareza dos dados que se encontram no modelo trazendo perspectivas reais de promoção/movimentação, conforme diálogo entre os envolvidos. U N IC ES U M A R 135 Plano de desenvolvimento de carreira Funcionário:______________________ Cargo:_________________________ Gerente:_________________________ Departamento:_________________ Data de avaliação:____________________________ 1. Qual é o próximo passo para esse funcionário e quando você acha que ele está pronto para isso? Provável cargo seguinte: Quando estará pronto: Agora 6 meses 1 ano 2 anos 1. 2. 3. 2. Qual é a mais alta promoção provável dentro de cinco anos? 3. O que esse funcionário precisa para se preparar para a promoção? Conhecimento:____________________________________________ _________________________________________________________ Plano de ação:_____________________________________________ _________________________________________________________ Passar por treinamento:_____________________________________ _________________________________________________________ Plano de ação:_____________________________________________ _________________________________________________________ Formação gerencial: ________________________________________ _________________________________________________________ Plano de ação:_____________________________________________ _________________________________________________________ Figura 14 - Modelo de Plano de Desenvolvimento de Carreira Fonte: Dessler (2015, p. 237 apud SGC ACADEMY, 2015, p. 126). U N ID A D E 4 136 Este capítulo trouxe à luz a importância do entendimento sobre a gestão da avaliação de desempenho como forma de auxiliar os profissionais na movimentação de carreira den- tro das estruturas que originaram o Plano de Carreira. Apesar do Plano de Carreira ser elaborado pela empresa e, portanto, não ter a participação direta dos empregados na sua elaboração, ele é elaborado com o intuito de atender às necessidades e expectativas de continuidade dos empregados nas empresas, e estas implementam o Plano de Carreira, porque querem que os melhores empregados permaneçam na empresa com a oportu- nidade de crescimento e movimentação de cargo e remuneração. Avaliar o desempenho é uma forma de reconhecer os esforços individuais dos empregados e auxiliá-los no seu desenvolvimento e aumento de suas potencialidades. quadro-resumo Como pode ser observado, a formalização do Plano de desenvolvimento do em- pregado procura atender às necessidades e expectativas tanto deste quanto da Organização, mas a movimentação, ou seja, o percurso da trajetória, somente acontecerá caso a empresa esteja oferecendo esse caminho. De outra forma, ser- virá como instrumento para o desenvolvimento do profissional, bem como serão apresentados os caminhos para que este atinja seus objetivos de crescimento pessoal (SGC ACADEMY, 2015). Devido às constantes mudanças do mercado, sugere-se que o plano não seja de horizonte tão longo, necessitando de revisões constantes para aumentar o alinhamento entre os envolvidos e, consequentemente, ampliar o leque de opor- tunidades, satisfazendo ambas as partes. O mais importante é que o empregado compreenda que a avaliação de desempenho é ferramenta estratégica para que ele alcance as posições desejadas na organização conforme a estrutura organiza- cional que originou o Plano de Carreira. Descrição da Imagem: modelo de plano de desenvolvimento de carreira, constando: nome do funcionário, cargo, nome do gerente e departamento e data de avaliação. As seguintes perguntas são apresentadas: qual é o próximo passo para esse funcionário e quando você acha que ele está pronto para isso? As repostas abarcam definir o provável cargo e o prazo é entre agora, dois meses, seis meses, um ano e dois anos. A segunda pergunta é: qual é a mais alta promoção prováveldentro de dois anos? A terceira pergunta é: o que esse funcionário precisa para se preparar para essa promoção? As respostas abarcam conhecimento, passar por treinamento e formação gerencial - cada um desses itens possui uma sugestão de plano de ação para que se chegue ao resultado. U N IC ES U M A R 137 Considerações Finais Esta unidade apresentou a necessidade das empresas se reinventarem após a pandemia e também por conta dos avanços tecnológicos, quando é necessário racionalizar recursos e manter nas suas estruturas os empregados que efetiva- mente trazem resultados para as empresas e também, os modelos de estrutura organizacional considerados no Plano de Cargos e Salários como balizador do modelo de Plano de Carreira oferecido por algumas empresas. Com isso, foi possível identificar as estruturas organizacionais dos tipos li- neares (movimentações verticais/carreiras ascendentes), as estruturas em redes que consideram que os empregados trilhem um caminho dentro da organização a partir de suas vocações e capacidades, e as estruturas paralelas (ou carreiras em Y) que oportunizam remunerações equânimes para empregados que trilham a especialidade técnica, podendo ou não ascender em cargos de gestão. Também foi possível entender que a comunicação é extremamente impor- tante, uma vez que os indivíduos não compreendem as mesmas coisas da mes- ma maneira e, ainda, destacam-se a necessidade de compreender as barreiras da comunicação para que ela seja a mais clara e transparente entre os envolvidos, gerando condições justas de ascensão na Organização. Finalmente, esta unidade evidenciou a importância da Gestão do Desempe- nho e a avaliação como ferramenta para que os empregados atinjam seus obje- tivos e expectativas em uma organização; e por outro lado, a empresa auxilie no seu desenvolvimento a partir dos gaps do perfil do cargo que oportunizarão o desenvolvimento do empregado. Apesar do Plano vir da empresa, cabe ao em- pregado o protagonismo e busca da ampliação de suas competências técnicas (conhecimentos e habilidades) e competências comportamentais (atitudes) que poderão influenciar na sua movimentação dentro do Plano de Carreira. 138 na prática 1. O mercado de trabalho vem passando por constantes mudanças impulsionadas por rápidos avanços tecnológicos. Novas áreas de atuação profissional passaram a existir e algumas ocupações perdem espaço diariamente pelo avanço da tecnologia e uti- lização da inteligência artificial. Frente a esse cenário de instabilidades e mudanças, algumas características se tornam especialmente relevantes para a empregabilidade dos profissionais, tais como: a) Adaptabilidade – Flexibilidade – Criatividade. b) Energia – Competitividade – Controle. c) Resistência – Busca por certezas definitivas. d) Depositar na empresa a gestão de sua carreira. e) Ter esperança de que essas mudanças se tornem mais lentas. 2. Analise as afirmações a seguir e marque a alternativa que contenha as respostas corretas. I - Estruturas em rede diz respeito àquelas em que os empregados possuem alter- nativas em relação às posições que serão ocupadas por elas. II - Estruturas Paralelas são aquelas que os empregados que estão em cargos de áreas técnicas sejam movimentados para, exclusivamente, cargos de gestão. III - Estruturas em linha são aquelas que consideram o crescimento vertical do em- pregado na organização, podendo este aplicar para mais de uma linha de pos- sibilidades de movimentação. IV - Quando as organizações estabelecem o Plano de Carreira, estas devem levar em conta as estruturas de carreira existentes para que sejam considerados e estabelecidos os cargos e salários da Organização. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I e III estão corretas. d) Apenas II e IV estão corretas. e) Apenas I e IV estão corretas. 139 na prática 3. Analise as afirmações e assinale para cada afirmação Verdadeiro (V) ou Falso (F): I - Uma das importâncias da avaliação de desempenho é identificar quais os em- pregados que necessitam de aperfeiçoamento. II - A avaliação de desempenho não contribui para os programas de mérito, pro- moções e transferência das empresas. III - A avaliação de desempenho é um instrumento que auxilia o gestor a fornecer feedback aos empregados. IV - A avaliação de desempenho facilita o processo de autodesenvolvimento dos empregados. A seguir, assinale a alternativa que contenha a sequência correta de Verdadeiro (V) e Falso (F): a) V; V; F; F. b) V; F; V; V. c) F; V; F; F. d) F; F; F; V. e) V; V; V; F. 140 na prática 4. Analise as afirmações a seguir e marque a alternativa que contenha as respostas corretas. I - A comunicação faz parte da estratégia organizacional, servindo tanto para dar direcionamento às questões futuras como os riscos pertinentes a esta visão. II - Barreiras pessoais são limitações ou distorções decorrentes dos símbolos por meio dos quais a comunicação é feita. III - São exemplos de barreiras semânticas aquelas em que situações de trabalho são os hábitos deficientes de ouvir as emoções, as motivações, os sentimentos pessoais. IV - As barreiras físicas são ocasionadas por interferências que ocorrem no ambiente em que acontece o processo de comunicação. a) Apenas II e III estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Apenas II e IV estão corretas. d) Apenas I e IV estão corretas. e) Apenas I, III e IV estão corretas. 5. Para os autores Perrenoud e Magne (1999, p. 30): “Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.). Para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações”. Explique os recursos: conhecimentos, habilidades e atitudes que juntos formam o conceito de competência. 141 aprimore-se CASO PARA REFLEXÃO: A Empresa de Engenharia Cianorte possui um proprietário e mais 20 funcionários com contrato indeterminado. A estrutura organizacional é do tipo funcional, possui o Diretor-Geral que é o dono da empresa, três Gerentes que trabalham para as áreas: Administrativa (mais 2 colaboradores), Financeira (mais 4 colaboradores) e Comercial (mais 6 colaboradores), três Engenheiros (Obras de Grande Porte, Obras de Médio Porte e Obras Pequenas e Reformas). Cada Engenheiro possui um Enge- nheiro Júnior responsável pelas equipes de obra e as equipes são contratadas con- forme os projetos que a empresa realiza com contrato determinado. Além disso, a empresa possui uma Coordenadora de Recursos Humano que de- sempenha todas as funções pertinentes ao RH. O Diretor-geral solicitou à Sra. Camila Freitas que desenvolva o Plano de cargos e salários da empresa para que os recursos sejam mantidos na empresa sem haver rotatividade, além disso, o Diretor-geral acre- dita que os engenheiros deveriam ser gerentes e deveriam ser promovidos. No lugar da Sra. Camila Freitas, o que você diria ao Diretor-geral? 142 aprimore-se Camila Freitas deve: ■ Definir os requisitos para cada cargo. ■ Descrever as atividades a serem exercidas por cada empregado. ■ Verificar quais são os benefícios oferecidos atualmente e se são extensivos aos familiares etc. (análise demográfica dos empregados). ■ Realizar uma pesquisa de mercado em empresas do mesmo setor/segmento, ou que sejam referência, a fim de descobrir quais salários e benefícios são oferecidos para os empregados do segmento de engenharia. ■ Propor um Plano de Cargos e Salários para a sua empresa com carreira em Y, ou seja, propor um plano que contemple o nível de especialistas para que a remuneração não dependa de um cargo com nomenclatura de “gerente”. ■ Apresentar ao Diretor-geral a proposta explicando o por quê da carreira em Y (até porque os administradores só podem ser graduados em administração e afins) e porque muitas vezes o engenheiro não quer o cargo, mas a remune- ração compatível a sua especialidade. ■ Propor um Plano de Comunicação dessa nova Proposta de ascensão na empresa.Fonte: autora. 143 eu recomendo! Como elaborar um Plano de Carreira para ser um Profissional bem-sucedido Autor: Djalma de Pinho de Rebouças de Oliveira Editora: Atlas Sinopse: esse livro apresenta o plano de carreira por meio de uma metodologia prática elaborada pelo autor, para que você possa implementar na sua vida e alcançar o seu crescimento pro- fissional. Cada vez mais os empregados devem se tornar protagonistas de sua própria história para competir e ser bem-sucedido. livro Julie & Julia Ano: 2009 Sinopse: Julie, 30 anos, está frustrada, trabalha em um call center, porém é extremamente infeliz com essa profissão, possui o hob- by de cozinhar e esta atividade realmente lhe traz prazer depois do trabalho. Ela decide dar uma guinada profissional e passa um ano cozinhando 524 receitas do livro de Julia Child. Resolve criar um blog para acompanhar sua trajetória. O filme mostra que mu- dar de carreira é algo possível, não importa em que ponto se está e ainda traz a lição que é possível se trabalhar naquilo que se gosta. Comentário: esse filme traz uma reflexão profunda de que qualquer pessoa pode mudar o rumo da sua carreira em qualquer idade ou tempo, basta querer, esfor- çar-se, adquirir habilidades e estar sujeita a ouvir críticas que possam te elevar enquanto profissional. filme 144 eu recomendo! Acesse o artigo de 2017: Planos de carreira, cargos e salários no âmbito do Sistema Único de Saúde: além dos limites e testan- do possibilidades, em que se analisaram experiências de planos de carreira, cargos e salários premiados pelo Ministério da Saúde. Leia a reportagem de 2010 denominada Plano de Cargos e Salários e a Avaliação de Desempenho Como Impulsionadores de Resulta- dos, em que é enfatizado que o Plano de Cargos e Salários deve ser implementado nas organizações com o objetivo de desenvolvimento dos empregados. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9288 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9289 anotações 5 GESTÃO E PLANEJAMENTO DE CARREIRA PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Conceitos Introdutórios sobre Gestão e Planejamento de Carreira • Pilares do Planejamento de Carreira • Desenvolvimento das Pes- soas na Carreira. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar os conceitos introdutórios e as diferenças entre Gestão de Carreira e Planejamento de Carreira e as responsabilidades das partes • Definir os pilares do Planejamento de carreira: autoconheci- mento, exploração de oportunidades e estabelecimento de Metas e Planos de Ação • Conhecer a Gestão da Carreira pela Organização e por si e necessidades e perspectivas para o desenvolvimento de pessoas. PROFESSORA Me. Lisiane Boscardin Wolff INTRODUÇÃO Olá aluno(a), bem-vindo(a)! No século XXI, cada vez mais se vivenciam as constantes transformações no mundo do trabalho. A pandemia é um exemplo motivador de transformação do mercado de trabalho que, com- petitivo e pouco previsível, passou a usufruir da tecnologia como meio de realização do trabalho. Com tantos avanços, agora mais do que nunca, é primordial que os pro- fissionais percebam a importância da gestão de sua carreira. É momento de desenvolvimento de competências de flexibilidade, criatividade, adaptabili- dade, colaboração, comunicação entre outros requisitos que se fazem neces- sários para manutenção da empregabilidade e competitividade profissional. O Planejamento de Carreira é uma alternativa para auxiliar o indivíduo a olhar para o futuro e suas perspectivas, identificando e orientando as suas ações do presente e que interferirão no atingimento daquilo que se busca para a vida profissional e pessoal. O Planejamento requer uma autoanálise, um processo profundo de autoconhecimento com a identificação dos pon- tos fortes e pontos a desenvolver, bem como a realização de uma reflexão sobre quais são os meus objetivos profissionais e pessoais. Nesta quinta unidade da disciplina Plano de Cargos, Salários e Carrei- ras, você aprenderá sobre a Gestão e Planejamento de Carreira, os conceitos introdutórios, bem como os pilares de sustentação desse Planejamento que contribuirão para a compreensão do que é preciso desenvolver para não ape- nas aumentar a empregabilidade, mas alinhar os propósitos de vida com os propósitos e expectativas profissionais fazendo com que as pessoas consigam perceber e conciliar as demandas profissionais com as demandas do Mercado. Na atual Indústria 4.0, na qual estamos inseridos, esperam-se profis- sionais com mentalidade ampla e profissionais ligados à complexidade dos acontecimentos e à interdependência e conectividade inovadoras que in- serem os recursos humanos no trabalho de forma totalmente digital e com conectividade em tempo real, para esse cenário é preciso planejamento. U N ID A D E 5 148 1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS SOBRE GESTÃO E PLANEJAMENTO DE CARREIRA A proposta deste tópico consiste em apresentar os conceitos fundamentais da Gestão e Planejamento de Carreiras apresentando os conceitos introdutórios e as diferenças entre Gestão de Carreira e Planejamento de Carreira e as res- ponsabilidades das partes. Também serão apresentados os pilares que fundamentam o Planejamento de Carreira e dão sustentabilidade a este, como: o autoconhecimento, a exploração de oportunidades, o estabelecimento de Metas e o Planos de Ação ou Plano de Desen- volvimento Individual para a realização e acompanhamento do que foi proposto. Gold (2019, p. 11) afirma que “[...] novas práticas de gestão nas empresas demandam dos profissionais novas atitudes, competências, capacidade de com- preensão das mudanças e abertura às inovações”. A partir dessa afirmação, o Pla- nejamento de Carreira se torna ferramenta importante para a empregabilidade em um mundo que passa por transformações profundas. Em relação ao Planejamento de Carreira, é preciso que o indivíduo se torne protagonista desse processo e busque o desenvolvimento para a sua Carreira, a fim de antecipar as necessidades do Mercado e ampliar as perspectivas para o seu desenvolvimento. Xavier (2006) ainda acrescenta que é preciso que o indivíduo possua uma estratégia para alcançar os seus objetivos. U N IC ES U M A R 149 A partir dessa definição, pergunta-se: o que eu preciso para que me sinta realizado(a) com a minha carreira? pensando juntos Inicialmente, White (2012) sugere a distinção entre carreira e emprego para melhor compreensão do assunto. Para a autora, a carreira está relacionada à po- sição (cargo) que um empregado assume. A esta se presumem responsabilidades que são inerentes à posição ocupada, direcionamento das atividades, alinhamento das expectativas e uma remuneração associada a esta posição, pode se associar a uma profissão ou uma linha de trabalho. Já um emprego tem como objetivo gerar recursos para a sobrevivência, tem um caráter de presente, enquanto a carreira tem um caráter de futuro. Para Dutra (2019), à medida em que a carreira vai se tornando mais complexa, esta passa a ter uma relação diretamente proporcional à sucessão de responsabi- lidades e atribuições de funções que o indivíduo vai recebendo ao longo de sua trajetória profissional. Chiavenato (2012, p. 19) afirma que “[...] tão importante quanto saber aonde você quer chegar é saber exatamente como chegar lá. Ter um objetivo em mente é fundamental. Mas o planejamento é a condição necessária para poder alcançá-lo”. O planejamento de carreira, então, é uma reflexão estruturada sobre projetos de vida, com estabelecimento e revisão de metas com o intuito de se atingir bons resultados profissionais e pessoais, sendo esse um processo contínuo aplicado ao longo da vida. Pode-se dizer que o planejamento de carreira é importante porque auxilia no estabelecimento de metas e na definição de estratégias para alcançá-los. Conforme White (2012, p. 2) “o planejamento depessoal para área de recursos humanos, cujo intuito é a busca por uma atuação maior em planejamento e ser agente de mudanças. Nessa fase, estabelece-se a importância em acertar nos processos de contratação de pessoas, oferecer trei- namento e criar ambientes favoráveis para a motivação (DESSLER, 2003). A quinta fase apresenta uma visão de Recursos Humanos associada às Organiza- ções como Parceiro de Negócios, neste sentido, pode-se dizer que a área de Recursos Humanos passa a integrar a organização exercendo o papel de identificar problemas e propor soluções em relação aos recursos humanos (IVANCEVICH, 2011). Devido aos avanços tecnológicos de forma exponencial, a competitividade entre as organizações se faz cada vez mais forte. Essa concorrência acompanhou cenários ligados à globalização e pela desregulamentação dos mercados. Em 2008, sob forte crise econômica global, houve aumento do desemprego tanto nos Es- tados Unidos quanto no Brasil, com isso percebeu-se que, independentemente do porte ou área de atuação, precisaram aprender a lidar com a ambiguidade e risco. A partir daí, por unanimidade, executivos e analistas compreenderam que o capital humano de uma organização é o único recurso que ela tem para lidar com as adversidades de ambiguidade e risco (PEARSON EDUCATION, 2010). A Figura 1 apresenta as tendências da quinta fase em relação a como as Organizações necessitam se posicionar frente ao Mercado e quais as compe- tências importantes para os gestores de Recursos Humanos. Nesse sentido, é possível perceber a orientação estratégica do RH alinhada ao negócio das empresas que passam, inclusive, a uma natureza de trabalho mais fortemente ligada a serviços (DESSLER, 2014). U N IC ES U M A R 13 Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta as tendências da Administração de Recursos Humanos considerando os avanços tecnológicos e mudanças no cenário e o que as empresas devem buscar para estarem alinhadas a essas mudanças. E, finalmente, quais são as habilidades e competências que auxi- liarão os gestores para os novos tempos. Figura 1 - Tendências da Administração dos Recursos Humanos. Fonte: adaptada de Dessler (2014). A Gestão estratégica de Recursos Humanos exige competências técnicas (conheci- mentos e habilidades) e comportamentais (atitudes) para o atingimento dos resulta- dos da Organização. Cabe ressaltar que quanto às habilidades exigidas, estas se sub- dividem em: técnicas, gerenciais e interpessoais (STADLER; PAMPOLINI, 2014). 1. As habilidades técnicas dizem respeito ao trabalho em si executado corriqueiramente, assim como as atividades operacionais. 2. As habilidades gerenciais contemplam a forma que o gestor toma as suas decisões (critérios que este utiliza), como utiliza a sua autoridade (poder) e suas responsabilidades. 3. As habilidades interpessoais possuem caráter estratégico, pois neces- sitam de habilidade para gerenciar as pessoas (monitorar), desenvolver, incentivar, motivar e conciliar conflitos. TENDÊNCIAS • Os avanços tecnológicos • Natureza do trabalho • Demográ�cas e da força de trabalho • Globalização e competição • Endividamento (leverage) e desregulamentação • Desa�os e tendências econômicas ENTÃO AS PESSOAS PRECISAM SER • Mais competitivas • Mais rápidas e mais ágeis • Mais rentáveis • Direcionadas para o capital humano • Mais técnicas na tomada de decisões OS GESTORES DE RECURSOS HUMANOS, PORTANTO, POSSUEM ESSAS NOVAS COMPETÊNCIAS • Concentram-se mais em questões estratégicas, cenários e metas estratégicas • Usam novas formas de serviços de RH • Têm uma abordagem de gestão de talentos para administração de recursos humanos • Conseguem o envolvimento dos funcionários - Regem ética - Medem o desempenho e os resultados de RH - Usam a administração de recursos humanos baseada em evidências - Agregam valor - Entende a �loso�a de recursos humanos U N ID A D E 1 14 Analisando as fases e marcos históricos da evolução dos recursos humanos, gradativa- mente evoluindo do operacional para o estratégico, o que se pode inferir sobre a Pande- mia que assola o País? Será que as mudanças relativas às novas formas de trabalho em toda a Organização serão passageiras ou definitivas? pensando juntos A Gestão estratégica de recursos humanos deve considerar os processos as- sociados aos recursos humanos, tanto no que se refere ao desenvolvimento, quanto à implantação, e a estes buscar o cumprimento e facilitar no atingi- mento dos resultados organizacionais. É preciso considerar, nesta visão de processos de recursos humanos, a Visão (direcionamento da empresa, cuja pergunta é: para onde iremos?), Missão (razão de existir do meu negócio - por que existimos?) e Valores (crenças da Empresa - no que acreditamos para atingirmos nossas metas?) (IVANCEVICH, 2011). Atualmente, algumas empresas adotam o Modelo para a Gestão Estraté- gica de Pessoas denominado ARDM, cujo anagrama é oriundo das palavras A = aquisição; R = recompensa; D = desenvolvimento e M = manutenção e proteção dos recursos humanos. Este modelo leva em conta os princípios dos ambientes internos e externos de uma organização, justamente fatores que afetam a análise estratégica de uma empresa e que, por conta disto, tam- bém afetará de forma direta ou indireta em consonância com as atividades relacionadas de Gestão de RH e pessoas. A Figura 2 ilustra o modelo que permeia as unidades deste livro. U N IC ES U M A R 15 Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta as influências ambientais externas e internas de uma orga- nização e que influenciam no processo de recursos humanos: aquisição, compensação, desenvolvimento e manutenção de pessoas. Esses processos resultam em práticas responsáveis, produtos competitivos e serviços de alta qualidade. Diagnóstico Recomendação Implementação Avaliação In�uências Ambientais Externas • Exigências, normas e legislação governamentais • Sindicatos • Situação econômica/doméstica e internacional • Competitividade • Composição da força de trabalho • Localização da organização In�uências Ambientais Internas • Estratégia • Metas • Cultura organizacional • Natureza da tarefa • Grupo de trabalho • Experiências e estilo do líder Diagnóstico Recomendação Implementação Avaliação Processos de Recursos Humanos Aquisição de Recursos Humanos Preocupação com as pessoas e os resultados Compensação de Recursos Humanos Preocupação com as pessoas e os resultados Desenvolvimento dos Recursos Humanos Preocupação com as pessoas e os resultados Manutenção e Proteção dos Recursos Humanos Preocupação com as pessoas e os resultados Enfoque de cada processo concentrado nas pessoas e nos resultados Resultados Finais Esperados Práticas éticas e socialmente responsáveis Produtos competitivos de alta qualidade Serviços competitivos de alta qualidade Figura 2 - Modelo ADRM de Gestão de Recursos Humanos / Fonte: Ivancevich (2011, p. 33). U N ID A D E 1 16 2 RECRUTAMENTO E SELEÇÃO POR COMPETÊNCIAS E A REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA Caro(a) aluno(a), a partir da compreensão do que é a Gestão Estratégica de Pessoas e considerando os processos de recursos humanos, aquisição de recursos humanos e compensação de recursos humanos, neste tópico trataremos sobre os processos de recrutamento e seleção no modelo de gestão estratégica de recursos humanos, ou seja, por competências, bem como a conceituação sobre remuneração estratégica. O recrutamento de pessoal tem por finalidade a captação de recursos humanos, seja por meio de fontes internas de funcionários ou por meio de fontes externas, a fim de prover candidatos qualificados para o subsistema de seleção de pessoal para a Organização. Todo o processo de recrutamento inicia a partir de uma necessidade interna da Organização, no que tange a contratação de novos profissionais. O requisi- tante solicita por meio de um documento formal denominado requisição de pessoal (RP) (WILLIANS, 2010; PEARSON EDUCATION, 2010). A RP pode ser por: Neste tópicocarreira é um processo profundo, detalhado e que provoca meditação, além de requerer tempo e energia. É sequencial e mais bem realizado quando segue a progressão estabelecida para cada passo”. Para Pontes (2013), a responsabilidade pelo planejamento de carreira é da pessoa, pois se trata de um plano de desenvolvimento individual em que a pessoa busca, por meio do planejamento, mapear os passos necessários para alcançar seus objetivos. Xavier (2006) traz uma reflexão sobre o porquê de as pessoas negligenciarem a sua carreira e constata que o que ocorre é: U N ID A D E 5 150 Conforme Oliveira (2018, p. 31), o Plano de Carreira acompanha cinco momen- tos da vida de uma pessoa, são eles: Momento A: a pessoa ainda não decidiu o que quer fazer da vida, e a sua preocupação básica é conseguir identificar alguma profissão com a qual deverá trabalhar, preferencialmente durante o restante de sua vida útil. Pode corresponder a uma pessoa em fase pré-ves- tibular ou em início de escolha de um curso técnico. Momento B: a pessoa já definiu e consolidou – ou está na fase final de consolidação – a área em que vai trabalhar ao longo de sua vida útil. Essa situação pode corresponder a uma pessoa que está concluindo o seu curso universitário ou técnico e se prepara para iniciar sua vida profissional (naturalmente, desde que soube escolher – e muito bem – a sua formação educacional junto a uma faculdade ou curso técnico). Momento C: a pessoa já trabalhou vários anos em uma área de uma empresa, mas perdeu o emprego por alguma razão – demissão, fechamento da empresa etc. – e essa pessoa precisa redirecionar e, Imediatismo: Às vezes, por um pequeno aumento salarial, o empregado deixa a empresa em vez de dar tempo para o amadurecimento e possibilidades de carreira duradoura ou deixa de investir na sua educação por questões �nanceiras, o que compromete resultados da carreira de longo prazo. Esperar pela sorte: O empregado espera que uma ideia, um acontecimento ou uma pessoa mude o momento e traga sorte sem a necessidade de esforço próprio e, com isso, atinja o almejado sucesso. Como se o Universo provesse os elementos de mudança. Desinteresse e inde�nição: Por problemas e con�itos pessoais algumas pessoas não encontram uma ocupação que lhes dê sentido. Educação: Aqui o autor não se refere aos conhecimentos acadêmicos, mas a criação, pessoas que são superprotegidas e quando crescem já estabeleceram um vínculo de dependência não buscando por si aquilo que gostaria de realizar. Con�itos de valores: O empregado desenvolve uma visão distorcida a partir de ideias contraditórias sobre as pessoas que se relaciona, uma espécie de crença limitante em que há uma miopia de percepção em função de uma formação inadequada. U N IC ES U M A R 151 possivelmente, revigorar a sua atuação profissional para conseguir um novo emprego. Momento D: idem ao momento C, com a diferença de que a pes- soa considerada quer empreender – sozinho ou com sócios – um negócio próprio. Momento E: a pessoa se aposentou e não quer ficar parada, que- rendo ter uma efetiva utilidade para o resto de sua vida. Lembre-se que se o cérebro não estiver funcionando adequadamente – pelas atividades e responsabilidades das pessoas –, a morte chega bem antes do planejado. Chiavenato (2020a, p. 363) sugere que “[...] o desenvolvimento dos talentos está inti- mamente relacionado ao desenvolvimento da carreira” e reforça que atualmente os planos de desenvolvimento de carreira passaram a atender as necessidades tanto das organizações quanto dos empregados, deixando de ter um viés unilateral, diferente- mente do passado, em que o objetivo era atender apenas aos interesses organizacio- nais, razão pela qual eram extremamente rígidos. O Quadro 1 ilustra a fala do autor. Necessidades da organização Consequência Os colaboradores es- tão se desenvolvendo de maneira a juntar sua eficácia e satisfa- ção com o alcance dos objetivos estratégicos da organização? Necessidades indivi- duais de carreira Quais são os principais itens estratégicos para os próximos anos? Como posso encon- trar oportunidades de carreira dentro da organização que: ■ Quais são as necessidades críticas e desafios que a organização se defrontará nos próximos anos? ■ Quais são os conhecimentos, habilidades e experiências que serão necessários para enfrentar tais desafios? ■ Quais os níveis de pessoas a serem requeridos? ■ Quais as forças necessárias à organização para enfrentar esses desafios? ■ Utilizar minhas for- ças e competências ■ Atender às minhas necessidades de desenvolvimento ■ Proporcionar desafios ■ Atender aos meus interesses ■ Utilizar meu estilo pessoal. Quadro 1 – Sistemas de Desenvolvimento de Carreiras / Fonte: Chiavenato (2020a, p. 363). U N ID A D E 5 152 Chiavenato (2020b, p. 253) afirma que “as empresas oferecem as oportunidades e o impulso para aprender, enquanto as pessoas tomam a iniciativa de seguir adiante”, mais uma vez é reafirmado que haja uma proatividade em função da necessidade de o indivíduo gerir sua carreira e não a empresa. Conforme Oliveira (2018), o plano de carreira tem a finalidade de: a) dar foco de direcionamento profissional para as pessoas e b) facilitar a interligação entre conhecimentos diversos, ou seja, proporciona às pessoas a identificação dos gaps de desenvolvimento de forma “[...] a dar maior velocidade e qualidade no desenvolvimento profissional” (OLIVEIRA, 2018, p. 12). Conforme Araújo e Garcia (2014, p. 117) existem três concepções de Plano de Carreiras apresentados a seguir: a. Não objetivas: quando se percebe uma dispersão por parte da organização em relação ao foco das ideias apresentadas. Tal momento pode ser definido quando nos damos por satisfeitos apenas com ideias que não contribuem significativamente. b. Preestabelecidas: se confunde a ideia de carreira com um ca- minho predefinido pela própria organização. Desta forma, tem-se a ilusão de que todos aqueles que seguirem tal cami- nho, cumprindo o tempo necessário e por meio de sucessivas promoções, irão alcançar a carreira desejada, o que faz surgir um pequeno conflito entre a carreira imaginada por você e a carreira que a organização oferece. c. Desvirtuadas: o plano de carreiras é compreendido e utilizado para fins de aumento salarial. É interessante, mas muitos planos de carreira (PC) surgem em função de um horizonte funcional calcado apenas nos aumentos salariais, o que é ruim para o futuro da organização. O plano de carreira é algo muito mais importante do que a retribuição salarial. Há um fato curioso: a maioria dos planos de carreira (PC) tem em algumas fases aumentos salariais muito pequenos (são as chamadas movi- mentações horizontais, algo em torno de 3 a 5%). Para Tajra e Santos (2015), é importante destacar que, ao longo das nossas vidas, as necessidades mudam. Nas primeiras vezes que se elabora um plano de carreira, por exemplo, você define como meta pessoal adquirir algum produto, mas com o passar dos tempos e com a revisão das metas também, estas vão sendo mais U N IC ES U M A R 153 alinhadas aos objetivos profissionais e é neste avanço profissional que se impul- sionam as conquistas das metas pessoais, pois fica mais fácil de adquirir coisas materiais quando a remuneração também é melhor. Chiavenato (2012) chama a atenção para que o indivíduo descubra qual a sua inteligência predominante, porque, conforme o autor, essas inteligências são diferentes para cada indivíduo em termos de qualidade e quantidade. Além do conhecimento dessas aptidões, é preciso saber que “[...] as diferentes ocupações e profissões requerem diferentes habilidades, capacidades, talentos e destrezas das pessoas para realizar adequadamente o seu trabalho” e conhecendo essas inteligências, é possível relacionar “[...] o tipo de matéria-prima que a pessoa deve manipular ou operar no seu trabalho (CHIAVENATO, 2012, p. 66 - 67). O Quadro 2 apresentaas matérias-primas que as pessoas se envolvem no trabalho. Matéria-prima básica Envolvimento da pessoa Coisas A pessoa trabalha com atividades envolvendo coisas objetos concretos, como: mover, manipu- lar, operar máquinas, ajustar, montar, desenhar, construir, limpar, inspecionar, arquivar, armazenar, dirigir, pilotar etc. Dados A pessoa trabalha com atividades envolvendo da- dos e informações: comprar, coligir, copiar, checar, compilar, organizar, sumarizar, digitar, classificar, datilografar, escrever, armazenar, programar, ob- servar etc. Pessoas A pessoa trabalha com atividades envolvendo pessoas: aconselhar, assessorar, ensinar, liderar, gerenciar, persuadir, entrevistar, consultar, criticar, comunicar, encorajar, vender, negociar, falar em público, supervisionar, ouvir, ajudar os outros etc. Ideias A pessoa trabalha com atividades envolvendo ideias: criar, criticar, publicar, pensar, argumentar, com- preender, decidir, planejar, interpretar, definir, esta- belecer objetivos, imaginar, inventar, sintetizar etc. Quadro 2 – Matéria-prima que as pessoas se envolvem no trabalho Fonte: Chiavenato (2012, p. 67). U N ID A D E 5 154 Gestão de carreiras e crescimento profissional: como as práticas de gestão de carreira por empresas atuantes no mercado nacional influenciam na vi- são dos seus empregados em relação à carreira e o emprego. conecte-se 2 PILARES DO PLANEJAMENTO de Carreira Assim como o Planejamento Estratégico, o Planejamento de Carreira re- quer análise para a tomada de decisão sobre a carreira que culminará nas estratégias que visam o alcance dos objetivos propostos para execução do planejamento, a fim de antecipar tendências e eventos (XAVIER, 2006, p. 54). A Figura 1 ilustra a fala do autor. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6804 U N IC ES U M A R 155 Figura 1 – Plano para análise e decisões fundamentais / Fonte: Xavier (2006, p. 54). O processo de tomada de decisão, a definição de meta(s) profissional(ais) e elabo- ração de um projeto de vida necessitam do autoconhecimento para ser construído. Analisando a Figura 1, pode-se inferir que a análise do ambiente e do poten- cial profissional podem ser comparadas a uma Matriz de SWOT (acrônimo das palavras estrangeiras: strengths, weaknesses, opportunities and threats), trazida para uma análise pessoal, em que se buscam as mesmas razões de análise: Força – Fraquezas – Oportunidades e Ameaças. Esta é uma das ferramentas aplicadas para o autoconhecimento. A matriz de SWOT está representada da seguinte ma- neira, conforme ilustra a Figura 2, a seguir: Análise do ambiente • ameaças • oportunidades Análise do potencial do pro�ssional • forças • fraquezas Missão Objetivos alvos concretos para um período Estratégias Ações para atingir os objetivos Descrição da Imagem: esquema representando o plano para análise. Temos dois quadrados que representam a análise do ambiente e a análise do potencial do profissional, que se encontram com um círculo representando a missão, que se liga a um quadrado que representa os objetivos e este se liga às estratégias. U N ID A D E 5 156 A matriz de SWOT Pessoal identifica: as forças, ou seja, o somatório das competências e talentos que ajudam a pessoa a construir os resultados, facilitando o crescimento técnico, emocional e comportamental em todos os sentidos; as fraquezas são tudo o que enfra- quecem o indivíduo, que limita o seu crescimento, o que bloqueia o seu potencial e que faz com que não se consiga avançar no campo pessoal ou profissional; as oportunidades dizem respeito às chances reais de evolução para se tornar um ser humano melhor. É preciso identificar quais são as possibilidades de mudança e crescimento, seja na carreira, relacionamentos afetivos ou familiares, no aspecto financeiro ou mesmo no autoconhe- cimento; as ameaças sugerem que; em hipótese alguma, pode-se ignorar comportamen- tos, conhecimentos, ideias ou mesmo pessoas e acontecimentos que podem ameaçar o sucesso e felicidade do indivíduo. Portanto, é essencial conhecer detalhadamente tudo aquilo que pode comprometer o alcance efetivo dos resultados pessoais e profissionais. explorando Ideias Figura 2 – Matriz de SWOT Pessoal / Fonte: adaptado de Serafim (2013). O autoconhecimento envolve que a pessoa se conheça (possa definir quais são as suas aptidões, interesses e valores) e a partir daí, melhores serão os seus critérios de escolhas e mais fácil será vislumbrar uma perspectiva de futuro. FORÇAS • o que é que faz bem? • que recursos únicos pode aproveitar? • o que é que os outros veem como suas forças? FRAQUEZAS • o que é que pode melhorar? • onde é que tem menos recursos que os outros? • o que é que os outros veem como as suas prováveis fraquezas? OPORTUNIDADES • que oportunidades tem disponíveis? • que tendências/novidades pode aproveitar? • como pode transformar as suas forças em oportunidades? AMEAÇAS • que ameaças podem prejudicá-lo? • o que é que a sua competição anda a fazer? • as suas fraquezas expõem-no a que possíveis ameaças? Descrição da Imagem: quatro quadrados representam a matriz SWOT: forças (que é que faz bem? Que recur- sos únicos pode aproveitar? O que é que os outros veem como suas forças?), oportunidades (que oportunida- des tem disponíveis? Que tendências/novidades pode aproveitar? Como pode transformar as suas forças em oportunidades?), fraquezas (o que é que pode melhorar? Onde é que tem menos recursos que os outros? O que é que os outros veem como as suas prováveis fraquezas?) e ameaças (que ameaças podem prejudicá-lo? O que é que a sua competição anda a fazer? As suas fraquezas expõem-no a que possíveis ameaças?). U N IC ES U M A R 157 No processo de autoconhecimento, as histórias que cada um viveu em sua tra- jetória de vida revelam as origens, interesses e as possibilidades de se perseguir objetivos e valores no futuro. Conforme Dutra (2019, p. 61) “[...] o autoconhe- cimento está assentado em três pilares: tipos psicológicos, valores e habilidades naturais. Esses pilares trabalham aspectos estruturais da pessoa”. a) Tipos psicológicos: conhecer nossa personalidade nos auxilia a perceber como e por que agimos de determinada forma. Esse pilar traz informações importantes sobre o modo de ser das pessoas. b) Valores: apresenta o quanto nossos valores influenciam nos estímulos ou nas inibições de opções por carreiras. c) Habilidades naturais: para descobrir quais são deve ser aplicada uma técnica que mapeie as nossas habilidades naturais, com essa experimentação é possível identificar quais situações somos mais estimuladas do que outras. Para Dutra (2019), é importante que as pessoas tenham o protagonismo da sua carreira. Conforme o autor, e a partir do autoconhecimento, a pessoa deve buscar o seu autodesenvolvimento a partir de si mesma, respeitando suas crenças e valores. “Dessa forma, conseguimos distinguir o que é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional de uma armadilha que se apresenta como algo muito atraente, mas que não está alinhada com o que queremos” (DUTRA, 2019, p. 54). A partir do autoconhecimento e identificação dos pontos relevantes para que se possa atingir resultados significativos, é preciso desenvolver essas com- petências. Competências que estejam faltando ou necessitam de reforço de de- senvolvimento (pontos fracos ou ameaças) podem ser trabalhadas com o de- senvolvimento a partir de treinamentos e ações que permitam uma mudança do patamar inicial. Tendo realizado essa autoanálise, espera-se que o indivíduo consiga explorar as oportunidades e possibilidades para a sua vida e carreira e, então, realizar a definição de um projeto/uma meta para definir a melhor estratégia para alcan- çar. Precisará buscar os recursos para implantar, sejam eles externos ou internos, por exemplo, desenvolvimento de novas competências, ampliação da rede de contatos e relacionamento (networking), desenvolver métodos para implemen- tar e, finalmente, acompanharpara corrigir o processo ou fazer melhorias. Essa aprendizagem contribui para o plano de ação futuro. A Figura 3 representa a metodologia que reforça os pilares para um Planejamento de Carreira eficiente. U N ID A D E 5 158 Na etapa do autoconhecimento e exploração de possibilidades surgem as seguintes ques- tões de reflexão: Quem eu sou? O que eu busco na vida? Qual lugar eu gostaria de ocupar no mundo? Esse exercício de olhar para dentro de si é importante porque, na maioria das vezes, não temos tempo de questionar o nosso papel e acabamos realizando as coisas do dia a dia no “piloto automático”. pensando juntos Figura 3 - Pilares do Planejamento de Carreira / Fonte: adaptada de Wolff (2015). Sabe-se que o planejamento de carreira, geralmente, é “[...] uma decisão indivi- dual e racional, existem vários caminhos, mas estes podem ou não ser aliados às necessidades das empresas pelas quais trabalhar” (TAJRA; SANTOS, 2015, p. 88). Essa constatação pode significar mudanças na carreira, mudanças do local de trabalho (empresa) e até mesmo mudanças de vínculo profissional. As autoras destacam, ainda, a possibilidade de carreira de um profissional liberal cujo foco do desenvolvimento do seu plano de carreira se alinha às suas necessidades de percepção em relação ao mundo do trabalho e não apenas con- siderando as oportunidades em uma organização (TAJRA; SANTOS, 2015). Oliveira (2018, p. 59) acredita que exista, atualmente, um perfil de atuação que engloba características básicas de atuação dos profissionais que devem ser desenvolvidos para a melhoria das atividades nas empresas, são eles: Bu sc a de Au to co nh ec im en to D es en vo lv im en to de C om pe tê nc ia s Ex pl or aç ão d e O po rt un id ad es Es ta be le ci m en to de m et as e p la no s Descrição da Imagem: representação dos pilares por meio de círculos coloridos: busca pelo aconselhamento, desenvolvimento de competências, exploração de oportunidades, estabelecimento de metas e planos U N IC ES U M A R 159 a. formação humanística, para saber trabalhar com as pessoas e as equipes multidisciplinares, na busca de resultados comuns; b. visão global, para identificar, compreender e agir nas comple- xidades social, política, econômica, tecnológica e cultural em que as empresas atuam; c. capacitação e habilidade para atuar, de forma ativa, na evolução e no desenvolvimento das empresas; d. conhecimento dos conceitos, metodologias e técnicas direta- mente relacionadas a sua amplitude e área de atuação; e. consolidação de um processo de autodesenvolvimento e de de- senvolvimento interativo com seus colegas de trabalho, direcio- nado à otimização dos resultados das empresas; e f. percepção, absorção e aplicação dos valores e dos princípios éti- cos e morais da empresa, contribuindo para a sua disseminação e aperfeiçoamento. Quando se analisa sob a visão das empresas, essas devem desenvolver “[...] ins- trumentos administrativos que auxiliam, de forma direta ou indireta, o plano de carreira das pessoas” (OLIVEIRA, 2018, p. 64-65). São eles: a. estrutura de administração de carreiras: diz respeito ao conjunto das políticas e processos elaborados e comunicados aos empregados pelas empresas conciliando as necessidades e expectativas dos empregados e das empresas. b. administração de competências: trata-se de um processo estruturado e sistemático para desenvolver e operacionalizar ações para maior atratividade, desenvolvimento, atuação e re- tenção dos profissionais pela empresa. c. educação corporativa: diz respeito ao processo de consolida- ção de aprendizagem implementado pela organização com o intuito de aumentar a Inteligência Empresarial através da im- plementação de modelo de gestão de Pessoas por competên- cias e gestão do conhecimento. Chiavenato (2020b, p. 253) reforça que “as empresas oferecem as oportunidades e o impulso para aprender, enquanto as pessoas tomam a iniciativa de seguir U N ID A D E 5 160 O que realmente faz com que os seus olhos brilhem no campo pessoal e profissional? pensando juntos adiante”. Esse pensamento reforça a responsabilidade do indivíduo sobre a gestão e o planejamento da sua carreira, portanto, as necessidades de desenvolvimento percebidas na reflexão do autoconhecimento são de responsabilidade da pessoa. Mesmo que o indivíduo seja um empregado de uma empresa e essa tenha um Plano de Carreira, que por sinal é uma excelente ferramenta de retenção de empregados, sabe-se que não é suficiente para que ele não deixe a empresa. Caso o empregado perceba que aquele não é o seu propósito de vida e por isso, ele re- solva realizar ou revisar o seu Planejamento da sua Carreira, este pode provocar uma mudança no rumo profissional ou, até mesmo, servir para a construção de uma carreira independente. O terceiro pilar diz respeito à exploração de oportunidades, cabe destacar que se trata de uma atividade que demanda tempo, organização e persistência. Estra- tégias de inserção exigem, por exemplo: pesquisa em sites de empregos ou redes sociais, como o LinkedIn, cadastro em consultorias de recrutamento e seleção, cadastro nos sites das empresas, preenchimento de formulários presencialmente, contatos telefônicos, visitas a empresas de interesse, contatos por meio da rede de relacionamentos (networking), empreendedorismo de carreira, criação de demandas e oportunidades, pesquisa de mercado de trabalho (mapeamento de vagas e espaços para inovação), desenvolvimento em cursos específicos e leituras. Tjara e Santos (2015, p. 90) reforçam que “[...] o LinkedIn, networking, blogs, sites próprios, Twitter, associações comerciais, associações e entidades profissionais” são excelentes fontes para a busca por oportunidades e também para o desenvolvi- mento de pontos fracos que apareceram no processo de autoconhecimento. Em relação à rede de contatos, é importante que ela saiba o que se busca, mas é preciso que esta seja constantemente contratada, deve sempre funcionar como uma via de mão dupla, e não apenas no caso de necessidade de carreira, seja por transição, demissão ou necessidade pontual. Fortalecer laços e agradecer e reconhecer os contatos faz parte do processo. Tjara e Santos (2015) reforçam a importância do networking e acrescentam: U N IC ES U M A R 161 “ O networking é uma rede pessoal de ajuda mútua, de troca de opi- niões, de relacionamentos, de indicação de negócios, de fortaleci- mento de estratégias comerciais, de desenvolvimento de parcerias e alianças que podem auxiliá-lo na promoção profissional, no au- mento de ganhos financeiros, na abertura de novas possibilidades pessoais, acadêmicas e de trabalho (TJARA; SANTOS, 2015, p. 79). Também é necessário adicionar novos nomes à rede, o LinkedIn proporciona essa ação de ampliação de contatos profissionais. E finalmente, escrever o Plano de objetivos e metas. O Quadro 3 representa um modelo de Plano de estabeleci- mento de metas e objetivos. OBJETIVO O que pretendo realizar? METAS Por que desejo esse objetivo? Quem será o responsável? Quando será realizado? Onde será realizado? (pesquisar locais). Quanto vai custar? MÉTODO Como farei para alcançar o objetivo? Conhecimentos (saber) (nível educacional/idiomas/certificações/ conhecimentos específicos). Habilidades (colocar em prática o saber) (como eu faço aquilo que digo que sei?). Atitudes (comportamentos/posturas) (como me comporto em situações pro- fissionais/pessoais que afetam os meus resultados? Networking (contatos pessoais que possuo na minha rede ou devo me conectar). Vida pessoal (com relação ao objetivo). Estratégias (quais as melhores estraté- gias para alcançar o objetivo) U N ID A D E 5 162 Quem não gostaria de uma carreira com propósito e equilíbrio entre tra- balho e vida pessoal? Para saber mais, acesse o link: https://hbrbr.com.br/ mudanca-carreira/ conecte-se OBJETIVO O que pretendo realizar? ACOMPANHAMENTO Responder depois de umtempo estipulado As metas estão sendo atingidas? O objetivo foi alcançado? Por quê? O que podemos modificar? AÇÃO Que fatores não foram considerados e podem afetar os resultados do que eu planejei? Quadro 3 – Modelo de Plano de Estabelecimento de Metas e Objetivos / Fonte: a autora. https://hbrbr.com.br/mudanca-carreira/ https://hbrbr.com.br/mudanca-carreira/ https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6805 U N IC ES U M A R 163 3 DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS na Carreira Para Gold (2019, p. 5), o Mundo 4.0 é o mundo VUCA, cujo anacrônimo vem das palavras inglesas: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity e que “[...] em português, denominado VICA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) em que estamos inseridos, as dúvidas sobre carreira e futuro estão diretamente relacionadas a essa realidade da sociedade e das organizações”. Para a autora, com o investimento em tecnologia da informação, algumas empresas, para baratear seus custos, passaram a produzir seus produtos em outros Países e, com isso, novas práticas administrativas foram implantadas. A Figura 4 representa essa afirmação (GOLD, 2019). Figura 4– Novas práticas administrativas Revolução 4.0 / Fonte: Gold (2019, p. 7). 1980-2003 2004-2018 De�nição clara de responsabilidades Especializações do trabalho Abertura às mudanças e às inovações Capacidade de responder a múltiplos desa�os Descrição da Imagem: linha do tempo representando dois períodos: 1980 a 2003, em que se tem a definição clara de responsabilidades e especialização do trabalho; e 2004 a 2018, em que temos abertura às mudanças e às inovações e capacidade de responder a múltiplos desafios. U N ID A D E 5 164 Reflita sobre o Mundo VUCA e escreva um breve texto sobre como você gostaria de estar daqui cinco anos em relação a sua vida e ao que espera estar fazendo profissionalmente, considerando os avanços tecnológicos e novas formas de trabalho. pensando juntos Apesar do Planejamento de carreira pressupor um processo em que o indi- víduo não, necessariamente, tenha uma avaliação advinda da empresa até porque ela pode não realizar a avaliação de desempenho, conhecer a Gestão da Carreira pela Organização e por si e necessidades e perspectivas para o desenvolvimento de pessoas pode ser um diferencial para que o Plano de Carreira esteja mais aderente também com as necessidades do Mercado. Esse método, quando aplicado através da empresa, possui algumas finalidades, tais como (ARAUJO; GARCIA, 2014, p. 126-127): a) Identificar o valor das pessoas para a organização: visa mensurar qualitativamente o impacto de cada pessoa nos resultados orga- nizacionais. b) Desenvolver talentos: como a metodologia consegue identificar os pontos fortes e pontos fracos do empregado, ficam mais claras as necessidades de investimento em capacitação e treinamento para o desenvolvimento deste. c) Fornecer informações essenciais: que auxiliem no desenvolvimen- to das demais atividades referentes á gestão de pessoas como fonte de apoio à tomada de decisões gerenciais. d) Tornar transparente a relação entre avaliadores e avaliados: o processo permite que gestor e subordinado possam dialogar e compartilhar a visão sobre as atividades do trabalho, fortalecendo assim a relação. e) Abastecer a organização com avaliações periódicas: como é sabi- do, as avaliações devem ser realizadas periodicamente e de forma contínua para que as ações estabelecidas possam ser acompa- nhadas e verificadas quanto aos seus resultados. U N IC ES U M A R 165 A Figura 5 ilustra o conceito de Araújo e Garcia (2014) sobre as finalidades da avaliação de desempenho em prol do desenvolvimento do empregado. Figura 5 – Finalidades do processo de acompanhamento de desempenho Fonte: Araújo e Garcia (2014, p. 127). Ainda conforme os autores, a vantagem de se realizar a avaliação de desempenho é justamente a antecipação das ações que se fizerem necessárias para os envolvi- dos (ARAUJO; GARCIA, 2014; CHIAVENATO, 2020a). a) A descoberta de talentos se dá justamente pela avaliação do empregado e características que envolvem fortalezas e necessidades de desenvolvi- mento para melhor aderência ao cargo/função. b) Facilita o diálogo por meio do feedback que oportuniza o conheci- mento de situações às vezes não identificada pelo avaliado. c) Auxilia o direcionamento de esforços por parte da organização que contribuirá para o processo de desenvolvimento. • identi�car o valor das pessoas para a organização; • desenvolver talentos; • fornecer informações essenciais; • tornar transparente a relação entre avaliadores e avaliados, e • abastecer as organizações com avalições periódicas FINALIDADES Processo de AD Descrição da Imagem: representação do processo de avaliação do desempenho, cujas finalidades são: iden- tificar o valor das pessoas para a organização; desenvolver talentos; fornecer informações essenciais; tornar transparente a relação entre avaliadores e avaliados e abastecer as organizações com avalições periódicas U N ID A D E 5 166 d) Auxilia o aprimoramento da qualidade de vida, já que ajuda a resolver problemas de produtividade. e) Situa as pessoas na estrutura organizacional, uma vez que, ao avaliar o indivíduo, este também pode se movimentar na estrutura salarial da empresa. f) Incentiva a utilização do coaching, pois estimula os gestores a atuarem como “treinadores” dos seus liderados. Conforme representado na Figura 6, é possível perceber as vantagens que o pro- cesso de avaliação possibilita para empregados e empresas descrito anteriormente: Figura 6 – Vantagens do processo de avaliação de desempenho Fonte: Araújo e Garcia (2014, p. 157). Ainda sobre a oportunidade de o gestor exercer papel de treinador, visto que no feedback ele pode realizar processo de coaching (seja formal ou informal), Chiave- nato (2020a, p. 248) reforça que este deve ter preparo para tal e primordialmente: PROCESSO DE AD SITUA AS PESSOAS NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL FACILITA O FEEDBACK ÀS PESSOAS DA ORGANIZAÇÃO INCENTIVA A UTILIZAÇÃO DO COACHING AUXILIA O DIRECIONAMENTO DOS ESFORÇOS DA ORGANIZAÇÃO AUXILIA O APRIMORAMENTO DA QUALIDADE DE VIDA POSSIBILITA A DESCOBERTA DE TALENTOS Descrição da Imagem: vantagens do processo de avaliação de desempenho, em que temos: facilita o fee- dback às pessoas da organização, incentiva a utilização do coaching, auxilia o direcionamento dos esforços da organização, auxilia o aprimoramento da qualidade de vida, possibilita a descoberta de talentos, situa as pessoas na estrutura organizacional . U N IC ES U M A R 167 a. Focalizar as prioridades mais importantes. b. Descrever situações específicas e comportamentos apropriados a cada uma delas. c. Focalizar o trabalho, não a pessoa. d. Relacionar o feedback com os objetivos e expectativas. e. Fazer críticas positivas e construtivas. f. Tentar ver as coisas sob sua perspectiva e compartilhar suas próprias experiências. g. Proporcionar feedback de maneira positiva e orientada para a ação. h. Assegurar que o colaborador compreenda e seja capaz de su- marizar sua intervenção. i. Acompanhar e monitorar melhorias no desempenho. Chiavenato (2020a, p. 245) apresenta também algumas fragilidades sobre o pro- cesso de avaliação. É importante ficar atento às colocações apresentadas na ín- tegra pelo autor: a. Quando as pessoas envolvidas na avaliação do desempenho a percebem como uma situação de recompensa ou punição pelo desempenho passado. b. Quando a ênfase do processo repousa mais sobre o preenchi- mento de formulários do que sobre a avaliação crítica e objetiva do desempenho. c. Quando as pessoas avaliadas percebem o processo como injus- to e tendencioso. A falta de equidade e a injustiça prejudicam profundamente o processo de avaliação. d. Quando os comentários desfavoráveis do avaliador conduzem a uma reação negativa e de não aceitação por parte do avaliado. e. Quando a avaliação é inócua ou baseada em fatores irrelevantese estranhos que não conduzem a nada e não agregam valor a ninguém. Todas essas considerações sobre o desenvolvimento das pessoas leva à compreen- são de que uma organização que possui elevado desempenho possui empregados que acompanham essa métrica, afinal são as pessoas que trabalham em uma orga- nização que assumem as responsabilidades e realizam as atividades que denotam alto desempenho. Chiavenato (2020a, p. 251) traz que: U N ID A D E 5 168 Assista a TEDxRiodoSul, 2019. Repensando a carreira no mundo VUCA. O que está mudando no cenário das profissões é algo que atinge mercado, pessoas e a sociedade em sua totalidade. Drudi traz sua visão do cenário VUCA, suas oportunidades e riscos no processo evolutivo de trabalho. Aces- se o link: https://www.youtube.com/watch?v=82paURJa4s8 conecte-se “ Estão surgindo novos métodos de retroação do desempenho que se caracterizam por uma colocação totalmente nova do assunto: autoavaliação e autodireção das pessoas, maior participação do colaborador no seu próprio planejamento de desenvolvimento pessoal, foco no futuro e na constante e crescente melhoria con- tínua do desempenho. Com base nessa afirmação, pode-se inferir que cada vez mais ter um Planejamen- to de carreira passa a ser diferencial para o indivíduo de um modo geral, e não existe um tempo certo para se fazer um Planejamento de Carreira, porém, obvia- mente, quanto mais cedo se fizer, mais cedo se toma conhecimento do que se tem pela frente em termos de conhecimento e desenvolvimento. Tjara e Santos (2015, p. 90) reforçam esse pensamento e dizem que: “[...] quando se cria um plano de carreira, você toma conhecimento dos ciclos profissionais e desafios a enfrentar”. Ainda sobre a afirmação de Chiavenato (2020a) se percebe um protagonismo do empregado, que passa a ser responsável pelo seu desenvolvimento, com uma par- ticipação mais ativa no processo e não apenas como responsabilidade da empresa. No passado era assim, nos dias atuais espera-se que as pessoas compreendam que o processo de desenvolvimento, em algum momento, até pode ter o apoio da empresa, mas que a responsabilidade é individual, até porque se pressupõem que haja por trás um Planejamento de Carreira realizado pelo indivíduo, logo, existem ações proativas do empregado para conquistas na empresa ou fora dela, mas que impactem na sua satisfação profissional e entendimento do seu papel em relação ao que é almejado. Cada vez mais os profissionais precisam compreender as mudanças no mer- cado de trabalho, buscar novos conhecimentos, acompanhar o mundo digital, novas tecnologias, novos processos de trabalho, novos softwares, mudanças legais que impactam nos contratos de trabalho para não ficarem obsoletos e perderem https://www.youtube.com/watch?v=82paURJa4s8 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6806 U N IC ES U M A R 169 empregabilidade e conseguirem, minimamente, sua adaptação, considerando as profundas mudanças pós pandemia que afetam e afetarão significativamente o mercado de trabalho. Considerações Finais Nesta unidade, foi possível conhecer os conceitos introdutórios da Gestão e Pla- nejamento de Carreira. Constatou-se que o planejamento se trata de uma reflexão estruturada do indivíduo sobre o seu projeto de vida, com estabelecimento e revisão de metas para atingir bons resultados profissionais e pessoais. A gestão da carreira requer um protagonismo do indivíduo, afinal, mesmo que a empresa possua um Plano de Carreira associado a um Plano de Cargos e Salários, necessariamente, não significa que o empregado queira permanecer em uma empresa por ela ter o Plano de Carreira. Basta que, na sua reflexão, ele compreenda que aquele não é o caminho que ele deseja seguir. Para realizar um Planejamento de Carreira, é necessário conhecer os pila- res que auxiliam o indivíduo na sua reflexão sobre o tema, sendo o primeiro o autoconhecimento (conhecer a si mesmo), sendo capaz de compreender o seu papel no mundo. Nessa reflexão, o indivíduo entra em contato com seus pontos fortes (qualida- des, talentos, competências, valores etc. que o fazem seres únicos), os pontos fra- cos (atitudes e comportamentos que prejudicam o seu crescimento, crenças que sabotam o seu crescimento, entre outros), as oportunidades (entender se existem chances reais de crescimento na empresa, compreender qual perfil profissional a empresa busca, se deveria seguir por uma linha de carreira empreendedora etc.) e as ameaças (refletir sobre o domínio dos conhecimentos e habilidades que podem ajudar no seu crescimento, entender quais comportamentos e crenças podem limitar o sucesso e a felicidade, como reage frente à proatividade, mudanças, disposição para aprender coisas novas entre outros). O autoconhecimento busca identificar as competências que necessitam de- senvolvimento, traçar metas e objetivos e desenvolver o Plano de Ação para rea- lizar o proposto e, finalmente, a importância do desenvolvimento das pessoas na carreira para o atingimento do sucesso profissional. 170 na prática 1. Sobre o Planejamento de Carreira, responda às seguintes afirmativas com V (ver- dadeiro) ou F (falso). I - É uma forma de estruturar os projetos de vida com clareza de propósito, com organização e estratégia. II - Deve ser feito apenas uma vez para o resto da vida. III - Para planejar a carreira é fundamental conhecer a si mesmo e ao mundo do trabalho. IV - É feito pensando apenas na vida profissional. a) V-V-V-V. b) V-F-F-F. c) F-F-V-V. d) V-F-V-F. e) F-F-F-F. 2. Analise as afirmações a seguir e reflita se elas estão corretas ou incorretas. I - O imediatismo é um dos fatores que faz com que as pessoas negligenciem a sua carreira. II - O desenvolvimento dos recursos humanos de uma organização está intimamen- te relacionado ao desenvolvimento da carreira. III - Dar foco de direcionamento profissional para as pessoas é função das Organi- zações. IV - As necessidades de carreira só mudam se estas forem atendidas em um Plano de metas e objetivos. Assinale a alternativa que contenha as respostas corretas: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I e III estão corretas. d) Apenas I e IV estão corretas. e) Apenas II e IV estão corretas. 171 na prática 3. Sobre a Matriz de SWOT Pessoal, responda às seguintes afirmativas com V (verda- deiro) ou F (falso). I - A Matriz de SWOT pessoal é uma ferramenta que propicia o autoconhecimento por apresentar reflexões relacionadas ao indivíduo. II - Saber quais são as minhas qualidades, dons e talentos, valores e preceitos são exemplos de pontos fortes que eu tenho. III - As crenças limitantes que sabotam a minha vida profissional são exemplos de ameaças. IV - Todas as chances reais de evoluir, de realizar e se tornar uma pessoa melhor fazem parte das Forças que possuo. V - Quando eu não domino conhecimentos e habilidades que podem ajudar no meu crescimento, isso é um Ponto Fraco. a) V-V-V-V-F. b) V-V-F-F-F. c) F-F-V-V-F. d) V-V-F-F-V. e) F-F-F-F-V. 4. Pensando nos Pilares do Planejamento de Carreira, assinale a alternativa correta. a) Busca pelo autodesenvolvimento – desenvolvimento de autoconhecimento – exploração de oportunidades – estabelecimento de metas e planos. b) Busca pelo autoconhecimento – desenvolvimento de competências – exploração de oportunidades – estabelecimento de redes de relacionamento. c) Avaliação e desempenho – desenvolvimento de competências – exploração de oportunidades – estabelecimento de metas e planos. d) Avaliação de desempenho – desenvolvimento de competências – facilitar o fee- dback – estabelecimento de metas e planos. e) Busca pelo autoconhecimento – desenvolvimento de competências – exploração de oportunidades – estabelecimento de metas e planos. 172 na prática 5. Analise as afirmações a seguir e reflita se elas estão corretas ou incorretas: I - As pessoas envolvidas na avaliação do desempenho a percebem como uma situação de recompensa ou punição pelo desempenhopassado, é claramente uma situação em que o gestor exerce seu papel de treinador do colaborador, demonstrando as lacunas da função. II - Os comentários desfavoráveis do avaliador e que conduzem a uma reação nega- tiva e de não aceitação por parte do avaliado é uma das fragilidades do processo de avaliação de desempenho. III - A avaliação de desempenho não possui impacto na carreira profissional do em- pregado porque está ligada ao plano de carreira. IV - No passado, a condução da carreira do empregado era de responsabilidade da empresa, hoje essa visão mudou e o protagonismo pertence ao empregado. Assinale a alternativa que contenha as respostas corretas. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I e III estão corretas. d) Apenas II e IV estão corretas. e) Apenas I e IV estão corretas. 173 aprimore-se CASO PRÁTICO: Bruno Serra, 35 anos, contratou um profissional de coaching porque estava indeciso sobre permanecer na sua atual Instituição ou se ele deveria seguir uma carreira independente como Consultor na área em que atua. Uma das primeiras atividades desenvolvidas foi a Matriz de SWOT Pessoal, nela, Bruno conseguiu identificar os seguintes pontos: Pontos Fortes: Automotivação, liderança, independência, proatividade. Pontos Fracos: Comunicação, assumir riscos, impaciência. Oportunidades: Empreender, avaliações positivas dos liderados e clientes, tra- balhar em home office. Ameaças: Poucas oportunidades por conta da pandemia, concorrência elevada. Analisando a Matriz de SWOT de Bruno, é possível responder qual a decisão que Bruno deve tomar? Qual seria a alternativa? Apenas a Matriz de SWOT Pessoal não é suficiente para uma tomada de decisão de tal porte. A ferramenta auxiliará você a compreender os pontos principais de talentos e dificuldades (forças e fraquezas) que são observáveis em você, além de situá-lo no sentido de observar direções para se atingir um objetivo (oportunidades) e também o que pode dificultar o atingimento deste que não são dependentes de você (ameaças). Para tal decisão, Bruno deverá se subsidiar de maior quantidade de informações que o levem à tomada de decisão sobre a sua carreira. Além disso, é recomendável que Bruno realize o seu Planejamento de Carreira estabelecendo metas e objetivos para os dois cenários, a fim de que possa realmente compreender o melhor cami- nho a ser seguido, identificando como irá contornar as fraquezas e ameaças para cada cenário. Bons Estudos! 174 eu recomendo! Planejamento de Carreira e o Projeto de Vida Autor: Maria Sara de Lima Dias Editora: CRV Sinopse: conforme a sinopse da própria autora, o livro surgiu de debates em sala de aula com alunos de diferentes cursos de gra- duação sobre o mundo do trabalho. Aborda, portanto, as ques- tões e as frequentes dúvidas que permeiam as escolhas profis- sionais dos alunos dentro da universidade. Compreendendo que a escolha de uma carreira está além da simples escolha do curso superior, escolher a carreira é buscar uma identidade de si, de quem eu quero ser em um futuro pressuposto, desenvolver uma imagem, um ideal de si em um futuro. livro Jiro Dreams of Sushi Ano: 2011 Sinopse: o filme se trata de um documentário que apresenta a vida de Jiro Ono, cujo foco está no desenvolvimento da sua car- reira profissional. No desenrolar do filme, é possível verificar as habilidades, a atenção a detalhes, ao foco e a dedicação de Jiro que fazem deste um excelente profissional como sushiman e empresário, sendo o seu restaurante premiado com três estrelas Michelin, guia gastronômico mundialmente reconhecido. filme 175 eu recomendo! Assista o vídeo: All work and all play (legendado). O vídeo é o resultado de diversos estudos realizados pela Box1824 e analisa as mudanças no mundo do trabalho e a forma como as gerações percebem o trabalho. Observe que, cada vez mais, as pessoas estão buscando encontrar satis- fação em suas ocupações. Leia o artigo: Carreiras em transformação e seus paradoxais reflexos nos indivíduos: Metáforas de carreira e de competências, o artigo publicado na base Scielo analisa a evolução da carreira e seus diversos significados e apresenta um estudo realizado com profissionais de Administração de empresas, suas autopercepções e aspirações (âncoras) de carreira e as exi- gências em termos de competências profissionais. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9290 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9291 176 conclusão geral conclusão geral 176 conclusão geral conclusão geral A Disciplina de Plano de Cargos, Salários e Carreiras iniciou pela Gestão Estratégica de Recursos Humanos, prática realizada por poucas empresas, na sua maioria em- presas de grande porte. Na Unidade 1, foram contextualizadas a evolução da área de Recursos Humanos, bem como os subsistemas de Recrutamento e Seleção e Remuneração que permeiam essa prática. Na segunda unidade, foram apresentadas a análise e descrição de cargos, pois, na Gestão Estratégica de RH, as empresas possuem um Plano de Cargos e Salários e, portanto, é necessário que esta mapeie os cargos existentes e valorem de acordo com função e responsabilidades. A pesquisa salarial é fator balizador para a pro- posição de valores para os cargos. Foram apresentados formas de avaliação dos cargos para que se possa aplicar na sua empresa. Na terceira unidade, tratou-se da Remuneração Estratégica, em que se apresen- taram conceitos sobre os elementos que compõem a remuneração e benefícios, tanto os legais quanto os espontâneos e, a partir daí, apresentou-se o modelo de benefícios flexíveis, em que o empregado escolhe os benefícios de acordo com a sua necessidade, sendo essa uma prática para retenção de talentos e diminuição da rotatividade de pessoal. Na quarta unidade, o tema foi o Plano de Cargos e Salários como Plano de Carrei- ra a partir da estrutura organizacional das empresas, que, nesse caso, é de respon- sabilidade da empresa. Também se falou da importância da comunicação do Plano de Cargos como forma de tornar o entendimento dos envolvidos o mais equânime possível e apresentados os impactos da gestão de desempenho em relação a possí- veis movimentações de pessoal. Finalmente, na quinta e última unidade, tratou-se da Gestão da Carreira e Plane- jamento desta. Realizar um Planejamento de Carreira auxilia o indivíduo a buscar pelo autoconhecimento, desenvolver competências, explorar novas oportunidades e estabelecer metas e planos. O Planejamento da sua Carreira pode provocar uma mudança no rumo profissional, uma troca de carreira ou de empresa ou, até mesmo, servir para a construção de uma carreira independente, onde o que se busca saber é o que realmente faz com que os seus olhos brilhem no campo pessoal e profissional. referências 177 UNIDADE 1 BATEMAN, T. S.; SNELL, S. Administração. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. BOHLANDER, G.; SNELL, S. Administração de Recursos Humanos. 16. ed. São Paulo: Cen- gage Learning, 2009. BRASIL. Lei n° 14.040, de 6 de julho de 2020. 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A afirmação IV é, portanto, a única res- posta que está correta. 3. A. Ambas estão corretas, mas a II não é uma justificativa da I asserção. 4. B. É a única que preenche corretamente as lacunas considerando os conteúdos estudados. Para ser um RH estratégico, este está associado ao Planejamento estratégico que contempla a visão, mis- são e valores de uma empresa, sendo assim, desenha estratégias de sucesso para transformar o RH de ontem, no RH de hoje, sendo um dos principais pila- res as pessoas. 5. B. Ambas são verdadeiras e a II é uma justificativa da I asserção. UNIDADE 2 1. A. Apenas é verdadeira a afirmativa III, que diz que “A descrição de cargo em uma empresa subsidia cada cargo da empresa em relação a atribuições e re- quisitos para posterior avaliação e afins”. As afirmações I e II estão invertidas em relação ao conceito. Na afirmação IV, não existe legislação para a nomencla- tura do cargo. Afirmativa V diz respeito ao conceito de descrição de cargo. 2. C. Em relação ao instrumento, trata-se de Pesquisa Salarial que busca subsí- dios no mercado para valorar os cargos. 3. Pode ser realizada por meio da entre- vista individual com o ocupante da vaga ou uma entrevista com o grupo de ocupantes com a finalidade de melhor compreensão das responsabilidades e tarefas de cada cargo ou, ainda, en- trevista com o supervisor. Pode se fazer uso de aplicação de questionário, que segue a mesma lógica da entrevista, porém abrange um maior número de pessoas respondendo sobre o cargo que ocupa. Pode ser realizada por meio da observação, em que analisam as ati- vidades que são exercidas pelo colabo- rador e são anotadas, normalmente, em uma planilha ou questionário, sendo utilizada apenas para atividades mais simples e que são executadas de forma rotineira e repetitiva. gabarito 184 4. D. As afirmações I e II estão corretas. Na afirmação I: de fato o conceito apresen- tado diz respeito à pesquisa salarial, e na afirmação II, aqueles são realmen- te exemplos de critérios de seleção de empresas que comporão o grupo de empresas pesquisadas, poderia ter sido ainda acrescido de outros critérios, como: política salarial praticada, núme- ro de funcionários/cargos, tipo de mão de obra empregada ou porte da em- presa. A afirmação III está errada, pois aquele conceito diz respeito à curva sa- larial e não à classe salarial. A classe sa- larial é o agrupamento de cargos seme- lhantes que são incluídos em um grupo e remunerados de forma igualitária. 5. E. Método de categorias predetermina- das que vem a ser o método que avalia as categorias que atendem a organiza- ção dos cargos em três tipos: a) cargos não qualificados, b) cargos qualificados e c) cargos especializados. Essas classi- ficações variam de acordo com o cres- cimento de responsabilidades, habili- dades, conhecimentos, dentre outros fatores relevantes. UNIDADE 3 1. C. Apenas a afirmação I está correta. A afirmação II, referente à faixa salarial re- gional, independe da Empresa. A afir- mação III, relativa aos requisitos legais, são influenciadas por fatores externos, uma vez que estes podem ser oriundos de convenções ou acordos coletivos de trabalho. A afirmação IV, capacidade de pagamento da empresa, é influenciada pelos fatores internos, portanto, apenas a afirmação I está correta, porque, de fato, é influenciada por fatores internos. 2. D. A primeira afirmação é falsa, porque o conceito diz respeito à Remunera- ção por habilidades. A remuneração por habilidade recompensa o desen- volvimento cognitivo do empregado, reconhecendo o desenvolvimento dos conhecimentos deste em relação às habilidades ou grupos de habilidades desenvolvidos para a execução das ati- vidades. A segunda afirmação é verda- deira, pois as competências estratégicas impactam em todos os cargos de uma organização. No nível operacional, tra- balham-se competências específicas, pois são competências necessárias ao ocupante do cargo desenvolver a sua atividade. Em relação a afirmação III, de fato é uma desvantagem da Remunera- ção por habilidades, uma vez que estas são baseadas na cognição, logo, com os avanços tecnológicos e de mercado, facilmente se tornam obsoletas, neces- sitando de atualizações constantes, o que as torna onerosas e/ou burocráticas dentro de uma empresa. 3. E. A primeira afirmação que diz res- peito a conceitos e premissas está correta, embora seja mais comumen- te aplicada no nível executivo, nada impede que a participação acionária seja aplicada nos demais níveis orga- nizacionais. A segunda afirmação está incorreta, pois o conceito de: “[...] os empregados participamde um pool gabarito 185 de bônus gerado de uma percenta- gem de lucro geralmente originada do lucro excedente” diz respeito a Distri- buição de Lucros. A terceira afirmação está correta, de fato, a distribuição de resultados considera a produtividade e qualidade aos resultados organizacio- nais. A quarta afirmação também está correta, porque a distribuição por lu- cros funciona melhor quando existem poucos níveis hierárquicos e necessita de esforço de comunicação. 4. A. Os benefícios supletivos são aque- les que visam proporcionar facilidades aos empregados, portanto, o único que é supletivo é o transporte subsi- diado aos empregados. Assistência médica, Assistência Educa- cional e Remuneração por tempo não trabalhado fazem parte dos benefícios assistenciais que são aqueles que, em caso de emergência, amparam o em- pregado e a família. Academia compõe benefícios recreati- vos, ou seja, os que proporcionam lazer aos empregados. 5. B. A alternativa I está correta. Justamen- te a proposta do Plano de benefícios flexíveis é que o empregado possa es- colher aqueles que mais lhe convier. A alternativa II também está correta. A forma de disponibilizar é mediante pontos ou créditos atribuídos ao em- pregado, considerando o cargo e res- ponsabilidades assumidas. A alternativa III está incorreta porque, no Plano de benefícios flexíveis, é pos- sível escolher e atribuir os seus pontos a familiares e dependentes. A alternativa IV está incorreta, porque não se pode afirmar que é a melhor forma e, ainda, no Brasil são poucas as empresas que disponibilizam essa mo- dalidade. Ela é mais aplicada em países desenvolvidos. UNIDADE 4 1. A. Estão corretas a alternativa que apre- senta o conjunto de respostas: Adap- tabilidade, Flexibilidade e Criatividade, pois com as mudanças atuais estas são características importantes para que haja maior disponibilidade de compe- tências que agreguem valor ao empre- gado, aumentando sua empregabili- dade no mercado. As demais contêm elementos negativos; na alternativa B, aparecem a competitividade e o con- trole, estas são atitudes que vão na con- tramão de conceitos como trabalho em equipe, colaboração etc. Na afirmação C, somente atitudes que não condizem com o que se espera do empregado, como resistência ou crenças limitantes, como buscar certezas definitivas. Na afirmação D, a gestão da carreira é uma via de mão dupla, em que a empresa possui um Plano de Carreira, mas existe o protagonismo do profissional em bus- car seu desenvolvimento. E a afirmação E traz uma ideia de passividade o que não combina com a velocidade de transformação do Mundo atual. gabarito 186 2. E. Estão corretas as alternativas I e IV. A alternativa II está incorreta porque jus- tamente as Estruturas Paralelas oportu- nizam aos empregados que estão em cargos de áreas técnicas a movimenta- ção para cargos não necessariamente de gestão, mas técnicos com remune- rações equivalentes. A alternativa III está incorreta porque os empregados que estão associados a uma Estruturas em linha só podem se movimentar através de uma única linha de possibilidade de movimentação, a vertical. As demais, I e IV estão corretas. 3. B. A afirmativa I é uma questão verda- deira, porque de fato a avaliação tem como finalidade identificar quais os empregados necessitam de aperfei- çoamento. A afirmativa II é uma questão falsa, porque a avaliação de desempenho contribui para os programas de mérito, promoções e transferência das empre- sas. Claro que ela pode levar a desliga- mentos quando o desempenho não for satisfatório, mas o que se afirmava nesta asserção era em relação a mérito, promoções ou transferências e, de fato, a avaliação de desempenho pode pro- porcionar esse tipo de movimentação desde que seja previsto em orçamento ou nas políticas e diretrizes da empresa. A afirmativa III é verdadeira porque a avaliação de desempenho é de fato um instrumento que auxilia o gestor a fornecer feedback aos empregados de forma planejada e organizada. A afirmativa IV também é verdadeira porque a avaliação de desempenho facilita o processo de autodesenvolvi- mento dos empregados, uma vez que ele passa a conhecer os gaps que o impedem de se movimentar em uma organização e com isso, o auxilia a ser protagonista no seu plano de carreira. 4. D. A afirmação I está correta, pois de fato a comunicação faz parte da estraté- gia organizacional, servindo tanto para dar direcionamento às questões futuras como os riscos pertinentes a esta visão para os envolvidos no processo. A afirmação II está incorreta porque barreiras pessoais são interferências que decorrem das limitações, emoções e valores humanos de cada pessoa. O conceito apresentado nesta afirmação diz respeito às barreiras semânticas. A afirmação III está incorreta porque barreiras semânticas dizem respeito as diferenças de linguagem e estas cons- tituem barreiras semânticas entre as pessoas. E os exemplos são: formas de comunicação – como gestos, sinais, sím- bolos etc. que podem ter significâncias diferentes. A afirmação IV está correta, pois de fato as barreiras físicas são ocasionadas por interferências que ocorrem no ambien- te em que acontece o processo de co- municação. 5. Conhecimento diz respeito ao saber, à bagagem técnica que o indivíduo acu- mula através da academia (educação), experiência e cursos que influenciam no seu “saber”. gabarito 187 Habilidades diz respeito a como eu aplico o saber, isto é, “o saber fazer”. Atitudes dizem respeito ao “querer fa- zer”, são comportamentos que acom- panham o indivíduo pela sua vida. Os conhecimentos e as habilidades di- zem respeito às competências técnicas, de fácil assimilação, já as atitudes dizem respeito às competências comporta- mentais, podem ser modificadas desde que o indivíduo perceba a necessidade e trabalhe para que se torne perene as mudanças de comportamentos. UNIDADE 5 1. D. A afirmação I é verdadeira porque o Planejamento de Carreira é uma forma de estruturar os projetos de vida com clareza de propósito, com organização e estratégia. A afirmação II é falsa porque o Plane- jamento de Carreira deve ser revisto ao longo da trajetória de vida, portanto, não deve ser feito apenas uma vez para o resto da vida. A afirmação III é verdadeira porque para planejar a carreira é fundamental co- nhecer a si mesmo (autoconhecimen- to) e ao mundo do trabalho. A afirmação IV é falsa porque o Planeja- mento de Carreira considera a vida pro- fissional e pessoal, portanto não é feito pensando apenas na vida profissional. 2. A. A afirmação I está correta porque, de fato, o imediatismo é dos fatores que faz com que as pessoas negligenciem a sua carreira, uma vez que trocam de emprego sem dar tempo de maturação e consolidação de sua atividade. A afirmação II está correta porque o desenvolvimento dos recursos hu- manos de uma organização está inti- mamente relacionado ao desenvolvi- mento da carreira, são as pessoas que fazem e são responsáveis pelos resul- tados das empresas. A afirmação III está incorreta porque dar foco de direcionamento profissio- nal para as pessoas é finalidade do Pla- no de Carreira, não da Organização, até porque a responsabilidade da carreira é do indivíduo. A afirmação IV está incorreta porque as necessidades de carreira mudam constantemente, até porque o Mundo muda constantemente, e nossos dese- jos e necessidades acompanham essas mudanças. 3. B. A afirmação I é verdadeira porque a Matriz de SWOT pessoal é utilizada como ferramenta de autoconhecimento. A afirmação II é verdadeira porque sa- ber sobre as minhas qualidades, dons e talentos, valores e preceitos reforçam os meus pontos fortes e demonstram no que eu sou realmente bom. gabarito 188 A afirmação III é falsa porque as crenças limitantes que sabotam a minha vida profissional são os meus pontos fracos, pois me permito fracassar por conta de pensamentos ou crenças infundadas de que eunão posso. A afirmação IV é falsa porque as chances reais de evoluir, de realizar e se tornar um ser, uma pessoa, dizem respeito às oportunidades que eu de- veria me engajar. A afirmação V é falsa porque quando eu não domino conhecimentos e ha- bilidades que podem ajudar em meu crescimento, isto não é uma “sabota- gem”, mas uma limitação que eu pos- so buscar, portanto é uma ameaça à minha carreira. 4. E. Quando questionados os Pilares do Planejamento de Carreira, a resposta correta é: busca pelo autoconhecimen- to – desenvolvimento de competências – exploração de oportunidades – esta- belecimento de metas e planos. Na afirmação A, o primeiro pilar diz respeito ao autoconhecimento, não posso desenvolver algo que ainda não sei que preciso. Na afirmação B, estabelecimento de re- des é uma estratégia para eu realizar o meu Plano de metas. Na afirmação C, a avaliação de desem- penho é instrumento da Organização, não do Planejamento de Carreira. Na afirmação D, facilitar o feedback é uma vantagem da Avaliação de Desem- penho. 5. D. A afirmação I está incorreta porque a situação descrita se trata de uma fra- gilidade da avaliação de desempenho. A afirmação II está correta porque a si- tuação apresentada é uma fragilidade na avaliação de desempenho. A afirmação IIII está incorreta porque é sabido que a avaliação de desempenho possui impacto na carreira profissional, pois está atrelada ao Plano de Carreira da Empresa, e justamente permitirá movimentações do empregado na es- trutura salarial e de cargos. A afirmação IV está correta porque, de fato, no passado, as carreiras das pes- soas eram gerenciadas pelas organi- zações, tanto que muitos empregados permaneciam a vida toda trabalhando para o mesmo empregador. anotações anotações anotações anotações _Hlk70483471 _Hlk70483497 _Hlk70483511 _Hlk70483555 _Hlk70483600 _Hlk70483631 _Hlk70483653 _Hlk69732838 _Hlk70483683 _pt1ns2cvfh1c _tnaixz861ce4 GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS HUMANOS DESCRIÇÃO, ANÁLISE, CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE CARGOS REMUNERAÇÃO ESTRATÉGICA E BENEFÍCIOS PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS COMO PLANO DE CARREIRA NAS ORGANIZAÇÕES GESTÃO E PLANEJAMENTO DE CARREIRA conclusão geral _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _Hlk70080108 _heading=h.3znysh7 _heading=h.3znysh7 _heading=h.2et92p0 _heading=h.tyjcwt _heading=h.3dy6vkm _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.xwr5oidrnh0v _GoBack Botão 4: Botão 7: Botão 8: Botão 9: Botão 10: Botão 11: Botão 12: Botão 13: Botão 1: Botão 2: Botão 3: Botão 5: Botão 6:foi possível compreender a razão da criação da área de Recursos Humanos no Mundo e o desdobramento desta para o Brasil até nossos dias. Você aprendeu que a Gestão Estratégica de Pessoas contempla processos para estes recursos de aquisição, compensação, desenvolvimento e manutenção alinhados aos resultados de um negócio. quadro-resumo U N IC ES U M A R 17 a) Substituição ou aumento de quadro previsto em orçamento (budget). b) Aumento de quadro não previsto em orçamento (budget) (ou aumento circunstancial de colaboradores). Para se atender ao tipo de processo, as organizações normalmente se utilizam de demanda, tanto o recrutamento interno, quanto o recrutamento externo. ■ O recrutamento interno é aquele processo em que se buscam can- didatos internos da organização, sendo a estes informados sobre a abertura do processo por meio dos meios de comunicação da em- presa (e-mail, intranet, redes da própria empresa, como: Instagram, Facebook e LinkedIn e outros), nos quais a Organização divulga as características exigidas para o cargo, solicitando aos interessados que se candidatem normalmente via um link de inscrição, para a posição oferecida ou direcionam para algum e-mail no qual os candidatos enviem seus dados para análise (MARRAS, 2016). ■ O recrutamento externo é aquele em que a captação dos recursos humanos é realizada por meio da prospecção no mercado de trabalho para suprir uma necessidade da empresa no seu quadro de efetivos. No recrutamento externo, deve-se analisar as seguintes variáveis para escolher a fonte de recrutamento mais adequada: a variável tempo e a variável custo (MARRAS, 2000). A variável tempo, conforme afirma Marras (2000, p. 73), diz respeito “ [...] aquela que determina a exigência temporal que está contida na solicitação feita pela área solicitante da vaga, ao mesmo tempo em que indica, também, pelo mesmo parâmetro temporal, a fonte de recrutamento mais adequada. Já a variável custo: “ É a que representa a possibilidade financeira que se dispõe para ini- ciar um processo de recrutamento e seleção, ao mesmo tempo que possibilita identificar as fontes de recrutamento pela diferenciação de custo que cada uma representa. (MARRAS, 2000, p. 73). U N ID A D E 1 18 Descrição da Imagem: o gráfico 3 apresenta a relação entre o tempo e o custo do processo de recruta- mento, ou seja, quanto menor o tempo para a contratação de um profissional, mais elevado será o custo de captação deste e vice- -versa, uma vez que impacta na escolha de fontes, como contratar uma empresa especializada e utili- zar apenas indicações; se o tempo é curto, preciso utilizar uma fonte mais cara para atingir mais rapida- mente os resultados. A Figura 3 representa a relação entre as variáveis tempo e custo no processo seletivo. Variáveis tempo (x) e Custo (y) no Recrutamento Y X Quando o gestor se utiliza dessa premissa para avaliar a contratação dos empregados, é possível escolher a fonte mais apropriada para a captação de recursos humanos, seja por meio do recrutamento interno ou externo. A Figura 4 representa estas fontes. Tipos de Fontes de Recrutamento 1. Funcionários da própria empresa 2. Banco de dados interno 3. Indicações 4. Cartazes (interno e externos) 5. Entidades (sindicatos, associações etc.) 6. Escolas, universidades, cursos etc. 7. Outras Empresas (fornecedores, clientes etc.) 8. Consultorias de outplacement ou replacement 9. Agências de emprego 10. Mídia (anúncios, classificados, rádio, televisão etc.) 11. Consultorias 12. Headhunters Figura 4 - Fontes de recrutamento / Fonte: Marras (2000, p. 71). Figura 3 - Gráfico de tempo e custo. Fonte: adaptada de Marras (2000). U N IC ES U M A R 19 Ao analisar as fontes de recrutamento da Figura 4, sabe-se que, atualmente, as empresas se utilizam de novas fontes de recrutamento como sites profissionais, por exemplo o LinkedIn e as próprias redes sociais das empresas ou em grupos especializados de Recursos Huma- nos que interagem por diversos canais, como Facebook, Grupos de WhatsApp e até e-mails. É importante relembrar a você, aluno(a), que uma captação e encaminhamento para se- leção de recursos deficientes para o seguimento do processo de contratação acarretará sempre em uma alta probabilidade de aumentar o turnover (rotatividade) de pessoas e elevar os custos do processo de recrutamento e seleção para as Organizações. explorando Ideias A partir de um melhor entendimento dos impactos de uma escolha errônea, quando se fala de prospecção de candidatos, o processo de seleção também precisa se mo- dernizar. E a seleção, a partir da realização de processos de entrevistas que busquem uma aderência entre o currículo e a trajetória profissional, deve ser considerada. É importante que as empresas orientadas por um Planejamento Estratégico, tendo todas as áreas envolvidas no negócio, também selecionem pessoas aderen- tes aos resultados planejados e à Cultura Organizacional. Para isso, entrevistas que busquem identificar os candidatos com as competências mais aderentes à vaga oferecida é fundamental. Muitas vezes se atribui a competência de um empregado ao fato deste ser competente nas suas atividades e atribuições, porém, o último diz respeito à rea- lização de uma atividade de forma satisfatória enquanto que a competência está associada ao saber, saber fazer e o como se faz alguma coisa. Portanto, o processo de Entrevista por competências deve evidenciar competências relacionadas com as características individuais que permitirão um bom desempenho. Bohlander e Snell (2009) comentam que o processo de seleção está direta- mente ligado à condução do entrevistador em termos de estrutura ou controle exercido pelo próprio entrevistador. Os autores destacam alguns tipos de entrevistas, como: a) Entrevista não diretiva: o entrevistado tem liberdade para determinar o encaminhamento das discussões, enquanto o entrevistador procura não influenciar os comentários advindos do candidato. Bohlander e Snell (2009) acreditam que, nesse tipo de condução, é possível ao entrevistador identificar informações, atitudes ou sentimentos que não seriam identifi- cados em uma entrevista mais estruturada. U N ID A D E 1 20 Um artigo da revista Harvard Business Review (HBR) chamou a minha atenção em relação à contratação de pessoas, com o título investigante denominado “Seu modo de contratar está errado”, do autor Peter Cappelli, que é profes- sor de administração e diretor do Centro de Recursos Humanos na Wharton School, em que, justamente, ele defende que precisamos ter um modo de medição dos melhores funcionários e apostar mais no recrutamento interno. Acesse o QR Code da Revista que traz esse artigo. conecte-se b) Entrevista estruturada: é aquela mais tradicional e usual praticada pelas empresas, existe um roteiro de perguntas previamente planejadas e muito ligadas à execução do cargo. c) Entrevista Situacional: é uma variação da entrevista estruturada, porém, trabalha com situações hipotéticas, em que, muitas vezes, o candidato sequer passou por tal situação, nesse caso, a avaliação obedece a padrões previamente estabelecidos de respostas. d) Entrevista de descrição comportamental: esse é o tipo de entrevista em que o candidato precisa falar sobre situações reais experienciadas pelo ele. Nesse tipo de entrevista, é avaliado o desempenho do candidato em situações reais e suas competências para lidar com as situações. e) Entrevista coletiva: normalmente funciona como um processo de re- crutamento, em que ficarão apenas os candidatos que mais se adequam às normas, políticas, negócios e cultura da Organização. f) Entrevista por computador: uma das vantagens é poder filtrar can- didatos que se inscreveram de forma on-line, mas não apresentavam os requisitos mínimos para a vaga. g) Entrevistas realizadas por videoconferência: são realizadas por meio de sistemas de internet e ferramentas de comunicação e plataformas espe- cializadas paratal. Traz diversas vantagens, tais como redução de custos, agilidade do sistema e a flexibilidade para a realização do processo. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6718 U N IC ES U M A R 21 Não são somente as novas tecnologias que auxiliarão no processo de recruta- mento, mas a Organização investir também em desenvolver os seus próprios empregados e oferecer condições que os mantenham na Organização e, nesse sentido, selecionar por competências e oferecer remuneração e benefícios atrativos, dentro de uma política estratégica, pode ser uma solução para con- ter o turnover das Organizações. As organizações devem começar a repensar as suas formas de incentivar os empregados, e de encontro com essa proposta, a remuneração estratégica serve como uma ferramenta de retenção de talentos que apresenta um conjunto de políticas que auxiliam no processo de gestão. Essa ferramenta dispõe de políticas que visam enaltecer e recompensar os melhores desempenhos, garantindo uma vantagem estratégica para as organizações que se utilizam dessa prática. A remu- neração estratégica se utiliza da remuneração fixa e da remuneração variável que possibilita recompensar os melhores desempenhos. Entende-se por remuneração fixa os valores pagos a título de salário-base e, ainda, os itens referentes à política de benefícios que a organização oferece. Para a remuneração variável, seriam os valores pagos à título de Participa- ção nos Lucros - PLR; Bônus por Alcance de Resultados; Comissões; Participação Acionária, entre outros. Ainda abordando este conceito, há uma tendência de a fatia referente aos ganhos de remuneração variável atingirem frações maiores do todo. Isto é, as empresas é que definem a proporção na participação dos ganhos de remuneração variável dentro da remuneração total. Ao somatório de tudo que é pago ao empregado pelo empregador, denomi- na-se como remuneração total. Bohlander e Snell (2009) dizem que é preciso que as empresas ofereçam uma política de remuneração justa para a composição do salário e estas de- vem considerar os fatores internos e externos que a influenciam. A Figura 5 ilustra a ideia dos autores. U N ID A D E 1 22 Descrição da Imagem: a Figura 5 é um resumo dos elementos que impactam na composição do salário, fatores da organização e fatores externos Na mesma linha, os autores Bateman e Snell (2012, p. 179), apesar dos sistemas re- muneratórios estarem alinhados aos objetivos estratégicos do negócio, os autores afirmam que “[...] o mix de remuneração é influenciado por diversos fatores”. São eles: a) Os fatores internos incluem as políticas de remuneração da empresa, as tarefas de cada cargo e o valor relativo do funcionamento e a capacidade de pagamento do empregador. b) Os fatores externos incluem as condições do mercado de trabalho, os salários regionais, o uso de negociação coletiva e as exigências legais. Os autores ainda acreditam que a remuneração por incentivo faz com que os empregados produzam mais por compreender que o responsável por aquela remuneração é ele mesmo, isso cria um ambiente favorável à motivação. A motivação é intrínseca nas pessoas, ninguém motiva ninguém, ela deve vir da pessoa, mas por outro lado, eu crio um ambiente favorável propício para a motivação (BATEMAN; SNELL, 2012). A partir do panorama inicial sobre remuneração estratégica, pode-se infe- rir que ela influencia diretamente tanto na escolha do candidato em aceitar a proposta de uma organização pelas vantagens percebidas por ele quanto para a própria empresa, que em algumas situações, não oferece o mesmo salário nominal COMPOSIÇÃO DO SALÁRIO FATORES INTERNOS FATORES EXTERNOS Política de remuneração da empresa Valor do trabalho Valor relativo do funcionário Capacidade de pagar do empregador Condições do mercado de trabalho Faixa salarial regional Custo de vida Negociação coletiva Requisitos legais Figura 5 - Fatores influenciadores do salário / Fonte: Bohlander e Snell (2009, p. 346). U N IC ES U M A R 23 recebido pelo candidato pago pela empresa anterior, mas, no somatório total da remuneração, existem vantagens que farão este aceitar a oferta da Organização. Diversos aspectos podem ser relevantes para tal escolha como incentivo ao desenvolvimento pessoal, algum benefício diferente dos demais oferecidos usualmente pelas instituições tanto de curto prazo como de longo prazo. Esses benefícios serão abordados e aprofundados em uma unidade específica. 3 CONTEMPORANEIDADE E TENDÊNCIAS NA GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS HUMANOS Conforme Harrison (2005) havia uma previsão de como seria a Administração Estratégica do Futuro. Há mais de uma década, previa-se que a grande tendência da área de recursos humanos estava basicamente centrada em temas como: a) Remuneração por competências versus a remuneração por merito- crática ou por desempenho. Conforme a Pearson Education (2010, p. 165), havia uma tendência de olhar para o futuro, isto é, “[..] aquilo que o empregado pode fazer” e, portanto, merecer pelo conjunto de compe- tências desenvolvidas, sejam elas competências técnicas (conhecimento e habilidades) ou competências comportamentais (atitudes). U N ID A D E 1 24 b) Remuneração por competências versus a remuneração variável: salienta-se que a remuneração por competências não é uma remune- ração variável, mas sim um programa complexo que envolve análise de cargos, faixas e níveis salariais. Os fatores externos são os grandes direcionadores de mudanças e tendências da Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Com a pandemia causada pelo COVID-19, em agosto de 2020, e os governantes estaduais necessitando tomar medidas de contenção da doença para evitar o alastramento, cada estado passou a tomar decisões que restringem as atividades econômicas, além de adotar medidas que garantam o distanciamento social e protocolos de saúde e higiene para não aumentar ainda mais os doentes e mortos no País. Essas mudanças fizeram com que o governo necessitasse agir rapidamente e, portanto, o governo Federal publicou, no dia 1º de abril, a Medida Provisória nº 936/20, que diz respeito ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda que contém as novas regras e aprovação de condições preestabelecidas de condições para a redução proporcional da jornada e do salário de empregados e para a suspensão temporária dos contratos de trabalho, como alternativas para enfrentar a crise causada pela pandemia de covid-19. Quer saber mais sobre a medida provisória MP 936/20, acesse o sumário executivo, publicado no DOU em 1º de abril de 2020. conecte-se A partir desse panorama, as empresas passaram a adotar um misto entre o tele- trabalho, que está previsto na Consolidação das Leis Trabalhistas com o traba- lho remoto (home office), e com essa medida se pretendeu minimizar os riscos de demissão sumária para os empregados, a fim de, minimamente, as empresas conseguirem manter o seu negócio no meio de toda essa situação. Conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), as empresas se valeram dessa Medida e, como se pode observar, os empregados dos setores de Serviços, Comércio e Indústria foram os que mais sofreram com a nova Medida. Sendo que, em 6 de julho 2020, https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6719 U N IC ES U M A R 25 Descrição da Imagem: o gráfico expressa o número de trabalhadores com suspensão ou redução de jornada/salário impactados pela MP 936/20. Os valores são: 38,5 em serviços; 25,4 comércios; 22,6 indús- tria; 10,7 outros; 2,5 construção; 0,3 agropecuária. foi sancionada a Lei nº 14.020, originária da Medida Provisória nº 936/2020, o que certamente trará um cenário de aumento no desemprego, jornada, tipos de contrato e remunerações a partir deste novo cenário econômico impactado pela Pandemia que abate o Brasil. A Figura 6 ilustra esse novo contexto. 25,4 38,5 22,6 10,7 2,5 0,3 Número de trabalhadores com suspensãode contrato ou redução de jornada/salário 9MP 936) Brasil (em %) Serviços Comércio Indústria Outros Construção Agropecuária Diante de novas possibilidades que impactam as Organizações e empregados, a área de Recursos humanos necessita aplicar diversas mudanças no que concerne às suas políticas e estratégias que cada vez necessitarão estar mais alinhadas aos objetivos organizacionais. Figura 6 - Trabalhadores com suspensão ou redução de jornada/salários impactados pela MP 936/20 / Fonte: Dieese (2020) U N ID A D E 1 26 Tendo como pano de fundo o cenário que as Organizações estão vivenciando, será que elas estão preparadas para aplicar efetivamente uma transformação na área de RH? pensando juntos Sabe-se, não apenas pelo contexto atual, mas as mudanças nas organi- zações ainda são um obstáculo frente a muitos empregados que resistem às inovações. Uma das maneiras de minimizar essa questão é o gestor ou a Organização disponibilizarem o mais agilmente as comunicações que possam impactar na produtividade dos empregados. É preciso explicar o porquê de determinadas modificações se fazerem necessárias, assim como as alterações das atividades ou conceitos de trabalho ou implantação de novas tecnologias, transformando, assim, as mudanças em oportunidades para a melhoria dos resultados (BATELMAN; SNELL, 2012). Atualmente, a área de recursos humanos vem cada vez mais passando por processos de transformação e, com isso, as mudanças são inevitáveis. Alguns autores denominam, inclusive, como o RH 4.0, no qual as Organizações, cada vez mais, utilizam-se da tecnologia que promove uma verdadeira revolução no comportamento das pessoas e sociedade, agregando valores estratégicos para os negócios (ULRICH et al., 2011). Ulrich et al. (2011) sugerem que o redesenho e transformação do RH atenda a quatro categorias associadas: pessoas, desempenho, comunicação e trabalho, sendo só ser possível o sucesso desse processo quando se consideram alinhamen- to, integração e inovação como premissas para melhorar todas as práticas do RH. U N IC ES U M A R 27 Considerações Finais Caro(a) aluno(a), nesta primeira unidade, você pôde compreender a necessidade da criação da área de recursos humanos no Mundo por conta do final da Revo- lução Industrial, em que se fazia necessário maiores controles dos empregados e a necessidade do Brasil em acompanhar esse movimento. Foi mediante marcos históricos e momentos que foram afetados pelo ce- nário político e econômico, que a evolução da área de Recursos Humanos ne- cessitou acompanhar os resultados e alinhamento aos negócios, deixando de ser apenas um departamento da empresa, mas fazendo parte das decisões e responsabilidades em relação às contratações dos recursos que deveriam ser selecionados, a fim de contribuir para o aumento da produtividade, melhoria dos processos, aderência ao negócio por meio das competências do capital humano captados internamente e externamente. Você também pode compreender alguns conceitos iniciais ao que se chama de remuneração estratégica que serão mais aprofundados em outra unidade deste livro. Na Unidade 1, esse conceito inicial teve como objetivo apresentar possibilidades que poderiam servir para conter a rotatividade dos empregados de uma Organização. Finalmente, ainda dentro da Gestão Estratégica de Recursos Humanos, dar uma ideia sobre as tendências e contribuições que não somente a área de Re- cursos Humanos necessita a partir de um novo contexto no qual precisará se redesenhar e oferecer inovações nas relações entre as Organizações e os seus empregados, mas sim toda a Organização necessitará se adaptar às mudanças que se fizerem necessárias para garantir a sobrevivência do negócio que foi afetado drasticamente em razão de uma Pandemia iniciada na China e denominada de COVID 19, que vêm impactando severamente os negócios devido às imposições e restrições que afetam não apenas a Organização, mas os empregados e todos os interessados na medida em que se necessita criar medidas e leis que garantam minimamente uma possibilidade de estruturação. 28 na prática Caro(a) aluno(a), agora chegou a hora de você praticar aquilo que foi visto nesta unidade. 1. Analise cada uma das afirmações e verifique se é verdadeira (V) ou falsa (F). I - As habilidades técnicas contemplam a forma que o gestor toma as suas decisões. II - As habilidades interpessoais são as que possuem caráter estratégico, pois ne- cessitam de habilidade para gerenciar as pessoas (monitorar) desenvolver, in- centivar, motivar e conciliar conflitos. III - A Gestão estratégica de Recursos Humanos exige competências e competências comportamentais para o atingimento dos resultados da Organização. IV - A Gestão estratégica de pessoas leva em conta os norteadores estratégicos da organização para promover o alinhamento entre recursos e a busca por resul- tados organizacionais. A seguir, marque a alternativa que corresponda à sequência das afirmações após a sua análise. a) V, F, F, F. b) F, V, V, F. c) F, V, V, V. d) V, V, V, V. e) V, V, F, F. 29 na prática 2. Analise as seguintes afirmações: I - Na prática, o RH tradicional, normalmente, atua com práticas e políticas voltadas à: Remuneração Fixa e a Remuneração Variável. II - Remuneração fixa são os valores pagos a título de Salário-base. III - O somatório de tudo que é pago ao colaborador é tratado como Remuneração variável. IV - A remuneração estratégica é um forte diferencial na busca de resultados sus- tentados. Marque a alternativa que corresponda à sequência de afirmações corretas: a) I e II, apenas. b) III, apenas. c) II e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) IV, apenas. 3. Analise as asserções a seguir: I - A Gestão estratégica de Recursos Humanos exige competências técnicas (co- nhecimentos e habilidades) e comportamentais (atitudes) para o atingimento dos resultados da Organização. PORQUE II - A Organização que recruta e seleciona os seus recursos alinhados às suas estra- tégias de negócios tem mais chance de diminuir a rotatividade de empregados e, com isso, garantirá melhores resultados. Assinale a alternativa que apresenta a análise correta das asserções: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II, falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II, verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 30 na prática 4. O RH deve participar ativamente do ________________ da empresa em diversos momen- tos e deve desenhar ______________ que suportem maior alinhamento às demandas da Organização e do mercado, considerando as necessidades dos empregados, sendo que o redesenho e ________________ do RH deve atender a quatro categorias associadas: ________________, desempenho, comunicação e trabalho. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas. a) Negócio – processos – inovação – resultados. b) Planejamento estratégico – estratégias – transformação – pessoas. c) Negócio – processos – estratégias – indicadores. d) Planejamento Estratégico – processos – transformação – resultados. e) Negócio – estratégias – inovação – pessoas. 5. Analise as asserções a seguir: I - Na atualidade, a remuneração estratégica é uma forma das organizações come- çarem a repensar as suas formas de incentivar os empregados. PORQUE II - Podemos dispor na gestão empresarial de uma forma global para o conjunto de medidas e ações voltadas à administração de valores, monetários ou não, aumentando a produtividade e resultados. Assinale a alternativa que apresenta a análise correta das asserções: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II, falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II, verdadeira. e)As asserções I e II são proposições falsas. 31 aprimore-se Aluno(a), leia, a seguir, um caso para reflexão: Nos últimos 20 anos, Rodrigo Serra vem acumulando experiência e formações para manter-se competitivo no mundo Organizacional. Formou-se em Administra- ção de Empresas e possui duas pós-graduações, uma em Gestão de Pessoas e outra em Liderança e Coaching. Atualmente, Rodrigo é o Gerente de Recursos Humanos da empresa em que trabalha. A empresa atua no segmento de comunicação e é uma empresa de médio porte. Na última reunião de diretoria de sua empresa, Rodrigo percebeu que estava ficando para trás de seus pares por não aderir à tecnologia, aliás, Rodrigo sequer possui perfil nas Redes Sociais. A única rede que ainda mantém o seu perfil é na rede LinkedIn, mas, mesmo assim, a última atualização ocorreu há três anos e meio. Percebendo essa lacuna entre ele e os seus pares, Rodrigo resolveu que deveria repensar e ampliar suas competências, até porque, nesta reunião, se enfatizou que a empresa pensava em adotar o trabalho remoto como ferramenta de competitivi- dade e, portanto, saber utilizar e interagir com as equipes mediante a tecnologia era fundamental para este novo momento da Organização. NO LUGAR DE RODRIGO, O QUE VOCÊ FARIA? Rodrigo deve, primeiramente, compreender quais são as suas competências téc- nicas e quais são as suas competências comportamentais: ele pode fazê-lo a partir de técnicas de autoconhecimento (que certamente ele estudou nas pós), através de feedback do seu gestor, ou buscar a ajuda externa em um processo de coa- ching, por exemplo. O importante é que ele consiga identificar as suas competên- cias técnicas e comportamentais. Competências Técnicas: deve refletir quais são os conhecimentos que possui e quais conhecimentos estão faltando para aderir ao novo momento da empresa. Em relação aos conhecimentos que já adquiriu, refletir sobre quais habilidades re- forçam esses conhecimentos e os que ele ainda não possui, deve pensar em como aplicar esses conhecimentos transformando em habilidades. 32 aprimore-se Competências comportamentais: Deve refletir quais são os comportamentos que lhe asseguram estar inserido num mundo tecnológico e quais ele não possui e o estão impedindo de atingir o seu objetivo. A partir desse processo de autoconhecimento, Rodrigo pode buscar ampliar a sua visão por meio de novos conhecimentos que incluem ferramentas e conheci- mentos do mundo tecnológico, bem como desenvolver comportamentos que es- tejam o impedindo, superando a resistência ou valorando (se for o caso) o uso da tecnologia como forma da sua empresa se tornar mais competitiva e, com isso, tam- bém se tornar um profissional melhor reconhecido pelo mercado. Deverá, ainda, repensar a possibilidade de interação via redes sociais e atualizar o seu perfil no LinkedIn, tornando-o mais competitivo frente ao mercado. Fonte: a autora. 33 eu recomendo! O que você faria (El Método) Ano: 2005 Sinopse: sete executivos são colocados em uma sala para um pro- cesso não convencional de Recrutamento e Seleção, sendo colo- cados em situações em que precisam tomar uma decisão e lhes é dito que há um funcionário infiltrado da Organização contratante. filme 2 DESCRIÇÃO, ANÁLISE, CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE CARGOS PROFESSORA Me Lisiane Boscardin Wolff PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Descrição e Análise de Cargos.• Processo de avaliação de cargos e modelos de classificação de Cargos • A pesquisa salarial como equalizador de salários na organização. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar a importância de uma análise e descrição de cargos na Organização • Descrever as me- todologias para a avaliação dos cargos, bem como os modelos de estruturas de cargos • Demonstrar a importância da pesquisa salarial como fonte balizadora dos cargos existentes na empresa, a fim de garantir uma remuneração justa e menores índices de rotatividade de pessoal. INTRODUÇÃO Olá estudante, bem-vindo(a)! Nesta segunda unidade da disciplina Plano de Cargos, Salários e Carreiras, que está alinhada ao conceito apresenta- do de Gestão Estratégica de Pessoas, são apresentadas a importância da análise para as definições de orientação da descrição de cargos, o porquê de se avaliarem os cargos, quais etapas devem ser consideradas para a realização da avaliação de cargos e as metodologias para a classificação. E, finalmente, a Pesquisa Salarial como norteadora do Plano de Cargos e Salários oferecido pelas Organizações mantendo, assim, a competitivi- dade em relação às empresas concorrentes. Além disso, serão apresentados os principais métodos de avaliação de car- gos para comporem a estrutura de cargos da Organização, que considera não apenas as atividades desempenhadas, mas também as qualificações que são necessárias para o colaborador exercer o cargo. Esse conteúdo servirá de base para que você possa aplicar, na prática, esse conhecimento na sua empresa. Finalmente, você entenderá a importância da pesquisa salarial como ferramenta para as áreas de recursos humanos, uma vez que esta apoia as estratégias da Organização por meio do acompanhamento do comporta- mento do mercado em relação às estruturas salariais oferecidas pelas demais organizações e, com isso, possibilita os ajustes dos cargos e remunerações. A pesquisa salarial permite às Organizações utilizarem informações provenientes do mercado, a fim de realizar enquadramentos salariais dos cargos existentes, garantido diversos benefícios, como: a diminuição da rotatividade, retenção de talentos, aumento na satisfação dos colaboradores por receberem uma remuneração condizente com as responsabilidades e atribuições dos cargos, entre outras. U N ID A D E 2 36 1 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE CARGOS Entendendo que as empresas, cada vez mais, buscam se manter competitivas, com patamares de rotatividade baixos e retenção dos seus talentos, a fim de manter o capital intelectual existente, pergunta-se: a sua empresa tem descrito e analisado constantemente os cargos existentes, bem como comparado os cargos com o mercado, a fim de oferecer remuneração atrativa? Antes de iniciar o processo de descrição de cargos, é necessário que o Ges- tor de Recursos Humanos e/ou Gestor de Área realizem uma análise da função exercida pelo colaborador. Marras (2016) traz a importância da análise da função que será exercida, e diz que as funções devem ser definidas a partir de respostas como: o que, como e para que a função existe. Dentro dessa lógica, é necessário que sejam definidas o que são tarefas, funções e cargos. Entende-se como tarefa o conjunto de responsabilidades que requeiram es- forço humano para uma determinada finalidade. Para Ivancevich (2011, p. 152), tarefas são uma “[...] série coordenada e agregada de elementos do trabalho usa- dos para produzir um resultado”. São exemplos de tarefas de um Gerente de Vendas: U N IC ES U M A R 37 a. extrair/acompanhar relatórios de vendas no sistema; b. elaborar/analisar gráficos de vendas; c. planejar ações de vendas para atingimento dos resultados; d. visitar lojas da concorrência para entender as práticas que estes estão aplicando no mercado; e. promover reuniões para alinhamento dos resultados (orçado x realizado); f. esclarecer as dúvidas dos vendedores para melhorar a qualidade da venda; g. dar feedback para a equipe sobre indicadores de vendas, objeções, comportamentos e abordagens dos vendedores; h. Criar ambiente favorável para motivação etc. (IVANCE- VICH, 2011, p. 152). As funções são o conjunto de tarefas e responsabilidades atribuídas a um empregado. Para Nascimento e Carvalho (2006, p. 49) função é o “conjunto de atividades que cada indivíduo executa na instituição”. Os autores ainda comentam que a função é única, sendo que, em uma empresa, existe, no mínimo, uma função para cada empregado. Pode-se dizer, então, que as funções são o conjuntode tarefas executadas repetidamente pelos colaboradores no seu período de trabalho, sendo com- posta por deveres, tarefas e responsabilidades que requerem os serviços de um indivíduo. Assim, pode haver muitos cargos iguais, porém, cada ocupante deste cargo pode executar funções diferentes. Exemplos de Funções de um Advogado: representar, em juízo ou fora dele, o cliente nas ações em que este for autor, réu ou interessado, acompanhando o an- damento do processo, atendendo aos prazos de manifestação/contestação etc. Em relação aos cargos, pode-se afirmar que é um conjunto de atribuições que se assemelham quanto à natureza do trabalho e à complexidade e respon- sabilidades inerentes a estes. Nascimento e Carvalho (2006) acrescentam que os cargos não são apenas um conjunto de funções semelhantes, mas podem ser U N ID A D E 2 38 Descrição da Imagem: A imagem apresenta um exemplo de organograma horizontal dispondo a estrutura de diferentes cargos que compõem o setor de uma biblioteca. também um conjunto de atividades complementares. Na visão dos autores “[...] o cargo é plural, ou seja, para cada cargo pode haver uma ou mais pessoas em uma empresa” (NASCIMENTO; CARVALHO, 2006, p. 50). Os cargos são um conjunto de funções de mesma natureza de trabalho (similares), de requisitos e nível de dificuldades semelhantes e com responsabilidades comuns. Cargo é, portanto, uma posição dentro da organização que reúne as funções que o ocupante deverá cumprir. O cargo existe mesmo que não esteja sendo ocupado. Exemplos de cargos: Presidente, Diretor de Marketing, Diretor Financeiro, Assistente Jurídico, Estagiário, Coordenador, Supervisor, Auxiliar adminis- trativo, Técnico de qualidade, Gerente de Recursos Humanos etc. Para exemplificar melhor as diferenças entre cargos, funções e tarefas, a Pearson Education do Brasil (2010) ilustra, por meio da Figura 1, o cargo Bibliotecário, para esse entendimento. CARGO FUNÇÕES TAREFAS Bibliotecário Adquirir o material para o acervo Supervisionar os auxiliares de biblioteca Zelar pela manutenção do acervo Coordenar programas de incentivo à leitura Levantar necessidade de aquisição Contatar e selecionar fornecedores Controlar o recebimento do material Catalogar os novos materiais Figura 1 – Exemplo de distinção entre as funções e tarefas que compõem um cargo Fonte: Pearson Education do Brasil (2012, p. 65). U N IC ES U M A R 39 Querido(a) estudante: pode-se dizer, então, que as funções são as responsabilidades dos cargos e as tarefas são os desdobramentos das funções ou, até mesmo, pensar que as tarefas são as listas de atividades componentes de cada função a ser exercida no cargo! pensando juntos Uma empresa que atua na análise e descrição dos cargos existentes e futuros terá uma referência básica para o enquadramento dos cargos, garantindo ações de mobilidade horizontal e vertical, oferta de um sis- tema remuneratório e de pessoal justos tanto para os colaboradores atuais quanto em relação à visibilidade desta para o mercado, a fim de atrair novos talentos. A descrição e avaliação de cargos é fundamental para a administração de salários de uma empresa que visa oferecer salários justos e igualitários, considerando requisitos mentais, físicos, responsabilidades e condi- ções de trabalho. Essa estruturação deve considerar, ain- da, o equilíbrio interno de uma organização e o equilí- brio externo (CHIAVENATO, 2014; MARRAS, 2016). Por equilíbrio interno se deve considerar a re- muneração oferecida para cada cargo da empresa, levando em conta a complexidade das tarefas e nível de responsabilidade relativa a cada cargo existente na Organização (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2012; CHIAVENATO, 2014). O equilíbrio externo leva em conta a pesquisa salarial como instrumento para verificar a compatibi- lidade dos salários oferecidas em outras organizações em relação aos mesmos cargos em questão (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2012; CHIAVENATO, 2014). A Figura 2 representa os fundamentos da admi- nistração de salários considerando o equilíbrio interno e externo na construção das estruturas salariais. U N ID A D E 2 40 Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta os fundamentos da administração de salários, nela são levados em conta os equilíbrios interno e externo de uma empresa. O equilíbrio interno contempla a avaliação de cargos e a classificação de cargos que servirão para definir a Política de RH da empresa, e o equilíbrio externo leva em conta a pesquisa salarial. A análise de cargos auxilia as empresas a garantirem o equilíbrio interno e ainda corrobora para que os colaboradores de uma empresa compreendam a equidade da sua remuneração, uma vez que podem comparar as suas funções e responsabi- lidades com os demais integrantes ou cargos similares (ARAUJO; GARCIA, 2009). Conforme Ivancevich (2011), a análise de cargos compreende em um pro- cesso ordenado de coleta que visa o entendimento dos aspectos relacionados ao cargo como um todo. Para Chiavenato (2014, p. 249) “[...] a avaliação de cargos é o processo pelo qual se aplicam critérios de comparação entre os cargos para conseguir uma valoração relativa dos salários dos diversos cargos”. Ivancevich (2011, p. 152) aponta que existem diversas etapas para a análise de cargos, sendo que ele subdivide a análise em seis etapas: ESTRUTURAS SALARIAS POLÍTICA DE RH DA ORGANIZAÇÃO Avaliação de cargos Equilíbrio interno Classi�cação de cargos Política salarial da organização Pesquisa salarial Equilíbrio externo Figura 2 – Fundamentos da Administração de Salários / Fonte: Chiavenato (2014, p. 248). U N IC ES U M A R 41 A Figura 3 ilustra o processo descrito anteriormente por Ivancevich (2011), estruturado em seis etapas: Primeira etapa: o autor propõe que todos os cargos sejam avaliados e adequados dentro da empresa. Segunda etapa: as pessoas envolvidas de�nirão como utilizarão a análise de cargo realizada, bem como as de�nições que se �zerem necessárias. Terceira etapa: são constituídos os cargos que serão analisados. Quarta etapa: são aplicadas técnicas para a análise dos cargos considerando as características que o colaborador deve possuir para desempenhar as funções necessárias do cargo. Quinta etapa: são elaboradas as descrições dos cargos. Sexta etapa: �nalmente são realizadas as especi�cações relativasaos cargos descritos. U N ID A D E 2 42 Descrição da Imagem: o processo de análise de cargos leva em conta etapas que vão desde a análise de cada cargo da organização até a preparação da especificação dos cargos. O conjunto das etapas servirá para um melhor planejamento e distribuição dos recursos humanos em uma empresa e auxiliará numa melhor seleção de pessoas também. Além disso, é possível definir benefícios de acordo com as descrições e especificações de cada cargo, atendendo a legislação e acompanhamento dos empregados. A classificação de cargos compreende no processo de comparação propria- mente dito entre os cargos para que possam, com isso, aplicar uma hierarquia de classes que servirá de base para a criação de uma estrutura de salários para a empresa e, desta forma, são agrupados considerando a semelhança quanto à natureza do trabalho (ARAUJO; GARCIA, 2009; CHIAVENATO, 2014). 1ª Etapa Examinar toda a organização e a adequação de cada cargo 2ª Etapa Determinar como utilizar as informações da análise de cargos 3ª Etapa Selecionar os cargos a serem analisados 4ª Etapa Coletar dados, utilizando técnicas aceitáveis de análise de cargos 5ª Etapa Preparar a descrição de cargos 6ª Etapa Preparar a especi�cação de cargos Utilizar as informações obtidas nas etapas de 1 a 6 para: Planejamento de cargos Planejamento Recrutamento Seleção e treinamento Avaliação de desempenho Compensação e benefícios Cumprimento da legislação de oportunidades iguais de emprego Avaliações de acompanhamento Figura 3 – Processo de Análise de Cargos e a relação com a Gestão de RecursosHumanos e a Descrição de Cargos / Fonte: Ivancevich (2011, p. 152). U N IC ES U M A R 43 Descrição da Imagem: as fontes de dados e métodos de coletas desses dados são importantes para definir quais dados dos trabalhos devem ser levados em conta quando for realizado a descrição de cargo que definirá as funções de cada cargo e suas especificações. Para realizar a análise dos cargos de uma empresa, que pode ser por observação, entrevistas, aplicação de questionários etc., o analista de recursos humanos ou o gestor da área deve descrever as competências técnicas (conhecimentos e habili- dades) e competências comportamentais (atitudes) necessárias para a adequação do empregado à função, bem como a descrição minuciosa das atividades a serem realizadas, os padrões de desempenho esperados e, dependendo do caso, equipa- mentos que serão utilizados, e, portanto, requerem treinamento ou conhecimento no uso (BOHLANDER; SNELL, 2015). A Figura 4 a seguir apresenta o esquema teórico da análise de cargo considerando os fatores descritos anteriormente. FONTES DE DADOS Analista de cargo Funcionário Supervisor MÉTODOS DE COLETA DE DADOS Entrevista Questionário Observação Registro diário DADOS SOBRE O TRABALHO Tarefas Padrões de desempenho Responsabilidades Conhecimento necessário Habilidades requeridas Experiência necessária Deveres Equipamento utilizado DESCRIÇÃO DO CARGO Tarefas Deveres Responsabilidades FUNÇÕES DE RECURSOS HUMANOS Recrutamento Seleção Treinamento e desenvolvimento Avaliação e desempenho Gerenciamento da remuneração ESPECIFICAÇÕES DO CARGO Habilidades requeridas Exigências físicas Conhecimentos necessários Capacidades necessárias Figura 4 – Processo de Análise de Cargo / Fonte: Bohlander e Snell (2015, p. 131). U N ID A D E 2 44 Conforme Oliveira (2017), é na análise que se utilizam métodos de coleta de dados, podendo ser realizada uma entrevista individual com o ocupan- te da vaga, uma entrevista com o grupo de ocupantes com a finalidade de melhor compreensão das responsabilidades e tarefas de cada cargo e, ainda, entrevista com o supervisor. O autor sugere também o uso de questionário, que segue a mesma lógica da entrevista, porém abrange um maior número de pessoas respondendo sobre o cargo que ocupa (OLIVEIRA, 2017). E, finalmente, a coleta através da observação, em que se analisam as ativida- des que são exercidas pelo colaborador e são anotadas, normalmente, em uma planilha ou questionário, sendo utilizada apenas para atividades mais simples e que são executadas de forma rotineira e repetitiva (OLIVEIRA, 2017). A partir da coleta de dados, é necessário elaborar a descrição de cargo. Conforme Araújo e Garcia (2009, p. 65), esta deve descrever as atividades de forma “[...] clara e simples, possibilitando que as pessoas que não conhecem determinado cargo possam compreendê-lo sem nenhuma dificuldade”. A descrição de cargo vem a ser “[...] o principal produto da análise de cargo. É um resumo forma (escrito) do cargo como unidade organizacional iden- tificável” (IVANCEVICH, 2011, p. 152). A descrição de cargo é um documento formal da organização, em que cons- ta, de forma organizada, as exigências do cargo para o ocupante da vaga. Con- tém a descrição de atividades (normalmente tarefas e funções). Alguns autores dizem que a função também pode ser nominada em uma descrição de cargos, como: responsabilidades ou papel, competências técnicas (conhecimentos e ha- bilidades), competências comportamentais (atitudes) (NASCIMENTO; CAR- VALHO, 2006; PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2012; BOHLANDER; SNELL, 2015; MARRAS, 2016). Para Oliveira (2017, p. 12), as descrições de cargos devem sempre responder às seguintes questões: a) O que o ocupante faz? (quais as atividades) b) Como ele faz? (utiliza-se de equipamentos e máquinas) c) Sob quais condições ele faz? (requisitos) d) Por que ele faz? (objetivo ou razões para a execução dessas tarefas) A Figura 5 foi elaborada para simplificar o que o autor comentou anteriormente e para que se possa concretizar as questões sugeridas por ele. U N IC ES U M A R 45 Descrição da Imagem: a imagem apresenta um exemplo de descrição de cargo para analista de remuneração, contém o resumo de atividades, as tarefas essenciais, os requisitos e informações sobre local de trabalho e horário de expediente. Figura 5 – Exemplo de uso dos questionamentos na descrição de cargo / Fonte: a autora. Para a Pearson Education do Brasil (2012, p. 65), os principais itens que uma descrição de cargo deve conter são: 1. Título do cargo. 2. Departamento ou setor ao qual o cargo está vinculado. 3. Divisão ou diretoria à qual o departamento está vinculado. 4. Relacionamentos – esse item indica a posição do cargo no organograma. 5. Resumo ou descrição sumária. 6. Funções e tarefas. 7. Condições físicas de trabalho. 8. Quem preparou (ou revisou) a descrição e em qual data. Um segundo produto, além dos itens apresentados, diz respeito às especificida- des dos cargos, isto é, as competências técnicas (conhecimentos e habilidades) e competências comportamentais (atitudes, traços de personalidade) e outros pontos relevantes para que o ocupante do cargo possa exercer suas atividades, atendendo à descrição do cargo (ARAUJO; GARCIA, 2009; PEARSON EDU- CATION DO BRASIL, 2012). Responsabilidades: - Emitir pareceres relacionados a promoções ou reenquadramentos funcionais ou salariais de colaboradores, com base na política de remuneração vigente; - Realizar pesquisas de remuneração e de práticas relacionadas, com base em necessidades especí�cas identi�cadas e responder às pesquisas salariais; - Analisar o equilíbrio salarial da empresa em relação ao mercado, atuando de forma preventiva na retenção de pro�ssionais; - Propor políticas especí�cas para o processo de remuneração, alinhadas à estratégia organizacional; - Manter atualizado e organizado o sistema de remuneração de acordo com políticas internas e práticas de mercado; - Realizar o orçamento de pessoal da operação sul, com interface com a área �nanceira, e realizar o acompanhamento do mesmo durante o ano; - Realizar o controle e atualização do Bônus executivo; - Atuar na gestão do Plano de Carreira Docente da UNICESUMAR; - Controlar e auditar os indicadores de RH. Requisitos: - Curso Superior completo em Administração, Engenharia, Matemática ou áreas a�ns; - Desejável Pós-graduação em andamento ou completo na área; - Desejável Inglês Intermediário; - Experiência na posição; - Desejável conhecimento na Metodologia Hay. Analista de Remuneração: Desenvolver e implantar projetos de remuneração, controlar o orçamento, reajustes e promoções, criando a cultura estratégica da área no negócio. Apoiar as Analistas de DO em assuntos relacionados a área de remuneração e atender as demandas do Corporativo relacionadas a área. Local de trabalho: UNICESUMAR - Av. Guedner, nº 1610, Maringá/PR - Segundas às sextas das 10:00 às 19:00 CARGO PORQUE FAZ? FU N Çà O COMO FAZ? O QUE FAZ? QUANDO FAZ? U N ID A D E 2 46 As competências técnicas e comportamentais fazem parte das especificidades do cargo. Então, pode-se pensar o quão importante é o processo de levantamen- to de dados para que, a partir deles, possa-se construir uma descrição de cargo clara, abrangente, a fim de se atribuir um valor justo considerando todas essas especificações (OLIVEIRA, 2017). Araújo e Garcia (2009, p. 65-66) destacam, ainda, como pertinentes às espe- cificidades do cargo a observação de fases: a) área mental (conhecimentos teóricos e práticos para o ocupante da vaga exercer suas funções; b) área de responsabilidade (devem ser bastante detalhadas as atividades que serão realizadas pelos ocupantes dos cargos); c) área física: identificação de esforços físicos que se façam necessários para o cargo (exemplo: força física, atenção concentrada, visão, etc.) d) área de condições de trabalho diz respeito ao local de trabalho propria- mente dito e a avaliação dos riscos inerentes ao cargo).